Issuu on Google+

CORREIO DOURO www.correiododouro.pt

do

director|OSCAR QUEIRÓS subdirector|JOSÉ LUIS PINTO

ano|61 número|26

nova série

preço|0,25€

Sexta, 29 de Outubro de 2010

QUINZENAL REGIONALISTA

NOVO CENTRO HOSPITALAR VAI AGREGAR HOSPITAIS DE VALONGO E DE S. JOÃOPORTO O Hospital de S. João, Porto, e o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Valongo, serão agrupados num novo centro hospitalar no próximo ano. Pàg. 3

Por causa das portagens

MENEZES AVISA QUE HÁ “EMPRESÁRIOS A FALAR EM DESLOCALIZAREMSE Pàg. 5 PARA A GALIZA” Penafiel tem outra “estrela”

Paços de Ferreira finta a crise

O SEGREDO DO JOVEM DE IRIVO NA MAIS FAMOSA DAS CASAS PORTUGUESAS Tem 34 anos, é licenciado em Gestão e já é visto pelos seus conterrâneos como o “Tino II”. Pàgs. 14 - 15

“AQUI OS EMPRESÁRIOS TÊM UM FUTURO PROMISSOR”

VALONGO

ADICE no combate à pobreza e exclusão

“DÊ O PRIMEIRO PASSO, NÓS DAMOS O SEGUNDO”

Pàg. 5

Caso da permuta de terrenos com F C Porto

RIO CRITICA NEGÓCIO AVALIZADO POR NUNO CARDOSO O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, criticou esta semana nas Varas Criminais do Porto a permuta de terrenos autárquicos com o FC Porto Pàg. 5

OBRAS AVANÇAM NO MERCADO DA AREOSA Já recomeçaram as obras do novo Mercado da Areosa, incluindo as do novo parque de estacionamento. Os trabalhos que deverão estar concluídos durante o Verão de 2011. Pàg. 12

Na Capital do Móvel há muito que se prefere agir que contar com milagres. E os frutos estão à vista: os efeitos da crise são muito menores que no resto do país. Como o conseguiram? Hélder Campos Moura, presidente da AEPF, explica-o detalhadamente, em entrevista ao nosso jornal. Pàgs. 7 à 10 VILA REAL

Cartões Municipais do Idoso e Famílias Numerosas

COM NOVOS DESCONTOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE

EXPERIMENTE A PURA COZINHA PORTUGUESA COM O NOSSO TOQUE REGIONAL T. - 936 060 353 / 224 223 299

Foi assinado, no passado dia 25 de Outubro, mais um protocolo entre o Município, representado pela Vereadora com o Pelouro da Acção Social, Dolores Monteiro e a Clínica terapêutica infanto-juvenil – Incentivar Saúde. Pàg. 13


OPINIĂƒO Como chegamos aqui? No momento em que o PaĂ­s sofre, como nunca na histĂłria da Democracia, importa haver consciĂŞncia de quem nos trouxe atĂŠ esta crise. E nĂŁo vale a pena repisar a tese de que a crise ĂŠ global. A verdade ĂŠ que hĂĄ um          esta crise tomou em Portugal: chama-se    i a governação socialista de privilegiar a despesa pĂşblica, de         de nĂŁo ter pudor na criação de lugares a esmo na administração pĂşblica para os          eleitoralista que provocou o descalabro das contas pĂşblicas e nos colocou numa         ! Chegamos ao ponto em que sĂŁo os portugueses no seu conjunto que terĂŁo de

"             #     Ministro. !      po social, sĂŁo os funcionĂĄrios pĂşblicos. Estes, na sua esmagadora maioria, sĂŁo $         %#  "  &  

 '   

COMO CHEGAMOS AQUI? Marco AntĂłnio Costa Vice-Presidente da ComissĂŁo Politica Nacional do PSD

seus impostos. O ano de 2011 vai ser de todos os sacri' (   )     *  +           +  menos possĂ­vel cidadĂŁos e empresas, a   /   *      $    3      constantemente habituado Ă  demagogia, Ă  falsidade e ao despesismo.

O maior problema do País neste mo   /     '        +   camente suportar. O problema maior   /  )  $  3        4   $  )+   o aperto de cinto seja cumprido com          "ção vai servir de pouco ou de nada. A

   $ /            haverĂĄ crescimento econĂłmico sequer +&           ou um ano estaremos nĂŁo na mesma mas provavelmente pior. Ă&#x2030; uma impotĂŞn   +   )+    5  67 8 9/   / #  ;) <   )+ )  )   = >    +           6  a Presidente da RepĂşblica. Ă&#x2030; um sinal         sonalidade que, por esta altura, ĂŠ um dos   )    $  os portugueses, precisamente num momento em que este ĂŠ um valor escasso. 6      "      "    apesar de ter sido um dos Presidentes da RepĂşblica mais atacados neste regime  &        @BFG H /      3   9/              )   de alguns desses ataques, quer porque nĂŁo ouviu os atempados avisos sobre a crise que vieram de BelĂŠm.

REPĂ&#x161;BLICA ď&#x161;ť VALEU A PENA? Por JosĂŠ LuĂ­s Pinto

No passado dia 5 de Outubro comemoramos 100 anos da instauração da República em Portugal sem grande convicção. Penso que se devia ter aproveitado esse momento para perceber se valeu a pena essa revolução que tanto modificou administrativa, cultural e politicamente o nosso país. Para fazermos um balanço. Para analisarmos o que correu bem e o que correu mal. Para aproveitarmos o presente, perspectivando o futuro tendo em conta o passado.

Declaração de interesses: nĂŁo sou monĂĄrquico, embora nĂŁo seja um assunto sobre o qual me tenha debruçado muito. Nasci numa repĂşblica, nunca se me colocou alternativa, e nĂŁo gosto muito da ideia do â&#x20AC;&#x153;poder herdadoâ&#x20AC;?. Agrada-me muito mais a ideia de podermos eleger as nossas Instituiçþes e derrubĂĄ-las quando mĂĄs, colocĂĄ-las em causa. No entanto, se fosse monĂĄrquico, nĂŁo hesitaria em denegrir a nossa experiĂŞncia republicana. AtĂŠ porque ĂŠ, de facto, uma mĂĄ experiĂŞncia. Nos 100 anos de repĂşblica houve mais tempo de ditadura que de democracia. A democracia com que iniciamos o percurso republicano era inferior Ă  democracia herdada da monarquia. A violĂŞncia, nos tempos que se seguiram, aumentou significativamente, tanto nas pessoas em geral como nas Instituiçþes, particularmente a Igreja que foi selvaticamente

perseguida. A vida das pessoas nĂŁo melhorou, apesar de algumas preocupaçþes sociais, de que destaco o ensino obrigatĂłrio. E penso que ninguĂŠm duvida que se a monarquia vingasse ainda nos dias de hoje, nĂŁo deixarĂ­amos de ser uma democracia. Assim, vivo neste dilema que nĂŁo me incomoda. NĂŁo gosto do risco de ter um rei â&#x20AC;&#x153;fracoâ&#x20AC;?, sem qualidades para ser Rei, sem ser eleito. Mas reconheçamos que uma pessoa preparada toda a vida para esse cargo, sem ter que mentir, disfarçar, para defender a sua eleição e os seus interesses em detrimento de outros, farĂĄ muito melhor um cargo que ĂŠ sobretudo representativo que aquele que, querendo se eleger e defender os seus interesses, o farĂĄ. E por outro lado, a experiĂŞncia das monarquias democrĂĄticas ĂŠ genericamente positiva, principalmente na Europa, em que o nĂ­vel de desenvolvimento estĂĄ claramente acima da mĂŠdia.

NĂŁo consigo entender, no entanto, como tanta gente defende a experiĂŞncia republicana, principalmente a nossa, com tanta convicção. Ă&#x2030;ramos em 1910 um paĂ­s pobre, um dos Ăşltimos da Europa. Hoje somos um pobre paĂ­s, um dos Ăşltimos da Europa. Hoje, como hĂĄ 100 anos atrĂĄs, temos as finanças depauperadas. NĂŁo temos no nosso desenvolvimento desde hĂĄ 100 anos nada relevante que se deva especificamente Ă  RepĂşblica, antes ao desenvolvimento natural das sociedades em geral e que nos coloca nos mesmos lugares do â&#x20AC;&#x153;rankingâ&#x20AC;? de desenvolvimento. Com monarquia seria o mesmo? Nunca o saberemos, mas suspeito que pior nĂŁo seria. Por isso nĂŁo vejo porque festejar. Vejo sim como uma oportunidade perdida para refundarmos o nosso paĂ­s e fazer aquela que podia ser conhecida como a quarta repĂşblica. Estas, atĂŠ agora e de facto, nĂŁo foram grande coisa.

ficha tĂŠcnica

CORREIO DO DOURO

â&#x20AC;&#x201C; QUINZENĂ RIO www.correiododouro.pt

Propriedade Condor Publicaçþes, Lda. Contr. 508923190 Sede e Redacção Rua Dr. JoĂŁo Alves Vale, 78 â&#x20AC;&#x201C; Est. D â&#x20AC;&#x201C; 4440-644 VALONGO Tel. 224210151 â&#x20AC;&#x201C; Fax 224210310

2 CD

29 de Outubro 2010

Director|Oscar Queirós Subdirector|JosÊ Luís Pinto Chefe de Redacção|João Rodrigues Redacção e Colaboradores|Victorino de Queirós - J. Rocha - J. Silva - E. Queirós -Nuno Victorino - Marquês do Vale.  Editor Miguel Pereira João Rodrigues Filho

CORREIO ELECTRĂ&#x201C;NICO:         

        

 

      

      

        NÂş. Registo ERC 125216    


Actualidade ™™™Matosinhos

ANTIGO MATADOURO TRANSFOR MADO EM CENTRO DE INOVAÇÃO

Abre no próximo verão e vai gerar negócios de mais de 250 milhões/ano

As obras que transformarão o matadouro de Matosinhos num Centro de Inovação, que acolherá o grupo Impresa e outras empresas, ficarão concluídas no verão do próximo ano, garantiu o presidente da autarquia. O autarca de Matosinhos, Guilherme Pinto, considerou o novo Centro de Inovação de Matosinhos (CIM) uma “peça essencial” para aquela zona da cidade. “Matosinhos/Sul é um caso de sucesso e, por ventura, o local mais apetecido na Área Metropolitana do Porto para habitar. No entender da Câmara, faltava esta peça essencial para termos a certeza de que estamos a construir esta cidade inclusiva”, disse. A reconversão do antigo matadouro em CIM representa um investimento de cerca de cinco milhões de euros, sendo que o edifício acolherá 15 empresas, designadamente a SIC, o Expresso e a Visão, do grupo Impresa, bem como a Inovamais, a Filbox produções Audiovisuais, a No More/No Less, a HOT Consulting, a No Trouble, a SoJornal, a Mediapress, a 7Graus, a GMTS, a InfoPortugal e, entre outras, a AEIOU. Este conjunto de empresas representa um volume de negócios anual de mais de 250 milhões de euros, dando emprego a 188 pessoas. Guilherme Pinto salientou que as obras que transformarão “o espaço numa zona dinâmica” arrancam já no dia 3 de Novembro e têm um prazo de execução de seis meses. O autarca referiu ainda que há já um conjunto de outras empresas que se en-

As obras de requalificação do antigo Matadouro Municipal arrancam no próximo dia 3 de Novembro. contram em lista de espera para aderirem ao CIM e, uma vez que as instalações estão já lotadas, a Câmara de Matosinhos está já a equacionar como poderá aproveitar melhor a zona sul da cidade para as acolher. O outro CIM, garantiu, “ficará próximo”. Para Guilherme Pinto, não houve atrasos neste projecto, contudo, Luís Marques, director geral da SIC, afirmou que tinha “expectativas” de que a televi-

são estivesse já ali instalada. “Não houve atraso, a fase difícil foi a do projecto, quando ficou tudo definido com o grupo Impresa não houve um minuto de atraso”, disse Guilherme Pinto. Já Luís Marques referiu que as obras estão com “algum atraso em relação às expectativas”, precisando que a mudança estava inicialmente prevista para “antes deste verão”. Luís Marques salientou a importância da transferência da SIC, Expresso e

NOVO CENTRO HOSPITALAR VAI AGREGAR HOSPITAIS DE S. JOÃO E DE VALONGO

O Hospital de S. João, Porto, e o Hospital Nossa Senhora da Conceição, Valongo, serão agrupados num novo centro hospitalar no próximo ano, segundo declarações de António Ferreira presidente do Conselho de Administração das duas unidades hospitalares. Este agrupamento está previsto no Orçamento do Estado para 2011, embora o Hospital de Valongo já seja gerido, desde Abril, pela administração do Hospital de S. João. O presidente do Conselho de Administração do S. João, que acumula também a presidência do CA do Hospital de Valongo, afirmou “esperar e desejar” que este novo centro hospitalar comece a funcionar “no primeiro dia de Janeiro” do próximo ano. António Ferreira considerou que a gestão comum que tem sido levada a cabo nestes últimos seis meses já tem dado frutos, destacando “uma redução de 30 por cento das reclamações em Valongo”. “O centro hospitalar irá facilitar muito em termos de

gestão de recursos”, frisou o responsável, garantindo ainda que esta fusão implicará uma gestão comum de recursos humanos, mas não originará despedimentos ou dispensas de profissionais. António Ferreira, que é também director clínico do Hospital de Valongo, adiantou que vai entregar para análise o plano de negócio do futuro centro hospitalar na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, para que este seja depois enviado e validado pela tutela, designadamente pelos ministérios da Saúde e Finanças. António Ferreira referiu que o plano passa por “apostar no ambulatório” em Valongo, “levando para lá consultas de especialidade”. “Queremos fazer daquelas instalações um centro de cirurgia de ambulatório e continuar a exponenciar a redução das listas de espera, apostar na medicina, na medicina física de reabilitação e na unidade de convalescença, mas mantendo sempre o serviço de

urgência 24 horas por dia”, garantiu António Ferreira. Com a criação deste novo centro hospitalar, disse, “há possibilidade de reduzir custos, quer ao nível do aprovisionamento como ao nível das contas”. “Em vez de termos dois serviços de radiologia ou de análises clínicas teremos apenas um”, exemplificou, especificando que, através da telemedicina, os exames realizados em Valongo serão analisados e relatados por médicos do S. João. O responsável frisou ainda que, actualmente, os dois hospitais têm dois Conselhos de Administração, embora apenas com cinco elementos, quatro no S. João e um administrador executivo em Valongo. “Esta acumulação de funções traduz-se apenas em mais trabalho, não havendo qualquer retribuição acessória por isso”, salientou ainda o responsável. Revelou ainda que a enfermeira directora também já acumula funções nas duas unidades de saúde.

Visão para Matosinhos, considerando tratar-se de “uma mudança muito importante, porque permite juntar no mesmo espaço os serviços que o grupo tem no Porto”. O responsável afirmou que esta mudança de instalações vai permitir à SIC/ Porto crescer, uma vez que será criada uma televisão de raiz. “Uma das limitações que a SIC tinha é a de que o espaço que ocupa tem um conjunto de constrangimentos do ponto

operacional”, disse, acrescentando que “vai permitir que o Porto e o norte tenham condições de ajudar mais a SIC Lisboa na oferta de informação”. Admitiu ainda que, na sequência deste crescimento, estejam implícitas novas contratações. Foi em Junho de 2009 que a autarquia anunciou que iria arrendar ao grupo Impresa as instalações do antigo matadouro, por um período de 15 anos renovável, pelo valor mensal de oito mil euros.

™™™SCUT/Gaia

MENEZES QUER PÓRTICO DA A29 DESLOCADO 200 METROS PARA SUL O presidente da Câmara de Gaia vai solicitar ao Governo a deslocação para sul em cerca de 200 metros do pórtico colocado na A29 em Francelos, a fim de evitar o congestionamento de trânsito verificado nos últimos dias. “Vamos remeter uma carta ao ministro [das Obras Públicas] a solicitar que a portagem seja deslocada cerca de 200 metros, o que irá permitir que esta zona sobrepovoada [Gulpilhares, Arcozelo e Valadares] possa ser compensada um pouco do enorme transtorno”, afirmou há dias em Gaia Luís Filipe Menezes. Desde que o pagamento de portagens nas SCUT do Norte entrou em vigor, são muitos os automobilistas que desviam o seu percurso por ruas mais interiores de Gaia para evitar o pórtico da A29 junto a Francelos, provocando um aumento de trânsito nas vias secundárias. “Parece que houve aqui um espírito do mal que veio escolher exactamente a métrica necessária para causar mais problemas, chatices e incómodos. Duzentos metros à frente teríamos outro nó

que poderia resolver tudo isto”, explicou o autarca. Menezes recordou que parte da A29 “foi construída sobre uma antiga estrada municipal, a antiga 109 que ligava Espinho ao Porto”, tendo desafectado “alguns quilómetros que pertenciam a essa estrada”, incorporando-a sem a substituir “por nenhuma outra”. “E é precisamente esse troço que foi incorporado na auto-estrada e retirado da via municipal que obriga milhares de pessoas a este esforço, absolutamente patético, próprio de repúblicas das bananas”, realçou. Menezes quer pois “tentar persuadir politicamente o Governo a encarar uma solução que é possível, não trará grandes custos

a nível de diminuição de receita e que é absolutamente justa, porque esta situação é insustentável”. “Hoje mesmo segue para ministro das Obras Públicas, secretário de Estado, com conhecimento ao PM, esta situação. Não é o protesto histérico, mas uma proposta de solução e face a isso espero que haja vontade de dialogar connosco e encontrá-la”. Caso o problema não seja resolvido em tempo útil, o autarca de Gaia admite mesmo “tomar medidas de combate a esta injustiça”, lembrando que “existem possibilidades até jurisdicionais de o fazer”. “Como eu disse, talvez até abusivamente tenha sido construído sobre uma estrada municipal, um troço de estrada nacional sem a devida compensação ter sido executada”, frisou. E porque o congestionamento de tráfego pode danificar as vias secundárias, que “não estão preparadas para aguentar com este tipo de trânsito” Menezes defende que “uma percentagem das portagens nas SCUT devia ir para as juntas e câmaras para que pudessem tratar da sua rede viária”.

29 de Outubro 2010

CD 3


Valongo Embaixada valonguense em Espanha

MÁSCARA IBÉRICA MOSTROU-SE EM ZAMORA A 6ª edição do Desfile da Máscara Ibérica foi o ponto alto do vasto programa dinamizado no âmbito do Festival da Máscara Ibérica que se realizou de 22 a 24 de Outubro, na cidade espanhola de Zamora, onde milhares de pessoas assistiram a um espectáculo de cor e tradição, proporcionado por 370 mascarados que percorreram as principais artérias daquela cidade. O vice-presidente da Câmara de Valongo, João Paulo Baltazar, o presidente da Junta de Freguesia de Sobrado, Carlos Mota, e o presidente da Associação Casa do Bugio, António Pinto, estiveram entre as personalidades convidadas para este já conceituado certame cultural, tendo aproveitado para promover a peculiar Bugiada junto das entidades espanholas, designadamente da autarquia de Zamora que prontamente aceitaram o convite para visitar Valongo já no próximo S. João. Para os representantes de Valongo a mostra da cultura e da tradição popular portuguesa propiciada pelo Festival da Máscara Ibérica reveste-se da maior importância, “uma vez que é uma excelente oportunidade potenciar e dar a conhecer as respectivas identidades locais”, nomeadamente de Valongo. Até à vizinha Espanha foram le-

Foto Progestur

vados também os sabores de algumas regiões portuguesas, transformando o festival num espaço de oferta de cultu-

VALONGUENSES BRILHAM NA CORUNHA

ra ibérica. Além de Valongo, Portugal esteve representado pelos municípios de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros,

das Aldeias do Xisto, ADRACES, Associação dos Artesãos da Serra da Estrela e pela Região do Alentejo.

CANDIDATURAS ATÉ AO DIA 15 DE NOVEMBRO

CÂMARA DÁ BOLSA DE ESTUDOS PARA A LUSÓFONA O Município de Valongo assinou um protocolo de cooperação com a Universidade Lusófona, do Porto, com vista à atribuição de uma Bolsa de Estudo a um estudante residente no concelho de Valongo, para o ano lectivo 2010/2011, A bolsa traduz-se na isenção de propina e aplica-se a alunos residentes no concelho que, no presente ano lectivo, se matriculem no 1.º ano de cursos de 1.º Ciclo (Licenciaturas) na Universidade Lusófona do Porto, desde que não possuam grau académico universitário nem beneficiem de outra bolsa de estudo. Nos termos do Protocolo de Cooperação e do Regulamento da Universidade Lusófona do Porto compete à Câmara de Valongo a selecção das candidaturas, com base nos critérios definidos no referido Regulamento. A candidatura deverá ser formalizada mediante preenchimento de formulário próprio e entrega de documentos exigidos na Secção de Apoio Administrativo do Departamento de Educação, Acção Social, Juventude e Desporto da Câmara Municipal de Valongo, até ao dia 15 de Novembro.

UNIVERSIDADE SÉNIOR DE VALONGO JÁ TEM CASA PRÓPRIA

Foto CMV

Na senda do óptimo desempenho que vêm tendo, alunos Taekwondo da Academia Tigre Branco, de Valongo, voltaram a brilhar num torneio que há uma semana teve lugar na Corunha. A competição, denominada Torneio de Taekwondo de Técnica de “As Pontes de Garcia Rodriguez” teve a participação de 9 equipas, num total de mais de 150 atletas. Antecedidos da fama granjeada o ano passado, onde obtiveram uma classificação excelente, os alunos da academia valonguense decidiram não deixar os seus créditos por mãos alheias e “limparam” quase tudo o que havia a ganhar. Os resultados falam por si: todos os 46atletas valonguenses conseguiram lugares no pódio. E que lugares: 22 deles obtiveram o primeiro lugar; 12 segundos lugares e 12 terceiros lugares.

4 CD

E só não obtiveram o primeiro lugar por equipas porque a organização decidiu que este ano não haveria esse galardão. Se assim não fosse a Academia Tigre Branco tê-lo-ia garantido, como aconteceu no ano passado.

SOLIDÁRIOS Como o costuma fazer neste género de competição o objectivo principal dos alunos valonguenses era dar o seu melhor para converter os pontos do pódio em quilos de alimentos que oferece depois a uma Instituição de Solidariedade do concelho de Valongo. O ano passado foram oferecidos 145 quilos de víveres e este ano, onde o esforço foi ainda maior e compensou, serão 190 kg. Tudo conseguido por alunos dos 5 aos 45 anos de idade.

29 de Outubro 2010

A Câmara de Valongo cedeu as instalações da Escola 1º. de Maio à Universidade Sénior de Valongo que passa assim a dispor de um local condigno para o desenvolvimento da sua actividade de fonte de conhecimento. A cedência marcou a abertura do novo ano lectivo da universidade que este ano conta com mais de uma cen-

tena de alunos. O acto foi formalizado com assinatura de protocolo entre a Câmara Municipal e o Rotary Clube de Valongo, numa cerimónia ocorrida no Auditório António Macedo, no passado dia 16 de Outubro e contou com a presença de Fernando Melo. Situado no centro da cidade, o edi-

fício que a autarquia cedeu vai garantir à Universidade Sénior a estabilidade essencial ao bom desempenho da sua função de ensinar. Recorde-se que ao longo dos três anos de existência, a Universidade, da responsabilidade do Rotary Clube de Valongo, usou, a título gratuito, as instalações do Centro Paroquial de Valongo para leccionar.


Actualidade Caso da permuta de terrenos com F C Porto

RIO CRITICA NEGÓCIO AVALIZADO POR NUNO CARDOSO

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, criticou esta semana nas Varas Criminais do Porto a permuta de terrenos autárquicos com o FC Porto, no âmbito do Plano de Pormenor das Antas (PPA), realizada pelo seu antecessor, Nuno Cardoso. A Câmara do Porto constituiu-se assistente no processo, reclamando uma indemnização de 2,5 milhões de euros, mas Rui Rio disse que os prejuízos autárquicos foram muito além daquele montante. “Objectivamente, a Câmara perdeu 1,2 milhões de contos”, cerca de seis milhões de euros, sublinhou. Neste processo são arguidos o ex-presidente socialista da Câmara, Nuno Cardoso, três vice-presidentes do FC Porto (Adelino Caldeira, Angelino Ferreira e Eduardo Tentúgal Valente) e dois engenheiros avaliadores da câmara. Para Rui Rio, o negócio “não permitiu à câmara do Porto receber em pagamento aquilo que já se sabia que ia entregar a quem estava a pagar. A

câmara queria passar para o FC Porto os terrenos do Parque da Cidade”. Em causa está uma permuta imobiliária que em 1999 envolveu o FC Porto - enquanto comprador da posição nego-

cial da família Ramalho num terreno das Antas - e a Câmara Municipal, na sua qualidade de dona de algumas parcelas no Parque da Cidade. Para os dois terrenos foi fixado o

mesmo valor (quatro milhões de euros), mas o Ministério Público aderiu a uma tese de peritos da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) segundo a qual as parcelas das Antas deveriam ser avaliadas pelo que eram na altura (zona desportiva) e não pelo que viriam a ser (área de construção). A nuance seria suficiente para fazer descer o valor dos terrenos, integrados na área no Plano de Pormenor das Antas (PPA), de quatro milhões de euros para 1,5 milhões. O MP conclui assim que os cofres municipais foram prejudicados em 2,5 milhões de euros. Neste processo, o Ministério Público defendeu que Nuno Cardoso tinha interesse directo em favorecer o FC Porto e que terá agido em conluio com os dirigentes do clube. Isto porque, ao mesmo tempo que exercia funções autárquicas, Nuno Cardoso detinha um cargo no Conselho Consultivo da SAD do clube azul e branco.

Câmara Municipal e Segurança Social assinam protocolos

ATENDIMENTO INTEGRADO EM GONDOMAR

tal do Porto da Segurança Social, a Junta de Freguesia de Gondomar (S. Cosme), a Junta de Freguesia de Jovim (e Santa Casa da Misericórdia Vera Cruz de Gondomar), a Junta de Freguesia de Rio Tinto (e Associação Rio Tinto para a Evolução Social), a Associação Social Vai Avante e, ainda, a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral – Villa Urbana de Valbom. O Atendimento Integrado pretende ser uma nova forma de prestação de ser-

viços na área social, assegurado por parceiros de base institucional, pública e privada. Com os Gabinetes de Atendimento Integrado, as diferentes instituições alternam-se no atendimento e partilham estruturas comuns, nomeadamente o historial informático do atendimento às famílias e/ou cidadãos que beneficiam de apoios sociais. A introdução desta nova metodologia irá permitir, por um lado, o contacto simplificado por parte

dos beneficiários de apoio social e, por outro, o aumento da capacidade de resposta das instituições. Valentim Loureiro, que falava no final da cerimónia, afirmou que “todos devemos proporcionar soluções válidas para, de forma responsável e solidária, ajudarmos a resolver os problemas sociais existentes”, que se tendem a agravar “em função do enquadramento nacional ”.

Por causa das portagens

MENEZES AVISA QUE HÁ “EMPRESÁRIOS A FALAR EM DESLOCALIZAREM-SE PARA A GALIZA”

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, alertou há dias para o facto de haver “empresários a falar em deslocalizarem-se para a Galiza” devido à diminuição de facturação resultante da introdução de portagens nas três ex SCUT do Norte. Luís Filipe Menezes afirmou que a questão das SCUT “foi tão bem feita pelo Governo” que “a cada dia que passa se vê mais uma consequência extremamente negativa para a população, para os cidadãos e para a economia” portuguesa. “Agora temos associações de comércio, de pequeno comércio e

de grandes superfícies, a dizer que nestes primeiros fins-de-semana já se nota um decréscimo muito significativo em volume de facturação das suas actividades económicas que decorre do facto dos portugueses viajarem menos mas também do facto da captação que estávamos a ter de comércio espanhol, da Galiza, estar-se a reduzir a zero”, condenou. Para o presidente da Câmara de Gaia é um “absurdo” que “um espanhol que quer vir fazer compras a Portugal ter que comprar um aparelho”, fazendo até uma comparação com Cuba.

“Para entrar em países que estão ainda no tempo da idade da pedra, como Cuba, paga-se dez dólares; agora para entrar em Portugal paga-se mais de 100 dólares. Isto é absolutamente extravagante e vai arruinar muito do pequeno comércio das zonas fronteiriças, o comércio de grandes cidades como a do Porto”, alertou. Para o ex-líder do PSD “é indispensável pensar numa solução que minimize este efeito nas actividades económicas”, considerando que a alternativa a encontrar não poderá ser “tão burocrática” nem

Combate à pobreza e exclusão

“DÊ O PRIMEIRO PASSO, NÓS DAMOS O SEGUNDO” A ADICE, no âmbito do Projecto InterV@L-CLDS-Plano de Intervenção em Valongo levou a cabo no dia 25 de Outubro, uma sessão pública para divulgar o protocolo Montepio/REAPN sobre empreendedorismo. A iniciativa, que decorreu na Biblioteca Municipal de Valongo, visou disponibilizar informação detalhada sobre a resposta de micro crédito proporcionada pelo protocolo Montepio/REAPN, apresentar a vantagem desta resposta face a outras medidas existentes e identificar potenciais micro-empreendedores a serem apoiados pelo protocolo. O evento contou com a presença da presidente da ADICE e vereadora da Acção Social e Educação da Câmara de Valongo, Maria da Trindade Vale; do coordenador do projecto, o sociólogo Sérgio Aires; da jurista e subdirectora do Gabinete de Responsabilidade Social e Fundação Montepio, Paula Guimarães; da coordenadora do projecto InterV@L, Fátima Aparício; de Lúcia Ferreira, gestora do projecto InterV@L e da jovem empreendedora Fátima Ferreira. Segundo fonte da ADICE, “a iniciativa insere-se na política de integração sócio-profissional dos cidadãos de forma multi-sectorial e integrada no combate à Pobreza e Exclusão Social” no concelho de Valongo.

A IMPORTÂNCIA DOS TRIBUNAIS ARBITRAIS NA RESOLUÇÃO DOS CONFLITOS DE CONSUMO”

A Câmara Municipal de Gondomar, em parceria com o Centro Distrital do Porto da Segurança Social, procedeu recentemente à assinatura de cinco Protocolos de Atendimento Integrado para o Município. A cerimónia, que decorreu no Salão Nobre da Câmara, definiu a criação de estruturas de apoio descentralizadas nas freguesias de Gondomar (S. Cosme), Jovim, Rio Tinto, S. Pedro da Cova e Valbom. Foram efectuadas parcerias com as Juntas e, também, com o movimento associativo local. Mais do que novos serviços (por parte da Segurança Social), trata-se de aproximar as necessidades das populações. E, usando meios já existentes, potenciar o serviço prestado a nível local. São essas as características principais do Serviço de Atendimento Integrado agora definido no âmbito dos protocolos assinados. Esta formalização dos Protocolos de Atendimento Integrado envolve a Câmara Municipal de Gondomar, o Centro Distri-

™™™VALONGO-

“tão dispendiosa” para quem a adquire. “Quem está a sofrer é o comércio e as actividades económicas e, inclusivamente, já ouço empresários a falar em deslocalizarem-se para a Galiza”, avançou, relembrando que “a fiscalidade espanhola já é altamente vantajosa em relação à fiscalidade portuguesa”. O autarca afirmou ainda que irá receber associações ligadas ao comércio para depois ser elaborado “um documento para enviar ao senhor ministro das Obras Públicas e ao senhor ministro da Economia”.

Na última quarta-feira, a Sala Multiusos do Museu e Arquivo Histórico de Valongo foi palco de uma sessão de esclarecimento sobre “A Importância dos Tribunais Arbitrais na resolução dos Conflitos de Consumo”. Sob a égide da Agência para a Vida Local através do Serviço do Cidadão e do Consumidor, da Câmara de Valongo, a iniciativa teve como oradora Isabel Afonso, directora do Centro de Informação de Consumo e Arbitragem do Porto, defensora dos direitos dos consumidores e profunda conhecedora do importante papel dos Tribunais Arbitrais na Resolução de Conflitos de Consumo. A moderação esteve a cargo da presidente da Delegação da Ordem dos Advogados de Valongo, Paula Borges.

™™™PÓVOA DE VARZIM Camiões proibidos de circular na cidade A Câmara da Póvoa de Varzim vai proibir a passagem de camiões de longo curso pelo centro da cidade, garantiu o seu presidente. “Todas as viaturas de longo curso vão ficar impedidas de atravessar a cidade da Póvoa de Varzim através da Estrada Nacional (EN) 13, sendo obrigadas a recorrer à Avenida 25 de Abril”, explicou Macedo Vieira. Esta avenida, mais conhecida como Via B, é uma estrada alternativa à EN 13 e à Avenida dos Banhos e atravessa a cidade da Póvoa de Varzim em direcção a Vila do Conde, sem passar pelo centro urbano. Macedo Vieira justifica a implementação desta medida com a entrada em vigor do pagamento de portagens na A 28, que aumentou de forma “significativa” o trânsito no centro da cidade.

29 de Outubro 2010

CD 5


Actualidade PAÇOS DE FERAgricultura REIRA – CIDADE TECNOLÓGICA DE VENTO EM POPA Centro de Transferência de Tecnologia do Politécnico do Porto avança em 2011 O edifício do Centro de Transferência de Tecnologia do Instituto Politécnico do Porto, inserido da Cidade Tecnológica de Paços de Ferreira, vai começar a ser construído no primeiro trimestre de 2011, revelou na segunda-feira o presidente da autarquia. Segundo Pedro Pinto, este edifício vai ser a âncora de um projecto mais alargado de regeneração urbana no centro da cidade (zona da antiga esquadra 12), compreendendo uma área de cerca de 30 mil metros quadrados. É também para aquele espaço, segundo o edil, que está programado o Centro Avançado de Design de Mobiliário, um equipamento desenvolvido no quadro de uma candidatura a fundos da União Europeia. Este centro vai funcionar em articulação com outros serviços de apoio à instalação de empresas do sector terciário, nomeadamente ligados à Associação Empresarial de Paços de Ferreira. A Cidade Tecnológica será composta por seis edifícios distintos, cada um com uma finalidade. “Será um espaço onde vibrarão várias dinâmicas para o apoio às empresas”, sublinhou o autarca. Para Pedro Pinto, os principais eixos de actuação da Cidade Tecnológica de Paços de Ferreira vão centrar-se “na captação, fixação e desenvolvimento de competências e conhecimentos, através do estímulo à criatividade e inovação, num ambiente promotor de empreendedorismo”. A câmara de Paços de Ferreira promoveu a apresentação pública do projecto da Cidade Tecnológica, com a presença da presidente do Instituto Politécnico do Porto (IPP), Rosário Gamboa. A intervenção anunciada pela autarquia prevê um misto de requalificação dos actuais edifícios e quatro novas construções, “procurando garantir todas as condições de conforto, funcionalidade e eficiência”. Na mesma sessão foram também apresentados trabalhos realizados por duas empresas de soluções tecnológicas avançadas que já operam na TECVAL, a incubadora de empresas de Paços de Ferreira, também parceira neste projecto da Cidade Tecnológica. Aproveitando a oportunidade a presidente do IPP e responsáveis de sete escolas superiores daquele instituto visitaram várias empresas do concelho nos ramos do mobiliário, têxtil, vestuário e material médico. Pedro Pinto disse aos jornalistas que foi “uma boa oportunidade” para as escolas superiores ficarem a conhecer melhor a realidade empresarial de Paços de Ferreira. Para o autarca, a visita permitiu perceber as vantagens da cooperação entre o mundo empresarial e académico, nomeadamente ao nível da investigação, o que, anotou, “se pretende acentuar” com o projecto agora apresentado.

6 CD

COMISSÃO PARLAMENTAR APROVA BANCO DE TERRAS PROPOSTO PELO BE

A Comissão Parlamentar de Agricultura aprovou na quinta-feira uma proposta do Bloco de Esquerda para criação de um banco público de terras, que permite a agricultores sem terra recorrer a terrenos abandonados sem que os seus donos percam a propriedade. A proposta aprovada pela comissão, que vem no seguimento de um relatório que o Bloco de Esquerda elaborou sobre o tema, terá agora de ir a votação no plenário, “provavelmente depois da discussão do Orçamento do Estado para 2011”, disse o deputado bloquista, Pedro Soares. Segundo Pedro Soares, há cada vez mais terras agrícolas abandonadas e uma diminuição da produção agrícola em geral, apesar de haver pessoas disponíveis para cultivar, mas que não têm terrenos disponíveis. “O Banco de Terras nasce desta ideia de ajustar a procura de terra com a oferta de terra”, salientou. Para o deputado do Bloco de Esquerda, há muita rigidez no mercado das terras agrícolas,

tanto para venda como para arrendamento. “Às vezes, até por questões culturais, as pessoas têm dificuldade em ceder a outras terras, que, muitas vezes, já herdaram dos avós e bisavós, ou até têm medo, inclusivamente, de que possam perder a sua propriedade ou até de não virem a receber o valor do arrendamento”, destacou. Através desta iniciativa, as pessoas que têm propriedades podem cedê-la para arrendamento através de um contrato mínimo de sete anos, mas ao mesmo tempo têm garantias públicas de que o título da propriedade se mantém em seu poder e que o Estado garante o pagamento do arrendamento. Pedro Soares destacou que o Banco de Terras seria “uma forma expedita” de fazer com que houvesse um rejuvenescimento da agricultura com mais investimento nesta área, de criação de postos de trabalho e que permitiria obter mais rendimentos para as pessoas que estivessem disponíveis.

Orçamento 2011

AUTARCA DE AMARANTE (PS) COMPREENDE CORTES NAS TRANSFERÊNCIAS PARA O MUNICÍPIO

Armindo Abreu, presidente da Câmara de Amarante, Armindo Abreu (PS), disse compreender, “em nome da estabilização das contas públicas”, que o Governo reduza em 2011 a transferência de verbas para o seu município. “Os autarcas do PS manifestaram solidariedade ao Governo, porque o momento é difícil. Todos temos de contribuir neste esforço, mostrando que estamos solidários”, afirmou Armindo Abreu. O autarca comentava a redução de quase um milhão de euros face a 2010 na transferência de verbas para a Câmara de Amarante, prevista na proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2011. “Para mim esse valor não é surpresa”, observou. Em 2010, foram transferidos da administração central para os municípios no âmbito do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) cerca de 133 milhões de euros, mas para 2011 a proposta do Governo que vai ser apreciada na

29 de Outubro 2010

Assembleia da República aponta para 122 milhões de euros. Segundo a proposta do Governo, o município de Amarante receberá no próximo ano cerca de 14,5 milhões de euros, menos 996 mil euros do que em 2010, o que significa uma perda de 6,43 por cento. Além desta quebra, o autarca admite que também as receitas próprias, nomeadamente taxas e licenças, no próximo ano possam diminuir de forma significativa, traduzindo a crise económica que afecta a região, sobretudo na construção civil. A principal consequência desta situação, afirmou, é que a Câmara de Amarante deixará de ter tanta margem na despesa corrente que utilizava até agora no investimento. Armindo Abreu disse que espera compensar a menor capacidade financeira do seu município com um maior aproveitamento dos fundos comunitários, aliado a uma capacidade de endividamento que aquela autarquia ainda possui.

™™™LORDELO ™™™PAÇOS DE FERREIRA VAI ENCERRAR A EMPRESA RIBEIRO DA SILVA EM TEATRO E QUE GERE HOSPITAL EXPOSIÇÃO

A empresa que há cerca de três anos gere o Hospital da Misericórdia de Paços de Ferreira vai encerrar por “falta de viabilidade económica face aos prejuízos acumulados”, revelou o provedor da instituição. “A empresa não tem capacidade de sobrevivência, porque tem vindo a acumular dívidas”, adiantou Augusto Bismarck. Desde 2007 que o hospital de Paços de Ferreira é gerido pela Hospaf, uma sociedade anónima na qual os maiores accionistas são a Santa Casa da Misericórdia local, detentora do edifício, e a CESPU (Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário). Segundo explicou Augusto Bismarck, face à situação a que chegou a Hospaf com “o inevitável encerramento da empresa”, a Santa Casa da Misericórdia vai ter de reassumir a gestão da unidade hospitalar, o que deverá acontecer brevemente. Augusto Bismark explicou que a situação da Hospaf decorre das dificuldades dos últimos anos ao nível dos acordos com o Estado, os quais, vincou, se “revelaram muito difíceis ou impossíveis quando um dos parceiros é uma sociedade comercial”. Segundo disse, a inexistência de acordos aumentou o preço dos serviços prestados à população, nomeadamente consultas e exames médicos, o que se traduziu na redução da procura e os consequentes prejuízos. Questionado pela sobre a dimensão do défice, Augusto Bismarck não quis revelar os números, dizendo apenas que é “um encargo avultado”. O provedor adiantou tam-

bém que a Misericórdia de Paços de Ferreira, enquanto instituição particular de solidariedade social, vai iniciar negociações com o Ministério da Saúde no sentido de procurar assegurar alguns protocolos que garantam o funcionamento dos serviços, “a um preço mais reduzido, mas mantendo a qualidade”. O modelo de funcionamento dos hospitais de Felgueiras e de Lousada, também propriedade das misericórdias locais, pode ser um caminho a seguir. Entretanto, estão a ser realizados contactos com os profissionais, nomeadamente médicos, para assegurar o funcionamento do hospital com encargos mais reduzidos. O hospital de Paços de Ferreira, como os seus proprietários reconhecem, é “uma pequena unidade de saúde” que nem sequer tem serviço de urgência, funcionando apenas com consultas externas e gabinetes para a realização de exames médicos. Os cerca de 60 mil habitantes de Paços de Ferreira quando precisam de recorrer a uma urgência têm de se deslocar ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, a cerca de 20 quilómetros.

FOTOGRÁFICA

A Fundação A LORD estreou no passado dia 22 o espectáculo ‘O Português Voador’, uma ficção teatral, encenada por Fernando Moreira, baseada na vida do ciclista Ribeiro da Silva. A par do espectáculo de teatro, houve também a apresentação de uma instalação fotográfica da autoria do fotógrafo Paulo Pimenta, inspirada em Ribeiro da Silva, e que decorrerá no final de cada apresentação da peça (dias 22, 23, 29 e 30). Para além dos atores profissionais, participam no espectáculo 10 formandos (da comunidade local) que frequentaram uma Oficina de Teatro previamente desenvolvida pela associação cultural Astro Fingido para este projecto. Integram também o elenco seis músicos da Banda Filarmónica da Associação Recreativa e Musical de Vilela e 12 elementos do Grupo de Teatro da Fundação A LORD, num total de 32 pessoas em palco. Amanhã (sábado, 30 de Outubro) decorrerá ainda uma conferência sobre “Ribeiro da Silva, um mito do ciclismo português” também no auditório da Fundação A LORD.


Paços de Ferreira Entrevista

Paços de Ferreira finta a crise

“AQUI OS EMPRESÁRIOS TÊM UM FUTURO PROMISSOR” - Oscar Queirós e Miguel Pereira (fotos)

Numa altura em que o país está de rastos, há ainda parcelas do território que resistem, não se deixando contaminar nem pela crise nem pelo desânimo que parece ter tomado conta da imensa maioria dos portugueses. Paços de Ferreira é uma dessas honrosas excepções. Porque os empresários preferem continuar a trabalhar, a investir e a inovar, em lugar de carpir como muitos dos seus congéneres doutras regiões, sempre à espera de soluções sebastianistas. Na Capital do Móvel há muito que se prefere agir que contar com milagres. E os frutos estão à vista: os efeitos da crise são muito menores que no resto do país. Como o conseguiram? Hélder Campos Moura, presidente da AEPF, explica-o detalhadamente, em entrevista ao nosso jornal.

Ao contrário do que aconteceu noutras regiões, designadamente no Vale do Ave onde as indústrias dominantes soçobraram às crises, arrastando outras com elas, em Paços de Ferreira o tecido empresarial tem resistido de uma forma que muitos consideram “milagrosa”. O que fazem aqui para “fintar” crises tão graves como a que estamos a viver? Paços de Ferreira também tem sentido a crise na medida em que somos o concelho exportador e estamos a falar de uma crise internacional, Quando falamos de Paços de Ferreira temos de ter em conta duas situações que são a indústria e o comércio. Na indústria, cerca de 80% da produção destina-se ao mercado externo, à exportação. Os mercados para

onde exportam também estão em crise pois como disse, a crise é internacional, não se trata apenas de crise cá dentro. E assim sendo, é óbvio que as nossas empresas sentiram isso. Quanto ao comércio, está directamente ligado ao mercado nacional, embora tenhamos feito a sua promoção na vizinha Espanha – temos também clientes espanhóis – sente-se também a crise neste sector. Soluções para isto? Para a parte da indústria, tem de se diversificar os mercados; no que concerne ao comércio, o remédio está em alargar as nossas fronteiras e atrair

mais visitantes doutros locais, doutras regiões, e dar a conhecer o nome CAPITAL do MÒVEL, para termos mais movimento a nível do comércio. De resto, a marca CAPITAL do MÒVEL tem feito mais sentido a nível do Comércio. O agravamento da carga fiscal, in-

cluindo a subida do IVA… Nas empresas que exportam – e volto a frisar que 80% do mobiliário vai para o mercado externo – o aumento do IVA não terá grande impacto. Porém, a nível de comércio, esse aumento de impostos vai agravar muito mais a situação

29 de Outubro 2010

CD 7


Paços de Ferreira “QUALQUER GALEGO JÁ OUVIU FALAR

NA CAPITAL DO MÓVEL”. de crise. Perdoe a insistência. No que concerne a indústria do móvel e sabendo, como o disse há pouco, que os mercados internacionais também estão em crise, não houve consequências? Não houve anulação de encomendas? O desemprego não cresceu? Na verdade houve um determinado crescimento de desemprego, não vale a pena estarmos aqui com utopias. Mas não foi significativo. A explicação tem a ver como facto de a maioria das empresas estarem dentro da faixa “pequenas e médias”. Aí, provavelmente, não se sente tanto. Se fossem todas grandes empresas, é certo e sabido que iríamos sentir muito mais. Quando se trata de pequenas e médias empresas, estas já possuem uma estrutura mais flexível e conseguem gerir melhor em circunstâncias mais adversas. Uma empresa que conta com quinze ou vinte trabalhadores, se calhar ao despedir um ou dois, consegue equilibrar a situação e contornar a crise. E isso tem sido conseguido? Tem sim. Obviamente que não conseguimos evitar uma ou outra falência mas quando vemos as notícias da crise, o que se passa noutros lados, podemos dizer que as empresas pacenses têm conseguido suportar a situação. Falou que 80% dos móveis aqui fabricados se destinam ao mercado externo. Como conseguiram chegar a tão grande percentagem para exportação? É fruto da iniciativa de cada um dos industriais ou obedece a estratégia e acção da associação empresarial? Vocês acompanham os associados na busca de mercado no estrangeiro? É claro que sim, que a associação acompanha os empresários. Mas mais uma vez vou fazer a divisão entre os associados, industriais e comerciantes. Na parte do comércio a AEPF já organiza duas feiras na Galiza, para promover a marca CAPITAL DO MÓVEL. Temos previsto mais duas, a realizar uma nas Astúrias e outra na região de Castela e Leão, para alargarmos mais a procura do nosso possível e futuro cliente. No caso da Galiza a marca é já um êxito. Qualquer galego já ouviu falar na CAPITAL DO MÓVEL. E isto é fruto de uma trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. E queremos agora alargar, por isso vamos a caminho das Astúrias e Castela e Leão. No que concerne a Industria,

8 CD

tentámos sempre que haja uma participação conjunta porque existem outras associações sectoriais que desempenham, e bem, esse papel. Nós temos parcerias com essas associações e tentámos que os nossos associados participem nesses eventos (feiras) de uma forma conjunta, que não estejam isolados a e apenas por sua conta, mas antes com outras empresas. À parte disso, temos um sistema de incentivos à internacionalização. Incentivamos as empresas a fazerem projectos, a apresentar candidaturas que depois nós próprios elaboramos; promovemos também missões empresariais em novos mercados, como Rússia, Moçambique, Angola, e outros palops [países africanos de língua oficial portuguesa]. E não parámos por aqui. Estamos, por exemplo, agora a tentar penetrar mercados emergentes. Além disso, de incentivar e ajudar a penetrar nos mercados externos, a nossa associação tem também a formação, algo de muito importante para o sector. Quando a empresa vai para um determinado mercado precisa, quer para os seus funcionários quer para os próprios empresários, de uma formação específica para poder o abordar. Damos-lhes um sem número de apoios para facilitar as suas tarefas e atingirem os objectivos que os levam até esses mercados. Que tipo de apoios? Viagens, encontros, tradutores, etc? Nós quando organizámos missões empresariais tratámos de toda a logística. Desde a organização dos encontros, a adequação da empresa ao potencial cliente, o tradutor, etc. Neste caso é importantíssimo porque, por exemplo, quando falámos de mercados emergentes, a língua não tem nada a ver com o inglês, francês e espanhol, as mais correntes. A missão é organizada e tem em conta tudo, depois de analisadas as necessidades de cada um. O que vem dizendo até agora, todo esse trabalho e apoios da associação que preside, tem sido suficiente para que a crise não se instale de armas e bagagens e Paços de Ferreira? Esta questão tem a ver com uma crise gravíssima que a meio da década de setenta até meados dos anos oitenta, assolou esta região e os seus empresários. Não há agora o risco que esse cenário se repita? Todo o nosso trabalho, toda a nossa energia, vai no sentido de criar defesas para que isso

29 de Outubro 2010

Indústria de Mobiliário L.da

ESPECIALIZAÇÕES Mobiliário Clássico p/medida Mobiliário Contemporâneo p/medida Mobiliário Lacado Alto Brilho Cerejeira, Carvalho, Castanho, Pau Ferro


Paços de Ferreira “O CONCELHO TEM TODAS AS CONDIÇÕES PARA A INSTALAÇÃO DE QUALQUER EMPRESA”.

não volte a acontecer. Pensámos, honestamente, que uma crise como a que referiu não voltará a ocorrer. Pelas medidas que estão a ser tomadas penso que a curto, ou antes, a médio prazo, a nossa estratégia vai surtir efeito. Estamos a criar várias vias para fazer face a qualquer crise. Este é o caminho que estamos a percorrer e dele não desistimos.

medidas não ajudaria a “imunizar” Paços de Ferreira da crise? É obvio que sim e deve lembrar-se que a associação empresarial que presido representa todas as empresas e não apenas as da industria do mobiliário. Temos o comércio tradicional, o sector automóvel, o têxtil, a metalomecânica, enfim, um vasto leque de indústrias e comércios de variadíssimos sectores e a todos temos de responder. A título de exemplo, ainda recentemente fizemos uma conferência, uma reunião, com associados do sector automóvel – um sector que tem aqui uma expressão

Nessa estratégia da AEPF não falou da inovação, da aposta nas novas tecnologias, nem mesmo na diversificação do tecido empresarial, consequência quase lógica das duas primeiras. Isso não vos interessa? Esse tipo de

ambitat m

o

v

e

i

R

significativa, nomeadamente nas oficinas de reparação, para tentarmos perceber os problemas com que se debatem. E deparamo-nos com coisas que nunca imaginaríamos, que não eram de modo algum aqueles que pensávamos afligi-los. Agora, com esses dados na mão, vai haver um trabalho, uma acção, no sentido de os ajudar a ultrapassar melhor a crise. Quanto à inovação e novas tecnologias, além das já cá implantadas, posso dizer que têm surgido em Paços Ferreira empresas que apostam aí. O concelho, com a auto-estrada A42 ficou “mais próximo” do Porto,

do aeroporto, da Galiza, etc. E isso veio abrir as portas para a instalação de novas empresas, nomeadamente de cariz tecnológico. E obviamente todos beneficiam. Quem vem e quem já cá está.

INCUBADORA DE EMPRESAS E DESBUROCRATIZAÇÃO Paços de Ferreira estava ou está preparado, designadamente com infra-estruturas e outros incentivos, para acolher essas empresas? Perfeitamente. O concelho

tem todas as condições para a instalação de qualquer empresa. E concretamente, para o tipo de empresas onde a tecnologia e inovação sejam parte preponderante, temos um Centro de Incubação de Empresas, do qual a Câmara Municipal é associada. Uma empresa, de cariz tecnológico, que se queira instalar no concelho, pode fazê-lo com a maior das facilidades tendo ali todo o apoio logístico necessário ao seu sucesso. Essa informação, a existência do Centro de Incubação, está expandida? Os investidores, os jovens talentos, fora de

Paços de Ferreira, sabem que esta terra lhes dá a possibilidade de aqui se instalarem e desenvolverem os seus projectos? Essa informação está disponibilizada, sim. Esse Centro de Incubação é apenas para empresas novas? Sim, apenas para as que vêm de novo e que precisam de apoio para dar os primeiros passos. Aqui têm tudo o que precisam para o sucesso. Quanto a empresas já implantadas no concelho, temos outros locais mais adequados.

valgrad

s

Ambitat Móveis. Lda Rua 25 de Julho Apartado 61 - 4590 168 Ferreira PFR Portugal Tel. +351 255 868600/1/2 - Fax.+351 255 868609 info@ambitat.com - www.ambitat.com

29 de Outubro 2010

CD 9


Paços de Ferreira

novas tecnologias, desenvolvimento. O melhor exemplo é o da PETRATEX, internacionalmente conhecida pela inovação – foram eles que fizeram a roupa do campeão olímpico e do mundo, de natação, por exemplo. Destacam-se na roupa desportiva, de alto rendimento, mas também noutras áreas de vestuário, para grandes e conceituadas marcas internacionais. E não parou com o sucesso, tendo mantido a busca incessante da inovação, aliando a tecnologia ao conhecimento que já tinha da parte têxtil. E por isso apresenta altas taxas de crescimento. Pode-se mesmo dizer que será uma empresa única no mundo. Eis um exemplo de como se ultrapassam quaisquer crises. Inovando, desenvolvendo.

Sabendo que por todo o lado – Mais, Braga, Feira, etc, existem coisas do género, incubadoras de empresas, o que tem de diferente Paços Ferreira para que valha a pena vir aqui instalar-se? Temos um sem número de características que valem a pena. Temos todas as condições que qualquer cidade grande pode oferecer. E depois estamos a 10 minutos do Porto, do aeroporto e do Porto de Leixões; estamos a uma hora da Galiza; temos pólos industriais com terrenos disponíveis, temos quase todos os sectores de comércio e industria implantados aqui no concelho. Essa não é uma característica de somenos importância porque quem para aqui vier se tiver de subcontratar alguma empresa, facilmente consegue fazê-lo in loco, tem também a AEPF que, entendo, funciona muito bem no apoio, total, a prestar, etc. Temos pois um leque de vantagens que facilitam enormemente o desempenho de quem para cá vier.

Uma última questão: acreditando no que diz, no seu discurso positivo e esperançoso, não há o risco desta crise – nacional e internacional – transformar esta região num novo Vale do Ave onde o sector chave – exactamente o têxtil, faliu por não estar preparado, designadamente para os desafios que chegaram com a globalização? Não creio, não. Nós temos vindo a criar defesas para que tal cenário não se verifique aqui.

E a burocracia…? Aqui, em Paços Ferreira, esses processos estão profundamente desburocratizados. É simples e rápida a instalação de empresas neste concelho. E para isso muito contribui a parceria e apoio da Câmara Municipal, inequivocamente interessada na instalação de novas indústrias.

MARCA INTERNACIONAL: A CHAVE DE UM FUTURO AUSPICIOSO Desapaixonadamente, que perspectivas tem para os próximos anos de Paços de Ferreira? Penso que o sector do mobiliário vai sair reforçado desta crise – que é profunda. É um sector que se está a preparar, a organizar, para responder aos mercados. Quando mercados internacionais, neste momento ainda em crise, se abrirem um pouco, os industriais de móveis estarão prontos. Creio que o mobiliário será um sector exemplar para outras áreas de actividade. Não podemos esquecer um ponto – de que ainda não falámos – que é o cluster do mobiliário. Está criado e contámos que esse cluster funcione. Estão cinco associações envolvidas – são as cinco co-fundadoras, duas regionais e três sectoriais – todas de Paços de Ferreira e Paredes. Temo muitas esperanças nesse cluster. Para mim, a sua principal função vai ser criar uma marca de mobiliário português, a nível internacional. É algo que ainda não temos e quantos fabricantes de móveis se deparam com problemas em vendas no exterior apenas porque Portugal não tem uma marca de mobiliário, não é reconhecido como produtor de mobiliário? Comparados com os nossos principais concorrentes, por exemplo, os italianos, nós temos um mobiliário de qualidade igual

10 CD

Rua de Escariz, n.º 57 – 4595-302 PENAMAIOR – Paços de Ferreira Tel.: 255 891 688 - Fax: 255 872 497 - email: geral@distametrica.com - www.distametrica.com

ou superior, com designe preços competitivos. Falta-nos apenas a marca internacional e aí as nossas expectativas assentam no cluster. Por isso disse, e repito, que o futuro do mobiliário é promissor, bastante promissor. Qual o peso da industria dos moveis no universo dos associados da AEPF? È muito grande. Não nos podemos esquecer que o concelho se desenvolveu através do sector do mobiliário. Hoje em dia as maiores empresas do concelho podem até não pertencer a esse sector, mas houve um grande desenvolvimento a parir dele. Os móveis serão sempre um sector com grande peso e significado para Paços de Ferreira. O senhor, por exemplo, o

29 de Outubro 2010

presidente da AEPF, é empresário mas vem de um outro sector… A minha actividade está directamente ligada ao mobiliário mas, é verdade, é da área da metalo-mecânica. Mas, como outros exemplos, o meu negócio também se desenvolveu à custa do mobiliário. Mas também temos outras áreas industriais, com bastante peso no concelho, como o têxtil. Mas o têxtil não está em crise ainda maior que os restantes sectores? É verdade mas é contrabalançada pelos bons exemplos que temos no concelho. São casos de sucesso, de lição como se faz face às crises. E esses bons exemplos devem-se exactamente àquilo que falámos há pouco: inovação,


Regional PSP E ASAE DETÊM SEIS PESSOAS NA FEIRA DE GONDOMAR pela ASAE, tendo a sexta sido feita pela PSP, esta última devido à “prática de crimes contra a autoridade pública”. Da operação resultaram

A PSP e a ASAE detiveram na quinta-feira seis pessoas numa operação conjunta na Feira de Gondomar que envolveu duas equipas de intervenção rápida, elementos

11 autos de notícia por contra ordenação, relacionados com infracções relativas a contrafacção e a usurpação, tendo sido apreendidos 1180 artigos

de vestuário, calçado e DVD, entre outros. “Em face da resistência por parte dos visados na acção de fiscalização, houve necessidade

de recorrer ao uso da força para reposição da ordem pública e cumprimento das medidas de polícia”, refere o comunicado.

do Corpo de Intervenção e 25 inspectores da Autoridade de Saúde Alimentar e Económica. Em comunicado, aquelas forças referem que cinco das detenções foram efectuadas

Rua das Fontaínhas - Frazão - 4595 - 125 Paços de Ferreira - Telef. 255 891 800 - Telms. 967 604 643 - 967 206 332 http://www.rosaeribeiromarmoresegranitos.com

29 de Outubro 2010

CD 11


Regional OBRAS AVANÇAM NO MERCADO DA AREOSA Já recomeçaram as obras do novo Mercado da Areosa, incluindo as do novo parque de estacionamento. Os trabalhos que deverão estar concluídos durante o Verão de 2011.

ção. O investimento global ronda cinco milhões de euros e inclui a requalificação urbana do local com a criação de uma praça e de uma zona de espectáculos. Esta intervenção irá aproveitar parte da antiga fachada, mantendo, assim, a ligação visual das antigas instalações do Mercado da Areosa. O novo edifício, moderno e funcional, terá a área bruta de construção de 1.638 metros quadrados, divididos por três pisos que terão um custo total de cinco milhões de euros,

A obra em curso é constituída em duas partes: um edifício (financiado pelo programa Urban2), já construído, e que se destina aos comerciantes; e, ainda, um parque de estacionamento subterrâneo, com dois pisos e cerca de 200 lugares, edificado ao abrigo de um contrato de construção e explora-

Saúde

“ENFERMEIROS SÃO O PRINCIPAL SUSTENTÁCULO DO SNS”

O presidente da Secção Regional Norte (SRN) da Ordem dos Enfermeiros (OE), Germano Couto, alertou há dias o Governo para os múltiplos problemas que assolam a Saúde em Portugal, destacando com “amargura e revolta” o desemprego que reina na profissão, “devido a uma total desarticulação” entre as políticas de formação e de empregabilidade na saúde. Segundo este responsável, a OE através da sua Rede de Jovens Enfermeiros constatou, pelo recente Estudo de Empregabilidade que levou a efeito, que o ano passado 45% dos enfermeiros teve de esperar entre seis meses a um ano, após o término da sua licenciatura, para iniciar a actividade profissional. “Como é possível que um país que se diz de Novas Oportunidades se dê ao luxo de ter no desemprego profissionais altamente qualificados, potenciando a redução de competências e provocando um paradoxo incompreensível, já que as necessidades de cuidados de Enfermagem são imensas? A evidência

Germano Couto

mostra-nos isso, bem como estudos realizados pelo próprio ministério da tutela”, denunciou Germano Couto. O responsável da SRN da OE interrogou os responsáveis governamentais pelo facto do país investir em alunos, futuros profissionais de enfermagem, “e depois não os colocar a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, facto que leva muitos enfermeiros a optar pela emigração”. Na opinião de Germano Couto, que representa mais de 20 mil enfermeiros, distribuídos pelos distritos de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real, existem novos contextos de prestação de serviços, onde os cuidados de Enfermagem são praticamente os únicos existentes, e recorda: “Na recente Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados a carência de enfermeiros é gritante; e a sua substituição, por outros que não são enfermeiros, coloca em causa a qualidade e segurança da assistência prestada. Os portugueses não querem reformas apenas para fins

políticos… Querem que a sua Saúde, que é um bem único, seja alvo de atenção por profissionais altamente qualificados, como o são os enfermeiros». O líder nortenho da OE avisou o governo que “o problema que está afectar os enfermeiros não se compadece com ideologias desajustadas. E por isso”, desafia, “[o Governo] deve desde já assumir, de forma transparente, o que pretende para os cidadãos portugueses: cuidados de Enfermagem de qualidade e em segurança – admitindo os enfermeiros em falta no SNS - ou em alternativa, caso não o faça, começar a rever os princípios formativos actuais e a necessidade desta massificação?”. Germano Couto, que falava na cerimónia de vinculação à profissão de 300 novos enfermeiros, fez questão de salientar que “para além do período conturbado que a Enfermagem enfrenta, os enfermeiros são, de facto, o principal sustentáculo do Sistema Nacional de Saúde, com o qual Portugal conta para a sua progressão e estabilidade”.

MUNICÍPIO DE RESENDE E FC PORTO ASSINAM PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO Jogos da 1ª Divisão da equipa júnior de andebol disputam-se em Resende O Município de Resende assinou um protocolo de colaboração com Futebol Clube do Porto que visa a realização de todos os jogos, no concelho, da equipa de andebol júnior no Campeonato Nacional da 1ª Divisão. A cerimónia de assinatura decorreu no Dragão Caixa, onde o Presidente da Câmara Municipal, António Borges, e o vice-presidente dos azuis e brancos,

12 CD

29 de Outubro 2010

Vítor Santos, selaram o acordo. O documento prevê que a equipa júnior de andebol jogue, em Resende, na condição de visitado nas instalações desportivas da Autarquia. O FC Porto compromete-se a colocar o símbolo e o nome do Município nos seus equipamentos e a colaborar em acções/ actividades desportivas no âmbito do projecto “Escolinha do Desporto – Andebol – época 2010/2011”. As iniciativas conjuntas entre o Município e o Futebol Clube do Porto têm tido um grande sucesso com a realização de eventos desportivos de relevo que dão notoriedade ao concelho.

™™™PENAFIEL HOSPITAL ASSINALOU ANIVERSÁRIO COM TRANSMISSÃO VÍDEO DE CIRURGIA O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), em Penafiel, comemorou na última quarta-feira o terceiro aniversário com a transmissão directa em vídeo de uma cirurgia às vias biliares. Os convidados para a sessão solene, incluindo o presidente da câmara, Alberto Santos, puderam visualizar em ecrãs gigantes o trabalho do cirurgião que no bloco operava dois doentes com problemas nas vias biliares. Segundo José Luís Catarino, presidente do conselho de administração deste centro hospitalar, a operação, que considerou “altamente avançada”, decorria na nova unidade de cirurgia hepatobiliopancreática, que tem capacidade para 60 operações por ano. Na sessão solene, o presidente do CHTS lembrou que a sua equipa trabalha há cerca de seis meses e que neste período foi já possível renovar a certificação internacional de qualidade do hospital Padre Américo, em Penafiel, atribuída pela Joint Commission International. José Luís Catarino destacou, por outro lado, a importância de já ter sido inaugurada a nova unidade de cardiologia, anunciando também que em breve será lançado concurso para alargamento do serviço de urgência. Ainda em jeito de balanço, o presidente do CHTS lembrou que já entrou em funcionamento, nas unidades de Penafiel e de Amarante, o serviço de “vias verdes” coronária e de AVC. Este serviço, explicou, funciona de forma integrada com as corporações de bombeiros, assegurando aos doentes um atendimento mais rápido e eficaz quando dão entrada nas urgências dos dois hospitais. “Nos últimos 15 dias, 109 doentes foram atendidos seguindo os protocolos da via verde coronária. Após a entrada no serviço de urgência, os doentes fizeram electrocardiograma em cerca de dez minutos após a entrada no serviço de urgência”, explicou José Luís Catarino. A partir de Dezembro, segundo adiantou, entrará em funcionamento a “via verde da sépsis”, considerada uma “arma fulcral no combate à principal causa de morte nas unidades de cuidados intensivos”. Também até ao fim do ano, no Hospital Padre Américo, avançarão as obras de alargamento do serviço de psiquiatria, que passará a ter mais 22 camas.


Regional Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;Vila Real

Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;BaiĂŁo

CartĂľes Municipais do Idoso e FamĂ­lias Numerosas

TĂ&#x2030;CNICOS DE PROTECĂ&#x2021;Ă&#x192;O CIVIL DE SEIS PAĂ?SES EUROPEUS EM SESSĂ&#x192;O DE TRABALHOS

COM NOVOS DESCONTOS EM SERVIĂ&#x2021;OS DE SAĂ&#x161;DE Foi assinado, no passado dia 25 de Outubro, mais um protocolo entre o MunicĂ­pio, representado pela Vereadora com o Pelouro da Acção Social, Dolores Monteiro e a ClĂ­nica terapĂŞutica infanto-juvenil â&#x20AC;&#x201C; Incentivar SaĂşde, para a prestação de serviços de terapia nas ĂĄreas da psicologia, psicomotricidade, terapia da fala e terapia ocupacional, dirigidos aos portadores dos cartĂľes municipais do Idoso e FamĂ­lias Numerosas. Com este novo protocolo, os utentes destes cartĂľes vĂŁo poder usufruir de descontos na ordem dos 25% em todos os tratamentos efectuados nesta clĂ­nica. A Incentivar SaĂşde passa a integrar a carteira de prestadores de serviços que oferecem descontos a todos os portadores dos cartĂľes municipais, onde jĂĄ se encontram a Clidouro (Medicina DentĂĄria), o BBVA (Produtos Financeiros), ClĂ­nica S. Dinis (Fisioterapia) e Amplisom (Centro Auditivo).

TĂŠcnicos de protecção civil de Portugal, GrĂŠcia, Espanha, ItĂĄlia, BulgĂĄria e PolĂłnia participam desde quarta-feira em BaiĂŁo numa sessĂŁo de trabalhos que inclui um simulacro em grande escala. Segundo fonte da autarquia, este ĂŠ o quinto encontro do projecto da UniĂŁo Europeia ProMPT, que se dedica ao estudo da prevenção e do combate aos incĂŞndios florestais. Os trabalhos â&#x20AC;&#x201C; que terminam hoje, sexta-feira â&#x20AC;&#x201C; incluem debates, comunicaçþes de especialis-

PUB ,UPDQGDGHGD6DQWD&DVDGD0LVHULFyUGLDGH9DORQJR 5XD5DLQKD6DQWD,VDEHO9DORQJR 7HOHIRQH )D[ BBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBB

CONVOCATĂ&#x201C;RIA Nos termos do Artigo 24, n.Âş 2 alĂ­nea c) dos Estatutos, convoco os IrmĂŁos desta MisericĂłrdia a reunirem em Assembleia Geral OrdinĂĄria na Sede desta Instituição sita em Rua Rainha Santa Isabel, desta cidade de Valongo, pelas 14 horas do dia 13 de Novembro de 2010, com a seguinte

Feira de Artesanato e Gastronomia de Vila Real

PRESIDENTE DA REPĂ&#x161;BLICA PRESIDE Ă&#x20AC; COMISSĂ&#x192;O DE HONRA

O presidente da RepĂşblica, Dr. AnĂ­bal Cavaco Silva, aceitou o convite para presidir Ă  ComissĂŁo de Honra da 13.ÂŞ edição da FAG â&#x20AC;&#x201C; Feira de Artesanato e Gastronomia do Distrito de Vila Real, que se vai realizar de 1 a 5 de Dezembro de 2010, no pavilhĂŁo de exposiçþes da Nervir. Segundo os organizadores, para alĂŠm de Cavaco Silva, que preside, â&#x20AC;&#x153;muitas outras individualidades aceitaram integrar a ComissĂŁo de Honra da FAG 2010, pelo importante contributo deste evento para a divulgação da riqueza cultural do artesanato e da gastronomia da regiĂŁo de Vila Real e atĂŠ nacionalâ&#x20AC;?, uma vez que, dizem, â&#x20AC;&#x153;conta jĂĄ com a adesĂŁo de artesĂŁos de todo o paĂ­sâ&#x20AC;?.

tas e visitas às infra-estruturas de protecção civil concelho de Baião, o município do distrito do Porto com maior percentagem de årea verde (cerca de 63 por cento). Neste encontro as comitivas convidadas puderam conhecer o dispositivo nocturno de vigilância florestal que estå operacional no concelho de Baião, alÊm das tÊcnicas utilizadas pelas corporaçþes de bombeiros locais nos combates aos incêndios. Da parte portuguesa, participam na iniciativa a Guarda Nacional Republicana, os Serviços de Protecção Civil de Lisboa e de associaçþes ambientalistas nacionais. Ao que apuråmos, este projecto tem a duração de 36 meses (Outubro de 2008 a Setembro de 2011) e Baião Ê o único município português representado.

Ordem de Trabalhos 3RQWR² DiscussĂŁo e votação do 1Âş Orçamento Rectificativo para o ano de 2010 3RQWR  ² DiscussĂŁo e votação da â&#x20AC;&#x153;Conta de Exploração Provisionalâ&#x20AC;? e â&#x20AC;&#x153;Orçamento de Investimentos e Desinvestimentosâ&#x20AC;?, bem como do â&#x20AC;&#x153;Plano de Actividades para o ano de 2011â&#x20AC;?

Se Ă  hora marcada nĂŁo se encontrarem presentes o nĂşmero suficiente de IrmĂŁos, a Assembleia funcionarĂĄ uma hora depois com qualquer nĂşmero de IrmĂŁos presentes, conforme preceitua o Artigo 26, nÂş1, dos Estatutos. Valongo, 21 de Outubro de 2010

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

___________________________________________ (Agostinho Marques Rodrigues, Eng.Âş)

Nota: Os documentos relativos a esta Assembleia Ordinåria estarão à disposição dos Irmãos na Sede desta Instituição nas 48 horas que a antecedem, durante o horårio de expediente.

Promovendo e privilegiando o trabalho ao vivo dos artesĂŁos, a FAG â&#x20AC;&#x201C; Feira de Artesanato e Gastronomia de Vila Real, â&#x20AC;&#x153;propor-

ciona ao visitante uma experiĂŞncia Ăşnica, ao poder presenciar o trabalho de mĂŁos mĂĄgicas que transformam matĂŠria-prima em

arte, numa verdadeira viagem pela riqueza cultural de sabores, saberes e tradiçþes da nossa genteâ&#x20AC;?. PUB

29 de Outubro 2010

CD 13


Sociedade Penafiel tem outra “estrela”

O SEGREDO DO JOVEM DE IRIVO NA MAIS FAMOSA DAS CASAS PORTUGUESAS

E se sobre estes dois últimos em Irivo todos conhecem o seu percurso, quanto ao irmão, entre a infância e os últimos tempos, há um hiato – quase 10 anos – perfeitamente desconhecido da imensa maioria dos vizinhos. E (quem sabe?) de alguns familiares.

Tem 34 anos, é licenciado em Gestão e já é visto pelos seus conterrâneos como o “Tino II”. Penafiel voltou a ter uma estrela. Trata-se do Zé Miguel, um dos participantes da “Casa dos Segredos”, o novo reality show da TVI, que em pouco dias se transformou num “papa recordes” de audiências. Natural de Irivo, Penafiel, onde nasceu há 34 anos, Zé Miguel, ou Miguel Fernandes, como é ali conhecido, é agora a principal razão para que naquela freguesia os televisores se mantenham ligados quase 24 horas por dia. “É o nosso Tino”, diz-nos o proprietário de um café de Irivo, fazendo referência a outra “estrela”, o “Tino” da vizinha freguesia de Rans. Filho de um casal de professores, Zé Miguel tem outros dois irmãos,”mais novos, não chega a um ano”. Trata-se de gémeos, estabelecidos na zona, um com uma empresa de publicidade e o outro dono de um “viveiro de plantas”. Quanto ao “segredo”…, já lá iremos.

O “SEGREDO” A sua chegada à TVI reacendeu a curiosidade sobre o que teria ele andado a fazer durante tão longa ausência. A (in)confidência, muito recente, de um primo a um amigo lá da zona caiu como uma bomba. Segundo um comerciante local que também terá sido informado “sob sigilo”, “O Zé Miguel esteve nove anos internado num convento, ou num

Frade?

em Outubro último, como cabeça de lista da coligação PSD/CDS. Não. Isso não é segredo para ninguém, como o não é a sua derrota para o Partido Socialista. De resto, foi neste período de campanha eleitoral que Zé Miguel ficou mais conhecido na freguesia, multiplicando as iniciativas com vis-

ta a caçar os votos dos conterrâneos, Caminhadas, arruadas, desfolhadas, noites de fado, tudo o jovem fez para ser presidente. Não aconteceu e terá dito aos seus correligionários que ficaria para a próxima. Sobre a sua pretensão política, apurámos que “na altura muita gente não percebia a sua candidatura,

uma vez que se tratava de alguém que, embora novo, esteve muitos anos ausente da terra. Sabíamos apenas que era filho dos professores Fernandes e Leocádia e pouco mais que isso. Ao contrário dos irmãos dele, os gémeos, que nunca saíram da região e, já adultos, acabaram por aqui se estabelecer”.

Em Irivo o “segredo” está descoberto: ”A acreditar no que há dias nos contou um primo dele, o Zé Miguel esteve mesmo num convento”

seminário, ou coisa do género”. Já se sabe como acabam os “segredos” quando são mais que dois a conhecê-lo: a notícia “galgou” rapidamente na terra e já são mais a “estar por dentro: ”A acreditar no que

“… LONGA AUSÊNCIA” Zé Miguel habita com os pais e dois irmãos (gémeos) numa pequena quinta, toda murada, numa zona recatada da paróquia onde, até há dias, a cabeça de cartaz era o Restaurante Sapo. E ao contrário dos gémeos, que sempre estiveram ali, o concorrente da “Casa dos Segredos” muito cedo abandonou a terra para “ir estudar”. Serão poucos a saber por onde o jovem andou aprender, o que se sabe é que terá estado na zona da Covilhã e, posteriormente, em Itália. E é esta ausência – “quase dez anos”, que tem surgido como estando intimamente ligada ao “segredo” que levou este penafidelense para a famosa “casa” da TVI. Na verdade e aparentemente, em Irivo ninguém sabe que segredo encerra o rapaz. Não é o de ter sido candidato à Junta de Freguesia local,

14 CD

Zé Miguel na Casa dos Segredos

29 de Outubro 2010

Na ‘casa dos famosos’ há discussões de deitar as mãos à cabeça


Sociedade

FAMĂ?LIA A RECATO

E

ncontrar familiares e amigos Ă­ntimos do ZĂŠ Miguel mostrou-se missĂŁo impossĂ­vel. Os pais e irmĂŁos mantĂŞm-se distantes ou â&#x20AC;&#x153;encerradosâ&#x20AC;? na sua quinta. Rodeada de altos muros, com resguardo reforçado por espesso arvoredo, a casa onde habita a famĂ­lia Fernandes parece vazia. Um vizinho disse-nos que nĂŁo, que Ă quela hora pelo menos os seus pais estavam â&#x20AC;&#x153;lĂĄ dentroâ&#x20AC;?. NĂŁo quererĂŁo ser incomodados, muitos menos para revelarem o segredo que pode dar uma fortuna ao filho.

Mas serĂĄ este, realmente, o motivo que levou o ZĂŠ Miguel ao novo concurso milionĂĄrio da TVI? Tudo leva a crer que sim e nesta altura, pelo menos em Penafiel, sĂŁo muitos os que quase em surdina se gabam de conhecer o â&#x20AC;&#x153;segredoâ&#x20AC;?: jĂĄ hĂĄ mesmo quem jure que se refere aos â&#x20AC;&#x153;nove anos num conventoâ&#x20AC;?. Mas para os estranhos fecham-se em copas, havendo atĂŠ quem olhe de soslaio os desconhecidos que, como nĂłs, ZĂŠ Miguel pode ter estado muito calcorreiam a freguesia em busca de pistas para o tempo ausente da freguesia, mas tal â&#x20AC;&#x153;segredoâ&#x20AC;?. ninguĂŠm pode dizer que desde que â&#x20AC;&#x153;NĂŁo sabemos, nem regressou nĂŁo se mexe por ela. nos interessaâ&#x20AC;?, disse-nos O jovem, para alĂŠm de ter encabeça- alguĂŠm logo desmentido do uma lista Ă  junta, faz parte da di- (na Ăşltima parte da frase) recção do rancho folclĂłrico e tambĂŠm pelo televisor sintonizaĂŠ dirigente do clube de futebol local. do na TVI, na altura em que se via o ZĂŠ Miguel â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; um moço cheio de vontade de tra- mais trĂŞs companheiros          da â&#x20AC;&#x153;casaâ&#x20AC;? a jogar futebol com uma bola de trapos. nos olhava como intrusos enquanto Estas evasivas, alguns sacudia rapidamente um tapete. silĂŞncios e atĂŠ alguma Como se nos quisesse enxotar. animosidade, foram-nos explicadas mais tarde por alguĂŠm daquelas bandas: â&#x20AC;&#x153;andam alguns para aĂ­ para seminĂĄriosâ&#x20AC;Śâ&#x20AC;?, confidenciou- a dizer barbaridades sobre o rapaz -nos uma idosa que, como quase e por isso ĂŠ que ninguĂŠm gosta de todos em Irivo, tem agora como falarâ&#x20AC;?. E acrescentou: â&#x20AC;&#x153;Mas pode ter â&#x20AC;&#x153;tarefa principalâ&#x20AC;? acompanhar o a certeza que nĂŁo hĂĄ nada errado mais possĂ­vel o desempenho do com ele. O segredo deve ser mesmo conterrâneo na â&#x20AC;&#x153;Casa dos Segre- isso, o ter estado muitos anos num dosâ&#x20AC;?. convento de fradesâ&#x20AC;?. hĂĄ dias nos contou um primo dele, o ZĂŠ Miguel esteve mesmo num convento. Mas tambĂŠm jĂĄ se diz que convento nĂŁo podia ser, porque isso ĂŠ para mulheres. Os homens vĂŁo

â&#x20AC;&#x153;

â&#x20AC;&#x153;FAZ-TUDOâ&#x20AC;?

Na inauguração da sua sede de campanha, em Irivo

CAIXAS

Um dos cartazes da sua campanha. Agora a luta ĂŠ outra.

29 de Outubro 2010

CD 15


Última Sobrado - Valongo

Agostinho Moreira, administrador da

tem um sonho:

 FAZER DA SUA EMPRESA UMA DAS MELHORES MARCAS DE MOBILIÁRIO DO MUNDO

N

Regressado de uma feira que decorreu na cidade italiana de Verona, onde apresentou duas novidades a nível mundial – aparador e vitrine – Agostinho Moreira, Administrador da Jetclass, abriu-nos as portas da sua empresa mas também dos seus objectivos e visão para o futuro, onde sobressai destacadamente a colocação da marca, nascida em Sobrado (Valongo), como uma das melhores marcas de mobiliário a nível mundial. O reforço, em curso, da estrutura de inovação nas áreas do design e da promoção, e a breve prazo, com a inauguração de uma nova fábrica, um investimento na ordem dos 3,5 milhões de euros, a Jetclass estará preparada, segundo o seu líder, para dobrar a capacidade de produção e acentuar a sua afirmação nos mercados com um mobiliário que combina a tradição com inovação e que nos transporta “para uma atmosfera de autêntico glamour”.

16 CD

a cidade italiana de Verona, os móveis da Jetclass fizeram furor junto de muitos dos profissionais que visitaram aquela que é uma das principais feiras do circuito europeu do mobiliário, tendo as suas novidades ali apresentadas – um aparador e uma vitrine – com a atracção de terem incrustado uma folha de prata em grafite com uma imagem de uma carro antigo de Fórmula Um, uma viatura (Ferrari) e uma cor (vermelho vivo), símbolos muito admiradas a nível internacional e que, naquelas singulares circunstâncias, despertaram um enorme interesse por parte, sobretudo, de potenciais clientes russos, ucranianos, indianos, árabes e de alguns países asiáticos, Distinguindo-se pelas suas linhas clássicas mas emprestando-lhe sinais e elementos de modernidade e actualidade, o mobiliário da Jetclass está a ganhar rapidamente os nichos de mercado de alto luxo em muitos países, destacando Agostinho Moreira mercados como o inglês, espanhol, russo, ucraniano, polaco, croata, além da sua presença com significado em países como o Dubai, Abu Dhabi, Qatar, Kuwait, no Médio Oriente, de Angola, Moçambique e Nigéria, no continente africano, ou nos Estados Unidos da América, através de uma presença em Nova Iorque, mas já colocando a hipótese de estar futuramente representado em Las Vegas, a capital mundial do jogo e do entretenimento. No entanto, o responsável da Jetclass neste encontro que nos proporcionou chamou a atenção para a presença da marca na feira do mobiliário que vai decorrer na segunda quinzena de Novembro na enorme metrópole que é a cidade de Moscovo, montra importantíssima na medida em que o mercado russo – onde, aliás, a Jetclass já possui uma presença, ainda que limitada a um representante – é dos mais atraentes e cobiçados da actualidade. Trata-se de uma praça que, pelo potencial que possui, sobretudo pela conhecida apetência dos russos pela aquisição de produtos de luxo, será a curto prazo uma das mais fortes apostas internacionais da empresa portuguesa com sede em Sobrado. Agostinho Moreira refere mesmo que gostaria de encontrar as condições para ter um espaço (showroom) para que os móveis da Jetclass possam ser apreciados e adquiridos, directamente, na capital russa. Esta presença vai também servir para se aproximar ainda mais do

29 de Outubro 2010

der aos exigentes desafios do mercado de luxo onde a empresa se insere e compete a nível nacional e internacional.

A GRANDE APOSTA NA EXPORTAÇÃO

mercado profissional que opera na mais importante cidade do maior país do Mundo, cidade que é também uma das mais caras a nível mundial.

TRADIÇÃO, INOVAÇÃO E GLAMOUR Sustentar o crescimento da empresa e reflectir nas suas criações e nas vendas, o titânico esforço promocional empreendido pela Jetclass nos últimos dois anos em várias das mais importantes feiras mundiais do sector, implicou também, segundo Agostinho Moreira, um significativo investimento na criação de uma equipa que na empresa pensa e executa o design dos produtos, tanto na sua fase conceptual, como na sua tradução industrial, mas igualmente nos aspectos relacionados com a divulgação e promoção da marca. É que quem não é visto não é lembrado, como diz o ditado popular, e os responsáveis da Jetclass estão conscientes da importância da projecção da marca a nível nacional e internacional, referindo o líder da empresa que vão existir importantes novidades a breve prazo nesta matéria.

Outra novidade, também a breve prazo, será a inauguração da nova fábrica da Jetclass, igualmente localizada em Sobrado, e que implica um investimento global na ordem dos 3,5 milhões de euros. Agostinho Moreira acredita na possibilidade da abertura da nova fábrica ocorrer durante o primeiro trimestre de 2011, e destaca o facto da nova unidade constituir um forte upgrade para a Jetclass. “Em primeiro lugar porque terá uma área de showroom para mostrar o nosso mobiliário aos clientes, algo que aqui não temos, e que será fundamental para mostrarmos o que fazemos. Mas também ao nível do layout dos vários sectores que compõem a empresa, a nova estrutura vai permitir que a Jetclass disponha de condições para dar um forte salto em frente, melhorando a nossa já elevada qualidade, e sobretudo possibilitando-nos responder com eficácia aos novos pedidos de produção de mobiliário, e que no presente temos por vezes algumas dificuldades em responder quantitativamente”, enfatizou Agostinho Moreira. O fundador e líder da Jetclass acredita, assim, poder dobrar no próximo ano a capacidade instalada e poder respon-

Exportar cada vez mais é um objectivo e um desafio permanente. Actualmente, a relação aponta para que 30% da produção se destine ao mercado interno e os restantes 70% vão para mercados estrangeiros. O objectivo a curto prazo “é atingir nos mercados externos uma posição que ultrapasse dos 80% da produção da Jetclass”, garante o administrador. Agostinho Moreira – assim como a sua equipa – acredita que é capaz de levar a Jetclass até ao patamar que a sua visão lhe ditou, logo em 2001, ano da fundação: “criar uma empresa cuja marca de mobiliário atingisse o topo a nível internacional”. Ou mais preciso ainda: “fazer da Jetclass uma marca de distinção, classe e luxo, que responda cabalmente aos exigentes e sofisticados mercados a nível mundial, ou seja, tudo fazer para ser uma das melhores marcas mundiais no mercado do mobiliário” acentuou Agostinho Moreira, que se despediu de nós, parafraseando o poeta: “sempre que o homem sonha, o Mundo pula e avança”. A Jetclass é a prova.


Correio do Douro nº26