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CORREIO DOURO do

director|OSCAR QUEIRÓS

ano|59

número|12 nova série

Sexta, 4 de dezembro de 2009

preço|0,25€

QUINZENAL

REGIONALISTA

Regional

Valongo

Metro do Porto

Quase pronto o túnel da Linha de Gondomar

Inauguração do novo edifício

PÁGINA 11

Regional Turismo

O Douro em viagem de promoção

PÁGINA 13

Actualidade Tribuna Livre

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA SEMPRE A CRESCER

Sociedade

Sobrado e as suas chagas Sociedade

Santo Tirso

Idosa assassinada com extrema violência

PÁGINA 8-9

PÁGINA 7

Está na cadeia

Sociedade

Tema de abertura

PÁGINAS 3

Área Metropolitana continua entregue aos bandidos

PÁGINA4

BRUXA QUERIA MATAR O GENRO Uma cartomante pagou a três indivíduos para lhe matarem o genro. Como eles nunca mais se despachavam, resolveu fazê-lo ela própria. PÁGINA 6


A fechar SugestĂŁo de fim-de-semana

SALĂƒO DE INVENTORES EM CHAVES A FlĂĄvia Criativa, que decorre a partir de amanhĂŁ (sĂĄbado) e atĂŠ Ă  prĂłxima terça-feira (8), em Chaves, conta com a participação de dezenas de inventores e 51 novos inventos, entre os quais um sapato mutante, um bastĂŁo policial tĂĄctico com spray de pimenta vermelha e o premiado “Green Pai Drivingâ€?, invento que permite identificar a velocidade ideal num veĂ­culo automĂłvel com o objectivo de poupar combustĂ­vel. A 5ÂŞ edição da FlĂĄvia Criativa - SalĂŁo de Inventores JĂşlio dos Santos Pereira decorre no pavilhĂŁo ExpoflĂĄvia e conta com a participação de inventores portugueses, espanhĂłis e diversas escolas profissionais. Entre os portugueses, fonte ligada Ă  organização destaca a presença de Rajesh Pai que vai mostrar o “Green Pai Driving (GPD)â€?, premiado com a medalha de prata no SalĂŁo Internacional de Genebra

FERNANDO ARAÚJO PRESIDE À ARS NORTE

Fernando AraĂşjo vai assumir a presidĂŞncia da Administração Regional de SaĂşde (ARS) do Norte, onde atĂŠ agora era vicepresidente do conselho de administração, confirmou ao nosso jornal uma fonte da tutela. Licenciado em Medicina e pĂłs-graduado em GestĂŁo, Fernando AraĂşjo substitui Maciel Barbosa, que ocupou o cargo por mais de quatro anos. A mesma fonte refere-se a Fernando AraĂşjo como a pessoa que “implementou o programa de cirurgia de ambulatĂłrioâ€? e integrou vĂĄrios projectos de investigação. Trabalhou no Hospital de SĂŁo JoĂŁo (Porto) e na ComissĂŁo Nacional de Luta Contra a Sida. Fez tambĂŠm parte do grupo de trabalho da Direcção-Geral da SaĂşde que elaborou a Rede de Referenciação Hospitalar de Imuno-Hemoterapia em Portugal.

Metro do Porto

SERVIÇO INOVADOR DE APOIO A CEGOS E AMBL�OPES

A Metro do Porto disponibiliza desde 2 de Dezembro um serviço destinado a auxiliar invisuais e amblíopes nas suas viagens de metropolitano. Este serviço, NAVMETRO – informação e navegação na rede do Metro do Porto – permite aos clientes invisuais serem ´conduzidos´ nos vårios momentos de utilização do sistema,

seja escolha de tĂ­tulo, a validação, ou o prĂłprio encaminhamento no interior da estação, para alĂŠm da disponibilização de informação genĂŠrica sobre o Metro (linhas, horĂĄrios, tĂ­tulos). O NAVMETRO, um serviço “inĂŠdito a nĂ­vel mundialâ€?, consiste na orientação e encaminhamento atravĂŠs da utilização de um telemĂłvel. Com

de 2009. Trata-se de um mecanismo que se instala no automóvel e que indica qual a velocidade em que o gasto de combustível pode ser minimizado. Das 51 invençþes jå inscritas pode encontrar-se ainda uma incineradora de sólidos, robôs, lâmpadas nocturnas, um sapato mutante, um bastão policial tåctico com spray de pimenta vermelha incorporada, sistemas anticarjacking, uma pistola de elåsticos em acrílico e uma persiana automåtica. Depois de um interregno de 13 anos, a Escola Profissional de Chaves, a Associação Portuguesa de Criatividade e a autarquia local juntaram-se em 2005 para prosseguir com este projecto que pretende promover e incentivar a criatividade e novas invençþes. As I jornadas de criatividade foram organizadas em 1990, para comemorar o

espĂ­rito inventivo do mais idoso dos inventores de Portugal, JĂşlio dos Santos Pereira, sendo entĂŁo instituĂ­do um prĂŠmio com o seu nome. Conhecido como o “Malhadeirasâ€?, JĂşlio dos Santos Pereira, que nasceu em Valpaços em 1903 e morreu em Outubro de 2003, era o sĂłcio numero 23 da Associação Portuguesa de Criatividade e, tambĂŠm, o inventor mais idoso de Portugal. Em 1926 deu um importante contributo para a mecanização da agricultura portuguesa, ao ter concedido novas funçþes Ă  malhadeira, designadamente a capacidade de limpar, pesar e ensacar o cereal. O “Malhadeirasâ€?, em 1990, tinha registado sete patentes de inventos, tantos quantos filhos teve, construĂ­do mais de duas dĂşzias de protĂłtipos e participado em vĂĄrios certames nacionais e internacionais.

™™™Valongo CONCERTO DE NATAL NA CAPELA DA SENHORA DA SAÚDE

No prĂłximo dia 12 (sĂĄbado) a Câmara Municipal de Valongo promove na Capela da Nossa Senhora da SaĂşde, no SusĂŁo, mais um Recital de Natal, com os intĂŠrpretes Pedro Migueis e InĂŞs Santos. O concerto, “de grande alegriaâ€?, consiste na apresentação das mais conhecidas cançþes de Natal, interpretadas por dois dos mais famosos intĂŠrpretes portugueses que serĂŁo acompanhados ao piano por Paulo Figueiredo.  Do repertĂłrio fazem parte cançþes intemporais que, ao longo dos tempos, tĂŞm ficado associadas Ă  ĂŠpoca natalĂ­cia, como sejam “Let it Snowâ€? ou “Santa Claus is Comming to Townâ€?.

um aparelho (de qualquer operadora, marca e modelo, sem carecer de qualquer funcionalidade ou aplicação especĂ­fica), um invisual pode ser localizado no interior da estação do Metro, ‘guiado’ nos diversos trajectos e executar as acçþes necessĂĄrias Ă  realização de uma viagem: escolher e comprar tĂ­tulos, validar, encontrar um elevador, aceder ao cais de embarque, receber informação sobre frequĂŞncias e tempos de espera, entre outras. Desenvolvido pelo Metro do Porto, em conjunto com a FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) e com a colaboração da ACAPO (Associação dos Cegos

e AmblĂ­opes de Portugal), o serviço “resulta de meses de investigação e desenvolvimento e do profundo trabalho de uma equipa de tĂŠcnicos, investigadores e acadĂŠmicosâ€?. O objectivo ĂŠ “tornar a rede do Metro ainda mais acessĂ­vel e garantir as melhores condiçþes de integração aos cidadĂŁos com deficiĂŞncia visualâ€?. A interacção com o cliente faz-se atravĂŠs da voz e de orientação sonora atravĂŠs de sons de pĂĄssaros, predefinidos. Para os cegos e amblĂ­opes registados no NAVMETRO (e apenas para estes clientes, a quem o serviço ĂŠ destinado), a utilização do serviço

Ê totalmente gratuita. O registo pode ser efectuado na sede da ACAPO (Rua do Bonfim 215, Porto), ou na Loja Andante da Estação da Trindade (às terças e quintas-feiras da 17:00 às 20:00 e aos såbados das 10:00 às 13:00). O NAVMETRO tem desde jå disponíveis todas as funçþes informativas. A função de encaminhamento estå limitada, nesta fase, à Estação da Trindade (a de maior procura em toda a rede do Metro do Porto). Numa fase posterior, a função de encaminhamento serå instalada noutras estaçþes subterrâneas do sistema.

ficha tĂŠcnica

CORREIO DO DOURO

– QUINZENà RIO www.correiododouro.pt

Propriedade Condor Publicaçþes, Lda. Contr. 508923190 Sede e Redacção Rua Dr. João Alves Vale, 78 – Est. D – 4440-644 VALONGO Tel. 224210151 – Fax 224210310

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4 de Dezembro 2009

Director|Oscar Queirós Chefe de Redacção|João Rodrigues Redacção e Colaboradores|Victorino de Queirós - J. Rocha - J. Silva - E. Queirós -Nuno Victorino - Carlos Silva, Marquês do Vale.  Editor Miguel Pereira João Rodrigues Filho

CORREIO ELECTRĂ“NICO:         

        

 

      

      

        NÂş. Registo ERC 125216    


Valongo Valongo

SANTA CASA DA MISERICĂ“RDIA INAUGURA NOVO EDIFĂ?CIO

A Santa Casa da MisericĂłrdia de Valongo vai inaugurar no dia 8 de Dezembro um novo edifĂ­cio no complexo da instituição. A nova construção albergarĂĄ um auditĂłrio com 243 lugares sentados, novas ĂĄreas administrativas, dois armazĂŠns e uma garagem. Para alĂŠm de permitir novas e melhores condiçþes no que toca a entretenimento e lazer dos seus utentes, a Santa Casa moderniza a sua ĂĄrea administrativa, aumentando a sua competĂŞncia e agilidade. Sendo jĂĄ um dos maiores empregadores do concelho, com esta obra, a instituição dĂĄ um passo de gigante na sua consolidação como exemplo a reter no que toca Ă  solidariedade. O caminho faz-se andando, dizse. E ĂŠ bem verdade. A prova estĂĄ no percurso que a Santa Casa da MisericĂłrdia de Valongo vem fazendo nos Ăşltimos anos, sob a liderança do Provedor Albino Poças. Se os primeiros tempos serviram para arrumar a casa, acabando com situaçþes menos boas como o desperdĂ­cio mas sobretudo com os angustiantes finais de mĂŞs, altura em que a administração e a centena de funcionĂĄrios andavam com o credo na boca na expectativa dos salĂĄrios, depois de resolvida e consolidada a situação, Albino Poças passou para a melhoria de outras circunstâncias internas, designadamente as condiçþes dos utentes – optimizadas de forma clarĂ­ssima – apostando em maior higiene, limpeza e na prestação de cuidados. Na verdade, Ă  custa de “muito trabalho, muito empenho, o Provedor transformou a instituição num exemplo notĂłrio de como se pode e deve fazer para tornar mais alegres, e melhores, os dias daqueles que estĂŁo na Ăşltima etapa da vida e que ali encontraram, finalmente, um local bom para viver. Internados, acamados, apoio domiciliĂĄrio, cuidados de enfermagem, medicamentos, tratamentos, refeiçþes quentes e a horas; actividades lĂşdicas, etc, tudo tem sido garantido aos “velhinhosâ€? colocados debaixo da sombra da insigne instituição. Mas nĂŁo apenas os mais velhinhos. As crianças tambĂŠm foram contempladas com um jardim-escola de uma qualidade inquestionĂĄvel. E,

porque a direcção da instituição nĂŁo quer parar e sabe o mal que grassa por aĂ­, mais recentemente, decidiu dedicar-se aos meninos e meninas de quem a sorte se tornou madrasta: Ă s crianças abandonadas, agredidas, desprezadas. E foi assim que construĂ­ram a MĂŁe de Ă gua, um centro de acolhimento para crianças em risco. Este “braçoâ€? da Santa Casa, embora recente, ĂŠ jĂĄ considerado um dos melhores, a nĂ­vel nacional, o que

diz bem da forma como a instituição encara a solidariedade e o amor aos mais desprotegidos.

SEMPRE A CRESCER Uma das grandes preocupaçþes do Provedor – supridas que estavam as necessidades mais elementares – era proporcionar momentos de diversão aos utentes. E por isso não

â€œĂ‰ sĂł nossoâ€?

Falar com Albino Poças sobre a Misericórdia de Valongo é falar-lhe         deixando transparecer diversas sensações. Quando abordámos o novo        nas suas feições. E tem razão para tal. A obra começou em Maio deste ano. E já está pronta! Mas há um outro motivo para o     

perdia uma ocasiĂŁo de levar atĂŠ ao interior da Obra peças de teatro, tunas, cançþes, espectĂĄculos, etc, tudo o que pudesse contribuir para trazer mais sol, mais alegria, aos utentes. EntĂŁo, Ă  falta de melhor, o refeitĂłrio era “transformadoâ€? em sala de espectĂĄculos, coisa nem sempre fĂĄcil de conseguir e que acarretava problemas de monta, quer para a “plateiaâ€? como para os artistas. Tornava-se imperioso encontrar

melhor solução, e foi isso que fez Albino Poças. Fez contas e decidiu avançar para a construção de um local prĂłprio. E, jĂĄ que estava com a “mĂŁo na massaâ€?, aproveitou de alargou a construção de modo a poder construir uma nova ĂĄrea administrativa, armazĂŠns novos e uma garagem que permitirĂĄ prolongar a vida das viaturas da instituição. Sempre com o objectivo de optimizar soluçþes.

         " #$$             desta comparticipação.

É mesmo obra!

O Provedor transformou a instituição num exemplo notório de como se pode e deve fazer para tornar               %            

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Actualidade Tribuna Livre

SOBRADO E AS SUAS CHAGAS

MP

Alfena

Pavilhão vandalizado As autoridades estão empenhadas em encontrar os autores dos vândalos que há dias, na data do encontro Alfenense-Ermesinde, decidiram conspurcar as paredes do pavilhão de Alfena com pinturas e sarrabiscos. Esta vila tem conseguido desenvolver-se escapando a esse tipo de “artistas” e era bom que assim continuasse.

Gaia

Gato mobiliza bombeiros Há dias um gato conseguiu abrir a torneira da cozinha de um apartamento, num oitavo andar na avenida da República, em Gaia, provocando uma inundação que mobilizou os bombeiros durante mais de duas horas. Segundo o chefe de serviço dos Bombeiros Sapadores de Gaia, o alerta foi dado às três horas da manhã pelo vizinho do sétimo andar, que se queixava de ter infiltrações de água em casa, vindas do andar superior. “Chegámos ao local e, como ninguém atendeu no apartamento, desligámos o contador da água e só mais tarde é que a inquilina nos informou que tinha sido o gato, que, sozinho em casa, tinha aberto a torneira da cozinha de um só manípulo”. Segundo o chefe de serviço dos Sapadores de Gaia, o apartamento do sétimo andar teve alguns prejuízos resultantes da inundação, que se desconhece quando terá começado. Seis elementos e duas viaturas dos Sapadores de Gaia estiveram no local durante mais de duas horas.

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Sobrado é uma das cinco freguesias do Concelho de Valongo. Vila há já alguns anos, à qual se pode chegar pela A4, na saída de Campo ou, seguindo pela EN 15, na direcção Porto – Vila Real, chegados a Campo, desvia-se para a EN 209 em direcção a Paços de Ferreira e, a cerca de 3 Km, chegase a Sobrado. Pode ainda lá chegar-se, vindos do Porto pelo IC24/A41 ou de Felgueiras/Lousada pela A42/A41, na saída de Sobrado, e até por algumas estradas municipais para quem vem de Gandra (Paredes) ou de Alfena (Valongo) e Agrela (Santo Tirso). Terra privilegiada pela sua localização, sua beleza e recursos naturais – por explorar – há muito está votada ao abandono, nomeadamente naquilo que lhe é mais querido: a sua identidade em plenitude. De facto, Sobrado é um pequeno paraíso, sulcado pelo Rio Ferreira, em cujas margens se estendem campos de cultivo até ao início das encostas dos montes que o circundam e onde, no início dessas encostas, estão implantadas a maior parte das casas dos sobradenses, qual presépio de gigantes que foi abandonado ao deus-dará. É que já há alguns anos, poucas dezenas, podemos dizer, desde que

altos interesses financeiros se começaram a sobrepor aos interesses naturais, começou o definhar desta linda terra. E se, pelo que sabemos, nada foi feito para preservar e divulgar tudo o que Sobrado tinha e tem de bom (o rio – com os campos que irriga, a pesca, as praias naturais, a cultura de cereais e outras, as vinhas, as antigas culturas de abelhas, as feiras, a festa de S. João de Sobrado, os monumentos, os montes, os arvoredos, pinhais, etc., etc., etc.), por outro lado tudo tem sido feito, a troco do lucro fácil, para permitir toda a espécie de atrocidades que dão cabo do património natural de Sobrado. A construção de fábricas e armazéns em terrenos agrícolas, a falta de limpeza do rio (quando há é só para destruir a vegetação natural das margens), a falta de vigilância das águas e a poluição feita por empresas

que lançam detritos para o rio, claros atentados desastrosos contra o ambiente e que não sofrem qualquer sanção nem são denunciadas, a falta de vigilância nos montes para minimizar os incêndios no verão, a cedência de terrenos para a plantação de eucaliptos, a falta de um plano geral de desenvolvimento que abranja os interesses de Sobrado num futuro alargado, a construção de habitações em zonas interditas à mesma, a não preservação de monumentos (pontes, cruzeiros, pelourinhos, fontes, capelas, etc.) e de outros aspectos culturais (música, danças e cantares, desfolhadas, ceifas), a falta de vigilância e de denúncia das atrocidades que os empreiteiros das auto-estradas cometem para a sua construção (movimentam cumes inteiros de montes, cortam linhas de água, destroem florestas desnecessariamente, cortam caminhos

públicos sem deixar acessos alternativos, e tudo sob o olhar complacente das autoridades responsáveis – junta de freguesia e câmara municipal), a falta de construção de uma rede viária eficaz, a deterioração dos pisos estradais, a substituição dos pavimentos em altura de eleições e que depois ficam a meio, prejudicando os seus utilizadores, e mais um sem número de situações que importará denunciar e esmiuçar a seu devido tempo, são resultado de uma mentalidade muito específica que se aninhou nesta terra. E são estas (e outras) as situações que iremos abordar mais em profundidade neste espaço. Para já fica apenas um alerta geral e uma abordagem mais abstracta, só para, ab initio, espevitar as mentes dos leitores mais interessados na expectativa de que façam esta semente crescer.

FESTA DO PAI NATAL PARA AS CRIANÇAS DE VALONGO Como já vem sendo hábito na quadra natalícia, o Pai Natal vai voltar a dar uma grande festa em Valongo. O acontecimento terá lugar nos próximos dias 5 e 6 de Dezembro, das 16h00 às 19h00, no Largo do Centenário, na cidade de Valongo, que será transformado em enorme palco de muita animação, destinada especialmente aos mais pequenos. A Câmara Municipal de Valongo preparou uma vez mais uma programação especial que decorrerá no in-

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terior de uma tenda que foi instalada no centro do Largo do Centenário. Insufláveis, pinturas faciais, ateliês

de pintura e reciclagem, fotografias com o Pai Natal são apenas algumas das actividades preparadas pela au-

tarquia para estes dois dias dedicados aos mais pequenos dos valonguenses. Assim, ao longo deste fim-de-semana haverá diversos momentos de diversão preparados por inúmeras associações concelhias, nomeadamente a Associação Cultural Cabeças no Ar e Pés na Terra; Associação Cultural e Recreativa Fora d’Horas; Associação Desportiva e Cultural Canários de Balselhas; Associação Social e Cultural de Sobrado; Grupo Brilho da Devesa; Grupo Dramático e Recreativo da Retorta e Projecto Percriarte. Em ambos os dias a concentração é feita pelas 16h00, junto da Praça Machado dos Santos. Todas as crianças irão receber pequenas lembranças do Pai Natal.


Actualidade

Traficantes presos

RED BULL AIR RACE

Paredes

Associação dos Comerciantes do Porto

Tribunal (de júri) condena assaltantes

APELA AO BOICOTE AOS PRODUTOS DOS PATROCINADORES

A Polícia Judiciária do Porto identificou e deteve dois homens como presumíveis autores de crimes de tráfico de estupefacientes na zona de Vila Nova de Gaia. No decurso das investigações foi feita a apreensão de uma quantidade aproximada de 25 quilos de pólen de haxixe, adequada à confecção de pelo menos 25 mil doses individuais; 1700 euros em dinheiro, uma viatura, dois telemóveis e documentação diversa. Os detidos, de 51 e 32 anos de idade, com as profissões de barbeiro e operário da construção civil e um deles com antecedentes criminais, designadamente por tráfico de droga, foram presentes ao TIC e ficaram em prisão preventiva.

Homicida detido A Polícia Judiciária identificou e deteve, com a colaboração da Guarda Nacional Republicana, um homem como presumível autor de crime de homicídio cometido com arma de fogo de que foi vítima um taxista de 63 anos de idade, no dia 27 de Novembro, na zona de Vinhais. Em quadro de desentendimentos porventura por motivos de partilhas, o ora arguido terá abalroando com um tractor o táxi conduzido pela vítima que, ainda mal refeita do choque e da surpresa do embate e imobilizada pelo cinto de segurança, foi atingida a curta distância por disparo de arma caçadeira feito por aquele, tendo tido morte imediata. No decurso das investigações foi feita a apreensão da arma do crime, que é uma espingarda caçadeira em situação ilegal, de dois canos justapostos. O detido, de 54 anos de idade, depois de ouvido por um Juiz de Instrução ficou prisão preventiva.

A Associação dos Comerciantes do Porto apelou no incio do mês ao boicote aos produtos da TMN, da GALP e da EDP, que são patrocinadores do Red Bull Air Race, como forma de protesto à eventual deslocalização do evento para Lisboa. O presidente da Associação dos Comerciantes do Porto (ACP), Nuno Camilo, afirma serem muitos os prejuízos, directos e indirectos, que esta eventual deslocalização traria ao comércio do Porto e aos seus comerciantes. Em comunicado, afirma que “não se compreende como é que os grandes patrocinadores do evento, TMN, EDP e GALP, têm nos seus conselhos de administração elementos nomeados pelo Governo e não se ouvem vozes de preocupação referentes ao comércio nesta região”. “A taxa de desemprego no distrito do Porto é uma das mais elevadas do país, mas mesmo assim não existe preocupação do poder central em

promover a região”, critica. Nuno Camilo recorda, em contraponto, que “as corridas Red Bull Air Race são uma excelente forma de promoção turística da região e uma verdadeira oportunidade para dinamizar e fortalecer o comércio tradicional”. É neste contexto que a associação faz agora o apelo ao boicote dos produtos destes patrocinadores, acrescentando ainda que “só falta tirarem o Vinho do Porto e o Futebol Clube do Porto à região do Norte”. De facto, as vozes de protesto têm-se erguido no Norte face à possível deslocação do evento que na sua última edição trouxe um milhão de pessoas às margens do rio Douro. O presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal disse não acreditar “minimamente” na eventual deslocalização do Red Bull Air Race para Lisboa, pois tendo a prova sido entregue ao Porto, teria que “haver uma conversa” no caso de surgir a

hipótese de mudar a localização da mesma. Acrescentou, ainda, que tem mantido contactos para manter a prova no Porto. Os deputados do PSD eleitos pelo círculo do Porto consideram que a possibilidade da deslocalização do evento para Lisboa, “para além de injusta e despropositada, dado o actual contexto sócio-económico regional, deita por terra todo o investimento já feito”. Neste sentido, os parlamentares enviaram uma pergunta ao ministro da Economia, Vieira da Silva. Os autarcas também já reagiram à eventual transferência da corrida aérea. Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia, considera o caso como “mais uma atitude discriminatória do Estado”. Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, também critica esta possibilidade, acusando o poder central de falta de bom senso e de não promover o equilíbrio do país.

O Tribunal de Paredes condenou a 11 e cinco anos e meio de prisão efectiva os dois autores de sete assaltos a balcões dos CTT e supermercados na região do Vale do Sousa. Fernando R. foi condenado a 11 anos por sete crimes de roubo agravado e um de falsificação de documentos (matrícula falsa). Sandro D. foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão efectiva por três crimes de roubo e um de falsificação. O colectivo de juízes e jurados (requisitados pela defesa dos arguidos) deu como provados todos os factos da acusação segundo a qual o valor global roubado nos sete assaltos de Paredes (seis a estações de correios e um em supermercado) terá sido de cerca de 6.335 euros. Em causa neste processo estiveram sete dos 19 assaltos que o grupo de Fernando R. terá perpetrado a balcões dos CTT e a supermercados na zona do Vale do Sousa, entre Dezembro de 2007 e Junho de 2008. Segundo o processo, os arguidos utilizavam um Ford Fiesta para se deslocar aos estabelecimentos alvo. Um deles permanecia dentro da viatura e o outro dirigia-se ao estabelecimento, de óculos de sol e chapéu, e coagia os funcionários a entregar-lhes o dinheiro que tinham em caixa com uma pistola de alarme adaptada para projécteis de calibre oito milímetros ou, noutros casos, com uma caçadeira de canos serrados. Fernando Moura, advogado do arguido que levou maior pena adiantou que irá recorrer do acórdão lembrando que o seu constituinte foi “condenado com base em declarações ilícitas que prestou à PJ após a sua detenção”. Fernando Moura considera que o interrogatório ao seu cliente, um dia após a detenção “em flagrante delito”, é “nulo”, por alegadamente ter sido feito sem a presença de advogado. “A lei é clara: uma pessoa presa em flagrante não pode prescindir de advogado”, havia afirmado o causídico, nas suas alegações iniciais. O mandatário acrescentou que o recurso irá ainda incidir no requerimento que apresentou ao colectivo para juntar ao processo documentos que comprovavam que o seu cliente não se encontrava em Portugal na data de um dos crimes, o que o tribunal indeferiu. O próximo julgamento de Fernando R. e Sandro D., por mais assaltos aos CTT, terá início a 17 de Dezembro, em Paços de Ferreira, também com recurso a tribunal de júri.

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Sociedade EstĂĄ na cadeia

BRUXA QUERIA MATAR O GENRO

Uma cartomante de Santa Maria da Feira pagou a trĂŞs indivĂ­duos para que lhe tratassem de uns “servicinhosâ€? que incluĂ­am cobranças. SĂł que os contratados nĂŁo davam conta da encomenda nem devolviam o dinheiro recebido – 15 mil euros. Para nĂŁo ficar “sem pau nem bolaâ€?, a bruxa pediu-lhes que “ao menosâ€? lhe matassem o genro. Nem isso o raio dos meliantes fizeram. Decidiu fazĂŞ-lo ela prĂłpria e sĂł nĂŁo chegou a vias de facto porque a PJ surgiu-lhe ao caminho. E foi presa a pitonisa. Rosa Maria, de 53 anos, residente em Nogueira da Regedoura, concelho da Feira, dedica-se hĂĄ muito Ă  cartomancia, actividade que lhe permite elevado nĂ­vel de vida. Tudo deveria correr bem, mas nĂŁo. Ou por emprĂŠstimo ou por falta de pagamento de adivinhaçþes, a verdade ĂŠ que havia quem lhe devesse dinheiro e nĂŁo pagasse, maugrado as insistĂŞncias. AtĂŠ que hĂĄ uns meses Maria Rosa se cansou e mudou de tĂĄctica: Em lugar de pedinchar que lhe pagassem, fez algumas diligĂŞncias e contratou trĂŞs gandulos para “receberem de qualquer maneiraâ€?. E pagou logo Ă  cabeça alguns milhares de euros. Passados uns dias o trio apareceu-lhe para lhe dar conta de dificuldades acrescidas na missĂŁo, contornĂĄveis com mais alguns milhares de euros. Rosa pagou, assegurado que lhe foi de que, “agora sim, vĂŁo pagarâ€?. Tretas, tendo em conta que duas semanas depois os seus cobradores voltaram a aparecer para lhe pedirem mais dinheiro para a “obraâ€?. A vidente (?) desesperava pois em vez de entrar, via o dinheiro a sair‌ mas era tarde de mais. Voltou a pagar, lembrandolhes que jĂĄ ia em 15 mil euros. Os homens sossegaram-na: seria a Ăşltima vez que lhe pediam dinheiro. Na prĂłxima trariam resultados. Mas o que veio foi mais uma ausĂŞncia, prolongada e sem resultados. Decididamente os tipos nada faziam para justificar o criminoso contrato. Maria Rosa estava possessa, sentia-se enganada mas o que fazer? Queixa Ă s autoridades? Nem por sombras pois o que havia encomendado era delito e pena maior seria a sua, como mandante. Mas nĂŁo podia perder assim 15 mil euros‌

“AO MENOS MATEM-ME O GENRO�

“ok, matamosâ€?! Mas quem faz uma faz um cento‌ Na verdade, os trĂŞs homens ficaram-se pela aceitação do “trabalhinhoâ€? mas, tal como anteriormente no que toca Ă s cobranças, nunca mais ligaram ao assunto. AtĂŠ porque morte de homem nĂŁo ĂŠ brincadeira.

AFINAL QUEM É QUE É BRUXO?

Cartomante, rosto coberto, Ă  saĂ­da do TIC Porto

“SĂ“ LHE BATI UMA VEZâ€? Com a mĂŁe na cadeia, o mundo de Carla desabou. E a culpa de tudo era do seu marido. Por isso decidiu (pelos menos por agora), cortar todo o contacto com ele, e seguir pela via judicial. Era o que deveria ter feito “hĂĄ muitoâ€?, dizem na vizinhança. "  &        com os acontecimentos. Na altura em que ocorreu a detenção da sogra estava, em trabalho, prĂłximo da fronteira de Vilar Formoso. A PJ ligou-lhe, para que regressasse rapidamente a Santa Maria da Feira. SĂł ali foi posto ao corrente do que se passava. '    *  &    surpreendido pelas alegadas intençþes da sogra, atĂŠ porque “sĂł bati na minha mulher uma vezâ€?, disse. Insistiu-se e acabou por “confessarâ€? que havia muitas discussĂľes em casa, “explicandoâ€? que se trata de algo “comumâ€? no seio de qualquer famĂ­lia (?).

AFINAL HAVIA ARMAS EM CASA Aquando da detenção de Maria Rosa, a Policia Judiciåria fez (as habituais) buscas na sua residência. E foi durante essa diligência que acabou por descobrir duas armas, ilegais, pertença do Sera +

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 de violĂŞncia domĂŠstica, terĂĄ de responder pela posse de armas ilegais.

AlĂŠm destes problemas a carto-

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mante tinha ainda um outro – quiçå o maior de todos – e para cĂşmulo entre portas. AlĂŠm do marido, Maria Rosa tinha em casa a filha Marta, as duas netas – crianças de tenra idade – e Serafim, o genro. E era ele o seu maior engulho. Ao que se diz, Serafim, motorista de profissĂŁo, terĂĄ desde hĂĄ muito propensĂŁo para a zaragata e coisas do gĂŠnero, carĂĄcter que tambĂŠm seria visĂ­vel em casa, onde, alegadamente, infligiria repetidos maus-tratos Ă  mulher e filhas, nĂŁo o desarmando a presença dos sogros. Maria Rosa teve uma ideia: os quinze mil euros que pagara aos trĂŞs indivĂ­duos para “cobrançasâ€? e similares, e que estes nunca levaram a termo, serviriam de pagamento para uma morte! Literalmente. E meteu mĂŁos Ă  obra. Encontrou-se com os bandidos – que atĂŠ aĂ­ mais nĂŁo tinham feito que a sacado – e tĂŞ-los-ĂĄ colocado entre a espada e a parede, dizendo mais ou menos isto: “ou me devolvem os 15 mil, ou matam-me o genroâ€?. O trio da “vida airadaâ€? nem pestanejou:

Maria Rosa de danada passou a possessa: “irraâ€?, terĂĄ pensado, “nem dinheiro, nem funeral do genroâ€?. Os tipos nĂŁo davam mais sinal de si e Serafim continuava com a violĂŞncia em casa. Mas se dos 15 mil euros desistia (que remĂŠdio!), da morte do genro ĂŠ que nĂŁo. E decidiu que seria ela prĂłpria a liquidĂĄ-lo. Para isso precisava de arranjar uma arma de fogo, quiçå tida por ela como o meio infalĂ­vel de mandar Serafim desta para melhor. Onde arranjĂĄla? Procurando no povoado meio criminoso da regiĂŁo, onde havia encontrado “aqueles aldrabĂľesâ€? que a aliviaram de 15 mil euros. E ĂŠ mais ou menos no meio desta diligĂŞncia que tropeça – ou eles nela - nos inspectores da Policia JudiciĂĄria, homens da SRCB, do Porto. “Vigiaram-naâ€? durante alguns dias e, quando perceberam que nĂŁo se tratava de nenhuma “reacção a quenteâ€? – mercĂŞ de mais uma agressĂŁo de Serafim Ă  filha e netas – mas antes que Maria Rosa estava profundamente determinada a matar o genro, os polĂ­cias partiram para a detenção. A cartomante terĂĄ ficado siderada e sem resposta para duas questĂľes angustiantes: “Como ĂŠ que eles adivinharam o que eu ia fazer? Afinal quem ĂŠ que ĂŠ bruxo, eu ou estes gajos da PJ? Como ĂŠ que as cartas nĂŁo me mostraram que isto ia dar para o torto?â€?. Rosa pasmou pela primazia de uma (eficaz) investigação, sobre um baralho que lhe dera tanta fama, dinheiro e os correspondentes luxos. Resignada pela evidĂŞncia nĂŁo perdeu muito tempo a negar – os indĂ­cios recolhidos falavam por si – decidindo antes explicar as motivaçþes, corroborada pela filha, Carla, que confirmou as mĂşltiplas agressĂľes que, tanto ela como as miĂşdas, vinham sofrendo Ă s mĂŁos de Serafim. Mas os inspectores nĂŁo podiam fechar os olhos. Nitidamente ali nĂŁo havia “legĂ­tima defesaâ€? e existem meios legais, rĂĄpidos e acessĂ­veis a todos, para colocar Serafim no seu devido lugar. Por isso detiveram a mĂŁe e arranjaram um local de abrigo para Carla e as duas crianças, longe de quem as agredia. Maria Rosa, apĂłs uma noite de detenção foi presente ao TIC onde, depois de interrogada e confrontada com os indĂ­cios recolhidos, nĂŁo conseguiu melhor que ver o Juiz de Instrução seguir o pedido do MinistĂŠrio PĂşblico: prisĂŁo preventiva.


Sociedade Santo Tirso

IDOSA ASSASSINADA COM EXTREMA VIOLĂŠNCIA

Nua, cortada nos órgãos genitais e depois atirada a um poço. Ainda não se sabe se estava viva ou morta quando foi lançada às åguas, a única certeza Ê que o homicídio brutal não teve o roubo como objectivo. Ana Gomes tinha 76 anos, vivia sozinha e o seu corpo apareceu na manhã de Domingo. Pode ter sido morta entre as 18h00 do dia anterior, última vez que foi vista, e a manhã seguinte.

A macabra descoberta foi feita em Santa Cristina do Couto, Santo Tirso. Foram o filho e o genro que encontraram o cadĂĄver depois de procurarem por toda a casa. Ana Gomes almoçava sempre com a filha ao Domingo e aquela familiar estranhou que a mĂŁe tivesse as portas de casa ainda fechadas e mais estranho ainda, que nĂŁo atendesse o telemĂłvel. Ligou para o irmĂŁo que foi procurĂĄ-la. A filha tinha de sair – ir a um casamento – e nunca pensara na possibilidade de uma tragĂŠdia. O filho procurou Ana Gomes e nada encontrou. Ficou cada vez mais preocupado, jĂĄ que tudo era anormal. Chamou o cunhado e ambos revistaram toda a casa, notando que estava impecavelmente arrumada e sem qualquer rasto da idosa. “Nos anexos vimos um rasto de sangue. Foi nessa altura que nos lembramos de abrir o poço e a encontramosâ€?, contou ao CORREIO DO DOURO o genro Adelino Silva, ainda em estado de choque. O corpo foi retirado pelos bombeiros de Santo Tirso e foi jĂĄ cĂĄ fora que ficaram claras as circunstâncias da morte. A senhora estava completamente nua, apresentava um enorme e profundo golpe da cabeça; no resto do corpo eram tambĂŠm visĂ­veis outros golpes mas o que mais impressionou foi a zona genital “completamente rasgadaâ€?. A senhora fora vĂ­tima de um ou mais tarados.  

MORTA À MACHADADA Sem terem ainda os resultados finais da autópsia resta às autoridades especularem sobre o que poderå ter acontecido. Acreditam, no entanto, que a arma do crime tenha sido um machado que pertencia à idosa. Não houve sinais de arrombamento nem roubo, o que indica tambÊm que vítima e agressor se deviam conhecer e que teriam sido motivos passionais a explicar o brutal crime. O corpo apresentava-se num

Ana Gomes (morta)

Jantava com o marido às escondidas Ana Gomes vivia sozinha há mais de uma década por opção. &      2 3   4  5     6  7        * 89   :    4        2    ;          / 6  

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SeptugenĂĄria era solitĂĄria

JoĂŁo Rodrigues, marido mĂ­sero estado. â&#x20AC;&#x153;Tinha um buraco na cabeça e VĂĄrios outros ferimentos, incluindo nas pernasâ&#x20AC;?, contou o genro. O marido â&#x20AC;&#x201C; de quem Ana Gomes estava separada â&#x20AC;&#x201C; tambĂŠm relata pormenores macabros. â&#x20AC;&#x153;SĂł as maminhas ĂŠ que nĂŁo estavam desfeitas. O resto estava num estado muito graveâ&#x20AC;?. A hipĂłtese de roubo foi posta definitivamente de lado na segundafeira, altura em que a carteira da vĂ­tima foi encontrada no anexo onde Ana foi agredida. No seu interior estavam os documentos e o dinheiro. â&#x20AC;&#x153;Estava debaixo do carro e tinha 300 euros em notas â&#x20AC;&#x153;, disse o marido da vĂ­tima, JoĂŁo da Costa Rodrigues. Outras descobertas foram feitas nos dias que se seguiram. Apareceram algumas peças de roupa, todas manchadas de sangue. â&#x20AC;&#x153;Apareceu a roupa que ela trazia vestida. Esta-

va atrĂĄs de uma cabina, num balde preto. Estava tudo cheio de sangue. A carteira apareceu depois dentro do local onde deverĂĄ ter sido agredida. NĂŁo roubaram nada, agora sĂł falta encontrar o machado e o telemĂłvelâ&#x20AC;?, contou ainda o genro, adiantando que o balde estava pousado nas silvas. â&#x20AC;&#x153;Estava lĂĄ o cachecol, chinelos e o resto das coisas, excepto a camisola interior. Aquela jĂĄ a tĂ­nhamos encontrado ontem, no chĂŁo, tambĂŠm com sangueâ&#x20AC;?, concluiu. Durante toda a semana, a PJ tentou esclarecer o mistĂŠrio. Regressaram Ă  casa segunda e terça-feira, tendo conseguido esvaziar o poço. Nada voltaram a encontrar. â&#x20AC;&#x153;Procuravam o machado, pensavam que estava lĂĄ no fundo. Mas esteve lĂĄ um mergulhador dos Bombeiros que nĂŁo encontrou mais nadaâ&#x20AC;?, adiantou outro familiar.

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Mergulhador procurou machado dentro do poço onde estava o cadåver

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Tema de abertura Porto

ÁREA METROPOLITANA CONTIN Completam-se na próxima semana dois anos da operação “Noite Branca”, uma iniciativa da PJ do Porto que culminou na detenção do gangue da Ribeira, alegadamente responsável maior pelo clima de terror e morte em mergulhou a capital do Norte, na segunda metade de 2007. O processo seria entregue a uma “equipa especial”, liderada desde Lisboa pela procuradora Helena Fazenda, e do trabalho realizado até agora, resultaram algumas absolvições – por tráfico de droga - e muita polémica, estando ainda por explicar as mortes de Aurélio Palha e de “Berto Maluco”. Mais de dois anos depois do crime, está já em fase de alegações o julgamento dos líderes do gangue da Ribeira – Bruno “Pidá”, Mauro Santos, Fernando ‘Beckham’, Ângelo ‘Tiné’ e Fábio ‘Suca’ –, sob quem recai a acusação de ter assassinado a tiro, na madrugada de 29 de Novembro de 2007, Ilídio Correia, segurança da noite do Porto. Para os que pensavam que, face à prova recolhida, as penas severas seriam “favas contadas”, o desempenho de algumas importantes testemunhas de acusação deixa perspectivar cenário bem diverso. Recorde-se que na véspera da primeira audiência foram incendiados dois automóveis de familiares directos de uma testemunha que assistiu à morte de Ilídio Correia. Este incidente foi interpretado como “um aviso” do gangue da Ribeira, coisa que estes se apressaram a negar. Sempre sob fortíssimas medidas de segurança, foram-se sucedendo as testemunhas, destacando-se algumas tidas como importantes e imprescindíveis pela acusação mas que no entanto, em sede de julgamento, “viraram o bico ao prego”, que é como quem diz, deram o dito por não dito, ilibando Pidá e seus amigos. Este facto fez circular com maior veemência os boatos sobre alegadas “ameaças, pressões e muito dinheiro”, meios que teriam sido utilizados para dificultar a prova em julgamento. E se no tribunal, face à sua mudança radical, testemunhas houve que, instadas, negaram ter sofrido qualquer aliciamento ou ameaça, no exterior, concretamente na “noite”, fala-se escancaradamente de “visitas” em grupos, algumas de táxi, feitas por gente ligada ao gangue de Pidá, a testemunhas em vésperas de serem ouvidas. Por outro lado, acontecimentos recentes – a semana passada – deixam pensar que alguma coisa se está a passar. Referimo-nos ao caso de José Pires, um conhecido negociante de automóveis e de droga, testemunha de acusação neste processo e que em Tribunal foi peremptório ao afirmar que tinha medo, que corria sérios riscos. Medo de quem, não concretizou mas a verdade é que na madrugada

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de quinta-feira passada foi, ao som de disparos, sequestrado em Vigo, quando saía de um motel. Os sequestradores, que se faziam transportar no veículo de matrícula portuguesa, andaram horas com ele, abandonando-o ao princípio da tarde numa mata, nas bermas da EN 2, em Vidago (Chaves). De resto foram os bombeiros desta localidade termal, quando tentavam localizar a origem de um intenso fumo, que descobriram José Pires, a poucos metros do seu automóvel que ardeu completamente. A vítima, em avançado estado de hipotermia, estava amarrada de pés e mãos e com as calças caídas. No seu corpo, “havia muitos sinais de agressão e tortura”, diz quem o viu. Em “mísero estado”, Pires foi conduzido ao Hospital de Chaves mas ficou ali poucas horas. Ainda não tinha terminado o dia e já lá se encontravam um irmão e outros amigos para o “resgatar”. E foi contra a vontade dos médicos que “Pirinhos” se pôs andar, supostamente para ser internado numa clínica que nunca ninguém identificou. Estará ainda aí, refugiado. Esta atitude – vigorosamente desaconselhada pelos clínicos da urgência do Hospital de Chaves – diz bem da amplitude do medo que se apoderara de José Pires. Noticias houve que emprestavam a autoria do sequestro e posterior tortura a traficantes colombianos, a quem Pires terá dado “uma banhada”. No entanto, quer nos meios da criminalidade quer policiais, este cenário não colhe: “colombianos ou até galegos, esses traficantes perante deslealdades são radicais, matam”, conta-nos quem percebe do assunto, apontando antes para o Porto a origem deste crime. Houve mesmo uma fonte que foi mais longe, falando de um cenário e “quebra de fornecimento” de droga a um grupo que, com elementos presos e muitas despesas para pagar, “precisa da droga como pão p’ra boca”. Ainda segundo esta fonte, o sequestro e agressão serviram apenas de aviso para que fossem retomados rapidamente os fornecimentos. As investigações poderão fazer luz mas é pouco provável já que, ao que apurámos, “Pirinhos” não está

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2007 8 de Julho – Dois grupos rivais envolveram-se em pancadaria no interior do River Caffé. A rixa estende-se ao exterior e acaba a tiro. Três feridos por bala. 13 de Julho – Discoteca El Sonero - Nuno “Gaiato”o segurança é atingido mortalmente a tiro. A vítima usava colete à prova de bala mas quem o atingiu já sabia pelo que alvejou a cabeça. 21 de Julho - Discoteca Number One - Um jovem foi atingido a tiro por um amigo quando o tentava separar de uma confusão com um segurança do estabelecimento. Morreria pouco depois. 7 de Agosto - Bar Kizomba - Um jovem de 19 anos foi morto à facada quando saía deste bar, situado no Centro Comercial Stop. A disputa começou no interior do bar. 26 de Agosto - Zona da Ribeira – Benjamim e Ilídio Correia são alvejados numa esplanada, alegadamente por membros do gangue da Rib eira. Milagrosamente, e atendendo a que na altura a zona estava repleta de gente, não houve vítimas. 27 de Agosto - Discoteca Chic - Aurélio Palha e o seu segurança, Berto maluco, são alvejados a partir de um carro em movimento. O empresário morre ali, enquanto o segurança sai incólume. Pidá e seus próximos são tidos como autores. 29 de Novembro – Alfandega do Porto - Ilídio Correia, 33 anos, foi morto a tiro nessa madrugada. Estava acompanhado dos dois dos irmãos mais novos e de dois amigos que conseguiram abrigar-se da chuva de balas com que foram recebidos quando estacionavam. 10 de Dezembro - Gaia – “Berto Maluco” preparava-se para sair de casa – diz-se que se ia esconder pois sabia-se ameaça-

Cronologia da “Noite Branca”

Carro de J. Pires incendiado. Ao lado estava o proprietário, amarrado depois de brutalmente agredido

Morte de Ilidio Correia


Tema de abertura

NUA ENTREGUE AOS BANDIDOS

a e

do por quem matou AurĂŠlio Palha â&#x20AC;&#x201C; quando foi alvejado por dois atiradores que empunhavam metralhadoras. Viria a morrer pouco depois no Hospital S. JoĂŁo.

2008 3 de Março - Carlos Almeida, informador da PJ e que terĂĄ colaborado nas investigaçþes que levaram Bruno PidĂĄ Ă  cadeia, morre carbonizado num acidente com um Ferrari, junto Ă  ĂĄrea de serviço de Ă guas Santas. Carlos tinha sido hĂĄ pouco acusado pela companheira de Bruno PidĂĄ de ter forjado provas contra este, sob a orientação de um polĂ­cia. Na altura falou-se que o acidente camuflava um atentado mas das investigaçþes nada resultou que desse substância a tal. Ficou-se pelo acidente! 9 de Outubro â&#x20AC;&#x201C; A casa de Helena fazenda, em Lisboa, ĂŠ assaltada. A â&#x20AC;&#x153;operaçãoâ&#x20AC;? foi cirĂşrgica: apenas desapareceu um computador portĂĄtil que supostamente conteria elementos da investigação da â&#x20AC;&#x153;Noite Brancaâ&#x20AC;?. O caso foi desvalorizado. 10 de Outubro - Helena Fazenda deduz acusação no caso da discoteca El Sonero, em que foi morto Nuno Gaiato. SĂŁo acusados Hugo Rocha, JosĂŠ Teixeira e Vasco. AlĂŠm do homicĂ­dio sĂŁo ainda acusados de coacção agravada e posse ilegal de armas e estupefacientes. 12 Dez â&#x20AC;&#x201C; FĂĄbio, primo de Bruno PidĂĄ, que havia sido detido durante a operação â&#x20AC;&#x153;Noite Brancaâ&#x20AC;? e libertado pouco depois, volta a ser preso e apresentado ao TIC. Sob ele pesa agora a acusação de ter participado no homicĂ­dio de IlĂ­dio Correia. 16 Dezembro â&#x20AC;&#x201C; Um ano depois de constituir a â&#x20AC;&#x153;equipa especialâ&#x20AC;?, Helena Fazenda deduziu acusação contra onze arguidos do processo da â&#x20AC;&#x153;Noite do Portoâ&#x20AC;?, todos do gangue da Ribeira. SĂŁo-lhe imputados vĂĄrios crimes, designadamente os de homicĂ­dio qualificado e posse e detenção ilegal de armas.

Morte de AurĂŠlio Palha

muito palrador, tendo afirmado desconhecer quem lhe fez aquilo e porque razĂŁo.

FAZENDA POLĂ&#x2030;MICA Quem espera com ansiedade pelo resultado deste julgamento ĂŠ Helena fazenda e a sua â&#x20AC;&#x153;equipa especialâ&#x20AC;?. Recorde-se que os resultados atĂŠ agora obtidos sĂŁo pouco mais que nada. Traduzindo: a acusação deste caso resulta, quase ipsis verbis, do relatĂłrio final da PJ do Porto e da integração na equipa â&#x20AC;&#x201C; atĂŠ certa altura â&#x20AC;&#x201C; de quatro inspectores dos HomicĂ­dios, da directoria do Porto. Fora isso, da prova produzida pelas investigaçþes da inteira responsabilidade da procuradora, pouco ou nada resultou. Para darem substância a esta alegada realidade, algumas fontes brandem com o processo de trĂĄfico de droga que, alĂŠm do madeirense Paulo Camacho, envolvia Fernando â&#x20AC;&#x153;Beckamâ&#x20AC;?, Mauro e Paulo Aleixo, todos prĂłximos de Bruno â&#x20AC;&#x153;PidĂĄâ&#x20AC;?. O julgamento terminou hĂĄ pouco e a sentença, proferida a 11 de Novembro Ăşltimo, ficou aquĂŠm das expectativas: Camacho foi condenado a quatro anos e meio de prisĂŁo, enquanto os restantes â&#x20AC;&#x201C; membros do gangue da Ribeira â&#x20AC;&#x201C; foram absolvidos, â&#x20AC;&#x153;por falta de provasâ&#x20AC;?. Esta decisĂŁo foi, sem dĂşvida, uma mĂĄ noticia para a procuradora

de Lisboa. Por outro lado saiu â&#x20AC;&#x153;reforçadoâ&#x20AC;? quem continua a achar â&#x20AC;&#x153;um disparateâ&#x20AC;? a sua nomeação. â&#x20AC;&#x153;Como ĂŠ possĂ­vel mandar alguĂŠm de Lisboa investigar crimes no Porto? Que conhecimentos tem a senhora da mentalidade, das complexidades, do banditismo nortenho?â&#x20AC;?, perguntavanos hĂĄ dias um expert que se confessou â&#x20AC;&#x153;incapaz de fazer melhorâ&#x20AC;? se o enviassem liderar um processo idĂŞntico em Lisboa. â&#x20AC;&#x153;Aqui temos os nossos meios, as nossas fontes; conhecemos os esquemas e/ou formas de os penetrar. Quem nĂŁo for de cĂĄ, quem estiver longe desta realidade, nĂŁo poderĂĄ nunca ter os mesmos resultados, sem primeiro se integrar. E para isso sĂŁo precisos anos e nĂŁo dias ou mesesâ&#x20AC;?. Recorde-se que Helena Fazenda foi nomeada a 12 de Dezembro de 2007 pelo Procurador Geral da RepĂşblica, Pinto Monteiro, para liderar uma equipa especial para investigar os homicĂ­dios que sacudiram o Porto em 2007. Esta decisĂŁo do PGR foi tida como um â&#x20AC;&#x153;atestado de incompetĂŞnciaâ&#x20AC;? Ă  PJ do Porto que nĂŁo demorou muito a responder. Quatro dias depois, a 16 de Dezembro, os homens da directoria do Porto desencadearam uma gigantesca operação de que resultariam duas dezenas de detençþes e a prisĂŁo preventiva dos lĂ­deres do gangue da Ribeira.

E as mortes pararam aĂ­. No entanto esta acção nĂŁo fez Pinto Monteiro desistir de enviar Helena Fazenda para o Porto. Foi o inicio da polĂŠmica, com vĂĄrios episĂłdios, de entre os quais se destaca a demissĂŁo da direcção da PJ/Porto, farta das acusaçþes de Helena Fazenda que se dizia vĂ­tima de sabotagem por parte de colegas e policias nortenhos. Estes, por seu lado, diziam-se alvo de vigilâncias ordenadas por Helena Fazenda. Fosse o que fosse, a verdade ĂŠ que se alguĂŠm entĂŁo ganhou, foi a procuradora. Houve â&#x20AC;&#x153;mexidasâ&#x20AC;? e fortes, tanto na PJ como no DIAP do Porto. E, quer se queira, quer nĂŁo, quem ganhou foi o banditismo. Actualmente, e em linguagem futebolĂ­stica, poderia dizer-se que Helena Fazenda estĂĄ a perder. Mas o jogo nĂŁo acabou; falta o resultado deste julgamento e dos que deveriam vir a seguir: o do homicĂ­dio de AurĂŠlio Palha, cuja acusação ainda nĂŁo saiu mas estarĂĄ jĂĄ concluĂ­da â&#x20AC;&#x201C; o bando de PidĂĄ ĂŠ apontado como autor â&#x20AC;&#x201C; e o mais complexo, o da morte de Alberto Carvalho, o â&#x20AC;&#x153;Berto Malucoâ&#x20AC;?, ceifado a tiros de metralhadora, Ă  porta de casa, na noite de 10 de Dezembro. Quanto a este caso parece que a â&#x20AC;&#x153;equipa especialâ&#x20AC;? continua Ă s cegas, sendo quase certo que o processo seja remetido a uma gaveta, hĂĄ espera de melhores dias. Ou de outra equipa, como se diz mais para norte.

Valongo nĂŁo escapa

Julgamento de Pidå sob fortes medidas de segurança

Infelizmente Valongo nĂŁo tem escapado ao fenĂłmeno de violĂŞncia e criminalidade que envolveu a Ă rea Metropolitano do Porto. Muitos tĂŞm sido os exemplos, com roubos, assaltos e agressĂľes a marcar o dia-a-dia de muitos munĂ­cipes. A evidĂŞncia atingiu o seu paroxismo quando, T  *   tores oriundos de um conhecido e problemĂĄtico bairro do Porto deslocou-se atĂŠ ao SusĂŁo para alardear violĂŞncia. Sem mais nem porquĂŞ, os bandidos destruĂ­ram dois cafĂŠs a golpes de bastĂŁo e manda  *       *      %           mentos. U    4   PSP. Chamada ao local na primeira noite dos  %     8 ;  maugrado ter resultado um ferido grave nĂŁo fez qualquer diligĂŞncia nas primeiras horas, nĂŁo registando sequer a ocorrĂŞncia. Valeu a              W    Ă  esquadra e percebeu que ninguĂŠm sabia de W   



    =   * seriamente.

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Regional A Regional Valonguense

REFEIÇÕES TRANSFORMADAS EM ARTE O restaurante A Regional Valonguense continua a promover os jantares vínicos onde, com a colaboração das grandes marcas nacionais de vinhos, transforma uma simples refeição em momentos de arte e magia. Depois do sucesso recente com a Quinta da Aveleda, desta vez a gerência do restaurante foi ao Sul, a Almeirim, trazendo de lá os especialíssimos vinhos da Quinta da Alorna, um produtor pleno de pergaminhos na arte de fazer vinho com as mais nobres das castas. E assim sendo, é óbvio que o “chef” de cozinha d’A Regional Valonguense teve de cozinhar a preceito, de modo a encontrar a simbiose perfeita entre os néctares de Almeirim e os produtos e sabores dos seus cozinhados. Coisa simples, dirão os leigos. Arte, diz quem lá esteve no dia 20 de Novembro último. A abrir, como aperitivo, foi escolhido um Quinta da Alorna Rosé. Depois, para as entradas, onde imperaram vários mariscos, enchidos e fumados, espetadinhas e salgadinhos, foi servido Quinta da Alorna branco Para a canja e feijoada de marisco, decidiram que a companhia seria Quinta da Alorna Reserva Chardonnay. “Precioso”, diziam as dezenas de clientes que aderiram à iniciativa do restaurante. E tanto assim que muitos foram os que, fervorosamente “atacaram”, deliciados, de novo a feijoada. Mas outros sabores se avizinhavam, adivinhava-se: aromas de outra natureza eram disso prova. E chegou a vitela, soberanamente assada no forno, com castanhas e puré de maçã. Os especialistas opinarão que para especialidade semelhante, quem responderia a preceito era o Quinta da Alorna Tinto, um vinho com antepassados, celebrado desde há séculos. “Infelizmente os estômagos têm limites”, choravam-se alguns, já que a ocasião justificava “bandulho” mais capaz. Mas as coisas são o que são e não valia a pena o lamento pois para fechar tão mágicos momentos, A Regional valonguense tinha preparada uma sobremesa também ela digna de mesa real: sopa seca, bolo-rei e arroz doce. Mas também requeijão com doce de abóbora. O tudo regado com Quinta da Alorna Reserva Ca-

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Quinta da Alorna bernet Sauvignon/Touriga Nacional e Abafadinho Quinta da Alorna Depois veio o café, c/ aguardente Quinta de Cabriz. Não há bem que sempre dure… Mas pode-se repetir. Basta

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ir à Regional Valonguense (por trás do estádio de Valongo). Verá que eles transformam uma simples refeição numa autêntica celebração de sabores e sentidos. Assim vale a pena comer. OQ

A quinta foi adquirida no século XVIII pelo Marquês de Alorna. Possui 200 hectares de vinha plantados em terrenos arenosos e de calhau rolado. As castas mais utilizadas são Fernão Pires, Chardonnay, Arinto, Tália, Trincadeira, entre outras.


Regional Metro do Porto

QUASE PRONTO O TĂ&#x161;NEL DA LINHA DE GONDOMAR PenaďŹ el adere ao saneamento do Grande Porto

Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;VILA NOVA DE GAIA Para responder Ă s carĂŞncias das populaçþes

Bispo do Porto defende parcerias com autarquias D. Manuel Clemente, bispo do Porto, defendeu o estabelecimento de parcerias entre a Igreja CatĂłlica e as autarquias com o objectivo de responder Ă s necessidades das populaçþes. % =   vĂĄrias instituiçþes de uma zona, diz  8     serveâ&#x20AC;?. D. Manuel Clemente falou depois de ter reunido com o presidente da Câmara de Gaia, LuĂ­s Filipe Menezes qom quem discutiu a actualidade social. O prelado referiu que a Igreja CatĂłlica ĂŠ â&#x20AC;&#x153;uma presença social muito positiva para que as necessidades das populaçþes sejam correspondidas de maneira mais cabal e humanistaâ&#x20AC;?. LuĂ­s Filipe Menezes reforçou a ideia, salientando o importante papel que a ^ *   @ mar que esta â&#x20AC;&#x153;tem estado na primeira linha da frente, por vezes substituindo o prĂłprio Estadoâ&#x20AC;?, dando apoio Ă  8   _  sobre os mais carenciadosâ&#x20AC;?. O autarca defendeu, desta forma, que a â&#x20AC;&#x153;atitude  =    4    estĂ­mulo e vontade de comparticipar o trabalho da Igreja CatĂłlicaâ&#x20AC;?. O bispo do Porto disse que tem que ha   _    7  

   centa que deseja os â&#x20AC;&#x153;melhores votosâ&#x20AC;? para que a â&#x20AC;&#x153;obra comumâ&#x20AC;? entre a Igreja CatĂłlica e as autarquias seja conseguida.

A uniĂŁo das duas frentes do tĂşnel da Linha de Gondomar do Metro do Porto, que atravessarĂĄ a Estrada da Circunvalação, estĂĄ prevista para Janeiro, faltando apenas cerca de 180 metros de obra. Com 900 metros de cumprimento e cerca de oito metros de diâmetro, a construção deste tĂşnel anda entre 1,30 metros a quatro metros por dia, â&#x20AC;&#x153;consoante o terreno que estĂĄ pela frenteâ&#x20AC;?. Paulo Ferreira, engenheiro responsĂĄvel pela obra desta nova linha da rede do Metro do Porto, afirmou que a construção do tĂşnel envolverĂĄ, na sua totalidade, 15 mil quilos de explosivos, 18.860 metros cĂşbicos de betĂŁo e 460 toneladas de aço. O volume de terras escavadas atingirĂĄ os 55 mil metros cĂşbicos. Este tĂşnel farĂĄ a ligação das estaçþes de S. JoĂŁo de Deus, no Porto, ao Parque Nascente, em Rio Tinto, Gondomar, sendo que a densidade populacional existente do lado de Gondomar faz com que o trabalho seja feito em â&#x20AC;&#x153;condiçþes mais complicadasâ&#x20AC;?, frisou o engenheiro. A nova linha de Gondomar - EstĂĄdio do DragĂŁo/Venda Nova - representa um investimento global de 135 milhĂľes de euros e terĂĄ uma extensĂŁo de cerca de sete quilĂłmetros, com dez estaçþes, estando prevista a sua conclusĂŁo para finais de 2010. Nesta empreitada, os sete quilĂłmetros de linha maioritariamente Ă  superfĂ­cie sĂŁo construĂ­dos praticamente em simultâneo, dando emprego a mais de 500 trabalhadores. A estação de S. JoĂŁo de Deus, cujo projecto de arquitectura ĂŠ da autoria de Correia Fernandes, serĂĄ aquela que terĂĄ â&#x20AC;&#x153;maior volumeâ&#x20AC;?, sendo semi-enterrada. Do lado de Gondomar, vĂĄrias estaçþes terĂŁo parque de estacionamento com capacidade mĂŠdia de uma centena de veĂ­culos. Ă&#x2030; tambĂŠm do lado de Gondomar que se centram cuidados acrescidos quanto a questĂľes ambientais. Na zona da Lourinha, junto ao rio Tinto, a Metro do Porto referiu que estĂĄ a ser implementado um projecto de â&#x20AC;&#x153;Regularização Fluvialâ&#x20AC;? deste rio. A Metro jĂĄ entubou e desviou provisoriamente o rio do seu normal percurso, uma situação que apenas se manterĂĄ atĂŠ que a obra esteja concluĂ­da, sendo que a empreitada prevĂŞ â&#x20AC;&#x153;corrigirâ&#x20AC;? algumas situaçþes anĂłmalas que faziam com que, em leito de cheia, o Tinto por vezes inundasse a zona. Sendo Gondomar um dos concelhos que mais fornece mĂŁo-de-obra Ă  cidade Invicta, a Metro do Porto estima que esta nova ligação EstĂĄdio do DragĂŁo (Porto) - Venda Nova/Ca-

banas (Gondomar) venha a ter uma procura muito grande. â&#x20AC;&#x153;Os estudos iniciais, que incidiram sobre a Linha desde o EstĂĄdio do DragĂŁo atĂŠ ao Centro de Gondomar (mais trĂŞs quilĂłmetros do que o contractualizado), apontavam para uma procura de 55 mil pessoas/diaâ&#x20AC;?, disse fonte da metro. O modelo operacional para esta linha ĂŠ tambĂŠm ainda desconhecido, mas â&#x20AC;&#x153;atĂŠ ao final do ano ficarĂĄ definidoâ&#x20AC;?. Nesta ligação serĂŁo utilizadas todas as composiçþes existentes, bem como os 30 tram-trains (mais rĂĄpidos e com mais lugares sentados) que a Metro do Porto adquiriu, mas que ainda nĂŁo estĂŁo ao serviço. â&#x20AC;&#x153;Com a compra dos trem-trains a frota ĂŠ mais do que suficiente para reforçar a rede existente e operar esta nova linhaâ&#x20AC;?, disse fonte da Metro. Esta empreitada prevĂŞ uma requalificação urbana da zona Oriental do Porto e de Gondomar, com a construção de novas vias rodoviĂĄrias e a arborização de certas ĂĄreas com mais de 1.900 sobreiros. A construção da Linha de Gondomar estĂĄ a cargo do consĂłrcio Somague/Soares da Costa/Mota Engil/Monte Adriano/Efacec.

U%   6

  `   +              ao Sistema Multimunicipal de Saneamento do Grande Porto â&#x20AC;&#x201C; SIMDOURO. w +& 

        

     de fundos comunitĂĄrios para resol         + / +   4    :K6'{

Em resposta, o presidente da Câmara, 6 & 0+&5|95&1 =           }    ' &  6      =        4    do problema. Por outro lado, em caso        forma de aceder a fundos comunitĂĄrios, garantiu. 6    dade, tendo o presidente da Câmara enumerado as vantagens de integrar   *4 =      dadas, podendo ainda o municĂ­pio obter contrapartidas, como uma â&#x20AC;&#x153;ciclovia ao longo da margem do Sousaâ&#x20AC;? /7:K6'

Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;PAREDES ARMAMENTO â&#x20AC;&#x153;SUSPEITOâ&#x20AC;? ERA DE PAINTBALL A GNR de Paredes foi chamada por populares do lugar de ChĂŁos, em BitarĂŁes (Paredes) que desconfiaram de um â&#x20AC;&#x153;descarregamento suspeitoâ&#x20AC;? a acontecer num prĂŠdio ainda em construção. Quem denunciou viu dois jovens casais a tirar material suspeito, â&#x20AC;&#x153;incluindo armasâ&#x20AC;?, de uma carrinha e a transportĂĄ-lo para o interior do edifĂ­cio.

A GNR foi ver.

LarĂĄpiosâ&#x20AC;Ś Quando a GNR chegou ao local, acabou por descobrir os quatro jovens dentro de um dos apartamentos. Havia armas, sim, mas de paintball bem como milhares de muniçþes de tinta, prĂłprias daquelas armas de recreio. Para alĂŠm disso havia outro material,

tambĂŠm utilizado em desportos radicais. Questionados sobre a origem do material os jovens nĂŁo souberam explicar e nĂŁo foi preciso muito para que a GNR percebe-se que se tratava de material roubado. Os dois rapazes, ambos com 20 anos, foram detidos â&#x20AC;&#x201C; um deles tinha antecedentes criminais, por furto â&#x20AC;&#x201C; e as companheiras apenas identificadas e entregues aos pais, jĂĄ que eram menores. Depois foi sĂł tentar saber de onde vinha todo aquele â&#x20AC;&#x153;armamentoâ&#x20AC;?. Era oriundo de um assalto Ă  Quinta da Eira, em Cete, com a particularidade de os prĂłprios proprietĂĄrios ainda nĂŁo terem dado pelo furto. No apartamento de BitarĂŁes a GNR apreendeu ainda dois painĂŠis solares â&#x20AC;&#x201C; recentemente furtados na Quinta da Aveleda â&#x20AC;&#x201C; e centenas de maços de tabaco, tambĂŠm provenientes de furtos.

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Regional

O DOURO EM VIAGEM DE PROMOÇÃO

 Londres, Milão e Washington serão as próximas etapas da missão internacional de promoção turísticas do Douro, disse Ricardo Magalhães, vice-presidente de Estrutura de Missão Douro (EMD) que esteve a semana passada em Paris, numa acção de captação de turistas. Ricardo Magalhães referiu que aquelas três cidades serão as próximas a receber esta missão, mas sublinhou que elas não estão ainda calendarizadas. “Não sei qual será a primeira das três cidades, isso está ainda em estudo”, disse, acrescentando que estas missões arrancarão a partir do final do primeiro trimestre de 2010. Esta operação de “place marketing” que se realizou em Paris foi organizada pela Fundação Museu do Douro, no âmbito do programa Operacional da Região Norte, com a colaboração da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) e da EMD.

Colaboraram ainda nesta iniciativa o Turismo do Douro, o Instituto dos Vinhos do Porto e Douro (IVDP) e a Rota do Vinho do Porto (RVP), que contou ainda com o apoio operacional da Douro Azul, do Turismo de Portugal e da Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP). Agostinho Ribeiro, do Conselho de Administração do Museu do Douro, afirmou-se “muito satisfeito” com o resultado desta iniciativa. “Considero um êxito o facto de termos conseguido reunir, na apresentação realizada na Embaixada de Portugal em Paris, uma cidade onde todos os dias há centenas de solicitações deste género, cerca de 80 operadores turísticos e agentes de viagem”, disse. Mas Agostinho Ribeiro fez questão de sublinhar que para além desse facto, já de si notável, “foi tão ou mais importante que todos os agentes envolvidos no turismo do Douro se tenham

Douro: mais desemprego à vista

CONSTRUTORES PREOCUPADOS COM PARAGEM DAS OBRAS NA CONCESSÃO DOURO INTERIOR Os construtores estão a ver com “preocupação” a possibilidade de a Mota-Engil parar as obras na concessão rodoviária Douro Interior, temendo um agravamento do desemprego num sector que está em crise há vários anos.

“Vemos com muita preocupação” a possibilidade das obras na concessão Douro Interior pararem, “devido ao impacto que essa paragem poderá ter no aumento do desemprego no sector da construção”, afirmou o presidente da Federação Portuguesa da Indústria da

Agricultura

MINISTRO ANUNCIA APOIOS E LINHA DE CRÉDITO PARA 2010

unido nesta tarefa urgente promoção do turismo de qualidade na região”. A acção promocional no mercado francês visou também demonstrar as vantagens competitivas do Douro a potenciais investidores, dando a conhecer a estratégia de desenvolvimento turístico em curso. O chefe da EMD, Ricardo Magalhães, disse que “o Douro reúne condições para atrair turistas e investidores com um elevado perfil de exigência”. A EMD classifica o mercado francês como prioritário para o desenvolvimento turístico do Douro, a captação de visitantes e o aumento das exportações de vinhos do Porto e do Douro. A França ocupa a segunda posição no ranking dos países de origem dos turistas que visitam o Norte de Portugal e apresenta um perfil de turista com afinidades com as características patrimoniais, ambientais, paisagísticas e vitivinícolas da região do Douro.

O Governo prevê em 2010 o reforço de 25 milhões de euros para as agro-indústrias e uma nova linha de crédito de 50 milhões de euros para a agricultura e pecuária, afirmou ontem o ministro António Serrano. “Estamos a trabalhar na concretização de algumas medidas de carácter excepcional para apoiar a campanha de 2010 neste contexto de crise, tais como a alteração da actual linha de crédito disponível para os agricultores sendo que uma delas permite um aumento de reforço para as agro-indústrias de 25 milhões de euros”, disse o Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas. À margem de uma conferência de imprensa destinada a fazer um ponto de situação do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) e do Plano Excepcional de apoio ao sector agro-pecuário, António Serrano mencionou ainda a criação de “uma nova linha de crédito para a agricultura e pecuária de 50 milhões de euros bonificada numa taxa média de 85 por cento de bonificação de juros com um período de carência de dois anos e quatro anos de amortização”. Segundo referiu, “todos os agricultores ficarão em pé de igualdade com acesso às mesmas linhas de financiamento” e poderá assim ter

segurança nas medidas anunciadas pelo Executivo para o próximo ano. António Serrano fez um ponto de situação do PRODER dando conta que “em termos de execução financeira, é neste momento um total de 13,7 por cento que representa pouco mais de 611 milhões de euros pagos de facto aos agricultores correspondentes a 180 milhões de candidaturas aprovadas e contratadas em 2009”. “Neste mês de trabalho já conseguimos pagar 27 milhões de euros do PRODER que é um ritmo diferente daquilo que foi feito nos últimos anos nesta matéria”, salientou o governante. Lembrou ainda que, à semelhança do que havia sido prometido pelo Governo no âmbito da reformulação da estrutura técnica do PRODER, “entrou em funções a 1 de Dezembro uma nova equipa reforçada com mais 20 técnicos separada do gabinete de planeamento”. “O grupo de trabalho que criámos com as confederações está a fazer o seu trabalho, está a propor medidas de Simplex do programa PRODER e estou em crer que no próximo ano, com o seu contributo teremos uma maior eficácia e eficiência do sistema de financiamento do PRODER”, afirmou. Este encontro com os jornalistas teve ainda o propósito de dar a conhecer o ponto de situação do Regime de Pagamento Único (RPU). “Anunciámos a 18 de Novembro e dissemos que pagaríamos no dia 02 de Dezembro. Cumprimos”, frisou o ministro. E salientou: “no dia 2 de Dezembro pagámos, não os 300 milhões de euros, mas 295 milhões de euros abrangendo um total de 150.076 agricultores”. Nessa sequência, “em termos de reforço de ajudas directas em antecipação de pagamento e até final deste ano iremos pagar ainda 108 milhões de euros incluindo processamento de verbas às regiões autónomas da Madeira e dos Açores”.

Construção e Obras Públicas (FEPICOP), Ricardo Pedrosa Gomes. O presidente da FEPICOP recordou que o sector da construção, que “em seis anos perdeu 30 por cento do mercado, é dos que mais tem contribuído para o aumento do desemprego” em Portugal. O presidente da FEPICOP falava aos jornalistas um dia depois de o presidente da Mota-Engil, António Mota ter afirmado na televisão que as obras na concessão rodoviária Douro Interior, a que o Tribunal de Contas recusou a atribuição de visto prévio, poderão parar dentro de um mês.

“As obras vão continuar enquanto houver condições para continuar”, disse António Mota durante uma entrevista ao programa da SIC Notícia ‘Negócios da Semana”. O presidente da Mota-Engil disse que o consórcio que venceu a concessão investiu mais de 100 milhões de euros. “Quando acabar aquele dinheiro, a obra pára”, disse, afirmando que a verba disponível dá para continuar as obras “não mais” do que um mês. António Mota lamentou ainda que a decisão do Tribunal de Contas (TC) tenha sido conhecida um ano

depois da assinatura do contrato. Actualmente, estão 950 pessoas a trabalhar nas obras da concessão rodoviária Douro Interior. Além da concessão rodoviária Douro Interior, o TC também recusou a atribuição do visto prévio às concessões Auto-Estrada Transmontana e Baixo Alentejo. A Estradas de Portugal já enviou o recurso ao TC relativamente às concessões Douro Interior e Auto-Estrada Transmontana e já anunciou que vai fazer o mesmo para a concessão Baixo Alentejo.

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Passatempo Cruzadas

Lendas Lenda do Rei Ramiro

VERTICAIS

HORIZONTAIS

1 -o que querem fazer na ota; gelado 2 -flor (inv.); madame 3 -o que o professor chamou ao ministro; vale rupestre 4 -noticias sábado; olha - diz o fanhoso; capa interior (inv.) 5 -é um filme de; chora ou; lhe (anagr.) 6 -topo; andava; pôr-do-sol 7 -este é um país de; letra repetida 8 -quase casada; operacional 9 -letra repetida; incomodar (inv.) 10 -pousa; flor e cor 11 -liga dos amigos anónimos; o que não há na margem sul 12 -acalmou (anagr.) 13 -os ministros são

Sudoku

1 -bomba na ponte; têm-nas a Alzira 2 -dele; local do aeroporto 3 -inicio dos rafeiros; cabo de aparelhagem; boneca sem consoantes 4 -local provavel do aeroporto (angr.); sem ninguém 5 -apanho; na entrada (talvêz latim) 6 -verias; empresa de aviação (portuguesa) 7 -tejo; empresa de aviação (remodelada); daqui vou eu 8 -pilhas; onde se pegam os cornos (inv.) 9 -somos todos uns; ninguém lhes tira a 10 -empresa de viação da Tunisia 11 -o que não há na magem sul; roubar (inv.) 12 -profissão decadente 13 -letra repetida; o que não há na margem sul

Uma antiga lenda que remonta ao século X, conta que o rei Ramiro II de Leão se apaixonou por uma bela moura de sangue azul, irmã de Alboazer Alboçadam, rei mouro que possuía as terras que iam de Gaia até Santarém. Influenciado pela sua paixão e com a intenção de pedir a moura em casamento, Ramiro decidiu estabelecer a paz com Alboazer, que o recebeu no seu palácio de Gaia. Apesar de já ser casado, Ramiro pensou que seria fácil obter a anulação do seu casamento pelo parentesco que o unia a D. Aldora. Alboazer recusou terminantemente: nunca daria a irmã em casamento a um cristão e, de todas as formas, esta já estava prometida ao rei de Marrocos. O rei Ramiro, vexado, pareceu aceitar a recusa, mas pediu ao astrólogo Amã que estudasse os astros para decidir qual a melhor altura para raptar a princesa e levou-a consigo nessa data propícia. Dando por falta da irmã, Alboazer ainda chegou a tempo de encontrar os cristãos a embarcar no cais de Gaia. Gerou-se uma luta favorável ao rei cristão, que levou a princesa moura para Leão, a baptizou e lhe deu o nome de Artiga, que tanto significava castigada e ensinada como dotada de todos os bens. Alboazer, para se vingar, raptou a legítima esposa do rei Ramiro, D. Aldora, juntamente com todo o seu séquito. Quando o rei Ramiro soube do rapto ficou louco de raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de barco para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora a quem pediu um pouco de água, aproveitando para dissimuladamente deitar no recipiente da água meio camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D. Aldora mandou buscar o rei disfarçado de pedinte e, por vingança da sua infidelidade, entregou-o a Alboazer. Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer uma morte pública, esperando com astúcia ganhar tempo para poder avisar o seu filho através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal combinado, D. Ordonho acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e o seu povo, para além de destruírem a cidade. Levando D. Aldora e as suas aias para o seu barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. O rei Ramiro voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta e nobre descendência.

s Soluçõe

Sudoku

Valongo e Susão Diz-se que os nomes de Valongo e Susão têm origem nesta lenda que remonta à época em que alguns cristãos perseguidos no Oriente se refugiaram em Cale, foz do rio Douro. Entre eles estava o rico negociante judeu Samuel, recémconvertido ao Cristianismo, e a sua filha Susana. Pensavam os fugitivos estarem já livres de perseguições quando foram obrigados a defender-se dos árabes que dominavam a região. Com astúcia, prepararam uma armadilha e capturaram o jovem Domus de cujo resgate esperavam obter a paz. Enquanto decorriam as negociações, Domus e Susana apaixonaram-se e o mouro pediu para ser baptizado para poder casar-se com a jovem. O acordo com os muçulmanos era assim impossível e decidiram todos fugir, deixando Portucale (Porto) em direcção ao Oriente. Chegados ao topo da Serra de Santa Justa depararam com uma paisagem lindíssima e a apaixonada Susana exclamou um elogio sincero ao vale longo que sob os seus olhos se estendia. Desceram ao vale e nele decidiram ficar para sempre, edificando as primeiras casas de uma povoação que se veio a chamar Susão, em memória da bela Susana. O vale que Susana tinha achado belo e longo ficou conhecido como Vallis Longus (Valongo).

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Ă&#x161;ltima Para animar comĂŠrcio tradicional

Segundo o primeiro-ministro

ELĂ&#x2030;CTRICO VAI ANIMAR BAIXA DO PORTO DURANTE A QUADRA NATALĂ?CIA

SALĂ RIO MĂ?NIMO AUMENTA NO PRĂ&#x201C;XIMO ANO

Um â&#x20AC;&#x153;ElĂŠctrico de Natalâ&#x20AC;? vai animar as ruas da baixa do Porto entre os dias 18 e 24 de Dezembro, numa iniciativa da STCP, com o apoio da Câmara do Porto (atravĂŠs da Empresa Municipal PortoLazer) e da Associação de Comerciantes do Porto. Actores e promotores vestidos de Pai Natal vĂŁo animar as viagens de elĂŠctrico, interagindo com os utentes do transporte e com os transeuntes que se encontrem a fazer as suas compras na baixa do Porto. Este veĂ­culo especial utilizarĂĄ a rede de carros elĂŠctricos da STCP, especialmente o percurso da Linha

22 â&#x20AC;&#x201C; Carmo/Batalha/Carmo, via ruas dos ClĂŠrigos, de Santo AntĂłnio, de Santo AntĂłnio, de Santa Catarina, de Passos Manuel e de Ceuta. A iniciativa tem como principal objectivo a promoção do comĂŠrcio tradicional na baixa da cidade portuense, neste perĂ­odo que antecede o Natal. Entre o dia 18 e a vĂŠspera de Natal, o ElĂŠctrico de Natal realizarĂĄ o percurso referido entre as 10:00 e as 18:30, com arranque Ă s 14:00 de 18 de Dezembro e tĂŠrmino Ă s 12:30 do dia 24 de Dezembro.

A Norte, tudo mau

MAIS 600 DESEMPREGADOS A fĂĄbrica de cablagem do sector automĂłvel Leoni, de Viana do Castelo, vai encerrar em Dezembro do prĂłximo ano, colocando 599 trabalhadores no desemprego, disse hoje JosĂŠ SimĂľes, do Sindicato das IndĂşstrias MetalĂşrgicas e Afins (SIMA). O sindicalista afirmou que a informação foi dada hoje pela administração da fĂĄbrica numa reuniĂŁo com as organizaçþes sindicais que representam os trabalhadores da fĂĄbrica. De acordo com o dirigente do SIMA, o primeiro lote de trabalhadores, no total de 210, vai sair em Março do prĂłximo ano. â&#x20AC;&#x153;Entre Junho e Julho de 2010 saem 254 trabalhadores directos (ligados Ă  produção) e 79 indirectos (que fazem a ligação com a produção)â&#x20AC;?, adiantou JosĂŠ SimĂľes. Em finais de Outubro saem mais 45 trabalhadores, segundo Miguel Moreira, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das IndĂşstrias ElĂŠctricas do Norte e Centro (STIENC). A fĂĄbrica de Viana do Castelo do grupo alemĂŁo Leoni deverĂĄ encerrar em Dezembro do prĂłximo ano, altura em que estarĂŁo a trabalhar apenas 11 trabalhadores. De acordo com o coordenador do STIENC, a empresa justificou o encerramento com a falta de encomendas e o custo da mĂŁo-de-obra. A Leoni Viana, que produz essencialmente cablagens para a indĂşstria automĂłvel de veĂ­culos ligeiros, efectuou, em meados deste ano, um despedimento colectivo, abrangendo 120 trabalhadores, justificado com a â&#x20AC;&#x153;redução dramĂĄticaâ&#x20AC;? de pedidos da indĂşstria automĂłvel. Antes disso, tinha ajustado a semana de trabalho de cinco para quatro dias, uma medida que seria para vigorar entre Fevereiro e Julho, mas acabou por ser suspensa antes da data prevista.

16 CD

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O primeiro-ministro, JosĂŠ SĂłcrates, anunciou hoje, na Assembleia da RepĂşblica, na abertura do debate quinzenal, que vai propor Ă  concertação social que o salĂĄrio mĂ­nimo se fixe em 475 euros no prĂłximo ano. Na sua intervenção inicial, JosĂŠ SĂłcrates referiu que o valor avançado â&#x20AC;&#x153;cumpre o acordo estabelecido com os parceiros sociaisâ&#x20AC;?. â&#x20AC;&#x153;Aumentando agora o salĂĄrio mĂ­nimo para 475 euros, respeitaremos escrupulosamente esse acordo e a evolução nele prevista. Mas a segunda razĂŁo ĂŠ ainda mais importante: o aumento do salĂĄrio mĂ­nimo ĂŠ mais um passo dado num caminho que deve mobilizar todo o paĂ­s, o caminho da justiça socialâ&#x20AC;?, defendeu SĂłcrates perante os deputados. JosĂŠ SĂłcrates aludiu depois a correntes de opiniĂŁo que criticarĂŁo a sua decisĂŁo de aumentar o salĂĄrio mĂ­nimo numa conjuntura econĂłmica de crise. No entanto, o lĂ­der do executivo contrapĂ´s que â&#x20AC;&#x153;ĂŠ nos tempos de dificuldade que devemos olhar com mais atenção para quem mais precisaâ&#x20AC;?. â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; nos tempos de dificuldade que mais devemos promover medidas que reduzam as desigualdades, combatam a pobreza e promovam a justiça socialâ&#x20AC;?, sustentou.

DETIDO POR ROUBOS Ă&#x20AC; MĂ&#x192;O ARMADA EM ESTABELECIMENTOS

A PolĂ­cia JudiciĂĄria, atravĂŠs da Directoria do Norte, iden       como presumĂ­vel autor de dois assaltos Ă  mĂŁo armada ocorridos, um no interior de um estabelecimento de ven-

da de vestuårio e outro numa loja de fruta e legumes, nos dias 15 e 18 do passado mês de Novembro. Entrando nos estabelecimentos como se tratasse de um vulgar cliente, o ora arguido mostrar-se-ia interessado nos produtos expostos e, quando jå próximo da caixa registadora, exibia uma arma de fogo exigindo e obtendo pela força todo o dinheiro aí guardado. O detido, de 24 anos de idade, operador de måquinas desempregado e jå com antecedentes criminais por condução sem habilitação legal e furto de uso de veículo, vai ser presente a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.

Carta ao pai natal

Querido Pai Natal: Este ano você levou deste mundo o meu cantor e dançarino preferido, o Michael Jackson; levou o meu actor preferido, o Patrick Swayze e levou tambÊm a minha actriz preferida, a Farrah Fawcett... Acha que eu merecia isto? Jå agora quero lembrå-lo que o meu político preferido Ê o JosÊ Sócrates!


Correio do Douro nº12  

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