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A estiagem mais severa quase matou o

São Francisco UNA - Ano 7 - BELO HORIZONTE - Dezembro 2014/Janeiro 2015 Distribuição Gratuita JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA

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EXPEDIENTE Núcleo de Convergência de Mídias (NuC) do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes (ICA) – Centro Universitário UNA Reitor: Átila Simões. Diretor do ICA: Lélio Fabiano dos Santos. Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Piedra Magnani da Cunha. NuC/Coordenação: Jorge Rocha, Luiz Lana e Tatiana Carvalho. Diagramação: Pedro Faria e Ana Sandim. Supervisão: Jorge Rocha. Revisores: Jorge Rocha, Tatiana Carvalho e Ana Sandim. Estagiários: Camila Lopes Cordeiro, Felipe Chagas, Italo Lopes, Yuran Khan, Luna Pontone, Victor Barboza, Pedro Faria e Umberto Nunes. Foto da capa: Marcos Eifler Tiragem: 2.000 exemplares. Impressão: Sempre Editora.

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Ufa! 2014 no fim e o CONTRAMÃO, como todo bom jornal, teve muitas histórias para contar. Além de acompanharmos as manifestações de junho em Belo Horizonte, que acompanharam o desejo de mudança em todo o país, ainda realizamos cobertura da Copa do Mundo, realizada no Brasil, abordamos os prós e os contras do Marco Civil da Internet, relatamos os processos de ocupações urbanas na capital mineira e ainda tivemos fôlego para levantar quanto vale um político no Brasil.

EDITORIAL

Esta edição, a nossa trigésima, não poderia ter um ritmo reduzido. No mesmo compasso, mostramos as promessas de campanha da presidente reeleita Dilma Roussef, quando de sua primeira eleição, comparando-as com aquelas que definiu para seu segundo mandato. O CONTRAMÃO também entra em defesa do consumo consciente de água, em uma matéria de capa a respeito da escassez que atacou até mesmo a bacia do Rio São Francisco. O que 2015 reserva para nós? Muito trabalho jornalístico e projetos editoriais multimídia que reforçaraão a proposta do Núcleo de Convergência de Mídias.

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Um festival universitário sincero em sua essência por Suzi Andradie

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LUMIAR 1° Festival Interamericano de cinema Universitário trouxe na sua essência o caráter principal do festival, ser universitário. Quando nos foi apresentada como proposta do trabalho Interdisciplinar Dirigido no segundo semestre de 2014, que nós, alunos iríamos participar da produção de um festival de cinema, uma grande surpresa exclamou-se em nosso olhar. Um festival de cinema universitário feito por universitários, por alunos que na sua vontade de transportar da imaginação as grandes telas, viram o quão prazeroso pode ser este processo. A orientação da professora e produtora de festivais, Ursula Rosele, foi crucial para esta caminhada. Como um pequeno projeto piloto, o LUMIAR, tomou proporções incontroláveis dentro e fora da sala de aula. A professora Ursula chegara com muita vontade de fazer acontecer tal evento nos contagiou com toda sua percepção, experiência e conhecimento, nos guiou e ensinou. A concretização deste festival se dá através de um trabalho em equipe, um trabalho simples, porém competente, sendo extraído dos alunos do 5° período do curso de Cinema e Audiovisual do centro Universitário UNA toda a vontade e profissionalismo. Divididos por grupos de funções distintas: Produção, vinheta, curadoria e cobertura, fomos envolvidos em um trabalho maravilhoso. Partilhar essa satisfação é unicamente transportar para o público algo que não se pode explicar em sua essência, tal como é a verdadeira experiência cinematográfica, é isso nos faz seguir em frente todos os dias, compartilhar sensações inexplicáveis. Apoiar o cinema universitário, dar valor cultural a produção jovens, “latentemente” movimentada e ativa em causas políticas, informativas e artísticas, é o objetivo do LUMIAR. Criar diálogos entre olhares diferentes, debater o cinema, dar força a uma classe que há muito tempo luta pra se estabelecer enquanto arte e patrimônio cultural. Eternizar este momento é muito importante, mostrar para o público o que de melhor o cinema pode trazer, convocar a todos a sentirem a mesma emoção e alegria que, nós alunos estamos sentido. Os alunos contam um pouco de suas experiências: “Aprendizado, acho que minha trajetória no festival se resume bem nessa palavra. Alguém só aprende realmente algo quando tem que realizar, e cinema é isso, você só aprende fazendo, o que você errou na realização do primeiro filme ou o fato de ter esquecido

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de fazer uma planilha importante para a produção de um festival, no próximo você não esquecerá, e assim vai, nunca tudo sairá perfeito, mas os erros serão menores. E além de descobrir que é isso que realmente quero pra minha vida, executar o cinema. Agradeço por ter tido a oportunidade de participar dessa primeira edição do festival LUMIAR.” (Layla Braz, grupo: Produção, Noite) “Pra mim, trabalhar na produção do Festival Lumiar tem como o objetivo promover e suscitar reflexões sobre o formato curtametragem, buscando aprimorar o intercâmbio entre a produção brasileira e a internacional. Trabalhar na produção de um festival é mais do que aprender, é vivenciar, crescer como profissional, estar envolvido no projeto desde a concepção até a sua finalização.” (Luciano Nascimento, grupo: Produção, Manhã) “Pra mim não há dúvidas, esse acontecimento vai ficar registrado pra sempre na minha memória, participar da produção de um festival tão importante não se pode colocar em palavras, principalmente ver o meu trabalho e do meu grupo ser divulgado junto aos outros trabalhos, é maravilhoso. Nasce aqui um importante evento para a cultura do cinema mineiro, brasileiro e universitário. Dar apoio aos jovens cineastas, é dar importância ao próprio valor cultural que o Brasil é capaz de produzir. Vida longa ao LUMIAR.” (Suzi Andrade, grupo: Vinheta/Produção, manhã) “Quando decidimos produzir a vinheta para o festival, a primeira ideia que veio foi uma vinheta em animação que tivesse o toque universitário e que mostrasse o prazer em produzir o primeiro Festival Interamericano de Cinema Universitário da UNA. Atrelado a isso tivemos que ter uma responsabilidade grande, pois carregaríamos junto com nossa ideia a identidade de todo festival. Um trabalho prazeroso, onde todo o grupo se uniu trabalhando em conjunto para obter o melhor resultado possível na qual foi alcançado com sucesso”. (Natalie Matos, Luís Octávio, Bruna Martins. Os Lumináticos, Grupo: Vinheta, Noite) Sem sombras de dúvidas o LUMIAR vai registrar um marco importante na trajetória de quem participou, seja qual tenha sido a intervenção: produzindo, competindo ou assistindo. Agradecemos ao centro Universitário UNA, pela bela iniciativa, ao coordenador do curso Rafael Ciccarini e Cine Humberto Mauro pelo apoio, a professora Ursula Rosele por toda a orientação e ensinamentos passados durante este percurso, a equipe da UNA que trabalhou junto com os alunos e a todos que prestigiaram o festival. Obrigada, e que venha a segunda edição.

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PARA GOSTAR D E L

Belo Horizonte recebeu dois grandes eventos literários em novembro de 2014.

Do dia 12 ao dia 16, a capital mineira foi palco do Circuito Literário Praça da Liberdade, e de 14 a 23, da IV Bienal do Livro. Ambos os eventos tratavam do mesmo tema, sendo o primeiro mais voltado para literatura em si e o segundo, para o mercado. As produções tinham propostas um pouco diferentes, mas ambas tentavam estimular novos leitores. De acordo com Rosa Helena, professora de Português e literatura, a nova geração tem lido mais do que se imagina “Considerando as leituras de todos os tipos, sim”, explica a professora.Ela também conta que não chega a ser

a leitura que professores como ela consideram ideal, mas já é melhor. “Levando à transformação do ser humano para melhor, a meu ver, qualquer leitura é válida, desde uma consagrada obra do mestre do neologismo, Guimarães Rosa, a um romance, meio insosso, protagonizado por Edward Cullen. O importante é ler”, explica. Embora os eventos tenham objetivos diferentes, produções culturais assim podem sempre ser benéficas. “Levam-nos a questionamentos e isso é positivamente produtivo. Sair de nossa zona de conforto pode levar ao surgimento de novas ideias, ideologias, entre outras”, ressalta a professora Rosa Helena.

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por Umberto Nunes 4º peródo Jornalismo Multimídia.

EVENTOS EM FOCO

Os estandes que compuseram a exposição no Expominas, região oeste de BH, trabalhavam mais com os best-sellers da atualidade. Como a saga de Harry Potter, de J. K. Rowling, e Crepúsculo, de Stephanie Mayer. E na programação constavam algumas discussões que tratavam sobre assuntos mais aprofundados a respeito da lliteratura, como o Café Literário que, no dia 15, discutiu “Literatura e Política no Brasil em 2014” e a “Nova Literatura Mineira”. Com um ponto de vista um pouco diferente, o Circuito Literário Praça da Liberdade esteve voltado para a literatura em si. O evento envolveu cada um dos espaços que fazem parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade. Ao todo, 12 museus e centros culturais tiveram contribuição para o evento. Durante a programação, na região centro-sul da capital mineira, o circuito colocou em discussão o desenvolvimento da literatura. Com a participação de três escritores estrangeiros, José Eduardo Agualusa (Angola), Gonçalo Tavares (Angola) e Julio Villanueva Chang (Peru), sendo que dois deles são de origem portuguesa, ou seja, abordaram a literatura em língua portuguesa. “Mas de maneira geral, o que a gente quis prestigiar foi à literatura brasileira e os autores brasileiros”, explica a coordenadora

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do Circuito Literário Luciana Salles, 43. As mesas redondas do circuito falavam sobre assuntos como “Travessias Literárias em Língua Portuguesa”. De acordo com Salles, a ideia do Circuito Literário, que foi trabalhada ao longo de um ano e meio, era criar um evento que trabalhasse com os espaços do Circuito Cultural da Praça da Liberdade. “Quando identificamos esse potencial de fazer junto, a gente percebeu também, no livro, o nosso elo primordial. O livro era algo comum a todos”, explica à coordenadora. Os eventos contaram com uma programação diversificada e com uma intensa participação de jovens. Na Bienal, a garotada se concentrou mais no “Conexão Jovem”, onde autores, como Thalita Rebouças e Paula Pimeta, se apresentavam para seu público leitor e, posteriormente, fazia uma sessão de fotos e autógrafos. Já no circuito, o público jovem esteve mais presente nos saraus que aconteciam na própria Praça da Liberdade. “Todas as noites temos um sarau na praça, que é, exatamente, para a gente conseguir abrigar esse público mais jovem, que está por ai espalhando sua poesia. Tá bem bonito” destacou Luciana Salles.

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LEITURA INFANTIL A grande aposta dos dois eventos foram os livros voltados para crianças. Mas há de se entender que existe uma diferença entre livro infantil e literatura infantil. A pedagoga Andréia Diamantino, explica que “como pedagoga, observo que o acesso a mídia leva com facilidade os livros infantis, que muitas vezes são copias mal feitas de histórias conhecidas, contendo erros absurdos”. Ainda de acordo com Diamantino, nos últimos tempos tem-se visto cada vez mais autores criando obras literárias infantis, inclusive as próprias crianças. “Com a preocupação de levar (nas obras) o encantamento, as descobertas, as vivencias próprias da infância procurando tirar a figura do mini adulto, sem esquecer da realidade”, acrescentou Andréia. A infância é o momento onde o novo leitor deve ser cultivado. É quando criança que o indivíduo começa a criar o hábito

da leitura. “O gosto pela leitura vem, praticamente, ‘de berço’, pois é justamente lá que você deve cultivar um novo leitor, ao, simplesmente, ler para ele”, explica Rosa Helena. Durante o Circuito Literário Praça da Liberdade, havia uma biblioteca infantil voltada para os novos leitores. Uma das mesas de discussões sobre a literatura abordava “Criança quer o livro infantil?”. “A criança que lê hoje será um adulto que lê e fará com que seus filhos também leiam. Então é assim, um modo contínuo”, explica Luciana Salles. Para Ana Paula, 28, que visitou a biblioteca na praça, o interessante é colocar a criança em contato com a diversidade cultural do nosso país. “Aqui mesmo parece que tem indígena, tem negra, então não é só uma literatura, passa a ser uma literatura crítica, né? Por que a criança vai ter que lidar com essa diversidade, que é o nosso país” comentou.

A IV Bienal do Livro não teve um foco tão grande na construção literária infantil. Os livros de destaque para o público infantil foram: Galinha Pintadinha e da Peppa Pig. “Foi uma decepção a Bienal, os livros misturados e separados por preço, tirando coleções já conhecidas, não vi nenhuma novidade, pelo contrário, a exposição de livros, em sua maioria, era de livros cópias de desenhos da televisão, sem nenhuma preocupação em formar leitores, apenas consumidores”, destacou Andréia Diamantino. A ausência desses trabalhos literários para as crianças é motivo de preocupação para algumas pessoas. “Eu tenho uma sobrinha pequena de cinco anos, então praticamente não vejo ela nos livros. Ela é negra, e dificilmente encontro algo que se remeta a ela, que eu possa dar e ela se veja. Então eu só estou dando a ela livros relacionados a bichos, uma hora tem que parar”, conta Daniela Moreira, 34.

IMPORTÂNCIA DA LEITURA

Ler é uma atividade que desenvolve o raciocínio. Além de estimular a criatividade, o hábito da leitura ajuda a ter uma melhor desenvoltura na fala e na escrita. “Muitas vezes, (o aluno) não sabe aquela parafernália de nomes das funções sintáticas, mas sabe escrever de forma competente, clara e criativa”, explica Rosa Helena.“Incutiu regras gramaticais sem sequer ter sido apresentado a elas, apenas, põe-nas em prática com uma habilidade, muitas vezes, invejável”, completou. Então, independente da finalidade da leitura, o importante é ler. De modo geral, o importante é ter o hábito da leitura, qualquer que seja. “Leituras informativas ou para o entretenimento, literárias ou não, todas

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elas são bem vindas, já que proporcionam momentos de reflexão”, acrescentou Rosa. A leitura está na base da formação cultural e de outras formas de arte. Ela está em comunhão com o cinema, com a música, com a pintura. Para Luciana Salles, coordenadora do Circuito Literário, essa transversalidade de outras linguagens artísticas a partir da literatura é o mais interessante. Para Andréia a leitura permite mais a criança. “O livro é um mundo em suas mãos, com histórias bem contadas e ilustradas levam as crianças a conhecerem culturas distantes da sua realidade e até mesmo se inteirar da sua própria cultura”, finalizou Diamantino.

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Promessa é dívida

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O governo do Partido Trabalhista (PT) é o principal responsável por conduzir o país desde o ano de 2002, quando foi eleito o cofundador do partido, Luís Inácio Lula da Silva, 69, para presidente. O ex-sindicalista e metalúrgico deixou a presidência em dezembro de 2010, alcançando 85% no índice de aprovação. O ano de 2015 começará com a posse da presidente reeleita Dilma Rouseff, 66, reconduzida ao cargo e com a desconfiança de boa parte dos brasileiros a respeito das medidas econômicas e sociais anunciadas após sua vitória. As esquerdas que a apoiaram, mesmo veladamente, acusam estas medidas como uma entrega ao mercado e a oposição, capitaneada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), derrotado nestas eleições, promete uma vigilância ferrenha. É nesse cenário que o CONTRAMÃO, ecoando estas dúvidas, faz um levantamento das propostas anunciadas para esse atual governo. Os primeiros quatro anos de mandato de Dilma Rouseff acabaram agora em 2014 e, com o nível de aprovação médio de 54%, a presidente foi reeleita, em uma disputa acirrada com Aécio Neves, candidato do PSDB. Na eleição mais disputada dos últimos 25 anos, vieram questionamentos quanto às propostas prometidas e as que realmente foram cumpridas pela candidata. No programa de governo do partido, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 5 de julho de 2014, o PT define os objetivos principais para próximos quatro anos. As metas são: “o crescimento do emprego; a ampliação e qualificação do mercado interno; a expansão das exportações”, metas que os governantes acreditam cumprir com a “modernização do parque industrial brasileiro; pela melhoria no ambiente de negócios e pela maior capacitação de nossas empresas e qualificação de nossa mão de obra”. Alguns programas ganharam destaque nos últimos anos, como o “Minha casa, minha vida”, que foi linha de frente nos debates da candidata durante as eleições de 2014. O partido registrou no TSE a contratação de “3,45 milhões de casas, das quais 1,7 milhão já foram entregues”. De acordo com os dados coletados

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pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o projeto “reduz o déficit habitacional, favorece as famílias em vulnerabilidade, gera milhares de empregos e movimenta a economia”. Em video reportagem veiculada pela TV Nacional Brasil (NBR), canal que leva a responsabilidade de divulgar os dados do Poder Executivo do país, foi avaliado que “a cada R$ 1.000.000 investidos no ‘Minha Casa, minha vida’, o governo federal mantém ativo trinta e dois setores da economia”. O profissional de comunicação política, Pedro Munhoz, 33, explica que a “lógica do programa perpassa também outros programas sociais, como o Bolsa Família já que o programa, além do aspecto concernente à segurança alimentar da população, impulsiona o consumo, favorecendo setores da economia brasileira.” Quanto à somatória geral do programa, ele diz que “o resultado desses programas é, em geral, positivo em termos econômicos, pois quanto maior a inclusão social, maior o mercado consumidor” Mesmo com o Ipea registrando um índice de avaliação de 8,8 de 10 em relação ao programa, ainda são registradas muitas reclamações relacionadas ao investimento do governo. Em matéria divulgada pelo Jornal O Globo em novembro, muitos moradores reclamavam da localização, da infraestrutura e quanto à segurança dos locais escolhidos. Um mês antes, em outubro, o programa “Bahia Meio Dia” também da Globo registrou a reclamação de beneficiários do programa quatro meses após o recebimento dos imovéis, que já mostrava rachaduras e infiltrações nas paredes. A servente escolar, do bairro Prefeito Walter Martins Ferreira, em Pará de Minas, cidade do centro-oeste mineiro, Conceição Aparecida, 47, foi uma das beneficiárias. Ela relata que “a localização do bairro é ótima, temos comércio perto, posto de saúde, só a farmácia que é um pouco longe”. Porém, ela destaca que a infraestrutura vem dando problemas, “como proprietária de uma casa, posso te falar que tomadas da casa deram problemas, a parte elétrica

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queima muitos aparelhos, a rede de esgoto, as paredes não sustentam um preguinho e os pisos estão fora de nível”. A servente ainda enfatiza que o bairro não oferece tranquilidade aos moradores, “não sentimos segurança nenhuma, quando precisamos da polícia eles aparecem somente depois de uma hora, e aí já terminou tudo, se tiver que morrer ou matar acontece”, concluiu a moradora. Outra questão que foi muito discutida pela população e chegou às manifestações de junho de 2013 foi a mobilidade urbana. A insatisfação dos usuários com os recursos disponíveis geraram desconfiança quanto a preocupação que os governantes davam a esse tema. Contudo, o governo federal diz que houve um investimento de “R$ 143 bilhões em mobilidade urbana para Estados e municípios”. Segundo eles esse dinheiro foi e está sendo direcionado para “651 km de transportes sobre trilhos, 3188 km de transporte sob pneus e 21 km de transporte fluvial urbano”. Munhoz explica de que forma esses projetos são elaborados e como é feito a divisão desse dinheiro para elaborá-los, “ uma das regras do nosso pacto federativo é que os investimentos são divididos entre os diferentes entes federados, mas os projetos e a execução de melhorias como as linhas de metrô e os BRTs, em geral, são de responsabilidade das prefeituras e governos estaduais”. Essa quantidade de números, dinheiro, quilômetros e porcentagens, são de fazer brilhar os olhos. Durante o período eleitoral esse foi um recurso muito utilizado pelos postulantes ao cargo de dirigente do país. Pedro explica que “para que pudéssemos ter uma visão qualitativa desses investimentos seria necessário informar esses dados com mais transparência ‘obra a obra’, no anúncio de cada melhoria”. Ele ainda explica o que para ele pode ter sido o motivo de durante o período eleitoral ter havido tão poucas explicações sobre o andamento e prosseguimento desses projetos e obras. “A atual dinâmica das propagandas eleitorais não dão muito espaço para o aprofundamento. Interessa muito mais jogar números astronômicos na televisão para convencer o eleitorado, já que explicar a aplicação dos recursos minuciosamente tomaria tempo demais.” Relata ainda de

que forma isso poderia ser transmitido ao interesse público “Uma solução para esclarecer a população seria incentivar uma cultura política participativa, que levasse a população a fiscalizar e opinar sobre a destinação dos recursos. Isso é feito, parcialmente e de uma forma um tanto incompleta nas experiências dos Orçamentos Participativos, todas elas em administrações municipais, mas o modelo poderia ser adaptado e ampliado para as outras esferas federativas”. Durante os debates realizados pelos candidatos nas mais variadas mídias durante o período eleitoral, foi possível perceber o foco dos presidenciáveis em desqualificar os outros concorrentes, ao invés de mostrar suas propostas. O Estadão, no dia 24 de Outubro, quando já estavámos no segundo turno eleitoral, divulgou uma pesquisa sintetizando que “para 67% dos entrevistados, as críticas predominaram”. Explicando o porque desse fenômeno, Munhoz contextualiza dizendo que “a tática da desconstrução não é nova nas eleições brasileiras, mas fica mais evidente quando se está diante de uma ambiência política polarizada, como a que marcou as eleições de 2014. Ocorre que, com a decisiva contribuição dos grandes veículos de imprensa, mas, também com uma relevante participação de dois grandes partidos em disputa, acentuou-se a tendência de dividir o país entre uma grande massa de antipetistas de um lado, e de pessoas que nutriam diferente graus de identificação com o PT ou ojeriza ao PSDB de outro. A tônica da desconstrução da campanha negativa, atendia à essa dinâmica: boa parte do elitorado estava mais disposto a votar contra uma das alternativas do que votar com convicção em uma delas. A maioria das pessoas não tem costume de acompanhar os seus eleitos após o período eleitoral, o que dificulta saber o que ele realmente realizou durante o seu mandato. Analisando as propostas da presidente Dilma Rousseff durante seu primeiro mandato, a nossa equipe criou uma tabela, para que você leitor veja o que realmente foi cumprido. E para que você não deixe de acompanhar o desenvolvimento das próximas tarefas da presidência, desenvolvemos um esquema semelhante ao primeiro, para que durante os próximos anos você vá marcando as realizações do partido que a maioria brasileira escolheu para a liderar o país.

por Italo Lopes 4º peródo Jornalismo Multimídia.

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DEVER DO CIDADÃO Análise das propostas (não) cumpridas do 1º mandato da presidenta Rouseff:

O ano de 2014 foi marcado por muitos acontecimentos que impactaram o país, o mais importante foi a eleição presidencial. A disputa acirrada entre Aécio Neves e Dilma Rouseff dividiu o país. Em debates, os candidatos mais discutiram sobre escândalos dos partidos do que propuseram medidas para ajudar o país. Depois dos debates, vivemos um 2º turno de reviravoltas, culminando no 4º mandato do PT através da reeleição de Dilma. O CONTRAMÃO apresenta as propostas de Dilma Rouseff, numa tentativa de vislumbrar o que está por vir neste segundo. A partir de uma seleção da maior proposta de cada segmento, conferimos o que foi cumprido.

EDUCAÇÃO A construção de seis mil creches e pré-escolas até 2014;

Apenas 417 unidades foram concluídas. Em 2014 o governo mudou de discurso. Diz que tem mais de 6.000 creches contratadas, e não construídas. “Até maio de 2014, mais 6.036 creches tiveram recursos autorizados pelo governo federal”, diz a campanha). Fortalecimento do ProUni; Em 2010 Dilma prometeu estender o ProUni (concessão de bolsas de ensino superior para alunos de baixa renda. Para o ensino médio. 2014: Nada parecido saiu do papel, mas o governo decidiu estimular o ensino técnico. O Pronatec tem uma faixa que atende a estudantes de ensino médio.

POLÍTICAS SOCIAIS

Ampliação e consolidação do Bolsa Família: Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que ainda há 6,5 milhões de pessoas na miséria, todos fora do Bolsa Família.

por Camila Lopes , Victor Barboza (3º e 4º peródo, Jornalismo Multimídia).

SAÚDE Ampliar a oferta de água tratada e aumentar a coleta de lixo.

A oferta de água está estagnada, passou de 84,3% dos domicílios em 2009 para 85% em 2013. Já a coleta de lixo teve melhora residual, de 88,5% em 2009 para 89,4% em 2013, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

CULTURA Criação de 800 praças de esporte, cultura e lazer em todo o País;

Foram construídas apenas 352 Centros de Artes e Esportes Unificados - CEUs

Infográfico Pedro Faria (7º peródo, Publicidade e Propaganda).

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INFRAESTRUTURA Modernização de 14 aeroportos e sete portos;

Houve modernizações nos 14 aeroportos e nos sete portos, extrapolando o orçamento: o campeão foi o aeroporto de Curitiba que ultrapassou 166,7% (de R$41,3milhões para R$110,16 milhões). Também investimos R$336 milhões para melhorar aeroportos em Cuba

AGRICULTURA Integração do Rio São Francisco para levar água para 12 milhões de pessoas; Maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil, o Projeto de Integração do Rio São Francisco alcançou, no mês de novembro de 2014, o índice de 68,7% de execução física.

MEIO AMBIENTE Redução do desmatamento e desenvolvimento do potencial hidrelétrico;

A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte aumentaria o potencial hidrelétrico do Brasil. Entretanto, construir a Belo Monte resulta num aumento do desmanche da área.

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POLÍTICA TRIBUTÁRIA 1- Redução dos tributos sobre energia elétrica; Não foi cumprida. Apesar de não ter sido colocada em prática, ainda não foi descartado.

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A estiagem

mais severa

ameaçou até

o Velho Chico

por Italo Lopes e Umberto Nunes (4º peródo Jornalismo Multimídia). Foto por Paulo Fiscmer

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O Brasil sofreu com a maior estiagem dos últimos 100 anos. No inverno de 2014, época esperada para a redução das chuvas, o país passou por uma crise hídrica que afetou o abastecimento de mais de 20 cidades, só em Minas Gerais. Durante o período, afluentes do Rio São Francisco, um dos principais do Brasil, tiveram a vazão extremamente reduzida, o que chegou a causar a seca da nascente. Segundo relatório divulgado pela Organização Mundial de Meteorologia da ONU (OMM), 2014 está entre os anos mais quentes da história. A meteorologista Anete Fernandes, do 5° Distrito do Instituto Nacional de Metereologia, explica que “a ausência de chuva neste período levou à ocorrência de uma onda de calor em praticamente todas as regiões do país”. Em Minas Gerais, várias localidades registraram temperaturas próximas ou acima de 40°C por vários dias consecutivos. Durantes os meses de setembro e outubro, a equipe do CONTRAMÃO acompanhou os acontecimentos relacionados à falta de água no estado de Minas Gerais, com foco especial na região metropolitana de Belo Horizonte. Foram analisadas as questões relativas ao uso da água e seu desperdício e também participamos do XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas.

torneira dentro de casa. Com isso, ele resolveu juntar dinheiro para furar um poço e ajudar algumas crianças. Em 1999, com a ajuda dos pais e alguns vizinhos, ele conseguiu fazer o primeiro, nas proximidades de uma escola no norte da Uganda. Em 2001 ele fundou a ONG Ryan’s Well Foundation. Hoje, Hreljac já levou o recurso a mais de 800 mil pessoas em 16 países pelo mundo. O canadense contextualizou o tema com o momento vivido por algumas cidades mineiras: “eu acho que o mais importante relacionado ao problema da água, que não está acontecendo só no Brasil, mas o problema em si, é que o mundo não se deu conta da importância da água e que a coisa mais importante a fazer é lidar com esse problema politicamente, fazendo perguntas importantes aos políticos e conservando a água, você mesmo”,

Falta de comunicação

Ele ainda deu dicas de como este é um processo necessário e é difícil a conscientização: “a mentalidade das pessoas não muda do dia para a noite, mas eu acho que isso vai fazer parte das preocupações diárias de todo mundo, muito em breve, pois haverá regiões precisando de água, se não levarmos esse assunto a sério. Se continuarem gastando mais água do que deveriam e não cuidar dela, se tornará rapidamente”, conclui.

O problema atingiu também a Região Metropolitana. Rosilene Soares, 42, moradora do bairro Industrial, em Contagem, afirmou que os cortes da água eram feito sem aviso prévio. “Só tivemos informações através da mídia”, relatou. Nesse mesmo período a assessoria da COPASA informou à equipe do jornal CONTRAMÃO que “os níveis dos reservatórios estavam oscilando de acordo com o previsto para essa época do ano”.

A COPASA informou que não tem ferramentas legais para coibir o uso inadequado da água, mas mantém campanhas para incentivar o uso consciente em todas as regiões de Minas Gerais. Contudo, durante o período crítico, algumas prefeituras, como as de Passos e de Carmo do Cajuru, implementaram uma lei que cobraria multa para quem fosse visto desperdiçando água na cidade. Belo Horizonte chegou a formatar um Projeto de Lei (PL) para punir esse desperdício. Durante o período de estiagem, tramitava na Câmara dos Vereadores o PL 1.332, que prevê multa de um salário mínimo para quem for flagrado usado água potável para lavar a calçada, por exemplo. Em caso de reincidência, o valor da multa dobra. Até o fechamento desta edição, a lei ainda não havia sido aprovada.

No início da crise, as principais cidades mineiras atingidas eram as do interior do estado. Pará de Minas chegou a ter um grande déficit de fornecimento: quase 90% da população ficou sem abastecimento de água. Em Belo Horizonte, o receio de falta d’água era, principalmente, nos bairros das regiões Centro-sul e Oeste, como Belvedere, Mangabeiras e Buritis. A principal reclamação dos moradores era com a COPASA.

Ações contra o desperdício

Chuvas irregulares

No mês de outubro, entre os dias 11 e 19, a Praça da Liberdade, região centro-sul de BH, recebeu a exposição “Venha conhecer o fundo do poço – De onde vem à água que você bebe”. A mostra explicava para os visitantes como funciona o ciclo da água e esclarecia as curiosidades sobre o consumo de água para produção de alguns materiais. Um dos exemplos foi a produção jeans, que consome 200 litros para cada calça. Na praça também esteve o Cleanit-LC, um equipamento de purificação de água de poços artesianos, que procura tirar da água o cromo hexa valente, um agente cancerígeno que pode poluir a água desses locais.

Ao final de outubro e início de novembro, as chuvas voltaram a cair no país. Abaixo da média prevista, de acordo com a meteorologista Anete Fernandes, do 5° Distrito do Instituto Nacional de Metereologia, nos últimos três anos, a estação chuvosa (inicia-se em outubro e encerra-se em março) tem sido mais fraca que o normal, principalmente no Norte e Nordeste de MG. O déficit de precipitação está diretamente associado com a ocorrência do veranico, que corresponde a um período consecutivo de dias sem chuva durante o período chuvoso, como também aos episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que favorece períodos de dias chuvosos consecutivos. A RMBH é abastecida pela integração de vários sistemas, entre eles os das bacias do Rio das Velhas e do Paraopeba que, juntos, respondem por aproximadamente 90% do abastecimento da região. Segundo a COPASA, a vazão do Rio das Velhas está recuperada após o período chuvoso, garantindo a produção máxima do sistema.

Em participação na exposição e em um ciclo de palestras, BH recebeu a visita de Ryan Hreljac, um canadense que, aos seis anos, decidiu tentar financiar um poço de água na África. Na escola, Ryan ficou sabendo que algumas crianças do continente africano precisavam andar quilômetros para ter acesso à água, em passo que ele só precisava ir a uma

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Alexandre Beck: a mente contramao.una.br

contestadora do

Armandinho

por Italo Lopes (4º peródo Jornalismo Multimídia).

Agrônomo, publicitário, ilustrador e pai. Esse é Alexandre Beck o maior responsável por dar vida ao personagem dos quadrinhos Armandinho. Com mais de 620 mil curtidas no Facebook, a página do pequeno Armandinho faz das tirinhas serem o principal trabalho de Alexandre. No mês de novembro, o ilustrador esteve em Belo Horizonte para participar da IV Bienal do Livro de Minas. O Contramão aproveitou a oportunidade e foi conhecer de perto o trabalho do autor e o seu personagem. Em bate-papo com os fãs no espaço Bienal em Quadrinhos, Alexandre falou sobre o surgimento, o processo criativo e o que tenta transmitir através da fala dos seus personagens. Beck começou sua carreira cursando Agronomia, porque tinha uma paixão pelo meio ambiente e pelos animais. Mesmo seguindo a nova carreira como ilustrador, ele não se esqueceu dos seus antigos fascínios, transmitidos agora através das falas e gestos do personagem Armandinho. Outro ponto que reflete o passado do ilustrador é o personagem Sapo, que gera um questionamento implícito quanto aos preconceitos da sociedade. Beck destaca que “o sapo é vítima de preconceito na sociedade. Dizem que o sapo faz xixi e deixa um veneno na pele, mas é só não colocar na boca. Se não morder o sapo está tudo bem (risos)”. Questões sociais são levantadas com a tirinha, inclusive o fato de não serem mostrados os pais por inteiro pernas dos pais. Segundo o artista, foi algo feito com a intenção de acelerar a produtividade inicial, “quando fiz as três primeiras tiras foi por acaso, foi na pressa, precisava dos pais ali. Depois eu considerei colocar. As pessoas pedem muito para que eu as deixe verem se o Armandinho é parecido com o pai ou com a mãe. Cheguei a

considerar desenhar eles, mas o fato de não desenhá-los me dá muita liberdade de trabalhar preconceitos”, explica Beck. O espaço também é usado para discutir e refletir alguns padrões da sociedade, o autor afirma que o seu principal objetivo é provocar uma discussão particular. “Na página do Facebook consigo discutir com muita gente, aprendo muito com isso, mas meu objetivo foi sempre discutir comigo mesmo, eu mesmo pensar e refletir”, define.

Questionamentos e a inocência da infância “Eu não fujo muito da linha de raciocínio do Armandinho, tenho filhos e observo muito eles. Comecei a fazer trabalhos de quadrinhos educativos, voltados ao meio ambiente e, usava personagens infantis. Nas tiras que tinha no jornal meus personagens eram adultos, mas eu fazia muitas críticas. Então, desde 2000, venho me exercitando pra fazer esses trabalhos tentando ver o mundo do ponto de vista da criança, para passar informação que era voltada para esse público. Quando surgiu o Armandinho juntei essa experiência que tinha dos quadrinhos educativos com a experiência e visão crítica das tirinhas que eu tinha no jornal e coloquei em um personagem só. Acabou sendo assim, continuo aprendendo com as crianças até hoje, reaprendendo a ver o mundo como elas.”

A escassez da água Sendo as crianças o futuro do país e, o Armandinho um personagem que retrata bem essa fase, com suas críticas e inocência contestadora, contextualizamos ele com o cenário de escassez de água vivido pelo estado de MG. A pedido da equipe do Contramão, o desenhista criou uma tirinha que questiona o posicionamento do ser humano em relação a uma questão tão importante.

A pedido Alexandre Beck desenvolveu a tirinha para o especial da água do Jornal Contramão

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Festival ERRO 99 promove a fotografia de forma popular

A partir da ideia de promoção e discussão da fotografia autoral, um grupo de fotógrafos mineiros criou o coletivo Erro 99, que luta pela ocupação do espaço de rua e propõe debates sobre assuntos sérios de maneira divertida e com a inclusão dos cidadãos. Dentro desse conceito, o grupo promoveu, entre os dias 19 e 22 de novembro, o Festival Erro 99, que de forma democrática e popular, tentou colocar em prática a proposta da equipe.

por Felipe Chagas (4º peródo Jornalismo Multimídia).

O coletivo é ideia de Bruno Figueiredo, 32, Daniel Iglesias, 29, Gustavo Campos, 27, e Matheus Rocha, 28, que já vinham participando de outros festivais como Paraty em Foco, Festival de Fotografia de Tiradentes e a Virada Cultural de BH. Os quatro perceberam a falta de interatividade e participação do público que tinha o papel, na maioria das vezes, segundo eles, somente de observador. Esse foi o ponto de partida para fazer um festival próprio, com ações que estimulassem as pessoas a participar ativamente do evento. “O que o festival proporciona é que todos se tornem público e atores ao mesmo tempo, que todos sejam colocados no mesmo patamar”, afirma Bruno Figueiredo O festival promoveu diferentes ações, algumas delas inspiradas em outros movimentos como o Show de Likes, baseado no Duelo de MCs, em que o público escolhe entre o melhor ensaio fotográfico exibido. Há também a Assembléia Popular dos Pixels, que é uma releitura das Assembleias Populares Horizontais, e o Queimão Fotográfico, em que fotografias são leiloadas com lances mínimos de R$5,00 e as que não são arrematadas são queimadas, inspirado no Leilão de 1,99 da galeria Piolho Nababo. O público ainda pôde participar de palestras, exposições e workshops. Uma grande dificuldade, segundo os organizadores, era arrecadar dinheiro para financiar o festival. Para isso o grupo criou a campanha de financiamento coletivo, que tinha uma meta de arrecadação de 17 mil reais. Ao final da campanha, ultrapassaram esse valor chegando a uma quantia 19.660 mil reais. Para Bruno Figueiredo, o resultado do festival foi “exatamente o que o coletivo esperava”: o público pôde ocupar o espaço publico de Belo Horizonte. “Fomos muito felizes na escolha dos convidados, pois todos abraçaram de peito aberto o festival e trouxeram propostas que dialogavam diretamente com a nossa, que é a de democratizar, experimentar, incluir e debater”, afirma.

Foto: Bruno Figueiredo contramao30.indd 13

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Satisfação

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define a 6ª edição do ExpoUNA

por Luna Pontone (5º peródo, Jornalismo Multimídia).

A 6ª edição do Expouna foi nica em Design de Interiores, fez considerada a maior até então de uma luminária sustentável, reutilitoda a história do evento. No local, zando placas velhas de computaforam apresentados diversos tra- dores. “Com todo esse processo de balhos da maioria dos cursos que avanço da tecnologia, as pessoas a UNA oferece. Também foram re- estão perdendo a sensibilidade e alizadas várias oficinas que mostr- ficando robotizadas. Resolvemos aram o dia-a-dia de alguns cur- trazer uma filosofia existencialista sos, como o “Um dia de repórter”, para a vida das pessoas”, explica. do curso de Jornalismo Multimídia Além dos trabalhos apresentados, e o “Uma roupa para chamar de durante o período da tarde, ocorreminha”, do curso de Moda, ambos ram diversas atividades para quem do Instituto de Comunicação e Artes. visitava a feira. O coordenador do Na sexta-feira, 21, os alunos curso de Gastronomia, Edson Pudo Pronatec apresentaram seus iatti, realizou oficina mostrando trabalhos e foram muito elogia- como preparar uma boa massa e dos. A aluna Júlia Fernandes, téc- encheu os olhos de quem passava

por perto e sentia o aroma apetitoso. O Desafio ICA também esteve presente no ExpoUNA. Com perguntas sobre conhecimentos gerais, o professor Elias Santos coordenou a gincana com alunos do ensino médio de diversas escolas, que foi diversão e conhecimentos garantidos para todos os participantes. O reitor do Centro Universitário UNA, Átila Simões, afirma que os trabalhos acadêmicos estão cada vez melhores.“Espero que os estudantes possam, através destes trabalhos, encontrar prazer para estudarem cada vez mais e se dedicarem cada vez mais ás suas profissões”.

Foto Daniel Mansur

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Avanço na

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Democracia

por Victor Barboza (4º período, Jornalismo Multimídia).

Regularização da mídia é vista como o caminho para consolidar a democracia A discussão sobre a democratização da mídia brasileira é antiga. Dilma já sinalizou que fará, nesse novo mandato, um esforço para a aprovação de um Marco Regulatório da Mídia. Isso gerou controvérsias, inflamando argumento do que pode significar ou não censura. Em seu segundo mandato, ela defende a regularização econômica da mídia. Nas redes sociais e em diversos veículos de comunicação, a presidenta recebe insinuações de censura ou controle da mídia. O controle da imprensa brasileira está nas mãos de poucas famílias e oligarquias políticas. Apesar do furor da mídia comercial, a postura de Dilma agrada aos movimentos que lutam pela democratização no país.A regulação pretende limitar a concentração de

propriedade dos meios de comunicação de acordo com o Artigo 220, § 5º, da Constituição. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. As novas regras buscam trazer transparência nas parcerias formadas entre o governo e a sociedade cívil, dando mais segurança e reduzindo a corrupção. Para o Presidente do Sindicato dos Jornalistas Kerison Lopes, regular a mídia não é censurá-la. “O que a regulação faz é impedir que poucos grupos econômicos controlem a comunicação e tenham poder de manipular a opinião pública, o que

implica em risco para democracia”. O Jornalista disse ainda que esta regularização não implica em controle de conteúdos, apenas na distribuição democrática das concessões de televisão e rádio, que são bens públicos. Acredita-se que a regulação da mídia é o caminho para consolidar a democracia brasileira. Para Lopes, uma vez que a regularização proíba a propriedade cruzada, o poder monstruoso das oligarquias da comunicação será rompido. A regulamentação pode fazer com que a população tenha acesso aos meios de comunicação, que novos veículos surjam, com novas concepções, que a programação se torne mais diversificada, refletindo a grande variedade cultural do Brasil. Foto: Felipe Cabral

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contramão retrospectiva Feveiro

O Contramão online fez toda a cobertura da greve dos rodoviários que ocorreu no final do mês de fevereiro em Belo Horizonte para que os trabalhadores da classe tivessem aumento de salário. No final, os rodoviários aceitaram o ajuste proposto pelo TRT, de 7,26% com jornada de trabalho de 7h20. Marco Logo no início do mês de março, começaram as obras no Viaduto Santa Tereza, um dos pontos turísticos de Belo Horizonte. Porém as reformas foram criticadas pelo Movimento Viaduto Ocupado, que afirmou que as obras só começaram para impedir os eventos culturais que ocorriam no local, como o Duelo de Mcs. Além disso, em março, a baixinha, gorduça e dentuça mais famosa da Rua do Limoeiro completou 50 anos, trazendo 20 esculturas para a capital mineira.

Abril O até então governador Antonio Anastasia, passou o seu cargo para o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho. Além disso, entre os dias 10 e 11 ocorreu uma discussão na ALMG sobre a regulamentação da Mídia no Brasil. Agosto Para fechar o mês, o MOVE foi implantado em Belo Horizonte. Os guardas municipais, que antes não poderiam fazer uso de armas de fogo, começaram a exercer a função também de Maio Ocorreu o Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de policial.O sistema FIEMG trouxe a capital mineira as Olimpíadas Belo Horizonte 2014 e sua inauguração foi no renovado do Conhecimento, realizada entre os dias 3 e 6 de agosto. Setembro Teatro Francisco Nunes, no Parque Municipal. Além disso, foi o mês que ficou marcado pelo desencadeamento do MOVE. CONTRAMÃO Online iniciou o Especial da Água, com uma matéria mostrando abordando a falta de água em Belo Horizonte. Junho No mês da Copa do Mundo, não se falava em outra coisa, só que os brasileiros não se mostravam tão empolgados com o evento igual nos anos anteriores. Além disso, o Contramão Online fez um infográfico sobre as mudanças que ocorreram desde as manifestadões em junho de 2014. Além disso, com a vinda do príncipe Harry à Belo Horizonte, ficou decidido que para as olimpíadas de 2016, a capital mineira será o campo de treinamento da Inglaterra.

Outubro CONTRAMÃO entrevistou Ryan Hreljac, um canadense que ainda quando criança, decidiu fazer algo para mudar a situação da falta de água no continente africano. Novembro

Final dos campeonatos de futebol no Brasil inteiro e os times mineiros arrasaram. Foram finalistas da Copa do Brasil e o Atlético Julho levou a melhor nos dois jogos. Já no campeonato brasileiro, o Uma das principais preocupações durante a Copa do Mundo era Cruzeiro consagrou a excelente campanha que fez ao longo do ano. sobre as manifestações contrárias ao evento. Belo Horizonte Dezembro foi a terceira cidade a receber mais turistas durante o mundial e o taxista João Batista afirmou que a Polícia Militar proibiu Durante o mês de dezembro, é comum o comércio contratar os taxistas de levarem os estrangeiros para a delegacia. pessoas só durante a temporada das festas de fim de ano.

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Jornal Contramão  

30° Edição jornal contramão.

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