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nº13

contramão Ano 3-2010 Distribuição Gratuita

JORNAL LABORÁTORIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA

- CYBERBULLYING - POLÍTICOS E INTERNET -MERCADO SEM ANIMAIS -SEGUNDA SEM CARNE - BRECHÓS -DOUTORES DA ALEGRIA - ALFARRÁBIOS


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Foto da capa

OPINIÃO

SENSO É PRECISO, SEJA PARA BRASILEIROS OU SAVASSIANOS No dia 1º de agosto começou a pesquisa do censo 2010. Com a finalidade de subsidiar políticas públicas, tais como: a construção de escolas, hospitais, habitação, estradas, entre outras. O Censo Demográfico também vai mapear o território brasileiro, contar a população e mostrar em que condições a população vive. O IBGE, órgão responsável pela pesquisa, tem a missão de “retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania.” O primeiro censo realizado, no Brasil, data de 1872, quando o país ainda era uma monarquia. A metodologia de pesquisa de cada censo realizado no país se aperfeiçoa e aprimora para fornecer à sociedade os dados mais precisos sobre a população. A novidade do Censo 2010 é o processamento dos dados por meio do computador de mão. Mas pesquisa de alcance nacional traz inúmeras dificuldades. Como cidadão, sei da importância e da abrangência dessa pesquisa para se construir o futuro do país. Como estudante sei que tais informações direcionam as gestões governamentais e ajudam na representação da identidade do povo brasileiro. E, por fim, como recenseador, sei dos obstáculos para a realização desse censo. Para trabalhar como recenseador passei por um concurso público, posteriormente, por um treinamento seguido de uma avaliação. Mas minhas dificuldades nada têm haver com isso. Trabalhar como recenseador na região da Savassi, em de Belo Horizonte, tem me revelado o quanto parte de seus moradores estão pouco atenciosos ao Censo e, principalmente, aos seus recenseadores. Muitos moradores se recusam a responder ao questionário. Outros são imprecisos nas informações repassadas. E outros são desrespeitosos com os recenseadores. A arrogância e prepotência desses últimos evidenciam o quanto eles estão alheios à cidadania e civilidade. Não parece contraditório que uma região que concentra pessoas com alto índice de escolaridade, poder aquisitivo e com acesso a diferentes meios de comunicação não saberem da importância da pesquisa? O Censo 2010 foi, amplamente, divulgado pela mídia. Os percalços enfrentados pelos recenseadores nas zonas nobres das cidades brasileiras, como mostrado nos jornais, revelam questões referentes à perda da cordialidade e a segregação das classes sociais, no Brasil. O momento político do Brasil exige de nós, brasileiros, senso e participação efetiva, pois os dados da pesquisa auxiliarão as políticas dos futuros governos nos próximos 10 anos.

Foto| Divulgação Exposição de Arte de Lucas Dupin 14 de Setembro a 4 de Outubro Biblioteca Pública BH - MG

Edição Anterior

Editorial Em 2010 testemunhamos o “redesenho” de O Estado de S. Paulo, da Folha de S. Paulo e o fim do ciclo impresso do Jornal do Brasil (JB). Três fatos reveladores da crise que os jornais diários sofrem. O Estadão justifica as mudanças alegando que o jornal diário precisa ter diversidade. Já a Folha, sob o slogan “o jornal do futuro”, pretensiosamente (ree)dita o modelo de jornalismo informativo. O JB é o único, nesse processo, que opta pela existência apenas virtual, encerrando a produção impressa. Em 2009, testemunhamos o fim da Gazeta Mercantil e, outros fins se aproximam, pois, de acordo Philip Meyer, autor de Os jornais podem desaparecer? o que está em crise é o modelo tradicional de jornalismo. Segundo Meyer, a crise exige dos gestores dos jornais rapidez na incorporação das tecnologias digitais e no investimento em novas propostas. Mas os gestores são lentos e outros estão endividados, prenúncio do fim, esse foi o caso do JB e da Gazeta. O JB está envolvido na construção de uma nova proposta de jornalismo ou nos oferece o mesmo travestido de novo? Há, na reformulação gráfica e editorial, dos diários paulistas, um projeto que redefine o seu papel ou assistimos à reprise de A roupa nova do imperador?

EXPEDIENTE CONTRAMÃO

Por Felipe Bueno Torres O conteúdo deste artigo não expressa a opinião do Contramão

Jornal laboratório do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes - Centro Universitário UNA Reitor: Prof. Pe. Geraldo Magela Teixeira Vice-reitor: Átila Simões Diretor do ICA: Prof. Silvério Otávio Marinho Bacelar Dias Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Profª Piedra Magnani da Cunha Contramão - Tel: (31) 3224-2950 - contramao.una.br Coordenação: Reinaldo Maximiano (MTb 06489), Tatiana Carvalho e Cândida Lemos Diagramação: Ana Paula P. Sandim e João Marcelo Siqueira -Estagiários: Ana Paula P. Sandim, Danielle Pinheiro , Débora Gomes, Henrique Muzzi, Iara Fonseca, João Marcelo Siqueira, Matheus de Azevedo e Marcos Ramos Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Sempre Editora


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Foto| Google imagem

INTERNET

CYBERBULLYING: A HUMILHAÇÃO VIRTUAL Cyberbullying é uma derivação do bullying uma modalidade criminal praticada com o objetivo de humilhar e constranger as pessoas. O termo bullying vem do inglês bully (“valentão”) e era uma ação restrita ao ambiente escolar de crianças e adolescentes. Hoje, com proliferação das redes sociais na internet, esse crime se projeta para o ambiente virtual ultrapassando as fronteiras de idade e das identidades uma vez que, na internet o anonimato encobre os seus autores. A pedagoga e inspetora escolar Ângela Adriana de Almeida, acredita que a prática do bullying e do cyberbullying só diminuirá quando um processo de conscientização escolar e familiar for promovido pelos órgãos competentes. Mas há maneiras de se resguardar.

“Os casos de bullying na internet não são freqüentes em nossa unidade, mas a delegacia tem a atribuição de apurar esse tipo de delito desde dezembro de 2009, com uma nova resolução da Polícia Civil que permite combater os crimes perpetrados por crianças e adolescentes. Antes esses casos eram apurados pela Divisão de Proteção e Orientação a Crianças e Adolescentes.”

FIQUE ATENTO!

# Nas redes sociais, reduza as informações pessoais e deixo o álbum de fotos com acesso restrito. #Cadastre senhas menos óbvias para evitar invasões. # Conteúdos gravados e armazenados em celulares e pendrives, como vídeos e fotos, devem ser descarregados para que, em eventual perda ou roubo, não sejam divulgados de forma ilícita. # Esteja atento para o conteúdo que você posta na internet, pois opiniões ofensivas podemser usadas contra você em processo judicial.

CONTRAMÃO – Quais ferramentas são ultilizadas na pratica do cyberbullying? Ângela Almeida: Geralmente são criados perfis em sites de relacionamento com o objetivo de humilhar ou ridicularizar uma pessoa com fotos montadas em Photoshop; publicações de fotos e vídeos particulares, cartas e outras situações pessoais visando à agressão. CONTRAMÃO – Como essa prática vem sendo combatida? Ângela Almeida: Na realidade, poucas pessoas têm conhecimento desse assunto, pois só recentemente vem se divulgando este assunto. É importante que as pessoas se conscientizem que devem lutar pelos seus direitos. No caso do cyberbullying, a vítima pode salvar a página que consta sua agressão e enviá-la para uma Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos (DERCIFE). Cada Estado conta com uma delegacia desta natureza. CONTRAMÃO – Quais os alvos preferenciais dos “valentões”? Ângela Almeida: Geralmente as vítimas são crianças e adolescentes, não há distinção de sexo ou classe social. Contudo, pessoas com perfil físico

e psicológico diferenciado das demais ou homossexuais são alvos fáceis para qualquer prática do bullying. CONTRAMÃO – Quais consequências dessa humilhação para as vítimas? Ângela Almeida: Em um contexto geral as vítimas apresentam baixa auto-estima, quadros depressivos, insegurança, episódios de gagueira, descontrole emocional, síndrome do pânico e podem também se tornar agressivas, como forma de liberar a contrariedade reprimida pelas agressões sofridas. CONTRAMÃO – O que leva uma pessoa a cometer crueldades e torturas física e psicologica contra outras pessoas? Ângela Almeida: Acredito que ninguém, em perfeita saúde física ou mental seja agressor por vontade própria. Vários fatores podem contribuir para que isso ocorra: desestruturação familiar, agressividade em casa, abuso sexual, insegurança, violência em família, carência afetiva, problemas de saúde física ou psicológica, baixa auto-estima, vingança, vícios, ausência de formação de limites, incapacidade de reconhecer seus próprios erros e necessidade de auto-afirmação.

# Nos EUA, o calouro da Universidade Rutgers, Tyler Clementi, 18 anos, pulou da ponte George Washington, em Nova York, depois da publicação, na internet, de um vídeo contendo imagens de um encontro íntimo entre ele e outro homem. O vídeo teria sido gravado e postado por dois colegas de quarto que podem ser condenados a 5 anos de prisão. (G1 – setembro de 2010) # Foi criada no Facebook uma página chamada In Honor of Tyler Clementi, em que quase 130 mil usuários “curtiram” a iniciativa de homenagear o estudante e protestar contra o cyberbullying. Um dos comentários é Live and let live! (“viva e deixe viver!”). # Em BH, o juiz da 27ª Vara Cível condenou um estudante da 7ª série a indenizar uma colega de classe em R$ 8 mil pela prática de bullying. De acordo com Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a defesa do estudante ainda pode recorrer. (Estado de Minas - maio de 2010) # Pesquisa realizada com 5.168 alunos de 5.ª a 8.ª séries de escolas públicas e particulares de todas as regiões do Brasil, mostrou que 21% dos casos ocorrem nas salas de aula, com a presença dos professores. (estadao.com- 15/abril/10)

Por Felipe Torres Bueno e Débora Gomes


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Foto| João Marcelo Siqueira

POLÍTICA

Políticos e internet As estratégias para seduzirem os eleitores virtuais

Por Matheus de Azevedo

Os candidatos às eleições 2010 aproveitam o período de propaganda eleitoral para atrair os eleitores virtuais com as mais diferentes estratégias, visando reconhecimento do público. O candidato a deputado Federal, Jeferson Camilo, resolveu usar este artifício e apostou em vídeos eróticos para fazer sucesso na WEB. Em uma de suas propagandas, uma loira, de cabelos longos e corpo atlético, toma banho em um motel, apenas de biquíni, quando de repente o telefone toca. A loira atende o aparelho e diz “Oi querido. Não, eu não estou sozinha...”. Com um olhar seguro para a câmera ela completa: “Estou com Jeferson Camillo”.

No youtube estão espalhados vários vídeos do candidato, dentro deste mesmo contexto, como o caso da mulher que está insegura para praticar a sua primeira relação sexual. No vídeo, um loiro de cabelo curto, liso e corpo atlético, na conversa com a mesma loira da outra cena “É sua primeira vez. Você esta pronta?”. Ela olha para ele e diz: “Sim, estou. Porque eu confio no Jeferson Camillo”. A jornalista, consultora de mídias sociais e mestranda em Estudos de Linguagens do CEFET/MG, Raquel Camargos, 23, analisa o marketing do candidato: “Depende do critério que estamos considerando. A campanha ajudou a divulgar o nome dele, sem dú-

vida nenhuma. Talvez tenha o atrapalhado a conquistar um potencial de eleitores, que é mais conservador. Entretanto, talvez tenha alcançado um público diferente assim.”,conta. A editora do blog “Propaganda Política na Internet”, Ana Amelia, 25, alerta os candidatos que pretendem abrir uma conta nas redes sociais “O candidato deve privilegiar suas competências pessoais. Se tem pegada nas redes sociais, conseguirá interagir com eleitor mais jovem e os conectados. Se possui o dom da palavra, seu melhor canal será o vídeo. Apenas marcar uma presença online pode não significar e não render nada”, revela.

Eleitores virtuais, não estão satisfeitos com a propaganda política na WEB Gisele Jota, 29.Jornalista. Desconhecimento das redes sociais, em especial do Twitter. Não é possível que não haja alguém para expli- Gustavo Carneiro – Coordenador de WEB. “Odeio essa época de car a um candidato que Twitter exige interação, conteúdo e frequên- eleição. Já basta os abusos na rua, né? Na internet, pelo menos a gente cia. Tem também os spams.De onde tiraram que vou gostar de um pode bloquear ou ignorar. candidato que contrata pessoas para me infernizarem em um espaço onde isso não combina?

Confira outras estratégias usadas pelos candidatos para atrair os eleitores virtuais 1 – O candidato à deputado estadual, Lindolfo Pires, aposta na parodia do astro da música Pop MICHAEL JACKSON (THRILLER ). “Lindolfo Pires, Pires, eu voto em Lindolfo píeres”, diz a letra da música. O vídeo pode ser encontrado no youtube. 2 – O candidato à Deputado Estadual do Maranhão, Marco Aurélio do Teorema,publicou no Youtube, uma história em animação, contando a sua vida.O ponto alto do desenho, é quando os monstros chamados de Saúde ruim, desemprego, violência, entre outros, atacam o candidato.De repente, a população aparece e junto com Teorema e formam uma mão que consegue matar todos os seres do mau. Até o fechamento desta edição o vídeo continha 1002 exibições. 3 – Inconformado por não ter sido chamado para o debate da UOL/Folha, o candidato à presidência Plínio de Arruda resolveu inovar. Através da Twitcam, forma mais fácil de partilhar a sua webcam com os seus colegas, o paulista, respondeu as perguntas dos internautas, ao vivo, concorrendo com o debate dos presidenciáveis.


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Foto| Gustavo Esposito

ESPORTE

Futebol dentro e fora de campo

O futebol é emoção de torcedor, ilustração de brasileiro e arte que vai além das muralhas dos estádios Não é novidade que o universo do futebol, antes de tudo, é o motivo para fazer tremer as arquibancadas, pintar rostos, vibrar e despertar qualquer outra forma de expressar emoções. Na verdade, a magia do futebol vai além das disputas nos estádios. O esporte intitulado de paixão nacional é tão forte que contagia as ruas. É fácil identificar dia de jogo. Em terra, os torcedores vestem camisas que estampam cores e brasões orgulhosamente. No ar, as bandeiras são hasteadas e penduradas nas janelas dos edifícios. Em locais onde há grande concentração de prédios é possível ouvir diálogos entre torcedores. Alguns comemoram e aproveitam para provocar o adversário. Nesse trocadilho de palavras surgem gritos de um lado e xingos de outro. E, para completar, sempre aparece alguém expressando irritação por terem lhe tirado o sossego. O trânsito da capital, caótico como de costume, se torna mais barulhento. As buzinas dos veículos dominam os asfaltos. Alguns experimentam colocar os braços para fora dos automóveis acompanhados das bandeiras a caminho do Mineirão. No trabalho, os que não podem vestir as camisas, carregam-nas dentro de sacolas ou de mochilas para usar após o expediente. No bar, em casa, no campo, na calçada. Sim, existem os que assistem aos jogos em pé nas calçadas. Tudo porque os bares ficam lotados. Não raro,

os porteiros de alguns condomínios fazem parte do público que acompanha o rolar de bolas no passeio. Para eles a adrenalina vai a mil quando sai o gol ou quando o síndico aparece repentinamente pegando em flagra. No azar de trabalhar em um local onde não há bares por perto, o jeito é se arranjar com um radinho de pilhas. Pelo futebol as pessoas se socializam. Para fazer parte de uma torcida basta ter simpatia pelo time. O futebol cria esse laço, une as pessoas em um mesmo local para ver o jogo ou para discutir a respeito. No trabalho, ele garante a festa independente de vitória ou fracasso. No estádio, as pessoas se abraçam pulam e gritam juntas para motivar os jogadores. Vale xingar a mãe do juiz e tantos outros motivos que impedem que o time jogue com toda a categoria que ele está acostumado. A etiqueta do futebol permite expressões mais indelicadas. De acordo com o jornalista e escritor Xico Sá o palavrão em alguns casos como futebol é bem vindo. “Ele [o palavrão] é uma benção no futebol, na literatura, na topada, no desafogo, no pânico, no trânsito de SP. E na cama...” O esporte não escapou e se tornou produto do comércio. O uso dos símbolos e das cores dos times não se limita apenas as lojas especializadas, onde são vendidos camisas, bandeiras, calçados e outros objetos relacionados ao esporte. As

massas de tomates foram pioneiras em ilustrar com os escudos dos times seus copos. Idéia que a indústria leiteira copiou e logo vestiu as caixinhas de leite com uniforme para agradar os mais fanáticos. Nem a nossa linguagem fica de fora. A comunicação também foi influenciada pelas expressões que não constam no dicionário que, de pouco a pouco, cairam na boca do povo. De acordo com Ermínio Rodrigues, do Departamento de Teoria Lingüística e Literatura do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da UNESP (Universidade Estadual de São Paulo), nenhum outro grupo de linguagem conseguiu influenciar tanto a cultura brasileira quanto o futebol. O “futebolês” está presente no cinema, no teatro, nas danças, na literatura e, até, na poesia. Ao se referir ao esporte como paixão nacional resgata-se uma idéia de erotismo. “Pela simbologia, se o gol é o orgasmo do futebol, a bola, com certeza, é a mulher desejada pelo jogador. Aliás, o jogador que apresenta bom desempenho em campo é aquele que tem intimidade com a bola, que sabe tocá-la até o gol. Não é à toa que a rede ganhou o apelido carinhoso de véu de noiva”, conta Rodrigues. Termos como “táticas de jogo”, “estratégias de defesa”, “adversário”, “barreira” e “mandar o torpedo”, remetem à guerra, mas apesar do esporte ser mais ameno e saudável

não deixa de ser uma disputa. Outro ponto que se destaca é a criatividade das pessoas que extrapolam a imaginação. Que tal “frangueiro” para mostrar que o goleiro não atua muito bem? E vale provocar o adversário como quando a torcida grita “olé” para destacar os dribles. O termo “deu zebra” apesar de não parecer, saiu do meio futebolístico e, hoje, é amplamente empregado. Seu criador foi o técnico carioca Gentil Cardoso que o utilizava para expressar que algo não saía da forma como estava previsto. “Provavelmente, o técnico foi buscar inspiração no jogo do bicho que utiliza quase todos os animais, menos a zebra", comenta o professor Rodrigues. Leonardo Affonso de Miranda Pereira, historiador e professor do Departamento de Teoria Literária da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica na sua tese defendida em 1998, a razão pela qual o futebol mobiliza tantas pessoas, principalmente os brasileiros. Segundo Pereira, o que move essa paixão é que a mistura elementos como: popularidade, diversão e representação nacional, no caso do Brasil. E bota emoção nessa historia. Não é toa que o campeonato brasileiro garante futebol no campo, na televisão e na rádio o ano inteiro! Por Hélio Monteiro


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Foto | Danielle Pinheiro

Na segunda A campanha “Segunda sem carne” chega ao Brasil com a proposta Em tempos de assuntos obrigatórios como sustentabilidade, meio ambiente, aquecimento global e até em fim do mundo, idéias que possam despertar atitudes mais conscientes para um planeta mais limpo, sustentável e saudável são sempre bem vindas. Uma das mais recentes é a campanha lançada em agosto pelo ex-Beatle Paul McCartney, que já encontra adeptos por aqui. McCartney entrou em contato com estudos que apontam a indústria de carne como responsável por 18% da produção de gases de efeito estufa – número maior que o setor de transporte. Preocupado com os efeitos disso no aquecimento global, o músico lançou a campanha Meat Free Monday, que ficou conhecida no Brasil como Segunda Sem Carne. Com a frase tema Descubra novos sabores, a campanha propõe que, às segundas-feiras, as pessoas experimentem novas receitas e novas formas de alimentação saudável, que não agridam a saúde nem o meio ambiente. Com o apoio da Sociedade Vegetariana Brasileira (SBV), espalhada em 27 cidades de 10 estados, cerca de 29 grupos já divulgam a idéia da campanha pelo país. Alguns famosos brasileiros também deram apoio, como Gilberto Gil e Marisa Monte.

Engajamento na arte A artista Gabriela Veiga, que também é bióloga, trabalhou no Instituto de Botânica de São Paulo por dois anos, desenvolvendo pesquisas ligadas a plantas bioindicadoras de poluição. Recentemente, ela se juntou à a trupe do Teatro Mágico, uma banda que faz uso de diversas formas artísticas como música, poesia, representação e circo para apresentar críticas sociais.

A campanha também está na internet. O site Hábitos e Habitat [http://www.habitosehabitat.org] foi criado, inicalmente, para esclarecer as dúvidas sobre vegetarianismo que a artista recebia de fãs por email. Hoje, traz notícias e divulga eventos, além de publicar receitas e dicas de sustentabilidade. “Percebi a responsabilidade social que um artista tem, por ser um formador de opinião. Decidi fazer com que essas opiniões tives-

atender os consumidores que já aderiram a Segunda Sem Carne. Para Gabriela, a falta de informação é uma das dificuldades encontradas pelo movimento. “Existe também a preguiça. Preguiça de questionar, de se mover, de ter ideais. A revolução principia nas pessoas, mas obviamente precisamos de mais apoio de artistas e de órgãos governamentais”, completa.

Sou uma potencializadora deste projeto. Acredito nesta campanha, pois a vejo como uma atitude civilizatória

Nos shows, Gabriela divulga a campanha, com o apoio de toda a trupe, a fim de reunir mais adeptos à campanha Segunda sem Carne. “Sou uma potencializadora desse projeto. Acredito na campanha, pois a vejo como uma atitude civilizatória”, define Gabriela. Para a artista, a campanha “incentiva as pessoas a quererem fazer sua parte. E o melhor de tudo é que não precisam se sacrificar para isso: é apenas um dia da semana no qual você deixa de consumir um produto que, culturalmente está enraizado na nossa alimentação.”

Gabriela Veiga, artista Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas

sem embasamento teórico e fiz um pequeno documentário que dialoga com esse público, que busca respostas sobre a indústria da carne e seus impactos no meio ambiente”, explica Os diversos sites como o Veg Vida [http://www. vegvida.com.br/], Comida Ecológica [http://www.comidaecologica.com.br/] e Sítio Vegatáriano [http://www.vegetarianismo.com.br/] estão em parceria com a campanha fornecendo receitas que substituem a carne e também uma lista de restaurantes parceiros da idéia que na segunda-feira, alteram seus cardápios para

Mineiros carnívoros? Apesar de a campanha ter chegado ao Brasil, ela ainda não ganhou todos os estados, entre eles Minas Gerais. Dados mostram que Belo Horizonte é uma das cidades com o maior índice de consumo de carne. A campanha tenta captar restaurantes que se prontifiquem em mudar seu cardápio, pelo menos um dia da semana, com isso inovando e mostrando novos sabores para seus clientes. Com isso Adriana Cristina, uma das responsáveis pela a implementação da campanha em Belo Horizonte, enfrenta


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Foto | Danielle Pinheiro

MEIO AMBIENTE

eu começo... de diminuir impactos ambientais e proporcionar novos sabores

grandes dificuldades. Ela diz que é complicado conseguir parcerias entre os restaurante da cidade, pois nenhum deseja abrir mão de vender carne às segundas. Ela ainda conta que a mídia mineira não contribui com a divulgação um projeto como esse. O contramão foi a alguns restaurantes da região centrosul da capital para saber qual a opinião dos proprietários em relação a campanha. Emerson Morais, gerente do restaurante Máximo Sabor é totalmente contra a campanha: “eu não aderiria, em respeito aos meus clientes, pois quem não deseja comer carne tem que procurar um estabelecimento que ofe-

reça comidas vegetarianas.” “Para o comercio essa campanha é uma aberração e não deve ganhar força em Belo Horizonte, pois hoje quem procura um restaurante deseja comer carne e de preferência carne vermelha”, afirma. A proprietária do restaurante Picles, Katia Portilho, diz que já recebe quem não come carne e aderiria à campanha sem problema algum, mas que não faria isso se outros estabelecimentos não fizessem o mesmo, por causa da concorrência. “Aqui sempre damos variedades de saladas e de três pratos quentes que não levam carne, mas não deixamos de oferecer carne no nosso cardá-

pio diário”, conta. O restaurante Sabor e Saúde funciona há 30 anos e 80% do cardápio são formados por comida naturalista e vegetariana . O gerente José Geraldo Vieira explica que já tentou permanecer com um cardápio 100% vegetariano, mas... “Em quatro meses quase fui à falência por não ter carne no meu restaurante”, conta. O gerente diz que o público vegetariano não é tão grande assim e que na sua maioria é muito exigente. “É muito caro fazer comida vegetariana, os produtos são mais caros e o retorno nem sempre é tão bom. O quilo hoje no estabelecimento é R$16,90, se fosse só

de comida vegetariana, teria que ser R$22,00”, analisa. Ele acredita que a campanha talvez ganhe força com os jovens que são mais cabeça aberta. Clara Vargas, 20, estudante, diz que aderiu mais do que a campanha pede, “estou há dois meses sem comer carne” diz. A estudante reconhece que ficar sem comer carne pelo menos um dia da semana faz toda a diferença para o planeta: “um dia não atrapalha a vida de ninguém que não tenha vontade ou condições de aderir a hábitos vegetarianos”.

Por João Marcelo Siqueira


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Fotos | Débora Gomes

MODA

A MODA QUE NUNCA SAI DE MODA...

Os brechós trazem a marca do passado aos dias atuais e conquistando espaço no guarda- roupa de vários clientes No segundo espaço, encontramos a área que corresponde ao brechó, com peças de diferentes preços e estilos. Camisas xadrez, estampas diferenciadas, modelos dos anos 60, 70,80 e 90. Na Lispector, podem-se encontrar peças exclusivas, de fabricação própria. O acervo conta com peças inspiradas na moda vintage, desenhadas pelo próprio proprietário. “Faço pesquisa para compor as peças da loja, vou pegando diversas referências e ainda possuo um acervo de roupas masculinas enorme” revela. Charlier prefere não rotular a loja em vintage ou retrô, prefere defini-la como de moda contemporânea. Ainda segundo Charlier, o publico da loja é diversificado, apesar do grande numero de jovens que lá freqüentam. “Senhoras de mais 60 anos freqüentam a Lispector e também gostam das peças de brechó”, conta Charlier. O proprietário da Lispector diz que o publico do estabelecimento é fiel, principalmente o masculino. “A loja tem um grande acervo de roupas masculinas, existem poucos brechós com essa particularidade”, afirma. Quem compra uma peça da Lispector sai de lá com a garantia de ter nas mãos, uma peça única. “Fabricamos pou-

ca peças, pois as clientes preferem roupas exclusivas”, afirma Charlier. Andando a poucos metros depois, esbarramos com a exuberância da “Brilhantina”, mais um dos brechós localizados na rua Tomé de Souza. De cores fortes e com o nome da loja num letreiro em neon, a Brilhantina nos leva a outro tempo, num ambiente que remete a varias épocas, numa miscelânea de estilos e tendências. Segundo a proprietária Raquel Fernandes, 35, cerca de 80% das peças são femininas. “Roupas masculinas, são sempre mais difíceis de achar”, diz. A loja mantém essa aura de nostalgia no ar. Alem das roupas, acessórios e principalmente chapéus, ela ainda conta com uma decoração perdida no tempo. “Sempre gostei da moda de todas as épocas, do charme dos anos 20 ao modernismo dos anos 90”, conta Raquel Fernandes. “Cada brechó é também a cara do dono”, completa. Continuando nossa caminhada, encontramos na “Petit Luxe”, um brechó infantil, um dos poucos em Belo Horizonte. Logo na entrada, vemos carrinhos de bebe, brinquedos diferentes e roupinhas para a meninada. Marina Leite, 28, é proprietária do brechó infantil

que está aberto há 10 meses. Segundo ela, as peças que lá chegam quase sempre estão novas ou pouco usadas. No Petit Luxe, encontramse peças infantis, para meninos e meninas de 0 a 16 anos. Coincidentemente, Marina Leite está grávida de oito meses e meio, do seu primeiro filho e já separa parte das roupas que chegam à loja para Nóa. “As peças que eu pego, são sempre peças que eu gosto, de um estilo diferente. A peças de vestuário variam de 20 reais até 99 reais, mas a loja também vende carrinhos para bebe, cadeiras infantis para carro, que tem um preço mais em conta do que numa loja comum”, comenta Leite. Ainda no brechó infantil, você pode encontrar acessórios como presilhas, grampos, tiaras e brincos. A loja também tem em sua decoração um gostinho de infância, com brinquedos antigos e peças que têm forte ligação com a infância da proprietária. “Aquela boneca ali, era minha quando tinha oito anos”, confidencia a lojista. Atualmente, os brechós têm se valorizado a cada dia mais no mundo da moda. Estão presentes em grandes capitais, não só para quem quer seguir tendência, mas também para quem quer economizar um pouco mais. Por Marcos Oliveira

WWW

Até quem caminha distraído pelo quarteirão da Rua Tomé de Souza, entre a Avenida Cristovão Colombo e a Getulio Vargas, percebe que é uma das principais ruas da região da Savassi. Além de bares e restaurantes badalados e lojas de roupas conhecidas, também abriga três brechós bem peculiares. O primeiro deles, se avistara de longe: uma tenda charmosinha e duas colunas bicolores vistosas, além de ter no nome um grande chamativo. Estamos falando da Lispector. A loja/brechó existe há sete anos e é comandada por Victor Charlier, 38. Ele, além de proprietário da loja, atendente e comprador, é responsável também pelo designer das peças exclusivas da marca própria “Lispector”. O nome da loja está além da referência literária, Clarice Lispector. Charlier explica que o nome da loja em Latim, significa flor de Liz, representada intencionalmente no logotipo da marca, retirada de um velho livro de símbolos do avó de Charlier. A loja é dividida em dois ambientes. No primeiro, podemos encontrar moda masculina e feminina, bijuterias, botons, broches, brincos que podem ser vistos também no mundo virtual no blog da loja.

lispector.com.br brechobrilhantina.com.br petitluxebrecho.blogspot.com


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Espalhando o Vírus do bem Besteriologistas levam alegria às crianças doentes em hospitais

com os formadores em hospitais e no final passam pelo teste “ conversa mole”, onde o palhaço já formado vai explicar o dia a dia de um trabalho no hospital. Também pergunta se o artista está realmente disposto a ser um “doutor”. O trabalho não é voluntário, a organização se mantém através de doações de empresas e pessoas. Silva afirma que o trabalho é assalariado, pois os palhaços têm o compromisso de estarem com hora marcada em hospitais durante duas vezes por semana no mínimo. Além do trabalho contínuo em hospitais, os “doutores” passam por cursos teatrais periodicamente. Falta patrocínio Titetê reclama sobre a falta de patrocinadores em Belo Horizonte: “Todos os recursos para o pagamento de palhaço, de espaços, de auxiliar administrativo são oriundo de São Paulo e estamos lutando ferrenhamente para conseguir um patrocinador ”, explica. Palhaço há 14 anos e atuando como ‘doutor” há mais de três anos, Silva não esconde o prazer que tem em trabalhar na área que a cada dia lhe traz novos ensinamentos, “Trabalhando como besteirologista percebi que os meus problemas são insignificantes perante o sofrimento das crianças doentes nos hospitais que visitamos.” Por Henrique Muzzi

Ilustração|Débora Gomes

Após um filme lançado em 1996, chamado Patch Adams - O amor é contagioso, estrelado pelo ator Robin Williams, pessoas de todo o mundo tomaram conhecimento sobre o trabalho feito por homens e mulheres conhecidos como doutores, médicos ou palhaços da alegria. Em Belo Horizonte, o grupo conhecido como Doutores da Alegria atua na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital das Clínicas desde abril de 2007. O trabalho é desenvolvido por artistas cênicos que se autodenominam “besteirologistas”. De leito em leito, atendem cada criança, buscando interagi-las com jogos de raciocínio lógico e brincadeiras desenvolvidas no local. De acordo com o palhaço Cícero Silva, 63, conhecido como Titetê, os doutores também orientam os familiares das crianças. “Os familiares participam do dia a dia de forma interativa com jogos lúdicos entre as crianças,ajudamos a transformar o ambiente hospitalar em uma área de interação”,explica. Antes de ser um doutor da Alegria, candidatos passam por um rígido processo seletivo, organizado em quatro fases. É aberto um edital público, onde os interessados escrevem uma carta com o currículo artístico. A partir daí os currículos são analisados e os aprovados são convidados a irem para uma oficina, onde os palhaços se conhecem. Após essa fase, passam por um estágio


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Foto| O TEMPO

CIDADE

Trânsito para bicicletas é restrito em BH Ciclovias caem em desuso por falta de infraestrutura

estejam ligados ao Mineirão por meio de ciclovias. A previsão de conclusão das obras é 2014, o ano da Copa do Mundo no Brasil. Ao final do projeto, a população terá aproximadamente 345 km de faixas exclusivas para as bicicletas. De acordo com uma pesquisa realizada em 2009, pela Fundação João Pinheiro, o uso da bicicleta na cidade é muito comum. Aproximadamente 25 mil viagens são feitas diariamente. Além disso, muitas pessoas que querem se exercitar, independente de idade, encontram na bicicleta uma alternativa saudável e barata para a prática de esporte e de lazer. Belo Horizonte já conta com três grandes grupos de ciclismo, como o Mountain Bike BH. A atividade desses grupos consiste basicamente em passeios noturnos pelas regiões da cidade, que duram em torno de duas horas, percorrendo aproximadamente 18 km.

Foto| O TEMPO Foto| O TEMPO

Utilizar a bicicleta como meio de transporte continua a ser um sonho distante para a população de Belo Horizonte (BH). Apesar da capital possuir cerca de 22 km em ciclovias, os trechos, distribuídos em seis regiões da cidade, precisam de novas pistas para conectar uma ciclovia à outra. No Bairro Coração Eucarístico, por exemplo, a distância das pistas exclusivas para ciclistas é de 750 metros, enquanto o centro da cidade permanece sem vias para as bicicletas. Para o publicitário Rafael Andrade, 26, acostumado a ir regularmente de bicicleta ao trabalho. “A bicicleta é um transporte barato e nãopoluente. O belo-horizontino não utiliza o veículo por falta de estímulo. É preciso que as autoridades invistam mais em ciclovias e condições para os ciclistas”, afirma o publicitário. Como medida para resolver esse problema, a BHTrans lançou em 2008 o programa Pedala BH. A proposta é que os principais ponto da cidade

Por Alexandre Pimenta Deleoni Amorim Hélio Monteiro

Pedal do Silêncio - homenageia vítimas de acidentes no trânsito Ativistas de todo o mundo pedalam em silêncio para homenagear os ciclistas vítimas de acidentes no trânsito. O protesto faz parte do movimento Ride of Silence ou Pedal do Silêncio. O objetivo é chamar a atenção da sociedade em geral e lembrar que os ciclistas também têm direito a utilizar as ruas com segurança. A ideia de trazer o movimento para Belo Horizonte partiu de Humberto Guerra, analista de sistemas e coordenador do Mountain Bike BH. “Conheci o Pedal do Silêncio pela internet e achei interessante sediar um evento similar aqui”, conta. A concentração começa a partir das 19h, na Praça da Liberdade, com saída às 20h. Para participar é necessário usar um tarja preta no braço, além dos equipamentos de segurança. O passeio será feito em ritmo moderado para que todos possam participar.

Porque pedalar faz bem? A disciplina de pedalar regularmente previne problemas de saúde, fortalece os músculos do corpo e mantêm o bem-estar e qualidade de vida. Escolher a bicicleta é também uma forma de preservar o meio ambiente, já que ela é um veículo que não polui. “Andar de bicicleta reduz o colesterol, a pressão arterial, ajuda a controlar o diabetes e diminui o risco de doenças do coração”, afirma José Cláudio de Almeida Resende, cardiologista.


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Foto| Marcos Oliveira

Mercado sem animal

População luta para aprovação da lei que visa a proibição do comércio de animais no Mercado Central da Lei parou quando chegou à Comissão de Meio Ambiente, devido às reiteradas perdas de prazo por parte dos Relatores responsáveis por emitir o último Parecer. O Vereador Leonardo Mattos (PV) foi o único que emitiu o parecer de reijeição ao projeto de comercializa animais no Mercado Central, no dia 30 de setembro de 2010. O principal argumento dos ativistas dos direitos dos animais é a pretensa crueldade cometida contra os vários animais vendidos vivos, como: galinhas, perus, gansos, patos, codornas, pombos, pavões, faisões, pássaros, cães, gatos, coelhos, chinchilas, porquinhos-da-índia, peixes, hamsters, entre outros. “Não acreditamos que esse comércio seja uma tradição ou cultura do mercado”, declara Adriana Cristina. “Além disso, o constante prejuízo financeiro e emocional dos clientes quando compram animais doentes. Como garantir a saúde dos animais

vivos comercializados para o consumo humano (como patos, gansos, coelhos, galinhas e codornas)?”, problematiza o Movimento Mineiro Pelos Direitos dos Animais

Frequentadores A advogada Thais Buarque, 23, define como “antihigiênica” a venda de animais vivos no Mercado Central, “é uma falta de respeito com a população”, acrescenta. A estudantes, Naiara Garcês, 20, alega ter nojo do corredor em que os animais são vendidos. “Jamais compraria um animal em um local como esse e, também, não como nenhum tipo de alimento em um mercado que tem animais vivos sendo vendidos”, enfatiza a estudante.

Comerciantes No corredor onde os animais são vendidos, a maioria dos comerciantes evita falar Foto | Divulgação MMDA

O Mercado Central de Belo Horizonte abriga, em suas dependências, um grave problema: o comércio de animais vivos próximo às áreas destinadas à alimentação. No Brasil, além do Mercado Central, o Mercado Municipal de Manaus também vende animais vivos. Hoje, em BH, o Movimento Mineiro Pelos Direitos dos Animais quer proibir esta prática não apenas para a preservação das espécies ali comercializadas, mas também, para evitar que alimentos sejam destinados ao consumo humano em um local próximo aos dejetos e parasitas provenientes dos animais acondicionados em um espaço pequeno, sem iluminação solar e ventilação. No ano passado o Movimento Mineiro pelos direitos dos animais, começaram uma mobilização para conseguir uma lei que proibisse a comercialização de animais no mercado central. Em conversa com Adriana Cristina, 39, servidora publica e uma das representantes do movimento, ela conta que essa luta acontece desde quando o mercado começou a comercializar animais, porém o Poder Público alegava não haver amparo legal que tratase o problema e como nenhum poder publico ou órgãos responsáveis se manifestavam, ativistas da Causa Animal saíram em busca de algum vereador que apóia-se a causa e providenciasse o necessário. Em 2009, foi apresentado, na Câmara Municipal, o Projeto de Lei nº 559/09, pela Vereadora Maria Lúcia Scarpelli. A PL foi aprovada pelas comissões de Legislação e Justiça e da Saúde e Saneamento da Câmara. Porém para a surpresa dos ativistas e defensores dos direitos dos animais, o Projeto

CIDADE sobre o assunto e muitos alegam, inclusive, desconhecer o projeto de lei. O comerciante Joaquim Rosa, 28, vende pássaros há 11 anos, no Mercado Central e afirma que a um enorme exagero por parte dos ativistas. O vendedor conta que chegam a vender cerca de 100 pássaros por dia. “Os turistas adoram esse lugar, ficam encantado com os animais, pois no seu país não tem isso” relata Rosa. O vendedor, Devanir Antônio, é proprietário da Loja Aviar Devanir, há 33 anos, no Mercado Central e afirma desconhecer o PL nº 559/09. “Não sabia que isso estava acontecendo, porém acho uma falta de vergonha desse povo. Eles estão mais preocupados com os animais e esquecem a sua própria espécie [humana]”, desabafa. O comerciante garante que os animais não sofrem, pois a rotatividade é grande. “Não deixaríamos um animal morrer aqui, pois vivemos deles, cuidamos muito bem de cada um. Para manter um animal aqui gastamos cerca de R$ 400,00” conta Antônio”, enfatiza. Porém um vendedor que não quis se identificar revela que, ás vezes, eles recebem reclamações dos comerciantes dos corredores de alimentação, devido o mau cheiro e que por isso a administração do mercado já está providenciando algumas cortinas de ar e exaustores em todas as lojas que comercializam animais, para amenizar o problema. Nota da redação: Tentamos contatar o sr. Luiz Carlos Braga, superintendente do Mercado Central, mas até o fechamento dessa edição, ele não foi localizado.

Por João Marcelo Siqueira


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Fotos | Divulgação

CULTURA

Livros antigos viram tela para arte inovadora “O livro para mim, aparece como objeto de afeto, seja como superfície para os desenhos, como leitor ou mesmo encadernador.” [Lucas Dupin] Desenhos delicados, feitos com grafite, pólvora e pastel oleoso, nas páginas de livros antigos e desatualizados, compõem a exposição Alfarrábios, de Lucas Dupin. As imagens se desenvolvem pelas páginas e incorporam textos, anotações, imagens e outras marcas de uso que um livro possa ter. Com esse trabalho, o artista mostra o incomum e desperta, ao mesmo tempo, curiosidade, encanto e admiração. Dupin explica que, a partir de uma extensa pesquisa de novos suportes artísticos, seu trabalho conjuga materiais que normalmente são utilizados para desenhar com outros não designados para este fim, a exemplo da pólvora: “deslocar ferramentas é algo que sempre gera resultados inesperados, como é o caso de se utilizar ferramentas da gravura ou goivas [instrumentos

cortantes para o entalhe em madeira] para trabalhar diretamente sobre o papel.”

Efeito do tempo Alfarrábios é a produção

mais recente de Dupin, em desenvolvimento há pouco mais de dois anos. “Um dos motivos para iniciar este trabalho foi meu medo da folha de papel em branco. Precisava sempre, de alguma forma, rasurar aquela ‘brancura’ que se colocava como uma barreira para o início do trabalho”, diz, ressaltando que acha mais fácil lidar com materiais marcados pela ação do tempo e do uso. “Para mim, é muito mais fácil lidar com a história que a superfície carrega do que com o branco do papel”, completa o artista. O fato de Lucas Dupin ser encadernador também ajuda no desenvolvimento do trabalho. Acostumado a conservar

e recuperar livros, ele resolveu realizar o caminho inverso, surgindo assim, a idéia da exposição. “Mas vale ressaltar que utilizo livros ou fragmentos destes, que já não tem nenhum préstimo.”, afirma. Será?

“Préstimo” poético Ao falar do que serve um livro, Dupin refere-se ao uso prático, de leitura dos livros. Mas a exposição mostra que o “préstimo” de um livro vai para além da vida útil das palavras que ele contém. “A priori, poderíamos dizer que a exposição não tem importância nenhuma, se comparada com as necessidades vitais, mas seríamos pessimistas a ponto de dizer que aquilo não faria falta para ninguém”, completa. Lucas vê a exposição como uma maneira de partilhar com

os outros uma técnica diferenciada, fruto de uma pesquisa atual. Ele afirma que é complicado dizer com precisão qual a intenção desse trabalho, a não ser para um fim inteiramente artístico: “cada um carrega sua bagagem de referências e é com elas que dialogamos”. “Quando faço algum desenho a minha intenção é a de que ele seja aquilo que já é, o que pode vir depois é uma interpretação pessoal, duvidosa e muito particular, talvez diferente da impressão que o trabalho representa para mim”, explica. A exposição ficou até o dia 4 de outubro na galeria Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, localizada na Praça da Liberdade, 21, bairro Funcionários.

Por Débora Gomes

Na boa arte, não se faz ‘a’ para se chegar a ‘b’. Isso a meu ver seria utilizá-la como meio e não como a coisa em si. Porém, essa avaliação está assentada nas minhas referências visuais, culturais, imagéticas que são muito diferentes da de fulano ou cicrano.

Veja a galeria de fotos no nosso site contramão.una.br Confira outros trabalhos em sua galeria: www.flickr.com/lucasdupin

Contramão no.13  

Jornal Contrmão Centro Universitário UNA

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