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nº11

contramão ANO 3-2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

JORNAL LABORÁTORIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA

- ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O JORNALISTA SEBASTIÃO NERY - SER CRIANÇA OU SER ADULTO? - NOS EMBALOS DAS TARDES DE SÁBADO - VOCÊ SABE O QUE ACONTECE COM A ÁGUA QUE USAMOS? - O LIXÃO DA SAVASSI


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Foto da capa

Crítica de mídia Luciana no País das maravilhas A personagem Luciana, interpretada pela atriz Alinne Moraes em “Viver a vida”, é uma jovem rica e que, devido a um acidente, está, hoje, em uma cadeira de rodas. Na novela, Luciana é tratada, em hospitais particulares, pelos melhores profissionais do Rio de Janeiro e do exterior. Em casa, a personagem dispõe de um quarto adaptado para sua situação de cadeirante, um carro também adaptado com motorista, uma sala de fisioterapia, além de receber a assistência de enfermeiras e fisioterapeutas particulares. Os recursos que garantem a comunidade de Luciana são provenientes de sua situação econômica privilegiada, na ficção, mas isso está longe de ser uma realidade em nosso país. Se analisarmos, apenas, o aspecto financeiro, a personagem parece viver no “Brasil das maravilhas”. O “Brasil da vida real” tem, aproximadamente, um milhão de cadeirantes e quase nenhuma estrutura para acolhê-los, garantir a sua cidadania e torná-los independentes. No “País das maravilhas”, Luciana vive bem, apesar dos problemas de mobilidade reduzida e, partindo para uma análise pessoal (considerando que a vejo pelos meus olhos de pessoa dita “normal”, que anda sobre duas pernas), imagino que ela seja um símbolo de conquista (mesmo que no terreno fictício) e porta-voz das pessoas com problemas semelhantes aos dela, espalhadas por todo o “Brasil da vida real”. Os diálogos travados com especialistas e outros deficientes, neste núcleo da novela, confirmam a capacidade de um cadeirante ter vida sentimental e sexual ativa (um tabu), além de incentivar essas pessoas a se tornarem cidadãos defensores de seus direitos. Os depoimentos que encerram o capítulo do dia são exemplos reais de superações. No entanto, a simpatia que o público sente por Luciana, comove menos se nos dispusermos a enxergá-la pela perspectiva de uma pessoa cadeirante. Por exemplo: Como as pessoas que se deslocam vários quilômetros para fazer fisioterapia dependendo do transporte coletivo e esperam horas na fila de uma clínica do Sistema Único de Saúde (SUS) enxergam Luciana? Será que um pai ou mãe de família que foi aposentado por invalidez e ganha um salário mínimo, se identifica com ela? O que sentem os cadeirantes que saíram pelas ruas de Brasília entregando notificações aos estabelecimentos que não se preocupam em garantir o acesso de cadeirantes e demais portadores de comprometimento físico quando vêem a Luciana? O que diriam Mariana e Willian, alunos que processaram as sua escolas para conseguir ter acesso à educação? Como será que o cadeirante que processou o condomínio onde morava por proibi-lo de permanecer no hall do prédio, pois “dificultava” o acesso das outras pessoas, interpreta a Luciana? Não posso responder essas perguntas. Entendo que os desafios são infindáveis para essas pessoas que precisam lutar para superá-los. Todas as suas conquistas, extensivas ao grupo ou mesmo individuais são marcadas do esforço para “viver a vida” neste nosso “democrático” país. É fato que a existência da Luciana, na novela, promove uma discussão na sociedade em torno do assunto. Mas não se pode enxergar na mídia televisiva apenas aquilo que nossos olhos querem ver. É necessário um esforço para que deixarmos o “Brasil das maravilhas” ao término de cada capítulo da novela e encararmos um país cheio de pessoas reais, com problemas reais. Pessoas que precisam de uma colaboração efetiva ou apenas de uma palavra de apoio e incentivo. Que tal fazer uma visita àquela senhora cadeirante que mora ao final da rua? Por Danielle Pinheiro

O conteúdo desta crítica não expressa a opinião do Jornal Contramão

Foto| Ana Paula P. Sandim Lixão da Savassi Av. Cristovão Colombo.

Edição Anterior

Editorial Há 20 anos, a extinta Rede Manchete exibia a novela Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, reconhecidamente, um marco da teledramaturgia brasileira. A trama revolucionou as técnicas de filmagens em locações e foi pioneira ao focar, no enredo central, a questão do meio ambiente e da exploração pecuária extensiva, que destrói a natureza. No último capítulo, um plano aberto, mostrava o pantanal e os seguintes dizeres: “Homem é o único animal que cospe na água que bebe, o homem é o único animal que mata para não comer, o homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte”. A água é o recurso mais raro que existe e o maior dilema dos centros urbanos e industriais que ao longo do século 20 despejaram seus rejeitos nos rios que os abastecem. Economizar e tratar a qualidade da água, hoje, é uma obrigação e seu uso sustentável, sem exageros, determinará o nosso futuro. O destaque desta edição é a reportagem sobre a Estação de Tratamento de Esgoto do Ribeirão do Onça, um dos afluentes do Rio das Velhas, nossa principal fonte de água em BH. O objetivo é mostrar como se desenrola o processo de tratamento da água que consumimos e alertar para outra necessidade urgente: o que fazer com o nosso lixo? Tema para uma futura reportagem.

EXPEDIENTE

CONTRAMÃO Jornal laboratório do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes - Centro Universitário UNA Reitor: Prof. Pe. Geraldo Magela Teixeira Vice-reitor: Átila Simões Diretor do ICA: Prof. Silvério Otávio Marinho Bacelar Dias Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Profª Joana Ziller Contramão - Tel: (31) 3224-2950 - contramao.una.br Coordenação: Reinaldo Maximiano (MTb 06489), Tatiana Carvalho e Jorge Rocha Projeto gráfico original: Bruno Martinez, Bruno Teodoro, Guilherme Brandão, Fabrício Costa e Renata Coutinho Diagramação: Ana Paula P. Sandim Estagiários: Ana Paula P. Sandim, Daniella lages, Danielle Pinheiro, Débora Gomes, Henrique Muzzi, Iara Fonseca, João Marcelo Siqueira, Matheus de Azevedo, Marcus Ramos Tiragem:2.000 exemplares Impressão: Sempre Editora


contramão 3 Foto: Ana Paula P. Sandim

“O jornalismo muda como o país mudou”

ENTREVISTA O jornalista político, Sebastião Nery, lança 2ª edição do livro 'A Nuvem, o Que Ficou do Que Passou' sobre os 50 anos de história testemunhados pelo autor. Por Ana Paula P . Sandim Débora Gomes

Jornal

Contramão

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Como foi o processo de construção do livro “A NUVEM”?

Sebastião Nery - Foi um processo que se complicou, exatamente pela história do livro. A documentação que eu tinha, ficou muita parte pra trás. Em 1954 fui candidato a vereador aqui em Belo Horizonte e fui preso, entraram na minha casa e levaram meus documentos. Vou para Bahia, e vem o golpe de 61, a renúncia do Jânio, fui preso de novo, entraram na minha casa, carregaram todos os meus papéis. Chega o golpe de 64, aí devastou: pararam um caminhão e carregaram todo o meu apartamento, até o papel higiênico, sabonete phebo, tudo. Tinha um Guingnard, com uma dedicatória para mim, tinha um Vicente de Abreu, presentes de meus amigos, pinturas, carregaram tudo. Quando eu fui escrever o livro é que eu percebi que havia perdido uma documentação grande. Então eu tentei recuperar. Passei algumas tardes aqui na biblioteca na Praça da Liberdade, pegando a documentação do tempo que eu morei aqui em Minas. Mas o problema é que eu morei na Bahia, em São Paulo, no Rio, e também morei em Portugal, na Espanha, em Paris, na Itália, em Moscou (...) E como a vida era muito ampla e a documentação que eu tinha era pequena, fui recuperando-a aos poucos, e quando consegui, trabalhei nisso seis meses. Sentei e escrevi o livro também em seis meses. Consegui uma boa documentação. Outra coisa é o tempo. Muitos amigos mortos, muitas testemunhas mortas e então eu procurava pessoas que não encontrava mais. Mas o livro pegou. E eu acho que eu consegui documentar e contar a história de 1950 até 2000 com

grande documentação histórica e fatos concretos.

Jornal

Contramão

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Como você avalia o jornalismo de hoje com o jornalismo de antes, quando começou a exercer a profissão?

Sebastião Nery - O jor-

nalismo mudou como o país mudou também. Antes nós tínhamos um país que era antes de Juscelino, um país rural e comercial. E então a imprensa era uma imprensa partidária, cada partido tinha seu jornal. Depois você tem uma imprensa empresa: os jornais pertencem a grupos econômicos, que, em geral quase todos pertencem aos selos de bancos. A imprensa não é mais aquela imprensa: nem a imprensa partidária de antes, nem também uma imprensa ideológica. Hoje é uma imprensa financeira. É uma imprensa que defende os projetos econômicos dos grupos que a sustentam. Então, você não pode ter mais Carlos Lacerda. Por que você não tem Carlos Lacerda? Porque Carlos Lacerda tinha projeto político da UDN. Hoje não há nenhum jornal que tenha um projeto político. O projeto político do jornal, ou é o projeto do atual governo ou contra este governo. Foi isso que mudou. A imprensa deixou de ser imprensa pra ser empresa. Tem umas vantagens: que tecnologicamente ela melhorou, ela tem mais condições, chega mais ao povo, mas por outro lado, ela não é opinativa. Ela é muito menos opinativa do que já foi. E isso faz com que ela comece a perder a briga com a internet, porque a internet é para dar notícia seca,

Sebastião Nery no lançamento da 2ªed. do livro “A nuvem” na Academia Mineira de Letras -BH

a internet é para dar a notícia com, como ela diz, em tempo real, mas o jornal tem que discutir o jornal que tem que dar opinião, tem que debater. Se o jornal quiser pensar e fazer no dia seguinte o que a internet fez na véspera, morrem todos. Então os jornais têm que opinar, discutir o país, participar, senão, agrava-se o que já está acontecendo. É que você chega em casa a noite, entra na internet e lê a primeira página do Globo, lê a primeira página do Estado de Minas, lê a primeira página do Correio Brasiliense e fica sabendo a noticia. Quando chega no outro dia, o jornal está dizendo a mesma coisa, aí não adianta comprar o jornal. Por isso que, a Folha vendia um milhão de exemplares e também o Jornal do Brasil e também o Globo e o Dia, vendiam um milhão de exemplares no Rio de Janeiro no fim de semana. Hoje nenhum deles vende mais que 300 mil no fim de semana, de sábado pra domingo. Por quê? Porque as pessoas já viram no jornal e na internet as notícias. Então é preciso que o jornal seja um instrumento de debate, de opinião, senão vai apanhar muito da internet. E a juventude que maneja a internet vai a cada dia lendo menos jornal. Porque ela acha:“Pô já tenho aqui na in-

“A imprensa deixou de ser imprensa pra ser empresa”

ternet pra que eu vou comprar o jornal na banca ou assinar o jornal ou ler o jornal?”

Jornal Contramão – O

que você espera hoje com o relançamento do livro “A Nuvem”?

Sebastião Nery - Eu não

tenho nenhum medo da concorrência da internet em cima do livro. Claro que tem uma vantagem; as editoras e os autores vão ter que fazer cada vez mais livros que a juventude leia porque aquela linguagem excessivamente acadêmica, excessivamente técnica, afasta milhões e milhões de leitores que se acostumaram a ler na internet mais superficialmente. Então o livro tem que disputar aí. As pessoas têm que perceber o que o livro é, além da notícia. Então esse livro que está aqui, conta uma história. Tem 50 anos de história, então se você for botar isso na internet tem que ‘botar’ muito. Mas é preciso que as editoras façam livros assim como esse e é preciso que a internet não se banalize demais para não ficar tão banal e medíocre que prejudique a formação da juventude. Você não pode encher a internet de Big Brother. Uma besteira atrás da outra, não pode isso também, porque isso é um crime cometido contra o futuro do país.

Confira o vídeo da entrevista completa no site: contramao.una.br


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“Sim, vaca louca também dá em boi” Sempre achei tutorial uma coisa chata. Tudo bem, eles estão lá para te ensinar, mas dá vontade de aprender “fuçando” em vez de ficar lendo

“blá blá blá”

aquele todo. Porém, como eu tinha que fazer uma reportagem sobre o assunto resolvi lê-lo para me informar e confesso que ele me surpreendeu bastante, foi o tutorial mais cômico que já li. Logo de início veio com a frase: “Se tivéssemos de plantar tudo que precisamos no nosso país sede, as cidades americanas seriam um amontoado de merda (não que não sejam, mas...) A plantação de soja e a criação de gado precisam de um monte de espaço, e a Amazônia é o melhor lugar para isso” e ele seguiu com ironia e bom humor. É com um M amarelo meio estranho, uma copia do M da McDonald’s, um Ronald com uma cara nada feliz, que o jogo on-line McDonald’s games se apresenta. No texto inicial do game eles afirmam ao jogador que ganhar dinheiro com uma empresa como essa não é tão fácil como parece. E dizem a frase:

No jogo, você tem que cuidar de quatro espaços, o campo, a granja, o restaurante e a sede da empresa. No campo, o jogador planta os bois e a soja que vão para a granja e depois para o restaurante, local em que o jogador é responsável pelos funcionários, A sede é onde sabemos do rendimento da empresa. .

çada

gra n e é la

E

Tem os empresários, típicos carecas de terno, os Publicitários meio malucos, com cabelos verdes, moicanos e os Relações Publicas, que como a descrição do jogo diz, “são responsáveis pordesmentir os críticos”. O tutorial fala a respeito desses quatro espaços. Sobre a granja diz para empanturrar os bois com forragem hipercalórica, afinal todo bom consumidor gosta de hambúrguer gorduroso. Para economizar, você pode adicionar porcarias a forragem, como exemplo, “a

água de esgoto que não faz bem, mas é conveniente.” Devemos encher os bois de hormônio para que eles engordem mais rápido, o jogo ressalta que isso “pode trazer alguns riscos à saúde dos consumido-

ir scobr e d vai xo do ê i c a o b V e “ d ujeira e nós uma res, s a d toda e faz presas do u q e tapet es em r o i a das m o” mund

mas quem liga?”

Sobre a sede da empresa, o tutorial diz: O “McDonald’s não é uma rede de fast food, mas sim uma marca, um estilo de vida, um símbolo da superioridade da cultura americana.” Quanto ao restaurante, você não deve deixar que os funcionários fiquem tristes, para que isso não aconteça você pode premia-los com medalhas de funcionário do mês, discipliná-los e, em último caso demiti-los. Fiquei imaginando como aqueles funcionários devem ser felizes tendo que trabalhar nos finais de semana, feriados e com tantas pessoas para atender. Sim.

Porque ter sua foto pregada como melhor funcionário do mês é equivalente à diversão do final de semana.

Mas a melhor parte do tutorial está quando ele fala da granja explicando que você tem que cuidar dos bois para que eles não peguem a doença da vaca loca ai, vem a incrível frase:

“Sim, vaca louca também dá em boi” Eu ainda me surpreendi mais com o game. Nos outros jogos, quando você perde, geralmente se limitam ao game over. Nesse abre-se um quadrado com o Ronald e alguns empresários com uma cara

bem irritada e a seguinte frase:

“Game Over! Seu desgraçado! Levou nossa empresa à falência! Anos e anos para criar uma tradição e foram destruídos por você.” O jogo traz essa sensação de poder de que você está cuidando mesmo daquela empresa. E o objetivo é não levá-la a falência e para que isso ocorra o jogador, que quer ganhar o game, faz o que está escrito no tutorial, destrói a Amazônia, enche os bois de porcarias, usa os Publicitários para enganar e atrair o público, e os Relações Públicas para subornar os políticos, nutricionistas, agentes de saúde e ambientalistas. O interessante e que quando você clica nessas funções aparecem descrições. Os publicitários têm o programa para terceiro mundo que, segundo a descrição, serve para ganhar a confiança da classe média. Lanches para atrair as crianças, já que elas não têm uma mente critica e aceita facilmente o produto. E ao clicar na função de enganar dos Relações Publica, embaixo deles aparece a frase: “Sim, nós chamamos isso de Relações Publicas”. O game, além de cômico, é uma forte crítica a empresa McDonald’s.

Crônica de Natália Oliveira Ilustrações Débora Gomes

O conteúdo desta crônica não expressa a opinião do Jornal Contramão


contramão 5 Foto: Ana Paula Sandim

CULTURA

Cinema Mineiro em Cena Diretores, produtores e estudantes de cinema revelam suas experiências e expectativas Luz, câmera, ação! Entra em cena o cinema independente mineiro e os personagens desta história são diretores, estudantes e produtores de curtas e longas-metragens de ficção e documentários. O conceito de cinema independente pode ser compreendido de duas formas. No geral, é caracterizada como independente toda produção que é realizada com recursos próprios do diretor e sua equipe, sem financiamento público. Porém, existem os filmes que são realizados com recursos de leis governamentais de incentivo, mas que não possuem nenhum suporte grande de divulgação e nem atores famosos no elenco. Os filmes não-comerciais, voltados para público específico e que fogem da estrutura narrativa convencional das grandes produções também são classificados como independentes. O cenário independente cresce e ganha cada vez mais espaço em Minas, mas isso não é suficiente. Muitos personagens dessa história precisam encontrar outras fontes de renda, tendo assim, menos tempo para dedicar e colocar todas suas energias nas produções. Grande parte do dinheiro público destinado ao cinema se concentra no eixo Rio/ São Paulo. Depois desses dois estados, Minas é o que tem mais curtas circulando em festivais no país. “Não dá para ter o nível de profissionalismo e dedicação integral que seria certo ter. Em outros lugares do mundo existem propostas de financiamento e bolsas que fazem com que um cineasta pos-

Divulgação

Os atores Iel e Ravi Queiroz - Foto Divulgação do filme “Perto de Casa” do cineasta Sérgio Borges

sa trabalhar só com cinema.” diz o cineasta Sérgio Borges, 35, ressaltando a deficiência do apoio brasileiro ao audiovisual. Apesar das dificuldades, os produtores independentes conseguem desenvolver ótimos trabalhos. Borges é sócio da produtora audiovisual Teia, em Belo Horizonte. Com várias premiações em festivais, o seu curta “Perto de Casa” foi produzido sem nenhum custo: apenas uma câmera acompanhando as brincadeiras de duas crianças no quintal de casa. A Teia teve vários projetos aprovados em editais de leis de incentivo e muitos filmes realizados participaram de festivais nacionais e internacionais, recebendo algumas premiações. “Se for pensar pelos projetos aprovados pela lei, a Teia não é uma produtora independente. Mas se for considerar

roteiro, divulgação e formato de produção, ela é super independente.” diz Borges. Com personagens reais, a maioria das produções apresenta ao público realidades de diversas partes do mundo, pensando sempre nos conceitos artísticos, sem se preocupar em atingir o grande público, mas sim em cumprir o papel de trazer à cena novas experiências de se fazer cinema no Brasil.

Festivais

No cenário independente, há espaço, também, para os estudantes de Cinema. Maurílio Martins, 33, André Novaes, 25, e Gabriel Martins Alves, 22, montaram a produtora “Filmes de Plástico” em 2009. O passo decisivo para a produtora foi o curta “Descriação”, selecionado para o Festival de Cinema Universitário de Curitiba. O filme produzido com recursos próprios e equipamentos do Centro Universi-

tário UNA, foi o gancho para novas produções como “Filme de Sábado”, dirigido por Gabriel Martins, selecionado e premiado na categoria ‘Pesquisa de Linguagem’ no 14º Festival Brasileiro de Cinema Universitário (FBCU), no Rio de Janeiro. O curta-metragem “Fantasmas”, produzido pelo trio de jovens cineastas, foi selecionado em janeiro de 2010, no Festival de Cinema de Tiradentes (MG), ficando entre os seis finalistas para o prêmio Júri Popular. “A repercussão foi tão grande que até hoje nos assustamos com as críticas. Um projeto tão particular, feito para nós três, atingiu o público de uma maneira que a gente nem imaginava”, revela Maurílio Martins, “esse reconhecimento validou ainda mais a produtora”, avalia. ‘Fantasmas’ foi selecionado para o 3° Iguacine (Festival de Cinema de Nova Iguaçu) e para a mostra competitiva da “10ª Mostra do Filme Livre”, ambos no Rio de Janeiro, entre março e abril. Para 2010, o grupo da Filmes de Plástico planeja a finalização de três curtasmetragens e as filmagens do primeiro longa estão programadas para o ano que vem. “Por ser o primeiro longa da produtora, optamos pela direção coletiva. Vai ser um filme completamente independente, sem leis de incentivo. Vamos rodar com pouco dinheiro ou quase nenhum”, planeja Maurílio Martins. Por Débora Gomes


6 contramão Foto| João Marcelo Siqueira

COMPORTAMENTO

Ser criança ou ser adulto?

Jovens tentam “queimar” etapa para se tornarem adultos o quanto antes. Psicóloga aconselha aos pais estabelecer limites de cabelos escovados, unhas feitas e de maquiagem, Luiza reconhece o dilema que vive: “Apesar de ser mais evoluída, em alguns momentos eu ajo como uma criança”. A mãe de Luiza, Lêda Soares, 43, se assusta com o desenvolvimento da filha e acredita que a juventude de hoje perde a essência da infância aos 10 anos idade e não possuem maturidade suficiente para resolver determinadas situações. “A Luiza, por exemplo, quer um cavalo de presente de aniversário, mas na mesma hora, já quer outra coisa como uma

Marilda Silva, 41, mãe de Ana Carolina, considera o comportamento da filha normal, mas, no entanto, afirma que a filha ficou devendo bastante à infância devido à influência das amigas mais velhas. “Ela é madura além da idade e para contornar a situação, eu imponho limites, mas, sem reprimir”, explica.

Limites Segundo a psicóloga Renata Borges, os adolescentes, hoje, mudam o estilo, a aparência e o modo de agir, não só por influência dos amigos,

“Uma vez que o limite não é colocado, é quase que impossível conseguir o respeito dos filhos mais tarde” viagem à Disney. Ela pensa que é só querer, que tudo acontece, isto que é difícil explicar”, desabafa. Já Ana Carolina Silva,15, diz já ser adulta e fica brava quando alguém a chama de criança. Estudante do 1° ano do ensino médio, Ana Carolina cursa espanhol durante a semana e adora editar suas fotos no computador. Assim como Luiza, Ana Carolina anda bem arrumada, calça sapatos de salto alto, pinta as unhas e não sai de casa sem escovar os cabelos e se maquiar. “Deixei a infância aos 9 anos de idade e sou mais madura que as minhas amigas de escola”, afirma.

dos parentes e dos próprios pais, mas por questão de cultura. “Algumas atitudes como abandonar os brinquedos infantis e brincadeiras de criança, deixaram de acontecer naturalmente e passaram a fazer parte da cultura das jovens adolescentes “, explica. As garotas mudam o modo de agir e vestir para serem aceitas por determinados grupos. Vivem de aparência, se espelham em outras pessoas, em novelas e filmes. “Muitas vezes, os pais são responsáveis pela mudança dos filhos, acham bonito, fofo e agradável as filhas se arrumarem, usarem maquiagem, esmaltes, roupas menos infantis. Eles reforçam

essas ideias às filhas”, avalia a psicóloga. Se os garotos e as garotas não se adaptarem ao comportamento dos outros, eles são tratados como bobos pelo grupo. Sobre a relação dos filhos com os pais neste processo de mudança, Renata Borges aconselha aos pais por limites nos filhos como forma de educar. “Uma vez que o limite não é colocado, é quase que impossível conseguir o respeito dos filhos mais tarde”, explica. De acordo com a psicóloga, é necessário, ainda, que os pais apontem quando o comportamento está excedendo os limites e conversar com os filhos explicando quando o comportamento deles se adéqua ao de uma adulto ou ao de uma criança. “Em determinados momentos, grande parte dos adolescentes ficam perdidos quando os pais falam que são grandes pra uma coisa e pequeno para outras, mas não explicam o por quê,” explica a psicóloga. Foto|Ana Paula P. Sandim

“Mas você deveria ter medo de mim, não é Helena?!”, diz Rafaela, personagem da atriz Klara Castanho, na novela “Viver a vida”, da Rede Globo de Televisão. De acordo com a sinopse redigida pelo novelista, Manoel Carlos, Rafaela é uma criança de, aproximadamente, oito anos que age e fala como uma adulta. Sempre com uma resposta na ponta da língua, deixa a mãe, Dora (Giovanna Antonelli), de “cabelo em pé” com os comentários da adulta precoce. Quando em determinadas situações, a personagem se depara com um segredo; Rafaela não hesita em armar um ardil, ela não conhece limites. A personagem da novela, assim como muitas outras crianças no mundo, pensa já ser adulta, talvez pela liberdade que lhe é dada ou pela própria personalidade. Nos dias de hoje, crianças e adolescentes antecipam o modo de agir e de se portar como um adulto em diferentes modalidades do comportamento. As meninas escovam os cabelos, pintam as unhas, usam salto alto e os meninos já se sentem livres para saírem sozinhos e acessarem os conteúdos diversos da internet sem vigília dos pais. A estudante Luiza Fantoni, 12, não gosta de ser considerada uma criança ou uma pré-adolescente. Luiza está na 7ª série do ensino fundamental, cursa inglês, pratica vôlei e, nas horas vagas, gosta de navegar pela internet. Sempre

Andressa dos Santos Silva - 5° P Thaline Rachel Oliveira. De Araújo - 5° P Lais Cristina Sena – 5° P Natalie Boscato – 3° P Jornalismo


contramão 7 Foto: Iara Fonseca

SAÚDE

A dieta da vez pode apresentar riscos Ração Humana pode ter fatores anti-nutricionais e causar fragilidade no organismo Composta por fibra de trigo, leite de soja em pó, linhaça marrom, açúcar mascavo, aveia em flocos, gergelim com casca, gérmen de trigo, gelatina sem sabor, guaraná em pó, levedo de cerveja e cacau em pó, a Ração Humana vem atraindo atenção dos brasileiros interessados em perder peso de forma rápida. O mix natural promete afinar a silhueta e auxiliar a regularização do trânsito intestinal. Mas, de acordo com a nutricionista Daniela Amaral, a Ração Humana tem desvantagens. “A nutrição tem como adversário o modismo, as pessoas procuram uma opção milagrosa. Querem perder aqueles dez quilos que ganharam em um ano, em um mês, por isso a Ração Humana ganhou força no mercado”, explica. “Os indivíduos querem uma alternativa fácil, viável, que não exija mudanças em sua rotina. Mas isso nem sempre é a solução”, alerta.

Problemas Segundo a nutricionista, o modismo que facilita a criação de “fabriquetas de fundo de quintal”. “Pessoas sem capacitação necessária, produzindo tal alimento de acordo com receitas de internet, sem a mínima garantia de higiene”, adverte. “O produto é vendido a granel, com possibilidades de má manipulação podendo gerar contaminação e, também,

correndo o risco de serem adicionados ingredientes que não constam no rótulo do produto”, alerta. Aliado a isso, de acordo com a especialista, a mistura de muitos ingredientes podem provocar reações adversas. “A ingestão de fibras é interessante, mas, em excesso, pode reduzir outros nutrientes, o que compromete a saúde”, explica Daniela Amaral. “A modificação no cardápio alimentar, com refeições não habituais, faz com que as pessoas não sigam a dieta por muito tempo e, assim, ao invés de perder, ganha os quilinhos que ha-

viam perdido”, enfatiza.

Reeducação

O gosto amargo da Ração Humana fez a engenheira, Maria Estela Faria Daibert, 38, interromper a dieta. “A ração humana, misturada com iogurte, frutas traz saciedade, minha idéia inicial era tomar a fórmula duas vezes ao dia, pela manhã e a noite, mas apenas consegui consumir o mix pela manhã”, relata. Maria Estela passou por sucessivas dietas, mas só obteve êxito quando recorreu ao acompanhamento médico e ao programa de re-

Opinião “Não vejo resultados em meus colegas. Eu sou praticante de atividades físicas, há 6 anos, com isso tenho mais ânimo e mantenho a saúde”. (Antônio Drummond, 56, conhece pessoas que usam o mix de cereais, mas alega não sentir a necessidade incluir o produto na dieta) “Não utilizo essas fórmulas para auxiliar o emagrecimento, mas já ouvi falar da Ração Humana. A mãe do meu filho usa, porém não sei dizer se é bom ou ruim. Ela consome, mas não faz exercícios. Acredito que não seja um composto milagroso”. (Guilherme de Morais, 27, praticante de exercícios físicos intensivos, há 6 meses). “Depois que iniciei a prática de exercícios físicos minha coluna melhorou, sentia muitas dores”. (Iara Silva, moradora da Savassi, pratica caminhadas matutinas, na Praça da Liberdade, e, para auxiliar o emagrecimento, faz exercícios numa academia duas vezes por semana).

educação alimentar nos Vigilantes do Peso. ‘‘Estou ciente dos meus limites. Eu como de tudo, mas sem exageros”, garante. O representante comercial, Sebastião, 54, considera o uso da Ração Humana, aliada a exercícios físicos, um sucesso. Depois de 2 meses, ele conseguiu perder seis quilos. “Ingeria a ração com frutas, pela manhã, caminhava e controlava a alimentação”, explica. “A única coisa que não consegui eliminar foi a cervejinha do fim de semana”, brinca. Em entrevista para o jornal Contramão, João Carlos, preparador físico destacou a necessidade da união entre pratica de exercício físico e boa alimentação. “A alimentação ideal está ligada a necessidade de cada individuo, acompanhado de um preparador físico e nutricionista, que avaliam a melhor dieta para o individuo chegar ao peso ideal”. “Minha dica é procurar orientação médica, e seguir um plano alimentar. O profissional irá observar a melhor dieta e atividade física. Com o preparador físico, seguindo um plano alimentar, buscando balanceamento calórico e também associado a treino especifico.” Deste modo, o ideal é fugir das formulas mágicas que prometam milagres e recorrer ao processo que cuide da estética e ainda da saúde. Por Iara Fonseca


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Você sabe o que toda água q

Região Metropolitana tem 97% do esgoto colet vai parar n Por Daniella Lages

A água usada em nossas casas para lavar roupas, louças, tomar banho, ou, simplesmente, dar a descarga no vaso sanitário, tem um destino certo. A água que consumimos, e também a que é utilizada pela indústria, pelo comércio e por outras atividades cotidianas em nossas cidades, desce pela rede coletora da COPASA até chegar às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) mais próximas. Esse é o processo padrão – a água, e tudo o que desce com ela – é tratada e, depois retorna para a rede hidrográfica. Mas não é isso o que tem ocorrido na Região Metropolitana de BH. As ETEs recebem muito lixo dos esgotos e muita água das chuvas. O crescimento populacional e a transformação do meio urbano são grandes responsáveis pelos problemas graves de saneamento enfrentados nas cidades. De acordo com o Superintendente de Serviços e Efluentes da COPASA, Eugênio Álvares de Lima, o fato vem ocorrendo pela falta de informação. A população por desconhecer o real prejuízo, acha mais fácil jogar o lixo na rede de esgoto. Álvares conta que “diariamente, são retiradas cerca de 70 toneladas de lixo só na ETE–ARRUDAS, 30 toneladas na ETE ONÇA e o gasto com transporte desse lixo pode chegar a 800 mil reais, por ano para levar aos aterros sanitários”. E para piorar esse ce-

nário, cerca de 2,5% da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ainda não possui o esgoto coletado e este, então, é jogado, diretamente na natureza, causando poluição, enchentes, provocando doenças e infecções à população ribeirinha. A Bacia do Rio das Velhas é o maior afluente, em extensão, do Rio São Francisco, e recebe todo esgoto da RMBH. Prati- camente não existia vida nas águas do Rio das Velhas nessa região, o que fez com que o rio fosse considerado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o terceiro rio mais poluído do país, perdendo apenas para o Tietê, em São Paulo e para o Iguaçu, em Curitiba. Pensando na importância ambiental e histórica deste rio, em 1997, foi criado o projeto Manuelzão. Idealizado pelo médico e professor da UFMG Apolo Heringer Lisboa e outros membros da instituição, o projeto tem como objetivo trazer a Bacia do Rio das Velhas de volta à vida. Foram realizadas ações de mobilização da opinião pública e envolvimento das populações que vivem próximas ao rio. O projeto ganhou o apoio do Governo de Minas e de empresas que atuam na área da bacia

e, este ano de 2010 começou a ver resultados. A união desses esforços tornou possível o estabelecimento da ambiciosa “Meta 2010: navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas”. O objetivo é melhorar a qualidade da água possibilitando atividades destinadas ao abastecimento doméstico, irrigação de hortaliças e plantas frutíferas, além da criação de peixes. Para isso é necessária a eliminação total do esgoto e do lixo lançados diariamente no rio. O presidente do Comitê do Rio das Velhas e coordenador do Projeto Ma-

nuelzão, o engenheiro civil Rogério Sepulveda, explica a importância da população colaborar com a despoluição “O mais importante, são as atitudes coletivas da população de cobrar, incentivar e acompanhar o processo de revitalização do rio”. Mas você sabe o que nós cidadãos podemos fazer para ajudar ? O que podemos fazer? Segundo Eugênio Ál-

vares, três processos encarecem muito o sistema, manutenção e gestão do tratamento sanitário. “A primeira delas são as águas pluviais que são jogadas, indevidamente, no sistema de esgoto”, explica. “A rede da COPASA não está preparada para receber as águas de chuva, por isso quando chove, muitos bueiros transbordam. A chuva aumenta em mil vezes a vazão da água

n a rede de esgoto”, conclui. Esta água deveria ir para as galerias pluviais da COPASA, ou como outra alternativa, a mais inovadora segundo Rogério Sepulveda, seria nós mesmos armazenarmos esta água para reutilização em nossas casas. Outro problema apontado por Álvares é a areia que fica na rua, proveniente das construções civis. “É muito nociva essa areia, pois, quando chove, ela desce e vai parar nas ETEs. Temos muito trabalho para separar e retirar essa areia


e acontece com que usamos?

contramão 9

tado e tratado, mesmo assim muito lixo ainda nos esgotos

Nesse tanque existem colônias de bactérias que limpam a água. A espuma formada pelo óleo mata essas colônias, que demoram a se reconstituir, chega a atrasar em até 60 dias o recomeço do tratamento. “Além de prejudicar as redes coletoras. O óleo entope as redes da mesma forma que o colesterol entope nossas veias”, ressalta Eugênio. Além do óleo, outros detritos que precem insignificantes individualmente, também causam grandes danos: “aquela guimba de cigarro que o seu amigo joga na rua, nós temos que ir lá e recolher esse lixo da água”, explica. Isso sem contar os objetos mais inesperados que caem nas redes coletoras. Um espa-

Infográfico | www.copasa.com.br

da água” explica Álvares. O terceiro problema e o mais conhecido é o lixo, que além de prejudicar as redes, dificulta o tratamento. Entre os diversos elementos prejudiciais, um dos maiores vilões e o óleo de cozinha. Esse óleo tem a densidade maior que a da água e quando chega à ETE forma uma espuma no tanque decantador.

ço dentro da ETE Arrudas expõe estes objetos que vão de calça jeans, colchões, sofás, e utensílios domésticos. E a meta do projeto Manuelzão? Além de chamar a atenção para o problema da qualidade da água do rio das Velhas, a iniciativa já é um sucesso. E o coordenador Rogério Sepúlveda ressalta que o projeto não acaba em 2010. “Já recuperamos 60% do rio, falta muito, mas continuaremos a trabalhar até termos o rio limpo de novo” afirma. Depois de 13 anos, desde as primeiras ações do projeto Manuelzão, finalmente foi constatada a presença de peixes

c o m o o dourado, surubim e matrinxãs de volta ao Rio das Velhas; peixes que antes eram tidos como extintos devido à poluição. “Estamos muito perto de termos de volta o rio cheio de vida, para isso, precisamos muito da colaboração da população”, salienta Sepulveda. Eugênio Álvares concorda com Sepulveda nesse sentido e ainda reforça: “hoje já temos peixes nadando em Sabará e a população não dá valor a isso. Existe também uma deficiência dos órgãos públicos de fazer agregar valores junto a COPASA” conclui Álvares. Colaborar com o meio ambiente é uma forma de termos qualidade de vida e o planeta agradece, por

isso, temos sempre que pensar antes de jogar um papelzinho de bala, uma guimba de cigarro, ou qualquer outro tipo de lixo na rua. COMO FUNCIONA A COLETA DE ESGOTO E O TRATAMENTO DA ÁGUA Belo Horizonte, hoje, é a única capital do Brasil a tratar o esgoto de forma secundária. No tratamento primário, 70% dos resíduos são retirados, já no secundário, pode-se retirar até 96% da sujeira da água. Toda água que usamos vai para a rede de coleta da COPASA. Essa rede leva a água para as ETEs onde começa a limpeza. Entenda como no infográfico. Confira o inforgráfico completo no site: contramao.una.br

Infográfico: A – Tratamento Preliminar B – Emissário de concreto Armado C – Decantador Primário D – Reator Biológico E – Decantador Secundário F – Elevatória de Retorno de Lodo G – Elevatória do lodo Secundário Excedente H – Prédio dos Sopradores I – Adensadores por gravidade J – Digestores Anaeróbicos K – Desidratação mecânica L – Queimador de Gás M – Aterro de resíduos do Tratamento Preliminar N – Aterro do lodo Desidratado O – Subestação Elétrica Abaixadora P – Prédios administrativos: Laboratório, Refeitório e Oficina


10 contramão Montagem realizada a partir de foto divulgação

MÚSICA

Nos embalos das tardes de sábado

Há cinco anos, os amantes da Soul e da Black Music invadem o quarteirão da Goitacazes com São Paulo, no centro de BH. Saiba como tudo começou Sábado, começo da tarde, em Belo Horizonte. Uma caminhada pela região central da cidade é interrompida por vocais poderosos de James Brown: “Whoa-oa-oa! I feel good, I knew that I would,now/ I feel good, I knew that I would, now/ So good, so good, I got you”. A Black Music invade o cruzamento das ruas Goitacazes e São Paulo, no centrão, há cinco anos, reunindo os amantes deste estilo musical de ambos os sexos, das mais variadas idades, classes sociais e estilos.

Caravan 86 Tudo começou de forma inusitada. Valdeci Cândido, o Abelha, comprou CD músicas dos anos 70, do lavador de carros Geraldo dos Santos que trabalhava na rua dos Goitacazes, há 35 anos, e o testou no som do carro, uma Caravan ano 86. Abelha abriu a porta traseira e

deixou a música ressoar pelo quarteirão. Em pouco tempo, as pessoas que passavam por ali começaram a dançar. Dentre esses pessoas, estava Ronaldo Black, um dançarino de Soul Music, que exibiu o seu swing profissional. Desde então, o local passou a ser o Quarteirão do Soul, o nome foi dado por Geraldo e assim ficou.

Embalos Hoje, Abelha e Geraldo se revezam no comando da festa. Sobre uma mesa comum, Geraldo coloca as suas pickups e, empilhados, uma pequena amostra de um acervo de quase dois mil long-plays, os famosos LPs ou bolachões. Quando é o Abelha quem assume o posto de mestre de cerimônia, a atração passa a ser a veterana Caravan 86. Com essa aparelhagem improvisada os maiores clássicos da black music são revividos, por horas a fio, nos embalos das tardes de sábado.

Os hits de James Brown estão no topo das mais pedidas. Rapidamente, o quarteirão vai ficando lotado. Pessoas que moram em bairros distantes, na Região Metropolina de BH, comparecem à festa para fazer uma única coisa: dançar. Pedestres e curiosos se divertem ao ver este desfile de alegria e estilo.

Movimento O Mr Black é uma personagem fácil de ser reconhecida, sempre vestido à caráter ele é frequentador assíduo do Quarteirão do Soul. “Este encontro é muito importante, porque traz um momento de distração para o corre-corre do dia a dia. Muitas pessoas se vestem o blazer, usam chapéu e sapatos de várias cores e preparam coreografias para se apresentarem na rua”, revela, “aparecem aqui, pessoas que trabalham em locais próximos ao quarteirão, moradores de rua e, até mesmo, as famílias dos dançarinos”, informa.

Mais conhecido como Mr Dinamite, o “padrinho do soul”, iniciou a carreira nos anos 1950, com o lançamento do álbum Try Me. Durante a década de 60, Brown lançou canções como “Papa’s Got a Brand New Bag”, “I Got You (I Feel Good)”, “Get Up (I Feel Like Being a Sex Machine)” e “I’m Black and I’m Proud”. Abandonado aos quatro anos por seus pais e deixado aos cuidados de parentes e amigos, James Joseph Brown Jr. cresceu nas ruas de Augusta (Geórgia), onde cantava e dançava para pagar por sua vaga no quarto de um bordel. James Brown além de cantor, era, também, compositor e produtor musical ficou conhecido como uma das figuras mais influentes do século XX, no cenário musical. Sua imagem chegou a ser registrada em alguns filmes, dentre eles “Os irmãos cara de pau”, do diretor John Landis.

Assista ao trailler do filme “Os irmãos cara de pau” (BLUES BROTHERS, 1980) no site do contramão: http://contramao.una.br

Por Natalie Boscato

Foto divulgação

JAMES BROWN (1893-2006)

A comerciante Helena Soares, 50 anos, presenciou pela primeira vez a festa do Quarteirão. “Estou impressionada com o que vejo. É tanta beleza, tanta alegria, que me lembra o tempo em que eu e o meu falecido marido íamos a festas black”, conta. A comerciante relembra as medalhas e os troféus que ela e o marido ganharam na antiga boate Orion, dedicada ao gênero e que, hoje, só existe na memória. Além do “Quarteirão do Soul”, há outros eventos de Black Music que o grupo organiza, como, por exemplo, o Baile da Saudade, em Venda Nova. Hoje, já se tornou um movimento mais consistente e organizado e é referência desse estilo musical na região: comemoram os aniversários do mês, fazem excursões levando o Quarteirão do Soul para cidades do interior do Estado.


contramão 11 Fotos|Ana Paula P. Sandim

A Praça Diogo de Vasconcelos, a popular Praça da Savassi, está localizada na confluência das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas, e das ruas Pernambuco e Antônio de Albuquerque. O lugar é conhecido como sendo o coração da Savassi e é ponto de encontro de diferentes gerações e tribos urbanas. Atualmente, a praça também é o “ninho” de procriação de ratos, baratas, moscas e demais insetos devido à quantidade de lixo que é despejada ali todos os dias por lojistas, pelos moradores e por pessoas que passam ali todos os dias. Moradores e freqüentadores da região reclamam da sujeira do lugar e do incômodo causado pelo mau cheiro da praça do “lixão” que se forma ali. A estudante Ana Carolina, 17, acredita que o trabalho desempenhando pela Superintendência de Limpeza Urbana é insuficiente para a demanda

CIDADE

O lixão da Savassi

O acúmulo de lixo e dejetos no coração da Savassi causa transtornos para a população e mau cheiro.Especialista orienta sobre a necessidade da coleta seletiva de lixo. “Há poucas lixeiras para coleta seletiva”, enfatiza. Já a empresária Mercedes Ferreira, reclama do aumento crescente de insetos e de ratos. “Em período de chuva, é comum o alagamento das ruas, pois o lixo acumulado entope os bueiros”, acrescenta. O analista de meio ambiente, Carlos Geraldo Vieira, 50, explica que a praça passou a oferecer as condições de sobrevivência e proliferação dessas pestes urbanas devido à falta de coleta seletiva dos resíduos orgânicos e dos demais resíduos. “Isto favorece a reprodução dos roedores, pois disponibiliza para a ninhada uma fonte de alimentação”, e continua, “a segregação do

lixo por meio da coleta seletiva minimizaria a disponibilidade da fonte de alimento, contribuindo para reduzir o número dos indivíduos de uma população de ratos”, ensina.

Superintendência de Limpeza Urbana O gerente de limpeza urbana (SLU), da regional centrosul, Denilson Pereira de Freitas, explica que, diariamente, são retirados de 40 a 50 toneladas de lixo em toda a região da Savassi. “A varrição é feita de domingo a domingo duas vezes por dia de 7h às 16h e, no período da noite, das 22h às 6h, além da coleta diária que

ocorre às 20h”, informa. De acordo com Freitas, os lojistas dificultam o trabalho da SLU pois deixam o lixo exposto durante todo o dia em horários diferentes dos da varrição. Além dos mendigos e catadores de papel que, de acordo com o gerente, “espalham sujeira além de jogar lixo fora dos devidos lugares”. A SLU mantém 120 lixeiras na região, que são esvaziadas, todos os dias, durante a varrição. Denilson Freitas explica que a superintendência também promove campanhas de mobilização e conscientização da população por meio de teatros nas ruas, frases colocadas nas lixeiras e propagandas educativas na televisão. Para a vendedora Claudia Cristina, a responsabilidade pela sujeira deve ser estendida ao próprio cidadão que não cuida do patrimônio e joga resíduos pelas ruas. Por Henrique Muzzi

Fotos|Ana Paula P. Sandim

As cenas acima se repetem em outros pontos da cidade, confira nossas matérias e galerias relacionadas ao assunto no site: contramao.una.br


Conheça 12 contramão

as caras do

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Ana Sandim

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Dani Pinheiro

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Marcus Ramos

Contramão On-line vence Expocom

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Débora Gomes

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O Contramão On-line foi premiado como o melhor site produzido por um curso de Jornalismo da Região Sudeste. Concorrendo com representantes de MG, RJ, SP e ES, conquistamos o EXPOCOM 2010 Sudeste na categoria site jornalístico, mostrando, assim, a qualidade dos materiais produzidos pelos alunos de Jornalismo Multimídia, do Instituto de Comunicação e Artes (ICA) do Centro Universitário UNA. O site foi apresentado pela ex-estagiária, Natália de Oliveira, no evento realizado na Universidade Federal do Espírito Santo. O EXPOCOM é promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e, anualmente, premia os melhores trabalhos experimentais realizados por alunos de graduação.

contratado Henrique Muzzi

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É uma grande vitória para o curso e para o Contramão On-Line que tem apenas um ano de existência. O trabalho do site segue a linha do projeto pedagógico do curso, dando ênfase a uma articulação teórica e prática em Jornalismo Multimídia. Com a aposta na cobertura diária hiperlocal e convergente, indica rumos para o próprio mercado de jornalismo, em Minas Gerais.

Prof ª. Tatiana Carvalho

No mês de setembro, o Contramão Online irá concorrer, também, à premiação nacional, no congresso da Intercom, em Caxias do Sul (RS). Para essa etapa, contamos com a torcida de todos os alunos, professores e, principalmente, a comunidade hiperlocal. Continuem acessando nosso site contramão.una.br!

Prof. Reinaldo Maximiano

Contramão no. 11  

- Entrevista com Sebastião Nery -Ser Criança ou ser adulto -Nos embalos das tardes de sábado -Você sabe o que acontece com a água que usamos...

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