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PRÁXIS TEOLÓGICA O lugar da fé e das obras na experiência cristã. P. 11

ENTRELINHAS Uma análise de como Jesus tratava as pessoas. P. 7

EDUCAÇÃO A função da escola de educar para a solidariedade. P. 10

Foto: Márcio Tone,

Dados do IBGE divulgados em 2009 revelam que cerca de 800 mil pessoas passam fome ou estão em situação de desnutrição no Rio Grande do Sul. Mas esta é apenas uma pequena fa!a do problema. Programas governamentais estão em curso na tenta!va de mudar um panorama que, segundo a ONU, afeta um sexto da população mundial. Para reverter o cenário de miséria, o País conta com esforços vindos de todos os setores da sociedade. A meta é ousada: erradicar a fome até 2015. Este obje!vo desaÞa não apenas os governos, mas também cada cidadão a fazer mais pelo seu semelhante. Conheça a história de Eva Silva, 79 anos, que já tem dado a sua parcela de contribuição, abastecendo a comunidade onde mora com cerca de duas toneladas de alimentos todos os anos. P. 8 e 9

Como vencer o cigarro em 5 dias

Conheça o trabalho de uma das organizações não-governamentais mais conÞáveis do mundo na entrevista com Günther Wallauer, diretor da Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) para toda a América do Sul. P. 3

P. 6

O Brasil da “melhor idade”

Doya Oliver

Entrevista

Foto: Felipe Lemos

Cerca de 360 mil pessoas já se libertaram do cigarro por meio do curso “Como deixar de fumar em cinco dias”, uma inicia!va desenvolvida há aproximadamente cinco décadas no Brasil pela Igreja Adven!sta e que mantém um índice de aproveitamento de 85%. Saiba mais sobre esse método empregado no combate ao tabagismo. P. 4 e 5

Família De+

Foto: Márcio Tone,

O dom da solidariedade

O Censo DemográÞco 2010 divulgado no Þnal de novembro pelo IBGE revela que o Brasil já totaliza 23.760 idosos com mais de cem anos. Conciliar idade e saúde, entretanto, con!nua sendo o maior desaÞo para os brasileiros. ConÞra algumas dicas para manter uma boa performance nesta fase da vida. P. 14 e 15


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C!"#$%#!, dezembro de 2010

OPINIÌO L!"#$" L!%&! M'#()* T*%"$$) Formado em Jornalismo. Assessor de Comunicação da Associação Central Sul-Riograndense

Con!lito de valores A lógica capitalista que impregna o mundo desde o século XVI torna di1icultosa a compreensão da máxima bíblica de que para ser grande é preciso servir. Somos absorvidos em grande parte pelo sistema socialmente injusto, economicamente insaciável, intolerante com os “fracos” e que não se sensibiliza com o fato de que, para ganhar, alguém, em algum lugar, tenha que perder. Boa parte da massa que lota as igrejas na contemporaneidade e que se esparrama em poltronas confortáveis dentro de templos suntuosos sente-se desconfortável diante das palavras de Jesus: “[...] o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:27 e 28). A realidade é que muitos vão à igreja para receber (mais dinheiro, mais saúde), com o pensamento de obter vantagem, desconsiderando que “[...] mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35). É interessante como as reações diante das pressões externas à fé são caracterizadas por atitudes diversas dentro do cenário cristão. Alguns, sem muita di1icul-

H"#,"#$ G#-,"# Diretor-Þnanceiro da Igreja Adven'sta para a região central do Rio Grande do Sul

O caminho mais curto para o sucesso A arte de liderar é fazer com que as pessoas façam aquilo que você quer porque elas desejam fazer. Talvez seja por esse motivo que liderar é uma arte. As pessoas exercem suas atividades por algum motivo. Por mais insigni1icante que seja a ação, ela foi motivada por algo ou por algum interesse. No âmbito pro1issional é da mesma forma. Os pro1issionais realizam suas atividades por um motivo especí1ico. Na grande maioria das vezes o motivo é a necessidade de recursos para sobreviver. No entanto, este é um motivo muito comum que por sua vez induz as pessoas a fazerem coisas comuns. Mas o que fazer para que as pessoas façam além do que é comum e tenham um desempenho acima da normalidade? É um questionamento interessante uma vez que você não tem poder para mudar as pessoas e que cada indivíduo é responsável por suas próprias mudanças. O ser humano é movido por fatores motivacionais internos e externos. Assim podemos diferenciar pes-

“Fosse a religião bíblica apenas retórica não se teria dito: a fé sem obras é morta”

“Qualquer pessoa pode exercer suas atividades sem depender que outros a motivem a fazê-las”

dade, deixam-se levar pelo sincretismo, amalgamando a fé aos novos valores. Criam uma fé híbrida. Outros, diante do confronto, batem em retirada e vivem uma fé reclusa, na tentativa de evitar ceder à pressão. Partem para uma vida enclausurada, distante das pessoas, num mundo à parte. A premissa básica do cristianismo é a rejeição do mundo. Mas nenhuma das duas atitudes elencadas anteriormente traduz esse conceito. Antes, contradizem-no. Rejeitar o mundo signi1ica desvencilhar-se de sua máxima moral. Não tem nenhuma relação com comportamento anti-social. O exemplo de Jesus Cristo é muito claro nesse sentido. Quebrou preconceitos, se aproximou do povo e, nesse intercurso com os marginalizados, exerceu in1luência por palavras e ações. Preencheu as necessidades primeiramente com ações e depois com discurso. Fala-se muito em cristianismo prático e isso soa quase como um pleonasmo. Fosse a religião bíblica apenas retórica não se teria dito: “[...] a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).

soas auto-motivadas das pessoas motiváveis. Automotivação é a capacidade de motivar a si mesmo para encontrar uma razão e a força necessária para fazer algo, sem a necessidade de ser in1luenciado a fazê-lo por outra pessoa, trabalhando de uma forma consistente, sem desistir. O auto-motivado não precisa de fatores motivacionais externos para exercer suas atividades com mais dedicação. Ele, em sua natureza, já possui uma animação su1iciente para exercer suas habilidades e atingir os objetivos a que ele mesmo já se propôs. Os que não são auto-motivados precisam ser in1luenciados por outras pessoas para encontrar uma razão para fazer algo. É possível uma pessoa se tornar auto-motivada? Sim, qualquer pessoa pode exercer suas atividades sem depender que outros a motivem a fazê-las. Basta estabelecer objetivos pessoais em sua vida e lutar por eles; estabelecer metas e planos a serem conquistados, independente do que aconteça ao seu redor, e trabalhar para alcançar suas metas pessoais. O caminho mais curto para o sucesso é através da auto-motivação.

Direção Geral: Moisés Ma&os Direção Execu+va: Herbert Gruber Diretor de Jornalismo: Laerte Lanza

Editor-chefe: Márcio Tone( Diagramação: Andréia Moura InfograÞa: Andréia Moura Arte: Rosângela Barragan Quadrinista: Doya Oliver Impressão: Mídia GráÞca – Grupo RBS

Tiragem: 10 mil exemplares Periodicidade: bimestral Contato: (51)3375-1600 e-mail: jornalcomtexto@adven'stas.org.br Periódico da Associação Central Sul-Riograndense da Igreja Adven'sta

Formado em Teologia e Jornalismo. Secretário da Associação Central SulRiograndense

Carta ao leitor Em época de 1im de ano sempre ouvimos falar de campanhas e projetos que ajudam a milhares de pessoas a terem um Natal melhor. Sempre que posso ajudo com minhas doações, também. Mas, outro dia um amigo me disse: você acha que sua ajuda fará diferença? Honestamente, não, respondi. Mas pre1iro cultivar uma mente solidária sabendo que na soma das doações muitos terão o que comer neste Natal. Mas, aquela pergunta me perturbou um pouco e me fez pensar como é di1ícil cultivar um espírito solidário e quão fácil é ignorar aqueles que precisam. Saber que do outro lado tem um ser humano como eu e que precisa de ajuda deve me mover a ajudar sempre. Alguns ajudam sem pensar, sem sentir, sem amar. Motivados por um impulso do momento, contribuem apenas para serem notados. Um ato egoísta e nada mais! O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, morto pelo nazismo, considerava que somente pelo fato de saber que Deus se tornou humano é possível compreender e não desprezar a ninguém. Essa é a motivação correta para a formulação do conceito de solidariedade. A benevolência ganha agora alguma profundidade teológica. Não é simplesmente um gesto nobre de uma pessoa responsável, nem um serviço paternalista oferecido por alguém que faz o bem para aqueles que estão desprovidos de algo. É uma verdadeira imitação de Cristo que amou a cada ser humano e se dispôs a dar tudo o que tinha – a própria vida. Nesta edição do Comtexto queremos reforçar este princípio – ajudar por amor a quem Deus amou primeiro – e, em retribuição, que você tenha um Feliz Natal e um 2011 repleto das bênçãos de Deus.


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ENTREVISTA

perguntas à...

Günther Wallauer Diretor da ADRA (Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) na América do Sul. treinamentos para a resposta de emergência oferecidos pela Defesa Civil.

Foto: Felipe Lemos

Como a ADRA se mantém Þnanceiramente?

Escritório da ADRA em Brasília (DF) coordena ações humanitárias em oito países sul-americanos Como prestar ajuda humanitária sem cair no assistencialismo? Wallauer– Talvez a melhor maneira de evitarmos cair no assistencialismo é revermos nossos motivos. O que está por detrás de nossa atuação? Desejamos ser instrumentos apenas para uma transformação momentânea, passageira na vida das pessoas, ou nossa atuação motivará o desenvolvimento? A atuação no desenvolvimento requer mais investimento de uma pessoa, de uma organização, de um doador, de um governo. Alcançar o crescimento de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade exige mais de nosso tempo, de nossos talentos e de nossos recursos /inanceiros. Em 1997 a ADRA recebeu o Status Consul!vo Geral das Nações Unidas. A par!r de então, que contribuições esse reconhecimento trouxe para a en!dade? Wallauer – Isto veio a con/irmar que o trabalho da ADRA

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no mundo é sentido, apreciado e respeitado não só pelos doadores, mas, acima de tudo, pelos bene/iciários cujas vidas foram salvas ou transformadas. Esse reconhecimento dá mais força ao trabalho da ADRA. Aumenta ainda mais a responsabilidade de implementar programas com transparência, honestidade, imparcialidade, buscando a excelência. Também ajuda a potenciais doadores a ver a ADRA como uma agência con/iável e nos escolher para ser seus parceiros. Qual é a imagem da ADRA hoje perante a comunidade internacional? Quando acontecem catástrofes, como o terremoto no Hai!, ou as enchentes que assolaram neste ano Alagoas e Pernambuco, a ADRA costuma ser acionada para ajudar a prestar socorro às ví!mas, ou seja, os governos já sabem que podem contar com a ajuda da agência? Wallauer – O “r”de ADRA é a palavra em inglês “relief”, que quer dizer “alívio” e que traduzimos como “recur-

sos” em português. As ações da ADRA nas emergências envolvem vários tipos de recursos. A ADRA tem uma boa imagem no cenário internacional, pois, onde está presente, quando acontecem emergências procura atuar na resposta a estas emer-

“Mesmo num mundo onde o egoísmo aparentemente reina, encontramos ainda muitas pessoas que se sensibilizam pela necessidade do seu próximo” gências. E isto é con/irmado quando entidades doadoras con/iam seus recursos para a ADRA. No Brasil, a ADRA é bem conhecida pela Defesa Civil em muitos estados porque já atuamos em conjunto com os governos municipais e estaduais. Participamos de

Wallauer – A ADRA é mantida através de duas fontes: a primeira é a própria Igreja Adventista, que mantém os líderes da ADRA, ou seja, seus diretores nos países. Entretanto, como a natureza do trabalho da ADRA é desenvolver projetos, podemos dizer que ela é mantida pelos projetos aprovados e que são /inanciados pelos doadores destes projetos, sejam eles o poder público, a iniciativa privada e as pessoas /ísicas. Escândalos e casos de corrupção no Brasil, observados nos úl!mos anos, envolveram até mesmo en!dades nãogovernamentais, acusadas de par!ciparem de esquemas fraudulentos. Que ações de transparência a ADRA costuma pra!car e a que você atribui o fato de ela ser considerada uma das en!dades mais conÞáveis do mundo? Wallauer – Como uma agência cristã, a ADRA procura seguir os padrões de honestidade e transparência em todas as suas ações. Nos preocupamos não somente em gastar os recursos dos projetos de forma correta, mas procurando que todas as metas de cada projeto sejam cumpridas. A ADRA e seus projetos passam por auditorias internas e externas. Empresas especializadas como a Price Waterhouse & Coopers auditam projetos da ADRA. No Brasil, o poder público também audita os projetos /inanciados pelo governo e temos recebido elogios pela maneira pro/issional e séria

como tratamos os recursos con/iados à ADRA. Num cenário social tão individualista no qual estamos inseridos, é di"cil encontrar pessoas dispostas a abrir mão de muitos sonhos para viver uma vida de abnegação em prol de outros seres humanos? Wallauer – Creio que existem pessoas dispostas a contribuir com o bem do próximo, mas que desconhecem oportunidades para fazê-lo. Devemos desenvolver mecanismos e projetos onde as pessoas /ísicas possam contribuir. À medida que captarmos estes recursos e prestarmos relatórios de como eles são utilizados e do impacto na vida de crianças, jovens e adultos, creio que podemos crescer no número de doadores particulares para nossos projetos. Mesmo num mundo onde o egoísmo aparentemente reina, encontramos ainda muitas pessoas com amor no coração e que se sensibilizam pela necessidade do seu próximo. Para quem deseja servir como um voluntário da ADRA, qual o caminho a seguir? Wallauer – O trabalho da ADRA é cada vez mais técnico. Portanto, um voluntário também tem que estar preparado para servir na ADRA. Ter alguma quali/icação, algum talento especial como, por exemplo, na área de comunicação, computação, etc.. Outro aspecto muito importante é a questão de falar uma língua estrangeira, de preferência o inglês, depois o espanhol e o francês. E o passo prático é enviar o seu currículo para o escritório da ADRA do país onde reside para que seja conhecido.


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SAòDE

O !im do vício

Metodologia do curso

“Como deixar de fumar em cinco dias” Conscientização

O passo inicial é a conscien&zação. Geralmente, a reação que os par&cipantes do curso têm diante das informações apresentadas é de que pouco sabiam a respeito dos prejuízos do fumo para a saúde. Esse “susto” é importante enquanto es'mulo para despertar o desejo de sair do vício. Mostra-se também de forma lógica e obje&va como a nico&na age no organismo humano. Essa etapa parte do seguinte princípio: só depois de entender o porquê das coisas o fumante agirá corretamente.

Paralelamente aos encontros cole&vos, o fumante leva pra casa também um programa de desintoxicação orgânica, es&mulando-o, assim, a ser um sujeito a&vo no processo. Isto inclui exercícios como: tomar dois banhos por dia (para evitar que a nico&na expelida durante a transpiração seja reabsorvida pelo organismo); ingerir, no mínimo, dois copos de água por dia; ter um desjejum rico em frutas e aveia (a aveia, por exemplo, rica em Þbras, funciona como uma vassoura, limpando o organismo); tomar sucos cítricos (substâncias químicas con&das no cigarro consomem rapidamente algumas vitaminas do corpo, entre elas a vitamina C; nesse caso, sucos cítricos ajudam a repô-la).

Lição de Casa

em 5 dias

Foto: www.sxc.hu

Apoio Emocional

Investe-se no sujeito, no sen&do de mostrar que ele não pode se auto-limitar, que precisa acreditar em si mesmo para conseguir abandonar o vício. O fumante precisa saber que é possível deixar o cigarro.

Depois que a pessoa deixa de fumar: 20

Após minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal;

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Após horas, não há mais nico&na circulando no sangue do exfumante; Após horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza;

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Após a horas, os pulmões já funcionam melhor;

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gismo no Brasil. A iniciativa pioneira empreendida pela Igreja Adventista em território nacional consistiu, inclusive, numa in0luência importante para a criação de políticas públicas de combate ao tabagismo, além de inspirar tratamentos oferecidos no sistema público de saúde. Segundo Duarte, a partir da metodologia empregada (veja o infográ0ico na página seguinte) – que contempla etapas de conscientização e aplicação prática do programa de desintoxicação sugerido - 85% dos participantes abandonam o cigarro. Mas um dos principais fatores que o distingue de outros programas terapêuticos é o entendimento de que a espiritualidade é uma dimensão imprescindível a ser trabalhada na luta contra o vício. A fé é capaz de preencher os traumas e o vazio deixados pela droga, restabelecendo funções no cérebro (veja, no infográ0ico, como a fé age nesse processo), conforme destaca Roman Oresko, palestrante no curso há 29 anos e responsável pela comunidade terapêutica Revive, em Gravataí (RS). O que antes era uma questão de fé, hoje pode ser explicado pela própria ciência.

A nico&na é uma das drogas que exigem maior frequência, repe&ção. Como o viciado sente a necessidade de estar sempre com cigarro na boca, uma das maneiras de aplacar a ansiedade que ele sen&rá ao deixar de fumar nos primeiros dias é subs&tuir o cigarro por outro elemento. Par&ndo desse raciocínio, o curso sugere prá&cas como: tomar água ou suco sempre com um canudinho; mascar cravo da índia ou alguma bala; colocar gelo na boca. O gelo, por exemplo, ao entrar em contato com as papilas gusta&vas na língua possibilita que sejam enviados es'mulos para o cérebro, reduzindo o desejo de fumar.

Lidar com a Abstinência

A fé é capaz de preencher os traumas e o vazio deixados pela droga.

em que estava nervoso fumava até mais”, conta. Um raio-x, gerado recentemente, mostrou os efeitos desse hábito alimentado durante todos esses anos. “Meu pulmão não aparecia mais no meio da fumaça. Era tudo uma coisa só. Sofria muito com falta de ar. Queria parar, mas não conseguia”, conta o morador de Esteio, de 60 anos, que se aposentou em função de um en0isema pulmonar. Há alguns meses, entretanto, seu Donário ouviu falar de um curso antitabagismo que seria realizado na cidade onde reside e decidiu fazer mais uma tentativa. Resultado: desde então não colocou mais cigarro na boca. Não fuma há dois meses. “Me sinto outro homem. Melhorou a respiração, não preciso mais tomar remédios caros que eu tomava todo dia”, resume. O programa do qual participou o morador de Esteio é realizado pela Igreja Adventista há décadas no Brasil. “Cerca de 360 mil pessoas já deixaram de fumar por meio do curso”, estima João Batista Duarte, que realiza palestras no programa “Como deixar de fumar em cinco dias” há 50 anos e é também assessor do Ministério da Saúde para controle do taba-

Espiritualidade

Nos últimos 20 anos o número de fumantes no Brasil caiu 45%, segundo a Pesquisa Especial de Tabagismo divulgada em agosto de 2010 pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Mesmo assim, o País amarga a preocupação com as cerca de 25 milhões de pessoas que ainda estão presas ao vício. A despeito da luta travada ao longo dos anos contra a indústria do cigarro e das conquistas decorrentes dessa queda de braço, a exemplo das restrições em propagandas, algumas condições ainda favorecem esse cenário. Não poderia 0icar de fora da lista o fato de que o cigarro vendido no Brasil é o 6º mais barato do mundo. O tabagismo tem custado caro para a nação. De acordo com dados do Inca, ele acarreta cerca de 200 mil mortes anualmente no Brasil. Como se não bastasse, onera ainda os cofres públicos e sobrecarrega o sistema público de saúde. Cerca de 8% dos gastos com internação e quimioterapia no SUS (Sistema Único de Saúde) são atribuídos a doenças relacionadas ao consumo do tabaco. Seu Donário Lacerda lutou durante 49 anos contra o vício. Fumava uma carteira por dia. “Nos dias

Fonte:

Estudos cien'Þcos apontam para a existência de um lugar no cérebro que a pessoa u&liza para conversar com Deus. Toda vez que essa região especíÞca (chamada também de “módulo divino”) entra em ação, es&mula a produção de dopamina, substância responsável pela sensação de bem-estar. Descobriu-se que algumas substâncias, principalmente as drogas, interferem nesta região induzindo a injeção forçada de dopamina no sangue. Com o tempo, aqueles es'mulos que antes levavam naturalmente à produção de bem-estar (a fé, o bom relacionamento familiar, o sexo, a sa&sfação no trabalho) não têm mais efeito. O es'mulo Þca condicionado apenas ao uso de drogas. Portanto, quando ele pára de usar droga, entra, por vezes, em depressão. O apego à fé, portanto, pode preencher esse vazio e resgatar a estabilidade na produção de dopamina, levando novamente a uma sensação de relaxamento e sa&sfação produzidos naturalmente.

João Ba) Roman Oresko

sta Duart e

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Após dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida;

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Após semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora;

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Após ano, o risco de morte por infarto do miocárdio já foi reduzido à metade;

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Após a anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram. Fonte: Ins&tuto Nacional de Câncer.


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Doya Oliver

QUADRINHOS


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Foto: Márcio Tone)

ENTRELINHAS

O tema “Jesus e seu ministério” já foi objeto de estudo e composição para milhares de obras ao redor do mundo e no decorrer da história. A maioria delas está detida mais em aspectos teológicos como: a divindade de Cristo, sua concepção virginal, seus milagres e sinais, dentre outros. Todavia, poucas foram destinadas a avaliar o aspecto comportamental de Jesus, ou mesmo a forma como Ele tratava as pessoas. A obra “Como Jesus tratava as pessoas”, de Morris Venden, nos leva a re.letir seriamente sobre a forma com que tratamos as pessoas hoje. Venden explora o comportamento de Jesus de uma forma singular e consegue chamar a atenção do leitor para a essência do ministério de Cristo: o amor. O autor destaca com consistência episódios onde Jesus

A!"#$%&! R'(&% Pastor da Igreja Adven&sta em Vacaria/RS

esmiuçou os grilhões do preconceito e da discriminação. Histórias como a de Zaqueu (um publicano corrupto que roubava seus compatriotas), da mulher adúltera, dos dez leprosos, dos endemoninhados, nos fazem pensar sobre o carinho do mestre em receber as pessoas, não importando quem sejam ou o que façam. Por que Jesus fez isso? Por que Ele curava as pessoas? Porque Ele queria que todos soubessem que Ele tem poder na Terra para perdoar pecados. Jesus fez dos pecadores Seus melhores amigos na Terra. Sobre isso, não podemos discordar de Venden, pois Ele quebrou os paradigmas perversos de uma sociedade dominada pelos maus-tratos e indiferença ao próximo. Buscou alcançar os marginalizados. De.initivamente, Ele andou na contramão

do mundo, impressionando milhares de pessoas com suas palavras, destruindo assim os ensinos dogmáticos preconceituosos dos “mestres da lei” de sua época. Venden a.irma que: “A boa-nova, porém, é que Jesus não odiou os ladrões. Ele amava os mercadores e amava os cambistas. Ele amava os líderes religiosos”. A tônica da obra é que Cristo está de braços abertos para receber aqueles que se achegarem à Ele. “O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). O amor é a força motriz, ou seja, é o impulso que nos move a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Todo o processo que levou à grande vitória de Cristo na cruz foi permeado por amor. Então, surge a pergunta que deveríamos fazer a nós mesmos: Como eu tenho tratado a Jesus?


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ESPECIAL

O dom da solidariedade Quem chega à casa de Eva Silva, ou simplesmente “vó Eva”, como é conhecida a senhora de 79 anos, moradora de Alvorada (RS), encontra um ambiente simples e espaço exíguo. A casa não tem forro e as cortinas são improvisadas. “Não me importo com isso, não vou levar nada desse mundo”, a-irma a aposentada. Dona Eva não tem pretensões materialistas. Prefere exercitar seu dom: a solidariedade. Compartilha tudo o que tem, até o pouco que recebe de aposentadoria – e garante que não sente falta de nada. Há alguns anos ela repete a proeza de arrecadar cerca de duas toneladas de alimentos para distribuição junto a famílias pobres da cidade. Em época de Natal, o espaço já reduzido ocupado pela sala, quarto e cozinha, -ica lotado de cestas básicas, devidamente decoradas com acessórios natalinos. Dona Eva é uma das colaboradoras do projeto Mutirão de Natal, coordenado pela ADRA (Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) e realizado em oito países sul-americanos. Em 2009, com o apoio de empresas, do poder público e de instituições adventistas como as igrejas, escolas e hospitais, o projeto arrecadou 5.387,6 toneladas de alimentos que bene-iciaram milhares de pessoas nos países participantes.

2004

O Brasil está comprometido com a meta ambiciosa de erradicar a fome até 2015. Este alvo desaÞa os governantes e também convoca todos os cidadãos a fazerem mais pelo seu semelhante.

2005

2006

Vó Eva conhece bem a realidade de pessoas que não têm o que comer porque já esteve nesta condição. “Passei muita necessidade. Sei o que é. Então procuro ajudar quem passa fome”, a-irma. E não são poucos os que ainda continuam de barriga vazia em várias regiões brasileiras. Dados do IBGE divulgados em 2009 revelam que cerca de 800 mil pessoas passam fome ou estão em situação de desnutrição no Rio Grande do Sul. Mas esta é apenas uma pequena fatia do problema. Pela estimativa da ONU (Organização das nações Unidas) um sexto da população mundial sofre com a fome. Só na América Latina e Caribe, o número de famintos supera a casa dos 71 milhões. Desde 1990 o Brasil está comprometido com uma meta ambiciosa cujo objetivo é erradicar a fome até 2015. O prazo está se esgotando e ainda há muito por ser feito. Este alvo desa-ia sim os governantes, mas convoca também, por outro lado, todos os cidadãos a fazerem mais pelo seu semelhante.

2007

“Entre Aspas”

Harry Streithorst

2.943

1.162 toneladas

2008

2009

Foto: Márcio Tone!

M#$%&' T'()**&

5.387,6 4.014 toneladas toneladas

2.306 1.709 toneladas toneladas toneladas Evolução nas arrecadações do projeto Mu"rão de Natal na América do Sul

Diretor da ADRA na região central do Rio Grande do Sul

Há três motivos pelos quais alguém trabalha: 1. Porque é escravo. Foi assim no início da história da nação brasileira. O trabalho era

feito por escravos que eram trazidos dos países africanos. A vida deles era dura. Eram tratados com crueldade. Hoje ainda há milhares que trabalham como escravos em nosso País, subjugados por pessoas cruéis que mentem, enganam e induzem a contraírem dívidas impagáveis. 2. Pelo salário. A grandiosa maioria é assim. Trabalha e recebe o salário de acordo com a capacitação, a dedicação, o esforço e a disciplina. Alguns só querem o emprego, fazem só o necessário, não põem o coração naquilo que fazem. Quando há uma crise

são os primeiros da lista a serem demitidos. Quem emprega vê a dedicação de cada um. A Bíblia ensina: “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta.” (Provérbios 13:4). 3. Por amor. Esta classe de pessoas faz a diferença no mundo. Esquecem de si mesmos e vivem para ajudar, para abençoar. São as mais felizes, as mais comprometidas. Você sempre pode contar com elas. Não são escravos, não são empregados, são voluntários do amor. “Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacri-ícios, Deus se compraz.” (Hebreus 13:16).

Pouca coisa comove mais a sociedade do que pessoas trabalhando sem esperar nada em troca para ajudar seres desamparados que não podem retribuir. Foi esta forma apaixonada e desinteressada de servir que revolucionou o mundo e dividiu a história em antes e depois de Cristo. Jesus primeiro fazia o bem, curava, alimentava, animava e depois ensinava. Além disso, será esta forma amorosa e voluntária de trabalhar que de-inirá quem será salvo por ocasião da Volta de Jesus. “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele,

então, se assentará no trono da sua glória; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Em verdade vos a-irmo que, sempre que o -izestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o -izestes.” (Mateus 25:31-40).


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EDUCA‚ÌO

Pedagogia da solidariedade “A contribuição da escola é a de desenvolver um projeto de educação comprometido com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir na realidade para transformá-la”

Foto: Márcio Tone*

Em 1998 o Ministério da Educação apresentou os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais que seriam os norteadores dos programas curriculares de todas as instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas. Juntamente com este documento, foram apresentados os Temas Transversais, uma proposta de incluir não novas disciplinas, mas temas importantes de relevância social, que, atrelados às diferentes disciplinas do currículo, dariam oportunidades aos alunos de se apropriar dos conteúdos como instrumentos para re/letir e mudar sua própria vida. A contribuição da escola, portanto, é a de desenvolver um projeto de educação comprometido com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir na realidade para transformá-la. Outro documento importante, a LDBEN 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -, juntamente com os PCNs, reforça que o objetivo principal da educação é a cidadania, ou seja, a educação tem a /inalidade de promover a formação do cidadão. Dentro deste contexto, vai se con/igurando que as instituições educacionais precisam ir necessariamente além dos conteúdos tradicionais incluindo temas vinculados ao cotidiano, que possibilitariam a formação de um ser humano completo, articulado com as necessidades do seu entorno e apto para promover e efetivar mudanças necessárias na sua vida e na da sua comunidade. Ellen White, cujas ideias estabelecem a base da educação adventista, também enfatiza e defende que a educação deve ultrapassar o mero aprendizado

G!"#$!%& F'()&" Diretora da rede educacional adven&sta na região central do Rio Grande do Sul

dos conteúdos e preparar os alunos para que possam ser cidadãos conscientes e atuantes na comunidade onde vivem, pois “a verdadeira educação prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo”. Em função disto, no ano de 2010, todas as unidades escolares da região sul do Brasil trabalharam com o projeto Educação Solidária e, a partir dele, desenvolveram ações voltadas para a arrecadação de roupas e alimentos, projetos de

conscientização ambiental e ações pelo /im da violência infanto-juvenil. Tal vivência, permeada por lições de solidariedade, de compromisso com o outro e amor pelo semelhante, di/icilmente seria igualada com o mero estudo dos livros. Não se trata de uma nova linha de trabalho. Há mais de um século, a educação adventista entende a escola como um espaço para a formação holística do ser, ou seja, para o desenvolvimento de todas as suas faculdades.

A promoção de atividades solidárias é um desdobramento dessa concepção pedagógica, cuja importância foi muito bem pontuada e resumida pela escritora norte-americana na obra “Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes” (p. 149): “Os pais e os professores que, por meio de sábias instruções, dadas com calma e decisão, habituam as crianças a pensarem nos outros, e a deles cuidar, ajudá-las-ão a vencer o egoísmo, e cerrarão a porta a muitas tentações.”


dezembro de 2010, C"#$%&$"

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PRçXIS TEOLîGICA

M!"#$# M%&&!#

Um apóstolo injustiçado

Presidente da Igreja Adven!sta na região central do Rio Grande do Sul

“Como fogo sempre produz calor, o bom cristão que tem fé sempre produz boas obras”.

Foto: www.sxc.hu

Um dos mais incompreendidos autores bíblicos sem dúvida é Tiago. Com seu pequeno livro incrustado entre Hebreus e Apocalipse seu texto tem sido objeto de vários estudos. Só como exemplo, Lutero foi particularmente duro com a epístola de Tiago. Chamou-a de “epístola de palha”, por causa de seu entendimento equivocado de 2:14-26, onde presumiu haver o ensino de justi-icação pelas obras. Embora mais tarde o mesmo reformador maturou suas idéias e modi-icou sua posição, o problema continua na cabeça de muita gente. Mas, Tiago não é a favor da salvação pelas obras (quando as pessoas pensam que por praticarem bons atos isto resulta na sua salvação) nem da salvação pela fé sem obras. Na verdade, ele apenas coloca as coisas no seu devido lugar. Para ele, o ser humano é salvo pela graça de Deus por meio da fé e as boas obras são o resultado desta salvação. Como fogo sempre produz calor, o bom cristão que tem fé sempre produz boas obras. Fé sem obras não existe. Provamos a nossa fé pelas nossas ações. Este pequeno e inspirado livro fala contra a espiritualidade hipócrita, enfatizando a necessidade de fé evidenciada por obras (Tiago 2:14-26). Este é um dos grandes males do cristianismo contemporâneo. Vida cristã passou a ser algo que acontece num determinado dia, num determinado lugar, sob o comando de determinadas pessoas. Vida cristã é o que fazemos num momento chamado de “culto”. Achamos que participar de um culto fazendo um ar de santidade é o maior sinal de sermos cristãos. A fé se mostra nas obras. “Pelos frutos os conhecereis”, disse Jesus (Mateus 7:20). Não foi “pelo seu louvor ou sua pregação os conhecereis”, mas “pelos seus frutos”. Uma Igreja sem obras, com uma fé intimizada, sem objetividade no mundo, é no mínimo uma incoerência. Alguém já disse que um cristão é como um bom relógio: ouro puro, trabalho silencioso, e cheio de boas obras.


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CENTRAL NEWS

que serão repassados para entidades assistenciais da capital (entre as quais está a ADRA – Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais). O Mutirão de Natal é um programa social desenvolvido pela Igreja Adventista em toda a América do Sul. Só no ano passado o projeto atingiu mais de 5 mil toneladas de alimentos. Além da ênfase na coleta de produtos alimentícios, a iniciativa visa também a arrecadação de brinquedos. O coordenador regional da iniciativa, Harry Streithorst, observa que o grande mérito da campanha é estimular nas pessoas a constância na solidariedade e não apenas manifestações pontuais. “A distribuição pontual de alimentos não resolve o problema dos necessitados, por isso o grande objetivo é despertar nas pessoas o desejo de ajudar durante todo o ano”, esclarece.

Foto: Leandro Reis

Voluntários adventistas transmitem esperança no Dia de Finados

Milhares de pessoas que visitaram o Cemitério Parque Jardim da Paz, em Porto Alegre, no Dia de Finados, se depararam com um grupo disposto a transmitir esperança. Jovens adventistas de Novo Hamburgo e cidades adjacentes aproveitaram a data para levar uma mensagem de alento e praticar gestos de valorização à vida. Neste ano, o grupo Galera da Medula foi convidado para desenvolver uma campanha de cadastramento de doadores em potencial de medula óssea neste que foi

um dos pontos mais visitados da capital durante o feriado. A ação solidária resultou no cadastro de 1.029 novos possíveis doadores. Com os números obtidos na ocasião, a Galera da Medula já se aproxima de 12 mil cadastros em 2010, segundo informa o coordenador do projeto, Moisés Silva. Autoridades políticas que visitavam sepulturas de entes queridos pararam para incentivar o projeto. Foi o caso do deputado federal Beto Albuquerque, que há cerca de um

ano passou pela trágica experiência de perder um .ilho, de 19 anos, vitimado pela Leucemia. A campanha no Jardim da Paz ganhou destaque nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul, a exemplo de Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, RBS TV, TVE, Ulbra TV, TV Bandeirantes, Record, TV Pampa e rádio Gaúcha AM/FM. A ação solidária abriu portas para outras iniciativas no local.

Jovens adventistas aproveitaram o feriado para levar uma mensagem de alento e praticar gestos de valorização à vida em ponto mais visitado da capital gaúcha no Dia de Finados

com projetos de alto nível criados por jovens como nós, tivemos um forte contato cultural com pessoas de vários países. Com certeza uma das melhores experiências da

Coral de Libras faz turnê pelo Rio Grande do Sul Um programa apoiado pela rádio Novo Tempo FM 99,9 trouxe para o Rio Grande do Sul o Coral de Libras do Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Hortolândia. O grupo, que tem aproximado surdos da fé por todo o Brasil, fez apresentações em Taquara e Porto Alegre.

O Coral de Libras nasceu em 2006 e é composto, em grande parte, por estudantes universitários. Integram o repertório encenações sobre o sacri.ício de Jesus pela humanidade e interpretações em Libras (Língua Brasileira de Sinais) de músicas consagradas no meio cristão.

minha vida”, considera o estudante Paulo Henrique Duarte. A educação adventista também foi representada no evento por estudantes do Colégio Adventista do Equador.

A 25ª Mostratec exibiu, em 14 mil metros quadrados de feira, 300 projetos apresentados por estudantes de 14 a 21 anos do Brasil e de outros 21 países.

Foto: Arquivo da ACSR

Projeto arrecadou 120 toneladas de alimentos só na região central do estado, superando em 20% o resultado do ano anterior

Casa Aberta em Porto Alegre atrai mais de quatro mil visitantes Um .inal de semana repleto de apresentações musicais e venda de produtos a preços promocionais. Esta foi a 17ª edição da Casa Aberta, uma das maiores feiras de literatura cristã do Rio Grande do Sul, que aconteceu de 15 a 17 de outubro. O evento ocorreu nas dependências da Federação Adventista da Mocidade Gaúcha (FAMG), em Porto Alegre.

Foram expostos mais de treze mil itens na feira, entre eles CDs e DVDs das gravadoras Novo Tempo e Musicasa, publicações da Sociedade Bíblica do Brasil e da Casa Publicadora Brasileira (CPB), além de produtos naturais da Superbom. Em comparação com o ano anterior, a Casa Aberta 2010 registrou crescimento da ordem de 10%.

Congresso orienta 1.200 jovens do Sul do Brasil Uma delas foi a entrega gratuita de 4 mil livros “Ainda Existe Esperança”. “Não há um momento em que as pessoas estão mais fragilizadas e abertas à mensagem do evangelho do que quando se está sofrendo a perda de um ente querido. E não há nenhum local onde elas estão com o coração mais aberto do que em um cemitério em um Dia de Finados”, destaca o líder de Jovens da Igreja Adventista para região central do Estado, pastor Elton Bravo.

Mil e duzentos jovens do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná se encontraram em um campori na cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, entre os dias 05 e 07 de setembro. Em eventos do gênero, realizados periodicamente pela Igreja Adventista, a juventude recebe orientação sobre assuntos variados. Na oportunidade, o evento promovido pela direção da Igreja Adventista para todo o

sul do Brasil colocou os participantes em contato com jornalistas, arqueólogos e líderes eclesiásticos da América do Sul. Entre eles, Michelson Borges, editor da Casa Publicadora Brasileira e responsável pelo blog Criacionismo. com.br, Ivan Saraiva, apresentador da TV Novo Tempo, Rodrigo Silva, professor do Seminário Latino-Americano de Teologia e doutorando em Arqueologia Clássica pela

USP, Areli Barbosa, diretor de Jovens na sede sul-americana da Igreja Adventista, e o evangelista Luís Gonçalves. Foi uma oportunidade também para o exercício da solidariedade. Na ocasião, o grupo distribuiu literatura gratuita para a população de Bento Gonçalves e ajudou na organização de uma campanha de cadastramento de doadores de medula óssea em potencial.

Foto: Arquivo da ACSR

O projeto bene.icente Mutirão de Natal, articulado pela Igreja Adventista, arrecadou 120 toneladas de alimentos só na região central do Rio Grande do Sul em 2010, superando em 20% o resultado do ano anterior. Na região da Serra Gaúcha, a iniciativa contou com o apoio de parceiros importantes. Em Caxias do Sul, empresas e agências bancárias abraçaram a causa social e auxiliaram na captação de mantimentos e brinquedos. O exército também ofereceu ajuda na logística de transporte dos donativos. Nas cidades de Garibaldi e Carlos Barbosa mais de 100 famílias receberam a cesta básica de natal. Além dos esforços coordenados pelas comunidades adventistas, o engajamento da rede educacional adventista potencializou a campanha. Só no Colégio Adventista Marechal Rondon, em Porto Alegre, os estudantes reuniram 11 toneladas de alimentos não-perecíveis

O orientador do projeto neste ano foi o professor Cláudio Ricardo da Silva Carvalho, doutorando em Química pela Universidad Evangélica del Paraguay. Ele reforça que a participação em eventos do gênero “incentiva a produção cientí.ica inédita de qualidade” e permite que os discentes “compartilhem experiências no circuito investigativo nacional e internacional”. “Além de toda a experiência cientí.ica e da interação

Foto: Arquivo da ACSR

Harry Streithorst (esq.) e CiEstudantes coletaram 11 toneladas Exército auxiliou no transporte dos rano Cisilo'o (prefeito de Ga- Professores e alunos da educação adven&sta de alimentos na capital dona&vos em Caxias do Sul ribaldi e parceiro do projeto) abraçaram campanha

O projeto “Monitoria e Simulação Computacional Como Proposta Pedagógica no Ensino de Ciências no Nível Fundamental” foi apresentado por alunos do Colégio Adventista de Novo Hamburgo na 25ª edição da Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia, realizada em Novo Hamburgo (RS) entre 17 e 22 de outubro. Já é o segundo ano de participação de alunos da instituição na Mostratec.

Foto: Arquivo da ACSR

Alunos representam colégio adventista em mostra internacional Foto: Arquivo da ACSR

Foto: Arquivo da ACSR

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Mutirão de Natal reduz impacto da fome no estado


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SAòDE SEMPRE

O Brasil da “melhor idade” O Censo Demográ0ico 2010 divulgado no 0inal de novembro pelo IBGE revela que o Brasil já totaliza 23.760 idosos com mais de cem anos de idade. O número re0lete, em parte, a tendência de envelhecimento da população brasileira, cujo processo tem se mostrado acelerado em comparação com outros países, a exemplo do Japão. As pesquisas coordenadas pelo IBGE apontam que a expectativa de vida no País aumentou cerca de três anos entre 1999 e 2009. Com base nesses dados, é esperado que um brasileiro viva pelo menos 73,1 anos. “Numa população onde a parcela de nascimentos está sendo reduzida - embora o crescimento continue, mas numa velocidade menor -, e o envelhecimento está aumentando rapidamente começa-se a ter uma mudança na estrutura etária”, analisou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura. O acréscimo na perspectiva de vida certamente soa como uma boa notícia para os brasileiros - a0inal, há 70 anos a esperança de vida no Brasil era de apenas 40 anos em média. Mas o grande desa0io está em equilibrar dois fatores: idade e saúde. Quando mal equacionadas, estas variáveis podem decidir ser a vida, nesta fase, apenas o prolongamento da morte. Envelhecer com saúde é bem mais complexo do que se imagina, no entender da geriatra Elizabeth Luz, atuante na Clínica Adventista e na Policlínica Militar, ambas em Porto Alegre. “A ‘senescência’ (envelhecimento 0isiológico) difere da ‘senilidade’ (envelhecimento patológico). Segundo o conceito da Organização Mundial de Saúde, saúde é um estado

dinâmico de completo bemestar 0ísico, mental, espiritual e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”, explica. Dona Julia Feix Pereira, moradora de Porto Alegre, chegou aos 107 anos com uma boa performance. Ainda está lúcida, consegue caminhar sozinha e diariamente tem o seu momento para a leitura, principalmente de um livro que acompanhou toda a sua trajetória: a Bíblia. Poucos conseguem ser tão longevos. Mas se, ao menos, a maioria da população conseguisse chegar aos 70, 80, esbanjando saúde, já seria uma grande proeza. O fato é que a ciência ainda não encontrou um elixir que garanta 100% a longevidade sob tais condições. Mas estudos realizados junto a comunidades com expectativa de vida bem acima da média, a exemplo dos adventistas de Loma Linda, Califórnia, nos Estados Unidos, reforçam que o estilo de vida é um processo decisivo no prolongamento da vida. No entender de especialistas, um estilo de vida saudável engloba não somente boa alimentação e atividade 0ísica regular, mas manter-se ativo intelectual e socialmente, dedicando tempo para o convívio com amigos e familiares. Para a maioria das pessoas, o envelhecimento saudável é um re0lexo mais dessas atitudes tomadas ao longo da vida do que de herança genética. “Sabe-se que o peso dos chamados fatores ambientais para a maioria da população tem maior impacto na saúde que os fatores genéticos (herdados)”, ressalta. Assim, os bons hábitos cultivados ao longo da vida formam uma poupança para a idade mais avançada. Mas, para quem chegou em desvantagem à terceira idade e só agora despertou para a importância desses

Helevom Rosa clínico geral e médico do trabalho

Foto: Márcio Tone)

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“Entre Aspas”

Aos 107 anos, Julia Feix lê sem diÞculdade e consegue caminhar sozinha. cuidados, ainda é tempo de se empenhar na busca por uma melhor qualidade de vida e incorporação de hábitos saudáveis. Por esta razão, este número do Comtex-

to traz algumas orientações práticas que podem ajudar a reduzir os efeitos da idade e, porque não, torná-la, de fato, a “melhor idade”, sem que a expressão denote ironia.

“Uma das qualidades que mais favorece o envelhecer feliz é a resiliência. Este é um conceito emprestado da Física u&lizado atualmente na Psicologia. Refere-se à capacidade de um corpo de retomar sua forma original após subme&do a grande pressão ou estresse. Interligada à resiliência, quase que como um alicerce, encontra-se a dimensão espiritual. A fé, sob as suas mais diversas formas, é um preservador e promotor da saúde e bem-estar 'sico e mental, proporcionando conforto e força para se lidar com as adversidades”. Elizabeth Luz - geriatra

Dicas para uma dieta saudável na terceira idade: A palavra-chave é moderação. Dietas muito restri&vas não são man&das a longo prazo. O principal é buscar a reeducação alimentar, o que pode ser feito também buscando-se a orientação de um nutricionista. Acompanhe as dicas gerais ao lado: Fonte: Elizabeth Luz, médica geriatra

Comer 6 refeições ao dia (evitar períodos de jejum prolongado que predispõem aos excessos alimentares)

Para aqueles que consomem produtos de origem animal, dar preferência às carnes brancas/magras e aos queijos magros e leite desnatado

Comer pelo menos 3 porções de frutas e 3 porções de verduras ao dia (quanto maior a variação de cores, mais diversidade de nutrientes)

Preferir pães, massas, cereais e arroz integrais aos farináceos brancos (estes elevam rapidamente a glicose e são mais facilmente armazenados sob forma de gordura corporal)

Evitar doces e frituras

Evitar alimentos industrializados e habituar-se a olhar os rótulos dos alimentos (procurar os com teor de sal - cloreto de sódio - reduzido e evitar as gorduras saturadas e as gorduras “trans” - sinônimo de gordura vegetal hidrogenada)

Um ditado popular reza que envelhecimento é igual à doença. Mas isso não é bíblico. Em Êxodo 15:26 está escrito: “Se ouvirdes atento a voz do Senhor, teu Deus, e 0izeres o que é reto diante de seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti [...]”. A obediência às leis da saúde e aos mandamentos de Deus não só liberta o ser humano, espiritualmente falando, mas também sara totalmente o ser, inclusive o 0ísico, proporcionando longevidade. A própria ciência está con0irmando o que a Bíblia já falava sobre o papel fundamental da fé na existência humana. Em reportagem de capa da revista Época (edição de 21/03/2009), Jordan Grafman, chefe do departamento de neurociência cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame e autor de uma das pesquisas mais recentes sobre o tema - publicada no mesmo mês na revista cientí0ica Proceedings of the National Academy of Sciences -, a0irma que “não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria bene0ícios para a saúde” e ainda que “somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”. Mas, para ser bené0ica, a fé precisa ser associada à prática religiosa? Quanto a esse questionamento, a reportagem de Época segue pontuando que “várias pesquisas mostram que participar de um grupo religioso estruturado traz bene0ícios por aumentar o suporte social à pessoa. ‘Esse apoio social é algo extremamente valioso para a saúde 0ísica, inclusive para a sobrevivência e a longevidade’, diz o psicólogo americano Michael McCullough, professor da Universidade de Miami que estuda a maneira como a religião molda a personalidade e in0luencia hábitos saudáveis e relacionamentos sociais. Ao realizar um ‘metaestudo’ de 42 pesquisas diferentes, o psicólogo descobriu que as pessoas altamente religiosas tinham 29% a mais de chance de estar vivas, em determinado momento do futuro, que as demais. A religiosidade tornaria mais fácil resistir a tentações nocivas à saúde, como o álcool e o fumo”. Os princípios de saúde contidos na Bíblia, de fato, levam a um afastamento daquilo que destrói o corpo. Em Tito 2:2 e 3 há, por exemplo, uma recomendação nesse sentido: “Quanto aos homens idosos, que sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância. Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho [álcool], sejam mestras do bem”. Além de recomendações, a Escritura Sagrada não deixa de conter também promessas para aqueles que estão avançados em dias. Em Isaías 46:4 encontramos uma delas: “Mesmo na velhice, quando tiverem os cabelos brancos, sou eu aquele que os susterá. Eu os 0iz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei” . Um lenitivo para aqueles que temem a solidão e o futuro quando chegam a essa fase da vida.

“A obediência às leis da saúde e aos mandamentos de Deus não só liberta o ser humano, mas também proporciona a longevidade”


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Jornal Comtexto-5a ed.  

periódico da sede da Igreja Adventista para a região central do Estado

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