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15 a 21 de Fevereiro de 2011

APÓS SESSÃO muito tensa, na qual o presidente da casa, Dalmar Lírio Mazinho, exibia em plenário a última edição do Capital, que publicou, com exclusividade, a promulgação da Resolução nº 2342, que presta homenagem, com um “Título de Benemérito da Comunidade”, ao vereador Jonas É Nós, preso no dia 21 de dezembro pela polícia, a Câmara, por iniciativa do próprio presidente, após pedir o esvaziamento das galerias, realizou uma reunião fechada, com o fim de revogar a referida resolução. A notícia da revogação, da qual o Capital não tomou conhecimento oficialmente por parte do Legislativo, foi publicada no blog do jornalista Alberto Marques no dia seguinte à sessão, realizada no dia 8. Essa parece ter sido a melhor solução encontrada para tentar minimizar a repercussão do assunto, que pegou a todos de surpresa, inclusive alguns vereadores. A explicação dada pelo vereador, reproduzida no blog, na verdade, não esclarece em nada a tal homenagem. O fato é que a notícia caiu como uma bomba nos meios políticos da Baixada Fluminense e não havia outro caminho a não ser sua cassação. A tentativa de

ALBERTO ELLOBO

Câmara volta atrás e cassa homenagem a vereador preso

explicar a homenagem a um vereador que está na cadeia - um acúmulo de projetos na última sessão do ano - não convenceu ninguém. Informações obtidas nos bastidores do Poder Legislativo dão conta de que é grande a insatisfação de alguns vereadores com a reação e as declarações feitas pelo presidente para tentar justificar a outorga do título ao vereador preso. E o pior, essas informações conduzem, ainda, a um questionamento da permanência de Mazinho na presidência da

Câmara, até mesmo por sua duvidosa reeleição, pois o desgaste da imagem do Legislativo junto aos eleitores não é pouca coisa. Há, inclusive, muitos defensores de sua substituição pelo 1º Secretário, Moacyr Rodrigues da Silva, o Moacyr da Ambulância, que teria a missão de separar o joio do trigo e promover, de fato, a transparência dos atos e ações do Poder Legislativo, para que a sociedade e os contribuintes venham a tomar conhecimento de suas atividades cotidianas. Essa

seria, ao que parece pelas conversas dos bastidores políticos, a melhor saída. E Moacyr, de imediato, como garante a Constituição Federal, retomaria a circulação de jornais nas dependências do Legislativo, mesmo os que estampam críticas ao Poder, acabando com o cerceamento da informação e permitindo que os servidores do Legislativo possam ter acesso a todos os veículos de comunicação, sem necessidade de “autorização prévia”, como determina Mazinho.

Ponto de Observação ALBERTO MARQUES

O Governo do Estado e a “Síndrome da Mariposa” JORNALISTA DE profissão e governador por desastrada e desavisada indicação do casal Garotinho, Sérgio Cabral tem uma obsessão pela mídia, o que poderíamos chamar de “Síndrome da Mariposa”. Na tragédia do Rèveillon de 2009 na Ilha Grande e no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, o governador estava em sua luxuosa residência de Mangaratiba, a menos de 60 quilômetros de distância, mas levou dois dias para aparecer em Angra dos Reis para acompanhar os trabalhos de resgates dos corpos das vítimas dos desmoronamento. Em 2010, estava novamente ausente no momento em que a Defesa Civil chegava ao Morro do Bumba, em Niterói, para resgatar corpos e remover famílias que ainda estavam em casas em área de risco, um monturo de lixo de um desativado lixão da prefeitura local, comandada há décadas pelo PDT e o PT. O governador estava de férias na Europa quando houve os desmoronamentos na região serrana do Rio, na madrugada de terça (12 de janeiro), mas só chegou a Nova Fri-

burgo na sexta (14) para acompanhar a presidente Dilma Rousseff na visita as áreas afetadas pela chuva, pois Sérgio Cabral viajara no início daquela fatídica semana para a Europa, em gozo de merecidas férias depois de ser reeleito. Em todas as aparições do sorridente governador, lá estavam os refletores, câmeras e microfones de rádios e jornais, inclusive do exterior. Em momento algum ele foi solidário com as vítimas, embora esteja clara a responsabilidade do Governo em todas essas tragédias, pois eram tragédias anunciadas com antecedência, inclusive pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). Em todas essas ocasiões, o governador sempre deixou claro que a culpa das tragédias era dos governos anteriores, isto é, do próprio Sergio Cabral que está sem seu segundo mandato - e dos seus padrinhos políticos Anthony e Rosinha Garotinho, por não cumprirem, nem fazer cumprir as leis que proíbem construções em áreas de risco, inclusive nas margens de cursos d”água, com se vê por toda a região

metropolitana. Outra manifestação do governador foi prometer a liberação de recursos para socorro das vítimas, a reconstrução de casas e a revitalização da economia local, em especial nas áreas de turismo, como Angra dos Reis (Ilha Grande), Petrópolis (Itaipava), Teresópolis e Nova Friburgo, ou de agricultura familiar, como Vale de São José do Rio Preto e Sumidouro. Em todos os casos, as vítimas ainda não receberam sequer o aluguel social de R$ 400 por mês, como prometido. O maior parceiro político do governador, o prefeito Eduardo Paes, segue o mesmo figurino: só trabalhar diante dos holofotes da mídia. Até hoje, dezenas de famílias do morro do Urubu, em Quintino, cujas casas desmoronaram com as chuvas de abril de 2010, continuam sem ter onde morar. Já no caso da Cidade do Samba, destruída parcialmente por um incêndio criminoso - laudo do Corpo de Bombeiros de 2010 apontava falhas gravíssimas no sistema anti-incêndio - o prefeito Eduardo Paes anunciou um socorro imediato de

R$ 3 milhões para ajudar as escolas de samba Grande Rio (que perdeu tudo), União da Ilha e Portela a refazerem fantasias, adereços e carros alegóricos. Nenhuma restrição à ajuda ao Carnaval, que atrai milhares de turistas, inclusive do exterior, gerando empregos diretos (desde a confecção das fantasias até a movimentação no setor hoteleiro), além de gerar preciosas divisas para equilibrar as contas públicas e garantir à classe média alta a chance imperdível de comprar quinquilharias em Miami, Nova York ou Paris. Para nossos governantes que sofrem da “Síndrome da Mariposa”, que são atraídas pela luminárias, mesmo que morram queimadas - mais importante do que governar e garantir a segurança da população é aparecer nos telejornais, de preferência chorando, para demonstrar solidariedade, mas nunca para pedir desculpas por terem fracassado em suas administrações, como o povo sempre crédulo espera. Certamente, eles continuarão alheios ao sofrimento do povo até a próxima eleição!!

Criatividade: chave da economia O SÉCULO XXI já começou. Reconhecê-lo através de decisões políticas é um alento. A criação da Secretaria de Economia Criativa, pelo Ministério da Cultura, aponta para este sentido. Ao criar esta estrutura em nível federal, abrese uma janela para reconhecer e mapear a cadeia produtiva desta indústria, que movimenta mais de R$ 380 bilhões no País (16,4% do PIB). Outra expectativa é que se replique nos Executivos estaduais o debate sobre a importância de buscar a sustentabilidade econômica dos projetos culturais, a partir do reconhecimento do impacto econômico que geram. No estado do Rio, a Secretaria de Cultura lançou recentemente o edital Rio Criativo. Serão selecionados 28 projetos culturais para que sejam incubados por até 18 meses. Os dois núcleos, no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, darão consultoria nas áreas jurídica, de elaboração de planos de negócios, planejamento estratégico, além de capacitação em empreendedorismo. Concorrem projetos de audiovisual, arquitetura e restauro, artesanato, artes cênicas, música, artes plásticas, cultura popular, TV, design, radio, gastronomia, jogos, moda, mercado editorial, educação, software aplicado à economia criativa, turismo, publicidade e eventos. Como reconhece a própria ministra, os incentivos fiscais na área da cultura acabaram por criar uma distorção e uma dependência dos artistas. Em entrevista ela afirmou que a lei não permite um trabalho permanente: “os artistas vivem de elaborar “n” projetos para ver em qual edital vai emplacar. Uma exposição que vai durar um mês, o artista fica três em pré-produção, depois em pós-produção, fazendo aquilo render o máximo. Isso não é vida”, exemplifica. Nosso País - e o Rio de Janeiro é a síntese disso - precisa aliar cultura e economia. Aqui, a chamada indústria criativa tem destaque na área do audiovisual, de artes visuais e software e emprega 2,4% dos trabalhadores formais do estado (82 mil pessoas). Além disso, somos os mais bem remunerados, com renda média 64% superior à média fluminense. A Economia Criativa pode crescer ainda mais se profissionalizada. Já estamos construindo caminhos para isso. GEIZA ROCHA é jornalista e secretária-geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro Jornalista Roberto Marinho. www.querodiscutiromeuestado.rj.gov.br

Moagem de cana-de-açúcar supera em 2,63% safra anterior COM A SAFRA praticamente encerrada, foram moídas nas usinas da Região Centro-Sul 556,19 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até o dia 31 de janeiro, segundo balanço divulgado dia 10 pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). O volume é 2,63% maior do que o total processado na safra 2009/10. Já o crescimento da produção de açúcar foi de 16,86%, com a fabricação de 33,4

milhões de toneladas do produto. O etanol registrou um aumento de 7% na produção, com 25,34 bilhões de litros. Como apenas sete destilarias ainda estão trabalhando, esses números já são considerados como finais para a safra. O crescimento na produção foi possível devido à melhora da qualidade da matériaprima medida pela quantidade de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.

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