JornalCana 338 (Junho 2022)

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Junho 2022

Série 2

Número 338

www.axiagro.com.br

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL mais um desafio para a indústria da cana

A consolidação deste processo precisa ser avaliada pelos gestores das usinas com urgência, já que a iniciativa colabora na implantação do ESG nas usinas




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CARTA AO LEITOR

Junho 2022

índice MERCADO Já estão abertas as inscrições para a 15ª edição do Mastercana Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 Brasil deverá produzir 31% a mais de etanol de milho na safra 2022/23 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Neomille recebe licença ambiental para instalação da planta industrial em Maracaju . . . . . . . . . . . . .6 Inpasa inicia produção na unidade de dourados após autorização da ANP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Com produção tendendo para o etanol, usinas freiam exportações de açúcar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 MG deverá produzir 68 mi de toneladas de cana na safra 2022/23 estima SIASMIG . . . . . . . . . . . . . . . . .8 BNDES dobra para r$ 2 bi recursos para setor de biocombustíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 É preciso exportar a tecnologia do etanol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 e 11 Centro de Excelência em bioenergia será criado por Brasil e Índia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 Melhoramentos é a nova dona da Vale do Paraná . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 Copersucar e Vibra concluem criação de joint venture de etanol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 Usinas do Grupo Virgolino de Oliveira serão vendidas como UPIs . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 Jalles Machado compra Usina Santa Vitória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15 Mercado de agroquímicos para cana teve queda na safra 2021/22 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 Brasil quer ter mais acesso a fertilizantes produzidos no Egito e diversificar pauta comercial . . . . .16 Guerra na Ucrânia provoca redução da produtividade no setor bioenergético . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18 Usinas buscam alternativas para driblar preços dos insumos industriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19

GESTÃO Transformação digital, mais um desafio para a indústria da cana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 a 22 Tereos e BP Bunge realizam operação inédita que dá nova destinação a materiais . . . . . . . . . . . . . . .23 Um bom planejamento pode ser o divisor entre o sucesso e o fracasso na produção . . . . . . . . .24 e 25

USINAS Raízen quer ter 20 plantas de etanol 2G até 2030 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 Cocal e Raizen vão operar em conjunto planta de energia elétrica a partir do biogás . . . . . . . . . . . . .26 Usina Pitangueiras completa 47 anos apostando no crescimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28 Coagro prevê moagem de 1,1 milhão de toneladas na safra 2022/23 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28 Tereos prevê moer 17 milhões de toneladas de cana na safra 2022/23 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 Companhia vai paralisar atividades da unidade Severínia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 Usina São José da Estiva prevê crescimento de 6% na safra 2022/23 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 Zilor conquista certificação CARB para exportação de etanol para os EUA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 Miriri Alimentos e Bioenergia S/A completa 46 anos de fundação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 Usina São Manoel capta R$ 125 milhões em créditos financeiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 Grupo Viralcool estima moagem de 6,4 milhões de toneladas na safra 2022/23 . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 Diana Bioenergia inicia nova turma de Jovem Aprendiz em parceria com CIEE . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 Usina Ester utiliza fermenta que sistematiza gestão de contratos e documentação de terceiros . . .34

AGRÍCOLA Dia de Campo da RIDES lança 21 novas variedades de cana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35

ROAD SHOW Road Show da Transformação Digital a todo vapor! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 e 37 Evento de abertura da safra da Caninha 51 foca na maximização de suas operações . . . . . . . . . . . . . .36 SmartLog da BP Bunge recebe Road Show Usina 40 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37

FEIRAS Agrishow alcança recorde de negócios com R$ 11,243 bilhões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 Mercado de cana investe em caminhões autônomos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 FAESP/SENAR e CNA lançam Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 IAC apresenta cinco variedade de cana na feira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 FENASUCRO&AGROCANA 2022 pode movimentar cerca de R$ 5 bilhões, projeta organização . . . . . .40

GENTE Bevap Bioenergia tem um novo CEO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41 Sócio-diretor da Usina Guaíra recebe a medalha São Paulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 Acionista da Colombo falece aos 57 anos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”

carta ao leitor Andréia Vital - redacao@procana.com.br

O que fazer para inserir os princípios do conceito ESG no dia a dia da empresa? Diante da demanda cada vez maior do mercado por produtos de base sustentável, as companhias do setor bioenergético precisam, cada vez mais, ter posturas corporativas que sejam socialmente responsáveis, ambientalmente sustentáveis e corretas do ponto de vista de governança, conforme estabelece o conceito ESG, a sigla que virou sinônimo de sustentabilidade e vem sendo cada vez mais exigida. O que fazer para inserir esses princípios no dia a dia da empresa vem sendo pauta de muitas reuniões e também tema de uma série de webinários do JornalCana, com a participação de lideranças e especialistas do setor, que pontuaram, dentre outros fatores, como a transformação digital pode ajudar neste processo, pois possibilita ganho de eficiência e cumprimento das metas de sustentabilidade, colaborando, assim, para a implantação do ESG nas usinas. O assunto é o tema da matéria de capa desta edição. O jornal de junho traz também informações sobre as principais transações feitas recentemente, como a compra da usina mineira Santa Vitória pela Jalles Machado, que possibilitará à usina goiana ter capacidade para processar 8,5 milhões de toneladas de cana por safra. Outra transação que chamou atenção do mercado foi o contrato de aquisição da Vale do Paraná S.A. Álcool e Açúcar, localizada em Suzanápolis−SP, feito pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP). Além disso, destaca que as usinas do Grupo Virgolino de Oliveira, que está em recuperação judicial e tem dívidas que chegam à casa de R$3 bilhões, serão vendidas como UPIs e a companhia, que não vai moer nesta safra, dispensou a maioria dos funcionários. Veremos ainda que a Tereos paralisou as atividades da unidade Severínia, localizada no noroeste do estado de São Paulo, e a maior parte dos funcionários de Severínia já foi realocada em outras unidades industriais da companhia. O leitor encontra também uma entrevista exclusiva com engenheiro eletricista Wanderlei Marinho, membro da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE Brasil), que ressalta que o etanol tem papel fundamental diante a transição energética e como redutor de emissões de CO2,“mas é preciso aproveitar estas estratégias e exportar a tecnologia brasileira do biocombustível”, afirma. A edição de junho destaca os principais investimentos das empresas no segmento, como instalações de novas plantas de etanol de milho, etanol 2G e novas parcerias envolvendo biogás. E mostra ainda que o CEO da ProCana Brasil, Josias Messias, continua a todo vapor com o Road Show Usina 4.0, promovendo a Transformação Digital e tecnologias 4.0 para otimização dos resultados nas usinas. Destaca também as 21 novas variedades de cana lançadas pela RIDESA e traz informações sobre as principais feiras do agro e do setor bioenergético, como a Agrishow e a Fenasucro. É muito conteúdo interessante. Boa leitura!

Isaías 46:9-10

ISSN 1807-0264

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MERCADO

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Já estão abertas as inscrições para a 15ª edição do MasterCana Social É o evento social de abertura da FENASUCRO & AGROCANA 2022 A premiação do MasterCana So− cial acontece junto com o MasterCa− na Centro−Sul, no dia 15 de agosto de 2022 em Ribeirão Preto −SP, reunin− do o público tomador de decisão na cadeia bioenergética da principal re− gião produtora do país. É o evento social de abertura da FENASUCRO & AGROCANA 2022. Idealizado pelo GERHAI – Gru− po de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria e com apoio da Pro− Cana Brasil, o Prêmio MasterCana Social é uma iniciativa que visa in− centivar, reconhecer e premiar práti− cas de gestão de pessoas e responsabi− lidade socioambiental das empresas do setor sucroenergético, empresas de bens de capital da cadeia produtiva, entidades representativas e fornecedo− res de produtos e serviços, que con− tribuem para a promoção do bem− estar social e do desenvolvimento sus− tentável. A cada edição é evidente o au− mento na quantidade e qualidade dos Cases inscritos, demonstrados através de uma crescente preocupação com a forma de apresentação e melhoria nos projetos para que sejam competitivos.

Não há limite de cases, ou seja, a empresa poderá inscrever−se em to− das as categorias número ilimitado de cases. Confira as categor ias: I – Educação e Cultura II – Meio Ambiente III – Valorização da Diversidade IV – Saúde Ocupacional V – Desenvolvimento Humano VI – Qualidade de Vida VII – Comunidade VIII – Comunicação e Relacio− namento IX – Empresa do ano em Res− ponsabilidade Socio−Empresarial (concorre a empresa com mais de 05 cases inscritos) X – Destaque Empresa Fornece− dora XI – Destaque Entidade. CRONOGRAMA: Inscr ições: até 30/06/2022 Envio dos projetos: até dia 10/07/2022 Período de análise dos cases: até 17/07/2022 Divulgação da lista das finalistas: 18/07/2022 Solenidade de premiação: 15/08/2022 Confira o regulamento para par− ticipação e inscreva seus cases no site www.gerhai.org.br

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MERCADO

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Brasil deverá produzir 31% a mais de etanol de milho na safra 2022/23 Volume de biocombustível chegará a 4,5 bilhões de litros nesta temporada A União Nacional de Etanol de Milho (Unem) revisou a perspectiva de produção de etanol de milho na safra 2022/23 para 4,5 bilhões de litros, in− cremento de 31% em comparação com a safra anterior e de 7% com re− lação à última expectativa de produção, até então de 4,2 bilhões de litros. A safra 2021/22, que se encerrou em abril, totalizou com a produção de 3,43 bilhões de litros de etanol. O vo− lume de milho processado pelas usinas também deverá aumentar de 7,98 mi− lhões de toneladas para 10,38 milhões de toneladas, alta de 30%. Com a revisão das projeções, o eta− nol de milho deverá ampliar sua parti− cipação na produção total do biocom− bustível, passando de 12,5% para 15%. Na safra 2021/22, o Brasil produziu 27,53 bilhões de litros de etanol, so− mando o biocombustível à base de ca−

na−de−açúcar e o de milho. Para a próxima temporada, a estimativa de produção é de 30 bilhões de litros. Os dados são do Instituto Mato−Grossen− se de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com o presidente− executivo da Unem, Guilherme No− lasco, o setor de etanol de milho está em processo de expansão e o reflexo pode ser observado na oferta de pro− dutos e participação no mercado. Desde o ano passado, usinas que já atuam no mercado vêm anunciando

expansão de suas unidades. Em se− tembro de 2021, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) autorizou o au− mento da produção de etanol da uni− dade de Sinop de 1,7 milhão de litros para 3 milhões de litros/dia, passando a produzir 1 bilhão de litros/ano. Em Sorriso, uma indústria teve sua capa− cidade ampliada para 880 milhões de litros/ano. Fora isso, pelo menos duas novas unidades deverão entrar em operação em 2022, sendo uma delas em Dou−

Neomille recebe licença ambiental para instalação da planta industrial em Maracaju Unidade terá capacidade total de produzir 550 milhões de litros de etanol A Neomille, subsidiária da CerradinhoBio, respon− sável pela produção de etanol e componentes para ra− ção animal a partir do processamento de milho, rece− beu licença ambiental de instalação da sua planta in− dustrial em Maracaju − MS. O documento foi entregue durante o Showtec (realizado de 25 a 27 de maio, em Maracaju −MS) pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja, pa− ra o diretor de Novos Negócios e Planejamento Es− tratégico da CerradinhoBio e Neomille, Renato Pretti. Estiveram presentes também, na solenidade, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvol− vimento Econômico, Produção e Agricultura Fami− liar (SEMAGRO), Jaime Verruck, o prefeito de Ma− racaju, Marcos Calderan e o presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMA− SUL), André Borges.

Segundo a companhia, o projeto da nova planta em Maracaju, une o que há de mais moderno em termos de máquinas, processos e equipamentos a um modelo inovador e sustentável de negócio. Com R$ 1,4 bilhão de investimentos para a construção da primeira fase, a nova unidade − quando estiver ope− rando na capacidade total – poderá processar até 1,2 milhão de toneladas de milho por ano, resultando em 550 milhões de litros de etanol. Além de produzir 330 mil toneladas ano de DDGs (Dried Distillers Grains with Solubles); 22 mil toneladas por ano pro− dução de óleo e a venda de 105 GWh por ano. A previsão é de que a nova planta esteja funcionan− do a pleno vapor no segundo semestre de 2023.A cons− trução gerará mais de mil empregos diretos e indiretos, sendo priorizada a captação de mão de obra local. “A escolha de Maracaju − MS para sediar a nova unidade da Neomille não se deu à toa. A empresa en− controu na cidade um ambiente favorável para a cons− trução da nova indústria: disponibilidade de matéria− prima, suprimento de biomassa, demanda para os co− produtos de etanol e a hospitalidade dos maracajuenses e sul−mato−grossenses”, explica em nota a companhia.

rados − MS, com capacidade inicial de produzir 1,3 milhão de litros/dia a partir de maio e previsão de dobrar a produção na segunda fase, em agosto deste ano. Mais uma unidade deve iniciar a operação no final de 2022 e outras usinas vão expandir a capaci− dade produtiva. “Este movimento dentro da cadeia do etanol de milho deve ser contínuo pelas próximas cinco safras. É o resul− tado da consolidação do setor no mer− cado nacional de biocombustível, apoiado em políticas públicas que vi− sam diminuir a dependência dos com− bustíveis fósseis e fortalecer uma matriz energética mais limpa e de fonte reno− vável”, afirma Nolasco. De acordo com o levantamento do Imea, a produção de farelos de mi− lho, utilizados como insumo para ra− ção de animais, tanto pets quanto suí− nos, peixes e aves, e na intensificação da pecuária de corte, deverá atingir 2,53 milhões de toneladas, alta de 36% frente à produção da safra 2021/22, quando foram produzidas 1,85 milhão de toneladas. A produção de óleo de milho também será ampliada, passan− do de 114,9 mil toneladas para 164,7 mil toneladas, alta de 43%.

Inpasa inicia produção na unidade de Dourados após autorização da ANP Capacidade de produção autorizada é de 1.250 m³/d de etanol hidratado e 1.250 m³/d de etanol anidro A Inpasa Agroindustrial registrou no dia 25 de maio, Dia da Indústria, o primeiro carregamento do biocombustível na unidade de Dourados – MS, que começou as suas operações no dia 23 de maio, após a liberação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A capacidade de produção autorizada é de 1.250 m³/d (metros cúbicos por dia) de etanol hidratado e 1.250 m³/d (metros cúbicos por dia) de etanol anidro. Com o empreendimento, espera−se um incre− mento de produção de etanol (hidratado e anidro) no estado da ordem de 8%. Será a primeira unidade a utilizar milho como matéria−prima para produ− ção de etanol em Mato Grosso do Sul.


MERCADO

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Com produção tendendo para o etanol, usinas freiam exportações de açúcar Com produção tendendo para o etanol, usinas freiam exportações de açúcar Consultorias têm reduzido esti− mativas de produção já refletindo o desempenho percebido pelas usinas nesse início de moagem Com os preços impulsionados pela recuperação da pandemia e também pela longevidade da guerra entre Rús− sia e Ucrânia, as usinas de cana−de− açúcar estão optando por uma safra mais alcooleira, provocando uma de− saceleração nas exportações de açúcar. Quase todas as empresas envolvi− das no comércio de açúcar no Brasil tiveram cancelamentos, estimados en− tre 200.000 a 400.000 toneladas de açúcar bruto, segundo apurou a agên− cia Reuters junto a um trader de um grande comerciante internacional de commodities durante a 15ª CITI ISO DATAGRO New York Sugar & Et− hanol Conference, realizada no dia 11 de maio, em Nova York. Segundo Plinio Nastari, presi− dente da DATAGRO, a produção de açúcar do Centro−Sul do Brasil deve cair para 32,1 milhões de toneladas em 2022/23. Isso significaria a redu− ção de 900 mil toneladas na compa− ração com a projeção feita pela con− sultoria em março. O presidente da DATAGRO res− saltou ainda que apesar das usinas es− tarem direcionando a maior parte da matéria−prima para a produção de etanol, uma maior produção na Ásia ainda levará a um aumento na oferta global do alimento. Projeções recentes de analistas mostram números mais baixos de produção de açúcar e volumes mais altos de etanol porque as vendas de biocombustíveis se tor− naram mais lucrativas para as usi− nas. As vendas de etanol aumenta− ram 2,6% em abril. Um segundo trader, que também trabalha para um grande comerciante internacional de alimentos, confirmou os cancelamentos – conhecidos no setor como “washouts” – e disse que a maioria dos traders está tentando ser flexível ao negociar. “São contratos take−or−pay, há uma taxa, então às vezes o custo pode ser alto para a usi− na”, disse ele. Segundo executivo do setor, os ga− nhos com a mudança do açúcar para o

etanol compensaram os custos dos can− celamentos. “As vendas de etanol são pagas em um ou dois dias, enquanto a exportação de açúcar demora muito

mais, e as usinas têm muitas contas a pagar no início da safra”, disse. Na safra passada, as usinas utiliza− ram 45% da safra de cana−de−açúcar

para produzir açúcar e 55% para pro− duzir etanol. Cada ponto percentual corresponde a cerca de 700 mil tone− ladas de açúcar. Os números recém−publicados pela UNICA da moagem de cana no Centro−Sul alertam para a real possi− bilidade de uma redução na produção de cana desta safra.Várias consultorias têm reduzido suas estimativas de pro− dução já refletindo o desempenho percebido pelas usinas nesse início de moagem. A Archer Consulting reduziu sua estimativa na produção de cana para 2022/23 no Centro−Sul para 548 milhões de toneladas (a anterior era de 552 milhões) também reduzindo a ATR em pouco mais de um quilo por tonelada de cana, o que ajusta a pro− dução de açúcar para 31.5 milhões de toneladas, 525,000 a menos do que o ano passado. O mix de produção, deve priorizar o etanol em 56.2% e coloca a previsão de produção do combustível em 25.4 bilhões de litros que somados ao etanol de milho totalizam 29.8 bilhões de li− tros, dos quais 11.5 bilhões de litros de anidro e 18.3 bilhões de litros de hi− dratado. Tem usina que vai elevar a produção de etanol mais de 10 pontos percentuais em relação à safra passada. Luiz Carlos Gouvêa Carvalho, presidente da Canaplan, afirma que a temporada 2022/23 deve apresentar uma recuperação. “Parece que vamos ter uma recuperação maior na produ− tividade agrícola, mas menor na qua− lidade, ou seja, será uma safra mais ca− ra”, disse ele na abertura da 1ª Reu− nião Canaplan Safra 2022/23, realiza− da no dia 19 de abril, em Ribeirão Preto – SP. A consultoria estima para a safra 2022/23 um aumento entre 5% e 9% da produtividade agrícola em compa− ração com a safra anterior. Com isso, a entidade projeta uma moagem de 545 milhões de toneladas de cana, poden− do variar entre 530 a 560 milhões de toneladas, a depender das condições climáticas se mostrarem mais favorá− veis ou não. Segundo Carvalho, o mix deverá ficar entre 40 e 45%, com o volume de açúcar ficando entre 28,6 e 34,0 mi− lhões de toneladas, e a produção de etanol ficando entre 26,5 e 28,0 bi− lhões de litros. “A safra terá volatilidade menor, mais vai ajudar muito em termos de preço, temos um impacto bom do pon− to de vista de remuneração”, ressaltou.


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MERCADO

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MG deverá produzir 68 mi de toneladas de cana na safra 2022/23 estima SIAMIG Volume supera em 6% a moagem da temporada passada A produção de cana−de−açúcar em Minas Gerais, na safra 2022/23, se− rá de aproximadamente 68 milhões de toneladas, volume que supera em 6% o registrado na safra passada, que foi im− pactada de forma negativa pelo clima e somou 64 milhões de toneladas. Os números foram divulgados, no dia 29 de abril, durante a cerimônia de Abertura da Safra Mineira de Cana− de−açúcar 2022/23 – Transformando o futuro através da nossa energia. O evento aconteceu na Fazenda Santa Vitória, na Usina CMAA (Unidade Vale do Tijuco), em Uberaba. Em Minas, no mesmo período, a produção de etanol total será de 2,95 bilhões de litros, aumento de 5%. En− tre os biocombustíveis, a maior pro− dução será do etanol hidratado, 1,7 bilhão de litros, o que representa uma alta de 10% sobre a safra passada. A produção de etanol anidro ficará 2% inferior, somando 1,2 bilhão de litros. No ano, é esperada uma produção de 4,3 milhões de toneladas de açúcar, aumento de 5%. O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG), Mário Campos, explica que na safra atual haverá uma recuperação de 4 milhões de tonela− das de cana−de−açúcar frente à safra anterior, que foi bem menor pela se− ca registrada no Estado. “O ano pas− sado foi muito difícil para o setor, que enfrentou a maior seca do Esta− do. Após uma safra recorde de 70 milhões de toneladas de cana−de− açúcar em 2020, moemos apenas 64 milhões em 2021. Agora, o setor ini− cia a safra com a projeção de 68 mi− lhões de toneladas de cana, uma re− cuperação de 4 milhões de tonela− das”, disse Campos. Em relação à produção, Campos explicou que este ano haverá uma recuperação do volume de etanol hidratado. Com isso, a tendência é de maior oferta do produto no merca− do e preços mais competitivos que os da gasolina. Campos destacou ainda a impor− tância do setor sucroenergético na produção de energia limpa.“Lançamos a safra com o tema ‘Transformando o futuro através da nossa energia’. Em nossos parques de bioenergia, fabrica−

mos produtos essenciais, que transfor− mam vidas, geram empregos. O mun− do está em franca transformação e a transição energética para baixo carbo− no está na agenda do mundo. O Bra− sil e Minas Gerais são ricos e têm op− ções. Precisamos valorizar isso. Minas tem como meta, até 2050, ter a neu− tralidade climática, um desafio enor− me. Nosso setor contribui para isso. Somos sustentáveis, produzimos cana, biocombustíveis e energia limpa”, destacou. “O agronegócio em Minas Gerais tem sido o setor que mais cresce, ge− rando empregos, e tem tido todo o apoio do nosso governo. Estamos, ho− je, junto a um setor que lida com grandes empresas, mas é importante lembrar que Minas tem mais de 600 mil propriedades rurais e a maioria é de micro e pequenas empresas. E nos− so apoio é a todos”, afirmou o gover− nador de Minas Gerais, Romeu Zema. Após dois anos de interrupção dos eventos presenciais por conta da co− vid−19, a Abertura de Safra Mineira de Cana−de−açúcar 2022/2023, rea−

lizada pela CMMA e SIAMIG, teve como objetivo mostrar como a bio− energia move o país, impulsionando a economia com sustentabilidade. O evento também reuniu cerca 700 pes− soas entre empresários, executivos, produtores e lideranças políticas da região para um balanço sobre a safra de 2021/22 e estimativas para 2022/23.

CMAA Terceiro maior grupo do setor su− croenergético de Minas Gerais, a Companhia Mineira de Açúcar e Ál− cool (CMAA), que sediou o evento de abertura da safra mineira, inicia a safra 2022/2023 com uma projeção de moagem em torno de 9 milhões de toneladas de cana−de−açúcar. O vo− lume resultará em uma produção de 630 mil toneladas de açúcar, 330 mi− lhões de litros de etanol e quase 400 mil MW/h de energia. A produção desta safra deve gerar uma receita lí− quida superior a R$ 2 bilhões e ser responsável por mais de 10 mil em− pregos diretos e indiretos.

Força do setor

Minas Gerais conta com 34 usinas em atividade e 130 municípios pro− dutores de cana de açúcar, gerando cerca de 167 mil empregos. No ran− king nacional, o estado aparece como o segundo em produção de açúcar, terceiro em cana e quarto em etanol, biocombustível derivado da cana. A nível nacional, a produção de cana de açúcar em Minas representa 11,4% do que é produzido no país. O estado também se destaca na geração e comercialização de bioeletricidade. Ao todo, são 23 usinas de bioeletricidade instaladas em solo mineiro, produzin− do 3,196 milhões de MWh de energia que atendem 1,18 milhão de pessoas. A região do Triângulo é a que mais se destaca na produção de cana no es− tado. De acordo com o IBGE, em 2020, a produção local alcançou 52,5 milhões de toneladas, o que representou 67% da produção mineira. Considerando a produção de álcool e cana de açúcar, Minas arrecadou R$ 3,8 bilhões por meio do setor, entre os anos de 2018 e o primeiro trimestre de 2022.


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BNDES dobra para R$ 2 bi recursos para setor de biocombustíveis Programa BNDES RenovaBio já aprovou quase R$ 800 milhões desde 2021 O Banco Nacional de Desenvolvi− mento Econômico e Social (BNDES), ampliou em R$ 1 bilhão os recursos disponíveis do BNDES RenovaBio, totalizando uma dotação de R$ 2 bi− lhões até o final de 2022. O programa oferece apoio direto ao setor de bio− combustíveis por meio de crédito ASG (Ambiental, Social e Governança), no âmbito da Política do RenovaBio. O cumprimento das metas previs− tas do RenovaBio viabilizará a redu− ção das emissões na matriz nacional de combustíveis de transporte equivalen− tes a mais de 700 milhões de tonela− das de carbono entre 2021 e 2031. Is− so se dará por meio da ampliação da produção e uso de biocombustíveis certificados no país. Desde seu lançamento, em janeiro de 2021, o Programa BNDES Reno− vaBio já aprovou quase R$ 800 mi−

lhões em financiamentos a 9 opera− ções e desembolsou R$ 558 milhões, o que aponta a existência de deman− da do programa pelo setor. Os recursos aprovados até o mo− mento serão direcionados para 10 unidades produtoras de etanol, sendo seis no estado de São Paulo, duas em Minas Gerais e as demais no Mato Grosso e em Alagoas. “O ritmo rápido de aprovações do BNDES RenovaBio é indicativo de que o setor está alinhado com a ne− cessidade de adoção das melhores práticas ASG. E de que o formato de linked loans é um estímulo importan−

te para suportar os investimentos, com a redução de taxas de juros para as empresas que cumprirem suas metas socioambientais”, comenta o diretor de crédito produtivo e socioambien− tal, Bruno Aranha. Um dos diferenciais do BNDES RenovaBio é a taxa incentivada: as empresas que, ao longo do período de pagamento dos empréstimos, alcançam as metas de redução de emissão de CO2 estipuladas pelo programa pas− sam a pagar juros menores. O valor máximo de cada financia− mento é de R$ 100 milhões por uni− dade produtora, considerando o limi−

te por grupo econômico de R$ 200 milhões. O prazo total de pagamento é de até 96 meses, incluída uma ca− rência de até 24 meses. A vigência do programa é 31 de dezembro de 2022 e os financiamentos são contratados diretamente com o BNDES. Ao vincular a redução da taxa de juros, que pode chegar a 0,4%, às me− tas socioambientais, os clientes são in− centivados a adotar práticas produtivas mais sustentáveis ao longo da vigência do financiamento. “A oferta de linha de financia− mento que confere menores taxas de juros aos produtores que promovam aumento de sua nota de eficiência energético ambiental no RenovaBio constitui importante incentivo para garantir uma oferta crescente dos cha− mados certificados de descarbonização (CBIOs). Ou seja, trata−se de meca− nismo que contribui para o atingi− mento das metas do programa au− mentando a oferta de CBIOS ao mercado”, explica Rafael Bastos da Silva, secretário de Petróleo, Gás Na− tural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia.


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EtANOl VERSUS HíBRiDOS

É preciso exportar a tecnologia do etanol Afirmação é do engenheiro Wanderlei Marinho, para quem o biocombustível pode ser empregado mundialmente também como redutor de CO2

O etanol tem papel fundamental diante a transição energética e como redutor de emissões de CO2. Mas é preciso aproveitar estas estratégias e exportar a tecnologia brasileira do biocombustível. Diante disso, o engenheiro eletri− cista Wanderlei Marinho, membro da Sociedade de Engenheiros Automo− tivos (SAE Brasil), alerta: conseguire− mos exportar esta tecnologia? “É preciso ter suprimento para além da capacidade brasileira”, relata ele nesta entrevista ao JornalCana, on− de avalia, também, os próximos passos da eletrificação e o espaço dela para os motores híbridos. Jor nalCana − Qual é o papel dos biocombustíveis diant e da per spec− t iva de mú ltip las rota s te cnológ icas da in dústr ia a uto mobil ísti ca e, por outro lado, da necessidade de redu− z i r a s e mi s s õ e s d e CO 2 j á q u e o s t r a n s p o r t e s c o n c e n t r a m 25 % d a s emissões g lobais? O papel é fundamental. Temos uma qualificação, uma capacitação e produção de etanol que têm corres− pondido às expectativas. A questão é: conseguimos expor− tar essa tecnologia? É preciso ter su− primento do biocombustível para além da capacidade brasileira. Temos um trabalho a fazer neste sentido se a gente quiser mostrar para o mundo que a transição lá fora está muito forte por razões óbvias e prin− cipalmente na Europa, por razões ób− vias, devido à utilização e consumo de combustíveis fósseis e das consequen− tes emissões de CO2 devido aos mo− tores a combustão. Aqui a situação será muito ajusta− da às nossas capacidades. Ou seja: um bom tempo teremos as necessidades atendidas. Será que as montadoras manterão os motores a combustão cá no Brasil diante da evolução do que acontece lá fora [de avanço da eletri− ficação]?

Explique mais, por f avor. É preciso considerar o veículo como um todo, não apenas do chassi para baixo, onde se encontra a parte da propulsão, mas também do chassi para cima, onde se encontram os sis− temas de controle e automação dos veículos. Lembro que nos veículos híbridos a parte de propulsão eletri− ficada é proporcionalmente compa− rável à utilizada em um carro pura− mente elétrico. Quando somamos as potências do motor a combustão e do motor elé− trico é formado o que denominamos de um veículo híbrido ou de propul− são híbrida. Considerando este contexto, a tecnologia de propulsão do veículo puro elétrico a bateria (VEB ou BEV – Battery Electric Vehicle) é fácil de ser alcançada porque já é dominada, e no híbrido esta arquitetura formada pelo motor elétrico, inversor e con− versores eletrônicos e baterias de Íons de Lítio já está sendo utilizada. Vejo que no Brasil o etanol tem papel importante ainda por algum tempo, para os veículos com motores a combustão flex, ou mais recente− mente nos veículos híbridos flex. Mas, temos que olhar para fora do país e ter ciência de que a evolução está sendo pensada, desenvolvida e concebida para o veículo como um todo e que essas tecnologias desen− volvidas no exterior, devem contri− buir para o que formos produzir no Brasil, até que a eletrificação se esta− beleça também por aqui. Digo isso porque o mundo está investindo mais nos sistemas de pro− pulsão com a configuração de pro− pulsão puro elétrico, sabidamente mais eficiente e menos poluente do que os veículos com propulsão a combustão ou mesmo híbridos, co− mo comentamos. Em recente apresentação online, o sr infor ma, a partir de dados da Anfavea, que os motores flex e a diesel serão maior ia no Brasil em 2035. Isso reforça a importância dos biocombustíveis?

Sim, os dados da Anfavea apresen− tam esse cenário. Um cenário plausí− vel diante do estágio atual da utiliza− ção do etanol combustível no Brasil e da capacidade tecnológica do País em acompanhar esse movimento mundial pela eletrificação automotiva. Durante esse período de transição, os biocombustíveis terão papel im− portante até alcançarmos um grau adequado de eletrificação também sustentável. É possível inferir então, que vamos conviver harmonicamente com estas tecnologias de propulsão, flex, híbrida e pura elétrica. Podemos considerar que vamos percorrer esse caminho com a calma necessária para manter o mercado consumidor abastecido e as montado− ras se preparando gradualmente e atuando adequadamente, entregando produtos/veículos adequados a essa transição e seus contextos. Há também que se considerar no caminho da eletrificação a impor− tante participação dos veículos pe− sados e também dos veículos e má− quinas utilizados no setor agrícola, uma fonte importante de recursos para o Brasil. Lembro também que a eletrifica− ção automotiva necessita da infraes− trutura de recarga dos veículos híbri− dos Plug−In e puro elétricos em pro−

porções que sustentem percorrermos este caminho. Neste caso voltamos nossa atenção também para as energias limpas e re− nováveis, oriundas, por exemplo, dos painéis de geração de energia solar, dos geradores eólicos, combinadas com nossa geração hidroelétrica, têm um papel importante na geração e no su− primento de energia para este futuro próximo da eletrificação automotiva. Notamos aqui que temos que atuar no que denominamos de ecossistema da mobilidade elétrica para obtermos re− sultados esperados. Em sua apresentação no webinar Híbr ido e Etanol − O Motor do Fu− turo, em 06 de abr il, o sr. destaca que gostar ia de ver no Brasil o que ocor− re na Europa, em que há um mapa com os investimentos feitos em mo− tores elétr icos e híbr idos. Como esta− mos? O que apresentei no seminário sobre o motor do futuro foi um estu− do da empresa Deloitte que mostra o roadmap dos investimentos previstos até 2030 das montadoras em veículos híbridos e, principalmente, nos veícu− los puramente elétricos. No Brasil, estamos observando atentamente esse caminho adotado pelas montadoras. Pensando ainda


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va. Por outro lado, precisamos investir bastante também na capacitação de profissionais na área automotiva. No caso de motores elétr icos não f altam mais pesquisa e investimento local, uma vez que g rande parte des− ses veículos é impor tada? Temos grandes centros de desen− volvimento na parte de motores elé− tricos. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) possui um centro relacionado, a própria USP também. Outra área importante de investimento está ligada aos sistemas de carregamento de energia das bate− rias dos carros elétricos.

mais à frente, nos veículos a hidro− gênio ou a células a combustível de hidrogênio, em que geramos energia elétrica a partir do hidrogênio, des− taco que já tivemos no Brasil em− presas que produziram células a combustível a hidrogênio e, no caso das atuais pesquisas no País, temos várias instituições trabalhando com as células. Uma delas é do Instituto de Pes− quisas Energéticas e Nucleares (IPEN), que trabalha com o desen− volvimento de células a combustível a hidrogênio. No próprio IPEN, no Centro de Inovação, Empreendedo− rismo e Tecnologia (Cietec), que é uma incubadora de empresas, surgiu a Eletrocell, por volta do final da dé− cada de 90, fabricante dessas células a hidrogênio, com a tecnologia co− nhecida como PEM – Proton Ex− change Membrane. Atualmente, também estudos es− tão sendo conduzidos na Unicamp, com célula combustível a etanol ou Célula de óxido sólido (SOFC – So− lid Oxide Fuel Cell) para ser embar− cada no veículo, e temos também uma unidade da célula SOFC sendo desenvolvida no Instituto Mauá de Tecnologia para geração de energia e carregamento de veículos elétricos. A FIEP−SESI−SENAI no Paraná,

também está desenvolvendo suas pes− quisas com células a hidrogênio. Lembro aqui que muitas monta− doras, já há muito tempo desenvolvem pesquisas nesta área. E o interessante é que o objetivo atual do Brasil é alcan− çar uma maior utilização dessas célu− las a hidrogênio por conta da previsão de disponibilidade e produção do eta− nol de onde extraímos o hidrogênio, e em breve, do hidrogênio Verde, o hi− drogênio produzido a partir de ener− gias renováveis. Há também a questão das bater ias. Nesse caminho estamos traba− lhando bastante no desenvolvimento das características operacionais das ba− terias eletroquímicas, principalmente nas baterias de Íons de Lítio. Na ca− deia produtiva, já estão surgindo fa− bricantes de baterias de Íons de Lítio no Brasil, o que é um passo impor− tante para a eletrificação. Na área de motores elétricos, te− mos a WEG, já produzindo sistemas para propulsão. Isso tudo é suficiente para a tran− sição energética? Precisamos de mais fornecedores de sistemas elétricos, eletrônicos, bem como dos motores elétricos e que se− jam dedicados à propulsão automoti−

O sr. aler ta para a escassez de pro− fissionais para atuarem nessa transição energética. O Brasil está muito atrasa− do nessa questão ou ainda dá tempo? Não é uma questão de atraso, mas uma questão de ajuste de demanda e capacidade e nesta equação, o tempo de transição é uma variável também importante. Para o setor automotivo em geral, ir para a eletrificação está sendo considerada uma mudança bas− tante acentuada. Mas, academicamente, temos ca− pacidade de capacitar profissionais pa− ra atuar com competência nestas áreas já citadas anteriormente. Nossos pro− fissionais são tão bons que muitos es− tão tendo a oportunidade de aplicar seus conhecimentos no exterior. Devemos então continuar atuan− do na capacitação destes profissionais nos níveis médio, superior e de pós− graduação, oferecendo o conheci− mento técnico necessário pa− ra dar suporte a essa transição. Qual sua avaliação? Te m o s que conti− nuar inves− tindo sem− pre. E assim, mostrar para o mundo que temos as tec− nologias e capaci− dades de fabricação desses sistemas e subsistemas automotivos, e também temos os pro− fissionais competentes para lidar com essas tecnologias.Várias instituições no Brasil, sabendo destas oportunidades e necessidades, têm oferecido cursos téc− nicos e tecnológicos, cursos de nível superior e de pós−graduação para dar suporte a esta jornada de transição. Temos muito ainda por fazer e realizar e começamos há muito tem− po. Portanto, os caminhos já sabemos quais seguir.Vamos agir.

Quem é Wanderlei Marinho Engenheiro eletricista pela Universidade Santa Cecília. Possui especialização pela University of Manchester Institute of Science and Technology (UMIST), Manchester, Inglaterra. Tem mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Participou dos cursos "Business and Management for International Professionals" (University of California, Irvine, EUA), "Negotiation for Senior Executives na Harvard University (Cambridge, EUA) e "Executive Program on Project Management" (The George Washington University School of Business em Washington DC, EUA). Possui especialização pela University of Manchester Institute of Science and Technology (UMIST), Inglaterra. É membro do Project Management Institute (PMI−EUA) e PMI Chapter São Paulo. É revisor do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), EUA, além de membro da Society of Automotive Engineers (SAE) Brasil, onde atua no Comitê de Veículos Elétricos e Híbridos. É professor de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).


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Centro de Excelência em bioenergia será criado por Brasil e Índia Uso de etanol será incentivado para reduzir níveis de emissões A cooperação bilateral entre o Brasil e a Índia para a promoção do etanol e suas misturas no setor auto− motivo terá um Centro Virtual de Ex− celência (CoE). A iniciativa está pre− vista no Memorando de Entendi− mento assinado no dia 21 de abril, em Nova Deli, pela União da Indústria de Cana−de−Açúcar (UNICA) e a As− sociação dos Fabricantes dos Auto− móveis Indianos (SIAM). “O CoE será um portal de conhe− cimento, um hub que reunirá infor− mações importantes e atualizadas so− bre avanços tecnológicos, normas téc− nicas, regulamentos, políticas públicas e sustentabilidade relacionados à bio− massa e bioenergia”, adiantou o presi− dente da UNICA, Evandro Gussi. O documento prevê uma série de iniciativas focadas em políticas para reduzir os níveis de emissão de gases de efeito estufa a partir do uso de eta− nol. Para isso, será utilizada avaliação do ciclo de vida da fonte energética, desde o cultivo ao produto que chega ao consumidor. Também estabelece o intercâmbio de informações sobre biomassa para bioenergia e acesso ao mercado e sustentabilidade dos bio− combustíveis. O diretor−geral da SIAM, Rajesh Menon, disse que o Memorando de Entendimento abrirá o caminho para aprofundar a colaboração não só en− tre as duas organizações, mas também dará apoio e complementará os esfor− ços dos governos na promoção da bioenergia, biocombustíveis, e outros combustíveis de base biológica para a mobilidade com baixo teor de carbo− no na Índia e no Brasil. “É de fato um privilégio e uma honra para a SIAM assinar um Me− morando de Entendimento com a UNICA para trabalhar em conjunto no sentido de alcançar o objetivo co− mum de mobilidade com baixo teor de carbono por meio da mistura de etanol, tecnologia e investimento”, declarou Menon. A parceria está pautada em cinco pilares: tecnologia, normas, políticas públicas, comunicação e sustentabili− dade. Eles têm como pano de fundo temas vinculados à qualidade do combustível, compatibilidade de ma−

dos, porque estamos falando em ações para reduzir os impactos da mudança do clima”, afirmou Gussi.

incentivo ao uso

teriais, regulamentação do mercado, distribuição e armazenamento, além da utilização de veículos flexfuel, com motores a combustão que funcionam tanto com gasolina como com etanol, a qualquer proporção.

Mobilidade Sustentável O Brasil é o segundo maior pro− dutor de etanol do mundo, depois dos Estados Unidos, e abriga a maior fro− ta mundial de carros que utilizam eta− nol como combustível. A Índia tam− bém tem um forte foco na área de biocombustíveis e antecipou em cin− co anos, para 2025, a meta de atingir 20% de mistura de etanol na gasolina. O país é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, depois do Brasil, e tem potencial para converter o esto−

que excedente de açúcar em etanol. Em janeiro de 2020 os dois países assinaram, no âmbito governamental, um Memorando de Entendimento em bioenergia. Entre outros aspectos, concordaram em trabalhar juntos pa− ra promover e fomentar a economia de baixo carbono, tendo por objetivo as metas estabelecidas na Conferência do Clima da ONU. O documento as− sinado pela UNICA e pela SIAM, ambas da iniciativa privada, está em li− nha com o Memorando de Entendi− mento firmado há dois anos. “O futuro está se mobilizando em direção a um mercado mundial de etanol, e nossa parceria pode benefi− ciar todos os países, globalmente, com a descarbonização do setor de trans− portes. É um tema que interessa a to−

Atualmente, mais de 60 países no mundo já possuem mandatos que es− tabelecem algum nível de mistura de etanol na gasolina. No Brasil, o uso de etanol por quase 50% dos carros do Ciclo Otto (veículos leves) evitou a emissão de 600 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Na Guatemala, com uma política efetiva que implemente a mistura de 10% de etanol na gasolina é possível evitar a emissão de aproximadamente 250 mil toneladas de CO2 anualmen− te. A medida contribuiria para o país centro−americano atingir os com− promissos assumidos no Acordo de Paris. A meta dos guatemaltecos é di− minuir 11% de suas emissões globais de CO2 até 2030. “A Guatemala é uma país que es− tá pronto para iniciar um programa de etanol. Há muito interesse do gover− no em ter uma matriz energética, uma matriz de transportes mais limpa”, disse Eduardo Leão de Sousa, diretor− executivo da UNICA. Segundo ele, a primeira edição do Sustainable Mo− bility: Ethanol Talks Guatemala, rea− lizada no início de maio, na Cidade da Guatemala, teve resultado muito po− sitivo e deve redundar em um proces− so contínuo de colaboração entre os dois países, de estreitamento e forta− lecimento da nossa relação. “É o iní− cio de uma longa caminhada, que es− peramos que será muito bem−suce− dida”, ressaltou.


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Melhoramentos é a nova dona da Vale do Paraná Companhia passará a ter capacidade de moagem de 7 milhões de toneladas de cana

A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) firmou contrato de aquisição da Vale do Pa− raná SA. Álcool e Açúcar, localizada em Suzanápolis – SP, buscando ampliar a sua capacidade de produção. Fundada em 1925, a Melhoramen− tos inicialmente se dedicou a coloni− zação de 515 mil alqueires na região Norte do Paraná, com a fundação de 63 cidades, dentre as quais se destacam Londrina, Maringá, Cianorte e Umua− rama e a venda de mais de 100.000 lo− tes rurais e urbanos, onde hoje residem mais de 2 milhões de habitantes. A empresa, que se destaca por seus elevados padrões de atuação com re− lação a proteção do meio ambiente e busca contribuir de forma positiva com as comunidades das regiões em

que atua, atualmente, tem como sua principal atividade a produção de eta− nol e geração de energia elétrica em duas unidades industriais localizadas em Jussara e Nova Londrina, ambas no Paraná, com capacidade somada de 5 milhões de cana. Com a aquisição da Vale do Para− ná, a Melhoramentos agregará mais 2 milhões de capacidade de moagem de cana, além de conhecimento técnico importante já que a Vale do Paraná

possui 85% de seus canaviais irrigados, o que contribui para mitigação de ris− cos climáticos e resulta em consisten− te aumento de produtividade. Na safra passada, a Melhoramentos obteve receita líquida de R$ 1,1 bi e EBITDA de R$ 700 MM. Espera−se que as operações, quando integradas, gerarão receita líquida de R$ 1,5 bi e EBITDA em torno de R$ 900 MM. “A conclusão da transação está sujeita à aprovação do Conselho Ad−

ministrativo de Defesa Econômica (CADE) e outras condições prece− dentes previstas no contrato. Consu− madas a operação, a CMNP assumirá definitivamente a condução da Vale do Paraná e dará continuidade a todos os compromissos estabelecidos, buscan− do explorar a sinergia entre as empre− sas, promovendo a integração das três plantas industriais”, informa Gastão de Souza Mesquita Filho, da Diretoria da Melhoramentos.

Copersucar e Vibra concluem criação de joint venture de etanol Nova empresa quer se consolidar como uma das maiores comercializadoras de etanol do Brasil A Vibra Energia, maior distribui− dora de combustíveis do Brasil, divul− gou no dia 5 de maio, a conclusão da criação da joint venture de comercia− lização de etanol com a Copersucar. O acordo entre as empresas havia sido as− sinado no final de agosto de 2021 e posteriormente aprovado, sem restrição, pelo CADE, em 11 de abril deste ano. Com a transação, a Vibra passa a ter 49,99% do capital social da Empresa Comercializadora de Etanol (ECE), mantendo a Copersucar com 50,01%. O foco desta nova empresa será a comercialização de etanol anidro e hi− dratado. O objetivo é criar uma plata− forma integrada de comercialização de etanol, aberta a todos os produtores, distribuidores e brokers que queiram

realizar negócios com a joint venture, para tornar as operações neste seg− mento ainda mais produtivas. Por meio da expertise dos sócios e das sinergias geradas, a comercializadora de etanol irá agregar valor para toda cadeia do etanol, aumentando a eficiência e be− neficiando todo o mercado. “Após essa etapa ainda restarão ou− tros atos societários e operacionais para a efetiva entrada em operação da ECE, como a obtenção das devidas atualiza− ções regulatórias pela ANP, assim como o futuro aporte de mais R$ 440 mi− lhões, na proporção das respectivas par− ticipações dos acionistas”, afirma André Corrêa Natal, diretor Vice−Presidente Executivo de Finanças, Compras e RI (CFO/IRO) da Vibra Energia. Segundo ele, a ECE adotará o mo− delo “assetlight”, sem o aporte de ati− vos imobilizados de seus sócios e terá estrutura de governança própria. “Esta decisão está alinhada à nossa estratégia de fortalecimento do core business da companhia, que busca se consolidar como uma das maiores comercializa− doras de etanol do Brasil”, conclui.


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Usinas do Grupo Virgolino de Oliveira serão vendidas como UPIs Companhia, que não vai moer nesta safra, dispensa maioria dos funcionários

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), da família Ruete de Oliveira, apresentou novo Plano de Recupera− ção (RJ) em Assembleia Geral de Credores realizada no dia 13 de maio, o qual reflete o atual estágio de nego− ciações com os credores. Com dívidas que chegam à casa de R$ 3 bilhões, o grupo possui quatro unidades sucroe− nergéticas no interior de São Paulo (Catanduva; Itapira; José Bonifácio e Monções) além de outras empresas. A empresa entrou com pedido de RJ em 28 de maio de 2021, sendo aprovado em 8 de junho de 2021. O processo segue em curso pe− rante a Vara Única da Coarca de San− ta Adélia – SP, tendo como adminis− tradora judicial nomeada pelo Juízo da Recuperação, a R4C Administração Judicial Ltda. De acordo com a em− presa, a apresentação deste novo pla− no em consolidação substancial é in− dispensável para assegurar o sucesso da RJ e o soerguimento do GVO. “Diante da existência de dificul− dade da companhia em cumprir com suas atuais obrigações financeiras, o novo plano prevê a realização de me− didas que objetivam o reperfilamento do endividamento do grupo; a gera− ção de fluxo de caixa operacional ne− cessário ao pagamento da dívida e a geração de recursos necessários para a continuidade das atividades das recu− perandas, devidamente dimensionadas para a nova realidade do Grupo Vir− golino de Oliveira”. Segundo o documento a ser ho−

mologado, a atual situação do GVO decorre não de um único fator, mas, sim, de um conjunto de fatores res− ponsáveis pelo desencadeamento de uma grave crise que se construiu pouco a pouco, durante anos de ati− vidade empresarial pelo Grupo. Entre elas, cita os contínuos prejuízos há mais cinco anos; constantes bloqueios judiciais em contas correntes das re− cuperandas; cenário de incerteza eco− nômica que se projeta para os próxi− mos anos, em razão dos efeitos nega− tivos da pandemia da covid−19 e di− minuição da matéria−prima (cana− de−açúcar) disponível para a moagem, em razão da dificuldade em manter parceiros diante da dificuldade finan− ceira experimentada pelo GVO, que dificultou a aquisição da cana. Diante deste cenário, as usinas do

grupo não irão moer nesta safra, o que ocasionou na dispensa da maioria dos funcionários na última sexta−feira. Segundo a empresa, as dispensas foram feitas de acordo com o novo PRJ. Como solução mais eficiente para a equalização e liquidação de parte substancial do passivo do Grupo, o novo plano prevê a reestruturação do passivo das recuperandas e sua reorga− nização societária; a distribuição aos credores de parte dos resultados líqui− dos auferidos pelas empresas ao longo do exercício de suas atividades; a pos− sibilidade de captação de novos recur− sos para a implementação da retoma− da operacional; e a preservação de in− vestimentos essenciais para a manu− tenção das atividades das empresas. Além da alienação de bens, orga− nizados ou não em unidades produti−

vas isoladas (UPIs). Neste caso, serão constituídas a UPI Usina José Boni− fácio; a UPI Usina Catanduva; UPI Usina Itapira; UPI Usina Monções; a UPI Terras – Parte I; a UPI Terras – Parte II; a UPI Imóveis; a UPI Terras – Parte III e a UPI Créditos IAA. “O Grupo Virgolino de Oliveira, agindo com transparência e boa−fé, visando à celeridade dos trâmites ne− cessários para a implementação da alienação de cada UPI, à maximização do valor dos ativos e à redução de custos no procedimento, entende por bem dispensar a realização de avalia− ção judicial, com o que, desde já, os credores concordam mediante Apro− vação do Plano”, esclarece a compa− nhia. Cada UPI será alienada mediante a realização de processo competitivo específico, na modalidade de propos− tas fechadas. Após 120 dias corridos contados da homologação do plano, o GVO deverpa contratar corretores ou quaisquer outros assessores com ex− pertise na área de alienação de usinas e imóveis rurais para o auxiliar na alienação das UPIs e dos demais bens na forma do novo plano. De acordo ainda com a empresa, com a homologação do plano, os cré− ditos serão novados, ou seja, surgirá uma nova dívida do devedor em rela− ção ao credor, com o desaparecimen− to da original.


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Jalles Machado compra Usina Santa Vitória Usina goiana passará a ter capacidade para processar 8,5 milhões de toneladas de cana por safra

A Jalles Machado assinou o con− trato de aquisição da Usina Santa Vi− tória Açúcar e Álcool (SVAA), locali− zada em Perdilândia, no Triângulo Mineiro, e da Cogen ERB MG Ener− gias S.A, planta de cogeração anexa à usina no dia 4 de maio. As unidades pertenciam à Geribá Investimentos, empresa brasileira de gestão de ativos, desde setembro de 2020, quando foram compradas da multinacional norte−americana Dow Chemical. O montante total da transação é de R$ 704,86 milhões, sendo o valor a ser pago pela Santa Vitória será de R$ 370,06 milhões, sujeito a um ajuste de preço a ser verificado na data de fechamento da aquisição me− diante aos resultados da companhia no que diz respeito à performance da safra 2022/23, cuja base será uma moagem mínima de 1,9 milhão de

toneladas, inclusive prevendo um desconto no preço caso a moagem efetiva seja inferior. A Jalles Machado também se comprometeu a prevê investir na usi− na R$ 334,80 milhões, valor também sujeito a eventuais ajustes de fecha− mento, sendo R$ 144,87 milhões à vista para cumprimento de obrigação de aquisição da Cogen ERB e paga− mento de dívidas bancárias de longo prazo da Cogen ERB, no montante de R$ 189,93 milhões. “Desta forma, os desembolsos to− tais da transação, descontadas as dívi− das bancárias assumidas na Cogen

ERB, serão de R$ 514,93 milhões, sujeitos aos ajustes de fechamento e earn−out”, explica o Rodrigo Penna de Siqueira, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Jalles Machado. Inaugurada em 2015, a Santa Vi− tória possui um parque industrial mo− derno, em uma área de 210 hectares, com somente 7 anos de operação. Conta com capacidade de moagem de 2,7 milhões de toneladas de cana−de− açúcar e de produção de mais de 240 milhões de litros de etanol do tipo hi− dratado por temporada. Na safra 2022/23, a área cultiva−

da da usina será de 37,6 mil hecta− res, com uma moagem planejada de dois milhões de toneladas, sendo 100% cana própria. Atualmente, é uma das maiores empregadoras da região, com cerca de 1.400 colabo− radores diretos. Já a Cogen ERB conta com um parque de geração em alta pressão (100 bar) e uma capacidade instalada de geração de 41,4 MW, dos quais 30,9 MW foram contratados no 21° Leilão de Energia Nova A−5, com prazo de vigência até 2044, ao preço atualizado (novembro/2021) de R$ 438,20/MWh.

Na safra 2022/23, a área cultivada da usina mineira será de 37,6 mil hectares A construção da Santa Vitória foi originalmente concebida para a pro− dução de plásticos verdes derivados de etanol, iniciativa da Dow Chemical, e que contou também com a participa− ção da multinacional japonesa Mitsui. A Santa Vitória apresentou suces− sivos prejuízos contábeis desde a con− cepção até a aquisição pela Geribá, que geraram prejuízos fiscais acumu− lados totalizando aproximadamente R$ 1,6 bilhão. Adicionalmente, a em− presa detém aproximadamente R$ 87,8 milhões de créditos acumulados de PIS e COFINS. Neste processo de turnaround, sob a gestão da Geribá, a Santa Vitória registrou seu primeiro ano de lucro em 20211 A aquisição da usina mineira faz parte do plano de expansão da Jalles Machado, iniciado com seu IPO, em fevereiro de 2021. “Com a abertura de capital da Jalles, a aquisição dessa terceira unidade era um dos nossos objetivos e a concretização do negó−

cio demonstra compromisso com os nossos acionistas e com os resultados da companhia. Assim, ganhamos es− cala e espaço para crescermos em uma outra região, com localização favorável para exportação, mais pró− xima ao Porto de Santos, tornando a empresa mais competitiva. Minas Gerais é um Estado que tem incen− tivado empresas do nosso setor”, res− salta o CEO da Jalles Machado, Otá− vio Lage de Siqueira Filho. Após a conclusão do negócio, a Jalles Machado passará a contar com três unidades industriais, com capaci− dade somada para processar 8,5 mi− lhões de toneladas de cana−de− açúcar por safra, sendo 2,7 milhões na Santa Vitória, 3,3 milhões na Usina Jalles Machado e 2,5 milhões na Usi− na Otávio Lage. O volume total re− presentará aumento de 46% sobre a capacidade das plantas atuais (5,8 mi− lhões de toneladas). “A Santa Vitória está localizada em

uma região com grande disponibilida− de de água para irrigação – atualmente possui capacidade de irrigação de 40% da área cultivada− e terras para futuras expansões em um ambiente multimo− dal”, comenta diretor Rodrigo. O fechamento da transação de− pende da implementação de condi− ções precedentes usuais para transa− ções desta natureza, conforme esta− belecidas nos contratos. Além da aprovação do Conselho Administra− tivo de Defesa Econômica – CADE e órgãos reguladores. A transação teve assessoria jurídi− ca do escritório Pinheiro Neto Advo− gados e assessoria financeira da FG/A. “Agradecemos a todos os envolvidos que tornaram possível a negociação e também ao Grupo Geribá Investi− mentos pela confiança”, completou Otávio Lage Filho. Aprovada a negociação, os even− tuais acionistas da Jalles Machado po− derão exercer o direito de retirada

quanto à totalidade das ações de emis− são da companhia de que mantiverem titularidade ininterrupta desde a pre− sente data e até o prazo de 30 (trinta) dias contados da data da publicação da ata da assembleia geral que houver aprovado a aquisição. Os acionistas dissidentes receberão da companhia, caso exerçam o seu di− reito de retirada, o valor de R$ 4,51 por ação de emissão da Jalles Macha− do, o qual foi calculado com base no valor do patrimônio líquido da em− presa em 31 de dezembro de 2021 e o número de ações em que atualmente se divide o capital social da usina. “A Jalles Machado manterá o mercado informado a respeito dos andamentos desta transação. Adicio− nalmente, realizará amanhã, 5 de maio, às 15h, uma teleconferência para o mercado em geral, para apresentar mais detalhes sobre o racional da tran− sação. Os dados para conexão estão disponibilizados no site de RI.


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MERCADO

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Mercado de agroquímicos para cana teve queda na safra 2021/22 Broca-da-cana impulsiona segmento de inseticidas O mercado de agroquímicos para cana−de−açúcar registrou queda de 9% em dólar no ano fiscal 2021, con− tabilizando US$ 1,26 bilhão, contra US$ 1,38 bilhão de 2020, conforme mostra pesquisa da consultoria Spark Inteligência Estratégica O estudo BIP – Business Intelli− gence Panel –, exclusivo da empresa, concluiu que esse resultado decorreu da desvalorização de 21% da moeda brasileira na safra (dólar médio da época de compra de insumos). Já em real, as vendas subiram 15%, de R$ 5,88 bilhões para R$ 6,78 bilhões. De acordo com o BIP, recém− publicado, a cana−de−açúcar, com 11% de participação, constitui hoje a terceira maior cultura, em faturamen− to, para o setor de proteção de culti− vos. Este, segundo a Spark, movimen− tou US$ 11,8 bilhões em 2021, declí− nio de 10% comparado a 2020 (US$ 13,04 bilhões). Na moeda americana, o levanta− mento da Spark revelou ter havido redução na movimentação em dólar em quase todas as categorias de agro− químicos da cana. Apenas o segmento de fungicidas, terceiro em importân− cia econômica, apresentou desempe− nho positivo: subiu 9,5% ante 2020, de

US$ 42 milhões para US$ 46 milhões. De acordo com Leite, no todo da pesquisa, o destaque fica por conta da evolução acumulada do grupo inseti− cidas. Mesmo com recuo de 5% na área plantada de cana desde 2017 (9,502 milhões de hectares para 9,021 milhões de hectares), o segmento cresceu em média 3,4% ao ano, em dólar, oscilando de US$ 435 milhões até US$ 557 milhões. Em 2021, fe− chou em US$ 497 milhões, 10% abai− xo de 2020 (US$ 550 bilhões). Na segunda posição entre os agroquímicos da cana, os inseticidas corresponderam a 34% da movimen− tação total da cultura em 2021, con−

forme a Spark. “Na avaliação em área tratada, tais produtos tiveram aumen− to médio na adesão de produtores da ordem de 10% ao ano, de 2017 a 2021, subindo de 14,939 milhões de hecta− res para 21,517 milhões de hectares”, enfatiza Leite. Há expectativa de que o segmen− to se mantenha aquecido nas próximas safras. “O controle da broca−da− cana, uma praga de alta severidade, deverá empurrar para cima os inseti− cidas, inclusive produtos de matriz biológica”, avalia Leite. “O manejo da broca correspondeu a 52% da área tratada e a 22% do segmento de inse− ticidas na safra 2021, em torno de US$

110 milhões. Destacaram−se, ainda, produtos para nematoides, pragas de solo (sphenophorus, cupins e migdo− lus) e cigarrinhas”, continua ele. Conforme os números da consul− toria, a área tratada por nematicidas saltou de 1 milhão de hectares para 1,27 milhão de hectares. A adesão cresceu de 11% para 13% do total da área cultivada. Já as cigarrinhas exigi− ram aplicações em 5 milhões de hec− tares ou 24% do total da área tratada com inseticidas, seguidas das pragas de solo. Estas, representaram 3,7 milhões de hectares tratados em 2020 e che− garam a 4 milhões de hectares na úl− tima safra. Segundo o BIP Spark Cana, os herbicidas permanecem na dianteira entre os produtos mais demandados por produtores na proteção das lavou− ras de cana, com 52% das vendas to− tais ou US$ 656 milhões. Este mon− tante, assinala Leite, embute uma que− da de 10% comparado a 2020 (US$ 729 milhões). Ainda conforme o BIP Spark Ca− na, os reguladores de crescimento, que dividem com os fungicidas a terceira posição entre os agroquímicos mais aplicados na gramínea, com 4% do mercado, movimentaram US$ 51 mi− lhões em 2021, contra US$ 54 milhões da safra passada, menos 4%. Demais produtos cobertos pelo levantamento – adjuvantes, redutores de ph, inocu− lantes, óleos e outros – totalizaram 1% ou US$ 12 milhões.

Brasil quer ter mais acesso a fertilizantes produzidos no Egito e diversificar pauta comercial Durante a abertura do Fórum Brasil–Egito, no Cairo, promovido pela Câmara de Comércio Árabe− Brasileira (CCAB), no dia 9 de maio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, rea− firmou o compromisso do Brasil com a segurança alimentar global. Ao par− ticipar da ele ressaltou o forte interes− se do Brasil em expandir as importa− ções de fertilizantes do Egito. “O Brasil é um provedor de ali− mentos seguros, acessíveis e nutritivos. Desejamos aprofundar os laços que nos unem ao povo egípcio e o co− mércio é uma das formas de fazer is− so: uma arte praticada aqui de manei− ra admirável há milênios. Com a ade− quada oferta de fertilizantes, atingire− mos as metas da FAO para a oferta de

alimentos para o mundo em 2050”, ressaltou o Ministro. No evento, a delegação do Mapa apresentou as metas do Plano Nacio− nal de Fertilizantes e as expectativas para o abastecimento de nutrientes para a agropecuária a longo prazo, vi− sando assegurar a produção de ali− mentos para o mundo.Vários empre− sários demonstraram interesse em for− necer fertilizantes para o Brasil. Tam− bém foi debatida a necessidade de re− forçar a aproximação entre empresá− rios e investidores de ambos os países para viabilizar os negócios. O Egito tem uma boa expressão na oferta de fertilizantes nitrogenados e potássicos, além de suas misturas em fer− tilizantes especiais, mas ainda sem gran− de expressão no mercado brasileiro.



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Guerra na Ucrânia provoca redução da produtividade no setor bioenergético Pressionado pela alta dos fertilizantes o setor busca alternativas como o uso da vinhaça Com a evolução dos preços dos fertilizantes e diante da dinâmica re− cente de preços do ATR, o compor− tamento da relação de troca do setor – especialmente no contexto das impli− cações econômicas do conflito no Leste Europeu – apresenta impacto negativo em termos de investimentos, levando à piora de indicadores de produtividade no médio e longo pra− zo no setor bioenergético brasileiro. A afirmação consta do estudo Projeto Campo Futuro CNA/Senar, elabora− do pelo Pecege/CNA. Segundo o estudo, com a forte elevação de preços dos fertilizantes e os impactos sobre o custo logístico in− ternacional, os problemas na cadeia global de fornecimento resultaram em escassez de produtos em certas regiões em momentos de 2021, aspecto que viria a se agravar após o início do conflito no Leste Europeu, ao final de fevereiro/2022. Tais altas, evidentemente, pressio− nam sobremaneira o custo de produ− ção da cana−de−açúcar e incentiva estratégias alternativas no campo, com destaque para o uso de vinhaça (espe− cialmente do tipo localizada, com vis− tas a diminuir a dependência de po−

tássio) e para utilização de esterco, oriundo de criações de bovinos e aves, como fonte de nitrogênio. O aumento da matéria−prima foi inferior à alta dos preços dos fertili− zantes. “Mesmo com os elevados pre− ços da matéria−prima, entre janeiro de 2021 e março de 2022, os produtores de cana−de−açúcar do Centro−Sul passaram a precisar comercializar, em média, duas vezes mais produto (ATR) para adquirir a mesma quantidade de

fertilizantes, o que explica a crescente busca por alternativas aos mesmos”, aponta o estudo. Com o início do conflito arma− do, a oferta russa de petróleo redu− ziu−se substancialmente, fazendo com o que o preço do barril apre− sentasse um processo de rápida ace− leração e chegando a superar em US$ 120 o barril no início de março de 2022. Tal fato pressiona não apenas o preço do etanol, via paridade com o

preço da gasolina, mas também do açúcar, dada a percepção de um mix de produção com maior representa− tividade do biocombustível no Bra− sil. Mostra−se, dessa forma, favorável aos preços do setor. Por outro lado, o Brasil passava por um processo de alta das taxas de juros, tornando o país atraente a capitais es− trangeiros. Com a alta do preço das commodities (incluindo petróleo), mais recursos adentraram o país, redu− zindo significativamente a taxa de câmbio, o que, por si mesmo, tenderia a reduzir a receita do setor. O atual momento, em que os cus− tos pressionam as margens do setor, deixa claro o contexto dinâmico e in− certo no qual o setor bioenergético se encontra. Sem as antigas proteções da forte regulamentação estatal existente até os anos de 1990, torna−se crítico, para usinas e produtores independen− tes, realizar um constante monitora− mento das condições do mercado. O estudo prevê a adoção de no− vas estratégias nos tratos culturais. “Particularmente na safra 2022/23, em meio a preços tão elevados de fertilizantes, novas estratégias nos tra− tos culturais podem se mostrar, não apenas economicamente viáveis, mas fundamentais para a manutenção de resultados positivos na atividade, uma vez que os termos de troca do setor apresentam clara tendência de dete− rioração”, afirma.


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Usinas buscam alternativas para driblar preços dos insumos industriais O ácido sulfúrico é um dos insumos que tem elevado o custo do processo de fermentação

A elevação do preço dos insumos provocada pela crise de abastecimen− to acende o sinal amarelo do setor bioenergético, que busca alternativas para minimizar o impacto nos índices de produtividade. Segundo estudo apresentado por Paulo Ramalho, di− retor administrativo e de suprimentos da Usina Caeté, diante do risco de in− disponibilidade, a escalada de preços do ácido sulfúrico, utilizado para o controle de bactérias, variou de R$ 0,70 a R$ 30,00 o quilo, entre março de 2020 e junho de 2021. O que fazer para enfrentar essa si− tuação foi a abordagem do primeiro Webinar Sinatub de 2022. Com o te− ma “Alternativas para a Crise no Abastecimento e Preços de Insumos Industriais”, o painel virtual realizado na quarta−feira, dia 4 de maio, além de Paulo Ramalho também contou com a participação de José Luiz de Moura, engenheiro químico na Usina Trapi− che S/A e do professor Dr. Octavio A. Valsechi (Vico) da UFSCar/Bioener− gy Hub. Sob a condução do jornalis− ta Alessandro Reis, o webinar contou com patrocínio das empresas AxiAgro e S−PAA Soteica. De acordo com Ramalho, a crise no abastecimento do ácido sulfúrico remonta a março de 2020, quando iniciou a pandemia, considerando que o ácido sulfúrico tem como base principal o enxofre e seu maior pro− dutor é a China.

“A baixa oferta de enxofre gerou automaticamente escassez no forneci− mento do ácido sulfúrico ou pela pa− rada de algumas plantas que são os principais fabricantes. O risco da in− disponibilidade no mercado gerou uma variação entre março de 2020 a junho de 2021 de R$70 centavos a R$30,00. Uma variação significativa que penalizou os caixas das empresas, tornando esse insumo num grande furo nos orçamentos”, disse. Segundo Ramalho, com a parada das usinas em novembro/dezembro de 2021, naturalmente a demanda redu− ziu e os preços voltaram a cair, mas não aos preços iniciais lá de março de 2020.“Em fevereiro deste ano, os pre− ços voltaram a subir de forma signifi− cativa, devendo permanecer assim até o meio do ano. O que o mercado en− xerga em relação ao sulfúrico é que ele ainda mantém a tendência de redução de disponibilidade e isso consequen− temente, gera o aumento nos preços do insumo”. Paulo afirma que a melhor estra−

tégia, é avaliar o melhor tempo de compra, geralmente na entressafra, e assim garantir o estoque necessário para evitar indisponibilidade e conse− quente prejuízo operacional. Ele também sugere um aumento na capa− cidade de armazenamento, avaliando o investimento em relação ao agrava− mento da crise de abastecimento. Na Usina Trapiche, com sede em Pernambuco, a solução encontrada foi a substituição do ácido sulfúrico por antissépticos (biocidas e bactericidas) no controle das bactérias, explicou o engenheiro químico da usina, José Luiz de Moura. “Inicialmente a fermentação era batelada alimentada. Em 1992 foi in− troduzida a fermentação contínua flo− culenta sem centrífuga. Em 2018 vol− tamos a utilizar centrífugas na fermen− tação contínua, com a finalidade de aumentar a capacidade fermentativa das dornas e possibilitar a secagem do excedente de fermento. O mosto atual que utilizamos é o melaço da fábrica de açúcar e a eficiência de fermenta−

Dr. Octavio A. Valsechi

José Luiz De Moura

Paulo Ramalho

ção é de 90 a 92%” explicou Moura. Moura apresentou uma simulação de custo com dois tipos de tratamen− to na fermentação. Um sem a aplica− ção do ácido sulfúrico (A) e outro com sua utilização (B), para uma pro− dução de 27.500 m3 de etanol. No tratamento A o custo ficou em R$ 641.444,23. No tratamento B, com o preço do ácido sulfúrico estimado em R$ 8,00, o custo passou a ser de R$1.855.700,00. De acordo com Moura, para empatar os custos dos tratamentos, o preço do ácido sulfú− rico teria de ser de R$ 2,48. Para o professor da UFSCar Oc− tavio A. Valsechi (Vico), o importante é focar nos fatores que afetam a pro− dução de açúcar e etanol. “A qualida− de de matéria−prima é de fundamen− tal importância, por ser a principal entrada de contaminantes da indús− tria”, ressaltou. Segundo o professor, as atenções devem estar voltadas ao conhecimento da ação dos microorganismos, motivo pelo qual a existência de um laborató− rio é fundamental para direcionar os procedimentos a serem adotados. “Está se fazendo análise da bacté− ria? faz análise da levedura? O labora− tório é uma ferramenta essencial na produção, para que se tenha resultados que me mostrem prontamente, o que está acontecendo no meu processo. Temos hoje, ferramentas que dão res− postas extremamente rápidas para on− de e como atuar, para que eu não te− nha prejuízos maiores e também para evitar o uso indiscriminado desses in− sumos”, afirmou. Valsechi ressalta que, para um bom gerenciamento é necessário ter infor− mações confiáveis, geradas no labora− tório que tem a condição de gerar in− formações confiáveis. “É necessário um sistema adequado de amostragem, métodos analíticos, equipamentos adequados e principalmente pessoal capacitado e treinado para fazer essas análises”, destaca. “Identificar possíveis causas dos problemas, atuação rápida e eficiente sobre as causas dos problemas identi− ficados, sempre usando os dados do laboratório e sempre buscando uma ação preventiva, com assepsia e veri− ficando a qualidade de matéria−pri− ma. Treinamento, conscientização e valorização da equipe de trabalho. A gente sempre bate nessa tecla. Vamos capacitar o indivíduo que é a peça fundamental em qualquer processo”, finaliza o professor.


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Transformação digital, mais um desafio para a indústria da cana A consolidação deste processo precisa ser avaliada pelos gestores das usinas com urgência, já que a iniciativa colabora na implantação do ESG nas usinas Processar a cana para dar origem ao açúcar, etanol e energia, entre ou− tra gama de produtos, é uma tarefa que as usinas vêm aperfeiçoando ao longo dos últimos anos. O grande desafio agora é digitalizar todo esse processo, de forma que as ações que se enqua− drem nas práticas ESG, possam ser mensuráveis, resultando em aumento de produtividade e retorno financeiro. Com o passar dos anos, a transfor− mação digital vem se transformando numa necessidade básica para todas as empresas. Investir em soluções tecno− lógicas, seja para automatizar proces− sos operacionais, ou para aprimorar o desempenho na gestão. Aliada às prá−

ticas ESG, como elas podem impactar o setor bioenergético. Essa e outras questões à governança ambiental, so− cial e corporativa foram respondidas por participantes da série de webinars ESG NAS USINAS, realizada pelo JornalCana no mês de Com o tema:“A Transformação Di− gital como Fator Estratégico”, a Quarta Estratégica JornalCana, realizada no dia 27 de abril, contou com as presenças de: André Ferreira, Head de Engenharia de Valor Agri & Food da SAP; Ariel Souza, head de Tecnologia da Usina São Do− mingos; Dalbi Arruda, gerente−execu− tivo de Tecnologia e Processos da Co− persucar e Luciano Fernandes, especia− lista em Transformação Digital e head de operação Treesales. Com o patrocínio das empresas AxiAgro e S−PAA, o webinar foi con− duzido pelo jornalista e diretor da Pro− Cana, Josias Messias, que destacou a complexidade do setor. “No caso es− pecífico das empresas do agronegócio, que tem um negócio complexo, pois são grandes tomadoras de capital e de mão de obra, ficam expostas à diversas volatilidades e às mudanças constantes nas técnicas de gestão. Quanto de pro− dução, transformação digital e ESG se

conectam e podem agregar valor e tra− zer novos modelos de negócio? inda− gou aos participantes. Para Luciano Fernandes, há duas grandes formas de trabalhar o digital: “seja pela necessidade de evolução, de controle, de fazer mais com menos, de otimizar os modelos tradicionais. Seja por uma crise ou questões de ESG. Então, podemos fazer a evolução digi− tal seja por tendência e dor ou com tendência e amor. Ela ocorre por uma questão de controle das informações ou por engajamento nas questões digitais”. De acordo com Fernandes, apenas 9% das empresas têm tido essa preo− cupação com o controle digital das informações. Nas demais que investem em tecnologia esse controle é extre− mamente manual. Poucas empresas estão engajadas em reportar o contro− le dessas medições. “Nós estamos no momento de fazer mais com menos. Numa pers− pectiva mais profissionalizada, é onde eu posso fazer toda uma questão de tratamento de dados, exposição e controle dessas informações para que eu possa chegar, a partir daí, no con− trole ideal, e ao longo do tempo estar digitalmente monitorando os dados e

controlando todos os indicadores. Um dos grandes desafios é habilitar essa estrutura para permitir essa engenha− ria de transformação”, explicou. Dalbi Arruda da Copersucar, lem− brou do protagonismo da empresa no RenovaBio, com todas suas 34 usinas certificadas. “O setor sucroenergético escriturou 31 milhões de CBIOs, na última safra e nossa participação foi de mais de 5 milhões, o que mostra o comprometimento do setor como te− ma”, informou Arruda, lembrando que ESG é uma questão de estratégia da companhia. Com relação à trans− formação digital, a empresa investe na robotização. “Decidimos começar a pisar nes− se terreno, lançando mão das tecno− logias com robotização, tendo como desafio que os robôs possam fazer al− go por nós e pelos nossos clientes. Al− guns robôs que se destacaram nesse processo, com capacidade de receber um e−mail do cliente e devolver para ele a informação que ele estava preci− sando, causando impacto nas opera− ções internas, liberando pessoas que antes respondiam essas solicitações pa− ra outras atividades”, contou. Ele citou ainda outro robô que se


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destaca é o que se integra com os principais clientes da companhia e recebe deles as progra− mações de carregamento, interpreta os dados, ve− rifica se está de acordo com as informações pres− tadas, e já prepara a criação de todo o planeja− mento de embarque. “Esse barramento digital é uma plataforma, um conjunto de serviços digitais. Nitidamente, a transformação digital vai trazer mais transparên− cia e mais confiabilidade para as informações”, avalia Arruda. Ariel Souza, da Usina São Domingos, falou sobre a importância de entender a inovação tec− nológica como um processo.“É muito importan− te a gente olhar a questão de processo. Porque, às vezes, olhando para todo o processo você rein− venta uma nova maneira de se fazer as coisas, e is− so olhando apenas para tecnologia, não é possível. Temos que ter essa visão de tecnologias abertas e que elas possam se conectar com outras”. O head de Tecnologia da Usina São Domin− gos citou como exemplos as plataformas Axiagro e S−PAA, utilizadas pela companhia com exce− lentes resultados.“Falamos de uma tecnologia que possibilita trazer de forma online, minuto a mi− nuto, 2.500 indicadores de uma máquina agrí− cola, obtendo uma redução de 3 litros de die− sel/hora. Então fizemos uma inovação que im− pactou de forma significativa, na emissão de CO2 na atmosfera. E isso é transformação digital tra− zendo resultados”, disse. Ariel também ressaltou a importância da co− municação, através da utilização de uma lingua− gem simples e acessível a todos envolvidos no processo. “Nós estamos dando um treinamento para 400 pessoas. Para treinar um operador de máquina, a linguagem deve ser simples, para que todos possam participar ativamente do processo de transformação”.

André Ferreira, Head de Engenharia de Va− lor Agri & Food da SAP, também destacou a efi− ciência do agro no campo da sustentabilidade. “Quando a gente olha para tecnologia, o agro é um grande propulsor e consumidor. De 1980 até 2000, em termos de área, o Agro na SAP cresceu 64%, mas em termos de produção cresceu acima dos 400%. Isso é tecnologia pura”, afirmou. Para ele, falar de ESG para essas empresas tem que ter algo diferente, tem que ter algo a mais. “Tendo variedades mais resistentes às pragas ou tendo a aptidão para poder produzir em áreas com menor fertilidade, reduzir a aplicação de fertilizantes em 839 mil toneladas. Produzindo mais numa determinada área, reduzir a área plan− tada em 9.9 mil hectares. Tendo uma planta mais resistente, tenho que fazer menor aplicação, con− sumindo menos combustível, (377 mil litros), re− sultando em menos emissão de CO2 (26,5 mil toneladas).Tudo isso já é real e o agro já vem sur− fando essa onda há um tempo”, ressaltou. De acordo com Ferreira, a questão é trazer inteligência e evolução tecnológica para esses processos. “Como que eu tomo uma decisão, se não tenho a visão como um todo? Então, atual− mente a colaboração de dados é algo muito im− portante. Se você pegar o primeiro IPhone e tentar utilizá−lo nos dias de hoje, vai ficar fora das redes de conexão, não conseguirá entrar em um aplicativo de transferência, whatsApp, enfim, fica totalmente fora de ambiente”. Ele explica que a plataforma da SAP vem de− senvolvendo soluções para toda parte da produ− ção agrícola e industrial. “Toda essa parte da ges− tão, trabalhar com capacitação, desenvolvimento profissional, gestão de águas e efluentes, rastreabi− lidade da cadeia produtiva, já que a população es− tá cada vez mais exigente, quanto a origem de um produto, o que vale também para investidores”.

André Ferreira

Ariel Souza

Dalbi Arruda

Luciano Fernandes

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Conselhos Administrativos podem definir rumos da gestão Mudanças cada vez mais profundas e acele− radas, no ambiente de negócios provocam trans− formações da governança corporativa, impulsio− nando o papel dos Conselhos de Administração nos últimos tempos. Antes voltados para monitorar os resulta− dos da diretoria executiva ou uma função me− ramente legal, os Conselhos vão se ocupando cada vez mais em garantir na tomada de deci− sões da empresa, que o direcionamento estra− tégico dos negócios, sejam respeitados de acordo com os principais interesses da orga− nização como um todo. Cabe ao Conselho, portanto, estabelecer as bases do processo de pensamento e de planeja− mento estratégico e levar a definição dos rumos do negócio e da empresa. Essa importante evolução é claramente ex− pressa no código das melhores práticas de gover− nança corporativa do Instituto Brasileiro de Go− vernança Corporativa (IBGC) o qual informa que o Conselho de Administração é o órgão co− legiado encarregado do processo de decisão de uma organização em relação ao seu direciona− mento estratégico. Ele exerce o papel de guardião dos princí− pios dos valores do objeto social e do sistema de governança da organização sendo seu principal componente, ou seja, hoje o próprio manual do código das melhores práticas do IBGC, apon− tam o Conselho de Administração como o principal componente do sistema de governan− ça corporativa. Então seja por demandas do sistema financei− ro, estruturação ou reestruturação societária avanço da governança ESG ou simplesmente pa− ra proteger o patrimônio e maximizar o retorno sobre o investimento da empresa, o fato é que a formação e a atualização do Conselho de Admi− nistração, é pauta estratégica para maioria das usinas e empresas do agronegócio e também foi discutida em um dos webinares da série ESG NAS USINAS, promovido pelo JornalCana. Com a mediação do jornalista e diretor da ProCana, Josias Messias, tendo como patrocina− dores as empresas de tecnologia AxiAgro e S− PAA, o evento online reuniu um experiente gru− po de conselheiros que já atuam no setor: Jacyr Costa, presidente do Cosag/Fiesp e conselheiro da Uisa e Usina Caeté, Milzíade Malgoska Sei, sócio Fundador da G2S – Governança, Gente & Sucessão, Pedro Mizutani, conselheiro de Admi− nistração em diversas empresas e Renato Genna− ro, fundador e CEO da MAC Gestão.


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Agir mais motivado pela razão do que pela emoção, tem contribuído para a contabilidade Milzíade da G2S destacou que as atividades das empresas do Agro têm um impacto ambiental muito grande e muitas ações vêm sendo desenvolvidas neste sentido. O problema, segundo ele, é que muitas vezes essas questões não são trabalhadas de forma integrada.“As nossas usinas vêm cada dia mais maxi− mizando o uso de recursos e aprovei− tamento de resíduos. A questão da po− luição já enfrentamos há muitos anos e essas questões estão sendo mitigadas ou até eliminadas. Na questão social, da mesma forma que a ambiental muito tem sido feito, só que não de forma integrada. Temos as questões do im− pacto das nossas atividades na comu− nidade, questões de saúde e segurança, sempre muito visadas com relação aos direitos dos trabalhadores. Na questão da governança o que que se olha um pouco mais no deta− lhe, é que tudo nasceu com esse foco no direito dos acionistas, gestão de riscos, transparência do modo geral e mais recentemente nós temos traba− lhado muito nos Conselhos as ques− tões de corrupção ou anticorrupção”, informou. Para Pedro Mizutani um fator que tem corroborado para a impor− tância dos Conselhos nas empresas é que ao agir mais motivado pela razão do que pela emoção, tem contribuí− do para a contabilidade das empresas. “Os conselhos administrativos aju− dam nesse aspecto de tomada de de− cisões estratégicas, trazendo ainda na bagagem experiências vivenciadas em outras empresas”. Mizutani destaca ainda, a impor− tância da diversidade, e da participa− ção de jovens nos Conselhos. Com relação a longevidade do conselheiro, ele defende a permanência no posto por um período pré−determinado. “Um conselheiro não pode ser eter− no na empresa. Não pode ser conse− lheiro de 10 anos. O ideal é que ele permaneça três, no máximo quatro anos, porque você já deu a sua contri− buição na empresa. Ao final desse pe− ríodo o conselheiro deve buscar novos horizontes, sob o risco de ficar vicia− do naquele processo, e a empresa aca− ba não saindo do lugar. É preciso abrir espaço, dar oportunidade, para a vin− da de um novo conselheiro, que pos− sa lançar um novo olhar, ter uma ou− tra visão, que pode contribuir e ajudar a empresa. Portanto, estabelecer um período de atuação, é importante na formação dos Conselhos”. Dentro da questão da diversidade,

Jacyr Costa

Milzíade

Pedro Isamu Mizutani

Renato Gennaro

Josias Messias destaca que “um dos critérios de boas práticas, foi isso que o Pedro falou. A diversidade, não ape− nas do ponto de vista de sexo, de competências, mas também de per− cepções, ou seja, o Conselho é o lu− gar onde você pode reunir massa crí− tica, que se eventualmente menospre− zada, pode gerar risco estratégico. Messias lembra também algumas

boas práticas de transição, sugeridas pelo IBGC. “Se uma empresa é fami− liar, antes do Conselho de Adminis− tração seja formado um Conselho de Família, para separar aquilo que é pa− trimônio daquilo que é negócio, se− parar os papéis. Então dar o primeiro passo com um Conselho Consultivo, ao invés de ser um Conselho de Ad− ministração, já que não tem uma exi−

gência legal e você pode caminhar no sentido de criar um componente ca− talisador e não desagregador”. Para Jacyr Costa, as mudanças es− tão ocorrendo de uma maneira mui− to rápida e a gente vê com exemplos efeitos que não só o nosso setor sofre, mas o modo geral de toda a economia quando a guerra Rússia e Ucrânia eclodiu, modificando completamente o cenário. O nosso setor deixou de ser intensivo em mão de obra como era no passado, para ser hoje de acesso ao capital, e as informações que dão se− gurança para os investidores do mer− cado financeiro aceleraram a forma− ção de conselhos. “As mudanças que estão ocorrendo, a necessidade de acesso a capital que hoje passou a ser um fator competitivo muito impor− tante, visto a alta dos juros, você tem acesso ao capital mais competitivo, fundamental para que você tenha competitividade e perenidade dos seus negócios”, disse. “O que eu vejo hoje, quando vo− cê fala da vertente financeira, acaba acelerando esse processo de formação dos conselhos. As empresas têm o ob− jetivo de gerar lucratividade”, afirma Renato Gennaro. Um consenso entre os partici− pantes do webinar, é que essa transi− ção de gestão familiar para profissio− nal e implementação dos Conselhos Administrativos precisa ser acelerada. As usinas precisam ajustar seus siste− mas de governança corporativa, para que elas possam reagir a tempo, dian− te das pressões impostas pela socieda− de e também para obter e capturar benefícios financeiros e comerciais dessas pressões, evitando sofrer as consequências. Para Milzíade “as novas gerações pessoas aí na faixa e de seus 30, 35, 40 anos esse pessoal já vem com uma ideia diferente. O grande desafio é convencer as gerações anteriores da importância dos temas que nós esta− mos discutindo aqui”, disse. O conselheiro Jacyr Costa desta− cou também a evolução que o setor sucroenergético vem protagonizando nos últimos anos. “Há 50 anos atrás éramos produtores de açúcar, depois nos transformamos em produtores de açúcar e de etanol, biocombustível na década de 2.000 como bioeletricida− de. Hoje já está se falando do biogás. Nosso setor está cada vez mais susten− tável e hoje temos uma pluralidade de mercados. Nossa vocação é a vocação ambiental”.


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Tereos e BP Bunge realizam operação inédita que dá nova destinação a materiais Batizado de Surplus, projeto de trocas de peças reduz impacto financeiro e reforça compromisso ambiental das empresas A Tereos e a BP Bunge Bioenergia anunciaram transação inédita para tro− ca de peças agroindustriais, sobretudo as de reposição automotiva para trato− res e colhedoras. Ao todo, foram cerca de seis toneladas de materiais funcio− nais, em plena vida útil, no valor de R$ 260 mil, envolvidos na negociação. Idealizado em 2018 e batizado de Surplus, o projeto é liderado pela CH Master Data, responsável pelo proces− so de cadastro de materiais das em− presas parceiras. A iniciativa identifica oportunidades de sinergia para dar uma nova destinação aos materiais Segundo as empresas, por meio de sua base de dados, que já conta com cerca de 3 milhões de itens mapeados,

a plataforma da CH Master Data faz um cruzamento dos dados e localiza quais itens de um cliente podem agregar valor a outro e vice−versa. A troca é feita seguindo padrões de compra e venda convencionais das companhias e de suas respectivas áreas de atuação. A iniciativa permite amenizar im− pactos financeiros da operação agroindustrial sem a necessidade, por exemplo, de as empresas assumirem prejuízos com aprovisionamentos de compras e reposição de peças. Os valores dos itens são mais competitivos, vendidos a custo médio de mercado, com alguns materiais chegando a custar até 70% do preço de peças novas. “Considerando a estratégia da companhia e a atual situação inflacio− nária do mercado, estamos bastante entusiasmados com o potencial da iniciativa. Acreditamos que estamos construindo no agronegócio um pro− cesso inovador que pode gerar valor para a Tereos e outras empresas além de dar continuidade a nossas iniciati− vas de otimizar nossa cadeia de forne− cimento”, diz Carlos Martins, diretor

de Suprimentos da Tereos. Na BP Bunge, o foco da área de suprimentos está na otimização de seu estoque para garantir um fluxo de re− posição permanente. “Uma gestão de materiais eficiente atua na busca con− tínua por otimizações, que visam alta disponibilidade de itens com baixo valor de estoque (baixa cobertura), sem excesso de gastos”, explica André Monteiro, diretor de Suprimentos da BP Bunge Bioenergia. “O Surplus é um complemento a esse modus operandi e está em linha com os conceitos de economia circu− lar e de produção sustentável, que fa− zem parte de todas as nossas ativida− des produtivas e da nossa cadeia de suprimentos que praticamos diaria− mente na BP Bunge”, afirma. Assim que concluir o processo de troca com a BP Bunge, a Tereos visa ampliar essa solução para gerar mais possibilidades ao setor sucroe− nergético e estender as transações com outras empresas parceiras do programa. De acordo com levanta− mento da própria CH Master Data, apenas no setor agro há um poten− cial de cerca de R$ 200 milhões a

ser destravado com as trocas. A utilização racional e consciente de recursos faz parte da agenda “Nos− sos Compromissos 2030” da BP Bun− ge, criada a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “O desenvolvimento sustentá− vel é elemento direcionador para nós. Compreender a relevância dos im− pactos ambientais e realizar uma ges− tão para mitigá−los é fundamental para a criação de valor de longo pra− zo, não apenas econômico, mas tam− bém social e ambiental”, ressalta o di− retor de Suprimentos da BP Bunge Bioenergia, André Monteiro. “O uso inteligente de recursos faz parte do nosso modelo de negó− cios baseado em economia circular”, afirma Renato Zanetti, Superinten− dente de Sustentabilidade e Exce− lência Operacional da Tereos. “Esse modelo nos permite expandir o im− pacto positivo de nossas relações com empresas parceiras e potencializar os ganhos em sustentabilidade para o setor como um todo. Apostamos na conexão e na cooperação com a ca− deia para inovar e oferecer soluções eficientes ao negócio.”


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Um bom planejamento pode ser o divisor entre o sucesso e o fracasso do negócio Usinas competitivas investem cada vez mais no planejamento para melhorar sua performance Se navegar é preciso, como dizia o poeta e empresário Fernando Pessoa, planejar é fundamental para assegurar o sucesso do empreendimento. Foi o que ficou evidenciado durante o Masterclass ESG NAS USINAS com o tema: O Planejamento Estratégico como Fator de Competitividade. O webinar promovido pelo Jor− nalCana realizado no dia 11 de maio, contou com a participação do execu− tivo agroindustrial Luiz Paulo Sant’Anna. Com 38 anos de carreira e passagens bem−sucedidas por empre− sas bioenergéticas como Cevasa (Gru− po Cargill), Atvos, Renuka do Brasil, Grupo Equipav, Grupo Zanin e Gru− po Zilor, Sant’Anna é relevante refe− rência quando se fala em planejamen− to estratégico. Ao longo de sua trajetória ele de− senvolveu o conceito de “Visão de Dono”, que consiste na delegação planejada das atividades e desenvolvi− mento do senso de propriedade, para que os profissionais assumam maiores responsabilidades e possam entregar melhores resultados. Quem também enriqueceu o webinar com sua parti− cipação foi o COO Julimar Souza, que está à frente das operações do Grupo Usacucar (Santa Terezinha) no Paraná, onde lidera o bem−sucedido plano de transformação do grupo, denominado de Projeto Transforma. Nos últimos três exercícios, o gru− po Usacucar saiu de um EBIT negati− vo para cerca de R$400 milhões anuais, gerando mais de R$ 1 bilhão de Lucro Operacional para a empresa. Resulta− dos obtidos mesmo com a queda no volume de moagem, o que contribui para quebrar um velho paradigma so− bre a importância da escala e volume de moagem como principais fatores no resultado econômico das usinas. Com o patrocínio das empresas Axiago e S−PAA Soteica, o webinar contou com a condução do jornalista e diretor da ProCana, Josias Messias, pa−

Julimar Souza

Luiz Paulo Sant’Anna

ra quem “o planejamento estratégico é essencial para o sucesso, pois determi− na onde a empresa quer chegar e co− mo ela fará para executar seu objetivo”. Numa rápida e básica definição Luiz Paulo vê o planejamento como uma ferramenta que permite às pes− soas perceber a realidade e avaliar os caminhos a serem seguidos a curto, médio e longo prazo, tendo como conceitos: missão, visão e valores. “É preciso transformar essas ideias em documentos, sair da mente para o pa− pel e virar realidade, lembrando que a missão tem como objetivo declarar o propósito da empresa, e o porquê dela existir. A visão é onde a empresa quer chegar, o que quer alcançar, para des− pertar o engajamento das pessoas. E os valores devem estabelecer quais serão as regras do jogo, qual a cultura da empresa, o que realmente importa e o que se pode ou não abrir mão. Uma das premissas importantes no processo de planejamento, segundo Luiz Paulo, diz respeito a Cultura Organiza− cional, que não deve ser inventada. “Empresa são pessoas e a comu−

nicação entre elas abrigadas por uma razão social e uma cultura organiza− cional, que conecta as pessoas com os resultados. Isso vai depender de iden− tificação com valores, lideranças in− fluenciadoras, e coerência para se chegar a resultados. Nunca invente uma Cultura Organizacional, ela pre− cisa ser revelada, através da percepção dos líderes, colaboradores, RH, diri− gentes, assim se consegue um com− portamento adequado das pessoas no seu dia a dia”, explicou. É importante ter grupos com di− versidade, formação multifuncional, que possibilitam questionamentos. Com relação à Pertencimento e En− gajamento Sustentável (P&E), Luiz Paulo explica que sentimento de per− tencimento, é estar dentro de uma empresa que tem um elo de ligação entre as pessoas. “Ele deve estar basea− do no tripé do engajamento: autono− mia, espaço para contribuição, cresci− mento (faz sentido para mim estar aqui). É necessário criar um quadro de gestão estratégica, que inclui missão, valores, comportamentos estratégicos,

pilares estratégicos, política de quali− dade. E é importante que este quadro esteja visível para garantir que todos conheçam”. De acordo com Luiz Paulo, o pla− nejamento se subdivide em três con− ceitos: O Estratégico, voltado para a alta administração, que inclui visão da empresa, forte orientação externa, fo− co no longo prazo com objetivos ge− rais e planos genéricos; Tático, volta− do para gerentes, com visão por uni− dade de negócio ou departamento,


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foco no prazo médio, definição das principais ações por departamento; e o Operacional voltado para superviso− res, com visão por tarefas rotineiras, foco no curto prazo e definição de objetivos e resultados específicos. Esses planejamentos se diferenciam no prazo das ações, nos níveis hierár− quicos envolvidos e como cada pla− nejamento influência no resultado da organização. “É sempre bom ter o 5W2H pa− ra trazer o senso de dono. Todas as

empresas nascem para sobreviver. Então porque algumas falham?, in− dagou Luiz Paulo. “Não colocam metas certas, não fazem bons planos de ação, não executam completa− mente e a tempo os planos de ação e por circunstâncias fora do controle”, ele responde. “A direção é que esta− belece os rumos estratégicos da or− ganização e define suas diretrizes. Uma meta tem que ser composta por um objetivo, com valor e prazo. Aí entram as ferramentas gerenciais, que darão suporte ao método na solução dos problemas. Se você não investir no tempo planejando, vai investir no quebra−conserta. Quando se plane− ja com método, você fica mais tem− po no papel, pouco tempo na exe− cução e na checagem e consequen− temente fazendo pouco plano de ação”, explica. Luiz Paulo adverte ainda que “Gestão a vista” não é um quadro de aviso. “A informação tem que ser cla− ra e objetiva e fazer sentido para as pessoas, senão vira um quadro de avi−

so e ninguém olha para ele. Ela é uma ferramenta de comunicação organiza− cional, que disponibiliza as informa− ções de maneira clara, simples e de fá− cil assimilação”. O executivo Luiz Paulo finalizou sua apresentação com uma frase atri− buída ao estatístico norte−americano William Edwards Deming: “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se de− fine o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia”. Para Julimar Souza, que relatou o case do Projeto Transforma desenvol− vido no Grupo Usacucar, “uma das inovações importantes para o nosso setor, é sem sombra de dúvida, o in− vestimento em gestão estratégica”. “Chegamos numa empresa que já tem algumas diretrizes definidas. Dentro desse contexto, é preciso gas− tar tempo para definição do organo− grama. Nós somos agrícolas, mas pre− cisamos destacar a importância da in− dústria. Valores como Saúde e Segu− rança e gestão de RH são fundamen− tais. Estou no meu oitavo projeto de transformação e não existe nenhum igual ao outro, mas existe um apren− dizado que deve ser levado em consi− deração”, explicou Souza. Ele defende o equilíbrio entre áreas funcionais e operacionais. “É preciso compor o organograma de acordo com a necessidade. Após a construção do organograma, o segun− do passo é entendermos em quem “senta” em cada caixinha, onde devem estar definidas as características das pessoas que devem ocupar cada área. Em seguida é preciso ter um bom plano de ação para que possa atingir os objetivos e metas definidas”. De acordo com Souza, esse plano pode ter várias vertentes, mas com ba− se em duas áreas macros: Redução de custos e Produtividade, pois esse é o fo− co comum ao nosso negócio. “Do lado da balança de redução de custos: 20% de custo com pessoas, então o pilar pessoas é importante. Precisamos separar os custos fixos, dos que são variáveis. E as− sim você vai montando seu gráfico de

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custos (mão− de−obra, manutenção, consumo diesel), enfim, cada um desses pilares você vai desmembrar num pla− no de ação”, explicou Souza. Da mesma forma vamos trabalhar no outro lado da balança, o aumento da produtividade (plantio, mudas, controle de tráfegos, patologia, enfim, para cada um deles monta−se um pla− no de ação com metas definidas. “Agora entra a gestão para trans− formar esses números, onde é funda− mental a informação, com relatórios diários, semanais, mensais de acordo com a necessidade. Fizemos esse tra− balho no grupo e tivemos um resul− tado fantástico. Estamos agora no quarto ano do projeto, procurando alinhar a cultura organizacional com as metas que foram definidas. O mesmo relatório é apresentado tanto para acionistas, quanto para co− laboradores, a informação é única. Nesses três primeiros anos, o objetivo de curto prazo era a sustentabilidade da empresa, agora estamos trabalhan− do para recuperação do nosso proces− so normal de moagem”. Souza destacou a importância do planejamento para lidar com situações adversas, e recalcular a rota quando necessário, destacando as condições hídricas adversas dos últimos anos. “Como tínhamos um projeto bem estruturado, fomos ágeis o suficiente, para que nós sustentássemos nosso fluxo de caixa da maneira que o pro− jeto originalmente previa”. O webinar contou com audiência e participação de importantes lideran− ças do setor que através dos comen− tários também manifestaram sua opi− nião sobre o tema. Alisson Colonhezi, diretor industrial da Companhia Mi− neira de Açúcar e Álcool – CMAA destacou a separação de gastos apre− sentada por Souza. “Gostei do ponto de vista do Ju− limar referente ao gasto. Separar no Opex o que é "colesterol bom e co− lesterol ruim " é fundamental para di− recionar melhor os investimentos e baixar budget ano a ano. A maioria não separa isso na visão de opex”, destacou o dirigente. Consenso entre os participantes, a mudança de rota às vezes não só é ne− cessária como pode trazer grandes di− videndos. A exemplo do famoso poe− ta citado no início da reportagem. A vertente empresarial de Fer− nando Pessoa, talvez até por falta de planejamento estratégico, não vingou por muito tempo e a tipografia que ele abriu com o dinheiro que recebeu de herança, acabou falindo. Já a sua ver− tente literária foi bem mais exitosa, e o fez reconhecido como um dos principais poetas e escritores da língua portuguesa. Planejar é preciso.


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Raízen quer ter 20 plantas de etanol 2G até 2030 Companhia tem previsão de investir entre 10,5 e 12 bilhões de reais na safra atual A Raízen tem projeções de ex− pansão recorde da área plantada e ace− leração nos investimentos na produção do etanol de segunda geração, confor− me informações divulgadas durante a apresentação do seu Guidance para a safra 2022/23, no dia 16 de maio. No quarto trimestre do ano safra 2021/22, a empresa apresentou um lucro líquido de R$ 209,7 milhões, uma redução de 48,3% em relação à safra anterior. Já a receita operacional líquida cresceu 50,1% na comparação anual, indo a 53,5 bilhões de reais e superando a expectativa de 46,9 bi− lhões de reais. A Raízen espera atingir lucro ajustado antes de juros, impos− tos, depreciação e amortização (EBITDA) na faixa de 13 a 14 bilhões de reais durante o ano safra 2022/23, iniciado em abril. A projeção, superior aos 10,7 bi− lhões de reais reportados no ano an− terior, é explicada pelos seguintes fa−

tores: expectativa de recuperação da moagem de cana−de−açúcar no ano (aproximadamente 5%); aumento dos volumes de venda de todos os produ− tos; melhores preços de etanol, bio− energia e açúcar, potencializado pela nossa atuação diferenciada na cadeia de valor do etanol, portfólio diversi− ficado do biocombustível para dife− rentes usos e aplicações, melhor preço fixado de açúcar e aumento das ven− das diretas ao destino; parcialmente compensado pela dinâmica dos custos com alta da inflação em materiais di− versos, diesel, insumos agrícolas e Consecana. Os investimentos previstos para o período devem ficar entre 10,5 e 12

bilhões de reais. A maior parte deste valor – entre 8,5 e 9 bilhões de reais – deve ser alocado em sua divisão de re− nováveis e açúcar. Os maiores dispên− dios estão alinhados ao ciclo de ex− pansão da companhia, com projetos majoritariamente focados na expansão do portfólio de renováveis. A companhia prevê a ampliação da produção do E2G para 280 milhões de litros a partir de 2024, aumentando em mais de 50% a capacidade de produ− ção do combustível celulósico até 2030/31, com 20 unidades produtivas. “Atualmente temos três plantas de etanol de segunda geração sendo construídas ao mesmo tempo: Parques de Bioenergia da Barra, Univalem

(Valparaíso) e Bonfim, todas no esta− do de São Paulo. A nossa meta é ser− mos os mais rápidos possível no eta− nol de segunda geração. O desafio era resolver os gargalos da companhia. Mas hoje, tenho certeza, e estamos muito confiantes que seremos mais rápidos do que o mercado está proje− tando, com o nosso plano de negócio e chegar a mais de 20 plantas dentro de 6 a 7 anos. E já temos ritmo para isso. O mercado ainda tem uma de− manda muito forte, então cabe a nós decidir a velocidade que queremos prosseguir”, informou CEO da Raí− zen, Ricardo Mussa. A empresa também anunciou o in− vestimento de R$ 300 milhões na construção da sua segunda Planta de Biogás, sendo essa a primeira dedicada à produção de gás natural renovável (Bio− metano). A unidade será instalada ane− xa ao Parque de Bioenergia Costa Pin− to localizado em Piracicaba – SP, onde a companhia já opera a planta de Etanol de 2ª Geração. Com inauguração pre− vista para 2023, a capacidade de produ− ção desta planta será de 26 milhões de m³ de gás natural renovável por ano, o suficiente para abastecer aproximada− mente 200 mil clientes residenciais.

Cocal e Raízen vão operar em conjunto planta de energia elétrica a partir do biogás Planta representa uma parceria inédita entre as empresas no modelo de geração distribuída com capacidade para gerar até 35 mil MWh/ano Localizada dentro da área de bio− gás da Cocal em Narandiba −SP, a nova planta de energia elétrica é vol− tada para consumidores de Geração Distribuída, uma ótima opção para pequenos e médios estabelecimentos comerciais da região que buscam re− duzir impactos ambientais e custos. A planta inicia a operação no final desse mês e o consórcio Cocal / Raízen fi− cará responsável pela administração e rateio dos créditos energéticos. “Nossa nova planta é positiva tan− to no aspecto ambiental, com uma energia de fonte limpa e renovável, quanto no financeiro. Ela está conec−

tada diretamente à rede de distribui− ção local, isso beneficiará o setor elé− trico ao diminuir o carregamento da rede e com maior eficiência energé− tica, além de adiar a necessidade de investimentos em expansão dos siste− mas de transmissão e distribuição”, afirma o diretor de novos negócios da Cocal, André Gustavo Alves. “E os pequenos e médios empre− sários locais que entrarem no nosso consórcio receberão uma conta mais barata porque vamos evitar as perdas elétricas decorrentes de longos trans− portes que, lá na frente, seriam adicio−

nadas na tarifa final”, completa Alves. A capacidade da planta é de gerar até 35.000 MWh / ano, geração sufi− ciente para atender 660 unidades con− sumidoras (considerando 53MWh / ano de consumo médio), deixando de emi− tir anualmente mais de 14 mil ton CO2. O biogás é produzido a partir de resí− duos da cana−de−açúcar (vinhaça e torta de filtro) e, nessa parceria, a Cocal fica responsável pela produção da ener− gia elétrica proveniente do biogás e a Raízen pela gestão do consórcio e dis− tribuição da energia.A expectativa é que a operação da planta seja de 100% e já

com 60% da energia vendida para os clientes do consórcio no mês que vem (junho /22). Buscando valorizar o impacto do uso de energia renovável e liderar a tran− sição energética no país, a Raízen forta− lece sua estratégia de se tornar um one stop shop de soluções em energia, com produtos e soluções em geração distri− buída e comercialização de energia no mercado livre, eficiência energética, cer− tificados de energia renovável e mobili− dade elétrica, pautados pela sustentabili− dade de fontes limpas e renováveis.“Esta parceria reforça nosso compromisso com a transição energética ao oferecer um portfólio amplo em soluções de energia renovável para todo o mercado, aten− dendo a diferentes desafios e necessida− des dos nossos clientes com eficiência e sustentabilidade”, diz Frederico Saliba, vice−presidente de Energia e Renová− veis da Raízen. “Temos a ambição de sermos a maior comercializadora de energia renovável do país e parcerias es− tratégicas nos permitem acelerar a ex− pansão e ampliar a cobertura para novas regiões”, finaliza o executivo.



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Usina Pitangueiras completa 47 anos apostando no crescimento A usina se prepara para ingressar no mercado de biogás No Dia do Trabalhador, 1º de Maio, a Usina Pitangueiras completou 47 anos de história. Fundada em 1975, a usina ocupa papel fundamental no setor bioenergético, movimentando a economia de Pitangueiras – SP e re− gião de forma sustentável. Superar desafios tem sido uma das características da usina ao longo destes 47 anos e para os próximos anos, a em− presa espera ampliar seu leque de pro− dutos ingressando no mercado do bio− gás e biometano, informou João Hen− rique de Andrade, diretor presidente na Usina Pitangueiras, ao JornalCana. “A partir desta safra vamos come− çar a distribuição de vinhaça enrique− cida com nitrogênio e já estamos com estudos avançados para implementar− mos nosso projeto de biogás”, disse Andrade. Para a temporada atual a usina, a

exemplo de todo o setor, prevê uma pequena recuperação, projetando uma moagem de 2,2 milhões de toneladas de cana−de−açúcar, que representam 10% a mais do que foi processado na safra passada. “A cana que sofreu mais foi a de plantio, atrasamos o início da safra pa− ra recuperar o canavial e acumular um

pouco mais de ATR. Projetamos para a safra 2022/23 uma moagem de 2,2 milhões toneladas. Apesar da área de colheita ser menor, a expectativa é de moer 10% a mais que ano passado. Já para o ciclo 2023/24, a expectativa é moer 2,8 milhões de toneladas de ca− na”, avalia Andrade. Segundo ele, o mix continuará

açucareiro, porém eles deverão ampliar a produção de etanol. A estimativa é que a produção seja voltada 57% para açúcar e 43% para etanol. Andrade avalia que os preços para este ano de− vem apresentar resultados melhores, tanto para produtores como para for− necedor, que deve receber um valor maior de CBIOs. Em termos de investimentos, o diretor presidente da Pitangueiras in− forma que a companhia investiu na mudança no modal de transporte de cana com um conjunto de novas car− retas. “No segmento de transportes investimos cerca de R$ 11,5 milhões e no canavial, sendo 1.200 hectares na reforma e 2.300 hectares na expansão do canavial. cerca de R$ 30 milhões”, informou. Para a próxima safra os in− vestimentos incluem cerca de 20/30 conjuntos de rodotrem e a aquisição de mais 8 colhedoras de cana. A Usina Pitangueiras agora é cer− tificada na norma FSSC 22000, mais uma conquista que mostra seu com− promisso com um alimento seguro do campo à mesa.

Coagro prevê moagem de 1,1 milhão de toneladas na safra 2022/23 Um aumento de 10% em relação à safra anterior A Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), localizada na região de Sapucaia, em Campos de Goytacazes – RJ, estima um aumento de 10% na moagem de cana−de−açúcar na safra 2022/23. Segundo o presidente da Coope− rativa, Frederico Paes, o parque fabril receberá no curso da safra mais de 1 milhão e 100 mil toneladas de cana− de−açúcar, que serão transformadas em 65 milhões de litros de etanol e 300 mil sacos de 50kg de açúcar, ge− rando três mil empregos diretos e ou− tros dois mil indiretos, além de uma receita de R$ 400 milhões resultante do pagamento de cooperados, funcio− nários e imposto. Uma missa realizada no dia 10 de maio, com a presença de diversas au− toridades, como o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) e o

prefeito de Campos, Wladimir Garo− tinho (Sem partido), entre outros e colaboradores, marcou o início da sa− fra de cana da cooperativa. De acordo com Paes, a exemplo das safras anteriores, a Coagro fará to− da a colheita mecanizada, moendo ca− nas cruas, conforme as regras ambien− tais, sem nenhum tipo de queima. Ele acredita que a safra atual deverá ser mais longa e, devido ao preço bom do

etanol, será alcooleira. Assim, por questões de estratégia de mercado, 90% da matéria−prima será destinada para a produção de etanol e 10% para o açúcar. O presidente informou ainda que inda que, a partir próximo ano, a usi− na Paraiso, em Tocos, na Baixada Campista, irá voltar a moer. “Estamos investindo no parque industrial, para transformar a Paraíso. Vamos acelerar

bastante a reforma da usina a partir de julho para que a usina possa estar moendo na próxima safra”, anunciou. O investimento na usina Coa− gro/Pasaíso será de R$ 50 milhões. A unidade conta com alta tecnologia e absorve a cana da Baixada Campista e dos municípios de Quissamã, Carape− bus e Conceição de Macabu, reduzin− do os custos com transporte desta matéria−prima.


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Tereos prevê moer 17 milhões de toneladas de cana na safra 2022/23 Companhia deverá direcionar 65% da matéria-prima para a produção de açúcar na temporada atual A Tereos inicia a safra 2022/23 com expectativa de processar 17 mi− lhões de toneladas de cana, após uma temporada que apresentou desafios para o setor por conta das condições climáticas. O mix de produção da companhia deve continuar mais açu− careiro, sendo que 65% devem ser destinados para a produção de açúcar e 35%, para etanol. A empresa também dá início à sa− fra contando com um bom nível de fixação de preços para o período, aci− ma do que foi registrado na safra 2021/22, e que pode se manter para 2023/24. “Temos uma perspectiva mais otimista, dadas as condições cli− máticas menos desafiadoras e preços de commodities em alta no momen−

to. Com flexibilidade para trabalhar− mos nosso mix de produção, podemos nos adaptar a diferentes cenários”, co− menta Pierre Santoul, diretor−presi− dente da Tereos no Brasil. O pilar de ESG, fundamental para o crescimento sustentável da Tereos, continua entre as prioridades da em− presa. A companhia tem investido constantemente no aperfeiçoamento de suas operações, especialmente em relação à sustentabilidade, que está in−

serida em seu próprio modelo de ne− gócios, que opera na lógica da eco− nomia circular da cana. “Iniciamos uma nova safra com uma perspectiva otimista e mantendo o foco nos pilares que nos movem em busca de um futuro mais sustentável. Somos uma das empresas líderes do setor sucroenergético do país e nossa experiência e expertise nos permitem valorizar ao máximo nossa matéria− prima e atender as principais necessi− dades da sociedade por meio de pro− cessos sustentáveis. Acreditamos em uma constante evolução e estamos preparados para enfrentar os desafios dessa nova safra”, afirma Santoul. Além disso, a Tereos segue acredi− tando no potencial do etanol e em sua importância para a economia de bai− xo carbono. O combustível obtido a partir do processamento da cana−de− açúcar tem papel fundamental neste movimento, ainda mais considerando que, globalmente, o setor de transpor− te é responsável por quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa. Recentemente, por exemplo, a

empresa conquistou a certificação CARB, que permite a comercializa− ção de etanol para a Califórnia, refor− çando o baixo teor de emissão de GEEs (gases de efeito estufa) em sua produção do biocombustível. A uni− dade de Tanabi da Tereos obteve o melhor resultado de CI (índice de in− tensidade de carbono) entre os pro− dutores certificados de etanol de ca− na−de−açúcar do país. Em 2022, a empresa completa dois anos do seu primeiro financiamento verde. A companhia já soma cerca de R$ 1,5 bilhão em crédito verde, que tem ajudado a Tereos a avançar em iniciativas ligadas a gestão de água, co− geração de energia, mitigação de emissão de GEEs e aumento da por− centagem de cana certificada. A Tereos também investiu na construção de uma planta para produção de biogás na unidade Cruz Alta, o que nesta safra permitirá acelerar os planos da em− presa para a geração de biometano que irá abastecer caminhões da frota agrí− cola, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

Companhia vai paralisar atividades da unidade Severínia Maior parte dos funcionários de Severínia já foi realocada em outras unidades industriais da tereos A Tereos Açúcar & Energia Brasil anunciou no dia 24 de maio, a parali− sação temporária por um ano das operações da unidade Severínia, no noroeste do estado de São Paulo. A justificativa da companhia para a paralisação foi a seca histórica que afetou a safra 21/22 de cana−de− açúcar, trazendo desafios para todo o setor sucroenergético, já que impac− tou o volume de matéria−prima dis− ponível para processamento. Com ba− se nesse cenário, a fim de otimizar sua produção e sua logística, a empresa tomou a decisão de paralisar as ativi− dades na unidade. “A decisão, estratégica para os ne− gócios da companhia, visa otimizar o aproveitamento de cana nas demais unidades e não terá impacto sobre o

volume de moagem previsto para a atual safra”, afirma na nota. De acordo com a empresa, a maior parte dos funcionários de Severínia já foi realocada em outras unidades in− dustriais da Tereos e os demais, cuja recolocação não foi possível, estão re− cebendo todo o apoio e suporte ne−

cessários neste momento de transição. “Durante o período de suspensão de atividades operacionais da unidade, a Te− reos continuará atuando de forma res− ponsável junto à comunidade do muní− cipio de Severínia, mantendo seu supor− te ao desenvolvimento social e econô− mico da região”, ressalta a empresa.

“As perspectivas da companhia para o ano se mantêm inalteradas e a Tereos segue com seu compromisso de construir um futuro sustentável pau− tado pela transparência no relaciona− mento com seus colaboradores, par− ceiros, fornecedores, clientes e consu− midores”, conclui a companhia.


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USINAS

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Usina São José da Estiva prevê crescimento de 6% na safra 2022/23 Para superintendente da usina, o setor só deve se recuperar a partir da safra 2024/25 Depois de um ano marcado por seca, geadas e queimadas a recupera− ção do canavial deverá ser lenta e gradual. O superintendente da Usina São José da Estiva, Roberto Holland Filho, estima um crescimento de 6% para a safra 2022/23 em relação à tempora− da anterior. “Depois de um ano para se es− quecer, tivemos um regime de chuvas dentro da normalidade, o que nos dá bons prognósticos para os próximos meses. Na safra passada tivemos uma quebra de 25% na produção de cana, devido à seca, e ainda tivemos geada e incêndio nos canaviais.Tudo isso cau− sou a morte de muita cana, e hoje ve− mos muitas áreas de cana com falhas significativas, o que leva à necessidade

de maior reforma dos canaviais. Este foi um dos focos de trabalho das nos− sas equipes na preparação para as pró− ximas safras”, disse. Para minimizar a quebra do cana− vial em 2021/22, a usina ampliou a área de plantio. Holland explica, no entanto, que o resultado das ações de reforma nas plantações, só devem ser sentidos mais adiante. “Plantamos mil hectares a mais do que foi planejado a fim de minimizar a quebra do canavial. A reforma das

plantações é importante para este ree− quilíbrio, mas os resultados vêm mais adiante. Se os prognósticos climáticos se mantiverem, acredito que voltare− mos à uma produção normal na safra 2024/25”. A usina também apostou numa safra mais curta, adiando o início da moagem para o mês de maio. “Tendo em vista que o pico de maturação da cana se dá entre os meses de julho e setembro, e o fato de termos menos cana para processar este ano, decidi−

mos adiar o início da safra para maio, mantendo o término em meados de outubro, tentando, assim, conseguir um teor de sacarose maior possível. Nossa moagem começou em 02 de maio”, informou Holland. Mesmo com a expectativa de crescimento de 6%, a produção ainda deverá ficar 20% abaixo da capacida− de da usina, apresentando um mix mais alcooleiro, visando o abasteci− mento do mercado interno. “Estimamos uma safra 6% maior que a anterior, porém, ainda 20% abaixo da nossa capacidade. Nosso mix de produção será um pouco mais al− cooleiro que na safra passada, acom− panhando o esperado por todo o se− tor, tendo em vista a necessidade de garantir o fornecimento de etanol no mercado interno, além do preço do biocombustível estar momentanea− mente remunerando mais que o açú− car. Estamos confiantes de que as ações executadas no período de en− tressafra, tanto na indústria como no campo, trarão resultados significativos”, avalia Holland.

Zilor conquista certificação CARB para exportação de etanol para os EUA Programa internacional busca a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio do uso de biocombustíveis As três unidades da Zilor Energia e Alimentos receberam certificação do Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia (CARB), programa que busca engajar as produtoras na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), por meio do incentivo de uso de biocombustíveis com baixo teor de carbono nos Estados Unidos. bustíveis de transporte na Califórnia até 2030. O CARB utiliza uma metodologia espe− cífica para o cálculo da intensidade de carbono (CI) do biocombustível co− mercializado, ou seja, a emissão de ga− ses de efeito estufa por litro de etanol da produção em nossas áreas agrícolas até a sua chegada à Califórnia.

O etanol de cana−de−açúcar é o biocombustível mais limpo do mun− do, capaz de reduzir as emissões de CO2 (Dióxido de Carbono), em aproximadamente 90% quando com− parado à gasolina, contribuindo de forma positiva nas ações de combate ao aquecimento global. As unidades da Zilor, Barra Gran− de (Lençóis Paulista− SP) e São José (Macatuba−SP) receberam a certifi−

cação em fevereiro/2022 e a unidade Quatá−SP em março/2022 para a produção de etanol. Nos nove meses acumulados da safra 2021/22 a pro− dução do etanol da Zilor somou 468,3m3, 3,0% superior aos 454,5m3 registrados no 9M21. A aprovação serve de passaporte para a Zilor ex− portar o combustível limpo para o Es− tado da Califórnia. Segundo o diretor−presidente da

Zilor, Fabiano Zillo, o mercado de combustíveis da Califórnia é muito exigente e tem uma legislação am− biental rigorosa que dá preferência ao etanol de cana−de−açúcar, uma exi− gência que colabora para a redução das emissões de GEE no meio ambiente. Tal iniciativa integra um conjunto de medidas de combate às mudanças cli− máticas promovidas pelo governo americano. “A obtenção da certificação é muito importante para os negócios da Zilor, pois está alinhada as principais exigências de mercado de biocom− bustíveis, com foco em automóveis e combustíveis limpos até a adoção de soluções inovadoras para reduzir as emissões de gases na atmosfera no combate às mudanças climáticas, além de fortalecer nossos avanços nos as− pectos ESG (ambiental, social e de governança). Desse modo, o etanol que fornecemos contribui para um ar mais limpo e para a melhora da qua− lidade de vida de milhares de pessoas”, destaca o diretor−presidente a Zilor, Fabiano Zillo.



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USINAS

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Miriri Alimentos e Bioenergia S/A completa 46 anos de fundação Companhia foi a primeira usina do Nordeste a ter um projeto de destilaria autônoma pelo Proálcool A Miriri Alimentos e Bioenergia S/A completou 46 anos de história no dia 12 de abril. A companhia é uma das principais referências no segmen− to sucroenergético do Nordeste. Si− tuada na Região Metropolitana de João Pessoa – PB, a empresa foi fun− dada por José Ivanildo Cavalcanti de Morais, em 1976, e se destaca por transformar energia de biomassa re− novável em desenvolvimento, priori− zando uma gestão baseada em valores humanos e compromisso com a sus− tentabilidade. Eficiência operacional, responsabi− lidade social e harmonia com a natu− reza são pilares deste grupo empresa− rial que tem um brilhante legado na produção de cana−de−açúcar e etanol. Uma curiosidade sobre o grupo empresarial é que a Miriri foi a pri− meira do Nordeste a ter um projeto de destilaria autônoma pelo Proálcool (Programa Nacional do Álcool). A

usina, que inicialmente começou com o álcool, ampliou seu mix de produ− tos e, atualmente, possui uma grade muito competitiva que contempla açúcar, etanol, bioeletricidade, destila− dos e outros. Em termos de produção de líqui− dos, a Miriri tem alta capacidade para a produção de etanol anidro e hidra− tado. “Podemos produzir 100% da nossa moagem pensando em 5.500 toneladas de cana/dia voltadas 100% para anidro. Quando a demanda não é para os dois produtos, tem a opção de álcool neutro, que é de 180 a 200 mil litros de álcool por dia”, conta o dire− tor−presidente do grupo, Gilvan Cel− so Cavalcanti de Morais Sobrinho, que também ressaltou que a empresa já fez uma operação de exportação de 35

milhões de litros de álcool neutro. Morais Sobrinho iniciou o traba− lho na empresa ainda aos 18 anos de idade. Desde então, se dedica ao cres− cimento da usina. Hoje, além das ati− vidades de campo na produção de ca− na, o diretor−presidente discute e busca avanços da pesquisa e da tecno− logia da produção sucroenergética na Miriri e também preside o Conselho Diretor do Sindalcool−PB. “É com muito orgulho que faço parte dessa equipe como gestor. Digo que quem tem um time como esse, não perde um jogo. Para desenvolver a Miriri, apostamos em novas tecnolo− gias agrícolas, como o corte e plantio mecanizados, busca por novas varieda− des, confecção de barragens para ga− rantir a segurança hídrica e também

temos estudos desenvolvidos ao longo de 26 anos sobre a melhor forma de irrigar. Na parte administrativa, foram feitos vários processos de integraliza− ção que permitem a tomada de deci− são baseada em dados consistentes. A grande inovação que posso destacar é a metodologia UGB, que mantém a es− sência da Miri na busca de receita por tonelada líquida baseada no que a gente tem de melhor: os valores hu− manos. Temos que valorizar quem es− tá com a mão na massa”, disse. Da compra do pequeno engenho Nossa Senhora de Lourdes, em 1955, a Miriri cresceu e se consolidou, tor− nando−se uma empresa que atual− mente possui 1.700 gestores, além dos acionistas. “A Miriri tem se mantido aberta e disponível para discutir projetos de pesquisa e desenvolvimento e de− monstra capacidade de resiliência, mesmo diante das mais difíceis situa− ções de solo, clima e conjuntura eco− nômica. Por estas razões, dezenas de teses de mestrado e doutorado tiveram como objeto de estudos temas rela− cionados com as suas atividades. A di− reção da Miriri e seus acionistas têm priorizado a perenidade da empresa ampliando os ganhos para as próximas gerações”, ressaltou o presidente− executivo do Sindalcool−PB, Ed− mundo Barbosa.

Usina São Manoel capta R$ 125 milhões em créditos financeiros Companhia realiza a primeira operação com base na lei 12.431/2011. Expectativa é crescer a moagem em cerca de 7% A usina São Manoel, unidade asso− ciada à Copersucar, realizou duas ope− rações de captação em créditos finan− ceiros, que totalizaram R$ 125 milhões, com o objetivo de endereçar antecipa− damente suas necessidades de financia− mentos para a safra que se iniciará no próximo dia 25 de abril, na qual se es− pera um crescimento da moagem da usina na ordem de 5% a 7%. A companhia captou R$ 75 mi− lhões com a sua primeira emissão de

debêntures de infraestrutura, conhe− cidas como “debêntures incentivadas”, dentro do previsto na Lei 12.431/11. A operação foi estruturada e distri− buída pelo Banco Itaú BBA, com vencimento em março de 2028, pra− zo total de seis anos, pagamento de

juros semestrais e principal anual a partir do quarto ano. O recurso obtido com a emissão será utilizado na ampliação, manuten− ção e recuperação da produção de ca− na−de−açúcar destinada à produção de etanol. Esta operação utilizou parte do

montante total de R$ 263 milhões aprovados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em setembro de 2021. O segundo financiamento captado pela São Manoel também no mês de março, no valor de R$ 50 milhões, foi realizado via Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e adquirido na totalidade pelo Banco do Brasil. Com prazo total de sete anos e juros semestrais, o cronograma de amortização anual inicia−se a partir do terceiro ano e o vencimento está pre− visto para abril de 2029. O recurso emitido via CDCA será utilizado co− mo capital de giro da companhia. A concessão dos créditos finan− ceiros está alinhada às políticas de ESG da São Manoel, contemplando os cri− térios ambientais, sociais e de gover− nança da organização.


USINAS

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Grupo Viralcool estima moagem de 6,4 milhões de toneladas na safra 2022/23 Celebrações religiosas marcaram o início da safra da companhia Com a realização de celebrações religiosas realizadas nos dias 25 e 26 de abril e 9 de maio, em nas unida− des (Matriz Pitangueira, Castilho e Viralcool Sertãozinho – Destilaria Santa Inês), o Grupo Viralcool mar− cou o início das atividades da safra 2022/23. Em Pitangueiras, o evento contou com a presença dos diretores da em− presa: Antônio Eduardo Toniello Fi− lho, superintende, Cláudia Toniello, diretora de RH, Ricardo Toniello, di− retor Financeiro,Valter Toniello, dire−

tor Agrícola, Nadir Nascimento Jú− nior, diretor Industrial, Luiz Toniello, membro do Conselho, os prefeitos de Viradouro, Pitangueiras e Terra Roxa além de colaboradores de diferentes setores da unidade, os prefeitos de Vi−

radouro, Pitangueiras e Terra Roxa, além de colaboradores de diferentes setores da unidade. A cerimônia foi realizada pelo pa− dre Sebastião Vicente da paróquia de N. Sra. Aparecida e o pastor José An−

tonio Correa da Igreja Evangélica Ba− tista, ambos de Viradouro. Ao final do evento, o presidente do Conselho Administrativo, Antônio Eduardo Toniello, destacou a necessi− dade do comprometimento de todos os colaboradores em trabalhar de for− ma correta, para que as metas previs− tas para o ano sejam alcançadas com segurança, garantindo o bem−estar da empresa e dos familiares de todos os colaboradores. De acordo com a companhia, a expectativa para essa safra é que sejam processadas 6,4 milhões de toneladas de cana, com a produção de 163.000 m³ de etanol hidratado e 80.000 m³ de anidro; 8.900 sacas de açúcar; 6.000.000 Kg de levedura e cogerado 400.000 MW.

Diana Bioenergia inicia nova turma de Jovem Aprendiz em parceria com CIEE Este ano o curso será voltado para a cultura canavieira A Diana Bioenergia iniciou no dia 17 de maio, sua 3ª turma de aprendi− zagem em parceria com CIEE (Cen− tro de Integração Empresa−Escola). A turma conta com 20 jovens com ida− des de 18 a 22 anos. Este ano o curso será voltado para a cultura canavieira, trazendo os temas: Arco do Agrone− gócio e Mecanização Agrícola. O curso terá duração de um ano e qua− tro meses. O objetivo é ampliar a mão

de obra qualificada para o campo e desenvolver habilidades e competên− cias profissionais, preparando os jovens para o mercado do trabalho. Conceitos que serão abordados durante o curso: Aprendizagem – Agronegócio – Cadeias produtivas – Equipes – Estruturas – Tipos de em− presa – Microeconomia – Mercados agroindustriais – Contextos econô− micos – Gestão da produção – Plane− jamento – Gestão financeira – Mar− keting – Comercialização – Gestão de pessoas – Operações logísticas – Cer− tificados – Normas regulamentadoras – Gestão – Operações logísticas – Distribuição da produção – Modais de

transporte – Produção – Subprodutos – Biocombustíveis – Bioenergia – Manejo de solo – Sustentabilidade – Cooperativismo – Legislação am− biental – Políticas públicas – Mecani− zação – Manutenção – Tecnologia pa− ra produção agrícola. Essa aprendizagem no Programa Arco do Agronegócio dará abertura para esses jovens atuarem nas áreas de desenvolvimento agronômico, plantio, tratos, corte, transbordo e transporte. Já o de Mecanização Agrícola, trará áreas de atuação, como oficina mecânica/frente de colheita. Wesley Monteiro, gerente de RH da companhia declara a importância

dessa parceria:“Um dos desafios hoje é conseguir mão de obra qualificada além de promover harmonia entre as diferentes gerações, neste sentido a Diana vai unir o útil ao agradável, qualificando mão de obra para absor− ver nossas necessidades bem como tra− zer integrantes da nova geração apro− veitando a facilidade que eles tem com novas tecnologias, pois o sucesso de todas as organizações hoje está apoia− do dentre outros pontos, na evolução tecnológica e melhores práticas e ma− neiras de fazer o que era feito antes, em paralelo daremos oportunidade para os jovens que buscam crescimento e for− talecemos a economia local.”


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USINAS

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Usina Ester utiliza ferramenta que sistematiza gestão de contratos e documentação de terceiros Profissionais da usina falam sobre como o GDt, desenvolvido pela Vertech, traz ganho operacional e minimiza riscos na contratação de prestadores de serviços Fundada em 1898, a Ester Agroindustrial é uma das mais antigas usinas de açúcar do Estado de São Paulo em atividade e um marco de desenvolvimento da região de Cos− mópolis. Conhecida pelo alto padrão de qualidade de seus processos produ− tivos, especialmente do etanol neutro, possui laboratórios equipados e pes− soal capacitado para assegurar um ri− goroso controle e monitoramento de seus produtos. Na safra 2021/22 a unidade es− magou cerca 1,7 milhões de toneladas de cana, produzindo 2,264 mil sacas de 50kg de açúcar e 67.6 milhões de li− tros de etanol e espera bater todas es− sas marcas na safra vigente. A direção da empresa aposta na tecnologia para maximizar seus resultados produtivos, não somente nas áreas industriais e agrícolas, mas também na administra− tiva. Desde a safra passada a usina faz uso de uma solução revolucionária desenvolvida pela Vertech que siste− matiza o processo de documentação de terceiros: o GDT. Atuando há 21 anos na usina, a su− pervisora de gestão de contratos e con− trole, Keila Simoni, conta que o GDT

foi implantado no início da safra 2021/22 com o objetivo de se obter um melhor controle na documentação de terceiros, principalmente para a área agrícola. “Para se ter uma ideia, só em contratos de safra, que é um período maior, tínhamos cerca de 40 prestado− res de serviço. Por isso, controlar esses documentos e integrá−los com outros departamentos estava sobrecarregando nosso tempo operacional, além dos ris− cos na averiguação da saúde financeira

de cada um”, comenta. Outro risco iminente, segundo Simoni, estava na gestão e no contro− le de todas as obrigações acessórias, documentos e contratos de empresas prestadoras de serviços e seus funcio− nários, em atendimento à LEI Nº 13429 de 31/03/2017. “O uso do GDT minimizou os riscos com ações trabalhistas, previdenciárias e fiscais decorrentes da responsabilidade da empresa como contratante”, destaca.

Inicialmente, a ferramenta foi uti− lizada para prestadores voltados à área agrícola (CTT), mas diante dos bons resultados foi estendido para outras áreas.“Decidimos estender o uso tam− bém para a entressafra levando em consideração a quantidade de tercei− ros que prestam serviços para reposi− ção de equipamentos e manutenção industrial. Agora todos os setores têm acesso ao sistema, incluindo o depar− tamento jurídico e os usuários−chave para tomada de decisão nestas áreas”. Para Cleiton Barbieri, coordena− dor de torre de controle, o GDT chegou em um momento oportuno e se destacou na integração. “A ferra− menta chegou e integrou todas as áreas. Sem falar na forma fácil de se usar”, celebra. O GDT tem duas interfaces distin− tas, uma para a usina e outra para os ter− ceiros. No processo do sistema, são as empresas terceiras que se cadastram, as− sim como seus funcionários, veículos e máquinas, e digitaliza seus documentos para salvá−los no sistema que armazena na nuvem. Assim, explica Barbieri, me− diante uma prévia análise a ser aprovada ou não pela usina, com isso o terceiro dá continuidade ao registro do funcionário e o sistema relaciona os documentos necessários de acordo com o cargo li− gado a ele. No sistema os documentos são facilmente localizados, através de pesquisa.Também é possível controlar os vencimentos dos documentos e contra− tos, gerando e−mails e avisos aos gesto− res responsáveis para anexar a docu− mentação a vencer e vencidos.“Isso oti− mizou muito o tempo do nosso time, integrando todo o processo em único local”, afirma Barbieri.


AGRÍCOLA

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Dia do Campo da RIDESA lança 21 novas variedades de cana Evento reuniu pesquisadores em estação experimental da UFPR Pesquisadores de várias regiões do país participaram do “Dia de Campo Ridesa”, promovido pela Universida− de Federal do Paraná (UFPR) no dia 20 de abril, na estação experimental do Setor de Ciências Agrárias, locali− zada no município de Paranavaí – PR. A programação marcou o aniversário de 31 anos da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Sucroe− nergético (Ridesa) – principal núcleo de pesquisa canavieira no âmbito do Governo Federal. No evento foram apresentadas vinte e uma novas variedades de ca− na−de−açúcar, das quais quatro foram desenvolvidas na Universidade Fede− ral do Paraná e liberadas em 2021. Na ocasião, também foi divulgado o livro que celebra e conta a história dos 50 anos de variedades RB, relatando as 114 variedades lançadas pelo Planal− sucar e pela Ridesa, incluindo essas novas variedades, em mais de 32 anos de pesquisa. O professor Ricardo Augusto de Oliveira, do Programa de Melhora− mento Genético da cana−de−açúcar do Departamento de Fitotecnia e Fi− tossanidade da UFPR, ressaltou a im− portância do evento, lembrando que o

tempo médio para a liberação de uma nova variedade é de aproximadamen− te 15 anos, após vários testes. O processo se inicia nas estações, onde são produzidas milhares de se− mentes e enviadas para as universida− des da Ridesa iniciarem as fases de ex− perimentação de campo. Entre as eta− pas realizadas nas universidades estão: germinação das plântulas; seleção de clones de cana−de−açúcar RB; ensaios de competição de clones; avaliação da época de maturação dos clones; e rea− ção às pragas e doenças de clones. “Quando liberamos uma nova va− riedade, ela terá características que são superiores às variedades já comercia− lizadas, já cultivadas. São mais toleran− tes às doenças, possuem maior teor de açúcar e maior produtividade. Essas

variedades também que são mais rús− ticas, ou seja, aguentam um ambiente de cultivo um pouco mais restritivo”, explicou o professor. O melhoramento genético pro− porciona aumento de produtividade, pois viabiliza o cultivo de plantas mais resistentes a pragas e a doenças e adaptadas para as diferentes regiões produtoras. Entre as vantagens das no− vas variedades estão o elevado teor de sacarose, os diferentes ciclos de co− lheita e as adaptações a vários tipos de solos e ambientes. A Ridesa é formada por um con− vênio de cooperação técnica entre dez universidades federais, do qual a UFPR faz parte. A rede desenvolve as cultiva− res denominadas República do Brasil (RB). Desde 1992, o Programa de

Melhoramento Genético da Cana− de−Açúcar, vinculado ao Departa− mento de Fitotecnia e Fitossanidade da universidade paranaense, já desenvol− veu quatorze variedades. As variedades da sigla RB são cultivadas em mais de 65% da área com cana−de−açúcar no país, uma contribuição de cerca de 12,3% na matriz energética do Brasil. A Ridesa é conveniada com 298 usinas no Brasil, o que representa, aproximadamente, 80% das empresas brasileiras produtoras de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade. Esse modelo de parceria com usinas e destilarias possibilita que a Rede desenvolva no− vas variedades e as introduza em sis− temas de cultivos no Brasil para ava− liá−las com base em experimentos nas empresas nacionais.


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Road Show da Transformação Digital a todo vapor! O CEO da ProCana Brasil, Josias Messias, continua a todo vapor com Road Show Usina 4.0, promovendo a transformação Digital e tecnologias 4.0 para otimização dos resultados nas usinas. Confira as visitas mais recentes:

Na Usina São Luiz Ourinhos com os supervisores industriais Daniel Antunes, Edvan Nicolini e Leandro Arruda e Betinho Quagliato, diretor industrial

Thiago Souza Barros, CEO, e Marcel Martins, Gerente de Motomecanização e Torre de Controle na Usina Açucareira Ester

Pedro Felipe Andrade, Diretor Industrial, Eduardo Ceribeli, Gerente Industrial da Usina Cerradão

Jose Carlos Teixeira Junior, Head de Operações Industriais na ATVOS

Reginaldo Chara, Gerente Agrícola, e Jaime Stupiello, Diretor Agrícola na Nardini Agroindustrial

Evento de abertura de safra da Caninha 51 foca na maximização de suas operações A Companhia Muller de Bebidas, empresa referência mundial em bebi− das destiladas com a marca Caninha 51, e sua companhia agrícola Vale do Xingu, responsável pelo cultivo da ca− na de açúcar, realizaram evento de abertura de safra no dia 20 de abril, no Centro de Convenções Professor Doutor Fausto Victorelli, em Pirassu− nunga – SP. O ato contou com a presença de cerca de 380 colaboradores e com apresentações de diretores da Compa− nhia Muller, os quais destacaram as conquistas da empresa reforçando o propósito de destilar o melhor de ca− da momento para superar os desafios, e mostraram aos colaboradores os de− talhes da implementação do COA – Centro de Operações Agrícolas. O evento foi apresentado pelo ge− rente de Destilaria, Josias Ceará de Moraes, e pelo diretor de Operações, Daniel Sandrini. Cada membro da di− retoria e da equipe de gestão, presen− cialmente ou através de vídeo, também transmitiram sua mensagem positiva aos colaboradores presentes ao evento.

A Caninha 51 fornece 2 bilhões de doses de cachaça por ano através de 1 milhão de pontos de vendas espa− lhados pelo Brasil, sendo que o seg− mento de cachaça representa 80% de todo o volume de bebidas destiladas vendidas no Brasil. A unidade produ− tora Lageado, localizada em Porto Ferreira e responsável pelo cultivo da cana−de−açúcar e produção da ca− chaça, a expectativa é que a safra que se inicia (2022/23) seja a 4ª maior da

história da destilaria, desde seu início em 1986. Atualmente, a capacidade de moagem da empresa está programada em 4 mil toneladas por dia com a produção prevista de 90 milhões de litros de cachaça na safra. O evento também contou com as apresentações da AxiAgro e da GAtec, empresas parceiras da Cia Muller na implementação do COA. Represen− tando a AxiAgro, Josias Messias, CEO da Pró−Usinas, utilizou o próprio

slogan do COA – Tecnologia e Inte− ligência para a melhorar a performan− ce – para enfatizar que a AxiAgro contempla a plataforma de tecnologias de última geração, incluindo o uso de Inteligência Artificial, para apoiar as equipes da Cia Muller na melhoria contínua das operações agrícolas. “Mas a AxiAgro é apenas uma ferramenta, quem sabe produzir e colher cana com qualidade são as equipes de gestão e operação da Caninha 51. A AxiAgro só veio tra− zer mais integridade, qualidade e segurança ao trabalho do pessoal da empresa, e em tempo real”, expli− cou Messias. A GATec apresentou o software que melhora a logística dos caminhões de transporte de cana da Destilaria Lageado, intencionando reduzir cus− tos e assegurar a alimentação de ma− téria prima à indústria. O evento foi encerrado com um culto ecumênico de agradecimento e consagração das safras a Deus, com a mensagem de que “a preparação cabe aos homens, mas a benção vem de Deus”.


ROAD SHOW

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Grupo Novo Milênio avança no processo de transformação digital com implementações no controle de vapor e moenda Sob o comando do diretor presidente Marce− lino Takaoka e o diretor industrial Jair Izidoro, o Grupo Novo Milênio deu mais um passo impor− tante no caminho de sua transformação digital e entrada na era da Industria 4.0, com as implemen− tações dos controles de vapor e de moenda com o S−PAA da Soteica do Brasil nas plantas de Miras− sol e Lambari. O projeto vem sendo liderado in− ternamente pelo seu Diretor Presidente, Marceli− no Takaoka, e pelo Diretor Industrial, Jair Izidoro, e vem contando com apoio irrestrito das gerên− cias e supervisões industrial e corporativa.

Douglas Castilho Mariani, engenheiro Químico da Soteica com Antonio Leude Calor Junior; Gerente de Produção Industrial; Bruno Fiorucci Tarosso, Engenheiro Químico da Soteica; Marcelo Bernardo da Silva, Gestor Técnico de Produção; Ana Lúcia Chuína, Diretora Financeira; Marcelo Jorge da Cunha, Engenheiro Eletricista Corporativo; João dos Santos, Diretor Administrativo

NovAmérica desenvolve projeto de análise nanoparticular do solo

Sergio Munhoz, Graciano Balotta, Josias Messias e Maira

Denominado TARU 4.0, o projeto realizará o diagnós− tico e mapeamento de nanopartículas naturais dos solos da NovAmérica, identificando o potencial da "terra" para plantar, utilizar água, adubos como potássio e fósforo, além de outras aplicações agrícolas e ambientais como regenera− ção do solo por remineralizadores, microorganismos e car− bono do solo.

SmartLog da BP Bunge recebe Road Show Usina 4.0

Josias Messias com Geovane Consul, CEO, e Mara Pinheiro, Diretora de Comunicação e Relações Institucionais da BP Bunge Bioenergia

Alexandre Martins: “SmartLog representa uma realização pessoal e propósito de vida”

O Road Show Usina 4.0, que promove a Transformação Digital e tecnologias 4.0 nas usinas, visitou a SmartLog, torre de controle centralizada responsável pelo monitoramento de toda frota agrícola da BP Bunge Bioenergia. O CEO da ProCana Brasil, Josias Mes− sias, conheceu pessoalmente o Smartlog, hub de informações localizado em São Paulo que faz o monitoramento online e em tempo real de cerca de 1.200 equipamentos agrícolas, intervindo e gerando dados para a tomada de decisão nos processos logísticos de plantio e colheita de suas 11 unidades agroindustriais. As colhedoras são equipadas com tecno− logia embarcada conectada à nuvem por te− lefonia móvel ou conexão via satélite, que por sua vez é acessada pela Torre de Contro− le. Esta faz a gestão de informações necessá− rias à definição dos parâmetros da colheita, como quantidade de máquinas em uso, ve− locidade e tempo de trabalho de cada equi− pamento. O mesmo tipo de tecnologia se aplica à estrutura de apoio para reabastecimento, tratores de trans− bordo e caminhões rodotrem.

Essa tecnologia permitiu aumentar o uso das colhedoras, das tradicionais 9 a 10 horas diárias, para 15 ou 16 horas de corte/dia. Com a atual performance, a média de co− lheita de cana−de−açúcar, que no setor gira em torno das 400 a 500 toneladas por má− quina ao dia, chegou na BP Bunge ao recor− de de 1.080 toneladas/dia na unidade Tropi− cal (GO), e à média de 800 toneladas/dia entre as 11 usinas da empresa. A gestão on− line permitiu também a redução em 20% no número de colhedoras no campo, mesmo considerando que houve ganho de produti− vidade de 10%. A otimização também traz benefícios ao meio ambiente. A redução do consumo de diesel na cadeia CTT está acima dos 8%, so− mente em razão do aumento da produtivi− dade e otimização da operação de máquinas e caminhões. O SmartLog ainda é responsá− vel pela gestão da telemetria da frota e pela identificação, via imagens de satélite, de fo− cos de incêndio nas plantações de cana−de− açúcar, para o acionamento mais ágil e efi− ciente das Brigadas de Combate a Incêndio.


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AGRISHOW ALCANÇA RECORDE DE NEGÓCIOS COM R$ 11,243 BILHÕES Número de visitantes foi 30% maior do que na última edição presencial

A Agrishow 2022 – 27ª Feira In− ternacional de Tecnologia Agrícola em Ação, realizada no período de 25 a 29 e abril, alcançou um recorde na reali− zação de negócios. O valor foi de R$ 11,243 bilhões em vendas de máqui− nas agrícolas, de irrigação e de arma− zenagem. Esse volume não inclui in− sumos e outros segmentos. O mon− tante representa quase 300% do que foi movimentado na última edição presencial da feira, em 2019. Em termos de visitação, a Agris− how 2022 recebeu um total de 193 mil pessoas, em sua maioria, produto− res rurais de pequenas, médias e gran− des propriedades de todas as regiões do país e também do exterior. Neste caso, o número de visitantes foi 30%¨a mais do que em 2019. Para João Carlos Marchesan, pre− sidente do Conselho de Administra− ção da Associação Brasileira da Indús− tria de Máquinas e Equipamentos

(ABIMAQ), “essa foi a melhor feira de sua história, onde, inclusive, tivemos a oportunidade de apresentar a pujança do nosso setor e, em decorrência, as necessidades para o próximo Plana Safra. O Brasil precisa crescer e o cres− cimento está no agro”.

“Encerramos uma feira histórica saudando novamente a volta dos even− tos presenciais, o olho no olho. A Agrishow trouxe toda a tecnologia do agro enfatizando a confiança de todos para que o Brasil siga crescendo em produtividade, sustentabilidade e como

principal fornecedor de alimentos e produtos para o mundo”, afirma Fran− cisco Matturro, secretário da Agricul− tura e Abastecimento do Estado de São Paulo e presidente da Agrishow. A próxima edição da Agrishow será de 1 a 5 de maio de 2023.

Mercado de cana investe em caminhões autônomos Os caminhões autônomos ou se− miautônomos, dirigidos quase sem interferência do motorista, já são uma realidade nas lavouras de cana do Bra− sil e foram exibidos na Pista de Cami− nhões Autônomos da Agrishow 2022. Quando o motorista dirige ma− nualmente, é impossível que os veí− culos não se desviem pelo menos um pouco da rota (no caso, as car− reiras de cana), já que ele não enxer− ga a carreira embaixo do veículo. Com a automação, o caminhão se− gue exatamente a rota pré−estabe− lecida. Além de evitar o pisotea− mento das plantas, garantindo apro− veitamento total do plantio à co− lheita, os veículos ainda podem fa− zer aplicações localizadas (somente onde há necessidade de pulverização, por exemplo). A parceria Mercedes Benz– Grunner levou para a feira três mode− los semiautônomos, com funções di−

ferentes: transbordo (que recolhe a cana picada), o ASP (que aplica a vi− nhaça) e o ADS, que insere todos os insumos sólidos na terra. A expectati− va da Mercedes, que produziu e co−

mercializou cerca de 350 equipamen− tos no ano passado, é ampliar a pro− dução dos veículos para 470, na safra 23/24. A Scania disponibiliza o modelo P

280 8x4, destinado ao transbordo da cana. A automação também é nível 2: recebendo sinal de satélite, o veículo opera sozinho no trajeto pré−estabe− lecido, e o motorista, que vai na cabi− ne interfere em poucos casos, como no momento de mudar de carreira. Por sua vez, o Grupo AIZ, tam− bém presente na Agrishow, já avançou para o nível 3. Os veículos projetados pela empresa podem ser operados re− motamente, de qualquer lugar, e sem motorista na cabine. Isso porque, além de preparar um caminhão (no caso deles, de qualquer marca que o clien− te escolher) com os implementos ne− cessários para a lavoura da cana, eles equipam o veículo com a tecnologia necessária para o nível 2 (GPS) e de− pois para o nível 3 (fabricam um pos− to de controle, que pode ser instalado em qualquer lugar). E quando não há sinal de satélite ou internet no local, a empresa faz a rede.


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FAESP/SENAR-SP e CNA lançam Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar instituição desenvolverá novas tecnologias para o setor bioenergético O Sistema Federação da Agricul− tura e Pecuária do Estado de São Pau− lo / Serviço de Aprendizagem Rural (FAESP/SENAR−SP) lançou no pe− núltimo dia da feira, a pedra funda− mental do Centro de Excelência da Cana−de−Açúcar. A instituição, que propiciará o desenvolvimento de no− vas tecnologias para o setor, é uma parceria da Federação com a Confe− deração Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o SE− NAR. O local de funcionamento se− rá o Centro de Treinamento do SE− NAR−SP, em Ribeirão Preto – SP. O lançamento ocorreu no estan− de da FAESP/SENAR−SP na Agris− how. “A cidade é ideal para o funcio− namento do novo organismo, pois é um grande cluster de cana−de− açúcar e agrega o que há de mais mo− derno na área no país”, afirma o pre− sidente da Federação, Fábio de Salles Meirelles. A pedra fundamental foi lançada pelo vice−presidente da FAESP e presidente do Conselho Deliberativo

do Sebrae−SP,Tirso de Salles Meirel− les, Daniel Carrara, diretor−geral do SENAR, Mario Antonio Biral, supe− rintendente do SENAR−SP, André Sanches, diretor−geral da Faculdade CNA, Francisco Maturro, presidente da Agrishow e secretário de Agricul− tura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o prefeito de Ribeirão Preto Duarte Nogueira, e Maurilio

Biagi Filho, presidente de honra da Agrishow. “Com o Centro nós poderemos levar mais qualidade de vida para mi− lhares de famílias, além de poder be− neficiar milhares de produtores rurais e em consequência, toda a cadeia pro− dutiva e a comunidade em geral”, dis− se Tirso Meirelles. “A CNA e o SENAR nacional,

em parceria com o FAESP / SE− NAR−SP investirá cerca de R 15 milhões neste projeto, que poderá ge− rar mais de 2 mil empregos por meio da colocação no mercado de trabalho dos jovens que ingressarão no ensino profissionalizante e na faculdade CNA”, disse Daniel Carrara. “O Centro será de vital impor− tância para a valorização de uma cul− tura que ainda temos que evidenciar muito mais todos os seus benefícios. A cana é o presente e o futuro desse país, e os vários produtos derivados dela são de vital importância” disse Maurilio Biagi Filho. Os Centros de Excelência são unidades de ensino do Senar, organi− zados por cadeia produtiva, que for− mam uma rede integrada de ensino responsável pela tarefa de disseminar o conhecimento, nacionalmente. Além de contribuir para a competitividade e o desenvolvimento do setor agrope− cuário brasileiro, promove o desenvol− vimento econômico e social da região, com geração de emprego e renda. O modelo estratégico envolve as ofertas de educação Profissional Téc− nica de nível médio e Superior de Tecnologia, nas modalidades de ensi− no presencial e a distância; assistência técnica e gerencial. A previsão é de que o órgão comece a funcionar em dois anos.

IAC apresenta cinco novas variedades de cana na feira Materiais modernos atendem as condições de solo e clima de diversas regiões brasileiras O IAC apresenta cinco novas va− riedades de cana na Agrishow 2022. São variedades modernas, que aten− dem às condições de solo e clima de diversas regiões do Brasil, além do po− lo sucroenergético paulista. IACSP02−1064: tem rápido de− senvolvimento inicial, tem se destaca− do em todos os períodos de safra, com utilização industrial bastante longa. Tem excelente estabilidade em prati− camente todas as regiões canavieiras do Brasil, além de bom teor de saca− rose no início de safra e vigor ao lon− go dos cortes. IACCTC05−5579: é indicada

para regiões como Goiás, Norte e Oeste paulistas.Tem excelente perfor− mance, com elevada população de colmos e longevidade de produtivida− de ao longo dos cortes. É muito adap− tada ao plantio mecânico. IACCTC06−5732: tem bom teor de sacarose no início de safra e alta população de colmos, com grande longevidade. Adaptada ao plantio mecânico, tem hábito ereto de cres− cimento que favorece a colheita me− cânica. IACCTC07−7207: apresenta ele− vada produção agrícola em diversos cortes em função da elevadíssima po− pulação de colmos, aliado a um diâ− metro médio. O porte muito ereto fa− vorece a colheita mecânica e reduz impurezas vegetais. IACCTC08−9052: tem alto vigor ao longo dos cortes e elevada produ− tividade. Intensa adaptação ao plantio mecânico, porte semiereto e boa po− pulação de colmos.


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FENASUCRO & AGROCANA 2022 pode movimentar cerca de R$ 5 bilhões, projeta organização Feira será realizada de 16 a 19 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho – SP A 28ª edição da FENASUCRO & AGROCANA pode movimentar até R$ 5 bilhões em negócios e receber mais de 42 mil visitantes de várias partes do mundo, projeta a organiza− ção do evento. A feira, que está com 100% dos espaços comercializados se− rá realizada de 16 a 19 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Ser− tãozinho – SP. A edição de 2022 foi lançada ofi− cialmente nesta quarta−feira (25), com destaque para o cenário otimista e mer− cado promissor, incentivados, principal− mente, pelos investimentos em susten− tabilidade e novos projetos industriais. “Com a demanda cada vez mais forte por sustentabilidade, o setor de bioenergia se prepara para uma esca− lada de investimentos, devido ao crescimento de seus produtos e sub− produtos”, explica Paulo Montabo− ne, diretor da feira. “Isso porque, nos últimos anos a indústria de bioener− gia investiu grande parte de seus re− cursos em manutenção de seus equi− pamentos. Agora, novos projetos e nichos de mercado ganham evidên− cia e receberão investimentos em lar− ga escala, como é o caso da constru− ção de novas usinas de biogás, de eta− nol de milho e de etanol de segunda

geração”, completa. Para Montabone, o setor é refe− rência em sustentabilidade, principal− mente com os biocombustíveis. “Já são cerca de 70 países que estão uti− lizando o biocombustível como mis− tura, por exemplo. O que faz com que o volume de negociação no mercado tenha um desempenho me− lhor e mais favorável do que nos ou− tros anos”, enfatiza.

Biogás Ambientalmente sustentável, a produção de biogás a partir dos resí−

duos de cana−de−açúcar é um novo ativo das usinas sucroenergéticas, atrai novos investimentos e terá des− taque na feira. Isso porque, de acordo com a ABIOGÁS, atualmente o Brasil des− perdiça 100 milhões de m³ de metano renovável por dia, que equivalem a 35% da energia elétrica consumida no país e 70% do diesel. Um verdadeiro ‘pré−sal caipira’, já que cada usina de cana−de−açúcar tem a escala de um poço de petróleo do pré−sal. Com o ambiente regulatório fa− vorável para a expansão do biogás, a

meta da Abiogás é chegar à produção de 30 milhões de m³/dia até 2030, que é 30% do potencial atual. “Assim como o biogás, o etanol de segunda geração, bem como o futuro hidrogênio verde, estão viabilizando negócios. São todos subprodutos da cana que voltam, agregando dentro das indústrias valores que não existiam. Um movimento fantástico do setor de bioenergia no Brasil e, mais impor− tante, demandando e exportando nossa biotecnologia para o exterior”, enfatiza Montabone.

Presidente de honra No dia 23 de maio, Luis Rober− to Pogetti, Chairman da COPER− SUCAR, tomou posse como Presi− dente de Honra da FENASUCRO & AGROCANA 2022. A cerimônia, que foi realizada em São Paulo, con− tou com a presença de Paulo Mon− tabone, diretor da feira; Luis Carlos Junior Jorge, presidente do CEISE Br; e Antonio Eduardo Tonielo Fi− lho, diretor−superintendente do Grupo Viralcool.

Prêmio MasterCana Centro-Sul O Prêmio MasterCana Centro− Sul, realizado pela Procana, é o evento social de abertura da Fenasu− cro & Agrocana 2022 que acontece− rá na noite de 16 de agosto no Es− paço Golf, em Ribeirão Preto −SP.


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Bevap Bioenergia tem um novo CEO Novo presidente assume a função para dar continuidade ao processo de reestruturação organizacional com foco no crescimento A Bevap Bioenergia, uma das usinas brasileiras mais avançadas tecnologicamente na produção de etanol, açúcar e cogeração de energia elétrica, no− meou Newton Santana como CEO da empresa. Desde janeiro, quando o Conselho da Adminis− tração decidiu implementar mudanças no comando executivo da Bevap a função de CEO vinha sendo exercida temporariamente pelo membro do Con− selho, Jucelino Sousa, que agora volta a atuar exclu− sivamente como conselheiro. “A revisão da estrutura organizacional da Bevap faz parte de um processo natural e contínuo de bus− ca por eficiência em todas as áreas da empresa. Para isso precisávamos um executivo com experiência, habilidades de governança, liderança e alinhamento com nossa cultura para dar continuidade ao proces− so que iniciamos em janeiro”, afirma Sérgio Facchi− ni, presidente do Conselho de Administração, justi− ficando a escolha de Newton Santana. Profissional com 30 anos de experiência em di− ferentes indústrias, liderando projetos de consulto− ria e operações em cadeia de suprimentos, produ− ção, vendas e distribuição, no Brasil e no exterior,

Ivan Melo Filho

Newton Santana

Newton Santana integrou a equipe inicial respon− sável pela reestruturação desempenhando a função de diretor executivo. “Assumir a posição de CEO significa assumir o compromisso com a reafirmação da estratégia de crescimento, da busca contínua por mais competi− tividade e resultados que gerem valor aos acionistas, colaboradores, parceiros e sociedade”, explica o no− vo CEO. A companhia também anunciou Ivan Melo Fi− lho como diretor comercial, seguindo seu processo de reestruturação organizacional com foco no cres− cimento. O executivo assumirá a posição no lugar de

Leandro Martignon, que parte espontaneamente ru− mo a novos desafios. Antes de assumir o novo desafio, Ivan Melo Fi− lho passou por diversas outras renomadas empresas do setor como a Datagro Financial, a qual ele agra− dece pelos três anos de atuação como sócio, dividin− do os mesmos princípios e valores dos seus pares. “São legados que trago comigo para a Bevap, aonde chego empenhado a atender as expectativas de crescimento da empresa, colaborando com o compromisso de alcançar resultados de médio e lon− go prazo aliados à sustentabilidade ambiental e de negócios”, explica o diretor comercial.


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Socio-diretor da Acionista da Colombo Usina Guaíra recebe falece aos 57 anos Sidinei Augusto a medalha São Paulo Colombo foi diretor agrícola da companhia

Comenda é dada às pessoas que prestaram algum serviço relevante à sociedade de São Paulo O sócio−diretor da Usina Açuca− reira Guaíra (UAG), Eduardo Junquei− ra da Motta Luiz, recebeu no dia 7 de abril, do Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a honrosa Medalha São Paulo, que foi entregue pelo representante do Major Rafael Jerônimo, o Capitão Everton Vilela. A Medalha São Paulo, criada em 1932 e oficializada em 14 de maio de 1962, visa homenagear as pessoas que prestaram algum serviço relevante à sociedade de São Paulo ou à Revolu− ção de 32. Todos os anos, nesta data, são escolhidos, pelos membros da So− ciedade Veteranos de 32, civis e mili− tares para receberem a honraria. Ícone da Revolução Constituciona−

lista, é a única medalha produzida du− rante a guerra, sendo um símbolo da vo− luntariedade e amor à pátria, realizada pelo povo paulista, que doou dinheiro, ouro, suor e sangue pela causa. Esta me− dalha em essência é o símbolo da leal− dade, do companheirismo, e do civismo. Esta foi a terceira comenda rece− bida pelo sócio−diretor, sendo uma delas, a Medalha Dr. Synésio de Mel− lo e Oliveira, instituída pela Socieda− de Veteranos de 32 – “MMDC” de São José do Rio Preto – SP, mesma honraria recebida pelo presidente da república, Jair Messias Bolsonaro e seu filho Eduardo Nantes Bolsonaro.

Sidinei Augusto Colombo, acio− nista da Colombo Agroindustria S/A, faleceu na no dia 6 de maio, aos 57 anos. Em nota, a diretoria da compa− nhia lamentou a morte de Sidinei, que já tinha ocupado o cargo de di− retor agrícola da companhia. “Sr. Si− dinei deixa um legado e será sempre fonte de inspiração pela sua lideran− ça e compromisso com a Colombo. Nossos sinceros sentimentos à famí− lia Colombo pela irreparável perda”. O seu falecimento foi lamentado por lideranças do setor. “O agro e a cana amanhecem tristes neste sábado com a precoce partida do amigo Si− dinei Augusto Colombo. Meus sen− timentos à linda família que consti− tuiu, aos amigos e grupo Colombo. Em nossas lembranças do Sidinei apenas alegria”, se manifestou em sua rede social, Marcos Fava Neves, da

Faculdade de Economia, Adminis− tração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA−RP) da USP. “Lamentamos essa grande perda, e prestamos nossas condolências aos familiares”, disse o diretor da Proca− na, o jornalista Josias Messias. Sidinei deixa a esposa Sulamita C. Poeta de Carvalho Colombo e os fi− lhos Isabele de Carvalho Colombo; Ingryd de Carvalho Colombo e Igor de Carvalho Colombo.