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PESQUISA & DESENVOLVIMENTO

Dezembro 2015

Em 10 anos etanol 2G terá custo de produção igual ao do convencional I SAC ALTENHOFEN, DE CAMPINAS, SP

Até por volta de 2025 o custo de produção do etanol de segunda geração será igual ao convencional e em 2030 pode chegar a ter custo aproximadamente 30% menor do que o de primeira geração. A previsão é de George Jackson de Moraes Rocha, pesquisador sênior da divisão de Processamento de Biomassa do CTBE. Eles e outros especialistas do tema se encontraram nos dias 17 e 18 de novembro, em Campinas, SP, no 1º Workshop Sobre o Estado da Arte da Tecnologia de Produção de Etanol: de olho na Segunda Geração. Promovido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), as apresentações visaram a implementação e o aprimoramento de plantas industriais do etanol de segunda geração, novas ou existentes. Houve debates entre empresas, especialistas do setor e pesquisadores que discutiram os pontos de melhoria da eficiência e redução de custos na produção do etanol 2G. O evento teve como principal objetivo abordar os principais desafios científicos e tecnológicos da produção do biocombustível de primeira e segunda geração. “A partir dos debates resultantes, envolvendo a indústria e a comunidade científica, pode-se traçar novos rumos de pesquisas. Visamos a obtenção de um produto competitivo a médio prazo e uma realidade consolidada e sustentável no longo prazo”, explicou George Jackson. Segundo o pesquisador, o estágio de produção do etanol de segunda geração no Brasil está avançado devido aos projetos fomentados pelo BNDES-Finep que apoia a inovação tecnológica. Os avanços no setor foram principalmente relacionados às áreas de suporte ao processo, como a engenharia para a elaboração de novos equipamentos. Na área biotecnológica, com o constante aprimoramento dos sistemas enzimáticos há maior busca por microrganismos capazes de metabolizar açúcares provenientes da biomassa vegetal com baixa taxa de inibição.

George Jackson: matéria-prima precisa ser variada, barata e disponível em grandes quantidades

Duas empresas no Brasil possuem as principais instalações de etanol 2G: Granbio, com capacidade instalada de 82 milhões de litros/ano, localizada em Alagoas e Raízen, São Paulo, com capacidade de 40 milhões de litros/ano. Existe uma planta em testes no CTC que em breve entrará em operação. No mundo as principais unidades de etanol de segunda geração são as seguintes:  Poet-DSM – Emmestsburg, Yowa (EUA) – com 75 milhões de

litros/ano;  Dupont Biofuels – Nevada, Yowa (EUA) – com 114 milhões de litros/ano;  Abengia – Hugoton, Kansas (EUA) – com 95 milhões de litros/ano;  Kior – Columbus, Mississippi (EUA) – com 50 milhões de litros/ano;  Beta Renewables – Crescentino, Piemonte (Itália) - com 40 milhões de litros/ano.

De acordo com o pesquisador George Jackson, apesar das iniciativas de políticas públicas para alavancar a produção de etanol 2G no Brasil, há inúmeros desafios a serem superados. A logística, produção de enzimas e operação do processo, são os principais exemplos. “O ideal é que um processo utilize inúmeros tipos de matéria-prima e que esta esteja disponível em grandes quantidades e a baixo custo”.

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JornalCana 263 (Dezembro/2015)  

Setor está voltando a valorizar tecnologias de ponta

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