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Ribeirão Preto/SP

Dezembro/2013

Série 2

Nº 239

R$ 20,00

O ´PRÉ-SAL´ DO SETOR ESTÁ CHEGANDO Primeira fábrica brasileira de etanol celulósico será inaugurada no início de 2014; Raízen também se movimenta

Estação Experimental da GranBio Biovertis, em Alagoas: empresa chegou depois e saiu na frente


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ÍNDICE DE ANUNCIANTES

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Í N D I C E ACIONAMENTOS RENK ZANINI

CARROCERIAS E REBOQUES 16 35189001

9

ACOPLAMENTOS R.S. COMERCIAL VEDACERT

16 39455699 16 39474732

27 82

11 21720405

64

MARC-FIL

18 39056156

30

ANTI-INCRUSTANTES ALCOLINA

16 39515080

41

ANTIBIÓTICOS - CONTROLADORES DE INFECÇÕES BACTERIANAS ALCOLINA BETABIO/WALLERSTEIN

16 39515080 11 38482900 11 40358877

41 46 82

ÁREAS DE VIVÊNCIA ALFATEK

17 35311075

3

11 26013311

24

11 26826633

67

16 19 19 18

35134000 21279400 34348083 31171195

44 36 7 42

16 38182305

70

11 991494604

43

BIG BAG'S SOLUÇÕES

BIOCOMBUSTÍVEIS BETA RENEWABLES

19 39358755

60

16 39464766 19 37562755

CSJ METALÚRGICA 19 34374242 MARC-FIL 18 39056156 METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100

13 32236767

33 35

AMI BRASIL SUGARSOFT

14 91245593 19 34023399

METROVAL

19 21279400

R.S. COMERCIAL

16 39455699

ELLO CORRENTES PROLINK

16 21056400 19 34234000

32

22 30 26

16 35138800

77

CPFL SERVIÇOS PROJELPI

19 34391101

30

16 35124300

57, 69

36

19 37562755 19 34348083

58

ITR SOUTH AMERICA

11 22024814 16 36265540

71 81

16 32219000

FERRUSI RENK ZANINI

66 4

CONGER ENGEVAP

65 7

19 34391101 16 35138800 11 33563100

HANNA

30 77

HANNA LEMAGI - SP PARKER HANNIFIN

61

FILTROS INDUSTRIAIS FIOS E CABOS

41 33178111

2

17 35311075

3

44 65

EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS 12 40093591

19 34514811

68

15

19 34514811 19 34431400 12 40093591

68 60 15

CABELAUTO BRASIL CABOS 35 36292500 CONSTRUFIOS FIOS E CABOS 11 50538383 SOLUÇÕES 16 38182305

30

13

AGRIMEC DMB

16 39464766 16 35189001 19 34391101 16 35138800 34 33199500 18 39189999 55 32227710 16 39461800

RENK ZANINI REFRATÁRIOS RIBEIRÃO

30 77

16 35135230

14

19 35261100

68

TORRES DE DESTILAÇÃO 26

TRANSBORDOS DMB

16 39461800

29

METAGRO - FAMA DO BRASIL16 36260029

4

TRANSPORTADORES INTERNOS MARC-FIL

18 39056156

EDRA SANEAMENTO

30

19 35769300

23

11 47952000

84

TROCADORES DE CALOR AGAPITO

16 39479222

80

MARC-FIL

18 39056156

30

16 39699660

25

34 33196400

80

TUBOS E CONEXÕES COMEGA/COMEFER

USINA/DESTILARIA 5

DELTA SUCROENERGIA

VÁLVULAS INDUSTRIAIS 79 66 29

DURCON-VICE

11 44477600

12

FOXWALL

11 46128202

40

HIDRO-AMBIENTAL

19 35729999

39

TECNOVAL

16 39449900

59

ZANARDO

18 31171195

42

VÁLVULAS HIDRÁULICAS 11 38482900

46

16 35189001

HIDRO-AMBIENTAL

19 35729999

39

VEDAÇÕES E ADESIVOS 9

16 36265540

81

35 38510400

78

ANHEMBI

11 26013311

PARKER HANNIFIN

12 40093591

24 15

VEDACERT

16 39474732

82

16 39455699

27

VULCANIZAÇÃO

RELÓGIOS DE PONTO SISPONTO

72

TINTAS E REVESTIMENTOS

VALTRA 62 9

PRODUTOS QUÍMICOS BETABIO/WALLERSTEIN

COMASO ELETRODOS

TRATORES

ÔNIBUS - FRETAMENTO GRUPO RAÇA

18 36315000

62

REFRATÁRIOS 74 16 70

16 35137200

16 39464766

REDUTORES INDUSTRIAIS 18 39056156

14

MAGISTER

31

PLANTADORAS DE CANA

FERRAMENTAS PNEUMÁTICAS

80

16 35135230

11 33407555

PLAINAS

FERRAMENTAS INDUSTRIAIS

MARC-FIL

16 35134000 19 37562755

UBYFOL 21 60

16 39479222

COMASO ELETRODOS

TRATAMENTO DE ÁGUA/EFLUENTES

MONTAGENS INDUSTRIAIS

16 32219000 19 34431400

AGAPITO

METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100 28 26

MOENDAS E DIFUSORES

BUSSOLA LEMAGI - SP

56

PERFORTEX 21

METAIS

FERRAMENTAS

11 30937088

SOLDAS INDUSTRIAIS

SUPRIMENTOS DE SOLDA

NUTRIENTES AGRÍCOLAS 19 34669300

83

IRBI MÁQUINAS

19 21279400

AGRIMEC 55 32227710 METAGRO - FAMA DO BRASIL16 36260029

AUTHOMATHIKA CPFL SERVIÇOS PARKER HANNIFIN

28

16 08007779070

SINALIZADORES INDUSTRIAIS

SUPERFÍCIES - TRATAMENTO E PINTURA

FERRUSI 34 17

47

SAÚDE - CONVÊNIOS E SEGUROS

RONTAN 29 77

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS

16 36902200 11 30432125

45

11 32694770

METROVAL

27

22 26

11 30858003

NSK ROLAMENTOS

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO E CONTROLE

ELETROSERVICE 19 34967710 METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100

EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ELÉTRICOS

CARRETAS

19 34967710

MANUTENÇÃO INDUSTRIAL

2

41 33178111

16 39461800 19 35512090

MANCAIS E CASQUEIROS

18 11

INTACTA

SÃO FRANCISCO SAÚDE

36

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO ANSELL

DMB FHEE

BUSSOLA

ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO CIVIL CONGER ENGEVAP

63

IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS

ISOVER REFRATÁRIOS RIBEIRÃO

70 82

DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

PROCANA BRASIL

16 21014151

MATERIAIS RODANTES

CSJ METALÚRGICA 19 34374242 METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100

CONGER

24

ISOLAMENTOS TÉRMICOS

DECANTADORES

AGRÁRIA BASF

11 26013311

GRÁFICA

ELETROSERVICE

CONSULTORIA/ENGENHARIA INDUSTRIAL

65

CAMINHÕES - PEÇAS E SERVIÇOS

ALFATEK

MULTIMODAL

ENERGIA ELÉTRICA - ENGENHARIA E SERVIÇOS

CAMINHÕES

VOLVO

19 38266670 17 30117414

DISPAN

CALDEIRAS

VOLVO

ARGUS HIDROFORCE

62

INSPEÇÃO TÉCNICA

ELETROCALHAS

CALDEIRARIA

ENGEVAP

75 6

COMBATE A INCÊNDIO - EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

62

CABINAS CPFL SERVIÇOS

11 30604942 16 39111384

EDITORA

BRONZE E COBRE - ARTEFATOS FERRUSI

REED ALCANTARA SINATUB TECNOLOGIA

ROLAMENTOS 16 39464766

GAXETAS

SÃO FRANCISCO GRÁFICA

DESTILARIAS

BOMBAS HIDRÁULICAS LEMASA

26

FEIRAS E EVENTOS

CORRENTES INDUSTRIAIS

AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL AUTHOMATHIKA METROVAL PROJELPI ZANARDO

4

FERRUSI ANHEMBI

EVAPORADORES METALÚRGICA RIO GRANDE 16 31738100

16 39413367

FUNDIÇÃO 41 38

CORREIAS TRANSPORTADORAS

AUTOMAÇÃO DE ABASTECIMENTO DWYLER

78

16 39515080 31 30572000

CONTROLE DE FLUÍDOS

ARTIGOS DE BORRACHA ANHEMBI

35 38510400

ALCOLINA QUÍMICA REAL

COMÉRCIO EXTERIOR

ARAMES TUBULARES UNIWELD

76 56 8

COLETORES DE DADOS MARKANTI

AÇOS INOXIDÁVEIS

A N U N C I A N T E S

ESPECIALIDADES QUÍMICAS

18 36083400 11 30937088 16 35132600

CATRACAS SISPONTO

AÇOS JATINOX

RODOBIN RONTAN SERGOMEL

D E

R.S. COMERCIAL


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CARTA AO LEITOR

Dezembro/2013

índice

5

carta ao leitor

Agenda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6

Josias Messias

josiasmessias@procana.com

Cana Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Mercados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 

Para ser ´completão´, setor precisa ser competitivo, diz o Governo

Política Setorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 a 14  

Frente Parlamentar em prol do setor chega a Brasília Setor começa a pensar em produzir etanol também de milho

Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 a 22  

Endividamento dos grupos do setor Cana de usina inativa do Ceará alimenta gado em Pernambuco

Administração & Legislação . . . . . . . . . . . . . . . .23 a 28  

Estudos otimizam uso de recursos da telecomunicações Solução cria “via de duas mãos” para dados gerados no campo

Tecnologia Agrícola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 a 44      

Setor busca estado da arte da mecanização das lavouras Tecnologia e cuidados básicos otimizam sistema de produção DRONES NO HORIZONTE! Cohibra supre lacuna do mercado em manutenção hidráulica ENTREVISTA - Marcos Landell Sistematizar e conservar solo e água são essenciais para a boa cana

Usinas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46 Setor em Destaque  

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .48 a 56

MasterCana Brasil destaca os ‘Mais Influentes do Setor’ Líderes avaliam safra dentro e fora do campo

Pesquisa & Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . .56 a 62  

Etanol celulósico vai da promessa à realidade “Pré-sal” do setor começa a ser explorado em 2014

Tecnologia Industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .64 a 73 

Empresas dão atenção especial ao uso do aço inoxidável

Saúde & Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .74 

ENTREVISTA - Mário Márcio dos Santos

Destaques do Setor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .76 Negócios & Oportunidades . . . . . . . . . . . . . . . . .77 a 84

O VERDADEIRO DEUS “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Apóstolo João, verso 20, do capítulo 5 de sua primeira carta

Temos que seguir na Frente! A agenda semanal cheia da Câmara dos Deputados, que incluía importante votação do orçamento, não foi empecilho para o sucesso do lançamento da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, no dia 5 de novembro último, em Brasília, DF. A Frente nasceu suprapartidária, com o objetivo de promover, acompanhar e defender ações e políticas públicas que fortaleçam o setor (veja cobertura do lançamento nas páginas 10 e 11), e o evento de lançamento foi marcante pela representatividade. Presidida pelo deputado federal Arnaldo Jardim, recebeu adesão de cerca de 300 parlamentares e apoio de autoridades importantes como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do senador Aécio Neves, de lideranças institucionais, de produtores de cana e de representantes de toda a cadeia produtiva sucroenergética. No evento não faltou quem lembrasse o papel do JornalCana, não apenas como o propositor de uma manifestação pública do setor em Brasília, mas como única mídia que toma parte ativa nas principais iniciativas que o envolvem. Ainda que não tenha sido uma manifestação pública ostensiva do setor, conforme idealizada e incentivada por nós desde o Ethanol Summit, a Frente Parlamentar pôde apresentar resultados práticos mais imediatos para as usinas e demais integrantes da cadeia. A principal vantagem da Frente é que ela possui representatividade suficiente para forçar o Governo a um diálogo quanto a real situação do setor – sim, o Governo Dilma ainda acha que o setor está chorando de barriga cheia! – para adotar medidas fundamentais para a restauração da competitividade das empresas. A Frente também tem a seu favor o fator “eleições 2014”, que abre oportunidades de barganha entre o Legislativo e o Executivo, inclusive para os membros da base governista. Creio que o setor seja uma boa moeda de barganha e venha a ser tratado com um pouco mais de beneplácito em um ano eleitoral. Contudo, minha maior preocupação continua sendo quanto à consistência das propostas e da agenda a ser levada adiante pela Frente Parlamentar, pois o setor é composto de regiões díspares tanto nas condições produtivas quanto nas visões empresariais e interesses econômicos. O grande desafio é afinar o discurso e priorizar as ações, e este papel cabe ao Fórum Nacional Sucroenergético, junto com a representatividade dos fornecedores de cana. Estabelecida esta premissa, a Frente Parlamentar tem condições políticas para viabilizar as mudanças que o setor precisa. As principais delas são a restauração da competitividade do etanol, perdida com o subsídio de viés político e eleitoreiro do governo à gasolina, a garantia de um diferencial econômico à bioeletricidade advinda da biomassa da cana e um ambiente adequado à implementação de novas tecnologias, como a do etanol 2G e de bioquímicos, etc. Gostemos ou não, somente com uma boa base política haverá sustentabilidade para superar a crise e atrair o retorno dos investimentos. O setor tem que seguir na Frente!

NOSSOS PRODUTOS

O MAIS LIDO! ISSN 1807-0264 Fone 16 3512 4300 Fax 3512 4309 Av. Costábile Romano, 1.544 - Ribeirânia 14096-030 - Ribeirão Preto - SP procana@procana.com.br

NOSSA MISSÃO Prover o setor sucroalcooleiro de informações sérias e independentes sobre fatos e atividades relacionadas à cultura da cana-de-açúcar e seus derivados, visando:  Apoiar o desenvolvimento sustentável, humano, tecnológico e socioeconômico;  Democratizar o conhecimento, promovendo o intercâmbio e a união entre seus integrantes;  Ser o porta-voz da realidade e centro de informações do setor; e  Manter uma relação custo/benefício que propicie parcerias rentáveis aos clientes e aos demais envolvidos.

w w w. jo r n a lc a n a . c o m . b r PRESIDENTE

REDAÇÃO

Josias Messias - josiasmessias@procana.com.br

 Editor Luiz Montanini - editor@procana.com.br  Coordenação e Fotos Alessandro Reis editoria@procana.com.br  Editor de Arte - Diagramação José Murad Badur  Consultor Técnico Fulvio Machado  Reportagem Andréia Moreno - redacao@procana.com.br André Ricci - reportagem@procana.com.br  Arte Gustavo Santoro  Revisão Regina Célia Ushicawa

GERENTE DE OPERAÇÕES Fábio Soares Rodrigues - fabio@procana.com.br

ADMINISTRAÇÃO  Controle e Planejamento Asael Cosentino - asael@procana.com.br  Eventos Rose Messias - rose@procana.com.br  Financeiro contasareceber@procana.com.br contasapagar@procana.com.br  Recursos Humanos Abel Martin - contasapagar@procana.com.br

ASSINATURAS E EXEMPLARES 11 3512.9456 www.jornalcana.com.br/assinaturas

Anuário da Cana Brazilian Sugar and Ethanol Guide

BIO & Sugar International Magazine

www.jornalcana.com.br O Portal do setor sucroalcooleiro

Mapa Brasil de Unidades Produtoras de Açúcar e Álcool

JornalCana A Melhor Notícia do Setor Prëmio BesiBio Brasil

Prêmio MasterCana Os Melhores do Ano no Setor

MARKETING / PUBLICIDADE  Comercial Gilmar Messias 16 8149.2928 gilmar@procana.com.br Leila Milán 16 9144.0810 leila@procana.com.br Matheus Giaculi 16 8136.7609 matheus@procana.com.br Michelle Freitas 16 9128.7379 michelle@procana.com.br

Tiragem auditada pelos

Artigos assinados (inclusive os das seções Negócios & Oportunidades e Vitrine) refletem o ponto de vista dos autores (ou das empresas citadas). JornalCana. Direitos autorais e 10.000 exemplares comerciais reservados. É proibida a Publicação mensal reprodução, total ou parcial, distribuição ou disponibilização pública, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal) com pena de prisão e multa; conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122, 123, 124, 126, da Lei 5.988, de 14/12/1973).


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AGENDA

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A C O N T E C E U

A C O N T E C E

USINA DA SUPERAÇÃO

6TH SUGAR ÁSIA

Nos dias 30 e 31 de outubro passado foi realizado mais um Seminário Brasileiro Agroindustrial voltado para o setor sucroenergético. Desta feita, a 14ª edição desse evento promovido pela Stab teve como tema “Usina da Superação” e contou com a participação de técnicos e interessados no setor que ocuparam nos dois dias do seminário as instalações do Centro Taiwan de Eventos, em Ribeirão Preto, SP. Entre os temas abordados, “Usina da Segurança” coube a Luís Paulo Sant'anna, Superintendente de Polo do Grupo Odebrecht, seguido de “Revisão na Moenda” por Paulo Delfini, Consultor para a área de Recepção, Preparo e Extração da Raízen. Ericson Marino, Consultor do Grupo São Martinho falou sobre a recente implantação de uma “Caldeira de Leito Fluidizado” na São Martinho, explicando as premissas do projeto. Finalizando o

Em fevereiro de 2014, nos dias 27 e 28, Mumbai, na Índia, recebe o 6th Sugar Ásia, evento que tem como objetivo debater questões internacionais voltadas ao segmento. Inovações tecnológicas no setor de açúcar, etanol e energia são alguns dos destaques. Mais informações acesse nexgengroup.in/Exhibition/sugarasia/.

AGRISHOW A Agrishow acontece de 28 de abril a 2 de maio de 2014, em Ribeirão Preto, SP. Mais informações acesse www.agrishow.com.br.

SUCRONOR A 5ª Mostra Sucroenergética para a Região Nordeste, acontece de 14 a 17 de abril de 2014, no Centro de Convenções de Pernambuco – Olinda, PE. Mais informações através do site www.sucronor.com.br. primeiro dia de trabalho, Helio Danesi Junior, Program Manager do Grupo Bunge falou sobre “Manutenção de Alta Performance”, demonstrando os ganhos financeiros obtidos através de resultados reais. Complementando o primeiro dia de palestras, J. B. Oliveira, professor universitário, jornalista, escritor e advogado realizou uma palestra motivacional denominada “Comunicação Eficaz”.

ANÁLISE DE SOLO E MANEJO DE ADUBAÇÃO De 11 a 12 de novembro, no Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto, SP, aconteceu a 5ª Edição do Curso Teórico Prático de Interpretação de Análise de Solo e Manejo de Adubação em cana-de-açúcar, realizado pela Infobibos - Informações Tecnológicas para o

Agronegócio. O evento, apoiado pelo JornalCana, teve como objetivo oferecer conhecimento detalhado sobre amostragem, análise de solo e interpretação, de forma que os participantes aprendam recomendar corretivos e fertilizantes em cana-de-açúcar.

BESTBIO SERÁ EM JUNHO DE 2014 O Prêmio BestBIO é uma iniciativa independente que tem por objetivo central incentivar a sustentabilidade através da divulgação e reconhecimento aos melhores cases da bioeconomia brasileira, com ênfase no desenvolvimento e geração de energias limpas e renováveis. A edição 2014 do Prêmio acontece no primeiro semestre em data que será definida em janeiro próximo. Mais informações acesse www.bestbio.com.br.

FERSUCRO A Stab Leste realiza no período de 10 a 12 de julho de 2014, no Centro de Convenções de Maceió, AL, a 9ª edição da Fersucro – Feira Regional Sucroalcooleira. Mais informações através do site www.fersucro.com.br.


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CANA LIVRE

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Trânsito

C A R T A S TUDO IMPECÁVEL! Quero parabenizá-los mais uma vez pela brilhante organização do Prêmio MasterCana Brasil 2013. Tudo impecável! Sem dúvida, marca de um grande líder, Josias Messias que, juntamente com sua laboriosa, dedicada e comprometida equipe, sempre acreditou no setor sucroenergético. Agradeço ainda a homenagem a mim concedida, como “Melhores do Ano no Setor Sucroenergético na categoria “Mais Influentes do setor”. Com toda certeza, um marco de absoluta relevância em minha carreira profissional. Fiquei extremamente honrada! Na oportunidade, cumprimentoos também pelo jubileu de prata deste que, a cada dia, faz valer a liderança do JornalCana no seletivo e concorrido mercado editorial. Um grande abraço extensivo a todos aqueles que fazem do JornalCana um grande sucesso! Leila Alencar Monteiro de Souza, diretora-presidente da Biocana - Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia

BRILHANTE FESTA Parabéns pela brilhante festa do MasterCana Brasil 2013. Faço votos que você e sua família continuem sempre a brigar e lutar pelo nosso setor. Que Deus todo poderoso te abençoe. José Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar

AMIGO E IRMÃO Caro amigo e irmão Josias: Que a paz do Senhor Jesus esteja com você e todos os seus familiares. Este email tem como finalidade parabenizar pelo evento realizado em 21 de outubro, quando ficou nítido que Deus está em sua vida, te guiando e iluminando os seus caminhos. Foi realmente um sucesso. Fiquei muito orgulhoso de você e peço a Deus que continue abrindo as portas e janelas do seu caminho. Que você tenha grandes conquistas em sua vida. Parabéns. Fique com Deus. Wagner de Moraes, empresário

7

Francisco Verza (foto) substitui Maurício Russomanno

A Basf anunciou a nomeação de Francisco Verza como vice-presidente da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf para o Brasil. Um dos desafios do executivo será atualizar o portfólio de produtos e maximizar a participação da companhia no mercado local. Verza substitui Maurício Russomanno, que ocupou a função durante três anos, e agora assume a diretoria comercial da Votorantim Cimentos no Brasil.

Grupo Carlos Lyra reformula sites O Grupo Carlos Lyra lançou novos site, com mudanças estruturantes, além de imagens renovadas e novas funcionalidades. Em comunicado oficial, a empresa informa que os meios de comunicação foram reformulados de maneira objetiva e mais atrativa. “Entre as principais novidades dos sites do Grupo Carlos Lyra e do Açúcar Caeté, destacam-se o design moderno, fácil navegabilidade, além das versões em multiplataforma”.


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MERCADOS

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Ricardo de Gusmão Dornelles

Elizabeth Farina

Para ser ‘completão’, setor precisa ser competitivo, diz o Governo De acordo com Elizabeth Farina, da Unica, setor não suporta mais pagar parte do subsídio dado à gasolina ANDRÉ RICCI, DE SÃO PAULO, SP

“Se querem que o 'combustível completão' ganhe espaço, que venham e ocupem esse espaço com competitividade. Não adianta dizer: esse mercado é meu, mas detonem o meu concorrente”. A opinião é do diretor do Departamento de Combustíveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo de Gusmão Dornelles, que em 21 de outubro, participou de um evento na cidade de São Paulo, capital, voltado ao setor sucroenergético. Para ele, a perda de competitividade se deve, também, ao trabalho realizado pelo segmento, já que o etanol sempre teve uma carga tributária federal menor do que a da gasolina. “A Cide não foi criada para proteger o etanol e nem

manter uma diferença entre os preços de mercado. Ela foi uma tributação regulatória, para conter a inflação”. Questionado sobre a necessidade de políticas públicas amplas, Dornelles citou o número de usinas e suas situações como empecilho. “Achar uma medida que atenda todos, é difícil. O setor é muito grande, com realidades diferentes entre as unidades. Há uma disparidade entre as usinas enorme. Temos que continuar discutindo para encontrar um caminho”. Por fim, Dornelles reiterou a importância do setor canavieiro, fazendo ressalvas, mais uma vez. “É vital para o País que esse segmento cresça, mas esse crescimento não pode ser a qualquer custo”. Em contrapartida, a presidente da Unica – União da Indústria de Cana-de-

Açúcar, Elizabeth Farina, definiu as opiniões de Dornelles como uma conversa de “surdo e mudo”, já que em diversas reuniões entre as partes os problemas e algumas soluções foram expostas, quase que mensalmente. “Eles dizem que não há subsídios para a gasolina, sendo que a própria Petrobras confirma o auxílio. A prioridade do controle de preço da gasolina é a inflação e não o mercado de combustíveis”, explicou. Consciente, Farina alerta que o reajuste no preço do combustível fóssil não resolverá todos os problemas do setor sucroenergético, mas é fundamental para que os empresários vislumbrem o futuro. “Essa não é a solução única e absoluta. Acredito que exista plena consciência de todas as partes de que a formação de preço da gasolina não segue os

parâmetros de mercado. Basta ver o tempo que ela está sem movimentar, sendo que o Brasil é um dos países com mais volatilidade cambial. Acredito ser importante ter regras, saber quais são os componentes que formam os preços. Dessa maneira, podemos nos preparar”. Ela ainda lembra que o setor tem feito a parte dele, assim como deve continuar fazendo, mas sem contrapartida do governo, o ritmo tende a diminuir. “O subsídio à gasolina, na medida em que o consumidor faz arbitragem na bomba, funciona como um teto para o etanol hidratado. Isso não significa que o empresário deva parar de investir em ganhos de eficiência. Mas, investimento demanda retorno, e em sua maioria, de longo prazo. É esse o ponto”, finalizou.


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Frente Parlamentar em prol do setor chega a Brasília Ação lançada em 5 de novembro, conta com o apoio de cerca de 300 parlamentares André Ricci, da Redação

Foi lançada, em 5 de novembro, a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, iniciativa suprapartidária, que tem por objetivo promover, acompanhar e defender ações e políticas públicas que fortaleçam o setor. Além de lideranças institucionais, produtores de cana, e representantes da indústria de base do segmento, estiveram presentes na Câmara dos Deputados, em Brasília, DF, o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves (MG), o Secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, e a Secretária da Agricultura do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi. A frente conta com o apoio de cerca de 300 parlamentares e será presidida pelo deputado federal Arnaldo Jardim, que falou sobre alguns dos objetivos deste trabalho. "É preciso definir regras claras e políticas públicas, especialmente tributárias, que reconheçam os benefícios ambientais e sociais do etanol e da bioeletricidade", defendeu.

Frente será presidida pelo deputado federal Arnaldo Jardim (no microfone, ao centro)

Ao comentar a crise do segmento canavieiro, que provocou o fechamento de várias usinas, Jardim afirmou que a falta de incentivos para que o etanol seja competitivo, além da reformulação de uma política de precificação dos combustíveis, são os principais problemas. "Não é mais possível conviver com a falta de investimentos. Resgatar o etanol é apostar na sustentabilidade ambiental", disse ele. Aldair Cândido de Souza, prefeito de Pradópolis, interior de São Paulo, mostrou que os problemas vividos pelos desmandos

políticos podem acarretar consequências a toda sociedade, e não só aos trabalhadores ligados ao setor. “Diante da queda de arrecadação de ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, estimada em 14%, sofreremos para manter projetos sociais e investimentos nas áreas de saúde e educação. Somos um dos municípios mais penalizados na região. Cerca de 60% da nossa receita é oriunda do processo de industrialização da cana-de-açúcar. Aqui contamos com a Usina São Martinho, uma

das maiores do mundo, e que em função da desoneração do etanol, reflete intimamente na peça orçamentária de 2014”. Tido como um dos pilares econômicos de muitos municípios brasileiros, o setor conta com mais de 400 unidades industriais e 70 mil produtores independentes de cana. Seu faturamento anual gira em torno de R$ 70 bilhões, gerando mais de 800 mil empregos diretos. Já considerando toda a cadeia produtiva, esse número salta para 2,5 milhões de trabalhadores, e cerca de 4 mil indústrias de base, distribuídos em mais de mil municípios. Para a presidente da Unica - União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Elizabeth Farina, disseminar essa realidade será uma das principais tarefas da Frente. “É muito importante que a sociedade saiba que mesmo com resultados negativos nos últimos anos e às custas de um endividamento crescente e perigoso para o setor, as empresas tem investido fortemente em tecnologia para melhorar seu desempenho, aumentar a produção e melhorar a sustentabilidade. Infelizmente, os bons resultados do lado da produção não estão se traduzindo em retorno financeiro. O preço médio nominal pago pelo etanol na usina é decrescente nos últimos três anos, enquanto os custos estruturais e conjunturais da produção tem crescido sem trégua”, finaliza.


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Uso da Petrobras pelo governo prejudica a própria empresa e o setor O lançamento da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, realizada em 5 de novembro, em Brasília, DF, foi mais uma de uma série de ações que o setor vem tomando para buscar apoio do Governo Federal. Ao todo, os produtores se reuniram pelo menos três vezes reivindicando mais atenção por parte do governo. A primeira, realizada em Piracicaba, SP, aconteceu no fim de julho e contou com cerca de mil pessoas. Já a segunda, em Sertãozinho, SP, foi chamada de “Ato Público”, quando uma carta redigida por várias entidades do setor foi apresentada, apontando as ações necessárias para que o segmento retome o crescimento. A terceira aconteceu na Assembleia Legislativa de São Paulo, com a instalação da Frente Parlamentar de Defesa do Setor Sucroenergético. Para o pré-candidato à Presidência da República, o senador Aécio Neves, o governo tem usado a Petrobras para corrigir seus equívocos, e com isso, tem prejudicado ambos os setores. “O que estamos assistindo é extremamente grave, fruto da ausência de planejamento e da descontinuidade do que se fez no passado. Como resultado, temos usinas fechadas, empregos eliminados, a participação do etanol na matriz energética em queda e redução de mais de 40% no consumo do etanol desde 2008,” frisou. O senador ressaltou que o governo

Produtores reivindicam mais atenção por parte do governo

vem agindo na contramão do que tem acontecido no mundo, ao privilegiar os combustíveis fósseis. “Foram mais de 100 mil empregos perdidos nos últimos anos, mais de 40 usinas fechadas e uma desconfiança crescente entre aqueles que ainda trabalham no setor”. Quem também esteve presente foi o

governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que cobrou mais atenção ao setor. “Quando se fala na indústria da cana, se fala em milhares de empregos, em impactos sociais e em sustentabilidade. Não se pode permitir que um setor tão essencial para o bem-estar se veja tão prejudicado” afirmou.

Em São Paulo, diversas medidas em benefício do segmento foram adotadas pelo governo paulista ao longo dos anos, como a adoção do ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços sobre o etanol mais baixo do País, de 12%. O estado de São Paulo responde por 60% da cana produzida no Brasil. (AR)


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Setor começa a pensar em produzir etanol também de milho Unidade Libra faz etanol de cana, mas usa boa disponibilidade de milho no MT para incrementar produção PATRÍCIA BARCI, FREE

DE

LANCE PARA O

RIBEIRÃO PRETO, SP JORNALCANA

O Fórum Brasileiro de Etanol de Milho, realizado em setembro, na cidade de Sorriso, no Mato Grosso, reuniu autoridades políticas, especialistas, pesquisadores e produtores rurais do setor bioenergético, que tiveram a oportunidade de debater a possível produção de etanol de milho no Brasil. Para o pesquisador da Embrapa — Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, José Gilberto Jardine, produzir etanol de milho no país da canade-açúcar não é tão simples. "Não é interessante para o mercado brasileiro. O custo energético para alimentar a planta produtora seria muito superior ao retorno econômico que esse etanol poderia dar. As usinas de cana-de-açúcar geram sua própria energia com a queima do bagaço, já as unidades produtoras de etanol de milho dependem de outras fontes de biomassa, como o carvão vegetal, petróleo

José Gilberto Jardine: produzir etanol de milho no país da cana-de-açúcar não é tão simples

ou gás natural, que ainda é muito caro no país" explicou. Jardine diz ainda que os únicos

beneficiados com a novidade seriam os produtores de milho, pois supervalorizaria a cultura devido ao aumento da demanda.

"Se o milho fosse utilizado para obtenção do etanol iria se tornar um produto supervalorizado. Quando falamos em produção de etanol, estamos lidando com grandes volumes de matéria-prima e isso seria uma revolução no mercado do milho brasileiro", afirmou. Mas, levando em consideração o excedente de grãos, o assunto está longe de ser encerrado. De acordo com o Ministério da Agricultura, o país é o terceiro maior produtor mundial de milho, totalizando 53,2 milhões de toneladas na safra 2009/10. Além disso, estudos indicam um aumento de 19,11 milhões até 2020, com uma produção de 70,12 milhões de toneladas. Para a engenheira-química Roberta Dantas, da Caramuru Alimentos, a diversificação pode ser uma alternativa. "Com a cultura de cana-de-açúcar para etanol já consolidada no país, acredito que o etanol de milho virá mais para agregar do que para competir no setor de biocombustíveis" ponderou. Para provar sua tese, a engenheiraquímica mostra como milho e cana-deaçúcar podem ser complementares. "A fabricação de etanol a partir de milho tem maior rendimento frente ao de cana, além disso tem as diferenças de safras, estocagem e produtividade das culturas. Uma solução seria as usinas já existentes se diversificarem para ora produzir um, ora produzir outro”, finalizou.


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Sucesso do etanol de milho nos EUA não se estenderia ao do brasileiro A facilidade americana em se produzir etanol de milho não determinaria o sucesso no Brasil. José Gilberto Jardine, que é pesquisador da Embrapa — Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, diz que mesmo apoiados pela bem-sucedida produção nos Estados Unidos, o Brasil está imerso em um contexto diferente. "O governo americano paga para o produtor investir em etanol de milho. Lá, de uma maneira ou de outra, eles teriam que importar etanol do Brasil, e isso eles não querem" explica. De fato, nos Estados Unidos a situação é diferente. O USDA- Departamento de Agricultura Americano financia constantemente o desenvolvimento de projetos de biocombustíveis no país. Desde o início da administração do presidente Barack Obama, um programa de assistência aos projetos de biocombustíveis forneceu cerca de 684 mil dólares a oito estados americanos. Além disso, a política americana, que atende o padrão de combustíveis renováveis, criado em 2005 e atualizado em 2007 pelo Congresso Americano, se mostra sempre rígida para o cumprimento das quantidades obrigatórias de uso de biocombustíveis pelas refinarias. "Não devemos nos ater ao que acontece em solo americano porque a situação é muito diferente. Os americanos conseguem manter a produção de etanol de milho porque são subsidiados pelo governo e porque o custo energético é mais barato", disse. (PB)


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No Brasil, usina mato-grossense acredita no etanol de milho Em São José do Rio Claro, cidade localizada em Mato Grosso, produzir etanol de milho deixou de ser utópico. Inaugurada em 1992, a Libra Etanol só produzia o combustível originado a partir da cana-de-açúcar, mas agora, o milho é usado como incremento na produção. Situada em uma área onde a produção de milho, assim como a cana-de-açúcar é predominante, a unidade resolveu investir para que na entressafra da cana a indústria continue produzindo. Ao todo, foram destinados R$ 25 milhões nas adaptações necessárias. Vale ressaltar que parte do processo de fabricação é idêntico ao utilizado com a cana, como no caso da destilação. A similaridade faz com que as alterações não sejam drásticas, diminuindo, inclusive, investimento com mão de obra. Analisando a parte química, os dois combustíveis são iguais. Em um comparativo com o mês de novembro de 2013, a produção de etanol de milho, na região, é mais vantajosa que a do etanol de cana por conta da oferta da primeira cultura. A unidade tem capacidade para produzir 160 milhões de litros de etanol por ano, 90 de cana e 70 de milho. (PB)

Usina Libra: produzir etanol de milho deixou de ser utopia

Risco de importação de milho também gera especulação Se por um lado as opiniões se dividem a respeito se o Brasil deve ou não produzir etanol de milho por excesso de grãos, existe também um temor que o país tenha que importar etanol americano. Dados recentes da Unica — União da Indústria de Cana-de-Açúcar, mostram um crescimento de 25% na produção de etanol anidro na safra 2013/14 da região. Por questões relacionadas à competitividade dos preços do etanol de milho americano, e chuvas que podem prejudicar a safra no Brasil, esta questão é cada vez mais discutida. O pesquisador da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, José Gilberto Jardine, diz que apesar de não podermos prever a quantidade de chuva na região, a importação de etanol de milho dos Estados Unidos dificilmente ocorrerá. "É um mau negócio para o Brasil, em vez de dar emprego para os brasileiros estaremos dando para os americanos. Não tem nenhum sentido isso. A não ser que

seja uma emergência, o que não acredito que seja o caso. Não acho que vai faltar etanol por excesso de chuva no campo. Acredito muito mais no crescimento previsto pela Unica, do que na falta" explica. O analista de mercado Renato Dias, da INTL FCStone Commodity Intelligence, diz que o assunto a ser discutido é outro. "A produção de etanol de milho no Brasil ainda é uma hipótese mas, a importação de etanol de milho americano é real", afirma. Para o representante, a questão no momento gira em torno da importação de etanol de milho dos Estados Unidos, mais do que uma possível produção brasileira. “Falando no que está em pauta no momento, sem desmerecer possíveis novos usos de cultura em excesso na entressafra, a importação de milho está acontecendo, sendo que alguns volumes já foram contratados para entrega em janeiro de 2014. Esses volumes começarão a entrar em janeiro, e a chuva na entressafra, no

Centro-Sul, não é um fator determinante para a necessidade de importação de etanol dos Estados Unidos como muitos acreditam", explica. Com produção prevista de 34 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul, com pouco mais de 25 bilhões de litros de etanol anidro e hidratado até dezembro, Dias afirmou que por questões relacionadas à programação das usinas, o Brasil não conseguiria produzir a quantidade necessária para suprir a demanda nacional de etanol, ainda que esta não fosse prejudicada pelas chuvas na entressafra. "Vamos imaginar que o volume de chuvas não prejudique a produção da entressafra e conseguíssemos atingir esse número, ainda assim teríamos um estoque ‘apertado’ neste período" explica. Outro problema, cita Dias, é que os analistas levam em consideração apenas o fator das chuvas, que já são esperadas para essa época do ano. "O fator mais importante, que é a demanda doméstica

por cana-de-açúcar, não é levado em consideração. Em 2013 esta demanda aumentou consideravelmente. Houve também um aumento da demanda por combustíveis, com o aumento da mistura no começo do ano, com grande impacto no mercado. Projetando um consumo para os próximos meses da safra e entressafra, e até mesmo a produção calculada pela Unica, ainda assim os estoques ficariam abaixo do que a ANP pede" diz. Por fim, o analista diz que o fato do galão de etanol americano ser competitivo durante o período de entressafra no Centro-Sul, quando os preços internos tendem a ficar mais altos, consegue-se um cenário propício para uma importação lucrativa. "Num cenário onde tudo dá certo, sem problemas no porto, por exemplo, o Brasil consegue lucrar com a importação na entressafra, com o etanol americano chegando ao país mais barato que o preço do nacional, ao custo de 2 dólares por galão", disse. (PB)


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Grupos médios apresentam os melhores indicadores de performance É o que revela o Ranking ProCana de Performance Econômica do Setor Sucroenergético JOSIAS MESSIAS,

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RIBEIRÃO PRETO, SP

Comparativo dos resultados econômicos e produtivos de 28 usinas e grupos produtores de todo o Brasil, referente ao ano safra de 2012, comprova que ser um grande grupo pode ser ótimo para garantir escala e sustentação financeira, mas não representa melhoria de performance econômica. Quebra também o paradigma de que para ser lucrativa, a usina deve estar localizada na região cento/sul.

Fábrica da São Martinho: um dos grupos com destaque em Ebitda por moagem

Elaborado pela ProCana Brasil, a partir de dados do Anuário da Cana 2013 e informações fornecidas pelas empresas ou constantes em balanços publicados, o

Ranking ProCana de Performance Econômica do Setor Sucroenergético demonstra a hegemonia da Raízen nos indicadores de volume.

O maior grupo produtor de cana-deaçúcar do mundo ocupa a 1ª posição em nada menos que 7 indicadores absolutos: Receita Líquida; Lucro Líquido; Lucro da Atividade; Ebitda; Ativo Total; Patrimônio Líquido e Moagem de Cana. É o primeiro também em um indicador de performance deste ranking, Receita Líquida por Moagem, ainda que este número possa ser questionado devido à não confirmação por parte da Raízen de quanto de suas líquidas referem-se às atividades que não da produção sucroenergética. No quadro geral, fica nítido que são os grupos médios, que moem entre 2 milhões e 4 milhões de toneladas de cana, os que mais conseguiram extrair lucro por tonelada de cana. Os grupos Olho D água, Jalles Machado, Pitangueiras e Bela Vista dominam nada menos que 11 dos 14 indicadores de performance do Ranking, e 11 do total de 21 indicadores.

MARGEM LÍQUIDA (EM %) LUCRO LÍQUIDO SOBRE RECEITA

GERAÇÃO DE VALOR % (EBITDA SOBRE RECEITA LÍQUIDA)

VARIAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO (EM %)

Grupo Olho D água .....................................................19,85% Lincoln Junqueira ............................................................15,3% São Manoel....................................................................14,02% São José da Estiva..........................................................8,73% Bela Vista..........................................................................8,61% MÉDIA DA PESQUISA......................................................1,50%

Jalles Machado ..............................................................64,41% Tonon Bioenergia ..........................................................49,22% USJ ...................................................................................45,67% Antonio Ruette...............................................................44,89% São Martinho..................................................................39,85% MÉDIA DA PESQUISA.....................................................17,51%

Grupo Olho D'Água...................................................455,50% Santa Izabel .................................................................194,10% USJ.................................................................................174,40% Jalles Machado ..............................................................92,41% Da Pedra.........................................................................38,30% MÉDIA DA PESQUISA....................................................34,50%


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O campeão em performance é nordestino! O Grupo Olho D'Água apresentou os melhores indicadores de performance não apenas da região norte/nordeste mas de todo o Brasil, dentre os quais se destacam: crescimento do Lucro Líquido em 455,5% e do Ebitda em 96%; Lucro Líquido sobre Moagem de R$ 29,33 por tonelada de cana; Margem líquida (Lucro líquido Sobre Receita) de 19,85% e Rentabilidade (Lucro Líquido sobre Patrimônio Líquido) de 41,19%.

RECEITA LÍQUIDA (EM MILHÕES DE R$) POR MOAGEM (TC) Raízen . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 561,43 Tereos Internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 369,08 Batatais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 167,89 USJ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 164,79 Zilor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 157,54 MÉDIA DA PESQUISA . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 240,11

LUCRO LÍQUIDO (EM MILHÕES DE R$) SOBRE MOAGEM (TC)

PRINCIPAIS NÚMEROS DO RANKING Nesta edição, antecipamos os principais números do ranking, em quadros específicos. O quadro completo, com análise aprofundada, está disponível no site JornalCana Online (www.jornalcana.com.br). Confira:  Apenas 5 empresas apresentaram redução nas Receitas Líquidas. O grupo Carlos Lyra apresenta a maior variação negativa, explicada por fatores climáticos da produção em Alagoas e por um processo recente de cisão.  Apenas 6 das 27 empresas que forneceram a informação, apresentaram Prejuízo Líquido no Exercício.

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20 de 26 empresas apresentaram variação negativa no Lucro Líquido em relação ao Exercício anterior (2011). Dois deles não informaram esse indicador. 15 empresas apresentaram variação negativa do Ebtida em relação ao Exercício anterior (2011), apenas 9 apresentaram variação positiva e 4 Não informaram. O Lucro Líquido por tonelada de cana foi de R$ 4,49 (média de 24 empresas que informaram) A média do Ebitda foi de R$ 43,46 por tonelada de cana, na média de 24 empresas que informaram este item.

Grupo Olho D água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 29,33 Lincoln Junqueira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 19,97 São Manoel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 16,83 Raízen . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 16,24 Santa Terezinha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 10,98 MÉDIA DA PESQUISA . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 4,49

EBITDA (EM MILHÕES DE R$) POR MOAGEM (TC) Jalles Machado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 76,25 USJ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 75,26 Raízen . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 60,28 Batatais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 59,71 São Martinho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 50,53 MÉDIA DA PESQUISA . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 43,46


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Cana de usina inativa do Ceará alimenta gado em Pernambuco Enquanto governo não a reabre, parte da cana da Usina Manoel Costa Filho ajuda no combate à seca no sertão ANDRÉ RICCI, DA REDAÇÃO

Em 2004, o setor sucroenergético nordestino acompanhou o fechar, com muito pesar, das portas de mais uma usina de cana-deaçúcar. Tratava-se da unidade Manoel Costa Filho, localizada em Barbalha, no Ceará, a 553 km de Fortaleza. A usina acabou sendo adquirida pelo governo do estado, por meio da Adece - Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, por cerca de R$ 15 milhões. Contudo, imbróglios com acionistas não permitiram a posse dos compradores, fato que, de acordo com informações da Unida - União Nordestina dos Produtores de Cana-de-Açúcar, está prestes a acontecer. Para evitar que o desestímulo dos produtores locais fosse ainda maior, um acordo com o governo estadual possibilitou que os trabalhadores da região fornecessem a matériaprima para o programa de alimentação animal, parte integrante das ações de combate à seca na região. “Os produtores independentes que forneciam para os engenhos de rapadura e

também para pequenas destilarias de cachaça estão trabalhando desta maneira. O programa tem estimulado os produtores da região e socorrido o rebanho da bacia leiteira das cidades pernambucanas de Bodocó, Ouricuri, Exu e Granito”, explica Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida. Em relação ao futuro, Lima, que também preside a AFCP – Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, diz que toda a comunidade nordestina aguarda a retomada dos trabalhos. Para isso, reuniões que viabilizem o processo estão sendo feitas. “Nossa perspectiva, assim como a dos produtores locais, é de que a usina cearense volte a funcionar. Em junho de 2013, a Unida apresentou ao governador Cid Gomes uma proposta de viabilidade econômica para que a usina voltasse a funcionar, a começar pela forma com que deveria ser efetuada sua compra, através de um leilão na Justiça do Trabalho. Desta maneira, quem adquirisse a usina não levaria um passivo na época de R$ 126 milhões, o que inviabilizaria o retorno do seu funcionamento. A proposta foi acatada pelo governador, que autorizou o secretário estadual da Agricultura, Nelson Martins, com o apoio da Unida, a realizar os encaminhamentos”. A usina foi implantada na década de 60, graças à tradição do Cariri no plantio de cana. Por três décadas foi responsável por 4 mil empregos diretos e indiretos, sendo 500 deles na usina. Ao todo, a região conta com mais de 8.500 hectares, grande parte inativa desde o fechamento da usina.

Cana cearense socorre rebanhos pernambucanos de Bodocó, Ouricuri, Exu e Granito

Usina Manoel Costa Filho, de Barbalha: ainda nas mãos do governo cearense


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Cooperativa Pindorama, formada por produtores de cana de Alagoas, em 1956

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Uma das assembleias da Pindorama: povo simples e trabalhador

Cooperativa surge como alternativa ao fechamento de usinas Investir em novas unidades não é uma realidade atual para a maioria das empresas sucroenergéticas. Mas deixar que estruturas prontas se enferrujem, também não deve fazer parte dos planos. É neste cenário que o cooperativismo pode ganhar força no setor sucroenergético. Exemplo de sucesso desta filosofia é o dado pela Cooperativa Pindorama, formada por produtores de cana de Alagoas, desde 1956. A Cooperativa, inclusive, é uma das interessadas em adquirir a Usina Manoel Costa Filho, localizada em Barbalha, no Ceará, e que

desde 2004 se encontra fechada (veja matéria na página ao lado,18). “Nosso sonho é que a unidade se torne uma cooperativa. Inclusive, na última reunião da Sudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, realizada em Maceió, apresentei o presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, ao secretário estadual Nelson Martins. A Pindorama tem interesse em formar uma cooperativa na região do Cariri cearense, com o objetivo de colocar a usina para funcionar”, contou Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida - União

Nordestina dos Produtores de Cana. Contudo, o representante diz que este ainda é um conceito que precisa ser difundido e trabalhado na região, que ano após ano, sofre com as quebras de safra decorrentes da seca abrupta. “O nordestino não tem um perfil cooperativista, mas ou mudamos isto, ou os pequenos fornecedores de cana estarão com os dias contados. Existia na região mais de 400 engenhos de rapadura e cinco destilarias de aguardente. Hoje, existem apenas oito engenhos e uma destilaria. Este arranjo produtivo está chegando ao fim na região,

sendo substituído por indústrias de grande porte”, explicou Lima. Por fim, o representante deixa um alerta para os produtores locais, que diante do conturbado cenário econômico do segmento, assim como da apatia do governo, precisam de alternativas para sobreviverem. “Não vejo outra saída para nós, produtores independentes, diante do fechamento de várias usinas na região, seja por má administração ou pela política irresponsável do Governo Federal. Os produtores estão sem usinas para moerem suas canas”.


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ENTREVISTA - Klécio Santos

Pindorama é exemplo de cooperativismo bem-sucedido Quando se ouve o termo cooperativismo subentende-se a união de um grupo de pessoas com os mesmos interesses, que buscam o crescimento através de um trabalho compartilhado. Embora pouco explorado no setor sucroenergético, este sistema não é novidade. Ao menos em Alagoas, desde 6 de dezembro de 1956, ele vem sendo trabalhado, e com sucesso. Foi nesta data que surgiu a Cooperativa Pindorama, formada por produtores de cana de Alagoas, sendo iniciada pelo suíço-francês René Bertholet. Na época, o objetivo era oferecer emprego e renda para as famílias da região, desenvolvendo a qualidade de vida das pessoas em uma comunidade autossustentável, diminuindo, com isso, o êxodo rural. Para entender melhor como funciona este trabalho, o JornalCana entrevistou Klécio Santos, atual presidente da cooperativa. Confira: JornalCana: Quem integra a Cooperativa Pindorama? Klécio Santos: Fazem parte da cooperativa 1.160 associados, colonos, que na sua maior parte residem no próprio lote e, com sua família, explora diversas culturas agrícolas (cana-de-açúcar, coco, acerola, abacaxi, maracujá, além de pecuária bovina leiteira, avicultura e suinocultura. Como o empreendimento se tornou cooperativa? Foi graças ao seu fundador René Henri Bertholet, em 1956, com o apoio do Governo Federal. Eles transformaram as terras antes exploradas por um latifundiário que não fora bem-sucedido, em um projeto de colonização voltado exclusivamente a pequenos produtores, trabalhadores rurais e desprovidos de qualquer patrimônio, pois o objetivo era

são 800 colaboradores. Quais os momentos marcantes da Cooperativa Pindorama? Dentre os vários momentos, dois foram de extrema importância. O primeiro ocorreu no início da década de 80, quando a Cooperativa Pindorama instalou sua destilaria de álcool, agregando importante produto ao seu portfólio e libertando-se da grande pressão exercida pelos latifundiários proprietários de usinas de açúcar e álcool, situados ao seu redor. Outro foi em 2003, quando aconteceu a instalação da unidade de fabricação de açúcar, complementando o complexo industrial sucroenergético. Com sua experiência na área, é possível traçar um perfil de usina em dificuldade que pode se reerguer como cooperativa? Empresas que exploram uma única atividade, como é o caso das que dependem da monocultura da cana-deaçúcar, ficam reféns de um ou dois produtos, não agregam valor a esses produtos e enfrentam maiores dificuldades.

Klécio Santos, atual presidente da Pindorama: emprego e renda para as famílias

reter essas famílias no seu habitat natural por meio do trabalho coletivo. Qual a capacidade de produção? Vamos focar a produção industrial, que é resultado da transformação dos produtos primários produzidos internamente. Temos capacidade instalada para esmagar 6.000 toneladas de cana por dia e produzir 300 mil litros de álcool e 9 mil sacos de açúcar, diariamente. Já a fábrica de alimentos tem capacidade para

produzir, mensalmente, 440 mil litros de sucos integrais; 125 mil litros de leite de coco; 14 mil quilos de coco ralado; 48 mil quilos de refrescos em pó; 27 mil quilos de balas mastigáveis, além de processar 10 mil litros de leite. Quantos funcionários a cooperativa possui? Durante o período de moagem da cana-de-açúcar o quadro é de 2 mil funcionários e no período de entressafra

Teria algum exemplo? O nosso caso é um bom exemplo. Além do açúcar e do etanol, temos outras linhas de produtos, com produção durante o ano inteiro, que complementam as receitas necessárias à manutenção da cooperativa em condições satisfatórias. Além disso, nossos associados também produzem de forma diversificada, não estando reféns da cana. Eles têm produção e renda durante o ano inteiro. Acredita que este seja um dos caminhos para a retomada do setor? Não tenho dúvidas quanto ao sistema cooperativista como opção para fortalecer o sistema produtivo em qualquer setor de atividade, considerando que a união de forças através do trabalho coletivo resulta em algo sempre maior. Tem algum conselho aos produtores sucroenergéticos com dificuldades financeiras? Não há uma receita pronta de aconselhamento. Cada caso é diferente do outro e tem que ser analisado particularmente. Mas, acredito muito no cooperativismo e o vemos como uma boa alternativa de soerguimento em algumas situações. É necessário, porém, que os protagonistas de cada situação, acreditem no cooperativismo, se despojem de atitudes individualistas e se organizem na busca de solução através do trabalho coletivo. Quais as perspectivas para o futuro da Cooperativa Pindorama? São de muita luta e esperança que o Governo Federal enxergue a necessidade de oferecer maior apoio a esse setor tão importante da economia brasileira.


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Safra 2014/15 pode ter moagem abaixo da atual Foi divulgado em 31 de outubro, pela consultoria Canaplan, que a safra 2014/15, no Centro-Sul, deve chegar a cerca de 577 milhões de toneladas de cana. Caso se confirme, o valor ficará abaixo da moagem desta safra. De acordo com o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, os resultados deste ciclo podem ser decisivos para o próximo. “Se sobrar muita cana bisada, terá mais oferta para o ano que vem”, afirmou. A perspectiva de queda na moagem também tem ligação com o menor índice de renovação dos canaviais. O trabalho, neste ano, chegou a 17% da área total,

sendo que no último, o valor foi de 21%. “Com isso teremos menos cana nova e a produtividade vai sentir”, explicou, lembrando ainda que as geadas deste ano, que afetaram, principalmente Mato Grosso do Sul, também devem ter impactos na moagem da safra 2014/15. Caio, como também é conhecido, aponta que a produção de açúcar deve ficar na casa das 34 milhões de toneladas e a de etanol, próximo de 25 bilhões de litros. “Com o incêndio no terminal da Copersucar, a logística para exportação será prejudicada. Com isso, as usinas devem produzir mais etanol”, finalizou o consultor.

Cooperativa investe em irrigação e busca melhorias na moagem

Marcos Lutz: moagem previsto em meta será alcançada

Chuvas fazem Cosan estender safra até dezembro Por conta das chuvas durante a safra 2013/14, a Cosan, que tem uma joint venture no setor de sucroenergético com a Shell (Raízen), deve estender a moagem de cana até dezembro, já que o prazo inicial previsto para encerramento dos trabalhos era no fim de novembro. A informação foi passada por Marcos Lutz, presidente da companhia. "O projeto

inicial era terminar a moagem em novembro, mas ela vai se estender até dezembro. E se considerar a média dos últimos dez anos do regime pluviométrico, nós vamos conseguir moer o previsto em meta". A meta da empresa é moer cerca de 62 milhões de toneladas na safra atual. Na passada, foram esmagadas 56,2 milhões de toneladas de cana.

Com o andamento da safra 2013/14 de cana-de-açúcar, a Cooperativa Pindorama aposta na irrigação para melhorar o desempenho da moagem de sua usina, em Coruripe, AL. Técnicas como carretel de irrigação e irrigação por gotejo fizeram parte do planejamento da diretoria para que o período mantenha ou supere a safra anterior. Iniciada a moagem no dia 20 de setembro, a usina já esmagou cerca de 70 mil toneladas de cana até a semana passada. Até março, com fim do período, a expectativa é atingir o número de 800 mil toneladas esmagadas. Com os problemas de estiagem que perduram no setor nos últimos dois anos, o investimento em irrigação tornou-se palavra de ordem dos diretores e gestores da Cooperativa Pindorama. No planejamento, foram empregadas duas técnicas. A irrigação por gotejo, que abrange duas áreas correspondentes a cerca de 80

hectares, e a compra de carretéis de irrigação, cujo equipamento bombeia a água que contém uma fórmula enriquecida em vinhaça para melhorar o desempenho do solo. Cada carretel tem o custo de R$ 80 mil e são utilizados em uma área de 2.000 hectares. “Quando se tem irrigação, tem segurança. Ela é a garantia de retorno dos investimentos. Graças a ela, fizemos crescer uma área pouco fértil de 1.000 hectares na cooperativa. Mesmo com a seca, ela estabelece sustentabilidade no campo”, avalia o gerente de irrigação da Pindorama, Daniel Gomez. Desde 2012 alguns investimentos no setor foram realizados, como a construção de 36 km de adutora, em parceria com o Governo do Estado e a Codevasf - Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, cuja obra beneficia 180 lotes de três regiões correspondentes à cooperativa.


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Estudos otimizam uso de recursos das telecomunicações Alternativas tecnológicas utilizadas na medida certa podem significar elevação de eficiência e redução de custos RENATO ANSELMI, FREE

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A diversidade tecnológica amplia, de maneira significativa, as alternativas na área de telecomunicações para emissão, transmissão e recepção de informações. Utilizada na medida certa, de forma enxuta, torna-se uma aliada importante para a agilidade na transferência de dados do campo para a área administrativa. Existem hoje soluções no mercado que criam condições favoráveis para uma gestão cada vez mais eficiente dos recursos de telecomunicações e das informações disponibilizadas por essa atividade. Na prática, isto pode significar aumento do rendimento operacional e redução de custos. Para orientar o cliente sobre o melhor meio a ser utilizado, o Grupo Avanzi realiza um estudo para verificar qual é a porcentagem de uma área em que pode ser usado, com maior eficiência, satélite, radiocomunicação e telefonia celular, que são as três opções homologadas para

Dane Avanzi: estudos visam uso eficiente do satélite, radiocomunicação e telefonia celular

projetos na área de telecomunicações, de acordo com Dane Avanzi, sócio proprietário da empresa. Com o objetivo de otimizar o uso da telefonia celular, a empresa Avanzi faz estudos para o mapeamento da cobertura de voz e dados, avaliando inclusive qual operadora apresenta melhor performance em determinados locais da área rural. “O celular está sendo muito utilizado

na telemetria para a transmissão de dados do campo gerados pelos computadores de bordo”, destaca. O software usado pela Avanzi – que é adotado também por operadoras –, permite identificar onde tem sinal e onde está ocorrendo a transmissão. Mesmo em alguns locais na área rural que tem sinal 3G, o usuário da telefonia celular não consegue enviar e-mail – exemplifica.

A eficiência desse recurso de telecomunicação não depende, em diversos casos, da geração da telefonia celular. “Se for 2G, 3G ou 4G pouco importa. É que não estão fazendo a manutenção adequada”, diz Dane Avanzi, que é também diretor superintendente do Instituto Avanzi, Organização Não Governamental (ONG) especializada na defesa do consumidor de telecomunicação. Segundo ele, até o 2G bem instalado atende determinadas demandas, como o pacote do computador de bordo que tem pouco volume de dados para ser transmitido. “É como mandar um torpedo”, observa. Falta investimento de operadoras em infraestrutura na área rural, afirma. Se nos grandes centros urbanos, onde a demanda é muito maior, há problemas em relação à telefonia celular, a situação se torna mais complicada na área rural – compara. A internet, nesse caso, pode ser um instrumento – argumenta – para levar a comunicação para escolas rurais, para telecentros. “É uma ferramenta de inclusão social. Quando as operadoras assinam o termo de concessão, elas se obrigam a colocar o sistema onde não dá lucro. Mas, não estão sendo fiscalizadas e cobradas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pelo Poder Público como deveriam”, afirma.


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Solução cria “via de duas mãos” para dados gerados no campo Usuário de dispositivo móvel insere informação e recebe retorno com indicadores referentes a determinada operação “A gente dá ao campo o que é do campo”. Com esta frase, o diretor do segmento de agroindústria da Totvs, Fábio Girardi, mostra que uma das principais preocupações da empresa é disponibilizar ao usuário de dispositivos móveis (smartphones, tablets) soluções que possibilitam um retorno para as informações que enviou do campo para a área administrativa da empresa. “Neste mesmo tablet, neste mesmo smartphone, o usuário que vai inserir informações para o sistema, recebe, no momento seguinte, indicadores de como está sua operação. O sistema que estava no escritório tem agora uma extensão no campo, para que essa pessoa que opera o dispositivo móvel também tome decisões”, detalha Fábio Girardi. O engenheiro agrônomo ou o técnico responsável de uma determinada área não precisa mais se deslocar até o setor administrativo das unidades sucroenergéticas – conforme explicações do diretor da Totvs – para verificar como estão suas metas, indicadores ou a lista de

KPIs individuais. Essa solução acaba criando uma via de duas mãos para as informações geradas no campo. Com um portfólio completo de soluções para o processo de produção e gestão de usinas e destilarias, a Totvs – empresa de software, serviços e tecnologia – faz também a integração da área de Telecomunicações com a de Tecnologia da Informação (TI) que abrange, de uma maneira mais ampla, distintas tecnologias e os dados que estão trafegando, afirma Fábio Girardi. Segundo ele, essa integração inclui dados estruturados, como as informações sobre atividades operacionais que trafegam a partir de diferentes dispositivos móveis, e os dados não estruturados, como uma foto e uma mensagem de voz. “Em uma aplicação de fitossanidade, quem está fazendo a coleta, além de indicar o nível de infestação, pode colocar uma foto da praga para subsidiar o engenheiro agrônomo. Uma foto tem estrutura binária dentro dela, mas a gente trata isto como um dado não estruturado”, observa. A mensagem de voz também trafega no sistema. “O coletor pode fazer um relato daquilo que está vendo. O engenheiro agrônomo ou o técnico responsável tem acesso a esse tipo de mensagem para tomar uma decisão a partir de uma informação mais evidenciada”, diz. (RA)

Fábio Girardi: ao campo o que é do campo


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Agilidade possibilita tomada de decisão no tempo certo Informação de qualidade compõe base histórica utilizada nas ações de planejamento de médio e longo prazos A rapidez na transmissão da informação coletada no campo é considerada fundamental para a elevação da eficiência operacional no campo. “Há cinco, dez anos os dados chegavam nas usinas no dia – ou até dois dias – posterior à coleta”, observa Fábio Girardi. Atualmente parte das informações levantadas chega no próprio dia ou no momento em que estão sendo coletadas. “A transmissão ocorre no máximo até a noite do mesmo dia, quando o supervisor, que tem o tablet, vai para a casa dele e transfere os dados via GPRS”, relata. De acordo com o diretor do segmento de agroindústria da Totvs, as aplicações da empresa têm tecnologias que permitem a troca de informações online. Mas, por questões de infraestrutura, 30% a 40% dos dados são transferidos em tempo real. “A dificuldade é ter um sinal de qualidade na lavoura. Alguns talhões podem ter uma depressão e uma área de sombra onde o funcionário não consegue transmitir os dados”, diz. Neste caso, ele sobe no carreador – constata – e consegue transferir essas informações.

Na colheita mecanizada é preciso ter informações rápidas sobre resultados da operação

“O online pode ser uma diferença de 20 ou 30 minutos. É quase tempo real”, esclarece. De acordo com Fábio Girardi, em algumas situações, há clientes que fazem, por falta de alternativas, a transferência via cartão SD ou por meio físico com a utilização do cabo USB. “Quanto mais ‘próximo’ o campo estiver do escritório, mais ágil e melhor vai ser a resposta do escritório para as ações do campo”, ressalta. Proximidade, nessa situação, significa transmitir dados gerados no campo com agilidade. No caso da colheita mecanizada – exemplifica –, é preciso ter as informações o

mais rapidamente possível sobre os resultados da operação. Caso as metas não estejam sendo cumpridas, existe a necessidade de adotar medidas no menor espaço de tempo. “Isso que é realmente importante. Não adianta ter essa informação um mês depois que o desvio aconteceu, aí já passou e não tem mais como agir. Não faz mais sentido” – comenta. Além da questão da agilidade, há outro fator a ser levado em consideração: a informação de qualidade. “Quando nós usamos um tablet na nossa solução, o equipamento não é simplesmente um coletor.

A gente consegue programar uma inteligência nele. Então, sem dúvida, chegam dados de qualidade. Informação de qualidade vale muito para compor uma base histórica para ações de planejamento de médio e longo prazos”, diz. Segundo Fábio Girardi, a partir dessa rica base de dados, tem cliente que toma decisão que determinado talhão não deve ser mais plantado, que determinada variedade tem que ser trocada e que determinada máquina não pode trabalhar em uma operação específica, porque não é rentável. A Totvs tem canalizado investimentos para fornecer soluções para tablets e smartphones, que são tendências no momento, afirma o diretor do segmento de agroindústria da empresa. Desenvolve também “sob medida” softwares – informa – para dispositivos que trabalham com radiofrequência. “No universo sucroenergético, temos soluções que estão no campo, coletando as informações operacionais”, enfatiza. E isto ocorre para cada um dos processos da área agrícola, como tratos culturais, plantio, colheita. Há um levantamento de informações – detalha – sobre operações mecanizadas, abastecimento da frota, mão de obra rural, aplicação de insumos, entre outras. “Disponibilizamos soluções especialistas para as questões operacionais que estão no campo e sistemas de retaguarda que chamamos de ERP ou de back office”, afirma. (RA)


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Crise no setor limita investimentos em novos projetos Incertezas não impedem, no entanto, o desenvolvimento de soluções inovadoras, como software embarcado no rádio Os projetos de telecomunicações do Grupo Avanzi estão voltados à implantação de sistemas de radiocomunicação, de transmissão de voz e dados via celular (GPRS, 3G) e de RTK (Real Time Kinematic) que envia sinais por meio de ondas de rádio para máquinas dotadas de piloto automático. A empresa expandiu o seu trabalho na área de radiocomunicação, incluindo o acompanhamento da construção de torres civil e elétrica, informa Dane Avanzi, sócioproprietário da empresa. “Cuidamos da rede de telecomunicações com todos os recursos da tecnologia de hoje”, comenta. “Estamos fazendo projetos que integram o RTK, que é o piloto automático, à transmissão de dados no campo e a comunicação de voz por rádio”, observa. Segundo ele, alguns projetos mais inovadores fazem o monitoramento de queimadas por câmeras que são instaladas em torres. Como o setor enfrenta um momento

difícil – comenta –, os investimentos têm sido mais tímidos. “O que estava aprovado lá trás está sendo feito”, constata. Decisões sobre a implantação de projetos novos dependem, na maioria dos casos – avalia –, de definições em relação a políticas públicas para o setor sucroenergético. Apesar das incertezas, boas notícias

também rondam a área de telecomunicações. O preço do rádio digital já caiu, constata Dane Avanzi. De acordo com ele, existem dois modelos de rádios digitais no mercado: um é só de voz. Outro, mais sofisticado, é de voz e de dados. Possui recursos que possibilitam selecionar com quem um usuário quer falar, de modo individual. “Quando muda de área de

cobertura, o equipamento passa automaticamente para outra torre”, diz. Esse mercado deverá ter novidades nos próximos meses, revela. O Grupo Avanzi está estudando com a Motorola uma solução para embarcar software no rádio visando a transmissão de dados para o sistema de gestão ERP da usina, informa. “Uma das coisas que o rádio digital precisa para decolar é oferecer um recurso para a usina que ajude aprimorar um processo ou reduzir algum custo”, afirma. As ações para o aprimoramento desse recurso contam com a participação de associações ligadas a essa atividade. O desenvolvimento de softwares nessa área tem a finalidade de agregar inteligência ao rádio, principalmente na parte de dados, enfatiza. Projetos com sistemas de radiocomunicação digital ainda estão engatinhando no setor sucroenergético. Mas, alguns já estão aprovados – informa Dane Avanzi – por diretorias de usinas para serem implantados no próximo ano. A migração deverá ocorrer, de maneira mais forte, daqui a dois ou três anos, prevê. Tudo vai depender do fim da crise no setor. Uma etapa que precisa ser planejada é o atendimento de exigências legais da Anatel, do Ministério do Meio Ambiente que fiscaliza torre, entre outros órgãos. Há também as legislações específicas de alguns estados, que precisam ser atendidas. “A Avanzi cuida de tudo isto”, observa. (RA)


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Aeroportos de usinas também precisam ser regularizados Apesar de não estar ligado diretamente à àrea de telecomunicações, o licenciamento de aeroportos localizados em propriedades de unidades sucroenergéticas também tem sido encaminhado pelo Grupo Avanzi. Algumas usinas de grande porte possuem pistas utilizadas para pouso e decolagens de aviões usados na pulverização de agroquímicos nas lavouras de cana-de-açúcar. “Tem unidade que não sabe que é preciso de licença para esses aeroportos”, alerta. O Grupo Avanzi faz a regularização – informa – dessas áreas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e no

Comando Aéreo Regional (Comar). “Diversos clientes estavam sem apoio nessa área. Começamos a licenciar as torres e muitas usinas pediram para a gente ver o aeroporto também”, relata. Dane Avanzi enfatiza que a questão do aeroporto é seríssima. “Se for usado pelo tráfico de drogas, o proprietário da fazenda e da usina pode até ser indiciado”, avisa. No caso de acidentes, o aeroporto clandestino vai também gerar problemas. “Proprietários da área podem ser responsabilizados”, afirma. A regularização vai evitar transtornos – enfatiza. (RA)

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RTK pode parar por falta de licenciamento e gerar prejuízos Leilão 4G incluiu a faixa de 450 MHz que é a mesma frequência utilizada para a operação de piloto automático A grande maioria das unidades sucroenergéticas não tem licenciamento para o uso da faixa de 450 MHz utilizada para a maioria dos equipamentos de RTK, o piloto automático de colhedoras e outras máquinas, afirma Dane Avanzi, que é advogado especializado em telecomunicações. Essa situação deverá causar transtornos para usinas e destilarias, alerta. É que o leilão de telefonia celular 4G incluiu duas faixas: a de 2,5 GHz para todas as sedes e sub-sedes da Copa do Mundo, entre outras cidades, e a de 450 MHz para o interior que está na mesma frequência, na mesma subfaixa do RTK. As operadoras têm até junho de 2014 para disponibilizar o serviço, que utilizarão a faixa de 450 MHz, em áreas rurais de 30% dos municípios brasileiros. E até o final de 2015 em 100% dos municípios. “As usinas não estão licenciando esse serviço. Na hora em que a operadora ligar,

essas unidades vão parar de se comunicar com as máquinas. O RTK vai parar”, diz. Para resolver isto, a unidade sucroenergética precisa licenciar junto à Anatel – enfatiza – a faixa que utiliza para o RTK. Segundo ele, as empresas que vendem equipamentos nessa área não costumam avisar que é necessário obter a autorização. “Algumas usinas vão deixar de operar o RTK por questão técnica inclusive, independentemente da Anatel desligar o sinal por causa de reclamação de operadoras”, afirma. No caso de fiscalização, as unidades sucroenergéticas vão ser inclusive autuadas. “O RTK é investimento caro. É um recurso importante para a usina. E a paralisação pode causar prejuízo”, ressalta. (RA)


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Setor busca estado da arte da mecanização das lavouras Implementos que aprimoram preparo do solo, colheita de mudas e distribuição de toletes no sulco estão entre novidades RENATO ANSELMI, FREE

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O setor sucroenergético tem buscado o estado da arte do processo de mecanização dos canaviais. Apesar de avanços significativos nessa área, há ainda alguns gargalos a serem vencidos, como a necessidade de melhor distribuição de toletes durante o plantio, a produção de mudas de qualidade, a redução de impurezas transportadas com a matériaprima, a diminuição de perdas na colheita, a eliminação do pisoteio da soqueira, entre outros. Pesquisadores, consultores, profissionais de usinas e fabricantes de equipamentos têm somado esforços na busca de soluções e no aprimoramento da mecanização que mudou parâmetros em diversas etapas da produção agroindustrial. Algumas novidades que incorporam melhorias já estão disponíveis no mercado,

como a plantadora que faz a distribuição homogênea de toletes, a máquina semiautomática para o plantio de mudas e equipamentos para o preparo do solo na linha de cana. Da sistematização da área ao manejo do palhiço, existem, no entanto, muitos cuidados – alguns básicos – que precisam ser adotados em todo o processo de mecanização. É preciso, por exemplo, fazer a adequação do terreno, com definição do tamanho do talhão, para a obtenção de eficiência no uso de máquinas e na operação de fertirrigação, observa o engenheiro agrônomo Victório Laerte Furlani Neto, diretor da Qualimec, de Araras, SP. O cálculo do talhão deve otimizar toda

a logística utilizada para o plantio e a colheita de cana. No caso do corte mecanizado, é necessário levar em consideração a produtividade média dos canaviais e a capacidade de carga do transbordo, observa o consultor. Furlani Neto destaca também a importância do planejamento do plantio de mudas. “Os viveiros não podem ficar muito distantes das áreas de reforma”, diz. Ele enfatiza que é necessário fazer o plantio com mudas sadias, de boa qualidade. “Deve ser nova, com 9 meses de idade. Se tiver 12 ou 13 meses, apresenta problemas de brotação”, comenta. Há diversos detalhes que precisam ser considerados na busca de qualidade. “A muda não pode ser muito pequena. Se usar

o padrão de 30 centímetros, há risco da muda ficar só com duas gemas. Uma variedade é diferente da outra. Algumas delas têm internódios mais longos. O tolete deve ter no mínimo três gemas”, afirma. Na hora de fazer a colheita de mudas, a máquina deve ser equipada com o kit de proteção – recomenda – para que as gemas não sejam danificadas. Furlani Neto alerta que a colhedora deve operar com velocidade baixa para que a muda não seja colhida com muita palha, o que dificulta a sua exaustão no sistema de colheita. “Durante o plantio, a palha fica no meio das mudas, enrolando, embuchando. Isto aumenta o número de falhas. A gente quer que a plantadora puxe só a muda”, enfatiza.


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Tecnologia e cuidados básicos otimizam sistema de produção Mudas sadias, agricultura de precisão e piloto automático são aliados da São Fernando, que testa o plantio base larga Com 100% de mecanização de plantio e colheita, a Usina São Fernando, de Dourados, MS, está entre as unidades do setor que procuram superar as dificuldades nessa área com criatividade e inovação, além de fazer a “lição de casa” de maneira correta. Entre diversas iniciativas, essa usina está avaliando o sistema de plantio base larga que evita o pisoteio na linha de cana devido ao espaçamento adotado, que pode ser 1,80 m, 2,00 m e 2,20. A São Fernando utiliza o de 2 metros. O sistema reduz o percurso da máquina, diminuindo os metros lineares a serem colhidos, observa Luiz Fernando Siqueira, diretor agrícola dessa unidade sul-matogrossense. “Estamos começando com testes. À medida que ele se mostrar eficiente, nós vamos fazer a substituição do sistema de plantio”, revela. Dependendo do resultado, a usina vai migrar do sulco simples – adotado atualmente – para o base larga. O grande desafio do plantio mecanizado, independentemente do sistema utilizado, é manter a qualidade, ou seja, o menor número possível de falhas, comenta o diretor agrícola. Um dos objetivos dessa busca é evitar o gasto excessivo de mudas por hectare, diz. Para driblar essa dificuldade, a São Fernando tem usado a distribuidora de mudas em 20% de sua área de plantio, conseguindo melhores resultados em relação à distribuição e à redução do número de falhas. “É um

Qualificação da mão de obra é importante para que mecanização seja bem-sucedida

recurso temporário. A meta é alta qualidade com a plantadora, que tem algumas vantagens, como a diminuição do número de operações”, avalia. O sucesso da mecanização está também diretamente ligado à adoção de alguns procedimentos básicos. “É preciso otimizar o sistema”, resume. Luiz Siqueira considera essencial o uso no plantio de muda com fitossanidade comprovada. A gema também deve ser nova. “Temos viveiros bem conduzidos. Errar a mão nisto compromete todo o ciclo”, enfatiza. Segundo ele, a sistematização do terreno e o cultivo da cana bem feitos são imprescindíveis para assegurar resultados positivos na colheita, como a redução da impureza mineral e a diminuição de perdas no corte. Um recurso que tem ajudado a Usina São Fernando

em suas atividades no campo – afirma o diretor agrícola – é o uso do piloto automático, que garante o paralelismo e contribui, de maneira significativa, para a qualidade das operações, principalmente a colheita mecanizada. Essa unidade sucroenergética de Dourados utiliza a agricultura de precisão, aplicando a taxa variável de insumos na calagem, gessagem e fosfatagem. Para o recolhimento da palha, a São Fernando usa o enfardamento, deixando 40% dessa biomassa no campo. Luiz Siqueira destaca a importância da qualificação da mão de obra para que a mecanização seja bemsucedida. “As máquinas são sofisticadas e exigentes”, destaca o diretor da usina, que tem uma área de cana de 64 mil hectares e possui 50 colhedoras para cana comercial, 7 plantadoras e 2 distribuidoras de mudas. (RA)


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Máquina distribui toletes no sulco de maneira homogênea Plantadora tem limitador de fluxo de rebolos que evita o lançamento de excesso de mudas no mesmo local As dificuldades geradas pelo processo de mecanização têm criado diversas soluções inovadoras. Algumas delas estão sendo desenvolvidas e colocadas em prática por Hermes Suzigan –executivo fundador da Civemasa que surgiu em 1957. Atualmente ele é o diretor geral da FH Equipamentos Especiais (FHEE), de Araras, SP, onde lançou nos últimos quatro anos “revolucionários” implementos e máquinas para as lavouras de cana. A FHEE já existia como revenda de trator e fabricante de carregadora florestal, mas não podia ter um portfólio para o setor canavieiro devido ao compromisso de Hermes Suzigan com a Civemasa – que foi adquirida por outra empresa –, onde ele era também diretor. Com o término desse vínculo, o empresário de Araras deu início à nova fase da FHEE que passou a atender e equacionar demandas das lavouras de cana. A primeira solução surgiu com o lançamento da Plantadora de Cana PC7500 que resolve um problema que tem

causado sérios transtornos na operação de plantio: as falhas na distribuição de mudas no sulco. A máquina possui esteira com taliscas transversais alternadas, que permite a distribuição homogênea dos toletes, o que resulta na uniformidade no stand de plantio. A PC-7500 possui também um limitador de fluxo de rebolos até a esteira, evitando que excesso de mudas seja lançado no mesmo local. Com abastecimento de mudas pelas laterais e parte traseira, essa plantadora tem capacidade de carga de 7500 quilos. Faz o plantio em duas linhas, possibilitando que sejam utilizados espaçamentos de 900, 1.400 ou 1.500 mm entre sulcos. Outro equipamento, lançado pela FHEE, é o roto-destorroador nivelador. Usado para quebra-lombos de cana planta, possui motor hidráulico para acionar as facas destorroadoras de solo, que nivelam o terreno. “É o único rotativo no mercado. Não deixa torrão no pé da cana”, afirma Hermes Suzigan. Esse implemento reduz, de maneira significativa, a quantidade de impureza mineral na colheita de cana. A FHEE fabrica também o Aplicador de Inoculantes Sólido e Líquido para Cana, que aplica defensivos a uma profundidade de 15 cm, com uniformidade, além de ter bastante precisão na dosagem. Foi desenvolvido para o combate de migdolus, nematóides e outras pragas.

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Plantadora atende demanda de programa de mudas sadias

Furlani Neto: eficiência depende da definição do tamanho e adequação do terreno

Implemento faz quatro operações e proporciona economia de 66% O Preparo Mínimo do Solo (PMS) é outro implemento de destaque da FHEE voltado para as lavouras de cana-de-açúcar. Proporciona economia em investimentos e custos operacionais. “Faz de uma vez só as quatro operações que são realizadas no preparo convencional: gradagem intermediária, subsolagem, gradagem pesada e gradagem de nivelamento”, comenta Hermes Suzigan. É usado na erradicação de soqueiras. A utilização do Preparo Mínimo do Solo proporciona uma economia de 66,64% em relação ao custo das operações convencionais de preparo. Este é o resultado de um estudo comparativo entre os dois sistemas, que foi realizado pelo engenheiro agrônomo Victório Furlani Neto, diretor da Qualimec – Qualidade em Mecanização. Esse trabalho considerou os gastos com as operações de preparo de solo em 2.390 hectares, na safra 2012/13, de uma usina de grande porte no estado de São Paulo. O custo das operações convencionais nessa área totalizou R$ 1.118, 597,60, enquanto a utilização do Preparo Mínimo do Solo gera gastos de R$

373.074,27, o que equivale a uma diferença de R$ 745.523,40. O estudo avaliou também os gastos por hectare, que ficou em R$ 471,95 no sistema convencional e em R$ 157,42 no PMS, da FHEE, o que corresponde a uma diferença de R$ 314,53. A obtenção desses valores considerou diversos itens, entre os quais, custo da operador e do hectare trabalhado, custo fixo e variável dos tratores e dos implementos, tempo de duração da operação, potências dos tratores, entre outros, segundo o diretor da Qualimec. Para a realização desse trabalho, houve a aplicação de uma planilha de dimensionamento e custos operacionais de máquinas agrícolas elaborada pelo próprio Furlani Neto, o professor da Esalq/USP Marcos Milan e o engenheiro agrônomo Ney Barros de Avelino Sidou. Além da economia, a qualidade do trabalho é considerada outro diferencial desse implemento. Há dois modelos do Preparo Mínimo do Solo: o PMS-2L 0,90 x 1,50 m para o plantio em duas linhas de 0,90 m x 1,50 m e o PMS 2L 140/150 para duas linhas de 1,40 m a 1,50 m. (RA)

Um dos grandes problemas do plantio mecanizado está relacionado à qualidade das mudas. Diversas usinas não estão formando viveiros e acabam usando cana industrial para o plantio, constata o engenheiro agrônomo Auro Pereira Pardinho, gerente de marketing da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas, de Sertãozinho, SP. “Às vezes, chegam a utilizar cana de segundo e terceiro cortes. Mas, mesmo a de primeiro não tem a qualidade de muda de viveiro”, observa. Essa cana tem mistura varietal, doenças que são controladas somente com o tratamento térmico, além da degenerescência, afirma o gerente de marketing. O uso da cana industrial é um dos motivos da quebra de produtividade no setor sucroenergético, ressalta. Preocupadas com a situação, algumas empresas e instituições de pesquisa estão desenvolvendo programas de mudas sadias. De acordo com Auro Pardinho, um gargalo dessas iniciativas é a falta de um equipamento voltado ao plantio de mudas. Em atendimento a uma solicitação da Basf, que realiza o programa Ag Musa – Agricultura de Muda Sadia, a DMB desenvolveu uma máquina para o plantio de mudas de cana. A partir da ideia de uma plantadora de eucalipto, a empresa de Sertãozinho fez um equipamento com a robustez necessária para se trabalhar com cana-de-açúcar, comenta Pardinho. Adaptada num chassi da DMB, com elevada resistência, a máquina tem acoplado um tanque para fungicida. “Embora esteja sendo usada uma muda de qualidade, livre de doenças e pragas, é preciso cuidar do ambiente onde ela vai ser plantada”, diz. A plantadora de mudas de cana é semiautomática. Duas pessoas fazem um trabalho de apoio, em pé ao lado da máquina – que opera numa velocidade baixa entre 1 e 1,5 km –, tendo a função de

disponibilizar para o plantio as mudas que ficam armazenadas em bandejas colocadas em “estantes” laterais. Outros dois trabalhadores, que ficam sentados na parte traseira do equipamento, cuidam da operação do plantio. O desenvolvimento da máquina teve duração de três anos e foi finalizado em 2013, informa Auro Pardinho. Após a avaliação do interesse do mercado, a empresa poderá torná-la totalmente automatizada. A prioridade da DMB é atender a demanda da Basf, parceira no projeto. Fora isto, não há nada que a impeça de comercializar a plantadora para outros interessados, como usinas e fornecedores de cana.

Novo modelo da DMB elevará eficiência no plantio de cana Uma plantadora com processo automatizado para elevar a eficiência na distribuição de mudas será lançada pela DMB, revela Auro Pardinho. De acordo com ele, o resultado da distribuição não ficará dependente do trabalho do operador. A máquina terá mudanças de posicionamento de esteiras e no tamanho de taliscas em relação à PCP 6000 – que é o modelo de cana picada da DMB –, além de sensor para a leitura de toletes. Apesar de não ter data de lançamento definida, existe a possibilidade da nova plantadora ser disponibilizada para o mercado em 2014. Está em fase de ajustes finais. “O protótipo trabalhou no campo desde o início de 2013”, informa. (RA)


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Preparo de solo profundo canteirizado permite várias operações simultâneas Com pneus de alta flutuação de 4 a 8 rodas, novos transbordos resolvem problema antigo de compactação O aprimoramento do plantio mecanizado inclui melhorias no preparo e correção de solo, seja com sistema convencional (subsolador, arado e grade) ou com nova técnica com uso de canteirizadores de uma ou duas linhas (duplo alternado), afirma Adelio Antoniosi, diretor da ATA – Antoniosi Tecnologia Agroindustrial, de Matão, SP A distribuição dos toletes requer máquinas de precisão – diz – para garantir um plantio uniforme e com a quantidade de gemas necessárias. Segundo ele, é importante também que a muda tenha bom vigor. Para isto, a ATA Antoniosi já desenvolveu preparador profundo de solo com canteirizador, observa. Essa empresa de Matão deu valiosa contribuição também para resolver um problema sério da colheita mecanizada: o pisoteio das soqueiras. A ATA Antoniosi desenvolveu transbordo descentralizado com pneus de alta flutuação de 4 a 8 rodas. “O equipamento produz três rastros, andando na entrelinha sem

Preparador de solo profundo canteirizado

Transbordo com pneus de flutuação

danificar as soqueiras”, enfatiza. Adelio Antoniosi destaca que as soluções disponibilizadas pela empresa

para a mecanização das lavouras de cana abrangem o preparo profundo canteirizado, plantio de precisão e

transporte com os transbordos descentralizados, incluindo transbordo tracionado pelo trator, caminhões e reboques, com capacidade de carga variando de 6 a 32 toneladas. A ATA Antoniosi realizou também parceria com a John Deere voltada à produção da distribuidora de cana para a rede com a marca Green System. “Esse equipamento passa pelo rigor do sistema de qualidade, ergonomia e segurança John Deere”, comenta. De acordo com o diretor da empresa de Matão, a união da ATA Antoniosi com a John Deere proporciona um fortalecimento de soluções para o setor que começaram com o pioneirismo na criação dos transbordos descentralizados, e agora continua com o desenvolvimento de novos produtos. Um dos equipamentos desenvolvido a partir dessa parceria é o Preparador de Solo Profundo Canteirizado - PSPC 1101, que permite a realização de várias operações ao mesmo tempo, como subsolagem profunda, aplicação e incorporação de corretivo, destorroamento do solo e incorporação da palha de maneira homogênea, deixando o canteiro pronto para o plantio de 2 linhas de cana de 900 mm. A ATA Antoniosi estuda novos projetos nessa parceria que deverão ser incluídos na linha Green System, revela Adelio Antoniosi. (RA)


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Enleirador recolhe a palha sem revolver o solo e diminui impureza Altura regulável dos ancinhos possibilita que 30% a 40% da biomassa fique no campo O manejo adequado da palha fecha, de maneira positiva, o novo ciclo de operações agrícolas gerado pelo processo de mecanização. Aliás, neste caso, a atividade se estende para a indústria com a trituração da biomassa. Após estudos e avaliações sobre alternativas para o recolhimento da palha, como a colheita integral da cana, sistemas que utilizam enleiramento e enfardamento ganharam espaço no setor sucroenergético. Para atender a demanda nessa área, proveniente do aumento significativo da colheita de cana crua, o mercado fornecedor tem disponibilizado soluções cada vez mais eficientes. A Vermeer, de Valinhos, SP, por exemplo, oferece um enleirador, o TWIN RAKE R2800, com altura regulável dos ancinhos. “O equipamento permite o recolhimento da palhada sem revolver o solo, de modo que ela seja rolada e não arrastada”, explica Lucas Zimmer, gerente dos segmentos Biomassa/Florestal/Reciclagem da empresa. Dessa forma, a palhada acumula menos impurezas.

Com a regulagem dos ancinhos é possível deixar de 30% a 40% do material no campo, o que gera benefícios agronômicos, como por exemplo, preservação da umidade e da temperatura do solo, observa. O ajuste da distância entre as rodas possibilita que o enleirador transite entre as ruas e não sobre a soqueira da cana, diz Lucas Zimmer. Com abertura total chegando a 8,5 m, o equipamento é capaz de formar leiras com larguras de 1 m a 1,5 m.

A enfardadora cilíndrica 604SM com câmara variável, disponibilizada pela Vermeer, consegue produzir até 22 toneladas por hora, o que pode variar dependendo da umidade do material e de outras condições de manejo, esclarece o gerente da empresa. O equipamento produz – informa – fardos de 1,20 m de largura e até 1,8 m de diâmetro, com peso entre 150 a 500 quilos. “A palhada é capturada por um sistema de alimentação e levada diretamente para a câmera de

enfardamento, sem obstáculos, o que garante um fardo uniforme e compactado, evitando o embuchamento da máquina”, detalha. Segundo ele, o operador consegue monitorar, em tempo real, elementos como tamanho, densidade e peso para obter um fardo uniforme no final do processo. “Outro diferencial é o sistema de amarração, que não demanda nós”, afirma. De acordo com Lucas Zimmer, os trituradores Vermeer horizontais (HG6000) ou verticais (TG5000/TG7000) reduzem a palhada de cana enfardada à granulometria necessária para alimentação em caldeiras nas indústrias de cana. “Essa redução do material permite que ele seja queimado com a máxima eficiência liberando mais energia no processo e gerando menor quantidade de resíduos (cinzas)”, comenta. O gerente dos segmentos Biomassa/Florestal/Reciclagem da empresa informa que esses equipamentos Vermeer possuem projetos de engenharia específicos para aplicação na biomassa de cana-deaçúcar, sendo compatíveis com a abrasividade da sílica, o que aumenta a vida útil das máquinas. A Vermeer aposta no aumento das vendas de enleirador, enfardadora e triturador nas próximas safras, por causa da realização de leilões de energia e das perspectivas de mercado para etanol de segunda geração, afirma Lucas Zimmer. (RA)


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DRONES NO HORIZONTE! Veículos aéreos não tripulados poderão ser utilizados na agricultura de precisão ALESSANDRO REIS, DA REDAÇÃO

Criados originalmente, para fins militares, os drones — veículos aéreos não tripulados —, seguem os passos do GPS Sistema de posicionamento global, tornando-se ferramenta de uso civil. Neste âmbito, dentre suas áreas de aplicação, a agricultura pode ser beneficiada pelo equipamento. No departamento de engenharia de biossistemas, da USP/Esalq, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o docente Rubens Duarte Coelho, coordena um projeto de pesquisa cujo objetivo é introduzir esta nova tecnologia em lavouras. Em agosto deste ano, acompanhado de alunos, o professor Rubens Coellho realizou na estação experimental da Esalq, o primeiro voo do drone, sobrevoando o campo experimental de irrigação por pivô central, espaço onde pesquisadores do INCT-EI — Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Engenharia de Irrigação realizam seus estudos. “O uso dos drones abre novos horizontes para a agricultura de precisão nas áreas de produção agrícola do Brasil. A vantagem é exatamente a precisão com que se pode detectar e monitorar grandes áreas quase que em tempo real. É uma realidade de sensoriamento remoto nunca antes imaginada, com alta definição e alta frequência de captura das imagens aéreas”, explica. Para demonstrar a dimensão da aplicação das imagens capturadas com

Rubens Duarte Coelho quer introduzir uso de drones na agricultura

auxílio do drone, Coelho coloca em contraste o novo satélite Landsat 8, lançado pelo governo norte-americano em fevereiro de 2013. Ele esclarece que a frequência de aquisição de imagens em uma mesma área deste satélite é de 16 dias quando as condições climáticas permitem, sendo que o horário de captura das imagens é fixado às 10h. Cada pixel da imagem do Landsat 8 nas bandas espectrais, vermelho, azul e verde, representam uma área de aproximadamente 900 m2, sendo que na imagem termal infravermelha, cada pixel representa cerca de 10 mil m2. O drone, por sua vez, voando a uma altitude de 300 m — limite máximo autorizado para voos não tripulados — com câmeras especiais de captura

multiespectral e térmica, acopladas, é possível capturar imagens de 6 ha de área nas bandas espectrais da radiação visível. Cada pixel representa uma área equivalente à tela de um smartphone, cerca de 50 cm2. “Nas imagens térmicas, cada pixel representa a área equivalente à tela de um tablete, cerca de 198 cm2, podendo ser captadas a qualquer hora do dia e inúmeras vezes, em um mesmo dia, e diminuindo a altitude, aumenta-se essa resolução”. Rubens Coelho observa que estas aplicações serão priorizadas em áreas de pesquisa e cultivos como o de cana-deaçúcar, café, citros, uva e hortaliças. “Esperamos desenvolver nos próximos anos aplicações desta nova tecnologia

visando à detecção da variabilidade espacial do estresse hídrico no campo, de deficiências nutricionais, falta de uniformidade de aplicação de água em sistemas de irrigação, danos foliares causados por pragas e doenças”. O professor Coelho menciona que um drone pode custar de US$ 3 a US$ 120,000 dólares, e as câmeras de US$ 20,000 a US$ 80,000 dólares. Quanto a aplicação do equipamento em canaviais, foram feitas imagens experimentais em uma área de plantio da Usina Paraíso, de Brotas, SP. “É possível através do voo avaliar no plantio da cana, áreas de tombamento, comparar variedades e até desenvolver o melhoramento genético, identificando as famílias das plantas”, conclui.


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A experiência que pode mudar o futuro

Valtencir Figueiredo, o “Paraná”, da Cohibra: treinamento é a melhor saída

Cohybra supre lacuna do mercado em manutenção hidráulica Empresa sai na frente no serviço prestado a colhedoras de cana A Cohybra, empresa especializada na manutenção hidráulica em todas as linhas de colhedoras de cana-de-açúcar John Deere, Case, Cameco, Santal e Brastoft, em pouco tempo de existência, já se destaca como uma referência no mercado, na região de Sertãozinho, SP. De acordo com Cleiton de Angelo e Alex de Angelis, sócios-proprietários da Cohybra, o mercado sofria com a falta de opções na área de manutenção hidráulica. "Acredito que crescemos tanto em tão pouco tempo porque existia uma lacuna no mercado. Temos várias técnicas avançadas na recuperação de peças, isso evita a famosa troca desnecessária de componentes nas bombas, cilindros e motores hidráulicos barateando a manutenção e trocando somente o necessário, mantendo-se a mesma garantia de serviço. Raramente aqui na

Cohybra uma bomba hidráulica será diagnosticada como sem recuperação. Dentre os serviços que mais se destacam na Cohybra temos o recondicionamento do Motor do Picador John Deere, Recuperação das válvulas EDC / MCV e blocos Manifold. A Cohybra possui também ampla frota de veículos e técnicos para dar assistência no campo, com aparelhos de última geração para aferir pressão, vazão, galonagem e contando também com assistência técnica 24h por dia, todos os dias da semana. "Uma das nossas principais características é a rapidez no atendimento. Se um cliente entra em contato conosco precisando de manutenção, sempre temos um veiculo pronto para atender. Essa rapidez fez com que ganhássemos credibilidade no mercado. O cliente vê que nossos serviços têm o preço competitivo e agilidade no atendimento". Isso mostra que estamos preocupados que o equipamento deles está parado, diz ‘Paraná’. ‘Parana’ acredita que um dos pontos fortes da Cohybra é possuir uma ampla base de troca com todos os componentes

hidráulicos originais, para pronta entrega. "Nós temos dentro da empresa todos os itens da base de troca das colhedoras de cana, de todas as marcas e modelos. Quando um cliente liga e diz que está com a máquina parada, ele já sabe que temos as peças de reposição para pronta entrega", explica. Além disso, a empresa possui uma bancada de testes digital que evita distorções na medição de pressão, vazão e galonagem, sendo uma das mais modernas do mercado. Ele explica que transparência é um dos lemas da empresa. "Nossos clientes têm total liberdade para acompanhar a manutenção de suas peças. Além disso, nos colocamos à disposição para treinar técnicos que estejam interessados em aperfeiçoamento". “Quando recebemos o feedback positivo de nossos clientes, dizendo que o índice de produtividade das máquinas alcançou altos patamares ficamos contentes, pois sabemos que isso é reflexo do bom trabalho da equipe de nossos clientes e da qualidade de nossos serviços.

Um dos problemas observados quando se trata de colheita mecanizada, identificado pela empresa, é a falta de profissionais qualificados no mercado. "Temos observado ao longo desses anos, a crescente dificuldade de contratar bons profissionais para trabalharem na colheita mecanizada, sejam eles operadores ou mecânicos. Temos muitos exemplos de ótimos profissionais, mas estes atualmente estão sempre bem empregados. Uma saída para esse déficit de mão de obra encontrada tanto pelas usinas quanto por empresas de logística agrícola é a capacitação dos profissionais dentro das próprias usinas com planos de progressão de carreira”. ´ De acordo com 'Paraná', deve-se sempre enfatizar a constante necessidade de treinamento e atualização dos membros da equipe de campo, isso pode e com certeza é um fator que minimiza incidentes e desgastes nos equipamentos, considerando-se o alto valor agregado dos mesmos, os custos de treinamento são baixos quando comparados. ´Paraná´ complementa dizendo que se houver um maior cuidado com a parte hidráulica, mais da metade do caminho está assegurado, tamanha sua importância para o equipamento. Paraná´ destaca também a importância do uso do óleo e o tratamento adequado do mesmo para tal finalidade. "A filtragem do óleo é muito importante para o circuito hidráulico dos equipamentos agrícolas. Temos vários casos de bombas danificadas por falta de qualidade do óleo. Se o óleo usado nas máquinas não estiver em boas condições, não vai existir peça no mundo que resiste. Algumas usinas possuem laboratório próprio para o tratamento do óleo, outras pecam neste sentido”. Explica. "Devemos considerar também as variedades da cana, sendo que o operador da máquina deve andar na velocidade apropriada para cada tipo de cana e isso nem sempre é respeitado. São ações simples como essas que podem até dobrar a vida útil da colhedora de cana. Por isso deve haver um maior controle e acompanhamento de novos empregados e operadores responsáveis pela área", explica. "Infelizmente, em alguns casos não é dada a devida importância à área hidráulica, por isso faz-se necessário investir tanto na qualificação de seus operadores quanto ao constante acompanhamento da qualidade do trabalho de empresas terceiras contratadas para a manutenção", explica.


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ENTREVISTA - Marcos Landell

“Gargalo do setor não é técnico e sim político” ANDRÉ RICCI,

DA

REDAÇÃO

Que o maior problema do segmento não é técnico, mas sim, político é uma certeza entre tantas as variáveis que rondam o setor. Esta é a opinião de Marcos Landell, pesquisador científico no IAC — Instituto Agronômico de Campinas, em Ribeirão Preto, SP, e coordenador do Grupo Fitotécnico. Nesta entrevista ele faz uma análise da safra 2013/14, considerando as evoluções, desafios e perspectivas de rendimento. Confira: JornalCana - Com mais uma safra chegando ao seu final (Centro-Sul), qual balanço agrícola é possível fazer? Marcos Landell - Em função do importante trabalho de plantio feito que em 2012 tivemos uma safra com índices de produtividade agrícola melhores que a anterior. Observamos uma participação maior da cana planta e, principalmente, contamos com uma boa distribuição de chuvas no Centro-Sul do Brasil. Esta condição climática foi favorável para a produtividade de colmos, mas também responsável pela queda significativa na qualidade da matéria-prima. Em termos de pesquisa, quanto o setor evoluiu? Qual a grande novidade do ano? O Programa Cana IAC apresentou duas novas variedades de cana-de-açúcar, ambas com características de maturação precoce e portanto, despertando grande interesse para a indústria sucroenergética. São elas as IACSP96-7569 e IACSP974039. Esta última, tem um período de industrialização bastante longo, mantendose com elevada sacarose durante todo o período da safra (abril a outubro), e com ótimas performances agrícolas (TCH) inclusive no final de safra (setembronovembro). Outra importante tecnologia foi a difusão do MPB - Mudas Pré-Brotadas, técnica que possibilita uma rápida adoção de novas cultivares, pois apresenta taxas de multiplicação de 1:60-100, ou seja, comparada a taxa de multiplicação do plantio mecânico (1:4), o sistema MPB possibilita um rápido crescimento de cultivares novas com perspectivas de elevada contribuição sobre a produtividade agroindustrial. Vários núcleos de MPB estão em processo de implantação em

Marcos Landell, pesquisador científico no Instituto Agronômico de Campinas

associações, usinas ou simplesmente, produtores. Acreditamos que isto, juntamente com outras ações voltadas a produção de mudas de qualidade realizadas por diversas empresas, venham trazer uma grande contribuição ao setor canavieiro em médio prazo. Dos assuntos tratados pelo Grupo Fitotécnico, qual mais lhe chamou atenção? Começamos o ano falando sobre ferrugens em cana e na sequência foi tratado o tema qualidade de muda. Estes são dois assuntos de extrema importância, visto que a Ferrugem Alaranjada é relativamente recente no Brasil e tem causado prejuízos. O maior deles refere-se ao número de variedades novas de reação intermediária a doença e pré-variedades que ela acometeu, fazendo com que milhões de reais investidos no processo de seleção de genótipos de elevada produtividade se revelassem infrutíferos. Muito se falou, sendo tema recorrente, a questão da qualidade de muda associando esta questão aos cuidados de viveiro (termoterapia e roguing) e mesmo de técnicas mais modernas de multiplicação. Naturalmente, tudo isto esteve associado à oportunidade de adoção de cultivares

mais modernas, adaptadas ao plantio e colheita mecânica.

conduzido nestes últimos anos. Não tivemos grandes superações.

Quais os gargalos para o próximo ciclo? O maior gargalo da canavicultura na atualidade relaciona-se a política de preços do etanol pelo controle indireto dos preços que a Petrobras impõe via subsídio da gasolina. A produtividade deve manter uma tendência de recuperação, mas provavelmente será insuficiente para cobrir a defasagem entre custo de produção e preços do etanol. Este cenário torna insustentável a saúde financeira de muitas empresas que já se encontram no limiar dos seus custos. Como consequência, poderemos ter uma redução de investimento em plantio e no uso de insumos, o que nos levaria a um novo “vale” de produtividade. Portanto, os principais gargalos não são tanto de origem técnica, mas de política setorial.

As dificuldades enfrentadas nos últimos anos trouxeram melhorias ao segmento? Quais? Todos buscam otimização dos processos agrícolas, e isto com a finalidade explícita de redução do custo. Por um lado, esta necessidade premente, levou várias empresas e produtores a uma discussão de quais os fatores estariam elevando os custos nestes últimos anos. O plantio mecânico, por exemplo, foi um dos processos mais “revisitados” nesta discussão. Muitos questionaram a eficiência dos equipamentos de plantio, o gasto excessivo de mudas, a menor produtividade obtida no primeiro corte (cana planta) em relação ao plantio manual, entre vários outros pontos. Isto levou o setor a uma melhor eficiência deste processo, mas ainda há muito que avançar. O processo de colheita também tem sido objeto de discussão, principalmente no que se refere ao pisoteio imposto por conta do tráfego intenso dos componentes da colheita. Também houve um esforço bastante significativo para a utilização de variedades mais modernas, e portanto, de potencial teórico superior.

Dos obstáculos que tínhamos no início de 2013, quais o senhor considera superados? O principal obstáculo no momento é a política setorial que desde 2008 é desfavorável ao setor. Não parece haver nenhum “plano de voo” distinto daquele


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Sistematizar e conservar solo e água são essenciais para a boa cana Seminário no Centro de Cana do IAC aborda importantes conceitos conservacionistas FULVIO PINHEIRO MACHADO, DE

RIBEIRÃO PRETO, SP

CONSULTOR

DO

JORNALCANA

A Sistematização, Conservação do Solo e da Água em Cana-de-açúcar foi o tema do Seminário realizado nos dias 22 e 23 de outubro passados, abordando esses importantes conceitos conservacionistas. O evento foi organizado por

instituições atuantes no setor canavieiro como a Unica, Stab, IAC, CTC, CTBE e Esalq-USP, entre outras e foi realizado no Centro de Cana IAC, localizado em Ribeirão Preto-SP e contou com a presença de mais de 300 participantes entre técnicos e interessados. Com a abertura dos trabalhos por Antonio de Pádua Rodrigues, diretor Técnico da Unica e Raffaella Rossetto. Pesquisadora do IAC, foram desenvolvidos temas centrados em dois painéis: Bases e Conceitos da Conservação do Solo e Legislação e Aspectos Técnicos. Gerd Sparovek da Esalq-USP abordou os conceitos teóricos básicos do que vem a ser a conservação do solo e água, seguido por Moacir Dias Júnior, da UFLA que tratou da modelagem e sua aplicação na

determinação da compactação do solo. Finalizando o tema de Bases e Conceitos, Marcilio Martins Filho da UNESP-Jaboticabal apresentou os conceitos envolvidos na infiltração de água no solo. Na temática sobre Legislação, Isabella Maria do IAC, José Bortoletti do SAA-SP, Francisco Bueno do GEA-USP e Rodrigo Lima da Agroicone e Plataformaagro, apresentaram a evolução da legislação pertinente à conservação dos recursos do solo e água, sua fiscalização pelo poder público e a responsabilidade da conservação sob o ponto de vista do produtor rural. No segundo dia do evento foram abordadas as práticas conservacionistas, com Jairo Mazza da Esalq-USP falando

sobre a Sistematização de Áreas para Cana, Luiz Carlos Dalben da Agrícola Rio Claro com as Práticas para Conservação, Gerd Sparovek da EsalqUSP conceituando o escoamento superficial, João Saccomano falando sobre a construção de estradas, Nazareno Gonçalves da Usina Alta Mogiana explicando as técnicas de Preparo Reduzido e Plantio Direto empregadas na usina. No segundo painel sobre práticas de conservação, Oscar Braunbeck do CTBE apresentou um novo conceito para colhedoras, Jairo Mazza da Esalq-USP abordou a sistemática de preparo profundo do solo e Fernando Bertolani do CTC falou sobre os Blocos de Manejo para a cultura de cana-de-açúcar.


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Implementos maiores abreviam o tempo no preparo do solo O crescente aumento de capacidade das unidades produtoras, quer pela implantação de novas unidades com maior poder de processamento localizadas nas novas fronteiras da lavoura canavieira, quer pela ampliação das usinas já existentes, tem demandado novas soluções em máquinas e implementos na área agrícola de forma a atender as necessidades do aumento de produção. Paralelamente, com o avanço da colheita mecanizada, novas sistemáticas de trabalho tem sido desenvolvidas com o objetivo de assegurar um aumento de rendimento operacional, uma vez que a quantidade de cana a ser manejada tem aumentado significativamente e o espaço de tempo disponível para as operações agrícolas tem permanecido praticamente o mesmo. Diante desse cenário, o desenvolvimento e a fabricação de máquinas e implementos maiores e mais eficientes que proporcionem mais agilidade e redução de custos tem sido o objetivo dos fabricantes para atender esses novos padrões de demanda. Considerando as necessidades do mercado e a disponilidade atual de tratores

de maior potência, a Civemasa projetou as grades aradoras super pesadas da linha GASPRC-495 para atender as necessidades de preparo profundo do solo. As grades dessa linha possuem estruturas tubulares e estão disponíveis em seis modelos de diferente capacidade, de 12 a 22 discos de 36 a 40 polegadas e para serem tracionadas por tratores de 230 a 400cv, dependendo do tamanho grade. Os cubos dos rodeiros são dotados de dois rolamentos cada, devidamente protegidos contra poeira e umidade. A barra offset é perfurada, o que permite deslocamentos laterais com melhor ajuste em diferentes condições de tração. Essas grades são equipadas com um conjunto estabilizador que atua no nivelamento das seções de discos e a barra de tração é ajustável para deslocamento angular da grade. Esse é um exemplo de como os fabricantes de implementos tem se mobilizado para oferecer equipamentos de maior capacidade para atender as novas necessidades da lavoura canavieira objetivando maior rendimento e redução de custos. (FPM)

Implementos de maior capacidade abreviam o trabalho no campo

Mecanização trouxe a ocorrência de novas plantas daninhas, como as cordas de viola

Setor tenta se livrar do enrosco das cordas de viola A mecanização da colheita da cana-deaçúcar trouxe novos desafios não só para as atividades de preparo e manejo do solo, plantio e colheita, mas também no aspecto das plantas daninhas que acabam por competir com a lavoura de cana. Com a eliminação da queima para a colheita manual, novos tipos de plantas daninhas passaram a concorrer e a trazer dificuldades para a cultura de cana em adição às que já anteriormente representavam problemas para a manutenção da cultura. Uma dessas novas plantas oportunistas que tem causado grandes dissabores por ocasião da colheita em diversas regiões são as cordas-de-viola (Ipomoea spp, Merremia spp), plantas que acabam por dificultar a ação das colhedoras por se enroscarem nos cones frontais que dirigem as canas para o interior da máquina, causando sua parada e perda significativa de tempo na operação de colheita, com consequente prejuízo, quando não provocam avarias no equipamento. Em um passado recente, as plantas daninhas conviviam com um ambiente que tinha espaçamentos largos, solos de alta fertilidade, pouca adição de matéria orgânica, ausência de palha sobre o solo, poucos tipos de controle químico e ausência

de espécies exóticas competidoras, além da própria queima da cana. Essas condições foram se alterando paulatinamente, as opções de controle químicos foram ampliadas e a lavoura de cana também passou a ocupar regiões com solos de menor fertilidade e disponibilidade hídrica bem definida, o que acarretou a alteração das espécies de plantas daninhas predominantes. Assim novas espécies competidoras foram surgindo, como as Cordas-de-viola, Cipó-de-São Caetano, Parreira brava, Capim amargoso e até plantas exóticas como Capim-braquiária, Caminhadora e Capim colonião, entre outras. Os fatores básicos que alteraram o manejo das plantas daninhas no corte de cana crua foram a não exposição do solo, ausência da ação da temperatura (queima), presença de cobertura morta (palha) com consequente aumento da possibilidade de controle natural. No entanto, essas mesmas condições reduzem as opções e dificultam a ação de agentes de controle. A manutenção da produtividade na lavoura depende da adequação do sistema produtivo a essa nova realidade. É necessário encontrar soluções adequadas a cada região, utilizando-se das ferramentas de controle natural em adição ao controle químico. (FPM)


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Micronutrientes aumentam a produtividade da cana As unidades sucroenergéticas tem se empenhado para obter ganhos de produtividade na lavoura canavieira. Exemplos dessa dedicação são a escolha de variedades mais adaptadas com maior teor de sacarose e novas modalidades de manejo e adubação, além da crescente mecanização e adoção de ferramentas que permitam uma melhor gestão da lavoura, como a agricultura de precisão. A adubação foliar é uma das técnicas que tem merecido a atenção de agrônomos e técnicos pelos benefícios que traz. Já muito utilizada em outras lavouras, a adubação foliar tem o propósito de fornecer micronutrientes, elementos que são essenciais às diversas atividades metabólicas das plantas e que muitas vezes não estão disponíveis no solo nas quantidades adequadas. Elementos como Boro, Magnésio, Zinco, Enxofre e outros são necessários em pequenas quantidades e sua ausência pode acarretar diversas deficiências na evolução e crescimento das plantas. Esses micronutrientes complementam a adubação convencional que é realizada com os macronutrientes Nitrogênio, Fósforo e Potássio (NPK) proporcionando um crescimento vigoroso e sadio do canavial. O fato de sua aplicação ser feita diretamente nas folhas permite uma rápida absorção pela planta, além de facilitar a aplicação.

O fornecimento complementar de nutrientes proporciona às plantas um pleno crescimento e reforça as defesas naturais contra o ataque de pragas e doenças. Com o aumento do emprego dessa modalidade de fornecimento de

micronutrientes às plantas, estima-se que em 2020 as lavouras canavieiras sejam o maior mercado para os adubos foliares, superando todas as demais culturas. Essa perspectiva se deve principalmente à ampliação das áreas cultivadas nas regiões com solos arenosos,

mais deficientes em micronutrientes, como é o caso da Região Centro-Oeste, que se tornou uma nova fronteira com acelerada expansão para a lavoura de cana-de-açúcar graças a implantação de vários projetos “greenfield” nos últimos tempos. (FPM)


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TECNOLOGIA AGRÍCOLA

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Mecanização pede novos conceitos de manejo A mecanização da colheita de cana-deaçúcar em substituição à queima e sua colheita de forma manual tem proporcionado inegáveis benefícios ao meio ambiente. No entanto, a adoção em larga escala e em curto espaço de tempo dessa nova modalidade de colheita tem trazido novos desafios para os agrônomos e técnicos agrícolas fazendo com que muitas das práticas de manejo e sistematização dos solos tidas como consolidadas há longo tempo necessitem ser revistas face a mecanização. Um desses conceitos que necessitaram de modificações é a própria alocação dos talhões no espaço agrícola, pois com o uso cada vez mais intensivo de máquinas para as atividades de preparo do solo, correção e adubação, plantio e colheita é necessário utilizar um novo tipo de geometria. Os talhões agora necessitam serem de maior comprimento, ou “tiro”, de forma a reduzir o tempo morto na manobra das máquinas ao fim das linhas de cana, pois isso representa perda de eficiência, equivalente a horas paradas dos equipamentos agrícolas. Outra importante questão é a compactação dos solos pelo trânsito agora mais intensivo de máquinas e implementos que acabam por piorar significativamente as condições de permeabilidade dos solos, afetando a disponibilidade hídrica às plantas com consequência negativas também para o seu desenvolvimento radicular. Uma solução para esse problema tem sido usar a técnica de “canteirização” e também os espaçamentos duplos alternados que propiciam um melhor “afastamento” entre os caminhos percorridos pelos equipamentos agrícolas e a linha das plantas, além de proporcionar um aumento da densidade de canas a serem colhidas em uma passagem da colhedora, resultando em maior eficiência operacional e redução no consumo de combustível.

Mecanização traz novos desafios para a lavoura canavieira

Os fabricantes de máquinas e implementos têm sido sensíveis à questão da compactação, desenvolvendo novos projetos que diminuem a pressão na superfície do solo através do uso de materiais rodantes dotados de pneus com características especiais. O nivelamento do solo e das linhas é outro fator a ser levado em conta, pois por mais que hajam dispositivos capazes de copiar as irregularidades de nível, o corte acima do ponto ideal por parte das colhedoras resulta na perda da parte mais rica em sacarose da cana. O corte

abaixo desse ponto, além de poder danificar irremediavelmente a soqueira, contribui para um maior desgaste do conjunto de facas da colhedora, abreviando sua vida útil. Uma ferramenta que tem sido cada vez mais utilizada para enfrentar essas questões, elencadas entre as mais relevantes, tem sido a Agricultura de Precisão, que fazendo uso de técnicas de georreferenciamento, possibilita um controle mais efetivo de todas as operações agrícolas quanto as atividades de preparo do solo, correção e adubação,

plantio e colheita. Essa técnica é ainda mais efetiva se for levado em consideração o grande aumento da área agrícola havido nos últimos anos devido a implantação das novas unidades sucroenergéticas de maior capacidade, assim como a repotencialização das existentes. Trata-se de um trabalho árduo, onde as equipes técnicas das usinas, consultorias e os fabricantes de máquinas tem conseguido através de pesquisas e ideias criativas acompanhar de forma rápida essa evolução. (FPM)


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USINAS

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Bunge é eleita a empresa mais sustentável do agronegócio A Bunge Brasil, uma das principais empresas de agronegócio e alimentos do Brasil, foi eleita pelo Guia Exame de Sustentabilidade 2013 a empresa mais sustentável no setor do agronegócio. A publicação premiou pela primeira vez as empresas por setor de atuação. No total, 184 empresas concorreram, em categorias que envolvem 20 setores do mercado e sete indicadores-chave de sustentabilidade. De acordo com a publicação, um dos destaques da Bunge Brasil é a atuação no setor de biocombustíveis. Em março deste

ano, a empresa inaugurou sua primeira fábrica de biodiesel no Brasil, localizada em Nova Mutum (MT). Para Pedro Parente, presidente da Bunge no Brasil, a empresa tem trabalhado para expandir as chamadas novas fronteiras do País. "Temos sidos pioneiros na instalação de unidades nas novas fronteiras agrícolas". A adição desse combustível renovável ao diesel de petróleo reduz a emissão de gases de efeito estufa. Com investimentos da ordem de R$ 60 milhões, a nova unidade tem capacidade para produzir cerca de 150 mil m³ de biodiesel por ano, e

atende à demanda crescente por esse combustível, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Norte do Brasil. “Valorizar a agricultura familiar e o produtor local faz parte da política da Bunge em todas as suas frentes de atuação no agronegócio. No caso do biodiesel, o programa prevê suporte técnico e a valorização de boas práticas agrícolas, de modo que toda a origem siga o mesmo rigor e critério que adotamos em nossas operações”, afirma Martus Tavares, vicepresidente de Relações Institucionais da Bunge Brasil.

Pedro Parente, da Bunge no Brasil: pioneiros em unidades nas novas fronteiras agrícolas

Usina São Fernando aumenta produção de energia Localizada em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a Usina São Fernando Açúcar e Álcool possui uma área de plantio de 65 mil hectares, que responde pela produção de 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Desde 2010, a usina queima, por ano, 1,3 milhão de toneladas de bagaço da cana-de-açúcar nas caldeiras, gerando 120 mil megawatt/hora. Considerada como o maior PIEProdutor Individual de Energia do Mato Grosso do Sul e o quarto maior do Brasil, a São Fernando decidiu dobrar sua produção energética no final do ano passado. Sem ampliar a área de cultivo ou comprar bagaço no mercado, a estratégia encontrada pela usina foi o aproveitamento da palhada, cujo poder calorífico pode chegar ao dobro do bagaço de cana. Em média, são produzidas 16 toneladas de palhada por hectare, somando até 120 mil toneladas em toda área cultivável. “Por hectare, nós retiramos seis toneladas de biomassa. Optamos por esse parâmetro para evitar impurezas que possam danificar os equipamentos envolvidos no processo de manejo da palhada”, explica o superintendente da unidade, Paulo Escobar. Para viabilizar o aproveitamento desta biomassa nas caldeiras, a São Fernando

investiu na aquisição de um triturador HG6000E da Vermeer. Escobar comenta que já foram triturados 55 mil fardos prismáticos, com 20% de umidade, além de 53 toneladas de madeira de eucalipto e 24 toneladas de cavacos pré-triturados. Ele acrescenta que a granulometria é outro ponto importante, já que os fragmentos

produzidos têm entre 5 e 7 cm, favorecendo o processo de combustão. “Com o uso da palhada, nossa expectativa é encerrar 2013 com uma produção adicional de 120 mil megawatt/hora, com a queima desta biomassa”, reflete Escobar. De acordo com o superintendente, a usina já obteve o

retorno do investimento (ROI) do triturador. “Considerando que a palha tem o dobro do poder calorífico e um custo de R$ 70,00, por tonelada, para recolher, enfardar, transportar e triturá-la, contra R$ 85 para efetuar o mesmo processo com bagaço, o investimento no HG6000E já se pagou”, compara o executivo.


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OS MAIS INFLUENTES DO SETOR OS MAIS INFLUENTES DO SETOR

Mais influentes na área política: Mônika Bergamaschi, Mais influentes na área política: Arnaldo Jardim, deputado federal

secretária de agricultura e abastecimento do Estado de São Paulo

MasterCana Brasil destaca os ‘Mais Influentes do Setor’ ANDRÉ RICCI,

DE

SÃO PAULO

Mais de 200 pessoas ligadas ao setor sucroenergético estiveram reunidas em 21 de outubro, em São Paulo, capital. O motivo foi a realização do Prêmio MasterCana Brasil, que destacou, além dos ‘Mais Influentes do Setor’, unidades e grupos produtores que fizeram a diferença ao longo do ano. Mauro Moratelli, gerente comercial da TGM, ressaltou a importância do setor sucroenergético no país, assim como a necessidade em reconhecer o trabalho desenvolvido. “A TGM nasceu em 1991 em função de uma necessidade do mercado de açúcar e álcool. Costumo dizer que viemos deste setor e temos muito orgulho e paixão por isso. Participar do MasterCana é um reconhecimento da TGM para um segmento tão importante para o país”. Paulo Leal, presidente da Feplana - Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, um dos laureados, lembrou da força da ProCana Brasil, empresa que realiza o Prêmio

MasterCana. “É preciso ressaltar a importância do JornalCana e também do MasterCana. São anos de luta por este segmento de energia limpa e renovável. Todos os colaboradores da ProCana Brasil, que são dedicados a este setor, estão de parabéns. Nós, fornecedores de cana, precisamos de pessoas que publiquem o que

nós fazemos. Temos vocês como um grande centro de lançamento das nossas ideias e ações”, disse. Maurício Moises, diretor comercial na HPB Simisa, também lembrou da grandeza do evento. “O MasterCana é um grande encontro com os principais executivos do segmento. Estar aqui significar projetar nossa empresa e prestigiar

nossos clientes, que no caso, são as usinas”. E 2013 foi um ano especial para o evento. Isso porque a premiação bateu recorde nas inscrições de cases, onde mais de 30 usinas e grupos produtores enviaram seus trabalhos. “É fundamental estar presentes neste evento, onde líderes do segmento estão reunidos. Somos uma empresa de tecnologia e nos momentos de dificuldades são necessárias novas saídas. É isso que procuramos apresentar ao mercado”, explica Marcelo Maia, diretor comercial da Prosugar. Quem também esteve presente foi Fábio Rogério Zanfelice, diretor presidente da CPFL Brasil, que lembrou da importância em se realizar um bom trabalho num período econômico ruim. “O Prêmio reconhece os destaques do setor sucroenergético e oferece a oportunidade de conhecermos quem realmente está na ponta em termos de tecnologia e gestão das empresas. É fundamental ressaltar as ações das empresas neste momento conturbado, que serão importantes para superá-lo”, finalizou.

Líderes avaliam safra dentro e fora do campo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag, participou do Prêmio MasterCana Brasil, em São Paulo, realizado em 21 de outubro. Na ocasião, o representante fez uma análise da safra 2013/14, que ao menos no Centro-Sul, caminha para o seu final. Sobre a questão de produtividade, Caio, como também é conhecido, diz que as chuvas fora de época, como no outono e no inverno, aumentaram a quantidade de cana disponível para corte, mas derrubou a qualidade da matéria-prima. “A safra 2013/14 tem sido muito complexa. Do ponto de vista climático foi positivo. Corríamos o risco de ter uma quebra importante caso elas as chuvas não viessem. O problema é que a qualidade da cana não está boa e isso ainda faz com que os custos se mantenham elevados”, observou.

Já sobre os mercados dos principais produtos do setor, ele avalia. “Como há excedentes de açúcar o tempo todo, o preço se manteve baixo ao longo do ano, praticamente no nível dos custos. O álcool todos sabemos que vem sofrendo com os preços da gasolina, que não são corrigidos como deveriam. Tudo isso levou ao aumento do endividamento por parte das usinas”. Por fim, Caio voltou a reiterar o descaso por parte do governo, que, segundo ele, não se importa com o setor sucroenergético. “Não temos nada a comemorar neste quesito. Quando um setor é considerado prioritário pelo governo, de alguma forma ele é atendido. Este setor, para este governo, não é e nunca foi prioritário. Minha maior preocupação agora é este período de transição entre uma safra e outra, já que vai ser difícil suportar

mais um ciclo sem margens”, afirmou. André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, também esteve no evento e concorda que faltam ações políticas para o segmento deslanchar. “O setor tem feito seu papel, mas só agora apareceram linhas de financiamento para a renovação de canaviais, por exemplo. Ainda falta muito por parte do governo. Vemos no resto do mundo os governos incentivarem a energia verde, com subsídios e isenção de impostos. É preciso valorizar as externalidades do segmento. Tudo tem que ser levado em conta”, disse. Por fim, lembrou que os aumentos nos custos, em muitos casos, são incontroláveis para o setor. “O governo nos cobra uma redução de custos sendo que grande parte dos encargos nós não temos controle”, finalizou. (AR)

André Rocha: subsídios e isenção de impostos para o setor


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LAUREADOS DO MASTERCANA DESEMPENHO

ESTRATÉGIA E GESTÃO — GRUPO LINCOLN JUNQUEIRA, representado por Antonio Lemes Rigolin, diretor administrativo financeiro e Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial. Em comparativo realizado pela ProCana Brasil com 28 grupos produtores, a partir dos balanços publicados e dados de moagem apurados no exercício de 2012, o Grupo Lincoln Junqueira destaca-se no topo do ranking de performance econômica entre as usinas brasileiras.

GESTÃO ADMINISTRATIVA: USINA SÃO JOSÉ DA ESTIVA, representada por Nilton José Andreoti Filho, diretor financeiro e Nilton Zago, supervisor de custos e orçamentos. A Usina Estiva desenvolveu um Sistema de Indicadores de Desempenho baseado no Balanced Scorecard, que estabelece um elo entre sua Política da Qualidade, seus objetivos e indicadores.

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DE TELECOMUNICAÇÕES: USINA GUAÍRA, representada por Renato Moraes Martins, gerente de informática - Adriano Martins Peres, gerente de controle automotivo. A Guaíra conta com diversos sistemas integrados ao SAP, tais como, gestão de pessoas controle de processos, planejamento e estratégia, manutenção, apontamentos no campo via Palm/GRPS, e controle operacional e rastreamento via web, dos equipamentos, dentre outros.

RESPONSABILIDADE SÓCIO-EMPRESARIAL: USINAS ITAMARATI, representada por Cínthia Xavier Martins de Lima, gerente de RH. O pensamento da UISA é garantir que as comunidades tenham melhores condições de vida e que as gerações futuras possam transformá-las numa sociedade mais justa e equilibrada. E o Público alvo é Crianças, Adolescentes e Mulheres.

GESTÃO DE PESSOAS: RAÍZEN ENERGIA, representada por Luís Carlos Veguin, Diretor de Recursos Humanos. Composta por 24 unidades produtoras, a Raízen possui as mais conceituadas práticas de gestão de pessoas e acredita na importância da qualificação de mão-de-obra. Em 2012, a empresa inovou inaugurando o Núcleo Móvel de Formação, montado sobre uma carreta, com sala e bancadas para aulas práticas e teóricas e equipamentos de última geração.

SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO: RAÍZEN, representado por Juliano Prado, diretor administrativo e de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Na área de produção de Etanol, Açúcar e Bioenergia, a Raízen reduziu em 60% o número de acidentes com afastamento de funcionários e contratados na safra 12/13, e até o mês de setembro de 2013, já contabilizou um decréscimo adicional de 33% em relação aos acidentes do ano anterior.


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TECNOLOGIA AGRÍCOLA: USINA GUAÍRA, representada por Paula Junqueira da Motta Luiz, assessora da Diretoria. Agricultura de precisão: GPS em 100% do plantio e na colheita, que há 05 safras é 100% mecanizada crua. Aplicação de corretivos de solo em taxa variável, equipamentos de alta tecnologia, contribuindo no aumento da produtividade, com Apontamento de operações via GPRS.

MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: USINAS ITAMARATI, representada por Jarí de Souza, gerente de CCT. O destaque da mecanização agrícola, do CCT, tem sido seus rendimentos, otimização da estrutura e redução dos custos. Destaca-se o consumo de 1,70 litros de diesel por tonelada colhida, envolvendo colhedora + trator e transbordos; e custos do CCT de R$ 21,74/tonelada.

EFICIÊNCIA INDUSTRIAL: USINA PITANGUEIRAS, representada por João Henrique de Andrade - Diretor Industrial e Administrativo - Gilmar Galon, Gerente Industrial. Alguns indicadores alcançados pela Pitangueiras: eficiência industrial (ART): 92,51%; disponibilidade industrial (tempo): 95,51%, redução de custos com insumos: 27,41%, retenção fábrica açúcar branco (sim): 78,32%.

CONSERVAÇÃO E REUSO DA ÁGUA: USINA RIO PARDO, representada por Carlos Alberto Caserta, gerente industrial. O consumo de água na Rio Pardo é de 480 litros de água por tonelada de cana, contra 610 litros/tc na safra anterior. Os equipamentos implantados e utilizados para a conservação e o reuso da água são: condensador evaporativo; turbina de condensação; concentrador de vinhaça e concentrador de caldo na evaporação.

TECNOLOGIA NA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR: USINA SÃO JOSÉ DA ESTIVA, representada por Roberto Holland, superintendente geral e Fúlvio Fiorin, gerente de produção. A São José da Estiva está investindo em filtros, evaporadores, cozedores visando a melhoria na qualidade do açúcar, previsão de fechar a safra com estes indicadores: recuperação da fábrica açúcar: em 85% e perdas indeterminadas: abaixo de 1%; cor do açúcar VHP de 200 Icumsa, com redução de insumos e eliminação da flotação do xarope.

AUTOMAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS: USINA SÃO JOSÉ DA ESTIVA: Roberto Holland, superintendente geral e Edgard Sakamoto Tsunoda, gerente de manutenção industrial. A Estiva realiza o gerenciamento de sua planta produtiva (95%) de forma on-line (tempo real) através de um “portal”, onde é possível consultar diversas variáveis que influenciam na qualidade dos produtos e na estabilidade da indústria, sendo que as decisões podem ser tomadas em um tempo muito menor, sem a necessidade de um COI.


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PATROCÍNIO MASTER

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – 25 ANOS DO JORNALCANA: Antonio

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – EMPRESÁRIOS PRODUTORES: João

Celso de Andrade, Wagner Moraes, Assis Gonçalves, Fernando Barbosa,

Henrique de Andrade, Eduardo Junqueira da Motta Luiz, Eduardo Farias,

Octávio Valsechi, José Pessoa de Queiroz Bisneto, Luiz Custódio Martins e

Carlos Lacerda Beltrão, Cintia Ticianeli, Antônio Ruette, Antonio Tonielo, José

Marcelo Guerra

Ribeiro de Mendonça, João Nicolau Petroni e Otávio Lage Filho

HPB Simisa Maurício Jorge Moisés, diretor comercial da HPB Simisa

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – EXECUTIVOS: Paulo Kronka, Juliano

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – MERCADO: Meroveu Costa, Adão José

Prado, Jacyr da Costa Filho, Luis Carlos Veguin, Paulo Mendes Passos, Luiz

Stape, Luiz Carlos Correa de Carvalho e Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo

Eduardo Cintra, Ricardo Steckelberg e Sylvio Nóbrega Coutinho

TGM Mauro Moratelli, gerente comercial da TGM

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – INDÚSTRIA: Guilherme Prado, Guilherme

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – TECNOLOGIA: Maurício Moisés,

Leira Filho, Gilmar Galon, Hélio Belai, Antonio Carlos Viesser e Rogério Perdoná

Oswaldo Alonso, Jaime Finguerut e Marcos Landell

Prosugar Meroveu Costa, diretor técnico

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – ENTIDADES E GRUPOS PROFISSIONAIS:

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – FORNECEDORES DE CANA:

Erotides Gil Bosshard, José Darciso Rui, Leila Alencar, Cândido Carnaúba, Carlos

Alexandre Andrade Lima, Gerson Carneiro Leão, Ismael Perina, Manoel

Roberto Silvestrin, Celso Torquato Junqueira Franca e Mário Marcio

Ortolan e Pauo Leal

PATROCÍNIO STANDARD

CPFL Brasil Fábio Rogério Zanfelice, OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES DE

OS MAIS INFLUENTES DO SETOR – FORNECEDORES MAIS INDICADOS:

PRODUTORES: Miguel Rubens Tranin, André Rocha, Edmundo Coelho

FMC Agricultural Products, Ronaldo Pereira, CPFL Energia, representada

Barbosa, Maria Luiza Barbosa, Mario Filho, Renato Cunha, Jorge dos

por Ariovaldo Branco e Fabio Rogério Zanfelice, SCA Etanol do Brasil,

Santos, Adhemar Altieri, Roberto Hollanda Filho e Antonio de Pádua

representada por Herbert Conde Cancella e Syngenta, representada por

Rodrigues

Daniel Bachner

diretor presidente


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FLASHES MASTERCANA FLASHES MASTERCANA


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Etanol celulósico vai da promessa à realidade Foi inaugurada, no início de outubro, em Crescentino na Itália, a primeira planta de etanol de segunda geração (2G), em escala comercial, no mundo. Sua capacidade de projeto é de 78.000m3 ano à partir de resíduos agrícolas (palhas de trigo e arroz) e biomassa local. A tecnologia utilizada, denominada PROESA™, foi desenvolvida pela Biochemtex: braço de engenharia do grupo italiano Mossi Ghisolfi, que possui mais de 60 anos de história e tem na inovação tecnologica a chave de seu sucesso e crescimento. Hoje Mossi Ghisolfi é a segunda empresa química italiana em faturamento, com negócios no mundo todo, inclusive Brasil. O processo contempla a utilização de muitas tecnologias inovadoras, mas o fascinante é a simplicidade das soluções adotadas. A planta é flexível em relação à biomassa, não utilizando produtos químicos no processo, realizando sacarificação enzimática e fermentação simultâneas (SSF). Pentoses e hexoses são fermentadas simultaneamente produzindo etanol anidro e lignina. A lignina, possui umidade inferior a 50%, sendo utilizada como combustível em caldeiras convencionais. O seu potencial calorífico garante a autossuficiência energética da planta. Beta Renewables, empresa formada por: Biochemtex, Texas Pacific Group (TPG) e Novozymes é a detentora da tecnologia PROESA™. Beta, já licenciou

Laboratório de análises do etanol de segunda geração na Itália

PROESA™para a GranBio, que está construindo a primeira planta comercial 2G no Brasil em Alagoas, junto à Usina Caeté (veja mais nas páginas 60 a 62). A tecnologia 2G é uma grande oportunidade para o setor sucroenergético, e não pode deixar de ser analisada nos

planos estratégicos das empresas, como uma opçao real. O potencial de agregação de valor é muito grande e o rendimento da tecnologia é excepcional: 35 a 40l adicionais de etanol anidro/TC. Considerando todo potencial energético da cana (sobra de

bagaço e excedente da palha) os custos de produção são cerca 20% inferiores ao custo do etanol 1G. O que era uma promessa, hoje é realidade. O etanol celulósico deve ser o precursor de uma nova era para nosso setor.


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Estudo prova que E15 não danifica os motores dos carros nos Estados Unidos A RFA- Associação de Combustíveis Renováveis em parceria com o NRELLaboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos, anunciaram em 15 de outubro último, resultados de um estudo que mostra que não há praticamente nenhuma diferença entre E15 e E10 - 15% e 10% de mistura de etanol na gasolina respectivamente - em qualquer resultado na performance dos automóveis, e nem prejudica seus motores. O estudo refuta resultados anteriores feitas pelo CRC- Conselho de Pesquisa e Coordenação dos Estados Unidos, que previam que os carros iriam experimentar uma falha de motor quando estivessem operando com E15.

"A conclusão anterior que os motores iriam falhar com o E15 não foi comprovado pelos nossos dados ", diz o relatório. A NREL avaliou os efeitos do E15 em carros fabricados a partir de 2001 e foi constatado que veículos mais novos estão bem equipados para se adaptar ao teor de etanol em ambos os E10 e E15. Este estudo, de acordo com especialistas, além de demonstrar a eficácia do E15 é um ponto a favor dos defensores dos biocombustíveis na guerra com as refinarias americanas, que continuam a fazer propagandas enganosas para desmoralizar altas concentrações de etanol na gasolina.

Algenol pode ser aliada na produção de etanol no Brasil A empresa de biotecnologia que usa microalgas para produção de etanol, Algenol, estuda a possibilidade de vir para o Brasil em parceria com Edmundo Coelho Barbosa, presidente executivo do Sindalcool — Sindicato da Industria de Fabricação de Álcool do Estado da Paraíba. A tecnologia patenteada pela empresa, usa microalgas geneticamente modificadas dentro de uma câmara clara numa solução de água do mar, que atravéz do processo de fotossíntese quebra as moléculas de dióxido de carbono para produzir o biocombustível. Considerada no mercado americano como uma das novas soluções para a alta demanda dos próximos anos por biocombustíveis, a tecnologia de algas pode também fazer parceria com as usinas

brasileiras de etanol de primeira geração, e ser aliada na eliminação do CO2 decorrente da fermentação. De acordo com Barbosa, a produção de etanol através do processo desenvolvido pela Algenol é uma opção de avanço tecnológico para o Brasil. "A utilização dessa tecnologia deverá ser adotada como um meio complementar, pelas usinas e destilarias, para maior obtenção de seus investimentos, e a ANP já manifestou receptividade à ideia", afirma. Paul Woods, fundador e presidente da Algenol disse estar muito satisfeito com a possível vinda da Algenol ao Brasil. "Nós temos trabalhado em parceria com Edmundo por mais de um ano e esperamos levar a Algenol ao Brasil em breve com sua ajuda", disse.

Paul Woods, fundador e presidente da Algenol


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“Pré-sal” do setor começa a ser explorado em 2014 GranBio inaugurará unidade e dará início à produção comercial de etanol de 2ª geração no Brasil RENATO ANSELMI, FREE

DE

LANCE PARA O

CAMPINAS, SP

JORNALCANA

Por volta do ano de 2005, muito já se falava que a tecnologia para a produção do etanol de segunda geração estaria disponível para o mercado em cinco anos. Em 2006, a mesma estimativa também era anunciada, por exemplo, em palestras e debates. Nos anos seguintes, a história se repetia. O tempo passava e a duração desse “quinquênio” era sempre esticada. Estava até parecendo que iria ser prolongado por muitos anos. Afinal, não é tão simples assim resolver gargalos para fabricar esse biocombustível – conhecido também como etanol 2G ou etanol celulósico – a um preço competitivo. Após a superação de diversos desafios, a tecnologia para a exploração do pré-sal do setor sucroenergético brasileiro, como já chegou a ser denominada essa descoberta, será lançada no próximo ano. O “quinquênio” que precede o surgimento do etanol 2G no Brasil está prestes a acabar. Quem vai dar a largada nessa corrida é a

Estação Experimental da GranBio Biovertis: pelotão de frente, na largada

GranBio, uma empresa de biotecnologia 100% brasileira, controlada pela Gran Investimentos S.A., holding da família Gradin. Fundada em 2011, a companhia nem participou das discussões, a partir dos meados da década passada, sobre o futuro do etanol de segunda geração no Brasil. Mas, “pensou” e agiu rápido. A GranBio anuncia para o primeiro trimestre de 2014 o início das operações de sua primeira fábrica de etanol celulósico que está sendo construída em São Miguel dos Campos, AL. A unidade vai ter capacidade de produção nominal de 82 milhões de litros por ano. A meta da empresa é investir no mínimo R$ 4 bilhões, até 2020, que serão aplicados na construção de fábricas, no desenvolvimento de matéria-prima e tecnologia. A empresa fechou parceria com o

BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que realizou um aporte de R$ 600 milhões na GranBio. Com isso, tornou-se acionista minoritário da empresa, com 15% do capital total da companhia, O cronograma da GranBio prevê para os próximos dez anos a construção de pelo menos uma fábrica de etanol de segunda geração por ano. As novidades não vão parar aí. A Petrobras pretende implantar em 2015 a sua unidade de etanol 2G em uma usina de primeira geração, buscando sinergias em utilidades, como vapor e energia elétrica, além de avaliar um conjunto de equipamentos comuns, de acordo com João Norberto Noschang Neto, gerente de gestão tecnológica da Petrobras Biocombustível. “Os estudos de viabilidade técnica e

econômica irão apontar o melhor local para a unidade”, afirma João Norberto. Atualmente, o projeto da Petrobras encontra-se em fase de engenharia. A maior sucroalcooleira do país, a Raízen, também está se movimentando para colocar em funcionamento a sua unidade comercial de produção de etanol 2G, que será integrada à Usina Costa Pinto, de Piracicaba, SP. A unidade terá capacidade anual de produção de 40 milhões de litros de etanol de segunda geração. Para esse empreendimento, que será concluído em dois anos – a partir do segundo semestre de 2013 –, o grupo conta com um financiamento de R$ 207,7 milhões, que foi aprovado em setembro pelo BNDES. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) está programando o lançamento da sua primeira planta comercial de etanol celulósico para 2016, informa Robson Freitas, vicepresidente de novas tecnologias da empresa. Uma planta de demonstração da tecnologia do CTC vai iniciar operação em junho de 2014 na Usina São Manoel, localizada no município do mesmo nome no estado de São Paulo. “Estamos em obras civis e as bases dos tanques já estão prontas. Em seguida vem a etapa de montagem eletromecânica”, diz. Com a realização e avaliação de testes que estão sendo realizados em planta piloto, a Odebrecht Agroindustrial também está se preparando para a produção comercial do etanol 2G.


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Protagonistas de espetáculo tecnológico criam próprio roteiro Empresa fez parceria com a BetaRenewables, detentora da tecnologia Proesa, utilizada na fábrica de etanol 2G de Crescentino, na Itália Unidades de etanol de segunda geração em profusão compõem o novo cenário da tecnologia no Brasil, que começou a ser desenhado, de maneira mais clara, com os debates, ensaios e pesquisas desenvolvidas na década passada. Com prazo alongado ou não – dependendo da expectativa criada –, o tempo do etanol 2G chegou. Cada protagonista desse novo espetáculo tecnológico, que está sendo proporcionado pelo setor sucroenergético, criou o seu próprio roteiro. A GranBio, por exemplo, fez uma importante parceria com a BetaRenewables, empresa que é detentora da tecnologia Proesa, utilizada na primeira fábrica de etanol 2G do mundo, inaugurada em outubro, em Crescentino, na Itália. A GranBio escolheu a Proesa, porque é o pré-tratamento – segundo a empresa – mais maduro do mercado. Entre suas vantagens estão a flexibilidade para usar diferentes tipos de biomassa, sem

Estação Experimental da GranBio Biovertis: cana energia é foco principal

dificuldade de modificação do equipamento, alta taxa de recuperação de celulose e hemicelulose e a facilidade de controle de PH e temperatura. O processo simplifica a etapa de prétratamento para a conversão da biomassa em açúcar industrial, abrindo espaço para as fases seguintes: hidrólise enzimática, com objetivo de quebrar a celulose em moléculas de açúcar simples, e fermentação, para transformação do açúcar em etanol celulósico. Engenheiros da GranBio estão acompanhando de perto a planta italiana

que funciona como um campo de provas para a empresa brasileira. Apesar de características semelhantes, a unidade de São Miguel dos Campos terá algumas diferenças em relação à fábrica de Crescentino. A principal delas está relacionada à matéria-prima utilizada. A fábrica italiana produz etanol celulósico a partir do arundo donax, uma gramínea parente da cana-de-açúcar, e também da palha de trigo. A GranBio iniciará sua produção com palha e bagaço de cana-de-açúcar e, posteriormente, utilizará também a cana-

energia, variedade que possui elevada produção de fibra e baixo teor de açúcar. Batizada de Cana Vertix, essa canaenergia é um dos principais focos do trabalho da Estação Experimental da GranBio, inaugurada em maio deste ano em Barra de São Miguel, AL. A estação desenvolverá também outras fontes de biomassa para futuras unidades industriais da empresa. A empresa possui ainda no Techno Park, em Campinas, SP, um laboratório de pesquisas de biologia sintética para o desenvolvimento de leveduras brasileiras. A GranBio fez acordo também com a Biochemtex – empresa pertencente ao grupo italiano Mossi&Ghisolfi – que desenvolve equipamentos críticos de prétratamento de biomassa. A Beta Renewables – proprietária da biorrefinaria de Crescentino – é uma “joint venture” entre a Biochemtex, o fundo americano TPG (Texas Pacif Group) e a empresa dinamarquesa Novozymes. Outras parcerias foram feitas pela GranBio com a holandesa DSM que desenvolve leveduras, a Novozymes que fornece enzimas, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na área de pesquisa básica de microrganismos e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) para a realização de pesquisas de variedades de cana. (RA)


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Etanol 2G da Petrobras já abasteceu frota de minivans na Rio+20 Tecnologia apresenta maturidade adequada para implantação de projeto voltado à fabricação do produto em escala industrial A tecnologia de etanol de segunda geração da Petrobras propiciará o uso mais eficiente do bagaço e da palha de cana e possivelmente poderá ser empregada para a conversão de outros subprodutos agrícolas, afirma João Norberto Noschang. O gerente de gestão tecnológica da Petrobras Biocombustível destaca ainda que a tecnologia contribuirá para o atendimento da demanda por etanol e criará condições para a ampliação da produção desse biocombustível sem necessidade de aumento da área plantada de cana- de-açúcar. As pesquisas da Petrobras para

desenvolvimento de etanol de segunda geração foram iniciadas em 2004. “Desde então, houve uma evolução consistente da tecnologia em parceria com instituições científicas e empresas de tecnologia nacionais e internacionais”, ressalta. Segundo ele, a tecnologia apresenta atualmente maturidade adequada para um projeto em escala industrial. João Norberto Noschang considera os resultados obtidos, até agora, bastante satisfatórios. A Petrobras já produziu 80 mil litros de etanol de segunda geração em planta de demonstração e alcançou rendimento de 300 litros por tonelada de bagaço seco. Esse produto apresentou a mesma qualidade do etanol convencional obtido a partir do caldo da cana, afirma. A fabricação do etanol 2G em demonstração possibilitou que o produto fosse utilizado pela primeira vez no Brasil em junho do ano passado, em uma frota com 40 minivans que transportou conferencistas durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada no Rio de Janeiro. (RA)

João Norberto Noschang Neto, da Petrobras Biocombustível: busca pelo melhor local

Robson Freitas: expectativa de grande adesão

Meta é produzir biocombustível com custo operacional competitivo Uma meta comum entre as empresas que estão desenvolvendo a tecnologia para fabricação do etanol 2G é obter um produto com um custo operacional competitivo em relação ao de primeira geração. Para isto, o Capex (sigla da expressão inglesa capital expenditure, que significa, em português, despesas de capital ou investimento em bens de capital) e o Opex (sigla de operational expenditure, que significa despesas operacionais) têm que ser bastante reduzidos, observa Robson Freitas, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). “Um dos principais custos na

fabricação do etanol celulósico são as enzimas que ainda estão muito caras”, constata. Segundo ele, até 2016, quando será lançada a tecnologia, o etanol 2G terá custo similar ao de primeira geração. “Estamos confiantes que uma boa parte das usinas nacionais, principalmente as de médio e grande portes, irão adotar a tecnologia de produção do etanol celulósico”, observa. Robson Freitas acredita também que as novas unidades produtoras de açúcar e etanol de primeira geração que forem construídas a partir de 2016 já incorporarão a tecnologia para fabricação do etanol 2G.(RA)


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Empresas dão atenção especial ao uso do aço inoxidável FULVIO P INHEIRO M ACHADO, C ONSULTOR

DO

DE

S ÃO C ARLOS, SP

J ORNALCANA

Com o uso cada vez mais frequente de aços inoxidáveis nas usinas sucroenergéticas é importante contar com uma fonte de fornecimento especializada capaz de indicar o material mais adequado para cada aplicação. Empresas especializadas na distribuição de matérias-primas em aço inoxidável costumam oferecer aos seus clientes assistência técnica para aplicações nas usinas sucroenergéticas através de equipes especializadas. Uma destas empresas é a Jatinox, que esteve presente no recente 14° SBA realizado em Ribeirão Preto-SP. Conta com certificação de qualidade ISO 9000 e fornece linha de materiais em aços inoxidáveis planos, como bobinas e chapas e também não-planos como barras, perfis e tubos em vários tamanhos espessuras e acabamentos. “Com o conhecimento tecnológico, adquirido ao longo de mais de quatro décadas de atuação no mercado, indicamos a melhor forma de se aplicar os diferentes tipos de aço inoxidável em locais onde o aço carbono apresenta pouca durabilidade por ação da corrosão e abrasão, como, por exemplo, nas esteiras de transporte dos setores de recepção e extração de cana, ou nos dutos de gases das caldeiras, sujeitos a alta umidade e temperatura”, observa José Roberto de Andrade, gerente de Desenvolvimento de Mercado da empresa. “Nesses, e em outros casos, o uso de aço inoxidável proporciona maior vida útil com consequente redução nos custos de reposição ou reforma de equipamentos, aumentando a rentabilidade da indústria”, complementa Andrade. Os técnicos especializados da empresa estão aptos a indicar e informar os melhores procedimentos para que seus clientes possam aplicar adequadamente os diversos tipos de aço inoxidável, visando uma maior durabilidade de equipamentos e menores custos de manutenção. Para o fornecimento de materiais, a empresa conta com equipamentos em seu centro de serviços para desbobinamento e corte transversal, corte longitudinal (slitter), corte em blanques, corte a plasma e corte com guilhotina.

José Roberto de Andrade: aço inoxidável teve alto desenvolvimento tecnológico


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Técnicas de limpeza para a evaporação recebem atualização Nas usinas sucroenergéticas a limpeza da evaporação é sempre um tema relevante. As incrustações nos tubos que ocorrem durante o processo necessitam uma remoção periódica para que o coeficiente de troca térmica se mantenha elevado, evitando assim a queda de concentração de sacarose e um consumo adicional de energia tanto nos evaporadores do múltiplo-efeito como nos cozedores. Nivaldo Carlos Ferreira da Raízen, em recente palestra no 14° SBA realizado em Ribeirão Preto-SP, abordou o tema “Limpeza de Evaporadores”, falando a princípio sobre os estudos realizados ao longo dos anos por diversos pesquisadores que determinaram a natureza das substâncias que compõem as incrustações e quantificaram a presença desses compostos ao longo das caixas de um múltiplo-efeito. Segundo explicou Ferreira, no passado, o método de limpeza adotado era do tipo mecânico, constituído de uma roseta rotativa que era introduzida no interior de cada tubo para retirar as incrustações. Esse método apesar de bastante simples e econômico, tinha a desvantagem de necessitar de muita mão de obra, possibilidade de causar danos aos tubos, requerer manutenção elevada devido ao desgaste dos equipamentos e a obrigatoriedade de instalações de segurança devido aos operadores trabalharem em espaço confinado.

Nivaldo Carlos Ferreira, da Raízen: limpeza de evaporadores deve ser rotineira na indústria

Atualmente o método mais empregado de limpeza mecânica faz uso do hidrojato, que é a limpeza das incrustações por bicos rotativos que jateiam água em alta pressão nas paredes dos tubos, alimentados por bombas especiais de até 1000 bar. Os equipamentos mais modernos de hidrojateamento são dotadas de dispositivos de segurança que evitam que a mangueira escape das mãos dos operadores, o que poderia causar acidentes. Em relação ao sistema de rosetas, apresenta a vantagem de não causar desgaste na tubulação e ter uma eficiência satisfatória, mas tem um custo inicial mais elevado e as mesmas necessidades de mão de obra e abertura de equipamento a cada operação de limpeza além dos requisitos de segurança aplicáveis a espaços confinados. Uma outra opção que tem uso crescente, principalmente com a instalação de evaporadores de película descendente é a limpeza química, onde a principal substância utilizada é a soda caustica. Esse método já é empregado em diversos segmentos industriais e apresenta resultados variados, dependentes de região e natureza do caldo de cana. Esse sistema, muito embora tenha custo mais elevado, evita a abertura do equipamento a cada operação e não há trabalho em espaço confinado. Na atualidade, frequentemente é utilizado em conjunto com o hidrojato, no caso de incrustações mais resistentes. (FPM)


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Aplicações de aços inoxidáveis se multiplicam Novas aplicações para as usinas tem sido desenvolvidas utilizando aços inoxidáveis, de tal forma que o uso desse material não mais se restringe aos usos tradicionais, ampliando consideravelmente sua participação na construção de novos equipamentos e na reforma daqueles já existentes. São definidos como aços inoxidáveis aqueles com percentual máximo de 1,2% de carbono, um mínimo de 10,5% de cromo e outros elementos de liga. A camada passiva de óxido de cromo que se forma na sua superfície de maneira natural e contínua proporciona proteção duradoura contra a corrosão. Juntamente com o cromo, o níquel é essencial na fabricação dos aços inoxidáveis austeníticos, muito utilizados por apresentarem excelente resistência à corrosão, soldagem e conformação. Esses materiais são fornecidos pela Aperam, que é a única empresa situada na América Latina a produzir uma variada gama de aços inoxidáveis em suas plantas industriais localizadas em Timóteo-MG, Ribeirão Pires-SP e Montevidéu no Uruguai. Criada em 2011, como resultado do desmembramento do setor inox da ArcelorMittal, a Aperam atua globalmente na produção de aços inoxidáveis, especiais elétricos e ligas de níquel, com uma capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de aços planos inoxidáveis em suas plantas industriais localizadas no Brasil, França e Bélgica. A Aperam disponibiliza para o segmento sucroalcooleiro aços inoxidáveis planos e tubos ferríticos, também conhecidos como linha KARA, e austeníticos, com elevado desempenho. As novas aplicações dos aços inoxidáveis no setor sucroenergético tiram proveito desse material ser mais resistente à abrasão e a corrosão, condições que se apresentam de forma intensa na produção de açúcar e etanol e que degradam

Construção em aço inoxidável dos dutos posteriores em caldeiras

rapidamente o aço carbono, material comumente utilizado na construção dos equipamentos presentes na indústria. Um exemplo é a recente aplicação do aço inoxidável 317L na construção de colunas de sulfitação em pregadas na fabricação de açúcar branco, que demonstrou ser 4 vezes mais resistente à corrosão quando comparado ao aço carbono e também apresentar uma maior durabilidade quando comparado ao tradicional aço inoxidável 316. Ao longo dos anos, com o surgimento de novos tipos de aço inoxidável, como os

da série 400 e outros, mais competitivos, a diferença de durabilidade se impôs, pois esse material confere maior vida útil e menor necessidade de manutenção, o que a longo prazo se traduz em um ganho em relação aos materiais de menor preço, mas também menos duráveis, como é o caso do aço carbono. A Aperam tem colaborado nessa evolução ao realizar estudos minuciosos para novas aplicações que demonstram sob o ponto de vista técnico e econômico a viabilidade do emprego dos inoxidáveis em substituição ao aço carbono nos

diversos setores produtivos das usinas de açúcar e etanol ampliando consideravelmente sua vida útil e reduzindo as necessidades de manutenção. Essas novas aplicações se estendem desde os condutores de cana e mesas alimentadoras no setor de recepção, preparo e extração de caldo, passando por feixe tubular, espelhos e corpo em evaporadores, cozedores, condensadores e multi-jatos, colunas de sulfitação e até os dutos posteriores e lavadores de gases nas caldeiras. (FPM)


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CT-140 mostra a evolução das centrífugas de alta vazão Alcançar uma alta produtividade com máxima eficiência é o objetivo das modernas destilarias para a produção de etanol. A eficiência na recuperação das leveduras usadas no processo de fermentação depende das características operacionais das centrífugas empregadas e é um dos fatores determinantes para se obter bons resultados. Lançada em 2012, a centrífuga CT140 da EBS devido a sua qualidade e características que conferem um elevado desempenho operacional se tornou rapidamente um sucesso. A CT-140 foi projetada e é fabricada visando atender a demanda das modernas usinas sucroenergéticas que necessitam de máquinas maiores, tendo em vista seu alto volume de produção, com baixo custo e agilidade na manutenção. É um equipamento produzido com a mais alta tecnologia, por meio de processos industriais certificados pelo selo ISO 9001:2008 de qualidade. Apta a trabalhar com vazões de até 140 m3/h de vinho a ser delevurado, a CT-140 é a centrífuga de maior

capacidade dentre a linha de máquinas produzidas pela EBS. O sistema de funcionamento da CT140 é o mesmo já utilizado nas centrífugas menores com transmissão por correias, possibilitando que a troca de bicos seja feita sem o desmonte do coletor e a lubrificação dos rolamentos é feita por bomba de óleo em circuito fechado. Ela conta também com um sistema automático de desligamento, em caso de falta de lubrificação, evitando assim danos ao equipamento. O acionamento da máquina é realizado por um motor elétrico de 150 CV, que pode também ser fornecido opcionalmente com carcaça à prova de explosão. A CT-140 pode ser adquirida com sistema de partida do tipo “soft starter”, que proporciona um maior controle da corrente na rede elétrica de alimentação, evitando oscilações na rede de energia, ou ainda com inversor de frequência, que proporciona um melhor controle da alimentação e também atua como dispositivo de proteção em caso de problema com a rede de alimentação de energia. (FPM)

Centrífuga EBS CT-140 para produção de etanol

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Limpeza customizada do evaporador mantém eficiência da troca térmica Os evaporadores de caldo das usinas sucroenergéticas necessitam de limpeza periódica de seus tubos sob pena de haver uma grande redução no coeficiente de troca térmica, com consequente diminuição do grau de evaporação e desperdício de energia. Assim, a maioria das usinas faz a limpeza de seus evaporadores com o uso de soda cáustica e posteriormente, de modo manual, com o auxílio de hidrojato. Esse tipo de limpeza requer um longo tempo de parada do evaporador e consiste de várias etapas que além de apresentar riscos de segurança, nem sempre são satisfatórias. O trabalho em espaço confinado, atualmente regulamentado pela NR33, é o principal complicador nesse processo, principalmente pelo alto risco envolvido, pela frequência com que o procedimento é necessário e também pela necessidade de realização de procedimentos, treinamento e adequações de segurança, que visam reduzir os riscos desse processo, sem que seja possível eliminá-los por completo. A Basf oferece uma solução que permite eliminar todos os problemas da limpeza convencional, denominada Limpeza Settmill®, certificada pela Anvisa para aplicação industrial. Nesse sistema coleta-se uma amostra das incrustações de cada evaporador, que após serem analisadas, possibilitam gerar uma receita personalizada para cada caixa ou equipamento. Portanto esse sistema de limpeza leva em conta as diferentes condições existentes em cada usina, decorrentes de diversos fatores, como solo, insumos e da própria canade-açúcar, além das diferenças entre cada caixa do múltiplo-efeito, permitindo gerar uma receita otimizada para cada caso. A base da formulação é o ácido fórmico produzido pela Basf, entre outros compostos, acompanhado do aditivo

Valter Milani e Arno Tognetta: trabalho em espaço confinado é fator complicador

inibidor da Kebo, uma empresa química alemã especializada em análises de incrustações e limpeza química que atua há várias décadas em outros segmentos industriais. Com a Limpeza Settmill®, torna-se desnecessário o uso do hidrojato e como consequência direta, elimina-se o

trabalho em ambiente confinado e todas as implicações de exposição ao risco existente nos sistemas de limpeza convencionais. Assim, além dessa vantagem substantiva, a Limpeza Settmill® pode ser automatizada, maximizando a eficiência e a segurança operacional. (FPM)


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HORA DA MANUTENÇÃO! FULVO PINHEIRO MACHADO, DE

SÃO CARLOS, SP

CONSULTOR

DO

JORNALCANA

O período de entressafra nas usinas sucroenergéticas é caracterizado pelas atividades de manutenção que se estendem a todos os setores da indústria. A correta manutenção é fundamental para que a safra subsequente corra com tranquilidade, evitando-se as paradas não programadas por quebra ou deficiência operacional dos equipamentos. Para se fazer a manutenção de entressafra, até recentemente, era comum a desmontagem de todos os equipamentos, colocando a usina praticamente “no chão”. Atualmente com o desenvolvimento e disponibilidade de sensores de diversos tipos, como temperatura e vibração, é possível se prever com grande precisão os equipamentos que necessitam serem desmontados para reparação. É a técnica da manutenção preventiva que, mais e mais, vem sendo adotada pelas indústrias, economizando tempo e mão de obra. Assim, requerem desmontagem somente aqueles itens que necessariamente são substituídos a cada safra por desgaste normal. As bombas de processo são particularmente propensas a danos, principalmente no caldo misto, onde seus

rotores estão sujeitos a condições agressivas de trabalho. Motores elétricos de acionamentos de bombas, esteiras e agitadores devem ser mantidos protegidos contra a umidade, para que não tenham a isolação prejudicada e acabem por falhar ou entrar em curto-circuito quando de uma nova partida, como comumente acontece. Igual cuidado devem sofrer os sensores e transmissores de sinal de campo e suas conexões pertencentes às malhas de automatização, pois frequentemente são dotados de diafragmas ou elementos delicados que podem ser danificados por impactos quando fora de seus locais de instalação. Os cabos de interligação da instrumentação e dos sistemas de automatização também merecem um cuidado especial, pois durante a desmontagem de equipamentos mecânicos, esses cabos podem sofrem danos que podem falsear leituras, ou mesmo tornar inoperantes sistemas de indicação e controle cruciais para a correta operação dos diversos equipamentos de processo, especialmente aqueles que necessitam de supervisão cuidadosa, como é o caso de caldeiras, turbinas e demais vasos de pressão. Novas técnicas permitem manutenção sem desmontagem integral de equipamentos


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Histórico de componentes agiliza as tarefas de manutenção As modernas ferramentas da informática possibilitam manter os dados de todos os equipamentos e componentes organizados em um software para facilitar a manutenção preditiva. Assim é possível determinar rapidamente o histórico da vida útil dos componentes de cada equipamento, prevendo-se sua substituição antes que possa apresentar falhas, mas também comparar modelos de diversos fornecedores e se estabelecer o tipo ótimo a ser usado para cada aplicação. As análises de vibração são particularmente úteis na determinação dos múltiplos rolamentos e mancais instalados em acionamentos diversos, como os de bombas centrífugas, motores, esteiras, agitadores e afins. Como vantagem adicional, o sistema preditivo permite diminuir estoques de materiais e acessórios na própria usina, resultando em um ativo imobilizado menor no almoxarifado, o que proporciona uma considerável redução de custos, além de um melhor conhecimento das características operacionais e das necessidades de manutenção para cada item inventariado. Com o acompanhamento criterioso de cada equipamento e de seus acessórios é possível se determinar a vida útil de seus componentes, possibilitando à equipe manter o foco naquilo que realmente necessita ser reparado ou substituído, evitando desmontagens desnecessárias e

Análise de vibração facilita a manutenção de equipamentos rotativos

com isso reduzir o número de horas utilizadas para a manutenção, com consequente redução de custos e permitindo que o tempo disponível seja usado de forma mais eficiente possível. Isso é extremamente importante nos tempos atuais em que a entressafra se estende por um período cada vez mais reduzido. Em relação aos acionamentos, outro

aspecto relevante se refere aos diversos tipos de acoplamentos utilizados, que não só devem estar conformes com a aplicação, mas também serem observadas suas características de desalinhamento permitidas, para que não sofram ruptura ou quebra prematura por estarem operando fora das especificações dos fabricantes. Acoplamentos “caseiros” ou inapropriados

para a aplicação podem causar danos ou abreviar severamente a vida útil de equipamentos, com elevados custos de reparação e de horas paradas. Vale também a observação de que esses itens críticos para a boa operação devem ser adquiridos de fornecedores ou distribuidores idôneos para que tenham o desempenho e a durabilidade prevista. (FPM)


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Extração total depende de lubrificação adequada da moenda O setor de extração ocupa uma posição de destaque em uma usina sucroenergética. O perfeito funcionamento deste setor é que proporciona a máxima recuperação da sacarose contida na canade-açúcar. Desajustes ou funcionamento inadequado implicam em que a matériaprima, a sacarose, seja perdida no bagaço. Um dos itens que merecem uma atenção especial na manutenção das moendas para que operem sem o risco de paradas não programadas é o Sistema de Lubrificação Centralizado. O engenheiro Paulo Leite, diretor das empresas Dínamo e Tectrol, especializadas em automação industrial lembra os quesitos mais importantes desse sistema integrante das moendas, “A limpeza é fator primordial nos equipamentos de lubrificação. E os cuidados com a limpeza devem começar no momento da parada do equipamento para manutenção. Antes de desmontar quaisquer itens como tubos, conexões, válvulas, bombas, entre outros, devemos limpar toda a área ao redor dos mesmos para evitar possíveis contaminações com resíduos indesejáveis”. “Mesmo com os equipamentos fora de funcionamento, alguns resíduos podem atacar o lubrificante, que perderá algumas de suas propriedades, e danificar o próprio equipamento, causando, por exemplo, oxidações internas que só serão percebidas através de inspeções detalhadas ou, o que é pior, quando os equipamentos voltarem a funcionar no início da safra: aí os prejuízos são bem maiores”, afirma o diretor. “Os reservatórios do Sistema de Lubrificação devem ser cuidadosamente inspecionados e limpos, interna e externamente. Com a variação do nível do lubrificante, há uma constante entrada e saída de ar dos reservatórios através dos filtros de ar e eventuais frestas existentes em juntas já ressecadas das tampas. Isto pode trazer impurezas para dentro do reservatório”, complementa o engenheiro. Portanto, o período de manutenção é a época propícia para trocar todos os filtros

Verificação periódica do nível dos lubrificantes é fundamental para operação da moenda

de ar instalados no sistema de lubrificação e também as juntas de vedações das tampas.” Nos itens que necessitem de pintura, deve ser usada tinta compatível com o lubrificante e o ambiente onde estão instalados. Onde não seja possível a aplicação de pintura e a superfície for metálica, a manutenção se fará, no mínimo, com uma película de lubrificante compatível com aquele normalmente utilizado durante a operação do equipamento. Os condutos e os equipamentos que permanecem na planta após na fase de desmontagem devem ser isolados para

evitar contaminações, assim como os cuidados com a limpeza no reabastecimento para o próximo início de safra são fundamentais. Do mesmo modo que nos Sistemas Hidráulicos, os de Lubrificação Centralizada possuem Válvulas de Segurança. Estas devem ser inspecionadas e testadas uma vez ao ano, pois os equipamentos de Lubrificação Centralizada podem atingir pressões tão altas quanto os equipamentos hidráulicos, uma vez que esses sistemas se utilizam do mesmo princípio de funcionamento.

Durante a safra, com as moendas em operação, outro requisito básico é a verificação periódica de nível dos lubrificantes e possíveis alterações de suas condições, indicando que os mesmos devam ser substituídos. Caso seja necessário completar o nível é importante que se faça com o mesmo tipo de lubrificante anteriormente empregado, e do mesmo fornecedor, uma vez que lubrificantes de fabricantes diferentes podem apresentar incompatibilidades, prejudicando sua estabilidade e vida útil. (FPM)


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Instalação ajustada e alinhamento evitam desgaste prematuro de mancais Nos equipamentos que utilizam mancais, um cuidado especial deve ser dado à sua instalação, principalmente no que diz respeito às folgas e alinhamento para se evitar o desgaste prematuro desses itens que normalmente fazem parte de equipamentos críticos para a operação da planta, como é o caso de turbinas, moendas e seus acionamentos. Um item muito importante para estes componentes é a lubrificação, que deve ser feita com a utilização de óleos e graxas adequadas a cada aplicação, de acordo com o fabricante do equipamento e do fornecedor dos lubrificantes. Os trocadores de calor para óleos devem estar perfeitamente limpos, sem obstruções de modo a assegurar que os lubrificantes operem sempre dentro da margem de temperatura admissível para cada caso. Deve-se também evitar a sua contaminação por impurezas, ou mesmo por outros tipos de lubrificantes, o que pode acarretar em mudança de suas propriedades e necessidade de troca prematura. No caso de mancais refrigerados, como nas moendas, é fundamental que o sistema seja alimentado por uma água de qualidade adequada, de forma a não criar depósitos, ou formação de matéria orgânica que possa obstruir os

Mancais ficam expostos a grandes esforços durante a safra

condutos do líquido e prejudicar desse modo a correta refrigeração dos mancais, sempre submetidos à grandes esforços, podendo desta forma serem irremediavelmente danificados pela ausência de uma correta refrigeração. No caso de turbinas a vapor de alta potência, como as usadas nas centrais de geração de energia, é imprescindível observar todas as regras de aquecimento e partida estipuladas pelos fabricantes sob pena de desgaste anormal ou mesmo, quebra do equipamento. Quanto mais cuidadosas forem as operações de

manutenção na entressafra, maior a certeza de que durante a operação da planta não haverá surpresas desagradáveis que redundem em horas paradas ou desperdiçadas com reparações não previstas. Isto é particularmente importante nos tempos atuais, onde as usinas dispondo de variedades mais precoces de cana-de-açúcar podem iniciar a moagem mais cedo, encurtando dessa forma o período de entressafra e consequentemente o tempo disponível para a realização de desmontagens e montagens de equipamentos. (FPM)

Manutenção regular prolonga vida útil de ventiladores e exaustores Os equipamentos das usinas sucroenergéticas trabalham ininterruptamente durante a safra. Para que essa continuidade não sofra interrupções imprevistas, a recomendação é sempre que se faça uma manutenção regular e de maneira correta com o intuito de prolongar a sua vida útil. Esta também é a indicação da Equilíbrio para equipamentos rotativos em geral. No caso de ventiladores industriais, a empresa não só pode realizar a manutenção, como também reformar e ampliar a capacidade de equipamentos existentes, já que conta com uma experiência de fabricação desses produtos há quase 15 anos. Segundo Luís Mendes Júnior, diretor Comercial da Equilíbrio, a manutenção em ventiladores e exaustores centrífugos, por exemplo, geralmente acontece no conjunto eixo/rotor/polias ou eixo/rotor/acoplamento ou no mancal/rolamento e correias de transmissão. “A frequência de inspeção é determinada pela severidade da aplicação e pelas condições locais. Uma vez definida a tabela de manutenção, esta deve ser rigorosamente cumprida”. A manutenção regular é indicada para o rotor quando há acúmulo de pó ou material estranho, desgaste excessivo proveniente de pó abrasivo, parafusos frouxos no cubo ou palhetas deformadas, já que estes últimos podem comprometer a segurança do operador; nas correias,

Ventiladores e exaustores estão sujeitos a desgastes prematuros

quando o modelo for por acionamento por correias em “V” e houver desalinhamento e desgaste; no acoplamento, quando a unidade for por acionamento direto e faltar lubrificação, bem como nos mancais, rolamentos e parafusos, , reforça Mendes Júnior. A manutenção dos exaustores centrífugos também é recomendada já que estão sujeitos a desgastes por conta dos

fluxo de fluidos do ventilador , ar e pó, e por sua localização, antes ou depois dos lavadores, o que provoca a corrosão das partes girantes após um período de trabalho. A Equilíbrio também realiza o balanceamento de rotores que é indicado para o caso de uma manutenção para proporcionar bom desempenho, eficiência e durabilidade de todos os equipamentos

ou componentes rotativos, principalmente aqueles que operam em alta rotação. Para prestar esse serviço a empresa possui máquinas estacionárias modernas e com diferentes capacidades de realizar o balanceamento de equipamentos com comprimentos que vão desde 100 até 6000 mm, aceitando um peso máximo de rotores de até 10.000 kg e diâmetros de 80 a 2600 mm. (FPM)


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ENTREVISTA - Mário Márcio dos Santos

NA MELHOR SEGURANÇA! “No setor, já é visível o amadurecimento das atividades de segurança e saúde no trabalho" ANDRÉ RICCI,

DA

REDAÇÃO

A preocupação das usinas, assim como as exigências legais na área de saúde e segurança no trabalho, têm feito com que debates sobre o assunto sejam recorrentes. Ao final de mais uma safra no Centro-Sul, o JornalCana falou com Mário Márcio dos Santos, gerente de Saúde e Segurança no Trabalho — SST na Usina Açucareira Guaíra e coordenador do Grupo de Saúde Ocupacional da Agroindústria — GSO para saber em que ritmo a área está crescendo. Confira a entrevista: JornalCana - Como foi a safra 2013/14 na área de saúde e segurança no setor sucronergético? Mário Márcio - Há um visível amadurecimento das atividades de segurança e saúde no trabalho no setor sucroenergético. Vemos um grande empenho das usinas e companhias agrícolas em cumprir fielmente as determinações legais e o desenvolvimento de capacitação aos profissionais de SST e aos demais trabalhadores que, por ‘força de lei’, devem ser instruídos devidamente sobre prevenção de acidentes no âmbito de suas especialidades, conforme ditam as Normas Regulamentadoras e suas atualizações. Em termos de evolução, o que é possível identificar?

Mário Márcio dos Santos, gerente de SST na Usina Açucareira Guaíra

Não temos dados concretos para quantificar a evolução, porém, observa-se um senso geral de compromisso com o cumprimento das disposições legais, fato que antes não era notado. Num passado recente as áreas produtivas, manutenção, logística e administrativa, raramente questionavam ou até mesmo solicitavam a participação do setor de SST nos projetos de forma antecipada. Hoje, verifica-se o envolvimento na fase de planejamento, mostrando assim que estamos evoluindo. Qual a grande novidade do ano? O cumprimento das obrigações da NR 12 – Máquinas e Equipamentos, envolvendo elaboração de diagnóstico inicial do parque industrial no tocante a proteção de máquinas e equipamentos, cadastramento de todo maquinário

existente e elaboração de prontuário e sua manutenção periódica, além do planejamento das ações de treinamento e capacitação do pessoal envolvido, seja de forma operacional ou manutenção.

estavam na mão de obra qualificada, que infelizmente, encontra-se escassa em algumas regiões. Este é um problema que persiste e só deverá ser sanado com maior tempo de preparação.

Quais os desafios para o próximo ciclo? Acredito que seja o desenvolvimento de projetos de SST para a motomecanização, devido a fatores singulares, manutenção de veículos a céu aberto, movimentação no campo e condições de conforto.

Que lições pode-se tirar da safra 2013/14? Que as dificuldades em operacionalizar a SST no setor serão solucionadas na medida em que os profissionais da área se empenharem na autocapacitação, apoiados naturalmente pelas empresas onde trabalham. As exigências legais e o aperfeiçoamento técnico das atividades do setor estão a exigir capacitação constante sob o risco de não se cumprir a tempo os preceitos básicos do que determina nossa legislação trabalhista.

Dos obstáculos que o setor encontrava no início de 2013, qual o senhor considera ainda não vencido? Haviam dificuldades específicas, não generalizadas. Em algumas as dificuldades


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DESTAQUES DO SETOR

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Por Fábio Rodrigues – fabio@procana.com.br

Syngenta tem novo diretor

Prevenção de Acidentes

A Syngenta anunciou dia 12/11 a aposentadoria de Antonio Carlos Guimarães, Diretor Regional da América Latina, a partir de 31 de dezembro de 2013, após 14 anos de sucesso na empresa. Como Diretor Regional desde 2005, Antonio liderou o sucesso da empresa que mais do que triplicou de tamanho na região. Ele também desempenhou um importante papel no desenvolvimento de uma estratégia de soluções integradas na América Latina. Antonio foi fundamental na implantação de novas estratégias de crescimento para a região e no estabelecimento de práticas inovadoras de gestão de riscos financeiros, que trouxeram novos padrões para a indústria. Karsten Neuffer, que atualmente é diretor global de Tratamento de Sementes, sucederá Antonio Carlos como Diretor Regional para a América Latina e será realocado para São Paulo no primeiro trimestre de 2014. Ele vai liderar uma região que engloba importantes mercados emergentes, mais de 4 mil colaboradores em mais de 30 países, e que registrou vendas de mais de US$ 3,7 bilhões em 2012.

Durante a semana de 28 de outubro a 1º de novembro de 2013, a TGM realizou a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT 2013). A semana contou com uma sequência de palestras informativas ministradas por especialistas em assuntos nas áreas de ‘Conservação Auditiva’; ‘Proteção das Mãos’ e ‘Dependência Química’. A grade abordou temas na Campanha sobre Programa de Saúde - Higiene Bucal, Controle de Glicemia, Aferição de Pressão Arterial e Dicas Nutricionais. E no último dia da SIPAT houve uma dinâmica com os colaboradores sobre ‘Atividade Interativa’. A SIPAT aconteceu dentro das instalações fabris da TGM no intuito de expor aos colaboradores um pouco mais de conhecimento quanto às prevenções de acidentes e conscientização da saúde com acompanhamento médico.

Tecnologias para etanol de milho

Máquinas agrícolas A Massey Ferguson participou do 6º Congresso Nacional da Bioenergia, que aconteceu nos dias 6 e 7 de novembro, em Araçatuba (SP), com apoio cultural e apresentação de painel sobre geração de energia através da biomassa. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) sinalizam para uma produção global de biocombustíveis de 232 bilhões de litros por ano no futuro próximo, volume que vai triplicar a atual a oferta. Os biocombustíveis podem ser 100% obtidos com recursos renováveis e com grandes atributos para controle ambiental, sendo a biomassa um recurso renovável de uma substância orgânica, com baixa emissão de gases nocivos. A marca apresentou painel com a presença do gerente de marketing de produto colheitadeira e equipamentos forrageiros da AGCO, Douglas Vincensi, com informações e detalhes sobre a obtenção da biomassa utilizando os equipamentos de fenação Massey Ferguson.

Comprometida com o desenvolvimento de inovações que atendam as demandas por novas fontes de energia, a DuPont apresentou o lançamento oficial do portfolio durante o Primeiro Fórum Brasileiro de Etanol de Milho, realizado no dia 27 de setembro na cidade de Sorriso, Mato Grosso. Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil), o evento discutiu o incentivo à produção de etanol de milho no país como uma das alternativas para escoar a produção local de milho, que nesta safra alcançou cerca de 20 milhões de toneladas, volume bem superior ao consumo interno estimado em 3,5 milhões de toneladas. “Temos experiência e tecnologia capaz de potencializar esse crescimento no país”, declara Eliane Contini, diretora da unidade de Biociências Industriais da DuPont América Latina. Atualmente, a empresa possui enzimas que aceleram o processo de produção do combustível com baixo consumo de energia, melhorando a produtividade. “Nossa atuação no mercado norte-americano trouxe uma experiência importante, que foi decisiva para aprimorar as nossas enzimas”, destaca a executiva. (O JornalCana publica matéria sobre etanol de milho nesta edição, nas páginas 12 a 15).

Destaque-se Sugestões de divulgação de lançamento de produtos, informativos, anúncios de contratações e promoções de executivos e demais notas corporativas ou empresariais devem ser enviadas a Fábio Rodrigues, email: fabio@procana.com.br


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Rodofort inaugura filial em Ribeirão Preto

Enxofre lentilhado oferece benefícios ao processo de clarificação

A Rodofort, tradicional fabricante de implementos rodoviários de Sumaré, no interior paulista, passa a contar com mais um distribuidor em sua rede que segue plano de expansão. A Ribeirão Comércio de Implementos Rodoviários Ltda, inaugurou neste início de outubro, em Ribeirão Preto, SP. O novo representante vai comercializar todo o portfólio de produtos da fabricante paulista, além dos serviços de pós-venda como manutenções, reparos e montagem da linha leve aos clientes de toda a região. A empresa está localizada na Rodovia Anhanguera KM 306, com grande facilidade de acesso a caminhões, tendo grande estrutura e profissionais treinados para melhor atendimento nos equipamentos rodoviários e canavieiros.

A Produquímica, empresa de especialidades químicas certificada ISO 9001:2008 e ISO 14001, com uma de suas unidades fabris, localizada na Rodovia Dom Pedro I, em Jacareí, no estado de São Paulo, possui sofisticado sistema fabril e a mais avançada tecnologia, amparada por padrões internacionais de Tecnologia SulfurPrime desenvolvida pela Produquímica qualidade, na produção do SulfurPrime (enxofre lentilhado) com celulose, desfrutem dos benefícios que este 99,5% min. de pureza, e com a garantia de produto oferece ao processo de clarificação umidade de 0,5% máxima. em conceituados mercados internacionais. Todas as fases de produção são Para conhecer a estrutura da automatizadas, proporcionando vantagens Produquimica, e conferir a lista completa e benefícios que só o SulfurPrime pode de benefícios do SulfurPrime com relação oferecer. aos outros produtos já existentes, visite o Alta eficiência de reação gás/caldo e site da empresa, onde também é possível máximo branqueamento; permite a conhecer toda linha de produtos. dosagem ideal para uma perfeita queima Contatos comerciais podem do enxofre; menos perda de gás sulfuroso ser feitos pelo e-mail: para a atmosfera com consequente redução sucroalcooleiro@produquimica.com.br ou de riscos ambientais; grande flexibilidade através do fone (16) 3519.4400. operacional frente à variação do sistema de dosagem; Produquímica SulfurPrime, possibilitará que os 11 3016.9619 segmentos sucroalcooleiro e papel e www.produquimica.com.br

A EMPRESA A Rodofort é fabricante de implementos rodoviários, desenvolvendo com a máxima qualidade, equipamentos como reboques, semirreboques, bitrens e rodotrens, atuando nas categorias de carrocerias de bebidas, furgões, lonados (sider), carga secas, basculantes,

canavieiros, porta-contêineres e projetos especiais, sempre atendendo as necessidades dos clientes e consumidores. A Rodofort utiliza tecnologia de última geração, mão de obra treinada e capacitada, com o objetivo de atingir os mais altos índices de qualidade. Seus implementos saem preparados para as estradas de todo o Brasil, levando progresso e qualidade em transportes por onde passam. A empresa dispõe de uma equipe de profissionais altamente capazes, especializados em implementos rodoviários, prontos para fazer o melhor negócio em seu parque industrial, que conta com mais de 125.000m². Rodofort 16 3629.8797 www.rodofort.com.br


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CPFL Serviços, Siemens e Kliass oferecem soluções em BOT A CPFL Serviços, empresa do grupo CPFL Energia, assinou um memorando de entendimento com os parceiros Siemens e Kliass Locação de Bens Ltda. (Grupo GAAP) visando o estabelecimento de um novo modelo de negócios para fornecimento de Sistemas Elétricos de Potência. O projeto, já em andamento, prevê para o ano R$ 100 milhões em novos negócios. Trata-se de um procedimento conhecido como BOT — Build, Operate and Transfer, no modelo Turn Key Job, que beneficia clientes, fornecedores e investidores a partir da locação de equipamentos. O objetivo é atender uma demanda do mercado industrial, de clientes que possuem necessidades financeiras específicas, no que refere-se à construção de subestações e linhas de transmissão de alta tensão. Além disso, o intuito é dar suporte técnico e manutenção desses equipamentos, incluso em um único contrato de fornecimento. No modelo proposto, a Kliass será a proprietária do ativo e responsável pelo investimento a ser construído em área

cedida pelo cliente em regime de comodato; a Siemens será a responsável pelo fornecimento dos equipamentos de Alta Tensão; e a CPFL Serviços responsável pela elaboração do anteprojeto, projeto executivo, construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento, start up, fornecimento de materiais e equipamentos periféricos, além da manutenção dos mesmos. O prazo de locação dos equipamentos será fixado caso a caso, de acordo com a necessidade cada cliente. “Esta modalidade de fornecimento proporcionará aos clientes, reduções de custos operacionais e de manutenção, bem como uma melhoria perceptível da qualidade de energia elétrica, beneficiando assim, sua capacidade de produção. Já as empresas envolvidas no fornecimento, contarão com uma expansão de seus mercados de atuação”, destaca Ariovaldo Branco, Diretor de Serviços de Transmissão da CPFL Serviços. CPFL Serviços 19 3756.2755 solucoes@cpfl.com.br

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Aplicação do transmissor de nível por pressão diferencial com sensores independentes

Tecnologia aumenta a confiabilidade da medição em até 10 vezes A tecnologia conhecida como, transmissor de nível por pressão diferencial com sensores independentes, aumenta a confiabilidade da medição em até 10 vezes. Erros que possam ser gerados com uma medição ‘mecânica’ devido a utilização de capilares ou tomadas de impulso (tubings) não são problemas para o Deltabar FMD72. Por se tratar de um transmissor de pressão diferencial eletrônico elimina riscos de vazamentos, risco de evaporação, condensação, entupimento e principalmente não é afetado pelo erro relacionado a temperatura ambiente e de processo que ocorrerem em transmissores tradicionais. Essas características garantem uma maior

segurança ao processo e um grande valor agregado devido ao menor tempo de instalação e menor custo de manutenção com fáceis condições de instalação. Com uma vasta variedade de conexões ao processo, possibilidade de cabos com comprimentos diferentes para interligar os sensores (cabos padrão) fáceis de desconectar e com uma comunicação 4 a 20mA + HART o Deltabar FMD72 chegou para dar maior confiabilidade em seu processo. Endress+Hauser 11 5033.4333 www.endress.com/electronic-dp


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Equilíbrio aposta em manutenção industrial para maximizar produtividade das usinas A quebra ou o mau funcionamento de um equipamento em uma usina acontecem, muitas vezes, por dois motivos comuns: funcionamento ininterrupto sem a manutenção devida ou a falta da manutenção. A verdade é que, em ambos casos, a manutenção industrial é o fator primordial para se evitar o temido prejuízo das paradas sem programação. A Equilíbrio sempre apostou no serviço de manutenção industrial como um dos métodos mais eficazes para minimizar perdas operacionais e de matéria-prima. Segundo Adalberto Aparecido Cedran, coordenador de assistência técnica da empresa, análise de vibração, balanceamento em campo e em máquinas estacionárias, por exemplo, integram a lista dos serviços atendidos pela equilíbrio, seguido do reparo em telas de peneiras rotativas, serviço consagrado pela fabricante que possui tecnologia própria na produção desses componentes. Existem ainda os serviços especializados em manutenção de cestos de centrífugas, ensaio de líquido penetrante e partícula magnética, manutenção de exaustores, ventiladores e peneiras rotativas. Dividida em três formatos (preventiva, preditiva e proativa), a

Reparo em telas de peneiras rotativas

manutenção industrial é indicada, sobretudo, ao setor sucroenergético, porque possibilita ganhos de tempo e

produtividade da usina. “O serviço permite a fabricação de peças de reposição com antecedência, o retorno

mais rápido das atividades da planta e ainda auxilia no cumprimento do cronograma e das metas estabelecidas pelo cliente”, explicou Cedran. De acordo com os atendimentos da Equilíbrio, problemas de vibração, alinhamento, desgaste, rolamento, mancal, empenamento, entre outros, estão entre as causas mais comuns de interrupção do funcionamento de uma usina. Com mais de 15 anos no ramo. A Equilíbrio acredita que a contratação de empresas idôneas, com capacitação técnica e credibilidade no mercado para execução desses serviços é indispensável. De acordo com o coordenador, é importante dar atenção a esse detalhe, pois uma manutenção mal feita pode ocasionar um problema ainda maior. “Por isso investimos em um corpo de profissionais especializados com total conhecimento sobre normas e processos de fabricação dos equipamentos, o que colabora com o desempenho da equipe em campo e o alto índice de satisfação dos nossos clientes dentro e fora do Brasil”, finalizou. Equilíbrio Balanceamentos 16 3945.2433 www.equilibrio.ind.br


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Empresa de implementos lança semirreboque prancha

Como você controla o volume do seu tanque de etanol?

A Rodobin Implementos, tem 30 anos de experiência no mercado, sendo que destes, quinze voltados para o setor sucroenergético, fabricando diversos implementos para o setor, como transbordo reboque, transbordo plantio, transbordo sobre chassi, e outros, bem como projetos personalizados para o cliente. Agora está lançando um equipamento que vem auxiliar bastante no transporte do setor, como o semirreboque prancha carrega tudo retrátil, de dois eixos, com capacidade para 34 t brutas, tendo a eficiência de levar apenas vinte minutos para carregar uma colhedora de cana. Com o comprimento de 16.700 mm de comprimento e dois eixos facilita muito as manobras operacionais. Sempre investindo em tecnologia, a Rodobin

O controle de volume de etanol nos tanques de armazenamento é tradicionalmente feito por medições manuais que geram imprecisão na medição e oferecem riscos ao operador. Com a utilização de radares para medição contínua de nível, é possível controlar o volume, identificar perdas, reduzir custos e riscos com mão de obra para medição manual, além de garantir a segurança contra transbordo. Os radares Endress+Hauser oferecem o melhor custo-benefício em aplicações de tanques de etanol. Desenvolvidos com a mais alta tecnologia existente no mercado, oferecem altíssima precisão e medição direta em distância, o que elimina erros de medição provocados por variações de temperatura. Aliados à tecnologia de Radar de onda livre Micropilot Endress+Hauser transmissão sem fio WirelessHart, dispensa investimentos com cabeamento aplicadas à indústria, com forte presença no parque de tanques. Mesmo um radar em usinas de Açúcar&Etanol e toda padrão pode se tornar um instrumento sem qualidade e confiabilidade de seus fio, sem necessidade de aquisição de produtos, com fabricação no Brasil. instrumentos específicos, por meio da tecnologia simplificada adotada. Endress+Hauser A Endress+Hauser é líder mundial em 11 5033.4333 tecnologias e soluções de instrumentação www.br.endress.com

aplica-se no desenvolvimento de seus produtos. Através de sua vocação para reparos estruturais, na área de calderaria veicular, veio desenvolvendo nos últimos anos tecnologia para corrigir problemas em projetos de transporte de cana-de-açúcar, principalmente em transbordo para cana picada. Foi quando através deste período chegou ao produto que na fabricação foi batizado como RT-CP10500, ou seja, Reboque Transbordo para cana picada com capacidade para 10,5 t, e que hoje no aperfeiçoamento do projeto chegou a capacidade de volume no cesto de carga em 32 m³. Rodobin 18 36083400 www.rodobin.com.br

Semirreboque prancha, da Rodobin


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Clarificação do açúcar aumenta eficiência da fabricação A Engclarian oferece soluções e inovações em toda linha de produtos, associada com a mais alta qualidade de matéria-prima e eficiência dos serviços em toda cadeia produtiva da indústria sucroenergética. “Todos os nossos produtos utilizados no processo de clarificação do açúcar buscam melhoria no processo para aumentar a eficiência na sua fabricação e consequentemente aumentar a eficiência industrial”, comenta Erlon Zanarotti, diretor corporativo da Engclarian. Dentre estes produtos, o diretor destaca o olímero aniônico, auxiliar de decantação, aglomerando os flocos formados no tratamento químico e aumentando a velocidade de decantação. O polímero catiônico é floculante para o lodo, garantindo a eficiência na filtração e diminuindo as perdas de sacarose na torta dos filtros. O polímero aniônico, que é auxiliar de flotação, aglomera os flocos formados no tratamento químico e as microbolhas de ar, aumenta a velocidade de flotação das impurezas. Também o lubrificante de massa, que auxilia a velocidade de cristalização, diminuindo a viscosidade do licor mãe, principalmente em massas cozidas de baixa pureza. Erlon aponta o “Kentalo-s”, recém introduzido no setor em parceria formada com a Kemira Chemicals, usado para diminuir consumo de enxofre e melhorias no processo.

Equipe da Engclarian que esteve presente na Fenasucro 2013

As linhas Classis e Engeorganic — com certificações FDA, são utilizadas para completar as cargas químicas necessárias objetivando maior eficiência nas reações e eliminação dos não açúcares no tratamento químico do caldo, melhorando a decantação e com isto atingido altos níveis de classificação da cor, polarização do açúcar e eliminação dos insolúveis.

Segundo o consultor industrial Edson Marsoli, a Engclarian apresenta produtos eficientes para a clarificação do açúcar. Um polímero para decantação que vem sendo utilizado pelas usinas é o Eng Flok, de alto peso molecular e alto grau de hidrólise. Durante o processo de clarificação do açúcar, o caldo ou xarope carregam consigo inúmeras partículas sólidas, que são as causadoras da

coloração escura e alta turbidez. O Eng Flok, em solução aquosa, incorpora esses grupos formando um floco volumoso devido à desestabilização da interface das partículas, proporcionando melhora na qualidade do açúcar final. Engclarian 16 3946.9300 www.engclarian.com.br


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Franpar oferece válvulas e conexões a preços competitivos

Douglas Zanin, Lidiane Matos e Alexandre Malaspina

Comefer investe em mão de obra e estoque de produtos Mesmo com o setor sucroenergético passando por um período de dificuldade econômica, a Comefer está crescendo e se desenvolvendo. Num momento de instabilidade econômica, a empresa tem buscado ser parceira do segmento, oferecendo condições de vendas especiais, procurando se adequar às dificuldades de mercado. Para isso, foram feitos investimentos em produtos diferenciados como laminados pesados, tendo como objetivo incrementar o estoque e oferecer disponibilidade a pronta entrega. “Visamos não só o bom momento das obras voltadas

para as arenas da Copa do Mundo, como também as ampliações de terminais rodoviários, aeroportos e as diversas obras da construção civil”, diz Douglas Zanin, do departamento comercial da empresa. Além dos materiais, a Comefer também mantém investimentos no seu quadro de profissionais, buscando a contratação de novos colaboradores. “Queremos atingir novos nichos de negócios”, finaliza Zanin. Comefer 16 3969.9807 www.comefer.com.br

A Franpar afirma ter alcançado um novo limiar no setor sucroenergético, especificamente no ramo de válvulas e conexões, ao oferecer aos seus clientes produtos de qualidade a preços cada vez mais competitivos. Com amplo estoque e colaboradores qualificados, a empresa garante que está mais do que preparada para atender o mercado de manutenção da entressafra que se aproxima, e que apresenta grandes chances de investimento para melhorar o atual cenário do setor. Com produtos em aço ligado, aço carbono e aço inox, a empresa anuncia estar pronta para atender as mais variadas necessidades industriais com garantia e confiabilidade. De acordo com a empresa, seu

compromisso com a qualidade firma-se em estabelecer parcerias sólidas com os melhores e mais conhecidos fornecedores e contar com uma equipe de profissionais de alta qualificação técnica, capacitada a prestar suporte, antes e após a venda. “Nosso principal objetivo é alavancar e concretizar novos negócios e parcerias, focando em produtividade, custo benefício e alta qualidade”, informa a diretoria. A Franpar localiza seu amplo estoque na Avenida Marechal Costa e Silva, 3.914, no Parque Industrial Tanquinho, em Ribeirão Preto, SP. Franpar 16 2133.4383 www.franpar.com.br


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