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Ibaneis lança Emprega DF

Liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello evita que GDF seja obrigado a devolver R$ 10 bi à União

Governador lança pacote de medidas para reduzir impostos. Icentivos a empresários visa combater o desemprego

Pelaí - Pag. 3 e Pág. 6

Página 6 Ano VIII - 411

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Supremo segura ataque do TCU

Brasília, 4 a 10 de maio de 2019

Bolsonaro tem má vontade com Brasília Desde o início do ano, governo não apoiou criação da Região Metropolitana, negou R$ 3,5 milhões para o trem que ligaria o Plano Piloto à Cidade Ocidental, e sentou em cima da MP do reajuste da Polícia Civil - Chico Sant’Anna - Pag. 4 PORTAL DA COPA

NOTA À POPULAÇÃO

PERSEGUIÇÃO - O MEC quer cortar R$ 38 milhões do orçamento da UnB (foto), em mais uma demonstração de desrespeito à Capital da República

Em assembleia no dia 25/04, os trabalhadores da CAESB aprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho discutida e aprovada pela diretoria da empresa e com aval do governo. Entretanto, após a aprovação, a empresa se recusa a assinar a pauta aprovada, visto que um diretor da CAESB não concordou e ainda tenta tumultuar o processo de assinatura, mesmo sendo único voto vencido! Ressaltamos que a proposta aprovada já sacrifica em muito os trabalhadores, visto que estão há mais de 4 anos com plano de carreira congelado e sem ganho real. Tal proposta ainda faz o congelamento de reajuste pelos próximos dois anos em entendimento dos empregados frente a situação financeira da empresa e sua má gestão nos últimos anos. Resumidamente, os trabalhadores estão sem a reposição inflacionária dos últimos dois anos e ficarão sem reposição nos próximos dois anos. No entanto, o governo ainda insiste em aumentar o número de comissionados e nomear diretores em desacordo com a Lei das Estatais nº 13.303/2016. Logo, o patrimônio do povo não pode estar a serviço de interesses de grupos políticos. Os trabalhadores reafirmam o seu compromisso com a qualidade do serviço prestado à população e têm respeito aos cidadãos do Distrito Federal, mas não podem permitir que atos políticos vão de encontro a interesses maiores, tais como a CAESB Pública e as condições de trabalho de quem faz a empresa funcionar e trabalha pela sociedade!


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x p e d i e n t e

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E D I T O R I A L

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Sindicatos em estado de torpor

udo leva a crer que a estratégia do governo Bolsonaro de reduzir a força dos sindicatos com restrições à cobrança de taxas começa a dar resultados. Em meio aos ataques às conquistas dos trabalhadores com as reformas Trabalhista e da Previdência, as entidades representantes dos trabalhadores dão a impressão de estarem em estado de torpor. São raros os momentos em que esboçam alguma reação. Mesmo assim, sem conseguir mobilizar suas bases. O 1º de Maio, quarta-feira, passou praticamente em branco em Brasília. A Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes, o Eixão e a Torre de TV, tradicionais pontos de concentração e de manifestações no Dia do Trabalho, estavam desertos. Em todo o DF, a honrosa exceção para que a data não passasse em branco foi Taguatinga. Pela manhã, na Praça do Relógio, um pequeno ato da Central dos Tra-

balhadores do Brasil, braço do PCdoB, reuniu uma centena de pessoas. A cidade também recebeu, à tarde, a grande festa do Dia do Trabalho, no Taguaparque. Um público superior a 20 mil pessoas atendeu ao chamado do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Educação (FNTE) para o evento, que culminou com os shows dos cantores Odair José e Vanessa da Mata. Sem dúvida, uma bonita festa, com tendas para jogos e brincadeiras de crianças e atividades como medição de pressão arterial e corte de cabelo. Os professores, por meio de seu sindicato e de sua federação, deram uma lição de cidadania e uma aula para as demais categorias de que em meio à dificuldade a pior atitude é a inércia. Mas, foram raros os momentos que lembravam a seriedade do momento histórico para a classe trabalhadora. Poucos e curtos discursos

ficaram a cargo dos deputados distritais Chico Vigilante, Arlete Sampaio e Fábio Félix, da federal Érika Kokay, e da sindicalista Rosilene Corrêa, anfitriã da festa de 40 anos do Sinpro-DF. Resta aos trabalhadores torcer para que a lição tenha sido aprendida. Afinal, existem dois grandes eventos programados para os próximos dias: a greve nacional dos trabalhadores em educação, convocada pela CNTE para o dia 15 de maio, e a greve geral marcada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais para o dia 14 de junho. É hora de os sindicatos retomarem o protagonismo da mobilização da população. Os líderes da classe trabalhadora precisam se reinventar neste cenário em que um governo de extrema direita usa de todos os artifícios para desmontar as entidades populares. É hora de acordar e sacudir a poeira, para não morrer dormindo.

A R T I G O

É inaceitável a aprovação açodada da reforma da Previdência Júlio César Cardoso (*) As causas que levaram a Previdência Social aos números alarmantes divulgados pelos governos jamais foram tornadas públicas, embora sejam notórios os descaminhos de gestões políticas irresponsáveis no zelo das contribuições previdenciárias. Querem sacrificar os trabalhadores com a imposição de novas regras, mas as despesas públicas no Executivo, Legislativo e Judiciário não são atacadas. Inexiste laudo de auditoria externa que comprove a real situação deficitária da Previdência. Se a reforma é importante para equilibrar a dívida pública, também são necessários o enxugamento dos gastos nos Três Poderes e a reforma tributária, que o governo não apresentou ao Congresso. Sem a execução sincronizada de ambos os segmentos,

o país não economizará para equilibrar a dívida pública. Quanto se gasta para manter o Congresso Nacional e toda a sua infraestrutura? Sem esquecer a despesa pública com os legislativos estaduais e municipais. Um país em que não se respeita o teto constitucional (R$ 39,3 mil), onde políticos, ex-políticos, magistrados, ex-magistrados, servidores e ex-servidores se locupletam com o dinheiro público sem que haja cessação definitiva, não pode exigir que os trabalhadores sejam convocados ao sacrifício de reparar os erros de gestões políticas na Previdência Social. A reforma não pode mascarar a origem dos números que levaram ao suposto déficit (desvios/uso de recursos previdenciários para outras finalidades) e nem isentar a responsabilidade fraudulenta dos gestores políticos. Entre os devedores estão empresas

públicas e privadas, governos estaduais e prefeituras, grandes conglomerados financeiros e multinacionais. Por que não são compelidos a honrar os seus débitos? A Previdência não é um problema matemático, mas sim de falta de transparência e responsabilidade das contas públicas. Para que no futuro não se venha a propor outra reforma, é inaceitável a aprovação açodada da reforma da Previdência, quando não se conhece laudo de auditoria externa que comprove a real situação deficitária e aponte os seus causadores. Carece de idoneidade para aprovar a Reforma da Previdência um Parlamento que não corrige os seus altos salários, privilégios e mordomias não existentes em países desenvolvidos e democráticos.

(*) Servidor federal aposentado, morador de Balneário Camboriú-SC


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FRAUDE NO CARTÃO - O GDF detectou fraudes no Cartão Material Escolar disponibilizado aos pais de alunos da rede pública desde terça-feira (30). O secretário de Educação Rafael Parente usou o Twitter para pedir que as pessoas denunciem casos de venda do crédito concedido a 64 mil estudantes, que terão 45 dias para utilizá-lo. Pelo Facebook, o governador Ibaneis Rocha também demonstrou indignação pela situação.

ORLANDO PONTES/BSB CAPITAL

TCU consegue unir brasilienses Poucos assuntos conseguiram unir os brasilienses nos últimos tempos como a decisão do Tribunal de Contas da União de obrigar o GDF a devolver R$ 10 bilhões à União referentes ao recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte incidente sobre os salários dos policiais civis e militares e do Corpo de Bombeiros de Brasília (leia página 6). COMEMORAÇÃO – Não à toa, em plena sexta-feira parlamentares federais e distritais, inclusive de oposição, comemoraram a liminar – será submetida ao plenário da corte – do ministro Marco Aurélio Mello (foto), do STF, de derrubar a ordem do TCU. COLAPSO – Para o magistrado, ao cobrar ressarcimento aos cofres do Tesouro Nacional dos valores tidos como indevidamente repassados desde 2003, “o TCU poderá ocasionar verdadeiro colapso nas finanças do DF”. ALÍVIO – O governador Ibaneis Rocha (MDB) comemorou. “Como advogado, sempre tive a convicção dos nossos fundamentos jurídicos. Como político, sinto um alívio momentâneo, com senso de responsabilidade sobre o futuro da cidade”. AFP/ARQUIVO

Marco Aurélio: DF pode sofrer colapso

Izalci e a esposa entregam flores a dona Weslina. Paula Belmonte e Flávia Arruda observam

Dia do líder comunitário vira homenagem a Roriz A sessão solene convocada pelo senador Izalci Lucas (PSDB) e pelas deputadas Flávia Arruda (PR) e Paula Belmonte (PPS) para comemorar o Dia do Líder Comunitário virou um ato em homenagem ao ex-governador Joaquim Roriz, falecido em setembro do ano passado. HOMENAGEADOS - Na tarde de sexta-feira (3), o plenário Ulysses Guimarães, da Câmara dos Deputados, ficou pequeno para os mais de mil homenageados de todas as cidades do DF e algumas do Entorno. A segurança da Casa estimou em pelo menos mil o número de pessoas presentes. FLORES - Mas as atenções estavam voltadas para a viúva de Joaquim Roriz. Ela foi ovacionada quando teve o nome citado por Izalci. O senador convidou sua esposa, Ivone, para entregar flores a dona Weslian, que foi cumprimentada pelos demais integrantes da mesa. ESPÓLIO - Nos discursos de Izalci e de Flávia Arruda, porém, ficou evidente a disputa que os dois travam pelo

espólio de Roriz. A deputada sequer citou o nome do próprio marido, José Roberto Arruda, também ex-titular do Palácio do Buriti. LIMINAR - Já a deputada Paula Belmonte aproveitou a oportunidade para, além de saudar as lideranças comunitárias, lembrar do fato mais importante do dia: a liminar do ministro Marco Aurélio Mello derrubando a decisão do TCU de obrigar o DF a devolver R$ 10 bilhões à União (leia notas na coluna à esquerda). INVESTIMENTOS - “Isto vai evitar que os investimentos do governo sejam interrompidos, o que certamente contribuiria para o aumento do desemprego na capital da República”, ressaltou a parlamentar do PPS.

Radicalismo em Vicente Pires Cerca de 250 moradores de Vicente Pires, segundo cálculos da PM, tentaram bloquear a EPTG no final da tarde de sexta-feira (3). Era um protesto contra os transtornos que enfrentam sempre que chove na cidade, enquanto as obras de infraestrutura “se arrastam a passo de cágado”, segundo um dos manifestantes. Mas eles só conseguiram fechar o acesso à própria cidade. Os motoristas que seguiam no sentido Taguatinga não foram prejudicados. RADICAL - O ato foi convocado pelo líder comunitário Gilberto Camargos. No início da tarde, durante uma reunião no Palácio do Buriti, ele não aceitou cancelar o protesto, o que foi considerado uma postura radical pelos representantes do governo. ESTIAGEM - A Associação Comercial (Acvips) não apoiou a manifestação. “É preciso entender que o governo está trabalhando, mas é impossível fazer obras de pavimentação sem um período de estiagem”, disse o vice-presidente da Acvips, Reynaldo Taveira. Ele lembra que as chuvas começaram em setembro do ano passado. “Quando chegar a estiagem, os trabalhos serão retomados em ritmo acelerado”, promete o GDF. DIVULGAÇÃO

BRASÍLIA CAPITAL - As homenagens se estenderam aos veículos de comunicação comunitária. Entre eles, o Brasília Capital, por sua penetração em Taguatinga, Águas Claras e Vicente Pires. O diploma foi entregue pelo senador Izalci Lucas ao jornalista Orlando Pontes.

Camargos (de chapéu): sem acordo


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Brasília

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Por Chico Sant’Anna

Em defesa de Brasília e da UnB

B

rasília nunca foi unanimidade. Os mineiros defendiam a mudança da Capital, mas sonhavam que ela fosse para Minas Gerais. Paulistas não queriam o Rio de Janeiro, mas nunca defenderam a transferência para o Planalto Central. Passados 59 anos, ainda perdura o sentimento de rejeição de autoridades de outros estados. Foi assim, por exemplo, com Fernando Henrique Cardoso transferiu agências reguladoras para o Rio de Janeiro. Em governos mais recentes, foi aventada a possibilidade de a matriz do Banco do Brasil ir para São Paulo, o que geraria desemprego no DF, já que nem todos os bancários teriam condições de se mudar. Ideias como essa, vira e mexe, são apresentadas por aqueles que ou não compreendem o papel de Brasília na Federação ou são contra a cidade. Recentes investidas vêm de parlamentares querendo retirar uma fatia do Fundo Constitucional do DF, que, dentre outras, assegura o custeio da segurança pública da capital que abriga missões de outros Estados. Uma proposta mesquinha. Retirar recursos do FCDF em nada alterará a realidade financeira das outras unidades da Federação, mas debilitará Brasília, que já vivencia um desemprego de 320 mil pessoas. Aqui estão representações diplomáticas de quase 200 nações e órgãos internacionais. Brasília tem importância estratégica diferenciada. Por isso, requer medidas igualmente diferenciadas.

SECOM/UNB

Corte no orçamento da UnB afetará a manutenção do campus, como as contas de água, luz, segurança e limpeza

Governo tem má vontade com a Capital da República No atual governo, a má vontade para com Brasília é nítida. Não houve apoio à constituição da Região Metropolitana, que poderia mitigar problemas sócio-estruturais do Entorno. Míseros R$ 3,5 milhões foram negados para que o trem regional começasse a operar entre a Cidade Ocidental e o Plano Piloto. O Planalto sentou em cima da MP que concede o reajuste da Polícia Civil, sem correção há dez anos. Agora, o MEC ameaça cortar 30% da UnB. São R$ 38,2 milhões a menos no orçamento, sendo R$ 33,6 milhões para custeio da manutenção dos campus (água, luz, segurança, limpeza). Mantido o garrote, é prejuízo para a CEB e a

Caesb – já deficitárias – e gente como serventes e vigilantes. Perdem, ainda, a construção civil, as empresas de informática, eletrônica e fornecedores de equipamentos. R$ 4,5 milhões seriam para investimento. Verba que não circulará mais por aqui. A UnB, criada por João Goulart em 1962, é a universidade de todos os brasilienses, até pelo fato de o DF não possuir uma universidade estadual. É necessário que todos se unam em defesa da UnB. Assim estaremos defendendo Brasília. O governador Ibaneis Rocha tem que assumir o papel de defensor de Brasília. Ao lado da bancada de senadores e deputados, nossos distritais, sindicatos, empresa-

riado, intelectuais, religiosos, jovens (universitários ou não), a comunidade em geral deve ir para a Esplanada dos Ministérios fazer um grande ato de desagravo à UnB, que assim como Brasília, é um patrimônio do Brasil. Aqui há um dos mais importantes centros de pesquisa da cura da malária. A UnB tem a nota mais alta do próprio MEC. Está entre as dez melhores do Brasil e as 20 melhores da América Latina. Não podemos deixar que a “balbúrdia” governamental destrua um patrimônio científico que levou mais de meio século para se materializar. Brasiliense, está na hora de defender a sua cidade e as suas instituições!


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ENTREVISTA ROSILENE CORRÊA

1º de Maio e os ataques aos direitos dos trabalhadores JÚLIO PONTES/BSB CAPITAL

O 1º de maio foi escolhido para homenagear trabalhadores de Chicago que deflagraram uma greve nesse dia, em 1886, pela redução da jornada de trabalho de 17 horas para 8 horas. O ato foi brutalmente reprimido, mas anos depois vários países adotaram a jornada de 8 horas e o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador. No Brasil, a data foi oficializada em 26 de setembro de 1924 como um dia era de protestos. Mas essa caraterística foi dissolvida por Getúlio Vargas, que trocou o nome de Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho, e alterou a concepção de dia de luta. Essa luta assegurou conquistas, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Carteira de Trabalho; salário mínimo; FGTS; jornada de 8h; férias e descanso semanal remunerados; 13º salário; insalubridade; adicional noturno; seguro-desemprego; licença-maternidade e paternidade; aposentadoria; Justiça do Trabalho, o fim do trabalho infantil, etc. Mas as elites ricas nunca aceitaram. Sempre tentaram acabar com esses direitos. E conseguiram isso

após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Aprovaram a reforma trabalhista que desmontou a CLT. Nesta entrevista, Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, afirma que, com a extinção de direitos, é preciso resgatar a luta do início do século 20.

– Porque extinguiu direitos e fragilizou as relações de trabalho. Enfraqueceu os sindicatos e colocou o trabalhador para negociar diretamente com o patrão. Colocou a Justiça do Trabalho sob risco de extinção e outra série de prejuízos.

Quais são os ataques à classe trabalhadora brasileira? – Aos direitos trabalhistas, sociais e até humanos. Estamos num estado de exceção que começou com o impeachment da presidenta Dilma. Denunciamos que o impedimento não era contra ela e, sim, contra os trabalhadores, e era um atentado à democracia. Dito e feito. Foram aprovadas a reforma trabalhista e a terceirização do serviço público, entre outras.

E a reforma da Previdência? – A reforma é para acabar com a seguridade social. É importante lembrar que a Previdência não é só a aposentadoria. Integra um conjunto de seguros que ajuda os trabalhadores nas horas difíceis, como o seguro desemprego, pensão por morte, licença maternidade e outros benefícios que, juntamente com o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), representa o fim da assistência do Estado ao cidadão necessitado.

Por que a reforma trabalhista é um ataque aos trabalhadores?

deste 1º de maio de 2019? - Que temos uma grande quantidade de lutas para enfrentarmos juntos. Só assim o Brasil voltará a olhar para os trabalhadores como prioridade. Nesse cenário, como fica a educação? – A educação é o caminho da justiça social. Por isso, de 2003 a 2014, houve investimentos na melhoria do ensino e na construção de novas universidades, creches e escolas de ensino básico. Hoje, o governo Bolsonaro a ataca para destruí-la. É tão sério que ele demoniza os professores e os calunia, chamando-os de doutrinadores, e atua para emburrecer o povo. Cortou 30% do orçamento financeiro das universidades e, para isso, chamou de “balbúrdia” os trabalhos de extensão feitos com as comunidades. É a desculpa dele para desmontar a universidade pública.

O que podemos tirar de lição

O MELHOR DAS CULINÁRIAS

Mineira e Goiana R$ 15,90 Segunda a sexta

QNA 1 lote 13 com. norte - Taguatinga Norte

R$ 19,90

sábado, domingo e feriado

R$ 21,90 SHCLS 202 Sul bl c loja 10 - Asa Sul

EXCETO FERIADO, SÁBADO E DOMINGO. VALORES SUJEITOS A ALTERAÇÃO


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Ibaneis lança o Emprega DF

GDF recorre ao STF contra decisão do TCU

Governador fortalece iniciativas de redução da carga tributária

O GDF obteve, sexta-feira (3), liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF, a uma ação impetrada na terça-feira (30), para reverter a decisão do Tribunal de Contas da União de retirar os recursos do Imposto de Renda incidente sobre os salários dos servidores das polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros. São R$ 700 milhões a menos por ano no orçamento do DF, além de uma dívida estimada em R$ 10 bilhões, referente ao passivo acumulado desde 2003. O pedido do TCU baseia-se no argumento de que as categorias são pagas com recursos do Fundo Constitucional, abastecido pelo Tesouro Nacional. Abaixo, confira os principais argumentos do GDF acatados temporariamente pelo STF:

ANTÔNIO SABINO/BSB CAPITAL

O governador Ibaneis Rocha (MDB) assinou terça-feira (30) dois decretos de desoneração da carga tributária do setor produtivo. Com isso, quer dar condições às empresas de contratar novos funcionários e contribuir para a redução do contingente de 320 mil desempregados no Distrito Federal. Durante a cerimônia de extinção da lei que do Diferencial de Alíquota (Difal), incidente no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Ibaneis também assinou decreto equiparando os impostos do DF aos das demais unidades federativas da região Centro-Oeste. Assim, empresas com sedes em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que vierem para Brasília terão a mesma carga tributária de seus estados de origem. A lei ainda estabelece alíquota zero para empreendedores que adquirirem máquinas e equipamentos, como tratores, por exemplo. FESTA - A festa para comemorar a extinção do Difal foi organizada pelo presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, no Sesc de Ceilândia. O espaço

Ibaneis: fim do Difal e equiparação dos impostos do DF aos dos estados da região Centro-Oeste

estava tomado por cerca de 500 pessoas, entre autoridades do Executivo e do Legislativo, empresários e lideranças comunitárias. “Tenho certeza de que a economia de 5% que as empresas terão com o não recolhimento do Difal será revertida na geração de empregos”, disse o líder classista. “O Difal é responsável pela extinção

de 30 mil postos de trabalho nos últimos cinco anos”, avaliou o secretário de Fazenda, André Clemente. “Nossa maior preocupação é com os jovens, que na década passada tiveram condições de estudar, e agora, com o diploma na mão, não encontram oportunidade para trabalhar”, disse o governador.

Fantasma da privatização assusta a Caesb Os dois mil funcionários da Caesb estão mobilizados para a assinatura do acordo coletivo de trabalho, que deve vigorar a partir de maio, nos termos do anterior, e o cumprimento do plano de reestruturação da companhia apresentado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) durante a campanha do ano passado. Também não aceitam a indicação do advogado Carlos Augusto Lima Bezerra para a presidência da empresa. O Sindicato que representa os servidores (Sindágua) acusa Bezerra de ser favorável à privatização da Caesb, o que contraria o planejamento do então candidato Ibaneis. As metas para os próximos quatro anos, que começaram a ser im-

plementadas em março pelo então Fernando Leite, se baseiam em quatro grandes eixos: aumento de receita, redução de despesas, eficiência empresarial e melhoria do clima organizacional. Para isso, foi prevista uma série de ações, como implementar 200 mil ligações de água e 240 mil novas ligações de esgoto por meio do programa Água Legal. Outra meta é reduzir para 25% o índice de perdas, hoje estimado em 34%. RECUPERAÇÃO – Depois de fechar 2018 com prejuízo de R$ 247 milhões e endividamento de R$ 1,06 bilhão, a Caesb ensaia recuperação e aponta tendência de lucro superior a R$ 20 milhões no primeiro trimestre des-

te ano, fechando 2019 com superávit superior a R$ 100 milhões. Para alcançar esse resultado, a aposta é no programa de recuperação financeira e eficiência lançado em março com o nome de Nova Caesb. Com esse plano, a Caesb espera, além de superar a crise financeira, afastar o fantasma da privatização e garantir segurança hídrica para a população. Entre as obras em andamento estão a interligação que permite a transferência de água entre diferentes sistemas produtores; a Estação de Tratamento de Água do Gama; a fase 2 do Sistema Paranoá; e a entrada em operação do sistema Corumbá. O Nova Caesb prevê a automatização de todas as unidades da empresa.

1. O governo ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) buscando reformar a decisão. Consta da ação pedido de tutela de urgência. 2. Os valores de Imposto de Renda, objeto da controvérsia, representam aproximadamente R$ 700 milhões anuais. Os montantes passados superam a cifra de R$ 10 bilhões. 3. Trata-se de valores astronômicos na perspectiva de um ente federado cujo orçamento é de cerca de R$ 40 bilhões anuais e que passa por uma delicada situação fiscal. 4. A necessidade de imediata reparação dos valores passados ou mesmo a perda dos recursos atuais representará um gravíssimo problema para o Distrito Federal, o que poderá inviabilizar a prestação de serviços públicos, a realização de investimentos e mesmo o pagamento de servidores públicos e fornecedores. 5. A gravidade da situação requer, neste momento, a adoção de medidas para garantir que as folhas salariais e as obrigações essenciais ou legais sejam pagas em dia.


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ESPÍRITO

NUTRIÇÃO

José Matos Crise, disposição e superação A criação superprotetora, muito comum na atualidade, está formando pessoas fracas, dependentes e sem disposição para enfrentar as adversidades da vida. Não importa se os pais são ricos. É preciso incentivar os filhos, desde cedo, a pensar com suas cabeças e caminhar com suas próprias pernas, como bem ilustra o filme "Sociedade dos Poetas Mortos”. Sempre que forem questionados, os pais devem perguntar aos filhos o que acham de determinada situação; o que imaginam como solução; se já pesquisou respostas sobre o tema. Assim, desde cedo, eles saberão que devem pensar numa solução antes do questionamento. Inteligência deriva da bagagem espiritual que cada um trouxe, da genética, e do número de ligações entre os neurônios geradas de acordo com a quantidade de estímulos do meio. Com a criação dependente ou indiferente, a indisposição que presenciamos tem como agravante o suicídio. Momentos de crise devem ser encarados como oportunidades de superação, criatividade, crescimento, mudança de atividade, de atitude ou de ambiente. Nas crises, tire o "S", crie. As crises acontecem periodicamente a pessoas, famílias, instituições e país. Não obstante, após cada crise a pessoa deve sair mais forte, mais sábia. Esta vida é só uma

Caroline Romeiro etapa da caminhada evolutiva. No livro "Paulo e Estevão", de Chico Xavier, o Apóstolo Paulo, no momento de ser degolado, adverte o carrasco: "não tenha pena de mim. Eu cumpri meu dever. Tenha pena de você, que vai continuar fazendo este trabalho imundo". Aprender, cumprir bem o dever, melhorando continuamente, voltar em paz. O mestre André Luís ensinou: "o dever bem cumprido é excelente travesseiro para a noite". Pais, muito mais importante que dar coisas é dar-se. Coisas passam; só a educação permanece. Chico Xavier, órfão aos quatro anos, adotado algum tempo por uma doida, de quem recebia castigos diários, inclusive espetadas de garfos, ensinou: "se eu voltar à Terra, jamais gostaria de passar pelo que passei, mas também não aceitaria pais que não me corrigissem". Energia, firmeza, afeto, diálogo, limites, acompanhamento, incentivo à superação nas adversidades, humildade e solidariedade. É com disposição e cooperação que a máquina da vida funciona. Aprenda, cresça, vença, compartilhe. Seja feliz!

José Matos Professor e palestrante

“Tem veneno na sua comida?” Com o questionamento do título deste artigo, os moradores de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, receberam o Primeiro Encontro Regional de Agroecologia, que ocorreu de 27 a 29 de abril. O encontro foi realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com a Fiocruz e a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, além da Articulação de Agroecologia da Região Serramar, da Prefeitura de Casimiro de Abreu e de diversas outras instituições e movimentos sociais. O evento teve como objetivo a reflexão sobre o modelo baseado no agronegócio e suas implicações para a saúde humana e o meio ambiente. O encontro mostrou, por meio de diversas experiências regionais da agricultura familiar, que é possível produzir alimentos “limpos”, sem resíduos de agrotóxicos, cultivados no campo e na cidade, garantindo soberania alimentar aos consumidores. Cada vez mais a população tem se preocupado, com toda a razão, com a qualidade dos alimentos que leva à mesa. O número de evidências tem crescido, mostrando que o consumo aumentado de agrotóxicos gera malefícios irreparáveis à saúde. Apoiar a produção agrícola local, de orgânicos e preferir os alimentos regionais da estação reduz os riscos associados ao consumo excessivo de agrotóxicos na alimentação. O interessante é pensar do porque o governo federal tem liberado tantos agrotóxicos para uso na lavoura brasileira. Vale a reflexão...

Caroline Romeiro Nutriocionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


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Continuamos na expectativa pelas soluções para a Saúde Ultrapassamos a barreira dos cem dias do atual governo ainda na expectativa de definição de um rumo para a solução dos problemas da Saúde no Distrito Federal. O entusiasmo da mudança no comando da política local esmaece a cada dia, pois promessas foram postas de lado e o que se vê é o velho “mais do mesmo”. E sugestões e propostas não faltaram: foram feitas ainda da época do primeiro turno das eleições de 2018, reforçadas no segundo turno e na transição de governo e apresentadas ao secretário de Saúde. A declaração do estado de emergência, por exemplo, apesar de necessária, reedita um ato que se repete desde o governo Agnelo Queiroz. No governo passado, ficamos três anos inteiros em emergência e tudo só piorou. O número de cirurgias realizadas este ano, segundo informação da Sala de Situação da Saúde da Secretaria de Saúde, datada de 10 de abril (porque a situação está sendo mostrada com dois meses de atraso) chega a 22 mil

procedimentos. No entanto, comparadas às 21,6 mil cirurgias registradas no primeiro quadrimestre de 2018 não impressionam. Nem no ano passado nem este ano foram divulgados os números detalhados por tipo e complexidade de cirurgia. Pelos números de 3.224 anestesias e 7.866 sedações (em 2019) fica claro que a grande maioria foi de menor complexidade. As informações de salas de cirurgia fechadas e de procedimentos suspensos por mera falta de luvas cirúrgicas corroboram essa percepção. A transformação do Instituto Hospital de Base em Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF, além de contrariar uma das maiores promessas de campanha do governador, foi feita sem que fosse sequer fechada ou feita uma prestação anual de contas do antigo instituto. Isso é outro fator que cria dúvidas sobre o embasamento técnico para a tomada de decisões. Não vemos movimentação para

reposição de pessoal e nem contratações temporárias para o atendimento pediátrico, que aumenta consideravelmente nesta época do ano. Do outro lado, com a falta de perspectivas de resgate do sistema público de saúde, vemos jovens médicos desistindo de atuar no serviço público e profissionais antigos, e com histórico exemplar, optando pela aposentadoria. Também foi sugerido o incremento da descentralização da gestão administrativa e financeira das unidades de saúde. Enquanto isso, a cada chuva vemos goteiras, infiltrações e inundações ocorrerem nos hospitais e unidades básicas de saúde chegando até a forçar a remoção de pacientes internados ou suspensão de atendimento. Enfim, por falta de medidas acertadas, o caos se perpetua. O que os gestores que chegaram agora ao DF chamam de crise na saúde é para servidores e usuários um quadro crônico. E o que lhes parece caminho para

Uma história de superação e de amor ao próximo ARQUIVOS PESSOAIS

Nos primeiros meses de 2018, o arquiteto José Reginaldo Alves (foto) se organizava para ser candidato a deputado distrital. Procurava um partido político para se filiar e fazia contatos com possíveis eleitores, dando especial atenção ao Núcleo Bandeirante, onde mora desde quando mudou-se para Brasília, com apenas sete meses de idade. “Mas esta não era a vontade de Deus”, resigna-se hoje o quase político. Em junho, Renato, como é popularmente conhecido na cidade, sentiu-se muito mal. Ao se internato, foi diagnosticada uma doença grave, que o levou a ser submetido a uma cirurgia de emergência. Da noite para o dia, sua rotina mudou. Em vez de campanha eleitoral, precisou cuidar da saúde. E fez um voto pela vida.

À primeira cirurgia sucederam-se outras. Os dias no hospital se prolongaram e, diante do pesado tratamento, Renato temeu o pior. Mesmo assim, encontrou forças

para transformar a própria dor em alento para outras pessoas. Em vez de quedar-se a lamentos e medos, resolveu escrever um livro contando sua história e sua luta, com o apoio de amigos e familiares. O esforço de Renato se materializou no livro “Vontade de Viver”, que ficou pronto em março deste ano. A obra terá dois lançamentos: um em Brasília e outro em Abadiânia, sua terra natal, tão logo ele se restabeleça da última cirurgia. Toda a arrecadação será doada à Abrace. “É uma obra para motivar pessoas que estejam passando por momentos difíceis. Trata-se de uma história de superação e de amor ao próximo. Daí a decisão de doar o dinheiro da venda do livro para ajudar no tratamento de crianças atendidas pela Abrace”, conclui Renato.

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

soluções já se mostrou, no passado, como o conjunto de atalhos que nos trouxeram à atual situação caótica. Para avançarmos no resgate da Saúde do DF é indispensável que todos os segmentos sejam ouvidos e que os esforços de governantes, gestores, servidores, órgãos de controle e da sociedade organizada sejam considerados, valorizados e, depois de validados, colocados em práticas. Enquanto isso não acontece, continuaremos nos perdendo no meio do caminho.

Cadê minha mãe? A escritora Giulieny Matos trabalha há vinte anos no complexo penitenciário da Papuda. A convivência com mulheres presas a levou a conhecer a história dos filhos delas. Um desses dramas a inspirou a escrever o livro “Cadê minha mãe”, com textos em inglês e portugues e ilustrações de Anderson Leonel. O trabalho recebeu recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do DF. A obra conta a história de uma criança que visitava semanalmente a mãe, detenta do sistema carcerário. Giulieny Matos já fez diversos lançamentos do livro, inclusive na Holanda, e aceita convites para eventos de autógrafos. Mais informações pelo 61-98131-6214, que também é WhatsApp.

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