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Ministro da Justiça depõe no Senado e não vê anormalidade em ter orientado, como juiz, a força-tarefa da Lava Jato a produzir provas contra Lula Página 2

Ano VIII - 418

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RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

E se todos os juízes julgassem igual ao Moro?

Brasília, 22 a 28 de junho de 2019

JP RODRIGUES/METRÓPOLES

Covardia e maldade Empresário arrasta idosa pelo asfalto, diz que foi uma brincadeira e pode responder por tentativa de homicídio A diarista Marina Izidoro vendia balões na festa junina do Colégio Marista, em Taguatinga Sul, quando Willian Weslei Vieira e uma acompanhante ainda não identificada roubaram a mercadoria e fugiram numa Mercedes. Mas as bexigas estavam amarradas ao braço da idosa de 63 anos. À polícia, ele disse que foi uma “brincadeira”. Ninguém achou graça. Página 8

Capital da Esperança está ficando sessentona

PGR é contra anulação da pena de Lula

Formação em Medicina é a prática do conhecimento

Brasília só completa 60 anos em 2020, mas alguns prédios, como o Bloco D da SQS 106, ficaram prontos antes da inauguração da cidade

Raquel Dodge encaminha manifestação ao STF pelo indeferimento do pedido da defesa do ex-presidente

No Brasil, quem melhor propicia essa condição aos médicos são o Sistema Único de Saúde,o maltratado SUS, e os hospitais universitários

Chico Sant’Anna - Páginas 4 e 5

Pelaí - Página 3

Dr. Gutemberg - Página 6


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 22 a 28 de junho de 2019 - bsbcapital.com.br

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Moro acha normal juiz orientar acusação contra réu O ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse, em audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, quarta-feira (19), que não vê irregularidade nos diálogos entre ele e o procurador Deltan Dallagnol divulgados pelo site The Intercept Brasil. As conversas mostram que Moro, como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, orientou o Ministério Público a produzir provas contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que acabou condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Moro insistiu que mais grave do que o conteúdo de suas conversas - cuja veracidade ele põe em dúvida - foi a violação de seu aplicativo Telegram. E afirmou que “casos de corrupção exigem métodos especiais de investigação”. Ou

seja, o ministro da Justiça é favorável ao desrespeito ao Código Penal e à Constituição, que prevêem que o Poder Judiciário seja imparcial. “Na tradição jurídica brasileira não é incomum que juiz converse com promotor. Isso acontece a todo momento”, exemplificou. O ex-juiz se disse “absolutamente tranquilo” quanto à correção de suas decisões. E negou ter qualquer participação na decisão do TRF4 de aumentar a pena de Lula de 9 anos e 6 meses para 12 anos e um mês. Desafiado por um senador a se afastar do Ministério da Justiça para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal sobre seus atos, reiterou não ter apego ao cargo. Mas só sairá se ficar provado que errou. “Sempre agi com base na lei e de maneira imparcial”. E desmentiu que tenha um acordo com o presidente Jair Bolsonaro

para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal. REPRIMENDA - Para Moro, não tem comparação a divulgação de suas conversas com a força-tarefa e a autorização dada por ele para publicação dos telefonemas entre os ex-presidentes Lula e Dilma, em 2016, que foi decisiva para a derrubada da nomeação do petista como ministro da Casa Civil. “Ali havia uma interceptação autorizada legalmente. Pode-se até discutir a decisão, mas havia uma decisão legal”. No entanto, ignorou uma reprimenda pública do então relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, falecido em desastre aéreo em 2017. “O ato comprometeu o direito fundamental à garantia de sigilo, que tem assento constitucional”, advertiu Teori.

Chamem o VAR para a Lava-Jato Peniel Pacheco (*) A justiça brasileira passa por profundas mudanças e transformações. Algumas se referem à tentativa de garantir respostas mais ágeis à crescente demanda verificada nos fóruns e tribunais do País. O aumento da percepção em relação aos direitos que assistem aos cidadãos ampliou a tendência de judicialização em áreas como saúde, relações de consumo, acidentes de trânsito e até conflitos familiares. Para fazer frente ao turbilhão de ações que abarrotam as mesas dos magistrados, adotam-se medidas como os Juizados Especiais, audiências de conciliação, justiça móvel, ampliação do número de varas especializadas e incremento dos tribunais de arbitragem. Outras mudanças, no entanto, não têm a ver com ações administrativas planejadas pelos gestores. A mais perceptível é a espetacularização dos julgamentos, com a transmissão “ao vivo” das sessões do Supremo. Torcidas organizadas se formam para acompanhar cada lance, como se fosse uma partida de futebol. Nesse cenário, descobrimos que os ministros são gente como a gente. Que, apesar das suntuosas capas pretas, co-

metem derrapadas jurídicas e verbais. E que o Direito é bastante elástico e dá margem para múltiplas interpretações da Constituição, até mesmo de acordo com o quilate do paciente objeto da ação. O lance mais recente foi o vazamento de conversas entre promotores e o juiz da Lava-Jato, que trouxe a público algo até então desconhecido da maioria das pessoas – os “embargos auriculares (ocasiões em que o juiz dialoga com advogados e promotores para tratar, em tese, dos andamentos do processo. Foi o estopim para trazer de volta às arquibancadas as duas torcidas: “Pode isso, Arnaldo?” – indagaram alguns. “Foi penalidade máxima!” – exclamaram outros. “A decisão precisa ser revista!” – insistiram os que estavam perdendo o jogo. “Lance normal!” – rebateram os que já cantavam vitória! Se fosse no futebol bastaria chamar o VAR, recurso pelo qual os lances polêmicos são revisados, dando ao árbitro a chance de corrigir eventuais erros. Mas, onde caberia a comparação com o VAR na Lava-Jato? Há fortes indícios de que as conversas entre Moro e os promotores realmente aconteceram. Afinal, nenhum deles negou. A questão é: o que foi tratado é imoral, ilegal ou antiético? E cabe ou-

tra indagação: se tais articulações são normais, por que tamanha inquietação com a divulgação das conversas? No lugar de criminalizar os vazamentos não seria mais sensato abrir seus conteúdos atribuindo-lhes o devido contexto? Basta encaminhar os celulares usados nas conversas para a Polícia Federal, o que é usual em ações de busca e apreensão. Caberá à perícia recolher provas nos aparelhos dos suspeitos. Se houver reconhecimento de que o teor das conversas é verdadeiro, com a ressalva de que tais abordagens são normais, não há o que temer. Mas, infelizmente, o hipotético VAR jamais será acionado, porque o juiz do processo alega não ver motivo para rever sua conduta. E ele é o dono do apito, ou melhor, da caneta. Restará patente que a transparência no Judiciário vai se limitar às já costumeiras cenas na arena de egos onde a disputa gira em torno da melhor performance jurídica perante a opinião pública. Ali as sessões da tarde e da noite continuarão a revelar os melhores e os piores momentos da Suprema Corte do país do futebol.

(*) Ex-deputado distrital e Mestre em Ciências da Educação


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BOLA DE CRISTAL - Vagam pelas nuvens da internet postagens de um blogueiro que procura pelo em ovo. O pseudopaladino do jornalismo publicou no dia 23 de março o que, supostamente, seria o resultado antecipado da licitação que escolheria a agência que atenderá a conta de publicidade da Terracap. Mas deu com os burros numa mina pedrosa. Não venceu a DeBrito, desmentindo a previsão do blogueiro. A mina voltou a transbordar suas maldades na quarta-feira (19). Agora, tentando mostrar que a vitória da agência CCP na fase técnica) foi um jogo de cartas marcadas para beneficiar o marqueteiro Antônio Lavareda. Mas não atentou que a CCP pode ser ultrapassada por outra concorrente na etapa do julgamento do preço.

Conferência reúne fabricantes de armas De segunda-feira (24) a quinta (27), Brasília vai receber a Conferência de Simulação e Tecnologia Militar (CSTM), um dos mais importantes eventos do segmento de Defesa e Segurança da América Latina. Durante o evento, serão divulgados assuntos relativos à segunda fase de implantação do Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. Entre os expositores estão Taurus, Condor, CBC e IMBEL. PALESTRANTES - Dentre os palestrantes estarão o general Guilherme Cals de Oliveira, secretário nacional de Segurança Pública; o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Marcos Pontes; o presidente do Conselho Temático da Indústria e da Defesa (Condefesa) da CNI, Glauco Côrte; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, Roberto Gallo; o presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa, Carlos Aguiar; e o comandante de Defesa Cibernética, general Guido Naves.

PMs e bombeiros O período de seca traz, todos os anos, as queimadas no cerrado. Para reduzir o impacto dos incêndios, o GDF entregou novas viaturas ao Corpo de Bombeiros. Na PM, a ordem é concluir a formação de 700 praças que entrarão no policiamento preventivo ainda este ano.

Dodge é contra anulação da pena de Lula A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou, sexta-feira (21), manifestação ao STF pelo indeferimento do pedido de anulação da ação que condenou o ex-presidente Lula. Ao se pronunciar sobre novo pedido da defesa baseado em supostas comunicações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, a PGR destacou a existência de “fundada dúvida jurídica”, o que, segundo ela, impede a procedência do pedido de suspeição do então juiz federal Sérgio Moro. HABEAS-CORPUS - Em 2017, Moro –

então titular da 13ª Vara Federal no Paraná – condenou o ex-presidente a 9 anos e seis meses de prisão. Lula teria ocultado a propriedade de um apartamento no litoral paulista, recebido da Construtora OAS e investigado pela Lava Jato. O julgamento do habeas-corpus será dia 25 de junho. Entre os fundamentos para o pedido estão as publicações acerca da conjuntura do julgamento do processo em primeira instância. O pedido da defesa é contra decisão da Quinta Turma do STJ que, em abril de 2019, manteve a condenação do petista.

Playboy no BNDES DIVULGAÇÃO

A nomeação do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, de 38 anos, que substituirá Joaquim Levy, demitido domingo (16), é atribuída aos filhos de Jair Bolsonaro. Amigo pessoal do novo chefão do BNDES, Eduardo Bolsonaro estava presente num ruidoso episódio que escancara o estilo de vida do recém-nomeado. Em outubro de 2015, Montezano envolveu-se numa briga no edifício em que morava no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Ele comemorava seu aniversário madrugada a dentro.

FESTA DE ARROMBA - Era sua terceira festa de arromba em 80 dias. Repreendido, discutiu com o zelador e arrombou portões do edifício. Câmaras de segurança registraram a confusão. O condomínio registrou uma queixa-crime e processou o executivo por danos materiais e morais. Ele foi condenado em duas instâncias. A defesa alegava que era uma reunião com parentes e amigos. O juiz, na sentença, foi taxativo: a explicação não convencia. Ao fim, foi fechado um acordo e Montezano teve de desembolsar R$ 28 mil.

Bolsonaro: “índio já tem terra demais” O Ministério Público Federal vai tomar as providências cabíveis para impedir a transferência da competência da Funai para o Ministério da Agricultura de demarcar terras indígenas. A mudança, feita por medida provisória assinada na quarta-feira (19) pelo presidente Jair Bolsonaro, foi recebida com “perplexidade” no MPF. A Funai é vinculada ao Ministério da Justiça. “NÃO ASSINO” - Na quinta-feira (20), Bolsonaro afirmou que quem decide sobre o assunto é ele e que não vai demarcar terra indígena por considerar que eles já têm áreas demais em suas mãos. “Quem decide na ponta da linha sou eu e eu assino decreto demarcatório. Não vou assinar nenhuma nova reserva indígena”, disse ele em Guaratinguetá (SP). DESRESPEITO - A transferência de competência já havia sido objeto da MP 870, mas o trecho foi rejeitado pelo Congresso. O MP classifica a insistência do presidente como desrespeito às prerrogativas do Legislativo.

Previdência O governador Ibaneis Rocha aposta que a Previdência do GDF será superavitária em R$ 1,5 bilhão em 2020. Tarefa árdua. Afinal, em 2018 o déficit foi de 2,4 bilhões e a previsão para este ano é de um déficit de R$ 600 milhões. Ele defende a inclusão dos estados no projeto de reforma do governo federal.


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Brasília

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress. com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com

Por Chico Sant’Anna

E Brasília tá ficando sessentona...

A

contagem regressiva para os 60 anos de Brasília já começou. E, à medida que o cronômetro regride, as primeiras obras erguidas no Plano Piloto, antes mesmo da inauguração, vão se tornando sexagenárias. É o caso do Bloco D, da SQS 106, que completou 60 anos no dia 20 de junho. Foi o primeiro bloco de apartamentos a ficar pronto na Nova Capital, que ficou pronto antes do Palácio da Alvorada, a residência presidencial. Coube à Kósmos Engenharia S/A a tarefa de erguer os onze blocos da superquadra, custeada pelo Instituto de Assistência Previdenciária dos Comerciários (IAPC). Os irmãos Cláudio, Hélio e Mario Sant’Anna, que deixaram o Rio de Janeiro em 1957, foram os engenheiros responsáveis para implantar o acampamento e dar início aos trabalhos. Ainda não havia Lago Paranoá. Não existia Eixão, Eixinho, nem W.3. O Jeep era o único veículo a enfrentar as trilhas na mata. A construção da SQS 106, como de outras quadras naquela época, marca a coragem e o caráter desbravador de profissionais que vieram materializar o sonho de Juscelino Kubitscheck. Não foram muitos os que trocaram o conforto das grandes cidades, como o Rio e São Paulo, para se embrenhar nas matas do Planalto Central. O ex-presidente do Sinduscon-DF, Luiz Carlos Botelho Ferreira, certa vez me revelou que não chegavam a 100 os engenheiros e arquitetos que vieram pra Brasília antes de 1960.

FOTOS: CHICO SANT’ANNA/ARQUIVO FAMILIAR

Em junho de 1959, os primeiros prédios da SQS 106, ficaram prontos. Ao lado, o engenheiro Cláudio com sua família no canteiro de obras

Acampamentos eram minicidades Além de ter a responsabilidade de erguer os 11 prédios, construtoras daquela época eram obrigadas a assegurar o suporte necessário aos seus operários. Serviços que numa cidade constituída podem ser alcançados em todos os bairros. Alimentação, moradia e saúde eram garantidas dentro dos canteiros de obra. É por isso que Brasília é dotada até hoje de acampamentos. Alguns eram erguidos fora das obras, como

os que existiram na Vila Planalto. E outros, dentro do próprio canteiro de obras, que foi o caso da SQS 106. Engenheiros, arquitetos, apontadores, milhares de operários viviam dentro das obras. Isto exigia a existência de cantinas para alimentar, três vezes ao dia, milhares de pessoas. Um canteiro de obra era uma minicidade. Afinal, em 1957, ainda não existiam cidades-satélites no DF. Os povoados mais próximos eram Bra-

zlândia e Formosa, que ficavam em território goiano e foram, à época, incorporados ao território do Distrito Federal. Taguatinga só surgiu em meados de 1958. Sobradinho é de maio de 1960 e o Gama é de outubro. Fora os canteiros, só existia a Cidade Livre – hoje Núcleo Bandeirante, que era o centro de compras de todos que aqui viviam –, e a Candangolândia, que também dava seus primeiros passos.


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CHICO SANT’ANNA/ARQUIVO FAMILIAR

QNA 1 lote 13 com. norte Taguatinga Norte (61) 3352-5882

Cláudio Sant’Anna, ao lado de JK: o pioneiro foi o primeiro presidente do Sindicado da Construção Civil do DF

Os desbravadores irmãos Sant’Anna Em 1º de outubro de 1957, a Lei 3.273 determinou o início das obras de construção da Nova Capital. Dois meses depois chegavam por essas bandas os irmãos Sant’Anna.Com pouco mais de 30 anos de idade, casado com a professora de idiomas Norma Sant’Anna e quatro filhos (o caçula com seis meses de idade era eu), Cláudio Sant’Anna, veio para Brasília e nunca mais voltou para o Rio de Janeiro. Seu pioneirismo lhe rendeu o registro número 4 no Conselho Regional de Engenharia, além de ter sido fundador e primeiro presidente do Sinduscon-DF.

Se construir hoje uma superquadra já é um desafio, imagine naquela época, quando não havia nenhum suporte de logística! Nos canteiros de obra não havia energia elétrica, nem água encanada, nem esgoto. Gerador de eletricidade e poços abasteciam as necessidades da obra e de seus profissionais. Insumos para a construção tinham que ser tirados nas redondezas pelas construtoras. Brita vinha das pedreiras e a areia dos rios goianos. Em alguns caso, as próprias construtoras se responsabilizavam para extrair, elas mesmas, os minerais necessários, operando dragas

e britadeiras. Cimento? Não havia naquela época as duas fábricas na Fercal. Era necessário ir até Anápolis, a 150 Km, por de estrada de terra. A cidade goiana era um verdadeiro entreposto de material de construção, provenientes de São Paulo e Minas Gerais, na maioria dos casos. Quem chegasse primeiro garantiria seu abastecimento de ferro, cimento, cerâmicas, pregos, madeira, enfim, tudo que hoje basta pegar um telefone e solicitar. Ah, também não havia telefone. O Departamento de Telefonia Urbana e Interurbana da Novacap (DTUI) ainda estava nascendo.

Bloco D da SQS 106 expõe epopeia REPRODUÇÃO FACEBOOK

Parte dessa epopeia vai ser exposta no salão de festas do Bloco D da SQS 106, prédio que já guarda uma placa descerrada por JK atestando ser o primeiro edifício residencial da cidade, e agora abrigará uma galeria de fotos histó-

ricas. A iniciativa da síndica Suely Nakle De Roure (foto) perpetuará a coragem e a determinação de uma geração que não apenas sonhou com um Brasil melhor e mais igual, mas botou a mão na massa para que isso ocorresse.

SHCLS 202 Sul Bl. C loja 10 - Asa Sul (61) 3224-4818


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O SUS é a nossa melhor escola No mundo inteiro, a formação em Medicina é pautada na aplicação prática do conhecimento, desde os primeiros semestres nas universidades. Esse é um processo que se prolonga por toda a vida do médico, que se tornará um profissional obsoleto caso deixe de se atualizar. Isso inclui atualização teórica, aprendizado de novas técnicas e incorporação de novas tecnologias, que dependem de participação em cursos, congressos e eventos técnicos e de muita leitura. Por último e não menos importante, depende da rotina de vivência plena da atividade médica. No Brasil, quem melhor propicia essa última condição aos médicos são o Sistema Único de Saúde, nosso tão maltratado SUS, e a rede de hospitais universitários do país. São raras as instituições privadas de saúde que oferecem as condições para o pleno desenvolvimento do profissional da Medicina no País. E não há investimento em tecnologia que suprima a necessidade de boa qualidade dos profissionais que executam os

procedimentos médicos. É no SUS que se realiza a maioria dos programas de residência médica e é nele que a grande maioria dos profissionais adquirem a expertise na sua especialidade. E esse também é um foco da preocupação das entidades médicas diante dos rumos das políticas públicas de saúde adotadas pelos governos federal, estaduais e municipais. Um dos pontos de preocupação é o sucateamento das unidades públicas de saúde. A falta de leitos, de equipamentos e materiais que impedem a realização dos procedimentos dos quais os pacientes precisam, impedem também que os médicos residentes participem das atividades supervisionadas em quantidade adequada para serem bons especialistas. Quem se voluntaria para uma cirurgia cardíaca com alguém que mal pode acompanhar a realização desse procedimento durante sua especialização? A política de precarização das relações de trabalho, com criação

de institutos e gestão das unidades públicas de saúde por organizações privadas (sejam empresas privadas ou do terceiro setor) é outro fator que tende a afetar a qualidade dos profissionais. Segundo estimativa apresentada em estudo da Universidade Federal do Espírito Santo, médicos contratados em regime celetista por Organizações Sociais não costumam passar mais do que cinco anos no emprego. Em geral, esses contratantes não oferecem um plano de carreira, cargos e salários. Mais um fator que traz preocupação sobre a qualidade da assistência médica que será oferecida no futuro, a começar de agora, é o incentivo à não especialização. A contratação de recém-formados, sem especialização, como médicos de família e comunidade e emergencistas para atuar como “pau para toda obra” pode resolver um problema de estatística de atendimento, mas não é a melhor opção quando se pensa em resolutividade da assistência prestada. Não é difí-

BRB vai gerir a Torre de TV PAULO H. CARVALHO/AGÊNCIA BRASÍLIA

O BRB assinou, quarta-feira (19), protocolo de intenções com a Secretaria de Turismo para analisar a viabilidade da gestão da Torre de TV de Brasília, cartão postal da cidade que atualmente está indisponível para visitação. O presidente do banco, Paulo Henrique Costa, afirmou que, a partir da assinatura do documento, o próximo passo é realizar os estudos para avaliar a viabilidade e estruturar um plano de trabalho e de ocupação dos espaços. “A razão de existir de um banco local é devolver uma parte do valor que ele gera à população. É isso o que estamos fazendo. Somente um banco local, que reconhece as características e as necessidades da cidade, e tem a intenção de estar

Paulo Henrique Costa: BRB investe em Brasília

junto da população, se dispõe a fazer projetos como esse”, disse Costa. Para a secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, as ações realizadas pelo BRB na atual gestão têm demonstrado o carinho da Instituição com Brasília. O secretário de projetos especiais do GDF, Everardo Gueiros, e o presidente da

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

cil imaginar que essa prática pode levar a um aumento da judicialização na área da saúde. O bom funcionamento do SUS é, como se vê, não só a garantia de acesso à assistência em saúde para a grande maioria da população brasileira, mas também a de que continuaremos tendo profissionais com a alta capacitação – o que interessa também à fatia mais rica da população. Mais uma vez se demonstra que o SUS é uma das maiores realizações da democracia no Brasil.

Sebrae abre inscrições para Projeto Mulher de Negócios Novacap, Cândido Araújo, também assinaram o protocolo. Eles destacaram que o trabalho conjunto das instituições entregará à população de Brasília monumentos como ela, de fato, merece. CONSIGNADO - O BRB passa a oferecer, a partir desta semana, crédito consignado para pessoas jurídicas privadas. Desenvolvido e remodelado para atender às necessidades dos funcionários do setor privado, o crédito visa contribuir com a política de recursos humanos das companhias e facilitar o acesso ao crédito. O produto do BRB será oferecido em um novo formato mais ágil e com taxas e condições diferenciadas das já praticadas pelo mercado. Informações no site www.brb.com.br.

Até o dia 30 de junho, mulheres interessadas em empreender, gerar negócios e transformar projetos de empreendedorismo em realidade poderão se inscrever na primeira edição do projeto Mulher de Negócios do Sebrae-DF, que fornecerá capacitação focada soft skills (habilidades socioemocionais) e hard skills (habilidades técnicas). Estudo da Global Entrepreneurship Monitor apontou que nos últimos três anos as mulheres respondem por 51,4 % dos pequenos negócios formalizados no País, garantindo ao Brasil a terceira posição da lista de nações com a maior proporção de mulheres entre os empreendedores iniciais. No Centro-Oeste, há mais de 1,6 milhão de empreendedoras, segundo a GEM. No DF, elas estão em sua maioria nas áreas de serviços e comércio.


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ESPÍRITO

José Matos Gratidão e felicidade Egoístas, arrogantes e ingratos são olhados, com antipatia e desprezo. Solidários e otimistas são vistos de forma positiva Você atrai a sua miséria ou a sua felicidade. Se sempre que você obtiver insucesso, vitimizar-se, culpar os outros ou justificar seus atos errados, nunca amadurecerá e não sairá do estado de infelicidade. Há algo errado em sua formação. Descubra-o! Liberte-se! Não são os problemas e decepções, em si, que lhe

causam infelicidade, e sim, a forma como você reage. Sempre que sua reação for de DDR (desânimo, desespero ou revolta), você cairá mais. Sempre que for de DDG (disposição, dedicação e gratidão), você amadurecerá, crescerá e vencerá. Observe como as pessoas pessimistas, maledicentes, ingratas, miseráveis

NUTRIÇÃO

Caroline Romeiro Quais os benefícios do alecrim? Planta tem potencial terapêutico, antioxidante, anti-inflamatório e diurético. Mas sua utilização em excesso é contraindicada O alecrim (Rosmarinus officinalis L.) é uma erva perene de origem mediterrânea conhecida popularmente pelas suas propriedades mewwdicinais marcantes. Pode ser utilizada também em preparações culinárias devido aos seus aromatizantes. Tem como princípios ativos compostos fitoterápicos, como os flavonóides,

TV Comunitária lIGADA EM BRASÍLIA

derivados cafeicos, óleos essenciais, dentre outros. É bastante utilizado na prática nutricional, pois apresenta potencial terapêutico, antioxidante, anti-inflamatório e diurético. Além disso, atua fortemente no processo digestivo, devido à presença de algumas substâncias que auxiliam na

atraem misérias sobre elas e se dizem azaradas ou sem sorte. Há acontecimentos naturais e desagradáveis em nossas vidas que não podemos evitar, mas a maior parte foi atraída por nossa postura negativa. Os miseráveis, egoístas, arrogantes e ingratos são olhados, com raras exceções, com antipatia e desprezo. Eles vivem nesse oceano de vibrações negativas que dificulta suas vidas e, muitas vezes, impede suas realizações. Ao contrário delas, as pessoas solidárias e otimistas, com algumas exceções, são vistas de forma positiva e parecem serem pessoas de sorte. Em geral, temos tendência à derrota e, pessoas de alto astral nos contagiam porque são lembranças de como devemos ser, das nossas possibilidades, de vitórias. Pessoas pessimistas, ao contrário, são lembranças de como não deve-

mos ser, de derrotas, de fracasso. Quando uma pessoa desanimada, pessimista, gosta da amizade de outros iguais, está muito doente e só piorará o seu estado. Procure amizade com gente alegre, otimista, disposta. Evite comentários desencorajadores e verá que, gradualmente, se alegrará e se animará, porque alegria e ânimo estão em estado latente dentro de você. Aprenda com Dalai Lama: “seja compassivo e desapegue-se”. Aprenda com Jesus: “busque o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais te será dado de acréscimo”. Comece, como um exercício, observando, colaborando, sem esperar retorno, e verá como lentamente a sua vida melhorará.

digestão de gorduras e proteínas. Também pode ser utilizado no tratamento de gastrites e na recuperação de lesões na mucosa intestinal. Alguns estudos já relatam que o alecrim também pode ser considerado um hepatoprotetor, pois os flavonóides presentes em sua composição atuam na detoxificação hepática, ou seja, auxiliam o fígado na eliminação de substâncias tóxicas. As folhas do alecrim também são utilizadas como antiespasmódico na cólica renal e na cólica menstrual, no alívio dos sintomas das crises respiratórias e para estimular o crescimento dos cabelos. O consumo pode ser feito por meio de chás, infusões ou até mesmo em preparações para temperar peixes e aves, utilizando as folhas ou as flores da planta, que é facilmente encontrada em supermercados, lo-

jas de produtos naturais e em feiras. A utilização em excesso deve ser evitada, pois pode causar possíveis efeitos colaterais ao organismo, como irritação cutânea, sensibilidade da pele quando exposta à luz do sol, crises convulsivas, aumento da glicemia e da pressão arterial. Ressalta-se, também, que seu consumo é contraindicado durante a gravidez e lactação, para diabéticos, hipertensos, epiléticos e crianças. Portanto, recomenda-se que a prescrição seja feita por um nutricionista que entenda as propriedades do alecrim.

José Matos Professor e palestrante

Texto elaborado pelas nutricionistas: Bárbara Almeida, Jamile Braz, Juliana Almeida e Rhaylane Gomes. Revisado por: Caroline Romeiro.

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Brincadeira sem graça Empresário arrasta idosa por 100m com carro de luxo e pode responder por tentativa de homicídio Para o empresárioWillian Weslei Lelis Vieira, 34 anos, dono de uma factoring (atividade em que se empresta dinheiro a juro, em geral acima das taxas do mercado), a vida de uma pessoa tem pouco valor. Ao se apresentar na terça-feira (18) à 12ª DP (Taguatinga Centro), ele disse ser uma “brincadeira” o crime que cometera três dias antes. Willian arrastou a diarista e vendedora Marina Izidora de Morais, 63 anos, por cerca de 100 metros com sua possante Mercedes Benz Cla AMG branca modelo 2016, avaliada em R$ 220 mil. Depois de fugir sem prestar socorro à vítima, ele se apresentou acompanhado do advogado Leonaldo Correa Brito, depôs por duas horas e foi liberado. O delegado Paulo Henrique de Almeida ficou em dúvida se o indicia por tentativa de homicídio ou por lesão corporal, uma infração mais branda. Já o titular da circunscricional, Josué Ribeiro, procura provas, como marcas de sangue e de pele no carro, para en-

DIVULGAÇÃO

JP RODRIGUES/METRÓPOLES

quadrá-lo por tentativa de homicídio e lesão corporal com intenção de práticar um crime (roubar as bexigas). Exibindo marcas roxas no rosto, nos braços e nas pernas, e sentindo dores por todo o corpo, a diarista não viu graça na “brincadeira” de Willian. “É uma grande maldade”, desabafou a idosa, ao saber o conteúdo do depoimento de seu algoz, que no dia do ataque estava acompanhado de uma mulher não identificada, de 28 anos. A versão do casal é semelhante à de Marina. No sábado (15), às 19h45, ela vendia balões do lado de fora da festa junina do colégio Marista, em Taguatinga Sul. Willian e sua acompanhante pararam e perguntaram quanto custavam. R$ 15 cada, respondeu a vendedora. Os clientes ofereceram R$ 25 em três. Ela pediu R$ 30. Nesse momento recebeu uma ligação no celular. Enquanto atendia o telefone, a dupla resolveu levar a mercadoria sem pagar. A passageira puxou os balões e o motorista arrancou o carro. Mas o cordão dos balões estava amarrado no braço da senhora. Ela foi arrastada por 100m e só se salvou porque a linha arrebentou. Marina considera um milagre estar viva. E Willian segue livre para continuar fazendo suas brincadeiras de mau gosto.

Marina, foi arrastada no asfalto por cerca de 100m pela Mercedes dirigida por Willian: “brincadeira”

Desculpa, Dona Marina! Gabriel Pontes Quando vi a imagem de Dona Marina, de 63 anos, ensanguentada e deitada no asfalto em Taguatinga, perguntei a Deus do Céu: "por que tamanha judiação?". Nordestino que se preze gosta de São João. E se emociona com Luiz Gonzaga. Na casa da minha vó Elza, o mês de junho tinha gosto de canjica, e os dias eram coloridos pelos retalhos que ela tirava da gaveta para enfeitar nossas roupas de quadrilha.

Foi assim durante toda a minha infância e de meu irmão Júlio. Desde o tempo dos estalinhos até a época das paqueras na festa do Marista, em Taguatinga Sul. Nessa mesma escola, nessa mesma festa, um carro arrastou Dona Marina no último sábado (15) por 100 metros. Ela vendia balões e chegou a oferecer um desconto para o motorista e sua passageira. Os balões custavam R$ 15, ela aceitara vender por R$ 10. No fim da negociação, os balões quase lhe

custaram a vida. O casal tentou levá-los à força. A passageira puxou os balões e o motorista arrancou com o carro, cujo valor (R$ 220 mil) daria para comprar 22 mil balões já com o desconto prometido pela vendedora. Minha avó não vendia balões, mas passava horas atrás do balcão do armarinho contando botões e medindo fitas. Ali fez amigos e enfeitou a calça de muita gente. Taguatinga é lugar de gente boa, como minha saudosa vó Elza. Com

certeza, no Céu, ao lado de São João e Santo Antônio, no sábado ela chorou por Dona Marina. É em nome de minha vó e de todas as pessoas de bem de Taguatinga que pedimos: desculpa, Dona Marina! Ps.: Dona Marina, além de vender balões, é diarista. Devido aos ferimentos, não está conseguindo trabalhar. Ela precisa de dinheiro para pagar o aluguel. Ajude-a por meio da vaquinha virtual: http://voaa.me/ marina-baloes

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