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Chico Sant’Anna – Páginas 6 e 7

Ano XI - número 531

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TCDF puxa o freio-de-mão do VLT

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Brasília, 11 a 17 de setembro de 2021

FOTOS: DIVULGAÇÃO

DEU XABU Bolsonaro armou esquema para aplicar um golpe de Estado durante as manifestações do 7 de Setembro. Mas a manobra foi abortada pelo STF. Ministros vararam a madrugada acionando o Exército e

as Forças de Segurança, e bloqueando contas dos financiadores do Presidente. PMDF foi leniente ao permitir a invasão da Esplanada dos Ministérios. Onde estava Ibaneis? Pelaí – páginas 2 e 3

Reginaldo Veras defende regulamentação da Lei dos 10% para a Mídia Comunitária

VITTORIA D’ITALIA

A autêntica comida italiana em Brasília

Clubes da Série A se unem contra egoísmo do Flamengo

Página 5

Dedé Roriz – Página 11

Gustavo Pontes – Página 12


Brasília Capital n Política / Pelaí n 2 n Brasília, 11 a 17 de setembro de 2021 - bsbcapital.com.br

Ex pedien te

A seca desta época do ano deixa o ar de Brasília quase irrespirável. Mas a semana que antecedeu o 7 de setembro de 2021 tornou o clima ainda mais sufocante. A avalanche de manifestantes bolsonaristas mudou a rotina da capital da República

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Crônica de um golpe não consumado Orlando Pontes Na semana que antecedeu ao 7 de Setembro, o vice-governador do DF, Paco Brito (Avante), comentou com pessoas próximas – e avisou à sua assessoria – que ele e o governador Ibaneis Rocha (MDB) estariam de plantão às vésperas do Dia da Pátria. Juntos, monitorariam as ações do Ciop (Centro Integrado de Operações). Na segunda-feira (6), Paco cumpriu a agenda. Mas, segundo apuraram alguns veículos de imprensa, o chefe do Executivo estava fora de Brasília – provavelmente no Piauí. A reportagem do Brasília Capital tentou xecar com a Secretaria de Comunicação do GDF, mas até a publicação desta matéria não recebeu resposta de onde estava Ibaneis desde sábado (4) até a noite de segunda-feira (6). Daí, surgiram especulações de que Ibaneis poderia fazer parte de um suposto plano do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de dar um golpe de Estado durante as comemorações do Dia da Pátria. A ausência de Ibaneis deixaria a Polícia Mili-

tar local – um reduto bolsonarista – acéfala na resistência à invasão da Esplanada dos Ministérios, consumada no início da noite de segunda (6). Uma das notícias mais contundentes neste sentido foi escrita pelos jornalistas Fernando Horta e Gustavo Conde (leia os

“Onde está o @IbaneisOficial? Até poucas horas atrás não estava em Brasília. No Piauí? Na Fazenda no Triângulo? Na Europa? No Flamengo?” Hélio Doyle

principais trechos adiante). Já na sexta-feira (3), impressionava a quantidade de veículos passando pelas barreiras da Polícia Rodoviária nas principais entradas do DF. Na BR-060, uma blitz deixava o trânsito lento. Logo adiante, o fluxo de caminhões

e camionetes de luxo no acesso ao Parque Leão era intenso, com buzinaço à margem da via. Na segunda (6), a reportagem do Brasília Capital visitou o acampamento, e identificou outro ponto de concentração no Gama. Ali, o grupo era formado por pessoas vindas de Alagoas dispostas a “invadir o STF” e pedir a volta do militarismo. REAÇÕES – Mas os planos golpistas não contavam com as reações nos meios de comunicação e redes sociais e, especialmente, no Supremo Tribunal Federal, como narram Horta e Conde. Um dos primeiros a cobrar a presença de Ibaneis em Brasília foi o jornalista Hélio Doyle, pelo Twitter. “Onde está o @IbaneisOficial? Até poucas horas atrás não estava em Brasília. No Piauí? Na Fazenda no Triângulo? Na Europa? No Flamengo?”, escreveu, seguindo-se alguns ataques pessoais ao governador. A resposta, pelo mesmo canal, veio do secretário de Comunicação, Weligton Moraes, que levantou suspeitas contra Doyle, a quem chamou de “ex-jornalista”,


Brasília Capital n Política / Pelaí

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O tom do golpe Caso as mobilizações prometidas em número chegassem a Brasília, Bolsonaro faria da Paulista, à tarde, apenas seu palco de completo sucesso. O presidente contava com pelo menos um milhão de pessoas em Brasília. Com isso, a pressão sobre as outras polícias dos estados seria insustentável”. “Percebendo a fúria com que os bolsonaristas progrediam destruindo as barreiras na Esplanada, seguidos da complacência inicial da PM, vários atores políticos passaram a ligar incessantemente para Ibaneis, e a usar as redes sociais para denunciar o estopim do golpe. “A ‘grita’ inicial chegou ao presidente do STF, Luiz Fux, que, com a Corte em uníssono, entrou em contato direto com a PM do DF exigindo providências. A resposta inicial da PM foi protocolar. O Supremo não é a autoridade imediata a quem a PM seria obrigada a responder. A Constituição, por sua vez, diz que as PMs estão subordinadas ao Exército. GOLPE DE MESTRE – “Fux ligou direto para os comandantes militares, ainda durante a madrugada, avisando que caso as PMs seguissem o comportamento leniente, ele (Fux) chamaria a GLO e convocaria as Forças Armadas para deter os manifestantes. O que o STF fez foi adiantar

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Na segunda-feira (6), bolsonaristas romperam barreiras e entraram na Esplanada sem resistência da polícia uma tomada de decisão do Exército. As Forças Armadas esperavam primeiro a mobilização popular prometida, para então apoiarem o levante. Estavam, naquela madrugada, portanto, aguardando. O STF, contudo, exigiu uma posição imediata do Exército”. “Na prática, tivessem os militares desobedecido Fux e no dia 7 as manifestações ‘flopassem’, os comandantes militares seriam processados por insubordinação e sairiam culpados de sedição. O preço era alto demais”. No meio desse imbróglio, duas figuras trabalhavam. De um lado, Alexandre de Morais, de posse das informações de inteligência, mapeava o financiamento dos movimentos e bloqueava

as contas certas e as chave-pix, asfixiando os financiadores de Bolsonaro. Muitas caravanas de locais perto de Brasília não puderam sair por conta da falta de dinheiro. O resultado foi o número reduzido de apoiadores. “O outro ator que agia em silêncio era o vice-governador do DF, Paco Britto (Avante), que atuou diretamente com a PM. Na falta de Ibaneis, a desculpa da PM para a inação não seria mais possível. O comportamento ambíguo do GDF (ora apoiando Bolsonaro ora obedecendo ao STF) já tensionava o ambiente.” “Britto, no entanto, compreendeu que recairia sobre ele toda a culpa de uma malfadada sedição que ocorresse na PM de

Brasília. Novamente, o STF aumentava o custo da tomada de decisão e o vice precisou garantir a PM “na linha”. A tensa madrugada do dia 6 de setembro, que virou com fogos de artifício o tempo todo, determinou o fracasso do golpe do dia 7. O STF subiu o custo das ações políticas dos outros agentes e diminuiu o acesso destes agentes às informações que precisavam para a tomada de decisão. “As ações não foram coordenadas entre os atores políticos que saíram denunciando a posição claudicante da PM no dia 6 e o STF que colocou “a faca nos peitos” dos comandantes militares, mas, de alguma forma, elas foram complementares.

STF impediu manobra de Bolsonaro De acordo com o que publicaram os jornalistas Fernando Horta e Gustavo Conde, os protestos convocados por Bolsonaro serviram para mobilizar a classe política para o impeachment. “Bolsonaro se expôs sem filtro ao País, dissipando qualquer dúvida sobre suas intenções golpistas e messiânicas”. Mas, segundo a dupla, “os acontecimentos foram mais complexos do que isto. Houve uma tentativa clássica de golpe frustrada pela Suprema Corte em madrugada de altíssima tensão”. É consenso que o que ocorreu no dia 7 de setembro foi uma tentativa de golpe”.

Horta e Conde contam que, no dia 6, quase todos os hotéis mais baratos de Brasília estavam lotados. Esse movimento não passou despercebido pelo STF e pelo aparato de inteligência por ele montado - já que PF e a ABIN foram sequestradas por Bolsonaro. A partir das 12h do dia 6, a PM do DF iniciou os planos de isolamento da Esplanada dos Ministérios, como parte do plano de segurança que é imposto compulsoriamente em dia de manifestações. “Por volta das 18h, numa ação claramente planejada em moldes militares, bolsonaristas resolve-

ram ‘testar a água’. Um grupo de cerca de 600 pessoas passou a retirar as barreiras e abrir espaço para que os grandes caminhões, que já estavam na cidade, rompessem o bloqueio”. A PM não ofereceu resistência. “Do lado ‘de cima’, Ibaneis (...) convenientemente não estava presente no DF. Ou seja: estava tudo armado para uma "pequena" indisciplina da PM de Brasília, pretexto para que se incendiasse o país inteiro. Tudo passaria como uma azarada ‘falta de ordenamento’ em função da ausência do governador”.

JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Sede do STF, em Brasília


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Você sabe o que é caviar? Júlio Miragaya (*)

bilhões. Ao mesmo tempo, cresceu o desemprego, a miséria e a fome. Na Biologia, chama-se amensalista a relação entre animais ou plantas que prosperam às custas da destruição de outras espécies, sendo parasitismo um termo mais apropriado. E retrata também a relação entre os muito ricos e os pobres e miseráveis, entre a burguesia e a classe trabalhadora. É resultado da lógica capitalista e de políticas liberais que beneficiam uma minoria e prejudicam milhões. Para além da extração da mais-valia, são muitos os mecanismos de concentração da renda e da riqueza: sistema tributário regressivo; política cambial; política monetária; inflação; investimentos públicos em infraestrutura e C,T&I gerando externalidades positivas para o capital; política de arrocho salarial (apropriação da produtividade do trabalho pelo capital); etc. Por exemplo, em 2002, com FHC, o salário mínimo era de R$ 200. Como resultado da instituição da política de aumentos reais por Lula/Dilma, pas-

AGÊNCIA BRASIL

“Nunca vi nem comi, eu só ouço falar”. Assim respondia Zeca Pagodinho na composição “Caviar”, de Barbeirinho, Diniz e Luiz Grande, de 2002. E adiante: “na mesa de poucos, fartura adoidado, mas se olhar pro lado, depara com a fome”. Em seu estilo irreverente, Zeca retratou o que é a concentração da renda e da riqueza, fenômeno que não é exclusivo do Brasil, pois é marca registrada do sistema capitalista em seu atual estágio de senilidade, mas aqui agravado pelas reformas liberais promovidas por Temer/Bolsonaro. No artigo anterior, informei que, segundo a Forbes, o País ganhou 42 novos bilionários em 2021, com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Agora são 315 os bilionários brasileiros, com Jorge Lemann no topo, com R$ 100

sou para R$ 880 em 2016. Ganho real de 76% no período e redução da concentração da renda no Brasil. Mas, uma das primeiras medidas pós-golpe foi o fim desta política. Desde então, o mínimo sequer acompanha a inflação. Bolsonaro reajustou o SM de 2021 em 5,26% enquanto a inflação dos alimentos (61% dos gastos das famílias com renda de até 2 SM) foi de 18,15%. Para 2022, Bolsonaro anunciou SM de R$ 1.169. Reajuste de 6,27%, ignorando a alta de 9% do IPCA em 12 meses e o previsto aumento de 5% no PIB, que, com Lula, resultaria em reajuste de 14,5%. R$ 69 de aumento mal dão para comprar o ovo, a farofa e torresmo que o personagem interpretado por Zeca consome em sua casa. GADO – O falastrão Bolsonaro tuitou que reuniria 2 milhões de apoiadores na Paulista e um milhão em Brasília. Mesmo rolando um “jabá”, não juntou um décimo ou vigésimo do previsto. Afinal, qual o tamanho do seu rebanho?

Pesquisa do Datafolha revelou que os ‘bolsonaristas convictos’ não passam de 12% do eleitorado – cerca de 16 milhões, muito distante dos 57 milhões que o elegeram. Seu estereótipo é de homem branco, meia idade, empresário, ruralista ou autônomo, renda média-alta e morador do Centro-Sul. São pró-ditadura, racistas, misóginos, homofóbicos, falsos patriotas e falsos cristãos. Embora muitos, são franca minoria. O nó da questão são os outros 41 milhões que em 2018 votaram em Bolsonaro, não por convicção, mas seguindo a pregação antipetista da grande mídia. O que farão em 2022? Enfim, após o circo bolsonarista, o Brasil volta à realidade de 600 mil mortos pela negligência de Bolsonaro no combate à covid, 20 milhões de desempregados e 40 milhões em situação de extrema pobreza. Ah! E de 42 novos bilionários. (*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

O que pretende Bolsonaro? J. B. Pontes (*)

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Desesperado e acuado pela crescente perda de popularidade, de apoio e pela péssima avaliação de seu governo, comprovada por diversas pesquisas, Bolsonaro quer desviar o foco de seu fracasso como governante. Sabe que as suas chances de reeleição são cada vez menores e, por isso, quer “virar ma mesa” desde já. Mas o que mais o preocupa é a real possibilidade de prisão de seus familiares. O Judiciário avança nas investigações das rachadinhas, das fake news e da promoção de atos contra a democracia. Por isso, tanto se empenha em paralisar o esforço do ministro Alexandre de Moraes para punir todos os culpados. Quer a garantia de que ele e seus familiares não sejam punidos.

Bolsonaro tenta intimidar os demais Poderes a não avançarem nas investigações contra ele próprio e seus familiares. Para isso, foca toda sua ira contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o que mais se empenha para barrar as falcatruas e investidas de Bolsonaro e sua família e aliados contra o Estado Democrático de Direito. Esquece-se Bolsonaro de que o Moraes, ao decretar as prisões de seus aliados, tão somente atende aos pedidos feitos pela Procuradoria Geral da República. Além disso, seu ódio volta-se, em menor intensidade, contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, que ele considera o responsável pela não aprovação do voto impresso, como tanto desejava. A alegação, não comprovada, é da possibilidade de fraude nas eleições por meio das urnas eletrônicas, o que também é um absurdo. As urnas eletrônicas vêm sendo empregadas no Brasil há vários anos,

sem que nunca se tenha notícia de fraudes comprovadas, a exemplo do que ocorria antes com o voto impresso. A contradição é tão gritante se relembrarmos que ele, Bolsonaro, foi eleito pelo processo de urnas eletrônicas... Ao arrepio da Constituição, quer que esses ministros sejam afastados. Já tentou instaurar, no Senado, um processo de impeachment de Alexandre de Moraes, rejeitado liminarmente pelo Presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, seu aliado, tão absurda era a pretensão dele. Da mesma forma, o voto impresso foi, por sua insistência, analisado pela Câmara dos Deputados que rejeitou a implantação de tal processo de votação. Ao que tudo indica, Bolsonaro não quer mais eleição, mas sim se tornar ditador do Brasil. Sabendo que não conseguirá se reeleger, promove, com nossos recursos e com a compra de apoiadores por empresários que estão se dando bem, a exemplo daqueles do agro-

negócio, todo esse tumulto, com o claro objetivo de colocar em risco a nossa democracia. No entanto, os indicadores mostram que os desvarios alucinatórios de Bolsonaro de vir a se tornar ditador não têm respaldo na sociedade nem nas Forças Armadas, tampouco nas demais instituições, e seria rejeitado pela comunidade internacional. As instituições têm agora que analisar esse cenário e as ameaças que ele faz e tomar as devidas providências, se quiserem salvar a nossa democracia. As opções são: salvar a democracia, agindo com firmeza contra as ameaças que Bolsonaro vem fazendo, ou ceder aos seus caprichos. O que mais ele quer, repito, é que as instituições deixem impunes todos os crimes praticados por ele, seus familiares e apoiadores. (*) Advogado


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Por que os preços estão cada vez mais caros? DIVULGAÇÃO

Carestia e inflação correm o poder de compra dos assalariados, ensina a professora Elika Takimoto Em 2017, ano em que o Brasil voltou ao Mapa da Fome, e em 2021, com a ‘descoberta’ de 19 milhões de brasileiros na extrema pobreza e mais de 15 milhões de desempregados, a classe média assalariada assistia a chegada da miséria pela televisão. De longe do problema, via a situação com dúvidas, muitas vezes criticando os números identificados pelas pesquisas do IBGE e dizendo que era invenção da TV. Quando muito, dizia que isso era uma “consequência” da pandemia do novo coronavírus. Mas não demorou para a carestia bater à sua porta, adentrar sua casa e afetar o poder de compra de quem conseguiu ficar empregado. Mas, ainda assim, continuou jogan-

Professora explica que o valor da gasolina é reflexo da política de Michel Temer do a culpa na “crise” sanitária. No entanto, a gasolina desmascarou o vilão e, na semana passada, um vídeo da professora Elika Takimoto fez sucesso nas redes sociais ao explicar, com simplicidade, os motivos do preço do litro da gasolina ter ultrapassado R$ 7 em algumas regiões do Brasil (clique no link a seguir e acesse o vídeo: https://www.instagram.com/tv/

CTFmQFBpC48/?utm_source=ig_ web_copy_link). Takimoto toca no tema que, só agora, após afetar os contracheques, a classe média assalariada começa a ver com outros olhos. Ele piora cada vez mais a situação econômica de todo mundo e de miséria de quem não tem emprego nem renda. O tema é a política econômica do governo Bolsonaro, iniciada com

Michel Temer. O preço da gasolina, do gás de cozinha, do arroz, do feijão, da carne, da conta de luz e de água etc. está elevado por causa da política neoliberal cuja origem é o golpe de 2016 e as eleições fraudadas em 2018. “Para além do vídeo da professora, a carestia e a inflação são resultado das políticas de ajuste fiscal e arrocho econômico no Brasil, as quais potencializaram o processo de desvalorização das carreiras do magistério. No DF, enfrentamos um congelamento salarial há sete anos. Essa dura realidade somada à carestia dos bens básicos de consumo trouxe uma redução drástica no poder aquisitivo da nossa categoria. “Estamos sentindo na pele e pagando o preço da política cruel que este governo está aplicando contra o povo brasileiro”, avalia Luciana Custódio, diretora do Sinpro-DF.

Apoio às mulheres em situação de violência doméstica e familiar Sindicato dos Bancários (*) Depois de sete meses de trabalho duro, diálogos interestaduais e troca de conhecimento e experiências, a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Bancários de Brasília coloca à disposição da categoria e da população em geral o canal “Viva sem Violência”. O projeto conta com a contribuição de bancárias e bancários para proteger e dar assistência às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. A referência é o canal ‘Basta! Não irão nos calar’, implementado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região A entidade da capital federal tem como objetivo oferecer um atendimento jurídico especializado para mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O serviço, disponível inicialmente em dispositivo on-line, acolherá

todas as mulheres, independentemente de categoria, confirmando o perfil cidadão do Sindicato. Com plantão 24h por dia, sete dias por semana, o atendimento pelo WhatsApp (61) 99292-5294 seguirá princípios pactuados em tratados internacionais, fundamentais para garantir uma condução segura e necessária. Além de humanizado e acolhedor, o atendimento será sigiloso, com garantia de privacidade, fortalecimento da autonomia das mulheres e respeito às diversida-

des e trajetórias. O atendimento respeitará a vontade da mulher e não será condicionado à instrução de processo criminal. De acordo com Zezé Furtado, responsável pela pasta de Mulheres da entidade, “o Sindicato está dando um importante passo no enfrentamento à violência contra as mulheres, contra o machismo e a misoginia estruturais na nossa sociedade”. Segundo ela, “em um contexto de pandemia, onde as situações de violência aumentaram drasticamente, assumimos o papel de cidadãos na luta pela garantia do bem-estar das mulheres”. A dirigente frisa que, apesar da morosidade e descaso dos governos com a pauta, não é objetivo do projeto substituir o papel do Estado no que diz respeito à proteção da vida das mulheres, que socialmente são mais vulneráveis a violências.

Diante do sucesso do projeto do Sindicato de São Paulo e da adesão da entidade no DF, a Contraf-CUT, por meio de sua Secretaria da Mulher, decidiu estender a proposta de canais de atendimento às mulheres em todos os sindicatos representados pela Confederação. “Daremos todo o suporte necessário para reverter a lógica da violência contra as mulheres. A ideia é adaptar os projetos às realidades regionais para acolher adequadamente as demandas das mulheres em todos os cantos do país”, explica a secretária da Mulher da Contraf, Elaine Cutis. (*) Com informações de Joanna Alves, do Seeb Brasília


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Brasília

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Por Chico Sant’Anna

MOBILIDADE

TCDF puxa o freio-de-m AGÊNCIA BRASIL

Entrada em funcionamento do sistema, prevista para 2024, sofrerá atraso

Ao contrário do VLT do Rio de Janeiro, o projeto para o de Brasília prevê redes aéreas de fiação elétrica para o VLT

Chico Sant’Anna Subiu no telhado a esperada implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ligando o aeroporto ao final da Asa Norte, passando pela W-3 Sul e Norte. O projeto também prevê um sistema complementar de bicicleta aos bondes elétricos. O Tribunal de Contas do DF puxou o freio-de-mão do empreendimento, orçado em 2019 em R$ 9.243.625.565,39 e que teve o modelo de negócio elaborado por um consórcio liderado pela empresa de ônibus Piracicabana. Cerca de R$ 2,4 bi seriam pagos pelo GDF para a implantação e o restante repassado ao longo de 30 anos a título de gestão do sistema (valores de julho de 2019). De lá para cá, a cotação do Euro, que norteia o orçamento, valorizou 44%, o que

elevaria o custo do projeto para R$ 13,310 bilhões. A avaliação do TCDF aponta para diversas impropriedades. Em abril deste ano, o órgão aprovou unanimemente que o GDF “suspenda cautelarmente, até ulterior deliberação plenária, o processo de contratação que trata da concessão, na modalidade patrocinada, da implantação e prestação do Serviço Público de Transporte Urbano Coletivo por VLT, ligando o Terminal Asa Sul ao Terminal da Asa Norte, passando pela W-3 até o Aeroporto, bem como da implantação de sistema de circulação complementar para bicicletas e pedestres, entre as quadras 600 e 900”.

Grupo pode transportar até 700 mil passageiros/dia A Viação Pioneira e a Piracicabana fazem parte do Grupo Comporte, que atua no transporte aéreo, por meio da Gol; no transporte rodoviário interestadual de passageiros, por meio de empresas como a Real Expresso; e no transporte coletivo municipal de passageiros em diversos estados do Brasil. O Comporte tem entre suas

metas gerir o metrô e o VLT em Brasília, onde Pioneira e Piracicabana são responsáveis pelo transporte de 344 mil passageiros/dia. Se tiver êxito nos dois processos de privatização e mantidos os contratos que Pioneira e Piracicabana já possuem no transporte por ônibus, o grupo seria responsável por transportar até 700 mil passageiros/dia no DF.

Projeto acalentado desde 2009 Este projeto vem sendo acalentado pelo brasiliense desde 2009. É tido como instrumento fundamental de revitalização da W-3 e solução parcial de um dos graves problemas de mobilidade urbana por que passa Brasília. Na gestão José Roberto Arru-

da, a Justiça suspendeu vários contratos por irregularidades. Apesar de ter contado com recursos federais para a sua execução, nem Arruda, nem Rogério Rosso, nem Agnelo Queiroz, nem Rodrigo Rollemberg conseguiram tirá-lo do papel. Ago-

ra, Ibaneis tentava executá-lo, pagando para a iniciativa privada implantar e gerir o sistema de transporte por meio de bondes elétricos. A VIAÇÃO PIRACICABANA – empresa de ônibus em nome de quatro fi-

lhos de Nenê Constantino, donos da Gol, associada à empreiteira Serveng Civilsan – citada na Lava-Jato –, e outras três empresas formam o consórcio selecionado pela Secretaria de Mobilidade (Semob) para elaborar o projeto do VLT e o modelo de negócio.


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O canteiro central, hoje utilizado como estacionamento, seria transformado num calçadão de 7 Km de extensão de cada lado da W-3: além das estações das estações do VLT, haveria quiosques para bancas de jornais, lanches, pequenas conveniências, bicicletários.

mão do VLT

Energização aérea gera polêmica O projeto elaborado para a Semob prevê uma rede aérea energizada ao longo do trajeto. Denominada catenária, essa rede existiria na área tombada do Plano Piloto, onde fiação aérea é proibida. Alegaram os projetistas que, além de mais barato, o sistema de energização pelo solo seria inadequado na Asa Norte onde são constantes os alagamentos em período de chuvas. O argumento não convenceu o TCDF, que cobrou estudos de viabilidade referentes à alterna-

tiva de alimentação pelo solo e considerou inválida a justificativa dos problemas de drenagem na Asa Norte, pois no anteprojeto foram inseridos investimentos para adequar a drenagem da W-3 ao funcionamento do VLT. “Cabe à Semob promover estudos mais minudenciados e robustos, objetivando dirimir eventuais dúvidas junto ao Iphan, evitando comprometer o andamento da implantação ou até mesmo inviabilizá-la”, ressalta o relatório. DIVULGAÇÃO

Questionamentos do TCDF O TCDF não focou esse volume de passageiros transportados por um mesmo grupo. Elencou, num documento de 37 páginas enviado à Semob em abril, uma série de falhas técnicas nos projetos apresentados ao GDF, bem como a inexistência de estudos prévios de impacto ambiental, notadamente na parte que os trilhos vão atravessar a W-3. O TCDF não está convencido de que o VLT é a melhor opção para o transporte coletivo na W-3, e para a ligação desta ao aeroporto. Assim, demanda ao GDF que apresente os estudos de alternativas comparando os diferentes modais sob os aspectos técnico, ambiental, econômico, financeiro e social. E, mesmo que venha a se convencer da necessidade do VLT, questiona se o trajeto entre o aeroporto e o terminal da Asa Sul é necessário, já que há ligações de ônibus e que a introdução do VLT

não eliminaria o trânsito simultâneo e paralelo dos dois modais. A Corte de Contas cobra do Executivo o Estudo de Impacto Ambiental, incluindo a avaliação de impactos de vizinhança e de tráfego. Considera que tais estudos são imprescindíveis e que a documentação fornecida pela Semob é insuficiente. “Ainda que não haja exigência legal de licença ambiental prévia, diante dos impactos do empreendimento, principalmente das obras relativas à fase 2 (aeroporto – terminal da Asa Sul), considera-se imprescindível a realização de um diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, incluindo a avaliação do passivo ambiental, o estudo dos impactos ao meio ambiente e as medidas mitigadoras ou compensatórias, conforme previsto no normativo técnico sobre o assunto”, diz o relatório.

Privatização do calçadão Na gestão Arruda (2006 a 2010), a ideia era que os bondes – ou tramway, como são tecnicamente chamados – passassem pelo canteiro lateral, margeando as quadras 700. No novo projeto, eles transitariam pelas vias da esquerda de cada mão da W-3, transformando o canteiro central num calçadão, denominado Ramblas do Cerrado, em alusão ao passeio público de Barcelona. Não está prevista a ins-

talação de banheiros públicos nem nas estações. Nele, além das estações do VLT, seriam instalados quiosques para bancas de jornais, lanches, conveniências, bicicletários. A receita reverteria ao concessionário. Urbanistas veem essa proposta como uma privatização de todo o canteiro central da W-3, com repercussão ao comércio instalado nas quadras 500.

Proposta de energização do VLT de Brasília prevê uma extensa rede aérea de fios - como na foto acima -, apesar do tomabeneto do Plano Piloto não autorizar redes aéreas de energia. TCDF não gostou da proposta técnica.

Respeito ao princípio da transparência Também foram levantados questionamentos sobre a previsão de gastos para a implantação do VLT que se baseou nos custos do VLT da Baixada Santista, operado pela Piracicabana. Consideram que não pode haver ausência de orçamento estimativo com detalhamento suficiente das parcelas, comprometendo a transparência do certame, com impacto na formação da proposta das possíveis empresas interessadas, e limitando a atuação

do controle externo diante da impossibilidade de avaliar a coerência dos custos ao mercado. O TCDF afirma que a Semob deve rever, também, o orçamento do custo do material rodante. “O mínimo que se espera do planejamento é um nível de pesquisa e detalhamento condizente com os valores a serem aplicados, em respeito ao princípio da eficiência, da isonomia, da economicidade, impessoalidade e da transparência”.

Semob prestará esclarecimentos A Secretaria de Transporte e Mobilidade, procurada por esta coluna, negou haver irregularidades no projeto. “A pasta esclarece que os questionamentos levantados pela Corte não são “irregularidades”. A Semob afirma estar ana-

lisando as informações enviadas pelo TCDF e que prestará os esclarecimentos no prazo estabelecido. Não respondeu a pergunta sobre como ficará o calendário da implantação do VLT, que estava previsto para rodar em 2024.


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VIA

Satélites

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Chegou vacina – Na sexta-feira (10), o Distrito Federal começou a vacinar adolescentes de 16 anos. A ampliação foi possível porque o governo local recebeu 43.290 doses de vacinas contra a covid-19 fabricadas pela Pfizer, única autorizada para uso em adolescentes.

Por Gabriel Pontes

Fila em postos de gasolina

DISTRITO FEDERAL

Sistema S na mira da PF A Polícia Federal deflagrou, sexta-feira (10), uma operação que investiga uma série de irregularidades nas administrações regionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) no DF. A Operação Sierra cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no DF e no Rio de Janeiro. CAIXA PRETA – Desde 2017, o Brasília Capital denuncia irregularidades no Sistema S. A falta de transparência deixa o Sistema envolto em suspeita sobre a legalidade na aplicação de um gigantesco

orçamento, algo em torno de R$ 30 bilhões naquele ano. DENÚNCIAS – Cabide de empregos, cumulatividade de cargos, desvio de finalidade, licitações feitas como bem entendem as entidades, superfaturamento, foram alguns dos problemas apontados pelas denúncias. IRREGULARIDADES – Desde então, o Sistema S entrou na mira do Ministério Público Federal e da PF. À época, a reportagem do Brasília Capital entrevistou vários personagens que atuavam no Sesc, Sesi e Senac. Todos admitem ter “ouvido falar” em práticas irregulares.

GABRIEL PONTES

A mobilização dos caminhoneiros, iniciada na quarta-feira (8), durou menos de 24h. Mas foi tempo suficiente para bloquearem estradas em 15 estados. Assustados, os brasilienses correram para os postos de gasolina (foto), formando filas na noite de quarta (8) e nas primeiras horas de quinta-feira (9). TANQUE CHEIO – Ainda está fresca na memória dos brasileiros a crise de abastecimento causada pela greve dos caminhoneiros em maio de 2018. A professora Luciana Resende, 53, aproveitou a volta para casa, em Águas Claras, quarta à noite, e cuidou de completar o tanque. “Meu carro ainda tinha meio tanque, mas achei melhor prevenir qualquer problema futuro”.

Ela ficou 15 minutos na fila. RECUO – Os caminhoneiros desmobilizaram a maioria dos protestos que faziam a favor do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) após um pedido do próprio presidente, via áudio, cuja veracidade precisou ser confirmada pelo Ministério da Infraestrutura.

AGÊNCIA PF

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SOL NASCENTE

Restaurante comunitário reabre O restaurante Comunitário do Sol Nascente reabriu na quinta-feira (9) com serviços de almoço e café da manhã no refeitório e entrega de marmitas. O café, que custa R$ 0,50, é servido de segunda a sábado, das 7h às 8h30. “Antes, nós tínhamos apenas

duas unidades com o café da manhã: Paranoá e Brazlândia. Agora. temos Samambaia, Sol Nascente e, muito em breve, outros três restaurantes também vão ofertar a refeição matinal”, destaca a subsecretária de Segurança Alimentar e Nutricional da Sedes, Karla Lisboa.

Prédio do IEL no SIA foi um dos alvos da Operação Sierra, deflagrada na sexta-feira (10) {

148 novos pardais O Detran assinou contrato para serviço de fiscalização por pardais nas ruas do DF. A empresa vencedora foi a Eliseu Kopp e o contrato tem duração de 30 meses. Serão instalados 148 radares em locais a serem

definidos pela autarquia. Com isso, serão 326 faixas monitoradas na capital e nas cidades-satélites. A instalação dos novos equipamentos começa em novembro e será concluída até fevereiro de 2022.

CEILÂNDIA

Vítima de roubo atropela o assaltante Após ter o celular roubado com o uso de um simulacro, na QNM 12, em Ceilândia, a vítima perseguiu e atropelou o autor do roubo a alguns metros do local

do crime. O assaltante recebeu os primeiros socorros no local e posteriormente foi levado para a 15ª Delegacia. O fato ocorreu na sexta-feira (2), à noite.


Brasília Ca pital n Cidades n 9 n Brasília, 11 a 17 de setembro de 2021 - bsbcapital.com.br

IGES-DF e a farra do cartão corporativo O que você compra, hoje, com R$ 600? Mesmo com a alta dos preços, é com este valor, ou até menos, que boa parte das famílias brasileiras faz compras mensais no supermercado. Pois foi com este montante que apenas um dos cartões corporativos do Instituto de Gestão Estratégica (IGES-DF), responsável pela administração dos hospitais de Base, de Santa Maria e UPA’s, bancou pizzas. Você não leu errado: uma rodada de pizzas, no mínimo, considerável. O cartão corporativo, quero aqui lembrar, é fruto de recursos públicos. E teve muito mais. Em fevereiro, auditoria interna do IGES-DF apontou que o cartão corporativo também foi usado para bancar curso de mestrado, passagens, velório, hospedagem, outros “comes e bebes” e até a locação de geradores de energia. Além da gastança sem critérios, há um ponto interessante nessa história, sobre o qual o SindMédico-DF enviará ofício à Secretaria de Saúde (SES-DF) pedindo esclarecimentos: a lei que criou o Instituto Hospital de Base, que

se tornou o IGES-DF, não prevê a existência de cartão corporativo. O cartão corporativo foi criado pela Resolução Direx 002/2019. E não teve qualquer regulamentação para o seu uso, que deveria estar limitado a eventuais despesas de suprimento de fundos, e que foi revogado em 8 de julho de 2021, após representação do Ministério Público do DF, que atua junto ao TCDF, e aos relatórios de auditorias, que apuraram uma série de irregularidades no uso dos referidos cartões. Entre eles, a aquisição de material de uso permanente e benefícios a diretores e detentores do direito de uso do cartão corporativo. Além de não ter regulamentação ou sequer estar previsto em Lei, o cartão corporativo (vulgo recurso público, gosto de lembrar) não se enquadra nem nos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e economicidade, pontos basilares da administração pública. Porque tudo o que diz respeito ao IGES-DF deve estar especificado no programa de trabalho propos-

to pelo IHBDF. E não houve nem notícias de punição ou de ressarcimento dos gastos citados acima com o tal cartão. Então, caro leitor, é para esclarecer a você, cidadão, e aos servidores da Saúde, que até hoje não ouviram falar do reajuste salarial, que o SindMédico-DF quer esclarecimentos da SES-DF sobre essa situação. Buscamos, no mínimo, o ressarcimento desses valores. Não é possível que uma Instituição, com dívida de R$ 370 milhões, e que supostamente precisa ainda de suplementação orçamentária de R$ 610 milhões, nas palavras do ex-presidente do IGES-DF, Gilberto Occhi, use de recursos públicos para bancar despesas pessoais. O SindMédico-DF exige uma explicação. Se para investir na saúde pública, cujos hospitais caem aos pedaços e os servidores não são valorizados, não tem dinheiro, por que se pode gastar com viagens, hospedagens e pizzas? E os nossos parlamentares, por que não fazem nada? Minha indignação, como médico e cidadão de Brasília, é ver

Dr. Gutemberg Fialho Médico e advogado Presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal

que os critérios de execução orçamentária estão sempre distantes dos usuários do SUS-DF. Daqueles que penam em filas de espera e que, muitas vezes, encontram dificuldade para ter o Cartão Vale Transporte. Que dirá um cartão corporativo!

Veras defende Lei Luzia de Paula Diretores da Associação de Veículos Comunitários de Comunicação do Distrito Federal (Asvecom) discutiram com o deputado Reginaldo Veras (PDT) a regulamentação da Emenda à Lei Orgânica (ELO) nº 74/2014. Conhecida como Lei Luzia de Paula, a norma assegura 10% da verba de publicidade de todo o GDF e da Câmara Legislativa para a mídia alternativa. Aprovada há sete anos, a norma até hoje não foi regulamentada pelo Executivo, o que causa várias distorções. “O principal aspecto é definir que o recurso seja investido em mídia comunitária. Sob o guarda-chuva de ‘mídia alternativa’, os gestores acabam aplicando o dinheiro

DIVULGAÇÃO

Encontro entre o deputado e representantes da Asvecom ocorreu no Zezinho Carne de Sol que seria para TVs, blogs, rádios e jornais comunitários na produção de vídeos para redes sociais, outdoors, painéis, panfletos etc”, diz o presidente da Asvecom, Edvaldo Brito. O encontro com o deputado,

quarta-feira (8), no restaurante Zezinho Carne de Sol, em Taguatinga, foi organizado pelo diretor de Assuntos Institucionais da Asvecom, Orlando Pontes, editor do jornal e site Brasília Capital. “Já conversei com vários de-

putados. Temos certeza de que encontraremos uma solução. Afinal, o dinheiro público deve ser usado com critérios claros, livre dos humores dos gestores de plantão”, disse Veras. ISONOMIA – A diretoria da Asvecom vai requisitar da Secretaria de Comunicação informações detalhadas sobre os gastos feitos nos últimos três anos sob a rubrica “mídia alternativa”. A decisão ocorreu após a Secretaria de Comunicação expor o investimento feito em um dos veículos associados à entidade. “Se a Secom dá visibilidade ao faturamento de um, fica obrigada a mostrar o que paga a todos. É uma questão de isonomia”, defendeu Pontes.


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QUESTÕES DA ALMA

Anna Ribeiro A casa Lar é laboratório. É o nosso microcosmo. É onde a gente ensaia o que seremos na vida Eu não sei você, mas eu tenho memórias olfativas muito marcantes. O cheiro de bolo quentinho sempre me leva para a mesa da cozinha. Lá estão meus avós, meu pai, alguns tios e tias. Os primos em festa. A alegria do instante. É isso que eu busco quando decido fazer um bolo. Convido para compartilhar os que já partiram. Ainda que eu esteja só, num instante vem um universo de lembranças. Eu não quero o bolo, eu quero

a lembrança, a presença, a visita. Hoje senti um perfume diferente na casa. O bolo de laranja que acabou de sair do forno invade a casa com sabor de lar. Não sei explicar, mas esse cheiro de bolo quentinho me traz o aconchego de estar em casa. As pessoas falando todas ao mesmo tempo, os risos, as interjeições, o compartilhar. A mesa é lugar sagrado. Lugar de construção familiar, de ensinamentos. É lugar para descalçar

ESPÍRITA

José Matos Você é o arquiteto do seu destino Procure aceitar o que não pode ser mudado e tenha gratidão. É assim que você poderá colaborar com o outro e ser feliz Quem não se aceita, não aceita o outro; odeia-se, odeia o próximo; vive infeliz e infelicita. Se é rico, sente inveja até do pobre alegre. Você é infeliz, acha que a vida não é justa e não tem sentido? Não será porque você ainda não buscou explicações? Bate, e a porta se abrirá! Você

TV Comunitária lIGADA EM BRASÍLIA

não aceita seu corpo, cor, família? Você pode mudar isto? Seja inteligente! Não se revolte com o que não pode ser mudado! A revolta tem te ajudado? Tudo tem explicação lógica, razão de ser. Busque e acharás! Você é um triplo ser: passado, presente, futuro! É inteligência e

os pés, lugar para descarregar os pesos. Lar é laboratório. É o nosso microcosmo. É onde a gente ensaia o que seremos na vida. Hoje tem cheiro de café coado, cheiro de abraço, de flores recém-colhidas. Aqui temos um pouquinho do mundo, mas a gente pode ficar descalço, desnudo, descansado. Casa é também lugar de desorientação. Quer coisa mais importante na vida? Como é bom um gole de caos para organizar os sentimentos e, principal-

mente, para dar sentido à vida! Hoje tem música, tem prosa, tem tanta coisa. Estamos fartos de amor. Aqui, vez ou outra, o doce azeda, o bolo queima, o café esfria. Mas seguimos, ora em pleno tumulto, ora em quietude, silêncio. Afetados. Compartilhamos afetos, dificuldades, dores, conquistas, xícaras de café e bolo de laranja.

sabedoria empenhar-se para mudar o que pode ser mudado ou adaptar-se. Vida é progresso, ética e solidariedade. Procure aceitar o que não pode ser mudado e tenha gratidão. É assim que você poderá colaborar com o outro e ser feliz, mesmo com problemas. O falecido humorista Costinha ganhou dinheiro com sua feiúra e mais ainda quando descobriu que sem a dentadura ficava mais feio. Assim, podia ganhar mais. Outros, são revoltados. Santos Dumont não tinha testículos. Entendeu o jogo da vida e usou toda a energia sexual para inventar o avião, balões e outras coisas. Jerônimo Mendonça perdeu os olhos (cego), os movimentos (tetraplégico) e a saúde (angina). Só sobrou a voz. Foi com a voz que ele viajou pelo Brasil e evangelizou

durante 32 anos, além de fundar e administrar um orfanato. Jesus Gonçalves ficou leproso. No leprosário converteu-se, fundou um Centro Espírita e, pela oratória, evangelizou até morrer! Buda abandonou o Reino, estudou, pesquisou e meditou até iluminar-se. Com ele, aprendemos o caminho do meio, segredo de ser feliz. Você é o arquiteto do seu destino. O destino você faz e o refaz todos os dias, mudando-o ou adaptando-se! Aprenda com Dalai Lama: se você não pode ajudar, pelo menos não prejudique. Aprenda com Madre Tereza: O que eu faço é uma gota d’agua no oceano, mas sem ela o oceano seria menor.

Anna Ribeiro Escritora

José Matos

Professor e palestrante

CANAL 12 NA NET WWW.TVCOMUNITARIADF.COM @TVComDF

TV Comunitária de Brasília DF


Brasília Capital n Gastronomia n 11 n Brasília, 11 a 17 de setembro de 2021 - bsbcapital.com.br

Gastronomia Dedé Roriz

PAIN POUR LA VIE

$ - BARATO $$ - MÉDIO $$$ - ALTO $$$$ - CARÍSSIMO

Empresário e radialista divulgando a boa gastronomia e eventos de Brasília Instagram: @dederoriz

VITTORIA D’ITALIA FOTOS: DIVULGAÇÃO

A autêntica comida italiana em Brasília Há sete anos, o chef Francesco Bravin trouxe para Brasília a autêntica comida italiana. E fez questão de colocar no cardápio o talharim à carbonara exatamente como se faz na Itália: apenas com ingredientes originais (bacon, ovo e parmesão). O Vitória D’Italia fica em frente ao parque Olhos d’Água, na quadra 214 da Asa Norte. É um ambiente agradável, totalmente arejado. Durante a semana, no almoço, o prato está custando R$ 32,90. A dica de entrada do Brasília Capital é a pannacotta de gorgonzola com nozes, pera e rúcula, que serve bem duas pessoas. Outra dica que já vale a visita é o risoto de camarões ao limão siciliano, que além de saboroso fica ótimo para uma self, de tão belo que é o prato. Para fechar, uma sobremesa com o tiramissu. Assim, você terá a certeza de que esteve num autêntico “Ristorante Italiano”.

O charme francês no Shopping ID Um novo café com “a cara de Paris” foi inaugurado no Shoping ID, na Asa Norte. Não por acaso, fica ao lado do restaurante Paris 6. Detalhista, o chef Lucas Cappai ajuda na operação da casa e quer tornar o Pain Pour La Vie num local agradável para reuniões, ou simplesmente para quem gosta de curtir um café diferenciado com pães artesanais. Com seus croissants, tortas e doces especiais, a casa conquista a cada dia sua clientela com seu charme típico francês. Vale conferir.

CLASSIFICAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES Instagram: @painpourlavie Shopping ID – Asa Norte Telefone 061-3964-7654 $

MAIS INFORMAÇÕES: Instagram: @vittoria_ditalia 214 norte Reservas: 3547-0795 $$


Brasília Capital n Esportes n 12 n Brasília, 11 a 17 de setembro de 2021 - bsbcapital.com.br

BRASILEIRÃO SÉRIE A

SÉRIE B

Unidos contra o egoísmo do Flamengo

Sonho de criança!

Clubes não aceitam volta do público ao Maracanã. Apenas o Galo apoiou o rubro-negro Gustavo Pontes Dezoito dos vinte clubes da Série A do Campeonato Brasileiro prometem não mais entrar em campo pela competição se o Flamengo romper o combinado e passar a jogar com público no Maracanã. O único a não se posicionar contra a intenção do rubro-negro

foi o Atlético Mineiro. O posicionamento surgiu após o Flamengo conseguir uma liminar no STJD autorizando-o a jogar com público no Maracanã, desde que as autoridades do Rio de Janeiro assim o permitissem. Com isso, o rubro-negro rasga o acordo assinado pelos 20 presidentes de clubes no dia 24 de março de 2021, pelo qual todos concordaram em não jogar com público na série A do Campeonato Brasileiro de 2021. A isonomia entre as condições de jogo no primeiro e no segundo turnos é o principal argumento daqueles que se negam a forçar a volta do público.

Botafoguense declarado, o lateral-direito Rafael, ex-Manchester United (ING), foi anunciado na quarta-feira (8) como novo reforço do Botafogo. O atleta, de 31 anos, afirma que vai realizar o sonho de jogar no clube de coração. Rafael tem ainda um irmão gêmeo, o também lateral Fábio. Ambos eram das catego-

rias de base do Fluminense. DINIZ NO VASCO – Já o Vasco trocou de técnico pela quarta vez para tentar engrenar na Série B e conseguir o acesso à elite do futebol nacional. Saiu Lisca após 50 dias no comando do clube e chegou Fernando Diniz, que vem de um trabalho questionável no Santos. (GP)

SÉRIE D

Brasiliense começa mata-mata São oito anos sem um time do DF nas três primeiras divisões do Campeonato Brasileiro. O Gama não disputa a Série C desde 2011, enquanto o Brasiliense jogou a competição pela última vez em 2013.

Para dar um fim a esse longo período de baixa do futebol local, o Jacaré precisa passar pela Ferroviária-SP - favorita ao título da Série D. A partida de ida será neste domingo (12), às 15h, com transmissão ao vivo na TV Brasil. (GP)

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