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Buriti terá duas encruzilhadas ao longo de 2020 Executivo local precisará discutir o nome do Mané Garrincha (foto) e a liberação de servidões de passagem nos Lagos Ano VIII - 450

Chico Sant’Anna Páginas 10 e 11

Governo de Rondônia reedita AI-5 com censura a 43 livros

Superintendente do Incra-PR acusado de improbidade

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ANDRE BORGES/AGÊNCIA BRASÍLIA

Brasília, 8 a 14 de fevereiro de 2020

LORRANE OLIVEIRA/BSB CAPITAL

Entrevista Erika Kokay

“O absurdo perdeu a modéstia no Brasil” Páginas 7, 8 e 9

VOLTA ÀS AULAS

GDF quer zerar déficit educacional

Os 456 mil estudantes da rede pública terão muitas novidades em 2020, incluindo uniformes de graça. Mas a grande notícia projetada pela Secretaria de Educação é acabar com a falta de vagas no novo ano letivo Página 14

Em discurso de 50 minutos, na abertura dos trabalhos legislativos, governador acena até para a oposição Página 4

RENATO ALVES/AGÊNCIA BRASÍLIA

Ibaneis busca boa convivência com os distritais


Brasília Capital n Política n 2 n Brasília, 8 a 14 de fevereiro de 2020 - bsbcapital.com.br

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Governo de Rondônia censura 43 obras literárias MPF vai cobrar explicações à Secretaria Estadual de Educação O governador de Rondônia, coronel Marcos José Rocha dos Santos (PSL/foto), reedita, à revelia da Constituição Federal, o Ato Institucional nº 5 (AI-5), e põe em curso a censura no Brasil. Na quinta-feira (6), a Secretaria de Educação daquele estado emitiu um memorando-circular mandando recolher das unidades escolares 43 obras literárias. Os títulos são clássicos brasileiros que sempre fizeram parte do rol de livros paradidáticos da educação do País. A justificativa oficial do ato do Executivo estadual é a de que o conteúdo é “inadequado para crianças e adolescentes”. A Pasta recuou após receber questionamentos sobre a medida. Mas o governador não se pronunciou e, tampouco, cogitou o afastamento de algum de seus assessores responsáveis pela decisão. Todas as obras vetadas fortalecem e estimulam o pensamento crítico dos jovens em formação. O gesto autoritário do governo de Rondônia risca das aulas de literatura livros considerados obras-primas, como “Macunaíma”, de Mário de Andrade; “Poemas Escolhidos”, de Ferreira Gular; todos os volumes de “Mar de Histórias”, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. O livro “O melhor de”, de Caio Fernando Abreu, encabeça a lista das 43 obras proibidas. De acordo com a medida, os estudantes rondonienses não poderiam mais ler clássicos de autores como Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, entre outros. A relação trouxe ainda uma observação: “Todos os livros de Rubem Alves devem ser recolhidos”. Morto em 2014, Alves escrevia sobre educação e questionava o formato tradicional da escola. Ao ser questionado pelo jornal Folha de S. Paulo, o secretário de Educação, Suamy Vivecananda, afirmou que se tratava de uma “fake news”. Porém, após ser confrontado com imagens do processo no sistema da página oficial do governo na Internet, ele mudou o discurso e disse que não esteve na Secretaria ao longo da semana e que não tinha conhecimento da medida. Segundo ele, não haverá recolhimento de obras. Os documentos foram encaminhados a coordenadores regionais de Educação do estado e o processo constava no sistema de processos da Secretaria até a manhã de sexta-feira (7). O procurador do Ministério Público Federal de Rondônia, Raphael Bevilaqua, vai pedir explicações ao governo do estadual. O governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, é filiado ao PSL, ex-partido de Jair Bolsonaro, e é esperado que acompanhe o presidente em seu novo partido, o Aliança pelo Brasil.

DIVULGAÇÃO

RELAÇÃO DOS LIVROS A SEREM RECOLHIDOS LIVRO/TÍTULO

AUTOR

O MELHOR DE MACUNAÍMA, O HERÓI SEM NENHUM CARÁTER POEMAS ESCOLHIDOS A VOLTA POR CIMA MAR DE HISTÓRIAS O IRMÃO QUE TU ME DESTE A MENINA DE CÁ DIÁRIO DE UM FESCENINO BUFO&SPALLANZANI O MELHOR DE RUBEM FONSECA SECREÇÃO EXCREÇÕES E DESATINOS GUIA MILLÔR DA HISTÓRIA DO BRASIL O VENTRE OS PRISIONEIROS AGOSTO BEIJO NO ASFALTO AMÁLGAMA ROSA VEGETAL DE SANGUE O MISTÉRIO DA MOTO DE CRISTAL ESTRANGEIRA O DOENTE MOLIÉRE A COLEIRA DO CÃO O MELHOR DE NELSON RODRIGUES 13 DOS MELHORES CONTOS DE AMOR MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS O CASTELO OS SERTÕES DA LUTA MIL E UMA NOITES CONTOS DE TERROR DE MISTÉRIO E DE MORTE VESTIDO DE NOIVA O SEMINARISTA HISTÓRIAS CURTAS O ATO E O FATO O SEMINARISTA O HARÉM DAS BANANEIRAS HISTÓRIAS DE AMOR O BURACO NA PAREDE FELIZ ANO NOVO A VIDA COMO ELA É CALIBRE 22 MANDRAKE A BÍBLIA E A BENGALA LÚCIA MCCARTNEY ROMANCE NEGRO E OUTRAS HISTÓRIAS

CAIO FERNANDO ABREU MÁRIO DE ANDRADE FERREIRA GULAR CARLOS HEITOR CONY AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA/TODOS OS VOLUMES CARLOS HEITOR CONY CARLOS NASCIMENTO SILVA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA IVAN RUBINO FERNANDES CARLOS HEITOR CONY RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA NELSON RODRIGUES RUBEM FONSECA CARLOS HEITOR CONY ANA LEE & CARLOS HEITOR CONY SONIA RODRIGUES RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA NELSON RODRIGUES ROSA AMANDA STRAUSZ MACHADO DE ASSIS FRANZ KAFKA EUCLIDES DA CUNHA CARLOS HEITOR CONY EDGAR ALLAN POE GRAPHIC NOVEL RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA CARLOS HEITOR CONY RUBEM FONSECA CARLOS HEITOR CONY RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA NELSON RODRIGUES RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA RUBEM FONSECA


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INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO – Na sessão de reabertura dos trabalhos da Câmara Legislativa, terça-feira (4), a deputada Júlia Lucy (Novo) aproveitou a presença do governador Ibaneis Rocha (leia matéria na pág 4) para cobrar mais investimentos do GDF na Educação. Ela fez um levantamento e constatou que, em 2018, as escolas públicas locais receberam R$ 31,2 milhões em emendas parlamentares pelo do PDAF (Programa de Descentralização Administrativa e Financeira). Em 2019, o aporte foi de R$ 56,4 milhões. Contudo, apenas R$ 29 milhões foram liquidados (51,47% do total).

Minha Primeira Empresa Em conversa com o Pastor Silas Malafaia, na segunda-feira (3), Jair Bolsonaro (foto) pareceu debochar dos 11 milhões de desempregados brasileiros. “Vou lançar o programa minha primeira empresa”, disse. Para o Presidente da República, os desempregados “têm muitos privilégios e reclamam que não têm emprego”. E completou: “Eu tenho falado para o Paulo Guedes (ministro da Economia): Paulo lance o programa minha primeira

TÂNIA RÊG/AGÊNCIA BRASIL

Parada vandalizada é revitalizada Graças à perseverança da universitária Giovanna Mundstock e o apoio de 12 pessoas que se cotizaram para levantar R$ 720, o Pomar Solidário está de volta. Trata-se de uma parada de ônibus na Quadra 14, do Park Way,

empresa. O cara que reclama que não tem emprego, ele vai ter meios de abrir a empresa dele. Daí ele abre a empresa dele. Paga R$ 5 mil por mês para todo

mundo, pra ninguém reclamar do salário e vai ser feliz. Vai dar certo, oh, Malafaia (foto)?”, indagou, aos risos junto com ao líder religioso.

adaptada para abrigar um projeto de troca de frutas e verduras produzidas nas casas do bairro. As pessoas deixam os excessos de suas produções domésticas e quem quiser paga o produto que desejar. Tudo de graça. DIVULGAÇÃO

Dribles fiscais O governo Bolsonaro registrou pelo menos R$ 55 bilhões em despesas fora do limite estabelecido pelo teto de gastos na Emenda Constitucional 95. O maior volume foi dos R$ 34,4 bilhões

pagos à Petrobras pelo acerto de contas da negociação com o Tesouro feita em 2010. “Apesar de capitalizações desde o início estarem fora do teto, o tamanho desse gasto, em 2019, que ocor-

reu sem anúncio público, chamou atenção e alimenta debates sobre as escolhas do governo”, diz matéria do Valor Econômico, terça-feira (4), que chama de “drible” a pedalada fiscal.

PREMONIÇÃO?! – Campanha fora de época já virou rotina nas eleições. Mas, posse antes da eleição, só mesmo no novo painel eletrônico da CLDF

Acampamento do MTST é desfeito em Planaltina Mais de 200 famílias da Ocupação Quilombo de Anastácia, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST-DF), em Planaltina, foram alvo de uma ação de reintegração de posse, determinada pelo Judiciário e executada, na terça-feira (4), pela Polícia Militar do DF. Desde 29 de novembro do ano passado, 230 famílias ocupavam uma área de 20 mil metros quadrados, às margens da BR-020. Na operação, foram desaloja-

FOTOS/MÍDIA NINJA

dos idosos, crianças e mulheres. Não há informações sobre o destino dado às famílias, que não receberam nenhum suporte do Estado.

A área desocupada está ociosa há pelo menos 20 anos. A propriedade do imóvel está sob suspeição, pois a pessoa que alega ser dona

e reivindica o terreno apresenta documentos de áreas próximas ao imóvel, mas não referente à que estava ocupada pelo acampamento.


Brasília Capital n Política n 4 n Brasília, 8 a 14 de fevereiro de 2020 - bsbcapital.com.br RENATO ALVES/AGÊNCIA BRASÍLIA

Ibaneis afaga a Câmara Legislativa Governador faz discurso conciliador aos distritais na primeira sessão do ano A Câmara Legislativa realizou a primeira sessão do ano na terça-feira (4) com um discurso de 50 minutos do governador Ibaneis Rocha (MDB). O chefe do Executivo fez um balanço do primeiro ano de sua gestão e destacou o trabalho realizado com a Casa em 2019. Ibaneis usou um tom conciliador para responder as críticas de alguns distritais e fez citações diretas a quase todos os parlamentares, inclusive os de oposição. “Conseguimos avançar em diversas áreas e em tempo muito rápido. Nada seria assim sem o apoio da Câmara Legislativa”, afirmou. Ele também agradeceu o apoio da bancada federal, com a disponibilização de emendas para prioridades do governo. No ano passado, o GDF aprovou 100 projetos e medidas prioritárias, com destaque para a ampliação do modelo de gestão do antigo Instituto Hospital de Base (Iges/DF). Na visão dele,

o GDF conseguiu evoluir na área da Saúde, apesar das dificuldades. E fez críticas às administrações anteriores. “A Saúde ficou sucateada nos últimos 10 anos”, atacou. O governador prometeu a entrega de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por mês a partir de maio. A construção de sete UPA, a serem administradas pelo Iges, foi au-

torizada no ano passado pela Câmara Legislativa. EDUCAÇÃO – Em relação aos planos do GDF para a Educação, o governador prometeu reforma de escolas e construção de creches. “São mais de 50 obras previstas”, garantiu. Também citou obras em andamento, como o túnel de Taguatinga. “Ninguém acreditava que seria feito e nós

Algumas coisas a gente faz com dor Um grupo de distritais de oposição protocolou um Projeto de Decreto Legislativo para anular o aumento das passagens de ônibus autorizado pelo GDF no início do ano. O governador tentou justificar sua decisão: “Algumas coisas a gente faz com dor, mas só eu sei o que passamos para fechar a conta no ano passado. O dinheiro não surge do nada”. Ele criticou o Passe Livre e voltou a criticar a falta de

qualidade no transporte público do DF. PAINEL ELETRÔNICO – A primeira sessão do ano foi marcada, também, pela estreia do painel eletrônico. O equipamento, que custou R$ 1,9 milhão, foi instalado durante o recesso para modernizar as atividades em Plenário. Com ele, a presença será registrada por biometria e as votações serão digitais. O método anterior, com folha de ponto, favorecia fraudes.

conseguimos liberar no Tribunal de Contas do DF. A obra vai sair”. Na segurança pública, destacou a reabertura, em 2019, das Delegacias 24 horas. Sobre o crescimento dos casos de feminicídio, defendeu reforço na prevenção e discussão maior sobre os métodos de divulgação. DESEMPREGO – A sessão foi conduzida pelo vice-presidente da Casa, Rodrigo Delmasso (Republicanos) porque o presidente Rafael Prudente (MDB) está de licença para tratar de assuntos particulares. “O que essa Casa espera é que o GDF encaminhe projetos de lei que tenham o objetivo de gerar emprego e renda. Não podemos aceitar que 330 mil pessoas, 18% da nossa população, estejam desempregadas”, disse Delmasso. Ibaneis explicou que é preciso incentivar o empresariado a buscar soluções. E citou iniciativas de seu governo, como a extinção do Diferencial de Alíquota (Difal), como forma de atrair novos negócios para o DF. “São medidas assim que fazem a cidade crescer”, disse o governador, que também citou as Parcerias Público-Privadas (PPP) e as privatizações de empresas do GDF. Lembrou que o processo da Companhia Energética (CEB) deve ser concluído neste primeiro semestre.


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WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL

Denúncia anônima chegou nos gabinetes da ministra Tereza Cristina e do deputado Celso Russomano Uma denúncia anônima contra Jorge Luiz Moreira da Silva, indicado para superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná aponta o servidor como acusado de improbidade administrativa. Ele é suspeito de permitir a invasão da Fazenda Capão do Cipó, de 400 hectares, em Castro (PR), de propriedade da União. No documento, que chegou ao mesmo tempo, nesta semana, nos gabinetes do deputado federal Celso Russomano (Republicanos-SP) e da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Corrêa da Costa Dias, o grupo de “anônimos” pede a intervenção de ambos no sentido de impedir que ele seja nomeado superintendente do Incra Paraná por “conflito de interesses”. No entendimento dos autores da denúncia, Jorge Silva é indicação do deputado Sérgio Souza (MDB-PR), desafeto político do grupo do PSL no estado. Silva é acusado também, no documento apócrifo, de “não possuir conhecimento técnico para ocupar a função [de superintendente], desconhecer as práticas, leis e normativas que regem o Incra”. “O servidor, cujo cargo o torna responsável por cuidar da propriedade do governo fe-

DIVULGAÇÃO

Celso Russomano deve cobrar explicações do governo

deral, como a referida fazenda, nunca buscou solucionar a questão em favor da União, pelo contrário. Ele sempre excluiu todos os órgãos interessados das tratativas quanto à retomada da área, contrariando ordens claras do Secretário Es-

A ministra da Agricultura tomou conhecimento da denúncia, mesmo sendo apócrifa

pecial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Nabhan Garcia, e da própria Ministra”, afirma o documento. A Fazenda Capão do Cipó é considerada modelo, por ser produtiva, utilizada para pesquisas agronômicas e pecuárias, de propriedade da União, cuja responsabilidade é da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Desde 2015, foi ocupada pelo Movimento Sem Terra (MST). O documento indica que o juiz da 2ª Vara Federal de Ponta Grossa determinou a reintegração de posse à União, que não foi cumprido. O terreno, segundo a denúncia, estava destinado à construção de um campus do Instituto Federal do Paraná. Relata, ainda, que a deputada federal Aline Sleutjes (PSL-PR) “já cobrou soluções, visto a falta de interesse e morosidade no cumprimento da ordem judicial”.

Pedro Fernandes A Associação dos Empresários de Santa Maria realizará uma assembleia coletiva, quinta-feira (13), às 19h, no Colégio Santa Maria, para debater a regularização dos lotes comerciais da cidade. O objetivo é informar o empresariado local sobre a Lei 6.498/2019, que alterou o antigo Pró-DF, criando o novo programa Desenvolve DF. Segundo o presidente da AESM, Antônio Benjamin de Morais (foto), mais conhecido por Samuka, há uma grande preocupação entre os empresários com a insegurança jurídica na questão fundiária. “Os governos passados não deram a devida atenção a esse problema. Temos de aproveitar a boa vontade do governador Ibaneis Rocha para buscarmos uma solução definitiva”, diz Samuka. O líder empresarial afirma que o setor produtivo precisa entender melhor o Desenvolve DF, que está sob a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e da Terracap. “Mudou a regra. Agora, em vez de comprar o lote, o empresário terá um contrato de concessão de direito real de uso junto à Terracap. E quem estava no Pró-DF 2 até 2017 precisa migrar para o Inova DF”, esclarece. “Pleiteamos que todos os empresários tenham condições de desenvolver sua atividade, gerando mais empregos e renda, sem sofrer prejuízos. É um trabalho que vai ao encontro da política do GDF de combate ao desemprego”, diz o presidente da AESM, para quem a agilidade cobrada por Ibaneis já é um grande avanço na política de regularização fundiária não só de Santa Maria, mas de todo o DF.

PEDRO FERNANDES

Superintendente do Incra PR acusado de improbidade

Associação faz assembleia para debater o Desenvolve DF


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Entrevista Erika Kokay FOTOS: LORRANE OLIVEIRA/BSB CAPITAL

“O absurdo perdeu a modéstia” Orlando Pontes

Ú

nica representante do PT de Brasília no Congresso, a deputada Érika Kokay é uma das vozes mais ativas no Parlamento contra o governo Jair Bolsonaro. Mas está impressionada com a voracidade com que o Planalto avança na retirada de direitos dos trabalhadores. “O que me dói é que o absurdo perdeu a modéstia”, diz ela, parafraseando Nelson Rodrigues. “Nossa atuação mitiga o dano. Então, é lutar contra um governo misógino, fascista, LGBTfóbico, racista, e que assume isso e as pessoas batem palma. É um governo pautado no próprio ódio”, afirma nesta entrevista ao Brasília Capital. A petista faz um balanço do primeiro ano de

Como foi enfrentar a pauta do primeiro ano do governo Bolsonaro? – Acho que o governo se desnuda. Primeiro, fica muito clara a intenção de atacar os direitos, de testar os limites e a força das instituições. A todo tempo vimos o governo testar. Testar com a

ode ao próprio fascismo, ameaçando um AI-5. Eles estavam testando, permanentemente, a força das instituições. O que a oposição conseguiu evitar em termos de perdas para a sociedade? – Nossa resistência não se faz só na Câmara.

Bolsonaro – “eles estavam testando permanentemente a força das instituições” – e promete aumentar a resistência às pautas ultraconservadoras ao longo de 2020. “Os índios têm mais humanidade do que os milicianos, do que quem acha que é uma fraquejada ter uma filha mulher, ou que as mulheres precisam ser belas para merecem ser estupradas, como se fosse um prêmio. Os povos indígenas são a expressão completa do que é humanidade”. Sobre as reformas propostas pelo Executivo, ela crava: “O governo está querendo lucrar com a miséria e a fome do povo brasileiro. Nós vamos impedir que o Brasil seja destruído e seu povo excluído do seu próprio espaço e do seu próprio território”.

Alguns projetos que mudamos, só conseguimos porque dialogamos, de forma intensa, com a sociedade organizada. E o governo sabe disso. Se sabe, por que insiste? – Ele tem uma bula. Primeiro tem um discurso permanente de ata-

que aos direitos, trabalhistas e previdenciários. O Brasil não tem mais aposentadoria. Estamos vivenciando a institucionalização da precarização. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foi rasgada. Perdemos conquistas históricas que nem a ditadura militar ousou enfrentar.


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Entrevista Erika Kokay Cite exemplos. – Temos hoje um nível de informalidade, de precariedade – a uberização – que lembra a sensatez do título do livro de Ricardo Antunes, no qual ele diz que há o privilégio da servidão. É a uberização. As relações de classe não estão nítidas. Qual é a relação entre um trabalhador e um aplicativo? Quem é o patrão desse trabalhador? O que fazer para evitar que esse trator continue passando por cima de todos? – O turbilhão não passou. Ele está sendo pavimentado. O governo encaminhou 15 itens, como se fossem prioridades no Parlamento, para este ano. São itens que não melhoram a vida do povo brasileiro. Um deles é a desestatização da Eletrobras.

“O governo vai arrancar o que a Caixa tem de lucrativo, privatizando as loterias, os cartões, os produtos. Tudo que dá retorno e que fortalece a Caixa” Não tem nada de positivo nas matérias aprovadas em 2019? – O governo foi incompetente, incapaz

de conter o déficit fiscal, que é construído pela subserviência ao capital financeiro, que lucra fazendo dinheiro a partir do dinheiro. É um capitalismo dependente. É uma subserviência aos Estados Unidos de uma forma nunca vivenciada. Mas o governo comemora como vitória, por exemplo, a entrada na OCDE... – A entrada a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) tira a condição diferenciada que o Brasil tem na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele abre mão desta condição. Num mundo globalizado, não é interessante a atração do capital internacional? – O governo diz que vai abrir as compras governamentais para o capital internacional. Significa atacar o conteúdo nacional que gera emprego. O Brasil não vai abrir as suas compras para o capital internacional para participar dele. Vai ser engolido por ele. E sem geração de emprego porque não tem cadeias produtivas sendo desenvolvidas. Então, será um capitalismo dependente e financeirizado, não produtivo. Você citou a desestatização da Eletrobras. Mas existe a possibilidade de privatização de outras empresas, como a Caixa e o Banco do Brasil... – Bolsonaro diz que não vai privatizar a Caixa. Nós chamamos o presidente da Caixa aqui. O problema é que o governo vai arrancar o que a Caixa tem de lucrativo. Quer privatizar as loterias, os cartões, os produtos, a carteira de gestão de recursos de terceiros. Tudo aquilo que tem retorno e que fortalece a própria Caixa. Os funcionários da Caixa estão fazendo uma

campanha contra a privatização... – É preciso dialogar muito com a sociedade. O presidente do Banco do Brasil também esteve aqui para prestar esclarecimentos, e disse que a iniciativa privada é melhor do que o BB. Ora, o Banco disputa mercado, assim como a Caixa, com a iniciativa privada. Como é possível o próprio presidente do banco dizer “meu concorrente é melhor do que eu”? Tem ainda o papel social dos bancos públicos... – Sem dúvida. 98% da habitação de baixa renda é financiada pela Caixa. Então, estamos abrindo mão de instrumentos estratégicos para o desenvolvimento nacional. O governo alega que quer conter um déficit fiscal que não é provocado por essas empresas, que são lucrativas. E a Petrobras? – Ao mesmo tempo que ele diz que não vai privatizar a Petrobras, privatiza o Pré-Sal e privatizou mais da metade das distribuidoras dela. E quer privatizar a Dataprev, que tem 3.600 funcionários, é uma empresa enxuta, que não depende financeiramente de recursos da União. A Dataprev detém a responsabilidade de mais de 34 milhões de benefícios pagos por meio da própria Dataprev. O governo está entregando um cadastro com os dados de milhões de pessoas para a iniciativa privada e internacional. Pelas declarações do Presidente, outra prioridade é vender a ECT... – O governo disse que vai privatizar os Correios. Mas sabe – e o presidente dos Correios na época veio aqui e disse de forma muito clara e foi demitido uma semana depois – que o lucro dos Correios vem por volta de 8% dos municípios. A iniciativa privada não vai assumir o

retirada de direitos dos trabalhadores, tratados como vilões. Retiram os direitos como justificativa para fazer o País crescer. A própria Carteira Verde e Amarela, que está aqui na Câmara para ser apreciada, faz com que o desempregado pague para os jovens entrarem no mercado de trabalho. E os jovens também pagam por isso.

“O Brasil volta a conviver com a fome com a diminuição dos beneficiários do Bolsa Família” que dá prejuízo, vai assumir os 8%. O lucro da ECT vem do setor não monopolizado, onde ele disputa, nas encomendas, e tem destaque, excelência. A iniciativa de privatizar os Correios significa uma subserviência. Também se discute a privatização de empresas de saneamento... – Nós resistimos bastante ao projeto do marco do saneamento, que é um marco para privatizar. Impede, inclusive, que o município possa fazer convênios ou tenha serviços de saneamento prestados pelas empresas públicas estaduais. Então, é uma privatização. E quanto à necessidade de se expandir os serviços de saneamento básico para uma parcela maior da população? – Não se faz isso submetendo esses serviços, fundamentais para a saúde e para o bem viver, para a iniciativa privada, que visa o lucro. Nesse sentido, há uma pauta desestatizante e econômica de

Está na pauta do governo a PEC Paralela, que prevê a fusão do Bolsa Família, do salário família, do abono salarial e a dedução por criança, criando o Benefício Universal Infantil (BUI). O que significa isso? – Primeiro, tem que se considerar que o Brasil volta a conviver com a fome. Tem também a diminuição dos beneficiários do Bolsa Família. O governo fala que considerará o 13º para o Bolsa Família. Entretanto, diminuiu o número de pessoas que têm direito ao benefício. Nós temos por volta de dois milhões de processos de pessoas que buscam benefícios previdenciários ou sociais e que estão parados. O governo está querendo lucrar com a miséria e a fome do povo brasileiro. A reforma da Previdência, tão comemorada pelo governo, não melhorou o sistema? – Ela tira o direito da aposentadoria de grande parte da população com a idade mínima estabelecida, com um período de até 40 anos de contribuição para o trabalhador sair com 100% do salário que recebeu até o momento. Tomemos como exemplo um gari. Ele tem uma expectativa de vida laboral de quantos anos correndo atrás de um caminhão? Como exigir que ele trabalhe até aos 65 anos? Quando chegar aos 50, ou menos, ele vai começar a ter problemas de saúde e será demitido. Então, ele estará novo para se aposentar e velho para entrar no mercado de trabalho. É muita crueldade!


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Na sua visão, quais seriam as pautas prioritárias neste momento? – Nossa prioridade é fazer a discussão sobre o Fundeb, o financiamento da Educação Básica, que precisa ser validado. Queremos que ele entre na Constituição porque, se o prorrogarmos para depois deste ano, acabará o financiamento da educação. E quanto ao Ensino Superior? – Outra tragédia. O governo está acabando com a autonomia das universidades com a Medida Provisória que aqui está, que impede a democratização da gestão. Há alguma possibilidade de negociar com a base governista? – Este é um governo que dialoga com um segmento muito fascista. O Presidente elogiou um secretário Nacional de Cultura que depois fez uma apologia ao nazismo. Colocou na Fundação Palmares uma pessoa que disse que a escravidão foi benéfica para os afrodescendentes. Substituindo aquele que fez apologia nítida ao nazismo, colocou uma pessoa que reproduz a fala que diz que é preciso acabar com a luta de negros contra brancos e que os negros, os LGBT, enfim, a população que luta por direitos, estão se vitimizando e ameaçando. Ou seja, transforma as vítimas em algozes. Hitler fez isso, não fez? Em outubro teremos eleições municipais, que será o primeiro momento em que a população vai poder avaliar esse projeto. Como a esquerda pode começar a tentar reverter esse quadro visando 2022? – A eleição de 2020 é em defesa das cidades para que elas possam ser um local para todos. As cidades são proibidas para as pessoas com deficiência, para as mulheres. Ande em uma cidade de madrugada e vai

ver que as praças estão vazias. Os espaços coletivos tornaram-se proibidos para o seu próprio povo, até em função da ausência de uma política de mobilidade urbana, do aumento das passagens de ônibus. É como se a mobilidade fosse submetida a um aprisionamento, escravização dos próprios corpos. Você possibilita, muitas vezes, com mais facilidade, que uma pessoa saia de Ceilândia para o Plano Piloto para trabalhar do que se deslocar dentro da própria Ceilândia. Em termos eleitorais, quais as cidades consideradas estratégicas para o PT? – Em muitas cidades nós vamos buscar uma composição com a esquerda. Em São Paulo, teremos vários candidatos disputando a prévia interna do partido. Temos discussões no Rio de Janeiro com o Freixo. Tentaremos fazer composições em Porto Alegre. Mas são coisas que ainda não estão decididas, movimentos que estão sendo construídos também em outros locais. Então o debate nas cidades será o ponto de partida para a discussão nacional que se dará em 22... – É óbvio que o resultado das eleições municipais têm um impacto nas eleições federais, inclusive na de parlamentares e governos estaduais. Quais os temas, na sua avaliação, que dominarão o debate em 22? – Esse governo quer manter uma pauta fundamentalista contra os direitos porque com essa pauta dialoga com o segmento ultraconservador que o elegeu, que ele quer manter. Se fosse diferente, não manteria caricaturas nos Ministérios dos Direitos Humanos, da Mulher, das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e da Cultura. A mesma coisa os ruralistas. O

Conselho Nacional de Mineração está possibilitando autorizações para exploração mineral. Se o governo não se manifestar em determinado prazo, estarão automaticamente autorizadas. Tem ainda a questão das terras indígenas... – É. Primeiro que é desumanização simbólica, quando ele diz que os indígenas não são seres humanos, que nós temos de lutar para que

“Vamos impedir que o Brasil seja destruído e seu povo excluído do seu próprio espaço e do seu próprio território” eles sejam seres humanos como nós. E eles são. Muitas vezes até mais. Têm mais humanidade do que os milicianos, do que quem acha que é uma fraquejada ter uma filha mulher, ou que as mulheres precisam ser belas para merecem ser estupradas, como se fosse um prêmio. Os povos indígenas são a expressão completa do que é humanidade. O que a oposição fará para tentar barrar essa tendência? – Trabalhar com proposições. Temos uma pro-

posta de reforma tributária lançada aqui e que será discutida. Buscaremos enfrentar as desigualdades, um dos maiores problemas do País. Elas são regionais, sociais e de direitos. Queremos construir uma trincheira contra as desigualdades. A nossa resistência tirou alguns pontos da reforma da previdência, outros do pacote anticrime porque a maldade seria maior, mais profunda e mais cruel. Portanto, a nossa atuação mitiga o dano. Então, é lutar contra um governo misógino, fascista, LGBTfóbico, racista e que assume isso. Parece uma luta inglória... – O que me dói é que o absurdo perdeu a modéstia, usando um termo de Nelson Rodrigues. Ele se assume enquanto tal e as pessoas batem palmas. É um governo pautado no próprio ódio. Eu fico me perguntando se as pessoas realmente votaram em Bolsonaro por suas propostas. Ele não disse quais seriam suas propostas para o País, para a Saúde, Educação. Ficaram na facada. Não houve debate. É um governo que se impõe muito mais sobre as fake news, que continuam. Como assim? – Ele tem uma máquina subterrânea. E dessa condição as caricaturas saem e assumem postos chaves, como o Ministro, da Educação, que tem a ousadia de dizer que a Terra é plana. A ousadia de desconstruir e desprezar qualquer evidência científica, como se pudesse criar uma pós-verdade sem qualquer lastro com os fatos. Mas, em última análise, esta foi a escolha do povo... – Se você olhar a bancada bolsonarista na Câmara, grande parte dela não tinha vida política. As pessoas não conheciam esses deputados. Eles foram eleitos no discurso do ódio, para enfrentar,

para acabar com a esquerda. Foi criada uma lógica do medo. Eles precisam sempre de inimigos imaginários. Ora são os professores, depois as universidades, os negros. Como esse discurso se reproduz na sociedade? – O Brasil conviveu quase 400 anos com a escravidão, é o quinto no mundo em feminicídios, é um dos países que mais mata a população LGBT. A expectativa de vida da população trans chega a pouco mais de 30 anos. É uma distorção a construção de inimigos imaginários sempre aliada à construção de heróis imaginários. Uma história montada de heróis e vilões para que a partir daí se possa arrancar os direitos, entregando o País e fazendo uma apartação da pauta econômica que destrói a possibilidade de termos um projeto de desenvolvimento que aponte para uma perspectiva do País vivenciar sua própria grandeza. Mas a economia aponta para um crescimento... – A pauta econômica está blindada e imune aos absurdos que o governo provoca do ponto de vista dos direitos, a serviço do capital internacional estadunidense. Nos EUA, as hidrelétricas são protegidas pelo Exército. Na China, Canadá e EUA, que podem comprar a Eletrobras, não abrem mão da sua soberania energética, não colocam à venda, muito menos entregam as suas empresas. No Brasil, está a serviço de (Donald) Trump (presidente dos Estados Unidos), de um projeto que é estadunidense, e não nacional. Vamos resistir a tudo isso. Eu tenho absoluta certeza de que a discussão com a sociedade e o enfrentamento das narrativas do governo terão eco e, a partir daí, vamos impedir que o Brasil seja destruído e seu povo excluído do seu próprio espaço e do seu próprio território.


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Brasília Por Chico Sant’Anna

Duas encruzilhadas para Ibaneis

O

governador Ibaneis Rocha está prestes a se confrontar com duas polêmicas que renderam desgastes a seus antecessores: A desocupação de áreas verdes nos Lagos Sul e Norte e a mudança de nome do estádio Mané Garrincha. Da primeira ele não tem muita escapatória, mas, se usar a habilidade do velho ponta-direita do Botafogo, saberá driblar a segunda, que mexe com o brio dos brasilienses. O governo Agnelo (PT) fez de tudo para retirar o nome Mané Garrincha e comercializar a denominação do estádio. Na ocasião, a imprensa comentou a existência de um contrato milionário com a Coca-Cola e, ao contrário do que muitos pensavam, as cadeiras vermelhas da arena não eram para homenagear o petismo, mas sim a marca de refrigerante. A população de Brasília se indignou e não autorizou nem uso genérico do Estádio Nacional de Brasília. A aversão popular chegou à Câmara Legislativa e a então deputada Liliane Roriz (PSD) apresentou projeto de lei que batizou o estádio com o nome do craque das pernas

tortas. Dezessete dos 24 deputados apoiaram a iniciativa. Teimoso, Agnelo foi para o segundo tempo: Vetou o projeto. Aí a torcida se fez ainda mais presente. Até Elza Soares, viúva de Garrincha, entrou em campo. E na prorrogação a Câmara derrubou o veto do Executivo. Agora, no primeiro ato da gestão privatizada, os novos donos anunciam que vão mudar o nome do estádio. Pior: pretendem vender o nome da arena. E Ibaneis entrou numa bola dividida, cogitando o nome de “Arena BRB”. A ideia dos novos donos é faturar com o merchandising. Vão ter de furar uma retranca pesada. Mas quem merece cartão vermelho é a ideia de o banco público desembolsar milhões nessa empreitada. Se o valor desse patrocínio for semelhante aos R$ 5,5 milhões que o BRB repassa aos times de basquete do Flamengo e do Universo, o custo anual do arrendamento do Mané Garrincha, do Nilson Nelson e do Cláudio Coutinho será pago com recursos públicos. Afinal, a Arena BSB arrematou a concessão de todo o complexo por R$ 5,05 milhões anu-

GABRIEL JABUR/AGÊNCIA BRASÍLIA

Bola dividida: Consórcio pode mudar nome do estádio que é lei aprovada pela CLDF

ais, mais 5% do faturamento. A iniciativa traz grandes problemas e muito desgaste para quem defendê-la. Primeiro, vai começar uma batalha judicial, quiçá legislativa, uma vez que o estádio é batizado por lei. Não será um ato administrativo que poderá alterar isso. Uma nova lei terá de ser aprovada. Aí a torcida vai estar em cam-

po novamente. O segundo óbice se deve ao fato de que se fosse para o BRB injetar milhões no Mané Garrincha, não teria sido necessário a privatização. Bastaria um acordo intragovernamental para viabilizar os custos de manutenção, e a estrutura permaneceria pública. Irá Ibaneis cair na mesma armadilha que desgastou Agnelo?

Rollemberg fez do limão uma limonada Na gestão de Agnelo, o GDF perdeu na Justiça duas ações que tratavam da ocupação de áreas públicas do Lago Sul e Norte. O ex-governador ignorou as decisões e empurrou o imbróglio para seus sucessores. Coube a Rodrigo Rollemberg (PSB) a missão de desocupar as margens do Lago, acatando uma decisão judicial já tramitada em julgado. Se não o fizesse, poderia até perder o cargo. E Rollemberg fez do limão

uma limonada. Da imposição judicial, criou o Lago é para Todos, e assim ganhou a simpatia de parte dos brasilienses que passaram a ter acesso às margens do Paranoá, embora a maioria dos moradores dos Lagos Sul e Norte reclame até hoje. SERVIDÃO DE PASSAGEM – No colo de Ibaneis Rocha vai cair o resultado de outro processo, igualmente tramitado em julgado (sem condições para recursos). A ação data de 2012

e determina a liberação das Servidões de Passagem. Trata-se de um corredor que deve ficar livre e desobstruído entre os lotes frontais dos Lagos Sul e Norte. Nos dois bairros, é prática comum ocupar as áreas públicas até os limites das áreas verdes do vizinho da frente. Isso dificulta ou até impede o acesso das concessionárias de telefonia, água e esgotos às suas instalações. Além disso, nas Quadras do Lago (QL), aquelas que termi-

nam na beira lago, populares que quiserem ter acesso à orla ficam impendidos de fazer o trajeto entre as quadras. Na gestão de José Aparecido, na década de 1980, tanto a orla quanto as Servidões de Passagem tiveram ser desocupadas. Algumas receberam ciclovia e calçamento, mas, com o passar dos anos, moradores voltaram a ocupar as áreas públicas. A alegação é a de que buscam dar mais segurança às residências.


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Decisão judicial vence em fevereiro Para ganhar tempo, o GDF, por meio da Agefis, tentou envolver nesse imbróglio jurídico a corresponsabilidade dos moradores e do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). Mas o TJDF não aceitou a manobra e deu prazo – que se extingue agora, em fevereiro – para que o governo apresentasse um calendário de desobstrução das passagens. A desobstrução vale para as QL e para as QI (Quadras Internas). Em sua sentença, o juiz Carlos D. V. Rodrigues, à época da Vara de Meio Ambiente do TJDFT, lembra que “há a previsão de faixas de área pública

entre os lotes localizados nos finais de quadras residenciais sem saída destinadas à passagem de pedestres e de redes de infraestrutura”. A sentença não é clara em quantificar as dimensões dessa área. Porém, alguns especialistas afirmam que deve ser de, no mínimo, três metros de largura e ao longo de todos os lotes. Segundo levantamento do Ministério Público, autor da ação, 95,7% das passagens de pedestres estão obstruídas. “O exercício do direito de ir e vir, seja para ter acesso à orla do Lago, bem de uso comum do

povo, ou para ter acesso às principias vias do Lago Sul e Norte, deve ser garantido, não sendo possível sua privatização ou seu fechamento para a população", sentenciou Rodrigues. A possibilidade de ter de recuar as cercas aterroriza a muitos moradores. O Conselho de Segurança do Lago Sul (Conseg) já foi acionado. Estuda-se uma ação rescisória, mecanismo do Direito com objetivo de desfazer efeitos de sentença transitada em julgado. Advogados julgam improvável que isso surta efeito nos tribunais.


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VIA

Satélites

{PLANO

Por Lorrane Oliveira

Serejão passa por reformas – O estádio Elmo Serejo Farias passou por reparos para receber o Campeonato Brasiliense de Futebol. Há cerca de 10 anos sem receber obras, o Serejão ganhou melhorias no gramado, nos alambrados, nos banheiros e vestiários. A restauração foi feita pela Administração Regional de Taguatinga. A área externa da arena ganhará nova pintura.

PILOTO

{TAGUATINGA

Complexo Esportivo passa para iniciativa privada

Viaduto ganha licença ambiental

O Complexo Esportivo de Brasília, formado pelo Estádio Nacional Mané Garrincha (foto), Ginásio Nilson Nelson e Complexo Aquático Cláudio Coutinho, já está sob a administração da iniciativa privada. A concessão de 35 anos foi assinada terça-feira (4) em solenidade com a presença do governador Ibaneis Rocha; do vice-governador Paco Britto, do presidente da Arena BSB, Ri-

chard Dubois, e de autoridades do Executivo. Além das praças esportivas, o consórcio Arena BSB vai construir um boulevard com área de convivência, entretenimento e lazer. O negócio tem potencial para gerar quatro mil empregos diretos, e, de imediato, o GDF estima economizar mais de R$ 13 milhões por ano com a dispensa de manutenção do centro esportivo.

GABRIEL JABUR/AGÊNCIA BRASÍLIA

{SAMAMBAIA

Ato contra o feminicídio

Empório D’elas: cozinha afetiva Nesses tempos de corre-corre, vale a pena dar uma passadinha na CLN 404 Bloco C Lojas 43/45 Galeria Subsolo, na Asa Norte, e fazer um maravilhoso exercício de prazer gastronômico. O restaurante Empório D’elas Culinária Afetiva oferece alimentos prontos ou semiprontos, rotisseria e ainda conta com serviço de Buffet. A ideia é facilitar a vida de quem não tem tempo para cozinhar, mas não abre mão do

{DISTRITO

DIVULGAÇÃO

sabor da comida caseira. São produtos artesanais de qualida-

de para o café da manhã, lanches e refeições executivas. O diferencial está no tratamento dado à produção dos alimentos. Desde o cozimento a vácuo para preservação dos nutrientes e sabor até as combinações balanceadas sem adição de conservantes, baixos teores de sódio e o congelamento para a conservação do produto final. Contato: 61 30418586/99965-1411, ou www.emporiodelas.com.br

FEDERAL

Carnaval com Elba Ramalho e Psirico O carnaval do DF este ano terá o Polo Esplanada, espaço gratuito para toda a população. A Parceria Público-Privada receberá atrações nacionais como Gustavo Mioto, Glória Groove, Elba Ramalho, Pre-

ta Gil, Psirico, Céu, entre outros. De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, é um passo para diferenciar o carnaval do DF de outros estados. O GDF vai arcar

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) concedeu Licença Ambiental Simplificada para a pavimentação e construção do viaduto na Avenida Elmo Serejo. A construção interligará a Via M1 à Elmo Serejo, com extensão de 316 metros e largura de 12 metros.

com a infraestrutura e os cachês dos artistas será custeado pela iniciativa privada. No total, 49 blocos e dois polos carnavalescos foram contemplados, no Setor Comercial Sul e na Praça dos Prazeres.

A população se mobilizou, no sábado (1º), contra o feminicídio. Centenas de pessoas saíram em marcha pela 1ª Avenida Norte, saindo do CEM 414 em direção às Quadras 206/204 para declarar que não suportam mais tanta violência contra as mulheres. A ação despertou comoção nos participantes porque a cidade registrou três casos de feminicídio em 24 horas no início de janeiro. No dia 30, o GDF propôs ao governo federal penas mais duras contra o feminicídio.

{RIACHO

FUNDO

DF Legal desmonta invasão A secretaria DF Legal iniciou, segunda-feira (3), a desconstituição de invasão de área rural na Colônia Agrícola Kanegae. O objetivo é prevenir possíveis desastres naturais decorrentes da ocupação desordenada. Foram removidos muros, cercas e edificações ilegais. A ação envolveu a Novacap, PM, CEB, Corpo de Bombeiros, Caesb e da Administração Regional.


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Equívocos na política de saúde

A

s propostas e ações do atual governo e do anterior têm priorizado o atendimento de emergência em saúde: construção de UPA em vez de Unidades Básicas de Saúde, contratação de “emergencistas” (como função e não especialização) no lugar de especialistas, atendimento de emergência em unidades de atenção primária que não contam com infraestrutura para atendimentos complexos e decretação sequenciada de “estado de emergência”. Emergência é uma palavra que se banalizou quando o assunto é a saúde pública de Brasília. Tornou-se “lugar de fala” tanto no que diz respeito às questões sociais quanto no aspecto de discurso político e eleitoral. Um discurso que se tem mostrado conveniente para os políticos, embora no campo estrito da prestação de assistência em saúde

merecesse outro nome: desastre. No que se refere ao paciente, atendimento de emergência é o que se dá quando ele apresenta problema de saúde em estado agudo, que traz risco de dano permanente ou morte. Em relação à saúde pública, emergência é uma situação que demanda emprego urgente de medidas de prevenção, de controle e de contenção de riscos, de danos e de agravos à saúde pública em situações que podem ser epidemiológicas (surtos e epidemias), de desastres, ou de desassistência à população. Nos dois casos, emergência implica em elevação de gastos, o que poderia ser evitado tanto no que se refere à agudização da condição do paciente quanto do ponto de vista da gestão das ações em saúde pública. O que é necessário para isso? Planejamento, estabelecimento de marcos e metas para

as ações em saúde, com foco na prevenção e execução de ações no tempo e na medida certa para evitar as emergências. Essas ações devem ter por base as características socioambientais da comunidade e do local que ela habita; o perfil das doenças típicas dessa localidade e a periodicidade com que costumam ocorrer. Tomemos como exemplo a infecção por dengue na época das chuvas; a gripe, outras infecções respiratórias e alergias na época da seca. Planejamento e execução de ações de educação e prevenção em saúde reduziriam os impactos delas nos momentos críticos. Isso é gestão de riscos. A “emergência” como vem sendo tratada não é gestão de risco, é gestão de danos e não oferece solução para os problemas que se repetem dia após dia nas portas dos hospitais lotados e ano após ano nos períodos críticos previsíveis, como

Dr. Gutemberg Fialho Médico e advogado Presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal

a atual epidemia de dengue. A solução é investir na atenção primária, na Estratégia Saúde de Família, com equipes multidisciplinares completas, qualificadas, com suporte adequado de uma retaguarda de especialistas e um sistema de comunicação em saúde eficiente.


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Novidades na volta às aulas

MARY LEAL/ASCOM/SEEDF

GDF busca acabar com o déficit de vagas e amplia mais recursos no PDAF O ano letivo de 2020 no Distrito Federal começa com muitas novidades. Os 460 mil estudantes vão receber, gratuitamente, pela primeira vez na história da capital, uniformes completos (da camiseta ao tênis). O GDF também reformou, segundo a Secretaria de Educação, 580 unidades escolares, incluindo várias bibliotecas. E ainda inaugurou seis novas escolas: uma no Sol

Nascente, uma creche no Lago Norte, duas em Samambaia, uma em São Sebastião e outra em Ceilândia. As novidades foram anunciadas, segunda-feira (3), pelo secretário João Pedro Ferraz dos Passos, na abertura da Semana Pedagógica, que terminou na sexta-feira (7). O evento aconteceu, simultaneamente, em 678 escolas. Apenas cinco não participaram porque estão fechadas.

João Pedro Ferraz: GDF trabalha com meta de não deixar nenhuma criança fora da escola

A Semana Pedagógica antecedeu a volta às aulas, na segunda-feira (10), e reuniu todos os profissionais da educação para realização de um diagnóstico de suas escolas com base nos dados das avalia-

ções educacionais. Também é o momento de implantação do novo Currículo da Rede (Currículo em Movimento, alinhado à Base Nacional Comum Curricular – BNCC); e de planejamento do ano letivo.

Famílias recebem Cartão Material Escolar As famílias beneficiárias do Bolsa Família receberão o Cartão Material Escolar e o Cartão Creche. Já as escolas, vão receber, pela primeira vez, o Cartão Pequenos Reparos, com dinheiro do Programa de Descentralização Financeira e Orçamentária (PDAF). O GDF lançou o Programa Carência Zero e convocou 8.500 professores substitutos para substituir, temporariamente, docentes efetivos. Repassou para a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), R$ 50 milhões para despesas com serviços de transporte escolar na rede pública. A descentralização visa a deixar a SEEDF focada nos temas pedagógicos. No Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), em Taguatinga, a chegada dos recursos serão bem-vindos. Suzane Martins, diretora da escola, diz que o GDF ainda não repassou os valores prometidos, mas assegura que a escola está preparada para receber os alunos na volta às aulas. “Conseguimos isso com muita dificuldade, já que em 2019 tivemos poucos recursos financeiros”, afirma. O Cemab atende a 2.700 alunos em três turnos. Conta com 80 professores regentes e mais professores de apoio e readaptados. “Este

A. SABINO

Suzane Martins: “Em 2019 tivemos poucos recursos financeiros”

ano, começamos com a esperança de que, como anuncia o GDF, seja um ano de mudanças positivas para que nós, as famílias e a comunidade caminhemos juntos em prol da educação de nosso filhos”. EDUCAÇÃO INFANTIL – De acordo com a Secretaria de Educação, se depender do governo, nenhuma criança ficará fora da escola. O GDF pôs em curso o Programa de Benefício Educacional-Social (PBES), para acabar com o déficit

de vagas na Educação Infantil e anunciou que 2020 será o ano de expansão da educação infantil. No primeiro semestre, pais, mães e responsáveis legais por crianças inscritas para vagas em creches públicas terão 14 mil vagas para crianças de 0 a 3 anos e 11 meses. Nas creches conveniadas, o atendimento será para crianças de até 5 anos. “São 5 mil por meio do Cartão Creche; 900 por intermédio da inauguração de cinco novos Centros de Educação de Primeira Infância (CEPI); e mais 8 mil por meio do movimento sequencial dos estudantes”, informa a Secretaria. Para o segundo semestre, o secretário afirmou que, com essas ações, busca garantir recursos para oferecer mais 5 mil vagas pelo cartão e um número ainda indefinido por meio da ampliação das vagas dos convênios já existentes. Estudantes do Ensino Especial também serão contemplados com recursos financeiros em 2020. O GDF ampliou o benefício do Cartão Material Escolar (CME) para 172 itens de materiais didático-pedagógicos de uso individual e pessoal, que poderão ser comprados nas papelarias credenciadas. Foram creditados R$ 320, desde quarta-feira (5), para estudantes

beneficiários do Bolsa Família que já faziam parte do programa em 2019, permaneceram em 2020 e, por isso, já possuem o cartão físico. PDAF – As escolas de Ensino Fundamental e Médio e Coordenações Regionais de Ensino (CRE) vão receber R$ 37,7 milhões por meio do PDAF no primeiro semestre de 2020. A portaria com os valores para cada unidade escolar foi publicada na quarta-feira (5), no Diário Oficial do DF. No documento, os repasses serão realizados no primeiro semestre, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira. Ao todo, serão contempladas 701 unidades de ensino, incluindo escolas, Centros Interescolares de Línguas (CIL) e CRE. Os valores de cada unidade são calculados de acordo com o número de estudantes, sendo R$ 55 por estudante para as unidades com serviços terceirizados de conservação e limpeza, e R$ 65 para as sem esses serviços. O cálculo tem por base as indicações do Censo Escolar 2019. Outros critérios, como o atendimento integral, ensino inclusivo, escolas em área rural, adesão ao programa “Escola que Queremos”, entre outros descritos na portaria, garantem valores complementares.


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ESPÍRITA

José Matos Salve a Umbanda Sagrada! Religião brasileira criada para fazer a caridade com base no Evangelho de Cristo Umbanda, de Um = Deus e Banda = Lei ou Legião. Portanto, Umbanda quer dizer Lei de Deus ou Legião de Deus. A Umbanda só faz o bem. Se em algum centro que se diz umbandista fizer o mal, não é de Umbanda. Umbanda é religião brasileira. Sua fundação foi anunciada em 1908, em Niterói, no Rio de Janei-

ro, na Federação Espírita Brasileira. Foi criada para fazer a caridade com base no Evangelho de Cristo. Centros que não estudam o Evangelho ainda não estão cumprindo o ideal de seu fundador, o Caboclo das sete Encruzilhadas. Além de estudá-lo, devem também, explaná-lo para o público.

NUTRIÇÃO

Caroline Romeiro Volta as aulas: O que levar na lancheira das crianças? Busque combinações com alimentos fontes de minerais, vitaminas, carboidratos e proteínas A maior parte das crianças que estuda em escolas particulares voltou às aulas no fim de janeiro. É o momento em que muitos pais se questionam qual o melhor lanchinho para colocar nas lanchei-

ras dos filhos. Os pequenos precisam de energia durante o período de aprendizado na escola e os alimentos fontes de carboidrato não podem faltar, assim como as fontes de vitaminas e minerais.

O trio básico da Umbanda é formado pelo Preto Velho, o Caboclo e a Criança. Posteriormente, muitas outras falanges espirituais se incorporaram para servir, conhecidas como linhas. Linha dos boiadeiros, dos ciganos, dos baianos, dos orientais (cura) etc. e, por último, a linha dos cangaceiros, que ajudam, principalmente, na segurança do Centro. A Umbanda é comandada por sete grandes espíritos, cognominados Orixás, sendo Cristo, o Orixá Maior, conhecido como Oxalá. O mensageiro dos Orixás é Exu, trabalhador nas áreas de segurança, desmanche de magia, negociação de carma, aconselhamento e também designado para resolver problemas de ordem material. Exu, nada tem ver com diabo. Espíritos vagabundos, ditos kiumbas, se passam por eles em igrejas evangélicas ou em centros onde não

há seriedade. Exu só faz o bem. Se, em algum lugar, espírito que se diz Exu aceita fazer trabalho para prejudicar, não é Exu, e esse Centro não é de Umbanda de forma nenhuma. Além do Evangelho de Cristo, deve-se estudar mediunidade dom gratuito de Deus –, que deve ser distribuída gratuitamente. O trabalhador da Umbanda deve honrá-la, procurando servi-la com honestidade e amor. Deve procurar melhorar-se como ser humano, ser útil onde estiver e se relacionar com os espíritos, sem escravizá-los e sem dependência. Espíritos são companheiros de evolução e é assim que devem ser vistos. Salve a Umbanda Sagrada!

Alimentos proteicos também são importantes para dar saciedade às crianças. E não podemos esquecer que elas precisam se hidratar, de preferencia com água. Uma sugestão pode ser combinar frutas com uma porção de iogurte natural (ou pode até ser uma opção de iogurte com frutas, mas leiam os rótulos para não comprar produtos lácteos não fermentados e cheios de açúcar e adoçante). Além disso, um pãozinho integral com queijo ou a combinação de castanhas com frutas e iogurte são combinações interessantes. É muito importante que os pais tenham a consciência de não enviar para a escola lanches não saudáveis, como produtos ultraproces-

sados, como biscoitos recheados, sucos artificiais, doces etc. Você pode estar pensando...Ah!, pro meu filho eu mando o que eu quiser! Mas, lembre-se: A escola é um lugar importante de aprendizado e o momento do lanche também faz parte disso. Lá, ele, com certeza, poderá compartilhar o lanchinho! Então, vamos contribuir para um ambiente saudável na escola. Se você é pai ou mãe e tem dúvida sobre o que mandar na lancheira do seu filho, procure um nutricionista. Ele te ajudará nesse planejamento!

Nota de esclarecimento do Sinpro-DF O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) lamenta, profundamente, o falecimento do professor Odailton Charles Albuquerque Silva, na terça-feira (4), e informa à imprensa que em nenhum momento se manifestará a respeito do ocorrido. Assim como toda a sociedade, aguardamos o resultado das investigações e que todas as medidas possam ser tomadas pelo órgão competente, ou seja, pela Polícia Civil do Distrito Federal.

José Matos Professor e palestrante

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


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Candangão

Não é só futebol!

Real Brasília e Gama goleiam de novo e seguem na ponta

Romont Willy

Real Brasília promove evento na Vila Planalto com mais de 70 grafiteiros Gustavo Pontes A Vila Planalto, um dos primeiros acampamentos de trabalhadores que vieram para a construção da Nova Capital, no fim da década de 1950 – outros foram a Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, e a Vila Amauri, submersa para formação da Barragem do Paranoá – volta a ter um time de futebol. O Real Brasília, que disputa a 1ª Divisão do Campeonato Brasiliense, fez uma parceria com o Clube Vizinhança e reformou o estádio Ciro Machado do Espírito Santo, o Defelê, onde vai mandar seus jogos pelo Candangão 2020. Mesmo em obras, a diretoria do Real abriu os portões da arena para a comunidade no sábado (1º). Mais de 70 grafiteiros foram convidados a deixar sua arte nos muros do estádio e casas vizinhas. O colorido das pinturas é um abre-alas para o time de futebol que começará a desfilar pelo gramado do velho Defelê.

Presente ao evento e empolgado com o início de temporada do time, o presidente do Real Brasília, Luís Felipe Belmonte, se emocionou com o trabalho dos grafiteiros: “São tantas pinturas que é difícil escolher a mais bonita”. Mas ele acabou revelando suas preferências. A começar pelo quadro do artista Donald Edward, nascido na Vila, que se inspirou no Leão do Planalto, mascote do Real Brasília. Outra pintura que chamou a atenção foi a do rosto do ex-jogador de basquete Kobe Bryant, vítima de acidente aéreo, nos Estados Unidos, em janeiro. “Uma homenagem belíssima“, elogiou Belmonte. BRINCADEIRAS – O sábado também foi de muitas atividades dentro do estádio, com cama elástica, futemesas e a presença do mascote Leão do Planalto, que distribuiu gibis para as crianças. Para coroar a festa no Defelê, um telão transmitiu, ao vivo, a vitória do Real Brasília sobre o Ceilândia.

Alessandra Roscoe

Se tem uma coisa que os torcedores de Brasília não podem reclamar do campeonato local é da quantidade de gols. O Candangão está com média superior a três por jogo. Destaque para os líderes Real Brasília e Gama, com 11 e 13 gols cada. Já o Sobradinho começou mal e tem a defesa mais vazada, com 10 gols. Confira o resumo da rodada. O jogo entre Brasiliense e Ceilândia será na próxima semana porque o Jacaré jogou, quinta-feira (6), pela Copa do Brasil e foi eliminado pelo Paysandu. REAL BRASÍLIA 5 X 0 SOBRADINHO

Confira os jogos da quarta rodada do Candangão Sábado Ceilandense x Brasiliense Horário: 15h30 Local: Abadião Transmissão: Youtube do Real Brasília Paranoá x Real Horário: 15h30 Local: Bezerrão Transmissão: Facebook do Real Brasília Sobradinho x Unaí Horário: 16h Local: Agostinho Lima Transmissão: TV Brasília Domingo Taguatinga x Capital Horário: 11h Local: Serejão Transmissão: YouTube do Capital Luziânia x Formosa Horário: 15h30 Local: Serra do Lago Transmissão: Sem transmissão Ceilândia x Gama Horário: 15h30 Local: Abadião Transmissão: YouTube do Gama

No duelo de Leões, o Real Brasília venceu o Sobradinho com facilidade. O atacante Gilvan foi o nome do jogo, marcando três gols. O Leão do Planalto segue com 100% de aproveitamento e lidera o campeonato. O Sobradinho tem três derrotas em três jogos e é o lanterna. LUZIÂNIA 1 X 2 TAGUATINGA

O Taguatinga foi até o estádio Serra do Lago, em Luziânia, e surpreendeu o time da casa: Ganhou por dois a um, chegou a quatro pontos e entrou na zona de classificação para a segunda fase. A equipe goiana tem 6 pontos. Está em 4º lugar. GAMA 5 X 0 CEILANDENSE

O atual campeão segue mostrando sua força e voltou a

golear. A vítima da vez foi o Ceilandense, que vive uma crise e já perdeu o treinador. O destaque da partida foi o atacante Luquinhas, ex-Brasiliense, que marcou dois gols. O Gama segue na vice-liderança atrás apenas do Real Brasília pelo saldo de gols. O Ceilandense é o vice-lanterna. UNAÍ 4 X 4 PARANOÁ

O melhor jogo da rodada aconteceu em solo mineiro. O Paranoá foi a Unaí para enfrentar a equipe da casa e abriu 2 a 0. O Unaí empatou e o Paranoá ficou mais uma vez à frente e sofreu o gol de empate no fim. Um jogaço. A equipe mineira chegou a quatro pontos e está em sétimo lugar. O Paranoá conquistou seu primeiro ponto e saiu da zona de rebaixamento. CAPITAL 0 X 3 FORMOSA

No jogo disputado no Bezerrão, a equipe goiana levou a melhor. O Capital reclamou da marcação do pênalti na primeira etapa e de um possível impedimento no terceiro gol do Formosa, que foi superior e mereceu a vitória. Agora, tem os mesmos seis pontos do Capital e ocupa a quinta posição. O Capital é terceiro. BRASILIENSE X CEILÂNDIA

A partida está marcada para o dia 12 de fevereiro por causa do jogo do Brasiliense pela Copa do Brasil (leia matéria nesta página).

Copa do Brasil

Brasiliense é eliminado na Copa do Brasil O Brasiliense não entrou em campo pelo Candangão no meio da semana, mas re-

presentou o Distrito Federal na Copa do Brasil. O Jacaré enfrentou o Paysandu no Ser-

ra do Lago precisando da vitória para passar de fase. Mas, logo no início do jogo, o time paraense abriu o placar. Isso obrigava o Brasiliense a fazer dois gols para se classificar. O time lutou, mas só

conseguiu o empate. Chegou a fazer o gol da virada, que foi anulado pela arbitragem. No fim, o Brasiliense ficou com um jogador a mais, pressionou, mas não conseguiu a vitória e se

despediu da competição. O outro representante do DF na Copa do Brasil é o Gama, que enfrenta o Brasil de Pelotas na próxima quarta-feira (13), às 20h30, no Bezerrão.

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