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Prioridade é atender quem não tem convênio Página 12

Ano VII - 320

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Ceilândia ganha clínica popular

Brasília, 15 a 21 de julho de 2017

Balcão de negócios Empenhado em salvar seu mandato, Michel Temer abre os cofres da União para comprar apoios por meio de emendas parlamentares e aprovação de leis impopulares Páginas 5, 6, 7 e 11

Cunha entrega delação e assusta ex-aliados Ex-presidente da Câmara deve comprometer Temer e Rodrigo Maia Pelaí - Página 3

Senado joga facho de luz sobre caixa-preta do Sistema S Página 4

Reforma trabalhista desfigura a CLT Trabalhadores perdem direitos assegurados há mais de 70 anos Páginas 8 e 9


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 15 a 21 de julho de 2017 - bsbcapital.com.br

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A R T I G O

x p e d i e n t e

Governo de Brasília, sim. E do DF também Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 99139-3991 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com Impressão Gráfica Jornal Brasília Agora Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). SRTVS Quadra 701, Ed. Centro Multiempresarial, Sala 251 - Brasília - DF - CEP: 70340-000 Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com www.bsbcapital.com.br - www.brasiliacapital.net.br

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Hélio Doyle (*)

Brasília, a cidade que é a capital da República, é todo o Distrito Federal. Brasilienses são todos os nascidos no território do DF, em suas áreas urbanas e rurais. A unidade da Federação denominada Distrito Federal e a cidade de Brasília se confundem. Há alguns brasilienses, porém, que ainda não entenderam isso e insistem em achar que Brasília é apenas a área central do Distrito Federal, conhecida como Plano Piloto. Restringem a capital do País aos limites da Região Administrativa 1, ou, no máximo, à área tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, que inclui também o Cruzeiro, o Sudoeste, o Octogonal e a Candangolândia. Essa distorção começou quando o ex-governador Joaquim Roriz resolveu chamar de Brasília a região administrativa que engloba a Asa Sul, a Asa Norte, a Vila Planalto e a Telebrasília, e que a população só chamava de Plano Piloto, ou Plano. Com a contribuição especialmente de políticos e jornalistas mal informados ou recém-chegados à cidade, Brasília passou a ser, para muitos, a área central do Distrito Federal. A maioria dos políticos brasilienses ainda tem medo de chamar o Distrito Federal de Brasília. Esses políticos acham que se falarem em

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nReginaldo Veras Tem meu voto novamente! Mayara Silva, via Facebook Em 2018 os eleitores estarão mais seletivos e muito mais atentos aos políticos que estão envolvidos com corrupção e que durante o mandato só legislaram em causa própria ou para um grupo. Adalberto Reis, via Facebook Coluna Pelaí informou que o deputado distrital decidiu tentar a reeleição em 2018

nSistema S O edital publicado pelo Senac na quarta-feira (5) para a compra, por licitação, de bebidas alcoólicas e não alcoólicas é para insumos para aulas. Sobre a manchete da edição 319: MP mira farra no Sistema S. N.R.: A reportagem entrou em contato com a assessoria do Senac e não obteve nenhuma informação sobre o referido edital, diretamente ou por intermédio do site da instituição.

Preconceituosos, na verdade, são os que querem reduzir Brasília apenas à pequena área central, tirando dos demais habitantes a condição de moradores da capital federal Brasília vai parecer que estão se restringindo ao Plano Piloto, excluindo as demais cidades. E assim contribuem para manter o equívoco. Nesse erro incorre o advogado, jornalista e escritor Wilon Wander Lopes, um reconhecido conhecedor de Brasília e histórico e atuante defensor de Taguatinga. Wilon criticou o governador Rodrigo Rollemberg, nesta página, por ter substituído a denominação Governo do Distrito Federal por Governo de Brasília, atribuindo-a a “motivos marqueteiros”. E mais: a mudança, segundo Wilon, reavivou um preconceito antigo entre o Plano Piloto e as demais cidades. Pois é justamente o contrário. A

mudança da denominação foi feita para mostrar aos brasilienses por nascimento ou adoção que não deve haver distinção entre o Plano Piloto e as cidades, pois a capital da República ocupa todo o retângulo que conforma o Distrito Federal. Preconceituosos, na verdade, são os que querem reduzir Brasília apenas à pequena área central, tirando dos demais habitantes a condição de moradores da capital federal. Nada há de errado, assim, em termos um Governo de Brasília e um governador de Brasília. A unidade federativa não deixou de ser o Distrito Federal e também não é errado falar em GDF e governador do Distrito Federal. É a mesma coisa e o uso de Governo de Brasília em nada viola a Constituição e/ou a Lei Orgânica. Ao falar em Governo de Brasília, o governador Rollemberg não quis agradar aos “malcriados do Plano Piloto e aos “que não queriam deixar as praias cariocas”. Quis mostrar que não deve existir preconceito nem divisões entre o Plano e as cidades, pois tudo é Brasília e somos todos brasilienses.

(*) Jornalista e professor da UnB, era chefe da Casa Civil quando foi adotada a denominação Governo de Brasília

a r t a s

nReforma trabalhista Para quem ganhou cargo, propina e outros benefícios é ótimo. Agora, para o trabalhador, não ajudou em nada. Parabéns, senadores corruptos. Salvador Melo, via Twitter Sobre a aprovação da reforma trabalhista no Senado. nProtesto na CCJ A corrupção tira direitos de todos. A ideia é simples: não vamos eleger nenhum político

desses partidos em 2018. A intenção é clara: vamos dar preferência para partidos que não se envolveram em corrupção. Cristiano Souza, via Facebook Sobre a revolta do deputado Delegado Waldir, substituído na Comissão de Constituição e Justiça. Ele disse: “Me venderam. Governo corrupto, vai cair”. nFrio Não passa de uma jogada

de marketing da HBO, tudo isso por conta do retorno de Game Of Thrones. Vocês não me enganam! Daryel Morais, via Facebook Moro em Brasília há quase sete anos e não me lembro de um frio tão forte e longo. Caroline Araujo, via Facebook Previsão de temperaturas ainda mais baixas em Brasília na semana que passou se conconfirmou.


Brasilia Capital n Política n 3 n Brasília, 15 a 21 de julho de 2017 - bsbcapital.com.br

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s representantes do DF na CCJ - Ronaldo Fonseca, Laerte Bessa e Rogério Rosso votaram contra a investigação pelo STF da denúncia de corrupção passiva do presidente Temer. Rosso ainda tentou disfarçar, contestando o rito

da Câmara para analisar denúncias contra presidentes da República baseado apenas nos elementos apresentados pelo Ministério Público. No Senado, Cristovam Buarque votou a favor da reforma trabalhista. Reguffe ficou contra e Hélio José faltou à sessão. Alegou resfriado.

A PGR é delas

Troca em Taguatinga

Nomeada na quinta-feira (13), a primeira mulher a chefiar o Ministério Público Federal, Raquel Dodge, segunda colocada na lista tríplice eleita internamente pelos procuradores, é considerada da ala de oposição ao atual procurador-geral, Rodrigo Janot, que encerra seu segundo mandato à frente da PGR no dia 17 setembro.

Foi nomeado sexta-feira (14) o administrador interino de Taguatinga. Marlon Costa (foto) passa a comandar a regional em substituição a Ricardo Lustosa, indicado pela deputada distrital Sandra Faraj (SD), que, entre outras matérias polêmicas, votou contra o governo na criação do Instituto Hospital de Base e na lei de combate à homofobia.

DISCRIÇÃO – A atuação de Dodge no MPF é marcada pela rigidez e pelo estilo reservado. Pontualmente, a discrição foi a principal bandeira levantada por ela durante o corpo a corpo com os 81 senadores, além do discurso público pró-combate à corrupção. Deu certo. Seu nome foi aprovado por 74 votos a 1 e uma abstenção. PANDORA – Entre os casos mais polêmicos e famosos, Raquel Dodge atuou na Operação Caixa de Pandora e, em primeira instância, na equipe que processou criminalmente Hidelbrando Paschoal e o Esquadrão da Morte. “Ninguém acima da lei. Ninguém abaixo da lei”, costuma falar. IGUALDADE - Dodge levanta várias bandeiras a respeito de questões de gênero e raça. Para ela, é necessário haver equilíbrio de gênero nas assessorias e secretarias da PGR e em todos os cargos de direção do MPF. Em relação à questão racial, comprometeu-se a reservar 20% das vagas para negros em concursos para servidores.

Gestão de crises Vinte e cinco alunos, entre oficiais do Corpo de Bombeiros, delegados da Polícia Civil e servidores da Secretaria de Segurança Pública e também do Detran concluíram, sexta-feira (14), o curso de Gestão em Situação de Crises, ministrado pela delegação da Escola Nacional de Bombeiros da França. O curso aconteceu de 10 a 14 de julho e foi ministrado pelo tenente-coronel Christopher Pasguini e pelo major Eric Dufes.

Os segredos de Cunha Os advogados do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entregaram, sexta-feira (14), sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República. Pessoas próximas ao ex-deputado admitem que o material tem poder de fogo para atingir o presidente Michel Temer e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual ocupante da cadeira outrora pertencente a Cunha. CAMINHO DO DINHEIRO – Preso desde outubro pela Operação Lava Jato, Cunha revelará esquemas de propina e caixa 2 em campanhas para desvendar o caminho do dinheiro roubado dos cofres públicos.

Coceira na Papuda A Gerência de Saúde Prisional da Secretaria de Segurança Pública não divulgou os nomes dos 172 internos do Centro de Detenção Provisória e dos 520 presos na penitenciária da Papuda vítimas de um surto de coceira. BOLHAS – Mas o órgão não negou que a escabiose e o impetigo atingiram hóspedes ilustres da ala onde estão, entre outros, o ex-senador Luiz Estevão. Os sintomas dos dois males são coceira intensa e formação de bolhas na pele. PREVENÇÃO – Para evitar novos casos, as celas estão passando por uma grande faxina e os presos recebem orientações de cuidados básicos com a higiene pessoal, a começar pela lavagem das mãos.

MARCOS DANTAS – Pré-candidato a deputado federal, Marlon estava na Subsecretaria de Mobiliário Urbano e Participação Social da Secretaria de Cidades. Ou seja: é homem de confiança de Marcos Dantas. Mas não deve ficar muito tempo no cargo. JUSTO – Existe um abaixo-assinado com mais de 1,5 mil signatários pedindo a indicação do presidente da seccional da OAB de Taguatinga, Lairson Bueno. Outra articulação é do Movimento Taguatinga Unida (Movitu), que prefere o presidente da Acit, Justo Magalhães, para a função.


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Facho de luz no Sistema S Presidente da Comissão de Transparência e Defesa do Consumidor do Senado quer explicações de presidentes de instituições como Sesc, Senac, Senai e Senac sobre a “caixa-preta” de R$ 30 bilhões

CRISTIANO COSTA / SESC

Da Redação

O

presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado Federal, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), marcou para a segunda semana de agosto audiência pública com presidentes do chamado Sistema S – as dez instituições que englobam Sesc, Senai, Sesi e Senac, entre outras. A intenção do parlamentar é fazer com que haja transparência nos gastos do que ele denonimou num livro de “Caixa-preta do Sistema S”, que movimentará recursos da ordem de R$ 30 bilhões somente em 2017. “Não há controvérsia alguma quanto à natureza jurídica das contribuições sociais recolhidas pela Receita Federal. São tributos. Mas quem disse que são tributos? A própria Constituição Federal e o Supremo Tribunal Federal”, argumenta Ataídes Oliveira. De acordo com ele, as onze instituições não garantem gratuidade nos cursos que oferecem nem nas atividades de lazer, assim como nos serviços de saúde e qualificação de mão de obra de trabalhadores dos setores que representam. LAVA JATO - Para fazer afirmações como essas, o senador aponta auditorias feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) e acórdãos dos dois órgãos. “Chegou-se a uma média de 4,9% de gratuidade. Olha que absurdo! Teria que ser de 100%, mas é de 4,9%!”, diz o parlamentar, referindo-se aos três anos que foram analisados. “Se pegarmos todas as gratuidades de todo o Sistema e dividirmos, vamos encontrar, segundo o TCU e as dezenas de acórdãos que eu tenho em meu poder, que não passa de 15%!”, reforça. Ataídes Oliveira cita a Operação Lava Jato como parâmetro na sua

Entretenimento para trabalhadores, de acordo com senador do PSDB, ajudar a acobertar gastos sem a prestação de contas públicas

tentativa de abrir as contas do Sistema S. “A falta de transparência, mais a impunidade, é igual à corrupção. A prova está aí agora com essa magnífica Operação Lava Jato. Como administram esses R$ 30 bilhões? Qual é a transparência disso?”, acentua. Ele próprio reconhece que “entes do Sistema S não estão enquadrados na administração pública direta ou indireta, por serem entidades privadas”. “Porém, são mantidos com recursos públicos. Portanto, deveriam obedecer aos princípios básicos do referendado no artigo 37 da nossa Constituição”, justifica. INVESTIGAÇÃO - O procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) José Eduardo Sabo Paes, doutor em direito pela Universidade Complutense de Madri, Espanha, concorda que não existe trans-

“A falta de transparência, mais a impunidade, é igual à corrupção. A prova está aí agora com essa magnífica Operação Lava Jato. Como administram esses R$ 30 bilhões? Qual é a transparência disso?” Ataídes Oliveira

parência nos gastos do sistema. Mas ressalva que o MP “não pode ir e investigar”. Precisa ser acionado. “Os cidadãos têm de denunciar, fazendo uma representação no Ministério Público Federal”, exemplifica. “Todas as vezes que agirem com desvirtuamento, eles podem ser processados”, acrescenta, referindo-se aos dirigentes das instituições do Sistema S. José Eduardo Sabo salienta que as próprias instituições são responsáveis pelos seus controles internos. Externamente, a única forma de controle é por intermédio do TCU. Por isso, o Ataídes Oliveira cita frequentemente os acórdãos do tribunal. “Não sou contra o Sistema S. Eu quero é ver como ele está gastando o dinheiro”. Ele diz que montante de recursos chegou a R$ 32,242 bilhões em 2016. As onze instituições negam qualquer tipo de irrgularidade.


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Podres Poderes Governo abre o cofre para salvar mandato de Temer e libera R$ 156 milhões em emendas parlamentares em sete dias

BETO BARATA PR

Michel Temer usa a força de sua caneta para se manter no cargo. Em troca, aliados exigem liberação de verbas e aprovação de reformas que não passaram pelo crivo dos eleitores

Orlando Pontes (*)

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que será que será do Brasil? A Praça dos Três Poderes virou feira. No Congresso Nacional, os votos de suas excelências parlamentares estão em liquidação. Uma xepa. Leva quem pechinchar melhor. No balcão do Palácio do Planalto, ministros e assessores da Presidência da República vão às compras em busca de apoios para manter Michel Temer no cargo. Custe o que custar. E enviam a conta para o contribuinte. Do outro lado da rua, o Supremo tapa os olhos para os planos dos bandidos, e não en-

xerga o sofrimento dos desvalidos em todos os sentidos. O que será que será do Brasil, um país que parece não ter decência, e que nunca terá... A semana passada foi repleta de fatos em que os homens brancos de paletó e gravata, responsáveis pelos destinos do Brasil, exerceram explicitamente seus podres poderes. Em troca de barganhas pessoais travestidas de “emendas parlamentares” asseguraram nova sobrevida ao presidente acusado formalmente pela Procuradoria-Geral da República de prática de corrupção passiva. Embora combalido, Temer se agarrou ao poder da caneta que tem em mãos. E, pelo menos por enquanto, equilibrou-se na cadeira à qual se agarra com todas as forças.


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Um gabinete de grandes negócios O presidente escancarou seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto para caravanas de deputados ávidos por dinheiro para investimentos em suas “bases”. Em apenas sete dias (de 7 a 14 de julho), foram liberados R$ 156 milhões em emendas para mais de 40 dos 66 deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Somados ao R$ 1,8 milhão de 2016, esta despesa já beira os R$ 2 bilhões em pouco mais de um ano. Mas valeu. Na quarta-feira (12), a CCJ rejeitou o parecer do relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), que autorizaria a abertura do processo contra Temer no STF. O sucesso da empreitada deveu-se, em grande parte, à substituição de 10 deputados de partidos aliados que se declaravam favoráveis ao relatório. O parlamentar fluminense esperneou, prometeu “o troco” no plenário e tende a ser defenestrado da legenda antes das eleições de 2018. O resultado da CCJ foi apenas o primeiro tempo de um jogo que tende a se arrastar até agosto. Derrotada, a oposição tentará reverter o placar no plenário. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) – primeiro na linha sucessória e maior beneficiário em caso de um possível impedimento de Temer – fixou em 342 (dois terços da Casa) o quórum mínimo para abrir a sessão que apreciará a matéria, o mesmo número de votos para aprovar a autorização contra Temer. Como a segunda-feira (17) é o último dia de atividades no Congresso no semestre, e grande

parte dos deputados não deve estar em Brasília, a tendência é a de que Temer continuará sangrando pelas próximas semanas. E, junto com ele, os cofres públicos da União. PODEROSOS - Ocorre que não só de liberação de emendas é abastecido o troca-troca entre o Parlamento e o Executivo. O jogo de interesses contemplou pelo menos mais dois poderosos grupos de pressão – os empresários e os ruralistas. Para agradar os primeiros, Temer sancionou, na quarta-feira (12), a reforma trabalhista (leia matéria e quadro nas páginas 6 e 7). Os outros foram contemplados na terça-feira (11) com sanção de projeto de conversão, pelo presidente Temer, da Medida Provisória 759/2016 (leia página 11). Esta última tem o condão de legalizar as ocupações irregulares de terras públicas, uma antiga reivindicação de grileiros e posseiros de todo o País. Ambientalistas são unânimes em apontar que esta pode ser a decisão mais maléfica contra a preservação de nossas reservas naturais, especialmente a floresta amazônica. Quando a Nação dava sinais de indignação diante de tantas decisões importantes tomadas sem seu consentimento – é importante lembrar que o plano de governo posto em prática por Temer não foi aprovado pelos eleitores –, o juiz Sérgio Moro tratou de chamar os holofotes para si. CONDENAÇÃO – Passavam poucos minutos das 14h da quarta-feira (12). Senadoras oposicionistas ocupavam a mesa

Lula: indignação com a sentença de Moro, juras de inocência e lançamento da candidatura a presidente no próximo ano do plenário. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), sentada na cadeira do presidente da Casa, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), impedia-o de abrir a sessão em que aprovaria a reforma trabalhista. Mas, em Curitiba, o magistrado da 13ª Vara Criminal Federal, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, publicou a sentença condenando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão. Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela suposta compra e reforma de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. Embora com a informação de que o ex-presidente não se-

ria preso imediatamente e de que ele ainda pode recorrer da sentença, tudo mudou em Brasília. Mesmo incentivadas por correligionários a prosseguir o motim, as senadoras, que chegaram a almoçar quentinhas num ambiente às escuras e sem ar-condicionado - Eunício mandou cortar a luz do plenário –, deixaram de ser o centro das atenções. A questão imediata era saber como reagiria Lula. Em São Paulo, os advogados do ex-presidente chamaram uma coletiva de imprensa para desqualificar Moro. E, já à noite, Eunício conseguiu assumir seu posto e cumprir o acordado com o Planalto: a reforma trabalhista foi aprovada.


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RICARDO STUCKERT

LULA MARQUES AGÊNCIA PT

Senadoras de oposição: motim na mesa do plenário, com direito a quentinhas à luz de lanternas de celares

Condenado, Lula entra no jogo Quinta-feira (13), o próprio Lula reagiu à decisão de Sérgio Moro. Numa entrevista transformada em comício na sede do PT em São Paulo, colocou-se novamente como candidato à Presidência da República, dizendo que foi condenado sem provas. “Se alguém pensa que com essa sentença me tiraram do jogo, podem saber que estou no jogo”, afirmou. “A sentença é uma peça de estudo profundo de como não se deve fazer um parecer condenatório”, emendou. Moro afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado a Lula. “Nem é necessário, por outro lado, depoimento de testemunhas para se concluir que reformas, como as descritas (...) dirigidas a atender um cliente específico e que, servindo aos desejos do cliente, só fazem sentido, quando este cliente é o proprietário do imóvel”, diz o juiz. De acordo com Moro, ficou provado nos autos que o presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, falecida em fevereiro deste ano, eram os proprietários de fato do apartamento. O ex-presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Leó Pinheiro, também foi condenado no caso, mas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A sentença prevê 10 anos e 8 meses de reclusão para o empresário, mas sua pena foi reduzida devido ao fato de ter fechado acordo de delação premiada com a Justiça. Moro absolveu Lula e Léo Pinheiro das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do transporte e armazenamento do acervo presidencial, por falta de provas. O juiz absolveu, também por falta de provas, Paulo Okamoto, Paulo Roberto Valente Gordilho, Roberto Moreira Ferreira e Fabio Yomamime. Lula ainda responde a cinco processos na Lava Jato. Na semana passada, o Ministério Público pediu a absolvição do ex-presidente em um deles, relativo a uma investigação da Justiça Federal sobre a suposta tentativa de obstrução da Justiça. Os advogados de Lula disseram que a sentença é “perseguição política”, e “meramente especulativa”. Segundo eles, o juiz Sérgio Moro não tem a necessária imparcialidade para julgar este processo. A defesa, que vai entrar com recurso contra a decisão, manifestou indignação e apontou pontos que considera “irregularidades”, como usar depoimento de Léo Pinheiro e desconsiderar provas da inocência de Lula.

Indignação no DF e no Brasil O diretório regional do PT no DF, presidido pela deputada federal Érika Kokay, denominou a nota divulgada de “indignação”, por ser “a palavra que melhor expressa o sentimento em relação à injustiça praticada pelo juiz Sérgio Moro”. Mesmo assim, o partido em Brasília considera que não houve novidade, porque, “em completa inversão do processo penal, Moro nunca escondeu suas convicções de que Lula era culpado”. Ao lado de Lula, quinta-feira (13), a presidente nacional do PT, senadora Gleise Hoffmann (PR), disse que eleição sem o ex-presidente é fraude. “Não aceitaremos um processo eleitoral em que a maior liderança deste país seja impedida de participar. Uma eleição sem Lula é uma fraude”, discursou. No seu entendimento, “foi pela injustiça com o povo brasileiro que o PT chegou ao poder”. “Nós estamos aqui serenos porque entendemos que o presidente Lula é inocente. E indignados pela sentença que não tem base legal. E, ao mesmo tempo, prontos para fazer enfrentamento”, disse Gleise. Ela classifica a sentença de absolutamente política e sem provas. “Coincidentemente, acontece um dia após a CLT ser rasgada pelo Senado da República. Um dia triste para os trabalhadores”, acrescentou. E assim o Brasil segue sua História, sem saber como será o amanhã, mas na certeza de que, um dia, tudo isso vai passar! (*) Colaborou Valdeci Rodrigues


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Reforma desfigura a CLT Em meio a uma grave crise política e numa sessão conturbada, o plenário do Senado Federal aprovou, na quarta-feira (12), a reforma trabalhista. A proposta altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que sai totalmente desfigurada. Ela permite mudanças na relação entre trabalhador e empregador, nas férias, remuneração, plano de carreira e trabalho remoto (home office). Como já havia sido apreciado pelos deputados, o projeto seguiu para sanção do presidente da República, o que Michel Temer (PMDB) fez na quinta-feira (13), em solenidade no Palácio do Planalto. A reforma trabalhista foi uma das promessas de Temer logo que assumiu o governo, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). A proposta sofre rejeição da classe trabalhadora e, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), viola convenções globais de trabalho. Os sindicatos são fortemente atingidos. A partir de novembro, quando a reforma começa a entrar em vigor, a contribuição sindical deixa de ser obrigatória. A reforma estabelece a supremacia do negociado sobre o legislado e o fim da assistência obrigatória do sindicato na extinção e na homologação do contrato de trabalho. (Confira as mudanças no quadro ao lado). DF - Dos três senadores de Brasília, Cristovam Buarque (PPS) votou a favor, Reguffe (sem partido) foi contra e Hélio José (PMDB) não compareceu à sessão. Alegou estar resfriado, o impediu de ir trabalhar na terça-feira.

Contratação

Jornada

1- CLT como é hoje

2- Como fica

Todos que prestam serviço não eventual mediante salário são empregados

Regra continua, mas reforma diz que autônomo não é empregado

Até 8 horas diárias e 44 horas semanais

Acordo pode criar jornada de 12 horas com 36 horas de descanso

Empresa

Empresas do grupo podem ter responsabilidade solidária sobre o empregado

Responsabilidade solidária continua no grupo, mas outras empresas dos sócios serão protegidas

Transporte

Transporte fornecido pela empresa pode ser considerado parte da jornada de trabalho

Deslocamento não será considerado parte da jornada de trabalho

Almoço

Mínimo de 1 hora

Mínimo de 30 minutos, mediante acordo

Hora extra

Até 2 horas por dia com valor 50% maior; proibido para empregados com contrato de tempo parcial

Limite e valor não mudam e passa a valer também para contrato de tempo parcial

Banco de horas

Até 2 horas por dia e deve ser compensado em um ano

Até 2 horas por dia e deve ser compensado em seis meses

Férias

30 dias por ano

30 dias por ano que podem ser divididos em até 3 períodos

Contribuição sindical

Um dia de trabalho obrigatório

Não será obrigatória

Intervalo antes da hora extra

Descanso de 15 minutos antes da hora extra

Fim do descanso antes da hora extra

Contrato intermitente

Não há previsão

Permite contratar sem horário fixo e empregado é acionado 3 dias antes do trabalho

Trabalho insalubre

Grávidas e lactantes são automaticamente afastadas

Afastamento automático só com “grau máximo” de insalubridade; em outros casos, afastamento apenas com laudo médico

Home office

Não há previsão

Regulamenta. Infraestrutura será prevista em contrato

Contrato parcial

Máximo de 25 horas semanais

Máximo de 30 horas semanais

Multa por discriminação

Não há previsão

Até 50% do benefício máximo do INSS por discriminação por sexo ou etnia

Acordos coletivos

Há previsão na Constituição, mas muitos são derrubados na Justiça

Terão força de Lei

Acordo individual

Não há previsão

Trabalhador com curso superior e salário duas vezes maior que o teto no INSS (R$ 11.062) pode fazer acordo individual

Acordo amigável para saída

Não há previsão

Nova rescisão por acordo terá metade do aviso prévio e direito a 80% do FGTS

Demissão

Homologação obrigatória no sindicato ou Ministério do Trabalho

Homologação da rescisão deixa de ser obrigatória

Processo judicial

CLT não prevê punição por má-fé nos processos trabalhistas

Ex-empregado ou empresa que agir de má-fé poderá ser condenado a pagar até 10% da causa para outra parte

Honorários na Justiça

É praticamente inexistente chance de o trabalhador arcar com custos judiciais

Custos serão divididos entre ex-funcionário e empresa conforme decisão de cada assunto


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O

Brasil amanheceu mais pobre, mais desumano e mais infeliz na quarta-feira (12). É que, com 50 votos favoráveis e 26 contrários, o Senado Federal aprovou a reforma trabalhista (PLC 38/2017), rejeitando todas as emendas. O texto-base foi sancionado pelo presidente da República na quinta-feira (13). Com isso, um governo federal ilegítimo começa a desmontar a legislação que regeu, regulou e humanizou as relações trabalhistas que prevaleceram no Brasil desde 1943, quando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sancionada para combater o subemprego, os baixos salários, as longas jornadas, as condições precárias de trabalho e a completa falta de direitos trabalhistas a que a classe trabalhadora era submetida. A aprovação do texto-base da reforma exigida pelos empresários e pelo mercado fi-

Senadores jogam o Brasil na “idade das trevas” Reforma impõe retrocesso de dois séculos às relações de trabalho brasileiras nanceiro estava prevista para acontecer na manhã da terça-feira (11), mas só ocorreu no início da noite porque cinco senadoras de oposição ao governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) – autor da proposta que retira direitos trabalhistas e impõe o negociado sobre o legislado – ocuparam a Mesa do Plenário e durante 8 horas seguidas permaneceram ali, impedindo o desmonte das leis de proteção ao trabalhador. Sem nenhuma interlocução

“A maioria aqui é empresário, tem dinheiro. Os senhores deveriam se envergonhar do que estão fazendo” Gleisi Hoffmann Senadora (PT–PR)

com a população trabalhadora, os senadores avançam no projeto neoliberal e na agenda negativa que desmonta a Nação, desconstrói a Constituição Federal e demais legislações que protegem os trabalhadores do país das relações escravocratas e impõe um retrocesso de mais de dois séculos às relações de trabalho brasileiras. Durante a votação, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT, que resistiu ao longo de toda a tar-

de na Mesa da Presidência do Senado, impedindo a votação da reforma trabalhista, fez um discurso duro aos senadores logo que a sessão foi retomada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE). “A maioria aqui é empresário, tem dinheiro. Os senhores deveriam se envergonhar do que estão fazendo”. E continuou: “É vergonhoso o que estamos vivendo, que Deus nos perdoe, e o povo brasileiro também, pelo que estamos fazendo aqui. Tenho certeza de que o povo dará sua resposta nas urnas”, afirmou. A reforma trabalhista do interesse dos empresários prosseguiu para votação das emendas, as quais foram todas rejeitadas, e seguiu para a sanção do presidente ilegítimo Michel Temer, primeiro presidente da República do Brasil prestes a ser preso por crime de corrupção durante o próprio mandato.


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Por Odir Ribeiro

Joe Valle mira o Palácio do Buriti RENATO ARAUJO / AGENCIA BRASILIA

Todas as pesquisas de opinião mostram a alta rejeição à classe política. No Distrito Federal, esta questão está mais ressaltada. Um dos que pensam quebrar a rejeição do eleitorado brasiliense é o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT). Nos planos do distrital estaria a disputa de uma vaga de deputado federal em 2018. Mas o seu partido e outras legendas de centro-esquerda, como Rede e PPS, querem Joe na corrida ao Buriti. E prometem apoio irrestrito ao parlamentar. O presidente da CLDF é aliado do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e ainda possui cargos na estrutura do Executivo. O deputado distrital Reginaldo Veras (PDT), entusiasta da candidatura de Joe, acredita que

seu partido e Joe devem romper com Rollemberg. Joe já disse que topa a parada e mantém conversas com outros políticos e legendas. Andou, por exemplo, tendo conversas com Alírio Neto (PTB). A pretensão do parlamentar não é mero balão de ensaio. Para reforçar essa tese, outro entusiasta da empreitada, o senador Cristovam Buarque (PPS) vê com bons olhos a possível candidatura de Joe. Agora resta saber se a desgastada Câmara Legislativa irá jogar por água abaixo os planos de Joe. De qualquer forma, o presidente da Casa está pavimentando sua estrada. Resta saber se essa trilha irá terminar na rampa do Palácio do Buriti. 2018 é logo ali.

UM PASSARINHO ME CONTOU ...que uma pesquisa do Correio Braziliense retrata bem a insatisfação da população com a classe política. Os políticos estão mais rejeitados que ensopado de jiló... ...que se colocar um prato de jiló ao lado de um político, os jilós ganham. Os jilós estão mais populares do que os políticos. Tempos amargos... ...que a rejeição atingiu todos os políticos. Até o senador Reguffe (sem

Aliado de Rollemberg (dir.), Joe pode se tornar seu adversário na corrida ao Buriti em 2018

DIVULGAÇÃO

partido/foto) chegou a 60% de impopularidade. É como se a feijoada deixasse de ser uma paixão nacional.... ...que essa rejeição é como se um negão dispensasse uma loira. Ninguém acredita, mas está acontecendo... ...que ser político não é mais status. Todas as pesquisas mostram esse quadro. Quem é diamante na Mary Kay está mais com moral... ...que Jofran Frejat, candidato em

Editor do blog Rádio Corredor, que acompanha os bastidores da Câmara Legislativa e do Palácio do Buriti

2014, liderar a pesquisa do Correio, é sinal de que o velho Fusca não saiu de moda... ...que “panela velha é que faz comida boa”. Este poderia ser o slogan de Frejat, caso ele seja candidato ao Palácio do Buriti... ...que o alvo de toda a rejeição é o governador Rodrigo Rollemberg, e que os partidos de sua base já estão com planos de seguir sem ele em 2018... ...que Brasília em 2019 pode virar Egito - clima de deserto nós já temos - só falta sermos governados por uma múmia... Eita Passarinho que sabe das coisas, gente!


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O fim da ilegalidade Temer assina projeto que facilita compra de lotes da União em Vicente Pires e condomínios BETO BARATA/PR

Gustavo Goes

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erca de 11 mil lotes em terras da União no Distrito Federal poderão ser regularizados nos próximos meses, com suas respectivas escrituras. Projeto de lei de conversão, sancionado pelo presidente Michel Temer, na terça-feira (11), beneficiará os ocupantes dessas áreas com a venda direta dos terrenos em Vicente Pires (glebas 2 e 4) e nos condomínios Lago Azul e Vivendas Bela Vista, em Sobradinho. O projeto aprovado pelo Congresso é resultado de Medida Provisória editada por Temer no final do ano passado. Ele estabelece facilidades para a aquisição dos imóveis, como financiamento em até 240 meses, uso do FGTS e desconto de 25% em pagamento à vista. Quem não puder comprar o lote poderá optar por manter o pagamento de taxas de ocupação. Serão 10 mil lotes em Vicente Pires, 727 no Vivendas Bela Vista e 174 no condomínio Lago Azul. “A nova lei vai fazer com que a população tenha a segurança jurídica de um imóvel legalizado e escriturado. Todos nós aguardamos por essa legalização há 40 anos. Será um grande ganho para as comunidades”, disse Júnia Bittencourt, presidente da União dos Condomínios e Associações de Moradores do DF (Única-DF). Os ocupantes de terras rurais e assentamentos serão beneficiados com o procedimento gratuito. Os condomí-

Michel Temer (esq.) cumprimenta o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, durante lançamento do Programa de Regularização Fundiária

“A nova lei vai fazer com que a população tenha a segurança jurídica de um imóvel legalizado e escriturado. Todos nós aguardamos por essa legalização há 40 anos”

nios no Lago Oeste, Vila São José, Nova Colina e Nova Petrópolis estão nesta situação. GDF – Havia uma expectativa de que alguma área controlada pela União fosse cedida ao Governo de Brasília. No entanto, isto não se concretizou. Com a sanção da MP, o governo local poderá regularizar o Trecho 3 de Vicente Pires – área pertencente à Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap), com 4 mil lotes – que está em processo mais avançado. A ação

Júnia Bittencourt Presidente da Única-DF

só engloba as residências unifamiliares, ocupadas até 22 de dezembro.

O cadastro dos moradores começou no dia 29 de junho e pode ser feito no site

e na sede da Administração Regional da Vicente Pires ou na Administração do Taguaparque O valor de cada lote será calculado por uma equipe técnica de engenheiros da Terracap. A análise de preço leva em conta a infraestrutura urbana (rede de energia elétrica, água e esgoto) mais a valorização do local, que serão abatidas no valor de mercado do imóvel. A previsão é de que no dia 8 de agosto seja publicado o edital com o chamamento público e o valor dos lotes.


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Ceilândia ganha clínica popular

Unidade da Acesso Saúde, em Ceilândia Sul, cobra de R$ 90 a R$ 130 por consulta a pacientes que não têm convênio médico FOTOS: DIVULGAÇÃO

Orlando Pontes

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eilândia ganhou, na sexta-feira (14), sua primeira unidade da Clínica Acesso Saúde. A franquia paranaense criada em 2006 já funciona em 26 pontos em 13 estados e no Distrito Federal. Em Ceilândia, no dia da inauguração, foram feitos eletrocardiogramas gratuitamente e começaram os atendimentos nas especialidades de Clínica Médica e Cardiologia. Em breve, serão abertos outros consultórios. Entre outros, há previsão de serem disponibilizados atendimentos de Pediatria, Ginecologia, Dermatologia e Odontologia. Segundo o diretor técnico da Acesso Saúde em Ceilândia, doutor Caio Simões, a ideia é levar para a mais populosa cidade do Distrito Federal (cerca de 600 mil habitantes) a nova tendência de clínicas populares. “Nossa proposta é reduzir o tempo de atendimento aos pacientes que encontram dificuldade de marcar consultas ambulatoriais pelo SUS e as pessoas que não têm convênio e muito menos condições de pagar os preços cobrados pela grande maioria das clínicas particulares”, explica o médico. EXAMES – Além das consultas ambulatoriais, a Acesso Saúde de Ceilândia está equipada

trabox, em Ceilândia Sul, na mesma avenida da Fundação Bradesco. Funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 13h. Como não atende por convênio, o pagamento será cobrado à vista, em dinheiro ou no cartão.

para realizar diversos tipos de exames. Entre eles, laboratório geral, ultrassonografia e check-up cardiológico (eletrocardiograma, mapa da pressão, holter, ecocardiograma). “Isto facilitará o diagnóstico

rápido dos problemas mais comuns tratados nos atendimentos ambulatoriais”, explica Caio Simões. A sede da Acesso Saúde fica QNN 30, Área Especial K, ao lado do supermercado Ul-

O prédio da Acesso Saúde em Ceilândia Sul tem 900 m² e oferece atendimento personalizado aos pacientes que não têm convênio

AGENDAMENTO – Após a promoção do primeiro dia de funcionamento (R$ 45 a consulta mais barata), os preços praticados serão a partir de R$ 90, podendo chegar a R$ 130 para as especialidades de maior complexidade. O agendamento será feito pessoalmente ou pelo telefone 61-3378-3399. Na data da inauguração, sexta-feira (14), foi feita gratuitamente a aferição de pressão arterial e de glicemia capilar.


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mo do suicídio. A visão cada vez mais materialista de vida e a formação acadêmica baseada apenas na expectativa de ganhos monetários e sucesso muito têm contribuído para as queixas constantes de vazio existencial. O ser humano é um conjunto formado por corpo, mente e alma. Os três precisam receber alimentação adequada. O alimento da mente é o crescimento intelectual, profissional, artístico. O alimento da alma vem do exercício da caridade

consigo e com o próximo, o próprio amor em ação, como ensinava Carlos Pastorino, autor de “Minutos de Sabedoria”. Sem amor, a alma adoece e gira em circuito fechado, isolando-se das vibrações amorosas dos semelhantes. Os principais geradores do vazio que muitas pessoas sentem são a falta de uma visão transcendental de vida, de amor e objetivos nobres. Esses três aspectos são luzes que clareiam a escuridão do ser de que falava Carl Jung. Viktor Frankl, psicanalista egresso de campos de concentração na segunda guerra na Alemanha, relata, no livro “Em Busca de Sentido” que, aqueles que sobreviveram, mantiveram o desejo de realizar um ideal nobre, encontrar as pessoas amadas ou, como ele, contar as atrocidades do Nazismo. Após o fim da guerra, Viktor Frankl, além de atender pessoas em seu consul-

tório, dava aulas em universidades europeias e americanas e fazia conferências pelo mundo, ensinando que valeu a pena não ter desistido de viver. Os pais precisam acordar para uma visão transcendental de vida, estimular a mesma visão nos filhos e ajudá-los a descobrir seu ideal na vida. No superconsciente de que falavam André Luís e Pietro Ubaldi, está registrada a programação existencial de cada um comprovada e relatada pela psicóloga americana Helen Wanbach, em sua obra “Life Before Life”, em 1973, após centenas de regressões de memória. Viva bem e ajude a viver bem. Isso é tudo.

de na tentativa de reduzir o sódio dos alimentos industrializados. Na verdade, esse acordo voluntário existe desde 2011, e está sendo renovado agora em 2017. A meta é retirar 28,5 mil toneladas de sódio dos alimentos industrializados até 2020. Nesta fase, o foco é reduzir sódio de pães, bisnaguinhas e massas instantâneas. O sódio tem a função de equilibrar os líquidos corporais e é fundamental para a transmissão dos impulsos nervosos. Ele influencia diretamente a contração e o relaxamento dos músculos. Tanto o excesso quanto a falta de sódio podem prejudicar o corpo.

O consumo excessivo de sódio está relacionado com o desenvolvimento de hipertensão arterial, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais. Indivíduos obesos e com resistência à insulina, como no caso de diabetes tipo 2, são mais sensíveis às alterações de sódio na dieta. Um levantamento feito nos Estados Unidos mostra quais as principais origens do sódio na dieta: 5% são adicionados durante o preparo do alimento, 6% quando se ingere o alimento (na salada por exemplo), 12% está contido naturalmente nos alimentos e 77% provêm de alimentos processados e industrializados. Apesar de ter sido um levantamento norte-americano, os brasileiros apresentam consumo semelhante, de acordo com as últimas pesquisas em orçamentos familiares (POF) que evidenciaram elevado consumo pela nos-

sa população de produtos alimentícios ultraprocessados. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, a recomendação de sal não deve ultrapassar 5 g por dia (2 g de sódio). O consumo de sal de cozinha médio do brasileiro é de 12 g diárias, ou seja, mais que o dobro da recomendação máxima. Imaginem se somarmos o sódio dos industrializados? Realmente trata-se de um quadro assustador. A questão agora é: será que a indústria vai cumprir o acordo, já que não há punição prevista? Qual o interesse nisso? Afinal, a indústria visa lucro... Vamos aguardar o que virá!

Angústia, vazio, depressão e suicídio Sempre que uma situação de incerteza demorada acontece, as pessoas mais frágeis psiquicamente e espiritualmente deixam-se abater temendo o dia de amanhã. Notadamente, aquelas que não tiveram uma formação religiosa sólida, queixam-se de vazio, angustiam-se, deprimem-se, desesperam-se e muitas cometem suicídio, achando que a vida termina com a morte do corpo. Mas dificilmente alguém com formação religiosa sólida chega ao extre-

Governo e indústria preveem redução de sódio nos alimentos. Será? Fui convidada, semana passada, para participar de um programa de debate na TV Justiça, chamado Fórum. Eu e uma especialista em direito sanitário abordamos um tema que tem sido bastante falado nas últimas semanas, que trata de um acordo feito entre a indústria de alimentos e o Ministério da Saú-

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410

Ligue e participe: 3351-1410 / 3351-1610 www.opovoeopoder.com.br www.marceloramosopovoeopoder.blogspot.com

José Matos Professor e palestrante

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


Brasília Capital n Geral n 14 n Brasília, 15 a 21 de julho de 2017 - bsbcapital.com.br

A linguagem do CrossFit Hodiernamente, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o equilíbrio do corpo e da mente. Para tanto, cuidam da alimentação, vão periodicamente a consultórios médicos e praticam atividades físicas. Com isso, novas alternativas surgem para conferir às pessoas uma vida saudável. Seguindo essa tendência, uma nova modalidade de prática esportiva surgiu: o CrossFit, que é um treinamento de força e condicionamento físico, baseado em movimentos funcionais constantemente variados, realizados com alta intensidade. A parte principal de um treino é conhecida como WOD (Workout of the Day, ou “treino do dia”). Entre os

praticantes, um salto simples de corda é chamado single unders; agachamento livre, air squat. O ginásio onde se pratica é conhecido como box. Se você percebeu, as nomenclaturas do CrossFit são em língua inglesa. Isso tem uma finalidade: a universalização. O pensamento do criador, Greg Glessman, é que uma pessoa poderia treinar em qualquer lugar do mundo sem dificuldades, uma vez que os nomes dos exercícios são sempre os mesmos. E o que isso tem a ver com a coluna de língua portuguesa, Elias? Primeiramente, cabe uma reflexão acerca do português do Brasil. Nossa língua é completamente permissível em relação à inclusão de termi-

Afinal: Belém, Rio de Janeiro ou Brasília? Quem leu a recente autobiografia “O Menino que Tinha Medo de Gente” deve lembrar da confissão que fiz sobre o complexo, até hoje incurável, da ausência na memória de minha cidade natal. Conforme fiquei sabendo por uma irmã mais velha, nasci na cidade de Porto Velho (RO), de onde saí aos três meses de idade e só retornaria aos 36 anos. Filho de pai médico, que não se fixava mais de dois anos clinicando em cidades nas quais era solicitado, não tive o prazer de desfrutar do convívio de outros amiguinhos-crianças. A esta altura do campeonato de longevidade, já nonagenário, só agora decidi adotar uma das três ci-

dades, com as quais me identifiquei após a adolescência: Belém do Pará, Rio de Janeiro e Brasília. Sobre a primeira – terra de minha mãe, Margarida de Castro, filha de família tradicional – não conheço paraense que goste mais do que eu das comidas típicas locais: tacacá, pupunha, maniçoba, açaí, cupuaçu, etcétera; ou quem tenha maior enlevo em contemplar a linda paisagem da baía do Guajará, no rumo da ilha do Marajó. Quanto ao Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, na qual convivi mais tempo depois dos 11 anos de idade, época em que era de fato maravilhosa em todos os sentidos. Profissionalmente, como repórter, co-

nologias estrangeiras. Isso foi reconhecido por Oswald de Andrade no Manifesto Antropofágico, durante a primeira fase do modernismo brasileiro, uma vez que nós, brasileiros, temos a incrível capacidade de absorver a cultura estrangeira e adaptá-la à realidade nacional. Não adianta reclamar! Nós somos assim! Além disso, outro ponto despertou minha curiosidade na linguagem do crossfit: alguns chamam o local de treinamento de o box, ao passo que outros dizem a box. Qual seria o correto? Fiz uma pesquisa no Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (o VOLP) e lá estava a palavra box! Segundo o VOLP, trata-se de um substantivo masculino. O dicionário Caldas Aulete faz o mesmo registro. Portanto, o adequado seria o box. A confusão no gênero provavelmente ocorra em função do que acontece na língua inglesa. Em inglês, a é artigo indefinido. Portanto, a box seria o mesmo que “um box”; the box, “o box”.

Os paraenses e os cariocas que me desculpem, mas já decidi adotar a minha cidadania por Brasília, relacionada a tantas causas meritórias, incluindo Juscelino Kubitschek

nheci quase todos os bairros do Rio, incluindo subúrbios da Leopoldina, da Central do Brasil e até da badalada zona Sul. Mesmo assim, nunca me senti carioca, muito embora continue amando o Rio de Janeiro e, principalmente, o povo guanabarino, pela sua maneira descontraída de saber viver.

Não há uma regra clara em nossa gramática para definir o gênero correto de uma palavra estrangeira – isso já foi tema de discussão no grupo de professores de português de que faço parte, conhecido como “Grupo do Bigode”, no qual estão grandes sumidades contemporâneas da língua. Mas, quando a palavra já está incorporada e registrada formalmente, não há razão para dúvidas. Fora a quantidade de neologismos que surgiram e surgirão em função dessa modalidade esportiva. Você já ouviu falar dos “crossfiteiros”? É, queridos! Precisamos entender que a língua é viva! Viva a língua portuguesa! P.S.: Artigo feito com a colaboração de Cleiderson Santos, o Coach Sid, treinador da modalidade há cinco anos Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

No entanto, os paraenses e os cariocas que me desculpem, mas já decidi adotar a minha cidadania por Brasília, relacionada a tantas causas meritórias, incluindo Juscelino Kubitschek. E a razão primordial aconteceu ao pisar o chão brasiliense, quando viajei do Rio para cobrir jornalisticamente a visita do presidente Eisenhower, dois meses antes da inauguração da Nova Capital, que aconteceria em 21 de abril de 1960. Porém, o que reforçou a minha decisão não foram as curvas femininas dos prédios projetados por Niemeyer, mas sim o que os espíritas chamam de “energia cósmica”, que envolve o coração e a alma da gente. E como os adeptos de Allan Kardec acreditam na Reencarnação, se isso for verdade, vou pedir ao São Pedro para reencarnar aqui em Brasília. De preferência na Asa Sul. Fernando Pinto Jornalista e escritor


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ú s i c a

Livros autografados pelo Correio O romancista e contista Ray Cunha está autografando e enviando pelos Correios três livros de sua autoria – Na Boca do Jaracé-açu, O Casulo Exposto e Trópico Úmido. Os livros custam R$ 40 para envios em território nacional e R$ 60 para o exterior. A solicitação deve ser enviada para o e-mail raycunha@gmail.com, contendo o comprovante do depósito e o endereço do destinatário. M

ú s i c a

Padre Katê lança DVD em Taguatinga Padre Katê lançará seu primeiro DVD – Desígnios de Deus - neste sábado (15), no Sesi de Taguatinga Norte, em celebração aos 20 anos de vida sacerdotal. O público assistirá missa celebrada pelo Frei Alexandre, a partir das 15h, além de apresentações de diversos cantores e bandas católicas. A meia-entrada custa R$ 10 mais 1 Kg de alimento não perecível. A arrecadação será revertida para entidades e projetos sociais da Paróquia São João Batista, de Taguatinga Norte. M

i c r o c o n t o

Luis Gabriel Souza

Nirvana

Eu fechei os olhos na balada para sentir a vibe e me transportar para algum lugar que nem eu sei bem qual era. Acredita que meu nirvana foi interrompido porque pegaram na minha bunda? Virei na hora e desci a boca no sujeito que tava atrás de mim. Tá pensando que eu sou bagunça? Ele, horrorizado, não disse nada, além de “desculpa”. Minha amiga tentou me acalmar e assumiu que ela tava apenas tentando limpar minha calça. OIhei pro boy e dei um sorriso amarelo horroroso, como quem pede perdão com o orgulho ferido. Ele sorriu pra mim, como quem diz: “Sua louca!” Nos aproximamos, nos beijamos, nos entregamos. E eu achando que fechar os olhos e sentir a vibe é que me levariam ao nirvana. Bobinha! Foi num tapa na bunda que cheguei nele, e muito bem acompanhada. (Baseado na leitora Alessandra Costa – Curitiba/PR)

Inquietude em exposição A exposição “Eu o Outro Um” dos inquietos artistas Carolina Cavalcante, Marcelo e Arquilano foi inaugurada sexta-feira (14) na Galeria Olho de Águia, em Taguatinga Norte. Eles utilizam alguns suportes técnicos e, em comum, a pintura. A amizade começou nos tempos da Faculdade Dulcina, onde cursaram artes plásticas. Entre conversas e embates surgiu a ideia da exposição que tem como tema principal os encontros e desencontros humanos a partir da ênfase analítica dos conceitos lacanianos de o Outro. A partir daí, os três levantam indagações como: o que buscamos no outro? Quem é esse outro? “O conjunto das obras é o encontro de verdades subjetivas e íntimas, livres de contaminações e tradições, verdades que brotam do inconsciente. Verdades que buscamos no outro, sendo que, as nossas próprias verdades são partes do nosso eu que está no outro, o que nos torna, em muitas instâncias, apenas um”, informam. TRINCHEIRA – Artistas, expositores e frequentadores da Galeria Olho de Águia sempre elogiam a iniciativa do fotógrafo Ivaldo Cavalcante por ter escolhido Taguatinga para montar a galeria. Consideram acertada a escolha, “fora das asas do Plano Piloto”. Eles consideram a Galeria Olho de Águia como “trincheira e um refúgio aos diversos guerreiros quixotescos ‘fazedores’ de arte, que estão marginalizados do circuito acadê-

mico, da dita indústria ‘cultural’ e da escassez das águas advindas dos incentivos governamentais”, nas palavras de Daniel Ramos. O acolhimento à pluralidade das manifestações artísticas traz aos seus frequentadores ora estranheza, ora epifania: marca da sensibilidade e generosidade sempre presentes no esforço empenhado pelos idealizadores e mantenedores da galeria”, diz Daniel. “Nós, os frequentadores e moradores da cidade, também sentimo-nos atraídos pelo clima informal e a receptividade descontraída do anfitrião-galerista, que nos ensina muito sobre a história da produção cultural do DF em um bate-papo regado a uma sempre agradável degustação: uma experiência muito distante da ‘linguagem de catálogo’ ou do tom professoral e academicista de alguns centros culturais que podem amedrontar os que não se sentem pertencentes a esses ambientes”, analisa.

Serviço: EU O OUTRO UM Artistas: Carolina Cavalcante, Marcelo e Arquilano. Visitação: Até 30 de julho. De terça a sábado, das 15h à 1h; aos sábados, das 17h30 às 2h. Local: Galeria Olho de Águia Ed. Praiamar, Taguatinga Norte - DF


Jornal Brasília Capital 320  
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