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Ano VIII - 359

Brasília, 21 a 27 de abril de 2018

Ao completar 58 anos, neste sábado (21), a capital dos brasileiros conhece mais do que os sotaques de todos os estados do País, acentuados ou já amenizados pela geração que nasceu na cidade criada por JK. O IBGE constatou em 2015 que metade dos habitantes do DF nasceu aqui. Por isso, já se percebe no caldeirão de brasilidade candanga contornos de um modo de vida puramente brasiliense. Portanto, é hora de reforçar os laços de amor, respeito e admiração que nos unem cotidianamente a ela, mesmo sem percebermos. / Página 6, Editorial e Fernando Pinto

Jabuti de Telma assusta Park Way

ENTREVISTA Rodrigo Rollemberg

Projeto da deputada pode descaracterizar quadras 3, 4 e 5 Pelaí - Página 3

Biografia e histórias entrelaçadas Foi Roriz Que Fez - Página 10

DF explora mal seu potencial turístico Chico Sant’Anna - Página 12

Governador faz balanço de sua gestão e diz que é hora de levantar o astral Páginas 7, 8 e 9

Ergamos um brinde à aniversariante!!! Cantemos glórias para nossa cidade!!! Festejemos juntos com ela!!! Parabéns, Brasília!!!


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 21 a 27 de abril de 2018 - bsbcapital.com.br

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E D I T O R I A L

x p e d i e n t e

Um brinde à aniversariante Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 9 8356 1491 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com

Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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A presente edição do Brasília Capital circula com data de capa coincidente com o dia em que Brasília completa 58 anos de fundação. O jornal se junta às comemorações de todos os brasilienses e, de brinde, oferece, entre outras matérias que o recheiam de atrações para os leitores, uma entrevista exclusiva com o governador Rodrigo Rollemberg. É a oportunidade para a população ter conhecimento, a partir do depoimento do próprio governador, dos rumos que estão sendo dados à administração do Distrito Federal. Rollemberg, de forma direta e sem subterfúgios, fala das dificuldades que tem enfrentado e do legado que imagina deixar após encerrar seu mandato. Mas não esconde o desejo de permanecer mais qua-

explorada pelos agentes que atuam no setor e, principalmente, pelos governos local e federal. Já Fernando Pinto dá seus parabéns relembrando suas coberturas jornalísticas antes da inauguração da Nova Capital. Em sua crônica, narra viagem que fez na comitiva de Juscelino Kubitscheck para conhecer o trajeto da rodovia Transamazônica, cuja obra seria iniciada. Também publicamos mais um capítulo sobre o papel de Joaquim Roriz na consolidação do Distrito Federal e sua história de vida, que se confunde com a própria história de Brasília. Um entrelaçamento de duas existências. Desejamos a você, leitor, de forma especial, uma ótima leitura! Parabéns, Brasília!

Eleger mulheres é questão de sobrevivência Rayssa Tomaz (*) A cada 7 minutos é registrada uma denúncia de violência contra mulheres no Brasil. O país é o quinto colocado no ranking de nações com maior número de casos de crimes contra mulheres, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Mesmo com registros e punições, estudos comprovam que a incidência desse tipo de violência é muito superior às situações levadas ao conhecimento da Justiça. São comuns relatos de constrangimentos e abusos em estacionamentos

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nBolsonaro Vai se tornar ficha suja por fazer o que melhor ele faz: falar besteira! Mas o importante é ele não ser corrupto! Pode matar, pode tudo. Não sendo corrupto, tá tranquilo! Junior Mendanha, via Facebook Como ele pode ser acusado de racismo se o sogro dele é negro? Não encontraram nada, aí ficam tentando im-

tro anos à frente do Palácio do Buriti. O objetivo do Brasília Capital é honrar o pacto fechado com o bom jornalismo, que nos faz expor uma capa festiva, própria de um aniversário e, ao mesmo tempo, buscar informações sobre Brasília junto ao próprio governador, para simbolizar ainda mais este momento. No mais, nosso noticiário, como é do seu conhecimento, leitor, privilegia os assuntos que geram mais interesse nos habitantes do Distrito Federal. Em sua coluna, Chico Sant’Anna conta que Brasília poderia ter mais recursos se tivesse uma política eficaz para o turismo, já que habitamos uma cidade que desperta curiosidade em todo o País e no exterior não apenas por seus monumentos. Realidade, infelizmente, pouco

putar um crime para impedi-lo de disputar as eleições. Helen Ramos Bandeira, via Facebook A respeito da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os deputados federais Jair e Eduardo Bolsonaro. O primeiro, por racismo, o segundo por ameaçar uma jornalista. nCristovam Buarque

de universidades e shoppings, bares e festas e no transporte público. O registro de ocorrências de situações em que mulheres são assediadas no ambiente de trabalho triplicaria esses índices. A violência silenciosa poda trajetórias que poderiam influenciar diretamente no aumento de casos de sucesso político feminino. E a maioria das decisões que dizem respeito a questões de liberdades individuais, sendo tomadas pela maioria masculina no Parlamento, reflete muito sobre a agenda social do país, que pouco evoluiu nas questões de gênero nos últimos anos.

Dados da organização internacional União Interparlamentar indicam, em parceria com a ONU Mulheres, que a participação feminina no Parlamento deixa o Brasil em 154º lugar entre 193 países, com apenas 55 cadeiras ocupadas por mulheres das 513 da Câmara e 12 das 81 do Senado. Não é de espantar que tenhamos importantes temas sendo votados em dissonância com o que esperamos de avanços.

(*) Jornalista, secretária de Comunicação do PV-DF

a r t a s

Esse daí é fim de carreira. Já deu! Diogo Diniz, via Facebook Sobre coluna Brasília Por Chico Sant’Anna que mostrou os ataques sofridos pelo senador via Twitter. nDefensores de Taguatinga Brazlândia, vamos criar o grupo de defensores para cobrar dos gestores melho-

rias na infraestrutura de nossa cidade! Raimundo Cardoso, via Facebook Sobre sugestões apontadas após pesquisa do grupo Defensores de Taguatinga. nPT Mas que excelente ideia! Esse protesto vai ser ótimo!@msocorrorocha, via Instagram Que tal disputar eleições

em Cuba ou na Venezuela? @brunoedfreitas.bsb, via Instagram Ameaça vazia. Não creio que vá acontecer. @claudiosampaiodf, via Instagram Sobre frase do deputado Chico Vigilante sugerindo que o Partido dos Trabalhadores não apresente nenhum candidato nas próximas eleições.


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ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, blogueiro e colunista do Brasília Capital Chico Sant’Anna vai comemorar quarta-feira (25) os 60 anos de sua chegada a Brasília, ainda bebê. A confraternização coincidirá com o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado pelo PSol. Sant’Anna pretende reunir velhos e novos amigos no Espaço Cultural Canteiro Central, edifício Paranoá, no Setor Comercial Sul, Quadra 3 bloco A. A festa começará às 19h30. “Meu pai trocou as praias do Rio pelos acampamentos de obras no Planalto Central e trouxe toda a família”, conta.

BIBI OLIVEIRA

Jabuti de Telma Rufino compromete Park Way

Águas Claras quer escolas REPRODUÇÃO

Pode estar em gestação a 32ª Região Administrativa do DF, com as bênçãos da distrital Thelma Rufino (Pros/foto), presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Câmara Legislativa, e da Secretaria de Gestão Territorial e Habitação (Segeth).

Jaburu vira bunker O portal www.bsbcapital.com.br publicou matéria nesta semana mostrando a instalação de arame farpado sobre o alambrado que cerca o Palácio do Jaburu (foto). A residência oficial do vice-presidente da República é a morada de Michel Temer e sua família, que dispensou o Palácio da Alvorada. A opção foi da primeira-dama Marcela. TURISTAS – A obra desagradou turistas e moradores que passam pelas imediações do monumento. “A gente vem de longe pra ver as belezas da capital e só enxerga cerca”, protestou a baiana Bibi Oliveira, que estava de passagem por Brasília. MANUTENÇÃO – O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) respondeu à reportagem que o reforço das cercas faz parte da manutenção periódica das instalações dos palácios e residências oficiais. AUTORIZAÇÃO – Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) alegou que o arame não afeta em nada o tombamento de Brasília e que o uso desse tipo de material não requer autorização do Iphan. LIBEROU GERAL – A notícia deve agradar aos transgressores que insistem em desrespeitar o tombamento da cidade. Eles ficarão mais à vontade para fazer seus puxadinhos e grades isolando os pilotis dos prédios do Plano Piloto e do Cruzeiro.

CONAM – A RA retiraria do Park Way as quadras de 3, 4 e 5, que se somariam aos setores Arniqueiras e Bernardo Sayão. Na terça-feira (24), o Conselho de Meio Ambiente do DF (Conam) se reúne para deliberar sobre a regularização de áreas no Park Way. No entanto, como um jabuti que sobe em telhado, ao processo do bairro se somaram os do Bernardo Sayão e Arniqueiras. APÊNDICE – Por traz da aparente boa intenção em regularizar, está a constante insistência de diversos governos de desmembrar o Park Way, transformando essas quadras em um apêndice de Arniqueiras, que é fruto de um fracionamento selvagem de chácaras rurais e, para ser legalizada, precisa definir áreas para equipamentos públicos (escola, polícia e unidades de saúde), e lá não há espaço para tal. FILTRO – Cabe aos conselheiros do Conam perceber que a baixa densidade do Park Way, com suas áreas verdes, funciona como filtros para a poluição que desce deArniqueiras, e que o serviço ambiental prestado pelos moradores do bairro não tem preço. A depender da deliberação do Conselho, na terça-feira, estará se abrindo um grande precedente para as mudanças que a especulação imobiliária tanto defende. O Park Way perderia sua característica de residencial, que acabou de ser consolidada no projeto Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), enviado pelo GDF à Câmara Legislativa. RESPOSTA– Trechos de nota divulgada por Telma Rufino: “...o projeto de regularização do Setor Habitacional Arniqueira nada tem a ver com a criação de uma nova Região Administrativa ou com a alteração da poligonal do Setor de Mansões Park Way (...) por estarem ambientalmente ligados, fazem parte do mesmo processo de regularização (...) as Diretrizes Urbanísticas foram elaboradas pela Segeth e aprovadas em 2015. (...) o processo de regularização é uma decisão da Terracap, proprietária das terras, acatada pela Segeth e que não compete à atividade parlamentar a elaboração de projetos urbanísticos. O processo de regularização de Arniqueira encontra-se em fase final, com previsão de análise pelo Conam. (...) Telma (...) defende a regularização como única saída real para o combate à grilagem de terras, ao crescimento desordenado das cidades e para a implantação de infraestrutura digna e condizente com o que preconiza a Constituição Federal e a legislação brasileira”.

A Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras entregou, quarta-feira (18), ofício à administradora Jerusa Ribeiro solicitando levantamento de demandas de educação na cidade. O presidente da Amaac, Román Cuattrin, diz ter percebido, nas redes sociais, uma crescente necessidade de construção de escolas públicas na parte vertical de Águas Claras. O projeto original da Região Administrativa tinha 25 áreas destinadas a escolas, mas nenhuma foi construída até hoje na parte vertical.

Caesb pode entrar em greve Funcionários da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) ameaçam uma paralisação de 24 horas. O dia da greve será decido em assembleia terça-feira (24). Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial e são contra o corte de outros benefícios. Protestam também contra a redução de 10% do salário por conta de uma greve realizada em 2016. ABUSIVA – No ano passado, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou a paralisação abusiva e decidiu que a Caesb deveria descontar até 10% da remuneração líquida mensal dos empregados para compensar 45 dias de paralisação, no total de 90 dias.


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Lei Seca fica mais rigorosa

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ntrou em vigor na quinta-feira (19) a Lei 13.546/2017, que ampliou as penas mínimas e máximas para o condutor de veículo automotor que provocar, sob efeito de álcool e outras drogas, acidentes de

trânsito que resultarem em homicídio culposo (quando não há intenção de matar) ou lesão corporal grave ou gravíssima. Antes, a pena de prisão para o motorista variava de 2 a 5 anos. Com a mudança, a pena aumenta para 5 a 8 anos. A lei

também proíbe o motorista de obter permissão ou habilitação para dirigir veículo novamente. Já no caso de lesão corporal grave ou gravíssima, a pena de prisão, que variava de seis meses a 2 anos, foi ampliada para 2 a 5 anos, incluindo a possibilidade de

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Ministério Público abre inquérito para investigar Alckmin O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para investigar o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) por improbidade administrativa. Assinado pelos promotores Otávio Ferreira Garcia, Nelson Luis Sampaio de Andrade e Marcelo Camargo Milani, o inquérito vai apurar se houve o pagamento, pelo grupo Norberto Odebrecht, de “vantagem indevida ao

ex-governador, com a participação de Adhemar César Ribeiro (cunhado de Alckmin) e de Marcos Antonio Monteiro, que coordenou financeiramente a campanha, a título de caixa 2, sem regular declaração à Justiça Eleitoral”. A suspeita é que Alckmin tenha deixado de declarar R$ 2 milhões para a Justiça Eleitoral na campanha de 2010 e R$ 8,3 milhões na campanha de 2014.

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Aécio Neves é acusado de corrupção e obstrução da Justiça

suspensão ou perda do direito de dirigir. As alterações no Código Brasileiro de Trânsito também incluem a tipificação como crime de trânsito a participação em corridas em vias públicas, os chamados rachas ou pegas.

Rollemberg inaugura Central de Quimioterapia O Governador Rodrigo Rollemberg inaugurou na sexta-feira (20) a Central de Quimioterapia do Hospital Regional de Taguatinga. A unidade atenderá toda a rede pública do DF e vai preparar soluções quimioterápicas conforme a prescrição indicada para cada paciente. A estimativa é que sejam feitas cerca de 140 preparações por dia.

Lei impede prejuízos à Saúde

Alckmin é suspeito de não declarar mais de R$ 10 milhões em campanhas

Aécio Neves se torna réu O senador Aécio Neves (PSDB-MG) se tornou réu pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na ação que o acusa de corrupção e obstrução da Justiça. A votação terminou em 4 a 1 a favor da abertura do processo. A denúncia foi aceita por unanimidade pelos ministros Marco Aurélio, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes. Moraes foi o único a votar contra a acusação de obstru-

ção de Justiça, aceita por 4 a 1. O tucano foi denunciado em 2017 pela Procuradoria Geral da República (PGR) acusado de ter recebido R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista como pagamento de propina, e de tentar impedir as investigações da Operação Lava Jato. Joesleyt eria ainda distribuído R$ 50 mil por mês a Aécio Neves como mesada. A denúncia sobre o esquema foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

A Câmara Legislativa aprovou, quinta-feira (19), lei que altera a escala dos servidores da Secretaria de Saúde. A ideia é que o formato capacite o preenchimento dos horários necessários ao atendimento dos serviços. Enviado pelo governo, o projeto busca resolver um problema causado pelo TCDF, que proibiu a jornada de até 18 horas vigente na Saúde.

MP investiga imóvel de padre O Ministério Público de Goiás encontrou mais um imóvel vinculado a um dos padres alvo da Operação Caifás, deflagrada em 19 de março. Uma escritura no nome de Waldson José de Melo, pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse (GO), mostra a compra de um apartamento de R$ 218 mil em Goiânia, em 2012.


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A maior tragédia para o HCB é a incompetência do GDF

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o mesmo tempo em que alega não ter condições para administrar o Hospital da Criança (HCB) - que agora corre o risco de simplesmente parar de funcionar -, o governador Rodrigo Rollemberg e o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, insistem em levar adiante o Instituto Hospital de Base (IHBDF). Uma lógica que não faz qualquer sentido, já que as vidas de milhares de crianças correm risco e isso pede muita, mas muita pressa. Em tom de vitimismo e, como sempre, revelando seu total despreparo para a função que ocupa, no fim de semana, Humberto Fonseca publicou uma carta, com o

título “Por favor nos deixem trabalhar”. No texto, logo nas primeiras linhas, o secretário afirma: “Nós temos na SES-DF 16 hospitais, funcionando em três diferentes modelos jurídico-administrativos. A maioria funciona no atrasado modelo da administração direta, da qual a maioria do País está se afastando, por ser lento, burocrático, ineficiente e inadequado à demanda e ao tempo de resposta que se exige do SUS”. Como exemplos dos modelos que deram certo ele citou, obviamente, o Hospital da Criança que, de fato, nas mãos da ICIPE, mostrou resultados realmente positivos. E, ao mesmo tempo, ele aproveitou o “desabafo” pa-

ra elogiar o IHBDF, que, até a semana passada, estava impedido de fazer contratações e chegou a suspender consultas de oncologia. Observação: o hospital, que é a maior unidade de Saúde pública do DF, já foi referência em oncologia, assim como em trauma, cardiologia e neurocirurgia. Porém, desde que o novo modelo jurídico foi implementado, muitos desses serviços foram simplesmente “travados”. Agora, chegou a nossa vez de fazer um apelo ao secretário: por favor, trabalhe direito, com ética e transparência. Comparar o Hospital da Criança ao Instituto Hospital de Base, numa suposta tentativa de defender o di-

reito de acesso à Saúde da população, é irresponsável. Isso, no fim das contas, é defender a terceirização do SUS. E esse não é o caminho para resolver os atuais problemas na saúde do DF. Já passou da hora de o governo assumir sua responsabilidade: o caos instalado hoje na rede pública é resultado somente da incompetência do GDF em administrar. E, agora, justamente quando os pacientes do Hospital da Criança mais precisam de uma ação enérgica e resolutiva, o GDF resolve se colocar na posição de vítima. Governador e secretário de Saúde, entendam: não são vocês as vítimas. Os únicos prejudicados nesse impasse jurídico, que se estende desde 2011, são os cidadãos do Distrito Federal. São as crianças. São os pais dessas crianças. Em vez de criar o Instituto Hospital de Base e perder

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

meses tentando, a todo o custo, a aprovação desse projeto, os dois deveriam ter se preocupado, lá atrás, em resolver o problema do HCB. Por favor, governador e secretário de Saúde, trabalhem. E trabalhem direito: com a verdade. Deixem seus interesses escusos fora dessa batalha. Lutem pelo o que é certo: pela vida das crianças atendidas no HCB.


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Viva, Brasília!

Valdeci Rodrigues

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este sábado (21), Brasília não merece nenhuma reclamação. A hora é de exaltar sua existência, como fazemos com as pessoas no dia de seus aniversários. É o momento de dar parabéns, de desejar paz e vida longa à cidade de todos nós, tanto moradores do Plano Piloto quanto das cidades-satélites. Neste momento de festa, renasce a espera de que a população do Dis-

trito Federal usufrua, igualmente, com muita alegria, os 58 anos de fundação da Capital de todos os brasileiros. É a hora de reforçarmos os laços de amor, de respeito e admiração que nos unem cotidianamente a ela, mesmo sem percebermos. Haverá espetáculos em variadas formas artísticas, como música, teatro, dança e cinema.“É a festa que Brasília merece, plural e diversa”, afirma a subsecretária de Políticas de Desenvolvimento e Promoção Cultural, da Secretaria de Cultura, Mariana So-

Hoje é só alegria!

ares. Mas a maior festa acontecerá mesmo no coração de cada brasiliense que ama a sua cidade. Há em Brasília uma miscigenação de culturas trazida pelas pessoas que vieram de todos os estados do País, de uma ponta a outra do mapa, do norte ao sul, do leste ao oeste. Uma mistura de origens que faz da Capital uma unidade da federação com ares de um Brasil inteiro. Hoje, porém, a cidade tem sua própria geração. Em 2015, o IBGE constatou em pesquisa que 50,3% dos ha-

bitantes nasceu no quadrado que delimita no mapa o Distrito Federal. Ainda assim, esses brasilienses, apesar de criar aqui suas próprias manifestações culturais, carregam prazerosamente e sem qualquer preconceito, as que vieram com seus pais e avós. Juntamo-nos a eles nessa vibração, por Brasília e com Brasília! Festejemos e cantemos parabéns para a cidade que é nossa morada! Parabéns, Brasília!


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ENTREVISTA / RODRIGO ROLLEMBERG JÚLIO PONTES

É hora de levantar o astral, Brasília! Governador faz balanço de seus três anos no Buriti. Ele acredita que reverterá a rejeição e se reelegerá Orlando Pontes

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Rollemberg enfrentou a maior crise financeira da história de Brasília. Ele aposta que a população o compreenderá

unca na história dos 58 anos de Brasília um governador enfrentou tantas dificuldades financeiras quanto Rodrigo Rollemberg. Igualmente, jamais um ocupante da cadeira mais importante do Palácio do Buriti se dispôs a dar um basta no déficit de caixa cortando investimentos e despesas com a folha salarial de forma tão drástica. Mas isto tem um custo político, que se reflete em altos índices de rejeição à sua gestão, de acordo com os institutos de pesquisa. Ainda assim, Rollemberg demonstra otimismo ao avaliar suas possibilidades de reeleição no próximo mês de outubro. “Tenho convicção de que, ao nos aproximarmos das eleições, ao contextualizar as coisas que fiz e comparar com outros governos passados e até de outros estados, o alto índice de rejeição será revertido”, diz ele. Nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital, Rollemberg faz um balanço de seus primeiros três anos de governo, enumera as dificuldades que tem enfrentado e apresenta suas realizações. “Nosso legado vai ser uma cidade cidadã, uma cidade legal e que vai semear um novo modelo de desenvolvimento”, projeta. “Temos que levantar o astral, e o aniversário é uma boa oportunidade para isso”, conclama o governador.


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FOTOS: JÚLIO PONTES

ENTREVISTA / Rodrigo Rollemberg Caso não consiga se reeleger, este será seu último ano no governo. Qual o legado o senhor deixará para Brasília? – Nosso legado vai ser de uma cidade cidadã, uma cidade legal e que vai semear um novo modelo de desenvolvimento. Desobstruímos e estamos democratizando o uso da orla do Lago Paranoá, que havia sido privatizada e que agora pode ser usufruída por toda a população. Isso é um exemplo de cidadania. Estamos transformando comunidades sem nenhuma infraestrutura em cidades com tratamento que essas pessoas merecem. Completamos nesta semana 50 mil escrituras entregues nas diversas cidades do DF. Temos um governo sem nenhuma denúncia de corrupção envolvendo o primeiro escalão. Vamos inaugurar, em maio, o Parque Tecnológico de Brasília. Ou seja, nós estamos construindo novo modelo de desenvolvimento para a cidade. Isso é um salto de cidadania. De acordo com as pesquisas eleitorais, seu índice de rejeição é muito alto. A que o senhor atribui essa avaliação negativa? – É uma rejeição à política. São exemplos de corrupção envolvendo membros do governo federal, dos governos estaduais e do legislativo, inclusive local. Com isso, na visão das pessoas, a classe política em geral atrapalha e lhes traz um sentimento de indignação. A população, nesse momento, não diferencia os políticos. E aqueles que estão em maior evidência acabam sofrendo rejeição maior. Outros políticos têm uma agenda menor do que a minha e estão com índices de rejeição próximos dos meus. De que forma o senhor

acredita ter contribuído para essa rejeição? – Eu tive que tomar medidas impopulares, difíceis, e enfrentei o corporativismo. Outra parte disso veio do primeiro ano da minha gestão, pois tomei atitudes severas para deixar a economia da cidade de pé. Tenho convicção de que, ao nos aproximarmos das eleições, ao contextualizar as coisas que fiz e comparar com outros governos passados e até de outros estados, o alto índice de rejeição será revertido. Recentemente, ao sair de um restaurante, o senhor discutiu com duas mulheres que o criticaram e perguntou se elas preferiam a turma da Lava Jato. Este será o tom de sua campanha? – Em tempos de Operação Lava Jato e Caixa de Pandora, quem tem que avaliar esses assuntos é a Justiça e o Ministério Público. Tivemos uma situação financeira muito ruim no encerramento do governo passado. Será que foi correto construir um estádio

Completamos 50 mil escrituras entregues nas diversas cidades do DF. Temos um governo sem nenhuma denúncia de corrupção no primeiro escalão

tão caro como o Mané Garrincha? Esse dinheiro poderia ser investido em escolas, em hospitais, em viadutos. Essas questões terão que ser colocadas na mesa e debatidas. O Centro Administrativo foi inaugurado no fim do governo passado e o senhor se recusou a cumprir o contrato. Não é um desperdício manter aquilo fechado? O que o senhor vai fazer com o Centrad? – A suposta inauguração do Centro Administrativo acabou gerando processos contra o ex-governador. Não tinha habite-se, não tinha Relatório de Impacto de Trânsito. Estava longe de estar pronto. Virou um imbróglio jurídico. Estamos analisando e conversando com o Ministério Público para buscar as melhores alternativas. O senhor conseguiu equilibrar as contas para poder apresentar esse feito na prestação de contas aos eleitores na campanha de outubro? – Só poderemos dizer que estão 100% estabilizadas e afirmar isso no segundo semestre, pois depende da economia. Assumimos o governo com um rombo de R$ 6,5 bilhões. Em três anos reduzimos isso para R$ 1 bilhão, e temos condições de fechar o ano numa cena melhor. Estamos com uma situação financeira melhor do que muitos estados brasileiros. Nosso governo está com a maior redução de homicídios do Brasil e a maior redução de números de homicídios em um governo na história. Que ações o governo fez para reduzir esses índices de violência? – São ações conjuntas da Polícia Militar, Polícia Civil, de várias secretarias de governo e projetos

Rollemberg: “Nosso legado vai ser uma cidade cidadã, uma cidade le

de iluminação pública. Estamos desenvolvendo um programa de iluminação fantástico. Já iniciamos a troca das lâmpadas de vapor de sódio por outras de LED em todo o Eixão Norte e Sul. Já começamos também a substituição na Avenida Hélio Prates, entre Taguatinga e Ceilândia. Depois vamos passar para o Pistão de Taguatinga. E chegaremos ao Sol Nascente, Planaltina, Gama, Brazlândia, Núcleo Bandeirante, Paranoá, São Sebastião. As principais vias das cidades-satélites estão sendo iluminadas com LED. Esse conjunto de ações contribui para a segurança.

O fato é que o nosso governo está com a maior redução de homicídios do Brasil. Há um ano, para enfrentar a crise hídrica, foi adotado o racionamento d’água. Mas as chuvas estão ajudando a encher os reservatórios. O senhor vai acabar o racionamento? – Vamos sim, e graças a um conjunto de fatores, como as captações de água que fizemos que já estão em funcionamento. São 1.400 litros de água por segundo. A estação de Corumbá ficará pronta até o fim do ano, produzindo 5.600 litros por segundo – me-


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tade para o DF e outra metade para Goiás. Esse será o legado do meu governo ao resolver o problema de falta d’água por pelo menos 20 anos. Em breve definiremos uma data para o fim do racionamento em Brasília. Porém, é importante ressaltar que o volume de chuva ainda está abaixo da média, pois choveu menos do que era esperado em outubro e em janeiro.

egal, e que vai semear um novo modelo de desenvolvimento”

Como o senhor tem enfrentado os grandes desafios de seu governo e o que terá a apresentar para a população durante a próxima campanha eleitoral? – Estamos resolvendo o problema com captação de água. Já inauguramos duas e vamos inaugurar a maior estação de captação de água do Brasil. Isto acabará com o racionamento d’água. Nós desobstruímos a orla do Lago. Desativamos o Lixão da Estrutural. Vamos entregar um novo Hospital da Criança com mais de duzentos novos leitos, sendo 38 leitos de UTI pediátrica, que vai atender toda a demanda de alta e média complexidade de pediatria no DF. Estamos fazendo a maior obra viária da história de Brasília, que é a saída Norte. Só ali são 28 obras, entre pontes e viadutos que vão melhorar muito a mobilidade urbana. Tudo isso ficará pronto ainda neste ano? – Com exceção do trevo de triagem Norte, tudo isso vai ficar pronto no meu governo. O trevo de triagem vai ficar quase todo pronto. Pode ser que fique uma parte pequena para o meu próximo governo (risos).

Brasília passou por momentos difíceis, assim como todo o Brasil. Temos que levantar o astral, e o aniversário é uma boa oportunidade para isso

Por falar em “próximo governo”, o senhor ainda tenta atrair novos aliados para sua coligação. Como estão essas negociações? – Temos conversado com os par-

Assumirmos com um rombo de R$ 6,5 bilhões. Reduzimos isso para R$ 1 bilhão. Estamos com uma situação financeira melhor do que muitos estados brasileiros

tidos. Mas isso só se fecha nas semanas anteriores ao pleito. Estou tranquilo e tenho esperança de futuramente construir uma grande aliança em benefício de Brasília. Os empresários dizem que a cidade está parada, que as empresas estão saindo de Brasília, e que não têm incentivos. Como o senhor pretende contornar as demandas dos empresários? – Estamos melhorando. Não está como queremos. Aprovamos leis que facilitam as construções e o crescimento da cidade e de incentivo aos empreendedores. Reduzimos o desemprego. Há uma retomada, ainda modesta, na atividade econômica no DF. Mas não é diferente do restante do Brasil. O senhor tem retorno do que se passa por dois órgãos específicos – a Central de Aprovação de Projetos e a Agência de Fiscalização? É ali onde se concentram as maiores reclamações do setor produtivo... – Não é isso que eles dizem. Os processos

da CAP têm melhorado muito. Temos um estoque aprovado imenso, que não está sendo executado em função da atividade econômica e da baixa demanda. Isso tudo contribui para melhoria da atividade econômica. Paralelamente à questão do Hospital da Criança, o senhor também enfrenta o início das atividades do Instituto Hospital de Base. Como está essa questão? – No IHBDF tivemos uma grande vitória, com a liberação daseleção de novos servidores. Isso vai demonstrar o novo modelo vitorioso que vai ser exemplo para todo o Brasil. No primeiro mês, tivemos exemplos de agilidade, com a aquisição de remédios de alto custo para o tratamento do câncer num prazo de 20 dias e com preços 10% menores do que a Secretaria de Saúde pagava e levava até 180 dias para reabastecer os estoques. Na semana do aniversário de 58 anos de Brasília, qual mensagem o senhor deixa para a população? – Brasília passou por momentos difíceis, assim como todo o Brasil passou. Brasília tem demonstrado uma capacidade de crescimento muito grande. Temos que levantar o astral, e o aniversário é uma boa oportunidade para isso. A cidade é muito democrática e tem dado saltos civilizatórios. Melhoramos em áreas como a educação, a cultura, o meio ambiente, a ciência e tecnologia e o turismo. São ações que preparam a cidade para um novo modelo de desenvolvimento. Só como exemplo, em todas as 650 escolas públicas da rede oficial fizemos algum tipo de benfeitoria antes do início deste ano letivo. Isto foi possível devido à descentralização dos recursos, que agora ficam na mão dos diretores de cada estabelecimento.


Brasília Capital n Política n 10 n Brasília, 21 a 27 de abril de 2018 - bsbcapital.com.br

Minha história, tua história Vida de Joaquim Roriz foi marcada pela existência de Brasília desde o anúncio construção da Nova Capital Da Redação

J

oaquim Domingos Roriz entrará para a História de Brasília como o político que consolidou a Nova Capital da República além de mera sede do governo federal. Em seus quatro mandatos como governador, sua principal preocupação foi cuidar da

maioria da população, exatamente aquela parte sem condição econômico-financeira privilegiada. Enquanto Juscelino Kubitscheck é celebrado como o criador e fundador de Brasília, Roriz é enaltecido como o governador que melhorou a existência de dezenas de milhares de habitantes. “Encontrei uma cidade com uma população de 1,2 milhão de pessoas, com mais de 200 mil famílias vivendo abaixo da linha de pobreza”, narrou o próprio Roriz em pronunciamento no plenário do Senado, em março de 2007.

FOI RORIZ QUE FEZ

Em entrevista à revista IstoÉ, em 2005, Roriz relembrou sua visão de JK pela primeira vez, em 18 de abril de 1956. Ele estava no meio do povo que esperava Juscelino. De acordo com Roriz, foi vivenciando o que era o sonho da construção de Brasília, que decidiu entrar para a política. A relação dele com Brasília começou na infância, quando ouvia histórias do pai, contando que a capital do País seria transferida para cá. E, depois, comandava transferência de gado na estação seca do cerrado para onde havia água. Era uma proprieda-

de da família que se chamava Águas Claras. No local, foi construída morada oficial do governo, onde Roriz morou mais de uma vez. No discurso no Senado em 2007, ele disse que preservar Brasília também foi uma de suas preocupações, “o que implicava ser fiel à concepção da cidade proposta por Lúcio Costa e por Oscar Niemeyer”. Daí a explicação para duas de suas obras. “Foi seguindo esse caminho que construímos o Museu da República e a Biblioteca Nacional, projetados por Niemeyer, concluindo, assim, a Esplanada dos Ministérios”, afirmou na ocasião. No dia em que Brasília faz 58 anos, o Brasília Capital dá uma amostra do entrelaçamento das vidas do ex-governador e da capital onde ele, após mais de uma década afastado da vida pública, ainda reina politicamente. A maior prova de sua popularidade é que vários políticos tentam aparecer como herdeiros seus para conquistar votos nas próximas eleições. Há dezenas de milhares de eleitores fiéis a Roriz até hoje.


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Crueldade no Fascal REPRODUÇÃO

Fundo de Assistência à Saúde da Câmara Legislativa exclui dezenas de idosos do plano de saúde sob a desculpa de corte de gastos

ções impostas pela Mesa Diretora. Mas nenhum foi identificado. A medida fere o Estatuto do Idoso e só poderia ser justificada em caso de inadimplência – o que, segundo os usuários, não está acontecendo. De acordo com a norma, sequer a tarifa dos consumidores com 60 anos ou mais pode sofrer reajuste. Plano de saúde é um privilégio alcançável apenas para parte da população. Ainda assim, segundo o IBGE, hoje tem mais brasileiros com planos (27%) do que em 1998 (23%). Em empresas estatais, como o Banco do Brasil, os últimos aprovados em concurso não terão direito a plano de saúde. Na Câmara Legislativa, a realidade não é diferente. Ao invés de cortar em penduricalhos, verbas indenizatórias e benefícios parlamentares, sacrifica-se a saúde de aposentados. Sem sucesso, a reportagem tentou entrar em contato com o diretor do Fascal, Renan Bessoni Paz.

N

o Brasil, retirar o plano de saúde de um idoso é como condená-lo à amargura. E essa é a sentença imputada pela Câmara Legislativa a dezenas de optantes do Fundo de Assistência à Saúde da Casa (Fascal). A ordem, segundo os gestores do Fundo, veio da vice-presidência, ocupada atualmente pelo deputado Wellington Luiz (PMDB). A desculpa dos entusiastas da medida é o corte de gastos – também chamado pelos pacientes de “contingenciamento de esperança”. Aos 93 anos, Antônio Correia é um dos atingidos pela canetada de Wellington Luiz no Fascal. Diabético e usuário de uma sonda para coletar urina, o idoso, que é dependente de sua única filha, Tatiana, é cliente do Fundo da CLDF há 18 anos. “Não temos o que fazer”, lamenta a filha. Ao saber que seria sumariamente desligada do Fascal, Tatiana ainda contratou um advogado para tentar reverter a decisão. Restou-lhe a alternativa de procurar outros planos de saúde. Também sem sucesso. A idade avançada, a perspectiva de precisar de tratamentos de alto custo e o histórico clínico são apontados como os maiores entraves para o tão sonhado “sim” de outras seguradoras. “Procuramos em todos os planos de saúde. Apenas um aceitou que fizéssemos a perícia. Nenhum aceitou tê-lo como assistido”, conta Tatiana. Os preços médios

Antônio Correia, aos 93 anos, foi atingido pela canetada de Wellington Luiz

são cotados em R$ 5 mil mensais, somados ao custeio de 50% de qualquer tratamento ou consulta médica. Tatiana foi servidora da Câmara Legislativa durante sete anos e, ao se desligar do emprego, optou por permanecer como segurada do Fascal, como prevê o regulamento do Fundo. Depois de três tentativas dos gestores de expulsá-los do plano, ela judicializou a questão para manter o atendimento. Enquanto aguarda uma decisão do juiz, no entanto, estarão todos desassistidos.

A judicialização desses casos, segundo especialistas, já tornou-se comum. Na segunda instância, por exemplo, os julgamentos relativos a planos de saúde já superam as ações movidas contra o Sistema Único de Saúde (SUS). Assim como Antônio, ao menos quinze pessoas com idade avançada serão desligadas do Fascal no fim de abril. Estão incluídos nesse balaio, inclusive, pacientes em tratamento contra câncer. Teoricamente, ex-parlamentares também seriam atingidos pelas altera-

RESPOSTA – O vice-presidente da Casa, Wellington Luiz (PMDB), explicou que, no início de sua gestão, recebeu o Fascal “com um déficit enorme”. Desde então, segundo ele, foram adotadas várias medidas de contenção de despesas em busca do reequilíbrio das contas do Fundo. “No entanto, todos os cortes têm sido feitos com critérios rígidos, sem qualquer tipo de intenção de causar prejuízos aos associados”. O parlamentar esclarece, ainda, que muitos casos não chegaram ao seu conhecimento, tendo sido acompanhados apenas pelo setor administrativo do próprio Fascal. Pede que os interessados o procurem em seu gabinete a partir de segunda-feira (23) para que ele estude todas as situações, caso a caso. “Também tenho mãe idosa. Compreendo a preocupação desses filhos. Se houver qualquer possibilidade de evitar sofrimento às pessoas, serei o primeiro interessado em ajudar”, disse Wellington Luiz.


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Feliz aniversário

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coluna e seu titular – que, como filho de pioneiros, completa neste mês de abril 60 anos na Capital Federal desejam um feliz aniversário a Brasília e fazem votos de dias

melhores para esta cidade que deveria ser o berço de uma nova civilização onde jorraria leite e mel, segundo as profecias de Dom Bosco, mas que hoje convive com a escassez de quase tudo: Saúde, Segurança, Educação, Transporte e até abastecimento d’água. Que dias melhores estejam por vir.

Por Chico Sant’Anna

D

ecididamente, as autoridades não dão muita bola para incentivar o turismo em Brasília. Nem mesmo o 58º aniversário da cidade é motivo para uma estratégia diferenciada – federal ou do GDF – para atrair turistas e, consequentemente, gerar mais emprego e renda na capital, que convive com 300 mil desempregados. Em 2017 os turistas estrangeiros deixaram no Brasil mais de US$ 6 bilhões. Mas essa quantia poderia ser maior se houvesse uma política eficaz de atrair turistas. Potencialidades como a Capital Federal, Patrimônio Histórico da Humanidade, são mal aproveitadas. Prova disso é o recém-lançado serviço MTurDestinos, um banco de fotos criado pelo Ministério do Turismo. Ao todo, são quase seis mil fotos de 169 destinos no país. Mas Brasília ficou na vala comum. As fotos são belas, bem feitas, mas são poucas e são mais do mesmo. Enquanto a cidade de São Paulo foi contemplada com mais de 400 fotos, as 55 fotos da aniversariante Brasília se limitam a palácios e arquitetura de Niemeyer. A velha receita já conhecida. Falta material que atraia o turista para apreciar uma Brasília diferente, que vá além de seus monumentos. No novo serviço on-line, não há dados complementares que expliquem o objeto fotografado, que subsidiem quem vai escrever ou divul-

Turismo no DF: falta uma política eficaz

dência no Brasil, não há uma foto sequer das riquezas naturais do Distrito Federal, como a Água Mineral, as cachoeiras e trilhas que cortam o cerrado. O foco é essencialmente simbolizado pela tradicional Esplanada dos Ministérios.

REPRODUÇÃO

Congresso Nacional é um dos prédios mais procurados

Fora da política, a catedral é outra obra muito visitada gar a Capital. Não há também lógica organizacional clara. A ordem das fotos não segue uma estratégia de fomento ao turismo. Não estão organizadas alfabeticamente, nem por região geográfica. Não há nem mesmo um menu que facilite a navegação. A lista começa com Imperatriz, no Maranhão, e Presidente Figueiredo, no Amazonas. O acervo de Brasília - de autoria do fotógrafo Roberto de Castro - aparece na 105ª posição, a última a aparecer

é Florianópolis.No acervo, as pessoas quase não são retratadas. A cidade é ofertada como um palco frio de arquiteturas reforçando a antiga ideia de que não há calor humano em Brasília. Outras modalidades de turismo, como o religioso/ místico, o de aventura e o ecológico não foram contempladas. Embora o próprio Ministério do Turismo tenha definido que a natureza será, neste ano de 2018, o principal atrativo de destinos-ten-

VOCAÇÃO – Engana-se quem pensa que lá fora não há interesse por visitar Brasília. A Capital Federal aparece, no prêmio Travellers’ Choice 2018, em 2º lugar na categoria “destinos em alta na América do Sul”. A classificação é do site de viagens Trip Advisor e se baseia em milhares de avaliações e opiniões de viajantes do mundo todo, bem como no aumento das buscas dos visitantes do site e avaliações positivas ali registradas. Ao lado de Recife e Belo Horizonte, Brasília é um dos destinos preferidos dos norte-americanos. Mas viajar para o DF é uma aventura bem dispendiosa. Primeiro, quase não há voos internacionais diretos, o que já eleva o custo do passeio e aumenta o tempo perdido em aviões e aeroportos. Depois, a cidade ainda não é amistosa aos turistas. Os hotéis são caros, não há opções econômicas para jovens. Falta informação, ponto de apoio, serviços de receptivo acessíveis, o deslocamento interno é caro e complicado e, ainda por cima, é comum o turista bater de frente numa porta fechada, como é o caso da Torre Digital.

Cartão vermelho pra Ronaldinho Ronaldinho Gaúcho está suspenso. Quem deu o cartão – que pode ser amarelo ou vermelho – foi a Justiça Eleitoral. Segundo o portal da Justiça Eleitoral, passado o período de filiações partidárias e trocas de agremiações, a condição eleitoral do astro do futebol é de “suspenso”. Ele fora convocado para ser escalado como candidato ao Senado pelo PRB - partido integrante da Frente Cristã e com laços com a Igreja Universal de Deus, do Bispo Edir Macedo. São diversos os motivos que podem levar à suspensão do titulo de eleitor. Destacam-se a condenação criminal transitada em julgado, condenação por improbidade, ser declarado incapaz. Para ter uma candidatura aceita pela Justiça Eleitoral – condição de elegibilidade –, é necessário estar no pleno gozo dos direitos políticos e a suspensão da condição de eleitor é observada para o registro de candidatos. É possível que, no tapetão, juridicamente a situação eleitoral de Ronaldinho possa ser regularizada junto às autoridades, mas terá sido bola fora do PRB escalar Ronaldinho?

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress.com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com


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Decisão nas mãos da Justiça Governo espera que intermediação de tribunal traga resultado favorável para o Hospital da Criança de Brasília WYL VILLAS BÔAS

Wyl Villas Bôas

periência como organização social, mas a experiência não está no prédio, está nas pessoas. E isto nós temos”, disse Alarcão.

A

terça-feira (24) pode ser um dia decisivo para o Hospital da Criança de Brasília (HCB) José de Alencar. Será o dia da audiência de conciliação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) para ouvir as versões do Instituto Infantil de Câncer e Pediatria Especializada (Icipe), do Ministério Público e do Governo do Distrito Federal para tentar derrubar as condenações impostas ao instituto. Autoridades do GDF, políticos, médicos, pacientes e familiares deram um abraço coletivo simbólico no HCB quarta-feira (18). Eles protestaram contra a decisão da Justiça de retirar o Icipe da gestão do hospital. Mais de 500 pessoas estiveram presentes no ato. O governador Rodrigo Rollemberg confirmou que lutará até o último momento para reverter a determinação da Justiça e que os planos do governo estão focados na audiência de terça-feira. “Nós vamos trabalhar até o último momento para que a gestão continue com o Icipe. O hospital é 100% público. É uma iniciativa vitoriosa. Não há motivo para mudar a gestão. Não se deve mexer em time que está vencendo. Vamos, por meio da audiência mostrar todos os argumentos, fazer ajustes formais se for o caso, mas não abrimos mão de ter o hospital gerido por pessoas sérias, de forma competente”, declarou Rollemberg.

Funcionários dão as mãos uns aos outros durante abraço simbólico pela manutenção do atual modelo

Questionado se manteria o hospital aberto em caso de derrota na Justiça, Rollemberg, crente na vitória, respondeu: “Será o presente de aniversário de Brasília”. O secretário de Saúde, Humberto Fonseca, otimis-

ta, anunciou a expansão do HCB com a inauguração, em breve, do Bloco 2. “São 2,7 milhões de atendimentos e 98,8% de aprovação. Não deixaremos que caprichos de uma ou duas pessoas fechem a unidade”, disse.

O diretor-presidente do Icipe, Newton Alarcão, ressaltou a experiência e a lisura da organização social. “Não existe acusação de desvio de recursos, de ineficiência. São formalidades, de dizer que o Icipe não tem ex-

Apreensão – O clima entre os funcionários é de apreensão e esperança por dias melhores. O cirurgião Jair Yamamoto diz que, em conversas nos corredores, todos são contra a saída do Icipe.“O hospital é um modelo em todos os aspectos que se pode imaginar. Temos um cuidado redobrado com as crianças, tratamos com seriedade, carinho, e muitos estão trabalhando aqui não pelo que se ganha, mas pela função que temos. E isso qualquer pai pode falar. Dói muito saber que isso está acontecendo”, lamentou Jair. Também estiveram presentes no ato representantes das secretarias do governo, membros da Câmara Legislativa, inclusive o presidente da Casa, Joe Valle (PDT), advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de apoiadores da causa.

Uma doação aos moradores do Distrito Federal Inaugurado em 23 de novembro de 2011, com 7 mil metros quadrados, o Bloco 1 do hospital foi construído pela Associação Brasileira de Assistência às Famílias Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace) e doado ao governo de Brasília. É uma unidade pública, que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte da rede da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Mas a administração é feita

pelo Icipe — associação de direito privado sem fins econômicos ou lucrativos criada pela Abrace. Por ser de especialidades, o HCB não atende emergências — os pacientes chegam encaminhados pelas unidades básicas de saúde (UBS). Até o final de março, foram 2.757.279 atendimentos, 1.641.872 exames laboratoriais, 442.811 consultas e 66 mil diárias. Na sexta-feira (13), o Icipe foi notifi-

cado a entregar a gestão do HCB para o GDF, a pedido do juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona, da 7ª Vara de Fazenda Pública. O magistrado alegou que não foram cumpridos pelo instituto os requisitos necessários à qualificação como organização social e à celebração do contrato de gestão. A decisão judicial proíbe o Icipe de ter novos contratos por três anos com o poder público.


Brasília Capital n Geral n 14 n Brasília, 21 a 27 de abril de 2018 - bsbcapital.com.br

Redação para o futuro PMDF Teremos dois feriados pela frente, neste sábado e dia 1º de maio. Para o concurseiro, a oportunidade ideal para estudar! Teremos pela frente dois feriados – dia 21 de abril e dia 1º de maio. Para o concurseiro, a oportunidade ideal para estudar! E que tal aproveitar a ocasião para treinar a redação discursiva da PMDF? Farei, no meu artigo desta semana, mais um tema orientado para a PMDF. Leia tudo com carinho e mãos à obra! Redija um texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, acerca do tema:

Tema: O policial militar contemporâneo: muito mais do que um agente de segurança. Ao redigir o seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: - A importância do estudo de temas transversais (como inglês e informática) para o exercício da atividade policial. - O papel social do policial militar. - Como deve ser a formação de um policial militar contemporâneo?

Parabéns, menina Brasília! Comemoro eu meu coração sua inauguração em 21 de abril de 1960, da qual também participei, dando vivas, bem-amada! Juscelino Kubitscheck desceu de seu helicóptero branco e subiu na Romi Isettina, na entrada da cidade que ainda não era, oficialmente, uma cidade, e muito menos podia ser chamada de Capital. Chovia bastante naquela manhã de segunda-feira, 2 de fevereiro de 1959. Mas ele não deu a menor importância. Com o braço direito acenando festivamente, com aquele largo sorriso inconfundível que dava pra gente enxergar e

sentir a magia de longe, recuperando o cansaço mesmo para quem (como eu), acabava de percorrer 2.277 quilômetros, dos quais 450 km descobrindo trechos da selva amazônica ainda virgem, atravessando rios e montanhas, cobrindo a distância entre Belém do Pará e Brasília. Na verdade, tratava-se da histórica Caravana de Integração Nacional que concretizava o decreto federal assinado por JK sobre a construção da rodovia

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410 Ligue e participe: (61) 9 9881-3086 www.opovoeopoder.com.br

Vamos planejar o texto? 1º parágrafo (introdução): organize-o em dois períodos centrais. No primeiro, faça uma comparação simples entre as atividades do policial militar antigamente e atualmente. No segundo, apresente a sua tese (o policial militar é, hodiernamente, mais que um agente de segurança). 2º parágrafo (desenvolvimento): antes de tudo, veja que o primeiro tópico é afirmativo (portanto, não estou colocando à prova se é ou não importante que policiais militares adquiram conhecimentos transversais). Defenda o primeiro tópico. Esse parágrafo deve ter três períodos centrais: (1) uma explicação acerca da importância de temas transversais; (2) a importância da língua inglesa; (3) a importância da informática. Lembre-se: os períodos 2 e 3 devem servir de ratificação para o que foi apresentado no (1). 3º parágrafo (desenvolvimento): No primeiro período, defenda que o policial

militar, além de um agente de segurança, é também um promotor de ações sociais e cidadãs. No segundo período, justifique por que motivos o policial está, hoje, além de sua atividade-fim. No terceiro, dê exemplos dessa atuação policial. 4º parágrafo (conclusão): primeiramente, reafirme a sua tese (de fato, o policial militar contemporâneo é mais do que um agente de segurança). Além disso, faça a sua elaboração crítica, indicando como deve ser, na sua opinião (mas em linguagem impessoal) a formação hodierna de um policial militar. Se você quiser, publique, em seu Instagram, texto feito por você com a hashtag #RedaçãoDeUmFuturoPMDF. Passarei por lá e farei breves comentários, ok?

Belém-Brasília, sendo encarregado para a tarefa o engenheiro carioca Bernardo Sayão, que conhecia a área de Goiás como ninguém. A intenção era mostrar a interligação do País por meio de rodovias e, no presente caso, a convergência para o Planalto Central desde o Norte, então desconhecido, unindo-o a Oeste e a Leste na descoberta do novo Brasil. E também que as distâncias poderiam ser vencidas pelos veículos produzidos pela recém-criada indústria automobilística nacional. Partindo de Belém a 14 de janeiro de 1959, a caravana automobilística (na qual viajavam 35 jornalistas em jipes Rural Willys, dos quais coube um veículo a mim e ao fotógrafo Joaquim Ribeiro, do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro), teve uma brilhante comemoração ao percorrer as ruas arborizadas de man-

gueiras da antiga capital do Pará, cujo Estado ainda se encontrava isolado do resto do País em se tratado de estradas. Essa mesma euforia popular aconteceu quando o comboio estacionou em Goiânia, na véspera de chegar à Capital. Mas, infelizmente, Bernardo Sayão não pôde participar porque faleceu sob a queda de uma gigantesca árvore na tarde de 15 de janeiro, próximo à Vila Ligação, na localidade de Ulianópolis, não muito distante de Belém. Quanto a mim, hoje comemoro em meu coração a inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, da qual também participei, dando vivas: - Parabéns, bem-amada Brasília, pelo seu 58º Aniversário!

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

Fernando Pinto Jornalista e escritor


Brasília Capital n Geral n 15 n Brasília, 21 a 27 de abril de 2018 - bsbcapital.com.br

O amor pode ser amarrado? Ao invés de fazer esse trabalho sujo, você deveria consultar um terapeuta para curar-se. Isso é sintoma de desvalor Você já viu anúncios de alguém prometendo trazer seu amor de volta em três dias? É possível fazer um “trabalho de amarração” para alguém interessar-se por você ou para aquele ou aquela que foi embora voltar? Sim, mas porque alguém faria isso? Por que você quer alguém que não lhe quer?Ao invés de fazer esse trabalho sujo, você deveria fazer um trabalho junto a um terapeuta para

curar-se. Isso é sintoma de desvalor. Por que você se sente tão inferior? Você acha digno rastejar atrás de alguém? Você sabe como esse trabalho é feito? Isso é feito como uma obsessão. Espíritos altamente ignorantes são enviados para atormentar o outro, gritando o nome dela ou lembrando momentos íntimos. Ou seja, isso é crime de perturbação do sossego alheio. É isso que vo-

A importância da alimentação no início da vida É um dos principais fatores ambientais que interagem e deixam marcas no nosso material genético A ciência tem evoluído muito, e um dos conceitos mais atuais na área da saúde está relacionado à epigenética. Palavrão que nada mais

quer dizer que nós deixamos marcas no nosso material genético de acordo com o que somos expostos ao longo da nossa vida.

cê deseja? Então fique consciente de que estará cometendo crimes de perturbação da paz alheia e de violação do livre arbítrio do outro. Conheça-se. Melhore-se como ser humano. Evite conversas e ações desagradáveis. Apareça. Interesse-se pelas pessoas. Seja amigo (a), gentil e solidário (a). Milhões de pessoas estão em busca de pessoas interessantes. As pessoas queixam-se de solidão, mas a convivência agradável com alguém requer maturidade, sabedoria. Faz parte do seu processo de educação na Terra educar-se também para uma convivência amorosa. O interesse pelo outro, o conhecimento de sua história lhe levará ao afeto que pode desaguar em amizade ou namoro. Dependerá do conhecimento de você sobre você e do que você descobrir no outro. Não basta ouvir. É preciso saber

A alimentação é um dos principais fatores ambientais que interagem e deixam marcas no nosso material genético. Por isso, se você se importa com as gerações futuras, comece a repensar a sua alimentação. O período gestacional é um momento crítico dessa interação. Dependendo da dieta materna e durante o período de lactação podemos aumentar o risco de desenvolvimento de doenças inflamatórias e obesidade na vida adulta. É isso mesmo: a alimentação no início da vida tem grande importância na saúde do indivíduo quan-

interpretar a expressão corporal para que você não se deixe levar por palavras e expressões agradáveis com a finalidade de lhe enganar. Algumas pessoas podem ser apenas colegas; outras, amigas. Mas relacionamento afetivo dependerá também de afinidade. Acima de tudo, não idealize tipo. Não crie expectativas. Se você for uma pessoa de bem, pela lei dos afins, atrairá também pessoas de bem. Lembre-se de Jesus: “Busque o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais lhe será dado de acréscimo”. Não esqueça de Luís Sérgio: “O objetivo da vida é o aprendizado da arte de amar”.

José Matos Professor e palestrante

do ele se tornar adulto. Uma dieta materna rica em gordura, especialmente saturada e trans, presente em produtos ultraprocessados, aumenta o risco de doenças como diabetes e câncer na vida adulta dos filhos, além de alergias e rinite na infância. Por isso, ter uma alimentação saudável e natural faz bem para você e para as gerações futuras. Pense nisso!

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


Jornal Brasília Capital 359  
Jornal Brasília Capital 359  
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