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Pelo fim das indicações para cargos públicos Pré-candidato do Partido Novo ao Senado, advogado afirma que “o político é perverso nas estatais” Páginas 7, 8 e 9

Ano VIII - 364

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Entrevista Paulo Roque

Brasília, 26 de maio a 1 de junho de 2018

REPRODUÇÃO

Greve suspeita

GDF dispensa ajuda Entre tapas e palavrões, que criaria milhares de Bessa e Sinpol buscam vagas em creches paridade com a PF Chico Sant’Anna - Página 10

Pelaí - Página 3

O presidente Michel Temer convocou as Forças Armadas para desobstruir estradas de todo o País e a Polícia Federal investiga a prática de locaute, o que é crime. Neste caso, suspeita-se que o movimento com cara de reivindicação dos caminhoneiros é, na verdade, resultado da ação de empresários do setor. O Brasil vive dias de caos desde a segunda-feira (21), com falta de combutíveis e de alimentos, além de estrangulamento no transporte coletivo, inclusive o aéreo. O acordo que o governo fez com a categoria não foi cumprido pelos grevistas / Página 4


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 26 de maio a 1 de junho de 2018 - bsbcapital.com.br

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ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

x p e d i e n t e

Não é Netflix: Farc, tráfico de drogas e conservadorismo são protagonistas Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 9 8356 1491 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com

Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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Não, não se trata de forçar analogias à famosa série “Narcos”, da Netflix, estrelada por Wagner Moura no papel do traficante internacional de drogas Pablo Escobar, para tornar o artigo mais chamativo e assim persuadir para sua leitura. As eleições colombianas deste ano possuem elementos em destaque quepoderiam ser mais uma temporada da famosa série. No último dia 11 de março, após o acordo de paz assinado com o governo em 2016, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com a trégua do Exército de Libertação Nacional (ELN), guerrilhas que sempre tumultuaram as eleições colombianas, participaram como partido político das eleições legislativas, com cinco cadeiras no Senado e outras cinco na Câmara garantidas para o então ex-grupo rebelde mais poderoso da América, em nome da paz colombiana e nova dinâmica social ao país. As Farc conquistaram cerca de 0,5% dos votos, pouco mais de 85 mil, que não garantiriam sequer as cadeiras que conquistaram via acordo de paz. A direita colombiana, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que contesta o acordo de paz, foi a vencedora das eleições legislativas, ainda que não com maioria absoluta, e despontam como força política favorita para vencer as eleições presidenciais do próximo dia 27, e seguir favorita para o provável segundo turno que será realizado no dia 17 de junho. Iván Duque, 41, senador do partido direitista Centro Democrático, afilhado político de Álvaro Uribe, que é contra o acordo com as Farc, lidera as pesquisas com 41,5% das intenções de voto. Seu princi-

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nTaguatinga Eu falo isso, esses pilantras de cobertor nas costas são ladrões, são oportunistas que ficam nas portas das lojas. Não acreditem que são coitadinhos, olho vivo. Deusemar Mendonça, via Facebook O centro de Taguatinga está tomado, principalmente à noite depois das

sete, todo cuidado e pouco. Adauto Luiz, via Facebook Sobre manchete da edição 363, que revelou que bandidos usam cobertores como disfarce para arrombarem lojas em Taguatinga durante a madrugada. nCristovam Eu não votaria em Cris-

Adriano Mariano, consultor especialista em marketing político eleitoral adriano@viesmarketing.com.br

pal adversário, com 29,5% das intenções, é Gustavo Petro, 58, ex-prefeito de Bogotá e ex-guerrilheiro do M-19, grupo que supostamente foi associado ao cartel de Medellín, de Pablo Escobar, e que em 1985 matou mais de 50 pessoas no Palácio da Justiça, em Bogotá. Petro não participou deste atentado, mas por ser favorável ao acordo com as Farc e simpatizante com a figura do falecido Hugo Chávez, pai do chavismo que hoje, liderado por Nicolás Maduro, protagoniza uma das crises humanitárias mais agudas da história recente da América do Sul, vem sofrendo forte campanha acusatória de partilhar dos mesmos princípios

chavistas, ainda que critique Maduro e diga que ele é um ditador. Um detalhe curioso e sintomático é que, além do Brasil, em todos os países da América Latina pelos quais levamos o projeto “Tour Eleições das Américas”, há sempre um grupo popular que, no dia das eleições entoa a frase: “Não vamos deixar nosso país se tornar uma Venezuela!” Não bastasse os currículos e históricos de relacionamentos envolvidos, no último dia 9 de abril o ex-líder das Farc Jesús Santrich, 51, um dos dez congressistas eleitos em março, foi preso sob a acusação de continuar traficando drogas e fazer extorsões, além de ter sido considerado culpado por um tribunal de Nova York por tentar fazer entrar 10 toneladas de cocaína nos Estados Unidos, e ter sua extradição solicitada. Este “capítulo da série” fez aumentar as intenções de voto de Iván Duque, que diz que caso seja eleito assinará a extradição imediata de Santrich. Por sua vez, Gustavo Petro defende que Santrich seja julgado pelo Tribunal Especial para ex-guerrilheiros antes de ser extraditado. Novamente a cocaína pode fazer pender a balança eleitoral colombiana e definir o poder político do país, além de referendar a guinada à direita dos governos das Américas. No próximo dia 15 o projeto Tour Eleições das Américas embarca para Bogotá, capital da Colômbia, para analisar as estratégias e a reta final do segundo turno da campanha presidencial. Acompanhe esta jornada em nossas redes sociais e exclusivamente no site e no jornal Brasília Capital. iHasta la vista, muchachos!

a r t a s

tovam, ele não foi um bom governador em Brasília. Nem na secretaria de educação ele teria meu voto. Vera de Cassia, via Facebook Valorizo quem reconhece o erro e passa para o outro lado! Muito pior seria ficar do “lado negro da força”. Parabéns, Cristóvão! Leonardo Giorda-

no, via Facebook Também gostava do Cristovam, mas com o tempo ele virou um político como qualquer outro... apoiando políticas sob encomenda e fora da linha que tinha enquanto governador. Alberto Ghesti, via Facebook O que aconteceu com o Cristovam? Nossa. Mudou

muito. Sâmera Lima, via Facebook Sobre nota “Alhos misturados com bugalhos”, que trouxe à tona a possibilidade do ex-petista e ex-reitor da UnB, Cristovam Buarque (PPS), se aliar a Jair Bolsonaro (PSL) e ao ex-presidente do Sindicato das Escolas Particulares, Izalci Lucas (PSDB).


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Vice amigo Dr. Gutemberg, que vai disputar uma cadeira de deputado distrital pelo PR, passará a presidência do SindMédico-DF para o colega Carlos Fernando

JÚLIO PONTES

e fará até festa com direito a coquetel na sede do sindicato na quarta-feira (6 de junho) para comemorar. Em tempos de Michel Temer e Renato Santana, ter um vice aliado não é tão óbvio quanto parece.

Paridade no tapa Dois episódios nos últimos dias mostraram o autoritarismo e arrogância com que os policiais civis do DF buscam a paridade salarial com a Polícia Federal. Sábado (19), em Planaltina, representantes do Sinpol entraram em atrito com moradores ao promover uma manifestação exigindo o reajuste e criticando o governador Rodrigo Rollemberg. Os populares exigiam a retirada das faixas fixadas pelos policiais sindicalistas.

Joe Valle no lançamento de sua pré-candidatura ao GDF em março

Família não quer Joe no Buriti Embora o PDT tenha garantido que lançaria candidato próprio ao Buriti, as últimas movimentações no partido apontam para outros rumos. Joe Valle, o principal nome da legenda no DF,não aceita a missão, inclusive por imposição de sua família, e tenta negociar acordos com outros partidos para viabilizar seu projeto de concorrer ao Senado. CARTA BRANCA – Na última semana, Joe recebeu carta branca do presidente regional do PDT, Georges Michel, para buscar as composições que considerar mais interessantes. A preferência do presidente da Câmara Legislativa é por uma aliança com Jofran Frejat (PR). Mas as coisas não são tão simples assim. CIRO GOMES – O acordo no DF passa pelas alianças nacionais. E, desde a desistência do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa de concorrer à presidência da República pelo PSB, o presidenciável pedetista Ciro Gomes dá total preferência a um acordo com os socialistas. Neste caso, o PDT cederia a cabeça de chapa aRollemberg e Joe seria candidato ao Senado. Mas esta manobra não une o PDT. MAUS FRUTOS -Alguns caciques pedetistas acreditam que a aliança pode gerar maus frutos. É que nas duas últimas eleições o partido ajudou a eleger Agnelo Queiroz (PT) e Rollemberg (PSB), ambos muito mal avaliados pelos eleitores. Mas Rollemberg sonha, torce e trabalha pelo acordo.

TOMBADA – O grupo, que faz parte da Associação dos Amigos do Centro Histórico de Planaltina, exigia a retirada dos cavaletes com os dizeres “PSB está acabando com Brasília” e “Não reeleja Rollemberg! Ele é omisso e negligente com a segurança pública”. Em vídeo, uma representante da entidade aparece dizendo: “Retira, por favor. O nosso espaço aqui não é para movimentação política”. A praça é tombada como Patrimônio Histórico. AGRESSÃO – Um dos moradores alega ter sido agredido e um homem que teria se identificado como policial rebate no mesmo vídeo: “Eu não vou brigar com você. Eu não brigo não. Policial não briga não”. Há imagens de duas pessoas trocando insultos: “vagabundo”, afirma uma mulher. O sindicalista responde: “você que é vagabunda”. BESSA AGRIDE – Na quarta-feira (23), em meio às discussões sobre destinações de recursos do Fundo Constitucional do DF, o deputado Laerte Bessa (PR/foto), que é delegado aposentado da Polícia Civil, agrediu o subsecretário de Articulação Federal da Casa Civil, Edvaldo Dias da Silva. ATAQUE – O ataque ocorreu na Comissão Mista do Congresso Nacional que analisa a Medida Provisória 821, que trata da criação do Ministério da Segurança Pública. SOCO OU TAPA? – Edvaldo registrou ocorrência na Polícia Legislativa do Senado como um soco. Bessa afirma que foi um tapa no peito. PREJUÍZO – O deputado afirma que combinou com o presidente Michel Temer aprovar a emenda para garantir que 65% dos recursos do Fundo sejam destinados à segurança, mas o GDF apresentou estudo que aponta um prejuízo para a saúde e educação.

Lira responde O deputado Lira (PHS) respondeu à nota “Povo Doido”, edição 363, sobre insatisfação de moradores de São Sebastião com denúncias de irregularidades atribuídas ao administrador Alexley Gonçalves Pires, indicado por ele. Lira afirma que o ex-chefe de gabinete da administração Keves Diogo acusou porque Lira se negou a indicá-lo para ser o administrador regional. Ele chama de “atitude baixa, covarde e disseminada por um ex-servidor quem não teve atingido seus objetivos pessoais”. Destaca que Alexley não foi julgado e tem a presunção de inocência, que a acusação é de oposicionistas, inclusive com a tentativa de extorsão financeira e divulgação de fakenews, e não retrata a opinião da maioria dos moradores.

Vaquinha Pré-candidato ao Senado, Marivaldo Pereira (PSol) comemorou as 100 doações recebidas por meio de crowdfunding (vaquinha eletrônica de pessoas físicas permitida pela lei eleitoral). FALTA MUITO – Segundo publicações em redes sociais, Marivaldo recebeu quase R$ 50 mil. Isto o tornou o maior arrecadador do País em disputa de cargos legislativos. “Falta muito para chegarmos ao menor valor de uma campanha competitiva para o Senado no DF, que custou R$ 500 mil”, alertou.


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Reféns de uma farsa Polícia Federal investiga combinação de empresários e caminhoneiros na greve que parou o País. Temer convoca as Forças Armadas TÂNIA RÊGO AGÊNCIA BRASIL

Valdeci Rodrigues

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greve dos caminhoneiros que parou o Brasil na semana passada pode ter sido um movimento de empresários do setor para baixar o preço do diesel e obter outras vantagens para as transportadoras e para o agronegócio. Sexta-feira (25), quinto dia de paralisação, a Polícia Federal informou que investiga um possível locaute, o que é tipificado como crime. “Em relação ao movimento de paralisação dos caminhoneiros, a Polícia Federal informa que já está investigando a associação para prática de crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de transporte e outros serviços públicos”, divulgou a instituição em seu site. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse sexta-feira que pelo menos vinte empresários serão convocados a depor. Tudo não teria passado de loucate, aliança entre patrões e empregados sob disfarce de greve só de trabalhadores. Isso é crime. A paralisação começou na segunda-feira (21). Na sexta, o país continuava assustado com o fantasma do desabastecimento de combustíveis, de alimentos e de outros produtos básicos. O transporte terrestre urbano e interestadual e até a aviação ficaram comprometidos. Diante do caos, o governo cedeu a todas as exigências da categoria que, mesmo assim, não retomou a normalidade de suas atividades, o que le-

Caminhões parados travando a Rodovia Presidente Dutra, no Rio, como ocorreu em todo o Brasil

vou o presidente Michel Temer a anunciar que as Forças Armadas estavam autorizadas a desbloquear as rodovias. Logo em seguida, o alto comando do Exército reuniu-se para decidir como agir. Em pronunciamento, Temer justificou sua decisão argumentando que o acordo feito no dia anterior (24) com representantes dos grevistas não foi cumprido pelos caminhoneiros. A assessoria do Ministério de Segurança Pública informou que as forças federais, citadas por Temer, incluem, além do Exército, Aeronáutica e Marinha, a Força Nacional de Segurança e a Polícia Rodoviária Federal. Temer usou como justificativa o temor de desa-

Na segunda-feira, começaram os bloqueios de rodovias em 21 estados e no DF. Brasileiros ficaram apreensivos com a paralisação do país, inclusive do transporte aéreo bastecimento generalizado. Quinta-feira (24), já havia falta de alimentos nos supermercados. A orientação é não permitir caminhões nos acostamentos e autorizar aos militares a entrarem nos veí-

culos para retirá-los das vias. A greve não recebeu a devida atenção do governo, nem do Brasil, até sexta-feira (18), quando foi anunciada. Na segunda-feira (21) os protestos surgiram comandados por associações de caminhoneiros autônomos que protestavam contra a política de preços da Petrobras para o óleo diesel. No sábado (19), entrou em vigor o quinto reajuste diário consecutivo no preço do diesel, de 0,80% nas refinarias. A gasolina subiu 1,34%, dentro da nova política de preços da Petrobras, que começou em julho de 2017. Na segunda-feira (21), começaram os bloqueios totais ou parciais de rodovias em 21 estados e no DF. Foi uma semana em que os brasileiros

ficaram apreensivos com a paralisação do país, inclusive do transporte aéreo, o que deu mais visibilidade ao movimento. Diversas entidades representativas comandam a paralisação, com a principal exigência de redução no preço do óleo diesel e o fim das alíquotas do PIS (Programa de Intervenção Social) e da Cofins (Contribuição para o Orçamento da Seguridade Social), assim como a isenção da Cide para transportadores autônomos. Além disso, há outras reivindicações, como redução de pedágios em caso de eixos dos veículos estarem suspensos, a criação de um marco regulatório para os caminhoneiros e a aprovação de um projeto de lei que estabelece preços mínimos para o frete. Quinta-feira (24), o governo anunciou um acordo com os grevistas para que eles voltassem ao trabalho. Foi dado um prazo de 15 dias para se chegar a um acerto. Houve até votação dos deputados eliminando a cobrança do PIS/ Cofins, sem a votação no Senado, e com a trapalhada do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre quanto o governo deixaria de arrecadar até o final deste ano. Maia havia anunciado perda de R$ 3 bilhões, mas o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, informou que a medida provocará diminuição de R$ 14 milhões na arrecadação, dinheiro que precisaria sair de outra fonte para que o governo federal não infrinja a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).


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O que não é normal não pode se tornar banal

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aria Eduarda morreu em casa, na última segunda-feira (21), com um tiro na cabeça e outro no abdômen, aos cinco anos de vida. Foi mais uma vítima da guerra entre gangues em Ceilândia, que persiste há pelo menos quatro anos. A menina morava com a família na QNO 18 e quando foi atingida pelos disparos, estava indo buscar milho na casa vizinha para a tia fazer pipoca. Normal? Não. De forma alguma. É inconcebível perder uma criança para a violência. Vitor Hugo Brandão, recém-nascido, morreu, dias antes, no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), com cardiopatia cianótica complexa. Foi mais uma vítima do descaso, que persis-

te há anos em toda a rede pública de Saúde do DF. Mesmo com uma decisão do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), que garantiu atendimento ao bebê, a SES-DF ignorou a determinação e o colocou na fila no Sistema de Regulação (SISREG) da pasta. Normal? Também não. É inaceitável que mães e pais percam seus filhos para o abandono da gestão pública. E porque eu trouxe esses dois tristes casos ao artigo desta semana? O motivo é simples. Se olharmos com cuidado, o cuidado necessário para mudar o atual cenário do DF, os dois casos, anteriormente aos fatos, têm algo em comum: a banalização do absurdo por parte do poder público; o abandono. Quando, no mesmo dia em que

uma criança morre baleada dentro da sua casa, o governo não se pronuncia sequer para oferecer qualquer tipo de ajuda à família, algo vai muito mal. O mesmo acontece com Vitor Hugo Brandão. Se a Secretaria de Saúde não tivesse descumprido a sentença judicial, a história poderia ter sido diferente. E se a família do bebê tivesse conseguido a liberação de leito em UTI Neonatal com suporte de cirurgia cardíaca? E se mais uma vida não tivesse sido banalizada? E se outras milhares de vidas não tivessem sido banalizadas pela atual gestão? A exceção está se impregnando no cotidiano da população do DF. É preciso encarar os fatos: estamos, hoje, nas mãos de um governo que nos desumani-

za. E isso não pode continuar. O futuro do Distrito Federal, aquele que um dia tivemos e o que desejamos voltar a ter, depende da nossa reação, como cidadãos, aos absurdos que vemos e lemos todos os dias. Segurança, saúde, educação e transporte não são exigências. São direitos de todos. Não adianta o governo levantar dados apontando queda nos números da criminalidade quando se sabe que, em 25 anos, a população do DF dobrou e o número de policiais caiu. Hoje, são pelo menos dois mil policiais a menos nas ruas: civis e militares. É preciso valorizar a vida e o material humano. Se o GDF insiste em banalizar e acumular absurdos em seu currículo, devemos mostrar que, em nossas vi-

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

das, não há mais espaço para esse tipo de comportamento irresponsável. As pessoas estão morrendo, os serviços públicos estão se deteriorando e os servidores, os trabalhadores, estão adoecendo. É necessário aprender que: o que não é normal não pode se tornar banal.


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THIAGO OLIVEIRA

Entrevista Paulo Roque Por que o senhor quer ser um dos representantes do DF no Congresso Nacional? – Sinto uma necessidade de renovação na política. Estou saindo da minha zona de conforto. Todas as pessoas de bem que condenam a velha política são convocadas a fazer algo neste momento e não ficar parado. Temos que assumir um compromisso com as pessoas de bem deste país. A política está suja. As pessoas de bem se afastaram da política. As boas pessoas precisam estar no parlamento. Por isso me coloco nesse propósito. Você é novato nessas eleições. Como isto pode lhe favorecer? Como se tornar conhecido para conquistar o voto do eleitor? – No Partido Novo não há nenhum político tradicional ou com mandato. Todos saem de sua zona de conforto nesse primeiro momento, decorrente do grave problema que estamos vivendo. Sou novato sim. É melhor do que ser um velhaco na política. Sobre experiência como parlamentar, eu digo: O Congresso Nacional tem 31 parlamentares com mais de 20 anos de mandato. Isso resolveu alguma coisa? Não é uma questão de experiência, mas sim de valores que se levam para a instituição. Hoje o público acessa mais a internet do que a televisão. Vamos atrair um grande público nas mídias sociais. O senhor se filia pela primeira vez a um partido político. Por que a opção pelo No-

Paulo Roque faz ressalva sobre experiência parlamentar: “O Congresso tem 31 parlamentares com mais de 20 anos de mandato. Resolveu alguma coisa?”

“Políticos sucateiam as empresas públicas” Orlando Pontes e Wyl Villas Bôas

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scolhido no processo de seleção do Partido Novo como pré-candidato ao Senado, o advogado Paulo Roque, 51 anos, defende o fim de qualquer indicação política para cargos públicos. “O político é perverso nas estatais, nas administrações públicas. Ele sucateia a empresa pública. O político não pode estar lá. As indicações têm que ser técnicas. As empresas precisam ser

vo? – Foi minha filha de 18 anos que me indicou ao Novo. Ela me pediu para conhecer o partido. Ela havia conhecido pelas redes sociais e eu estava frustrado com a velha política nacional, decorrente da falta de compromisso da nossa classe política. Boa parte desses estão aí mais

eficientes, dar lucro, e o político não está lá com esse interesse”, diz ele. Morador de Brasília desde 1988, Roque é formado em Direito pelo UniCeub e durante dez anos atuou como comentarista da rádio CBN. Natural de Cajuri (MG), por duas vezes foi diretor da Escola Superior de Advocacia e já concorreu em duas eleições à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, secção DF, da qual é conselheiro. Nesta entrevista ao Brasília Capital, evita atacar a PEC do teto de gastos. “Qualquer governo precisa de

para fazer negócios do que cuidar do país. Participei de uma seleção interna com 10 postulantes e fui indicado. Quem serão os seus suplentes? – A escolha será feita nesse processo seletivo. Não consigo indicar meu suplente.

disciplina fiscal. Sem essa disciplina leva-se ao caos”. Também não critica a decisão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) de não conceder aumentos salariais negociados pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT) com os servidores do GDF. “O governo anterior foi um caos em matéria de responsabilidade fiscal. O servidor fica feliz com aumentos, mas o governo que não tem uma disciplina fiscal é o pior governo para o servidor, que, lá na frente, vai pagar a conta por não receber o salário”.

Há a possibilidade de coligação com outros partidos? – Não. O partido até pode fazer isso, mas acho muito difícil. Vamos coligar com quem? Com o MDB que está envolvido na Operação Lava Jato? Com o PT? O Novo não vai fazer parcerias com parti-

dos envolvidos em corrupção. Isso não é sectarismo? – Não vejo assim. A população quer sinais de seriedades. As pessoas viram a cara quando se fala em política. E compreendo isso. Elas foram maltratadas. Eu me incluo nisso. Vários


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Entrevista Paulo Roque desses partidos não deveriam estar existindo hoje. Alguns negociaram caixa dois. O Novo tem quantos filiados? – Vinte mil no Brasil e cerca de mil em Brasília. É uma estratégia que se busca através das mídias sociais. A internet vai mudar a cara das próximas eleições.

anterior foi um caos em matéria de responsabilidade fiscal. O servidor fica feliz com aumentos, mas o governo que não tem uma disciplina fiscal é o pior governo para o servidor. Lá na frente o servidor vai pagar a conta e nem vai receber o salário. Não há nada pior do que trabalhar e não saber se vai receber. Então um governo que tem disciplina fiscal é um governo que cumpre seus compromissos. Agora, não é só isso. Governo tem que olhar para o futuro e não somente para o passado. Vejo que no DF os governantes olham muito para trás. Temos a maior renda per capita e uma das maiores desigualdades do país. Os empregos no setor público são 55% da massa salarial do DF, e 25% de desempregados entre jovens.

te vagas naquilo que dá dignidade às pessoas. É certo que a iniciativa privada é alimentada pela máquina pública, mas é uma iniciativa privada empreendendo. Não vai mais ser o Estado que vai resolver o problema do desemprego. Brasília tem uma vocação tecnológica muito grande. Cadê o Parque Digital de Brasília? Recife tem e Brasília não tem. Todo governo fala e não faz. Mas para pensar nisso, tem que se parar de jogar pedras no empresário. O senhor é favorável à redução da carga tributária? –No Brasil, só em pensar em produzir o sujeito já é penalizado com impostos. O país é líder mundial nisso. Os empresários sustentam este país. É gente honesta, trabalhadora e que não

A sua linha na advocacia é de defesa dos direitos do cidadão e do consumidor. O que dá mais ibope? – Ambos sofrem com o problema da violação da lei. O consumidor brasileiro tem código de primeiro mundo e serviço de quarto mundo. A fiscalização no Brasil é muito baixa. Se o senhor já estivesse no Senado, teria votado a favor ou contra a PEC do Teto dos Gastos? – Acho que qualquer governo precisa de disciplina fiscal. Sem essa disciplina leva-se ao caos. O governo gastador faz a sociedade sofrer as consequências. O Brasil tem a Lei de Responsabilidade Fiscal, que ninguém respeita. O problema na PEC 95 é que se a LRF estivesse sendo cumprida não precisaria de uma PEC. A própria LRF nos daria a garantia de disciplina fiscal. No Brasil houve aumento sem previsão orçamentária. Então o senhor concorda com a gestão do GDF. Rollemberg não executou uma séria de aumentos autorizados pelo governo passado alegando que a LRF estava no limite em Brasília... – O governo

Acho que qualquer governo precisa de disciplina fiscal. Sem essa disciplina leva-se ao caos. O governo gastador faz a sociedade sofrer as consequências Temos que olhar para frente e dar uma solução para isso. Qual seria a solução? – Primeiramente tem que destacar que não vamos preencher todas as vagas de jovens desempregados no setor público. Em Brasília, de dez vagas abertas, sete são de empresas privadas. A massa salarial hoje de 55% é do setor público. Mas a iniciativa privada provê mais de se-

tem nenhum privilégio. Tem gente gerando emprego e não tem lucro. Essas pessoas o Estado não pode ver como inimigas, mas como aliadas. Quem gera riqueza não é o Estado, mas sim o empreendedor junto com o trabalhador. O Estado deveria dar uma medalha para cada loja que abre. Na verdade, ele as pune. Nas escolas da Coreia do Sul ensina-se as crianças a empreender. No Brasil,

“Não vamos preencher todas as vagas de jovens desempregados no setor


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FOTOS: THIAGO OLIVEIRA

r público. De cada dez vagas sete são na iniciativa privada”

tadores. Se você não for amigo do presidente do partido dificilmente conseguirá uma legenda. No Novo não tem isso. O processo seletivo facilita.

Entrevista Paulo Roque ensina-sea ser empregados. Com todo respeito a quem é empregado, mas a cultura tem que mudar. O emprego está sofrendo baque no mundo inteiro. O empreendedorismo é a salvação do futuro deste país. Qual a posição do Novo em relação à privatização de empresas públicas? – O Novo não trata a privatização como tabu. O Novo quer ver o que funciona ou não. A primeira coisa que iremos fazer é tirar as indicações políticas de todas as estatais. O político é perverso nas estatais, nas administrações públicas. Ele sucateia empresa pública. O político não pode estar lá. As indicações têm que ser técnicas. As empresas precisam ser eficientes, dar lucro, e o político não está lá com esse interesse. Pode ser que uma ou outra seja privatizada. O senador Reguffe foi o mais votado e, mesmo não sendo candidato, é um dos líderes nas intenções de voto para governador. De que forma ele lhe inspira como candidato ao Senado? – São estilos diferentes. Tenho respeito por ele. Reguffe provou que pode fazer uma campanha vitoriosa sem gastar muito dinheiro e sendo transparente. É possível isso. Ele se manteve fiel aos seus princípios e valores. O senhor é favorável a candidaturas avulsas? – Sou favorável e o Novo defende as candidaturas avulsas. Os partidos no Brasil são muitos di-

Qual sua posição quanto ao Fundo Constitucional do DF? Qual a importância dele para a sobrevivência de Brasília como Capital da República? – Acho difícil tirarem o Fundo Constitucional do DF porque aqui é a sede da capital do Brasil. Ele está dentro do pacto entre a União e o DF para o funcionamento da sede administrativa dentro da unidade de Federação. Particularmente, gostaria de ver o DF mais independente financeiramente. Mas só vai conseguir isso se apostar na iniciativa privada, na geração de

tando recursos da sociedade. Tem-se a maior verba de gabinete todos os parlamentos, com R$ 230 mil por mês e, na grande maioria das vezes, para contratar assessores como cabos eleitorais com dinheiro do contribuinte. A Câmara está contaminada pela velha política. A Câmara gasta muito dinheiro com publicidade. Apóio o movimento Câmara Mais Barata, que propõe reduzir pela metade os gastos da Câmara Legislativa. Como senador, vou impor o teto de gastos, acabando com todos os privilégios, como aposentadoria especial, verba indenizatória, planos de saúde vitalícios para os senadores. Quais serão suas principais bandeiras no Senado? –

Novo não trata privatização como tabu. Quer ver o que funciona ou não. A primeira coisa é tirar as indicações políticas de todas as estatais empregos, para que tenha um polo de tecnologia que seja referência para todo o Brasil. Qual sua avaliação do trabalho da Câmara Legislativa? – O brasiliense é frustrado com a Câmara Legislativa. Ela tem envergonhado o DF. Tem 80% de leis inconstitucionais e mesmo assim votam em leis inconstitucionais para tirar fotografias, gas-

Redução de gastos no Legislativo, projeto de lei estabelecendo a meritocracia no serviço público e cobrando resultados, com estabelecimentos de metas para dar satisfação à sociedade. A população precisa saber a meta das secretarias da Saúde, Educação. Quando a meta não for atingida, saber o motivo. Agora, quando for atingida, teremos que premiar os servidores.


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Por Chico Sant’Anna

GDF esnoba creches ofertadas pela União

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o Distrito Federal, 21 mil crianças na faixa etária de 0 a 3 anos estão sem creches. Na faixa de 4 a 6 anos, são mais 2,4 mil meninos e meninas que não têm direito a este benefício. Os dados são do Ministério da Educação e referem-se a janeiro de 2017. Mesmo assim, o GDF esnoba uma oferta de recursos para construir 56 creches públicas. A verba é do Ministério da Educação e foi disponibilizada em 2013 e 2014, mas até hoje os estabelecimentos nunca saíram do papel. Com a falha de gestão, os governos Agnelo e Rollemberg, além de não viabilizarem as unidades de ensino infantil, deixaram de injetar na economia local, R$ 81,2 milhões, que seriam repassados pela União, e que poderiam dinamizar a construção civil, a geração de emprego e renda na capital federal. Numa cidade onde o desemprego ultrapassa 300 mil pessoas, chega a ser desumano. Essa é mais uma demonstração da incapacidade de gestão do governo do Distrito Federal em bem utilizar os recursos que são repassados pelo governo federal. A crítica vale tanto para o atual, quanto para o governo passado. Segundo técnicos do Ministério da Educação, para obedecer ao Plano Nacional da Educação (PNE), em janeiro de 2017, todas as unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, deveriam cobrir 100% com o fornecimento de creches às crianças de 4 a 5 anos. Além do PNE, à Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro de 2009, torna obrigatória a oferta gratuita de educação básica a partir dos quatro anos de idade. A Lei nº 12.796/2013 também esta-

ANTÔNIO SABINO

Creche: 21 mil crianças de 0 a 3 anos estão sem direito ao benefício no DF belece que a educação infantil — contempla crianças de 4 e 5 anos na pré-escola — será organizada com carga horária mínima anual de 800 horas, distribuída por no mínimo 200 dias letivos. O atendimento à criança deve ser, no mínimo, de quatro horas diárias para o turno parcial e de sete para a jornada integral. Embora o DF apresente uma cobertura melhor do que a de outros Estados, em janeiro de 2017 – percentual de crianças assistidas nesta faixa etária era de 94% – 2.400 crianças estavam descobertas. A situação é mais graves nas faixas etárias inferiores. Segundo as normas legais, para a faixa de 0 a 3 anos, a meta de cobertura é de 50% até o ano de 2024. Daqui a seis anos. Em janeiro de 2017, segundo o MEC, o atendimento no DF era de apenas 32%. Isso significa que cerca

de 21 mil crianças estavam desprovidas de seu direito à creche. E suas mães prejudicadas, principalmente, na possibilidade de poder trabalhar ou estudar, já que é grande o volume de adolescentes gestantes e nutrizes no Distrito Federal. GDF ESNOBA – As creches ofertadas pelo governo federal e que o GDF esnoba certamente poderiam alterar este quadro. São estabelecimentos capazes de atender, cada um, 116 crianças em turno integral – 6.496 no conjunto dos 56 creches –, ou o dobro, 232 meninos e meninas, se divididos em dois turnos, totalizando uma cobertura de 12.992 matriculados. Cada creche possui 1.316 m² de área construída. São dotadas de cozinha, refeitório, lactário, sala multiusos, dentre outros equipamentos. O custeio da obra

é bancado pelo governo federal, cabendo ao GDF, como contrapartida, somente serviços adicionais tais como, terraplanagem do terreno, estacionamento, paisagismo, dentre outros. GESTÃO INEFICIENTE –Das 56 creches, o GDF chegou a encaminhar as providências para tocar 15 delas. As demais estão na categoria “aguardando planejamento pelo proponente”. Ou seja, a documentação necessária não foi apresentada ou não foram cumpridos os requisitos que o programa exige dos Estados. Mais grave, é que para a execução dessas 56, em 46 delas o governo do Distrito Federal já recebeu algum adiantamento financeiro. É como se fosse um sinal, de 20% a 40 % do valor total, pago antes do início da obra. Ou seja, recursos foram repassados e as creches não foram erguidas. Segundo o MEC, em valores da época, foram repassados R$ 13,7 milhões. “Hoje, este valor está desatualizado e será necessário o aumento da contrapartida por parte do GDF para enfrentar a defasagem dos preços”, afirma um técnico do MEC, que preferiu não se identificar. REPACTUAÇÃO – A Secretaria de Educação do DF (SEDF) não concorda com os dados de 56 creches. Informa que houve uma repactuação com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 2016, reduzindo o número de creches a serem construídas para 36. Dessas 36 creches que foram repactuadas, 15 estão em fase de licitação e outras 21 estão aguardando elaboração de projetos. “A SEDF esclarece que o Distrito Federal possui 48 Centros de Educação da Primeira Infância (CEPIs), dos quais 24 foram entregues de 2015 para cá. Atualmente, a Secretaria de Educação investe cerca de R$ 14 milhões em creches conveniadas para atender 18.133 crianças. O governo de Brasília vem trabalhando para encaixar o maior número de crianças de 0 a 3 anos na rede pública de ensino. De 2017 para cá, mais de 5 mil novas vagas foram criadas”, diz a nota do GDF.


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Programa Mais Alfabetização precariza o trabalho docente no DF O Governo do Distrito Federal (GDF) pôs em curso uma seleção simplificada para contratação de assistentes de alfabetização que irão atuar nas escolas da rede pública de ensino. Segundo o edital, é “para fortalecer e apoiar as unidades escolares no processo de alfabetização”. A contratação será efetivada por meio do Programa Mais Alfabetização, do governo federal. A seleção começou no início de maio e, até o fechamento desta matéria, não havia sido concluída. A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) informou que a finalização do processo deverá ocorrer no dia 30 de maio. O Programa Mais Alfabetização é uma criação do governo federal com possibilidade de adesão ou não das unidades federativas. No Distrito Federal, em vez de convocar os concursados e realizar mais concurso para professor e orientador educacional, bem como construir mais e novas escolas, para atender à demanda, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) aderiu ao projeto do governo federal. O edital indica que os pleiteantes devem ser graduados ou estudantes de pedagogia ou outra licenciatura. Diz ainda que a contratação não gerará vínculos empregatícios e será fundamentada na lei do voluntariado. Os assistentes de alfabetização receberão uma ajuda de custo para transporte e alimentação no valor de R$ 150 ou R$ 300 para atuarem nos 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, respectivamente, por 10 horas semanais, caso estejam em escolas consideradas vulneráveis, ou por 5 horas semanais, caso

atuem em escolas não vulneráveis. “Trata-se de uma contratação sem ônus trabalhista, na lógica da reforma trabalhista e da lei da terceirização. Além dos conflitos trabalhistas, irá gerar problemas pedagógicos nas séries iniciais. Esse modelo de contratação tem fortes semelhanças com a condição de trabalho escravo”, compara Letícia Montandon, diretora do Sindicato dos Professores no DF. Ela diz que o programa é mais um instrumento do governo federal para introduzir o ensino básico da rede pública na terceirização. “Não é à toa que o governo ilegítimo de Temer pôs em curso, de forma aligeirada, vários ataques à educação pública, tais como a reforma do ensino médio e a lei da terceirização. Também eliminou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que estava sendo construída democraticamente pela categoria docente e a sociedade civil e impôs outra, redigida nos gabinetes a toque de caixa e aprovada também de forma aligeirada completamente diferente da outra”, denuncia a diretora. A diretoria colegiada do Sinpro-DF considera o Programa Mais Alfabetização um ataque à educação pública que aprofunda a precarização do trabalho docente e elimina toda possibilidade de se construir no país uma educação pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.


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COPA DO DESCASO – Levantamento do portal G1 constatou que cinco das obras programadas para a Copa do Mundo de 2014 ficaram inacabadas em Brasília. Entre elas, a urbanização do entorno do estádio Mané Garrincha, a instalação do VLT entre o Aeroporto JK e o Plano Piloto, e a reforma das calçadas dos setores hoteleiros Norte e Sul.

DISTRITO FEDERAL

VICENTE PIRES / Por Eliane Araújo

Nutrição de forma simples e uma dieta ao alcance de todos

Obras avançam após as chuvas

DIVULGAÇÃO

Júlio Pontes

A Leve Nutrição Descomplicada facilita a vida de seus clientes num momento de grande dificuldade, aquele em que a pessoa precisa adaptar-se a novos hábitos alimentares e incorporá-los ao dia a dia. Daí a importância de um de seus serviços, que é acompanhamento na hora das compras em supermercados. Suas duas nutricionistas, as sócias Nathalia Patrão, 21 anos; e Daniela Domingues, de 23 anos, dão orientações sobre como identificar frutas e vegetais em bom estado. E, ainda, onde encontrá-los por preço mais justo. “Às vezes, as pessoas se deixam enganar pela embalagem ou pela propaganda”, afirma Nathalia. O atendimento pode ser em casa ou no trabalho do cliente. A juventude e a vida corrida das duas auxiliam ainda mais na precisão com que orientam seus clientes. Elas não dispensam uma análise criteriosa do modo de vida de

Nathalia (esq.) e Daniela acompanham os clientes até na hora fazer compra

cada um, como rotina, gostos e objetivos, principalmente com a dieta. E, depois uma análise criteriosa, indicam o que e quando comer. O entrosamento das duas nutricionais vem dos bancos da faculdade. Ao se formarem decidiram formar uma empresa para simpli-

ficar a nutrição para seus clientes. “Todos são capazes de viver bem, alimentando-se de forma saudável”, sentencia Daniela. Serviço: Telefone/WhatsApp: (61) 98287-0095 Site: https://www.levedescomplica.com/

Quatro trechos de ruas da cidade passam por obras de drenagem e pavimentação em um investimento que soma R$ 463 milhões, com recursos do DF e da União. Ao todo, serão feitos 185 quilômetros de drenagem pluvial e 253 quilômetros de pavimentação asfáltica em vias equivalentes a sete metros de largura, além de calçadas e meios-fios. Que obras causam transtornos, todos sabem, mas o que muitos moradores reclamam é da falta de informações sobre o andamento. Diante disso e em tempos de internet, o administrador aderiu às redes sociais para tentar alcançar um público maior. WHATSAPP – Para tentar amenizar a situação, Charles Guerreiro, enviou mensagem para grupos de síndicos e lideranças comunitárias. Deu detalhes sobre onde haveria interdição do trânsito e que trecho deveria ser evitado. Também escreveu que, por orientação do governador Rodrigo Rollemberg, foram adotadas várias medidas para garantir a segurança de alunos e moradores nas imediações de escolas nas áreas que estão em obras. “Transtorno hoje, qualidade de vida amanhã!”, assinalou.

PLANALTINA

ÁGUAS CLARAS

Camisinha no teatro dá bafafá

Semáforos alterados

Cena da peça teatral “O Auto da Camisinha”, apresentada no Centro de Ensino Fundamental (CEF 03) de Planaltina. A explicação sobre utilizar o preservativo masculino foi filmada e provocou grande polêmica no plenário da Câmara Legislativa. Mas a moção de repúdio à apresentação do espetáculo em escolas públicas de todo o Distrito Federal foi aprovada

pelos distritais por nove votos a oito. Sandra Faraj (PR), Rodrigo Delmasso (PRB), Julio Cesar (PRB) e Rafael Prudente (MDB), autores da moção, entendem que o linguajar popular de forma direta contraria o Estado da Criança e do Adolescente (ECA) por conter “encenações e músicas obscenas”. Sandra disse que “educação sexual tem de

ser feita por pessoas capacitadas”. Chico Vigilante (PT) defendeu: “Não sei o porquê de tanto conflito agora. É preciso educar para evitar a gravidez indesejada e precoce, além das doenças sexualmente transmissíveis”, acentuou o líder petista. A peça foi apresentada em Planaltina dia 8 maio e a moção foi aprovada dia 22 (terça-feira).

Os cinco semáforos na saída de Águas Claras têm agora hora certa para funcionar. Segundo o Detran, operam de acordo com o fluxo de carros. Os dois principais serão ligados apenas das 23h às 9h30 e apenas o que controla o trânsito em Araucárias será ininterrupto. O esquema de funcionamento dos demais será alternado.


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Falsos mendigos aterrorizam Taguatinga

DIREITO DO CONSUMIDOR

Bandidos que se disfarçam de moradores de rua arrombam lojas uma ao lado da outra no centro Falsos moradores de rua agem livremente arrombando lojas no centro de Taguatinga. Um dia depois de arrombarem a porta um salão de cabeleireiros, na C-8, fizeram o mesmo numa joalheria ao lado (foto), na madrugada de sábado (19). O alarme impediu o roubo e câmeras de segurança registraram a ação de quatro homens que fingiam dormir na calçada. Eles conseguiram detonar a grade, mas o vigia de uma galeria do lado acionou o alarme, por volta das 5h. As imagens mostram que os quatro, quando passava um carro pela rua, enrolavam-se em cobertores e faziam de conta que estavam se agasalhando. Um dos cobertores foi abandonado na fuga. A quebra da grade fez estourar três vitrines. A gerente da joalheria, que não quis ser identificada, disse que a manchete do Brasília Capital na edição passada – Falsos moradores de rua apavoram Taguatinga – “está correta porque as imagens mostram que são pessoas que fingem apenas dormir na calçada”. A polícia foi chamada, uma ocorrência registrada, mas, de acordo com a gerente, a situação é insustentável. E no seu caso, tudo parou na ocorrência policial. O arrombamento do Salão C-8 ocorreu na madrugada de sexta-feira (18), por volta das 4h30. Um vigilante da mesma galeria que deu o alarme no caso da PHC Joias, foi o responsável para espantar os falsos mendigos. Assustados, eles roubaram R$ 112 que estavam no caixa. Quem trabalha no salão acredita que os bandidos tentariam passar para outros estabelecimentos no mesmo prédio e que não o fizeram por causa do movimento de fregueses numa lanchonete próxima. A estratégia dos falsos mendigos é conhecida da Polícia Militar. Antes das imagens da PHC Joias, o comandante do 2º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento da cidade-satélite, major Elias Costa, disse ao Brasília Capital que câmeras de monitoramento da própria polícia já registraram a estratégia dos bandidos. “Eles ficam sob as marquises, aparentemente dormindo sobre papelões e debaixo de cobertores, e entram em ação de madrugada, quando as ruas estão praticamente desertas”, narrou o major Elias. O que ele disse foi registrado fielmente pelas câmeras da PHC Joias. Major Elias afirma que é “importante que as pessoas registrem ocorrência e comuniquem os órgãos de segurança sobre a presença dessas pessoas, que são bandidos disfarçados de moradores de rua”. Ele explica ainda que não é crime uma pessoa dormir numa calçada, mas que todos os policiais estão orientados “a abordá-los”.

Aposentados são isentos do Imposto de Renda Benefício fiscal é concedido a portadores de 16 doenças graves Os aposentados portadores de doenças graves são isentos do pagamento do Imposto de Renda. É o que prevê a Lei nº 7.713/1988 e reconhecido pela Súmula 598 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o texto do STJ, a decisão de conceder a isenção cabe ao juiz. Este poderá, inclusive, dispensar atestado médico. “É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova”, diz a Súmula 598. São 16 enfermidades consideradas graves que isentam o aposentado de pagar o Imposto de Renda. Entre elas, o mal de Parkinson, cegueira, hanseníase, cardiopatia grave,paralisia irreversível e incapacitante e tuberculose ativa. O conteúdo normativo do artigo 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal também aos

aposentados portadores de moléstia profissional, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). O benefício é concedido mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma desta, desde que constatada com base em conclusão da medicina especializada. Viveu situação semelhante? Quer tirar dúvidas sobre direito do consumidor?

Entre em contato com o Central de Defesa do Consumidor (Cedec), pelos telefones: (61) 98364-5125 - (61) 3548-9187


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MUITA FÉ (e um gole de café) Saiba por que as duas palavras, que chegam a ser um forte sentimento nacional, têm acentuação gráfica inevitável No dia 24 de maio, celebra-se o dia nacional do café – produto de extrema importância para a economia nacional (sobretudo no século XIX). O café, que faz parte da alimentação de muitos brasileiros, possui diversas significações para diferentes circunstâncias sociais: para o trabalhador, a bebida é sinônimo de uma breve pausa; para o estudante, a energia que parecia es-

tar se esvaindo; para os amigos, uma oportunidade de encontro. Para mim, amante da língua, olhar para a palavra “café” e automaticamente pensar em acentuação gráfica é inevitável. Esse vocábulo é acentuado em razão de ser uma oxítona (última sílaba tônica) terminada com E (a regra, a propósito, diz que se acentuam as oxítonas terminadas em A, E,

“Pra que esse orgulho, Doutor?” Nova princesa da Inglaterra acumula descendência africana, dividindo o cerimonial arianos de olhos azuis. Fez-me lembram o preconceito racial made in Brazil Deixando aos cuidados da Redação de nosso hebdomadário o texto noticioso do casamento do Príncipe Harry com a atriz norte-americana Meghan Markle – que, não obstante a epiderme branca e beleza física inerente a uma artista de Hollywood, além de plebéia, acumula descendência africana, alguns dos quais presentes, dividindo o cerimonial com britânicos arianos de olhos azuis –, atenho-me ao lado sen-

timental. Este sensacional evento me fez lembrar o preconceito racial made in Brazil – sem razão de ser, porque mais de 50% da população brasileira sejam de mestiços (no meu caso, tenho na mistura até sangue chinês, aliás, com muita honra) –, vale a pena lembrar os versos do samba A Banca do Distinto, do compositor Billy Blanco: “Não fala com pobre, não dá mão a preto / Não carrega embrulho / Pra que

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

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O e EM – seguidas ou não de S). Pelo mesmo motivo também são acentuadas cajá, cipó e além. Além de um gole de café diário, o brasileiro faz questão de manter em si a fé. Poucas nações do mundo conseguem nutrir tanto esse sentimento diante de tantas dificuldades. Nós temos “a arte de viver da fé”, mesmo quando, aparentemente, nada nos é confiável. A despeito da mesma sílaba, a palavra “fé” não é acentuada conforme a regra que apresentei no segundo parágrafo do texto. Este vocábulo encaixa-se em uma nova justificativa: os monossílabos tônicos terminados em A, E e O. Pela mesma razão, acentuam-se pá e só. Veja que, entre as duas regras, há uma diferença: a terminação em EM, que está presente apenas na primei-

ra. Certamente você pode se perguntar: Elias, e a palavra “têm”? Este vocábulo está em uma terceira regra, a dos acentos diferenciais. Originalmente, “tem” (3ª pessoa do singular) não possui acento; ele só é colocado para mudar o número do verbo, que passa, com o acento, a representar a terceira pessoa do plural! Então, meu querido amigo leitor, durante esta semana, dêa seu corpo café (se for a bebida do seu agrado) e abasteça a sua alma com muita fé! A combinação entre energia – para superar as dificuldades – e esperança – para acreditar em dias melhores – é capaz de mudar o mundo!

tanta pose, doutor? / Pra que esse orgulho? / A bruxa que é cega esbarra na gente / E a vida estanca. / O infarto lhe pega, doutor / E acaba essa banca. / A vaidade é assim, põe o bobo no alto / E retira a escada, / Mas fica por perto, esperando, sentada / Mais cedo ou mais tarde, ele acaba no chão. / Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco, afinal / Todo mundo é igual: quando a vida termina / Com terra por cima e na horizontal! Em contrapartida, a tradicional canção que se ouviu no casamento do Príncipe e da plebléia negra, “Stand by Me”, com Elton John(*) no grupo coral, eis a tradução das duas primeiras estrofes: “Quando a noite tiver chegado / E a Terra estiver escura / E a lua for a única luz que veremos. / Não, eu não terei medo. Não, eu não terei medo. / Desde que você fique aqui comigo! / Se o céu que vemos lá em cima / Desabar e cair / Ou as montanhas desmoronarem no mar / Eu

não chorarei. / Não, eu não derramarei uma lágrima, / Desde que você fique aqui comigo!” Embora o verso “Não, eu não derramarei uma lágrima” seja repetitivo, a emoção tomou conta das milhares de pessoas presentes, em Londres, e que não conseguiram conter a abundância das lágrimas, entoando em surdina a letra da música criada em 1960 e que já foi apresentada em todo o mundo por cantores famosos, além de Elton John, a exemplo até de uma versão cinematográfica, estrelada por Michael Jackson. (*) Elton John, que é Gay, mas nasceu num país em que não há preconceito racial e os homossexuais são respeitados, compareceu em companhia de seu marido David Furnish.

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

Fernando Pinto Jornalista e escritor


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Chico Xavier: “Escreva aí que sou zero” Tarefas aparentemente humilhantes são táticas usadas pelos Mestres para livrar os discípulos das ilusões de importância Só os iniciados entendem a frase de Chico Xavier que está no título deste texto. Ele fala da morte do ego, sem a qual não é possível o desenvolvimento espiritual. Ego, ‘iniciaticamente’ falando, é o conjunto de ilusões que dão à pessoa uma importância que ela não a tem. Por isso, o trabalho principal do Mestre é acabar com o Ego do discípulo. Assim fez Emmanuel em relação ao próprio Chico. Ao moço rico

que queria seguir Jesus, o Mestre pede que ele dê seus bens aos pobres. Ele desiste. Ao discípulo que queria ser iniciado, um Mestre ordena que ele vá limpar o banheiro, e em seguida, buscar lenha no mato. O discípulo desiste. Tarefas aparentemente humilhantes são táticas usadas pelos Mestres para eliminar curiosos e, ao mesmo tempo, livrar os discípulos das ilusões de importância. No meio es-

Nutrição para crianças e adolescentes atletas A questão atual é que nossos meninos estão sedentários e não atingem o mínimo de tempo recomendado em atividades físicas

A recomendação de exercício físico para crianças é o dobro da recomendação para adultos, isso gira em torno de 300 minutos por semana.

Não parece muito se pensarmos que isso são 60 minutos em 5 dias da semana. A questão atual é que as nossas crianças estão sedentárias, e não

pírita, o médium só recebe o mandato mediúnico após, no mínimo, dez anos de dedicação de estudo e trabalho espirituais. Ao discípulo ou médium que não se empenha para livrar-se do Ego, a queda é certa. Não há desenvolvimento espiritual sem humildade. Iniciação e desenvolvimento espirituais acontecem para que cada candidato melhore-se como ser humano e colabore com seu próximo. Ao conflito que se estabelece na caminhada, São Paulo o chamou de “bom combate”. O bom combate é entre você e você; o Ego e o Eu Real; o passado e o presente. Aos conflitos seguem-se as crises que provocam desânimo, revoltas, dúvidas e desconfianças. O desenvolvimento só é possível com ajuda de um Mestre encarnado ou desencarnado. Os Mestres são muito exigentes como o foi Emmanuel. Logo no início, alertou Chico Xa-

atingem esse mínimo recomendado. Mas temos o outro lado da moeda, que são as crianças fisicamente ativas e que muitas vezes já estão inseridas em ambientes competitivos, mesmo antes dos 12 anos, que é a idade recomendada pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte. Essas crianças e adolescentes apresentam muitas vezes frequência, tempo e intensidade de treinamento que demandam um acompanhamento nutricional e psicológico bem próximo. Crianças e adolescentes precisam de uma dieta equilibrada para praticarem esportes e

vier: “Vamos trabalhar juntos. Inicialmente quero de você três virtudes: Disciplina, disciplina e disciplina. Se algum dia eu falar algo em desacordo com Kardec e Jesus, fique com eles. Ao passar por um bêbado e baixar a cabeça para não cumprimentá-lo, Emmanuel o advertiu. Ele notou. Volte e cumprimente-o. Ao comparar-se a um verme, o repreendeu: eles já cumprem seu dever. Você já cumpre o seu? Ao chorar pela irmã internada no hospício, o chamou para uma grande visão: “O hospício sempre esteve cheio de suas irmãs e nunca te vi chorando por nenhuma delas”. “Ainda não sou o que quero ser, mas, pela graça de Deus, não sou mais quem eu fui”, ensinou São Paulo.

José Matos Professor e palestrante

terem todo seu potencial de crescimento e desenvolvimento mantido. Alimentos fontes de carboidratos são importantes para isso. Não significa doces e guloseimas, mas, sim, cereais, raízes, tubérculos... Ou seja, alimentos energéticos, in natura e feitos de forma saudável. Se seu filho pratica exercício físico com regularidade, procure um nutricionista!

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


Democratização da orla do Lago.

A gente sabe o valor que tem.

6,5 km de trilhas

interligadas às margens do Lago.

Brasília melhorando e a nossa vida também. Com as obras de infraestrutura da orla do Lago Paranoá, a população tem mais uma opção de lazer para aproveitar e curtir com a família. Os novos decks que ligam os parques Asa Delta e Península Sul ao Pontão se juntam às trilhas às margens do Lago, oferecendo um espaço acessível, seguro, organizado e repleto de opções para a prática de esportes e lazer. Ao todo, foi desobstruído 1,7 milhão de m2 em toda a orla. É mais qualidade de vida para todos.

Marina Pimentel Advogada

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Jornal Brasília Capital - Edição 364  

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