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Ordem de ingestão da comida pode influenciar dieta Página 13

Livros servem também como remédio, literalmente Ano VII - 354

Brasília, 17 a 23 de março de 2018

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Secretário de radiodifusão do MCTIC, Moisés Queiroz, terá que prestar esclarecimentos

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Página 10 - Chico Sant’Anna

Senado quer investigar concessões de rádio e TV

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

GDF: órgãos demais geram menos eficiência

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NUNAH ALLE / PSOL / DATA: 08/03/2018

Morreu a preta da maré, a negra fugida da senzala que foi sentar com “os dotô” na sala e falar de igual pra igual com “os homi”. A negra que burlou a fome de se saber, que fez crescer dentro dela, o conhecimento. Aquela, que por um momento de humanidade, sonhou com a justiça, lutou por liberdade e ousou ir mais alto, do que permitia sua cor. “Mas preta sabida, não pode! Muito menos pobre! Não tem valor.” Diziam as más línguas na multidão. E ela ousou tirar seus pés do chão. Morreu. Morreu a “preta sem noção”, que falava a verdade na cara do patrão, que carregava a coragem, como bagagem, no coração. O tiro foi certo, acertou com maldade, ecoando seco no centro da cidade. Anielli - Poeta de Volta Redonda #Mariellepresente #somosmuitasMarielles

Marielle: balas do crime saíram de Brasília Páginas 8 e 9


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 17 a 23 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

E

A R T I G O

x p e d i e n t e

Montello e seus personagens muito humanos Em seus romances, que viajam séculos pela história maranhense, heróis e antiheróis não se distinguem pela cor da camisa

Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 9 8356 1491 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com

Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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Mario Pontes (*)

Depois de anos a ler seus livros, coube-me conhecer pessoalmente Josué Montello... em tempo de guerra. Falo da guerra ideológica. Que embora antiga, então dividia a intelectualidade em dois grupos opostos. A paulatina transformação de ideias em ideologias instalara um clima de rude conflito entre intelectuais de direita e esquerda, ou tidos como tais. Os que abdicavam de pensar, transferiam suas capacidades de julgar aos autores dos novos catecismos. Tão pétreos quanto os engendrados há séculos; como eles, recheados de dogmas, exigências de que os incrédulos fossem tratados como inimigos, odiados e combatidos sem piedade. Embora conservasse o essencial de suas crenças religiosas, Montello (maranhense descendente de italianos) recusava-se a brigar por elas. E, como escritor, a permitir que contaminassem e distorcessem sua criação. Em seus romances, que viajam séculos pela história maranhense, heróis e anti-heróis não se distinguem pela cor da camisa. Suas criaturas, como acontece a 99,99% dos humanos, estão sujeitas aos caprichos da existência, são fortes hoje e fracas amanhã ou vice-versa. Isso fa-

C

nParque do Córrego do Mato Seco Uma excelente área ainda pouco degradada. O governo de Brasília diz não à preservação! Qual será o rumo certo que tanto apregoam nas propagandas institucionais? E olha que estamos às vésperas do Fórum Mundial da Água, que será realizado em uma cidade que não soube cuidar dos seus recursos hídricos e hoje se encontra com racio-

namento. Marcelo Marques, via Facebook Sobre a coluna de Chico Sant’anna, denunciando que o GDF rejeitou o pleito de 22 entidades comunitárias que reivindicaram a criação do Parque Ambiental do Córrego do Mato Seco. nReligião e suicídio Depressão é uma doença séria. A pessoa precisa ser amada e entendida, princi-

Quanto a mim, jamais o ataquei ou elogiei em vão. Por isso fomos amigos. Desinteressados, na medida em que o desinteresse é possível, e portanto verdadeiro zia dele alvo dos que ingerem com o café da manhã sua primeira e embriagadora dose de ideologia – preta ou branca, vermelha ou cor de chumbo. Não lhe perdoavam a recusa de atar seus personagens aos interesses de classe, como ditavam os figurinos ideológicos. A segui-los e julgá-los conforme as respostas de algum catecismo. Isso, insistimos, não implicava que os heróis de sua saga fossem imunes a ideias políticas ou religiosas. Elas, porém, jamais os definiriam. Um personagem digno de tal nome não traria os cabelos mo-

lhados pela água do batismo, nem o peito tatuado com a certidão de nascimento. Distingue um autêntico personagem a variada extensão da sua vida interior. O que aliás foi observado por Franklin de Oliveira em seu belo ensaio A saga romanesca de Josué Montello, há pouco reeditado, com um esclarecedor prefácio de Arlete Nogueira da Cruz, escritora maranhense que me honra com sua amizade. Os autênticos questionam e se questionam todos os dias. Catecismos e códigos de classe não regem suas mentes. São seres humanos, e como tal, pensam, agem, erram e acertam. Críticos de Montello sabiam disso. Mas como lhes faltavam argumentos para contestá-lo no plano da criação, atacavam-no por ter sido diretor desta ou daquela importante repartição pública ou – que horror! – por ter entrado para a Academia Brasileira de Letras. Quanto a mim, jamais o ataquei ou elogiei em vão. Por isso fomos amigos. Desinteressados, na medida em que o desinteresse é possível, e portanto verdadeiro.

(*) Mario Pontes, ex-editor do Caderno Livro, do Jornal do Brasil, ficcionista e tradutor de obras de ficção e ensaio. Mora no Rio.

a r t a s

palmente sem julgamentos. A vida sempre é o melhor caminho. Andreza Paz, via Facebook Sobre artigo do colunista José Matos. nSaúde agora Privatizar com fiscalização, porque quem quer trabalhar, trabalha; quem não quer, manda embora! Só assim vai acabar com esse bando de folgados do governo. Roseli Mi-

randa, via Facebook Precisamos de administradores e funcionários comprometidos com a saúde da população. Gláucia Gilmar Ferreira, via Facebook Priorizar, acima de qualquer outro atendimento, o tratamento dos pacientes com câncer. De preferência, que seja construído o hospital do câncer do DF. Humberto Lopes, via Facebook Você tem grana para pagar

uma faculdade? Não. Você tem grana para pagar colégio para seu filho? Não. Você tem grana para pagar um bom plano de saúde? Não. Qual sua opinião sobre privatização? “Tem que privatizar tudo mesmo!”. O nome disso é indigência intelectual ou masoquismo! Nathan Martins, via Facebook Sobre coluna do Dr. Gutemberg, que conclamou os leitores a fazerem denúncias e propostas de melhoria para a saúde do DF.


Brasilia Capital n Política n 3 n Brasília, 17 a 23 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

O

deputado Laerte Bessa (PR) destinou R$ 1,5 milhão em emendas parlamentares para revitalização da Feira dos Goianos. A demanda foi apresentada pelo grupo Defensores de Taguatinga. Na sexta-feira (16), Bessa se reuniu com a administradora da cidade, Karolyne Guimarães (foto), para definir a aplicação dos recursos. Os serviços serão executados pela Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, após passar pela Segeth e orçados pela Novacap.

Manifesto do PT lança Rosilene Corrêa

Pinga-Fogo

Manifesto assinado quinta-feira (15) por nove correntes internas do PT lança a pré-candidatura da diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) Rosilene Corrêa (foto) ao Governo do Distrito Federal. Diz o texto que a sindicalista “consegue dialogar nesse momento com as necessidades colocadas”, fazendo com que o partido “saia ainda maior desse processo, mais unido e mais forte nas ruas e nas urnas”.

Pré-candidato a presidente da OAB-DF, Ennio Bastos (foto) cobra atitude da instituição contra ministros do Supremo.

BERZOINI – O nome de Rosilene Corrêa voltou a ser cogitado após o anúncio, domingo (11), da desistência do ex-ministro Ricardo Berzoini (SP) de transferir seu domicílio eleitoral visando a disputa pelo Buriti neste ano. As nove tendências signatárias do documento representam ampla maioria no PT, o que torna a candidatura da

professora uma realidade palpável. NADA DE NOVO – Rosilene está viajando e retorna a Brasília domingo (18). “Só então poderei tratar do assunto”, disse a sindicalista ao Brasília Capital, sexta-feira (16). Mas assegurou que “de minha parte, não há nada de novo”. PURO SANGUE – Como o PT não trabalha com a hipótese de fazer coligações, a chapa puro-sangue pode ser formada em consenso com as correntes populares que lançaram, no início do mês, a pré-candidatura do bancário Afonso Magalhães. WASNY SENADOR – Assim, Magalhães seria o vice de Rosilene, tendo o deputado distrital Wasny de Roure na disputa pelo Senado. Tudo será definido até o dia 31, quando encerra-se o prazo para inscrição de candidaturas às prévias do partido.

Menino de Pires do Rio

Maior escândalo

Trazido de Pires do Rio (GO) no início da década de 1990 pelo ex-governador Joaquim Roriz, o lobista Fábio Simão tornou-se peça importante em vários governos do Distrito Federal desde então. Sua última atuação foi na gestão do petista Agnelo Queiroz, mesmo depois de ser investigado no âmbito do escândalo da Caixa de Pandora, junto com o ex-governador José Roberto Arruda (PR).

Sábado (17), a operação Lava Jato completa quatro anos (leia matéria na página 6). Mas o senador Roberto Requião (Foto/MDBPR) lembra que a CPI do Banestado, no início dos anos 1990, apurou um desvio superior a 19 bilhões de dólares – muito mais do que tudo que foi roubado da Petrobras.

ATAQUES – Atualmente, Simão está engajado na campanha do ex-distrital Alírio Neto (PTB) ao Buriti. Entre outras atribuições, ele tem sido frequente nos contatos com blogueiros que publicam ataques aos concorrentes do petebista. O alvo predileto deles é o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR), líder nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro.

ENGAVETADOR – Mas um detalhe faz toda a diferença: em vez de petistas, os envolvidos eram tucanos de alta plumagem e a Rede Globo. O escândalo foi abafado com ajuda do então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que tornou-se conhecido como “engavetador” geral.

O senhor apoia a reeleição do atual presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto? – Eu acredito em alternância dos poderes. Nós temos que avançar. Vamos discutir uma nova plataforma. A OAB tem que fazer uma reflexão. E quanto à direção nacional da Ordem? – Lá, é uma comissão formada a partir dos conselhos seccionais (três conselheiros por unidade da Federação) que elege o Conselho Federal. É uma eleição indireta. Somos um milhão de advogados castrados no Brasil. Ou seja, de um milhão, menos de 100 votam? – Isso mesmo. Isso provoca uma ruptura do estado de direito. Nossa instituição ficou de cócoras para o governo federal com a politização do STF. Alguns ministros não têm nem capacidade nem notoriedade jurídica para estar na mais alta Corte do País. São pessoas ligadas meramente por interesses político-partidários. Qual a sua avaliação quanto às posturas do ministro Gilmar Mendes? – É triste assistir a um ministro do Supremo ser constrangido em voos e em viagens internacionais, como ocorreu com ele em Portugal. O STF hoje não corresponde ás expectativas da população. São ministros que não podem andar na rua, por vergonha. Eles estão com medo. A Ordem tem que se posicionar. O senhor é candidato à presidência da OAB-DF? – Somos um grupo de 15 advogados com mais de dez anos de profissão que vai lançar um nome. Se convergir para o meu nome, não me furtarei. Mas não posso ser candidato de mim próprio. Temos que representar um ideal de pôr a OAB nos trilhos. Queremos uma chapa que volte o respeito à advocacia. O primeiro passo é realizar eleições diretas no Conselho Federal. Advogado tem que votar em advogado.


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Rollemberg: o governador que desconhece o seu governo

“A

primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la”. A frase, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, deveria ser um mantra para todo e qualquer governante. Porém, claramente, não é o que acontece no Distrito Federal. Mesmo três anos após assumir o Palácio do Buriti, Rodrigo Rollemberg insiste em querer ajustar a realidade de Brasília e das outras Regiões Administrativas à imaginação dele. Aqui, estamos no caminho contrário ou, no mundo fictício do GDF, “no rumo certo”. Qual? Nem o governador sabe. E isso ficou bem claro com a publicação no Diário

Oficial (DODF), no dia 7 deste mês, do Decreto nº 38.914, que permitia manter sigilosas as viagens dos chefes do Executivo e familiares. Depois de assinar o texto, arrependido (não pelo comportamento nada democrático, mas pelas críticas que recebeu), Rollemberg voltou atrás e afirmou à imprensa ter rubricado o documento sem conhecer o “teor das alterações e no que elas acarretariam”. Sim. Essas são aspas do próprio governador. O interessante, no entanto, é enxergar esse comportamento nada pontual de Rollemberg sob outro ângulo. Ou, melhor dizendo, outras áreas, para além do decreto das viagens sigilo-

sas. Assim como desconhecia o teor do texto em questão, suspeita-se, diante do caos espalhado por todo o DF, que o governador desconheça que foi eleito para governar. E, sim, com transparência. Nada de mudar as regras e querer impedir a população de saber para onde está indo o dinheiro suado dos impostos pagos. Como não tem capacidade de gestão, nem técnica nem intelectual, tudo nos leva a crer que Rollemberg realmente não sabe o que faz. Na saúde, até agora, as poucas mudanças realizadas não surtiram qualquer efeito positivo: começou com a tentativa de implantar as Organizações Sociais na ges-

tão dos hospitais públicos, criou uma fake news com a fictícia expansão da Atenção Básica, está terceirizando o Hospital de Base, com um instituto que, na prática, não aumenta a produtividade e nem amplia os atendimentos. Enquanto isso, no DF real, desconhecido pelo governador, a população pena nas filas dos hospitais, para conseguir atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e, mesmo com familiares em busca de uma saída para salvar as vidas daqueles que amam, a SES-DF despreza ações judiciais e deixa, ano a ano, centenas de pessoas sem acesso às UTIs. Só em 2017, segundo dados da

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

própria Defensoria Pública, 645 ficaram sem vaga na rede pública. E isso sem falar do assédio moral ao qual os servidores são expostos diariamente: sem as condições mínimas para trabalhar. E, como para mudar uma realidade é preciso conhecê-la, até o fim deste governo o cenário não deve melhorar. Se o governador sequer sabe o que assina, que dirá o que se passa longe do conforto do Palácio do Buriti.


(MobilizAção)

Saiba mais:

www.cl.df.gov.br

Violência doméstica. Não deixe que ela fique entre quatro paredes. Denuncie.

Quem agride a

mulher machuca toda a família.

CANAIS DE DENÚNCIA: Procuradoria Especial da Mulher da CLDF: 3348-8296 Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher: 3207-6195 Disque-Denúncia: 197 | Central de Atendimento à Mulher: 180

Agressão familiar também é violência contra a mulher. A violência contra a mulher faz mais vítimas do que você pensa. Ela está em toda parte e se revela de diversas formas. No DF, os estupros, a violência doméstica e o feminicídio não param de crescer. É por isso que a Câmara Legislativa não mede esforços para garantir os direitos da mulher, propondo e aprovando leis em sua defesa. Faça também a sua parte. Se for vítima ou testemunha de alguma ocorrência, denuncie. • IMPLEMENTAÇÃO DO BOTÃO DO PÂNICO • VAGÃO EXCLUSIVO PARA MULHERES NO METRÔ • PROCURADORIA DA MULHER DESDE 2013 • POSTOS DE TRABALHO PARA VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA • UMA DELEGACIA DA MULHER EM CADA REGIÃO ADMINISTRATIVA

Você significa tudo


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Senado investiga outorgas de TVs Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação vai convocar secretário do MCTIC para prestar esclarecimentos DIVULGAÇÃO

Wyl Villas Boas

A

Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado votará, terça-feira (20), um requerimento de convocação do secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações (MCTIC), Moiséis Queiroz Moreira, para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na distribuição de concessões de canais de rádio e televisão em todo o País. Pelo documento a ser apresentado ao colegiado, ao qual o Brasília Capital teve acesso, também serão chamados para depor a ex-secretária Vanda Jugurtha Bonna Nogueira; a representante da Fundação Guilherme Muller, Juliana Zanetti de Souza; o sócio da TV Topázio, João Lucas Alvarenga; o representante legal da empresa Emmanuel Telecomunicações, Leopoldo Dias; e o representante legal da empresa Quadrante, Mário César Degrázia. De acordo com o requerimento do CCT, há suspeitas de favorecimentos nas outorgas na gestão de Moisés Queiroz. As denúncias ocorrem desde a época da gestão de Vanda Jugurtha, exonerada do cargo em janeiro passado por suspeita de ter atuado em favor de algumas fundações e de empresas de televisão. As irregularidades atribuídas a Vanda Jugurtha teriam sido praticadas nos anos de 2016 e 2017 e, além da CCT do Senado, são também investigadas pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação

Suspeito: Moisés Queiroz garante que, se convocado, comparecerá ao Senado e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. No dia 31 de janeiro, já na gestão de Moisés Queiroz, o MCTIC publicou portarias autorizando a operação da TV Topázio em três cidades no Rio Grande do Sul: Osório, Balneário Pinhal e Tramandaí. Além destas, mais 11 cidades receberam as concessões. As outorgas foram assinadas pelo ministro Gilberto Kassab. RESPOSTAS – Procurado pelo Brasília

Capital, o MCTIC respondeu em nota que não recebeu a notificação do Senado Federal, mas que se for chamado, “o órgão prestará à Comissão de Telecomunicações do Senado os esclarecimentos solicitados pelos parlamentares”. Ainda segundo o ministério, a ex-secretária Vanda Nogueira não cumpre qualquer tarefa da pasta, nem mesmo nos bastidores. A reportagem não conseguiu contato com as demais entidades citadas na denúncia.

Lava Jato completa quatro anos Sábado (17), completa quatro anos que o Posto da Torre, no Setor Hoteleiro Sul de Brasília, deixou o anonimato para ganhar as manchetes dos jornais de todo o País. Às 6h da manhã daquela segunda-feira de março de 2014, a Polícia Federal desencadeou um esquema para desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. O alvo central era o empresário Carlos Habib Chater, dono do posto. Daí a operação ter sido batizada de Lava Jato. O que os investigadores não poderiam imaginar era que aquela apuração fosse a ponta do novelo de um dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil - há quem diga que o maior foi a Operação Macuco, que apurou lavagem de dinheiro pelo Banestado, escândalo que que envolvia políticos do PSDB. Na Lava Jato, paralelamente à prisão de Carlos Chater, foram abertas investigações de outras organizações que movimentavam recursos ilícitos. Mesmo com esses desdobramentos, o nome inicial se consagrou e é utilizado até hoje. Além de Chater, foram detidos, posteriormente, os doleiros Alberto Youssef, Nelma Kodama e Raul Henrique Srour, que formavam uma rede de lavagem de dinheiro. No decorrer das investigações descobriu-se que ela era utilizada para operacionalizar o pagamento de propinas a agentes públicos e políticos envolvendo contratos da Petrobras. Chater ficou quase três anos preso antes de ir para o regime aberto. Voltou a Brasília para ser dono novamente do posto. Procurado pelo Brasília Capital, não foi localizado no estabelecimento. (WVB)


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As ideias de um outsider Determinado a ser candidato ao Palácio do Buriti, o professor e empresário Eliseu Kadesh, de 37 anos, lança seu “pré-plano de governo” nesta entrevista ao Brasília Capital. O outsider elenca propostas nas áreas de segurança, saúde, educação, emprego, mobilidade urbana e programas sociais que ele chama de “plano de trabalho”. Filiado ao Avante, Kadesh tem até 7 de abril – seis meses antes das eleições - para decidir se irá filiar-se a outra legenda para concorrer ao pleito de outubro. Na segurança pública, suas propostas incluem o uso maciço de tecnologia com a importação de equipamento de Israel, como câmeras para localização de veículos e monitoramento de vias; criação da Guarda Distrital para auxiliar as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, que receberiam investimentos do Fundo Constitucional. Ele propõe também a valorização dos policiais Militar e Civil em suas mais urgentes necessidades, mais campanhas educativas e criativas contra o crime. Na saúde, a criação de um aplicativo para o usuário do SUS saber se há atendimento no hospital mais próximo. Para valorizar as carreiras na área, Kadesh pretende desburocratizar as contas da pasta e dar mais autonomia aos hospitais e seus funcionários; implantar o sistema de meritocracia que recompensa quem mais se dedica. Quando ele propõe desburocratização, a justificativa é a de que, com os entraves burocráticos, milhares de cidadãos ficam sem atendimento ou são mal atendidos, mesmo com o governo tendo dinheiro em caixa. Mostra também os benefícios que a população terá com as parcerias com hospitais e clínicas particulares para exames mais solicitados. Mais aplicativo para o usuário do SUS acompanhar a disponibilidade de atendimento dos hospitais e criação de novas UPAs; e fazer todas funcionarem. Na educação, promete a militarização de algumas escolas públicas, baseado na excelência do Colégio Militar de Brasília. Os resultados serão avaliados para que o programa se estenda a outras escolas. No governo de Kadesh, a rede pública oferecerá refeição diária para todos os alunos dos turnos matutino e vespertino. Para gerar emprego, ele criará o programa “Maior Aprendiz”, que consiste no incentivo para que estudantes acima de 18 anos de idade voltem à vida escolar (educação básica ou técnica) e no horário contrário participem de estágio em pequenas ou microempresas participantes do projeto. Kadesh propõe reduzir o IPVA e o IPTU para quem pagar à vista; reduzir e até isentar temporariamente de impostos as grandes empresas para virem para o DF e abram mais de 500 vagas de trabalho. Leia todas as pré-propostas no bsbcapital.com.br.

Rollemberg manda escola de Samambaia retirar mural pedagógico Governador alega que a escola estaria se utilizando da campanha do Sinpro “E agora, Rodrigo?”, mantendo a cartilha que o TJDFT havia proibido dentro dos colégios públicos Rodrigo Rollemberg (PSB), mais uma vez, recorreu à Justiça para censurar os professores, orientadores educacionais e as escolas públicas do Distrito Federal. O governador moveu uma ação no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) exigindo que a Escola Classe Guariroba, de Samambaia, retirasse um mural pedagógico que apontava problemas na capital federal. O fato ocorreu na inauguração da escola, dia 2 de março, quando esteve no local e não gostou das críticas que estavam no mural, críticas estas permitidas pela democracia brasileira. Após o Sindicato dos Professores no DF ser notificado pela Justiça, a direção da escola retirou o material do mural, em respeito à decisão da Justiça. O argumento utilizado por Rollemberg, já desconsiderado pelo TJDFT, tem sido o mesmo. Na tentativa de judicializar o mural pedagógico da Escola Classe Guariroba, o governador alegou que a escola estaria se utilizando da campanha do Sinpro “E agora, Rodrigo?”, mantendo a cartilha que o tribunal havia proibido nas dependências das escolas públicas, mas permitida nas ruas e nos meios de comunicação do DF. Em sua decisão, o Tribunal reconhece o direito dos professores e do Sinpro de fazer críticas ao governo fora do espaço da escola, decisão não aceita por Rollemberg. O departamento jurídico do Sinpro está recorrendo da primeira sentença do Tribunal de Justiça, buscando esclarecer que as críticas da campanha são justas e

fazem parte do processo democrático. Mesmo consciente de que a campanha é legal, a diretoria colegiada do Sinpro, em respeito à ordem judicial, orientou todas as escolas do DF a não utilizarem o material da cartilha nas dependências das escolas, conforme primeira sentença impetrada pelo órgão do judiciário. Em visita à Escola Classe Guariroba durante a manhã de quinta-feira (15), a diretoria colegiada do Sinpro conversou com os professores e constatou que os murais pedagógicos foram retirados. “Os murais que vimos, que o Tribunal solicitou que fossem retirados, não tinham nenhum material específico da campanha ‘E agora, Rodrigo?’. Não havia material da cartilha, cartaz, material impresso do sindicato ou produção com o slogan da campanha. O que a escola fez foi apontar os problemas que a cidade tem vivenciado, utilizando a poesia de Carlos Drummond de Andrade, uma obra pública, usada conforme as leis de direito autoral”, argumenta o diretor do Sinpro Cláudio Antunes. E ele completa: “mesmo constatando que a escola não utilizou a cartilha, os murais produzidos foram retirados”.


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Atentado contra a demo Balas que mataram vereadora e seu motorista foram compradas pela Polícia Federal de Brasília Valdeci Rodrigues

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assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), 38 anos, na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, uniu o presidente Michel Temer, PT, outros partidos, representantes de várias instâncias da sociedade na classificação do crime: um atentado à democracia. Já no dia seguinte, a linha de investigação da polícia apontava para execução. E as primeiras revelações indicam que as quatro balas que atingiram a cabeça de Marielle saíram de um lote de munição vendido à Polícia Federal de Brasília. A compra foi feita na empresa Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) no dia 29 de dezembro de 2006, com as notas fiscais número 220-821 e 220-822. Informação que potencializa ainda mais a repercussão do assassinato no Brasil e no mundo afora. Temer referiu-se a “atentado ao Estado de Direito e à democracia”. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (SC), cobrou “imediata e rigorosa apuração” do brutal assassinato que “atinge diretamente a cidadania e a democracia”. A Câmara dos Deputados criou uma comissão externa para acompanhar as investigações. No Senado, a classificação foi a mesma. “Tentaram calar 46 mil vozes e as mulheres negras, mas

não conseguiram”, disse Anielle Franco, irmã da vítima. O motorista da vereadora, Anderson Pedro Gomes, também morreu baleado. De acordo com a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, o atirador seria experiente e sabia o que estava fazendo. Os assassinos usaram uma arma 9 mm para executar o crime. Uma assessora de Marielle sobreviveu. A vereadora havia participado, no início da noite de quarta-feira, do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa. EXECUÇÃO – Como Marielle era uma parlamentar que acompanharia a intervenção militar no Rio, a repercussão de sua morte foi ainda maior na imprensa internacional. Na véspera de ser morta, ela havia postado no Twitter um desabafo sobre a criminalidade. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, questionou, referindo-se à morte de um jovem no Jacarezinho. Dias antes, Marielle também havia questionado ações truculentas da PM em Acari. Ela chamou o 41º BPM de “Batalhão da Morte”. E escreveu: “Chega de matarem nossos jovens”, “chega de esculachar a população!”. No dia de seu assassinato, as informações já davam conta de que bandidos

emparelharam ao lado do carro onde ela estava e dispararam. A polícia encontrou nove cápsulas no local. Nada foi roubado. Marielle apresentava-se como “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”. Foi a quinta mais votada nas eleições de 2016, com 46.502 votos, em sua primeira disputa eleitoral. Na Câmara de Vereadores, presidia a Comissão de Defesa da Mulher e fazia parte do grupo de quatro relatores de uma co-

missão criada em fevereiro para monitorar a intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio. Na Câmara de Vereadores, ela apresentou projeto para criar o Dossiê da Mulher Carioca, com a finalidade de colher dados sobre violência de gênero no município. Os corpos de Marielle e de Anderson foram seputados na quinta (15) sob protestos em vários estados e alguns países do mundo.

Marielle em manifestações. Um dia antes de morrer, ela havia protestado em rede social sobre a criminalidade no Rio de Janeiro. Encerrou o texto com a pergunta: “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”


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mocracia REPRODUÇÃO / FACEBOOK

VISÃO DO BRASÍLIA CAPITAL

Levam seus anéis e os dedos também! As forças reacionárias e antidemocráticas reagem de forma violenta quando se sentem perdendo terreno e apoio. Não suportam qualquer movimento que leve à alteração na ordem estabelecida. Um exemplo ocorreu em Campo Grande (MS), no mesmo dia que a vereadora Marielle e seu motorista foram covardemente assassinados no Rio de Janeiro. A professora e escritora Márcia Tiburi relatou que integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) – um dos mais ativos no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) – invadiram um evento no qual ela estava, ameaçando os participantes. Márcia postou em redes sociais que viria para Brasília e esperava ficar fora do alcance de “terroristas infantilizados”. E questionou: “Como essa turma tem esse poder todo?”. O que ocorre atualmente no Brasil assemelha-se ao que o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) descreve no Intertexto. Ele expõe de forma tristemente poética como uma pessoa termina sem nenhuma esperança. Enquanto outros eram “levados”, o indivíduo não se importava. Quando ele próprio foi levado, ninguém se importou com ele (leia abaixo). Os brasileiros precisam rapidamente perceber que o avanço contra as liberdades básicas de cada um não está sendo detido. E o que é pior: o que foi conquistado a duras penas, e com o sacrifício de muitos brasileiros, vai sendo dilapidado, de forma abrupta, cruel, criminosa. Acorda Brasil!

Intertexto

Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo. Bertolt Brecht


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viaduto que desabou no Eixo Rodoviário revelou que não só as estruturas viárias estão sucateadas, mas também a organização interna do GDF. Urge uma nova arquitetura organizacional, que torne o governo mais eficiente e com menos paralelismo e duplicidades de ações. A briga de competências entre a Novacap e o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para apontar quem é o responsável pela manutenção do viaduto não é exclusiva deles. Esta lógica de confeitaria, em que um faz a massa do bolo e outro aplica a cobertura de glacê, se repete em várias outras áreas. A Novacap abre e conserva ruas e avenidas, mas se a via ganha o título de rodovia, como a Estrada Parque Dom Bosco, no Lago Sul, ou a EPIA, a responsabilidade cai no colo do DER, que também responde pela fiscalização do trânsito. Mas se o infrator sair da rodovia e passar para uma rua interna, a responsabilidade é do Detran. A Polícia Rodoviária Militar e o Batalhão de Trânsito da PM têm responsabilidades semelhantes. Se, contudo, um PM não pertencente ao Batalhão de Trânsito se deparar com um motorista praticando ilícito, nada poderá fazer. No DF, existem vários órgãos responsáveis pela mesma tarefa. Entretanto, permanece a insatisfação do cidadão com os serviços que recebe. Por que não repassar à Novacap todas as atribuições de construir e conservar vias públicas hoje com o DER? Por que não repassar do DER ao Detran e à Polícia Rodoviária Militar todas as tarefas de fiscalização das rodovias? Por que não dar competência a todo policial de fiscalizar infrações de trânsito? Por que não transformar o DER em um Departamento de Planejamen-

Por Chico Sant’Anna

Por uma nova arquitetura para o GDF Como uma cidade planejada pode ter sua gestão tão improvisada?

Famoso traçado em forma de avião do Plano Piloto: patrimônio da Humanidade sob ameaça

to de Mobilidade Urbana? Que vá além das políticas rodoviaristas, que planeje a mobilidade urbana em seu todo, desde as ruas e avenidas, até as ciclovias, passeios públicos, metrô e VLT. METRÔ E TCB – A nova arquitetura deve agir também sobre as estatais do transporte público. A fusão Metrô-TCB daria mais eficácia às soluções de mobilidade. Assim funciona na França. A empresa que opera o metrô também cuida dos ônibus, que atuam de forma a complementar os trajetos, de levar o passageiro até seu derradei-

ro destino. Em casos de pane no metrô, a unificação permite a imediata colocação de seus ônibus para viabilizar o transporte afetado. É mais rápido, racional e otimiza estruturas administrativas. SEGURANÇA PÚBLICA – Também a segurança pública precisa ser unificada em uma única corporação, como na maioria dos países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. As estruturas paralelas geram desperdício de recursos. Onde há uma delegacia da Policia Civil, há um batalhão da

PM. Existe um delegado-chefe e um coronel. Tem tudo em dobro. A duplicidade começa na parte administrativa – dois departamentos de pessoal, dois centros de treinamento, dois departamento de compras, de manutenção de viaturas..., e por ai vai, até chegar às ações policiais e mesmo de inteligência. Sem contar as rixas corporativas, que, volta e meia, são estampadas na imprensa. GRILAGEM – A duplicidade é nociva ao cidadão. A grilagem de terras é um exemplo. Ela se beneficia desse paralelismo de

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ações. Uma tarefa é da Polícia Militar Ambiental, outra da Delegacia de Meio Ambiente, outra da Agefis, outra do Ibram e as terras griladas só aumentam. Recentemente, a PM flagrou grileiros em ação na colônia agrícola Ipê-Coqueiros. O trator que criminosamente rasgava o cerrado numa área de proteção ambiental não podia ser apreendido, pois é tarefa do Detran, que não estava no local. Os bloquetes utilizados para pavimentar ruas na área grilada não podiam ser confiscados, pois é tarefa da Agefis, que lá só chegou quase um mês depois. Fiscais do Ibram não estavam, pois não atuam em finais de semana - não há recursos para hora-extra. Assim, com tantos órgãos responsáveis por fiscalizar, nada aconteceu com os grileiros. NOVA ARQUITETURA – A nova arquitetura do GDF precisa recuperar a capacidade de inteligência e planejamento do Estado. Desde o início dos anos 2000, áreas pensantes foram extintas, terceirizadas ou tocadas por profissionais comissionados que, ao fim de cada governo, levam embora a memória dos trabalhos. Não existe mais o Instituto de Recursos Humanos – IDR, que selecionava e capacitava servidores. Desapareceu o Instituto de Planejamento Territorial e Urbano do DF. A ocupação urbana da Capital é pensada em Cingapura, pela Jurong. A quem interessa esta realidade? As políticas públicas, como Mobilidade, Urbanismo, Saúde, Segurança e Educação, devem ser pensadas como políticas de Estado, válidas para diferentes governos. Como uma cidade planejada pode ter sua gestão tão improvisada? Se o GDF não retomar sua capacidade de planejamento de médio e longo prazo ficará só nos remendos.


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RENOVAÇÃO DE CNH MAIS RIGOROSA – Os motoristas que precisarem renovar a Carteira Nacional de Habilitação, a partir de 5 junho, terão que fazer um curso teórico e uma prova, além do exame médico que já era obrigatório. O curso terá duração de 10 horas/aula e poderá ser feito presencialmente ou a distância. O teste teórico terá 30 questões e o candidato terá que acertar 70% delas, ou seja, 21 questões.

DIVULGAÇÃO

DISTRITO FEDERAL

TAGUATINGA

Depende de São Pedro

Figurinhas da Copa em alta

Sem previsão para o fim do racionamento, a Agência Reguladora de Águas do Distrito Federal estabeleceu como serão os procedimentos para decretar o fim do rodízio. A Adasa tomou para si a decisão, quando a hora chegar, de impor à Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) o dia certo para o fornecimento voltar ao normal. A diferença em relação ao início de 2017, quando o racionamento foi adotado, é que na ocasião a Caesb teria liberdade para continuar adotando o rodízio de cortes de fornecimento por tempo indeterminado. Agora, quando a Adasa decidir acabar com o racionamento, a Caesb será obrigada a cumprir a determinação imediatamente.

Greves no DF Com a greve dos servidores do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF),os brasilienses que precisarem do atendimento da autarquia deverão procurar os postos do Na Hora, que oferecem alguns dos serviços. A Justiça determinou que 80% dos funcionários do Detran voltem aos postos de trabalho. A categoria reivindica o cumprimento dos acordos firmados em 2015 com o governador Rodrigo Rollemberg: atualização do auxílio-alimentação em 10% e reajuste de 5% dos salários.

Eliel Braga mora no Mangueiral e concilia a venda de doces com três treinos diários

Lutando pelo futuro Em busca do sonho de disputar o campeonato mundial de boxe, o vendedor de balinhas Eliel Braga, de 20 anos, morador do Jardins Mangueiral, acrescentou bilhetes de rifa ao seu “card”. Eliel classificou-se em seletiva da Federação Brasileira de Boxe e agora precisa de R$ 1.200 a R$ 2.000 para viajar para Porto Rico, Espanha e Canadá, em junho e julho. Os gastos serão com a emissão de passaporte, visto e despesas com hotel e alimentação, já que a entidade bancará as passagens de avião. Cada rifa custa R$ 10 e sorteará um par de luvas de MMA (artes marciais mistas).

O atleta treina três vezes por dia durante uma hora e concilia a atividade com o serviço ambulante em ônibus coletivos. O trabalho rende, em média, R$ 50 por dia. Mas o boxeador também precisa arcar com despesas de alimentação regrada e cara para aumentar seu rendimento no esporte. Eliel luta na categoria de 52 a 57 quilos e mantém o peso neste patamar até fora do período de campeonatos. “A gente se vira como pode. Muitos atletas que lutam comigo têm que perder bastante peso antes da luta. Não ter que fazer esse sacrifício é bom para mim. Dessa forma economizo mais”, comemora.

As figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2018 chegaram às bancas na sexta-feira (16). O pacote de figurinhas será vendido por R$ 2 – um aumento de 100% em relação ao último mundial – com cinco figurinhas. O álbum tradicional será vendido a R$ 7,90, enquanto o de capa dura, com 12 envelopes de figurinha sairá por R$ 49,90. Os álbuns estarão disponíveis no dia 18 de março, de forma gratuita, através da compra de determinados jornais. O álbum separado chega às bancas no dia 20 de março. Para completar o álbum, com 682 figurinhas, o consumidor terá que desembolsar, no mínimo, R$ 274. O valor equivale a 137 pacotes de figurinhas.

Novos servidores Ainda em março, serão convocados 1.485 servidores para a saúde (295 médicos, 256 enfermeiros, 767 técnicos e 167 especialistas), 63 para a Companhia do Metropolitano do DF (MetrôDF) e 39 para o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF). O governador Rodrigo Rollemberg fez o anúncio na quarta-feira (14), durante entrevista coletiva no Palácio do Buriti.


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Carma e identidade sexual Toda pessoa que abusa do outro sexo cria um carma e pode atrair para si aquele sexo que abusou Cazuza, por meio do médium Robson Pinheiro, no livro “Faz Parte do Meu Show”, detalha suas surpresas no mundo espiritual. Doente, porque os abusos cometidos no corpo físico com álcool e drogas também adoeceram seu corpo espiritual, depois de algum tempo em regiões de sofrimento, foi retirado e conduzido para tratamento por sua avó, também desencarnada. Entre as inúmeras surpresas que de-

talha na obra, talvez a mais interessante tenha sido o fato de ter visto espíritos masculinos que iam ser transportados para países árabes para nascerem como mulheres devido ao desrespeito com os seres humanos e, em particular, com o sexo feminino. Não é a primeira vez que espíritos tratam da questão da inversão sexual por motivo de necessidade, escolha ou carma. Toda pessoa que abusa do outro se-

A ordem dos fatores altera o resultado da dieta? Podemos fazer escolhas em uma refeição de acordo com os nossos objetivos Você está querendo emagrecer? Já faz acompanhamento há algum tempo com seu nutricionista e o resultado não está satisfatório? Será que a ordem dos alimentos que estão dispostos na sua dieta faz diferença para os resultados da dieta? Vamos

tentar responder essa questão... Um estudo recente com pessoas com excesso de peso e diabetes tipo 2 – aquela que tem quadro de resistência à insulina – avaliou se os mesmos alimentos consumidos, porém em ordem diferente, poderiam alterar a resposta desses indivíduos

xo cria um carma e pode atrair para si aquele sexo que abusou. Homens renascem mulheres e vice-versa. Não é sem razão que a cada dia aumenta o número de mulheres que não aceitam o corpo, vestem-se como homens e, algumas, mudam até de sexo. Em muitos casos são os maltratadores de mulheres do passado, agora com o sexo que desprezavam. Não se trata de castigo de Deus que não castiga ninguém. Trata-se da mente culpada que atrai o sexo maltratado para aprender a valorizar a mulher. Vejamos o que diz André Luis, por meio de Chico Xavier, no livro “Ação e Reação”: “Todo mal por nós praticado conscientemente expressa, de algum modo, lesão em nossa consciência, e toda lesão determina distúrbio ou mutilação no organismo que nos exterioriza o modo de ser ( ... )

“A evolução para Deus pode ser comparada a uma viagem divina. O bem constitui sinal de passagem livre para os cimos da vida superior, enquanto o mal significa sentença de interdição (cap 19). “... quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconscientemente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus...” (cap 15).

à dieta prescrita. Essas pessoas fizeram três testes com os mesmos alimentos e nas mesmas quantidades, porém, a ordem dos alimentos mudava. No primeiro teste os alimentos fontes de carboidratos, como o pão e o suco de fruta estavam presentes no início da refeição, e somente após 10 minutos eles consumiam filé de frango com vegetais. No segundo teste, invertiam a ordem, ou seja, começavam com o frango e vegetais e ao final comiam pão com suco. No terceiro teste, consumiam os alimentos juntos, na forma de um sanduíche e tomavam o suco junto. Foi verificado que o pico de glicemia foi maior no grupo que começou

a refeição com carboidratos, bem como o pico de insulina. A grelina, que é um hormônio relacionado à sensação de fome, se manteve em níveis abaixo dos basais mesmo três horas após a refeição, apenas no grupo que começou pela refeição proteica. Interessante, não é mesmo? Isso pode nos ajudar a fazer escolhas também da ordem dos alimentos em uma refeição, de acordo com o seu objetivo. Para fazer as melhores escolhas, converse com seu nutricionista!

José Matos Professor e palestrante

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


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Educação a distância ou à distância? Caso a distância não seja especificada, não se deve usar o sinal indicativo de crase Em tempos de intensa conectividade, uma das modalidades educacionais mais usadas – e elogiadas – hodiernamente é a virtual. Apesar da pouca interação interpessoal (que também faz parte do processo de ensino e aprendizagem), poder estudar

em casa, por meio da internet, possui significativas vantagens, como a economia de tempo e dinheiro e o autogerenciamento do ritmo de estudos. Com isso, uma expressão ganhou notoriedade: educação a distância. Existe um consenso entre gra-

Reencontro com a Poesia Renovo a energia de emoções, reencontrando com a poesia, para mim tão necessária, relendo textos conhecidos Na visita que faço, periodicamente, às minhas improvisadas estantes enfiadas nas paredes daqui de casa, eis que reencontro o livro de poesias “Se o mar te trouxer”, de meu filho Cláudio Sampaio, lançado em Brasília em setembro de 2010. E renovo a energia de emoções, reencontrando com a poesia, para mim tão necessária, relendo textos conhecidos, entre os quais, dois. O primeiro, Minha Mãe:

“Todo o carinho, / Toda a força, / Toda a vontade / Emanam de Ti! Toda garra, / Toda fé, / Toda coragem / Nasceram em Ti! Para sempre, em meus sonhos, / permanecerá a Tua imagem / A me acalentar nas noites de frio / A instigar em mim desafios / A me sustentar nesse mundo perdido! Sou grato por ter vindo de Ti / Pois ainda hoje sinto, em todos os meus dias, o calor de Teu ventre / A imensurável

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410 Ligue e participe: (61) 9 9881-3086 www.opovoeopoder.com.br

máticos: caso a distância não seja especificada, não se deve usar o sinal indicativo de crase. As seguintes construções, portanto, são consideradas corretas: (1) Educação a distância. (2) Ensino a distância. (3) Atendimento a distância. (4) A mãe observava a evolução do filho a distância. Note que, nos três casos apresentados, o vocábulo “distância” foi usado em sentido genérico. A situação é um pouco diferente caso, no texto, a distância seja especificada. Se isso acontecer, o sinal indicativo de crase passar a ser obrigatório! Veja: (5) Eu estudava à distância de 300 metros da minha casa.

(6) O atendimento foi feito à distância de 15 quilômetros do acidente. (7) Há um universo de conhecimento à distância de um clique! Agora, além de conhecer mais sobre o uso da locução “a distância”, você também aprendeu um pouco mais sobre o sinal indicativo de crase! Logo, você não tem mais motivos para usar apenas a sigla EaD para designar a sua forma de estudar! Não tenha vergonha! Use – ou deixe de usar – o acento grave sem medo!

A Redação sem ti chorava / Uma Olivetti arquejava / Á espera de tua arte! Seja bem-vindo, antigo Rei / Nesse seu trono de verdade / Nesse seu trono sem vaidade!”

ção do Correio Braziliense, depois de aposentado. Ei-lo: “Que alegria! / Hoje é dia de celebração: / Está de volta o craque do amor! A palavra volta a ser humana / O concreto ganha sentido, / Um fato simples se faz elegia! A dureza do trabalho vira a notícia do novo dia / E um relato vira imortal! O suor converte em lágrima, / A pesquisa em transformação / Sempre forjada em emoção! E o Repórter com ardor / Em fatos de insensatez / E no perfil do trovador! A Redação sem ti chorava / Uma Olivetti arquejava / Á espera de tua arte! Seja bem-vindo, antigo Rei / Nesse seu trono de verdade / Nesse seu trono sem vaidade!”

força de Teu amor, / O poder de tuas preces iluminando o meu caminho! Portanto, eu nunca terei medo. / Estaremos sempre juntos, pelo sangue e pelo amor / Mais ainda, entretanto, porque sempre quando eu acordar / E me olhar no espelho, me sentirei confortado / Ao saber que os teus olhos verdes viverão eternamente dentro dos meus!” E o segundo, Amor ao Concreto, inspirado no meu retorno à Reda-

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

Fernando Pinto Jornalista e escritor


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Valdeci Rodrigues

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projeto Uni duni Ler Todas as Letras está viabilizando a 5º edição do Festival Itinerante de Leitura (FIL), um evento anual que tem como finalidade difundir toda a amplitude do ato de ler. Na definição de sua criadora e coordenadora, a jornalista e escritora Alessandra Pontes Roscoe, o objetivo é mostrar que o texto escrito não é apenas fonte de prazer e conhecimento. Pode ser utilizado também como terapia e estimulante de várias capacidades individuais. São ganhos ao alcance de todos, independentemente de idade, frisa Alessandra. Tendo a emoção como fio condutor de saborosas histórias, os livros servem para estimular memória em idosos e percepção sensorial em bebês ou deficientes visuais. Tudo isso num clima prazeroso, entre brincadeiras e música com as crianças e a família. Este é o foco do FIL, uma das muitas atividades do Uni duni Ler Todas as Letras. O próprio Uni duni Ler já tem como finalidade o incentivo à leitura destinada a bebês, idosos, portadores de necessidades especiais, hospitalizados ou em situação de vulnerabilidade social. Há ainda leituras públicas, rodas de histórias, cantigas, textos lidos de forma sensorial e formação de mediadores. Há sempre a participação de escritores, ilustradores, mediadores no ato de ler, contadores de história e músico, por exemplo. TUDO PRONTO – “O festival está pré-aprovado”, comunicou Alessandra ao Brasília Capital. Ela espera que esta

Linhas que iluminam o futuro Festival Itinerante de Leitura chega à 5ª edição mostrando a potencialidade das letras em todas as fases da vida

res na primeira infância na América Latina e Caribe. “Mais do que leitora solitária e escritora, hoje me sinto mediadora de leituras. Quero partilhar com o maior número de pessoas possível as maravilhas que vivencio com um livro nas mãos”, afirma Alessandra. Ela começou na literatura em 1998. De leitora foi para “mediadora de leituras”, nome que dá a uma contadora de histórias. Naquele ano, criou oficinas para grávidas, cada uma chamada de Aletramento Materno, em referência à amamentação e às letras.

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Alessandra diz que deseja compartilhar com todos as maravilhas que vivencia parte burocrática esteja resolvida até o final deste mês. “E aí estou com tudo certo. Se sair o dinheiro, já estou com tudo pronto para produzir a 5ª edição”, acrescentou. O festival apresenta ainda ações preparatórias com professores e cuidadores de idosos para capacitá-los como mediadores de leitura.

O projeto de Alessandra já recebeu reconhecimento internacional entre as melhores práticas de promoção de leitura para crianças de zero a seis anos. O prêmio veio em 2017 de um centro de incentivo à leitura ligado à Unesco, como uma das melhores práticas para ampliar o número de leito-

OBRA EXTENSA – O primeiro livro, A Menina que Pesca Estrelas, foi publicado em 2004. De lá pra cá, Alessandra publicou 33 livros, alguns com CDs de músicas autorais compostas para as histórias. Ela teve títulos selecionados em compras de governo, traduzidos para o espanhol e o inglês, e em catálogos de feiras internacionais como Bolonha e Frankfurt. Em 2013, foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria livro infantil com Caixinha de Guardar o Tempo. “Também em 2013, resolvi juntar todos os projetos que eu já realizava de incentivo à leitura e entrei no edital do Fundo de Apoio à Cultura aqui do DF com a proposta do Festival Itinerante de Leitura Uniduniler todas as letras. O projeto foi contemplado e agora em 2018 está prestes a realizar sua quinta edição”, relata. Durante a semana passada, Alessandra venceu várias etapas que a fizeram acreditar que os recursos de que necessita para o festival permitirão que o evento seja realizado no segundo semestre.


Jornal Brasília Capital 354  
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