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ENTREVISTA / WASNY DE ROURE

“Rollemberg não gosta de servidor público” Deputado diz que, para o governador, dinheiro gasto com o funcionalismo são recursos jogados na lata do lixo Ano VII - 351

Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018

Páginas 8 e 9 ROGACIANO JOSÉ

Projeto para eleição de administrador regional é

ENGANAÇÃO A proposta enviada pelo governo para a Câmara Legislativa pode transformar em pesadelo o sonho dos moradores das cidades do DF de eleger seus representantes. Sem autonomia financeira, eles virariam reféns do governante de plantão. As consequências seriam danosas para a população Chico Sant’Anna – Página 10

FOTOS: ANTÔNIO SABINO

União para resgatar a saúde pública É o que os médicos Dr. Gutemberg e Frejat prometem para conquistar os eleitores Página 5

Descaso administrativo. Vidas em risco Passarela na Estrutural simboliza a deterioração de equipamentos públicos importantes para a população do DF / Página 12

O passo a passo da redação discursiva Elias Santana – Página 14


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

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E D I T O R I A L

x p e d i e n t e

Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 99139-3991 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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Turbulências no Buriti

Governo de Brasília enfrenta novas turbulências. Uma veio do descaso de várias outras administrações anteriores, culminando com o catastrófico desabamento do viaduto no Eixão Sul, sobre a Galeria dos Estados, que, afortunadamente, não fez vítimas. Outra, surge da intenção de fazer de conta que Rollemberg está cumprindo uma de suas mais caras promessas de campanha: a eleição direta para administradores regionais. À imagem horripilante de parte de famosa via despencada sobre carros e um restaurante, soma-se agora o jogo de empurra dentro do GDF. Nenhum órgão quer assumir a responsabilidade pela falta de conservação de obras e monumentos históricos da cidade. Então, nada mais natural do que a entrada em cena da Câmara Legislativa, onde surgem movimentações para se instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o porquê e quem são os responsáveis por tamanho desastre. O cenário para mais um embate entre as forças políticas a favor e contra o governador está armado. Embora haja a possibilidade de utilização do argumento de

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nAtaque de hacker Uma coisa é certa: Quando um veículo de mídia sofre algum tipo de ataque é porque há pessoas ou grupos supostamente contrários à veiculação livre de notícias. Todo apoio e solidariedade ao Brasília Capital e à sua missão de informar a sociedade brasiliense dos fatos da nossa cidade. Éder Rodrigues, via Facebook

Se tenta derrubar é porque de pé faz estrago! Claudenilson Carvalho, via Facebook Derrubaram porque vocês são competentes! Lúcia Irene, via WhatsApp Nossa, mas ficou fora duas semanas? Graças a Deus não perdeu conteúdo. Paulo Mendes, via WhatsApp São bandidos mesmo. Deve ter sido algum desses bandidos que não têm com-

Quando as autoridades negam responsabilidade com a gestão pública, o que resta a fazer? que o descaso com a manutenção de pontes, viadutos etc. seja uma constante durante vários anos e governos, o atual tem sua parcela de responsabilidade. O jogo de empurra entre órgãos do GDF brigando entre si, você lê na página 4 da presente edição. Quando as autoridades negam responsabilidade com a gestão pública, o que resta a fazer? Um exemplo: o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PPS) diz que o viaduto “já estava na lista de alerta da Defesa Civil”. Então, por que nada foi feito? No caso da embromação, que também gera polêmica no Legislativo, está o projeto gestado por Rollemberg que prevê eleição direta para os administradores regionais sem antes fazer os devidos ajustes, como expõe de forma

clara o colunista Chico Sant’Anna, na página 10. Além do que precisa ser providenciado antes, ele traça um histórico mostrando em que se transformaram esses órgãos do GDF: no geral, são cabides de emprego de aliados políticos do governador e de parlamentares de sua base aliada. O colunista chega a chamar a proposta de “cortina de fumaça” porque não resolveria de melhor forma os problemas nas administrações, nem daria os mecanismos necessários à democracia direta – que ele defende – para que ela seja de fato exercida. Para salientar o que considera apenas jogo de cena, Chico Sant’Anna ressalta que, do jeito como está o projeto, sequer cumpre aquela promessa específica da campanha de Rollemberg. Na verdade, estas são apenas mais duas das turbulências que pairam sobre o Buriti. As outras são constantes e provocam desespero em todos os moradores do Distrito Federal: falta de segurança, educação, saúde mobilidade etc. – aquela lista principal de promessas de todo candidato em campanha. Além de enfrentar tantas deficiências administrativas, a população precisa conviver com polêmicas como as que expomos neste Editorial.

a r t a s

promisso com a verdade. Voltem com força total! Paulo Sérgio, via WhatsApp O jornal está cada dia melhor. A edição dessa semana ficou top. Muito conteúdo. Continuem na luta! Jamil Lessa, via WhatsApp É porque o jornal está incomodando... Sérgio Luis, via WhatsApp Após o site www.bsbcapital.com.br ficar mais de

duas semanas fora do ar devido a ataque de hacker, os leitores enviaram mensagens de apoio ao jornal. N.R.: Nosso compromisso é com o público. Com certeza seguiremos na luta. Doa a quem doer! nDPU Parabéns! O Brasília Capital conseguiu traduzir

para a linguagem popular (inteligível) o que nós relatamos. Obrigado pelo apoio do jornal. Gilmar Menezes, Defensor Público da União, via whatsapp Sobre matéria do repórter Valdeci Rodrigues mostrando que órgãos dos governos distrital e federal não cumprem decisões judiciais que favorecem pessoas de baixa renda, mesmo com a assistência da DPU.


Brasilia Capital n Política n 3 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

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Movimento Taguatinga Unida apresentou quinta-feira (22), no auditório da Associação Comercial (Acit) oito pré-candidatos da comunidade para as eleições de outubro. Entre os cotados para assumir uma cadeira no Legislativo

com as bandeiras de Taguatinga estão Jefferson Motta (PT), Deusdete Benevides (PP), Maria Caroline (sem partido), Beto Ribeiro (PPL), Adilson Nunes (Rede), Justo Magalhães (Rede), Lúcia Bessa (PDT) e Marta Lima (sem partido).

REPRODUÇÃO

Filippelli na Câmara

JULIO PONTES

Tadeu Filippelli (MDB) já decidiu: vai mesmo disputar uma vaga de deputado federal nas próximas eleições. Com isso, a candidatura unificada da oposição ao Buriti deve ficar entre Jofran Frejat (PR) e o deputado Alberto Fraga (DEM). ALÍRIO E IZALCI – Os outros dois pretendentes – Alírio Neto (PTB) e Izalci Lucas (PSDB) – estão de olho na vaga de vice. Afinal, para isso não precisariam correr dos votos que aparentemente não têm, de acordo com as pesquisas eleitorais. LIMINAR – O maior problema do grupo continua sendo o ex-governador José Roberto Arruda (PR), que ainda sonha conseguir uma liminar na Justiça para concorrer ao GDF. É a terceira vez que ele vai tentar a manobra. Nas duas primeiras, fracassou.

DIVULGAÇÃO

Buzinaço O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-DF) fez uma ação em frente à sede da PCDF na quinta-feira (22) propondo, em faixas afixadas às margens da pista, que os motoristas insatisfeitos com o governador acionassem a buzina: “Se reprova o gov. Rollemberg, buzine!” (foto da direita.). O barulho era ensurdecedor...

RETRUCOU – O Brasília Capital filmou e publicou no Instagram (@brasiliacapital) um vídeo mostrando as faixas e o barulho das buzinas. E abriu enquete com a pergunta “Você buzinaria?”. O perfil do partido do governador (@psb.df) respondeu pela rede social com a foto da placa “Senhores visitantes, em Brasília evitamos buzinar” (foto da esquerda). RESULTADOS – O vídeo ficou 24h no ar. 82% dos internautas disseram que sim, buzinariam. 125 pessoas participaram da enquete.

Fantasmas da Fecomércio

PO no SD Num encontro com o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), e com o comandante da legenda no DF, deputado Augusto Carvalho, ficou praticamente fechada a filiação do ex-vice-governador Paulo Octávio (foto) ao partido. PO já comunicou sua saída do PP ao presidente local Rôney Nemer. SENADO – O ingresso de PO no SD sinaliza que ele pode disputar uma vaga no Senado, uma vez que Augusto Carvalho tende a buscar a reeleição à Câmara Federal. A outra possibilidade é que ele saia para deputado federal e Carvalho saia para distrital. Certo mesmo é que PO chegaria para presidir o SD no DF.

O presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, foi preso preventivamente sexta-feira (23), por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e de ser integrante de organização criminosa. Entre os desvios investigados em desdobramento da Operação Lava Jato está a contratação de funcionários fantasmas pelo Sesc e pelo Senac. Um exemplo seria uma chef de cozinha do Palácio Guanabara e uma governanta do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso e condenado. O número exato de fantasmas não foi divulgado, mas pelo menos um deles esteve na folha de pagamento do Sesc/Senac até 2017. VAIAS – Na saída do prédio onde mora no Leblon, Orlando Diniz foi vaiado e ouviu gritos de vizinhos chamando-o de ladrão. De acordo com a investigação, as contratações fantasmas foram feitas a pedido de Sérgio Cabral e auxiliaram o ex-governador a aumentar a propina que era distribuída aos seus operadores e parentes. O esquema movimentou R$ 7,5 milhões. Orlando Diniz presidia o Sesc-Rio até dezembro, quando foi afastado pelo STJ. De acordo com os investigadores, ele continuava usando sua influência para atrapalhar a gestão atual, tentar ocultar documentos e sabotar reuniões do Sesc/Senac a fim de prejudicar as investigações.

MPF: pena de Lula é legal O Ministério Público Federal (MPF) não considera ilegal o cumprimento da pena provisória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). QUINTA TURMA – A manifestação foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) após a decisão monocrática do vice-presidente da Corte, ministro Humberto Martins, que não recebeu o habeas-corpus preventivo solicitado pela defesa do petista. O caso agora será julgado pela Quinta Turma, sob relatoria do ministro Félix Fischer.


Brasília Capital n Política n 4 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL

Rollemberg não consegue barrar campanha feita pelo Sinpro

Estopim: a queda do viaduto sobre a Galeria dos Estados desencadeou uma crise interna no GDF e na relação do Buriti com a Câmara Legislativa

Jogo de empurra Queda do viaduto no Eixão abre crise no governo, pode provocar CPI e autoridades negam responsabilidade

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queda do viaduto no Eixão Sul foi só o estopim de uma crise política no Governo de Brasília, em ano eleitoral, e para acentuar o desgaste do Buriti com o Legislativo. Parlamentares da oposição estudam criar uma CPI para investigar de quem é a culpa pelo desmoronamento, como indicaram em audiência pública na quinta-feira (22). O GDF aponta culpa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que, por sua vez, culpa a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Principal ator da trama, o ex-diretor do DER, Henrique Luduvice, demitido um dia após a queda do viaduto, eximiu-se da culpa e evitou atribuí-la ao governador Rodrigo Rollemberg, seu primo. Entretanto, afirmou que, durante os três anos em que dirigiu a autarquia, não dispunha de

verba para reformar a estrutura e que teria firmado um acordo com a Novacap. O combinado seria o DER ficar responsável pelas obras do Trevo de Triagem Norte e a Novacap se concentraria na área central. Em sua defesa, Luduvice afirmou que foram investidos R$ 224 milhões, em quatro anos, para a manutenção de pontes e viadutos. Consta no Sistema de Gestão Governamental (Siggo) que o DER tinha R$ 1,2 bilhão do seu orçamento, entre 2015 e 2017, destinados à manutenção de estruturas elevadas, que, no entanto, não foram aplicados. O presidente da Novacap, Júlio César Menegoto, reagiu às acusações: “Nunca houve acertos sobre a Novacap cuidar de pontes e viadutos”. O executivo da companhia afirmou que os servidores não são responsáveis e, sim, os gestores. Na mesma linha, o atual diretor do DER, Márcio Buzar, defendeu os servidores e afirmou

que não se pode fazer deste momento um “palanque eleitoral”. PARLAMENTARES – O presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), defendeu a criação de um seminário ou grupo de trabalho para continuar as discussões iniciadas na audiência pública. Da base aliada, apenas Luzia de Paula (PSB) estava presente. Oposicionistas, como o vice-presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), Celina Leão (PPS) e Raimundo Ribeiro (PPS), foram mais enfáticos ao discutir as atribuições do governador. “O viaduto já estava na lista de alerta da Defesa Civil. Existia o recurso para manutenção, mas ela não foi executada. O governador não determinou que fosse feito o reparo naquele viaduto. Eu tenho certeza de que a responsabilidade política é do governador, que foi negligente”, disse Ribeiro.

O governador Rodrigo Rollemberg perdeu uma ação contra o Sindicato dos Professores (Sinpro), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), em que tentava impedir a veiculação da campanha “E Agora, Rodrigo?” em TV, outdoors ou qualquer outro tipo de mídia. A desembargadora Carmelita Brasil julgou extinta e mandou arquivar, quarta-feira (21), o processo onde o PSB, partido de Rollemberg, alegava que a campanha tinha por finalidade fazer propaganda eleitoral antecipada. O PSB argumentava que as críticas a Rollemberg favoreceriam “potenciais candidatos do Governo do Distrito Federal”. Entre outros motivos, a desembargadora entendeu que nenhum diretor do Sinpro é candidato, e nem o próprio governador é igualmente candidato ainda. Então, o entendimento foi de que os panfletos ou inserções não podem caracterizar propaganda eleitoral antecipada. São apenas críticas à gestão de Rollemberg. “O Sinpro levanta estas questões porque os professores estão na ponta. São eles que convivem diretamente com essa dura realidade, juntamente com estudantes e suas famílias. A intenção das nossas campanhas é mostrar as mazelas pelas quais todos estamos passando; para provocar o debate; para fazer com que o GDF se mexa e apresente soluções. Infelizmente, a solução que recebemos de Rollemberg foi mais uma tentativa de censura”, enfatiza o coordenador de imprensa do Sinpro, Cláudio Antunes. O Governo de Brasília não respondeu questionamentos feitos pelo Brasília Capital. Nem o PSB.


Brasília Capital n Política n 5 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

Dr. Gutemberg, como será essa pré-candidatura do Sr.? Quer dizer, o que a população pode esperar de um defensor do SUS-DF? – Minha defesa do SUS-DF e da saúde, de forma geral, não começou agora. Desde 2009, como presidente do SindMédico-DF, venho defendendo aquilo que é de direito da população e dos servidores da saúde: seja com o Sindicato Itinerante, com visitas a hospitais e a unidades de saúde ou nos âmbitos Legislativo e Judiciário, travando batalhas para barrar as recorrentes tentativas de desmonte do SUS-DF. O que há de diferente nesta minha pré-candidatura é este movimento, em prol do SUS, que une forças com lideranças da saúde pública do DF, como Jofran Frejat, que é médico, foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos, também já foi secretário de saúde e é hoje um dos nomes favoritos na disputa pelo Buriti. Além disso, acho importante destacar, minha luta também contempla a saúde suplementar (privada) - setor regulamentado pela Constituição de 1988 -, reconhecendo o papel importante e necessário dessa área que supre uma deficiência do Estado justamente no que tange à saúde pública. Como o Sr. avalia o governo Rollemberg, que está chegando ao último ano de gestão, especialmente na área da saúde? – Essa resposta está nas ruas do DF, nas falas e conversas da população. Dentro dos hospitais, o número de mortes evitáveis só aumenta. O Hospital de Base, que é o principal da rede, passou por uma mudança administrativa que não faz o menor sentido, é quase uma privatização. As UPA’s e Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) estão com déficit de médicos e outros profissio-

S.O.S SUS Frejat e Dr. Gutemberg se unem para resgatar a saúde do DF

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os 53 anos, Gutemberg Fialho, mais conhecido como Dr. Gutemberg, é médico ginecologista e do trabalho, e também advogado. Presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF) desde 2009, hoje é, reconhecidamente, um dos principais críticos do governo

Rollemberg: especialmente no que diz respeito à saúde pública da capital federal. Na quarta-feira (21), filou-se ao Partido da República (PR) para lançar, oficialmente, sua pré-candidatura em parceria com Jofran Frejat, também médico, defensor do SUS-DF e um dos nomes favoritos na disputa pelo GDF, segundo pesquisas recentes. PR-DF

Amizade: médicos, Dr. Gutemberg e Frejat trabalham para resgatar a saúde do DF

Filiação: Dr. Gutemberg ingressa no PR

nais da saúde. Quer dizer, passamos os últimos três anos brigando contra tudo isso. E, ainda assim, a atual gestão se comporta como um paciente

“A atual gestão se comporta como um paciente em estado de negação – tem uma doença grave e não aceita o diagnóstico e ainda busca o ‘curandeirismo’ como alternativa”

em estado de negação – tem uma doença grave e não aceita o diagnóstico e ainda busca o “curandeirismo” como alternativa.

Neste cenário, o Sr. acredita que a saúde pública do DF tem recuperação? – Sou otimista. Aposto que vamos dar a volta por cima. O governo de

Rollemberg chegará ao seu fim com o resultado que sairá das urnas em outubro. E, com isso, tenho certeza, conseguiremos reerguer o SUS-DF e fazer dele, novamente, um exemplo para todo o país, como já foi um dia. A população não aguenta mais contar apenas com a fé e a esperança. A gente vê isso diariamente na porta dos hospitais. Os pedidos de ajuda, de socorro. Por isso, o único caminho é o resgate do SUS-DF. E assim faremos, em parceria com Frejat que, tenho certeza, irá concentrar todos os esforços nessa meta. E quais são as propostas para resgatar o SUS-DF? – Obviamente, o que não foi feito nos últimos anos: enxergar a saúde pública como investimento e não gasto. Dentro desse prisma, o primeiro passo, claro, é apoiar representantes com real compromisso com a saúde. Depois, corrigir as políticas públicas equivocadas para a área, aumentar a oferta de serviços e da qualidade no atendimento, investir na valorização dos servidores públicos e buscar implementar um processo permanente de auditoria nos processos de trabalho para a otimização, eficiência e eficácia dos serviços, o que resultará em benefícios reais para a população. Diante de todo este cenário do qual acabamos de falar, o que o Sr. espera de 2018? – É mais um ano de lutas. Temos que ficar alertas e sermos atuantes, pois o atual governador vai fazer de tudo para tentar a reeleição, o que, para todos nós, moradores do DF, seria um desastre. As mudanças, tanto no cenário local quanto no nacional, dependem de mobilização e engajamento. É importante, por isso, assumirmos o protagonismo das nossas decisões e não deixar que o caos permaneça e siga adiante. Temos que estar atentos e conscientes para fazer escolhas. Está em nossas mãos.


Brasília Capital n Política n 6 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

Caro leitor, Sofremos um ataque de hacker. Fomos alvo de concorrentes desinteressados em disputar o leitor de forma honesta, com informação correta e exclusiva. Mesmo pedindo desculpas pelo uso de termos técnicos – necessários neste caso –, vamos contextualizar o ocorrido para explicar como o Brasília Capital tornou-se vítima de criminosos virtuais. A Direção

Brasília Capital sofre ataque de hacker Vítima de criminosos virtuais, portal que ficou quinze dias fora do ar já está funcionando sem a perda de conteúdos publicados

O

site bsbcapital. com.br está no ar desde março de 2010 e aumenta a audiência a cada mês. Em junho de 2016 modernizamos a plataforma e passamos a produzir conteúdos exclusivamente para o veículo virtual e fortalecemos o trabalho em redes sociais. Além disso, contratamos um servidor exclusivo para hospedar o site – o que confirma que o ataque foi direcionado e proposital. A partir de setembro do ano passado treinamos toda a equipe de redação para que os textos, legendas e imagens ficassem melhor posicionados organicamente nos sites de buscas, como o Google. Isto aumentou consideravelmente o número de visitas e fez crescer o olho dos invejosos. As reportagens cada vez mais “quentes” e exclusivas são dolorosas para alguns. Mas nosso compromisso sempre foi, é e continuará sendo com o leitor. Jamais omitimos informações internas, como é praxe de veículos de comunicação. Por isso, fazemos aqui uma retrospectiva do ataque mal sucedido - que tentou nos tirar do ar.

Saiba Mais DDoS (ataque de negação de serviço, na sigal em inglês) tem como objetivo tornar um servidor indisponível ao sobrecarregar a largura da banda do servidor ou fazendo uso dos seus recursos até

que estes se esgotem. Durante um ataque DDoS, o atacante destina vários IPs de zombies que enviam dados simultaneamente a partir de vários pontos da internet - os hosts. A intensidade deste “fogo cruzado” torna o serviço da vítima instável ou indisponível.

No dia 5 de fevereiro de 2018 recebemos um alerta do Jetpack (software utilizado para monitorar o site) de que o portal havia caído (saído do ar) por sobrecarga. Desconfiando de um ataque DDoS (leia Saiba Mais), instalamos imediatamente no servidor um software de segurança, e o site voltou a funcionar normalmente. No dia 9, recebemos um alerta de integridade de que a entrevista com o Professor João Carlos Teatini, sobre queda do viaduto do Eixão Sul, havia sido alterada. Fizemos uma varredura com antivírus e alguns testes de funcionamento: nada foi encontrado. No dia 10 de fevereiro (sábado de Carnaval), nossa equipe foi alertada novamente de que o site estava com Erros 403. Isso acontece quando um software instalado bloqueia um usuário por segurança. Reiniciamos o servidor e nada voltou ao normal porque alguns arquivos estavam corrompidos (destruídos). Na tentativa de resgatar os arquivos, fizemos uma restauração do site para o dia anterior, o que chamamos de Snapshot Restore. Sem sucesso. Depois de mais de um dia fora do ar e o servidor ainda com problemas, tomamos a decisão de mudar de servidor e restaurar o backup que tínhamos localmente para evitar que o site ficasse por mais tempo off-line. Por este motivo o site ficou com o layout e notícias de anos atrás. Como o banco de dados é muito grande, demorou alguns dias até a página inicial voltar ao normal. Somente no dia 21 de fevereiro, dezesseis dias após o primeiro ataque, tivemos uma boa notícia: tudo voltou ao normal e 90% dos dados publicados durante todos esses anos estão intactos.


Brasília Capital n Política n 7 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

Comércio escolhe seus representantes Sindicatos ligados ao comércio se mobilizam para eleger suas novas diretorias. Dali sairão os delegados que votarão na disputa pela presidência da Fecomércio, onde Adelmir Santana deve ser reconduzido ao cargo

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s 26 sindicatos filiados à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal que têm direito a voto – o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhobar) não está habilitado a votar – estão realizando eleições desde o dia 10 de janeiro para renovar suas diretorias. O processo vai até 5 de março em todas as entidades. Os eleitos formarão a base que escolherá no dia 21 de maio a diretoria da Fecomércio-DF para o quadriênio 2018/2022. O prazo para as inscrições das candidaturas à federação

ANDRÉ BORGES / AGÊNCIA BRASÍLIA

ainda não foi aberto. O Brasília Capital perguntou a 13 presidentes de sindicatos se apoiam a reeleição do atual presidente da Fecomércio, Adelmir Santana. Dez deles disseram que sim, dois estão indecisos. Apenas o presidente do Sindicato dos Condomínios Residenciais e Comerciais (Sindicondomínio), José Geraldo Dias, se manifestou contrário. “Não conheço nenhuma candidatura, porque ainda não foram apresentadas. Mas, independentemente do candidato, vou pela renovação”, afirmou. Santana ocupa o posto há 17 anos. Se for reconduzido, ficará pelo menos 21 anos à frente da

“Não sei se serei candidato. Não sou bobo de me lançar candidato sem saber quem são os eleitores” Adelmir Santana

Fecomércio. Mas ele não se declara candidato. “Nós não chegamos a esse momento. Não sei se serei candidato. Não sou bobo de me lançar candidato sem saber quem são os eleitores. Neste instante, estamos vivendo o momento das eleições sindicais”, disse. Seis entidades ainda não escolheram suas novas diretorias. Os nomes da oposição ainda não são conhecidos. Os estatutos das entidades representantes do comércio não prevêem nenhuma proibição para reeleições. O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antônio Oliveira Santos, por exemplo, está no posto desde 1980.


Brasília Capital n Política n 8 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

Desde o primeiro dia de sua gestão, o governador Rodrigo Rollemberg afirma ter recebido uma herança maldita do PT. O senhor considera justa essa acusação? – Eu não posso responder por nenhum ato de violação do interesse público. Isso quem responderá serão as provas e os testemunhos de eventuais irregularidades cometidas por esse ou por aquele. Mas o PT não deixou nada de positivo para o seu sucessor? – É injusto não reconhecer projetos como o BRT Transporte, o Programa de Creches, a Fábrica Social, o Programa de Boleiros, resgate do aeroporto com a viabilização da redução de alíquotas no querosene. Tivemos muitos projetos na área social que caracterizaram enormemente o governo Agnelo Queiroz. Rollemberg exalta também não ter cedido ao corporativismo dos sindicatos. O governo do PT foi irresponsável nesse aspecto, concedendo aumentos sem a necessária provisão de recursos? – Convocamos 36 mil novos servidores concursados e fizemos um processo de recuperação dos salários dos servidores públicos de uma maneira generalizada, exceto a Polícia Civil, que é paga pela União. Diante disso, cresceu-se a folha de pagamento. O governo Rollemberg não tem simpatia por servidor porque acha que dinheiro gasto com servidor é dinheiro jogado na lata do lixo. Portanto, entende que os reajustes concedidos pelo Agnelo teriam desequilibrado o caixa do governo. Só que ele esquece de dizer que foi o mesmo governo Rollemberg que utilizou dos recursos previdenciários, que hoje remontam

ENTREVISTA / WASNY DE ROURE

“Rollemberg não gosta de servidor público” Petista afirma que o governador acha que dinheiro gasto com o funcionalismo é dinheiro jogado na lata do lixo Orlando Pontes

Pré-candidato ao Senado, o deputado distrital Wasny de Roure (PT) acredita que o governador Rodrigo Rollemberg não ficará isento das suspeitas de irregularidades em sua gestão, como ele tem ressaltado. Para o petista, todo governo faz o discurso da idoneidade até perder o controle do Estado. “Depois que perde esse controle é que aparecem as coisas”. Nesta entrevista ao Brasília Capital, Wasny avalia que o governador não gosta de servidor público. “O Rollemberg não tem simpatia por servidor, porque acha que dinheiro gasto com servidor é dinheiro jogado na lata do lixo”.

mais de R$ 5 bilhões, que fez com que ele conduzisse o seu governo. Foi Agnelo que criou esse fundo? – Agnelo entregou o fundo do Iprev com mais de R$ 2,5 bilhões. E o atual governador utilizou e desviou esse dinheiro para outra finalidade, que não a previdência dos servidores, principalmente, aqueles que chegaram a partir de 2007. O governador tem dito que ele é o único dos últimos governantes que não se envolveu em escândalo. O senhor acredita que ele poderá afirmar isso quando encerrar o mandato? – Todo governo diz isso até perder o controle do Estado.

“O mesmo Judiciário que é tão rigoroso no trato do processo do Lula é negligente nos processos do Temer, do Geddel, do Moreira Franco e de muitos outros que compõem Planalto”

Depois que perde esse controle é que aparecem as coisas. Eu, particularmente, tenho por ele um respeito enorme quanto a esse perfil. Mas o governo não é só ele. Ele não tem o controle e não conhece o próprio governo dele. Um governo que, inclusive, imputa ao presidente do DER uma coisa que não era de responsabilidade dele para aliviar a outra. Há de indagar qual é, de fato, a seriedade desse governo. O senhor se refere à queda do viaduto da Galeria dos Estados? – Sim. Todos sabem que o contrato e a licitação eram da Novacap. Aí tira dela para imputar a uma pessoa que tem relação de parentesco com

o governador não se sabe com qual objetivo. É difícil de entender. O senhor vê algum tipo de desrespeito na relação de Rollemberg com os servidores? – Basta ver a atitude de outros governantes do PSB com os servidores, como o Miguel Arraes e o Eduardo Campos. O trato histórico sempre foi outro, de um partido socialista. A prática de partido socialista com quem cuida do Estado é uma prática diferenciada pelo papel que o Estado tem na qualidade de vida da população e o trabalho de mitigação dos efeitos perversos com a população mais pobre. Como o senhor classifica o tratamento do gover-


Brasília Capital n Política n 9 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

FOTOS: ROGACIANO JOSÉ

la envergadura política que isso terá no país. Portanto, este evento aconteceu porque já tinha sido trabalhado por muitos atores.

“Todo governo diz que é honesto até perder o controle do Estado. Depois que perde esse controle é que aparecem as coisas. Mas o governo não é só ele. Ele não tem o controle e não conhece o próprio governo dele”

nador com os servidores? – Dentro da visão dos capitalistas neoliberais. Basta ver os parceiros que ele tem construído. Os aliados dele dão o perfil político-ideológico que ele pretende dar ao governo. Eu não vislumbro que ele, de fato, tenha o perfil socialista. Esse discurso de “governo limpo” será suficiente para reverter os altos índices de rejeição e reeleger Rollemberg? – Trata-se de definir que tipo de cidade nós queremos: uma cidade para a elite ou para o povo? O que ocorreu com essa política de demolição que o Rollemberg fez, achando que estava construindo um Estado-cidadão? O que ele fez foi inchar, em várias partes do DF, aglome-

Mas será um momento importante para Brasília... – Sem dúvida. Não sou daqueles que apostam na terra arrasada. Reconheço que esse governo também enfrentou uma queda da atividade econômica. A arrecadação ficou aquém. Mas essa gestão adotou algumas políticas que alimentaram a negligência arrecadatória. Tivemos políticas de perdão de dívida fiscal que desestimula o contribuinte a recolher seus tributos.

rados de população excluída, e que vão continuar excluídos se não houver uma política habitacional mais agressiva. Onde estão esses aglomerados de excluídos? – Basta visitar a expansão de Samambaia, ir a São Sebastião, conhecer setores do Recanto das Emas e de Santa Maria. Vamos conhecer essas áreas! As pessoas não entram em áreas onde existe mato acreditando que ali tem cobra. Mas tem é gente. Em Samambaia, tem várias áreas fechadas dentro do mato onde moram algumas centenas de famílias. Então, vamos parar de brincar com a população. Brasília não é só a Esplanada dos Ministérios e a W-3.

Qual a solução para isso? – Falta uma política social. Nós vivemos em uma capital que atrai as pessoas de outros estados pelas manchetes que Brasília produz Brasil afora. A capital catalisa uma população sem perspectiva. Aqui tem escola, atendimento na saúde. Então, as pessoas vêm para Brasília. Aqui, pode-se morar gratuitamente, doa-se lote... Rollemberg enfrentou a crise hídrica e em março vai realizar o Fórum Mundial da Água... – Essa foi uma conquista do governo Agnelo. Quem não lembra quando Agnelo foi ao exterior fazer os acordos para trazer esse evento? Rollemberg cancelou vários eventos previstos para Brasília, mas sobrou esse, pe-

Houve também um movimento de saída de empresas do DF... – Essa questão, eu não gosto nem de falar, porque é muito triste. Desativar a atividade comercial é uma questão não só de governo local: também envolve questões econômicas no âmbito nacional. O que não existe é um movimento que contrapõe a isso. Nos últimos meses, há um esforço do secretário de Desenvolvimento Econômico, Valdir Oliveira, de tentar retomar o crescimento econômico, de fazer alguns movimentos dignos de elogios. Só que ele chegou um pouco tarde para fazer esse trabalho. Mas, antes tarde do que nunca... O governador enviou nesta semana para a Câmara o projeto de eleições diretas para administradores regionais, que era um de seus compromissos de campanha. Qual sua avaliação? – Ele está querendo tirar o brilhantismo do projeto do deputado Chico Vigilante. Acho isso muito ruim. Ele poderia ter chamado o deputado e a Câmara para uma conversa e integrado as duas proposituras. Isso seria digno de um homem público – construir

pontes, entender que ele não é o único que tem uma contribuição importante para a cidade e que outros também convivem com essa problemática. Só que essa grandeza, infelizmente, ele não teve. Ele acha que o mundo se resume nele. Que a única pessoa capaz de pensar a cidade e ver saídas é ele. Isso é um lamentável equívoco. Qual é a sua perspectiva para 2018? O que esperar de uma eleição na qual o principal candidato, que é o Lula, talvez não possa participar? – O Lula vai continuar sendo o grande eleitor nessa campanha eleitoral. Naturalmente, o momento é muito confuso e difícil para todos nós. Não há como fazer um acerto de contas de um ciclo de gestão do PT e, a partir daí, repensar o país. Não sei como se dará isso. Vai depender de como o Supremo vai decidir se acolhe ou não a candidatura do Lula no estágio em que está o processo dele. A candidatura dele chega a 40% com tranquilidade. As outras candidaturas estão estacionadas, não conseguem crescer, convencer o eleitorado. A que o senhor atribui esse fenômeno? – É que essas outras candidaturas não conseguem ter um projeto que aponte para uma esperança. Isso é o mais duro. O Lula fez isso como presidente. Infelizmente, tivemos vários percalços que também é necessário que a gente entenda. Quais percalços? – Por exemplo, que o mesmo poder Judiciário que é tão rigoroso no trato do processo do Lula seja tão negligente nos processos do Michel Temer, do Geddel Vieira Lima, do Moreira Franco e de muitos outros que hoje compõem a linha de frente do Palácio do Planalto.


Brasília Capital n Cidades n 10 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

BENTO VIANA

Por Chico Sant’Anna

Botaram o carro à frente dos bois! Antes de se falar em eleição para administradores regionais, é necessário dar autossuficiência funcional a esses órgãos Eleger administrador é um sonho antigo de grande parcela dos brasilienses. O desejo é ter alguém mais vinculado à localidade, evitar paraquedistas e obter uma gestão mais eficaz do lugar onde moramos. O projeto de lei enviado pelo governador Rodrigo Rollemberg à Câmara Legislativa está longe, contudo, de propiciar este ganho de qualidade na gestão dos administradores regionais. Do mesmo pecado padece o projeto do distrital Chico Vigilante (PT), já aprovado pela CLDF e vetado pelo GDF. Ambas as propostas não dão condição de gestão ao administrador eleito. Antes de se falar em eleição é

preciso preparar e adequar as regiões administrativas e suas administrações regionais. Vamos continuar subdivididos em 31 regiões? Num passado não muito distante, a administração regional do Plano Piloto englobava Cruzeiro, Sudoeste, Lago Sul, Lago Norte e Varjão. Hoje, são necessárias seis administrações para cuidar do que antes uma só cuidava. A multiplicação de órgãos resultou efetivamente em ganhos de gestão e qualidade de vida para os cidadãos? Ou, apenas, se multiplicaram cargos comissionados e apadrinhamentos políticos à custa do imposto pago pelo contribuinte?

Nova arquitetura administrativa No inicio de seu governo, Rollemberg anunciou a redução no quantitativo das administrações. Tudo cortina de fumaça. Elas continuam em igual número. O que houve foi a designação de um mesmo administrador para mais de uma cidade. Exemplo: Candangolândia, Núcleo Bandeirante e Park Way ganharam um único gestor. Mas as estruturas das três cidades continuam existentes, com três chefes

de gabinete, três equipes de assessores, três disso, três daquilo. Este é o momento de se elaborar nova divisão geopolítica do DF, mais eficiente, que reduza a quantidade de regiões administrativas e que considere referenciais geográficos, populacionais, ambientais, econômicos e históricos. Menos interferências político-eleitoreiras e mais gestão político-administrativa.

Antes a Administração do Plano Piloto respondia também pelo Lago Sul e Norte, Varjão, Cruzeiro e Sudoeste

Autonomia de gestão Antes de se falar em eleição, é necessário também dar autossuficiência funcional às administrações regionais. Atualmente, em média, 90% dos servidores desses órgãos são comissionados, apadrinhados políticos. E quem nomeia é o governador de plantão. Essas instâncias estão desprovidas dos servidores mais elementares de uma miniprefeitura: engenheiros civis, economistas, advogados, administradores públicos. Todo o corpo de

apoio – da recepcionista ao chefe de gabinete – é comissionado, temporário e, normalmente, substituído quando há troca dos chefes. Quem sofre é o brasiliense, que tem dificuldade no encaminhamento de suas demandas. Além da falta de pessoal de carreira, inexiste orçamento próprio. Um administrador que deseje um passeio público, melhorar a iluminação de uma praça, tapar um buraco na rua, pintar o parquinho, depende da Novacap, do DER,

Domicílio eleitoral De acordo com o projeto, a Justiça Eleitoral organiza e o candidato deve residir onde deseja administrar. Mas o TRE não tem como referenciais as regiões administrativas. Trabalha com zonas eleitorais, que nem sempre representam a totalidade de uma cidade, nem mesmo se limitam a uma mesma cidade. Em Ceilândia existem três zonas eleitorais. Já Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Metropolitana, Setor de Mansões Park Way,Vargem Bonita, CAUB I e II, Riacho Fundo I e II estão abrigados na mesma Zonal 10. É preciso que haja modificações no projeto para que

da CEB, Caesb e, principalmente, do GDF. É ele que libera, ou não, a verba necessária. E nós sabemos que, com as divergências político-partidárias, o governo central tende a beneficiar os mais próximos politicamente em detrimento dos adversários políticos. Somente com um orçamento próprio o administrador eleito terá condições de atender sua comunidade. Caso contrário, será uma marionete, à mercê do humor do Buriti.

o requisito de ser morador seja entendido como domicílio eleitoral, do jeito que é em todo o país. Será que realizar este pleito quando houver eleições municipais não seria melhor? Uma eleição casada de administrador com governador tende a sufocar o debate do gestor local. O foco acaba sendo em torno do presidente da República e do governador. Já acontece com deputados distritais. Praticamente, não há espaço para o debate parlamentar. Com a escolha ocorrendo junto com eleições municipais, questões locais de cada cidade poderão emergir com mais facilidade, permitindo ao eleitor um melhor conhecimento de quem ele deseja eleger para gerir sua cidade.

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress.com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com


Brasília Capital n Cidades n 11 n Brasília, 24 de fevereiro a 2 de março de 2018 - bsbcapital.com.br

NEM ELEFANTE ESCAPA DE CHUMBO – O elefante Babu pode ter sido envenenado. De acordo com a Fundação Jardim Zoológico de Brasília, exames realizados por três laboratórios detectaram a presença de chumbo, arsênio, mercúrio e cumarina no organismo do animal, morto no dia 7 de fevereiro aos 25 anos – a expectativa de vida da espécie é de 60 anos. A cumarina é um componente do raticida conhecido como chumbinho e nenhum desses elementos químicos é encontrado no ambiente onde Babu vivia. A Polícia Civil investiga o caso.

SAMAMBAIA

DISTRITO FEDERAL

“Copa do Mundo da Água”

Apresentação de jovens no dia da inauguração: população foi ouvida para dizer que cursos desejavam

Centro da Juventude atenderá 500 jovens por mês O Centro de Juventude de Samambaia, inaugurado terça-feira (20), é o terceiro do DF e tem capacidade para atender 500 jovens por mês. Entre as atividades para pessoas de 15 a 29 anos estão cursos profissionalizantes, oficinas culturais e de esporte, além de atendimentos pedagógicos e psicológicos. As ofertas foram baseadas em pesquisas junto à população, que também solicitou cursos do #BoraVencer Profissionalizante no centro. O lugar tem 600 m² de área total e 190 de área construída com salas de informática, de violão e multiuso.

“Samambaia hoje ganhou mais um espaço de promoção da juventude. Isso nos deixa muito felizes, como o reconhecimento pela Revista Exame de Brasília como o melhor lugar para a juventude no País”, disse o governador Rodrigo Rollemberg na solenidade. De acordo com o secretário de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, Aurélio de Paula Guedes Araújo, são agora 1,5 mil jovens atendidos nos espaços. Os outros dois centros de juventude ficam em Ceilândia e na Estrutural.

TAGUATINGA

EPTG será alargada A Estrada Parque Taguatinga (EPTG) terá obras de alargamento de pontes em três trechos: o do córrego Samambaia, o do córrego de Vicente Pires (perto do viaduto que leva à Via Estrutural) e o do viaduto da linha férrea (entre

o Guará e o Lúcio Costa). As obras começaram na quinta-feira (22) e a previsão é de que as três intervenções terminem em cerca de 120 dias. Nesse período, a velocidade nos pontos ficará reduzida a 60 Km/h.

Faltando menos de um mês para a abertura, a montagem da estrutura que abrigará o 8º Fórum Mundial da Água, no estádio Mané Garrincha, já tem mais de metade das obras concluída. “É a Copa do Mundo da Água, em que teremos a oportunidade de discutir temas relacionados à gestão dos recursos hídricos de forma ampla”, diz o diretor-executivo do evento, Ricardo Andrade. Apenas a área da exposição compreende 12 mil m², o equivalente a dois campos de futebol. Além do Mané Garrinha, haverá atividade no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde ocorrerão a abertura e o encerramento do encontro, palestras e painéis com representantes internacionais. O fórum foi criado pelo Conselho Mundial da Água em 1996 e tem por finalidade estabelecer compromissos sobre os recursos hídricos. Já foi realizado em oito países. Em Brasília, ele acontecerá de 18 a 23 de março. Inscrições no site http:// www.worldwaterforum8.org.

Inscrições para Corrida de Reis As pré-inscrições para a 48ª Corrida de Reis podem ser feitas até as 23h59 de domingo (25). Com esse cadastro, os interessados poderão participar do sorteio eletrônico que vai preencher as 16 mil vagas da competição. Podem participar pessoas a partir de 16 anos de idade. A prova ocorrerá em 3 de março. A largada será às 19h, em frente ao ginásio Nilson Nelson, com percursos de seis e 10 quilômetros, passando por pontos turísticos, como a Esplanada dos Ministérios e o estádio Mané Garrincha. O corredor contemplado receberá um e-mail comunicando a validação da inscrição, e o resultado estará no site da Secretaria do Esporte.

Casamento comunitário As inscrições para a 17ª edição do Casamento Comunitário estão abertas até 20 de março. Serão escolhidos 80 casais pelo critério de menor renda. A cerimônia ocorrerá em 27 de maio em local a ser definido pela Secretaria de Justiça. Os casais escolhidos não pagarão taxas cartorárias, serviços e brindes para as noivas, mas terão que passar antes por processo seletivo de avaliação de documentos, encontro para fortalecimento de vínculo e ensaio geral da celebração. Inscrições podem ser feitas nas unidades do Na Hora, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h; e na Secretaria de Justiça (antiga Estação Rodoferroviária), de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Telefone: 2104-4203/4250.


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Risco para carros e pedestres

FOTOS: JÚLIO PONTES

Detalhe da ferrugem numa das estruturas (esq.) salta à vista de todos que circulam pelo local (embaixo). O DER-DF calcula que cerca de 130 mil carros passam por ali e informa que a prioridade para recuperação será definida por um grupo de trabalho do qual o órgão faz parte

Passarela próxima da entrada da Cidade Estrutural chama a atenção pela ferrugem em várias partes da estrutura Da Redação

A

passarela de pedestres mais próxima da entrada da Cidade Estrutural, que corta a rodovia DF-095, põe em risco não apenas quem a utiliza para fazer a travessia, mas também os veículos que transitam na via e passam por baixo dela. A estrutura metálica está enferrujada em vários pontos, o que chama a atenção de usuários de ônibus – há duas paradas no local – e de motoristas. O Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal calculou que aproximadamente 130 mil veículos passam todos os dias no local. O DER-DF informa que participa de um grupo de trabalho e que nos próximos dias serão definidas as prioridades para os reparos. O departamento não divulgou levantamento de quantos locais estão em situação semelhante, oferecendo riscos aos usuários. No caso da Estrutural, o DER garantiu que as passarelas da DF-095 já foram analisadas. O Brasília Capital visitou passarelas em outros locais em que pedestres reclamam da insegurança provocada pela falta de manutenção dos equipamentos. E também de outros problemas que os

afetam nas imediações das travessias. A enfermeira Edileuza Araújo, de 60 anos, que atravessa a passarela da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA), do Cruzeiro para o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), diariamente convive com o medo de desastres e de alagamentos. De acordo com ela, há ocasiões em

que a polícia precisa ser chamada. “Por volta de 13h, os estudantes saem dos colégios públicos e vêm aqui para a passarela consumir droga. Como eles têm a visão de quem entra e sai, eles não têm preocupação. Algumas vezes a polícia ainda consegue fechar as saídas. Mas nesse horário prefiro atraves-

sar por baixo”, disse Edileuza. A estudante Sabrina Barros, que atravessa a passarela da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), do Riacho Fundo l para a ADE de Águas Claras, reclama da falta de cobertura. “Quando chove, não temos como nos proteger. Além disso, falta iluminação para quem passa à noite”, disse.


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DIVULGAÇÃO

TEATRO

Feira de arte inédita em Brasília

Homenagem a ex-professora da UnB

Toninho de Souza: feira terá seleção de obras contemporâneas do acervo e da produção do artista plástico

Evento internacional ocorrerá de 3 a 30 de março na Galeria de Arte LBV com visitação gratuita Da Redação

A

Arte Brasília - 1ª Feira de Arte Internacional Pós e Contemporânea 2018 acontecerá – de 3 a 30 de março, na Galeria de Arte da LBV. Será uma feira cultural de artes inédita no Distrito Federal, evento marcante e importante do mundo no século 21, por se diferenciar das feiras internacionais de Art Basel Miami Beach, a Art Basel na Suíça, a Arco em Madri, entre outras. As feiras internacionais são acontecimentos com exposição de arte promovidos por galeristas de todo o mundo, com lançamentos de livros e catálogos, atividades culturais, festas, eventos multidisciplinares de música, cinema, arquitetura e design. A da LBV tem o obje-

tivo de abrir novas opções de participação dos artistas, sem ter que desembolsar custos de participação de promotores culturais ou de representantes ou galeristas no processo da comercialização das obras expostas na feira. Na LBV, haverá melhores condições de compra para o visitante e acesso imediato às obras adquiridas em cartão de débito e crédito, sem esperar o final do evento para receber as obras. As obras comercializadas serão substituídas por outras. Esta substituição trará uma transformação diária em sua montagem, diferenciando-a de uma exposição que tem de manter as peças até o final do evento. Os artistas participantes realizarão pintura ao vivo, em datas definidas nos informativos da administração da feira e os visitantes receberão catálogos gratuitos onde tem registro dos artistas de Brasília que participaram de outros eventos na cidade nos séculos XX e XXI, enquanto durar o estoque. A Arte Brasília estará livre para lançamentos de livros de artes e catá-

logos durante a sua realização. A Arte Brasília terá uma exclusiva seleção de obras de artes contemporâneas produzidas no século XX e pós-contemporâneas produzidas no século XXI, proveniente de acervo e da produção dos artistas Toninho de Souza, Francisco Alves e artistas convidados do Brasil e de outros países. Haverá pinturas, colagem/pintura (pequenos e grandes formatos), gravuras, esculturas (piso e parede), aquarelas, objetos, cerâmicas, instalações, fotografias, catálogos, livros e cerâmicas. O evento é aberto a todas as idades numa das maiores galerias de Brasília, que recebe anualmente um milhão de pessoas que visitam o Templo da Boa Vontade, no Setor de Grandes Áreas Sul 915 lotes 75/76. Visitação gratuita das 8h às 20h. Os visitantes de outros estados e estrangeiros terão acesso ao restaurante/lanchonete localizado no térreo do Templo da LBV. Informações complementares com Toninho de Souza: 61-98186-2363

O legado literário de Sylvia Orthof será celebrado em dez apresentações em escolas públicas e bibliotecas, de segunda-feira (26) até 3 de março. A obra cênica Firimfimfoca – Histórias de uma Fada Carioca percorrerá Centros de Ensino Fundamental, Escolas Classe e Bibliotecas Públicas de Brazlândia, SIA e Cidade Estrutural. Com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), as sessões serão gratuitas e, algumas delas, abertas à comunidade. A direção do espetáculo é de Joana Abreu. O elenco é formado por Aldanei Menegaz, Míriam Rocha, Simone Carneiro e Tino Freitas, que, em 2007, criaram o grupo em memória aos dez anos da morte de Sylvia Orthof. Voltado para o público infantil, o espetáculo conta com apresentações musicais. “A música é sempre bem-vinda em uma apresentação para crianças, embora a gente ache que Sylvia tem uma linguagem incrível, pois consegue ter sutilezas em seu texto que pegam os adultos em alguns momentos e crianças em outros. O Firifimfoca é um espetáculo singular, pois consegue reunir música e literatura em um espaço de narradores”, disse o diretor musical da peça, Tino Freitas. O trabalho do grupo é adaptar histórias dos livros de Sylvia Orthof para o teatro, onde a escritora também atuava. “Tem uma informalidade porque nós vamos apresentar em pátios de escolas. Mas tem o tempero de colocar o que a Sylvia também gostava de fazer, que era o teatro, em obras que ela não escreveu para o teatro”, disse. BIOGRAFIA – Sylvia Orthof (1932-1997), natural de Petrópolis (RJ), tinha forte vínculo com Brasília, onde morou de 1960 a 1971. Foi professora de teatro na Universidade de Brasília (UnB), onde colaborou na criação de um teatro universitário. À época, dirigiu “Teatro Candanguinho”, programa teatral de bonecos, na TV Brasília, e foi coordenadora do Teatro do Sesi. Publicou seu primeiro livro infantil, em 1981, “Mudanças no Galinheiro Mudam as Coisas por Inteiro”. Ao todo, foram 135 obras. Em reconhecimento ao seu trabalho, recebeu prêmios importantes como o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o selo Altamente Recomendável para Crianças, da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil).

PROGRAMAÇÃO Em Brazlândia: 26 e 27/2, no CEM 1, às 10h e às 16h; 28/22, no CEF Vendinha, às 10h; e no CENEBRAZ, às 16h. No SIA: I/3, na Escola Classe SRIA, às 10h e às 16h. Na Cidade Estrutural: 2/3, na Biblioteca Pública, às 10h; 3/3, na Biblioteca Pública, às 16h. Direção: Joana Abreu Elenco: Aldanei Menegaz, Míriam Rocha, Simone Carneiro e Tino Freitas Direção musical: Tino Freitas


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Coaching de redação discursiva Em tradução livre, a palavra coaching significa “treinamento”. Hoje, conversei comigo mesmo: “tão legal seria elaborar um artigo interativo, que permita aos que me acompanham uma leitura ativa, dinâmica e instrutiva!” Consegui, então, pensar em uma ideia inovadora. Sei que redação discursiva é um mito para inúmeras pessoas. Muitos não sabem nem por onde começar! No artigo desta semana, vou propor a construção de um texto. Serei seu treinador! Farei as orientações básicas, e você, aí do outro lado, deve

colocar a redação em prática, no papel! Vamos juntos? O tema da redação: A intervenção militar no Rio de Janeiro: uma medida necessária ou um posicionamento exagerado? Siga os passos a seguir: 1. Planeje o texto. Adote uma das opções apresentadas e pense nos motivos que te fizeram optar por esse posicionamento. 2. Elabore o parágrafo de introdução (em até 7 linhas), da seguinte maneira:

Dóris Marize: nasce uma escritora em Brasília! Com nada menos de 23 senadores investigados na Lava Jato por corrupção, se a ex-diretora-geral da Casa escrever um livro sobre o assunto será best seller Eis uma pessoa com inúmeros talentos, entre os quais o de liderança, e, sobretudo, um jeito sensível para escrever, caracterizando vocação explícita para a literatura. Basta conferir os textos de Dóris, abaixo, o primeiro sobre sua amiga Lêda Maria; e, o segundo, a mensagem póstuma ao seu marido João Paulo Peixoto, professor na UnB e companheiro por mais de qua-

tro décadas - que, de repente, a deixou sozinha, curtindo saudades. “Há bastante tempo, conheci LM, um ser humano único e especial. Único na capacidade de amar, de se dar, de colocar o próximo à sua frente e embora existam muitos próximos, sua capacidade de amar é tamanha que nunca nos sentimos preteridos. Não sei que capacidade é essa. Não sei de onde

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410 Ligue e participe: (61) 9 9881-3086 www.opovoeopoder.com.br

1º período: fale, de maneira geral, sobre a intervenção militar no RJ (o que é, o que todos sabem sobre isso). 2º período: manifeste o seu posicionamento (medida necessária ou posicionamento exagerado). 3º período: apresente os motivos (escolha dois) que te fizeram optar por esse posicionamento. 3. Faça o desenvolvimento. Em um parágrafo (até 7 linhas), fale apenas sobre o primeiro motivo; em outro (até 7 linhas), apenas sobre o segundo motivo (ambos apresentados no terceiro período do primeiro parágrafo). Para tanto, faça uso de descrições, relações de causa e consequência ou exemplos. 4. Formule a conclusão (até 7 linhas), da seguinte maneira: 1º período: mais uma vez, fale sobre o tema e manifeste o seu posicionamento.

2º período: apresente alguma solução para o tema. Ao final, o seu texto deve ter quatro parágrafos – 1 de introdução; dois de desenvolvimento; 1 de conclusão – e, no máximo, 28 linhas! Siga todas as regras, ok? Este é um modelo básico de redação discursiva! Use-o bastante, para que você se acostume com esse gênero textual. Quando você sentir segurança, pode começar a inovar mais em seu texto! Quando você acabar a sua redação, tire uma foto dela e publique-a em suas redes sociais, com a hashtag #CoachingElias. Tentarei passar por lá e ver o seu texto! Gostaram da proposta? Quero saber a sua opinião!

vem! Se ela erra? Não interessa. Se ela peca? E daí? Os deuses podem, pois,seus erros nos ensinam. Só sei que me pergunto todos os dias: como pode um ente humano ser tão divino?”.

cuperar a saúde. Não deu! Chegou o momento de descansar das angústias, das expectativas, dos exames, dos remédios e das ansiedades. “Descanse em paz, marido! Valeu JP! E como valeu!”. Por saber que Dóris Marize é dotada de um caráter sem mácula, tenho insistido para que ela escreva um livro de memórias sobre o Senado Federal, onde ocupou, brilhantemente, o cargo de Diretora-Geral por sete anos. Como se sabe, nada menos de 23 senadores já estão relacionados nas investigações da Lava Jato por corrupção, sujeira da qual Dóris jamais participou. E posso garantir: caso ela escreva, será uma edição best seller!

Sobre seu marido: “E chegou o dia... Como no teatro, a cortina se fecha e o futuro se recolhe. Foram 43 anos juntos. Tento lembrar minha vida antes, mas não consigo. Em cada canto, cada móvel, cada objeto, uma lembrança a dois! Agora é só um... Mas na verdade os dois geraram três, que já se multiplicaram por quatro: nossos filhos, nossos netos e nossas lembranças! “João Paulo viveu intensamente, se colocava inteiro na defesa do que acreditava, era bem-humorado, teimooooso, mas, acima de tudo, humano! Nos últimos dois anos foi testado na paciência e na vontade absoluta de viver e re-

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

Fernando Pinto Jornalista e escritor


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A verdadeira arte é divina “Ela é aquela que o ajuda a tornar-se silencioso, tranquilo, feliz. Se é uma ponte entre você e Deus é arte verdadeira” O que é arte? Esta questão surgiu após a exposição de um homem nu tocado por uma criança em São Paulo. Elementos da direita dizendo que aquilo não é arte, enquanto membros da esquerda afirmavam que é arte. A arte, como a literatura, a pintura, a música etc., retrata um momento histórico pelo qual um povo, uma nação ou um país está passando. O mestre Osho, no livro “Criativi-

dade”, acrescenta à arte o adjetivo “divino”. Vejamos: “A vida é uma oportunidade para que se dê sentido a ela. O sentido da vida tem que ser criado. É um poema a ser composto, uma canção a ser entoada, uma dança a ser dançada, um quadro a ser pintado. O iluminado cria o sentido da vida. Viver é uma arte. “A verdadeira arte envolve algo que o ajude a meditar. Gurdieff costumava

É possível eliminar agrotóxicos dos alimentos? Bicarbonato de sódio pode ser uma alternativa viável para a redução de dois tipos muito utilizados em frutas Há muitos anos, a utilização de agrotóxicos no cultivo de alimentos tem sido tema de discussão em diferentes camadas da sociedade – desde a sociedade civil não organizada aos institutos de pesquisa e saúde, passando pelas instituições governamentais. Diversos estudos mostram os riscos à

saúde associados à presença de agrotóxicos nos alimentos, incluindo os que ficam ainda maiores como fatores de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Um desses estudos revelou o abismo que existe entre a legislação brasileira e a da União Europeia so-

chamar de arte legítima a arte objetiva ― ela o ajuda a meditar. O Taj Mahal é arte legítima. Em noite de lua cheia, basta que você se sente lá e fique apreciando aquela bela obra-prima e você será preenchido com o desconhecido. Você começará a sentir algo do além. “Criatividade significa contemplatividade, um estado de ausência da razão – então, Deus desce sobre você, o amor flui através do seu ser. É uma bênção. De outro modo é vômito. E as pessoas que se interessam por vômito devem estar doentes, precisam de terapia – pois quando você se interessa por algo, você demonstra quem você é, onde você está. “A criatividade emana do Criador e não de você. Você se apaga, a criatividade reluz. Os verdadeiros criadores sabem que não são criadores, mas apenas instrumentos, médiuns. Olhe para um

quadro de Michelangelo. Não é produto de sua loucura. Ele estava cheio da facúndia de Deus. “Michelangelo dá à luz; Picasso vomita. Buda dá à luz; Nietsche vomita. Nietsche começou a enlouquecer no dia em que afirmou que Deus estava morto. Beethoven dá à luz. Algo imensamente valioso desce das alturas por intermédio dele. Um mundo sem Deus está fadado a tornar-se um mundo insano. “A verdadeira arte é aquela que o ajuda a tornar-se silencioso, tranquilo, feliz. Se é uma ponte entre você e Deus é arte verdadeira. Se faz o ego desaparecer é arte verdadeira, e não se incomode com que os críticos disserem”.

bre o limite aceitável de resíduos na água e nos alimentos. A contaminação da água é o que mais chama a atenção. A lei brasileira permite um limite de resíduos 5 mil vezes superior ao máximo permitido na água potável da Europa. No caso do feijão e da soja, a lei brasileira admite o uso no cultivo de quantidade 400 e 200 vezes superior ao permitido na Europa. Além disso, aproximadamente 70% dos alimentos no Brasil contêm agrotóxicos em seu cultivo. A notícia boa é que pesquisas recentes têm mostrado que o bicarbonato de sódio pode ser uma alternativa viável para a redução de dois tipos de agrotóxicos muito utilizados em fru-

tas. O estudo foi feito com maçã e mostrou redução de 80% para o tiabendazol e 96% para o inseticida phosmet. Os procedimentos para esses resultados foram: 1) colocaram água misturada com bicarbonato na fruta na proporção de 10 mg/ml ; 2) lavaram a maçã com água da torneira por dois minutos; e 3) deixaram a maçã imersa em solução de hipoclorito de sódio (10 mg/ml) por 8 minutos. Quer saber mais sobre uma alimentação saudável e segura? Procure um nutricionista!

José Matos Professor e palestrante

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


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Na frente do professor REPRODUÇÃO

Preparo para o ENEM em vídeo, oferecido pelo PDT, também será feito na sede do partido, em Brasília Da Redação

A

Universidade Aberta Leonel Brizola (ULB), em parceria com o deputado distrital Professor Reginaldo Veras (PDT), dará aulas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) na sede nacional do partido, em Brasília, a partir de junho. “Com a inauguração da nossa sede, teremos um excelente auditório”, diz Veras. Os beneficiados são alunos que não podem pagar cursos particulares. As aulas programadas por Veras são parte do aperfeiçoamento do projeto lançado por ele e pela ULB em 2016, chamado “Reinventando o Brasil – ENEM”. Até então, as aulas virtuais, gratuitas, tinham por finalidade

Reginaldo (esq.) e Túlio: mais holofote sobre o programa somente a formação política. Agora, os estudantes de todo o DF poderão preparar-se para o ENEM também em aulas presenciais. “Isso já é fato”, acentua o distrital. Ele explica que os próprios alunos pediram para ter aulas em contato direto com os professores, depois que souberam que isso havia acontecido em outros estados. Virtualmente, tudo continuará normalmente. Em março, as videoaulas serão reiniciadas. Além de aulas presenciais, há a intenção de criar também um aplicativo para facilitar o acesso dos alunos ao material produzido pelos professores. São renomados profissionais de diversas

áreas de conhecimento que, semanalmente, gravam dicas e videoaulas sobre os conteúdos programáticos cobrados nas provas do ENEM. O secretário-geral nacional do PDT, Manuel Dias, declarou que a finalidade foi “criar um curso sem nenhum custo financeiro para os jovens e adultos do Brasil que não têm condições de pagar um curso tradicional. Essa foi uma grande contribuição do professor Reginaldo Veras e nós somos muito gratos”. Veras sublinha que se trata de um trabalho voluntário, envolvendo 40 professores. No magistério há mais de 30 anos, o Professor Reginaldo Veras conta que o projeto “nasceu na ULB e nós o abra-

çamos. O grupo de colegas convidados atendeu prontamente o nosso pedido e isso nos deixou muito felizes”. As videoaulas têm sido um sucesso. A soma de todos os vídeos gravados alcançou mais de 3,5 milhões de visualizações. Segundo Veras, os educadores envolvidos e a ULB estão ainda mais otimistas para a terceira edição do curso. “Foram muitas visualizações nos últimos dois anos, mas a nossa meta para 2018 é atingir ainda mais brasileiros. Essa é uma bandeira do nosso partido e eu peço o apoio de todos para disseminar esse trabalho”, lembra. Além das centenas de estudantes interessados, a iniciativa tem reunido lideranças no Brasil inteiro que criaram espaços de estudo e de aulas virtuais/presenciais em municípios e estados. Em Pernambuco, o coordenador Túlio Gadelha chama muita a atenção por ser o namorado da apresentadora da TV Globo Fátima Bernardes. “Mas ele já estava antes no projeto e é muito competente”, diz Reginaldo Veras, que o recebeu em gabinete terça-feira (20).

Defensores de Taguatinga buscam sugestões da comunidade Da Redação O grupo Defensores de Taguatinga se reuniu durante a semana com representantes das áreas de saúde, educação e segurança. Na terça-feira (20), o encontro foi com os gestores e os conselheiros da Regional de Saúde na presença dos administradores de Taguatinga, Karolyne Guimarães, e de Samambaia, Paulo Silva. Na área de segurança, houve contatos com os comandantes locais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. O comandante do 2º Batalhão da PM, major Elias Costa, disse que acompanha vários conselhos de segurança pública e que faz questão de conhecer os projetos dos Defensores de Taguatinga. “Vindo da comunidade e não sendo partidário, poderá trazer muitos frutos para a cidade”, disse o militar. Um dos coordenadores do Defensores de Taguatinga, José Luís Lopes, diz que esta característica de apartidarismo está fazendo com que o projeto “tenha uma fantástica recepção” também com gestores da educação. Isto também se verifica na iniciativa privada. Lopes espera que até 10 de março haja um diagnóstico completo das necessidades dos moradores. No caso de empresários, o coordenador afirma que poderá vir deles ajuda para solucionar problemas práticos em qualquer área. O Defensores de Taguatinga tem o apoio do Brasília Capital. Qualquer pessoa pode encaminhar reclamações e sugestões utilizando o cupom nesta página. Há urnas espalhadas em mais de 50 pontos da cidade.

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