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As duas determinações partiram do presidente da entidade, Jamal Bittar (foto). Página 6

Ano VII - 335

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Fibra suspende sindicalistas e censura jornal Brasília Capital

Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017

TONY WINSTON AGÊNCIA BRASÍLIA

CRISE HÍDRICA

Não foi falta de aviso Desde de 2011, o Ministério Público de Contas do DF é taxativo ao classificar a Adasa como omissa e incompetente, por deixar de lado os alertas feitos sobre a crise hídrica. O documento questiona ainda os baixos investimentos em fiscalização quando comparados com a realização de eventos Páginas 8 e 9

Lista suja do Ministério do Trabalho aponta 2.031 escravos no Brasil

Campanha de 2018 já começou no DF

Documento de 6 de outubro é mantido em sigilo pelo governo

Grilagem causa prejuízo incalculável a Brasília

Chico Sant’Anna - Página 10

Barragem de Santa Maria retrata seca que provocou primeiro racionamento na capital Página 4

Pelaí - Página 3


Brasília Capital n Opinião n 2 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

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A R T I G O

x p e d i e n t e

Moro finge não entender as críticas Diretor de Redação Orlando Pontes ojpontes@gmail.com Diretor Comercial Júlio Pontes comercial.bsbcapital@gmail.com Pedro Fernandes (61) 98406-7869 Diretor-Executivo Daniel Olival danielolival7@gmail.com (61) 99139-3991 Diretor de Arte Gabriel Pontes redação.bsbcapital@gmail.com Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Plano Piloto (sede dos poderes Legislativo e Executivo, empresas estatais e privadas), Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo, Vicente Pires, Águas Claras, Sobradinho, SIA, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Lago Oeste, Colorado/Taquari, Gama, Santa Maria, Alexânia / Olhos D’Água (GO), Abadiânia (GO), Águas lindas (GO), Valparaíso (GO), Jardim Ingá (GO), Luziânia (GO), Itajubá (MG), Piranguinho (MG), Piranguçu (MG), Wenceslau Braz (MG), Delfim Moreira (MG), Marmelópolis (MG), Pedralva (MG), São José do Alegre, Brazópolis (MG), Maria da Fé (MG) e Pouso Alegre (MG). C-8 LOTE 27 SALA 4B, TAGUATINGA-DF - CEP 72010-080 - Tel: (61) 3961-7550 - bsbcapital50@gmail.com - www.bsbcapital.com.br - www. brasiliacapital.net.br

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J. B. Pontes (*)

O Juiz Sérgio Moro (o imparcial e apartidário), em recente sentença, mandou um recado muito forte contra os que criticam a adoção da delação premiada. Finge não entender os reais motivos das desaprovações, dirigidas especialmente ao demasiado uso desse instituto, que ainda está carecendo de uma adequada regulamentação em nosso país. Ele sabe perfeitamente quais são os problemas que condenamos: 1. As prisões prolongadas, e muitas vezes sem necessidade, apenas para forçar as delações (que podem ser consideradas uma espécie de tortura psicológica); 2. As orientações das delações para aquilo (ou aqueles) que já tinham sido por eles previamente julgados culpados (só aceitavam a delação se falassem mal de algumas pessoas ou partidos); 3. A supressão, aos previamente condenados, de certos direitos e garantias asseguradas aos cidadãos pelo nosso ordenamento jurídico; 4. A seletividade, parcialidade e o partidarismo das investigações e dos julgamentos; e 5. A proliferação do uso da delação, usada em muitos casos apenas para efeitos midiáticos, vez que sabidamente os fatos delatados, por serem muitas vezes inverídicos, jamais seriam provados. O comportamento da “república de Curitiba” assemelha-se em mui-

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nReeleição? Esse descaso, esse desgoverno. Nem coleta de lixo Brasília tem! Por todo canto por onde andamos é um esgoto estourado, um lixo acumulado. Os moradores da Colônia Agrícola Samambaia estão sofrendo há um ano com uma obra. Saúde sem verba e sem servidor. Agora ele bateu um papo com os índios e descobriu que as chuvas virão e serão capazes de reabastecer todo re-

servatório do Descoberto e que não precisa aumentar o racionamento. Gláucia Guimaraes, via Facebook Está chamando o brasiliense de trouxa. Acha que o brasileiro de hoje é aquele sem memória de 20 anos atrás. Pior governador da história do DF. Sigelman Diniz, via Facebook Saindo da inércia... 3 anos só reclamando. E agora saindo do limbo. Ainda tem gente que vai

O comportamento da “república de Curitiba” assemelha-se em muito ao que juridicamente se denomina de “direito penal do inimigo” to ao que juridicamente se denomina de “direito penal do inimigo”: os investigadores e o juiz atribuem a si a prerrogativa de separar os acusados em dois grupos: a) os cidadãos, aos quais seriam garantidos os direitos e garantias constitucionais e legais; e b) os inimigos do Estado (terroristas, supostos líderes de facções criminosas, traficantes, homens-bomba etc.), aos quais não seriam assegurados nenhum ou poucos direitos e garantias. O acusado é considerado culpado desde o início do processo, pelo que o juiz pode antecipar a sua punição (as prisões preventivas prolongadas podem ser tidas como antecipatórias da punição). A partir daí, tudo só é válido se for para comprovar o que já está decidido.

O problema desse procedimento é que a linha divisória entre cidadão e inimigo é muito tênue, sendo os erros passíveis de serem cometidos com muita facilidade. Especialmente no nosso caso, a adoção de comportamento análogo ao do “direito penal do inimigo” é de todo condenável, vez que ficou patente a parcialidade das investigações e julgamentos, motivada por sentimentos partidários e, até mesmo, de classes. O “direito penal do inimigo” é muito sedutor, especialmente no momento que estamos atravessando, no qual a criminalidade e a corrupção atingiram patamares inaceitáveis, mas também muito perigoso, por ensejar o cometimento de erros, involuntários ou intencionais, nos julgamentos. Para adotá-lo, teríamos que ter uma regulamentação legal muito rigorosa e um rito especial para julgar, antecipadamente, o acusado como cidadão ou inimigo do Estado. E essa avaliação jamais poderá ficar a cargo de um juiz singular, em face das profundas consequências dela advindas e, ainda, pelo fato de que, como pessoas humanas, todos os nossos julgamentos são carregados de subjetividade.

(*) Consultor inativo de orçamento do Senado Federal e geólogo.

a r t a s

beber dessa fonte. Fernando Dourado, via Facebook Sobre artigo “Fórmula mágica para reeleição?” (edição 334). nUnimed nega atendimento Seria bom que todos cancelassem com essa operadora. É absurda a calamidade por que passa a saúde pública e a falta de responsabilidade das operadoras privadas. A lógica desta operadora é a seguinte: preferí-

vel pagar indenização pela morte - o que leva décadas - a ter que pagar o tratamento da menina. Torço para que ela recupere sua saúde. Amariles Castro, via Facebook O mais revoltante é pagar plano de saúde caro e quando o beneficiário precisa de um tratamento a operadora não honra com suas obrigações. Realmente precisa acionar a justiça, e mesmo assim a operadora deixa o

beneficiário descoberto. Eliana Castro, via Facebook Sobre denúncia de a Unimed ter cancelado o plano de saúde de uma paciente com câncer raro.

ERRAMOS A data de capa da edição nº 334 saiu com erro. A semana foi publicada como sendo de 19 a 27 de outubro, quando na verdade a semana a que se refere é de 21 a 27 de outubro de 2017.


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Para matar saudades

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violinista norte-americano Ted Falcon, que morou em Brasília de 2009 a 2016, retorna à cidade para lançar CD em parceria com o grupo Gypsy Jazz Club. Serão dois shows no Clube do Choro, dias 23 e 24 de novembro (quinta e sexta-feira). A gravação do disco teve apoio do FAC (Fundo de Apoio da Secretaria de Cultura do DF).

Rombo? Que rombo? O relator da CPI da Previdência, senador Hélio José (Pros-DF / foto), apresentou segunda-feira (23) relatório de 253 páginas concluindo que não existe déficit nas contas da Previdência Social. O documento confirma manchete da edição 284 do Brasília Capital (5 de novembro de 2016): “Rombo da Previdência é Invenção do Governo”. O relatório deve ser votado no plenário do Senado até o dia 6 de novembro. DÍVIDAS DE EMPRESAS – O relatório da CPI aponta que empresas privadas devem R$ 450 bilhões à Previdência e, conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional, somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis. O governo prevê déficit de R$ 260 bilhões nas contas previdenciárias. DIREITOS – “Para compensar as perdas com a sonegação dos grandes conglomerados empresariais, o governo buscou a retirada de direitos dos trabalhadores, unicamente na perspectiva de redução dos gastos públicos”, resume Hélio José.

Contas aprovadas As contas do segundo ano da gestão de Rodrigo Rollemberg foram aprovadas por unanimidade, quinta-feira (26), pelo Tribunal de Contas do DF. Os seis conselheiros que votaram entenderam que o Executivo apresentou “melhora no equilíbrio entre receitas e despesas” em relação a 2015. O documento segue para a apreciação da Câmara Legislativa. O relatório aponta que o resultado orçamentário de 2016 apresentou superávit de R$ 249,3 milhões, enquanto o de 2015 teve déficit de R$ 1,3 bilhão. O relatório aprovado contém 13 ressalvas.

TONINHO TAVARES AGÊNCIA BRASÍLIA

Eliana no páreo

Rollemberg pode ter Abadia como vice

Chapa PDT-PT teria Joe e Arlete

2018 já começou A aproximação entre PT e PDT anunciada na terça-feira (24) e a nomeação da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB) para a nova Secretaria Especial de Projetos Estratégicos do GDF marcaram o início da campanha política de 2018. JOE E ARLETE – Embora no primeiro momento as duas legendas evitem falar em nomes, o casamento entre pedetistas e petistas pode resultar numa chapa com o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, disputando o Buriti, tendo a ex-vice-governadora Arlete Sampaio como vice. Ou vice-versa... ROLLEMBERG E ABADIA – Já a manobra do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) foi explícita. Ao perder o apoio do PDT, deu uma guinada à direita, rumo ao ninho tucano. Como o presidente regional, deputado Izalci Lucas, tem pretensões de se candidatar ao Buriti, tratou de atrair Abadia e outros históricos do PSDB-DF. ROSSO E CRISTOVAM – Essas tratativas excluíram o ex-governador biônico e hoje deputado federal Rogério Rosso (PSD) e o senador Cristovam Buarque (PPS). O primeiro perdeu espaço junto a Rollemberg, e o outro passou a ser mal-visto pela esquerda desde que votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). SANTANA – Quem está definitivamente fora do baralho majoritário é o atual vice, Renato Santana (PSD). Mas ele vai aproveitar o cargo para continuar percorrendo as cidades do DF – especialmente Ceilândia – para tentar uma vaga de deputado distrital. FREJAT – Sonho de consumo de todos os partidos de centro e de direita, o ex-deputado Jofran Frejat (PR) articula uma chapa em que caibam Alírio Neto (PTB), Alberto Fraga (DEM), Tadeu Filippelli (PMDB), Izalci Lucas (PSDB) e, se possível, que acomode Cristovam e Rosso. OUTSIDERS – Incrível é que, numa briga entre tantos caciques, ainda apareçam índios sem nenhuma patente se posicionando para entrar na guerra. São os candidatos não-políticos. Entre eles, até agora, o destaque é o ex-presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha.

Depois de sair do PPS, a ex-distrital Eliana Pedrosa (foto) desembarcou, quinta-feira (26), no Podemos. Ao lado do deputado Rodrigo Delmasso, vai montar palanque no DF para o senador Álvaro Dias (PR) na corrida ao Planalto. Ela diz que tentará o Buriti. Mas o radar de Rollemberg já a detectou. Pode surgir um convite semelhante ao que foi feito à tucana Abadia.

Só Augusto Levantamento do Brasília Capital mostra que dos oito deputados do DF apenas Augusto Carvalho (SD) votou para a continuação das investigações contra Dilma Roussef (PT) e Michel Temer (PMDB). Os outros sete votaram mediante destinação de emendas, interesses pessoais ou partidários e fisiologismo de cargos. CORRUPÇÃO – Érika Kokay (PT) não queria investigar Dilma. Mas votou duas vezes a favor das apurações dos crimes de Temer. Izalci (PSDB), Fraga (DEM), Bessa (PR), Rosso (PSD), Ronaldo Fonseca (Pros) queriam investigar as pedaladas fiscais de Dilma, mas concordaram em não investigar Temer por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça. Rôney Nemer (PP) não compareceu à primeira votação contra Temer. Na segunda, votou pela não continuação da investigação.


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Escravidão moderna Ministério do Trabalho inclui 132 empregadores na “lista negra” com 2031 trabalhadores em situação de exploração DIVULGAÇÃO MPT

Gustavo Goes (*)

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esde 1995, mais de 52 mil trabalhadores brasileiros foram encontrados em condições análogas à de escravo. Auditores fiscais do trabalho estimam que, atualmente, 160 mil pessoas estejam nessa condição, segundo levantamento feito pela Organização Não-Governamental inglesa Walk Free Foundation, que, anualmente, publica o Índice Global da Escravidão. No último cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo, feito pelo Ministério do Trabalho, com data de 6 de outubro, ao qual o Brasília Capital teve acesso, 132 empregadores foram notificados por manterem 2.031 trabalhadores nessa situação. A publicação do documento ainda não foi autorizada pelo governo. Em Goiás, sete patrões foram autuados por manter 121 funcionários em condições de total precariedade. Um dos casos é o Santa Bárbara Fute-

Trabalho escravo: portaria negociada pelo governo com bancada ruralista, que dificultaria a fiscalização, teve a validade suspensa pelo Supremo bol Clube, que leva o nome da cidade do interior do estado, a 49 Km de Goiânia. Uma operação flagrou 29 pessoas sendo exploradas sem as mínimas condições de trabalho. E esta não foi a primeira vez. O caso é idêntico a outra autuação sofrida pelo clube em 2014. O caso mais próximo ao DF aconteceu em Unaí (Minas Gerais), a 164 Km de Brasília.

Dirceu José da Silva mantinha seis trabalhadores em condições degradantes na Fazenda Canabrava. Em Aparecida de Goiânia, Alex Teixeira de Oliveira Santos foi flagrado por agentes públicos, que resgataram 11 funcionários. Os flagrantes não se restringem a propriedades rurais e áreas distantes de metrópoles. Em São Paulo (capital),

seis funcionários de uma loja de confecções, no bairro Vila Maria Alta, foram resgatados por auditores. O mesmo aconteceu com um funcionário de um bar no centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A escravidão é caracterizada pelo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes, restrição de locomoção por razões de dívidas.

Nome aos bois desagrada bancada ruralista A portaria que fragiliza a fiscalização contra o trabalho escravo foi uma das moedas de troca utilizadas pelo presidente Michel Temer para arquivar a segunda denúncia apresentada contra ele. Mesmo com a suspensão da portaria por decisão liminar da ministra Rosa Weber, do STF, a iniciativa do governo agradou a bancada ruralista, que corresponde a 216 dos 513 deputados.

A denúncia contra Temer foi arquivada na quarta-feira (25). Foram 251 votos favoráveis a não investigar o chefe do Executivo e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, por formação de quadrilha e obstrução de Justiça. Mas 233 deputados votaram pelo prosseguimento da investigação. Apesar da vitória, o presidente viu o

principal pilar de sua gestão perder força: os votos na Câmara dos Deputados. Foram favoráveis ao arquivamento da primeira denúncia 263 deputados – 12 a mais. Com 3% da aprovação da população, a pior marca da História, Temer, agora, tentará aprovar a Reforma da Previdência, na qual precisará de uma maioria qualificada – 342 votos em dois turnos.

O combate aos criminosos tem endereço, característica e nome dos responsáveis, através da “lista suja”. O Brasil é apontado como uma das referências no assunto. Porém, com a Portaria nº 1.129/2017, baixada pelo Ministério do Trabalho, 90% dos casos não existiriam. A medida proposta pelo governo federal fragiliza o combate ao trabalho escravo. Entretanto, foi suspensa por liminar da ministra Rosa Weber e será julgada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. O empregador que submeter funcionários a condições degradantes entra na “lista suja” e permanece por dois anos no cadastro. O código penal prevê de 5 a 10 anos de reclusão, além de multa.

(*) Leia a nova “Lista Negra” do Ministério do Trabalho no site www. bsbcapital.com.br


Brasília Capital n Política n 5 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br Brasília Capital  Geral  11  Brasília, 28 de outubro a 01 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Incompetência até a última gota

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

O Distrito Federal completa dez meses de racionamento de água e, agora, a expectativa de dois dias com torneiras secas ronda o cotidiano dos brasilienses. Em algumas regiões, aliás, em especial as mais carentes do DF, como Brazlân-

dia, parte da população está sem água há uma semana e sem qualquer aviso prévio: uma espécie de racionamento velado da gestão de Rollemberg. Como não planejou ações efetivas para evitar a crise hídrica – uma tragédia anunciada há, pelo menos, cinco anos – e também não quer macular sua evidente pré-campanha para as eleições de 2018, o governador não diz, às claras, o que vai acontecer daqui por diante. E nem sabe. O engraçado, porém, é que, entre 2011 e 2012, quando começava o seu mandato de senador, Rollemberg alertava, em suas redes sociais, para os riscos de escassez hídrica no DF. Agora, seis anos após suas próprias previsões, ele pre-

fere simplesmente esperar pela chuva ao invés de assumir uma postura séria diante de um grave problema. O nível da Barragem do Descoberto - que abastece 65% da população do DF - caiu a 8,7% e, ainda assim, o governador aguarda o limite de 5%. Tudo para não assumir (o que cabe somente a ele e sua equipe) a responsabilidade de ampliar para 48 horas o racionamento. Enquanto isso, extraoficialmente, o fato é que o corte de água já passa de dois dias em diversas regiões. Mas Rollemberg nega. Ele nega e, sem qualquer constrangimento, ainda publica vídeos tomando banho de chuva (parece até piada) e comemorando as poucas pancadas d’água, no início

deste mês, que, infelizmente, não reverteram a crise hídrica do DF. O governador também não perde uma oportunidade sequer de anunciar à imprensa que a grande solução para o problema é a captação de água no Lago Paranoá: projeto do governo Agnelo que, aliás, não leva em conta nem a preservação do espelho d’água e nem os riscos à saúde da população, já que as águas de um dos principais cartões postais da cidade possuem alta concentração de bactérias e substâncias químicas. Para manter-se no páreo das eleições de 2018, Rollemberg faz com a água do DF o mesmo que faz com a saúde e outras áreas: ele engana a população e terceiriza suas responsabilidades.

Não há, de fato, preocupação com o futuro do abastecimento de água. Há, sim, o medo de perder votos. Por isso, mais uma vez, o governador recorre à farsa e prefere esperar pelo limite do limite. Não fala em proteção e, principalmente, em recuperação de nascentes: essenciais para o abastecimento de qualquer cidade. Será que, novamente, como fez em março deste ano, Rollemberg vai recorrer aos dons esotéricos da Fundação Cacique Cobra Coral para intervir misticamente na crise hídrica do DF e resolver o problema? Aguardemos as próximas coletivas de imprensa.


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Fibra retalia sindicalistas Diretores do Sindaf-DF são afastados do Sesi e Senai por denunciarem IEL como lavanderia de dinheiro ANTÔNIO SABINO

Da Redação

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enúncia de desvio de recursos no Sesi, no Senai e na Federação das Indústrias do DF (Fibra) provocou a suspensão dos contratos de trabalho dos dez diretores do Sindicato dos Empregados em Entidades de Assistência Social e Formação Profissional (Sindaf-DF), inclusive do presidente, Paulo Sérgio Pereira. A principal acusação dos sindicalistas é de que o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), do Sistema S, é utilizado como lavanderia de dinheiro desviado das entidades. Paulo Sérgio, ao lado dos diretores agora sem emprego, tanto no Sesi quanto no Senai, afirma que os cálculos são de “desvios de finalidades” (eufemismo que, segundo ele, inclui roubo) nas duas entidades. O rombo, diz o sindicalista, atingiu R$ 17 milhões em 2013, R$ 23 milhões em 2014, e R$ 19 milhões. Ele argumenta que o presidente da Fibra, Jamal Bittar, ao invés de mandar investigar, proíbe a distribuição do jornal do Sindaf-DF e suspende os contratos de trabalho de toda a diretoria do sindicato. “Na história do movimento sindical nunca existiu isso. Não há precedente no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Uma censura inacreditável, nunca vista na história do sistema”, protesta Paulo Sérgio, ao lado dos seus colegas, estudando como reverter a situação na Justiça. Uma edição do jornal do Sindifaz narrando a retaliação

Paulo Sérgio (esq.) e mais nove diretores suspensos do trabalho, tanto do Sesi quanto do Senai

não pôde ser distribuída no Sesi, no Senai e muito menos na Fibra. Paulo Sérgio ressalva que os valores milionários, que deveriam ser investigados, dizem respeito apenas ao Distrito Federal. O Sindaf-DF denunciou o caso à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e já acionou o Ministério Público do Trabalho e a Justiça do Trabalho. Stanley Gracec, diretor-adjunto do escritório da

OIT afirma na edição de outubro do jornal do sindicato que “Jamil Bittar precisa lembrar que não é dono da Fibra e que o mínimo que deve fazer é respeitar o sindicato e a categoria”. De acordo com Stanley, há clima de terror no Sesi e no Senai, mas eles não podem verificar porque têm a entrada proibida. O Sindaf-DF fez uma relação do que considera práticas antissindicais, levadas ao

conhecimento da Justiça. Entre elas: proibição de entrada de diretores do sindicato nas unidades; transferências arbitrárias de empregados; demissão de dirigentes com estabilidade; não cumprimento de decisão judicial relativa à reintegração de diretor sindical; várias formas de assédio e constrangimento a dirigentes sindicais; e descumprimento do acordo coletivo de trabalho.

Brasília Capital é censurado pela Fibra O presidente da Fibra, Jamil Bittar, proibiu a distribuição do Brasília Capital na federação e nas unidades do Sesi e do Senai. O que provocou sua censura ao jornal foi a reportagem da capa da edição 329, em setembro, sobre a mordomia que membros do Sistema S desfrutariam nos Emirados Árabes durante a realização da 44ª edição da WorldSkills, que contou com a participação de mais de 54 estudantes das duas entidades. Para acom-

panhá-los, iriam dirigentes e convidados, elevando a comitiva para 190 pessoas. A despesa foi calculada em R$ 1 milhão. Devido à denúncia e por causa da divulgação da mordomia que envolveria gente que não participaria da competição, há agora informação de que ao menos trinta pessoas do Distrito Federal deixaram de embarcar para os Emirados Árabes para o evento que ocorreu neste mês de outubro.

Além do “desvio de finalidade”, de acordo com o Sindaf-DF, chegaram ao sindicato informações sobre o uso de funcionários para a execução de serviços particulares nas residências do Jamil Bittar e de outros diretores. “A diretoria reafirma que não vai se intimidar ante a truculência do presidente/dono do Sesi-DF e Senai-DF. O sindicato continuará distribuindo seu boletim e denunciando, com provas, a má-gestão dessa administração. Os trabalhadores que quiserem encaminhar denúncias terão sua identidade preservada”, conclamam os diretores no jornal distribuído neste mês. RESPOSTA DA FIBRA – Por intermédio da assessoria de comunicação, a federação manifestou-se: “Em relação ao afastamento de dez funcionários do Sistema Fibra que são dirigentes do Sindaf-DF, esclarecemos que a suspensão, penalidade prevista em lei, foi motivada por conduta antissindical. O assunto está sendo tratado na Justiça”.

CENSURA CONFIRMADA E ASSUMIDA A assessoria de comunicação informou que a federação “não tem interesse” que o jornal circule em suas dependências. “Quanto à circulação do Brasília Capital dentro das instalações das entidades do Sistema Fibra, informamos que não há interesse em receber exemplares para distribuição interna”.


Brasília Capital n Política n 7 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Servidores propõem resgatar Brasília A Associação dos Procuradores, a Associação dos Gestores em Políticas Públicas e Gestão Governamental, a Associação dos Auditores e Inspetores de Controle Interno e a Associação dos Auditores Tributários, todas representantes de servidores do Distrito Federal lançaram terça-feira (24) o movimento Brasília de Volta ao Eixo. O objetivo do grupo é atrair a sociedade para perto do dia a dia do governo. Por meio do site Brasília de Volta ao Eixo, reuniões e fóruns – com a participação de técnicos e especialistas –, a equipe terá um norte de trabalho pela busca de resultados. O objetivo dessa união é melhorar a eficiência da gestão do GDF pensando numa Brasília para as próximas décadas. O movimento tem como principal foco evitar soluções paliativas de curto prazo e trabalhar estratégias de médio e longo prazos para os problemas da cidade. “O cenário social e político da capital está invertido; segue na contramão de um Estado igualitário”, diz Gerson Júnior, presidente da ADESP. Os principais temas do Brasília de Volta ao Eixo são: gestão pública; eficiência arrecadatória e responsabilidade do gasto público; educação, saúde, segurança e mobilidade; desenvolvimento econômico urbano e rural; inovação, tecnologia e comunicação. “Os planos de governo precisam ser respeitados e o nosso movimento passa a acompanhar essas ações para garantir saúde, educação, segurança, trabalho e uma sociedade mais digna para se viver”, encerra Carlos Valenza, presidente da APDF.

InformAção

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Câmara Legislativa do DF aprova PDAF em primeiro turno

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Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), que permite a transferência direta para as escolas de recursos a serem administrados pelas equipes gestoras, está próximo de se tornar lei. A iniciativa foi criada em 2007 por decreto do governador. Na última terça-feira (24), a Câmara Legislativa aprovou, em primeiro turno, substitutivo ao projeto de nº 1.674/2017, do Poder Executivo, que tramitava em conjunto com o PL n° 360/2015, instituindo o programa. Na avaliação dos dirigentes escolares e dos deputados distritais, a descentralização de recursos nas unidades escolares e regionais de ensino da rede pública do Distrito Federal apresentava vários problemas, como o atraso dos repasses. A ideia da lei é atender com mais rapidez às necessidades dos estudantes e educadores.

Experiências de “lixo zero” foram tema de “Diálogos Inspiradores”

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ealizado uma vez por mês pela Câmara Legislativa, o ciclo de palestras “Diálogos Inspiradores” recebeu, na quinta-feira (26), três especialistas do chamado “programa lixo zero”, que envolve experiências de conscientização e reorientação sobre o manejo do lixo em diversas cidades do mundo. Fundador do Instituto Lixo Zero, Rodrigo Sabatini apresentou as metas da iniciativa e fez provocações ao modo como o cidadão comum lida com o assunto. “Hoje, o cidadão junta todo o lixo em um saco preto e larga na rua para se livrar do problema. Precisamos educar as pessoas para que entendam que lixo não é resíduo, lixo é cidadania”, observou.

corretos. “Na Itália, a indústria foi pressionada e passou a trocar a cápsula de café de plástico por uma biodegradável. Se você quer salvar o mundo, precisa começar de alguma forma”, afirmou.

O sueco Pal Martensson, da organização Zero Waste Europe, ressaltou a força coletiva dos consumidores para exigir das indústrias produtos ecologicamente

Ao final do debate, foi anunciada a realização de um evento sobre lixo zero em Brasília nos dias 15, 16 e 17 de maio de 2018.

Já a americana Leslie Lukacs, da organização Zero Waste International, apresentou os resultados alcançados no estado norte-americano da Califórnia. “Todas as grandes cidades da Califórnia têm planos de lixo zero. Em todo o estado, é obrigatório por lei que as empresas façam sua própria compostagem. Dessa maneira, 75% do lixo não segue para os aterros, o que geraria metano altamente poluente para a atmosfera”.

www.cl.df.gov.br

Foto: Carlos Gandra/CLDF

AGENDA DA SEMANA 30/10/2017 | Segunda-feira 10h

Sessão Solene: Jogos Escolares da Juventude 2017

19h

Sessão Solene: Outubro Rosa

31/10/2017 | Terça-feira 9h30

Reunião Ordinária da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças

10h

Sessão Solene: Encerramento da Semana da Democracia nas escolas

10h30 Reunião Ordinária da Comissão de Constituição e Justiça 14h30 Reunião Ordinária da Comissão de Fiscalização, Governança, Transporte e Controle 15h Sessão Ordinária

01/11/2017 | Quarta-feira 15h

Sessão Ordinária

19h

Abertura da exposição Elas & Elas na Arte

AGENDA SUJEITA A ALTERAÇÕES.

Número de cidadãos que compareceram à CLDF de 29/09 a 06/10

3.417


Brasília Capital n Cidades n 8 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Ministério Público de Contas do DF aponta que o racionamento d’água também é resultado de má administração

Valdeci Rodrigues

O

racionamento d’água não é obra apenas da natureza ou do excesso de consumo da população do Distrito Federal. Oito meses atrás, o Ministério Público de Contas do DF foi taxativo num relatório elaborado para a presidência do TCDF afirmando que mais de um governo foi omisso, deixando de lado diversos alertas sobre a crise hídrica que fatalmente viria a acontecer. No documento, o MPC faz um histórico das falhas e culpa, especialmente, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), tanto que grifa a observação. “As evidências, portanto, parecem comungar para o fato de que a crise hídrica hoje instalada no DF se originou não só das intempéries da natureza ou exorbitante consumo, mas também da deficiente atuação da Adasa, que, vale consignar, recebeu quantidade substancial de recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades”. O relatório faz comparações, por exemplo, do que a agência gasta com pessoal em relação a atividades que poderiam render economia de água. Ao Brasília Capital, a agência respondeu que se trata de relatório antigo e que, “de acordo com projeções da Adasa, a disponibilidade de água estaria assegurada e foram levadas ao conhecimento do Tribunal de Contas do Distrito Federal, em 2011 e 2014, em um cenário em que a Caesb promoveria a ampliação do

A culpa não é de São Pedro sistema de abastecimento público, com a inclusão de três novas fontes de captação: Lago Paranoá, Ribeirão Bananal e Corumbá IV, conforme Planejamento da Expansão do Sistema Produtor de Água, elaborado pela Caesb; a adoção imediata de medidas operacionais para estancar vazamentos em pontos vulneráveis do sistema de abastecimento, além de outras medidas de caráter geral que importam combate ao desperdício de água”. Em seguida, a assessoria de comunicação escreve que “nos diver-

sos estudos e trabalhos técnicos desenvolvidos não apenas pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico, mas pelo GDF, não se vislumbrava nenhum problema de desabastecimento de água no DF, ‘(...) desde que implantadas as infraestruturas planejadas e mantidas as ações contínuas de gestão dos recursos hídricos’”. E termina reafirmando: “para além das questões operacionais a cargo da Caesb, o conhecimento técnico especializado demonstra que a disponibilidade de água não po-

de ser vista isoladamente, estando sujeita à interferência de variantes diversas, tais como fenômenos climáticos, em uma estreita relação causa-efeito. Há que se considerar, ainda, atividades de caráter predatório, que impactam dura e negativamente os recursos hídricos e geram danos de difícil reparação. Evidencie-se, no caso específico do DF, a ocupação desordenada do solo, em face das crescentes pressões demográficas, duramente combatida pelo GDF, em uma parceria de diversos órgãos, entre eles, a Adasa”.


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As evidências indicam que a crise hídrica hoje instalada no DF se originou não só das intempéries da natureza ou exorbitante consumo, mas também da deficiente atuação da Adasa, que, vale consignar, recebeu quantidade substancial de recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades Ministério Público de Contas

Adasa garantia abastecimento até 2040 No relatório do Ministério Público de Contas há citação de relatório feito pela Adasa em março de 2011, em resposta à preocupação TCDF sobre a já previsível falta d’água. Em resposta, a Adasa afirmava que o abastecimento estaria garantido até 2040, e que não havia motivo para alarme: “Os estudos realizados sinalizam que as bacias hidrográficas do DF e Entorno imediato apresentam índices razoáveis de disponibilidade hídrica, mesmo aqueles associados a indicadores de valores mínimos, que revelam que o DF pode dispor de água para o abastecimento até 2030 a 2040”. Em 2013, o TCDF fez duas perguntas à Adasa sobre a capacidade de abastecimento e sobre o risco de racionamento, respondidas no ano seguinte. Igualmente a agência garantiu que não haveria problema. Por isso, o MPC escreveu que a resposta que a agência “asseverou textualmente, após questionamento objetivo do Tribunal, inexistir previsão de desabastecimento em médio e longo prazo, para, três anos depois, apontar que a situação hídrica é gravíssima”. No relatório de fevereiro deste ano, o MPC destaca que “a Adasa gasta mais com propaganda do que em suas atribuições principais”. Naquela ocasião, os gastos previstos em 2017 com “realização de eventos” eram de R$ 2,4 milhões. O MPC acentuou a discrepância: apenas “R$ 150 mil para fiscalização de serviços públicos – abastecimento de água e esgoto; R$ 200 mil para fiscalização de recursos hídricos – Entorno; modernização do sistema de informação R$ 1,2 milhão”.

Bancários do BRB e do Banrisul

contra ataques privatistas

A

luta em defesa dos bancos públicos tem ganhado cada vez mais força pelo país. Como se não bastasse a ofensiva privatista do governo ilegítimo de Michel Temer, que ameaça a manutenção dos bancos públicos nacionais, como a Caixa e o Banco do Brasil, os governos estaduais também tentam atacar os bancos públicos locais, como é o caso do BRB, no DF, e do Banrisul, no Rio Grande do Sul. Contra a tentativa de desmonte do patrimônio do povo brasileiro, dos brasilienses e dos gaúchos, o Sindicato se une a outras entidades

e à população para barrar qualquer ação que coloque em risco os principais agentes financeiros e de desenvolvimento dessas regiões. Em março, inclusive, diretores de Brasília participaram da Assembleia Nacional em Defesa do Banrisul Público, realizada em Porto Alegre (RS). Mesmo com os diversos serviços que impulsionam o crescimento local, as ações do BRB e do Banrisul também estão sob ataque. A medida, tanto em Brasília quanto no Rio Grande do Sul, só atende aos interesses dos banqueiros privados, tratando de mais um fator de enfraquecimento das instituições.


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Estado ineficiente Por Chico Sant’Anna

Os prejuízos que a grilagem causa ao DF GABRIEL JABUR / AGÊNCIA BRASÍLIA

Dois dos maiores problemas por que passa o Distrito Federal na atualidade não existiriam se aqui não houvesse historicamente a cultura e a prática da ocupação selvagem e criminosa de terras públicas. A crise hídrica tem relação direta com o descontrole da grilagem selvagem do território e o roubo (isso mesmo: roubo!) de patrimônio da sociedade em forma de terras públicas, que representa um prejuízo de bilhões de reais ao Estado. Segundo a própria xerife das terras, Bruna Pinheiro, presidente da Agefis, apenas o valor potencial do condomínio Privê Quintas do Alvorada (1.792 lotes) seria capaz de construir dez hospitais. “Aquele parcelamento

Bruna Pinheiro: “Está se roubando muito da população” tem um valor de R$ 300 milhões. A construção de um hospital para uma comunidade de 60 mil pessoas custa cerca de R$ 15 milhões. Que você gaste outros R$ 15 milhões pa-

ra equipar e contratar profissionais. Só o Quintas do Alvorada seria suficiente para dez hospitais desse porte. Está se roubando muito da população”, explica ela.

Tragédia poderia ser muito maior A recente queda de um prédio em construção em Vicente Pires é a demonstração cabal da falência da capacidade do Poder Público de coibir o malfeito. Segundo a Agefis, quem grilou originalmente a Colônia Agrícola Vicente Pires são os mesmos que hoje fazem a “grilagem vertical”. Morreu uma pessoa – o técnico em edificações Agmar Silva –, mas o dano poderia ser muito maior. Informações apontam que o dono do imóvel já tinha sua locação apalavrada com uma tradicional universidade privada. Quantos universitários poderiam

ter morrido, se a queda acontecesse após a ocupação? Como uma escola se instala em prédios erguidos ilegalmente? A Agefis informa que a profissional dita responsável pela obra tem mais de 2 mil projetos em seu nome. Isto leva à suposição de uma prática de venda de assinatura de Responsável Técnico. Então, para quê servem o CREA, o CAU e o CRECI, se não exercem sua função fiscalizadora? Afinal, são autarquias federais que têm a missão legal de “verificar, orientar e fiscalizar o exercício profissional para defender a

sociedade das práticas ilegais”. Mas viraram cartórios. Limitam-se a receber taxas de registros. Quantos engenheiros, arquitetos, corretores de imóveis tiveram os registros profissionais revogados por executar obras sobre terras ilegalmente obtidas ou de comercializarem os imóveis ali erguidos? Que Justiça é essa, que com liminares e outros artifícios jurídicos protege a grilagem, dando tempo para que condomínios se consolidem para que a lei do jeitinho, oficialmente denominada regularização (do que é irregular), possa entrar em ação?

Vicente Pires é um ícone da falta de ação, quiçá conivência, das estruturas que o contribuinte custeia. Erguida na beira da EPTG, em frente à casa oficial do governador, a cidade é um monumento à ineficiência do Estado. Por que será que nenhum governador teve a iniciativa de coibir essa grilagem de terra? Como uma região rural, de propriedade dos governos federal e distrital se transforma em poucos anos numa cidade de 60 mil habitantes e ninguém é preso, obrigado a ressarcir os cofres públicos, indenizar a sociedade. Onde está a fiscalização a cartórios de registros de imóveis que emitiram documentos e escrituras para dar ar de legalidade à ação de grileiros. Quantos donos de cartórios foram punidos ao longo dessas décadas? Onde está o GDF que desde a década de 1980 faz vistas grossas e que deixou áreas enormes se transformarem em aglomerados residenciais, sem planejamento urbano, sem prever vias, escolas, unidades de saúde para atender a população? Onde estão as estruturas policiais? Por que a ação fiscalizadora do Estado é pulverizada e não integrada com plenos poderes para todos os fiscais, sejam do Ibram, da Adasa, da Polícia ou da Agefis? Um fracionamento corporativo que impede a eficiência da ação do Estado. Em termos de infraestrutura, o grileiro fatura e joga no colo do contribuinte o ônus de custear todos os serviços. “Sol Nascente, na Ceilândia, é um exemplo: energia, redes de água pluvial, ônibus, saúde, educação... Em poucos anos uma cidade de 92 mil habitantes nasceu e coube ao Estado providenciar tudo”. Fosse um parcelamento legal de terras, grande parte dessas despesas seria de quem parcelou”. Na leitura de Bruna Pinheiro, essa é uma prática que tem consolidado uma inversão de valores. “O certo vira errado e o errado vira certo. Crianças e jovens estão crescendo com esses valores”. O meio ambiente e o planejamento urbano e social de Brasília são as grandes vítimas. E a população é que é penalizada. Mas é um prejuízo socialmente desigual. Enquanto sofrem mais os moradores das cidades - muitos desprovidos de caixa d’água -, vários dos condomínios irregulares abrem poços artesianos, retiram ilegalmente água do subsolo e passam em brancas nuvens o problema da falta d’água.

Paciência no limite A população, contudo, está se cansando de tanta malandragem, de um lado, e omissão por parte de alguns atores públicos, de outro. Pesquisa da Codeplan, de abril deste ano, indica que 27% dos entrevistados atribuem os problemas hídricos do DF à ocupação desordenada do território gerada pela grilagem. A lotação dos hospitais é vista como o segundo maior problema (25%) decorrente desse caos. E clamam por ações mais enérgicas do Estado. Quase a metade, 48%, entende que é preciso reprimir e punir os atores das grilagens, 26% pedem a prisão dos grileiros e 22% cobram ênfase no combate às invasões.

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress.com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com


É NECESSÁRIO QUE TODOS ECONOMIZEM ÁGUA PARA EVITAR MEDIDAS MAIS EXTREMAS. A SITUAÇÃO É CRÍTICA NO DF. Com o atraso das chuvas no DF e os recordes de temperatura, precisamos nos unir para a água não acabar. Nossos reservatórios alcançaram o nível mais baixo da história e mesmo com o grande esforço do governo, como as obras das estações de captação do Paranoá e do Bananal, é preciso uma força-tarefa de todos. Com a sua ajuda, o consumo de água diminuiu, mas, mesmo assim, é preciso fazer mais. Alerta total no uso consciente da água em casa, no trabalho, na escola, em tudo. Somente assim vamos evitar medidas mais extremas. Todos pela água.

naodesperdiceagua.com.br


Brasília Capital n Cidades n 12 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

M I C R O C O N T O / Luis Gabriel Sousa

VENDO A VIDA COM AS MÃOS – Nasci no escuro. Assim permaneço até hoje, vendo a vida com as mãos. Conheci gente que nunca vou ver, mas que sei perfeitamente cada traço e curva do rosto. Lia ouvindo

TAGUATINGA

Marlon: prazer em administrar

muitas histórias, mas hoje consigo ler com as mãos também. Se enxergo? Sim, eu enxergo com a sensibilidade do tato, com a visão detalhista que o mundo não vê. Vejo com as mãos sem nunca ter usado os olhos, enquanto o mundo se cega aos poucos, mas porque ele quer! (Baseado em leitora de Valparaíso/GO)

ÁGUAS CLARAS JÚLIO PONTES

Ao completar 100 dias no cargo de administrador de Taguatinga, na terça-feira (24), Marlon Costa fez um balanço do que já realizou e considera seu trabalho como “muito prazeroso”. Entre suas principais realizações, ele destaca a construção de mais de mil metros de calçada; revitalização das Praças do DI e da QSF; e o fato de ter zerado 200 pedidos de vistoria, com a contratação de um topógafo; além da instalação de mais de 250 pontos de iluminação pública; e limpeza de mais de 550 bocas de lobo.

Parque em chamas O Parque Ecológico de Águas Claras sofreu, na terça-feira (24), o segundo incêndio em dois meses. Este, muito mais grave do que o primeiro. Foram queimados 113 mil m² de cerrado, atingindo matas de galerias que protegem nascentes e cursos d’água, segundo balanço do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). Usuários e funcionários do parque contam que o fogo começou por volta de 13h40 no local onde um grupo de estudantes se reunia. Comerciantes suspeitam que o consumo de droga na área verde tenha causado o estrago. A tragédia abateu centenas de árvores, como ipês roxos e amarelos, ingás, mangueiras e abacateiros, além de pássaros e animais silvestres.

Segurança em pauta Os crescentes números de roubos e furtos a comércios, residências e pedestres no Setor Habitacional Arniqueiras pautaram uma reunião entre GDF e moradores. Compareceram o administrador de Águas Claras, Valdeci Machado; a deputada distrital Telma Rufino (Pros) e o comandante-geral da PM, coronel Nunes. A reunião mensal é aberta à população. DIVULGAÇÃO

FAIXAS - Na segunda-feira (23), a administração retirou 23 faixas de propaganda da Avenida Hélio Prates. Cavaletes com mensagens às margens de avenidas do DF são irregulares e os responsáveis podem ser punidos com multas.

Pica-pau volta para árvore depois do incêndio na mata

Valdeci Machado (5º da dir. p/ esq.) preocupado com número de roubos

DISTRITO FEDERAL

Estande de tiros Sniper já funciona no ParkShopping Já está funcionando no Park Shopping o primeiro estande de tiros Sniper. Com 400m², a franquia especializada em armamentos com pressão de ar, promete tirar o fôlego de quem quiser se aventurar em uma das quatro modalidades de diversão. O Brasília Capital foi conhecer o espaço e aprovou a estrutura. Os atiradores podem optar pelo tradicional tiro ao alvo ou pelo estande dark (os tiros ocorrem no escuro). Também tem a sala de progressão tática e dois espaços para os atiradores duelarem, para ver quem consegue atingir

os alvos em menos tempo. Em qualquer modalidade, os clientes são acompanhados de instrutores. “É um ótimo jeito de desestressar”, define a empresária Roberta Vangel Lima Duarte, uma das primeiras a testar o estande. “Indico para todas as mulheres”, afirma. A modalidade mais simples, com 100 tiros no estande tradicional, custa R$ 35. Os atiradores podem optar por usar pistolas ou rifles. Os amantes das armas de pressão também podem levar uma para casa. A Sniper vende, ainda, roupas militares e facas especiais.

Pelo fim da paralisia

Ciência e Tecnologia

Os clubes de Rotary de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga; Rotaract, Interact, Rotary Kids Clubes e Casas da Amizade promoverão, domingo (29), uma ação para sensibilizar a população da importância da erradicação da paralisia infantil. Começa às 16h, no Taguaparque, em Taguatinga, com a entrega de folhetos informativos e balões e pirulitos para as crianças.

O secretário de Cidades, Marcos Dantas, participou, terça-feira (24), da abertura da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. O evento reúne governo, escolas, universidades, centros de pesquisa, empresas e organizações para debater sobre a produção científica.


Brasília Capital n Geral n 13 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Jovens em perigo O que está acontecendo com os jovens? Por que tanto desânimo e má vontade? Por que tanto desrespeito com os pais? Esqueceram – ou não apreenderam – a importância do quarto Mandamento: “honrar vossos pais para teres uma longa vida na terra que Deus vos dará”. Por que tanto desrespeito com idosos e professores? Por que tanta discriminação? Nunca vi uma época

de jovens tão fracos para enfrentar as dificuldades da vida como esta atual. Diante de qualquer dificuldade fazem drama. Criticam colegas, escolas e professores para não estudar. Criticam trabalho e salário para não trabalhar. Criticam o momento atual do país para justificar o desânimo, esquecidos que daqui a pouco o país volta a crescer e voltam também as oportunidades.

Parlamentares do Brasil, campeões mundiais de mordomias Além da referência de serem corruptos por vocação, os parlamentares do Brasil são campeões invictos de gastanças, além das inúmeras mordomias, a exemplo de residência oficial, polpudas verbas para gastos pessoais, plano de saúde fabuloso com despesas pagas em cirurgias até mesmo no exterior, carro de luxo com motorista e contratação de assessores às dezenas. Neste último item, o campeão local é o senador

brasiliense Hélio José, com 91 funcionários lotados em seus gabinetes. Filiado seguidamente a nada menos de cinco partidos, desde que se elegeu como suplente do atual governador do DF, Rodrigo Rollemberg, em 2010, HJ começou no PT e, de galho em galho, pulou para o PSD, migrou para o PMB, transferiu-se para o PMDB e agora optou pelo Pros. Quanto ao próximo, só ele e Deus sabem!

MARCELO RAMOS O REPÓRTER DO POVÃO

Programa O Povo e o Poder das 8h às 10h de segunda a sábado Notícias, Esportes e Músicas

Rádio JK - AM 1.410 Ligue e participe: (61) 9 9881-3086 www.opovoeopoder.com.br

Quando procuram outros afins para queixar-se é porque esse desânimo virou doença. Qualquer dificuldade se vence com o enfrentamento e ajuda especializada, se preciso for. Mesmo quando não se consegue, fica-se mais forte. Por que é tão difícil acreditar em si? Porque nunca tentaram. Porque sempre colocaram a culpa nos outros. É preciso assumir sua fraqueza. Acreditar que pode se fortalecer e vencer as batalhas que aparecerão na vida. Desânimo é fraqueza, e fraqueza vence-se desenvolvendo-se em sabedoria. Sabedoria vem com o conhecimento aplicado mais a experiência. À medida que for fortalecendo-se, sentirá uma alegria diferente e confiança que ainda não tinha sentido.

Assim, será capaz de colaborar para fortalecer outros iguais, e isso lhe dará sentimento de utilidade, dignidade, mais confiança e mais alegria. Pare de culpar as pessoas e o mundo. Pare de justificar-se. A vida tem sentido. Você nasceu para fazer um aprendizado e dar sua colaboração da melhor maneira possível de acordo com sua característica. Escolha um ideal e vá à luta com disposição. O que não der certo será experiência. Aprenda com o psicanalista Carl Jung: “o objetivo da vida é acender uma luz na escuridão do ser”. Força, foco e fé!

Diga-se de passagem, Hélio José não é o único que goza do privilégio da escolha dos assessores ao bel-prazer. Dois outros parlamentares ocupam o segundo e terceiro lugares no ranking: o senador Fernando Collor (PTC-AL), com 81 assessores; e o senador João Alberto de Souza (PMDB-MA), com 79. E por serem de outros estados, estes dois últimos têm direito a contratar equipes de funcionários em suas respectivas bases, num total não divulgado e que aumenta sobremaneira suas folhas de pagamentos para bilhões de reais, com a soma do total de 81 senadores. Mas para que não dê a impressão de que minha intenção é perseguir os parlamentares nacionais, relaciono neste parágrafo que três deles merecem elogios: o senador brasiliense José Antônio Reguffe (sem partido), com 9 assessores; o senador Lasier Martins (PDT-RS), com

19; e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com 20. Por mera coincidência, para orgulho da classe de nosotros, os dois primeiros são jornalistas. Além do custo estratosférico com o Parlamento nacional, a tendência é aumentar ainda mais, com o aparecimento de novas siglas partidárias, que hoje já somam 35. Nesse autêntico “Samba do crioulo doido”, como diria Stanislaw Ponte Preta, personagem do saudoso cronista carioca Sérgio Porto, o eleitor brasileiro fica baratinado, sem saber realmente em quem votar. A alternativa é adivinhar, ação que está inclusa no jogo de azar, que, aliás, é proibido. E vai preso se não der propina pra polícia, porque corrupção no Brasil é bem cultural.

José Matos Professor e palestrante

Fernando Pinto Jornalista e escritor


Brasília Capital n Geral n 14 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Como melhorar o emprego dos sinais de pontuação na minha redação? Esta é uma das perguntas que mais respondo desde que comecei a dar aulas (e já faz 10 anos)! Enfim, resolvi respondê-la em forma de artigo, para dirimir quaisquer dúvidas acerca desse importante processo! Vamos juntos? Primeiramente, coloque esta informação na sua cabeça: aprender a pontuar corretamente suas produções textuais não é uma tarefa rápida! Ninguém consegue isso da noite para o dia! Não há macete! Duas virtudes lhe serão importantes: disposição para treinar e paciência para alcançar os resultados! Todavia, garanto: vale muito a pena! Saber resolver questões de pontuação é diferente (e mais fácil) de empregar corretamente vírgulas em uma redação. Estudar gramática leva qualquer um ao primeiro resultado, mas não garante o segundo. A língua escrita – diferentemente da fala – é fruto de aprendizado e vivência. Se você fez isso ao longo do ensino fundamental e médio, provavelmente hoje não sofra ao redigir textos. Mas, se você faz parte do grupo dos que sofrem, não é necessário desespero! Vou montar um plano que vai solucionar isso:

Fase 2: Experimentação. • Leia, analise e reescreva bons textos. Como alguém aprende a dirigir ou cozinhar? Vendo alguém dirigindo ou cozinhando! Eu pergunto: como você espera escrever bem, se você raramente está em contato com bons textos? Para essa fase, recomendo a escolha de textos jornalísticos, uma vez que eles apresentam linguagem culta (gramaticalmente correta e contemporânea). Além de ler os textos, é necessário analisá-los. Tente justificar o motivo pelo qual cada sinal de pontuação foi empregado. Por fim, faça paráfrases do que foi lido. Pensar em novas formas de escrever o texto reforça o entendimento sobre as pontuações.

Fase 1: Aquisição de conhecimento. • Estude pontuação. Identifique quais são os sinais de pontuação usados na nossa língua. Dê prioridade, inicialmente, ao ponto final e à vírgula (que são usados com mais frequência). Detalhe importantíssimo: você não entenderá nada sobre pontuação se não estudar, antes, sintaxe. Qualquer estudo gramatical exige pré-requisitos! Talvez, sua dificuldade em pontuação está no pouco conhecimento sobre o sujeito, por exemplo! • Resolva questões sobre pontuação. Essa é a maneira mais eficiente para fixar o que você anteriormente estudou. Busque muitas questões de provas já aplicadas e resolva-as! Neste momento, você, automaticamente, estará se preparando para provas objetivas!

Fase 4: Ousadia. • Aumente seu leque de possibilidades. Depois de se sentir seguro na fase 3, tente novas pontuações. Sugiro, principalmente, travessões, parênteses, ponto e vírgula e dois-pontos. Se você seguir esse plano, com muita disciplina e determinação, garanto que você conseguirá resultados maravilhosos! Asseguro, novamente, que o processo não é rápido; todavia, duradouro! Para complementar este artigo, demonstrarei todo o plano, ao vivo, na segunda-feira (30), às 19h, no Na Ponta da Língua, o programa que mensalmente apresento no YouTube do Gran Cursos Online! Não perca a oportunidade de tornar a sua redação ainda mais poderosa!

Fase 3: Prática. • Comece a escrever suas próprias redações. Agora, é o momento da prática autoral. Transmita as suas ideias para o papel. Inicialmente, escolha temas que sejam fáceis, para que você possa concentrar boa parte dos seus esforços na estruturação do texto. Além disso, para começar, procure usar apenas vírgulas e pontos finais.

Elias Santana Professor de Língua Portuguesa e mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB)

Qual profissional deve orientar a introdução alimentar? Aos seis meses de vida, a criança está apta a receber alimentos sólidos. Ou seja, é o momento de introduzir vegetais, frutas, carnes e cereais em sua dieta, além do leite materno, que deve ser oferecido de forma exclusiva pelo menos até esse período. Isso já é um consenso. O primeiro ano de vida é um período de intensa transformação para o bebê, para a mãe e para a família de modo geral. Normalmente, o período de introdução alimentar é um momento delicado para a família, especialmente se não houver uma orientação adequada de como fazer esse processo. Chamo a introdução alimenTenho encontrado tar de “processo” porque ocorre muitas orientações de forma relativamente demoraequivocadas, desde da. Ele se inicia aos seis meses e a introdução tardia de só após mais seis meses de tentativas, negativas e aceitações é grupos alimentares que a criança começa a comer os possivelmente alimentos preparados para toda alergênicos a família. até alimentos Claro que, para isso, a família precisa ter refeições saudáveis, industrializados e açúcar com pouco sal e óleo e, de prefede forma precoce rência, nada de adição de açúcar. São aproximadamente seis meses de introdução de alimentos, e cada criança tem seu ritmo e seu tempo. Fazemos uma previsão na literatura. Porém, sempre levar a individualidade em consideração será a melhor forma de fazer a introdução alimentar. Além das papinhas, temos ainda um método que tem ganhado muitos adeptos: o BLW (em outro momento explicarei melhor). Bom, vamos ao ponto... do porquê da minha pergunta no título. Tenho encontrado muitas orientações equivocadas de introdução de alimentos, desde a introdução tardia de grupos alimentares possivelmente alergênicos (já sabemos que quando esses alimentos são inseridos na dieta durante o aleitamento ocorre o efeito protetor do leite materno), até a introdução de alimentos industrializados e açúcar de forma precoce. Reforço que o nutricionista – neste caso, um que especialista que tenha experiência em nutrição materno-infantil – é o profissional mais indicado para fazer as orientações. Cada vez mais atendo casos de introdução alimentar realizados de forma indevida. E lembro a todos que é no início da vida que temos a fase crítica para todas as doenças que nos acometem na idade adulta, especialmente as de cunho nutricional.

Caroline Romeiro Nutricionista e professora na Universidade Católica de Brasília (UCB)


Brasília Capital n Cultura n 15 n Brasília, 28 de outubro a 3 de novembro de 2017 - bsbcapital.com.br

Mario Pontes (*)

E

njoado de tanta notícia porca, mudei para um canal desconhecido. A manobra me valeu um prêmio. Na tela, as imagens de um já antigo documentário sobre alguém realmente importante na vida intelectual do século XX: Claude Lévi-Strauss. Judeu belga nascido em 1908, ele é bem conhecido e admirado por muitos brasileiros, em particular os que foram seus alunos ou colegas na Universidade de São Paulo; os que o acompanharam em suas visitas a aldeias de indígenas, cujos modos de viver e conceber o mundo inspiraram parte significativa de sua obra científica; e aqueles que, como o autor destas linhas, leram pelo menos o essencial do que ele escreveu. O homem que aparecia na tela tinha pouco a ver com o daqueles retratinhos três-por-quatro, às vezes impressos nas orelhas dos seus livros. Nas conversas com os entrevistadores ele esteve sempre de pé, mas nem parado nem rígido, como costumam se portar diante das objetivas aqueles que não são gênios mas têm sempre de fingir que são os tais. Vestia-se muito simplesmente, com uma calça escura amassada e uma camisa solta, de quatro bolsos, como aquelas que eu e mais alguns milhões de adolescentes usávamos lá pelas décadas de 40 e 50 do século passado. De vez em quando, Lévi ria de si mesmo. E o espectador MP também sorriu, ao lembrar-se das várias vezes em que o nome do antropólogo foi usado para aporrinhá-lo. Naquele tempo, embora fosse sabidamente agnóstico, fui convidado a trabalhar na Editora Vozes, dos frades franciscanos menores de Petrópolis. Para começar, atribuíram-me a tarefa de atualizar-modernizar o visual dos

O boteco do Lévi DIVULGAÇÃO

Claude Lévi-Strauss: a troca contribuía para o estabelecimento e a manutenção de relações sociais

livros e periódicos ali editados desde os primeiros anos do século XX, para que correspondessem à abertura de comportamento da Igreja em tempo de Concílio. Depois, informalmente, tornei-me um dos três editores da quase secular Revista Vozes, que ao se abrir a várias correntes de idéias do mundo contemporâneo passou a chamar-se Revista de Cultura Vozes. A resposta do público laico superou as expectativas. Não só no tocante ao número de leitores, mas também quanto à disposição de intelectuais – em geral procedentes de universidades – de colaborar com aquele renovado veículo de cultura. E nesse ponto entro eu. Embora, co-

mo já disse, minha tarefa específica fosse cuidar da boa aparência da revista, seus diretores frequentemente pediam minha opinião sobre o conteúdo dos textos a serem publicados e, em particular, daqueles que não eram solicitados mas oferecidos. Entre as correntes de pensamento que então dominavam o mercado das idéias, destacava-se o estruturalismo. Certamente por causa da visão aberta de muitos dos seus seguidores, sua concepção das formas sociais, seu tratamento não dogmático das experiências humanas, em tempo de novos, sisudos e às vezes ferozes dogmatismos. Nessa atmosfera intelectual, como seria de esperar, o que não

faltavam eram referências às idéias estruturalistas nos textos candidatos à publicação na revista. Infelizmente, em algumas dessas ofertas havia mais gatos do que lebres. Como constatei após a leitura de um trabalho sobre o estruturalismo de Strauss oferecido por três jovens universitários. Era tudo cópia, repetição, uso indevido até daqueles pequenos e simplérrimos gráficos que o autor desenhava para ser mais facilmente entendido. Nervosos, os candidatos esperavam minha opinião sobre seu trabalho. — Sabem o que levou Strauss a descobrir a importância da idéia de troca e dar-lhe um lugar de destaque em sua obra? – Os três se entreolharam e nada tinham para dizer. – Não sabem? Pois eu lhes digo. Em visita ao sul da França, ele observou que os frequentadores de um boteco de quinta categoria tinham o hábito de, antes de beber o primeiro trago, derramar metade do seu vinho no copo do cliente mais próximo. Como todos faziam o mesmo, a quantidade do vinho em cada copo permanecia a mesma. Por que então o ritual? Porque a troca contribuía para o estabelecimento e a manutenção de relações sociais. E, mais importante ainda, o hábito da troca era um fato intrínseco, inseparável, da própria constituição da vida social. Esqueceram? Pois leiam uma de suas obras básicas, As estruturas elementares do parentesco; que, por coincidência, foi traduzida e editada no Brasil em 1949, pela Editora Vozes, a mesma que edita a revista em cujas páginas vocês gostariam de estar presentes.

(*) Mario Pontes, ex-editor do Caderno Livro, do Jornal do Brasil, ficcionista e tradutor de obras de ficção e ensaio. Mora no Rio.


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