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Mundo das Ideias - Edição 9 - Osório, 05 de Dezembro de 2019

mundo das ideias

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suplemento mensal

Marcelo Oliveira Ribeiro Professor/Mestre

leitora, uma breve explicação sobre o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido recentemente, em 2017. Bauman trabalhava principalmente com uma análise das sociedades contemporâneas através de uma ideia de “modernidade líquida”, ou seja, uma modernidade marcada pela fluidez dos laços humanos, por uma inconstância nos elementos dos grupos sociais.

A título de ilustração, pensemos na oposição entre o sólido e o líquido. Se pegamos algo sólido, como um copo, e colocamos sobre uma

A samambaia misteriosa no Morro da Borússia

Fabiano de Souza Marques Página 2

O grito feminista chileno: “El violador eres tu”

Gabriela Prestes Página 3

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superfície, temos a certeza de que aquele objeto permanecerá lá, firme e imóvel. Mas, se derramamos um líquido, por exemplo, a água do mesmo copo, sobre a superfície, ela vai escorrer, se espalhar, livremente. Para Bauman, vivemos tempos líquidos, inconstantes, com relacionamentos e instituições fluídas. Pense nas redes sociais, nos contatos que vão e vêm, no fato de que hoje fazemos e desfazemos amizades com um clique, e tudo (amor, arte, gostos, ideias etc.) escorre por nossos dedos, em um fluxo constante. De modo geral isso também serve de metáfora para uma relação entre segurança e liberdade: em uma modernidade líquida somos mais livres, porém mais inseguros. E, do contrário, quando buscamos mais segurança, mais estabilidade, precisamos abrir mão da liberdade, ou ao menos de parte dela. Pronto! Agora que sabemos um pouco sobre o Bauman, podemos nos indagar porquê nosso sábio guardador de carros “não gosta muito” dele. Afinal, o sociólogo parece ter razão na análise que faz – e alguns o criticam justamente por isso. Bauman, para jovens guardadores de carro mestrandos em Sociologia, diz o óbvio. Em sua defesa,

Elza: Da Fome à Fama

Magda Altafini Página 3

afirmo que é difícil dizer o óbvio, e não são todos que conseguem, de modo claro, falar sobre as coisas que todo mundo vive, mas quase ninguém compreende. Para ilustrar o que eu sustento, proponho a seguinte reflexão: pressupondo que você, meu leitor ou minha leitora, seja morador ou moradora de Osório, diria que esta cidade é líquida ou sólida? Se ela for líquida, temos uma cidade em constante mudança, onde as pessoas são livres, mas nem sempre seguras. Se ela for sólida, temos uma cidade segura, tradicional, mas que restringe seus habitantes. Arrisca uma opinião? Difícil fazer a análise, não? Pois Bauman escreve justamente sobre isso. Infelizmente, como eu informei, ele faleceu em 2017, antes que pudesse conhecer a Cidade dos Ventos e dar sua opinião sobre a questão proposta. Porém, em seu lugar, temos pessoas dispostas a refletir longamente sobre a questão e fazer uma análise complexa, para chegar a um resultado que pode parecer simples, mas talvez seja genial. E essas pessoas podem estar nos lugares mais inusitados, só esperando para serem ouvidas. Por isso, Osório necessita de estacionamentos. Urgentemente.

O Novo Tempo

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Faz algum tempo (coisa de uns 3 anos, mais ou menos) fui a Porto Alegre, à noite, para um show. Por questões de segurança, deixei o carro em um estacionamento fechado, destes em que a chave fica com o guardador. O guardador, no caso, era um rapaz jovem, de uns vinte e cinco anos, talvez mais. Ao entregar a chave notei um livro sobre a mesa da cabine onde o mesmo passaria a madrugada e não pude deixar de ler o nome do autor: Anthony Giddens, um sociólogo contemporâneo. Confesso: não esperava que o jovem guardador de carros escolhesse Giddens para acompanha-lo na madrugada. Foi inevitável puxar papo sobre o mesmo. “Então, lendo Giddens?” E a resposta: “Sim, faço mestrado em Sociologia na UFRGS”. Os últimos butiás do meu bolso já rolavam pelo chão do estacionamento. Confesso²: não esperava que o jovem guardador de carros fosse mestrando em Sociologia. Um tanto por reflexo, disse que eu lecionava Sociologia para o Ensino Médio e trabalhava alguns temas em cursos de Graduação, alguns autores, por exemplo, o Bauman... E ele: “Não gosto muito do Bauman”. Acredito que seja importante, neste ponto, para não perder o leitor ou a

Osório necessita de estacionamentos

Solano Reis Página 4


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FABIANO DE SOUZA MARQUES Professor, Escritor e Pesquisador fabiano_desouzamarques@yahoo.com.br

A samambaia misteriosa na estrada do Morro da Borússia E

Mas, outra coisa me chama atenção: uma samambaia no chão sozinha a se mexer.

ra sábado de uma manhã de primavera. Peguei a bicicleta e os equipamentos e decidi subir o Morro da Borússia. Sai de casa lá pelas 9h. Já no deslocamento, pela rua, sentia uma pequena brisa no rosto e aquele cheiro da manhã entrava com uma energia incrível no meu corpo. Um mês antes, tinha terminado de ler um livro “A vida secreta das árvores” de Peter Wohlleben. Subindo a estrada, o cheiro verde da mata e os cantos dos pássaros misturando-se com o barulho da água corrente vindo das calhas em sua beira da estrada, faziam daquela pedalada mais do que um exercício físico: uma contemplação com a natureza em um lugar incrível. Tratase de uma grande oportunidade, ainda mais para um geógrafo, que está sempre olhando para tudo, tentando conceituar o espaço. Quando cheguei perto do restaurante do Dodô, lugar espetacular que frequento sempre que posso, entrei na estrada à esquerda subindo rumo à Estrada da Goiabeira. A subida começa a ficar mais íngreme. Estrada estava vazia naquele dia. Depois de passar alguns perrengues, me deparo com árvores que em alguns momentos atravessam a estrada, criando túneis naturais e verdes. Já na metade do caminho me deparo com uma frondosa Figueira, árvore exuberante. Pelo tamanho parecia centenária. Então, resolvo parar embaixo para tomar água e observar o quanto é frondosa essa árvore. Mas, outra coisa me chama atenção: uma samambaia no chão sozinha a se mexer. No entanto, outras samambaias e plantas não se mexiam. Fiquei intrigado! Por que somente ela se mexia? Larguei a bicicleta e fui caminhando em direção a ela sem fazer barulho, tentando entender o mistério. Afinal naquele local não havia vento. Ela estava entre duas elevações. Chegando perto observei o “motivo”: uma pequena aranha fazia uma complexa teia e tentava pegar a sua presa, um tipo de besouro que tinha se emaranhado na teia, ia do meio da samambaia até o caule de outra árvore que ali habitava. Fiquei ali um bom tempo.

Depois, peguei a bicicleta e sai morro a dentro. Aquele momento me fez lembrar de uma frase do físico Marcelo Gleiser, que disse em uma entrevista que “nada fica parado e que tudo vibra”. Significa, então, que não existe energia parada, estática, e o nada do ponto de vista físico também está em movimento? Isso me levou a um conflito existencialista que insiste em orbitar a minha mente. É preciso ver o mundo para poder conceituá-lo. Será que seremos pontos insignificantes diante do universo? Será que somos os únicos aqui? Quantos cientistas, quantos experimentos fizeram para explicar as conexões e desconexões da matéria e dos espaços e dos movimentos? desse planeta desde a nossa evolução? A vida é um véu complexo que nos possibilita experimentos e grandes descobertas que ainda não fizemos. Qual a matéria prima básica do cosmos? Segundo Tales de Mileto (624 a.C. 546 aC.) O conceito metafísico tinha um viés de monismo, onde tudo era constituído de uma única matéria. No caso, para ele era a água.

Nas grandes navegações no século XV, quantas perguntas fizeram a si mesmos, quando se largaram no imenso oceano seja o motivo pelo qual, mas a incerteza e a sede pelo desconhecido os fizeram navegar? Na sequência Darwin, com a teoria da evolução, e Einstein, na teoria da relatividade, trouxeram a compreensão desse arcabouço ainda em movimento. E os astronautas em plena Guerra Fria? Quantas perguntas apresentaram sobre o imenso espaço? Bem se sabe que hoje a grandeza de descobrir outros planetas depende de outras questões que ainda estamos resolvendo como econômicas, questões físicas, de deslocamento e psíquicas. Será que estamos preparados para ficarmos sozinhos em uma viagem por muitos anos para descobrir outros planetas? O que descobriremos sobre a nossa existência? Sobre o universo? Nosso desafio será na atualidade entendermos esse complexo conceito de vida, seja de uma aranha, de uma samambaia, de uma figueira e da nossa espécie em relação ao planeta e ao universo que ainda desconhecemos.

EXPEDIENTE

Mundo das Ideias Caderno encartado no Jornal Bons Ventos

Atendimento: Estética Sublime Essência Rua Getúlio Vargas - 240 - Osório Agendamentos: 99631-5940 (WhatsApp)

Jornalista responsável: Antão Sampaio RMT 5514 Edição: Solano Reis Diagramação: Gregory Santos Contato: solreis@terra.com.br Impressão: Soller Indústria Gráfica


ORNALISTA

O grito feminista chileno: El violador eres tu

As mulheres chilenas entoaram a música mais linda de 2019, dando exemplo para todas as demais mulheres da América Latina. Elas foram às ruas para denunciar os abusos cometidos durantes os protestos no Chile nos últimos meses. As torturas e excessos de violência por parte dos carabineiros (polícia ostensiva do Chile) com os manifestantes deixaram centenas de chilenos cegos, homens torturados, mulheres abusadas. Uma jornalista que denunciava os abusos por meio de fotografias, Albertina Martinez Burgos, de 38 anos, foi encontrada morta a facadas em seu apartamento no centro de Santiago no dia 24 de novembro e teve seu material de trabalho levado. A Anistia Internacional em relatório divulgado em 25 de novembro deste ano contabilizou 26 mortos, 2.300 feridos, 287 pessoas com trauma ocular grave (de tiros nos olhos), 1.110 queixas de tortura e 70 casos de abuso sexual de mulheres por parte dos repressores. Um dos abusos era prender os manifestantes e na delegacia deixá-los nus e agachados, por isso parte da coreografia da dança de protesto das mulheres chilenas tem esse movimento. **As manifestações no Chile iniciaram no dia 25 de outubro deste ano, no centro de Santiago para protestar contra a desigualdade social no país e exigir a implementação de reformas sociais profundas por parte do governo de Sebastian Piñera. A manifestação já foi considerada a maior no Chile desde o retorno à democracia. Que o grito das mulheres chilenas acorde toda a América Latina! O vídeo da música de protesto das mulheres chilenas pode ser conferido pelo link https://www.youtube. com/watch?v=pCiUnUrfLrU . Abaixo, parte da letra:

El violador eres tu El patriarcado es um juez que nos juzga por nacer y nuestro castigo es la violência que yas ves El patriarcado es um juez que nos juzga por nacer y nuestro castigo es la violência que yas ves Es femicidio. impunidad para mi asesino Es la desaparición. Es la violación. Y la culpa no era mía: ni donde estaba ni como vestía. Y la culpa no era mía: ni donde estaba ni como vestía. Y la culpa no era mía:

ni donde estaba ni como vestía. Y la culpa no era mía: ni donde estaba ni como vestía. El violador eres tú. El violador eres tú. Son los pacos, los jueces, el Estado, el presidente. El Estado opressor es um macho violador! El Estado opressor es um macho violador! El Estado opressor es um macho violador! El violador eres tú. El violador eres tú.

Mestre em Educação, Palestrante, Psicopedagoga Clínica, Neuropsicóloga, Escritora, apaixonada por música.

Elza: Da Fome à Fama Na passagem do mês de Novembro, Mês da Consciência Negra, lembrei de homenagear Elza Soares – Negra, mulher, pobre que enfrentou todo o preconceito superando a fome com o seu talento na música. “Se eu quiser fumo eu fumo, se eu quiser beber eu bebo. Não interessa mais ninguém. Se o meu passado foi lama, hoje quem me difama ...Viveu na lama também.” Com esta música de Paulo Marques & Ailce Chaves Elza Soares iniciou sua carreira musical como caloura no programa de rádio de Ari Barroso - Radio Tupi no ano de 1953. Uma menina de 16 anos, uma jovem pobre mãe que lutava para alimentar seus filhos. Sua voz era o seu talento e a possibilidade de colocar comida na mesa. O povo jamais imaginaria que ainda em pleno século XXI, ela continuaria a encantar, ensinar e surpreender. Mulher, Jovem, negra, desnutrida, pobre e favelada, na década de 50 ? Só a coragem desta menina/mulher já caberia aplausos. Forçada a casar aos 13 anos sofreu violência doméstica e sexual. Aos 15 anos perdeu o primeiro filho para a desnutrição e como se não bastasse perderia ao longo da vida, mais três dos oito que tivera. Seu primeiro emprego mais formal, pois antes ajudava a mãe com a busca, entrega e lavagem das roupas das madames do Rio, foi numa fábrica de sabão. O salário agregado ao do marido que trabalhava numa pedreira não dava para sustentar a família. Elza sabia que tinha na sua “garganta” uma ferramenta maravilhosa para conseguir mais alguns trocados para alimentar a sua família. Com este objetivo se inscreveu no programa de calouro da Radio Tupi, pois o prêmio era uma quantia razoavelmente boa e que poderia ajudar na compra de mantimentos. Não tinha calçado e nem roupa adequada para se apresentar, por este motivo pegou emprestado de sua mãe que era no mínimo 20 kilos mais gorda que ela, que na época pesava 40 kilos. Prendeu “os panos que sobravam” com alfinetes, ajeitou os cabelos do jeito que dava e se foi tentar a sorte. O programa era realizado num pequeno auditório com a presença de algumas pessoas que iam lá para assistir aos calouros. Era moda na época, o programa fazia bastante sucesso e Ari Barroso já era conhecido pelas suas composições e pelo talento com o público. Quando aquela figura magrela, descabelada e desmantelada entrou no palco, as risadas foram inevitáveis. Realmente aquela figura não remetia a nenhuma diva da música brasileira. Ari Barroso aproveitando o clima “divertido” da plateia resolveu puxar uma conversa antes da apresentação para se aproveitar daquele momento - dar IBOPE – acho que o IBOPE nem existia nesta época, mas enfim .. - O que você veio fazer aqui? - Vim cantar ... E quem disse que você canta? - Eu, Seu Ari !!! - De que planeta você veio? Do seu planeta ... - Posso lhe perguntar que planeta é esse? - Do Planeta Fome !!!! As risadas cessaram na hora. Ela cantou e encantou a todos. Ari Barroso impressionado com Elza disse: - Senhoras e senhores, neste exato momento acaba de nascer uma estrela. Neste momento começou a carreira de Elza Soares. Ficou nacionalmente conhecida com “Se acaso você chegasse” – uma das primeiras músicas que eu decorei na vida. Aos 21 anos ficou viúva. Teve que sustentar os filhos, enfrentou o preconceito por ser mulher, negra, pobre e sozinha. Foi 17 anos casada com Garricha onde conviveu mais uma vez com agressões, traições e com o alcoolismo do companheiro. Morou no exterior onde fez sucesso internacional, teve altos e baixos em sua carreira, mas nunca deixou a peteca cair. Aliás, uma queda do palco durante um show quase lhe deixou paraplégica. Até hoje ela se apresenta sentada numa cadeira que mais parece um trono. Um verdadeiro trono para uma rainha que superou todas as dificuldades que uma mulher, artista, pobre, negra pode enfrentar neste país superando todas as expectativas. Neste ano de 2019 recebeu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul o título de Doutora Honoris Causa pelo conjunto da sua obra. Foi um momento histórico, pois Elza foi a primeira mulher negra, ligada à Música Popular Brasileira que recebeu este título. Sua biografia - inspiração para este texto - também foi lançada este ano, escrita pelo jornalista Zeca Camargo. Vale muito a leitura! Recomendo.

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GABRIELA PRESTES J

MAGDA ALTAFINI

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Rua 7 de Setembro, 385 - Sala 602 - 6º Andar - Ed. Manhatan - Centro - Osório Fone: 3663.3736


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MUNDO DAS IDEIAS - EDIÇÃO 9 - OSÓRIO, 05 DE DEZEMBRO DE 2019 C��������

S OLANO REIS

O Novo Tempo ARQUIVO: MÁRIO GUBERT

FALOU FALOU EE DISSE… DISSE… “O rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo”. Dante Mantovani, presidente da Funarte

João Batista, Luis Henrique Benfica, Vanderlei Dias, Silvio Benfica, Sérgio Rolim, Solano Reis

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início dos anos 80 foi movimentado. Em Osório também. Redemocratização, eleições diretas, fim das áreas de segurança, greves, surgimento de novas lideranças, inconformidade, abertura política e a volta de exilados eram alguns temas que estavam em voga. Os novos ares eram anunciados pelo movimento musical new wave, que se iniciou no final dos anos 70 nos EUA e Europa, anunciando uma nova era (new age) chegando até aqui através da estética que valorizava as roupas excessivamente coloridas, ombreiras, cabelos ao estilo punk, mas bem alinhados e certo ar de deboche juvenil. O pop rock nacional traduziu com propriedade jeito de ver o mundo. Titãs, Kid Abelha, Blitz, Rádio Taxi, Paralamas do Sucesso, RPM, Plebe Rude transitaram pelos palcos de todo o Brasil juntando um pouco de tudo. Punk, Diretas-Já, diversão pura carioca, praia, Brasília, São Paulo, injustiças sociais, enfim, um caldeirão de ideias e ânimos revitalizando um rock nacional decadente. Na província, a Marshmallow, no GAO, era o ponto de encontro da garotada do Centro. As festas no Clube União, no Ginásio do Glória, no Prudente, em outros locais alternativos, reuniam também aqueles que, ao largo de movimentos estéticos, musicais ou

políticos, queriam pouco mais do que alguns momentos de diversão. O prédio do Cinema Central, desativado junto com o Labor, foi uma dessas alternativas. Transformou-se numa discoteca. Reuniu uma turma grande, gente que, por falta de condições econômicas, pouco frequentava o GAO ou GESB . Havia som aos sábados à noite, para os jovens adultos, e no domingo à tarde, quando a piazada tomava conta da pista. A festa se iniciava às 15h e terminava por volta das 20h, quando começava a festa para os maiores. Não eram incomuns os comentários de desdém feitos pela turma mais abastada, desprezando as parcas condições do local e da chusma que ali buscava diversão. Uma das boas iniciativas da imprensa osoriense surgiu logo depois deste período. O Jornal Novo Tempo, criado pelo Silvio Benfica e pelo Clóvis Brum, o Seco, se apresentava como a imprensa alternativa da cidade. Bem feito, contava com as fotos do Teca, Mário Gubert, um autodidata com olhar preciso, e com textos primorosos do Rico, Luís Henrique Benfica, também ilustrador. A redação era acanhada. Improvisada até. Na Galeria Real. O rádio, sintonizado invariavelmente na Band FM, enchia a sala de Mercedes Sosa, Milton, Beto Guedes, Chico,

Rua Machado de Assis - 282 - Osório/RS

Elis, John Lennon, Beatles, Rolling Stones. Odilon Ramos comentava os fatos da cidade em versos. Certo Capitão Rodrigo alfinetava os políticos de então. Contribui com algumas crônicas musicais, apresentando os discos lançados na época e com uma sucinta agenda de programação de eventos. O Novo Tempo tinha qualidade editorial, apresentava propostas para a cidade, mas não resistiu a um mercado publicitário incipiente, que via na propaganda um ônus, não um investimento. O jornal era muito ousado para a época. Fugia ao padrão. Não conseguiu transformar qualidade em vendas.

“Se o rock é ilegal, me enfiem na prisão!” Kurt Cobain

“Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro”. Raul Seixas

“Não sou eu. São as músicas. Eu sou só o carteiro, eu entrego as músicas”. Bob Dylan

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Mundo das Ideias  

Edição 05/12

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