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REPORTAGEM
EDIÇÃO FRG Mídia Brasil Ltda
O lado social da bioenergia: como a expansão do setor sucroenergético afeta o desenvolvimento socioeconômico dos municípios?1 Leandro Gilio, Profa. Dra Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes Mestre em Economia Aplicada e Doutorando em Economia Aplicada (ESALQ/USP) Professora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES-ESALQ/USP)
JORNALISTA RESPONSÁVEL Thayssen Ackler Bahls - MTB 9276/PR GERÊNCIA Bianca Ramos DIREÇÃO COMERCIAL Tiago Fraga COMERCIAL Lucas Alexandre Cláudio F. Oliveira Samantha Gelber CHEFE DE EDIÇÃO Dra. Suani Teixeira Coelho SUPERVISÃO / REVISÃO Eliane T. Souza / Cristina Cardoso DISTRIBUIÇÃO Carlos Alberto Castilhos REDES SOCIAIS Nicole Fraga PUBLICAÇÕES / EVENTOS André Santos EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO Editora Exceuni Ltda - Aldemir Batista exceuni@uol.com.br | (41) 3657-2864 COLUNISTAS / COLABORADORES Leandro Gilio; Profa. Dra Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes; Fernando Santos; Paulo Eichler; Marcilio Toledo; Jonatan Vuelma; Emmanuel Dutra; Nei Marçal; Eduardo Tobias N. F. Ruiz; Regiane Godoy de Lima; Angel Fidel Vilche Peña; Silvio Rainho Teixeira; Manuel Moreno Ruiz Poveda; Suani Teixeira Coelho; Alessandro Sanches-Pereira; Eng Luciano Infiesta; Osvaldo Soliano Pereira; Maria das Graças Figueiredo; Tereza Mousinho Reis; Lucas Corte Imperial; Tatiana Gonsalves; Laercio Couto DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA Empresas, associações, câmaras e federações de indústrias, universidades, assinantes, feiras e eventos dos setores de biomassa, agronegócio, cana-de-açúcar, florestal, biocombustíveis, seor sucroenergético e meio ambiente VERSÕES Impressa / Eletrônica
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o contexto da emergência da economia de baixo carbono e da crescente demanda mundial por fontes alternativas e renováveis de energia, o Brasil desponta-se em posição de vanguarda tecnológica e produtiva no que se refere a biocombustíveis, notadamente conquistada pela experiência histórica do país na produção e uso de etanol combustível em larga escala, iniciada já em 1975 com criação Proálcool (Programa Nacional do Álcool). Desde então, a agroindústria sucroenergética brasileira passou por mudanças institucionais profundas que promoveram significativas alterações nas estruturas produtivas e de mercado do setor, com destaque para o período pós-década de 90, quando ocorreu a cessão da intervenção governamental, o advento dos veículos bicombustíveis, e um movimento de investimentos internacionais em ativos produtivos [1].
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Em paralelo, se observou a grande ampliação da fronteira da cultura canavieira no âmbito da dinâmica territorial da agricultura brasileira, notadamente na região Centro-Sul, por meio da incorporação de novas áreas, oriundas principalmente da substituição de culturas tradicionais ou áreas de pastagens, motivada pelo crescimento da produção de etanol combustível. Mesmo no atual ciclo de crise, deflagrada principalmente pela política de preços controlados e desonerações tributárias sobre a gasolina - e que impactam negativamente as vendas de etanol hidratado -, a área total plantada em hectares de cana-de-açúcar passou de 4.879.841 hectares, ou 9,4% das áreas brasileiras destinadas à lavouras temporárias e permanentes em 2000, para 9.752.328 hectares em 2012, chegando à representatividade de 14,1% da área total [1], [2].
Este movimento de expansão, além de provocar mudanças na paisagem agrícola das regiões afetadas, impacta diretamente na realidade social e econômica dos municípios produtores, que de modo geral são regiões fortemente dependentes economicamente do agronegócio. Dessa forma, emerge-se deste quadro diversos questionamentos acerca da influência positiva ou negativa deste processo, relacionados geralmente à geração de empregos, nível de empregos gerados, saúde dos trabalhadores agrícolas, demandas econômicas e sociais locais, arrecadação municipal, entre outros aspectos. Na literatura verificam-se diversos estudos que associam os efeitos positivos locais do setor, onde a presença das usinas é avaliada como um fator gerador de crescimento endógeno nos municípios [4]. Além da relação direta advinda da geração de empregos, são geralmente destacados efeitos sobre o setor comercial e de serviços locais, urbanização, renda, expansão populacional e crescimento da arrecadação municipal [4], [5], [6], [7], [8]. Contudo, são escassos os estudos que avaliam o impacto espacial e dinâmico sobre um índice municipal de desenvolvimento. Neste sentido, Gilio (2015) avaliou o impacto socioeconômico da expansão do setor sucroenergético sobre municípios paulistas, analisando os efeitos sobre o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) para todos os 645 municípios do estado para os anos de 2005 a 2012 [3]. O presente artigo destaca alguns resultados principais deste estudo, que foi tema da dissertação de mestrado desenvolvida na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”(USP/ESALQ). O método utilizado no estudo foi uma especificação econométrica, baseada em dados de painel, considerando aspectos dinâmicos e espaciais, e estimada pelo Método de Momentos Generalizado (GMM). O efeito socioeconômico da expansão de área cultivada de cana-de-açúcar e da
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REPORTAGEM Figura 2: Municípios com a presença de usinas/destilarias de cana-de-açúcar (2005 e 2011)
presença de usinas de açúcar e etanol foi avaliado por meio do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), indicador síntese que acompanha anualmente o desenvolvimento socioeconômico dos municípios brasileiros, que pode ser compreendido como uma proxy para o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) que é amplamente utilizado na literatura científica como indicador sintético da realidade socioeconômica vivenciada pela Fonte: Gilio (2015) com base nos dados do Anuário da Cana (2006;2012) população nos municípios. Maiores detalhes metodológicos poespacial é importante diante dos deslo- o efeito positivo do setor sucroenergétidem ser verificados em [3]. camentos econômico-populacionais co vem da presença das usinas nas cidaAo se considerar aspectos espaciais na existentes entre os municípios. Confor- des e regiões, ou seja, de que a agregamodelagem, o estudo permitiu que o me dados do estudo, se avaliou a evidên- ção de valor à atividade agrícola é que efeito sobre indicador socioeconômico cia de forte dependência dos dados dos traz benefícios socioeconômicos signififosse avaliado não somente em municí- municípios vizinhos no desenvolvimen- cativos para a população da área de pios onde ocorre a expansão do cultivo to socioeconômico municipal, com elas- abrangência. Estimou-se que impacto de de cana-de-açúcar ou a presença de usi- ticidade aproximada de 63%, isto é, o de- 1,82% para o efeito contemporâneo dinas de modo direto, mas também o efei- senvolvimento socioeconômico dos mu- reto e de 9% de efeito indireto para a to do tipo “transbordamento” sobre mu- nicípios é influenciado, neste percentu- presença da usina no indicador de desennicípios vizinhos e proximidades, que até al, pela variação de desenvolvimento de volvimento socioeconômico dos municíentão não vinha sendo avaliado na lite- sua vizinhança. pios paulistas. Ou seja, nos municípios ratura científica com a utilização de um onde existe usina e/ou destilaria o Índimétodo empírico-quantitativo de maior RESULTADOS: A DIMENSÃO ce de Desenvolvimento Firjan é 1,82% robustez. A necessidade de se consideDO IMPACTO SOCIOECONÔMICO maior em relação aos que não existem, e rar estes aspectos já se observa pela próDA EXPANSÃO DO SETOR a presença desta unidade industrial ainpria dinâmica de expansão do setor: conO impacto do setor sucroenergético da influencia o desenvolvimento socioforme Figura 1 e 2, nota-se que a expan- no estudo foi avaliado por meio de qua- econômico regional (municípios vizisão das lavouras e usinas ocorre princi- tro escopos de interesse: (i) efeito dire- nhos) em cerca de 9%. palmente sobre proximidades de áreas to – isto é, no próprio município – da exImportante observar o alto efeito já tradicionais. pansão do percentual de área ocupada transbordamento regional verificado No contexto agrícola, a escolha da pro- por cana-de-açúcar; (ii) efeito indireto – pela presença de usinas de açúcar e/ou dução de uma determinada cultura, em nos municípios vizinhos e região – da ex- de etanol. Neste caso, é importante peruma determinada localidade, pode ser pansão do percentual de área ocupada ceber o reflexo que estas empresas exeravaliada como a resposta ótima do pro- por cana-de-açúcar; (iii) o efeito direto cem no conjunto de atividades de presdutor com relação às condições físicas e da presença da usinas no município; e (iv) tação de serviço para as mesmas, como de mercado presentes onde se localizam o efeito indireto – nos municípios vizi- transporte, manutenção, maquinários, as áreas de cultivo. Com relação aos indi- nhos e região – da presença das usinas. entre outros. Setores como de siderurcadores socioeconômicos, a avaliação Os resultados do estudo indicam que gia, máquinas e tratores, construção civil e outros serviços metalúrgicos, Figura 1: Mapa da expansão da cultura canavieira nos municípios paulistas: percentual de área destinada são diretamente beneficiados, à agricultura ocupada pelo cultivo de lavoura temporária de cana-de-açúcar (2005 e 2011) dinamizando a economia regional, conforme também destacado em [5]. Os municípios vizinhos aos com presença de usinas de açúcar e etanol , dessa forma, podem beneficiar-se em maior grau por apresentarem economias mais diversificadas e menos dependentes do setor sucroenergético, podendo, por vezes, suprir as necessidades de consumo de insumos, produtos e serviços dos municípios produtores. Pode-se também destacar que usinas e destilarias encontram-se em áreas rurais dos municípios avaliados, que podem Fonte: Gilio (2015) com base em IBGE (2014)
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REPORTAGEM ter uma ligação maior com as áreas urbanas de municípios vizinhos do que do próprio município produtor, tanto para o suprimento de mão-de-obra quanto para serviços relacionados, seja por questões relacionadas à estruturas e/ou maior proximidade ou facilidade de acesso com relação à usina. Por outro lado, o efeito direto do percentual de área ocupada por cana-de-açúcar mostrou elasticidade negativa de 4,2% com relação ao desenvolvimento socioeconômico dos municípios. O efeito indireto não se mostrou significativo. Este resultado pode ser avaliado como efeito da redução de postos de trabalho, em virtude da ampliação de mecanização das atividades de plantio e colheita no setor produtivo. No estado de São Paulo, com a mudança institucional provocada pela Lei Estadual n. 11.241/2002, que regulamenta a proibição da queima pré-colheita de forma gradual até 2031, se incentivou o processo de mecanização, tornando a cadeia produtiva do etanol da principal região produtora do país menos trabalho intensiva. Com isso, apesar das vantagens claras associadas às melhorias das condições de trabalho com redução do corte manual, o uso de uma máquina na co-
lheita substitui, em média, o posto de trabalho de 80 cortadores [9]. Em decorrência desse processo de transformação gradual, Moraes (2007), avaliando dados de 2000 a 2005, já destaca que o crescimento dos empregados formais das usinas de açúcar (101,9%) e destilarias de álcool (88,4%) foi relativamente maior do que o dos trabalhadores rurais envolvidos com a produção de cana-de-açúcar (16,2%). Conclui-se ressaltando-se que os efeitos, diretos e indiretos, da existência de empresas do setor sucroenergético devem ser considerados pelos formuladores de políticas públicas nas decisões acerca de políticas energéticas, que não devem negligenciar o evidente desenvolvimento socioeconômico proveniente do setor sucroenergético. A geração de empregos, novas oportunidades de trabalho e maior renda em áreas rurais, que em geral são bastante defasadas em relação a seus indicadores socioeconômicos quando comparados aos das áreas urbanas ou industriais, são importantes fatores de desenvolvimento e distribuição de renda, e apontam para uma possibilidade de modelo a ser seguido, tanto no Brasil como em outros países em desenvolvimento.
REFERÊNCIAS [1] MORAES, M. A. F. D; ZILBERMAN, D. Production of ethanol from sugarcane in Brazil. Springer, Londres: Springer, 2014. 221 p. [2] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção Agrícola Municipal. Banco de dados agregados: sistema IBGE de recuperação automática – SIDRA. Disponível em: < http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/pesquisas/pam/ default.asp?o=18&i=P>. Acesso em: 16 out. 2014. [3] GILIO, L. Análise dos impactos socioeconômicos da expansão do setor sucroenergético. 2015. 86 p. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2015. [4] SHIKIDA, A.; SOUZA, E. C. Agroindústria canavieira e crescimento econômico local. Revista de Economia e Sociologia Rural. Brasília, v.47, n.3, p. 569-600, 2009 [5] CHAGAS, A. L. S.; TONETO-JR, R.; AZZONI, C. R. A Spatial Propensity Score Matching Evaluation of the Social Impacts of Sugarcane Growing on Municipalities in Brazil. International Regional Science Review, Philadelphia, v. 35, n. 1, p. 48-69, 2012. [7] OLIVEIRA, E. G.; FERREIRA, M. E.; ARAÚJO, F. M. Diagnóstico do uso da terra na região Centro-Oeste de Minas Gerais, Brasil: a renovação da paisagem pela cana-de-açúcar e seus impactos socioambientais. Sociedade & Natureza, Uberlândia, v.24 n. 3, p. 545-556, 2012. [8] SATOLO, L. F. ; BACCHI, M. R. P. . Impacts of the Recent Expansion of the Sugarcane Sector on Municipal per Capita Income in São Paulo State. ISRN Economics, Cairo, v. 2013, p. 1-14, 2013. [9] SMEETS, E. et al. The sustainability of Brazilian ethanol - An assessment of the possibilities of certified production. Biomass & Bioenergy, Nova York, v. 32, n. 8, p. 781-813, 2008. (Footnotes) 1
Artigo baseado na dissertação de mestrado do primeiro autor, orientado pela segunda autora
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REPORTAGEM
Qualidade da cana-de-açúcar para processamento industrial Fernando Santos*; Paulo Eichler; Marcilio Toledo; Jonatan Vuelma; Emmanuel Dutra; Nei Marçal; Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – Centro de Estudos em Biorrefinaria
processo de maturação envolve a formaFATORES RESPONSÁVEIS PELA ção de açúcares nas folhas e seu deslocaQUALIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR Os principais fatores responsáveis mento e armazenamento no colmo, que pela qualidade da cana-de-açúcar entre- se dá a partir da base do colmo para o seu ápice e da parte externa para a interna. gue à indústria são: Cultivar: O cultivar é a tecnologia de O estádio de maturação da planta pode menor custo para o setor sucroenergéti- ser estimado utilizando-se um refratôco, bem como a mais importante, sendo metro de campo. O índice de maturação (IM) é então considerada a base das demais tecnologias de produção. Entre as características desejáveis dos cultivares encontram-se: alto potencial produtivo, alto teor de sacarose, alta capacidade de perfilhamen- calculado pela razão dos teores de Brix to, talos médio-grossos a grossos e lon- do ápice do colmo e da base do colmo, gos, internódios longos, hábito de cres- conforme a Equação 1. A classificação do cimento ereto, não-alojamento de de- estádio de maturação pode ser visualitritos, não-florescimento excessivo, au- zada na Tabela 1. Quando a concentração de sacarose é sência de espinhos na bainha da folha, ausência de divisões nos talos, menor es- uniforme ao longo do colmo, diz-se que palhamento da gema, tolerância às prin- a cana chegou ao estado de maturação cipais pragas e doenças, o ambiente de completa, (IM) entre 0,85 e 1,00, ou seja, produção, a Tabela 1. Classificação do estádio de maturação de cana em função do índice qualidade do de maturação caldo, o potenÍndice Maturação Estádio Maturação cial de safra e < 0,60 Cana verde também a logís- 0,60 – 0,85 Cana em maturação tica de colheita. 0,85 – 1,00 Cana madura > 1,00 Cana em declínio de maturação Estádio de maturação: O já pode ser colhida. Índice de maturação Figura 1. Composição química da cana-de-açúcar. maior que 1,00 significa que a cana já passou do ponto de ser colhida, entrando em um estágio de declínio de maturação. As análises laboratoriais (brix, pol, açúcares redutores e pureza) fornecem dados mais confiáveis e precisos da maturação confirmando, assim, os resultados do refratômetro de campo. Impurezas minerais e vegetais: Durante as operações de corte, colheita e carregamento, a qualidade da cana-de-açúcar pode ficar comprometida pelas impurezas contidas na carga, tais como elevados teores de amido, compostos fenólicos, ácido aconítico, além de desgastes, embuchamentos, entupimentos e incrustações nos equipamentos. Ação de microrganismos: Entre os principais compostos de origem microbiana estão à dextrana e os próprios miqualidade da matéria-prima é definida por uma série de características físico-químicas e microbiológicas da planta, bem como pelas impurezas vegetais e minerais oriundos do manejo agrícola e industrial, que podem afetar negativamente o potencial de produção de açúcar e etanol. Nesse contexto, quanto melhores e mais adequadas forem às condições de cultivo e de colheita, melhor será a qualidade da cana-deaçúcar, com maior acúmulo de sacarose e, consequentemente, maior rentabilidade nos produtos finais. A cana-de-açúcar é constituída de colmo industrializável, folhas verdes, folhas secas e ponteiro. Em se tratando da composição química, a cana contém sólidos insolúveis (fibra) e solúveis (caldo); estes, por sua vez, são constituídos de compostos orgânicos e inorgânicos. A composição da cana é muito variável, dependendo de condições edafoclimáticas da região, do sistema de cultivo, do estádio de maturação, da idade do cultivar, dentre outros fatores. A Figura 1 apresenta a composição média da cana cultivada no Brasil.
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8 crorganismos, como bactérias do gênero Leuconostoc, Bacillus, Lactobacillus e leveduras. Esses compostos de origem microbiana vão afetar a recuperação do açúcar na indústria, pois eles dificultam a cristalização da sacarose e o rendimento da fermentação. Sanidade do canavial: Além das perdas diretas na produtividade, as lesões causadas por pragas e doenças afetam consideravelmente a qualidade da matéria-prima. Por exemplo, o complexo broca-podridão tem causado danos e queda na produtividade, além da deterioração da cultura, principalmente por favorecer a contaminação bacteriana, que causa a diminuição da sacarose e o aumento dos açúcares redutores e das gomas. Corte, colheita e carregamento: Este é, sem dúvida, um importante fator responsável pela qualidade da matéria-prima. Devido à diversidade dos sistemas de corte, a cana-de-açúcar pode sofrer injúrias mecânicas que, além da degradação de açúcares, favorecem as contaminações microbiológicas e agravam as perdas. O tipo de colheita também é fundamental para a qualidade da matériaprima que será entregue na indústria, pois pode resultar em grandes quantidades de impurezas minerais e vegetais, caso a colheita seja mecanizada. INDICADORES INDUSTRIAIS DA QUALIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR Toda e qualquer indústria de processamento possui em sua estrutura um setor específico destinado ao controle de qualidade, geralmente vinculado a um laboratório, que tem como finalidades principais:
REPORTAGEM - controle de qualidade da matéria-prima; - acompanhamento dos processos produtivos, principalmente na avaliação e quantificação das perdas industriais; e - controle de qualidade dos produtos finais. Para o monitoramento da qualidade nas indústrias, é necessário ter uma boa estrutura física de laboratório, equipamentos precisos e confiáveis, quadro técnico competente e bem treinado, além de eficiente plano analítico. Havendo interação entre estes três requisitos básicos citados anteriormente, são necessárias metodologias adequadas, simples, rápidas e precisas, bem como todas as ferramentas de gestão de controle que coloquem à disposição dos técnicos números fidedignos, que atestem as qualidades da matéria-prima e dos produtos elaborados, além dos números indicativos das performances das indústrias, sempre medidos em termos de rendimentos e eficiências. O bom controle de qualidade na indústria sucroenergética inicia-se com a definição dos parâmetros de avaliação da cana-de-açúcar. Dessa forma, existem alguns indicadores que permitem avaliar tanto a riqueza da cana em açúcares como a qualidade do produto final, conforme mostrado na Tabela 2. INFLUÊNCIA DA QUALIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR NA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ETANOL Conforme já mencionado, a qualidade da cana-de-açúcar está diretamente relacionada a fatores inerentes à própria planta e a fatores extrínsecos a ela, como
Tabela 2. Principais indicadores da qualidade da cana-de-açúcar Indicadores da Qualidade
Valores Recomendados
POL Pureza ATR AR Fibra Impureza mineral Contaminação Teor de álcool no caldo Acidez sulfúrica Dextrana Amido Broca Palhiço na cana Ácido aconítico
> 14 > 85% > 15% < 0,8% 11 a 13% < 5 kg/t cana < 5,0 x 105 bastonetes/ml no caldo <0,6% ou < 0,4% Brix < 0,80 < 500 ppm/Brix < 500 ppm/Brix < 1,0% < 5,0% < 1.500 ppm/Brix
as impurezas minerais e vegetais, além dos compostos produzidos por microrganismos devido à ação sobre os açúcares presentes no caldo. As impurezas minerais e vegetais são os maiores vilões da qualidade da canade-açúcar, ocasionando os seguintes problemas na indústria: - perda de capacidade de moagem; - perda de extração; - aumento do consumo de energia; - desgaste de equipamentos; - dificuldade para tratamento do caldo; - dificuldade da qualidade do açúcar; - redução do rendimento da fermentação; - problemas operacionais com a caldeira; e - redução na densidade da carga /aumento do custo de transporte. A necessidade de avaliar a qualidade da cana durante a etapa de colheita, carregamento e transporte deve-se à forte interferência dessas etapas no processo produtivo. Essa avaliação é fundamental, pois tem influência direta na eficiência industrial e, consequentemente, na qualidade do produto final (açúcar e etanol). As exigências ambientais e legais para o fim gradativo da queima da cana-deaçúcar e a substituição da colheita manual pela mecanizada acarretam aumento expressivo da quantidade de impurezas vegetais e minerais na indústria. Essas impurezas, como folhas, ponteiros, raízes, rizomas, panículas e ervas daninhas, podem implicar maiores teores de amido, compostos fenólicos, ácido aconítico e minerais, podendo assim, diminuir a qualidade da matéria-prima. É importante considerar que, com o fim gradativo da queima da cana-de-açúcar leva ao aumento expressivo da quantidade e disponibilidade de palha no campo. Do ponto de vista energético, é interessante, pois a palha apresenta grande potencial para geração de calor, eletricidade e para produção de etanol celulósico. Para a produção de açúcar e etanol, as impurezas vegetais não são desejáveis, devido à presença de compostos que prejudicam a qualidade do produto final, além de aumentar os custos de processamento.
10 É evidente que as indústrias alimentícias estão exigindo açúcar com padrões de qualidade adequados às exigências de seus mercados. Para tanto, a qualidade da matéria-prima é de extrema importância, uma vez que o cozimento e o desempenho dos cozedores dependem muito da qualidade da cana entregue na unidade de produção, e este, dentre outros fatores, é o que mais contribui para o melhor ou pior desempenho do setor de cozimento e da qualidade do açúcar. Alguns compostos presentes na própria cana, como compostos fenólicos e flavonoides, têm importância fundamental no processamento, influenciando e afetando a cor do açúcar, já que podem permanecer nos cristais, prejudicando completamente a qualidade do produto final e aumentando os custos de refinamento. Já as impurezas minerais que acompanham a cana na colheita são foco de contaminação bacteriana, pois contribuem para a formação de ácidos, a redução da pureza e o aumento da dextrana
REPORTAGEM na cana, além de prejudicar a qualidade do açúcar e da fermentação. Por exemplo, o ataque de pragas como a broca diminui a eficiência fermentativa, devido à produção de compostos fenólicos pela planta, além de aumentar a acidez por meio do sistema hormonal, o que causa toxicidade para as leveduras. Finalmente, para que seja alcançada uma maior qualidade de cana-de-açúcar para o seu processamento industrial, é fundamental formatar procedimentos de amostragens para canas de pré-colheita (índice de maturação); utilizar rigorosamente os dados dos índices de maturação na definição das áreas a serem colhidas; realizar eficiente controle de brocas; formatar procedimento para quantificação do tempo de queima, se for o caso; estabelecer uma logística de transporte; implantar determinações de dextrana, pH e acidez no caldo; estabelecer metas para impureza mineral e vegetal e, por fim, capacitar todos os colaboradores envolvidos nessas ações. Assim, é necessária uma ação conjun-
ta dos setores agrícola e industrial para minimizar as perdas e maximizar os ganhos, a fim de se obter um produto final de qualidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Caldas, C.; Santos, F. 2012. Controle de qualidade nas indústrias de açúcar e álcool. In: Santos, F. A.; Borém, A.; Caldas, C. (eds.). Cana-de-Açúcar: Bioenergia, açúcar e etanol – Tecnologias e perspectivas. 2. ed. Revisada e ampliada. Viçosa, MG. p. 357368. Cavalcante, C. S; Albuquerque, F. M. 2012. Processo de Produção do Açúcar. In: Santos, F. A.; Borém, A.; Caldas, C. (eds.). Cana-de-Açúcar: Bioenergia, açúcar e etanol – Tecnologias e perspectivas. 2. ed. Revisada e ampliada. Viçosa, MG p. 391-450. Felipe, M. G. A. 2010. A qualidade da matéria-prima na produção de etanol de cana-de-açúcar. In: Cortez, L. A. B. (ed.). Bioetanol de cana-de-açúcar: P&D para produtividade sustentabilidade. São Paulo: Edgard Blücher Ltda. p. 553-559. Disponível em: http://www.ridesa.com.br, acessada em abril 2014. Fernandes, A. C. 2003. Cálculos na agroindústria de cana-de-açúcar. 2. ed. Piracicaba: STAB – Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil. 240p. Payne, J. H. 1989. Operações unitárias na produção de açúcar de cana. São Paulo: Nobel, STAB. 245p. Ripoli, T. C. C.; Ripoli, M. L. C. 2004. Biomassa de cana-de-açúcar: colheita, energia e transporte. Piracicaba. 302p. Santos, F. A.; Queiroz, J. H.; Colodette, J. L.; Fernandes, S. A.; Guimarães, V.M.; Rezende, S. T. 2012. Potencial da palha de cana-de-açúcar para produção de etanol. Revista Química Nova Vo. 35, No. 5, 10041010.
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ARTIGO
Metodologia para análise de investimento em projetos Greenfield de Bioenergia Eduardo Tobias N. F. Ruiz Diretor da CELA - Clean Energy Latin America, autor do livro "Análise de Investimento em Projetos Greenfield de Bioenergia", Professor da FGV Management de Financiamento do Agronegócio e Mestre em Agroenergia pela FGV, ESALQ e EMBRAPA.
RESUMO O setor de bioenergia no Brasil segue com um grande potencial de crescimento. Neste contexto, investidores precisarão avaliar projetos agroindustriais Greenfield de bioenergia, ponderando adequadamente riscos e retorno. Para tanto, o objetivo deste artigo é sintetizar a proposta de padrão metodológico para a análise destes investimentos apresentada em detalhe no livro Análise de Investimentos em Projetos Greenfield de Bioenergia (RUIZ, 2015). A partir de uma seleção de metodologias existentes, propõe-se uma série de abordagens alternativas e complementares, de forma a contemplar adequadamente as particularidades destes projetos. INTRODUÇÃO O setor de bioenergia no Brasil se desenvolveu bastante na década de 2000. O consumo total de energia a partir de fontes de biomassa passou de 43,9 Mtep em 2000 para 81,1 Mtep em 2013, um crescimento de 85%. Este crescimento levou a biomassa a representar 27,4% da matriz energética em 2013 (EPE, 2014a). Não obstante, o setor segue com um grande potencial de crescimento. O governo estima um aumento de 40% no consumo total de energia de 2014 a 2023 (EPE, 2014b). Consequentemente, oportunidades para novos projetos de bioenergia estão surgindo. Neste contexto, empresários e investidores precisarão avaliar projetos Greenfield, ponderando adequadamente riscos e retorno. Entretanto, estes novos projetos não são simples de ser avaliados pelas suas diversas particularidades. Dentre elas, variáveis agroclimáticas, socioambientais, industriais, logísticas, demanda por capital intensivo e tecnologia. Logo, metodologias tradicionais de análise de investimento em projetos de investimento de capital não são inteiramente adequadas nem suficientes. Devem ser complementadas e tropicalizadas de forma a possibilitar uma análise coerente e criteriosa para a tomada de decisão do investimento. Para tanto, este artigo visa propor um padrão metodológico para a análise de investimento em projetos agroindustriais tipo Greenfield de bioenergia no Brasil. Para que o investidor, após o uso desta ferramenta, possa tomar uma decisão de investimento mais consciente em determinado projeto. A pergunta a ser respondida após a definição e aplicação da ferramenta de análise proposta é: investir ou não investir?
METODOLOGIA zações; (iv) financiamento; (v) incentivos fisA proposta de metodologia de análise de cais; (vi) seguros; (vii) plantio; e (viii) equipainvestimento em projetos Greenfield de bio- mentos e obras civis. A "Análise de Estratéenergia aborda todos os aspectos conceitu- gia e de Competitividade" tem por objetivo ais, técnicos, de estratégia, de risco e de via- identificar fatores de risco e geração de caibilidade econômica de um projeto desta na- xa do projeto sob análise a fim de fazer previtureza, necessários para a tomada da deci- sões realistas sobre seu desempenho futuro. são de investimento. Neste sentido, de for- Recomenda-se o uso das ferramentas 5 Forma a consolidar esta ferramenta de análise ças de Porter (PORTER, 1980), Estratégia de investimento, a figura a seguir sintetiza o Competitiva (PORTER, 1980) e Análise SWOT padrão metodológico proposto: (KOTLER, 1998). Figura 1: Metodologia de Análise de Investimento de um Projeto Agroindustrial Greenfield de Bioenergia
1º: Análise dos 13 Componentes do Projeto 2º: Análise de Estratégia e de Competitividade 3º: Viabilidade Técnica e Operacional Agrícola 4º: Viabilidade Técnica e Operacional Industrial 5º: Viabilidade da Localização e da Logística 6º: Avaliação de Aspectos Socioambientais 7º: Avaliação de Incentivos Fiscais e Tributação 8º: Análise dos Profissionais Chave e da Governança 9º: Análise da Estratégia de Financiamento 10º: Viabilidade Econômico-Financeira 11º: Análise de Riscos e Estratégia de Alocação e Mitigação 12º: Análise e Elaboração dos Contratos Chave e Apólices de Seguros 13º: Decisão de Investimento A "Análise dos 13 Componentes do Projeto" tem como objetivo entender os principais componentes envolvidos na fase de desenvolvimento e de implementação do projeto sob análise, e qual seu status no momento desta análise pelo investidor. Os chamados componentes da fase de desenvolvimento são: (i) prospecção e desenvolvimento; (ii) análise de viabilidade e riscos; (iii) engenharia; (iv) plano de suprimento de biomassa; e (v) decisão de investimento. Os componentes da fase de implementação são: (i) venda de energia e/ou combustível; (ii) planejamento e cronograma; (iii) licenciamento e autori-
As etapas de análise de "Viabilidade Técnica e Operacional Agrícola, Industrial, Logística e Socioambiental" têm por objetivo avaliar: se a solução técnica proposta no projeto é consistente e completa; e se as premissas técnicas consideradas são razoáveis para um cenário econômico base. Neste contexto, é importante apurar qual o risco destas premissas se mostrarem diferentes do esperado. Também é preciso entender o quanto estas premissas poderiam variar, tanto para melhor quanto para pior (cenário otimista e pessimista). Desta forma, adiante na
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ARTIGO as linhas de financiamento mais adequadas às características do projeto. Para isso é necessário avaliar dois aspectos, as fontes de financiamento disponíveis e as condições de cada uma das linhas aplicáveis ao projeto. Do ponto das fontes, recomenda-se analisar os parâmetros disponibilidade de recursos para financiamento e prazo estimado para contratação do financiamento. Quanto às condições das linhas, é necessário analisar os parâmetros: itens financiáveis; prazo de carência: possibilidade de capitalização de juros durante o período de carência; prazo de amortização do financiamento; taxa efetiva de juros, incluindo todos os custos de estruturação; nível máximo de alavancagem; e garantias usualmente exigidas. Pela quantidade de variáveis em jogo, o papel do assessor financeiro é imprescindível na definição da estratégia de financiamento junto ao investidor e gestores, assim como na condução da análise de viabilidade econômico-financeira do projeto. Para tanto, o assessor escolhido deve ter bastante experiência não somente com financiamento de projetos e análise de investimento em geral, mas com projetos Greenfield no setor agroindustrial de bioenergia. A análise de "Viabilidade Econômico-Financeira" do projeto é uma etapa fundamental para a tomada de decisão do investimento. Ela consiste em três passos principais. O primeiro é a análise da geração de caixa do projeto via análise de projeções do Demonstrativo de Resultados, Fluxo de Caixa, Balanço Patrimonial e índices financeiros. O segun-
tudo, para que seja possível tirar conclusões quanto à análise de viabilidade econômicofinanceira do projeto, a partir do cálculo do VPL de diversos cenários, recomenda-se calcular o Valor Esperado do VPL (BRIGHAM; EHRHARDT, 2002). A etapa da análise de investimento do projeto denominada "Análise de Riscos e Estratégia de Alocação e Mitigação" é dividida em quatro subetapas. A primeira delas é a Identificação e Segmentação. O investidor deve identificar exaustivamente os riscos e segmentá-los pelas 14 categorias de risco de projetos agroindustriais Greenfield de bioenergia (funding, suprimento de biomassa, engenharia-construção, socioambiental, completion, tecnologia industrial, infraestrutura logística, operação, mercado, crédito, financeiro, regulação setorial, força-maior e risco país). A segunda subetapa é a Análise de Riscos. Recomenda-se que o investidor use as ferramentas de Matriz de Riscos e Mapa de Riscos nas quais se devem: (i) identificar possíveis causas de cada um dos riscos; (ii) avaliar as fases em que o fluxo de caixa do projeto está vulnerável a cada risco; (iii) estimar a severidade do impacto do risco e sua probabilidade de ocorrência; e (iv) concluir quais são os riscos mais relevantes. A partir daí, na terceira subetapa, faz-se a Análise de Sensibilidade que consiste na quantificação dos impactos econômicos dos riscos identificados como mais relevantes. Por fim vem a subetapa de Alocação e Mitigação, na qual o investidor deve identificar os participantes e principais contratos do projeto com o objetivo Figura 2: Escopo de Análise para Parecer Técnico Independente de: alocar os riscos mais reESCOPO TÉCNICO levantes aos AGRÍCOLA INDUSTRIAL LOCALIZAÇÃO E LOGÍSTICA SOCIOAMBIENTAL participantes mais capacita- Plano de Suprimento -Tecnologia - Localização dos Plantios - Impactos dos a geren- Plano de Ocupação - Projetos de Engenharia - Cadeia de Distribuição Agrícola - Aspectos Agrícolas ciá-los; e defi- RH, Insumos e Máquinas - Recursos Humanos - Localização Industrial - Aspectos Industriais nir medidas - Cronograma de Implantação - Estratégia de O&M - Cadeia de Suprimento - Aspectos Logísticos mitigatórias de forma a - Cronograma de Implantação - Cadeia de Distribuição - Aspectos Sociais tornar os ris- Princípios do Equador cos assumidos - Certificações por cada parte mais comcutivos e pelos membros chave da equipe; e do é a análise da viabilidade econômico- patíveis com seu retorno econômico. a estrutura necessária de governança de for- financeira do projeto via análise de Quadro A penúltima etapa da metodologia de ma que os interesses do investidor sejam ade- de Usos & Fontes, da taxa mínima de atrati- análise de investimento é a "Análise e Elaboquadamente e suficientemente representa- vidade; e dos cálculos de rentabilidade. O ração dos Contratos Chave e Apólices de Sedos. Recomenda-se que esta etapa não seja último passo é a análise de cenários. guros". É imporatante enfatizar que contraterceirizada, ou seja, que esta análise seja Recomenda-se a análise de pelo menos tos são o principal instrumento de implemenfeita diretamente pelo investidor. três cenários e que estes cenários sejam defi- tação da estratégia de alocação e mitigação A "Análise da Estratégia de Financiamen- nidos com base nas premissas obtidas a par- de riscos. Para projetos Greenfield de bioto" deve avaliar primeiramente qual a mo- tir do resultado dos pareceres técnicos e das energia, os contratos mais relevantes dalidade de financiamento mais adequada análises pelo investidor das etapas anterio- para o investidor são: o acordo de invespara o projeto em questão. Isto é, analisar se res da metodologia de análise de investimen- timento/acionistas; o contrato de finanprojeto reúne elementos básicos e caracte- to. Por fim, para cada cenário, deve-se cal- ciamento; o (s) contrato (s) de venda da rísticas imprescindíveis para a modalidade de cular como principal métrica de rentabilida- bioenergia; o contrato de construção e Project Finance ou se é mais vantajoso finan- de o VPL - Valor Presente Líquido e como fornecimento de equipamentos; os conciá-lo na modalidade financiamento corpo- métrica complementar a TIR - Taxa Interna tratos de fornecimento de biomassa, caso o rativo. A partir daí, deve-se avaliar quais são de Retorno (BREALEY; MYERS, 2003). Conanálise de riscos, será possível realizar uma avaliação de cenários e de sensibilidade de premissas de forma coerente tecnicamente. Vale ressaltar que o investidor não precisa necessariamente ser especialista nas áreas industrial, agrícola, logística e socioambiental para analisar adequadamente um projeto de bioenergia. Para esta finalidade existe a figura do consultor técnico independente (sem conflito de interesses) e de seu parecer. Entretanto, mesmo não sendo um especialista, o investidor precisa necessariamente saber definir o escopo deste parecer. Neste sentido, a seguir são listadas os principais temas para os quais as premissas técnicas devem ser avaliadas nesta etapa da análise do investimento. A avaliação de "Incentivos Fiscais e Tributação" visa avaliar: se o projeto considera corretamente todos os incentivos; se o planejamento tributário vislumbrado é o mais adequado; e se as premissas de impostos consideradas são consistentes. Da mesma forma que nas etapas anteriores, recomendase a contratação de empresa independente, especializada no tema, para realização de parecer técnico customizado para o projeto em análise. A "Análise dos Profissionais Chave e da Governança" tem como objetivo avaliar: o papel do empreendedor na execução e gestão do projeto, caso o projeto não esteja sendo desenvolvido pelo próprio investidor; a capacidade de execução e comprometimento com o projeto pelos empreendedores/exe-
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projeto contemple compra de terceiros; e o contrato de operação & manutenção da unidade industrial, se terceirizada. As apólices de seguros, por sua vez, são um instrumento complementar de alocação de riscos. Nesta etapa, destaca-se a importância de um assessor jurídico e de uma corretora de seguros de qualidade, com experiência prévia em projetos Greenfield de bioenergia. Não obstante, o trabalho de negociação dos contratos chave e apólices de seguro não deve de nenhuma forma ser terceirizado aos assessores. É essencial que o investidor lidere-os, pois ele é o mais qualificado e deve ser o responsável por tomar as decisões de como alocar, mitigar ou quanto risco tomar no projeto. A última etapa da metodologia de análise de investimento de um projeto agroindustrial Greenfield de bioenergia é a "Decisão de Investimento" em si. Ela deve considerar os fundamentos da tríplice viabilidade: econômica, agrícola e industrial. Considerando que o projeto seja viável tecnicamente, o investimento deve ser realizado se: (i) o Valor Presente Líquido do cenário base for positivo ou igual a zero; (ii) o Valor Esperado do VPL na análise de cenários for positivo ou igual a zero; e (iii) se as premissas de riscos para as quais o projeto é mais sensível podem ser satisfatoriamente alocadas e/ou mitigadas. Portanto, é uma decisão baseada em uma
ponderação da relação risco e retorno do projeto. CONCLUSÕES Para que faça sentido investir em projetos agroindustriais Greenfield de bioenergia, eles devem ser suficientemente robustos para gerar um VPL positivo ao investidor, ainda que suscetível a algumas situações adversas em determinados momentos de sua vida útil. Portanto, a atenção do investidor deve estar centrada na capacidade de geração de caixa do projeto e em sua estratégia de gerenciamento de riscos. Se o projeto entrará em operação no momento previsto, dentro do custo previsto e nos parâmetros operacionais previstos (capacidade, eficiência e disponibilidade). E se o custo de suprimento de biomassa, sua disponibilidade e o preço de venda de bioenergia são adequados. Na avaliação do investimento em projetos desta natureza, recorrentemente é dada menor importância à parte agrícola do projeto. Não só este negócio por definição é uma agroindústria, como o lado agrícola representa um risco mais imponderável que o lado industrial. Principalmente em função da variável climática, mas também pelo fato da biomassa ser uma matéria viva. Além disso, para projetos Greenfield, é primordial acertar na definição dos executivos e da equipe técnica que farão a implementação do projeto. Assim como aqueles
profissionais chave que farão a gestão e acompanhamento da fase operacional. Esses profissionais são imprescindíveis para o sucesso do projeto. Para tanto, incentivos devem ser criados para alinhar os interesses e para retê-los. Na prática é incomum que projetos, após ter seu investimento aprovado, apresentem rentabilidade acima do previsto (KLAVER, 2012). Para tentar evitar esta armadilha, se faz necessária uma análise prévia, isenta e racional das premissas do projeto. Além de uma boa gestão principalmente de sua implementação e de seus riscos. REFERÊNCIAS BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C. Principles of Corporate Finance. 7. ed. Boston: McGraw-Hill, 2003. BRIGHAM, Eugene F.; EHRHARDT, Michael C. Financial Management: theory and practice. 10. ed. South Melbourne: South-Western, 2002. EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Balanço Energético Nacional 2014, 2014: Ano base 2013. Rio de Janeiro: EPE, 2014a. EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2023, Brasília: MME; EPE, 2014b. KLAVER, Ali. Speed Kills. Project Manager Magazine, p. 18-21, dez./ jan. 2012. Disponível em: http://ipaglobal.com/News-Room/Announcements/Edward-Merrow-Reveals-Why-Megaprojects-Failin--Pr. Acesso em: 11 fev. 2013. KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento e controle. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1998. PORTER, Michael E. Competitive Strategy: techniques for analyzing industries competitors. New York: The Free Press, 1980. RUIZ, Eduardo T. N. F. Análise de Investimento em Projetos Greenfield de Bioenergia. 1ª edição. Campinas: Editora Alínea, 2015.
INFORMAÇÃO DE MERCADO A FRG Mídia Brasil LTDA, empresa que desenvolve e gerencia o Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia, informa aos parceiros e clientes, uma mudança a partir da edição de maio\junho. Segundo pesquisa com parceiros, anunciantes, associações, por decisão conjunta iremos transformar o nome Jornal Biomassa BR, para Revista Biomassa BR - Revista Brasileira de Biomassa e Energia. A Revista seguirá o alto padrão gráfico, que continuará sendo em papel Reciclado, porém agora com a inclusão de capa dura, o que vai ajudar ainda mais na manutenção da publicação e durabilidade. Esta é uma transformação que nos deixa muito alegres, comenta Tiago Fraga, diretor comercial da FRG Mídia Brasil Ltda. Sendo que só foi possível e necessária pelo crescimento rápido e acentuado que a publicação teve um curto espaço de tempo. A Revista Biomassa BR, terá uma penetração ainda maior no mercado, tendo todo o charme e força de uma revista. É importante salientar que o site do Jornal www.jornalbiomassabr.com será mantido no ar, e a Revista estará disponível para leitura em seu site oficial e também no site do Jornal, o qual é muito procurado dia a dia por leitores que buscam informações sobre Biomassa e Energia. "A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro". (John Kennedy) Novo site da Revista Biomassa BR: www.revistabiomassabr.com
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Aproveitamento da cinza do bagaço de cana para produção de briquetes Regiane Godoy de Lima.*, Angel Fidel Vilche Peña*, Silvio Rainho Teixeira* Prof. Assistente Doutor, Prof. Assistente Doutor,* UNESP - Faculdade de Ciências e Tecnologia Presidente Prudente
proposta inicial deste trabalho é a fabricação de Briquetes de Carvão. A matéria-prima será a cinza que resulta da queima do bagaço da canade-açúcar utilizada nas usinas de álcool. Os gases resultantes da combustão não podem ser eliminados diretamente na atmosfera por questões de preservação ambiental e, assim, as usinas são obrigadas a utilizar um lavador de gases que retira os particulados, ricos em carvão que são em seguida e usados no campo para fertilização ou dispostos em sítios específicos. Assim sendo, a ideia central é transformar estas cinzas do bagaço de cana em briquetes, que podem ser utilizados na própria usina de álcool ou em outro tipo de indústria onde as necessidades energéticas sejam prementes. O carvão vegetal pulverizado apresenta varias opções de aproveitamento energético. Ele pode ser queimado diretamente, misturado com óleo MOC (Mistura óleo-carvão) ou na forma de pellets ou briquetes. Observe-se que, se for usado algum combustível fóssil na produção de briquetes ou pelelts, os mesmos não devem ser queimados nas caldeiras das usinas, pois iriam provocar um aumento nas emissões de carbono no ciclo de produção do álcool, reduzindo seu balanço energético e afetando suas perspectivas no comércio internacional. Neste projeto será estudada a forma de separar o pó de carvão de um material inorgânico e seu aproveitamento na produção de pellets e/ou briquetes. Estudo sobre pellets de carvão de capim elefante, indica que a densidade de pellets do carvão é muito maior que a do carvão e pode alcançar um poder calórico de 3 a 5 vezes por volume, em relação ao carvão normal de eucalipto. Desta forma os pellets podem ser usados industrialmente e em usos domésticos. Segundo os autores, Brasil tem condições de consumir 3 milhões de toneladas anuais deste tipo de carvão, fora o que poderia ser exportado. Em outro trabalho, sobre briquetagem de carvão são mostradas várias vantagens dos briquetes em relação ao carvão comum. Mostra também que apesar do processo de briquetagem ser bastante conhecido no exterior, no Brasil até 1988 este trabalho com carvão vegetal resume-se em experiên-
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cias e atividades pioneiras e isoladas de um grupo de siderúrgicas e pequenos produtores. A técnica de briquetagem de carvão vegetal envolve balanceamento granulométrico, mistura proporcional de aglomerante, compactação e secagem. Com a cinza de bagaço de cana (fly-ash) será preciso separar os materiais (carvão/inorgânicos). O maior problema de nossa cinza de bagaço de cana é o conteúdo de impurezas, principalmente areia; para retirá-la estamos utilizando um hidrociclone que funciona como um filtro de água, em nosso caso, água com cinza de bagaço de cana. Após circular pelo aparelho esperamos que filtrasse a cinza a níveis que tornem o processo viável economicamente. Para verificar o sucesso do processo de limpeza, amostras de carvão são retiradas do recipiente quando já passou pelo hidrociclone. A amostra é seca, pesada e colocada num calorímetro para fazer uma Análise Termo Diferencial (DTA) e Termogravimetria (TG), que nos permite, além de conhecer a entalpia da reação da cinza de grelha saber também a quantidade de cinza que resta após a queima controlada até 800C.
guns minutos queimar todo o material orgânico presente numa amostra previamente pesada. Assim por diferenças na pesada, podemos caracterizar a porcentagem de impurezas inorgânicas presentes no material recolhido da usina de álcool. Este método foi também utilizado para estudar o conteúdo de cinzas resultantes quando queimamos os briquetes fabricados com este material. No laboratório está a disposição um sistema de Termogravimetria (TG) que além de mostrar as perdas de massa em função da temperatura, faz uma Calorimetria Exploratória Diferencial (DSC) que nos permite, além de mostrar as entalpias envolvidas, conhecer a existência ou não de restos de lignina ainda presentes nas cinzas. A presença desta lignina interfere na qualidade dos briquetes e sua queima se da em torno a 320 ºC. Para separar o pó de carvão das impurezas foi montado um sistema de hidrociclone funciona utilizando um fluxo de água injetado por uma bomba hidráulica. Se a água tiver impurezas pesadas, estas sob a ação da força centrifuga provocada pela bomba centrifuga e a geometria do aparelho são levadas a pontos distintos do aparelho, conseguindo-se desta forma filtrar as impurezas da água, deixando-a apenas com partículas muito pequenas. Neste trabalho utilizamos um Hidrociclone CD-25 da Darka de 250 mm de diâmetro e saída de 1½ com vazão mínima de 14 m3/h, conectado a dois recipientes cilíndricos de 150 litros numa disposição próxima à utilizada industrialmente através de uma bomba centrifuga de ¾ HP, como está mostrado na Figura 1.
MATERIAIS E MÉTODOS A cinza do bagaço de cana, material que estamos utilizando como matériaprima, é um subproduto da queima do bagaço de cana. Contém impurezas naturais incorporadas durante o crescimento da planta e que ainda subsistem após as queimas, assim como impurezas externas, incorporadas durante o processo de transporte e moagem. Para conseguir fazer deste subproduto, um material comercialmente utilizá- Figura 1. Imagens da montagem do filtro hidrociclone. vel, deve-se conseguir retirar o máximo de impurezas da matéria-prima inicial, para após transformá-lo num novo produto, o briquete, de fácil manipulação e de interesse também para a própria usina de álcool. Assim sendo, deverão ser aperfeiçoados métodos de quantificação das impurezas das cinzas retiradas da usina de álcool e tamO recipiente 1 tinha a água + carvão bém, as cinzas residuais dos próprios bri- da usina que vai passar pelo hidrocicloquetes, o produto final. ne e o recipiente 2, recebia a água com Uma mufla a 800 °C permite após al-
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Figura 2. Estudo do tempo de utilização do hidrociclone na limpeza da água com carvão do bagaço de cana de açúcar vinda da usina de álcool.
carvão após passar pelo filtro. Uma válvula de retorno pode ser ativada para colher no recipiente 2 apenas a mistura em tempos pré-determinados, permitindo um estudo da eficiência do filtro. Foi instalado também um Medidor de Pressão de água e um sistema de válvulas que permitem controlar o fluxo de água que entra no filtro assim como proteger a bomba centrifuga. Para estudar os tempos necessários para a melhor utilização do Hidrociclone, a válvula de acesso ao recipiente 2 foi fechada em 3 intervalos de tempo, 5, 10 e 20 minutos. Nesses tempos, uma amostra da água com carvão foi colhida no recipiente 2 e a válvula fechada novamente até o seguinte intervalo de tempo. Utilizando uma mufla a 800 C podíamos verificar a eficiência na limpeza medindo a porcentagem de cinza. Como podemos ver existe uma diferença significativa do tempo de 5 min para o de 10 min, mas uma diferença menor para o tempo de 10 min até o de 20 min, portanto passando os primeiros 5 min. Não há tanta diferença após. Para um a melhor utilização deste fil-
Figura 3. Análise TG e DSC da cinza do bagaço de cana como saído da usina de álcool e açúcar
tro, houve necessidade de estudar os parâmetros do sistema e até, utilizar cinza que foi peneirada até 0,125 mm. Os briquetes foram feitos utilizando amido de mandioca como aglutinante colocado numa proporção de 8% em peso e a mistura aglutinante com pó de carvão colocada num molde cilíndrico para aplicar uma pressão de 5 ton. A capacidade de empilhamento dependerá da carga máxima que os briquetes consigam suportar; para determinala utilizamos um gráfico força - deformação num sistema de compressão axial que se deslocava a 5 mm/min. Como se pode apreciar da figura 3, após 600 C, sobra aproximadamente 62% de material inorgânico. Este material consiste principalmente de quartzo, ferro e areia. Para retirar estes resíduos, utilizamos o método de peneiramento, e os resultados estão na figura 4. A curva TG da figura 4 indica que a maior parte da areia fina foi retirada, além disso, a curva DSC mostra um pequeno pico em 326ºC que pode ser atribuído à presença de lignina que não foi queimada totalmente na caldeira da usina. De-
Figura 4. Análise TG e DSC da cinza do bagaço de cana com areia depois de peneirado a 0,125mm.
pois de peneirado o material foi passado filtro Hidrociclone e o carvão resultante, utilizado para a fabricação dos briquetes. Os briquetes foram preparados utilizando amido de mandioca como elemento aglutinante numa proporção de 8% em peso. Primeiro o carvão era seco e pesado para determinar a quantidade de amido que deveríamos preparar. Este era preparado num fogão com uma pequena quantidade de água. Quando o amido formava a cola transparente, o carvão era incorporado, juntando-os com uma espátula. Era necessário um tempo maior que cinco minutos para permitir a evaporação do excedente de água e para isso, a mistura era constantemente agitada dentro do recipiente aquecido. Uma vez seco a mistura carvão + amido era colocada num molde cilíndrico e fechada com o pistão. O conjunto era levado a uma prensa hidráulica onde se aplicava uma pressão de 5 Ton. Após, o briquete era retirado do molde e colocado a secar ao Sol. A figura 5 mostra os briquetes resultantes. O briquete que deixamos 5 min. no
Figura 5. Briquete de Carvão feito da cinza do bagaço da cana de açúcar.
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Figura 6. Análise TG do briquete preparado com carvão filtrado no hidrociclone por 5 minutos.
hidrociclone foi preparado com uma massa inicial de 23,632g de carvão e o aglutinante 1,8904g, após ser prensado a 5 ton. e seco por um dia, a massa do briquete foi de 25,514g e o seu volume de 28,27cm³ , portanto a densidade é de 0,902g/cm³, para verificar o material inorgânico restante do briquete foi analisado por TG, como mostra a figura 6. Como observado na figura 6. restando aproximadamente 20% de material inorgânico. A cinza do bagaço da cana de açúcar que permaneceu 10 min no hidrociclone também foi preparada um briquete, com massa inicial de 24,155g e o aglutinante a massa é de 2,957g, depois de prensado a 5 ton e seco, sua massa é de 23,9606g e seu volume é de 31,44cm³ portanto sua densidade é de 0,762g/ cm, para verificar o material inorgânico restante foi analisado termicamente
Figura 7. Análise TG do Briquete que a cinza do bagaço de açúcar permaneceu 10 min no hidrociclone.
pelo TG e DSC, mostrado na figura 7. Da figura 7. podemos dizer que após a queima, restam aproximadamente 22,09% de material inorgânico. Também foi feito um briquete com o material que permaneceu por 20 min no filtro hidrociclone, com massa inicial de 22,40g e o aglutinante é de 1,792g , após prensado sua massa é de 24,905g e o volume de Figura 7. Análise TG do Briquete que a cinza do bagaço de açúcar permaneceu 10 min no hidrociclone. 28,42cm³ portanto a densidade é de 0,87g/cm³ , analisando termicamente como mostra a figura 8. Concluímos a quantidade de material inorgânico restou foi de aproximadamente 17%. Para definir o nível de empilhamento. Utilizamos uma maquina de ensaios para determinar a carga máxima que nossos briquetes suportam. O resultado esta mostrado na figura 9. Como pode ser verificada, a carga má-
Figura 8. Análise TG do Briquete que a cinza do bagaço de açúcar permaneceu 20 min no hidrociclone.
xima que o briquete suporta é maior que 3600 N, mais de que suficiente para maioria das aplicações práticas. Para analisar a qualidade dos briquetes, utilizamos nesta primeira parte, dois parâmetros: densidade e quantidade de cinzas inorgânicas, resultantes da queima deste as temperaturas próximas a 800 C. Quando o carvão não era limpo com o Hidrociclone, chegamos a ter briquetes com densidade de 1,1 3 3 g/cm . Após a instalação do Filtro Hidrociclone a densidade dos mesmos passou para a faixa de 0,76 a 0,9 g/cm. e constatou-se uma significativa diminuição do material inorgânico sendo de até 23,5%, e quando feita a briquetagem a diminuição atingi aproximadamente 17% de material inorgânico, feito isto em um tempo de 20 minutos. Acreditamos que os métodos utilizados garantes briquetes com menores cinza inorgânicas; que é um parâmetro importante nas futuras aplicações.
Fig. 9. Curva deformação - força num briquete de cinza de bagaço de cana.
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ENTREVISTA
Entrevista exclusiva com a Prof.ª Dra. Suani Teixeira Coelho JBIO - Como você definiria hoje o setor da Biomassa no Brasil e no mundo? O setor de biomassa no Brasil ainda enfrenta algumas dificuldades por falta de politicas adequadas nos setores de transporte e elétrico, apesar de todas as vantagens ambientais, sociais e estratégicas. No mundo, o setor de biomassa recebe cada vez mais interesse, inclusive em países da União Europeia, uma vez que a biomassa pode ser usada para substituir os combustíveis fosseis na geração termelétrica visando atingir as metas de redução de carbono. JBIO - Quais os principais gargalos a serem resolvidos para que o setor da Biomassa avance em nosso país? Para responder a esta pergunta é necessário analisar em separado cada setor: - setor de transporte: o etanol ainda não recebe os incentivos adequados do governo. Desnecessário lembrar o controle informal dos preços da gasolina até final de 2014, como tentativa de controle dos índices de inflação. Como o etanol necessita ter preços na bomba até o limite de 70% da gasolina, o álcool ficou indiretamente controlado. Os resultados estão claramente identificados com a crise que o setor atravessou e ainda atravessa, com inúmeras usinas fechadas. - setor elétrico - os leilões de compra de energia não levam em conta as vantagens da biomassa não apenas
A partir da experiência de países desenvolvidos como os países da União Europeia, podemos verificar que o ponto principal são as politicas adequadas.
Suani Teixeira Coelho é engenheira química, com mestrado e doutorado em Energia No Programa de Pós Graduação em Energia da Universidade de São Paulo, onde é atualmente professora, orientadora e coordenadora do GBio - Grupo de Pesquisa em Bioenergia - antigo CENBIO, no Instituto de Energia e Ambiente da USP
em termos ambientais (energia renovável), mas em termos estratégicos (geração próxima aos pontos de carga, nas regiões Sudeste e Sul). A bioenergia tem que competir em leilões com combustíveis fósseis (termoelétricas a gás natural e a carvão) e com outras renováveis que não apenas recebem incentivos especiais como também são geradas longe das regiões de demanda. Inúmeros trabalhos científicos já apontaram as consequências negativas para a população, que deve pagar os custos de transmissão do NE ate o SE. Sem falarmos nos casos de plantas construídas e que não podem despachar a energia, pois não há a linha de transmissão necessária para interligação com o sistema interligado. Os leilões regionais certamente evitam estes problemas para o país e para a população JBIO - Que tipos de geração de
energia por biomassa você destacaria, como principais potências hoje? Certamente o setor com maior importância é o setor sucroalcooleiro, não apenas pelo ouso do etanol, mas também, pelo enorme potencial de geração de excedentes, contribuindo para retornar a matriz elétrica brasileira aos níveis de sustentabilidade ambiental do passado. Mas também é importante destacar dois setores importantes para geração de energia: - o setor de pellets, que ainda não aproveita adequadamente o enorme mercado internacional, em particular a União Europeia. Ha no país áreas importantes para plantações sustentáveis de eucalipto para a produção de pellets, não apenas para uso interno, mas também para exportação. Isso sem falar no aproveitamento inteligente de resíduos de madeireiras e serrarias para este mesmo fim - o setor de resíduos sólidos urbanos e rural, que enfrenta dificuldades enormes relativas á disposição adequada dos resíduos e que ainda apresenta enormes impactos ambientais, principalmente nos pequenos municípios e na zona rural (criações de animais). Com políticas adequadas de incentivos, a geração de energia poderia contribuir para a viabilidade econômica do saneamento e para a redução dos impactos ambientais. Os setores elétricos e ambientais precisam aproveitar melhor as sinergias existentes com benefícios para todo o país. JBIO - Qual seria a ideal participação na matriz energética brasileira, se o potencial da geração de energia por biomassa fosse aproveitado de forma mais inteligente? O potencial de excedentes do setor sucro alcooleiro atinge 10 GW (equivalente a uma Itaipu...), o dobro do que
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ENTREVISTA
ocorre hoje, se as politicas adequadas fossem introduzidas. Da mesma forma outros setores como o madeireiro, arroz, entre outros, poderiam ter uma contribuição muito maior do que a atual, como identificado no Atlas de Bioenergia desenvolvido pelo CENBIO (Centro Nacional de Referência em Biomassa, atualmente Grupo de Pesquisa em Bioenergia - GBio, IEE/USP), para o país e disponível no nosso site: www.iee.usp.br/gbio JBIO - o setor da Biomassa em diversos países é uma das principais, ou até mesmo a principal forma de gerar energia; O que podemos aprender com estes cases de sucesso? A partir da experiência de países desenvolvidos como os países da União Europeia, podemos verificar que o ponto principal são as politicas adequadas. No caso do aproveitamento de resíduos de biomassa para geração de energia, é fundamental politicas de incentivo. No caso do setor sucroalcooleiro, bastariam os leilões regionalizados e por fonte. No caso de RSU ha necessidades de politicas mais importantes, como participação dos órgãos de fomento em empreendimento de geração de energia. Na UE, as plantas de incineração receberam importante contribuição da UE em forma de investimento a fundo perdido (o exemplo da Valorsul, em Lisboa, Portugal, é emblemático). Linhas especiais de financiamento para estes empreendimentos, em particular para os de pequeno porte (importantíssimos para os pequenos municípios e para os produtores rurais) poderiam colaborar bastante.
O potencial de excedentes do setor sucro alcooleiro atinge 10 GW (equivalente a uma Itaipu...), o dobro do que ocorre hoje, se as politicas adequadas fossem introduzidas.
A professora publicou vários artigos científicos e é também revisora de revistas técnicas, como a Energy Policy e Biomass & Bioenergy, entre outros). Ela também já publicou vários livros e capítulos de livros, incluindo "Land and Water-Linkages to Bioenergy" em Global Energy Assessment (IAASA, Universidade de Cambridge, 2013). Desde dezembro 2014 ela é Editora Associada para Bioenergia na publicação Renewable and Sustainable Energy Reviews e é membro do Activity Group on Bioenergy and Water do Global Bioenergy Partnership (GBEP/FAO), editora chefe do Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia.
JBIO - Como você imagina o setor no Brasil para os próximos 10 anos? Se tivermos as politicas adequadas poderemos certamente retornar a uma matriz energética com baixas emissões de carbono, uma vez que atualmente temos a participação enorme das térmicas a combustíveis fosseis. Isso se reflete no perfil das emissões do país, onde o fator de emissão de gases efeito estufa (fator médio anual) aumentou 5,5 vezes de 2009 a 2014 (de 0,0246 tCO2/MWh em 2009 para 0,1355 tCO2/MWh em 2014!). JBIO - Recentemente você assumiu a chefia de edição do Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia, hoje a principal publicação do setor e formadora de opinião. Qual a importância e relevância de atuar neste sentido, e qual a importância da publicação para o setor da Biomassa no Brasil? Realmente foi um prazer aceitar este convite para colaborar com uma publicação importante para o setor de biomassa no Brasil. Assim agora tenho a
Se tivermos as políticas adequadas poderemos certamente retornar a uma matriz energética com baixas emissões de carbono, uma vez que atualmente temos a participação enorme das térmicas a combustíveis fósseis. oportunidade de contribuir com uma publicação brasileira, pois até então todas as minhas contribuições foram em jornais estrangeiros - como Editora de Bioenergia da Renewable and Sustainable Energy Reviews. Considero o Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia uma publicação extremamente relevante, pois não apenas contribui com a disseminação de informações técnicas como também realiza um trabalho importante de discussão de políticas e de formação de opinião.
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ARTIGO
A biomassa moderna como fonte de energia para o crescimento econômico em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento Humano Manuel Moreno Ruiz Poveda,Suani Teixeira Coelho e Alessandro Sanches-Pereira.
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xistem no mundo atualmente 1,3 bilhão de pessoas sem acesso à energia elétrica e 2,7 bilhões que utilizam a biomassa tradicional como fonte de energia para aquecimento e cocção (AGECC, 2010). Em 2008, o Secretário Geral da ONU criou o Grupo Consultivo para a Energia e Alterações Climáticas (AGECC) que estabeleceu, como uma de suas principais metas, a garantia ao acesso universal a formas modernas de energia até o ano de 2030 em países em desenvolvimento (AGECC, 2010). A definição do acesso à energia geralmente inclui tanto o acesso à eletricidade como combustíveis modernos que substituam o uso da biomassa tradicional. No entanto, se o fornecimento for limitado a apenas suprir necessidades básicas, ele não será satisfatório o suficiente para promover o desenvolvimento econômico e vencer a situação de pobreza. Por isto, atingir um nível de abastecimento energético em quantidade e qualidade suficiente para uso produtivo é considerado um fator fundamental para o desenvolvimento local sustentável (AGECC, 2010). O limite mínimo proposto pela Agência Internacional de Energia (IEA) é de 100 kWh de eletricidade e 100 kgep de combustíveis modernos (o equivalente a cerca de 1.200 kWh) por pessoa por ano, nível que pode ser utilizado como um alvo de partida (IEA, 2011). Sem dúvida alguma, o acesso à energia é um serviço essencial para o desenvolvimento econômico e progresso social, sendo um fator fundamental para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (UN, 2015). A energia não só é um insumo essencial para a implementação bem sucedida de quase todos os programas básicos de saúde, educação, saneamento e segurança alimentar, como também é imprescindível para o desenvolvimento de atividades econômicas que agreguem valor e gerem renda. Como consequência, distinguem-se claramente duas etapas para o acesso energético: a primeira resolve os problemas básicos de saneamento, iluminação, refrigeração e comunicação; a segunda consiste em dar um passo mais ambicioso em direção ao uso da eletricidade para ser utilizada em processos produtivos (IEA, 2011). A experiência brasileira, neste contexto, pode ser um exemplo significativo para outros países em desenvolvimento, uma vez que vários projetos no país têm abordado não só
o acesso à eletricidade para as necessidades básicas, mas também para o desenvolvimento econômico de municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), especialmente na região Amazônica. O programa "Luz Para Todos" (LPT), iniciativa brasileira para a universalização do acesso a energia, tem atraído a atenção internacional devido às suas ambiciosas metas e significativas realizações em um período relativamente curto (Gómez, 2014). O Brasil reduziu significativamente na última década o número de pessoas sem acesso à eletricidade no país. Atualmente, o serviço de energia elétrica atende 97,8% dos domicílios brasileiros. Nas áreas urbanas este percentual chega a 99,1% e na área rural atinge 89,7%. O programa já beneficiou mais de 15 milhões de moradores rurais no país (MME, 2015). No entanto, a iniciativa não tem sido igualmente bem sucedida em todo o território nacional, pois, nas áreas remotas da região amazônica, 930.000 pessoas ainda estão à espera de acesso aos serviços de energia elétrica. Como resultado, o programa foi recentemente adaptado com o objetivo de atingir as metas de universalização, pois a iniciativa provou ser eficaz durante a primeira fase através da extensão da rede, mais ainda existem desafios importantes relacionados com as áreas mais remotas (Gómez, 2014). Os obstáculos ainda existentes nas aldeias amazônicas são muito semelhantes aos encontra-
dos em áreas rurais de países em desenvolvimento localizados em áreas tropicais e, desta forma, as lições que estão sendo aprendidas pelos envolvidos no programa LPT poderiam ser replicadas nestas localidades. Diferentemente do Sistema Interligado Nacional (SIN), onde todas as plantas de energia elétrica estão conectadas por meio de longas linhas de transmissão que atravessam o Brasil do norte a sul, o sistema isolado da região Norte é composto principalmente por pequenas usinas termelétricas que funcionam com motores a diesel. Estas usinas enfrentam dificuldades operacionais devido à trabalhosa e onerosa logística para o abastecimento de combustível que utilizam os rios da floresta tropical como via de transporte. A Amazônia abrange uma área correspondente a 45% do território brasileiro e possui uma baixa densidade populacional, cerca de 1,2 milhões de habitantes ou 3% da população nacional. A geração de eletricidade por estas usinas termelétricas movidas a diesel é fortemente subsidiada através de um programa específico do governo federal denominado Conta Consumo de Combustíveis (CCC). A justificativa é o fato dos custos de operação e manutenção destas usinas serem elevados dado o isolamento da região e a complexidade logística. Apesar da existência deste programa federal de subsídio, muitos povoados se encontram sem acesso à eletrificação. A abordagem encontrada pelo programa LPT em garantir o acesso à energia elétrica em áreas isoladas apoia-se na opção fotovoltaica, uma vez que um painel fotovoltaico para a produção de 5 a 10 kWh por mês apresenta fácil instalação e cobre uma demanda básica. Porém, esta abordagem não permite o incremento da carga instalada nas residências e a incorporação de um processo produtivo. Como a instalação de geradores fotovoltaicos não é suficiente por si só, a oferta de energia elétrica a partir de resíduos de biomassa pode ser vista como uma boa opção para melhorar e ampliar o acesso à energia em áreas isoladas onde já foram implantados sistemas fotovoltaicos. Ao incluirmos neste tópico o fato de o aumento do acesso à energia deve considerar abordagens que garantam o desenvolvimento local sustentável, fica claro que para aumentar o acesso à eletricidade em comunidades isoladas é necessário o desenvolvi-
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mento de sistemas energéticos com base em fontes de energia locais e renováveis, como pequenas centrais hidrelétricas e biomassa proveniente de resíduos agrícolas e florestais. Isto permite não só a instalação de sistemas de maior potência, mas também a garantia de fornecimento contínuo de energia renovável que pode ser utilizado por atividades produtivas e gerar renda para a comunidade local. Ao utilizar para a produção de eletricidade os resíduos locais das atividades agrícolas, das serrarias e da criação de animais, as famílias que se encontram nas proximidades da usina passam a formar parte da cadeia produtiva desde o começo até o fim. Desta forma também a geração passa a ser administrada pela comunidade, ficando responsável pela operação e manutenção, reduzindo a participação da concessionária local que, geralmente, não tem interesse nesses projetos. A experiência brasileira com sistemas fotovoltaicos em povoados remotos da Amazônia mostra que o acesso à energia fornecida por tais sistemas é suficiente para prover as necessidades básicas, tais como iluminação, comunicação e bombeamento de água. No entanto, para desenvolver atividades produtivas que aumentem a renda e permitam
Foto: Grupo de Energia, Biomassa & Meio Ambiente, 2007
ARTIGO
Figura 1: Central Termeletrica e polo produtivo local implantado pelo Projeto Marajó
o pagamento pela nova demanda energética, é necessário uma potência instalada superior. Assim, o governo brasileiro financiou plantas piloto na Amazônia utilizando, como fonte de energia resíduos de biomassa, e como tecnologias de conversão gaseificadores e ciclos a vapor de pequena escala. Dois projetos - Projeto Marajó e ENERMAD - são exemplos de esta ideia ao aliar o acesso à energia ao uso produtivo. Estes projetos implantaram processos de beneficiamento em
parceria com usinas termoelétricas movidas a biomassa (Coelho, Vela?zquez, Santos, & Lora, 2008). A Figura 1 apresenta o Projeto Marajó, financiado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) via edital CT-Energ No. 03/2003, em uma comunidade isolada, na Ilha de Santo Antônio, município de Breves, Estado do Pará. Durante o projeto foi construído um
24 sistema que integra a central de cogeração termelétrica com capacidade de geração de 200kW e alimentada com resíduos de madeira à uma fábrica de extração de óleo vegetal, uma estação de tratamento de água, uma fábrica de gelo e uma câmara frigorífica. Os países tropicais em desenvolvimento - assim como a região Amazônica - têm um elevado potencial de produção de biomassa. Devido às condições climáticas mais favoráveis, aos resíduos disponíveis nas áreas rurais e ao menor custo da mão de obra, esta produção pode ser realizada de forma sustentável. Municípios com baixo IDH, geralmente estão localizados nas regiões Norte e Nordeste do país. Nestas regiões são encontrados de forma abundante resíduos de biomassa que poderiam ser utilizados para a geração de energia por meio de tecnologias eficientes e sustentáveis. Estas informações indicam que existem oportunidades significativas tanto para a produção em pequena escala de energia como para a geração de emprego e renda nestas localidades. Desta forma, o uso de resíduos de biomassa na produção de eletricidade para atender as necessidades básicas e produtivas das comunidades remotas na Amazônia é seme-
ARTIGO lhante aos projetos envolvendo as usinas de açúcar e fábricas de chá em países da África subsaariana, onde o excedente de eletricidade gerada pelas indústrias locais abastece os domicílios do entorno (UNEP, 2015). O Centro Brasileiro de Referência em Biomassa (CENBIO), vinculado ao Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP), em parceria com o COPPE e a UFRJ está desenvolvendo o projeto "Resíduos de biomassa para melhorar o acesso à energia e a atividade econômica local em regiões de baixo IDH no Brasil e Colômbia". O projeto é financiado pela Global Network on Energy for Sustainable Development (GNESD) da UNEP, onde os principais objetivos do estudo são aprimorar o conhecimento sobre as necessidades de energia para fins produtivos entre as famílias de baixa renda de áreas isoladas e orientar políticas de intervenção. O estudo analisa as perspectivas de aumentar e favorecer o acesso à energia de forma a incentivar as atividades produtivas locais. O projeto investe no uso de tecnologias eficientes de pequeno porte para a geração de eletricidade e calor que utilizem resíduos de biomassa rural como fonte primaria. O estudo permite descobrir as necessidades de energia das comunidades isoladas, tanto as necessidades domésticas como as com fins produtivos. Outro ponto im-
portante é a caracterização dos resíduos orgânicos disponíveis e seus potenciais teórico e realizável. O objetivo máximo é orientar políticas de intervenção que incentivem a implementação de tecnologias modernas e consolidadas que ampliem o uso de energias renováveis destas comunidades. REFERÊNCIAS AGECC. (2010). Energy for a Sustainable Future: The Secretary-General's Advisory Group on Energy and Climate Change Summary Report and Recommendations. New York: UN. Coelho, S. T., Vela?zquez, S. S., Santos, S. A., & Lora, B. A. (2008). Implementation of a 200 kW thermal power plant using wood residues from a sawmill industry in Brazil's North region. Revista Ciências Exatas , 2 (1). Gómez, M. F. (2014). Universal Electricity Access in Remote Areas: Building a pathway toward universalization in the Brazilian Amazon. KTH Royal Institute of Technology, Department of Energy Technology. Stockholm: KTH/EGI/ECS. Grupo de Energia, Biomassa & Meio Ambiente. (2007). Retrieved February 28, 2015, from http:// www.ufpa.br/ebma/ IEA. (2011). World Energy Outlook 2011. Paris: OECD/IEA. MME. (2015). Programa Luz para Todos. Retrieved February 27, 2015, from http:// luzparatodos.mme.gov.br /luzparatodos/Asp/ o_programa.asp UN. (2015). Millennium Development Goals. Retrieved February 27, 2015, from http:// www.un.org/millenniumgoals/ UNEP. (2015). Updates on the Project. Retrieved February 27, 2015, from Cogen for Africa Project website: http://cogen.unep.org
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RECURSOS RENOVÁVEIS
Gaseificação - Uma alternativa para o aproveitamento energético do resíduo sólido urbano Eng Luciano Infiesta
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ivemos numa sociedade organizada e que estimula o consumo e a produção de bens em grande escala, e cuja capacidade de deposição desses resíduos em aterros sanitários se encontra próximo dos limites de saturação e cuja lei 12.305 de agosto de 2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria metas no planejamento nacional, estadual e municipal para o aumento da reciclagem e a eliminação dos "lixões". A gestão dos recursos energéticos, de maneira eficiente e sustentável, tornou-se indispensável entre os gestores privados e públicos. Os dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - ABRELPE mostram que no Brasil, a cada dia, são geradas 201.058 toneladas de resíduos sólidos urbanos, o qual tende a crescer anualmente tornando a problemática do "lixo" inexorável e irreversível. Durante a última década, novos conceitos energético e de gestão têm surgido, como o planejamento descentralizado, a conservação de energia através de tecnologias mais eficientes, a reciclagem de resíduos, o planejamento energético integrado e a introdução de novas fontes de energia renováveis. Amparada pelos dois métodos mais tradicionais de geração, a matriz energética brasileira é composta basicamente de energia hidráulica e de energia térmica a gás natural, carvão e biomassa. Desta forma, a geração distribuída e descentralizada torna-se neste momento, uma alternativa sustentável para a
crescente demanda energética do pais, visto que o sistema interligado nacional não comporta o atendimento de todas as possíveis demandas de cargas isoladas e o seu atendimento, inúmeras vezes é economicamente inviável em um país de grande extensão territorial como o Brasil. Baseado no exposto, o resíduo sólido urbano, possui papel fundamental no desenvolvimento de geração de energia elétrica através da cogeração, visto que a geração dos resíduos sólidos, tendem a ser descentralizada juntamente com o desenvolvimento populacional das cidades. Esta distribuição descentralizada de geração de resíduos diminuí os custos de investimentos em redes de transmissão e distribuição bem como, satisfaz a demanda energética local ou regional por meio do sistema interligado caso necessário. A recuperação de energia a partir do RSU no Brasil possui, até então, duas grandes vertentes: 1. A recuperação do gás metano (biogás) em aterros sanitários para geração de energia elétrica.
Biogás é um recurso energético renovável, que deriva da decomposição de matéria orgânica presente nos resíduos sólidos urbanos por bactérias em condições anaeróbicas, ou seja, na ausência de oxigênio, sendo utilizado em moto-geradores. 2. Incineração "in natura" do resíduo visando a redução de massa com recuperação energética em forma de calor. O processo de incineração ou combustão ("mass burning"), consiste na queima em alta temperatura dos resíduos sólidos em fornos para a geração de calor com posterior produção de vapor e energia elétrica utilizando turbinas a vapor. Atualmente, uma nova vertente altamente eficaz para o aproveitamento energético do resíduo sólido urbano, está sendo desenvolvida pela indústria nacional, que por meio da gaseificação em leito fluidizado, obtém-se um gás combustível composto basicamente de 14% de hidrogênio, 18% de monóxido de carbono e 3% de metano, denominado "gás de síntese" o qual é utilizado para a substituição dos atuais combustíveis fosseis utilizados em processos térmicos. A gaseificação de resíduos sólidos urbanos está dividida em três blocos distintos, porém, integrados entre si, sendo eles; 1 - Unidade de recepção e produção de CDR: Trata-se de unidade composta por equipamentos que processam o material recebido promovendo sua trituração, separação, secagem e prensagem, produzindo um combustível homogêneo, específico e com poder calo-
26 rífico constante, denominado combustível derivado de resíduo - CDR. 2 - Unidade de gaseificação: Dispões na conversão da energia potencialmente contida no CDR, em um gás combustível, utilizando um reator de leito fluidizado circulante.
3 - Unidade de geração de energia elétrica: Uma das aplicações possíveis para o gás produzido na gaseificação, é a geração de energia elétrica o qual possibilita o melhor aproveitamento energético e financeiro. Esta geração, pode ser atendida de duas formas: ciclo Otto ou ciclo Rankine. Ou seja, o gás de síntese, poderá ser utilizado como combustível em moto-geradores de combustão interna ou em caldeiras aquatubular ou flamotubular para geração de vapor d'agua para acionamento de turbinas estacionárias, dependendo das potências a serem instaladas na usina. Fundada em 1.976, a Carbogas, empresa especializada na fabricação de gaseificadores em escala industrial, teve como principal foco o desenvolvimento de gaseificadores de leito fixo em escala industrial para carvão mineral e turfa destinado aos segmento cerâmico cujo os anos de 1978 a 2004 forma instadas 112 MWth em plantas no Brasil e em países como China e Peru. Ao longo de anos de pesquisa e testes práticos em sua planta piloto, a mesma desenvolveu um processo con-
RECURSOS RENOVÁVEIS fiável e seguro com menor número de componentes, o que lhe proporcionou a gaseificação de resíduos sólidos urbanos por meio do processo em leito fluidizado circulante o qual é proprietária da paPromom tente. Neste proEdição: 05/1981 cesso, utiliza-se o CDR - combustível derivado de resíduo, como produto gaseificado, que é o processamento industrial do resíduo sólido urbano que contempla as etapas de trituração, secagem e separação de metais. A planta piloto, conta com uma potência instalada de 1 MWth, geração de 740 Nm³/h de gás combustível com PCI de 1160 kcal/Nm³ a 1260 kcal/Nm³ e consumo de 325 kg/h de CDR com PCI médio de 4200 kcal/kg. A mesma, possui a possibilidade de utilização do gás de síntese de 3 formas independentes ou simultâneas, sendo elas; fornalha de combustão, "flare" e moto-gerador de capacidade com 180 kWh de energia elétrica. O processo de gaseificação em leito fluidizado circulante, libera significativamente menor taxa de dibenzo-p-dioxinas cloradas (CDD - dioxinas) e dibenzofuranos clorados (CDF - furanos) que os processos comuns de incineração de resíduos sólidos urbanos. Visto a gaseificação ser um processo de queima sub estequiométrica, ou seja, com baixa concentração de oxigênio que é o principal elemento de ligação entre os anéis benzênicos dos componentes acima citados este proces-
so torna-se melhor que os atuais sistemas de tratamento de gases de combustão dos incineradores em operação. A gaseificação mostrou ótimos resultados de eficiência energética nos testes de campo realizados na planta em Mauá-SP, demostrando ser uma alternativa aos atuais aterros sanitários para destinação de RSU no país. Vantagens como a redução das áreas degradadas produtoras de chorume, possibilidade do aproveitamento energético deste passivo ambiental e o atendimento crescente da demanda de energia elétrica do país, confirmam esta alternativa. Assim, a gaseificação de resíduos sólidos urbanos, torna-se uma promissora e futura solução para o atendimento da lei 12.305 de agosto de 2010 - PNRS, proporcionando receita aos municípios envolvidos através da mão de obra local e a arrecadação de impostos sobre o faturamento na comercialização da energia. Baseado nisso o empreendimento de gaseificação do Vale do Paranapanema denominado CIVAP, visa ser o pioneiro neste desenvolvimento em escala industrial, onde no mesmo, será processado 450 toneladas dia de resíduos sólidos urbanos, com geração de 8.2 MWe. Este empreendimento dará subsídios fundamentais para o desenvolvimento e disseminação da tecnologia de gaseificação para outras regiões do país, bem como a sua utilização para outros resíduos não mencionados neste artigo.
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EVENTO
DOPPSTADT EXPO - 50 anos de sucesso! Mais de 50 empresários brasileiros participam da celebração dos 50 anos da DOPPSTADT
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omitiva brasileira conhece de perto os sistemas de produção das máquinas e equipamentos da DOPPSTADT EXPO na Alemanha. Empresa comemora 50 anos de história, com um mega evento na cidade de Calbe\ Alemanha. Conhecida no mundo inteiro por produzir equipamentos de alta qualidade e precisão, a DOPPSTADT, recebeu mais de 1.500 convidados do setor de Biomassa e Energia, de mais de 20 países, em três dias de evento. Entre estes convidados, 54 brasileiros que tiveram a oportunidade ímpar de conhecer como funciona todo o sistema de produção desta gigante do setor, que vai intensificar sua atuação no mercado brasileiro. O grupo de brasileiros viajaram á convi-
te da RIMAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, representante oficial dos equipamentos da DOPPSTADT no Brasil. O grupo brasileiro foi o maior de fora do continente Europeu. O mercado brasileiro é um dos mais co-
biçados do mundo quando se fala em equipamentos para trituração e picagem, para geração de energia e reciclagem, comentou Vinícius Casselli (RIMAC). Os equipamentos da DOPPSTADT são de alta qualidade, temos convicção de que o setor da Biomassa no Brasil, terá muito a ganhar com as tecnologias e diferenciais dos equipamentos da DOPPSTADT. Para Leonardo Bernardi, (TW BRAZIL), a estrutura e organização da empresa alemã impressionam. Trabalho no setor florestal a mais de 15 anos, e nunca tinha visto um processo de produção tão perfeito, além de toda a preocupação da empresa em tornar seu processo limpo e ambientalmente correto, complementa. Quem também marcou presença no evento foram as empresas Pellet Braz a Operflora. Geraldo, Gilson e Eduardo Borin, vieram conferir de perto os equipamentos DOPPSTADT, para trituração e geração de energia com Biomassa, para incorporar estas tecnologias em suas empresas. Eduardo Borin, acompanhou atento as demonstrações dos equipamentos que aconteceram em vários períodos do dia, na sede da empresa em Calbe. A RIMAC Importação e Exportação, empresa responsável pela comercialização e assistência no Brasil, preparou uma estratégia especial para que os equipamentos da DOPPSTADT, estejam disponíveis de forma simples, rápida, além de uma linha especial de financiamento que será oferecida para as empresas brasileiras, através de uma parceria com a Deutsche Leasing.
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ARTIGO
Mais Floresta movimenta o setor de Biomassa na feira Três Lagoas Florestal A região Leste de Mato Grosso do Sul é responsável por 550 mil hectares de florestas plantadas, das 820 mil existentes. Em razão disso, o município de Três Lagoas é considerado o maior produtor estadual de celulose e papel, sediando entre os dias 2 e 4 de junho, a feira Três Lagoas Florestal, no parque de exposições Joaquim Marques de Souza. Um dos eventos realizados foi promovido pelo programa Mais Floresta, do Senar/MS Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em parceria com a Paulo Cardoso Comunicações, no dia 4 de junho. No período matutino, um público de 160 pessoas participou de um dia de campo, realizado em uma propriedade rural, da empresa Fíbria, localizada há 27 quilômetros e tiveram oportunidade de acompanhar o processo de trituração de ponteiras de eucalipto, que posteriormente são utilizadas para produção de biomassa. Uma equipe de segurança do trabalho da empresa acompanhou os participantes, divi-
didos em grupos, para uma visita guiada, em uma área pronta para colheita e outra finalizada há pouco mais de cinco dias. O público composto por estudantes universitários, técnicos e produtores rurais acompanhou atentamente as explicações, para conhecer um pouco mais do processo que resultará na produção de energia elétrica, a partir, do processamento de troncos, raízes, galhos e folhas do eucalipto. Segundo o superintendente do Senar/MS, Rogério Beretta, a geração de biomassa pode estimular o aumento da produção de
energia renovável e oferecer alternativa para produtores rurais que enfrentam dificuldade para descartar os resíduos florestais. "Os produtores e profissionais do setor precisam ter mais informações sobre a utilização de biomassa na geração de energia e, neste encontro, puderam saber um pouco mais sobre o tema. Em tempos de crise hídrica, a energia renovável impacta diretamente na sustentabilidade das propriedades e do meio ambiente", avalia. O engenheiro agrônomo e instrutor do Senar/MS, Francisco Marcondes acredita que os produtores rurais do Estado precisam aproveitar oportunidades como esta, do Mais Floresta, para aprender a melhor utilizar os recursos. "Aqui tivemos um exemplo claro da reutilização de resíduos que antes incomodavam o produtor, por ocupar espaço e causar transtornos sanitários. As tecnologias atuais propiciaram que este material, que no passado era utilizado no máximo como adubo, hoje, possa produzir energia para a propriedade, tornando-a autossuficiente", considerou.
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Biomassa e energia solar fotovoltaica: avanços e desafios para expansão de uso na matriz elétrica nacional Osvaldo Soliano Pereira 1 , Maria das Graças Figueiredo 2 , Tereza Mousinho Reis 2 , Lucas Corte Imperial 2
1 INTRODUÇÃO Em decorrência da crise energética porque vem passando o País, fruto de vários fatores adversos (atrasos nos projetos de geração, mudança no arcabouço do setor, não realização de leilões no momento adequado, crise hídrica, aumento da geração térmica e consequente aumento de tarifas), distintos agentes públicos, particularmente os vinculados ao Governo Federal, veem sinalizando com mudanças regulatórias e incentivos para fomentar mais rapidamente o uso de novas tecnologias na matriz energética, com ênfase particular na energia solar e de biomassa, prevendo-se grandes mudanças no cenário de geração dessas fontes. Considera-se aqui, que a fonte eólica, apesar de ainda encontrar algumas barreiras, estas não se encontram no nível enfrentado pelas demais. Ao longo deste artigo procura-se enfatizar as convergências de mudanças no arcabouço da energia solar fotovoltaica que também beneficiam ou limitam uma maior disseminação do uso da biomassa para produção de energia elétrica. Diversas ações estão sendo tomadas nos distintos segmentos de mercado, seja na micro e minigeração (compensação de energia elétrica), na geração distribuída, e nos leilões de fontes alternativas. Medidas simples, como a isenção de ICMS e impostos federais sobre a energia injetada, por exemplo, torna o custo da energia para projetos de geração distribuída (GD), de qualquer fonte, em termos de paridade tarifária, viável para consumidores de dezenas de distribuidoras do País. 2 PERSPECTIVAS DA BIOMASSA E ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA Desde sua regulamentação, em 2012, até março de 2015, apenas 533 unidades geradoras foram instaladas fazendo uso do mecanismo de compensação de energia elétrica (net-metering), das quais, 498 unidades do total com fonte solar, que somam 5.441 kW de potência instalada (ANEEL, 2015a). Já com biomassa foram implantados 4 projetos de biogás, totalizando 763 kW. Recente estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2014), considera que a energia solar pode ser uma importante solução para a atual crise energética, uma vez que painéis fotovoltaicos instalados nos telhados residenciais, no mecanismo de net metering, podem gerar tecnicamente 287 mil GWh, duas vezes a energia consumida nas residências do País hoje. Num outro estudo, a EPE (Tolmasquim, 2015) calculou em 53,4 TWh o total da ener-
gia produzida no Brasil em 2013, oriunda da GD, sendo que apenas 0,2 TWh eram oriundos do biogás e a produção da fonte solar era zero (Figura 1). No longo prazo, a GD pode atingir 257 TWh, em 2050, sendo 103,3 TWh de solar, 25 TWh de biogás e 91,2 TWh de cogeração, que certamente incluiria biomassa. Numa análise setorial, as projeções da EPE indicam que o setor comercial pode instalar 29 GWp, o industrial 13 GWp e o poder público 3 GWp, o que totaliza 45 GWp de potência em energia solar. Apesar de não poder ser pulverizada quanto esta, a geração distribuída para usos comerciais e industriais, recentemente incentivada através de geradores a Diesel e gás natural, pode ser feita, em alguns casos com resíduos ou ainda biodiesel ou biometano, quando incentivados. 3 COMPENSAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Duas iniciativas importantes e recentes do governo federal trabalham no sentido de incentivar a expansão do mercado de compensação de energia elétrica: A proposta de revisão da Resolução 482/ 2012 (Aneel, 2012), que trata das condições gerais de acesso da micro e da minigeração distribuída à rede de distribuição, e a revisão
do Convenio SEFAZ sobre ICMS cobrado no sistema de compensação, comentadas a seguir. 3.1. A REVISÃO DA RESOLUÇÃO NORMATIVA 482/2012 Prevista desde sua edição em 2012, a revisão pela ANEEL da Resolução n. 482/2012 certamente foi antecipada considerando que desde sua publicação, até março de 2015, apenas 533 unidades geradoras foram instaladas, sendo que 69% em unidades residenciais, 18% comerciais e 7% em consumidores do grupo A, segundo pesquisa realizada pela própria ANEEL (2015a). Os principais aspectos em revisão são os seguintes: - Diversificação das fontes de energia e revisão dos limites de potência instalada de 100 kW para 75 kW na microgeração, fazendo coincidir com a potência limite de BT, e aumento da potência instalada na minigeração de 1 para 5 MW, exceto para pequenas centrais hidrelétricas. - Padronização da documentação e redução dos prazos de registro/conexão dos sistemas para agilizar os processos. - Extensão para as Unidades Consumidoras
Figura 1: Geração Distribuída Total
Fonte: Tolmasquim, 2015, Apud EPE. Nota: "GD - Outros" concentra basicamente a geração distribuída na indústria de exploração e produção de petróleo e gás natural, de refino, do alumínio e de papel. Fonte: Tolmasquim, 2015, Apud EPE.
32 (UCs) localizadas em áreas contíguas, (condomínios residenciais e comerciais), do direito a participar do sistema de compensação (comunhão de interesse de fato) antes restrito as UCs com a mesma titularidade (CPF ou CNPJ). - Dispensa do consumidor dos custos de sistemas de medição que deve ser assumido pela distribuidora. Um aspecto importante levantado na Nota Técnica nº 17/2015-SRD/ANEEL, de 13/ 04/2014 (ANEEL, 2015a), que embasa a revisão da RN 482/2015, é chamar as distribuidoras a uma posição mais proativa nesse mercado, realizado estudos para identificar na sua rede os locais mais adequados à inserção de GD, particularmente com potencia superior a 1 MW. 3.2 DESONERAÇÕES TRIBUTÁRIAS A excessiva carga tributária sobre insumos e máquinas da cadeia produtiva solar, assim como de cadeias de outras fontes, e a própria geração GD, no caso do sistema de compensação, dificulta o desenvolvimento no País de indústrias locais, comprometendo a competitividade num mercado internacional cada vez mais acirrado e desestimulando a micro geração pelos consumidores.
ARTIGO Além dos impactos na cadeia produtiva, a redução de impostos sobre a energia solar pode reduzir o seu preço médio de geração em cerca de 10% a 20%, segundo a ABSOLAR (CanalEnergia, 2015a), com expressivo ganho de competitividade. Números similares podem ser alcançados para a energia com biomassa ou pequena eólica. Considerando que o ICMS é o principal tributo na produção/consumo de energia fazendo uso do net metering (alíquota média de 20%) é bastante positiva a revisão do Convênio ICMS Nº16/2015 do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), que permite aos estados isenção na cobrança de ICMS sobre a parcela de energia injetada, com o imposto incidindo apenas sobre a quantidade de energia fornecida pela distribuidora a vigorar a partir de setembro de 2015. A adesão não é compulsória, (já aderiram os estados de São Paulo, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Norte além de Minas Gerais que já adotava por iniciativa própria). Para a ANEEL, num cenário otimista com a adesão de todos os estados, a isenção pode incentivar a inclusão de 700 mil unidades residências e comerciais, uma vez que estas não terão seus projetos de microgeração caracterizados como atividade de comercialização de energia.
O segundo passo é a isenção de PIS e COFINS, de responsabilidade exclusiva do governo federal, e assegurada pelo MME (Brasil Energia, 2015 a, b), com implantação até o junho de 2015, isenção que pode ser estendida à produção de equipamentos. Estudo similar pode ser feito sobre equipamentos da cadeia da energia da biomassa. 4 GERAÇÃO DISTRIBUÍDA A GD no horário de ponta tem sido um dos pontos focados pelo governo para o suprimento de energia no País. Diante de conjunturas adversas como foi o ano de 2014 e se prolonga em 2015, tendo em vista reduzir a dependência da geração hidrelétrica e termelétrica. Para tanto estão em discussão uma política mais agressiva de apoio à GD e o acesso ao gás natural a preços mais competitivos para alavancar a cogeração. No curto prazo, com base na Nota Técnica DEA 01/15 (EPE, 2015), o MME editou a Portaria Nº 44/2015 para estimular o uso do potencial de geração existente em consumidores do grupo A, e não aproveitado nos horários de maior demanda (entre 14 e 17 horas), para os que usam como fonte o diesel e o gás natural, comvalores de referência - VR já definidos. Existe a possibilidade de substi-
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ARTIGO tuição do diesel por combustíveis renováveis, como o biodiesel e biometano, se estas fontes forem estimuladas. Esses poderão se habilitar em processos de chamada pública das distribuidoras para produzir energia destinada ao seu consumo próprio e também à injeção na rede. A ideia de estender por pelo menos três horas diárias a geração própria abriu uma oportunidade de negócio para geração com outras fontes, em especial no setor comercial (shoppings e supermercados). Outra alternativa em análise é que na renovação das concessões das distribuidoras previstas para este ano também poderão ser incluídas medidas de incentivo à geração solar, como o aluguel de telhados dos consumidores pelas distribuidoras para instalar sistemas de geração solar. A EPE encaminhou ao MME uma Nota Técnica, com proposta de revisão do VR para energia solar, na modalidade de contratação de GD em média tensão (tarifa A4) para viabilizar projetos nessa faixa, uma vez que para a baixa tensão já existe a compensação de energia elétrica e na alta tensão os leilões de energia. A EPE vem trabalhando vem estudando a revisão do valor para cogeração, seguindo uma tendência de resgatar um VR es-
pecífico por fonte (Canal Energia, 2015b, c), como orginalmente concebido em 1999. O VR específico além de criar uma redução no resultado dos leilões do ano anterior, pode contemplar externalidades com a distinção dos componentes de energia, fio ou serviços de confiabilidade, como ressalta Mário Veiga, na matéria "GD: o nó do VR começa a ser desatado" (Canalenergia, 2015b).
vo) e novembro (inclui a fonte eólica) e mais um leilão onde está prevista par a biomassa, a ser realizado em julho, conforme a Tabela 2. Para o 1º LER/2015, foram credenciados 382 projetos de energia solar que somam uma capacidade instalada de 12.528 MW (EPE, 2015a) enquanto para o LEN (A-3), a ser realizado em agosto estão cadastrados 604 MW em projetos de biomassa. Com relação aos preços, a conjuntura atual é indicativa de aumento em razão de vários fatores: aumento da taxa de juros para o financiamento do BNDES (de 5% para 5,5%), aumento da alíquota do PIS/COFINS em 2,5% pontos percentuais, de 9,25 para 11,75% para
5 LEILÕES Os leilões de energia elétrica somam até o momento 890 MW da fonte solar e 1.920,6 MW de biomassa, considerando os leilões realizados desde 2013, e cujas fontes foram distribuídas conforme apresentado Tabela 1: Capacidade Instalada de Biomassa Contratada no pena Tabela 1. ríodo 2013-2015 (MW) Em 2015, o MME continua promovendo leilões para as fontes solar e biomassa, a exemplo dos leilões A-5 e de Fontes Alternativas já realizados em 2015, em que foram arrematados 500 MW de duas formas de biomassa, e o Fonte: EPE realizado em outubro de 2014, que deve as- produtos importados e, desvalorização camsegurar mais de 890 MW de capacidade ins- bial (33%) o que aumenta os custos de investalada de energia solar a partir de 2017. Este timento em que a maioria dos equipamentos ano, já foi agendada a participação de ener- ainda é importada (CanalEnergia, 2015d). gia solar em dois leilões, em agosto (exclusi-
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2015; e os estímulos a GD não só pelas empresas que já dispõem de usinas, bem como a 6 CONCLUSÕES Fruto de uma conjuntura adversa e histó- exploração desse mercado mediante o ricos fatores estruturais, o setor elétrico bra- uso das Chamadas Públicas, com a fixasileiro deve passar por modificações para ção de um VR atrativo aos geradores em atender à crescente demanda de energia do média tensão (tarifa A4). Resta equaciopaís, destacando-se a diversificação da ma- nar os aspectos de financiamento para o triz energética, com redução do papel dos desenvolvimento da geração distribuída parTabela 2 - Leilões agendados para 2015 com renováveis
Fonte: EPE (posição abril/2015)
grandes projetos hidrelétricos e a crescente inserção da GD, na qual a energia solar deve ocupar papel de destaque. Apostando nessa tendência, medidas estão sendo tomadas pelo governo federal no sentido de remover as barreiras, a exemplo do que aconteceu com a fonte eólica. Dentre as principais estão: a revisão da Resolução ANEEL 482/2012; a revisão do Convenio CONFAZ 016/2015 que isenta a cobrança de ICMS sobre a parcela da energia gerada/consumida pela unidade consumidora; a inserção da fonte nos leilões programados para
ticularmente para atender pessoas físicas. As opções existentes não atendem às características dos tomadores, em termos de prazo de amortização (até 5 anos, oferecidos pelos bancos públicos e privados) e taxas de juros, altas para um investimento de baixo risco e retorno de longo prazo. Uma forma de superar este obstáculo seria incorporando os custos de aquisição de sistemas fotovoltaicos ao financiamento imobiliário oferecido por bancos públicos e privados para novas construções ou reformas de construções existentes.
REFERÊNCIAS ANEEL (2012). Resolução Normativa Nº 482, de 17 de abril de 2012. Disponível em http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf. ANEEL (2015a). Nota Técnica nº 017/2015 - SRD. 13 de abril de 2015. Proposta de abertura da Audiência Pública para o recebimento de contribuições visando aprimorar a Resolução Normativa nº 482/2012 e a seção 3.7 do PRODIST. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/audiencia/arquivo/2015/026/ documento/nota_tecnica_0017_2015_srd.pdf. ANEEL (2015b). Nota Técnica nº 077/2015-SEM-SRD-SGT-SFF/ANEEL. 8 de maio de 2015. Análise das contribuições da Audiência Pública 012/ 2015. Aprimoramento da regulação para contratação de geração própria de unidade consumidora, conforme disposto na Portaria nº 44/2015. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/audiencia/arquivo/2015/012/resultado/ nt_077_2015_srm_srd_srg_sgt_sff_scg_aneel-analise_das_contribuicoes _ap_122015.pdf Brasil Energia (2015a). A nova ordem do setor elétrico. Edição nº 414, maio de 2015. pg.12-16. \ Brasil Energia (2015b). Governo abraça fonte solar. Edição nº 414, maio de 2015. pg.32- 34. CanalEnergia (2015a). Rodrigo Sauaia, da Absolar: Solar fotovoltaica proporciona tripé de benefícios ao sistema elétrico brasileiro. 27/05/2015. Disponível em: http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/ Noticiario.asp?id=106633 CanalEnergia (2015b). Geração Distribuída: o nó do VR começa a ser desatado. 08/05/2015. Disponível em: http://www.canalenergia.com.br/ zpublisher/materias/Reportagem_Especial.asp?id=106351. CanalEnergia. (2015c). EPE elabora proposta de novo VR para geração distribuída. 05/05/2015. Disponível em: http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/ materias/Regulacao_e_Politica.asp?id=106294. CanalEnergia (2015d) LER: preço da energia solar pode ficar 30% mais alto, avaliam agentes. 16/03/2015 Disponível em: http://www.canalenergia.com.br/ zpublisher/materias/Newsletter .asp?id=105568 EPE (2014). Inserção da Geração Fotovoltaica Distribuída no Brasil - Condicionantes e Impactos. Nota Técnica DEA 19/14. Rio de Janeiro, outubro 2014. Disponível em: http://www.epe.gov.br/mercado/Documents/ S%C3%A9rie%20Estudos%20de%20Energia/DEA%2019%20%20%20Inser%C3%A7%C3%A3o%20da%20Gera%C3%A7%C3% A3o%20Fotovoltaica%20Distribu%C3%ADda%20no%20Brasil%20%20Condicionantes%20e%20Impactos%20VF%20%20(Revisada).pdf. EPE (2015) Nota Técnica DEA 01/15. Estimativa da Capacidade Instalada de Geração Distribuída no SIN. Aplicações no Horário de Ponta. Rio de Janeiro, fevereiro de 2015. Disponível em: http://www.epe.gov.br/mercado/Documents/S%C3%A9rie%20Estudos%20de%20Energia/ DEA%2001%20-%20Gera%C3%A7%C3%A3o%20Distribu% C3%ADda%20no%20Hor%C3 %A1rio%20de%20Ponta.pdf EPE (2015a) 1º Ler 2015: EPE credencia 382 projetos de energia fotovoltaica. Disponível em: http://www.epe.gov.br/leiloes/Documents/ Leil%C3%A3o% 20de%20Reserva%20(2015)/1o%20LER%202015.pdf. MME (2015). Portaria Nº 44, de 10 de Março de 2015. Disponível em http://www.aneel.gov.br/cedoc/prt2015044mme.pdf. Tolmasquim (2015). Importância da Geração Distribuída para a Matriz Elétrica Nacional. Fórum Cogen/CanalEnergia. São Paulo, maio de 2015. Disponívelem http://cogen.com.br/ForumCogenGD/COGEN__Mauricio_Tolmasquim_3.pdf. 1
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM).
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ARTIGO
A força do sorgo biomassa na geração termoelétrica Tatiana Gonsalves vice-presidente Comercial da Nexsteppe para a América do Sul
O QUE É AFINAL A BIOENERGIA? Existe, há muito tempo, no imaginário das pessoas uma tendência à demonização automática da geração de energia nas usinas termoelétricas. Claro, podem pensar, como defender algo que além de exigir altos investimentos em infraestrutura ainda polui nosso ar e destrói nossas florestas? Apesar de correta, esta visão está desatualizada. Atualmente, não é preciso queimar combustíveis poluentes como óleo, gás ou madeiras oriundas da floresta amazônica para produzir energia nas caldeiras. O que é possível, no entanto, é queimar uma biomassa com balanço poluente neutro e com disponibilidade escalável. Como? Investindo no cultivo de biomassas dedicadas, ou seja, culturas cultivadas com objetivo de fornecerem matéria-prima específicas para a produção de energia, calor e vapor nas termoelétricas. As emissões se equilibram pois o CO2 liberado pela planta na queima, foi aquele que ela captou do ambiente para crescer e produzir biomassa. A importância de uma biomassa dedicada é inicialmente complementar a biomassa residual, hoje predominantemente e largamente utilizada por usinas e tradings para a produção de energia. Contudo, em um segundo momento, seu objetivo é fornecer uma matéria-prima de fonte escalável, sustentável e de crescente desempenho para as industrias de base biológica, uma vez que a biomassa
oriunda de resíduos não apresenta a mesma capacidade em escala. A demanda por biomassa no Brasil cresce a passos largos, seja na demanda de energia, seja nas novas fábricas de etanol 2G que surgiram no ano de 2014, ainda em fase de curva de aprendizado. No setor de energia, dados da CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mostram que a capacidade instalada das térmicas à biomassa cresceu de 8.840 MW, em novembro de 2013, para 9.994 MW em dezembro de 2014. O número de usinas cogerando também cresceu. Em maio de 2014 eram 206, em dezembro, o número subiu para 223. O Palo Alto é o primeiro sorgo registrado e plantado em larga escala no Brasil com finalidade específica na produção de biomassa dedicada para caldeiras. Cultura de ciclo curto, atinge o ponto de colheita em um intervalo de apenas 120 a 140 dias após o plantio. O Brasil possui vantagens globais em termos de clima, geografia, infraestrutura e know-how para sua produção. Em média, 1 tonelada de sorgo biomassa pode produzir de 0,33 MW (níveis atuais) até 0,60 MW (novas tecnologias de conversão). Não existe país nenhum no globo com maior aptidão para produzir biomassa a custos baixos como o Brasil. Exigindo menos água e oferecendo mais resistência ao calor do que outras culturas, o sorgo apresenta a escalabili-
dade de uma cultura de sementes e rapidamente constitui uma base confiável de matéria-prima para todo o ano em industrias de geração de energia. Com alternativas complementares como o Palo Alto, diversas industrias e usinas de poderão ampliar seus projetos de cogeração e ou até mesmo iniciar sua participação nesse mercado, contribuindo para a melhoria e diferenciação da matriz energética brasileira. Uma maior participação desse setor na malha energética do país trará contribuições estratégicas e significativas no que diz respeito aos custos e investimentos em linhas de transmissão, no incentivo à produção agrícola e na garantia de fornecimento de energia às indústrias e ao consumidor final. A energia elétrica produzida por meio da biomassa dedicada, além de ser uma fonte renovável, tem a vantagem de estar próxima dos grandes centros de consumo, reduzindo os custos de distribuição. A potência instalada do setor sucroenergético está estimada em cerca de 5 mil MW, mas há potencial para que ela dobre e chegue a 10,2 mil MW em 2020. As térmicas à biomassa são parceiras da modernização e diferenciação da matriz energética brasileira, contudo, mais importante, é uma maneira de mantê-la renovável e escalável, sem depender das hidrelétricas. É tempo de interromper a disseminação de falsas informações e incentivar a geração da energia vinda do campo.
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ENERGIAS RENOVÁVEIS
Biomassa contida nos Resíduos Sólidos Urbanos
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ara fazer um diagnóstico do manejo de resíduos sólidos urbanos (RSU) no Brasil, o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2005 considerou uma amostragem que envolveu todos os munícipios brasileiros acima de 3 milhões de habitantes - mas apenas 2% daqueles abaixo de 30.000 habitantes - em que a presença de lixões é predominante. Segundo o estudo "Gestão de Resíduos no Brasil: uma visão geral", publicado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) em, a quantidade de RSU coletado no Brasil foi de 164.774 ton/dia, contra um total de 173.524 ton/dia gerados o que indica uma boa eficiência global de coleta. Contudo, a destinação muitas vezes é inadequada, em especial nos municípios menores, onde predominam os lixões. Os lixões são depósitos a céu aberto onde não há controle de chorume, poluente de elevada DBO. Perde-se ainda o gás metano gerado na fermentação, de elevado potencial de aquecimento global. Nesses depósitos, há ainda problemas decorrentes da presença de animais como ratos - que representam perigos à saúde - e urubus - que constituem risco às aeronaves, quando os depósitos se localizam próximos a aeroportos. Existem iniciativas bem-sucedidas na reciclagem de materiais como latas de alumínio e vidros, mas a destinação da matéria orgânica permanece, em geral, uma questão mal equacionada. Os RSU no Brasil são ricos em matéria orgânica -
ção direta do resíduo, que gera um mínimo de 0,4 MW/ton. Se consideradas as 82 mil ton/dia, obter-se-ia uma potência de 1,36 GW. Desse modo, a incineração é um processo mais eficiente do que a geração por fermentação anaeróbia, mas apresenta o desafio de remoção de poluentes orgânicos persistentes (POP), objeto da Convenção de Estocolmo. Essa remoção é tecnicamente viável com a adoção de sistemas de tratamento de gases eficientes, com a possibilidade de conversão catalítica de poluentes. cerca de 50% a 60% - o que ofereceria oportunidades importantes na geração de energia e na compostagem, em vez da solução geralmente aceita, que é a disposição em aterros sanitários. Em países desenvolvidos, as diretrizes são opostas, pois o Landfill Directive da União Européia (UE) já recomendava a redução drástica do envio de materiais biodegradáveis para aterros sanitários até o ano de 2006, com o objetivo de erradicar totalmente o aterramento desses materiais. Na UE, a potência instalada a partir de RSU em 2000 era de 8.800 MW (8.8 GW). O uso para outras fins de áreas antes utilizadas como aterros sanitários é problemático - pois as emissões de metano podem perdurar até por cem anos, criando problemas de segurança (explosões, etc). Se considerado o valor mais conservativo, teríamos 82 mil ton/dia de matéria orgânica no RSU. Se considerada a possibilidade de fermentação anaeróbia, tem-se a geração de 350 a 500 m3 de gás metano/ton, o que complementaria a demanda brasileira por gás combustível, do qual a principal fonte é o gás natural, com inconveniente dependência de fornecedores externos, além de se tratar de um recurso não-renovável. Outra possibilidade é a incinera-
BIOMASSA DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO Segundo estudo do IBGE publicado em 2000, no ano de 1989 apenas 47,3% dos municípios brasileiros dispunham de esgotamento sanitário. Onze anos mais tarde, a situação não melhorou muito: 52,2% dispondo desses serviços. Em geral, quanto maior a população do município, maior a proporção de domicílios atendidos. As diferenças regionais são marcantes: apenas 7,1% dos municípios da região Sudeste não dispõem desse serviço, diante de 92,9% dos municípios da região Norte. Se a cobertura do serviço é reduzida e o tratamento pouco abrangente, a situação se agrava quanto à destinação final. Dos municípios que dispõem de esgotamento, um terço tratam esse efluente, ao passo que a maioria (dois-terços) despejam o material in natura no meio ambiente - geralmente em rios -provocando impactos ambientais negativos já bem conhecidos. Ainda segundo o IBGE, o volume total de esgotos no Brasil atinge 14,5 milhões de m3/dia, o que resulta em 5,2 bilhões de m3/ano. Se essas informações forem cruzadas com dados qualitativos de Pereira Lima e Oliveira, o teor médio de sólidos no esgotamento sanitário é 0,1%, dos quais 70% são de matéria orgânica (m.o.). Se considerada uma densidade de 0,8, o resultado é um total de 2,9 milhões ton m.o./ano. Da mesma forma que é possível realizar a digestão anaeróbia do efluente de esgoto, além de priorizar a universalização do serviço, pode-se gerar biogás a partir da fermentação anaeróbia, produzindo metano para geração de energia elétrica ou uso veicular. Pode-se dar destinação diferenciada ou não ao lodo e ao efluente aquoso.
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ENERGIAS RENOVÁVEIS
Aneel e Confaz criam incentivos para autogeração de energia no país Em busca de aumentar o interesse por fontes renováveis no país, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está abrindo portas para a autogeração de energia. A crise energética que tem afetado o Brasil nesse último ano está influenciando a população a produzir sua própria energia. Para colaborar com a ideia de autogeração, a Aneel abriu uma audiência pública, a qual será responsável por simplificar e padronizar os processos de incentivo a esse tipo de produção de energia
seja ela de forma eólica ou solar. Outros incentivos vieram através do
Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o qual liberou a isenção do ICMS cobrado duas vezes pela energia produzida e consumida pelos estados. A nova medida beneficiará famílias que aderiram a autogeração. O convênio criado pelo Confaz além de diminuir os impostos, também auxilia nos investimentos em painéis solares, os quais se tornam mais acessíveis à população. A energia produzida pela autogeração terá segundo a Aneel, o mesmo preço da energia consumida poro outros clientes.
Havaí busca chegar a 100% em energias renováveis até 2045 Um projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa do Havaí na semana passada prevê a missão de tornar o estado americano totalmente verde até 2045. Caso se torne lei, o setor de eletricidade do estado ganhará um incentivo para as fontes renováveis como as hidrelétricas, marinha, eólica, solar, biomassa e geotérmica. De acordo com o responsável pelo departamento de Energia do Havaí, Mark Glick, a ideia é melhorar a segurança energética do estado. "Este é um passo muito significativo para nossos esforços de reduzir a dependência do Havaí na importação de combustíveis fósseis, muito caros, e colocar o estado no caminho da
energia verde e da segurança ambiental e econômica" ressaltou ele. As datas do
plano energético foram definidas no projeto de lei. A ideia é alcançar até 2020 30% de energia limpa e chegar a 70% em 2040. Atualmente a eletricidade gerada no Havaí é importada de outros lugares e assim as tarifas são bastante caras e apenas 22% são de fontes renováveis. Apesar de ser um grande desafio, os legisladores havaianos estão esperançosos no investimento. O alto custo na melhoria do armazenamento energético e nas linhas de transmissão dificultam o projeto, porém o impacto positivo da geração de muitos empregos e a redução de gases estufas na região somam pontos para a lei ser sancionada.
Biomassa Brasileira alcança 10 mil megawatts de potência A União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA) divulgou ontem, 25 de maio, um grande feito realizado pelo setor sucroenergético do país. A biomassa utilizada para a produção de energia, como a palha e o bagaço da cana, alcançou uma potência de10 mil MW, a qual foi fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Destacada como a terceira fonte mais importante da matriz de energia elétrica brasileira, a biomassa sucroenergética representa cerca de 7% da matriz, o que significa uma capacidade instalada de até
2,5 mil vezes maior do que as térmicas de combustíveis fósseis.
De acordo com Zilmar de Souza, gerente em Bioeletricidade da UNICA, a biomassa é muito importante para a matriz energética brasileira, tanto em âmbito sustentável como elétrico. "No fim do ano, durante a COP-21 em Paris, enquanto os países discutirão como lidar com as mudanças climáticas, a bioeletricidade sucroenergética mostra, na prática, como contribuir para garantir o suprimento energético com sustentabilidade. Trata-se de um grande estudo de caso de sucesso brasileiro" ressaltou ele.
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NOTAS
Três Lagoas Florestal supera expectativas e movimenta R$ 60 milhões em negócios Eventos técnicos dentro da feira, como o Inova e o Ambienta, permitiram a difusão de novas práticas tecnológicas e de sustentabilidade
A 2ª edição da feira Três Lagoas Florestal trouxe dois resultados que surpreenderam os organizadores do evento: um público de 13 mil pessoas e um volume de negócios acima dos R$ 60 milhões. O diretor executivo do Painel Florestal, Robson Trevisan, que organizou a feira, disse que esta edição foi marcada pela participação de um público mais técnico e que foi às compras. Antes de a feira começar, a estimativa era de que o público visitante registrasse uma média entre 20 e 25 mil pessoas, o que não ocorreu. “Tivemos visitas de muitas famílias, mas o que predominou foi a presença de empresas que queriam comprar e outras que vieram dispostas a vender. Muitas empresas apresentaram descontos de até 15% e fecharam muitos negócios, o que nos mostra que a região de Três Lagoas é um polo florestal”, destacou Trevisan.
Robson Trevisan em discurso na feira Três Lagoas Florestal
A grande surpresa da feira ficou por conta do volume de negócios gerados, que atingiu o montante superior a R$ 60 milhões. Para Robson Trevisan, este número foi uma excelente surpresa, já que antes da feira Três Lagoas Florestal as perspectivas mais otimistas eram de que os valores comercializados ficassem no máximo em R$ 50 milhões, devido ao cenário econômico adverso – de alta de juros, inflação maior e elevação de preços da energia e combustíveis. De acordo com Robson Trevisan, os eventos técnicos realizados na feira – como o Ambienta e o Inova – deram o tom que os participantes queriam. Os dois eventos abordaram, em conjunto, as iniciati-
vas de sustentabilidade utilizadas pelas empresas do setor florestal, além de práticas tecnológicas inovadoras, novas técnicas de cultivo, plantio, evolução genética, apresentação de novas máquinas. “Foram mais de 30 palestras e isso permitiu, aos participantes, o fechamento de muitos negócios e o agendamento de visitas técnicas, que resultarão em mais contratos assinados”, avaliou Trevisan. O Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia, participou do evento com stand, tendo a oportunidade de levar o mundo de informações do setor de Biomassa, a todos os visitantes, expositores e participantes da feira. Uma grande tiragem da publicação foi distribuída gratuitamente aos participantes do evento, garantindo uma circulação a um público seleto e com interesse direto no assunto. Segundo um visitante da feira, ligado ao setor da Biomassa Floresta, a participação do JBB, é fundamental para fortalecimento do setor, além de manter todos os interessados atualizados quantos aos principais assuntos e tendências da Biomassa em nosso país. A participação no evento era vista como fundamental para continuidade no cronograma de feiras eventos, já que o Três Lagoas Florestal, é um dos principais eventos onde o tema da Biomassa estaria em destaque neste ano de 2015.
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NOTAS INTERNACIONAIS
Província na Espanha investe em Caldeiras de Biomassa para geração de Energia O município de Ripoll, da província de Girona, na Espanha está investindo em caldeiras de biomassa. O prefeito da cidade aprovou um decreto, o qual visa à instalação de caldeiras de biomassa para geração de energia. A intenção é instalar as caldeiras em escolas da região, além de uma também em uma piscina municipal. O investimento
Croácia investe em energia gerada a partir de biomassa A produção de eletricidade a partir da biomassa começou a ser difundida na Croácia. A empresa Br Bioplin lançou em junho a primeira usina de biomassa no país. Localizado na região nordeste do país, o novo empreendimento terá potencia de um megawatt. Segundo dados do site "Banka.hr" a usina entrou em operação que já esta em operação, gerou empregos, e 20 pessoas já foram contratadas até o momento. Ao todo o empreendimento teve um custo de cinco milhões de euros. De acordo com o diretor da empresa, Christoph Schneeweiss, a usina terá uma grande importância para o investimento em energias limpas. Durante seu pronunciamento na inauguração da usina, o Schneeweiss também ressaltou que as autoridades croatas devem cada vez mais facilitar o investimento e tornar o ambiente mais acessível aos investidores de energias renováveis no país.
feito pela prefeitura será de 306.970 euros. A capacidade total instalada será de 555 kW e a intenção é abastecer todo o município. O investimento feito pelo prefeito foi aprovado pelo Consorci d Espais Naturals del Ripollès (CEINR) e deve investir ainda mais nas cidades da região. A intenção é que biomassa torne-se um complemento para a exploração das florestas da província.
Mesa Redonda realizada em Genebra reforça baixo impacto da biomassa A Mesa Redonda sobre Biomateriais Sustentáveis, título dado em português para o evento que aconteceu em Genebra, na Suíça, aprovou novos critérios sobre a origem da biomassa que é produzida a partir da cana de açúcar. Os novos critérios foram aprovados em assembleia geral anual neste começo de mês e os mesmos visam beneficiar os produtores de biomassa, podendo assim demonstrar o mínimo impacto que a biomassa possui sobre a produção de alimentos. Além disso, os produtores também poderão afirmar que a biomassa foi produzida com "baixa mudança indireta no uso da terra". A novidade fará parte de um módulo opcional oficial, o qual foi desenvolvido para operações submetidas à certificação da mesa redonda. As conclusões do evento demonstraram uma grande força sobre padrões de biocombustíveis e biomateriais, além de também criar novas ideias para apoiar a captação de certificação. "Como um padrão global e abrangente, a RSB tem claramente um papel vital a desempenhar no apoio a credibilidade da bioeconomia" ressaltou Rolf Hogan, diretor executivo da mesa redonda.
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ARTIGO
A New Source of Biomass for Energy Harvesting Pindoba with Bio Baler in the State of Maranhao for Electricity Production By Laercio Couto World Bioenergy Association
rbignya speciosa is a very important palm tree that occurs naturally in several states in Brazil, mainly in the States of Maranhao. Tocantins and Piaui. It is a very elegant palm tree reaching 10 to 20 m of height and very long leaves about 10 m of length. This palm tree produces 5 to 6 bunches of cocconuts per year. They are very used by the local population for vegetable oil and charcoal production and other uses. Despite their big importance for States such as Maranhao, they also represent a problem when talking about cattle raising. The natural regeneration of this palm tree is so strong that they represent a burden to the local ranchers who try to keep their pastures clean. They are invasive plants very difficult to control and eliminate. They are also very resistant to fire and sprout very strongly and in abundance in areas of native vegetation and pastures submitted to this ancient system of land management. Therefore, in Maranhao, it is very commom to see thousand and thousand hectares of pastures with big invasion and infestation of this palm tree being the worst problem faced by local rural landowners. However, the need to find biomass to supply power generation plants in that State might have led us to try an innovation that could solve both problems: cleaning the pastures and at the same time providing biomass for energy production. Several years ago we helped the Anderson Group of Canada to introduce Bio Baler in Brazil looking for an equipment that could
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Figure 1. Bale produced by the Bio Baler with young trees of Orbignya speciosa in Santa Ines, Maranhao be used to clean pastures, forest plantations bamboo plantations, sugar cane plantations and areas along highways and below electri- and eucalypt plantations including the closecity transportation lines. This equipment can ly spaced eucalypt planations established by be used also to cut eucalypt sprouts to pro- Suzano Energias Renovaveis for pellet produce biomass for energy. Among the compa- duction. A 5 MW power plant utility built by nies that bought the Bio Baler we have Jari in Queiroz Galvao in Santa Ines, was using bamPara and Queiroz Galvao in Maranhao, both boo and eucalypt as the biomass for electricito harvest eucalypt sprouts. ty generation in that State. However, the In Maranhao there are several sources of hight cost of the bamboo biomass led the biomass for energy, the native vegetation, company to close the operation. The only way for the power plant to resume its operation will be to find a cheaper biomass in the region or to plant dedicated closely spaced eucalypt plantations or energy sugar cane to supply the operation. A possible solution at the moment could be the use of Bio Baler to harvest the young palm trees that infest local pastures, called pindobas, and test the use of this biomass in the electricity production system of the Queiroz Galvao utility located in Santa Ines. It it works, this operation will be a fantastic innovation in the use of biomass for energy in the State of Maranhao, Brazil and the World. A first trial was already made by some entrepreneurs who area analyzing the possibility of assuming the control of that power plant generation. However a series of research Figure 2. Bio Baler harvesting pindoba or young Orbignya speciosa palm trees infes- works has to be done in the next months to ting pastures in Santa Ines, Maranhao get the final conclusions.
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NEGÓCIOS
Empresas de sucesso!
A Bruno Industrial vive em constante evolução. Com metas e objetivos traçados ano a ano, a Bruno Industrial conta com uma equipe de profissionais atuantes e competentes, que buscam aperfeiçoamento em cada equipamento produzido. Investimentos em treinamentos, consultorias e apoio aos colaboradores fazem parte da política interna da atual diretoria. O atendimento no pós-venda também é prioridade para a empresa que apresenta melhorias no parque fabril possibilitando grande desempenho nos trabalhos desenvolvidos pela sua equipe. A evolução da empresa que está preparada para a competitividade do mercado é evidente. Nossa equipe participa constantemente de feiras e eventos fazendo com que o trabalho comprometido seja reconhecido como a principal empresa fornecedora de máquinas brasileiras para o setor atuante. A empresa está adequada com as novas normas contáveis e comprometida com as boas práticas de gestão, além de aplicar-se para que a família Bruno Industrial alie dedicação a qualidade dos serviços prestados. Uma evolução notória que trás os resultados, tornando a missão da empresa mais evidente e assim, colocando em destaque os princípios e valores, atuan-
do continuamente com ética e responsabilidade. Hoje a Bruno Industrial mantém uma sólida parceria com empresas alemãs como a HAAS, oferecendo o que há de melhor no mercado mundial. Com a tecnologia implantada oferece soluções para todos os tipos de resíduos, desde pequenas usinas de Resíduos Sólidos Urbanos até grandes plantas para Resíduos Industriais. A Bruno Industrial está entre as cinco principais empresas industriais do município de Campos Novos. Atua no mercado nacional e internacional, levando seus produtos com as melhores tecnologias oferecidas no mercado mundial. O
A empresa IMTAB Industrial Iniciou suas atividades em 2001, sediada na cidade de Agrolândia, Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Através da experiência de profissionais com mais de 13 anos de atuação na área de metal mecânica. E esse know-how é o grande diferencial da IMTAB para garantir a otimização e qualidade dos trabalhos que garante a seus clientes. Atua em serviços de curta, média e longa duração, desde paradas programadas de manutenção até ampliação de novas plantas industriais, sempre ofere-
cendo soluções customizadas para cada projeto. Especializada na fabricação de FORNALHAS GÁS QUENTE -BIOMASSA, Recentemente a IMTAB Equipamentos Industriais se uniu com a Recast Manutenção e Montagens Industriais, para fundar uma empresa mais diversificada e trabalhar em vários segmentos, que vão de Montagens Industriais a Fabricação de Máquinas para o setor Metal Mecânico. Com o aquecimento do mercado e a falta de mão de obra qualificada a empresa diversificou suas atividades e profissionalizou na área de Terceirização
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Mão de Obra e Refratários de Caldeiras, Queimadores e Aquecedores de Fluido Térmico onde os fundadores da empresa possuem know how e atuam a mais de uma década. Um dos grandes diferenciais da empresa é a qualidade dos serviços prestados aliada ao cumprimento e respeito aos prazos previamente estipulados. A empresa possui hoje equipe de profissionais qualificados para atuar, nos mais diversos segmentos de mercado. Acesse o site: www.imtab.com.br
REVISTA BRASILEIRA DE BIOMASSA E ENERGIA - EDIÇÃO Nº 020
Published on Jul 2, 2015
REVISTA BRASILEIRA DE BIOMASSA E ENERGIA - EDIÇÃO Nº 020