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ENERGIA RENOVÁVEL

Biomassa cresce na matriz energética

Aldemir Batista - Editora Exceuni Ltda exceuni@uol.com.br | (41) 3657-2864

N Governo São Paulo – MME (Ministério de Minas e Energia) – Tatiana Gonsalves (Nexsteppe) – Dr. Laércio Couto (WBA) – Marcelo Pierossi – João Antônio Prestes (Grupo Orsa) – Tatiane Silveira (UFV) – Marina Souza (UFV) – Prof. Benedito Rocha Vita (UFV) – Prof. Luiz Carlos JBB – Admilson Barbosa (UFABC)

(42) 3086.8588

os últimos anos a demanda mundial se 16% da matriz energética. por energias renováveis vem aumentanUm estudo recente divulgado pelo Progrado, e quase metade do consumo foi atendi- ma das Nações Unidas para o Meio Ambiendo por fontes de biomassa te (Pnuma) destaca que os inO crescimento tradicional, como combustão vestidos no último ano em mais acelerado direta de madeira, carvão veenergias renováveis no mundo desta fonte de getal, resíduos agrícolas, encresceram consideravelmente, tre outros. especialmente em países em energia renovável No Brasil, embora o grandesenvolvimento, como China, depende ainda de de destaque na geração de Brasil e países africanos. Estes investimentos em energia renovável provenha mesmos investimentos se retecnologia e maior principalmente da energia hifletem diretamente na maior diversificação no droelétrica, que sozinha resoferta de empregos e renda. ponde por 64% da produção Entretanto, o crescimento aproveitamento de nacional, a biomassa vem mais acelerado desta fonte de resíduos da conquistando mais espaço e energia renovável depende biomassa. já supera 8% da produção de ainda de investimentos em tecenergia total nacional, ficando atrás do gás e nologia e maior diversificação no aproveitado petróleo, que, juntos, representam qua-


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mento de resíduos da biomassa. Resíduos da colheita e industrialização da cana de açúcar, aproveitamento florestal, resíduos da colheita de safras agrícolas e até mesmo de resíduos sólidos urbanos são grandes fontes de matérias primas para a geração de energia renovável, além de em muitos casos ser uma excelente solução para problema de passivo ambiental. O potencial instalado no Brasil para produção de energia gerada da bio- rante a safra. Das 370 usinas existentes, 160 massa atingiu, somente em 2013, 11.250 MW, também fornecem energia para o Sistema o que equivale à produção de energia pre- Interligado Nacional (SIN). Juntas, elas levavista para a Usina de Melo Monte, a qual está ram à rede 1.381 Megawatts (MW) médios , estimada em 11.233MW. Esta energia é pro- o que corresponde, por exemplo, a 45% do consumo de energia da cidaveniente de 496 usinas de bioLevantamento de de São Paulo. A capacidamassa que estão em operação de instalada dos resíduos da no país atualmente, a grande recente da União cana hoje é de 8.974 MW, ou maioria com o uso do bagaço da Indústria de 6,77% da produção nacional. e a palha da cana-de-açúcar Cana-de-Açúcar O levantamento indica aincomo matéria prima. (Unica), aponta da que se todo o bagaço proNo caso específico dos resíque a energia duzido for aproveitado, até duos da biomassa da cana-de2021 o setor poderá oferecer açúcar o aproveitamento é toelétrica gerada ao Sistema Interligado Naciotal. De cada tonelada do propelas usinas nal cerca de 10 Gigawatts duto, 250 kg é bagaço e outros beneficiadoras da (GW) médios. Contudo o se204 kg, palha e pontas. Tudo planta é suficiente tor ainda necessita de uma popode ser reaproveitado para para atender a lítica setorial de geração de energia elétrica. Como em São Paulo, a partir toda a demanda da longo prazo, com mais investimentos de 2014, toda a colheita pasprodução de em tecnologia e sou a ser mecânica, isto signietanol e açúcar modernização das fica que o aproveitado passou durante a safra. unidades em opea ser de quase 98% da casca e Das 370 usinas ração. folha, e por consequência diApesar de o Brareta a produção de energia existentes, 160 deve aumentar entre 40% e 50. também fornecem sil ocupar uma posição de destaque Levantamento recente da energia mundial na geração União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), aponta que a energia elétri- de bioenergia, o país ainda está ca gerada pelas usinas beneficiadoras da aquém de outras nações no que planta é suficiente para atender a toda a de- diz respeito ao aproveitamento manda da produção de etanol e açúcar du- dos resíduos da biomassa. Sem

ENERGIA RENOVÁVEL considerar que a Além de resíduos indústria poderia da cana e do ampliar a produflorestal, outras ção e agregar vafontes também se lor aos resíduos agrícolas, agroin- destacam e surgem dustriais e agrocom um grande florestais, especipotencial almente com a energético. É o produção de outros produtos caso, por exemplo, da casca de arroz. como pellets e briquetes. Hoje, existem no Além de resídupaís nove usinas os da cana e do que transformam florestal, outras o resíduo em fontes também se energia. destacam e surgem com um grande potencial energético. É o caso, por exemplo, da casca de arroz. Hoje, existem no país nove usinas que transformam o resíduo em energia. Juntas, elas geram 36,4 MW de potência, ou seja, 0,03% da produção nacional. Este volume ainda é pequeno, mas se toda a capacidade instalada existente no Brasil fosse aproveitada, seria possível produzir cerca de 200 MW de potência. Juntamente a esta fonte de biomassa energética existem outras que não estão sendo aproveitadas, e em muitos casos tornam-se até mesmo problemas ambientais a partir de seu acumulo. A necessidade de uma política de governo que amplie os investimentos e incentive a adoção de fontes alternativas de geração de energia por meio de biomassa é uma das prioridades.


LEILÕES

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Leilões 2015

m meio a novas previsões de crise energética e aumento de preço da energia elétrica em 2015, o MME – Ministério de Minas e Energia divulgou em dezembro a realização de cinco leilões de energia em 2015. Os dois primeiros já têm data marcada pela EPE – Empresa de Pesquisa Energética: o de Fontes Alternativas acontece em 27 de abril e o A-5, no dia 30. Além dos dois já marcados, o setor contará ainda com os leilões de Energia de Reserva, A-3 e A-1. Para o Leilão de Fontes Alternativas, foram cadastrados 570 projetos, correspondentes a 14.962 MW. Desse total, 530 são usinas eólicas, somando 12.895 MW de potência instalada, e 40 usinas termelétricas a biomassa, que somam 2.067 MW. Apesar de apresentar, apenas no estado de São Paulo, um potencial de geração de 13 GW, até 2020, a biomassa ainda é um ator tímido na participação da matriz energética brasileira. Não deveria ser assim. Dados da Única – União da Indústria de Cana de Açúcar demonstram que até 1º de dezembro de 2014, mesmo com uma queda de 3% no volume total de cana processada na Região Centro-Sul, a fon-

te biomassa conseguiu, até aquele período, gerar 17% a mais do que toda sua produção de energia elétrica no ano passado. Ainda segundo a Única, até dezembro, a biomassa acrescentou ao setor elétrico brasileiro 2.260 MW médios. Essa geração é suficiente para atender ao consumo anual de 10,4 milhões de unidades residenciais. Enquanto isso, a demanda cresce. De acordo com o Plano Decenal de Expansão, do MME, o consumo de energia elétrica aumentará, em média, 4,7% ao ano até 2022. Atualmente, as termelétricas são responsáveis por 19% da energia gerada no país. Elas são acionadas principalmente em momentos de emergência, por exemplo, em períodos de longa estiagem como o país passou em 2014. Contudo, é comum o uso de combustíveis fósseis, que são finitos, caros e poluentes. É possível aumentar a participação da biomassa na matriz energética brasileira, com políticas de preços favoráveis aos biocombustíveis e a geração de bioenergia por fontes renováveis e com a valorização de matérias-primas dedicadas à produção industrial de combustíveis e eletricidade, como o sorgo

Por: Tatiana Gonsalves, Vice-Presidente Comercial da Nexsteppe para a América do Sul

biomassa Palo Alto, da Nexsteppe. O aumento da participação de biomassas, em complemento à cana de açúcar queimada em caldeiras, garante material para geração de energia ao longo de todo ano, além de reduzir o custo de matéria-prima, que fica menos dependente da disponibilidade de bagaço. Muitas coisas mudaram em 2014, como o destaque para a biomassa, no Leilão A-5, que aparecia tradicionalmente ligada a outras modalidades como solar ou eólica. Esta separação é um sinal de certa sofisticação do certame, pois ao separar as fontes, é possível deixar os preços mais competitivos, de acordo com o custo de produção de energia em cada matriz. Contudo, ainda há muito a se fazer para estimular o uso de energia vinda do campo, como uma política de incentivo à venda de bioeletricidade nos leilões por meio da definição de preços competitivos, investimentos em novas tecnologias e aumentar a divulgação das vantagens da biomassa como uma fonte de energia renovável, de produtividade escalável e ambientalmente correta.


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COLHEITA

Recolhimento da palha de cana: Qual rota utilizar? Por: Marcelo de Almeida Pierossi e Luciano Rodrigues Menegasso

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stamos sendo bombardeados nos últimos meses por notícias não muito animadoras sobre a situação de nossos recursos hídricos que poderão nos levar, no curto prazo, à uma situação de escassez ou racionamento, tanto de água (algo infelizmente muito provável em parte do Estado de São Paulo) quanto de energia elétrica. Tomando-se apenas o aspecto energético da questão, fica muito claro que uma política energética que levasse em conta a biomassa disponível no setor sucroenergético poderia melhorar em muito este cenário. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as usinas de açúcar e álcool tem capacidade de 10 GW, respondendo por cerca 7% da matriz elétrica brasileira. A produção de cana-de-açúcar gera uma grande quantidade de biomassa residual que pode ser utilizada na geração termoelétrica. Dados do CTC indicam que para cada tonelada de colmo de canade-açúcar gera aproximadamente 140 kg de fibra (bagaço) e 140 kg de folhas (palha) em base seca (Hassuani, 2005). Em virtude de suas caracterís-

ticas químicas ambas possuem um poder calorífico muito parecido e, nas condições atuais das caldeiras existentes do setor, é possível gerar 0,4 MWh por tonelada de bagaço a 50% de umidade e 0,7 MWh por tonelada de palha de cana com umidade em torno de 15%. Com base nestes números e tomando-se apenas a utilização parcial da palha disponível no campo no pós-colheita (50% do total para evitar problemas agronômicos na lavoura) seria possível gerar aproximadamente 27,5 TWh anuais, cerca de 5% do total da energia consumida no Brasil em 2013 (600 TWh) e duas vezes e meia a geração da Belo Monte (11,2 TWh). Entretanto, diferentemente do bagaço que é disponibilizado como resíduo ao final do processo de extração do caldo de cana, a palha de canade-açúcar requer uma série de operações agrícolas para o seu recolhimento e transporte até a usina onde será utilizada. Esta logística agrícola ainda é muito recente, e como toda operação existente na lavoura canavieira, demanda análises para determinação da melhor rota de recolhimen-

to de palha para cada local. As duas rotas de recolhimento atualmente em uso são o transporte da palha junto com a cana picada colhida mecanicamente e o enfardamento da palha mais seca em fardos retangulares, realizado em operação posterior à colheita mecanizada da cana (Figura 1). Ambos sistemas têm suas vantagens e desvantagens tanto do ponto de vista de viabilidade técnica quanto econômica. Durante a colheita de cana, grande parte da palha é separada dos colmos através de um sistema de ventilação composto por dois extratores localizados na colhedora de cana picada e os valores usuais de impurezas vegetais (palha) encontrados atualmente situam-se entre 5 e 6%, deixando grande parte da palha no solo. Inicialmente o setor optou pelo sistema de transporte de maiores quantidades de palha junto com a cana picada e posterior separação. Isso é possível através da diminuição da rotação dos ventiladores e consequentemente menor eficiência de separação da palha dos colmos, fazendo com que seja


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COLHEITA

possível levar maiores quantidades de palha (10 a 15% de impurezas vegetais) que será separada em uma unidade industrial chamada Estação de Limpeza a Seco, onde a palha será separada dos colmoslogonaentradadoprocessoindustrialatravés de ventilação. A colheita parcial da palha realizada desta maneira possibilita uma maior facilidade operacional visto que impacta pouco na operação cotidiana na usina, porém a densidade de carga é impactada negativamente pelo aumento do teor de impureza vegetal (quantidade de palha) representando um importante fator na composição de custos desta operação. Vários estudos conduzidos por diferentes instituições mostraram Figura 1 – Rotas de recolhimento da palha da cana-de-açúcar que a densidade da mistura cana picada e palha 4 a 7 dias após a colheita para garantir a secai cerca de 1/3 a 1/4 quando se transporta car- cagem da palha após a colheita. Porém é necesgas com 10 a 15% de impurezas sário ressaltar que o mais imporvegetais. Outro aspecto que tante não é o tempo de exposição Os fardos ao deve ser considerado é a umidaao sol, e sim a umidade do materichegarem na usina de do teor de palha, pois quanal, que deverá estar entre 10% e são processados do comparamos os sistemas de15%, podendo em alguns casos, vemos compará-los em base devido as condições climáticas lopara serem usados seca, pois suas umidades são cal chegar a valores de até 5%. No como combustível muito diferentes. No sistema de instante da colheita, grande parte limpeza parcial a palha possui das folhas encontram-se verdes e na caldeira. O umidade em torno de 35 a 40%, a umidade média das folhas é de processamento enquanto que na palha enfardaaproximadamente 40% e apenas mais adequado da a umidade é de aproximadaapós garantida a umidade ideal, mente 15%. inicia-se a sequência de operações consiste em O terceiro e último ponto a de recolhimento mostrada na Fidescarregar os ser considerado é o desempegura 2 (abaixo no rodapé): fardos nho da estação de limpeza a O aleiramento consiste no seco com relação à eficiência de agrupamento da palha em leiras limpeza, pois o custo deve ser calculado em fun- triangulares e o modo como é realizado imção da quantidade de palha separada na unidade pacta na quantidade de impurezas minerais industrial e não em função da quantidade de pa- adicionada ao fardo e no desempenho opelha transportada. Estações de limpeza com maio- racional da enfardadora, operação subseres eficiências fazem com que o custo total da quente. A enfardadora recolhe a palha contipalha seja menor quando comparado às unida- da na leira, compactando-a em fardos retandes menos eficientes. gulares amarrados com barbantes longitudiDevido à maior demanda pelo aproveitamen- nais. Os fardos então são depositados autoto da palha, ocorreram estudos que mostraram maticamente no solo conforme são produzique o enfardamento de palha através de far- dos e o recolhimento é realizado pela carreta dos retangulares grandes era uma opção vi- recolhedora de fardos agrupando-os em piável economicamente. O recolhimento da lhas e então carregados nos equipamentos palha através do enfardamento é realizado de rodoviários que os transportarão até a usi-

na utilizando-se vários tipos de composições rodoviárias dependendo da quantidade de palha a ser transportada (PIEROSSI & FAGUNDES, 2013) Os fardos ao chegarem na usina são processados para serem usados como combustível na caldeira. O processamento mais adequado consiste em descarregar os fardos, remover as impurezas minerais e trituração até atingirmos a granulometria adequada. Soluções industriais existem no mercado para diferentes escalas Os principais pontos a serem considerados no enfardamento são: desempenho da enfardadora, equipamento de menor produtividade e maior custo; custo do barbante, distancia da lavoura à usina devido ao custo de transporte, umidade da palha no momento do enfardamento e desempenho na remoção de terra e na trituração na instalação industrial, pois o fardo possui alto teor de impurezas minerais que poderão causar danos às caldeiras e o tamanho final da partícula influencia a eficiência da caldeira. Além disso, o enfardamento introduz uma “nova colheita” na usina e precisa ser gerenciada de forma a minimizar os impactos em outras operações subsequentes como tratos culturais e aplicação de vinhaça. Além das considerações citadas acima, todo estudo para o recolhimento de palha deve considerar também a quantidade de palha que poderá ser removida dos canaviais mantendo a sustentabilidade da produção canavieira, considerandose solo e clima de cada localidade. As duas rotas de recolhimento descritas acima têm suas vantagens e desvantagens e a definição da alternativa a ser escolhida depende de estudos considerando-se as condições locais de cada usina tanto agrícolas quanto de instalações industriais, e quantidade de palha necessária e disponível. Pode ser também considerada a opção de utilização de ambas rotas de forma simultânea, visando uma otimização de custos de recolhimento. BIBLIOGRAFIA HASSUANI, S.J. - Evaluation of agronomic routes to unburned cane harvesting with trash recovery In: HASSUANI, S. J. et al. - Biomass power generation: sugar cane bagasse and trash - Piracicaba: PNUD-CTC, 2005. (Série Caminhos para Sustentabilidade). PIEROSSI, M.A.; FAGUNDES, S.A. Enfardamento da Palha. In: SANTOS, F.; BORÉM, A. (Eds.). Cana-de-açúcar: do plantio à colheita. Viçosa: UFV, 2013. p.245-257.

Figura 2 - Recolhimento da palha da cana-de-açúcar através do enfardamento.


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ALTERNATIVA

Energia gerada por Biomassa tem aumentado seu espaço na Matriz Energética Brasileira Fonte já é responsável por aproximadamente 10% na matriz energética nacional

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biomassa já responde por quase 10% da matriz energética brasileira e hoje é uma das principais linhas de pesquisa no país. Inclusive, já tem empresa produzindo a própria energia a partir da casca de arroz e de aveia. A maioria dos brasileiros pode até não saber o que é biomassa, mas ela está pertinho da gente, todo santo dia. “Biomassa é toda matéria de origem vegetal ou animal que inclui resíduos, inclui plantações energéticas, inclui plantações de árvores, que podem ser também aproveitadas energeticamente e, até mesmo, resíduos sólidos urbanos, como, por exemplo, o lixo das cidades, resíduos rurais e resíduos de animais”, explica Suani Coelho, coordenadora do Centro Nacional de Referência em Biomassa da USP (Universidade de São Paulo). É difícil imaginar um país com mais biomassa que o Brasil e com tanto potencial. A biomassa responde por 9,53% da matriz energética brasileira. Destaque para o bagaço de cana, resíduos florestais, lichivia, que é um subproduto da indústria papeleira, biogás do lixo e de resíduos agropecuários, casca de arroz, entre outras fontes. Mas, segundo os cientistas, o potencial de exploração energética da biomassa do nosso país equivaleria em uma conta conservadora á pelo menos quatro hidrelétricas de Itaipu. Apenas a queima do bagaço de cana gera 10 mil megawatts. “Metade disso é para consumo próprio das usinas, mais ou menos metade é usada para ser exportada para a rede. Mas nós temos um potencial para dobrar essa exportação para a rede, portanto podemos ter mais de uma Itaipu sendo produzida e sendo injetada na rede”, aponta Suani Coelho. É recente no país a exploração do gás do lixo, como já existe nos dois principais

aterros de São Paulo. O Bandeirantes e o São João já foram desativados, mas continuam gerando aproximadamente 3% de toda a energia elétrica consumida na maior cidade do país. Mas se lixo urbano gera energia, o que dizer do lixo agrícola? Uma fábrica de aveia no Rio Grande do Sul descobriu á três anos que a casca do cereal, descartada como resíduo, poderia substituir o gás natural. Desde então, 2.500 kg de casca são queimados por hora, uma economia de 30% no consumo de energia. “Essa economia, além das mais de mil toneladas de gás efeito estufa que nós deixamos de pôr no ambiente, acaba tendo também uma economia real monetária e este é um bom exemplo em que nós produzimos de uma forma mais limpa e temos também o beneficio econômico”, afirma Manuel Ribeiro, vice-presidente de operações da PepsiCo Brasil. A matriz da multinacional festeja o feito da filial brasileira. É a primeira unidade deles no mundo que apostou na casca de aveia e se deu bem. E o que vale para a casca de aveia, vale também para a casca de arroz. Uma fábrica na cidade gaúcha de Alegrete recebe todo o arroz produzido emum raio de 200 km. A montanha de grãos

que chega lá tem dois destinos. O miolo do arroz vira alimento. A casca se transforma em 5 megawatts de energia, o suficiente para abastecer a fábrica inteira e ainda cerca de 14 mil residências. E do processo, patenteado pela empresa, saiu ainda um novo produto: a sílica ecológica, usada para engrossar a mistura de concreto e argamassa. “Hoje essa sílica é uma realidade da empresa e nós já estamos comercializando em todos os estados da Região Sul e, inclusive, no estado de São Paulo”, informa Lucas Matel, engenheiro químico da empresa. O poder energético da biomassa é tão importante que se tornou uma das principais linhas de pesquisa da Embrapa Bioenergia, em Brasília. Em uma parte do laboratório são guardadas amostras de biomassa que estão sendo investigadas pelos pesquisadores da Embrapa. O cavaco de madeira é um resíduo muito comum na indústria de papel e celulose no Brasil. Tem ainda o capim elefante, que já é fonte de energia na Bahia. Os gaúchos conhecem a casca de arroz queimada que vira energia renovável e a estrela de todas as biomassas de origem vegetal: o bagaço de cana. O objetivo das pesquisas é abrir novos caminhos no mercado para essas e outras fontes de energia vegetais. Todas as amostras do laboratório são trituradas em máquinas especiais. Depois, esses equipamentos medem o quanto de energia cada uma é capaz de gerar. Os resultados são animadores. “A grosso modo, falando, a gente poderia, com as tecnologias que temos hoje, talvez ter mais duas ou três ou mesmo quatro Itaipus de biomassa. Em uma época em que a energia está tão cara e tão escassa, isso faz diferença”, diz José Dilce Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia em Brasília. No país do pré-sal, não é preciso buscar nem muito fundo, nem muito longe, energia limpa e renovável barata e farta. Basta prestar atenção no que está por aí.


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RECICLAÇÃO

Destinação final de resíduos sólidos em aproveitamento energético

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processo de produção de energia a partir de tratamento térmico e geração de energia a partir dos resíduos urbanos não recicláveis são altamente favoráveis. Desde que realizado após criteriosa e abrangente institucionalização de coleta seletiva contribui para que todos os materiais com mercado de reciclagem firme sejam convenientemente atendidos. Contribui para geração de emprego, renda e ocupação para toda uma extensa faixa de população menos favorecida que tem nos mecanismos de reciclagem e catação um forte instrumento de inclusão social. Auxilia a economia ambiental de forma holística ao propiciar que matérias-primas de diversas naturezas entrem novamente no ciclo produtivo, evitando os impactos ambientais gerados pelo processamento de novas matériasExistem várias primas, de fontes tecnologias renováveis ou disponíveis e não. apresentadas ao Somente selongo do relatório, rão submetidos ao tratamento térmimas em geral o co para recuperatratamento ção energética térmico dos uma boa parte resíduos em da matéria orgânifornos ocorre em ca e os materiais não recicláveis. média em Não existe temperaturas de motivo para sus950º C e a peitar que a neoxidação dos gases gligência da prática pública de nas câmaras de optar pelas solupós-queima atinge ções simplificatemperaturas... das como a recuperação energética, coloque em risco iniciativas do mais amplo apoio e repercussão so-

cial na sociedade dos municípios integrantes de segundos de tempo. As cinzas são recolhidas em arrastadores da bacia. Outro bom motivo para esta solução será submersos em corrente de água e lançadas no próprio decantador das a presença em curto espaço de usinas. Há uma extensiva distempo de grandes quantidaDados pesquisados cussão de gases gerados ao des de lodo e matéria orgânide relatórios do longo do trabalho, e esta preca advindos de estações de traMinistério do Meio ocupação se justifica na metamento de esgotos, que tem ambiente, dida que os órgãos ambientais umidade elevada, mas tampreservação tem reservas históricas e jusbém alto poder calorífico e teambiental e tificadas de precaução quanrão na solução integrada de insegurança nuclear da to às possibilidades de geracineração um forte apelo de ção de efluentes gasosos que destinação correta, pois em República Federal poluam a atmosfera. caso contrário serão elevadas da Alemanha Dados pesquisados de reas despesas com destinação fiasseveram que nas latórios do Ministério do Meio nal deste material em aterros novas tecnologias ambiente, preservação ambisanitários. para recuperação ental e segurança nuclear da Existem várias tecnologias energética a partir de República Federal da Alemadisponíveis e apresentadas ao resíduos sólidos, os nha asseveram que nas novas longo do relatório, mas em getecnologias para recuperação níveis de dioxinas e ral o tratamento térmico dos energética a partir de resíduresíduos em fornos ocorre em furanos são os sólidos, os níveis de dioximédia em temperaturas de extremamente nas e furanos são extrema950º C e a oxidação dos gases baixo... mente baixos e controlador, nas câmaras de pós-queima atinge temperaturas em torno de 1050°C, com tempo de residência muito reduzido, em torno


14 inferiores a unidade parte por milhão, e mais influenciados por lareiras domésticas do que propriamente pelas usinas. Os gases quentes (cerca de 1000º C) são aspirados através de uma Caldeira de Recuperação, onde é produzido vapor a 45 Bar de pressão e 400° C. O vapor gerado pela caldeira poderá acionar Turbos-geradores, que propiciem a geração de aproximadamente 600 kW de energia elétrica por tonelada de lixo tratado. É muito importante observar-se que a energia gerada é um sub-produto do processo de destinação final ambientalmente correta do lixo urbano e como tal uma Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos nunca deve ser comparada com hidrelétricas ou termelétricas, cuja única função é a geração de energia. A recuperaNormalmente os ção energética processos de aproveita o potencial de geralavagem dos gases ção contido nos utilizam filtros de resíduos que mangas que seriam simplescapturam os mente destinados a um atermateriais ro sanitário, geparticulados e rando um pasposteriormente sivo ambiental são resfriados e imensurável. A lavados no interior coleta seletiva e reciclagem préde lavadores com via contribui “spray jets” e para a geração “barreiras de de emprego e soluções alcalinas renda entre as micronizadas por camadas menos favorecidas hélices... da população e para a conservação de energia contida nos materiais remetidos para a indústria de reciclagem. Os gases exauridos na caldeira de recuperação, geralmente sofrem processos de neutralização considerando que os processos ocorrem em circuito fechado, com filtros de

RECICLAÇÃO

mangas, lavadores de gases e até mesmo tanques de decantação. Desta forma as usinas de recuperação de energia não liberam qualquer tipo de efluente líquido. Normalmente os processos de lavagem dos gases utilizam filtros de mangas que capturam os materiais particulados e posteriormente são resfriados e lavados no interior de lavadores com “spray jets” e “barreiras de soluções alcalinas micronizadas por hélices turbinadas ou mecanismos similares, num processo que se denomina polimento dos gases. Ainda podem ser instalados exaustores após a filtragem, garantindo que todo o sistema de combustão dos resíduos opere em pressão negativa, impedindo também qualquer vazamento dos gases da combustão diretamente para a atmosfera em caso de acidente. Os projetos são muito diversificados, mas normalmente a solução de lavagem é recolhida em tanques de decantação onde ocorrem neutralizações com cinzas do próprio processo ou substâncias como hidróxidos de sódio. As cinzas resultantes constituem quantidades em geral inferiores a 10% da massa de resíduos iniciais e podem ser utilizadas em substituição aos materiais arenosos em artefatos de construção civil. Qualquer que seja o projeto de recuperação energética, deve constar especificação

para que o mesmo seja analisado de acordo com a convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). E também tendo precauções quanto a eliminação de CO, operação em pressões negativas para evitar acidentes e sejam submetidos a temperaturas elevadas em estágios para oxidação dos gases. É também recomendável que a tecnologia submetida seja elaborada ao Sumário de Formulações Políticas do IPCC da ONU (Intergovenamental Painel Climate Change ou Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas). A expectativa da consultora é que qualquer processo desta natureza que reduz a emissão de gases de efeito estufa, particularmente CH4 e CO2 – gases que constituem juntos mais de 80% das emissões registradas pela bibliografia em resíduos sólidos, sejam capazes de promover a certificação do projeto como mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) e os respectivos certificados de redução de emissões (CERs) sejam passíveis de comercialização como créditos de carbono. Este procedimento poderá ser bastante ampliado, considerando a redução das distâncias de transporte dos resíduos que irão gerar redução nas emissões de CO2 dos veículos transportadores e outros processos que possam ser otimizados.


ENERGIA

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Brasil tem geração de biomassa equivalente a Belo Monte e terá o mesmo em eólica, diz Braga

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ara obter um amplo diagnóstico do setor energético brasileiro, o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, visitou, quinta e sexta-feira desta semana, 15 e 16 de janeiro, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Eletrobras, no Rio de Janeiro. Em mensagem aos diretores, empregados e colaboradores da Eletrobras, Braga destacou que o País tem grande potencial de fontes renováveis de geração de energia. “Conseguimos expandir a geração elétrica nos últimos anos, e fizemos isso diversificando nossa matriz energética. Há poucos anos, tínhamos pouco ou quase nada de geração com biomassa. Hoje temos o equivalente à capacidade da usina de Belo Monte de geração de energia de biomassa pelo bagaço de cana. Há poucos anos, tínhamos pouco de geração eólica. Em 2015, o Brasil poderá dizer que tem o

Ministro esteve reunido com o presidente da empresa, José da Costa Carvalho Neto

equivalente e uma Belo Monte de geração eólica”, afirmou Braga durante discurso transmitido ao vivo para os mais de 20 mil empregados das empresas Eletrobras em todo o Brasil. O Ministro ressaltou a importância da geração fotovoltaica, a qual, segundo ele, pode permitir que em um prazo recorde, de dois ou três anos, possamos anunciar que também temos o equivalente a uma Belo Monte

de energia fotovoltaica”, disse o Ministro. Durante a visita à Eletrobras, o Ministro esteve reunido com o presidente da empresa, José da Costa Carvalho Neto. Braga também participou de apresentações sobre o Plano Estratégico 2015-2030 da empresa e recebeu informações sobre obras em andamento. Na EPE, o Ministro participou de reuniões com o presidente do órgão, Maurício Tolmasquim e diretores. “Foi um dia muito proveitoso. Pude conhecer mais do trabalho da EPE. Essa foi apenas a primeira das muitas visitas que pretendo fazer aos órgão e entidades vinculadas ao Ministério para continuar nossas análises nesses primeiros 90 dias no MME, aprofundando os diagnósticos sobre o setor energético”, afirmou o Ministro. Assessoria de Comunicação Social Ministério de Minas e Energia


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EUCALYPT

CLOSELY SPACED SHORT ROTATION EUCALYPT AND PINE PLANTATIONS FOR ENERGY IN BRAZIL Laercio Couto - World Bioenergy Association Joao Antonio Prestes - Grupo Orsa

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losey spaced forest plantations to produce biomass for energy in short rotation has been used for a long time in the United States of America and some European countries. Institutions such as the Oak Ridge National Laboratory and the State University of New York in USA and Coppice Resources Inc in UK have been studying and testing the use of willows and poplars for that purpose. The main reason for the choice of these trees is their fast growing and their ability to sprout from the stumps after being harvested. In Brazil, attempts to use closely spaced forest plantations to produce biomass for energy in short rotation systems, started in the early 1970's by some companies of the Pig Iron, Steel and Iron Alloys industry. Eucalyptus and Corymbia were the two main genus used to produce forest biomass with the objective of supplying charcoal as a redactor in the blast furnaces in the industrial process of reducing iron ore to get the desired final product.

Use of the Bio Baler equipment to harvest closely plantation and short rotation willows for energy

However, those earlier experimental closely spaced plantations did not work in Brazil due to the genetic diversity of the seedlings, originated from seeds, which lead to a very big intraspecific competition between plants in the forest stands. Those plantations were heterogeneous with

President of RENABIO receiving the World Bioenergy Award 2010 in Jonkoping, Sweden

dominant and codominant trees and a considerable number of intermediate and suppressed ones. In 1975, the development of vegetative propagation of eucalypts by experts of today Fibria, introduced the country in a new era, the one based on clonal silviculture and paved the way to allow closely spaced short rotation eucalypt plantations in Brazil. In the earlier 2000's the first research with closely spaced clonal eucalypt plantations was established in Itamarandiba, Minas Gerais by the Department of Forestry of the Federal University of Vicosa - UFV, with the support of CNPq, Capes, CEMIG, MME and APERAM. This work resulted in a Ph.D. and several M. Sc. Theses at UFV and the Federal University of the Valleys of Mucuri and Jequitinhonha - UFVJM. It also stimulated the foundation of the Brazilian Network of Biomass for Energy - RENABIO. The 2010 Bioenergy Award of the World Bioenergy Association was given to the


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EUCALYPT

Several companies in Brazil such as URP, Bertin Group, Marquesa and Duratex in Sao Paulo, GMR in Tocantins, Ramires in Mato Grosso do Sul, ERB and EFSA in Bahia, established pilot areas by using clonal eucalypts in this closely spaced short rotation plantations aiming the production of biomass for energy. Results demonstrated that in a 3 m x 0.5 m spacing the plantations could be harvested at 2 years age while in a 3 m x 1 m they could be harvested at the age of 3 years. On the other hand, the research carried out in Itamarandiba showed also that the plantations would continue to grow with low mortality if they were not harvested at the prescribed or estimated rotation age. On the other hand, studies promoted by Duratex showed that the biomass of those plantations could also be used for MDF production. Once the silvicultural aspects of the closely spaced short rotation clonal eucalypt plantations were taken care and

Closely spaced short rotation eucalypt plantations to produce biomass for energy

solved in Brazil, the harvesting of such plantations became an issue. However, Biosystems Engineering Pty, a company from Australia solved this problem developing and testing there, the combined one pass harvester machine called Bionic Beaver. The new version of this machine is being finished this year and will probably

be also, operating in Brazil by the end of 2015. The quality of the wood chips produced by the Bionic Beaver, the harvesting capacity and the low cost of its operation will promote a very big impact in the use of wood biomass for energy in Brazil.

The Bionic Beaver developed by Biosystems Engineering Pty from Australia


EUCALYPT

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Three years ago, as part of a research program of Marquesa, a forest company located in Itapeva, Sao Paulo, the closely spaced short rotation system was applied to tropical hybrid Pines. By using pine and promoting innovations in the way such trees are planted and managed in Brazil, Marquesa would like to know if it could in the short run get biomass for energy by harvesting alternate planting lines of the stand Closely spaced short rotation pine plantarions to produce biomass for energy and resin and also some percentage of trees within planting lines The trial comprised five initial spacings and data recently collect in a forest inventory leaving some trees to be tapped for resin showed the following results: production and to produce logs for Spacing (m) Trees per Hectare Dbh (cm) Height (m) Volume (m3. ha-1. year -1) sawmills in the long run. A pilot 3.0 x 1.0 3,333 8.3 14.8 236.4 research area was planted in the Sul 3.0 x 1.5 2,222 9.1 15.1 222.7 Brasil farm of the company in Itapeva, 3.0 x 2.0 1,667 10.1 16.7 226.2 Sao Paulo, by using a hybrid of Pinus 3.0 x 3.0 1,111 11.0 17.7 231.1 tecunumanii x Pinus caribaea var The mean annual increment were respectively: 70.8 - 66.7 - 67.7 - 69.2 m3. ha-1. year -1 hondurensis, 3.5 years ago. It is important to note that this research with lower levels of pluviosity. However, institutions such as the Brazilian trial was establishe in a region with a the initial findings show promising Confederation of Agriculture and 1,500 mm of annual rainfall without expectations for this kind of planted Livestock and also of the national hydric deficit. Therefore it is necessary pine forests all over Brazil. That is the planted forests program of the Ministry to try this silvicultural system in regions reason it should be under the radar of of Agriculture.

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ENERGIA RENOVÁVEL

Briquetes produzidos com resíduos Nos dias atuais é constante a discussão sobre a necessidade da obtenção de alternativas para fontes de energias renováveis como mecanismos de desenvolvimento sustentável. A gestão de resíduos sólidos urbanos também faz parte deste contexto e atualmente é um fator preocupante principalmente nos grandes centros urbanos. Um tipo de resíduo sólido urbano muito comum é o resultante da poda de árvores e diversos outros vegetais que compõem a paisagem das cidades. Oriundo da extração de galhos finos e grossos, folhas, raízes e troncos, este material é gerado ao longo de todo o ano, a e destinação destes representam um problema tanto para as prefeituras como também para concessionárias de energia de todo o país. Outro exemplo de material bastante comum no meio urbano é o papelão ondulado, utilizado em diversos tipos de embalagens e com diferentes características de espessura e resistência, são fonte potencial de geração de resíduos. Embora o papelão seja passível de reciclagem, há um ponto em que os mesmos não serão mais adequados para esse processo e deverão ser dispostos em aterros. Uma boa alternativa de gestão para esses tipos de resíduos sólidos é a utilização como fonte energética. Isto pode ocorrer através do beneficiamento utilizando-os como matéria prima no processo de briquetagem, transformando-os em um produto de maior valor agregado e minimizando os impactos ambientais gerados pela sua disposição inadequada. A briquetagem consiste na compressão em alta pressão de uma massa de partículas com consequente aumento de temperatura resultando no produto chamado briquete. O briquete é caracterizado principalmente por ser um combustível com maior densidade por unidade de volume que seu material de origem, e por possuir dimensões uniformes, que facilitam muito o manuseio, o transporte e a alimentação dos equipamentos de queima. Através de um trabalho preliminar avaliou-se briquetes feitos a partir de misturas de papelão ondulado e resíduos de poda urbana, a fim de verificar a viabilidade técnica do produto. Esta pesquisa é parte de um projeto realizado pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia – EMAE em parceria com o Laboratório de Painéis e Energia da Madeira –

tura de 120 ºC, tempo de prensagem de 5 minutos e tempo de resfriamento de 5 minutos. A massa utilizada foi determinada em função da matriz da briquetadeira e do resíduo de menor densidade. A coluna ocupada pelo resíduo podia ser de 10 cm de altura e diâmetro de 3 cm. A proporção de papelão com o resíduo de poda em cada repetição foi de 0, 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90 e 100 %, utilizando uma massa de 16 g de resíduo por briquete. Para comparação da absorção de água e umidade de equilíbrio higroscópico, foram feitas pesagens antes e após condicionamento em câmara climática a 60% de umidade e 23°C. Os parâmetros físicos e mecânicos avaliados nos briquetes foram: densidade aparente, taxa de retorno (variação dimensional), absorção de água em função da umidade de equilíbrio higroscópico e resistência à compressão perpendicular. O experimento foi montado segundo um delineamento inteiramente casualizado com dez repetições em esquema fatorial, em que foram analisados os efeitos de 11 proporções de misturas entre os resíduos sobre a qualidade dos briquetes produzidos na pressão de 1500 PSI e temperatura de 120 ºC, somando-se um total de 110 corpos de prova (briquetes). Os parâmetros analisados estatisticamente foram: variações das dimensões (diâmetro e altura), densidade aparente, absorção de água, carga máxima e umidade de equilíbrio higroscópico. A variável carga máxima e umidade de equilíbrio higroscópio tiveram os dados baseados em cinco repetições enquanto as demais tiveram em dez repetições.

LAPEM da Universidade Federal de Viçosa. Inicialmente foram determinadas as condições experimentais (granulometria, massa e umidade) dos resíduos e suas características físicas e químicas. Na segunda etapa determinaram-se as condições de briquetagem e efetuou-se a produção de briquetes em diferentes proporções de resíduo de poda e papelão ondulado. Por fim, realizou-se a caracterização física e mecânica dos briquetes visando a determinação da melhor proporção de mistura para produção dos briquetes. Os resíduos foram preparados para análises físicas e químicas, para tanto se utilizou um moinho do tipo martelo equipado com peneira para a trituração das amostras. Para as análises de densidade básica do resíduo de poda e gramatura do papel usou-se parte dos resíduos não triturados. Para fabricação dos briquetes, os resíduos de poda e o papelão já se encontravam com umidade adequada para compactação. Foi então utilizado o material que passou pela peneira (< 8 mm) em função das características da matriz da briquetadeira (coluna de 15 cm e diâmetro de 3 cm). O papelão RESULTADOS ondulado não foi peneirado nem seco previamente Propriedades físicas e químicas dos resíduos por não haver necessidade. Na Tabela 1 estão apresentados os valores méA densidade básica do resíduo de poda foi calcu- dios das propriedades físicas e químicas dos lada utilizando o material saturado em água. E a den- resíduos utilizados para a produção dos briquetes. sidade aparente foi calculada no teor de umidade de trabalho do material. As determinações de densidade foram feitas com imersão em mercúrio, visando a não penetração do liquido nos pedaços de madeira. Foram selecionados, ao acaso, 10 diferentes materiais oriundos dos 10 sacos de resíduos recebidos. No caso do papelão ondulado foi estipulada somente a densidade aparente e a gramatura. NA = Não analisado PCS = poder calorífico superior As condições de briquetagem foram: pressão de 1500 PSI, tempera-


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ENERGIA RENOVÁVEL O poder calorífico superior do papelão ondulado foi menor em relação ao obtido para os resíduos de poda, o qual é composto em sua grande maioria de material lenhoso que é muito utilizado nos processos de combustão para geração de energia. Embora o valor calorífico do papelão tenha sido menor, evidencia-se que é um valor relativamente alto quando comparado com outros resíduos usados para fabricação de briquetes, como por exemplo, casca de arroz e bagaço de cana, cujos valores são 3.730 kcal.kg-1 e de 3.700 kcal.kg-1, respectivamente. Com relação à densidade aparente, o valor determinado para o papelão foi inferior a do resíduo de poda, isto se deve principalmente ao aspecto volumoso em que este material ficou depois de passado em moinho. Já no resíduo de poda, a densidade a granel, básica e aparente apenas se mostrou condizente com os relacionados à madeira, visto que essas determinações foram feitas com o material cavaqueado enviado. PROPRIEDADES DOS BRIQUETES Na Figura 1 é apresentada a tendência dos dados referentes à densidade dos briquetes em função do teor de papelão ondulado adicionado à mistura.

De acordo com a figura, pode-se observar que a densidade aparente diminuiu gradativamente como o aumento da proporção de papelão na mistura até teores próximos de 80% e, logo após, houve uma pequena elevação nos teores de 90% e 100%. A diminuição pode ser explicada pela menor densidade do papelão em relação ao resíduo de poda fazendo com que a haja maior compactação conforme o seu teor na mistura aumente.

Figura 2 – Carga máxima de ruptura dos briquetes produzidos com a mistura de papelão com resíduo

Figura 1 – Densidade aparente dos briquetes produzidos com a mistura de papelão com resíduo de poda

Já para a variável de resistência à compressão plana, apresentada em carga máxima, nota-se também uma tendência, como é apresentado na Figura 2 (acima). Observa-se que à medida que o percentual de papelão aumenta, ocorre também um aumento da resistência à compressão dos briquetes, ou seja, a força necessária para ocasionar a ruptura dos briquetes foi maior conforme se atingia as maiores proporções de papelão. Devido a baixa densidade e as partículas serem menores e com maior superfície específica, o papelão pôde proporcionar uma maior compactação dos briquetes, tornado-os mais resistentes sob força.


22 tir de um só resíduo não apresentaram diferenças A estabilidade dimensional dos briquetes, de entre si. Isto pode demonstrar que esses modo geral, está diretamente reO ganho de resíduos, quando compactados, lacionada à higroscopicidade da baixa influencia na sua matéria prima utilizada, além da massa, relacionado apresentam umidade de equilíbrio higroscópipressão e da temperatura exercià absorção de água co em função de variações na da no processo de briquetagem. A higroscopicidade também é impelos briquetes até taxa de absorção de água. O conhecimento da afinidade do maportante para avaliar a estrutura atingirem a terial com água é importante, física dos briquetes em relação pois contribui para o entendiaos impactos sofridos durante o umidade de mento da estabilidade (dimensiarmazenamento e o transporte. equilíbrio onal?) e da resistência dos briqueO ganho de massa, relacionates em função da exposição dos do à absorção de água pelos brihigroscópico, teve mesmos a diferentes condições cliquetes até atingirem a umidade de valores mínimos máticas durante seu transporte e equilíbrio higroscópico, teve valoarmazenamento. res mínimos próximos a 1% e mápróximos a 1% e Nos tratamentos de 30 a 90% de ximos a 2%, sendo que os enconmáximos a 2%, teor de papelão não foi observado trados para os tratamentos de 40 influencia na taxa de absorção de a 90% de papelão são estatisticasendo que os água. Os tratamentos de 10 e 20% mente iguais entre si. encontrados para de papelão apresentaram a menor Os valores de absorção de taxa de absorção de água apesar de água e umidade de equilíbrio os tratamentos de ainda apresentarem as maiores umihigroscópico também não apre40 a 90% de dades de equilíbrio higroscópico. sentaram uma tendência definiUma explicação para este fato seda. Em média, os tratamentos papelão são ria que nesses teores a compactativeram um bom resultado de estatisticamente ção tenha se processado de forma umidade de equilíbrio higroscóa reter a água proveniente da umiiguais entre si. pio compatível com as exigêndade das partículas e evitar sua saícias para o uso. Observa-se que nos dois parâmetros os briquetes produzidos a par- da. Assim, essa água permaneceu nos briquetes após

ENERGIA RENOVÁVEL o resfriamento e estes foram para câmara climática mais úmidos que nos outros tratamentos. Com base nas condições de análise podemos chegar às seguintes conclusões: - É possível a produção de briquetes de misturas de resíduos de poda urbana e papelão ondulado; - Não houve tendência na taxa de retorno (altura e diâmetro) com relação aos teores de papelão agregados; - As maiores densidades foram obtidas com as menores proporções de papelão; - As maiores resistências a compressão plana foram obtidas com as maiores porcentagens de papelão; - A umidade de equilíbrio higroscópico, em todos os tratamentos, apresentou-se compatível com as necessidades para uso; - É necessário o estudo da eficiência da combustão e da emissão de gases para melhor caracterização dos briquetes. AUTORES Tatiane da Silveira Silva, Tecnóloga em Meio Ambiente, Bolsista EMAE/UFV; Marina Moura de Souza, Estudante Doutorado em Ciências Florestais, UFV; Benedito Rocha Vital, Professore da Universidade Federal de Viçosa; Rafael Rezende Teixeira, Engenheiro Florestal ; Admilson Clayton Barbosa, Estudante Doutorado, UFABC


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ENERGIA RENOVÁVEL

Oferta de energias renováveis em SP chega a 53,5%

O

estado de São Paulo continua sendo o principal consumidor nacional de energia e também tem se destacado na geração de energia. No último ano a oferta total de energia (produção + importações + variação de estoques) no Estado de São Paulo, foi de 101.783x10³ toe, significando um acréscimo de +8,4% em relação ao ano anterior (93.865x 10³ toe). Em termos de energia primária, os insumos energéticos que apresentaram crescimentos na oferta foram o caldo de cana com +21,3% (8.280x10³ toe), o carvão vapor com +20,0%(1.365x10³ toe), o bagaço de cana com +11,3%(16.970x10³ toe), o gás natural com +6,2% (5.199x10³ toe), a lixívia com +4,9%(1.161x10³ toe) e o petróleo com +2,5%(46.002x10³ toe). A Oferta Interna Bruta de Energia – OIE (Oferta Total – Exportações) apresentou um acréscimo de +4,0% em relação ao ano anterior, a OIE de energia primária aumentou +4,8% e a de energia secundária +9,3%. Os insumos energéticos que mais contribuíram para esse acréscimo foram o etanol hidratado com +387,2%, o querosene com +164,3% e a nafta com +63,7%. A participação das energias renováveis na oferta total de energia foi de 53,5%, com destaque para os derivados da cana 29,9% e hidráulica e eletricidade com 18,6%. Isso torna o estado de São Paulo o principal estado na oferta e consumo de energias renováveis, superando a média nacional, que se mantém em 46%. Esses números demonstram a importância das matérias primas renováveis (produtos oriundos dos setores sucroalcooleiro e de papel & celulose) na evolução da produção e oferta de energia no Estado, reforçando assim, o perfil da matriz energética paulista como uma das mais limpas, sob o ponto de vista ambiental e, ao mesmo tempo, assegurando uma maior confiabilidade no suprimento de energia frente as suas necessidades. No último ano o consumo de energia elétrica, incluindo autoprodutores, foi de 153.147GWh. Um acréscimo de 1,9% em relação ao ano anterior (150.353 GWh). Exceto os setores transporte e industrial que apresentaram retração de -1,4% (1.135 GWh)e -

0,1% (67.851 GWh) respectivamente, houve crescimento em todos os demais setores. Foi de 38.752 GWh para o residencial (participa-

çãode 25,3%); 27.251 GWh para o comercial(participação de 17,8%); 11.581 GWh para o público (participação de 7,6%) e de 3.095GWh para o agropecuário. Com um aumento de +0,4%, no período, a autoprodução de eletricidade atingiu o patamar de 12.416 GWh, ou seja, 15,5% da produção total do Estado. Em dezembro de 2013, a capacidade instalada no Estado de São Paulo, por meio de suas usinas hidrelétricas e termelétricas, era de 21.452,1 MW, correspondente a aproximadamente 17,6% do total do mesmo perfil da capacidade instalada no Brasil.


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EMPREENDEDORISMO

Empresa é destaque no fornecimento de máquinas e equipamentos para geração de energia limpa e renovável A GELL é uma empresa pertencente ao Grupo Gaboardi, o qual, desde sua fundação em 1968, vem diversificando e inovando sua área de atuação, primando pela qualidade e excelência no atendimento ao cliente. Atenta às necessidades do mercado e à sua capacidade em supri-las, a Gaboardi Energia Limpa Ltda, investiu em tecnologia, mão de obra especializada, engenheiros e técnicos altamente capacitados para desenvolver e fabricar máquinas e equipamentos para geração de energia, com destaque para Usinas para peletização , Aquecedor de passagem Automático a Biomassa, alimentado a Pellets, suprindo assim as necessidades dos clientes com confiança e competência. Lastreada em tecnologia européia, a empresa está preparada para competir no mercado com grande qualidade e inovação. O parque fabril foi especialmente desenvolvido e

equipado com mandriladora, calandra, torno, frezadora, corte cnc e solda na fabricação de máquinas para geração de energia, e, Aquecedor de Passagem Automático a Biomassa, a fim de garantir a qualidade e eficiência dos equipamentos. O corpo técnico é formado por experientes engenheiros, sendo acumulado ao knowhow 20 anos de experiência na Europa, no projeto e desenvolvimento de máquinas para geração de energia limpa. MISSÃO: “Atuar no mercado de fornecimento de máquinas e equipamentos para geração de energia, buscando continuamente novos processos e tecnologias com excelência na utilização de recursos naturais para geração de energia limpa, disseminando a conscientização da sustentabilidade ambiental.”

Gell

Chamape

Araupel


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ECONOMIA

O

Mercado de biodiesel cresceu 15% em 2014

consumo de biodiesel no mercado brasileiro cresceu 15% no ano passado e atingiu mais de 3,27 bilhões de litros, por meio da mistura compulsória ao diesel. A participação das matérias-primas manteve-se praticamente estável, com o óleo de soja respondendo por 75% de todo biodiesel fabricado no Brasil, seguido das gorduras animais (21%) e do óleo de algodão (2%). As informações são da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), compiladas a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em nota, a Abiove observa que as vendas de diesel B no Brasil devem ter fechado 2014 com volume próximo a 60 bilhões de litros. “Desse total, 11,5 bilhões de litros (19%) foram originados no exterior, com desembolso de US$ 8,72 bilhões”, diz a entidade, observando que os valores são recordes desde o início do Programa Nacional de Produção e

Uso de Biodiesel (PNPB), em 2005. Segundo a Abiove, O preço médio nacional do biodiesel no ano passado foi de R$ 1,96/litro na usina, uma queda de 5,7% em relação ao patamar médio de 2013. Já o diesel B (com 93% de diesel A e 7% de biodiesel) entregue aos postos de combustíveis custou, em média, R$ 2,21/litro no ano passado, alta de 8,3% em relação a 2013. O preço pago pelo diesel A às refinarias da Petrobras subiu 9,8% no mesmo período.


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CARVÃO

Carvão vegetal: Biocombustível sólido renovável

D

urante os últimos 10 anos, as empresas brasileiras do setor de base florestal, sustentadas no crescimento interno e nas cotações internacionais, montaram fortes estratégias com o objetivo de acompanhar o crescimento generalizado de outros setores da economia. Dentro desse contexto, a busca de uma economia de escala levou diversas empresas a aquisições e fusões com similares e também à realização de investimentos que aumentassem sua produção e, consequentemente, sua competitividade. Como resultado, o País cresceu em importância como exportador de produtos como ferrogusa, ferroligas, aço, celulose, painéis e móveis. A súbita mudança de ordem econômica ocorrida no cenário mundial a partir de setembro de 2008 provocou marcantes alterações na economia nacional e quebrou um ciclo de otimismo vivido pelo setor de base florestal brasileiro, especialmente nos últimos 5 anos. A área de florestas plantadas anualmente, que crescera, em média, quase 20%

ao ano entre 2003 e 2008, aponta nos últimos anos queda. Embora todas as atividades econômicas tenham sido afetadas pela recessão global, a indústria siderúrgica foi, de início, a mais duramente castigada. Os efeitos da crise sobre as ferroligas não foram tão imediatos, mas, já agora se fazem sentir com a redução da produção e a pior das conseqüências: a perda de grande número de postos de trabalho. Dentro de um sistema de produção integrado, a perda de mercado do produto final, seja ele ferro-gusa, ferroliga ou aço, acaba refletindo em toda a cadeia produtiva. Os estudos de cenários futuros têm sido crescentemente utilizados na área de planejamento estratégico de pequenas e grandes empresas, por oferecer um referencial de alternativas em face das quais as decisões serão tomadas. Num cenário de crise mundial, quando aumentam as incertezas em quase todas as atividades econômicas, cresce também a necessidade de análise e reflexão sobre as perspectivas futuras de cada ramo de

negócios, mesmo tendo-se em conta que o futuro é algo incerto e indeterminado. É claro que as estimativas usadas aqui levam em consideração o contexto econômico da atualidade, porém, as projeções futuras baseiam-se, fundamentalmente, nas tendências históricas observadas na última década. A siderurgia a carvão vegetal brasileira é única no mundo e, por depender da cadeia produtiva de base florestal, constitui importante fator de inclusão social na medida em que gera empregos e renda em todas as camadas sociais. Importante é também ressaltar que os benefícios da silvicultura sistematizada não se limitam apenas aos aspectos socioeconômicos. De fato, todos os vegetais em processo de crescimento retiram gás carbônico da atmosfera, porém, pelas suas dimensões, pela superfície foliar e pelo ciclo de colheita, as árvores fazem isso com particular eficiência. Num sistema de rendimento sustentável, para cada 01 hectare em processo de colheita, existem mais 06 em fase de


28 crescimento, retirando carbono da atmosfera e amenizando as variações climáticas. Nunca é demais lembrar que o carvão vegetal é um biocombustível sólido renovável Na última década, o consumo de carvão atingiu seu ponto máximo, quanto foram produzidos e consumidos mais de 38 milhões de mdc(¹). São bem conhecidos os altos rendimentos alcançados pela silvicultura brasileira, no entanto, as plantações florestais homogêneas não são capazes de suprir toda a demanda das empresas, havendo um déficit anual médio de quase 50% (no mínimo 100 mil ha) que é suprido com resíduos e manejo de florestas naturais. Torna-se, portanto, necessária e urgente a implementação de medidas que incentivem a expansão dos plantios florestais de modo a suprir a crescente demanda industrial de madeira e derivados. Além da demanda evidente, é muito provável que haja também uma grande demanda reprimida, isto é, uma escassez da matériaprima que impede o aparecimento de novas indústrias. Como se observa, o consumo de material de origem nativa ainda é bastante elevado. Como têm crescido as restrições legais ao seu uso, é correto presumir que, dentro de no máximo 10 anos, somente será consumido carvão vegetal originário de florestas plantadas ou de matas naturais em regime manejo sustentável. Todos os prognósticos da economia mundial deixam claro que a situação da economia brasileira não é das piores, porém, não há dúvidas de que haverá redução do crescimento e, portanto, redução geral do consumo. É claro que essa situação não vai continuar indefinidamente. Vale ainda ressaltar que os produtos siderúrgicos brasileiros elaborados com carvão vegetal, desfrutam de ótimo conceito nos mercados mundiais. Isso significa que, tão logo haja uma retomada de crescimento, esses produtos voltarão a ter seus mercados garantidos, com as naturais tendências de crescimento em médio e longo prazos. Ademais, tanto pelo seu apelo ambiental quanto pelas suas qualidades intrínsecas, os produtos siderúrgicos brasileiros estão plenamente habilitados à conquista de novos mercados. De acordo com as previsões elaboradas por organismos internacionais, entre as quais o Banco Mundial, a retomada da plena ativi-

CARVÃO dade econômica será gradual. Portanto, a necessária autossuficiência em madeira para energia só será obtida com uma política de incentivos que inclua financiamentos a juros e prazos compatíveis com o ciclo da silvicultura e também uma redução do excessivo

controle que o Estado exerce sobre as plantações florestais. Os plantios foram estimados levando-se em conta o crescimento da demanda de carvão até 2020 em conexão com a busca da sustentabilidade nesse mesmo ano.

COM BASE NAS ÁREAS DE PLANTIOS HISTÓRICO E FUTUROS, PODE-SE ASSUMIR QUE A SEQÜÊNCIA DE COLHEITAS NOS PRÓXIMOS ANOS

PRODUÇÃO ANUAL DE CARVÃO E O DÉFICIT FLORESTAL.


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RACIONALIDADE

Como estimar perdas de calor na combustão da madeira e da casca - 1ª parte: considerações A utilização racional dos recursos florestais ultrapassa os preceitos técnicos e filosóficos da sustentabilidade dos mesmos. É imprescindível que ela se refira à própria consciência do que representam esses recursos florestais em termos de valor energético. Esse por seu lado, se encontra intimanente relacionado com a quantidade de energia ou calor que pode ser recuperada, por exemplo, na cadeia produtiva da geração de energia térmica ou de calor onde a combustão direta constitui para os dendrocombustíveis uma alternativa promissora na matriz energética. A madeira e a casca, por exemplo, são convertidas em energia térmica (calor) pelo processo da combustão. Essa se inicia pela evaporação da água presente em suas respectivas estruturas anatômicas e químicas nas quais a celulose, as polioses e a lignina são os coadjuvantes principais. Dessa forma, componentes combustíveis e não combustíveis são conduzidos à temperaturas compreendidas entre 100ºC a 600ºC. O valor combustível dos dendrocombustíveis entre os quais a madeira e a casca, guarda uma estreita relação com a capacidade dos sistemas industriais de geração de energia de serem capazes de promoverem a recuperação de

uma parte significativa do calor de combustão desses dendrocombustíveis que se dissipa nesse processo é referido como calor recuperável (CR). É por essa razão que a análise econômica da utilização de um ou outro dos processos industriais de combustão direta disponíveis no mercado, assim como também da natureza do dendrocombustível (ex: madeira ou casca), requer previamente o conhecimento da fração da energia ou calor recuperável (CR). Esse procedimento é de vital importân-

cia para se promover uma gestão racional da cadeia produtiva energética. É de conhecimento que essas perdas de calor de calor decorrem de uma série de fatores. Alguns inerentes ao próprio sistema de combustão utilizado outros, associados à natureza e às características do combustível utilizado. Assim, o teor de umidade, taxas de oxigênio indispensáveis no processo de combustão, taxa de hidrogênio e de carbono nos materiais combustíveis e finalmente, níveis diferenciados de temperatura no processo de combustão os quais são fundamentais para promoverem a ebulição da água presente nos dendrocombustíveis, assim como também, para assegurar a sustentabilidade da combustão e também a exaustão dos gases que se formam em decorrência. Além dessas perdas de calor citadas precedentemente, existem outras decorrentes por irradiação térmica, convecção e condução entre outras. Ressalta-se que a quantidade de energia térmica recuperável (CR) varia igualmente com a composição química dos combustíveis com as espécies, e até mesmo entre indivíduos de uma espécia. A quantidade de calor recuperável por unidade de massa de um combustível (lb, kg) é sempre inferior ao conteúdo energético máximo de um dado combustível (PCS), e isso, se


RACIONALIDADE 31 deve principalmente ao fato de que um dendrocombustível não é fornecido na condição absolutamente seca (0% de umidade), daí esse viés em termos de conteúdo energético disponível (Poder Calorífico Inferior) e o teórico (Poder Calorífico Superior). Geralmente, quanto maior o teor de umidade dos combustíveis ou maior a temperatura dos gases de exaustão na chaminé de um sistema de combustão direta, maior será a quantidade de calor que se dissipa para o exterior. O teor de umidade dos dendrocombustíveis para fins de cálculos de perdas de calor, é expresso na base úmida ou verde (X) conforme ilustram as Equações 1 e 2. O teor de umidade assim expresso corresponde à

fração decimal do material combustível (madeira, casca, cavacos etc.) que consiste exclusivamente de água. Por exemplo, uma libra (lb) ou 0,454 kg de madeira verde com um conteúdo de umidade igual a 50% na base verde (X) contem 0,5 libras de água e consequentemente 0,5 libras de madeira absolutamente seca. Finalmente, nessa rubrica procurou-se nessa primeira parte fazer uma abordagem sobre os principais aspectos relacionados com as perdas de energia térmica inerentes ao próprio processo da combustão direta dos dendrocombustíveis (ex: madeira e casca). Na segunda parte, a qual será abordada na próxima edição do Jornal BiomassaBr, (Edição nº 19) pretende-se apresentar e discuitir cada uma das equações que permitirão estimar todas as perdas de energia ou calor (Hi) decorrentes do processo da combustão direta desses dendrocombustí-

veis. Essas perdas de energia serão expressas em Unidades Térmicas Britânicas (BTU) e consequentemente, a unidade de massa quando necessário será referida como libra (lb). Finalmente, na Edição nº 19 será apresentado um estudo de caso concernente às perdas de energia térmica (calor) ao longo do processo de combustão seja para a madeira ou a casca. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHANG, Y.-P., AND R. A. MITCHELL. 1955. Chemical composition of common North American pulpwood barks. Tappi 38(5):315-320 CORDER, S. E. 1973. Wood and bark as fuel. Sch. Forestry Res. Bull. 14, Oreg. State Univ., Corvallis, Oreg. 28 p. DOBIE, J., AND D. M. WRIGHT. 1972. Conversion factors for the forest products industry in wester Canada. Can. For. Serv., West. For. Prod. Lab. Inf. Rep. VP-X-97. 60 p. HARDER, M. L., AND D. W. EINSPAHR. 1976. Bark fuel value of important pulpwood species. Tappi 59(12):132-133. HARDER, M. L., AND D. W. EINSPAHR. 1978. An update of bark fuel values of important pulpwood species. Tappi 61(12):87-88. FONTE: WWW.BIOMASSTRADECENTRES.EU FONTE: https://www.google.com.br/ search?q=%C3%89CORCE&biw=1440&bih


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RECICLAGEM

Do lixo ao luxo de gerar energia Resíduos florestais outrora descartados conquistam usinas térmicas

O

agravamento da crise hídrica está instigando o mercado a buscar novas fontes para geração de energia e os olhares voltam-se cada vez mais para os resíduos de madeira. A expectativa de que, em abril de 2015, o leilão de fontes alternativas de energia negocie contratos de energia eólica e biomassa chama a atenção para a diversificação da matriz energética, com aproveitamento de insumos que anteriormente eram descartados. Para ter uma ideia do potencial desta biomassa, lembre-se de que o Brasil registra mais de sete milhões de hectares de florestas plantadas de eucalipto e pinus, além de outras culturas florestais como acácia e mogno africano. O Panorama do Potencial de Biomassa no Brasil, produzido pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), aponta São Paulo e Paraná como os Estados com maior potencial de aproveitamento de resíduos de madeira, provenientes da silvicultura, na geração de energia elétrica. Bahia e Minas Gerais aparecem na sequência. De acordo com o estudo, na conjuntura atual, inclusive a re-

Flávio Leite - Gerente Geral da Vermeer Brasil

moção dos tocos tem se tornado lucrativa para queima em usinas térmicas. O avanço da legislação também tem favorecido o aproveitamento dos resíduos de madeira, que até recentemente eram descartados indevidamente. Com a atual Política Nacional de Resíduos Sólidos, é proibido descartar os resíduos de árvores junto com o lixo domiciliar. A mudança afeta diretamente os resíduos de podas urbanas. O material que era deixado

no campo ou descartado indevidamente nos aterros sanitários está se consolidando como alternativa para queima em caldeira e substrato para compostagem. A estimativa do Panorama é de que a biomassa tenha mais peso na geração mundial de eletricidade, produzindo cerca de 27 TWh até 2020. A eficiência do processo está melhorando com novas tecnologias de conversão. Ainda que a combustão em fornos e caldeiras seja predominante, processos como gaseificação e pirólise despontam como alternativas mais eficientes. Segundo o Balanço Energético Nacional, a participação da biomassa na matriz energética brasileira é de 27%, a partir da utilização de lenha de carvão vegetal (11,9%), bagaço de cana-de-açúcar (12,6%) e outros (2,5%). O potencial autorizado para empreendimentos de geração de energia elétrica, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é de 1.376,5 MW, quando se consideram apenas centrais geradoras que utilizam bagaço de cana-de-açúcar (1.198,2 MW), resíduos de madeira (41,2 MW), biogás ou gás de aterro

(20 MW) e licor negro (117,1 MW). Além da conjuntura, outro fator que tem favorecido o aproveitamento desta biomassa é o desenvolvimento de tecnologias específicas para o manejo deste material. Fabricantes globais como a Vermeer estão instalados no Brasil trazendo soluções já consagradas em outras regiões como Estados Unidos e Europa, auxiliando o mercado local na superação das barreiras tecnológicas. A fabricante reforça seu posicionamento com a maior frota de equipamentos combinados e com uma filial no País para o pronto atendimento aos clientes. O mercado é favorecido com tecnologias que viabilizam cavacos, microcavacos e pellets em granulometrias precisas. O leque de soluções disponíveis é amplo. A linha de trituradores, por exemplo, possui equipamentos horizontais e verticais. Estes últimos operando com gravidade, ou seja, eles não possuem uma mesa de alimentação e sim uma grande bacia com um tambor triturador. Alguns modelos possuem oito martelos e 16 cortado-


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RECICLAGEM res, que podem ser substituídos em menos de uma hora. São trituradores versáteis, adequados para lidar com materiais volumosos como tocos, fardos e pellets. Alternativa entre os modelos de trituradores horizontais são os autopropelidos. Opções móveis e eficientes para as operações de reciclagem de resíduos de madeiras, seja durante a limpeza de campo, ou para o processamento de compostagem, de desbastes florestais e para o processamento de resíduos da arborização urbana. Diferente dos modelos rebocáveis, que necessitam de equipamentos auxiliares como tratores para serem movimentados, essa alternativa permite ao operador total autonomia no deslocamento ao redor do campo de trabalho, otimizando a produção com a mesma eficiência de processamento de materiais. Outra solução bastante difundida é o picador florestal. Há modelos aptos a processar material de até 58 cm de diâmetro com garantia de eficiência por intermédio de sistemas de alimentação automático e rotores de corte de alta velocidade e embreagem a disco. O sistema de alimentação com a mesa de três metros de comprimento é mais uma vantagem do equipamento. O sistema de alimentação de alguns picadores aceita toras de madeira com comprimento muito superior ao da mesa, além de posicionar o material a ser picado em ângulo de corte mais eficiente. É preciso atenção ao design das máquinas para avaliar se a abertura de alimentação também minimiza gargalos de material, além de oferecer uma área de alimentação ampla, sem a presença de defletores laterais, o que aumenta a produtividade do operador da garra florestal durante o procedimento. Outro destaque do equipamento é o sistema de esmagamento automático, que pode ser programado para exercer entre 0 e 1,8 toneladas de pressão de esmagamento. Há opções em que o operador do equipamento ainda pode acionar um botão manual, para alcançar força de esmagamento maior, de até 2,1 toneladas. As linhas de picadores de galhos também estão ampliando suas fatias de mercado, tornando as operações mais seguras e produtivas. Entre as opções, figuram aquelas equipadas com sistema de controle, que monitora o desempenho do motor e reverte automaticamente o rolo de alimentação quando necessário, evitando sobrecarga do sistema. Modelos com uma boca de alimentação de 30 cm de altura são capazes de picar galhos re-

torcidos e copas de árvores inteiras, sem a necessidade de pré cortá-los com motosserras. Recursos para desligamento da alimentação e a distância da mesa ao rolo são outros fatores importantes na escolha dos equipamentos. O operador não deve ficar próximo ao rolo, o que também reduz os riscos de acidentes. Com as oportunidades para aproveitamento dos tocos, os destocadores começam a se tornar mais conhecidos no mercado. Nas áreas urbanas, quando as prefeituras combinam o uso do destocador em conjunto com o picador de galhos, a mão de obra intensiva, de até sete pessoas envolvidas no processo, cai para duas. A redução é ainda mais expressiva em termos de tempo: ao invés de dez viagens e caminhões para uma operação

média de poda e destocamento, uma equipe que adota um picador e um destocador, por exemplo, pode executar a operação completa em até uma hora e demandar apenas uma viagem de caminhão para o descarte do material. Se deixados nas florestas, os tocos oferecem riscos aos equipamentos que transitam na área, além de prejudicar as rotações e plantios de cultura. A combinação destas tecnologias, considerando peneiras rotativas, trituradores horizontais e verticais, picadores florestais, picadores de galhos e destocadores é capaz de garantir altos níveis de produtividade e confiabilidade na produção de cavaco, microcavaco e pellets de madeira. A Vermeer tem equipamentos em campo, contribuindo para o sucesso de diver-

sas operações de geração e cogeração de energia. No Nordeste, por exemplo, os trituradores horizontais picam os resíduos de podas de cajueiros. No Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os trituradores horizontais e picadores florestais operam na limpeza de laranjais, em florestas de eucalipto, palha de cana-de-açúcar entre outras. Com exceção do Sul, nestas regiões os produtores de grãos estão queimando os resíduos florestais para cogeração de energia e geração de calor nos silos. Apesar da produção ainda ser modesta, o segmento de pellets amplia as oportunidades de negócios. O Brasil tem grande potencial de aproveitamento da biomassa florestal na produção de pellets para atender às demandas nacional e internacional. A Europa concentra 52% das plantas indústrias e os EUA, 41%, segundo o European Pellet Centre, e mesmo assim eles têm potencial para importar pellets de outros mercados. Por último, é importante alertar compradores e decisores em relação ao perfil do fabricante, considerando os resultados quando se combina equipamentos de uma mesma marca, presença no Brasil, suporte em todo o ciclo de vida do equipamento, oferecendo treinamentos, estoque de peças e equipe técnica qualificada. Juntos, esses aspectos proporcionam segurança ao cliente, que terá sua operação acompanhada de perto pela fabricante.

Apoio:


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FEIRAS & EVENTOS

MARÇO 28ª FEIRA INTERNACIONAL DA INDÚSTRIA ELÉTRICA, ELETRÔNICA, ENERGIA E AUTOMAÇÃO Data:23 a 27 de março Local: Anhembi – São Paulo - SP http://www.fiee.com.br/ KLIMAENERGY 2015 Data:26 a 28 de março Local: Bolzano - Italy http://www.fierabolzano.it/site/ ABRIL FEIRA DA INDÚSTRIA LATINO-AMERICANA DE AVES E SUÍNOS Data: 28, 29 e 30 de Abril Local: Curitiba/PR - ExpoTrade Convention Center Site: www.avesui.com RECICLAÇÃO - FEIRA DE RECICLAGEM & MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL Data: 15 a 18 de abril Local: Parque de exposição Vila Germânica / Setor Nº 3 / Blumenau - SC http://www.montebelloeventos.com.br/

TRÊS LAGOAS FLORESTAL - 2015 Data: 01 a 04 de junho Local: Três Lagoas \ MS http://treslagoasflorestal.com.br/ ALL ABOUT ENERGY Data: 10 a 12 de junho de 2015 Local: Centro de Eventos do Ceará. http://www.alllaboutenergy.com.br JULHO ENERSOLAR +BRASIL Data: 15 a 17 de Julho Local: São Paulo – SP. http://www.enersolarbrasil.com.br/ BIOTECH FAIR - FEIRA INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA EM BIOENERGIA E BIOCOMBUSTÍVEIL Data: 15 a 17 de julho Local: São Paulo/SP http://biotechfair.com.br/

AGRISHOW 2015 Data: 27 de abril a 01 de maio Local: Rodovia Antônio Duarte Nogueira Km 321 - Ribeirão Preto /SP http://www.agrishow.com.br

ECOENERGY Data: 15 a 17 de Julho Local: São Paulo – SP. http://www.feiraecoenergy.com.br/

MAIO FEIRA DA FLORESTA Data: 12 a 14 de Maio de 2015 Local: Nova Prata \ RS www.feiradafloresta.com.br

AGOSTO GUANGZHOU INTERNATIONAL BIOMASS ENERGY EXHIBITION Data: 19 a 21 de Agosto Local: Guangzhou, China http://www.cnibee.com/en

FECONATI Data: 28 a 31 de maio Local: Atibaia - SP http://www.feconati.com.br/ IV SIGERA - SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS AGROPECUÁRIOS E AGROINDUSTRIAIS Data: 5 a 7 de maio Local: Rio de Janeiro - RJ www.sbera.org.br/sigera2015 JUNHO 21St EUROPEAN BIOMASS CONFERENCE AND EXHIBITION Data: 01 a 04 de Junho Local: Bella Center – Copenhague/Dinamarca http://www.conference-biomass.com

6ª GREENBUILDING BRASIL Data: Data: 11 a 13 de agosto Local: Transamérica Expo Center - São Paulo

SETEMBRO IV FÓRUM NACIONAL SOBRE CARVÃO VEGETAL Data: A definir Local: Belo Horizonte - MG http://www.sif.org.br INTERSOLAR SOUTH AMERICA Data: 01 a 03 de setembro Local: Expocenter Norte – São Paulo - SP http://www.intersolar.net.br/en/intersolar.html FERIA FORESTAL ARGENTINA Data: A definir Local: Posadas - Misiones - Argentina http://www.feriaforestal.com.ar/ EXPOBIOMASA - FERIA DE LOS PROFESIONALES DE LA BIOMASA 2014 Data: de 22 a 24 de Outubro Local: Valladolid / Espanha http://www.expobiomasa.com OUTUBRO SNPTEE - SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Data: de 18 a 21 de outubro Local: Foz de Iguaçu - PR www.xxiisnptee.com.br FENAFOR - FEIRA INTERNACIONAL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA A INDÚSTRIAS MADEIREIRA Data: 23 a 25 de outubro Local: Lima / PEru http://www.fenafor.com DIA DE CAMPO DO EUCALIPTO Data: 29 e 30 de outubro Local: Fazenda Experimental Lageado - FCA/ UNESP - Campus de Botucatu http://www.fca.unesp.br/

10 º COBEE - ABESCO Data: 21 e 22 de Agosto Local: Centro de Convenções Frei Caneca – São Paulo – SP. http://www.cobee.com.br/

NOVEMBRO WORLD BIOMASSA POWER MARKETS BRASIL Data: A definir Local: São Paulo / SP http://www.greenpowerconferences.com

FENASUCRO 2014 Data: 25 a 28 de agosto Local: Centro de Eventos Zanini - Sertãozinho - São Paulo/SP http://www.fenasucro.com.br

XV FIMAI - FEIRA INTERNACIONAL DE MEIO AMBIENTE INDUSTRIAL E SUSTENTABILIDADE Data: 15 a 18 de novembro Local: Pavilhão Azul, do Expo Center Norte São Paulo/SP http://www.fimai.com.br/


LEILÃO

MME aprova sistemática para a realização do Leilão “A-5” de 2015 O Ministério de Minas e Energia publica hoje a tínua de projetos de empreendimentos de geraPortaria MME nº 12, que define a sistemática para ção termelétrica no Leilão “A-5” de 2015. Para a realização do certame será aplicada a o Leilão de Compra de Energia Elétrica Proveniente de Novos Empreendimentos de Gera- sistemática publicada por meio da Portaria MME n° 213, de 14 de junho de 2013, ção, denominado Leilão “A-5” de No Leilão “A-5” que prevê a negociação de ener2015, a ser realizado em 30 de abril gia elétrica nos Produtos Quantide 2015. A Portaria altera também as de 2015 serão dade e Disponibilidade. diretrizes para o Leilão, que enconnegociados No Leilão “A-5” de 2015 serão tram-se na Portaria MME nº 653, Contratos de negociados Contratos de Code 11 de dezembro de 2014. Dentre as alterações, destacaComercialização mercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR), na se a postergação para o dia 2 de de Energia no modalidade por quantidade fevereiro, até as 12 horas, do praAmbiente para usinas hidrelétricas, e na zo de cadastramento para PequeRegulado modalidade por disponibilidade nas Centrais Hidrelétricas (PCH), para usinas termelétricas a biaproveitamentos hidrelétricos com (CCEAR)... omassa, carvão mineral ou gás potência inferior a 50 MW, empreendimentos termelétricos a biomassa, a carvão natural em ciclo combinado. O início de suprimento dos CCEAR será em 1º de janeiro de 2020 e o mineral e a gás natural. Foi postergado também, para o dia 2 de mar- prazo de suprimento será de trinta anos para o ço de 2015 até as 12 horas, o prazo para a apre- CCEAR por quantidade (hidrelétricas) e de vinte e sentação de documentos de comprovação da dis- cinco anos para o CCEAR por disponibilidade (terponibilidade de combustível para a operação con- melétricas).

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CERTIFICAÇÃO

Programa de Certificação de Energia Renovável O Programa de Certificação de Energia Renovável é uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e da Associação Brasileira de Energia Limpa (Abragel) que visa fomentar o mercado de energia gerada a partir de fontes renováveis e com alto desempenho em termos de sustentabilidade. O programa consiste em duas certificações interrelacionadas, que trazem benefícios aos geradores de energia e aos consumidores voluntários de Energia Renovável: • Certificação de empreendimentos de geração de energia renovável elegíveis • Concessão de Selo voltado para consumidores da energia certificada Energia Renovável de Alto Desempenho Socioambiental

O programa foi desenhado por um grupo técnico designado pela ABRAGEL e pela ABEEOLICA, envolvendo diversos especialistas com experiência das áreas de energia, sustentabilidade, mercado e certificação que foram responsáveis pela definição dos conceitos envol-

vidos para empreendimentos sustentáveis. A garantia de consistência do programa é assegurada através de auditorias por terceira parte independente e qualificada, que são realizadas periodicamente em cada empreendimento de geração de energia. Da mesma forma, o Selo voltado para consumidores de energia (cativos, especiais e do mercado livre) também é auditado por terceira parte independente. Para conferir maior credibilidade a todo esquema de Certificação, a governança do Programa é comandada pelo Instituto Totum, organismo de certificação especializado em programas de autoRregulamentação e selos setoriais. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE


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CALENDÁRIO

Foi lançada a 3º Anuário Brasileiro das indústrias de Biomassa e Energias Renováveis Nos últimos anos o mercado de energias renováveis tem marcado presença cada vez mais forte em todo cenário mundial. Seja por sua eficiência e atual competitividade, ou mesmo pela necessidade da inserção de novas fontes que ajudem a atender a crescente demanda no Brasil e no mundo. Especialistas, estudiosos, empresários, chefes de estado das principais potenciais mundiais, também como das nações emergentes, estão cada vez mais atentos aos assuntos voltados á produção de energia por fontes limpas e renováveis. No caso especialmente da matriz energética brasileira, onde temos a matriz mais limpa em nível mundial, a necessidade de incentivar os projetos renováveis são uma questão de sobrevivência, para atender a demanda nacional. Sabemos que nossa matriz é renovável, mas

ainda é muito dependente da fonte hídrica, esta que recebe muitas críticas de ambientalistas, além de ter deixado o país ás escuras em algumas épocas do ano, principalmente no verão, quando o consumo aumenta, e muito. Desde sua criação em 2012, o Anuário ER, tem cumprido seu papel de divulgar, incentivar e fomentar o setor das Energias Renováveis no Brasil, sendo uma importante plataforma para divulgação de soluções ligadas ao setor.

Agora em sua terceira edição a publicação se consolidou como a mais importante fonte de pesquisa, para empresários, estudantes, ou qualquer interessado em conhecer mais sobre as diversas formas de gerar energia de forma limpa, renovável e acima de tudo com sustentabilidade e responsabilidade social e ambiental. Outro papel fundamental do Anuário ER, é divulgar empresas, que tenham produtos, equipamentos, tecnologias e prestação de serviços, que resultam em soluções para geração de energia. Temos certeza que o 3º Anuário vai continuar ajudando o setor da Biomassa e Energias Renováveis, nesta importante fase de reciclagem quanto ao fornecimento da energia e suas fontes. Informações: 55 (42) 3086.8588 \ 3025.7825 E-mail: comercial@anuarioenergiasrenovaveis.com


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ECONOMIA

Projetos de energia alternativa terão verba, promete BNDES BNDES diz que não faltará dinheiro para financiar projetos de energias alternativas Em tempos de restrição de recursos a diversos setores, o BNDES diz que não faltará dinheiro para financiar projetos de energias alternativas, como eólica e solar, e que manterá, ao menos, o mesmo nível de financiamento de 2014. A decisão ocorre ao mesmo tempo em que o país vive uma crise do setor elétrico, com o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. No ano passado, foram apro-

vados R$ 6,6 bilhões para projetos de geração eólica – 81% mais do que em 2013 (R$ 3,6 bilhões). O objetivo é repetir o número neste ano.


Jornal biomassa br edição nº 018  

Jornal Brasileiro de Biomassa e Energia edição Nº 018

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