Page 1

Jornal Biomassa Br Jornal Brasileiro das Indústrias de Biomassa

Ano: 01

w w w . j o r n a l b i o m a s s a b r . c o m

Edição: 03

“Leucena” pode ser solução para produção de Biomassa em terras marginais e de baixa pluviosidade

As plantações de eucaliptos tem sido as principais fontes de produção de biomassa para energia em curta rotação no Brasil...(pág 02)

Briquetes de casca de coco: Opção para o mercado de Biomassa...(pág. 18)

O combustível do futuro

(pág. 06)

Saiba tudo sobre as principais feiras e eventos do setor no segundo semestre...(pág. 14)

Rio + 20 - Conferência das nações unidas sobre desenvolvimento sustentável...(pág. 21) O mercado de Créditos de Carbono...(pág. 10)


Jornal Biomassa Br

POTENCIAL DA LEUCENA PARA A PRODUÇÃO DE

BIOMASSA PARA ENERGIA NO BRASIL

A

s plantações de eucaliptos tem sido as principais fontes de produção de biomassa para energia em curta rotação no Brasil. Nos últimos anos, com o advento dos plantios adensados de híbridos de eucaliptos clonais, para produção de biomassa em rotações de 2 a 4 anos, maior tem sido a atenção devotada a este gênero pelos pesquisadores e empresários brasileiros e mesmo de outros países. No entanto, apesar de sua plasticidade e do grande número de espécies e híbridos existentes, existem regiões onde o eucalipto não consegue se estabelecer e apresentar uma boa produti-

Leucaena leucocephala no município de Itu, São Paulo. Foto: Laércio Couto

vidade, principalmente em regiões semi-áridas do nordeste brasileiro. Neste caso, espécies do gênero Leucaena

sp, podem representar a solução para produção de biomassa a custo baixo em terras marginais e regiões com baixa

pluviosidade. A leucena é uma leguminosa perene, de porte arbóreo, de rápido crescimento, originária

da américa central e plantada praticamente em todas as regiões tropicais onde tem sido usada como forrageira,

Expediente Editor: Tiago Fraga | Comercial: Bianca Ramos, Lucas Alexandre | Supervisão: Eliane Oliveira | Edição de arte e produção: Vorus Design - vorusdesign@gmail.com Gastão Neto | Apoio: Renabio – Rede Nacional para Biomassa e Energia | Colunistas: Prof. Laércio Couto - Presidente da Renabio e Membro permanente do conselho mundial de Bioenergia - Aylson Costa Oliveira - Doutorando em Ciência Florestal - DEF/UFV - Angélica de Cássia Oliveira Carneiro - Profa. Doutora do Curso de Engenharia Florestal - DEF/UFV - Bárbara Luísa Corradi Pereira - DEF/UFV - Renato Pereira Damásio - Graduando em Engenharia Florestal - DEF/UFV - Luiz Carlos

2|

Couto - Prof. Ph.D. na UFVJM Diretor Científico da RENABIO - Prof. Saulo Guerra - Diretor da FEPAF - Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais - FCA/UNESP Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais Distribuição Dirigida Empresas, associações, universidades, governos, assinantes, circulação em feiras e eventos dos setores de Biomassa, Florestas e Energias Renováveis. Versões Tiragem Impressa / eletrônica 5.000

Site oficial w w w.jo r na l b i o ma ssabr.co m Contato: (42) 3025.7825 E-mail: contato@jornalbiomassabr.com comercial@biomassabr.com O Jornal Biomassa BR é uma publicação da


Jornal Biomassa Br

|3


Jornal Biomassa Br produção de madeira para energia e para recuperação de áreas degradadas ou antropizadas. Ela pode ser plantada em regiões com 600 a 3.000 mm de chuvas anuais devendo ser plantada a pleno sol, perdendo as folhas quando sombreadas. Não se desenvolve bem em solos ácidos e com alto teor de alumínio e pobres em cálcio, magnésio, zinco e molibdênio. Como forrageira, a leucena possui um elevado teor de proteína em suas folhas e frutos devendo no entanto não ser fornecida como alimento único para o rebanho em face da existência da mimosina que pode ter efeitos tóxicos sobre os animais. Como planta para a recuperação de solos degradados, a leucena possui micorriza com bactérias do gênero Rhizobium que chegam a fixar 400

kg de nitrogênio por hectare por ano. Além disso, possuem micorrizas com fungos do gênero Mycorrhizae que facilitam a absorção de fósforo não disponível para a maioria das plantas com as quais estão consorciadas. Desta maneira, a leucena e’ bastante utilizada em sistemas agroflorestais, consorciada com o plantio de culturas agrícolas como milho, feijão, etc... A madeira da leucena apresenta uma densida de básica de 620 kg por metro cúbico superando grande parte dos eucaliptos atualmente plantados para a produção de biomassa para energia. Recentemente, a RENABIO – Rede Nacional de Biomassa para Energia, em atuação conjunta com a PELLETBRAZ de Porto Feliz, São Paulo, estudou

a produção de pellets de leucena obtendo um resultado extremamente satisfatório em termos de qualidade do produto,

grama. No Estado do Alagoas, alguns clones de eucaliptos foram plantados na região do agreste,

Pellets de leucena produzidos pela PELLETBRAZ de Porto Feliz, São Paulo - Foto: Laércio Couto

que apresentou um teor de umidade em torno de 8,7% com densidade a granel de 577 kg por metro cúbico, teor de cinzas de 1,8% e um poder calorífico inferior de 4.260 kcal por quilo-

contrário da leucena que apresentou baixa mortalidade e crescimento adequado. A possibilidade de estabelecimento de plantações de leucena por meio de semeadura direta e a sua capacidade de brotação, bem como a sua diversidade de uso e resistência ao déficit hídrico, tornam este gênero um dos mais auspiciosos para quem deseja produzir biomassa para energia em curta rotação e a baixo custo. Laércio Couto, Ph.D.

com baixo índice pluviométrico, apresentando elevada mortalidade demonstrando a inviabilidade técnica e econômica da utilização dos mesmos para reflorestamento na região, ao

Eucalyptus secando na região do Agreste de Alagoas e a leucena na mesma região. Foto: Laércio Couto

4|

Membro do board da World Bioenergy Association Prof. Adjunto da Faculty of Forestry – U of T Consultor Florestal da Comissão de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA Presidente do Conselho de Administração da RENABIO


Jornal Biomassa Br

|5


Jornal Biomassa Br

Madeira Granulada:

o combustível do futuro A biomassa florestal foi durante muito tempo e de longe, a primeira fonte de energia das sociedades humanas. La biomasse a été pendant longtemps et de loin, la première source d’énergie des sociétés humaines. Com a demanda crescente das economias emergentes (Brasil, China, Índia, Rússia África do Sul etc.) no consumo energético mundial, não existe dúvida quanto isso refletirá na tendência da alta dos preços das diferentes formas de energia fóssil (óleo, gasolina e gás) em função principalmente do próprio contexto geopolítico e econômico mundial. No contexto da volatilização e da alta dos preços das energias fósseis, espera-se nos próximos anos a maior participação da madeira quer seja na sua forma bruta e principalmente, a madeira granulada (densificada) também conhecida por pellets, essa última, para uso em aquecimento doméstico e/ou industrial. A iniciativa privada, pelas suas características de maior autonomia tanto para a captação de recursos quanto para promover pesquisa e desenvolvimento, tem focalizado as suas atenções para a utilização da madeira granulada, ou seja, a “madeira-energia” ou dendroenergia. A utilização desse modelo energético alternativo para uma fração considerável das necessidades, energéticas na oferta interna de energia, além de contribuir para a redução dos gases de efeito estufa, poderá se contrapuser de forma significativa ao aumento das tarifas das formas convencionais de energia. No mais, tem-se pautado que a consolidação de tal modelo energético suplementar se reveste de características ecológicas e ambientais altamente favoráveis. Neste contexto, é de

6|

conhecimento que o dióxido de carbono (CO 2 ) l i berado pela combustão da madeira é absorvido pela árvore a qual por sua vez, pela fotossíntese o transforma em energia e oxigênio. Nesse processo fisiológico, por exemplo, a captação pelos diferentes ecossistemas vegetais de 44 toneladas de dióxido de carbono produz em contrapartida, 180 toneladas de glucose e 162 toneladas de celulose sob a forma de biomassa. O modelo energético “madeira-energia” contrariamente aos combustíveis de origem fósseis é sustentável e essa sustentabilidade é assegurada pela relação harmônica entre a oferta e a demanda por matéria-prima (madeira) para atender ás exigências do respectivo modelo. Existem três famílias de combustíveis originários diretamente desse modelo energético: (1) madeira densificada ou briquete; (2) madeira granulada ou pellets e (3) cavacos, cada uma delas com as suas características. Concernente à madeira granulada, a sua utilização surgiu na década de 70 do século passado e foi de certa forma, uma resposta tecnológica do mundo ocidental à deflagração da primeira crise do petróleo em 1973. Uma década após, a sua cadeia produtiva já havia se consolidado nos EUA. Na Europa, isso somente ocorreu na década de 1990. Primeiramente na França em seguida, na Suécia. Em ambos países a madeira granulada foi e ainda continua sendo utilizada para fins de aquecimento

residencial e industrial. Os granulados de madeira ou pellets apresentam um formato de pequenos cilindros fabricados majoritariamente a partir de serragens e de cavacos secos e fortemente densificados a interior de uma prensa de extrusão, cujos níveis de pressão atingem valores da ordem de 100 bars (101,97 kg/cm2. O comprimento varia entre 10 e 50 mm enquanto o diâmetro entre 5 a 10 mm. A alta densidade energética e sua granulometria permitem a automatização completa de sistemas de aquecimento independentemente de sua capacidade. A produção de madeira granulada se assemelha ao processo de produção de ração animal. A secagem da matéria-prima utilizada no processo é fundamental para assegurar ao produto final um Poder Calorífico Inferior (PCI) uniforme e compatível para os propósitos aos quais se destina. Assim uma secagem a teores de umidade da ordem de 15 a 20% é tolerável, ainda que sejam mais usuais teores inferiores a a 10%. O Poder Calorífico Inferior (PCI) da madeira granulada é consideravelmente elevado e da ordem de 8500 a 8000 BTU/ lb (19,771 MJ/kg a 20,934 MJ/kg). Além do controle do teor de umidade da matéria-prima, o teor de cinzas é também de certa forma restritivo. Madeira


Jornal Biomassa Br granulada para fins de aquecimento resi Balanço Energético Nacional - BEN dencial deverá ser inferior a 1%. Todavia, mostrou que em 2010, na rubrica oferta para fins industriais esse poderá ser da interna de energia, a participação da lenha ordem de 1-3%. Por essa razão que existem e do carvão vegetal foi de apenas 5,9%, ao algumas restrições para certos tipos de resíduos agrícolas cujos teores de cinzas ultrapassam facilmente esses limites. A eficácia da madeira granulada para o aquecimento doméstico e/ou industrial do ponto de vista eficácia energética equivale à aproximadamente 85%. A eficácia energética do óleo combustível e o gás natural, por exemplo, variam de 60 a 95%. O custo de uma unidade de produção de madeira granulada necessária para atender Foto: Laércio Couto uma demanda de 4 toneladas/h incluindo um secador que assegure um teor passo que, o petróleo e derivados atingiu a de umidade final da matéria prima inferior cifra de 14,1%. Em termos de oferta interna a 10%, é da ordem de U$ 1, 265, 000.00 (R$ de energia elétrica, por exemplo, enquanto 2.400.500,00) que a participação do gás natural e deriva-

dos do petróleo contribuiu com 49,0% a participação da biomassa que no Balanço Energético Nacional, contempla a lenha, o bagaço de cana, a lixívia (indústrias de polpa e papel e outras recuperações, foi de 30,1%. Sendo assim, se considerarmos que cerca de 40% de toda madeira produzida anualmente no Brasil não é por razões diversas processada poderia ser utilizada para a produção de madeira granulada para fins energéticos. Dentro deste contexto a incorporação dessa modalidade energética na atual Matriz Energética, além do custo/benefício altamente favorável agregará por excelência ganhos altamente significativos quer sejam nos aspectos da sustentabilidade, quanto na capacidade mitigadora dos efeitos ambientais altamente impactantes na atmosfera. Luiz Carlos Couto

Prof. Ph.D. na UFVJM Diretor Científico da RENABIO

|7


Jornal Biomassa Br

Produção de carvão vegetal em forno com baixa emissão de poluentes

V

isando atender a demanda dos produtores de carvão vegetal por tecnologias mais eficientes e sustentáveis, além de fornos de maior durabilidade e com baixo custo foi desenvolvido um sistema forno-fornalha com redução das emissões atmosféricas e rendimento gravimétrico em carvão vegetal maximizado. Este trabalho foi realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) em parceria com a Associação das Siderúrgicas para Fomento Florestal (ASIFLOR) e a Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG/ SECTES/POLO DE FLORESTA). Os fornos circulares nos quais foram acoplados a fornalha e os ductos para condução dos gases são fornos circulares de superfície, de alvenaria. Optou-se em utilizar este tipo de forno devido ao seu baixo custo, fácil construção e por ser bastante difundido entre os pequenos e médios produtores de carvão vegetal. Cada forno tem capacidade de enfornamento de 12st (9m³) de madeira e apresenta as seguintes dimensões: altura central de 2,2m, altura da parede de 1,5m e diâmetro interno de 3m. A fornalha possui 0,8m de di-

8|

Planta baixa forno fornalha

âmetro interno e altura de 1,1m. Logo acima da fornalha foi construída a chaminé, com 2,90m de altura, diâmetro da base igual a 0,8m e o diâmetro no topo de 0,4m. Para auxiliar na manutenção do calor dentro do forno durante o processo de carbonização e eliminar possíveis entradas de ar, os fornos, fornalha e chaminé foram emboçados com uma mistura de argamassa refratária e areia lavada. Utilizou-se também uma cinta metálica e barra de ferro rosqueada na base da cúpula para proporcionar maior durabilidade aos fornos, evitando a expansão das paredes dos for-

nos, ocasionada pela pressão exercida pelos gases gerados durante a carbonização, antes que estes sejam direcionados à fornalha. Os fornos possuem seis controladores de ar em suas bases, conhecidos popularmente como “tatus”, para controle da carbonização. Devido à queima dos gases da carbonização na fornalha, não há fumaça visível, meio normalmente utilizado no controle da carbonização, sendo, portanto, a mesma realizada através da mensuração da temperatura interna, com o auxílio de um sensor infravermelho de temperatura, em cilindros de

aço instalados nas paredes e na cúpula de cada forno. A carbonização no sistema forno-fornalha tem duração média de 70 horas, sendo 16 horas para secagem da madeira (100-150ºC); 12 horas para a degradação das hemiceluloses, principalmente, (150-275ºC); 24 horas para a degradação da celulose e formação de carvão vegetal (275-400ºC) e 18 horas para a fixação de carbono no carvão (400-460ºC). O tempo de resfriamento foi de 48 horas. O ciclo completo de carbonização, consideo, transformação da madeira em carvão, resfriamento e descarga do forno foi


Jornal Biomassa Br de aproximadamente seis dias. A combustão dos gases ocorreu durante um terço do tempo total de carbonização, reduzindo quase que integral dos gases de efeito estufa, principalmente metano (CH4) e óxido de carbono (CO). Esta tem sido a alternativa mais interessante para aproveitamento dos gases gerados na carbonização, proporcionando, ao mesmo tempo, a melhoria do ambiente de trabalho e a obtenção de energia térmica para sua utilização na secagem de lenha ou mesmo para a produção de energia elétrica. O rendimento gravimétrico médio em carvão vegetal no sistema forno-fornalha foi de 33% de carvão vegetal, 8% de atiço (madeira semi-carbonizada) e 4% de finos (carvão vegetal com granulome-

tria inferior a 12,7mm). O carvão apresentou características adequadas para uso industrial e doméstico, principalmente em relação ao teor de carbono fixo e poder calorífico superior. Autores: Aylson Costa Oliveira Doutorando em Ciência Florestal - DEF/UFV Angélica de Cássia O. Carneiro Professora Doutora do Curso de Engenharia Florestal DEF/UFV Bárbara Luísa Corradi Pereira DEF/UFV Renato Pereira Damásio Graduando em Engenharia Florestal - DEF/UFV

|9


Jornal Biomassa Br

CRÉDITOS DE CARBONO EM FLORESTAS DE CURTA ROTAÇÃO

Éder Aparecido Garcia, Saulo Philipe Sebastião Guerra, Kléber Pereira Lanças, Felipe Machado Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu-SP

Os compradores dos créditos de carbono são empresas ou governos de países desenvolvidos que precisam atingir metas ambientais instituídas por acordos internacionais como o do Protocolo de Quioto ou por apenas seguir políticas ambientais internas. O sistema de venda de carbono leva em consideração a tonelada de CO2 reduzida com o sistema, ou seja, todas as formas de negociação utilizadas no mundo abordam a quantidade de CO2 reduzido, em processos industriais ou da substituição de combustíveis fósseis pela biomassa florestal. Por exemplo, a EUA (European Union Allowances) é a unidade negociável sob o esquema de comércio de emissões na União Européia. Aproveitando o link com o assunto continente europeu, vale ressaltar que os países deste bloco econômico não somente buscam alterar sua fonte energética por conta dos aspectos ambientais, dos créditos de carbono, mas também para atingir maior autonomia em relação às regiões geopoliticamente instáveis, tais como a Rússia e o Oriente médio, tradicionais fornecedores de fontes não-renováveis. Sob este cenário, o Brasil surge como um dos principais fornecedores de biocombustíveis líquidos (etanol e bio-óleos) e sólidos (pellets). Resumidamente, o mercado de carbono funciona da seguinte forma: 1 Cálculo de CO2 economizado, no caso da alteração dos combustíveis fósseis, ou de CO2 fixado em móveis e cons truções de madeira.

pode significar mais uma renda para o produtor rural, principalmente se resolveu aplicar boa parte de seu capital em florestamento, este bônus pode minimizar o peso inicial dos custos de implantação da floresta. Numa linguagem mais voltada a economia, isto significa que os créditos de carbono fazem parte do fluxo de caixa do empreendimento florestal, o que permitirá ser mais viável. No caso do reflorestamento, ou seja, plantio em áreas de recuperação ambiental, a obtenção de créditos de carbono se dará facilmente por empresas ou países que precisam compensar a emissão de gases efeito estufa (GEE´s). No caso de florestamento, os plantios homogêneos destinados ao corte, o silvicultor pode ter renda adicional pelos bônus e também pelo valor agregado da madeira com procedência. Veja um rápido estudo de caso, em Botucatu-SP, com floresta energética de eucalipto, em alguns espaçamentos, aos 30 meses após o plantio, considerando o valor de US$ 20/t de C e que 50% da madeira seca é carbono. É possível perceber que há mais carbono por área em plantios mais adensados, apesar de terem maior custo de implantação, neste caso, os créditos poderiam amortizar estes custos. Espaçamentos (m) 3 x 0,5 3 x 1,0 3 x 2,0

Madeira (t/ha) 88 86 76

Carbono (t/ha) 44 43 38

Bônus (US$/ha) 880 860 760

2 Empresas especializadas fazem os cálculos seguindo a de Mercados ativos e negociadores já estão em operação na Euroterminação de órgãos técnicos credenciados, por exemplo, pa, tais como NordPool (Noruega), Powernext (França), EXAA junto a ONU. (Áustria), EEX (Alemanha) e European Climate Exchange (Rei3 O empreendedor, no caso o silvicultor, pode almejar bô no Unido). Estes negociadores têm fundos corporativos e créditos para projetos de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL). nus nas bolsas de valores ao ter o certificado . Para atingir estes negociadores, os silvicultores precisam elabo4 É preciso que o projeto de silvicultura seja validado e regis rar seus projetos nos moldes de mecanismo de desenvolvimento trado como mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), limpo, no caso da silvicultura, já é na prática um MDL, validar e com o auxílio de instituições de pesquisa e extenção ou de registrar tal projeto com ajuda de uma empresa consultora espeprofissionais de Engenharia Florestal. cializada. 5 Provavelmente os créditos de carbono vão oscilar nas bol O incremento, ou seja, o ganho em carbono da floresta no desas de valores assim como ocorre com qualquer mercadoria correr do tempo de crescimento está diretamente relacionada ao agrícola. incremento em massa seca do plantio, que deve ser estimado em O programa de bônus relativos ao carbono contido na floresta trabalhos de medições de campo (inventário florestal), com ajuda

10 |


Jornal Biomassa Br

| 11


Jornal Biomassa Br de um profissional especializado. Veja o incremento de carbono em uma floresta 3x2m de Eucalyptus grandis x E. urophylla, em Botucatu-SP, considerando 50% de carbono na madeira seca. Idade (meses) 18 24 30

Madeira (t/ha) 35 46 76

Carbono (t/ha) 17,5 23 38

mo em menores idades, se duplicar ou quadruplicar o número de árvores por hectare, o resultado será mais massa seca, maior apro-

Bônus (US$/ha) 350 460 760

Do ponto de vista energético, a produtividade da floresta pode ser expressa pensando-se na substituição de combustíveis derivados do petróleo pela madeira. Nesta linha de raciocínio, calculou-se a produtividade energética em toneladas equivalentes de petróleo, como pode ser observado nos gráficos adiante. A produ- veitamento da terra e maior incremento em energia por área. tividade energética está diretamente relacionada com a produção Produtividade, em termos energéticos, considerando diversos de massa seca de madeira em um hectare, então, idades maiores tratamentos de densidade populacional, sob a ótica da substituivão ter mais massa seca e, consequentemente, mais energia por ção de combustíveis fósseis pela madeira. área. A solução para que se possa atingir mais energia (tEP/ha) Produtividade em espaçamentos diferentes. em menos tempo está no adensamento de plantio, visto que, mes-

12 |


Jornal Biomassa Br Plantio de Eucalyptus grandis x E. urophylla no espaçamento de 3 x 0,5m, mais massa seca por hectare, consequentemente mais carbono por hectare. Coleta de discos do tronco da árvore para calcular volume, massa seca e teor e carbono. É possível fazer análise de toda a árvore, com cálculo da massa seca de galhos, folhas, madeira e da quantidade de carbono em cada compartimento destes.

| 13


Jornal Biomassa Br

feiras e eventos

Calendário de Feiras e Eventos Reciclação - Feira de Reciclagem & Meio Ambiente Industrial 27 a 30 de junho de 2012 Expo Unimed Curitiba - Curitiba/PR

www.montebelloeventos.com.br/reciclacao Madeira 2012 28 e 29 de junho de 2012 Hotel Golden Tulip Vitória - Vitória/ES

www.congressomadeira.com.br

Greenergy Expo Brasil - Feira da Indústria de Energias Renováveis no Brasil 11 a 13 Julho 2012 Centro de Exposições Imigrantes São Paulo/SP

www.enersolarbrasil.com.br

Congresso Florestal Paranaense 10 a 14 de setembro de 2012 Cietep - Curitiba/PR www.congressoflorestalpr.com.br

14 |

2ª Florestal&Biomassa - Encontro latinoamericano de base florestal e biomassa 19 a 21 de setembro de 2012 Pq. de Exposições Conta Dinheiro - Lages/SC

www.florestalbiomassa.com.br

Congresso Mercosul de Biomassa e Bioenergia 24 e 25 de outubro de 2012 UCS – Univ. de Caxias do Sul - Caxias do Sul/RS 7º Congresso Internacional de Bioenergia e Bio Tech Fair 2012 30 de outubro a 01 de novembro de 2012

Centro de Exposições Imigrantes - SP/SP www.eventobioenergia.com.br 3ª Expoforest 2014 21 a 23 de maio 2014

www.expoforest.com.br


feiras e eventos

Jornal Biomassa Br frente a frente técnicos e especialistas que utilizam esta tecnologia com sucesso. O evento é promovido pelo SINDIMADEIRA-RS e UCS – Universidade de Caxias do Sul e a organização estará a cargo da Porthus Eventos.

Por ser um tema prioritário no conjunto da economia nacional, os interesses se estendem a vários segmentos da indústria, comérCom o objetivo de difundir o potencial cio, agricultura e órgãos públicos. A expectade energias renováveis no Sul do Brasil e tiva é de um público próximo a 600 pessoas. países limítrofes, acontece nos dias 24 e 25 de outubro de 2012, em Caxias do Sul O perfil dos participantes do Congresso RS o Congresso Mercosul de Biomassa e Mercosul de Biomassa e Bioenergia concenBioenergia. tra empresários, técnicos, pesquisadores, além de profissionais das áreas de ciência e O evento acontece no momento em tecnologia, agricultura, madeira, agroindúsque grandes investimentos começam a ser tria, cooperativas, indústrias, empresas de direcionados a novas fontes de geração de geração de energia e distribuidoras, assim energia e torna-se oportuno discutir o apro- como lideranças governamentais, e municiveitamento racional dos resíduos industriais, pais. O universo do setor agroindustrial será agricultura, florestas, lixo urbano, colocando um dos grandes beneficiados com o evento. Congresso discute biomassa no RS

O temário irá abranger os seguintes temas: • O contexto energético do Come Sul; • Culturas energéticas: Agrícolas e Florestas; • Lixo urbano para energia elétrica; • Biocombustíveis; • Tecnologias de conversão energética de biomassa; • Produção de pellets e briquetes; • PCHs e o potencial ; • Política Nacional de Resíduos Sólidos; • Infra-estrutura e inovação para bioenergia; • Energia renováveis alternativas Haverá ainda espaço para a participação em mostra setorial de empresas com atuação no desenvolvimento de produtos ou serviços votados a biomassa e energias renováveis, juntamente com patrocinadoras, apoiadores técnicos, universidades, centros de pesquisa, prestadores de serviços e entidades ligadas ao tema principal do evento.

| 15


Jornal Biomassa Br

Artigo

Tecnologia para conversão de biomassa em energia

* Luiz Pellegrini

A biomassa foi a primeira fonte de energia usada pelo homem. Mas ao longo dos últimos 200 anos foi sendo substituída por fontes fósseis, decorrentes da descoberta de uma fonte de energia com qualidades superiores e custos inferiores. Assim, hoje a biomassa representa cerca de 10% da matriz energética mundial. A preocupação com o meio-ambiente e o elevado custo das fontes não renováveis tem despertado, nos últimos 30 anos, o interesse mundial por alternativas limpas. Neste contexto, a biomassa aparece como opção para a geração de energia e/ou combustíveis. A biomassa pode ser convertida em energia por diferentes rotas, como termoquímica, bioquímica e físico-química. A termoquímica consiste em converter termicamente a biomassa em combustível/energia. Nela, destacam-se os processos de combustão (biomassa em calor), gaseificação (gás combustível), pirólise rápida (óleo combustível), carbonização (carvão vegetal) e torrefação (biomassa torrada). A principal diferença entre os processos é a temperatura da conversão e a presença/ausência de um agente oxidante (ar, oxigênio ou vapor d’água). Vale dizer que a combustão e a carbonização já são usadas na indústria. Na rota bioquímica temos o uso de um agente biológico para conversão dos açúcares presentes na biomassa em combustíveis

16 |

líquidos e, possivelmente, outros químicos. Cabe ressaltar a produção de etanol de cana-de-açúcar, milho e beterraba através da fermentação alcoólica da glicose. Hoje, as rotas de hidrólise enzimática e ácida são desenvolvidas para a conversão de material lignocelulósico em etanol. Finalmente, a rota físico-química refere-se à extração de óleo vegetal e sua posterior conversão em biodiesel por meio do processo de transesterificação. A combinação de alguns destes métodos e sua integração com outros dá origem ao conceito da biorrefinaria, ou seja, produção combinada de combustíveis, energia e químicos a partir de biomassa. Um futuro sustentável para geração de energia depende do aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética mundial. Assim, o uso da biomassa nessas diferentes rotas se torna importante para diminuir a dependência nos recursos não-renováveis. * Luiz Pellegrini é gerente de desenvolvimento industrial da ERB – Energias Renováveis do Brasil, empresa referência na geração de energia a partir de biomassa, e doutor em Engenharia Mecânica com ênfase em Energia, pela Escola Politécnica da USP – Universidade de São Paulo.


Artigo Task 30 da IEA Bioenergy. Dentro desta premissa, a RENABIO procura seguir ou estar sempre em consonância com os objetivos do MME no que diz respeito à sua política energética nacional, notadamente na área de energias alternativas e no uso de RENABIO - Rede Nacio- biomassa para energia. nal de Biomassa para Desde a data de sua criação a RENAEnergia, é uma entidade civil sem fins lucrativos BIO tem conseguido, graças ao apoio instique consiste de uma rede de instituições tucional do MME, cumprir sua missão de (órgãos governamentais, universidades, promover a difusão do conhecimento instituições de pesquisa e de desenvolvi- técnico-científico na área de biomassa mento tecnológico, empresas privadas e para energia, principalmente no que organizações não-governamentais) inte- diz respeito à biomassa florestal. Por ressadas em pesquisa e desenvolvimento outro lado, as ações da RENABIO têm auxiliado o desenvolvimento científico do na área de energia a partir de biomassa. país, contribuindo não só para a divulgaA RENABIO foi criada em 18 de ção dos trabalhos mas também apoiando novembro de 2002 com o apoio da Secre- eventos e a realização de pesquisas como taria de Energia do MME concomitante- a que gerou duas teses de doutorado em mente com a indicação do seu atual Pre- duas grandes empresas florestais de Minas sidente como Brazilian Team Leader do Gerais. Com a sua rede institucional

A

Jornal Biomassa Br abrangendo todo o território nacional a RENABIO está conseguindo, em pouco tempo, promover um nivelamento por cima dos conhecimentos na área de biomassa para energia sendo seu trabalho inclusive reconhecido em nível internacional. Neste sentido, a RENABIO pode-se dizer, constitui extra-oficialmente uma excelente aliada para que o MME possa atingir alguns de seus objetivos na área de fontes alternativas de energia. Foi com essa premissa que a Renabio lançou a revista Biomassa & Energia, o Documento Técnico Renabio, o Informativo Técnico Renabio, o Boletim Técnico Renabio e o Renabio News publicados periodicamente.

Emanuele Pereira Renabio

| 17


Jornal Biomassa Br

ARTIGO

Briquetes de casca de coco: uma inovação que gera Energia Limpa coco tem muitas vantagens além do alto poder calorifico na geração de energia. Abaixo algumas vantagens: • Trata-se de um produto ecologicamente correto; • Menos fumaça, cinza e fuligem devido à baixa umidade, a temperatura se eleva rapidamente; • Possui menor custo e menor manutenção das grelhas e fornalhas; • Reduz o acúmulo de resíduos nos aterros sanitários; • Produto feito com aproveitamento os resíduos que substituirão os combustíveis fósseis • Grande potencial no consumo no mercado nacional e internacional.

• Poder calorífico superior: 17.480 (4.177) J/g (cal/g). Fonte: TECPAR - Centro de Energias Renováveis - RELATÓRIO DE ENSAIOS N.° 11011362 em 13/09/2011.

Produto inovador proveniente do O Brasil possui cerca de 280 mil hectaaproveitamento das cascas de coco, folhas res cultivados com coqueiros, distribuídos e cachos do coqueiro, este briquete é uma praticamente em quase todo o território fonte de energia da biomassa destinada nacional, com produção equivalente a ao uso industrial, doméstico, alimentação dois bilhões de frutos (FAO, 2011). de caldeiras, fornos e lareiras. Todos esses Se aproveitados este volume de resíelementos tornam este produto uma exceduos de casca de coco, seria suficiente para lente opção para o mercado da biomassa produção superior a 240.000 toneladas no Brasil e no mundo. de briquetes por ano. Além de ser muito eficaz na geração de O produto atende a todas as normas energia limpa, a produção dos briquetes elinacionais e internacionais quanto ao conmina grandes quantidades de resíduos do trole de órgãos ligados ao meio ambiente. meio ambiente. Estes resíduos atualmente são reutilizadas para fabricação de fibra para estofados de automóveis, porém, seu aproveitamento é insignificante se comparado com a grande quantidade gerada diariamente no Brasil. O Briquete produzido com a casca do coco é uma inovação para o mercado, tendo a mesma função em relação aos seus congêneres, como resíduos florestais, casca de arroz, bagaço de cana, tem ainda algumas características quanto a qualidade, produtividade e redução de custos. Benefícios sociais: A produção dos briquetes de casca de coco reduzirá o acúmulo de resíduos nos aterros sanitários, lixões, etc., evitando a proliferação Área plantada e produção de coco no Brasil de 1990 a 2009. dos vetores causadores de doenças e epiFonte: IBGE -Produção Agrícola Municipal (2009). demias, além dos gases como o metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), e óxido Análise Físico - Química do Briquete nitroso (N2O), que são causadores do Artigo por: de Casca de Coco: efeito estufa. Clodoaldo Batista dos Santos • Carbono fixo: 8,8% massa A decomposição da casca do coco é de Administrador de Empresas, que é detentor da • Teor de cinzas: 19,4% massa no mínimo 10 anos. propriedade industrial desta inovação. • Materiais voláteis: 71,8% massa Estudos realizados mostram que a Fonte: JB • Teor de umidade: 11,6% massa produção de briquetes utilizando casca de

18 |


Jornal Biomassa Br

| 19


Jornal Biomassa Br

NOTAS

PROFESSOR LAÉRCIO COUTO PARTICIPA DE REUNIÃO DA WORLD BIOENERGY ASSOCIATION NA SUÉCIA A WBA – World Bioenergy Association é uma das mais importantes e atuantes entidades internacionais na área de biomassa para energia, com sede na Suécia e representantes em vários países. Neste ano, em Jonkoping, por ocasião do World Bioenergy 2012, a WBA realizou uma eleição para nomear seu novo presidente, vice-presidentes e os membros do board da Instituição para o período 2012 – 2014. Como representantes do Brasil, e da América do Sul, foram nomeados, a Senadora Kátia Abreu, Presidente da CNA - Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil e o Professor Laércio Couto, Consultor da CNA, Chairman da RENABIO – Rede Nacional de Biomassa para Energia e Professor Adjunto na Universidade de Toronto, Canadá. Neste ano, o vencedor do World Bioenergy Award 2012 foi Harry C. Stokes, Diretor Executivo da Project Gaia, uma organização não governamental americana que desenvolveu um fogão para uso em comunidades de baixa renda em países em desenvolvimento, baseado no consumo de etanol, evitando assim a pressão sobre a vegetação nativa, normalmente utilizada como lenha para uso doméstico. Em 2010, o vencedor do prêmio foi o Professor Laércio Couto com o seu trabalho sobre plantios adensados de eucaliptos para proProfessor Laércio Couto e Harry Stokes no jantar dução de biomassa para energia em curta rotação.

de celebração do World Bioenergy 2012

Além das atividades relacionadas com a WBA, o Professor Laércio Couto, participou também como Chairman em uma mesa redonda com palestrantes tratando de desenvolvimento do mercado de biomassa na China, Europa, Ásia, Estados Unidos e America Latina. Assessorou também o Sr. Evandro Carrera, da Columbia, uma das Empresas do Grupo Esteve, em negociações com uma grande Empresa do setor de produção, comercialização e utilização de pellets na Europa e Estados Unidos, que pretende iniciar também, atividades comerciais no Brasil. Finalmente, o Professor Laércio Couto, esteve com os dirigentes do BIOENERGY INTERNATIONAL, veículo de comunicação líder na divulgação e promoção do setor de biomassa em nível mundial, discutindo a viabilidade técnica e econômica da sua distribuição no Brasil por meio de um representante a ser designado dentro em breve.

20 |


SOBRE A RIO+20

NOTAS A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009. O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes. A Conferência terá dois temas principais: • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável da erradicação da pobreza; e • A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16 e 19 de junho, serão programados os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de

Jornal Biomassa Br diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas. Os preparativos para a Conferência A Resolução 64/236 da Assembleia-Geral das Nações Unidas determinou a realização da Conferência, seu objetivo e seus temas, além de estabelecer a programação das reuniões do Comitê Preparatório (conhecidas como “PrepComs”). O Comitê vem realizando sessões anuais desde 2010, além de “reuniões intersessionais”, importantes para dar encaminhamento às negociações. Além das “PrepComs”, diversos países têm realizado “encontros informais” para ampliar as oportunidades de discussão dos temas da Rio+20. O processo preparatório é conduzido pelo Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e Secretário-Geral da Conferência, Embaixador Sha Zukang, da China. O Secretariado da Conferência conta ainda com dois Coordenadores-Executivos, a Senhora Elizabeth Thompson, ex-Ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados, e o Senhor Brice Lalonde, ex-Ministro do Meio Ambiente da França. Os preparativos são complementados pela Mesa Diretora da Rio+20, que se reúne com regularidade em Nova York e decide sobre questões relativas à organização do evento. Fazem parte da Mesa Diretora representantes dos cinco grupos regionais da ONU, com a co-presidência do Embaixador Kim Sook, da Coréia do Sul, e do Embaixador John Ashe, de Antígua e Barbuda. O Brasil, na qualidade de país-sede da Conferência, também está representado na Mesa Diretora. Os Estados-membros, representantes da sociedade civil e organizações internacionais tiveram até o dia 1º de novembro para enviar ao Secretariado da Conferência propostas por escrito. A partir dessas contribuições, o Secretariado preparará um texto-base para a Rio+20, chamado “zero draft” (“minuta zero” em inglês), o qual será negociado em reuniões ao longo do primeiro semestre de 2012. Fonte: www.rio20.gov.br

| 21


Jornal Biomassa Br

22 |


Jornal Biomassa Br

NOTAS

Fundada em 1953 pelos irmãos Kurt Benecke e Henrich Benecke, na cidade de Timbó (SC), região do Vale Europeu, a Benecke Irmãos & Cia Ltda., surge como uma empresa dedicada à manutenção de máquinas e bombas para água. Ao longo de sua história, incorpora em sua linha de produção, máquinas direcionadas para a indústria da madeira, porém percebe a necessidade de buscar novos desafios e ingressa no mundo das caldeiras, o que a torna conhecida no Brasil e no exterior. Com uma área de 186.575 m², sendo 18.500 m² de área construída, a Benecke obtém importante performance no mercado nacional e internacional, exportando para países como: Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Peru, Equador, Venezuela, Costa Rica, Honduras, República Dominica, Congo (África), Guiné Bissau, Estados Unidos (Carolina do Norte), entre outros. Sempre atual e cada vez mais presente nos mercados onde atua, a Benecke tem orgulho de acompanhar o desenvolvimento global sustentado, por isso desenvolve até hoje uma série de programas que atestam, além dos rígidos padrões de seus produtos, uma conduta socioambiental modelo que contribuem para o crescimento de uma sociedade consciente e responsável com as futuras gerações. Seus produtos reforçam a estrutura produtiva de milhares de outras empresas que finalizam os produtos que todos consumimos diariamente. Incluem-se aí as Indústrias Madeireiras, Têxteis, Frigoríficas, Metalúrgicas e o forte setor agroindustrial. “Inovar sempre”, esta é uma prática que acompanha a história da Benecke desde a sua fundação, Por isso, com o objetivo de focar suas estratégias comerciais e comunicação com o mercado, à diretoria da empresa decide pela criação de duas Unidades de Negócio afim de centralizar suas atividades, direcionando a fabricação de caldeiras e seus periféricos para a Unidade Caldeiras e as máquinas na unidade Máquinas/equipamentos. Porque registrar uma marca ou patente? Generalizando, há dois tipos de empresários: aqueles que não vislumbram a necessidade do registro e aqueles que vislumbram a necessidade do registro, porém não percebem a sua real dimensão. Os primeiros não estão no todo equivocado, pois se sua marca tem “valor” menor do que o custo para o encaminhamento do registro não há porque se falar nele. Do contrário, desenvolver e promover uma marca sem registro é o mesmo que construir um castelo em área irregular. Existem, também, empresários que vislumbram a necessidade do registro de sua marca ou patente, porém os entendem somente pelo viés do medo ou da segurança, sempre em relação à proteção contra terceiros. Essa visão é demasiadamente pequena para o que representa os direitos de propriedade industrial para os negócios de qualquer empresa. A imaterialidade da propriedade industrial é fruto de atividade intelectual humana e seu resultado, marcas ou patentes, são considerados bens móveis para o nosso direito, ou seja, integram o patrimônio do titular, apresentando um caráter econômico, de fundo de

comércio, podendo ser locada, cedida, emprestada, vendida, dada como garantia bancária e utilizados como formador de capital social de qualquer empresa. Se sobre o ponto de vista do consumidor a marca constitui uma garantia de legitimidade e de origem, para os interesses dos titulares isto é secundário, a marca deve atender seus interesses privados, tanto de proteção quanto econômico. Além de que o direito de propriedade industrial é alicerçado no sistema atributivo, ou seja, “quem primeiro registra”; porém, sua exceção é o sistema declarativo, estipulando o direito de precedência para o usuário anterior de boa fé. Destarte, o investimento para com o simples encaminhamento do registro é infinitamente menor do que o dispêndio para ?brigar? caso sua marca seja registrada por terceiro. Em suma, por estas razões se faz necessário todo e qualquer registro de marcas e patentes, seja pelo ponto de vista do custo e benefício, pela proteção conferida ou mesmo pelo caráter econômico que só se alcança com o registro. Matéria Escrita por Anderson Leal - API. 1785

Registre a sua marca ou patente agora mesmo, Online Pela Internet! www.lealmarcasepatentes.com.br

| 23


Jornal Brasileiro das Indústrias de Biomassa Ed 03  

Jornal Brasileiro das Indústrias de Biomassa

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you