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JORNAL BIOMASSA BR Jornal Brasileiro das Indústrias de Biomassa

Ano: II

w w w . j o r n a l b i o m a s s a b r . c o m

Edição: 09

Circulação: Julho/Agosto de 2013

Recursos Renováveis representam cerca de 20% do suprimento total da energia no mundo...pág. 02

Brasil é referência mundial em Agroenergia...pág. 15 The World Bioenergy Association (WBA) – the global voice of bioenergy...pág. 13

Em prol da sustentabilidade, projeto da Universidade Federal de Viçosa valoriza a produção de energia por meio de briquetagem...pág. 08 Produtos próprios para queima em suspensão e biomassa para produção de pellets...pág. 16

As fontes renováveis de energia terão participação cada vez mais relevante na matriz energética global nas próximas décadas...pág. 20

Valorização dos recursos de matriz renovável, constitui um dos principais objetivos da política energética mundial...pág. 06 Foi inaugurada a primeira unidade móvel para processamentos de resíduos no Brasil...pág. 17


JORNAL BIOMASSA BR

Aproveitamento de resíduos para biomassa Por: Andreas Grauer e Mauricy Kawano - FIEP

A

través da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e transformam em energia química. Esta energia pode ser convertida em eletricidade, combustível ou calor. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energias usando este processo são chamadas de biomassa. Os combustíveis mais comuns da biomassa são os resíduos agrícolas, madeira e plantas como a cana-de-açúcar, que são colhidos com o objetivo de produzir energia. O lixo municipal pode ser convertido em combustível para o transporte, indústrias e mesmo residências.

culturas especialmente para esta atividade seria possível atender 30% do consumo. A produção de energia elétrica a partir da biomassa, atualmente é muito defendida como uma alternativa importante para países em desenvolvimento e também outros países. Programas nacionais começaram a ser desenvolvidos visando o incremento da efi ciência de sistemas para a combustão, gaseifi cação e pirólise da biomassa. Segundo pesquisadores, entre os programas nacionais bem sucedidos no mundo citam-se: • O PROÁLCOOL, Brasil

Os recursos renováveis representam cerca de 20% do suprimento total de energia no mundo, sendo 14% proveniente de biomassa e 6% de fonte hídrica. No Brasil, a proporção da energia total consumida é cerca de 35% de origem hídrica e 25% de origem em biomassa, signifi cando que os recursos renováveis suprem algo em torno de 2/3 dos requisitos energéticos do País. Em condições favoráveis a biomassa pode contribuir de maneira signifi cante para com a produção de energia elétrica. Pesquisadores estimam que com a recuperação de um terço dos resíduos disponíveis seria possível o atendimento de 10% do consumo elétrico mundial e que com um programa de plantio de 100 milhões de hectares de

• Aproveitamento de biogás na China • Aproveitamento de resíduos agrícolas na Grã-Bre tanha • Aproveitamento do bagaço de cana nas Ilhas Maurício • Coque vegetal no Brasil No Brasil cerca de 30% das necessidades energéticas são supridas pela biomassa sob a forma de: • Lenha para queima direta nas padarias e cerâmicas • Carvão vegetal para redução de ferro gusa em fornos siderúrgicos e combustível alternativo nas fábricas de cimento do norte e do nordeste • No sul do país queimam carvão mineral, álcool etílico ou álcool metílico para fi ns carburantes e para indústria química

EXPEDIENTE Editor: Tiago Fraga Jornalista Responsável: Ana Paula Maciel Soukef Mendes - MTB 9217/PR Comercial: Bianca Ramos, Douglas Garcia Supervisão: Eliane Oliveira Distribuição: Lucas Alexandre Edição de arte e produção: Vorus Design / Editora Prospere Ltda - 41 3233 4480 Apoio: Renabio – Rede Nacional para Biomassa e Energia Colunistas/Colaboradores: Prof. Dr. Laércio Couto – Presidente da Renabio e Membro permanente do conselho mundial de Bioenergia; Andreas Grauer;

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Mauricy Kawano; Elder Eloy – Eng. Florestal; Dimas Agostinho da Silva – Eng. Florestal; Ana Flávia Neves Mendes Castro; Angélica de Cássia Oliveira Carneiro; Renato Vinícius Oliveira Castro; Eng. Agenor Rohden; Elton Busarello; Pedro Ricardo – Eng. Ambiental; Heinz Kopetz – Presidente da WBA; Emanuele Graciosa Pereira. Distribuição Dirigida Empresas, associações, universidades, governos, assinantes, circulação em feiras e eventos dos setores de Biomassa, Florestas e Energias Renováveis, Canade-açúcar, Agronegócio, Biocombustíveis.

Versões . Impressa / eletrônica

Tiragem 9.000

Para reprodução parcial ou completa das informações do Jornal é obrigatória a fonte.

Site oficial w w w. j or na lbi omass abr. com

Contato: (42) 3025.7825 E-mail: contato@jornalbiomassabr.com comercial@biomassabr.com O Jornal Biomassa BR é uma publicação da


Jornal Biomassa Br • O bagaço de cana e outros resíduos combustíveis são utilizadio, o licor branco, para separar a celulose da matéria prima lenhosa, na dos para geração de vapor para produzir eletricidade, como etapa denominada digestão. nas usinas de açúcar e álcool, que não necessitam de outro Ainda podem ser citadas as agroindústrias que empregam este comcombustível, pelo contrário ainda sobra bagaço para indústria bustível em sistemas de cogeração, como é o caso de diversas unidades de celulose. de processamento de suco de laranja no Estado de São Paulo, que adoOutra forma de aproveitamento da biomassa é o Biogás que é uma tam tecnologias bastante similares as usinas de açúcar e álcool, utilizando fonte abundante, não poluidora e barata de energia. turbinas a vapor de contrapressão com tipicamente 21 bar e 280 °C como condições para o vapor vivo. Biomassa e Eletricidade A tabela 1 demonstra a situação de empreendimentos termelétricos no Brasil, classificando por fonte e situação. O bagaço de cana e o licor negro estão entre as fontes mais importantes, nos setores sucro-alcooleiro e de papel e celulose, respectivamente, além de diversos tipos de sistemas híbridos com combustíveis fósseis. O Plano Decenal de Expansão 2000/2009 confirmou o potencial técnico de co-geração nestes dois setores em 5.750 MW, com um potencial de mercado de pouco mais de 2.800 MW, em 2009. Os sistemas de cogeração, que permitem produzir simultaneamente energia elétrica e calor útil, configuram a tecnologia mais racional para a utilização de combustíveis. Este é o caso das indústrias sucro-alcooleira e de papel e celulose, que além de demandar potência elétrica e térmica, dispõem de combustíveis residuais que se integram de modo favorável ao processo de cogeração. A cogeração é usada em grande escala no mundo, inclusive com incentivos de governos e distribuidoras de energia.

Combustível Bagaço de cana Biomassa Biomassa e bagaço de cana Biomassa e óleo combustível Lenha picada Licor negro Licor negro e biomassa Lixo urbano Lixo Urbano e gás natural Óleo e biomassa Óleo diesel e biomassa Total

Potência (MW) 391,15 82,75 4 8,8 5,31 310,18 142,9 26,3 600 70,2 1633,59

Tabela 1 - Fonte: Aneel

A produção elétrica nas usinas de açúcar e álcool, em sistemas de cogeração que usam o bagaço de cana como combustível, é uma prática tradicional deste segmento, em todo o Mundo. O que diferencia seu uso é a eficiência com que o potencial do bagaço é aproveitado. No Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar, a cogeração nas usinas de açúcar e álcool também é uma prática tradicional, produzindo-se entre 20 a 30 kWh por tonelada de cana moída, como energia elétrica e mecânica, esta última usada no acionamento direto das moendas. Do mesmo modo que na indústria sucro-alcooleira, a produção de papel e celulose apresenta interessantes perspectivas para a produção combinada de energia elétrica e calor útil, tendo em vista suas relações de demanda de eletricidade e vapor de baixo-média pressão e a disponibilidade de combustíveis residuais de processo, como o licor negro e as cascas e resíduos de biomassa. A tecnologia de produção de celulose mais difundida no Brasil é o processo Kraft, que emprega uma solução de hidróxido de sódio/sulfito de só-

Pode-se ainda citar neste contexto o aproveitamento de resíduos sólidos urbanos gerados à taxa média diária de 1 kg per capita – cada vez mais problemática quanto à sua disposição final. A energia química da biomassa pode ser convertida em calor e daí em outras formas de energia: • Direta - através da combustão na fase sólida, sempre foi a mais utilizada • Indireta - quando através da pirólise, são produzidos gases e/ ou líquidos combustíveis. O processo de produção de um gás combustível a partir da biomassa é composto por três etapas: • Secagem - a secagem ou retirada da umidade pode ser feita quando a madeira é introduzida no gaseificador, aproveitando-se a temperatura ali existente, contudo a operação com madeira seca é mais eficiente • Pirólise ou carbonização - durante a etapa de pirólise formamse gases, vapor d\’água, vapor de alcatrão e carvão • Gaseificação - é liberada a energia necessária ao processo, pela combustão parcial dos produtos da pirólise. Assim, o processo de gaseificação da biomassa, como da madeira, consiste na sua transformação em um gás combustível, contendo proporções variáveis de monóxido de carbono, dióxido de carbono, hidrogênio, metano, vapor d’água e alcatrões. Esta composição do gás combustível depende de diversos fatores, tais como, tipo de gaseificador, introdução ou não de vapor d’água, e principalmente do conteúdo de umidade da madeira a ser gaseificada. Uma das propostas é criar conglomerados, que são grupos (vilas, moradores) ao redor de empresas que possam ser incentivados e treinados para o aproveitamento rentável dos resíduos, propiciando novas alternativas e novas fontes de renda. O conceito de resíduo para estas entidades é tudo o que se pode agregar valor, gerando uma nova cadeia produtiva, ao contrário de lixo que é todo o resíduo que não possui valor agregado. A intenção é criar uma agenda comum, além de mostrar que o lucro pode ser maximizado (para as indústrias) e que os danos podem ser minimizados (sociedade e meio ambiente). Atualmente o Brasil encontra-se em situação privilegiada no que se refere a suas fontes primárias de oferta de energia. Verifica-se que a maioria da energia consumida no país é proveniente de fontes renováveis de energia (hidroeletricidade, biomassa em forma de lenha e derivados da madeira, como serragem, carvão vegetal, derivados da cana-de-açúcar e outras mais). A utilização de biomassa para produção de energia, tanto elétrica como em forma de vapor, em caldeiras ou fornos já é uma realidade no Brasil. O uso da madeira para a geração de energia apresenta algumas vantagens e desvantagens, quando relacionadas com combustíveis à base de petróleo.

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Jornal Biomassa Br Vantagens: • Baixo custo de aquisição; • Não emite dióxido de enxofre; • As cinzas são menos agressivas ao meio ambiente que as provenientes de combustíveis fósseis; • Menor corrosão dos equipamentos (caldeiras, fornos); • Menor risco ambiental; • Recurso renovável; • Emissões não contribuem para o efeito estufa. Desvantagens: • Menor poder calorífico; • Maior possibilidade de geração de material particulado para a atmosfera. Isto significa maior custo de investimento para a caldeira e os equipamentos para remoção de material particulado; • Dificuldades no estoque e armazenamento. Existem algumas vantagens indiretas, como é o caso de madeireiras que utilizam os resíduos do processo de fabricação (serragem, cavacos e pedaços de madeira) para a própria produção de energia, reduzindo, desta maneira, o volume de resíduo do processo industrial. Algumas das desvantagens podem ser compensadas através de monitoramento de parâmetros do processo. Para o controle do processo de combustão deve ser monitorado o excesso de ar, CO e, para instalações de grande porte, também, deve existir o monitoramento da densidade colorimétrica da fumaça por um sistema on-line instalado na chaminé.

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Esses controles do processo de combustão são medidas para impedir a geração de poluentes e, assim chamadas indiretas. As Medidas Indiretas visam reduzir a geração e o impacto de poluentes sem aplicação de equipamentos de remoção. O uso de equipamentos de remoção é uma medida direta que visa remover aquela parte de poluentes impossíveis de remover com as medidas indiretas. Portanto, deve-se, sempre que possível, tentar implantar as medidas indiretas antes de aplicar as diretas.


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Densificação de resíduos de biomassa para fabricação de combustíveis Por: Elder Eloy, Engenheiro Florestal, Msc., Doutorando em Engenharia Florestal, Laboratório de Energia de Biomassa, Universidade Federal do Paraná (UFPR) - eloyelder@yahoo.com.br Dimas Agostinho da Silva, Engenheiro Florestal, Dr., Professor Coordenador do Laboratório de Energia de Biomassa, Universidade Federal do Paraná (UFPR) - dimass@ufpr.br

Atualmente, a discussão referente às formas alternativas de geração de energia apresenta-se de grande importância no cenário energético. O Brasil e o mundo encontram-se em crescente aumento populacional, ocasionando uma maior demanda e uso de produtos energéticos. A valorização destes recursos, particularmente os de matriz renovável, constitui um dos principais objetivos da política energética mundial, que busca minimizar a dependência energética de combustíveis fósseis e diminuir a emissão de poluentes. A produção e utilização da biomassa oriunda de diferentes fins é responsável pela geração de uma grande quantidade de resíduos. Esta geração de resíduos é uma característica intrínseca da cadeia produtiva florestal, que na maioria das vezes é depositado inadequadamente no ambiente, ocasionando a perda de matéria prima e energia, além de constituir um grande passivo ambiental. Para minimizar o desperdício e a pressão sobre o ambiente, pode-se realizar um melhor aproveitamento destes resíduos. Uma das formas é a densificação da biomassa, que no Brasil não é novidade. Existem fábricas de briquetes espalhadas pelo país, e diversos segmentos fazem o uso deste combustível, como em secadores, fornalhas, fornos e caldeiras a lenha nas indústrias para geração de calor. O briquete por ter rápida resposta de temperatura e uniformidade de combustão, tem aplicação no uso residencial, industrial e em estabelecimentos comercias. Os usos potenciais são em cerâmicas, panificadoras, pizzarias, olarias, churrascarias, lareiras e indústrias de alimentos e bebidas. Assim, essa alternativa possibilita um melhor aproveitamento como matéria prima na substituição da lenha por um material equivalente, à medida que apresenta menor teor

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de umidade, facilita o transporte, a manipulação, o armazenamento e maior densidade energética.

por uma rosca sem fim interna. O resíduo é

No processo industrial de fabricação dos briquetes, a briquetadeira é a máquina mais importante. Ela utiliza-se de um procedimento que consiste na aplicação de pressão e temperatura em determinada massa de resíduos lignocelulósicos (resíduos de madeira, serragem, maravalhas, casca de arroz, palha de milho, sabugo, bagaço de cana, resíduos de algodão, casca de café, entre outros) os quais são compactados, destruindo a elasticidade natural das fibras do briquete. O processo provoca a plastificação da lignina (a lignina plastifica a 85ºC), que atua como elemento aglomerante natural das partículas dos resíduos durante a compactação, justificando a não necessidade de adicionar produtos aglomerantes (resinas, ceras, dentre outros). Para que a formação do briquete tenha sucesso, é necessária apresente uma quantidade de umidade de 8 a 15%, e que o tamanho da partícula esteja entre 5 a 15 mm, e poder calorífico similar ao da madeira. Assim forma-se numa peça sólida cilíndrica com dimensão aproximada de 100 mm de diâmetro por 300 mm de comprimento.

extrusão, sendo briquetado em seguida pela

Existem basicamente três tipos de equipamentos ou princípios básicos de compactação de resíduos ligno-celulósicos utilizados na fabricação do briquete: 1 - Prensa extrusora de pistão mecânico - Neste tipo de equipamento a compactação acontece por meio de pressões exercidas sobre o resíduo por um pistão acionado por dois volantes. 2 - Prensa extrusora de rosca sem fim - A compactação neste equipamento se dá mediante força mecânica produzida

transferido para um desfragmentador que força a entrada do material na câmera de rosca sem fim. Apresenta excelentes resultados, é de fácil manutenção a de investimento favorável se comparado aos outros tipos de equipamentos. 3 - Prensa hidráulica - equipamento que usa um pistão acionado hidraulicamente. O material a ser compactado é alimentado lateralmente por uma rosca sem fim. Uma peça frontal ao embolo abre a expulsa o briquete quando se atinge a pressão desejada. Não é um processo extrusivo e a pressão aplicada geralmente é menor que em outros métodos, produzindo briquetes de menor densidade.

Briquetadeira B 95/210R - Extrusão de pistão mecânico (BIOMAX). Fonte: www.biomaxind.com.br


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Potencial de geração de energia a partir de resíduos da colheita florestal e da produção de carvão vegetal Por: Ana Flávia Neves Mendes Castro Angélica de Cássia Oliveira Carneiro Renato Vinícius Oliveira Castro

A utilização da biomassa para a geração de energia é um tema que tem apresentado muita relevância, principalmente por se tratar de um combustível renovável, perante às perspectivas de esgotamento das reservas mundiais de combustíveis fósseis e das pressões da sociedade por soluções ambientais para o problema das emissões de gases poluentes e das mudanças climáticas, como por suas características de produção descentralizada e próxima aos locais de demanda de carga, geradora de oportunidade de trabalho e renda no campo, dentre outros (MULLER et al., 2005). Dentre as fontes de biomassa utilizadas, a biomassa florestal apresenta grande destaque e pode ser diferenciada em três principais grupos: o material advindo da colheita florestal (ou resíduo da colheita), os resíduos gerados devido ao processamento da madeira e a madeira oriunda de florestas energéticas (SOUZA et al., 2012). O resíduo da colheita florestal é caracterizado pela presença de galhos, folhas, cascas e parte da madeira que não é aproveitada, como as ponteiras e os tocos que permanecem após o corte (CORTEZ et al., 2008; PINCELLI, 2011; SOUZA et al., 2012). No caso da produção de carvão vegetal, os resíduos sólidos gerados durante a transformação da madeira são os atiços e os finos. Nas florestas de Eucalyptus destinadas à produção de carvão vegetal não é comum realizar o descascamento da madeira, seja no campo ou no pátio, sendo a casca também utilizada como matéria prima do processo de carbonização. Entretanto, sabe-se que essa fração da biomassa de Eucalyptus se desprende da madeira com muita facilidade, e acaba se tornando um resíduo, uma vez que uma parte é perdida durante a movimentação das toras. Não se sabe corretamente qual a quantidade de casca que se transforma em resíduo, nem em qual etapa do processo esse resíduo é gerado, pois ainda não existem estudos que realizaram essa quantificação. Atualmente, no Brasil, os resíduos da colheita florestal são deixados no campo, onde ocorre a ciclagem dos nutrientes. Entretanto, é importante ressaltar que o resíduo florestal apresenta um grande potencial para a geração de energia térmica, elétrica ou ambas (co-geração) através de sua combustão direta ou incineração, além da produção de briquetes ou pellets para posterior combustão (WIECHETECK, 2009), o que nos mostra que o resíduo florestal pode deixar de ser tratado apenas como uma resíduo e pode se tornar uma matéria prima no processo de geração de energia, melhorando a renda dos produtores. Por se tratar de um assunto muito importante e de grande visibilidade, vem sendo desenvolvido um estudo que avalia o potencial de aproveitamento dos resíduos da colheita florestal e da carbonização para a geração de energia elétrica, em uma parceria entre a Universidade Federal de Viçosa, no Laboratório de Painéis e Energia

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da Madeira – LAPEM, com a ArcelorMittal BioFlorestas e CEMIG. Esse trabalho avaliou um povoamento de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, com espaçamento inicial de 3,0 x 2,5m, aos 80 meses, implantado no município de Martinho Campos – MG. Foi determinado o estoque de biomassa total acima do solo para o povoamento avaliado, que foi de 145,99 t.ha-1, sendo que 6,34 t.ha-1 dessa biomassa são deixados no campo como resíduo, considerando as folhas, os galhos e a ponteira (madeira com diâmetro inferior a 3 cm), o que representa 4,34% da biomassa estimada por hectare. Já a estimativa da biomassa potencial para ser enfornada para a carbonização foi de 136,89 t.ha-1, considerando-se que toda a madeira e toda a casca podem ser utilizadas. Tabela 1 - Estimativa de estoque de biomassa média por árvores e por hectare total e nos compartimentos das árvores (folhas, galhos, casca, ponteira, madeira). Estimativa

Folhas Galhos Casca Ponteira* Madeira

Total

Biomassa (kg.árvore )

1,92

2,43

8,00

0,39

96,45

109,19

Biomassa (t.ha-1)

2,57

3,25

10,69

0,52

128,95

145,99

0,35%

88,33%

100,00%

-1

Biomassa (%)

1,76% 2,23% 7,32%

* Madeira com diâmetro inferior a 3cm.

A perda de casca total foi de 25,7% (2,75 t.ha-1) e a etapa em que ocorreu a maior perda de casca foi a de maior movimentação das toras, ou seja, na etapa que compreende o corte, derrubada, extração, empilhamento e secagem das toras nas margens do talhão. Estima-se que aproximadamente 74% da casca é enfornada para a conversão em carvão vegetal. Observou-se um alto rendimento gravimétrico em carvão vegetal (38%), apresentando produção de biomassa de 53,29 t.ha-1 de carvão vegetal, 7,21 t.ha-1 de atiços e 12,61 t.ha-1 de finos. Algumas propriedades dos resíduos foram determinadas para avaliar o potencial desse material para a geração de energia elétrica. Na Tabela 2 e na Figura 1 estão apresentados alguns desses resultados. Tabela 2 - Valores médios, observados para densidade básica, poder calorífico superior e análise química imediata da madeira, da casca, dos galhos e das folhas. Componentes da árvore Madeira Casca Galho Folha

Densidade Básica (kg.m-3) 517,8 330,6 -

PCS (kcal.kg-1) 4588 4400 4688 5082


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Jornal Biomassa Br Figura 1 - Densidade a granel e poder calorífico superior do carvão vegetal, atiço e finos de carvão. Com base nos resultados é possível verificar que os resíduos apresentam potencial para geração de energia, entretanto, é preciso ainda realizar analise econômica para determinar a viabilidade dessa atividade, identificar os possíveis gargalos e propor soluções para que a utilização desses resíduos seja viável. Referências Bibliográficas CORTEZ, L. A. B.; LORA, E. E. S.; GÓMEZ, E. O. Biomassa para energia. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2008. MULLER, M. D.; COUTO, L.; NEVES, J. C. L. Produção de biomassa e balanço nutricional de plantações de eucalipto clonal em diferentes densidades de plantio no município de Itamarandiba – MG. Biomassa & Energia, v. 2, n. 2, p. 91-101, 2005. RAMOS e PAULA, L. E.; TRUGILHO, P. F.; NAPOLI, A.; BIANCHI, M. L. Characterization of residues from plant biomass for use in energy generation. Cerne, v. 17, n. 2, p. 237-246, 2011. SOUZA, M. M., SILVA, D. A., ROCHADELLI, R., SANTOS, R. C. Estimativa de poder calorífico e caracterização para uso energético de resíduo da colheita e do processamento de Pinus taeda. Floresta, v. 42, n. 2, p. 325 - 334, 2012. VALE, A. T.; GENTIL, L.V. Produção e uso energético de biomassa e resíduos a agroflorestais. In: OLIVEIRA, J. T. S.; FIEDLER, N. C.; NOGUEIRA, M. (Ed.). Tecnologias aplicadas ao setor madeireiro III. Jerônimo Monteiro – ES: 2008. p. 196-246. WIECHETECK, M. Aproveitamento de resíduos e subprodutos florestais, alternativas tecnológicas e propostas de políticas ao uso de resíduos florestais para fins energéticos. Boletim técnico, Curitiba, 40 p. 2009.

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Caracterização energética de espécies vegetais

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Por: Emanuele Graciosa Pereira - Rede Nacional de Biomassa para Energia Laércio Couto - University of Toronto

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uso de energias renováveis é uma tendência mundial, cada vez mais difundida, principalmente por razões ambientais e econômicas. Das diversas formas existentes, a biomassa tem grande destaque, devido sua alta capacidade produtiva e versatilidade de aplicação. O Brasil reúne condições agrícolas e econômicas ideais para desenvolver e se beneficiar das tecnologias de utilização de biomassas para fins energéticos, por ser privilegiado em termos de extensão territorial, radiação solar e recursos hídricos, fatores essenciais para produção de biomassa em grande escala. A utilização da madeira para fins energéticos tem efeitos ambientais nocivos muito menores se comparado com a utilização de combustíveis fósseis, decorrente do baixo

teor de enxofre presente na madeira, visto que o enxofre e as cinzas são comumente considerados as principais impurezas dos combustíveis. O potencial energético de uma biomassa vegetal é avaliado a partir de seu poder calorífico, seguido de uma análise química imediata quanto aos teores de materiais voláteis, cinzas e carbono fixo presentes na biomassa e no carvão vegetal. A qualidade da biomassa está diretamente relacionada com a quantidade de energia gerada na combustão desta, também conhecido como poder calorífico. O poder calorífico pode ser expresso em poder calorífico superior (PCS) e poder calorífico inferior (PCI). O método de medição do poder calo-

rífico baseia-se, no balanço de energia, na combustão completa da amostra, em geral com oxigênio puro, a volume constante, e na transferência de calor para a água do calorímetro. A diferenciação entre o poder calorífico superior (PCS) e o inferior (PCI) resulta da consideração do estado final da mistura de gases de combustão e do vapor d´água que se forma na queima de substâncias hidrogenadas. Se o estado de equilíbrio térmico dos produtos da combustão com a água do calorímetro ocorre sem a condensação do vapor d´água, o poder calorífico medido é o inferior; se o vapor se condensa e a mistura é resfriada à temperatura inicial (geralmente a do ambiente, tomada como 25°C), maior quantidade de calor é cedida ao calorímetro e o resultado é o poder calorífico superior.

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Jornal Biomassa Br Na Tabela 1 estão apresentados os valores de poder calorífico superior e inferior para diversas espécies vegetais. Tabela 1. Poder calorífico superior e inferior de espécies vegetais Nome Científico

Piptadenia gonoacantha Leucaena leucocephala Bauhinia purpurea Hibiscus tilliaceus Pseudopiptadenia contorta Anadenanthera peregrina Mimosa caesalpiniaefolia Bambusa vulgaris Phyllostachys aurea Mangifera indica Ficus benjamina

Nome Comum

Jacaré Leucena Unha de vaca Hibisco Angico Branco Angico Vermelho Sansão do Campo Bambú Bambú japonês Manga Ficus

Poder Calorífico Superior (Kcal/Kg)

Poder Calorífico Inferior (Kcal/Kg)

4642 4544

4318 4220

4596

4272

4738

4414

4529

4205

4620

4296

4577

4253

4566

A análise química imediata das espécies vegetais estudadas pode ser visualizada na Tabela 2. Tabela 2. Análise química imediata Voláteis (%)

Cinzas (%)

Carbono Fixo (%)

4242

Jacaré Leucena Unha de vaca Hibisco Angico Branco Angico Vermelho Sansão do Campo Bambusa Vulgaris

84,45 87,82 80,36 84,90 86,65 88,46 89,00 89,54

2,70 2,81 2,63 2,38 2,22 1,98 1,06 1,36

12,85 9,37 17,01 12,71 11,13 9,56 9,94 9,11

4515

4291

Bambú japonês

88,57

1,87

9,57

4596 4640

4272 4316

Manga Ficus

86,44 82,35

1,84 2,59

11,72 15,05

Segundo Quirino et al. (2004), o conhecimento da composição química da biomassa é um fator importante para a avaliação do rendimento energético de um processo de combustão da madeira e de outros materiais lignocelulósicos que dependem também da sua

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composição química, devendo-se ressaltar que os teores de materiais voláteis, cinzas e carbono fixo variam com a espécie, sendo eles de grande importância para a escolha adequada da biomassa a ser utilizada para fins energéticos, por apresentarem comportamento específico durante a combustão do material.

Amostra

Referências bibliográficas QUIRINO, W. F.; VALE, A. T.; ANDRADE, A. P. A.; ABREU, V. L. S.; AZEVEDO, A. C. S. Poder calorífico da madeira e de resíduos lignocelulósicos. Biomassa & Energia, v.1, n.2, p.173-182, 2004.


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The World Bioenergy Association (WBA) – the global voice of bioenergy. Starting point: The global transformation of the energy system is one of the big challenges of the first half of this century, because the existing system based mainly on fossil fuels is the main reason for global warming and thus threatens the living conditions of the generations to come; in addition fossil fuels are getting more and moe expensive, they reach its limits in terms of availability of cheap resources. At present bioenergy is the most important renewable energy source. Biomass will also have to play an important role in a future sustainable energy system. Biomass is stored solar energy and hence the only renewable energy source without the problem of energy storage. The rapid deployment of all Renewable Energy Resources, especially Biomass is the best strategy to fight global warming, to secure the future

energy supply and to create new jobs world wide. The konwledge about the importance and possibilities of bioenergy is not well spread. This was one ot the reasons for the foundation of WBA in the year 2008. The mission of WBA Together with our members • WBA works for an increased use of biomass in the global energy system in the markets for heat,electricity and biofuels • WBA follows the principles of sustainable, efficient and economic biomass development • WBA influences and informs the public opinion in favor of sustainable biomass solutions wordwide and in particular

countries • WBA cooperates with global institutions such as UNEP, UNFCCC, IEA, IRENA, REN Alliance, REN 21, FAO towards the target 100% Renewables. Scope and working methods of WBA WBA sees itself as the global voice of Bioenergy Our purpose is to promote the increasing utilisation of bioenergy in an efficient, sustainable, economic and environmentally friendly way. WBA deals with all kinds of bioenergy applications based on liquid, gaseous and solid biofuels. Our working methods: we facilitate the exchange of experiences, we inform the public about the possibilities of bioenergy by the publication of fact sheets, contact to governments and international associa-

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JORNAL BIOMASSA BR tions, by writing position papers, articles, press releases, by presenting lectures at conferences, workshops, By participating in projects, making bioenergy more visible and by improving the statistical data base for bioenergy. Membership and Organisational Elements Membership: WBA has three forms of members: full members (Biomass Associations) associated members (Companies, agencies, research institutes) and Individuals. Organisational elements: the General Assembly, the Steering Committee, the Board and the President. The board is formed by 22 members coming from all parts of the World. President

2008 -2012: Kent Nystrom, Sweden 2012 - Heinz Kopetz, Austria

Vicepresidents 2012 - Judith Wakhungu, Kenya Andrew Lang, Australia

Douglas Bradley, Canada

Office: Stockholm, Sweden

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Financing: Members, Sponsors, Governments, Projects WBA – a growing organization WBA is growing and tries to further increase the number of its members worldwide to become a stronger voice in favor of bioenergy as an important pillar of the future sustainable energy system.

b. you go to the WBA website click join today and follow the further steps! Applications for membership are submitted to the board. The Board reserves the right to admit or refuse an application for membership or the proposed fee. Join the global voice of bioenergy, join WBA!

The membership fee: Full members (bioenergy associations) between 300 and 5000 Euro/year depending on the size of the association Associated members (companies) also between 300 and 5000 Euro/year depending on the size of the company.

Heinz Kopetz President of WBA

The fee will be set in cooperation between the member and the offi ce of WBA.association Fee for Individual members: the annual fee is 50 Euro. How to join: a. you write to our offi ce E: karin. haara@worldbioenergy.org that you want to join and you get the application form and further information or.

World Bioenergy Association (WBA) Heinz Kopetz, President Holländargatan 17, SE 111 60 Stockholm, Sweden - Tel: +46 (0)8 4417080 Go to: www.worldbioenergy.org info@worldbioenergy.org


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Agroenergia: país é referência mundial

Jornal Biomassa Br

Brasil é referência na produção de agroenergia. Programas como os do etanol e do biodiesel atraem a atenção do mundo por ofertar alternativas econômica e ecologicamente viáveis à substituição dos combustíveis fósseis. Menos poluente e mais barata, a geração de energia com o uso de produtos agrícolas representa a segunda principal fonte de energia primária do País. O consumo do álcool supera o da gasolina e o biodiesel já conta com participação relevante na matriz de combustíveis no País em mistura obrigatória com a gasolina.

O investimento em pesquisa é a base para o desenvolvimento de tecnologias de produção agrícola, permitindo a identificação de plantas mais aptas, sistemas de produção mais eficientes e regiões com potencial. O Plano Nacional de Agroenergia sistematiza as estratégias e ações para organizar e desenvolver propostas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia. O objetivo é garantir sustentabilidade e competitividade para as cadeias produtivas da agroenergia.

No âmbito do Ministério da Agricultura, o Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia (DCAA), ligado à Secretaria de Produção e Agroenergia (Spae), planeja e promove ações que mobilizem a sociedade e Estado no sentido de reduzir o uso de combustíveis fósseis, a ampliação da produção e do consumo de biocombustíveis, a proteção do meio ambiente, maior participação no mercado internacional e a contribuição para a inclusão social.

Para orientar o mercado, o DCAA dispõe de dados atualizados mensalmente das cotações de preços, da produção e do mercado internacional. Com esses instrumentos e a participação da sociedade, tem-se assegurado resultados no aumento da oferta de produtos agroenergéticos, na desconcentração espacial da produção e na liderança mundial na produção de biocombustíveis.

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JORNAL BIOMASSA BR

Inovação na produção de cavacos e trituração de palha

Produtos próprios para queima em suspensão e biomassa para produção de pellets Por: Elton Busarello (Responsável pelos negócios de biomassa da Komatsu Forest no Brasil).

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om as novas centrais de biomassa em construção nos EUA e o crescimento nas exportações de pellets para o mercado Europeu, que visam ajudar a cumprir a meta estabelecida pela União Europeia de que 20% da energia gerada no bloco seja proveniente de fontes renováveis até 2020. A Morbark atenta a esta nova tendência de mercado desenvolveu duas tecnologias exclusivas e inovadoras para uma produção de baixo custo.

Trituradores para produção de Fuel chips e Mulch

O mercado brasileiro um dos principais em nível mundial, aguardava por soluções para o abastecimento de caldeiras que queimam resíduos por suspensão, e agora são atendidos por estas novas tecnologias. Além dessas possibilidades, pode-se produzir a serragem que é própria para o processo da peletização, somente necessitando de secagem e peneiramento. Picadores de tambor para produção de Microchips

Com o sistema Quick Switch (Troca Rápida) é possível converter o triturador de martelos em um picador de facas para toras, sem tirar o rotor do equipamento, produzindo biomassa de alta qualidade, serragem ou cavacos para queima em caldeiras. A conversão é efetuada sem ferramentas especiais ou equipamentos pesados, praticamente dobrando as oportunidades de mercado, com um único triturador. Operando com martelos para o corte o equipamento é aplicado para trituração de várias biomassas, próprios para biomassa com contaminantes. Tritura também com muita efi ciência fardos de palha de cana-de-açúcar. Uma parceria de sucesso para o Brasil

A Morbark acaba de anunciar a nova versão do picador de tambor, destinado a toras e resíduos. O novo projeto é o que há de mais moderno para a produção de microchips. O modelo conta com tambor de alto desempenho "Advantage 3" o que melhorou signifi cativamente a qualidade dos cavacos. Um tambor com 16 facas para reduzir o tamanho dos cavacos e acelerador de cavaco que otimiza o carregamento das cargas para o transporte.

O impulso para a inovação em todos os aspectos de negócios da Morbark mantém sua avançada tecnologia sempre na vanguarda. Com visão voltada para o futuro a empresa tem concentrado seus esforços em novos e emergentes mercados como o de energia renovável a partir de biomassa. Sobre a Komatsu Forest:

Capazes de produzir um produto mais homogêneo, que produz entre 95 a 98% de microchips aceitáveis no processo da peletização.

Com sede na cidade de Pinhais (PR) e mais nove fi liais em todo território nacional, a Komatsu Forest oferece aos seus parceiros e clientes uma rápida assistência técnica também como agilidade na reposição de peças. Todas fi liais possuem além de grandes estoques de peças de reposição, técnicos altamente qualifi cados e treinados que dão total segurança na escolha pela marca Morbark.

Em testes conduzidos por clientes, entre 95 a 98% dos microchips produzidos passaram por uma peneira de 1/2", e de 72 a 74% por uma peneira de 1/4". Estes microchips são utilizados nas usinas de pellets, podendo também ser utilizados para queima em suspensão de caldeira para geração de vapor e energia.

A Komatsu Forest é o revendedor exclusivo Morbark no Brasil. A marca Morbark é sinônimo de qualidade, carregando o conceito de melhores do mundo. A combinação Komatsu Forest e Morbark trazem para o Brasil um novo conceito em equipamentos para trituração dos mais diversos tipos de resíduos.

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Jornal Biomassa Br

Primeira UNIDADE MÓVEL para processamento de resíduo no Brasil Foi realizada uma palestra no 1ª semestre de 2013, no Rotary Clube em Lagarto, onde o Núcleo Tecno-Ambiental Railton Faz apresentou na pessoa do inventor e empresário Sr. Railton Faz mais um de seus projetos através de um vídeo, onde mostrou a importância da carbonização dos resíduos industriais e urbanos, o uso do carvão para o abastecimento de uma Termoelétrica, gerando energia de até 1 Megawatt-hora, capacidade para atender até 10 mil famílias. O Sr. Railton convidou o público ali presente para fazer uma visita técnica à primeira unidade móvel para processamento de resíduo no Brasil, e logo após concedeu uma entrevista ao jornalista Ademir Henrique da Web Rádio Alternativa. Empresário e técnico industrial, José Railton Souza de Lima nasceu no dia 18 de setembro de 1965, em Paripiranga, município da Bahia. Filho mais novo de Elisabete Souza de Lima e Raimundo Correia de Lima. Família de origem humilde, que em busca de melhores de condições de trabalho seguem

para a região de Lagarto, Sergipe. Suas mais recentes experiências são no desenvolvimento de equipamentos na área ambiental. Baseado nisso, foi convidado para apresentar um equipamento na II Feira Catarinense de Inventores em Florianópolis/ SC, em 2004. Ganhou o prêmio na III Feira Catarinense, como segundo melhor invento com a tecnologia RAITEC, em 2005. Em 2009, ganhou o prêmio de QUALIDADE DE EXPORTAÇÃO. Em 2011, o GREENBEST com a tecnologia que visa produzir energia limpa utilizando o lixo urbano como matriz energética, além de solucionar um dos mais graves problemas ambientais do planeta, que é o acúmulo do lixo em aterros e lixões. Recentemente, apresentou a presente tecnologia em forma de artigo científico, na XXXI ENEGEP – Encontro Nacional de Engenharia de Pro-

dução, realizado em Belo Horizonte. Foi presidente da comissão de projetos da fundação rotaria e governador assistente do distrito 4390 – 2011/2012. Atualmente, é presidente da comissão de projetos e serviços do Distrito 4390, ano rotário 2012/2013.

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Jornal Biomassa Br

TRATAMENTO DE EFLUENTES DE VINÍCOLAS

Novas técnicas de tratamento de efluentes Por: Eng. Ambiental Pedro Ricardo

aos wetlands naturais, porém projetados pelo homem, que atuam como filtros biológicos promovendo o tratamento de efluentes industriais ou esgotos domésticos. O sistema de wetland construído é um tratamento terciário, ou seja, é empregado como polimento final na remoção de nutrientes após o tratamento convencional na estação de tratamento.

Qualidade e eficiência são características do tratamento de efluentes por meio do sistema de wetland construído. Esta tecnologia é adotada pela empresa Tempus Soluções Ambientais e Topográficas, localizada no município de Dois Lajeados/RS, no tratamento de efluentes de vinícolas. Wetland, palavra da língua inglesa que traduzida significa 'área úmida', nada mais é do que um solo saturado em umidade que pode contar com a presença de plantas aquáticas e animais. Brejos, banhados e pântanos são exemplos naturais desse sistema, rico em biodiversidade. Já os wetlands construídos são artifícios semelhantes

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Os wetlands construídos também são habitados por plantas, animais, insetos e inúmeros microorganismos, o que contribui para manutenção da biodiversidade biológica. Além disso, podem ser constituídos também por meios filtrantes como brita ou areia, o que facilita a aderência das plantas bem como o processo de tratamento. É através de sistemas biológicos envolvendo especialmente populações de microrganismos que se desenvolvem na zona das raízes das plantas e no meio filtrante que ocorre o tratamento dos efluentes. Nesse sentido, essa é umas das tecnologias mais promissoras dentre os sistemas naturais de tratamento de efluentes, utilizada devido às suas características de simplicidade de construção, operação e manutenção, estabilidade dos processos envolvidos e o custo efetivo.

A empresa Tempus Soluções Ambientais e Topográficas, em parceria com a Vinícola Gheller LTDA, foram pioneiras na implantação do sistema na região. Na Vinícola Gheller, o wetland instalado já opera desde a safra 2010/2011, não ocorrendo desde então o lançamento de efluentes em corpos hídricos, já que todo ele é evapotranspirado. Através do processo físico da evaporação e químico biológico da transpiração. O sistema já implantado também na vinícola Basso vinhos e espumantes de Farroupilha/RS, na vinícola Intervin de Maringá/ PR, na Avícola Pato Branco de Pato Branco/PR e em fase de construção na empresas Natuovos em Salvador do Sul/RS. Neste contexto onde buscamos decifrar ao conceito da palavra “Sustentabilidade” o sistema wetlands construídos nos traduz o conceito, pois produzimos sem agredir o ambiente numa interação entre meio físico, químico e biológico, sendo este é o caminho para empreendimentos autossustentáveis. Conheça mais sobre o trabalho realizado pela Tempus através do site www.tempusconsultoria.com ou ligue (54) 3471-1165.


Jornal Biomassa Br Expobioenergia 2013

A 8ª edição da Feira Internacional especializada em Bioenergia, é um dos eventos mais importantes em nível internacional. O evento que acontece em Valladolid / Espanha nos días 22 a 24 de outubro de 2013. Reúne empresas e empresários do mundo inteiro. O êxito conseguido em edições anteriores fizeram da Expobioenergia um ponto de encontro único do setor de Bioenergia é uma referência internacional. A Expobioenergia se consolidou no setor com uma vitrine única para expositores e visitantes.O Portal Biomassa BR e Jornal Brasileiro das indústrias de Biomassa estarão participando do evento com stand.

A Câmara de Comércio Brasil-China com sede em Curitiba no Paraná, presidida pelo Sr. Chiu Cheng Yen, fundada em 1992, tem desenvolvido inúmeras oportunidades de negócios para a iniciativa pública e privada dos dois países, sendo um ponto de intermediação de negócios brasileiros e chineses. Tendo em vista o advento da globalização e a crescente necessidade de integração entre as economias, a CCBC tem auxiliado no desenvolvimento contínuo das relações entre o Brasil e a China, fortalecendo o intercâmbio comercial e defendendo interesses econômicos. Com o foco na aproximação da China e do Brasil através do intercâmbio comercial, a CCBC procura auxiliar na obtenção dos objetivos de médio e longo prazo das empresas brasileiras e chinesas que buscam a internacionalização dos bens e/ou serviços prestados. Conheça as vantagens de se tornar associado da Câmara de Comércio Brasil - China: Acesse: www.camaracomerciobrasilchina.org.br Contato e endereço: Rua João Zaniolo, 65 Rebouças - Curitiba - Paraná - Brasil CEP 80.220-230 Tel.: +55 (41) 3333-8228

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ARTIGO

JORNAL BIOMASSA BR

Brasil é destaque no cenário energético mundial com matriz renovável As fontes renováveis de energia terão participação cada vez mais relevante na matriz energética global nas próximas décadas. A crescente preocupação com as questões ambientais e o consenso mundial sobre a promoção do desenvolvimento em bases sustentáveis vêm estimulando a realização de pesquisas de desenvolvimento tecnológico que vislumbram a incorporação dos efeitos da aprendizagem e a conseqüente redução dos custos de geração dessas tecnologias. O debate sobre o aumento da segurança no fornecimento de energia, impulsionado pelos efeitos de ordem ambiental e social da redução da dependência de combustíveis fósseis, contribui para o interesse mundial por soluções sustentáveis por meio da geração de energia oriunda de fontes limpas e renováveis. Nessa agenda, o Brasil ocupa posição destacada em função da sua liderança nas principais frentes de negociação e da signifi cativa participação das fontes renováveis na sua matriz energética. O Brasil apresenta situação privilegiada em termos de utilização de fontes renováveis de energia. No país, 43,9% da Oferta Interna de Energia (OIE) é renovável, enquanto a

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média mundial é de 14% e nos países desenvolvidos, de apenas 6%. A OIE, também denominada de matriz energética, representa toda a energia disponibilizada para ser transformada, distribuída e consumida nos processos produtivos do País. O desenvolvimento dessas fontes ingressa em uma nova etapa no país com a implantação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA), criado no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME) pela Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, e revisado pela Lei nº 10.762, de 11 de novembro de 2003. A iniciativa, de caráter estrutural, vai alavancar os ganhos de escala, a aprendizagem tecnológica, a competitividade industrial nos mercados interno e externo e, sobretudo, a identifi cação e a apropriação dos benefícios técnicos, ambientais e socioeconômicos na defi nição da competitividade econômico-

-energética de projetos de geração que utilizem fontes limpas e sustentáveis. O PROINFA contempla o Sistema Interligado Nacional (SIN) * Fonte: MME Potencial de Geração. *


NATURAL PLANT NUTRITION

Jornal Biomassa Br

Indústria e Comércio de Fertilizantes Ltda. A Natural Plant Nutrition Indústria de Fertilizantes com sua nova linha de produtos orgânicos e organo-mineral está em plena consonância com a quarta e última revolução industrial baseada no desenvolvimento sustentável. Inseridos neste novo processo de transformação estão elementos-chave que, combinados, acabam por definir um produto revolucionário, uma referência a ser seguida utilizando minerais e mais a transformação dos recursos naturais. A forte demanda por fertilizantes com baixo custo e de alta eficiência é o grande sonho do agronegócio, sobremaneira se o produto além de garantir os resultados esperados na cultura, a fertilização organo-mineral é um condicionador de solo, auxiliando na manutenção e na qualidade do solo, garantindo a preservação das características naturais dos nutrientes, dos corretivos e demais elementos que o compõem. Nossa tecnologia é ampla, pois além de biodegradar resíduos, entendida como transformação de material orgânico em matéria orgânica mineralizada, possui também a função de solubilizar minerais, ou seja, disponibilizar macros e micronutrientes para as plantas, tais como: fósforo, potássio, nitrogênio orgânico, carbono orgânico, boro, zinco, molibdênio etc. mais o enriquecimento de minerais nobres. Tanto

para o aumento da produtividade das cultura como para a expansão da fronteira agrícola no Brasil, o papel dos fertilizantes orgânicos e organo-mineral tem sido comprovado cientificamente pelos centros de pesquisa, universidades, empresas públicas e privadas e pelos próprios agricultores. Atualmente os investimentos são orientados pelo tripé da sustentabilidade: ambiental, econômico e social (Gro Harlen Brutdland) das inovações científicas norteadas pelo aspecto institucional responsável objetivando a proteção dos recursos naturais para atender as necessidades da humanidade atual e futura. O solo é um organismo vivo, e como tal se não for devidamente cuidado tende a envelhecer com muita rapidez. A degradação do solo já é conhecida no Brasil, tanto pelo desmatamento descontrolado, como pela exploração intensiva (Nutrientes que saem pela porteira na forma de commodities), o que faz com que a cada ano seja necessário aumentar mais e mais a quantidade de fertilizantes químicos nas lavouras de todo o mundo para, em muitos casos, se alcançar a manutenção da produtividade. Essa não é uma preocupação recente. Vejamos: “A perda da fertilidade em muitos países em desenvolvimento constitui-se em

uma ameaça imediata à produção de alimentos e poderia resultar numa catástrofe não menos séria do que outras formas de degradação ambiental”. “Solos agrícolas perdem sua fertilidade pela remoção dos nutrientes e, em alguns casos, pelo esgotamento desses, uma ameaça real e imediata à segurança alimentar, à vida e à subsistência de milhões de pessoas. A perda da fertilidade diminui a produtividade e afeta a capacidade de retenção de umidade, levando a uma maior vulnerabilidade à seca.” (FAO – nota de imprensa, Abril de 1990). Para satisfazer as necessidades do homem é inevitável a geração de resíduos, que na maioria das vezes se constituem em verdadeiros passivos ambientais. Portanto, o nosso real desafio é promover o desenvolvimento econômico e social sem agredir o planeta Terra.. Inequivocamente, uma das questões mais desafiadoras enfrentadas pela atual sociedade é como destinar os resíduos orgânicos provindos dos rejeitos industriais e domésticos, usualmente denominado de passivo ambiental (lixo). Tel. contato: 54 3471 1165 End. RS 129, Km 110, Bairro Rodoviário – CEP 99220-000 - Dois Lajeados-RS

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Jornal Biomassa Br

Cadeia Energética da Madeira no Brasil

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madeira é uma importante fonte de energia no Brasil, origem de mais de 10% da energia primária utilizada pelo país. É, também, a forma de energia menos compreendida e que tem um potencial de grandes ganhos no futuro próximo. A maior parte dessa energia se destina a um uso industrial, nas fábricas de papel e celulose, cerâmica, gesso e ferro gusa. Com a exceção da indústria de papel e celulose, a cadeia de transformações e usos energéticos da madeira no Brasil se caracteriza pela baixa eficiência. A maior parte dos combustíveis tem origem extrativa com o emprego de tecnologias primitivas, dificultando o aumento da produção em bases renováveis. As fábricas de gusa que produzem o carvão com madeira plantada raramente aproveitam os gases e voláteis coproduzidos no carvoejamento pela inexistência de um mercado organizado para esses biocombustíveis. Os combustíveis da cadeia são as únicas formas de energia produzidas, transportadas e comercializadas no Brasil à margem de qualquer regulamentação energética. Uma organização mínima e a existência de uma política energética para a cadeia da madeira aumentariam a eficiência gerando mais receita para o mesmo insumo, reduzindo preços, melhorando a qualidade dos combustíveis e asfixiando economicamente a informalidade e o recurso ao desmatamento. Em 2005 a Política Energética Nacional – PEN deu um passo importante nesse sentido quando ampliou o escopo da ANP para que a agência, criada originalmente para regulamentar o petróleo, regulasse também “a produção, importação, exportação, transferência, transporte, armazenagem, comercialização, distribuição, avaliação de conformidade e certificação de qualidade de biocombustíveis”. O que parecia um avanço frustrou-se em setembro de 2011 quando o conceito de biocombustível, universalmente entendido como “combustível derivado de biomassa renovável” foi definido (XXIV, Art. 2 da PNE na versão atual) da seguinte forma: “(...) substância derivada de biomassa renovável, tal como biodiesel, etanol e outras substâncias estabelecidas em regulamento da ANP, que pode ser empregada diretamente ou mediante alterações em motores a combustão interna ou para outro tipo de geração de energia, podendo substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil;” O texto exclui, na prática, os combustíveis da cadeia da madeira. Isto reflete preconceito dos que associam o seu uso intensivo a subdesenvolvimento, pois sendo de fácil obtenção e uso com tecnologias simples, atendem as necessidades de populações pobres. Essa visão embute a perspectiva de economias avançadas das regiões temperadas onde a baixa produtividade florestal inviabiliza seu uso vis-à-vis os combustíveis fósseis e pouco se investiu para aperfeiçoar essa cadeia. Explica também porque os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para essa fonte renovável são mínimos no Brasil quando se considera a sua importância na matriz energética e a produtividade das biomassas em geral. O preconceito não tem mais razão de ser. Na Europa, a busca de alternativa aos combustíveis fósseis aumentou o uso de densificados, resíduos de madeira industrial e florestal comprimidos sob a forma de “pellets” (pequenos cilindros), com queima limpa, preço competitivo e grande vantagem

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ambiental sobre os combustíveis fósseis. Apesar de ter metade da densidade energética do óleo combustível, o densificado é usado para substituí-lo nos usos urbanos. Mais recentemente ajuda a reduzir a emissão de CO2 em termelétricas onde substitui até 30% do carvão mineral (“co-firing”). O consumo de pellets na Europa pulou de meio para treze milhões de toneladas na primeira década, do século, um crescimento anual explosivo de 38%. Mais de 20% dos pellets são importados dos EUA e do Canadá. Em 2010 foram estabelecidos normas e padrões internacionais para o biocombustível que vai se tornando uma importante “commodity energética” que movimenta em torno de dois bilhões de euros naquele continente. Com isso, é possível otimizar os processos de produção e dos bicombustíveis densificados. Essa evolução desperta o interesse pelo “torrefado”, um derivado sólido obtido aquecendo os resíduos a 250°C na ausência de oxigênio. Com densidade energética superior à dos pellets de condensados e próxima à do carvão mineral, esse biocombustível pode ser estocado por longos períodos sendo mais apropriado ao transporte e à formação de estoques. Empresas elétricas norte-americanas estudam seu uso para substituir 100% do carvão mineral na geração elétrica. Essas novidades me fazem crer que forças de mercado vão organizar no Brasil a cadeia da madeira energética. A demanda para exportação de densificados já mobiliza iniciativas no país e já levanta polêmicas sobre se valeria a pena a plantação densificada. A exportação é pequena e dificultada por fatores como a valorização do real, custo de transporte e pequena escala de produção. O exemplo externo, a existência de normas que podem ser adaptadas às condições brasileiras, a possibilidade de reduzir custos de logística, no entanto, fazem prever uma expansão do uso no país. Cabe lembrar que as tecnologias de produção e uso desses biocombustíveis são compatíveis com a nossa capacidade industrial que terá acesso aos últimos avanços e desenvolvimentos europeus e norte-americanos. Apesar dos baixos investimentos em P&D para o uso energético da madeira e derivados, o Brasil tem um pequeno, porém competente grupo de especialistas. Se comprovadas as virtudes dos torrefados, ajudarão a mitigar as emissões das termelétricas para as quais a lei brasileira já impõe limites de emissão do CO2. Esses avanços servirão de paradigma para alavancar a cadeia dos pirolizados em geral, notadamente o carvão vegetal. O Brasil é o único país do mundo a produzir gusa com carvão vegetal em larga escala (30% da demanda do país). Pela ausência de enxofre e contaminantes esse gusa tem elevada qualidade. A organização da cadeia para esse biocombustível e uso dos voláteis organizará o mercado com sinais econômicos adequados à criação e desenvolvimento de biorefinarias, com o aumento da receita dos produtores do carvão vegetal em bases modernas. O Brasil terá a oportunidade, assim, de rapidamente liderar o desenvolvimento tecnológico e o domínio da produção e uso desses biocombustíveis, mais adaptados ao país e a todos países da faixa tropical, para competirem com os combustíveis fósseis.


JORNAL BIOMASSA BR FEIRA INTERNACIONAL DE ENERGIAS RENOVÁVEIS

REALIZAÇÃO

A Renex vai reunir todos os segmentos de energias renováveis em um só local. Empresas que apostam na sustentabilidade como pilar para um mercado mais competitivo

Segmentos: Solar Térmica Biogás Fotovoltaica Eólica Biocombustíveis PCHs Biomassa

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Jornal Brasileiro das Indústrias de Biomassa Ed 09