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JORNAL DO BAIXO GUADIANA | DEZEMBRO 2012 |

JORNAL DO

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Baixo

Guadiana Director: Carlos Luis Figueira Propriedade da Associação ODIANA Fundado pela Associação Alcance em 2000

DEZEMBRO 2012

Jornal Mensal Ano 12 - Nº151

PREÇO: 0,85 EUROS

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS AUTORIZADO A CIRCULAR EM INVÓLUCRO FECHADO DE PLÁSTICO OU PAPEL PODE ABRIR-SE PARA VERIFICAÇÃO POSTAL DE 01132011 SNS/GSCS

TAXA PAGA

PORTUGAL CEM NORTE

A Escola Secundário de Vila Real de Santo António, que serve os três concelhos do Baixo Guadiana, está desde 2010 em obras de requalificação. Em Julho as obras pararam. Segurança dos alunos está em risco e a qualidade de ensino está comprometida. Segundo relatório da Proteção Civil confirmou-se a fragilidade da escola em caso de acidente ou catástrofe. Questionada a tutela, o silêncio é ensurdecedor. Comunidade escolar já esgotou pedidos e chegou ao limite ponderando até encerrar simbolicamente a Secundária.

Mário Parreira Batista tem 80 anos de idade e foi Guarda-Fiscal em Alcoutim. O seu trabalho, durante muitos anos, foi vigiar o Guadiana que escondia nas suas margens contrabandistas fugidios. Como guarda-fiscal não fez, em mais de 30 anos de carreira, uma única apreensão. Bem sabia que, por vezes, na mesma família coexistiam duas faces da lei: o guarda-fiscal e o contrabandista. Já arrumou a farda e a espingarda há muito mas, por hábito de ofício ou rotina da vida, olhar para e pelo Guadiana, é a primeira coisa que faz assim que nasce o dia.

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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |DEZEMBRO 2012

ABERTURA

JBG

Editorial

* O autor não escreve ao abrigo do acordo ortográfico

Jornal do Baixo Guadiana Diretor: Carlos Luis Figueira Sub-Diretor: Vítor Madeira Chefe de Redação: Susana Helena de Sousa CP 9621 Redação: Antónia-Maria, Carlos Brito, Joana Germano, José Cruz Victoria Cassinello Colaboradores da Edição: Ana Lúcia Gonçalves Eusébio Costa Fernando Pessanha Humberto Fernandes João Raimundo Maria Celeste Santos Pedro Pires Rui Rosa Teresa Rita Lopes Associação Alcance Associação GUADI Associação Rodactiva DECO NEIP Europe Direct Algarve - CCDRAlg e Associação Odiana

Com a aprovação do Orçamento de Estado, anunciam-se notícias que podem tornar o próximo ano num período de acrescidas dificuldades não só para a maioria dos cidadãos, mas igualmente para a gestão autárquica, já muito condicionada pela Lei dos Compromissos, para as empresas, dado que não se vislumbram, no conjunto do Orçamento, propostas que possam conduzir à dinamização do tecido produtivo e à criação de postos de trabalho. O que desde logo se torna visível são os múltiplos cortes na despesa pública em áreas fundamentais como as do ensino, na saúde e nas prestações sociais, a par de uma brutal carga de impostos cujos efeitos desde

logo se farão sentir quando da recepção da folha de salários e o valor das pensões for pago em Janeiro próximo. A sensação em que se fica perante tal panorama é a de que o País caiu nas mãos de usurários, de burocratas e tecnocratas sem preparação e sem alma, em completo desnorte, porque não conhecem o País nem se interessam muito sobre o que as pessoas pensam e sentem. Pode ser trágico. O País necessita de facto de um debate sereno sobre a reforma da administração do Estado. Coisa séria que não pode ser lançada sem preparação nem rumo. Debate para encontrar soluções visando maior eficácia na aplicação de Leis que regulam a administração do território, que tornem mais célere e justa a aplicação da justiça, que por sua vez se olhe para o Pais como um todo com o sentido de inverter a desertificação do interior. O que até agora se anuncia como

Reforma do Estado é coisa inversa e perigosa porque para além da inoportunidade temporal e da forma impreparada como nos foi apresentada, o que se pretende não são melhorias no funcionamento do Estado em função dos seus cidadãos, mas antes diminuir obrigações constitucionais do Estado para com os seus cidadãos. É de outro paradigma, ou seja, de outro regime, de outro Estado, o que germinará na cabeça de tais preponentes. A total irracionalidade em que de forma distante se procura impor a extinção de centenas de freguesias (17 no Algarve) tem como exemplo a liquidação do Pereiro em Alcoutim. Junta de Freguesia onde nas suas instalações funcionam serviços essenciais para as pessoas (correios, posto médico, farmácia, centro de dia). Extinto os Órgãos perde-se ainda, em aglomerados populacionais com estas características, uma ligação essencial,

Departamento Comercial: baixoguadiana@gmail.com e/ou joanagermano@gmail.com Sede e Redação: Rua 25 de Abril, N.º 1 Apartado 21 8950-909 Castro Marim Tel: 281 531 171 Fax: 281 531 080 966 902 856 baixoguadiana@gmail.com Propriedade: Associação Odiana Rua 25 de Abril, N.º 1 Apartado 21, 8950-909 CASTRO MARIM Tel: 281 531 171 Fax: 281 531 080 geral@odiana.pt

personalizada pelo Presidente da Junta, espécie de provedor das pessoas, de fundamental importância na ligação com a população que ainda lá permanece. A tal acontecer, é mais um passo para a desertificação. A situação calamitosa em que se encontra a Escola Secundária de Vila Real de Santo António, aglomerado escolar que serve os três concelhos do Baixo Guadiana, bem retratada nesta edição, é a todos os títulos absurdamente insustentável e serve como retrato de um País a negro. A excelente entrevista que dá corpo a mais uma edição de Histórias de Vida dá-nos a traço grosso o que significava viver num País onde em tempos não muito distantes dos de hoje, a luta diária pela sobrevivência, contra a adversidade e a pobreza, se tornavam num exercício penoso. São memórias de vida de tempos a que não desejamos regressar.

Carlos Luis Figueira cluisfigueira@sapo.pt

Vox Pop Acha que as iluminações de Natal ajudam o comércio e ao espírito da época, ou são dispensáveis em plena crise?

Pessoa Colectiva: 504 408 755 Direção Executiva: Associação Odiana Design e Paginação: Rui Rosa Impressão: Postal do Algarve, Lda Rua Dr. Silvestre Falcão, nº 13 C 8800-412 TAVIRA Tel: 281 320 900 Tiragem desta edição: 3.000 exemplares Registo no ICS: 123554 Depósito legal: 150617/00 JBG ONLINE http://issuu.com/jornalbaixoguadiana e Facebook

NIB: 00350 234 0000 586 353 080 Caixa Geral de Depósitos

Nome: António Teixeira Branco

Profissão: Controlador de Sistemas e Redes

R: Pode-se se reduzir um pouco mas não dispensar totalmente a iluminação natalícia… sempre anima qualquer coisa o comércio local. Não nos podemos deixar cair na total depressão social e económica…

Nome: Isabel Mendes

Nome: Rui Bibe

Nome: Maria José Simão Mestre

R: Penso que no meu país, onde há cortes em tudo, nos ordenados e nos subsídios de desemprego, não se deverá ligar a luzes de Natal. Apelo ao verdadeiro espírito natalício, que é solidário e nada tem haver com o comércio. O importante é ajudar alguém; uma família no dia a dia.

R: Sim, acho que ajuda, pois também não vai mudar em nada a nossa realidade. Sou a favor de haver iluminação. A minha filha, e todas as crianças, ficam fascinadas e não devemos privá-las disso.

R: Como última solução são dispensáveis, mas considero que só em situações extremas. São importantes: ajudam, de facto, ao espírito da época e até ao ambiente comercial. Podem minimizar-se mas não abolir-se completamente. A crise não pode ser “desculpa” para tudo. Nem só o pão ajuda a viver!

Profissão: Empregada Bancária

Profissão: Segurança

Profissão: Professora


JORNAL DO BAIXO GUADIANA | DEZEMBRO 2012 |

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CRÓNICAS Vítor Madeira

* Os autores não escrevem ao abrigo do acordo ortográfico

Beatriz Rosário – A solidariedade ainda existe

No momento em que a Assembleia da República aprovou o Orçamento Geral do Estado (OE) para 2013, um dos mais duros e difíceis de sempre, destinado a corrigir o défice sem asfixiar a economia, o dia de greve geral, 14 de Novembro, que terminou com carga policial e vandalismo e o tornado no Algarve, que deixou um rasto de destruição de milhões de euros de prejuízos nos concelhos de Silves e Lagoa, sou impelido a escrever sobre um genuíno e humano movimento de solidariedade denominado «Vamos Ajudar a Beatriz». A história de Beatriz Rosário, de

10 anos de idade, natural de Alcoutim, a frequentar o 5º ano da Escola Básica Prof. Joaquim Moreira em Martim Longo onde vive, poderia ser igual à de tantas outras meninas da sua idade. Uma vida feliz, povoada de contos de fadas e êxitos escolares, não fosse um tumor cerebral traiçoeiro, que a atirou para uma cama do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. Tudo começou há cerca de três meses, quando Beatriz sentiu tonturas e dores de cabeça, levando a que fosse internada no Hospital Central de Faro. As más notícias não se fizeram esperar e anunciaram de forma cruel a existência de um tumor cerebral. Posteriormente, a menina foi internada no IPO, onde está a receber tratamentos de qui-

mioterapia a uma doença de consequências gravosas. Ainda a viver a meninice, Beatriz Rosário trava uma luta desigual pela vida contra uma doença tenebrosa, na qual não está sozinha, porque a solidariedade e a generosidade também existem. Movido pelo humanismo e pela consciência social, que sempre caracterizaram a sua vida enquanto médico, mas também como autarca de excepção, Francisco Amaral, a Câmara Municipal de Alcoutim e a Paróquia de Martim Longo deram as mãos e criaram o movimento de solidariedade «Vamos Ajudar a Beatriz», com o propósito de obter dinheiro para suportar as despesas que os pais da Beatriz estão a realizar em Lisboa para salvar a filha.

A este movimento solidário animado pela esperança juntaram-se entidades, associações locais e empresas, que desde o mês de Outubro têm vindo a realizar diversas acções de recolha de fundos para ajudar a Beatriz Rosário, das quais se destacam a banca da solidariedade na Feira da Perdiz em Martim Longo, uma peça de teatro em Alcoutim e um espectáculo de solidariedade em Martim Longo, que reuniu para esta causa maior dezenas de artistas nacionais. Ainda assim, o dinheiro arrecadado não é suficiente para continuar a garantir os tratamentos médicos para este grave problema de saúde. Porque é necessário que o Sol volte a brilhar nos olhos da pequena Beatriz, e que os afectos alimentem a

sua vida, importa continuar a construir a ajuda solidária através da angariação de fundos que permitam a realização de obras de adaptação na habitação onde vive com os seus pais e dois irmãos, mas também de um computador especial, onde possa escrever as páginas seguintes da sua história de vida. Porque é preciso fazer crescer os sinais de amor em torno da Beatriz Rosário, e porque acredito na solidariedade e na bondade dos algarvios, em especial os do Baixo Guadiana, apelo a todos para fazerem o seu donativo na conta bancária da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Martim Longo com o NIB: 0045 7180 4025 3329 1440 3. Vamos ajudar a Beatriz a vencer o seu rosário e a voltar a sorrir.

Carlos Brito

O maior cego é o que não quer ver

O ministro das Finanças não pára de surpreender e indignar o país. Na conferência de imprensa, do passado 19 de Novembro, teve o desplante de afirmar: «estamos no bom caminho». Foi no acto de apresentação das conclusões da sexta avaliação da «troika» ao chamado «Programa de Ajustamento», imposto ao nosso país nas violentas condições do empréstimo internacional. Que «bom caminho», senhor ministro? Como é que um governante português pode falar em «bom caminho» diante da imensa desgraça que atinge tantas

famílias portuguesas e do desastre nacional para que o país está a ser arrastado pelo tal «Programa de Ajustamento» da «troika» e a execução fundamentalista que dele faz o Governo de Passos Coelho? Que «bom caminho», senhor ministro? É um «bom caminho» o alastramento da fome e da miséria absoluta, o monstruoso desemprego que já atinge todos os membros duma mesma família, o empobrecimento generalizado da população, o encerramento diário de numerosas empresas, o definhamento galopante da nossa economia? É claro que a «troika», que representa os banqueiros internacionais, usurários e prestamistas, usa com propriedade a expressão «bom caminho» (para eles)

pois extorquindo o povo português, com a colaboração do Governo de coligação da direita. com destaque do ministro Gaspar, está a assegurar a cobrança dos juros leoninos que nos foram impostos e julga que está a garantir o pagamento da dívida. Nada mais incerto, pois no que respeita às finanças e à economia do nosso país o «Programa de Ajustamento», e a sua política de brutal austeridade, constituem um monumental falhanço. De nada valeram os sacrifícios dos portugueses. Os mais importantes objectivos têm fracassado todos: a taxa do desemprego, ao montante do deficit, ao crescimento da dívida, ao controlo da recessão, a cobrança dos impostos. Mesmo entidades oficiais como o Conselho Económico e Social e a entidade parlamentar de acom-

panhamento da execução orçamental já não acreditam nos números e nas previsões do ministro Gaspar. Dir-se-ia que estavam reunidas todas as evidências para o Governo arrepiar caminho e exigir dos mandantes da «troika» a paragem do programa, a sua renegociação e profunda alteração por manifesta inadequação a Portugal. Em vez disso, Passos Coelho, e o seu Governo, confirmam o ditado popular que ensina que o maior cego é o que não quer ver, insistem no erro, não só prosseguem a desenfreada política de austeridade, como a agravam duramente. É o que acontece com o Orçamento para 2013, que representa um assalto fiscal, como nunca se viu, na carteira dos portugueses, e os preparativos para cortar, nos próximos dois anos, 4 mil milhões de euros

Teresa Rita Lopes

SOLITÁRIOS cada vez mais

Deram recentemente, nos noticiários da televisão, uma notícia que me entristeceu: Prenderam “O Solitário”, como disseram que era chamado. Desde há 6 anos que vivia pacatamente do gesto solitário de se chegar mansamente ao balcão de um Banco e estender não um cheque mas uma arma e pedir ao funcionário educadamente, sem alaridos, que lhe desse tudo o que tinha na caixa. O funcionário obedecia, e só depois do pacato cidadão se afastar sem pressa vinha o alarme e o alarido. Nunca ninguém se machucou – como dizem os brasileiros, nossos concidadãos da pátria-língua-portuguesa (a que tem verdadeiramente futuro, fora desta Europa em convulsões, que não sabemos onde irá parar porque o dinheiro não tem pátria - e actualmente o farol

por que se orienta o mundo é o da lógica do lucro). Voltando ao Solitário. O homem, discreto septuagenário, (ou talvez apenas sexagenário, não sei bem) sem ambições nem vícios, alimentava modestamente a família, pagava honestamente o aluguer, a água, a luz e o gás, os presentes de Natal, e ainda dava uma ajuda ao filho que estava desempregado. Nunca comprou casa nem automóvel – o produto do roubo só dava para os gastos correntes de um reformado com uma reforma decente. Ele até é reformado mas a sua pensão mal chegaria para a renda da casa e uma refeição por dia. Para comer pelo menos três, com um lanchinho pelo meio, teve que se virar para a delinquência – como dirá, imagino, o advogado oficioso que o vai defender (porque, como o último assalto foi mal sucedido, o pobre homem não tem dinheiro para pagar a um advogado que o defenda a sério). De maneira que o homem vivia modesta e honestamente do produto do último roubo enquanto o dinheiro

durava e depois – que remédio! – fazia novo assalto. (Quem lho poderá levar a mal?!) Nunca ninguém desconfiou porque o pacato cidadão nunca mudou de casa nem de carro (que nunca teve) nem de hábitos nem de mulher nem de aspecto. Até manteve o seu habitual sobretudo coçado, limitou-se a comprar uma discreta gabardina que só usava nos dias de chuva e para os assaltos, aí uma vez por ano. Nunca teve aquilo que costumam chamar “atributos exteriores de riqueza”. Nem dentro nem fora de casa. Aliás o que roubou não fazia dele um rico, nem pouco mais ou menos. Porque era pouco ambicioso só roubava para os gastos, e nunca exagerava. Por isso nunca ninguém desconfiou. Como se costuma dizer, quem o via não o levava preso. Só agora, ao cabo de mais de meia dúzia de assaltos, é que isso aconteceu, creio que perto de Messines – disseram no telejornal. (Pobre ladrão algarvio! Desditoso conterrâneo! O Algarve já ficou célebre por causa de outro histórico

ladrão, o Remexido.) No noticiário disseram quanto tinha roubado ao todo nestes 6 anos: uma insignificância, nem dava para comprar um carro de grande luxo (desses em que os nossos políticos se pavoneiam, adquiridos, claro, com o nosso dinheiro). Pobre “Solitário”! Como a polícia desta terra é eficiente em relação ao pequenos ladrões e deixa à solta os grandes, menos solitários porque se organizam em pandilhas para assaltar os pobres cidadãos que somos! E nem adianta gritar “Agarra que é ladrão!” Mesmo agarrados em flagrante delito, ninguém os prende, ninguém os julga, ninguém os condena. Sobretudo ninguém os faz restituir o que nos roubaram. Às vezes enfeitam-nos com umas pulseirinhas, e obrigam-nos a ficar em casa, muito quietinhos e quentinhos, até nos esquecermos deles. E o pessoal tem a memória curta. Mas não é que a moda pegou ?! Mais recentemente, deliciei-me com a notícia ouvida, de novo, no telejornal, de uma Solitária, a que chamaram “a Viúva Negra” - porque se meteu a assaltar

na despesa do Estado, o que vai atingir sobretudo as despesas sociais, nomeadamente com a saúde, a segurança social e o ensino públicos, que serão seriamente degradados ou pura e simplesmente liquidados. Outro fosse o Presidente da República e não deixaria passar estas medidas que, além de agravarem a um ponto extremo as condições de vida do nosso povo, violam frontalmente a Constituição e põem em causa o funcionamento regular das instituições democráticas. Mas ninguém espera por isso. São as forças da oposição que estão chamadas a desempenhar a indeclinável missão patriótica de se entenderem para barrar o desgraçado «bom caminho» da cegueira governamental e prepararem uma alternativa em que os portugueses acreditem e abra uma verdadeira perspectiva de esperança ao nosso país. bancos coberta com crepes escuros e óculos de sol. Só que a maré de sorte desta foi bem mais efémera que a do outro Solitário: foi presa depois de ter visitado alguns (poucos) estabelecimentos bancários da linha do Estoril, onde se calhar morava. Mas, presa em flagrante, a“Viúva” não se desmanchou: disse que estava a brincar, que a pistola até era de brincadeira: e, foi-se a ver, era mesmo! Como a explicação não pegou, arranjou outra, talvez verdadeira: o Banco queria expulsá-la da sua casa que não tinha dinheiro para continuar a pagar. E também o Estado lhe exigia o pagamento de impostos em atraso. Pensou matar-se, como outros já têm feito nessa situação, mas depois achou que, assim como assim, mais valia começar por assaltar os bancos que a tinham desgraçado. Apesar de compadecidos, os agentes da ordem prenderam-na mesmo. Quem ganhou com isso foi o Banco, que vai recuperar sem mais delongas a casa que ela não pôde acabar de pagar. Assim como assim, ela já não vai precisar dela porque vai apanhar uns bons anos de cadeia. Não vivemos nós num estado de Direito? Pena que às vezes a coisa dê para o torto.


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |DEZEMBRO 2012

EDUCAÇÃO&JUVENTUDE  Associação Juvenil vila-realense

Ganda Cena aposta em projetos internacionais para 2013 Apesar de mais calma nos últimos tempos a Associação Juvenil Ganda Cena (AJGC) foi alvo de uma reorganização interna e atualmente conta com nova direção. O percurso académico dos jovens sócios abriu um novo horizonte: Direção centraliza-se em Lisboa e surgiram núcleos regionais. Distância não é impeditiva para um futuro onde os intercâmbios internacionais são protagonistas. A Ganda Cena (AJGC) tem andado mais ausente do associativismo. Sendo uma coletividade juvenil, terminados os estudos secundários é altura do percurso académico, como tal, muitos dos seus elementos dispersaram um pouco por todo o país em busca de qualificação profissional. Mas a AJGC não parou e garantiu ao JBG voltar agora mais forte e com uma nova direção. “A Ganda Cena perdeu alguma dinâmica exterior no último ano e meio, todavia, tal facto deveu-se a uma direção que se preocupou com uma reorganização interna, com as metodologias e procedimentos internos, o que não facilitou no que respeita à demonstração do habitual trabalho que esta organização veio a mostrar nos seus primeiros dois anos e meio”, explica Miguel Gomes, antigo presidente da associação que detém agora funções de tesoureiro. Concluída a reorganização interna, a nova direção, eleita a 20 de Outubro, tem novidades, incluindo uma nova presidente: Sandra Afonso, natural de Castro Marim. “Esta dire-

ção compreende elementos não só de VRSA, como também de Castro Marim, Faro, Pombal, Leiria, Torres Vedras e Fundão, que devido a motivos académicos e profissionais se encontram em Lisboa”, refere. Face a esta dispersão territorial a AJGC readaptou-se e apresenta uma nova estrutura orgânica de nível nacional com a direção a funcionar em Lisboa, “não sendo a distância um impeditivo naquela que é a dinâmica que esta nova direção pretende incrementar a partir de Janeiro de 2013”, garante Miguel Gomes.

Objetivo: Reaver a dinâmica conquistada Hoje em dia são cerca de 50 os associados. A trabalhar mais ativamente está a direção composta por cinco elementos, ao que acrescem os núcleos regionais com cerca de 20 pessoas. A AJGC tem planos que passam por voltar a ocupar uma posição de destaque no associativismo juvenil. “Para 2013 as palavras-chave são: reaver o prota-

Miguel Gomes ocupa agora o cargo de Tesoureiro da AJGC gonismo já tido e reaver a dinâmica conquistada”. Nesta fase as relações internacionais prometem ser um grande pilar. “Perspetivam-se projetos de intercâmbio, formações nacionais e internacionais e concursos que, só no fim do ano, com a aprovação do plano e orçamento para 2013, estaremos em posição de comunicar”, conta Miguel Gomes.

Conselhos Municipais

 Para ajudar menina internada no IPO

Casa cheia no Espetáculo de Solidariedade «Vamos Ajudar a Beatriz» No dia 24 de novembro uma multidão encheu o polidesportivo de Martinlongo para poder assistir ao espetáculo de solidariedade «Vamos Ajudar a Beatriz», mas, mais importante, para se poder solidarizar com a pequena Beatriz. A menina tem 10 anos, é natural de Martinlongo em Alcoutim e encontra-se atualmente internada no Instituto Português de Oncologia. O movimento de solidariedade, cujo objetivo foi angariar verbas para minimizar as despesas da jovem e da sua família, não teve precedentes. O recinto encheu-se de população que trazia consigo apoio, sorrisos e esperança. Mais de 30 artistas nacionais atuaram de forma gratuita e voluntária. Recorde que o movimento de solidariedade surgiu em Outubro através da iniciativa da câmara municipal de Alcoutim e a Paróquia de Martinlongo, e contou com a

Beatriz contou com o apoio da comunidade alcouteneja e não só colaboração das associações, enti- adesão a este espetáculo de solidariedade. dades e empresas locais. “No fundo, são estes sinais de Está disponível uma conta banamor ao próximo que nos preen- cária para poder ajudar a Beatriz: chem e dão sentido à vida”, disse Caixa de Crédito Agrícola de MarFrancisco Amaral, edil de Alcoutim, tinlongo. NIB - 0045 7180 4025 quando questionado sobre a grande 3329 144 03

de Juventude são preponderantes Quanto aos Conselhos Municipais de Juventude (CMJ) a associação assegura que são primordiais. “Os CMJ têm um papel preponderante, não só no que concerne à intervenção cívica e política dos jovens, como uma lufada de ar fresco naquilo que são as políticas de juventude municipais”, assegura

o responsável que afiança que “são instrumentos fundamentais naquela que é a educação não-formal dos jovens portugueses”. Já as críticas continuam a existir. “No caso de VRSA, onde temos assento neste órgão, o CMJ deve ser encarado como o chamar os jovens para a intervenção e para o debate local das políticas que lhes são dirigidas, todavia, ainda temos certas discordâncias com o atual regime jurídico destes órgãos, submetidos aos jogos partidários e não aos totais interesses dos jovens”, explica avançando que em VRSA existe uma larga percentagem dos jovens inscrita em associações culturais e recreativas, “isto quando comparadas aos inscritos em juventudes partidárias ou em partidos políticos”. Miguel Gomes é perentório e afirma que “deveriam ter assento no CMJ todas as organizações não-lucrativas que tivessem um número significativo de jovens inscritos, enquanto sócios ou utentes, e as que se encontram ao abrigo do regime jurídico das associações de jovens ou equiparadas”.

«Escolhas Vivas» na prevenção da Diabetes

Largada de balões simbolizou a sensibilização na prevenção da diabetes Dia 14 de Novembro foi Dia Mun- buição de informação à população dial da Diabetes e em Vila Real de sobre formas de prevenir e lidar Santo António a data não passou com a diabetes, bem como uma em branco. Crianças e jovens do largada de balões (azuis) alusivos projeto vila-realense de intervenção à iniciativa. A finalizar a criação social «Escolhas Vivas», sensibiliza- de um cordão humano na Praça ram para a prevenção da doença. Marquês de Pombal. Para assinalar a data a autarquia Recorde que de acordo com envolveu as escolas e alunos do dados da Organização para a Cooconcelho, nomeadamente os jovens peração e Desenvolvimento Econóparticipantes no programa «Esco- mico (OCDE), Portugal é o terceiro lhas», projeto que tem desenvolvido país com maior taxa de prevalência atividades no âmbito da interven- da diabetes. Estima-se que haja em ção comunitária. Entre as atividades todo o mundo cerca de 90 milhões desenvolvidas constaram a distri- de diabéticos.


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LOCAL  Seminário «Pró Futuro de Alcoutim»

Guadiana foi ponto de ordem Alcoutim recebeu no dia 3 de Novembro um seminário que abordou o desenvolvimento territorial em três eixos importantes: o Rio Guadiana; Agricultura, Florestas e Ambiente; e Atividades Económicas. Constrangimentos ao desenvolvimento do Algarve rural foram as principais críticas. Foi com sala cheia que o Guadiana River Hotel recebeu o seminário «Pró Futuro de Alcoutim», com organização do grupo homónimo. O objetivo foi debater, refletir e tentar traçar uma estratégia de desenvolvimento para a vila nordestina. Os eixos basilares foram as áreas com maiores potencialidades na serra do nordeste algarvio. Desde o Rio Guadiana, cujo desassoreamento foi já anunciado pela CCDR para meados de 2013; a Agricultura as Florestas e Ambiente, uma das grandes riquezas do concelho; e as Atividades Económicas diversas. Na mesa de abertura estiveram o presidente da CCDR Algarve, David Santos; o Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Fernando Severino; o edil anfitrião, Francisco Amaral; e um dos responsáveis pelo seminário, e ex. líder parlamentar, Carlos Brito.

Critérios de assimetrias alvo de críticas Em tom de crítica e de alguma indignação, Francisco Amaral abordou alguns dos muitos constrangimentos ao desenvolvimento. “Um país onde levam mais de 10 anos a aprovar um projeto de inves-

timento privado não é um país sério”, criticou referindo-se aos estrangulamentos dos instrumentos de ordenamento do território. O autarca reprovou ainda os critérios de atribuição do último Quadro Comunitário de Apoio, que considerou “o Algarve uma região rica e a Andaluzia, mesmo aqui ao lado, um território carenciado”. Neste sentido David Santos, da CCDR algarvia, anunciou que o próximo Quadro Comunitário de Apoio [2014-2020] pode trazer a possibilidade de «realizar candidaturas multifundos e inter-regionais», mas também que se avizinha um combate à denominada «política de cidade que irá contribuir para atenuar as assimetrias». Já na área da agricultura Fernando Severino enfatizou que o investimento florestal é «um pilar fundamental para o desenvolvimento de Alcoutim» e ressalvou a «pinheirização, feita há 20 anos, que tanto foi criticada, mas que hoje já se sente pulsar», garantindo que o projeto contribuiu fortemente para a recuperação económica do nordeste e no combate ao despovoamento.

Guadiana é ponto de

Debate gerou críticas aos constrangimentos da administração central

ordem Fernando Perna da Universidade do Algarve falou no turismo náutico e na importância histórica do rio, relembrando que o desassoreamento do Guadiana não resolve todos os problemas. «Não basta ter embarcações, é necessário vender serviços e ordenar». Também da CCDR Algarve esteve Susana Faísca que, para além de abordar os dois últimos Quadros Comunitários, salientou que «a Estratégia passa pela navegabilidade e também pela

construção da Ponte Alcoutim/Sanlúcar», duas prioridades «que têm sido difíceis de concretizar dada a forte teia burocrática». Avançou no entanto que a navegabilidade «para já está no bom caminho», vendo uma nova esperança na atual presidência algarvia da Euroregião.

Turismo: falta de visão estratégica para a região No setor do Turismo Vítor Neto do NERA falou de «falta de visão

estratégica para a região e de um instrumento político para uma gestão de integração» numa região cuja economia tem grande peso no turismo. Evidenciou ainda estratégias inadequadas e a «necessidade de uma visão integrada» face ao processo de quebra turística no Algarve na última década que já se estima numa perda de dois milhões de dormidas. O desafio é travar a quebra turística e «é preciso diversificar, apostar nos mercados emergentes e recuperar capacidade produtiva e consequentemente gerar riqueza», disse o responsável.

Boas práticas e desafios para o futuro Na etapa final do seminário foram trazidos exemplos de sucesso no desenvolvimento económico e populacional raiano. O «Projeto Querença» foi apresentado, surgindo como mote para o já em curso, ainda que em fase embrionária, «Projeto Alcoutim». O rio Guadiana, a cooperação transfronteiriça e o aproveitamento de fundos comunitários foram definidos como apostas basilares no seminário «Pró Futuro de Alcoutim».

Alcoutim perde uma freguesia O concelho de Alcoutim deverá perder até ao final do ano uma das suas cinco freguesias, nomeadamente a do Pereiro que deverá fundir-se com a de Alcoutim. A reforma administrativa tem levantado um coro de protestos. O edil de Alcoutim, Francisco Amaral, pondera até uma providência cautelar contra a medida. Até ao início de Dezembro é esperado que o processo de redução de pelo menos mil freguesias esteja concluído. A lei de extinção de freguesias «prevê uma reestruturação local em prol da poupança e eficácia de serviços», tendo em conta que estão dispensados de extinção e apresentação de propostas todos os municípios com quatro ou menos freguesias. O Algarve deverá perder até ao final do ano 17 das atuais 84 freguesias no âmbito da reforma administrativa do território, isto segundo a proposta da unidade técnica de acompanhamento do processo. Dez dos 16 concelhos algarvios vão ser afetados.

Freguesia do Pereiro funde-se com a de Alcoutim Alcoutim é o único concelho do Baixo Guadiana algarvio que deverá perder uma das suas cinco fre-

guesias [Alcoutim, Pereiro, Giões, Vaqueiros e Martinlongo]. Neste caso específico será a freguesia do Pereiro que se irá fundir com a de Alcoutim. O executivo camarário e a assembleia municipal alcouteneja votaram contra a medida e não apresentaram qualquer proposta, pronunciando-se a favor da manutenção das atuais freguesias. Francisco Amaral, presidente do município, não se poupa a críticas. “No caso de uma freguesia rural um presidente de junta é quase um pai e um conselheiro; é o representante e a ponte entre a administração pública e as pessoas”, revela considerando o presidente de junta como “um embaixador e defensor das gentes; daí a importância da junta de freguesia”. Quanto a poupanças é taxativo: “Não se poupa nada, é uma ínfima parte do orçamento do Estado; isto é uma falácia e um absurdo. A troika, para impor uma exigência destas, deve

ter confundido Junta de Freguesia com Câmara Municipal”.

Providência cautelar contra a medida Nesta matéria o autarca assegura até ir mais longe. “Vou sugerir e apoiar a junta de freguesia do Pereiro, para que coloque uma providência cautelar contra a aplicação desta lei”, diz o autarca valorizando as multivalências que a junta de freguesia em questão detém, coexistindo no mesmo espaço: posto médico, segurança social, correios, farmácia e centro de dia. Evidencia ainda que se trata de “verdadeiro serviço público” em que os presidentes “se entregam completamente à causa pública sem preocupação em ganhar dinheiro; por vezes até põem do próprio bolso”, conta ao JBG considerando que “os presidentes de junta devem ser considerados

Freguesia do Pereiro deverá fundir-se com a freguesia de Alcoutim e homenageados e não extintos, como se quer fazer”. Recorde que também a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), em declarações à Agência Lusa, considera a proposta

de extinção de freguesias como «mais um violento ataque à autonomia do poder local», defendendo que só as assembleias municipais têm legitimidade política para tomar estas decisões.


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LOCA L | EL ANDEVALO SUR-OCCIDENTAL *

ESPANHA por Antónia-Maria

El Humilladero de “El Calvario” de Ayamonte La erección de cruces y humilladeros en las inmediaciones de las poblaciones, en los caminos de mayor tránsito, tenía como objeto el estimular la devoción de los caminantes, generalizándose tal costumbre a partir de la Baja Edad Media; así ocurrió también en Ayamonte, instalándose no solamente la cruz a la que nos vamos a referir en las siguientes líneas, sino que también se levantó otra en el lugar en el que estaba el desembarcadero, próximo al paseo de La Ribera, cerca de la actual calle San Diego. Estas cruces, además de inducir al caminante, o al que venía de la mar, a la oración, constituían una muestra de piedad permanente entre la gente del pueblo, siendo su función, entonces, distinta de la que tenían las ermitas que ya existían en Ayamonte que, situadas también estratégicamente en las orillas de los principales caminos

de entrada a la población, se levantaron en honor de San Roque (hoy en el interior del cementerio), de San Sebastián (en el barrio de La Villa) y del Cristo del Buen Viaje (hoy desaparecida, que estuvo situada donde hoy se encuentra el Auditorio Amador Jiménez) con la intención de proteger a la población contra la peste o cualquier otra epidemia que presumiblemente pudiera entrar por cualquiera de los mencionados caminos. La cruz que se venera en el humilladero de “El Calvario”, está situada en un camino al norte de la ciudad, conocido como la Vereda del Pozo del Camino por Valdecerros, inmediata a una construcción que tiene más aspecto de ermita que de una casa de labranza. El humilladero de “El Calvario”, que ha sobrevivido a varias centurias, fue restaurado por el Ayuntamiento de

Andalucia en el verso - Biznaga de Poesia Andaluza Ha sido recientemente presentado, en el Ateneo de la ciudad de Málaga, el libro de poesía “Andalucía en el verso”,editado por “Ediciones de Papel”con una selección de 28 poetas de la región de Andalucía. La edición de esta obra ha sido realizada con papel reciclado y acabado totalmente de forma artesanal con ilustraciones evocadoras del antiguo reino del Al-Andalus. Destacamos por la prximidad, dos poetas de la provincia de Huelva,

Antonio Ramírez Almansa, fundador del Grupo Cultural”Colectivo Lagar” y “Caminante” y actualmente director de la “Fundación Zenobia y Juan Ramon Jiménez” y Dolores Izquierdo Labrador, que reside en la localidad onubense de Palos de la Frontera, finalista de premios literarios como “Cervantes” en Ciudad Real y Premio Nacional de Poesía en D. Benito (Badajoz). A seguir un fragmento del poema de Antonio Ramírez Almansa:

No hay nadie que me diga las horas de la mañana, el silencio goteante de acercarme, flotando, a las cosas y seres que imagino en las noches, porque nadie me acompaña por el curso de las olas, ni danzan hasta arribarme en el alabe donde me protejo. Nadie me trae tejidos, ni paños, ni esteras ni alfombras, ni tapices, ni sedas, ni algodones, ni lanas, ni lienzos ni agujas para hilar una bóveda imperecedera para soñar mañana…

Ayamonte en el año 1925, convirtiéndose, a partir de esa fecha, en un lugar muy frecuentado, hasta el punto que durante la décadas de los años 50 y 60 se celebró en aquel entorno la Romería del Calvario para conmemorar el día de la Invención de la Cruz, fiesta que se celebra especialmente en Andalucía, a la que acudían muchísimas familias en carrozas artísticamente adornadas y a las que se subía la juventud, ellas con los trajes típicos de faralaes y ellos de corto, para rendir culto a la Santa Cruz y para, naturalmente, pasar una jornada de diversión, bailes y confraternidad. Tras unos años en los que había desaparecido esta costumbre, se ha vuelto a retomar aquella tradición, convirtiéndose “El Calvario” en un lugar precioso para saludar a la cruz y celebrar la llegada de la primavera.

Portada de la obra poética Andalucía en el verso

Festival Iberoamericano de Huelva Un año mas, a mediados de Noviembre, la capital de la provincia, Huelva, se convierte en una ciudad de cine. La ciudad colombina, acoge la treinta y ocho edición del Festival Iberoamericano, una buena oportunidad para conocer la provincia mas desconocida de Andalucía. Al premio de Colon de Oro, máximo galardón que otorga el certamen, concurren mas de setecientas películas procedentes de numerosos países: Mexico, Brasil Argentina, Portugal…y mismo de España. La Casa Colon, antiguo hotel donde se alojaban los ingleses relacionados con la exportación y negocio de las minas -hoy edificio emblemático de la ciudad – es el bullicioso epicentro del Festival. Las proyecciones de los diferentes filmes se celebran en el Gran

El Gran Teatro de Huelva, sede del Festival Iberoamericano Teatro, sede principal del Festi- de la apasionada poeta y avanval. zada feminista portuguesa, FlorPortugal participa con el film, bela Espanca, mujer que vivió una “Florbela” del director luso Vicente intensa existencia en los convulsos Alves do O, donde narra la vida años veinte.

Teatro en Villanueva de los Castillejos

El calvario de Ayamonte, situado en el camino Vereda del Pozo

El pasado mes de Julio y el actual de Octubre, Castillejos ha vivido la representación de la comedia de Jardiel Poncela “Un marido de ida y vuelta”, a cargo del grupo de teatro de aficionados de Villanueva de los Castillejos, que lleva por denominación “Endóvelo”. El Salón Polivalente de Castillejos se quedó chico para acoger a tanto espectador que quiso asistir a la representación. El público, puesto de pie, corroboró el éxito, felicitando a cada uno de los actores por el trabajo realizado. La primera puesta en escena se realizó con motivo de las fiestas locales; la segunda se llevó a cabo en la participación del grupo teatral en la “Semana de los Mayores”.

Una simpática escena de la pieza teatral representada Este grupo es totalmente de Ya están en marcha los prepaaficionados y la mayoría de sus rativos para comenzar otra nueva componentes pasa de los sesenta travesía teatral, a fin de poder años, por lo que aún hay que darle ofrecerla al público castillejero más mérito a la labor cultural que en el próximo año. vienen desarrollando ya desde Desde Castillejos, Miguel hace más de treinta años. Gómez


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LOCAL

ANIMART descentralizou campanha de vacinação No mês de Novembro os seniores do concelho de Castro Marim não precisaram de se deslocar ao Centro de Saúde para a vacinação contra a gripe. A unidade móvel ANIMART percorreu o concelho e ministrou a vacina de forma gratuita e descentralizada. A iniciativa foi da Associação de Bem Estar Social da Freguesia do Azinhal (ABESFA), ao abrigo do Programa Nacional de Vacinação gratuito do Ministério da Saúde com início a 1 de Outubro. A campanha da Unidade Móvel de Animação e Acompanhamento Psicossocial (ANIMART), que devia ter começado em Outubro, contou com um mês de atraso; só no início de Novembro chegaram as vacinas. Apesar de menos tempo, e menos utentes, a ANIMART saiu à rua e ainda percorreu algumas localidades do concelho onde ainda havia quem aguardasse a vacina. Começaram no dia 5 e terminaram a 19 de Novembro. Sara Agostinho, assistente social e Liliana Caiado, enfermeira da ANIMART, explicaram ao JBG que “comparativamente ao ano passado foram muito menos vacinas porque, com o programa nacional de vacinação gratuita a decorrer, a maioria dos seniores já foi vacinado no centro de saúde local”, arriscando até a dizer que “em Outubro já estavam quase todos

vacinados”, explicavam as técnicas que já tinham consultado junto do centro de saúde local a lista de de pessoas vacinadas. A viagem pelo concelho terminou a 19 de Novembro. Mas a ANIMART não vai parar. A partir de agora voltam as viagens pelo concelho duas vezes por semana (às Segundas e Quartas-feiras) para rastreios à diabetes, tensão arterial e outras a que os mais idosos já se habituaram.

Mobilidade condiciona os utentes

Almerinda Graça foi uma das três utentes de Almada D’Ouro que se vacinou na ANIMART

A ANIMART vacinou uma centena de pessoas, maioria por condicionamentos de mobilidade, que assim não tiveram que se deslocar ao centro de saúde. No dia em que o JBG acompanhou a unidade móvel o trajeto foi à localidade de Almada d’ Ouro. Das nove pessoas vacinadas o ano passado agora seis já se tinham vacinado no centro de saúde; as restantes três foram vacinadas naquele final de tarde, entre elas, Almerinda Pereira Graça.

Com 89 anos mostra-se alegre e bem-disposta, mas com visíveis dificuldades de mobilidade pois «os joelhos já me falham e as canadianas têm sempre que me ajudar». Almerinda ficou sentada no banco de jardim e foi a enfermeira da ANIMART que se deslocou até si com a vacina. «Já está?», perguntou a D. Almerinda; «Não doeu nada», disse. Já conhecia a ANIMART de outras atividades e garante que assim que sai o calendário das

visitas é a primeira a chegar para saber como vai a saúde e dar um dedo de conversa com a equipa que diz «muito simpática». Vacinados os três utentes a ANIMART seguiu caminho para a Corte Pequena onde mais seniores esperavam pela vacina. Recorde que a campanha de vacinação foi uma iniciativa coordenada pelo ACES Sotavento (Agrupamento de Centros de Saúde) com o apoio da câmara municipal local.

Associação de Pescadores incentiva à Formação A Associação de Pescadores Santo António de Arenilha surgiu em 2009 e tem 220 sócios. Uma das preocupações atuais da coletividade é a capacitação dos pescadores. Durante 2011 receberam na sua sede cerca de 60 formações na modalidade «Cédula» e 80 em «Higiene e Segurança». Em Novembro levaram a cabo mais um período de inscrições para Ações de Formação de Pesca Profissional em regime pós-laboral [Cédula Marítima; Arraiais de pesca local e costeira; Higiene, segurança e manuseamento do pescado; Tráfico local; e Motorista]. Até meados de Novembro já contavam com cerca de meia centena de inscrições de um curso que vai ser ministrado pela FORMAR de Olhão. “A associação oferece as instalações e facilita a receção de inscrições, isto para que

cruzam o rio”, conta acrescentando que se tratam de «mais valências para poder trabalhar».

Nova apanha de peixe para ajudar instituições

Em 2011 foram entregues cerca de 64 quilos de peixe às instituições nada; quem não está abrangido tem que pagar o montante de 12 € à FORMAR para poder frequentar as aulas. “Estes cursos são importantes, pois muitos são quase obrigatórios para se poder andar no mar, seja na pesca, ou para trabalhar nos barcos de carreira e barcos turísticos que

as pessoas não se tenham que deslocar a Olhão”, explica Ilídio Martins, presidente do Conselho Fiscal da coletividade, relembrando que “tentamos fazer de tudo para ajudar os pescadores, pois apoios hoje em dia são escassos”. Quem recebe subsídio de desemprego não paga

Em Dezembro a associação vai levar a cabo mais uma ação de beneficência natalícia. Consiste na doação do peixe resultante da faina desse dia para ajudar Instituições Públicas de Solidariedade Social do concelho, nomeadamente a associação «Mão Amiga» e a Sta. Casa da Misericórdia local, instituições que fornecem refeições aos mais carenciados do concelho. A apanha de peixe é voluntária e é um presente de Natal adiantado dos Pescadores de Santo António de Arenilha para quem mais precisa.

Crianças e idosos rendem-se ao Tai Chi e Yoga Aulas de Tai Chi e Yoga já convenceram 15 crianças e 20 idosos, sendo que a iniciativa, de cariz gratuito, resulta de um acordo entre a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alcoutim (com as valências de Lar, centro de dia e infantário) e a instrutora das modalidades orientais, Irma Lopes. As aulas começaram em Junho e os efeitos já são visíveis. “As crianças já conhecem as posturas, já praticam a

respiração e o relaxamento e, sobretudo, estão mais concentradas na aula, o que antes não acontecia. Já os idosos começaram a melhorar a mobilidade e a participar em maior número”, conta a instrutora que atesta que “o tai chi e o yoga são práticas muito benéficas para o corpo, mente e espírito”. Para além dos largos benefícios das aulas, Irma Lopes salienta que esta iniciativa pretende ainda aproximar o Lar da comunidade.

Crianças já revelam conhecer as posturas e mostram maior concentração

POUPANÇA CRIATIVA O MEU PÃO O meu nome é Maria Celeste Santos e fui convidada pelo JBG para partilhar convosco algumas sugestões anticrise. Sendo filha de uma alentejana que enfrentou muitas crises, dei comigo a pensar: “ Como é que a minha mãe fazia?” Comecei então a experimentar na minha cozinha várias coisas, entre elas algo de que muito me orgulho: fazer pão no meu forno a gás! No início, ficava um pouco seco ou mal cozido, mas agora sai uma maravilha! Podemos encontrar em grandes superfícies vários tipos de farinhas já preparadas para a confeção de pão (1,45€ por quilo). Estas farinhas são normalmente para as máquinas de pão! Sem problema! Eu uso uma farinha para pão escuro. Adiciono-lhe um pouco de fermento de padeiro (20 ou 30 cêntimos por 50 gramas), um cubo de 2 cm por cada meio quilo de farinha, diluído numa chávena de água morna. Além da farinha, pode juntar-se farelo de trigo (0,90€ a 1,10€ por 250 gramas) - bastam 2 mãos cheias em concha por cada ½ quilo - sementes de girassol ou flocos de aveia. O pão fica fofo e saboroso! Misture a farinha com todos os ingredientes secos. Dissolva o fermento de padeiro numa chávena de água morna. Junte à farinha e mexa com uma colher de pau. Adicone mais água morna, 2/3 de chávena, e misture bem. Usando farinha simples, amasse numa bancada limpa. Faça uma bola com a massa e polvilhe com farinha. Deixe num recipiente limpo, tape com um pano de cozinha limpo e deixe dentro do forno durante 1 a 2 horas. A massa levedará. Volte a colocá-la na bancada e amasse novamente com farinha. Pode dividir em vários pãezinhos ou fazer um pão apenas. Aqueça o forno no máximo durante 5 a 10 minutos. Baixe até quase ao mínimo e coloque o pão no tabuleiro polvilhado com farinha. Em 25 minutos tem o seu pão pronto! Quando usar o seu forno procure utilizar todos os níveis de cada vez e verá a diferença ao fim do mês! Pode fazer todo o seu pão para a semana de uma só vez, congelando-o e usando conforme vai necessitando! Assim, apenas consome o que necessita e não desperdiça! Divirta-se e até à próxima edição! Maria Celeste Santos


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G RA ND E R EPO R TAGEM  Obras suspensas na Escola Secundária de Vila Real de Santo António

Comunidade Escolar chegou ao limite e pondera encerramento simbólico da escola Joana Germano

A

Escola Secundária de Vila Real de Santo António prepara-se para comemorar meio século de existência. Iniciou funções desde 1963, nessa altura como Escola Industrial do concelho de Vila Real de Santo António. Com tantos anos a receber alunos e a integrar várias gerações de famílias do concelho, bem como dos municípios vizinhos de Castro Marim e Alcoutim, era de facto já visível alguma degradação; espaços desadequados aos tempos, salas antigas e frias com equipamentos a precisar de reforma urgente e de forma a providenciar melhores condições para a comunidade escolar que a constitui; desde alunos, funcionários e professores. A tão ansiada reforma chegava. Corria o ano letivo de 2010/2011 e a Escola Secundária de Vila Real de Santo António, à semelhança de escolas um pouco por todo o país, cumpria agora o desejo de modernidade. Foi integrada no Projeto de Modernização das Escolas Secundárias promovido pela tutela e desenvolvido pela empresa Parque Escolar (PE) com uma obra orçada inicialmente em quase 12 milhões de euros. A duração prevista para a execução era de 16 meses. Como a escola e as aulas não podem parar, foi deixada a garantia pela PE que tudo decorreria de forma breve, sem interferir com o ritmo diário das aulas. Esta foi a primeira desilusão. De facto, assim não aconteceu, tendo o ano letivo 2010/11 decorrido de forma extremamente atribulada, com «barulhos insuportáveis», «trepidações constantes» e «com pó a provocar irritações», inclusivamente durante o tempo de aulas. A prática de algumas disciplinas ficou condicionada pela transformação dos espaços escolares e deslocações para o exterior do recinto escolar.

Começa a saga Enquanto alguns dos edifícios de salas de aula se encontravam em plena requalificação, as aulas, na sua grande maioria, tiveram que ser transferidas para monoblocos que foram instalados dentro do recinto escolar. “Em 2010/2011 as aulas, que decorreram nos monoblocos, ficaram condicionadas devido à água que escorria pelos cantos de algumas salas improvisadas, e ao excesso de água que se acumulava à entrada das mesmas, em dias de muita chuva. O ar condicionado nem sempre funcionava e o quadro geral de eletricidade era insuficiente”, atesta a Presidente do Conselho Geral, Ana Luísa Paulino Martins. Não havendo ginásio, nem espaço para a prática desportiva, o Complexo Desportivo da cidade passou a ser o único espaço onde alunos, dos onze aos vinte anos, podiam realizar a componente prática da disciplina de Educação Física e da Área de Expressões. Mas há um senão. “Tinham, e têm, de percorrer dois quilómetros (ida e volta) a pé, colocando em risco a sua segurança a vários níveis, estando sujeitos a roubos, sequestros, toda a espécie de aliciamentos, acidentes, entre outros”, refere a responsável. Desta situação advém mais uma preocupação: tornou-se impossível controlar as entradas e saídas dos alunos. Mas mais um constrangimento a acrescer à saga. O refeitório funciona em contentores de 20m2 onde têm que ser servidos cerca de 150 almoços por dia. Numa situação, dita normal, a escola deveria servir 300 refeições, mas nestas condições, alunos, funcionários e professores que almoçavam na escola tiveram que deixar de o fazer. O bar, que antes das obras servia as típicas refeições rápidas, já não o pode fazer, pois tem que encerrar à hora de almoço, visto

A situação é «caótica» e «insustentável». A Escola Secundária de Vila Real de Santo António, que serve os três concelhos do Baixo Guadiana, e conta com 900 alunos, está desde 2010 em obras de requalificação; obras que já foram dilatadas e desde Julho estão paralisadas. Segurança dos alunos está em risco e a qualidade de ensino está comprometida. Segundo relatório da Proteção Civil, confirmou-se a fragilidade da escola em caso de acidente ou catástrofe. Escola, Direção Regional, municípios e deputados já pediram explicações à tutela. O silêncio é ensurdecedor. Comunidade escolar já esgotou pedidos e chegou ao limite ponderando até encerrar simbolicamente a Secundária. que partilha o mesmo local com a cantina.

2011/2012 mais uma fase da obra No ano letivo seguinte, 2011/12, avizinhava-se uma situação mais calma; a primeira fase da obra estava concluída e a escola ocupou os blocos B e D, utilizando laboratórios, salas de Desenho e oficinas de mecânica e de eletricidade “embora ainda com condicionalismos vários”, refere Ana Martins que observa que “algumas salas no complexo novo, têm pormenores por acabar, decorrendo com limitações e outras aulas continuaram nos monoblocos, agora mais degradados e apresentando os mesmos problemas”; também o bufete e refeitório necessitaram de reparo “em virtude da acelerada degradação”. E foi no final do ano letivo 2011/2012 que começaram as dificuldades de entendimento entre a empresa Parque Escolar e o consórcio responsável pelas obras. O processo tornou-se ainda mais difícil de gerir em termos logísticos “uma vez que esta e outras escolas foram constituídas em 2010 em Agrupamento”, certifica. O espaço tornou-se “exíguo e caótico”, tanto mais que a Escola Secundária serve três concelhos: Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim. Não obstante, a prática de Educação Física manteve-se no mesmo ponto. As obras pararam definitivamente em Julho deste ano e desde aí tudo se mantém igual.

Obras suspensas Com novo ano escolar a começar, e caminhando para o terceiro ano letivo nestas condições, as obras continuam paralisadas. Já foram feitas muitas reuniões, diversos pedidos de informação entre a Direção da Escola, a Empresa Parque Escolar, a Direcão Regional de Educação e Associação de Pais, mas nada; a tutela emudeceu. “A administração da Parque Escolar deslocou-se às nossas instalações, no final de Agosto, garantindo que as obras iriam recomeçar e seriam concluídas em três meses, porém, o impasse administrativo e judicial mantém-se”, lamenta a presidente do Conselho Geral, garantindo que todos os utentes da escola estão sujeitos a condicionalismos que se repercutem no aproveitamento escolar, bem-estar e segurança dos alunos”. Relembra ainda que recentemente, e a pedido da escola, foi aberta uma porta a Nascente da escola, “pois em caso de catástrofe ou acidente só tínhamos uma única porta de saída”. Tudo está em suspenso. Acabamentos mal feitos, monoblocos muito degradados e estaleiro disperso pelo recinto. A escola continua à espera da conclusão do pavilhão, do refeitório, do bar e de mais de duas dezenas de salas de aula. Enquanto isso os alunos continuam a efetuar um percurso de dois quilómetros para praticar Educação Física “e continuam a ser prejudicados na sua atividade diária

e aproveitamento escolar”, atesta. De momento, para chegar até ao pavilhão municipal são cerca de 20 minutos a pé; os intervalos maiores têm uma duração de 15 minutos, como tal, os professores de aulas prévias têm que deixar os alunos sair mais cedo para que possam percorrer a cidade, equipar-se, fazer a aula, depois o banho e o retorno à escola novamente. Escusado dizer que pouco é o tempo que sobra para a prática da educação física, sendo que em dias de chuva, e contemplando o bom senso, os alunos não realizam a disciplina. As saídas são impossíveis de controlar, refeitório é insuficiente e as condições de segurança estão comprometidas. “As últimas chuvas comprovaram a degradação acelerada dos monoblocos, tendo o relatório da Proteção Civil, efetuado no dia 19 de Outubro, confirmado a fragilidade da escola em caso de acidente ou catástrofe”, refere em tom de indignação.

De quem é a culpa?!... O contrato da Parque Escolar Algarve com o consórcio que está a realizar a empreitada inclui não apenas a Escola de VRSA, como também a Escola João de Deus em Faro. O investimento total é de 23 milhões de euros. “Em VRSA o investimento é de 10 milhões e 600 e já foram pagos 7 milhões e 700 mil”, confirma Mário Dias da Empresa Parque Escolar no Algarve. Quanto a culpas ninguém as assume, se tanto, partilham-se.


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GR AN D E R EP O R TAGEM

“Neste momento todos temos culpa no processo, tanto o empreiteiro por falta de possibilidades financeiras, que se atrasou nos trabalhos, mas nós PE, que somos titulados pelo Governo, também temos a nossa responsabilidade porque começamos a incumprir com as nossas obrigações contratuais, nomeadamente nos pagamentos atempados ao empreiteiro”, explica. Desde Novembro de 2011 que a PE deixou de pagar o estabelecido contratualmente. “O empreiteiro foi trabalhando com as possibilidades que tinha e em Abril suspendeu as obras [cerca de uma semana], mas nós resolvemos logo a situação; agora em Julho pararam definitivamente”. A Parque Escolar acusa o empreiteiro de suspensão dos trabalhos, no entanto a própria PE ao deixar de pagar, entrou também ela em incumprimento. “O empreiteiro pode queixar-se da parte do incumprimento de pagamento, tanto que exerceram o seu direito [suspensão dos trabalhos], agora para resolver isto, estão em cima da mesa multas que nós podemos aplicar, no entanto estas paragens acontecem por justa causa e acarretam também indemnizações para o consórcio”. A situação não tem fim e está entregue aos tribunais. Quanto a um fim Mário Dias não sabe. “Acredito que não vão ficar eternamente assim...”

Associação de Pais está preocupada Ernesto Ramos presidente da associação de Pais, manifesta grande inquietação. “Esta é uma preocupação de algum tempo, mas como era uma situação provisória pensámos que estabilizasse”, mas com a ausência de respostas “não se vislumbra uma luz ao fundo do túnel”. O responsável quer saber quando a obra termina, mas não só pela deslocação e pela segurança

dos alunos para a prática da educação física. “Por exemplo o tornado que aconteceu em Silves; se acontecesse aqui seria um problema gravíssimo. Os monoblocos iam pelo ar...!”, considera. “Estamos numa situação muito grave. Não se vê uma forma de nos dizerem que apesar do problema financeiro, dentro de três ou quatro meses a obra fica concluída”. O túnel continua às escuras e o representante dos encarregados de educação admite até medidas mais duras, como encerrar a escola. “Não queremos tomar posições mais extremas porque não queremos prejudicar os alunos, pois ao encerrar a escola, ainda que simbolicamente, os alunos não vão ter aulas”.

Comunidade escolar já chegou ao limite A situação é já de si complicada e tem testado a paciência da comunidade escolar, mas a ausência de resposta da tutela deixa a direção de cabelos em pé. Numa última tentativa de conversação a Direção e Conselho Geral da Escola Secundária convidou a Direção Regional de Educação, representantes municipais e deputados a visitar a escola. O objetivo é que os deputados possam levar o assunto à Assembleia da República. “O que queremos é que quem está em posição de nos poder representar, e de poder fazer ouvir a nossa voz, o faça no sítio certo”, confirma Cristina Silveira, Diretora da Escola, observando que muito está em causa. “A questão da qualidade está em causa, a segurança dos nosso alunos está em causa, assim como toda a comunidade. Não há muito para pensar aqui, há que agir”. Outro dos problemas que avança é a questão dos contentores. “Sabemos que o contrato acaba em Dezembro; não sabemos qual é a situação que depois seguirá. Espero que o bom senso aqui perdure, porque inde-

pendentemente de tudo, as aulas deverão continuar”. Atesta até não se tratar de uma teimosia, mas sim de um direito. “Sabemos que não há mudança sem haver inconvenientes, mas a falta de respostas é outra coisa; não se trata de uma birra, trata-se da segurança dos nossos alunos”. Face a perguntas que fazem eco por toda a escola e caem no vazio de um estaleiro armado por todo o recinto escolar, Cristina Silveira admite que o encerramento simbólico da escola “é uma situação a ponderar-se”, assegurando que “a comunidade escolar já chegou ao limite”. Ana Dias do Conselho Geral protesta. “Ausência de respostas é inademissível no regime democrático”. Já o Diretor Regional de Educação do Algarve (DREA), Alberto Almeida explicou desde logo que obras e construções não integram as responsabilidades da DREA. “Temos procurado saber com a tutela o que se passa, mas não temos resposta”, diz.

“Queremos uma escola para nós” Aquando da visita dos deputados à escola os alunos representativos da Associação de Estudantes, pediram apenas segundos para manifestarem o seu desagrado com a situação. “Não estão reunidas aqui condições de segurança, as obras devem ser finalmente concluídas com caráter de urgência”, avaliam atestando que “não estamos aqui para tomar partido de ninguém, queremos é uma escola para nós”, referindo à margem da visita que «querem qualidade e todas as condições de uma escola normal». Contavam que há até de facto quem tenha ingressado na secundária já em período de obras e vai terminar o percurso nos mesmos termos.

Chuva de críticas de

todos os espectros O deputado do PCP, Paulo Sá, classificou como «inaceitável o atraso na conclusão das obras». O deputado quer saber quais as medidas imediatas pretendidas pelo Governo para dar resposta aos problemas de segurança, nomeadamente na questão da fragilidade da Escola em situações de catástrofe natural ou acidente. Lembrou que em Março o grupo parlamentar do PCP questionou o ministério sobre o atraso na conclusão das obras levadas a cabo pela Parque Escolar no Algarve. A resposta foi pouco esclarecedora. “O ministério da Educação e Ciência limitou- se a informar que pretendia proceder à elaboração de um relatório da situação financeira da empresa PE e à revisão dos planos de investimento e financiamento para o período 2012-2015 e dos projetos já elaborados relativos a intervenções que foram suspensas, nada dizendo em concreto sobre os problemas registados com as obras das escolas secundárias do Algarve”. Cecília Honório, do Bloco de Esquerda, recorda que as obras iniciadas há três anos deveriam estar concluídas há um ano e que a “paralisia da PE, agora em contencioso com o consórcio de empresas, deixaram um edifício com obras a meio e sem requisitos de segurança”, garantindo que “os 900 alunos da escola não têm as condições de segurança exigíveis, nem para a prática da educação física, nem para o desenrolar das demais atividades letivas”. Miguel Freitas, deputado do PS, assegura que “é a situação mais grave que já visitei”, alertando que “o que se espera dos decisores políticos é que deem respostas às pessoas e temos que exigir ao Governo uma resposta perante uma situação concreta e não mediante números”.

Deixou desde logo o compromisso de colocar a questão ao Governo. A deputada Elsa Cordeiro, do PSD Algarve, lamentou a falta de respostas revelando que “desconhecia uma situação tão grave” aludindo a que “as políticas devem mudar nos Governos, no entanto temos que dar respostas a uma situação prioritária como esta”.

VRSA exige resposta rápida A autarquia vila-realense para além de «preocupante», atesta que a situação «está a prejudicar a qualidade de ensino de um milhar de alunos», lamentando o silêncio e «exigindo uma resposta rápida para repor a normalidade do ano letivo». O município adianta que «não pode tolerar que a escola continue transformada em estaleiro durante mais tempo e exige à tutela que encontre, com caráter de urgência, os mecanismos de financiamento que garantam a finalização das obras». Alerta ainda que os alunos da Secundária vilarealense «não estão em pé de igualdade com os estudantes de outras escolas do país, que já concluíram os seus trabalhos de requalificação e não estão em situação de estaleiro». O município relembra que vai continuar a colocar à disposição da escola, a custo zero, as instalações do seu Complexo Desportivo, assegurando que esta disponibilização representa já «uma despesa na ordem dos 120 mil euros» para a autarquia. Também a direção da Odiana já fez chegar ao Ministro da Edução e Ciência um ofício a manifestar «indignação relativamente à situação caótica e insustentável vivida diariamente pela comunidade escolar da Escola Secundária de VRSA», não esquecendo que a escola secundária serve os três concelhos do Baixo Guadiana: Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |DEZEMBRO 2012

LOCA L  Pela chancela da CCDR Algarve

Eurocidade entre VRSA e Ayamonte em 2013 O convite surgiu através da CCDR e já está a ser preparado um documento que visa criar uma Eurocidade entre Vila Real de Santo António na margem lusa e Ayamonte na margem espanhola do Guadiana. O projeto, que emana de uma escala europeia, envolve dois países numa base de partilha de equipamentos e infraestruturas. Constituindo o Algarve, Alentejo e Andaluzia uma Euroregião, na qual o Algarve assumiu desde Outubro a presidência até 2014, esse foi o mote que bastou para a CCDR Algarvia, liderada por David Santos, lançar o apelo à formação de uma Eurocidade entre povos próximos não apenas geograficamente, como pelos costumes e tradições. Para já, e numa fase embrionária, está a ser preparado um acordo de entendimento no sentido de dar os primeiros passos na criação da Eurocidade. A meta é a partilha. “O objetivo é, sem dúvida, a constituição e a consolidação de laços, de intercâmbio e de colaboração mais profundos já ao nível que chega às populações”, conta Luís Gomes, edil vila-realense que passa a exemplos concretos. “ Pode haver aqui uma complementaridade; por exemplo, se a rede de saúde aqui no concelho de VRSA não for tão boa como é em Ayamonte, os nossos utilizadores

poderão frequentar as de Ayamonte e o contrário também é igual; se porventura lá a rede de equipamentos desportivos não for tão boa como a nossa, eles podem vir cá”, enumera não descurando que tal pode envolver certos procedimentos administrativos. O aprofundamento de relações entre as populações decorre sobretudo na área do desporto, cultura, saúde e educação. Mas não apenas; o binómio turístico é uma componente que deve ser explorada conjuntamente. “Queremos criar aqui sinergias de uma área estratégica, que é o turismo, e que apesar de pertencer a dois países distintos tem as mesmas características e é justamente isso que nós queremos aprofundar”, concretiza o edil não esquecendo que em matéria de turismo a promoção da zona deve ser feita em conjunto.

Acordo assinado em Janeiro

VRSA e Ayamonte passam a estar unidos por laços de intercâmbio oficial O processo está em andamento e recentemente foi criado um grupo de trabalho constituído por técnicos de ambos os municípios, acompanhados pelos dois presidentes, mais técnicos da CCDR; uma comissão

que já está a preparar o acordo para uma assinatura que deve acontecer na primeira quinzena de Janeiro. “Vamos criar regiões homogéneas, territórios conjuntos e vamos trabalhar em conjunto, com estraté-

gias e sinergias”, atesta o autarca explicando que “Ayamonte não deixará de fazer parte de Andaluzia e VRSA não deixará de fazer parte do Algarve, tem é que haver uma estratégia conjunta; Portimão tem uma estratégia particular, Albufeira tem uma estratégia particular e nós não podemos ficar atrás destas sinergias”. Obras não estão previstas, até porque os tempos não o permitem. O que se ambiciona é melhorar o existente. “É uma questão de aprofundar o que temos hoje, e se calhar, com uma rede de complementaridades entre duas cidades de países diferentes evita-se gastar mais dinheiro em novos equipamentos”, garante concluindo que “se ao lado se tiverem equipamentos bons numa determinada área escusamos nós aqui de os estarmos a fazer, e o contrario também é igual”. Recorde que já existem Eurocidades entre Chaves e Verin e entre Valença e Tui, entre outras.

 Objetivo não é encerrar mas sim recuperar

Quinta do Vale apresentou pedido de insolvência à situação. “Se antes das Portagens já custava muito trazer turistas agora imagine com as portagens...”.

Ángel Losada é o novo administrador da Quinta do Vale, mas também um dos sócios que esteve na génese do resort turístico. A empresa apresentou recentemente um pedido de insolvência cujo objetivo é a recuperação económica e não o encerramento. Dilatar os prazos de pagamento e manter os postos de trabalho são as diretivas. A Quinta do Vale abriu em 2005 no concelho de Castro Marim e contempla o golfe, que se desenvolve numa área de 75 hectares com 18 buracos, mas também interesses turístico-imobiliários da urbanização adjacente. Recentemente a empresa entrou com um pedido de insolvência para a defesa da recuperação económica e garante o administrador, Ángel Losada, que atualmente a Quinta do Vale (QV) é solvente. “O que fizemos foi apresentar nós próprios a insolvência e não porque nos foi decretada ou porque algum credor o apresentou”, esclarece referindo que “a sociedade decidiu apresentar o pedido sobretudo devido à crise e estagnação do setor imobiliário”, sendo que 90% da dívida da QV é ao banco e concerne ao tema da construção. Neste

momento estão 10 villas para venda, cada uma no valor de 1milhão e meio de euros e a isto acrescem as parcelas de terreno com valores até 18 milhões de euros. Não obstante, o administrador contesta a posição do banco. “O banco não negoceia, não estende prazos e porque não queremos parar apresentou-se a insolvência, para poder negociar com o banco, alargar prazos e salvaguardar os postos de trabalho”. Para já assegura, como sócio do campo que gere, que não desiste. “Contamos com todo o apoio da administração e até do município de Castro Marim; temos que procurar soluções e é isso que temos feito nos últimos três meses”. Atualmente são cerca de 20 os funcionários; os restantes, também 20, ligados diretamente à imobiliária, não se mantiveram.

Baixo Guadiana é «zona turística de golfe»

Ángel Losada é o novo administrador da Quinta do Vale Para o empresário de golfe, que se revela um otimista, tudo é cíclico e tal como surgiu, a crise também desaparece. “Há momentos bons e maus, a crise pode durar dois, quatro ou seis anos, mas depois há a retoma e a QV não pode parar”.

2012 foi ano mau para o golfe Em 2012 fizeram-se, no domínio do golfe “entre 10 e 14 mil voltas;

perderam-se 5 mil”. Já para 2013 o cenário é mais animador. “As previsões são até 25 mil voltas e já há 1500 reservas para os meses de Fevereiro, Março e Abril, o que pressupõe cerca de 6 mil jogadores”, garante o empresário que de forma otimista considera que “não se pode encerrar isto por motivos económicos, pois falamos de um espaço que gera riqueza para todo o território”. A introdução das portagens na A22 não veio ajudar

Não obstante dos estrangulamentos económicos que a empresa vive, o administrador reclama o título de «zona turística de golfe» para o Baixo Guadiana. “A partir de cinco campos os operadores turísticos já consideram como uma zona de golfe, haja praia ou não; aqui temos seis,mais dois se contarmos com a Isla Canela e Costa Esuri em Espanha”, atesta salientando que “temos oito campos num raio de 15 km, se isto não é uma zona de turismo de golfe então não sei…”, ironiza garantindo que para além do golfe há praia e camas turísticas. “Não houve iniciativa política a esta parte e para além disso cada um vai para um lado e quando havia muita procura não havia problema, mas agora ou nos agrupamos todos ou não temos solução e vamos morrendo um a um”, reclama. Para já o empresário levanta a ponta do véu e diz que os campos de golfe da região estão já a unir-se para este efeito.


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LO CAL  Num território tido como desertificado as candidaturas ao PRODER multiplicam-se

“Felizmente no Baixo Guadiana há muitas pessoas a querer investir” Jorge Revez é o novo presidente da Associação Terras do Baixo Guadiana (ATBG) desde Março de 2012. A rotatividade inerente aos corpos sociais da associação dá agora a presidência da direção à ADPM por um período de dois anos. Colmatar lacunas, trazer valências e dinamismo ao território, criar postos de trabalho e capacitar a comunidade são os objetivos de uma associação que mantém uma das mais saudáveis taxas de execução no programa PRODER no país. JBG - Quais são os desafios para este mandato? Jorge Revez - Fundamentalmente manter o ritmo de trabalho que a associação tem tido nos últimos anos, conseguir executar a totalidade das verbas destinadas ao GAL do Baixo Guadiana e conseguir também diversificar a atividade e os projetos da ATBG, o que até agora não se tem conseguido muito porque a equipa é muito reduzida. Se conseguirmos alcançar estes três julgo que estão alcançados os principais objetivos para os próximos dois anos. JBG - Qual é o montante ainda disponível neste PRODER que finaliza em 2013? JR - Temos um valor de quase 6 milhões de euros em que a despesa pública já aprovada é de 3 milhões e meio praticamente, isto porque já aprovámos projetos duas vezes na medida 3.1 e uma vez na medida 3.2. Estamos neste momento a analisar 64. Há também o trabalho de 2002 a 2008 [Leader+] que é preciso não esquecer, em que aprovámos cerca de 120 projetos no valor de cerca de 4 milhões e meio de euros e criámos cerca de 45 postos de trabalho. A despesa pública aprovada foi de 4 milhões e meio. Neste momento já estão cerca de 60 a 70 postos de trabalho criados ou a criar em função destes projetos. JBG – A crise é normalmente um entrave ao investimento, no entanto as candidaturas ao PRODER continuam a crescer... JR - Sim e é preciso realçar que isso tem a ver com o bom trabalho que a ATBG faz. Conseguimos ao longo destes anos executar, acima da média nacional, em termos de taxa de execução de projetos, o que demonstra bem a imensa capacitação da ATBG neste território. Por outro lado há um aspeto muito importante, pois ao contrário de quem pensa que não há muito tecido económico neste território, a verdade é que temos sempre muito mais projetos apresentados do que a capacidade financeira que temos. Isto significa que neste território há pessoas a querer investir e é isso que traduz que haja tantos projetos e tantos postos de trabalho criados. Na ATBG se mais tivéssemos mais tínhamos investido em projetos de desenvolvimento. Isto é significativo porque há pessoas a querer investir. JBG – Portanto a ATBG tem assim acesso à Reserva de eficiência. JR - Nos últimos tempos tem

havido alguma tendência para redis- públicas para o desenvolvimento das para o mundo empresarial e para tribuir os dinheiros pelos GAL mais regiões. o tecido associativo. É a forma de “eficientes”. É o que se chama reserva JBG - O QREN 2009-2013 está obviar esse constrangimento que este de eficiência. Ou seja, há verba que prestes a terminar e sabe-se território tem. é distribuída pelos GAL mais eficien- que as verbas serão mais JBG – O binómio turístico sol& tes. Sempre que praia está a houve reserva decrescer. de eficiência a O turismo ATBG sempre a de natureza teve, o que sigé a nova aposta? nifica que fez uma boa gestão JR - O do programa, pendor turístico do Algarve que tem boas sempre foi trataxas de execução, por isso viu dicionalmente reforçadas as sol e praia e suas verbas. A inverter isso, última foi o ano e por muito passado e a ATBG trabalho que teve cerca de um se faça, leva milhão e meio de algum tempo. euros de reserva O sol e praia já de eficiência. não chegam. As pessoas querem JBG – Sinergia é então complementar isso com outras a palavra de ordem… coisas que o terJR - Sim, e a ritório do interior do Algarve meu ver o tertem. Há de ritório do BG tem muito mais Jorge Revez é o novo presidente da ATBG e pretende imprimir mais dinafacto uma comhipóteses de mismo e diversidade de projetos à associação plementaridade se desenvolver todo ele articulado reduzidas devido ao facto do e mais-valia neste território que é entre Mértola, Alcoutim, Castro Algarve ser considerado uma importante aproveitar. O turismo Marim, VRSA e Tavira. O territó- região «rica». Em que é que de natureza está a caminhar, mas rio está dividido por duas regiões isto pode limitar o trabalho muito devagar para aquilo que era preciso andar, até porque há muito administrativas, são duas CCDR’s, da ATBG? são quatro câmaras municipais, duas JR - O território do interior do património e atividades tradicionais regiões de turismo; é tudo a duplicar, Algarve acaba por sofrer as conse- que se vão perdendo e que por via o que dificulta muito um processo de quências do território da linha do do turismo podiam ser recuperadas. desenvolvimento consistente. A única No Alentejo esse problema não é tão entidade que tem a possibilidade de grave, pois como não temos o sol e fazer esta articulação é exatamente a Ao contrário de quem praia tivemos que nos dedicar muito ATBG porque abrange todo o Baixo mais cedo ao turismo de natureza. Guadiana. pensa que não há muito Mas temos de facto todos os recurJBG – O Guadiana é um elo sos locais, o potencial endógeno e de ligação importante no teraté o capital territorial e social do tecido económico neste ritório. É urgente o desassoterritório. reamento, previsto a partir de JBG – A candidatura de um território, a verdade 2013? projeto com ferryboat entre JR - A navegabilidade do Guadiana Alcoutim e Sanlúcar tem gerado é que temos sempre e o turismo não serão obviamente críticas por parte do promotor. uma panaceia do Baixo Guadiana, Numa estratégia que engloba muito mais projetos pode é criar uma dinâmica que estruo Guadiana porque não há um CAE específico para o rio? ture o desenvolvimento de todo o apresentados do que a território. A navegabilidade do GuaJR – Nem Deus agradou a gregos diana e o turismo que daí pode advir e troianos. Quando há críticas devem capacidade financeira tem essa grande vantagem. Não é ser sempre avaliadas e devem ser analisados os fundamentos, o conteúdo e pensarmos que o turismo resolve que temos o enquadramento de quem é criticado todos os problemas; o que pode é estruturar o processo de desenvolvi- litoral que aparentemente é mais e de quem critica para que haja seriemento ancorado no turismo. E não rico, quando a totalidade do território dade. A decisão de aprovar ou não os podemos esquecer que sendo um não o é; não é um critério justo. Na projetos é tomada por um órgão de rio ibérico, o peso que Espanha tem ATBG estamos conscientes disso, daí gestão composto por onze pessoas, é muito maior que o de Portugal e o esforço em aproveitar ao máximo representando outras tantas entidao peso político determina muito o as verbas disponíveis. Tentamos que des locais e regionais. Se em 12 anos andamento dos projetos e políticas este programa seja sobretudo virado de gestão de projetos, e em cerca de

200 promotores contemplados, há um promotor insatisfeito, parece-me um trabalho excelente da ATBG. Esta é uma questão normalíssima, e é sempre muito difícil agradar a todos os promotores. Existem centenas de CAE’s e adequamo-los ao que nos parece ser adequado à estratégia aprovada; aumentamos ou diminuímos CAE’s de cada concurso, pois não podem estar todos abertos; seria uma panóplia sem sentido. Por isso mesmo temos um período oficial de intenções de candidatura em que os promotores apresentam as suas intenções de candidatura e o órgão de gestão analisa se de facto os CAE’s são suficientes ou se é preciso acrescentar outros. E toda esta informação fica disponível na página do GAL. Quando não há intenção de candidatura oficial pode acontecer que um promotor apresente um projeto mas que depois não esteja enquadrado porque o CAE não existe para esse concurso, podendo sempre ser no próximo concurso. E foi o que aconteceu com este promotor. Não havia intenção oficial de candidatura nesse sentido; havia apenas ideias de candidaturas muito variadas em todo o território que, obviamente, só materializamos quando há efetivamente a formalização da intenção de candidatura e aí sim, garantimos os CAE’s adequados a essas mesmas candidaturas. Isto significa que a candidatura fica para o concurso seguinte; não a invalida. No caso concreto o promotor já tem um projeto aprovado e tem duas candidaturas apresentadas, onde uma delas infelizmente, não tem enquadramento. Isto acontece neste GAL e em todos os GAL do país. O que queremos é que os empresários possam ter os seus projetos aprovados, desde que sirvam os objetivos e interesse do território, que sejam projetos credíveis e que vinguem; é esse o nosso objetivo. A provar que fazemos uma boa gestão deste programa, quer do anterior PIC Leader +, está o facto que provavelmente a ATBG é das únicas entidades com uma taxa quase nula de projetos financiados e que não vingam como previsto; isso é sintomático da boa gestão dos projetos e dinheiros públicos. O nosso interesse na ATBG é aprovar o máximo de projetos, executar e sem deixar de ter em conta a lisura na aprovação das candidaturas, a boa gestão dos dinheiros públicos e que o projecto aprovado sirva o desenvolvimento do território. Esta descentralização do Estado de competências, neste caso para a gestão de fundos públicos para as associações, implica também uma descentralização de responsabilidade nessa gestão.


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LOCA L  No caso de muita precipitação no Baixo Guadiana

Municípios previnem para evitar inundações Face a um Outono que tem sido chuvoso, e a um Inverno que promete frio e precipitação, todas as medidas para evitar danos maiores são imprescindíveis. No Baixo Guadiana as medidas preventivas para evitar inundações são uma constante, no entanto e em terrenos baixos, com mar, rio e sapal, por vezes, contra a natureza nada se pode. No Baixo Guadiana as chuvas também se fazem sentir e a prevenção é essencial para evitar as desastrosas consequências que muitas vezes se traduzem em inundações. No caso de Vila Real de Santo António falamos de uma cidade completamente plana e é de conhecimento geral que, quando ocorre muita precipitação, a regra mantém-se e as ruas alagam. Não obstante, a prevenção é uma tarefa constante da proteção civil concelhia. “Temos acompanhado as situações a nível meteorológico através dos briefings diários da autoridade nacional de proteção civil, e temos vindo a fazer limpezas preventivas a nível de ribeiras e sobretudo nas zonas mais críticas”, explica Eduardo Bonança, coordenador da proteção civil vilarealense, adiantando que também “as valas de escoamento têm vindo a ser limpas para escoar as águas pluviais das estradas”. À parte disso também a limpeza e manutenção da rede pluvial previne problemas de maior em caso de grandes chuvadas. O trabalho é cíclico e ocorre todos os anos. O problema é que o facto de a cidade ser completamente plana não ajuda na prevenção de inundações; contra factos não há argumentos. “A cidade é completamente direita e não temos grande hipótese de fugir a uma precipitação mais intensa que no momento deixa-nos as ruas alagadas”, conta o respon-

sável observando no entanto que “neste momento já temos conhecimentos suficientes para normalizar num curto espaço de tempo, desde que deixe de chover, mas não há hipótese em grandes chuvadas pois a zona é muito plana e o sistema de bombagem não é instantâneo”, considera o responsável. “Vamos ter sempre ruas inundadas quando houver maior precipitação, quanto a isso não há dúvida; é inevitável”, atesta o coordenador.

Comunidade também tem responsabilidades Em Castro Marim o cenário não é igual, mas a verdade é que de quando a quando também ocorre. No interior dos aglomerados urbanos as linhas da água num espaço público são da competência do município e todos os anos a rotina é cíclica: proceder à limpeza das linhas de água. “É trabalho de rotina; as linhas de água vão assoreando e os distritos vão-se acumulando nos sumidouros e é necessário removê-los”, atesta Nuno Pereira, vereador da câmara municipal de Castro Marim. No entanto, ressalva desde já que a comunidade também tem responsabilidades nesta matéria. “É da responsabilidades dos proprietários confinantes a limpeza das linhas de água fora dos aglomerados urbanos”, garante revelando que o o

VRSA não consegue evitar ruas inundadas em períodos de precipitação forte e ininterrupta mais importante é ter os algerozes de Altura, outro na vila de Castro limpos e as linhas de água desobs- Marim. “Em Altura maior parte das truídas. “As pessoas já estão mais árvores são de folha caduca e neste conscientes da necessidade destas período, em que a folha cai, é necesmedidas, no entanto a fiscalização é sário quase diariamente desobstruir indispensável”, diz relembrando que os sumidouros”, assegura. “Não nos “antigamente a agricultura obrigava podemos esquecer que toda a zona a que as pessoas tivessem sempre da Alagoa era uma zona de lagoa, os terrenos limpos, mas o abandono todas as águas antes de chegarem ao da terra também levou a este tipo mar passavam por ali”. De momento de situações”, garante. um dos pontos realmente preocupantes é a zona da Rota Mar que foi Freguesia de Altura é construída numa cota inferior ao da mais preocupante estrada, cerca de um metro abaixo. Neste e noutros sentidos foram Existem dois pontos mais pro- tomadas medidas, desde substituir pensos a inundações no concelho tampas compactas dos pluviais e castromarinense; um na freguesia esgotos por tampas com grelha, lim-

pezas, e foram ‘impermeabilizadas’ as construções e o solo, mas nem sempre é suficiente. “O emissário daquela lagoa que vai para o mar, é controlado através de comportas e funciona com a maré. Se chover muito durante muito tempo e se os terrenos estiverem saturados e coincidir com a preia-mar aquela água não corre para o mar. O que é necessário é que a água escoe para haver capacidade de encaixe, se isso não acontecer não há nada a fazer a não ser esperar que a maré baixe”. Na zona norte da vila de Castro Marim o problema é semelhante, com a diferença que se trata de uma zona de sapal. “Por vezes contra a natureza não há muito a fazer”, diz.

Terrenos inclinados deixam Alcoutim segura À parte das habituais limpezas feitas ao nível da prevenção, o concelho de Alcoutim acaba por ficar de fora de alguns dos fenómenos consequentes da farta pluviosidade. “A água escoa bem, não há problemas de alagamento, até porque temos a sorte e o facto de termos os terrenos muito íngremes e inclinados o leva a que não haja cheias”, garante Francisco Amaral aludindo por vezes a ribeiradas, mas sem grande expressão.

 Em VRSA

Novembro foi mês de recrutamento de bombeiros Durante um mês o Corpo de Bombeiros de Vila Real de Santo António promoveu uma campanha de recrutamento de novos elementos de forma a renovar o seu quadro de pessoal. Apresentaram-se à chamada cerca de 15 potenciais bombeiros. Trata-se de mais uma ação de recrutamento para o Corpo de Bombeiros de Vila Real de Santo António que esperam aproximar os soldados da Paz da comunidade e tentar colmatar uma grande lacuna: a cada vez maior ausência de novos elementos voluntários. Esta é uma situação que se tem agravado nos últimos anos e um fenómeno transversal ao resto dos Corpos de Bombeiros do País. Objetivos são dois. Primeiro pre-

encher as vagas existentes; segundo encontrar bombeiros especialistas para o futuro Quadro de Especialistas. Encontram-se ainda abertas inscrições para a Escola de Infantes e Cadetes. Para os potenciais soldados da Paz com mais de 18 anos está a frequência do Curso de Bombeiro de 3.ª, com a duração de um ano dividida em três fases distintas [Formação Teórica e Prática], com uma componente de 350 horas, onde será ministrada

toda a formação relativa às funções de Bombeiro; Avaliação perante o júri do concurso; Formação em serviço com uma duração de seis meses, em que os estagiários irão para as ocorrências acompanhados do respetivo tutor, de forma a transpor os conteúdo apreendidos; esta também com a duração de seis meses. Para mais informações contacte através do 281 512 777 ou recrutamento.cbvrsa@gmail.com

Bombeiros de VRSA promoveram mais uma campanha de recrutamento


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 Memórias de um Guarda-Fiscal Alcoutenejo

Mário Parreira Batista tem 80 anos de idade e foi Guarda-Fiscal em Alcoutim. O seu trabalho, durante muitos anos, foi vigiar o majestoso Guadiana que escondia nas suas margens contrabandistas fugidios. Nas suas águas viu passar pessoas, animais e muita mercadoria em tempos de miséria e dura guerra civil em Espanha. Como guarda-fiscal não fez, em mais de 30 anos de carreira, uma única apreensão e bem sabia que por vezes na mesma família chegavam a coexistir duas faces da lei: o guarda-fiscal e o contrabandista. Já arrumou a farda e a espingarda há muito mas, por hábito de ofício ou rotina da vida, olhar para e pelo Guadiana, é a primeira coisa que faz assim que nasce o dia.

Joana Germano


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“ Nunca vi um M contrabandista como inimigo”

ário Batista tem 80 anos. É marido, pai, avô, amigo e sente um orgulho imenso em ser alcoutenejo, terra que o viu nascer e criar família. Na carreira de Guarda-Fiscal ingressou bem novo, diz que “era isso ou ir para a lavoura, que naquela altura era muito difícil”. Ingressar no corpo militar foi uma alternativa à vida de campo, com enxada na mão e poucos proveitos na mesa e nada na carteira. O salário era curto mas todos os meses picava ponto. Mais tarde obtinham a almejada reforma. Mário Parreira teve pouco mais de 30 anos ao serviço da guarda-fiscal e com 52, ao perfazer o tempo de serviço, reformou-se. Fez grande parte da carreira na vila nordestina banhada pelo rio ibérico que lhe deu trabalho, mas não apenas aqui, também noutros cantos do Algarve. “A minha carreira não foi só aqui, foi também em Faro, VRSA, Lagos, enfim; mas depois vim aqui para a lancha e aqui fiquei até ser reformado”, conta. Na verdade Mário Batista, apesar de ter sido em tempos patrulha, a sua função era outra. “Havia aqui uma vedeta que fiscalizava o rio Guadiana desde o Pomarão até VRSA; eu era o patrão da vedeta”, graceja lembrando que na lancha a tripulação era constituída por três homens. Eram tempos difíceis em que a fome e a miséria imperavam e com o regime do Estado Novo na margem lusa e a Guerra Civil do lado espanhol, as fronteiras estavam cerradas a ferro e fogo; «nesse tempo era muito difícil, tanto para civis como para militares».

Missão: acabar com o contrabando Antes de existirem os GuardasFiscais existiam os Guardas da Alfândega. Outros anos, diferentes nomes, funções semelhantes. A Guarda-Fiscal foi criada em 1885 e consistia num corpo paramilitar cujo objetivo era defender o Estado no que respeita aos direitos e rendimentos que pelo comércio externo cabiam à Fazenda Nacional. Ou seja, os militares tinham que descobrir e reprimir o contrabando, assim como as transgressões dos preceitos fiscais. História feita, escusado será dizer que a missão de Mário Parreira era uma e mais nenhuma: acabar com o contrabando, e se necessário fazer detenções, um fenómeno que o Sr. Mário garante nunca ter assistido no seu turno… “A nossa missão era evitar que houvesse contrabando, desde a entrada de mercadorias, como a saída”, conta. “Essencialmente o café era o contrabando principal aqui, também bebidas muito virtuosas, como o conhaque, que todos apreciavam; o vestuário e certos tecidos que agora já nem me recordo”. Nos tempos do Estado Novo e do Franquismo, de Portugal saíam o café e o açúcar “muito apreciados em Espanha”. Da outra margem vinha a bombazina, calçado e o miolo de amêndoa, entre outros produtos.

Trocas comerciais fugidias “A Guerra Civil em Espanha levava muitos ao contrabando. Tudo era escasso e muito limitado e nesses tempos os civis aqui, e também no Baixo Alentejo, tinham pouca escolha. Na verdade a única saída que tinham

era a lavoura que aqui era muito pobre. Como tal muitos dedicavam-se ao contrabando”, atesta. Foi assim que devido à posição geográfica do Baixo Guadiana, aliada às dificuldades económicas de muitas famílias, emergia rapidamente uma economia paralela, baseada nas trocas comerciais clandestinas entre Portugal e Espanha. “O contrabando era uma forma de ajudar porque as pessoas eram muito pobres e havia muita miséria. Tinham que sobreviver, tinham que arranjar um modo de vida que lhes garantisse a sobrevivência deles e da família, e ninguém os julgava por isso”. Tratava-se de um “contrabando de subsistência, não como este que há agora”, testemunha garantindo que o dinheiro arrecadado pelos ditos transgressores, tinha como finalidade dar de comer à família numa altura em que a agricultura era muito pobre e escassos eram os rendimentos que daí se retiravam. “O interesse é que saísse o café”, recorda “ainda nesse tempo tínhamos o café das colónias”. “Também passava gado no rio, de lá para cá principalmente. Chegavam a atar os animais ao barco e iam a nado. E era assim a vida...”.

30 Anos sem apreensões O contrabando era imenso e as autoridades portuguesas construíram quase que em cada curva do rio um posto da Guarda-Fiscal, que permitia assim, a vigilância de qualquer troço. Embora de vigilância apertada, também os contrabandistas eram muitos e “tinham muitas artimanhas para fugirem à nossa fiscalização”, comenta. Em 30 anos ao serviço Mário Parreira nada apreendeu. “Não fiz uma única apreensão; dava prejuízo ao Estado”, ri-se confessando que “a alguns superiores só faltava dizerem para deixar passar”, apesar de nunca o terem dito. E os contrabandistas passavam. “Não cheguei a ver contrabando nenhum”, volta a rir-se, “se calhar era porque a lancha fazia muito barulho e eles escondiam-se na margem dos ribeiros e do rio e safavam-se à apreensão”, sorri. Apreensões quem as fazia eram os patrulhas, ainda que «de quando a quando». “Normalmente a vigilância era feita por patrulhas, chamavam-lhe a guarda, e normalmente eram de 9 a 10 horas durante a noite. Tínhamos que estar muito vigilantes porque apareciam os superiores a rondar e se não estivéssemos lá perdíamos a licença e íamos uns dias de detenção”, relembra com calafrios a dureza do serviço e não esquece que quem adormecia em serviço esperava-o o castigo. Também as intempéries “não eram pêra doce” nesse tempo.“Já viu o que é estar uma noite inteira a suportar geadas e frio?”, questiona acrescentando que se no Inverno era a «frieza», no verão era o calor «insuportável». “Naquele tempo usava-se polaina, que era muito quente, e percorriam-se mais de 5 km seguidos; aquilo era um calor terrível. Felizmente não fiz muito serviço deste porque fui para a lancha, a minha especialidade era essa”.


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“Não considerava um contrabandista um inimigo” Numa zona raiana onde coexistiam atividades completamente opostas, todos conheciam e muitos até recorriam aos contrabandistas. “Se conhecia quem fizesse contrabando? Então não havia de conhecer? Tantos…”, relembra Mário Parreira revelando que “os contrabandistas até encarregavam as crianças de vigiar os guardas, para ver para que lados iam, isto para não se encontrarem com as patrulhas e terem a certeza por onde podiam passar e atravessar o rio”. Em muitos anos de carreira não fez nenhuma apreensão e também não perdeu amigos. “Eu não considerava um contrabandista um inimigo, ainda hoje sou amigo deles”, refere entendendo que “eles tinham que sobreviver e sempre fui amigo de todos, tanto os que viviam nos montes, como na vila”. De facto chegavam a existir , por vezes, ambas as atividades na mesma família. “Cada um tinha a sua missão; eu a minha, e eles a deles”.

Anos de muita miséria Apesar de muitos anos passados, os sacrifícios passados pela população não se esquecem. “Nessa altura havia muita fome, não havia empregos, só se vivia sobretudo de agricultura”, continua observando que “havia muitos agricultores que recorriam a empréstimos do Grémio da lavoura, mas os cereais que colhiam por vezes não podiam vender, pois primeiro eram para comer”. Como não colhiam o suficiente, não pagavam o empréstimo e o Governo nada tardava a penhorar tudo, isto numa época onde existia um «imposto de trabalho camarário». “Quem não pagasse o imposto de trabalho iam buscar as coisas; quem tivesse uma máquina de costura para trabalhar levavam-na; se tinham um burrinho para ajudar na lavoura levavam-no na penhora”. Tempos difíceis. “Nesse tempo pagava-se imposto de tudo”, relembra com alguma amargura contando que não era necessária uma autorização judicial para entrar na casa de alguém e penhorar. “Deus nos livre de voltarmos a esse tempo”, suspira alertando que “a juventude de agora reclama que não gosta disto nem daquilo! Se apanhassem aquilo que eu apanhei… Na minha casa em tempos da infância e mocidade éramos oito, seis irmãos mais os pais à mesa e todos se criaram; não havia nenhum de má boca, todos comíamos bem”, ri. “Agora os avós vão logo fazer a comida que os netos querem e muitas vezes estragam os netos. Satisfazem-lhes as vontades todas”, considera confessando ele próprio também o fazer com os seus netos. “O nível de vida atualmente é muito mais elevado que nesse tempo; antes era uma autêntica miséria”.

Nostalgia, mas não de tudo Agora Mário Batista passa o tempo nas hortas que possui bem perto do rio e no centro da vila alcouteneja. “Tenho várias propriedades e então vou apanhando azeitonas para arranjar azeite e não ter de o comprar”, brinca traçando algumas similitudes com décadas anteriores em que

a lavoura era fraca e escassa. “Se vivesse só do rendimento da propriedade não era nada, mas dá para a casa e para vender qualquer coisa”, explica garantindo que também vende laranjas e alfarrobas. Em Alcoutim toda a gente conhece o Sr. Mário por percorrer a vila na sua bicicleta. Na realidade recusa-se a andar de carro, pelo menos em distâncias reduzidas. “Deve-se andar sempre a pé. Não preciso do carro para nada”. Distrações tem a pesca e a caça, mas afiança que todo o seu tempo está totalmente ocupado. As nostalgias também têm tempo reservado no seu dia-a-dia. Hoje com 80 anos de idade e com já muitos de reforma, Mário Parreira arrumou a farda e a arma, mas há uma coisa que não deixa de fazer, seja por hábito de ofício, ou por rotina de uma vida a olhar para e pelo rio. “Tenho um barco e assim que me levanto o primeiro que faço é olhar para o rio. Não posso perder o rio de vista, tal como a estátua que está em frente ao rio [estátua de Guarda-Fiscal junto do Guadiana em Alcoutim]. Era tal e qual. Com uma espingarda às costas a vigiar o rio”, recorda. Também a vigiar o rio está a estátua do contrabandista que olha de soslaio para trás, com carga

a trocar às costas e repara se a patrulha está longe para poder incorrer no seu ofício. Esse tempo já passou, mas nostalgia há sempre. “ Recordo essa vida com saudades, o tempo passa depressa; não há nada na vida que não deixe saudade, apesar de algumas não serem muito agradáveis...”, sorri não deixando de referir que as grandes diferenças entre, agora e outrora, está também no rio e nas embarcações que nele navegam. “No Guadiana havia transporte de minério que era feito através de barcos de grande tonelagem que vinham do Pomarão em Mértola” conta afiançando que era muito o movimento. “Naquele tempo andavam sempre dragas no rio a desassorear para que os barcos grandes pudessem fazer caminho rio acima e rio abaixo”. A realidade atual é diferente e Mário Parreira nota a diferença. “Agora pelo que sei o Guadiana está assoreado. Há muito que já não se vêm barcos grandes aqui, mas acho que estão a trabalhar nisso, pois vejo aqui muito pessoal da marinha”. Quando lhe dissemos que o desassoreamento espera-se para 2013 o Sr. Mário sorriu. “Vamos lá ver isso…”

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Antiga guarita da Guarda Fiscal em Alcoutim, 1988

Guarda-Fiscal em Alcoutim «Na zona baixa de Alcoutim, no miradouro do quiosque, junto ao Rio Guadiana, está a estátua do Guarda Fiscal, em constante vigia ao rio. Quando a Guarda Fiscal foi criada, em 1885, a vila de Alcoutim era sede de secção (atual edifício da Repartição de Finanças) e teve a seu cargo muitos postos de controle ao longo do rio. Aqui, os mancebos alcoutenejos começaram a ver uma atividade que podiam desempenhar, fugindo ao trabalho árduo e pouco rentável da vida do campo e obtendo, mais tarde, a almejada reforma. No princípio dos anos setenta, a grande maioria dos guardas estava ativa, mas, a pouco e pouco, começaram a ser extintos e os edifícios postos à venda. O concelho de Alcoutim forneceu dos maiores contingentes para aquele corpo militarizado. A partir daqui os mancebos alcoutinenses começaram a ver nela uma actividade que podiam desempenhar, fugindo ao trabalho árduo e pouco rendoso da vida do campo, obtendo depois a reforma, então regalia de poucos, podendo olhar pelas suas courelas ou do futuro cônjuge que os proventos, ainda que pequenos, sempre auxiliavam o magro mas seguro vencimento de soldado. Durante muitos anos os moços de Alcoutim, de uma maneira geral, após completarem a instrução primária, dificilmente se livravam da actividade agro-pastoril até ao cumprimento do serviço militar, devido a vários factores económico-sociais. A inspecção militar era vista com preocupação e o apuramento causava alegria. Depois vinha o cumprimento do serviço que se procurava fazer a todo o custo com a “caderneta limpa”. Aparecia a prova de admissão e lá estavam disciplinados e trabalhadores, não lhes era difícil obter o que pretendiam. Colocados por vezes em lugares distantes da sua região, acabavam por se aproximar alguns já como cabos ou sargentos e outros alcançavam o oficialato. Esta corrente de actividade decaiu com a chegada do turismo e com a emigração. Devido à integração de Portugal na Comunidade Europeia, a Guarda Fiscal é extinta pelo decreto-lei nº 230/93, de 26 de Junho e criada a Brigada Fiscal, integrada na G.N.R.» Excerto do livro: Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia), Edição da Câmara Municipal de Alcoutim, Rio Maior, 1985


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |DEZEMBRO 2012

LOCAL

Natal no Baixo Guadiana Dezembro é mês de Natal e um pouco por todo o território as iniciativas acrescem. Presépio de VRSA está em contagem decrescente e desfile de Pais Natais em Castro Marim promete. Alcoutim celebra com repertório musical.

Presépio de Vila Real de Santo António conta com 3500 figuras e 190m2 A abertura ao público do presépio gigante de VRSA encurta-se. É já no dia 6 de Dezembro que o Centro Cultural António Aleixo abre portas para conhecer a 5ª edição de um presépio da autoria de Teresa Marques e Augusto Rosa. Este ano os arquitetos do presépio contaram com a preciosa ajuda de nove pessoas, cinco das quais a trabalhar. Começando pelo números: são 3500 figuras, 2000 kg de cortiça, 1500 kg de pé de pedra, mais de 10 toneladas de areia e muitos kilos de musgo que, para que se mantenha bem verde e viçoso, tem que ser regado todos os dias com aproximadamente 12 litros de água. Quando o JBG falou com os autores do presépio, em meados de Novembro, já cerca de metade da obra era visível. Pastores, camponeses, pescadores, animais, quintas, casas, barcos, ferramentas agrícolas já tinham encontrado o seu posto no presépio. Teresa e Augusto começaram a trabalhar ainda em Outubro na construção e montagem .«Não há plano nem desenho, apenas o deserto tem que ficar desde logo definido, bem como o templo, o castelo a gruta e os lagos», depois disso é dar asas à criatividade e tentar inovar de ano para ano. O primeiro presépio que fizeram tinha 90m2, o de 2012 tem 190m2. «O objetivo final é chegar aos 200m2. O Guiness Book seria uma ambição, no entanto envolve custos «insuportáveis», mas a ideia não está esquecida. O produto final é muito esperado e já muitos comerciantes perguntam pela abertura, pois com a atração natalícia mais visitantes ajudam a economia local. Apesar de um trabalho moroso a bonança vem de seguida e são muitos os elogios que têm recebido. Em 2011 até receberam uma proposta para fazerem o presépio gigante na capital. Apesar de lisonjeados, recusaram. «Seria quase impossível, é muito longe; até porque temos o nosso trabalho», confessam. Este ano, e à semelhança do ano passado, a entrada será 0,50€. «Todo o dinheiro angariado serve primeiro para pagar a todos os envolvidos na construção e montagem, bem como para pagar todo o material, depois disso, o restante reverte a favor da associação GUADI – Centro de Animais. O presépio abre portas a 6 de Dezembro, das 10h às 13h e das 14h30 às 19h no entanto a inauguração oficial acontece no dia 5 e este ano está prevista a presença do Bispo do Algarve. Ainda em VRSA a «Aldeia de Natal» promete animar os mais novos, a par de muitas iniciativas natalícias no concelho [ver agenda página 22].

Concentração de Pais Natais em Castro Marim O Natal não está completo sem a figura do velhinho simpático que veste de vermelho e branco e percorre o mundo de trenó a presentear os mais novos. A junta de freguesia de Castro Marim não esqueceu a figura mítica e a 8 de Dezembro, dia em que inaugura a «Casa do Natal», também com direito a presépio, realiza a concentração do «Pai Natal» e promete desfilar pela vila apelando a todos que tragam o fato e «se juntem à festa». Ainda em Castro Marim a Banda Musical local realiza mais um concerto de Natal pelas 21h na Igreja Matriz.

Natal em tertúlia No concelho de Alcoutim o Natal é tema de tertúlia no dia 21 de Dezembro na Casa dos Condes com «A Palavra Sexta à Noite». Aqui conversa-se sobre os cânticos e tradições natalícias. As festas de fim de ano acontecem nas freguesias do Pereiro, Giões e Vaqueiros.

Concerto de Natal na Igreja Matriz de Alcoutim já vai na 4ª edição consecutiva Desde Dezembro de 2009 que a Associação Transfronteiriça Alcoutim Sanlúcar (ATAS) organiza anualmente Concertos de Natal na Igreja Matriz de Alcoutim. Esta foi a atividade que marcou o início de uma nova fase da Associação ATAS, desde 2009, e que terá em 2012 a sua 4ª edição, já no dia 15 de Dezembro pelas 18h. O grupo convidado este ano é o Coral Polifónica Polinnia de Ayamonte, um grupo coral que nasceu em Ayamonte em Janeiro de 2000 e que tem um largo repertório musical com peças de Mozart, Bach, Händel e Wagner e naturalmente um repertório de Natal. É constituido por 38 elementos de Ayamonte e Sanlúcar de Guadiana. A ideia presente nas atividades da ATAS é a proximidade entre populações das duas margens do Guadiana promovendo o convívio transfronteiriço. Nesse sentido, haverá após o Concerto um convívio/beberete no adro da Igreja em redor de uma fogueira. Assim ocorreu no Concerto de 2009, tendo sido um momento que muito agradou à população que esteve presente, daí a ideia de voltar a repetir este ano.


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LO CAL  A trabalhar em prol do território

Associação Odiana comemorou 14 anos de existência No início de Novembro a Odiana, que reúne os municípios do Baixo Guadiana algarvio, celebrou 14 anos ao serviço do desenvolvimento do território. Valter Matias, diretor da associação, está na Odiana há 12 e sublinha que a associação veio a contribuir para o reconhecimento e afirmação do Baixo Guadiana no contexto regional, nacional e europeu. Cimentar relações de cooperação é fundamental para o futuro e para os desafios do Mercado Único Europeu. JBG - Como é trabalhar 12 projetos e das várias atividades. anos ao serviço de uma assoJBG - Quais os grandes prociação que cumpriu 14 anos jetos que têm marcado o trade serviço em prol do Baixo balho da Odiana? Guadiana? VM - Existem três grandes áreas Valter Matias - São 12 anos de de projetos que têm marcado o uma experiência única enriquece- desenvolvimento socioecónomico dora, de boas recordações e momen- do território. Projetos na área social, tos que marcaram o desenvolvimento onde destaco o projeto «Mais Vida socioeconómico do Baixo Guadiana. Mais Guadiana» e o projeto «CLDS», Foram 12 anos onde aprendi muito onde foram desenvolvidas diversas sobre o desenvolvimento de um ter- ações que contribuíram bastante para ritório que, no início da constituição a melhoria das condições de vida e da Odiana (1998) denotava muitas bem-estar das gentes do Baixo Gualacunas ao nível de desenvolvimento, diana, especialmente dos mais idosos. de inovação e de abertura a novos Os projetos na área do Turismo, desafios e visões estratégicas. Foram através dos quais foi possível pro12 anos de intenso trabalho com mover e dar a conhecer o território, contribuindo inúmeros projetos desenvolvidos para um pelo caminho, que “É necessário aumento de no seu conjunto turistas e, por contribuíram para desenvolver uma conseguinte, a mudança de proporcionar um território que uma maior aposta forte no estava algo esquedinâmica na cido no tempo, que realmente é e c o n o m i a local. Destaco com um fraco aproveitamento genuíno deste ter- neste campo a elaboração dos seus recursos e de imensas do primeiro ritório, centrarpotencialidades «Roteiro Turísque se encontratico do Baixo mo-nos naquilo vam por lapidar. Guadiana», a Posso afirmar que que é nosso e que implementacom a criação da ção da rede Odiana iniciou-se nos diferencia de de 19 percurum caminho de sos pedestres desenvolvimento outras partes do e o desenvolviconjunto e artimento de inúculado entre três meras ações mundo” municípios, o que de promoção permitiu o recoe divulgação nhecimento e a levadas a cabo, afirmação deste território no con- desde a participação em feiras de texto regional, nacional e europeu. turismo, edição de material promoJBG - É dos mais antigos cional, sinalização turística, entre funcionários da Odiana e há muitas. Também na Área do Patridois anos foi nomeado Diretor mónio onde foram desenvolvidos Executivo. O que mudou? vários projetos que possibilitaram a VM - Não vou dizer que houve promoção e valorização do patrimógrandes mudanças, porque os nio histórico, cultural, gastronómico, tempos que correm também não são natural e dos produtos endógenos do propícios para tal. Procurei antes de território, como por exemplo o sal de mais dar continuidade aos projetos Castro Marim. Neste área, destaco o em curso, com candidatura aprovada projeto «EQUAL», a Estratégia de Efinos vários Programas de Apoio do ciência Coletiva PROVERE, e a edição Quadro Comunitário de Apoio 2007- de várias publicações em torno do 2013. Resultado da sufocante crise património material e imaterial. Não económico-financeira que o nosso menos importante, e considerada País atravessa, houve a necessi- uma grande vitória em 2001, foi o dade de desenvolver uma apertada facto da Odiana, em conjunto com as engenharia de gestão financeira da associações ADPM e Alcance, terem entidade, no sentido de zelar pela conseguido trazer para este territómanutenção e bem-estar da equipa rio o programa LEADER+, atual técnica e paralelamente dar resposta PRODER – Subprograma 3. e honrar com compromissos assuJBG- O que há atualmente midos no âmbito da execução dos na associação que não existia

em 1998? VM - Um conhecimento do território que não existia. Um conhecimento adquirido que possibilitará à Odiana continuar a trilhar do percurso de desenvolvimento do território do Baixo Guadiana em função das novas realidades; de um mundo cada vez mais globalizado e exigente onde o conhecimento, sobretudo tácito, aliado às novas tecnologias e inovação, será sem dúvida uma mais-valia para este território. JBG- Com o final do QREN avizinha-se uma limitação de verbas para o Algarve. De que forma é que isto pode limitar a atuação da ODIANA em plena crise económica e financeira? VM - Pode e certamente irá limitar a atuação da Odiana, pelo que, se queremos continuar a afirmar a Odiana como agente de desenvolvimento e dinamizador deste território, vamos ter que encontrar novas fontes de financiamento, novas formas de encarar e pensar o desenvolvimento do território e reforçar o trabalho em parceria com outras instituições e entidades do setor público e privado. É preciso continuar a relação de sinergia com a região do Alentejo. Considerando o desafio do Mercado Único Europeu, e o futuro incerto que temos pela frente, torna-se fundamental cimentar as relações de cooperação com os nossos vizinhos espanhóis. Promover o fortalecimento dos laços existentes entre as duas margens do Guadiana, no sentido de promover a convergência institucional, económica, social, cultural, para que o efeito de fronteira deixe cada vez mais de ser um inconveniente e passe a ser uma clara oportunidade de desenvolvimento territorial conjunto, que promova e intensifique os laços de cooperação ao nível económica, comercial, institucional, turística, tecnológica, social, cultural, académico. JBG - A aposta no desenvolvimento é multifacetada atualmente. Para o futuro quais são os desafios? VM - Considerando que vivemos num mundo cada vez mais globalizado e que os recursos financeiros são cada vez mais escassos, é necessário ajustar estratégias e, mais do que nunca definir um modelo de desenvolvimento sustentável para o território. É necessário desenvolver uma aposta forte no que realmente é genuíno deste território, centrarmo-nos naquilo que é nosso e que nos diferencia de outras partes do

mundo; promover e valorizar cada vez mais o nosso riquíssimo património histórico e natural, os nosso produtos, os nossos saberes e tradições, a nossa gastronomia, as nossas paisagens e a nossa cultura. Na área do Turismo, é preciso repensar a sua estratégia de desenvolvimento para o território e em articulação com o resto do Algarve, uma vez que a

aposta no produto «sol /praia», só por si não funciona; essencialmente pelo seu carácter de sazonalidade. É preciso de uma vez por todas apostar na diversificação da oferta turística, através da definição de novos produtos em torno de segmentos como o Turismo de Natureza e Aventura, que apresentam taxas de crescimento elevadas.

“Tomo como grande desígnio para a Associação Odiana, nos tempos complicados que correm, um espaço de convergência, aprofundamento e criatividade entre os três municípios com objetivo de agilizarem articulações, racionalizarem custos, ganharem escala, atraírem iniciativa, e aduzirem competitividade ao território pensando na excelência”. José Estevens “O desafio para a Odiana é procurar intensificar uma verdadeira política intermunicipal. Acho que a Odiana, de uma vez por todas, deve assumir aqui protagonismo em políticas intermunicipais entre estes três territórios. Esse é o verdadeiro sentido da Odiana. Portanto deve sair um bocadinho daquelas competências que efetivamente hoje tem, para ir um bocadinho mais à frente”. Luís Gomes “No fundo o importante é captar programas comunitários que possam atrair investimento e a preocupação e promoção pelo desenvolvimento económico destes três concelhos. Deve-se sobretudo apontar as baterias para o desenvolvimento do território. Claro que a situação do país é o que é, mas há muito para fazer ainda e estão criadas as condições para que a Odiana tenha boa saúde e revitalize o território”. Francisco Amaral


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LOCA L  Limitação de mandatos autárquicos em discussão

Amaral quer lei clarificada A lei de limitação de mandatos impede os autarcas de cumprirem mais de três mandatos consecutivos. Mas será que existe algum impedimento em concorrer a outras câmaras? A lei é passível de duas leituras distintas. Enquanto alguns partidos consideram que o limite encerra na respetiva câmara, estando a porta aberta para candidaturas a outros concelhos, outros dizem que não. Candidatura em espera

A limitação de mandatos nas autarquias está envolta em ambiguidade. Uns interpretam que ultimando os três mandatos o autarca pode voltar a candidatar-se, sim, mas a outro concelho. Outros têm uma interpretação taxativa; três mandatos é o final de uma carreira autárquica. “Não concordo com esta lei e as suas mais variadas interpretações, pois penso que o povo é soberano e não existem truques para os autarcas se perpetuarem no poder. Temos no Algarve exemplos de ‘dinossauros’ que, quando o povo se fartou, mandou-os para casa”, declarou Francisco Amaral, presidente da câmara municipal de Alcoutim. “Os senhores deputados fabricaram esta lei e, curiosamente, esqueceram-se deles próprios. Há deputados na Assembleia da República desde o 25 de Abril de 74”, acrescentou. “Já

nem falo na legitimidade democrática de um deputado, que no fundo é escolhido pelo líder do partido consoante o grau de amiguismo ou garantia de ‘yes man’ na bancada parlamentar”, desabafou ainda o autarca adiantando que “pelos vistos, o que perturba estes políticos é que o povo goste dos seus autarcas e os reeleja sucessivas vezes”. Defendendo a injustiça de uma lei que atesta o máximo de três mandatos, Francisco Amaral conclui que “se um governante deste país, ou até autarca, governarem mal, gastando o que têm e o que não têm, empenhando as gerações futuras do seu país e do seu concelho, aí não há azar e pode recandidatar-se. Se fizer uma gestão séria e responsável, como aqui em Alcoutim ou em Castro Marim, aí sim, há que limitar os mandatos. Mas que raio de democracia é esta?!”.

 Em Alcoutim

Baixo Bibliomóvel em Guadiana na Castro Marim INTUR

Já começou remodelação dos Paços do Concelho A remodelação do edifício Paços do Concelho de Alcoutim já está em marcha. Foi consignada em Junho por 612.808,20 euros e a conclusão será em 14 meses. Caso tudo corra como planeado, entre Julho e Agosto de 2013 o edifício dará lugar à autarquia alcouteneja que se encontra distribuída por espaços improvisados na vila. O projeto de recuperação é do alcoutenejo Vítor Brito e a obra assume uma grande importância local, por se tratar de um edifício, histórica e culturalmente, ligado às noções de serviço público locais. Pelos sinais históricos e arquitetónicos apresentados, o edifício Paços do Concelho remonta ao século XIX, com janelas de sacada e gradeamentos de ferro forjado, características que a remodelação vai ter em linha de conta. A sublinhar que a obra é comparticipada em 50% pela Administração Central, resultado de um protocolo, assinado em 2010, entre o Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim e o Secretário de Estado da Administração Local.

Amaral questiona legitimidade dos deputados da Assembleia da República

Sobre a sua eventual candidatura a Castro Marim, Francisco Amaral esclarece que “de facto noto, por parte de uma maioria dos castromarinenses, simpatia pela minha candidatura que me é manifestada todos os dias. Mas não decidirei nada enquanto não houver clarificação da lei, como manda o bom senso”. Recorde que a lei de limitação de mandatos não é clara e de momento o próprio Governo em coligação tem interpretações opostas. O PSD dá cobertura a candidaturas de autarcas no limite a outros municípios. Interpretação diferente tem o CDS que entende que a limitação incide sobre o cargo, pelo que os autarcas em fim de mandato não se podem candidatar a outro município.

Birdwatching e autocaravanismo foram as áreas de maior procura

Biblioteca móvel vai percorrer o concelho castromarinense A câmara municipal de Castro mas também dvds, cds e cdroms. Marim colocou em funcionamento Destinado, primariamente, à popuo Bibliomóvel, um projeto resul- lação que vive nas localidades das tante de candidatura ao programa freguesias mais afastadas da sede PRODER que pretende democratizar do concelho, o Bibliomóvel passará o acesso ao conhecimento e à leitura a visitá-las com uma periodicidade de toda a comunidade. quinzenal, de segunda a sexta. O arranque do Bibliomóvel acon- Para ser utilizador os munícipes tece no mês de Dezembro, com des- vão dispor de um cartão que pode locações às escolas do 1º ciclo, em ser requisitado no local e que lhe que os alunos vão poder conhecer permite a requisição de todo o tipo a biblioteca itinerante. Trata-se de de documentos. De acordo com a uma biblioteca móvel apetrechada autarquia “o renascer da biblioteca de meios especializados e informa- móvel no concelho é um valioso contizados; uma extensão da Biblioteca tributo ao enriquecimento cultural Municipal que transporta livros, das pessoas”.

De 22 a 25 de Novembro o território do Baixo Guadiana promoveu-se na Feira de Turismo de Interior (INTUR) em Valladolid. Esta foi a 16ª edição do certame que contou com 290 expositores e com mais de 44 mil visitantes. O Baixo Guadiana fez-se representar pela segunda vez na feira de turismo no norte de Espanha, desta vez sob a chancela da Associação Terras do Baixo Guadiana (ATBG) em colaboração com a Associação Odiana. Levaram desde informação ao nível da cultura, lazer, património paisagístico e arquitetónico e hotelaria da região. Também a gastronomia representou-se com o sal de Castro Marim, as especialidades de atum vila-realenses e o artesanato do nordeste alcoutenejo com as bonecas de juta. O Algarve

esteve representado pela região banhada pelo Guadiana onde os espanhóis foram os visitantes mais habituais. De acordo com a ATBG e Odiana o birdwatching e o autocaravanismo foram alvo de grande procura atestando que houve quem já conhecesse o Baixo Guadiana e garantisse voltar e outros que manifestaram interesse na região, sobretudo ao nível e turismo de natureza. A destacar negativamente imensos visitantes que julgavam que o Algarve «começa em Albufeira e termina em Lagos». O Baixo Guadiana mostrou-se um atrativo visto que está isento de portagens, pois os visitantes do certame confessaram ter «deixado de visitar o Algarve desde a introdução de portagens.


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D ESEN VO LVIMEN TO  Sinergias nas regiões de turismo

Algarve e Alentejo com promoção conjunta Região de Turismo do Algarve tem novo presidente. Desidério Silva abandona o município de Albufeira e traça o futuro do turismo. Entre as novidades ficam as ações de promoção conjuntas entre Algarve e Alentejo já para 2013. A Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA) elegeu dia 2 de Novembro a sua nova direção, sendo que com uma única lista a sufrágio, Desidério Silva deixou o município de Albufeira para representar agora a autoridade máxima ao nível do turismo no Algarve. Na Mesa da Assembleia Geral foi apresentada também uma única lista, liderada por João Rosado (presidente da ACRAL). Já no dia 14 de Novembro a Associação Turismo do Algarve (ATA) reuniu-se para aprovar o plano de promoção para 2013, orçado em cerca de 6,5 milhões de euros. Dois terços do orçamento destinam-se à promoção de rotas aéreas diretas a Faro através de campanhas conjuntas com as companhias aéreas e operadores turísticos. A ERTA pretende aumentar o número de dormidas fora da época alta e atenuar a sazonalidade da atividade no destino. O reforço da marca «Algarve» no

estrangeiro vai ser alvo da atenção conjunta da ATA com os operadores em cada mercado estratégico. Ficaram desde já definidos os mercados de aposta (Escandinávia, Áustria, França e Canadá), mercados tradicionais consolidados (Reino Unido, Alemanha, Holanda, Irlanda e Bélgica) e os mercados a reforçar (Espanha, Polónia e Rússia).

Regiões irmãs a trabalhar em conjunto Uma das grandes novidades é uma sinergia imperativa. «É fundamental aproveitar as sinergias e o potencial do Alentejo e Algarve que, pela proximidade geográfica e complementaridade da oferta turística, têm muito a ganhar com uma estratégia de promoção conjunta», explica o responsável pelo Turismo do Alentejo António Ceia da Silva. Para Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, «a parceria entre as duas

Nova Direção da ERTA já se reuniu com os autarcas algarvios regiões é importante tanto numa entidades regionais. A criação de um lógica de continuidade territorial e de guia de ecoturismo, birdwatching e convergência de interesses, como no percursos de natureza e de BTT no desenvolvimento turístico e projeção parque natural do Sudoeste Alentejano dos destinos dentro e fora do País». A e Costa Vicentina e no parque natural salientar que o Turismo do Algarve e o do Vale do Guadiana; ainda e a reaTurismo do Alentejo vão realizar ações lização do Festival das Gastronomias de promoção já em 2013 no âmbito Mediterrânicas, em Lisboa, são duas de uma parceria que quer aproveitar das principias iniciativas acordadas sinergias e estratégias comuns às duas entre ambos os dirigentes.

Helicóptero regressa ao Algarve Combustíveis low cost Depois de muita polémica o helicóptero do INEM saltita e regressa à base de Loulé dada a inoperacionalidade do Kamov substituto. O helicóptero Kamov instalado em Loulé para substituir outro, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), foi retirado daquela base por inoperacionalidade, obrigando a que a aeronave do INEM, entretanto transferida para Beja, regressasse ao Algarve. O aparelho do INEM estacionado em Loulé tinha sido transferido para Beja sob forte protesto das autarquias algarvias, mas acabou por regressar à base depois de a Empresa de Meios Aéreos (EMA) ter determinado que o helicóptero Kamov que o substituiu estava inoperacional. Fonte da EMA, tutelada pelo Ministério da Administração Interna, esclareceu à Agência Lusa que o estado de inoperacionalidade irá manter-se «até que se esclareça cabalmente quais os manuais de manutenção em utilização determinados pelo fabricante», adiantando que até ao esclarecimento «não estão reunidas as condições de segurança de voo para que estas aeronaves possam operar». De acordo com o porta-voz do INEM, Pedro Coelho dos Santos, a decisão de fazer regressar o helicóptero a Loulé tem a ver com o facto de o número de potenciais beneficiários ser maior

e combustível normal são iguais

A Associação da Defesa do Consumidor (DECO) fez o teste, comprovou e exige investigação e regulação do setor. O Estudo foi divulgado em conferência de imprensa no dia 23 de Novembro e a conclusão é que a nível de consumos, emissões poluentes e desgaste dos automóveis os efeitos que os dois tipos de combustível produzem são iguais. «A única diferença é na carteira dos consumidores», diz a Deco. A associação testou duas bombas de marca branca de dois hipermercados (Jumbo e Intermarché – líderes de mercado nos seus segmentos) e outras duas da Galp (desde gasóleo Helicóptero Kamov foi consiregular ao premium), usando quatro derado inoperacional regressando o carros novos e recorrendo a pilotos helicóptero do INEM à base em Loulé profissionais, que percorreram cerca de 12 mil km. Em matéria de conno Algarve do que nos três distritos sumo a Deco mediu as diferenças e do Alentejo que a aeronave iria servir. considerou-as «sem significado: 0,13 Estando baseado em Loulé, o helicóp- litros aos 100 km entre o pior e o tero do INEM assegura também uma melhor caso, ou seja, uma diferença boa cobertura do sul do Alentejo, de 2%». “A diferença de preço entre enquanto o aparelho que está estacio- o gasóleo Gforce e Hi-Energy, ambos nado em Loures pode cobrir a zona da Galp, resulta de uma ação enganorte daquela região, acrescentou. nosa e estamos perante uma prática

comercial desleal. As promessas de menor consumo, menores emissões poluentes e maior proteção do motor com poupanças futuras não passam de marketing para cobrar mais uma dezena de cêntimos ao litro”, sublinha Susana Correia da DECO no Algarve. “É urgente criar um regulador para o sector que defenda os consumidores e fixar coimas realmente eficazes. Basta de alegações enganosas e práticas lesivas. Já denunciámos o caso às autoridades e vamos entregar um abaixo-assinado ao ministro da Economia”, explicou a responsável do Algarve. O estudo e revindicações já foram entregues aos partidos com assento parlamentar e ao Ministério da Economia. A DECO esteve no Mercado municipal de Faro no dia 24 de Novembro para recolha de assinaturas. Para assinar a petição online consulte: www.igualaolitro.pt

«Perto

da

Europa» Registo de Transparência: primeiro relatório anual mostra que sistema arrancou bem e fixa novos objetivos para 2013 O primeiro relatório anual sobre o Registo de Transparência Comum dos representantes de interesses da Comissão e do Parlamento Europeu indica que a plataforma está a funcionar e que todos os objetivos fixados para o primeiro ano foram cumpridos. Respondendo à vontade das duas instituições de aproveitar este arranque promissor, o relatório fixa ainda objetivos para o próximo ano e propõe uma série de tópicos a analisar aquando da revisão da plataforma em 2013. Práticas comerciais enganosas: Comissão toma medidas para proteger as empresas A Comissão Europeia delineou uma série de medidas para combater as práticas comerciais enganosas, tais como os editores de diretórios de empresas fraudulentos. O objetivo consiste em assegurar uma melhor proteção às empresas, aos profissionais e às ONG em toda a Europa contra os comerciantes que não cumprem as normas e utilizam práticas comerciais enganosas, como por exemplo o envio de formulários solicitando a atualização de dados num diretório de empresas, aparentemente a título gratuito, sendo posteriormente cobradas taxas anuais. Proteção social: UE consagrou 29,4% do PIB à proteção social em 2010 Ao longo dos últimos anos, as despesas de proteção social na UE aumentaram, passando de 26,1% do PIB em 2007 para 29,6% em 2009 e 29,4% em 2010, segundo os dados do Eurostat, o serviço de estatística da União Europeia. Este aumento do rácio é em grande parte uma consequência da crise económica, tendo as despesas totais da proteção social na UE progredido cerca de 10% em termos nominais entre 2007 e 2010, enquanto o PIB permanecia praticamente estável. Isenção de visto: progressos sim, mas obstáculos continuam A Comissão Europeia adotou hoje o seu sétimo relatório sobre as violações do princípio da reciprocidade em matéria de isenção de visto nos países terceiros. O relatório revela que,no ano passado, o regime de isenção de visto para os cidadãos da UE foi concedido por um maior número de países, como é o caso do Brasil. Relativamente a alguns países, os cidadãos europeus continuam, no entanto, sujeitos à obrigação de visto, quando tal já não deveria acontecer. Rede EURES: Comissão moderniza a rede que promove a mobilidade dos candidatos a emprego Foi adotada pela Comissão Europeia uma decisão destinada a modernizar e melhorar a rede pan-europeia de procura de emprego EURES. A decisão contribuirá para aumentar a mobilidade dos trabalhadores entre os Estados Membros e para abrir caminho a um verdadeiro mercado de trabalho europeu. A reforma da rede EURES tem por objetivo ajudar os candidatos a emprego a entrar mais facilmente em contacto com empregadores que procuram competências específicas, centrar a atenção nos setores e nas profissões em que existem défices de qualificações e apoiar atividades de mobilidade específicas para os jovens.

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D ESENVOLVI ME NTO

Greve fez-se na rua com muitos protestos no Algarve Plataforma «Que se Lixe a Troika» marcou passo metaforizando o enterro do Estado Social e da Democracia com a encenação de um desfile fúnebre. A 14 de Novembro foi Dia de Greve Geral e deu origem a manifestações sem precedentes em Portugal. Em Lisboa o que começou por ser uma manifestação pacífica transformou-se num apedrejamento à Assembleia da República e aos policiais com contornos que quebraram o pacifismo e foram de imediato repudiadas pelas várias fações públicas e políticas. No Algarve mais de 600 pessoas encheram o Jardim Manuel Bivar em Faro e desfilaram pela capital algarvia em tom de protesto contra as severas medidas de austeridade que se sentem no país. Aqui marcaram presença na concentração convocada pela União de Sindicatos do Algarve (USAL). Convocada para as 15h, a ritmo acelerado compareceram à chamada centenas de pessoas que gritaram em uníssono pela devolução do Estado Social. Cartazes eram muitos, com mensagens ora gritantes ora ironizantes da situação vivida em Portugal. Dado o caráter internacional da paralisação, muitas mensagens eram escritas em português, espanhol, grego, francês e italiano. Para além dos sindicatos também a plataforma «Que se Lixe a Troika» marcou passo metaforizando o enterro do Estado Social e da Democracia com a encenação de um desfile fúnebre. A concentração incluiu ainda a atuação musical de

No Algarve assistiu-se ao cortejo fúnebre da Democracia e Estado Social diversos artistas populares que evo- funcionou, no aeroporto de Faro caram canções do «25 de Abril», e maioria dos voos foram cancelados, insistindo na necessidade de uma a generalidade das escolas fechou nova revolução. «Isto já não vai portas. Também as Instituições Parlá com cravos», diziam alguns dos ticulares de Solidariedade Social, manifestantes. as Misericórdias e as autarquias A Greve encerrou muitos organis- uniram-se na greve, (estas últimas mos públicos e fez a população sair sobretudo na vertente da recolha à rua. A linha férrea algarvia não de lixo).

António Goulart dirigente da USAL considerou «uma boa greve geral» atestando que a participação dos trabalhadores foi acima da média apesar de diferente, mediante os setores de atividade. Uma das novidades foi a adesão dos trabalhadores do comércio a retalho em relação a outras Greves Gerais. No

intervalo de ano e meio já foram três as greves gerais em Portugal intercaladas com inúmeras manifestações e coros de protestos, nomeadamente a de 15 de Setembro que juntou meio milhão de pessoas. Ficam aqui algumas imagens registadas pelo JBG na capital algarvia.

 AMAL quer taxa turística para combater agravamento económico e social

Associações empresariais ameaçam com medidas judiciais A hipótese de uma taxa turística de um euro sob as dormidas da região provocou uma chuva de protestos. Associações empresariais repudiam a hipótese e garantem que a taxa não beneficia as populações carenciadas, mas sim os problemas financeiros das câmaras. A Associação de Municípios do Algarve (AMAL) lançou em Novembro uma «bomba» aos empresários algarvios. Tendo em conta a situação económica e social da região, desde uma taxa de desemprego de 17,4% no Algarve, superior à taxa nacional de 15%, face ao aumento de pedidos de ajuda alimentar, incumprimento financeiro das famílias, dificuldades das empresas, redução de investimento da administração central, ausência de fundos e dificuldades de captação de novos investimentos, a AMAL entende que “os presidentes de câmara, preocupados com o agravamento da situação económica e social entendem que os instrumentos de apoio são insuficientes,

pelo que analisaram a possibilidade dos municípios virem a adotar uma taxa sobre as dormidas turísticas, que reverteria para fins sociais e de apoio à população mais carenciada”. O coro de protestos rapidamente repudiou a medida e contestou em uníssono.

Associações empresariais repudiam Em rápida resposta a AHETA, o NERA, a AIHSA, a CEAL, a ACRAL e a ANJE uniram-se e consideram que a criação de uma taxa turística por parte dos municípios do Algarve «se destina mais a resolver os problemas de ordem financeira das

autarquias do que a satisfazer os problemas das populações carenciadas». Os empresários algarvios contestam que «em nome de uma intenção nobre, os responsáveis autárquicos recorram aos turistas como moeda de troca para justificarem aumentos desmesurados de impostos, visando ultrapassar os seus graves problemas financeiros internos e outras debilidades, colocando em causa a maior atividade económica e o emprego regional». As principais associações empresariais da região relembram também em comunicado que as autarquias do Algarve, «para além de terem criado um sem número de novas taxas municipais, procederam de

uma forma sistemática e sucessiva a enormes aumentos das já existentes, contribuindo assim para acentuar ainda mais a perda de competitividade da economia regional». Explicam ainda que a introdução desta taxa corresponde a um imposto superior ao IRC e ao IVA e «contribuindo para o encerramento de um maior número de estabelecimentos durante a estação baixa e incrementando os níveis de desemprego». Relembram ainda que as taxas da mesma natureza existentes noutros países são aplicadas apenas em cidades e referem-se a estadias curtas (até três noites), não existindo casos semelhantes em destinos concor-

rentes do Algarve. Ainda em controvérsia garantem que a medida vai contra os princípios de justiça e equidade, quando apenas os empreendimentos turísticos classificados oficialmente ficariam obrigados ao pagamento desta taxa, enquanto que mais de 50 por cento dos turistas que visitam a região ficariam isentos. Em última instância as associações empresariais garantem tudo fazer «para evitar que uma taxa desta natureza, muito nociva para os interesses da atividade turística, venha a ser aplicada na região, recorrendo a todos os órgãos de soberania, incluindo o recurso aos tribunais», sublinham.


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C ULTUR A

Ayamonte, Castro Marim e a Restauração da Independência

COLUNA CULTURAL

 Na Igreja do Castelo de Castro Marim

No dia 1 de Dezembro do presente ano de 2012 assinalam-se os 372 anos da Restauração da Independência portuguesa. A “conspiração de 1640” – como dizem os nossos vizinhos espanhóis - foi planeada por D. Antão de Almada, D. Miguel de Almeida, e João Pinto Ribeiro, entre outros fidalgos portugueses. No sábado de 1 de Dezembro de 1640 entraram no Palácio de Lisboa, mataram o secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, e aprisionaram Margarita de Sabóia, duquesa de Mântua, que governava Portugal em nome do seu primo, Felipe IV de Espanha. Aclamaram então o duque de Bragança como rei de Portugal, com o título de João IV, dando início à quarta dinastia, a dinastia de Bragança. Foram 28 anos de uma guerra pautada por inúmeras escaramuças, nas proximidades da fronteira, e cinco batalhas principais, todas elas ganhas pelos portugueses. Somente depois da batalha dos Montes Claros, em 17 de Junho de 1665, é que a paz foi estabelecida, através da assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. E Ayamonte? Qual o seu papel na Guerra da Restauração? Ora, antes de mais, devemos ter em consideração um facto deveras interessante. Gaspar Pérez de Guzmán y Gómez de Sandoval y Rojas, duque de Medina Sidónia, e cunhado do recém-aclamado rei de Portugal, encabeçou também uma rebelião pela independência da Andaluzia, auxiliado pelo seu primo Francisco Antonio de Guzmán y Zúñiga, o marquês de Ayamonte! Ao ser verificada a inactividade do duque na defensa da fronteira portuguesa, começou Madrid a suspeitar de uma conspiração andaluza que se veio a confirmar quando interceptada uma carta entre o duque de Medina Sidónia e o marquês de Ayamonte. Acresce ainda que os informadores que se encontravam em Portugal afirmavam a iminência de uma rebelião andaluza. Perante tal ameaça foram chamados os dois nobres à corte. Temendo o duque pela vida, chegou a um acordo com o valido, pedindo perdão ao rei e acusando de traição o seu primo. O marquês de Ayamonte acabou por ser decapitado no Alcázar de Segovia, em 1648. Terminavam assim os projectos de independência da Andaluzia e o relativo sossego na fronteira do Guadiana. Perante a possibilidade de um ataque espanhol pelo Algarve, coube a Castro Marim, enquanto principal praça-forte da raia algarvia, a tarefa de defender a fronteira portuguesa. Tornava-se imperativa a construção de um sistema defensivo adaptado à realidade bélica do séc. XVII. Foi então concebido um sistema defensivo abaluartado, representativo da arquitectura militar moderna, e que resultou no Forte de São Sebastião, Revelim de Santo António e Bateria do Registo, logo em 1641, e na Cerca Seiscentista, em 1660. Além disso, houve a necessidade de reforçar a guarnição da praça com mais efectivos militares, pelo que o Governador do Algarve, Henrique Correia da Silva, acabou por enviar 2000 soldados para juntar aos 300 homens e 40 cavalos que a praça possuía em Dezembro de 1640. A verdade é que, ao contrário do que se passou no Alentejo e na Estremadura espanhola, onde se travaram a maioria das batalhas durante a Guerra da Restauração, os conflitos entre Castro Marim e Ayamonte resumiram-se a pequenas escaramuças marcadas por entradas clandestinas e roubos de gado. No dia 1 de Dezembro do presente ano de 2012 assinalam-se os 372 anos da Restauração da Independência portuguesa. Mas, sejamos honestos… que independência? E de que valeu a Guerra da Restauração se os governantes portugueses insistem em vender o país aos interesses estrangeiros?

«Caminhos da Fé» Inaugurada a 23 de Novembro o projeto fotográfico «Caminhos da Fé», da Associação ¼ Escuro, vai estar em Castro Marim até ao final de Dezembro com 20 fotografias expostas de uma coleção de 80 imagens de Agostinho Gomes, Carlos Afonso, Fernando Soares, Juan Castellano e Manuel Rosa. Este resultado fotográfico começou a tomar forma em 2007 com o primeiro grande trabalho no Santuário de Fátima, nos dias em que se inaugurava a nova Igreja da Santíssima Trindade. O caminho de Compostela foi o seguinte em 2008. “A receção aos peregrinos e às suas histórias que ao terminarem “El Camino” junto à fachada de Obradoiro, ou no cabo Finisterra, se deixam fotografar tentando esconder as fugidias lágrimas de conquista dos trilhos até Santiago”, conta Carlos Afonso. Passagem fotográfica ainda pelo Santuário de Lurdes, Semana Santa Andaluza e Terra Santa. “Em Israel, quando acompanhei um grupo de Peregrinos portugueses à Terra Santa percebi que é fácil um fotógrafo isolado ser afetado pela Síndrome de Jerusalém, que provoca agitação fotográfica excessiva e declarações estranhas de figuras bíblicas”.

Está patente na Igreja do castelo castromarinense uma exposição fotográfica que testemunha momentos de fé no Santuário de Fátima, no caminho para Santiago de Compostela e na Terra Santa. O selo é da Associação ¼ Escuro.

Exposição está patente durante o mês de Dezembro no castelo da vila

Corrida Fotográfica premiou «Patrimónios de Água» A 2ª Corrida Fotográfica no concelho de VRSA realizou-se a 29 de Setembro e já tem vencedores. A Corrida Fotográfica surgiu no âmbito das Jornadas Europeias do Património, sob o tema «Patrimónios da água», com ênfase nos elementos identificadores do património e paisagem da região. Participaram nove concorrentes com um somatório de 90 fotografias. Com percurso definido os participantes foram desafiados a registar, ao longo de um dia, conjuntos edificados, entre noras e açudes; áreas de valor ambiental como a Ria Formosa, sapal de VRSA e Castro Marim, rio Guadiana; e ainda nos saberes-fazeres ligados à pesca e mariscagem. O 1º Prémio foi arrecadado por Ana Mónica Moreno com «Privado»; Maria de Fátima Afonso alcançou o 2º prémio com «Nora» e o 3º Prémio coube à espanhola Maria Isabel Gaviño Cabrera com «Poço». Para já fica a novidade que no início de 2013 poderá haver uma exposição dos melhores trabalhos sob a chancela da autarquia vilarealense. O júri foi constituído arquiteto e Vice-Presidente da CMVRSA, José Carlos Barros; e Carlos Afonso e Fernando Soares, ambos fotógrafos da Associação ¼ Escuro. Recorde que a Corrida Fotográfica foi uma organização do município local, Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, com o apoio de empresas da região.

Cacela em Documentário Produzido no âmbito do projeto «Documentar Vila Nova de Cacela» pela Algarve Film Comission, eis que foi apresentado pela primeira vez, no dia 30 de Novembro, um documentário sobre as atividades tradicionais em Vila Nova de Cacela. O projeto mereceu a colaboração do Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela/Câmara Municipal VRSA, e foi exatamente na antiga Escola Primária de Santa Rita que se visionou «um contributo valioso para o registo e salvaguarda de importantes manifestações do património imaterial do Sotavento Algarvio e para o conhecimento de antigos saberes-fazeres estreitamente ligados ao território», garante o CIIPC. Os protagonistas do documentário são as gentes do território. Desde o pastor, o barbeiro, o mariscador, o cesteiro, o empalhador de cadeiras, a artesã na arte da empreita, a dona da antiga venda, o responsável pelo rancho da Praia da Manta Rota e a senhora que amassa e coze o pão.

Fernando Pessanha Formador de História do Algarve * O autor não escreve ao abrigo do acordo ortográfico

«Privado» foi a foto que valeu o primeiro prémio a Ana Moreno

Gentes da terra são protagonistas do documentário


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CULTURA  História e Música de braços dados

Jovem Historiador vila-realense publica livro Fernando Pessanha é pianista da banda IN TENTO Trio e historiador de formação. O seu primeiro livro já foi publicado. No horizonte está nova publicação sobre os concelhos do Baixo Guadiana. Fernando Pessanha é um jovem de 32 anos multifacetado. É historiador, formador de História, pianista e compositor. História, Artes e Música andam de braços dados constituindo a formação e paixão. Recentemente, no final de Outubro, Fernando Pessanha atingiu mais um objetivo: publicar um livro. Parafraseando Fernando Pessoa «O Homem quer, a obra nasce». A publicação «A Cidade Islâmica de Faro» fala sobre a História de Faro durante o domínio islâmico. “Trata-se de uma obra que visa assinalar os 1300 anos de um dos acontecimentos mais importantes para a História e identidade patrimonial algarvia: o início do domínio islâmico em Faro”, diz o autor que explica que “obra foi desenvolvida a partir de um trabalho produzido para a unidade curricular de Algarve Medievo-Islâmico, do Mestrado em História do Algarve”, conta referindo ainda que a publicação apresenta-se como

uma síntese da presença muçulmana em Faro congraçando documentos escritos e elementos provenientes das mais atualizadas pesquisas arqueológicas. Para o historiador a obra “esclarece alguns mitos sobre a presença muçulmana no al-Andaluz, principalmente no que se refere à romântica ideia da sangrenta conquista muçulmana das cidades hispano-godas como Ukxûnuba, uma vez que os tratados de capitulação terão prevalecido sobre a conquista pelas armas”. A obra, que conta com uma breve nota de apresentação da autoria do Professor António Rosa Mendes, coordenador do Centro de Estudos do Património e História do Algarve, foi publicada pelas Edições Mandil e mereceu o apoio da Direção Regional da Cultura do Algarve, Câmara Municipal de Faro e Associação Faro 1540.

Trata-se da primeira obra de Fernando Pessanha. Em carteira está uma outra sobre o Baixo Guadiana

AGENDA Alcoutim Matança do porco 01 Dezembro, 09h Giões Org: Associação Grito d’Alegria Exposição «Desenhos de Carlos Luz» De 04 a 31 de Dezembro Casa dos Condes Procissão de Nossa Senhora da Conceição 08 Dezembro Alcoutim

Tertúlia «A Palavra Sexta à Noite» Tema: Cânticos de Natal – Natal, Navidad, Christmas… 21 Dezembro, 21h Casa dos Condes Concurso de Árvores de Natal em material reciclado Até Dezembro Vaqueiros Campeonato Municipal de Sueca Até Dezembro Exposição Bonecas Flor d’Agulha Até Dezembro Centro de Artes e Ofícios de Alcoutim Festas de Fim de Ano 31 Dezembro Pereiro, Giões e Vaqueiros

Castro Marim Concentração de Pais Natais 8 Dezembro, 15h (junto à JF de Castro Marim) Casa do Natal (Com presépio e Pais Natais) 8 Dezembro (junto à JF Castro Marim) Concerto de Natal da Banda Musical Castromarinense 21 Dezembro, 21h Igreja Matriz Castro Marim Exposição Fotográfica «Caminhos da Fé» Mês Dezembro Igreja do Castelo

VRSA Exposição de desenho, no âmbito da trienal de desenho DESENHA’12 De 03 a 28 Dezembro Biblioteca Municipal Apresentação da coleção «Histórias para adormecer a sonhar» de Piedade Glória 3 de Dezembro, 14h30 Biblioteca Municipal Presépio Gigante De 6 Dezembro a 6 Janeiro 2013 Centro Cultural António Aleixo

POR CÁ ACONTECE

Mostra de Artesanato Natalícia Dias 6,7,8, 9 e 22 Dezembro, 10h às 17h Praça Marquês de Pombal Aldeia de Natal Casa do Pai Natal, ateliês, música, dança De 7 Dezembro a 6 Janeiro Praça Marquês de Pombal Chegada do Pai Natal à Praça Marquês de Pombal 7 Dezembro, 17h30 «V ABRAÇO DE NATAL» Pelo Clube de Teatro «Cenas e Figuras» da EB de Monte Gordo 13 Dezembro, 21h Centro Cultural António Aleixo «Pátio do Natal» – Teatro de Comédia 14 Dezembro, 21h30 Centro Cultural António Aleixo Org: II ACTO – Produções Artísticas Mercadinho de Natal 16 Dezembro, 10h30 às 17h Cacela Velha Clube de leitura «Livros mexidos» Tema: obra de Valter Hugo Mãe 20 Dezembro, 18h Biblioteca Municipal Exposição Fotografia «Síria» Mês Dezembro CIIPC - Antiga Escola Primária de Santa Rita

WORKSHOP CONFEÇÃO DE CEIA DE NATAL 22 Dezembro, 10h-13h Cursos disponíveis: -Inscrições: Telefone: +351 281 001 110 Email: ehtvrsa@ turismodeportugal. pt Preço: 30 €/pessoa (incluí almoço) Nota: o workshop só se realizará se tiver no mínimo 10 pessoas


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PAT R IMÓ N IO &C O LAB O R AD O R ES

No tempo em que os sinos dobravam no Baixo Guadiana

Rubrica de pATRIMÓNIO

viram igualmente para alertar contra os ataques inimigos, e não só. Em 1380, os sinos de Castro Marim tangiam ao anoitecer, “Ouvem-se ao longe os sinos Anunciando as festas E os ofícios divinos” António Salvador

Numa época não muito distante da nossa, o tanger dos sinos percorria os campos para anunciar as horas e diversos acontecimentos, festivos ou trágicos. Assumiam-se como um valioso meio de comunicação, em particular, nos meios rurais. Em localidades com mais de um sino, é ainda possível distingui-los pelo toque do badalo. As notícias, alegres ou tristes, obedeciam a códigos reconhecidos pelas gentes do meio social envolvente: o toque a finados indicava se o defunto era homem, mulher ou anjinho; enquanto os toques a rebate eram associados às situações de perigo ou à convocação da população. Em Castro Marim e Alcoutim, terras de carácter militar, os sinos ser-

para que a população respeitasse o toque de recolher obrigatório decretado pelo rei. Em 1808, a retirada das tropas francesas do Algarve, era testemunhada pelo tanger dos sinos que, de terra em terra, assinalavam a fuga das tropas invasoras em direcção ao Alentejo. A Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Mártires, em Castro Marim, possui quatro sinos: virado para poente, está o maior de todos, o sino de “Nossa Senhora dos Mártires”, com 820Kg; o sino do lado sul, conhecido por “Almas”, tem 640Kg; por sua vez, o sino a nascente, com 450Kg, é conhecido por “Santíssimo”; e por último, o sino virado a norte tem o nome de “Paróquia”, pesa

380Kg e servia para chamar os fiéis à reunião da Junta. Os sinos foram fundidos por Pedro Pablo Amadeu, em 1824, e benzidos no mesmo ano pelo prior de Castro Marim Manuel Gomes Palma. Sobre os sinos da Igreja Matriz de Alcoutim, escreveu o Padre Pinheiro e Rosa em 1946, que eram eles a voz de Portugal mais fácil de se fazer ouvir em Espanha. A tradição popular alcouteneja refere também que durante a Guerra da Restauração (1640-1668) os sinos da Igreja do Espírito Santo no Pereiro foram roubados pelas tropas espanholas. Nos dias que correm, a sua função limita-se à marcação das horas e anúncio das celebrações religiosas. Em muitas igrejas, os sineiros, que se distinguiam pelo carácter pessoal que imprimiam no manuseio dos sinos, foram substituídos por equipamentos electrónicos. Pedro Pires Técnico de Património Cultural. Centro de Estudos de Património e História do Algarve da Universidade do Algarve CEPHA/UAlg

CARTÓRIO NOTARIAL DE CASTRO MARIM A CARGO DA NOTÁRIA MARIA DO CARMO CORREIA CONCEIÇÃO Nos termos do art.º 100, n.º 1, do Código do Notariado, certifico que no dia doze de Novembro de dois mil e doze foi lavrada neste Cartório, de folhas cento e trinta e cinco a folhas cento e trinta e seis verso do Livro de Notas para Escrituras Diversas número vinte e um - A, uma escritura de justificação, na qual compareceram: Manuel Francisco Afonso e mulher, Rita Gomes Pestana Afonso, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais, ele da freguesia e concelho de Alcoutim, ela da freguesia de Espírito Santo, concelho de Mértola, residentes na Rua Celeste Correia de Campos, n.º 20, Corroios, Seixal, contribuintes fiscais números 139 955 070 e 150 371 705. Declaram que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos seguintes prédios rústicos, ambos localizados na Medronheira, na freguesia e concelho de Alcoutim, não descritos na Conservatória do Registo Predial daquele concelho: a) Prédio rústico composto por cultura arvense e leitos de curso de água, com a área de cinco mil quinhentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com José Dias, a Sul com Ribeira da Medronheira, a Nascente com Manuel Francisco Afonso, e a Poente Francisco Valadas, inscrito na matriz predial rústica sob o artigo 5, da secção 033, com o valor patrimonial tributável de 169,86 euros; b) Prédio rústico composto por amendoal, oliveiras, cultura arvense e leitos de curso de água, com a área de vinte e dois mil cento e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte e a Poente com Manuel Francisco Afonso, a Sul com Ribeira da Medronheira, e a Nascente com caminho público, inscrito na matriz rústica sob o artigo 10, da secção 33, com o valor patrimonial tributável de 120,75 euros. Que atribuem aos referidos prédios os respectivos valores patrimoniais, calculados para efeitos de IMT e de Imposto do Selo, pelo que somam os mesmos o valor global de duzentos e noventa euros e sessenta e um cêntimos. Que os referidos prédios lhes pertencem por os terem adquirido, já no estado de casados, por partilha verbal e nunca reduzida a escrito, feita com os demais interessados, em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa, por óbito dos pais do outorgante marido, Jesus Fabião e Maria Jesuína, casados que foram sob o regime da comunhão geral de bens, residentes que foram no Sítio de Afonso Vicente, Alcoutim. E que, sem qualquer interrupção no tempo, desde então, portanto há mais de vinte anos, têm estado os justificantes na posse dos referidos prédios, cuidando da sua manutenção, arando suas terras, colhendo os seus frutos, pagando suas contribuições e impostos, enfim usufruindo-os no gozo pleno de todas as utilidades por eles proporcionadas, sempre com ânimo de quem exerce direito próprio, posse essa exercida de boa-fé, por ignorar lesar direito alheio, de modo público, porque com conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém, pacífica, porque sem violência, e contínua, pelo que os justificantes adquiriram os referidos prédios por usucapião, não tendo, todavia, dado o modo de aquisição, títulos extrajudiciais normais capazes de provar o seu direito. Está conforme o original. Castro Marim, aos 12 de Novembro de 2012. A Colaboradora,

(Ana Rita Guerreiro Rodrigues)

(Colaboradora inscrita sob o n.º 400/3, conforme despacho de autorização da Notária Maria do Carmo Correia Conceição, publicado a 05.01.2012, no portal da Ordem dos Notários, nos termos do disposto no artigo 8º do Estatuto do Notariado e da Portaria n.º 55/2011, de 28 de Janeiro)

Conta registada sob o n.º 37/11 Factura / Recibo n.º 3222 Jornal do Baixo Guadiana, 01 Dezembro 2012

Educar… Por vezes, nas nossas conversas com pais, educadores e colegas, surge uma questão que suscita diversas dúvidas e opiniões… Educar é difícil?! Todos nós ao nascer, somos um diamante em bruto, pronto a lapidar, que segundo diversos parâmetros se irá transformar até aos últimos dias da nossa vida. A família é o primeiro contacto no desenvolvimento infantil, e é esta que determina as bases para uma estrutura com pilares culturais e tradicionais. Neste sentido, é determinante que os pais reflitam e procurem dar sempre o seu melhor, respeitando a individualidade sem esquecer a necessidade de realizar atividades que desenvolvam competências emocionais e sociais. Deve manter, de igual forma, os laços afetivos entre todos, ajudando a interagirem com a sociedade e a melhorarem a sua auto-estima. A resolução de problemas assume um papel preponderante na educação recebida pois dependemos desta habilidade para superar as diversas dificuldades com que nos deparamos diariamente. Os problemas diários que surgem nos mais novos, são ultrapassados com recursos cognitivos disponíveis transmitidos pelo núcleo familiar através de sentimentos de autonomia e segurança emocional. Ao falarmos em educar, este assunto remete-nos necessariamente também para o papel da

escola e respectivos profissionais na educação de jovens. Claramente esta é uma das fases essenciais na aquisição de conhecimentos, experiências, vivências…entre muitos outros aspetos que a escola proporcionar mas…educar é uma função de todos e não tem idade, local, forma ou contexto para se realizar. O ser humano precisa de orien-

um (educador e educando) adaptar-se e enquadrar-se nas necessidades emocionais, físicas e sociais presentes neste processo. Convém ainda salientar que a educação faz parte constantemente nas nossas rotinas e que a sua dificuldade é condicionada pela disponibilidade de cada um em receber ou transmitir informação.

“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui.” Rousseau, Jean Jacques tação e informação ao longo da sua vida. Estes conhecimentos são adquiridos na família, na escola, com amigos, no trabalho, ou mesmo pela curiosidade e capacidade de entender o mundo que nos rodeia. À medida que vamos consolidando as bases da nossa educação, o processo de “auto-educação” assume um papel muito importante, através da necessidade de procura/descoberta do que está registado, sem nunca esquecer as experiências do dia-a-dia. A arte de educar não tem objetivos pré-definidos, cabendo a cada

www.neip-vrsa.blogspot.com www.facebook.com/NEIP.VRSA psivrsa@gmail.com NEIP (Núcleo de Estudos e Investigação Psicológica) – Ana Ximenes, Catarina Clemente, Dorisa Peres, Fabrícia Gonçalves, Patrícia Santos, Pedro Costa, Sílvia Cardoso. Colaboração: Dina Figueira, Ana Sofia Gonçalves, Daniela Santos

O Sol é a luz do Mundo Ali juntinho ao mar Fui ver o sol nascer Que espetáculo maravilhoso Jamais eu vou esquecer Beijei-o, abracei-o Até lhe chamei menino Oh! Não, sou da idade do mundo Já vês que sou velhinho Vá lá! Não sejas modesto Deixa-te de fantasias Como se pode fazer velho Quem nasce todos os dias?! ���. Sol tu és um amigo Cheio de amor e ternura Se não fosse a tua luz Era sempre noite escura Se os homens fossem como tu O mundo seria diferente Porque o pão bem repartido Chegava para toda a gente Adeus até amanhã Já não tenho mais vagar Vou para o outro lado do mundo A minha luz espalhar Lá foi todo contente Com seus raios a brilhar Acarinhando rico e pobre Sem ninguém discriminar. Uma castromarinense


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |DEZEMBRO 2012

PASSATEMPO S & L AZER

Autor: João Raimundo

Quadratim - n.º102

Jogo da Paciência n.º 108

Se os membros do Governo, e não só, tiverem sentido humanitário e social (subsídios de Natal/ Férias e diminuição de impostos), podem todos os cidadãos ter Boas Festas pelo Nascimento de Jesus Cristo. Saúdo também todos os cidadãos que professem outras religiões ou crenças, além da católica.

1. 2. 3. 4. 5. 6.

“PROFISSÕES ”

Motorista Torneiro Mecânico Piloto Radialista Compositor

umas

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O fémur é mais forte que betão armado? Os nossos ossos variam tanto em tamanho como em resistência. Depende essencialmente da sua função no corpo assim como à sua forma e espessura. As costelas, por exemplo, são finas e mais elásticas a fim de acompanhar os movimentos respiratórios. Outros são mais resistentes como medida protetora de certos órgãos. Mas há um, responsável pela nossa locomoção e suporte, o maior do corpo e que é o fémur. E este osso é mesmo mais forte do que cimento armado. Integrando o sistema de sustentação do esqueleto, o fémur situa-se na altura da coxa e é considerado o mais forte, longo e pesado osso do corpo dos mamíferos. Estende-se do quadril até o joelho, e é constituído por três partes distintas: o corpo (diáfise) e duas epífises — proximais e distais (pontos mais próximos do quadril e do joelho, respetivamente). Todo esse aparato ósseo visa a dar suporte ao peso corporal, conferindo-lhe estabilidade, comprimento e força. Como tal a mais temida fratura óssea é a do fémur que pode ser capaz de invalidar permanentemente.

Tipógrafo Agricultor Militar Polícia Merceeiro Pescador Padeiro

14. 15. 16. 17. 18. 19. 20.

Médico Enfermeiro Advogado Professor Enólogo Actor Escritor

Soluções Jogo da Paciência - n.º107

Pelo caminho correto do Quadratim vá ao encontro, se possível de – FELIZ NATAL.

SABIA QUE

7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

Sempre acreditei que o combustível mais barato não tinha tanta qualidade como o mais caro, mas esta semana ouvi uma notícia sobre esse assunto. Afinal existe alguma diferença de qualidade entre os combustíveis low-cost e os mais caros?”

A DECO INFORMA... Avaliámos o efeito do uso do gasóleo. Testámos 4 combustíveis: Galp Gforce, Galp Hi-Energy, Jumbo e Intermarché, os líderes de mercado nos seus segmentos. Low-cost, regular ou premium, 12 mil quilómetros depois, é tudo igual ao litro. Os 4 carros que utilizámos exibiram consumos muito idênticos e, no interior do motor, não vislumbrámos diferenças relevantes nos depósitos. Em matéria de consumo, medimos uma diferença sem significado: 0,13 litros aos 100 km entre o pior e o melhor caso, ou seja, uma diferença de 2 por cento. Por exemplo, a pressão incorreta nos pneus aumenta o consumo em 5 por cento, o que equivale a mais 0,33 l/100 quilómetros. Se o impacto é igual, porquê pagar mais? A diferença de preço entre o gasóleo Gforce e Hi-Energy, ambos da Galp, resulta de uma ação enganosa e estamos perante uma prática comercial desleal. As promessas de menor consumo, menores emissões poluentes e maior proteção do motor com poupanças futuras não passam de marketing para cobrar mais uma dezena de cêntimos ao litro. É urgente criar um regulador para o setor que defenda os consumidores e fixar coimas realmente eficazes. Basta de alegações enganosas e práticas lesivas. Já denunciámos o caso às autoridades e vamos entregar um abaixo-assinado ao Ministro da Economia. Poderá preencher este abaixo-assinado através do site www. igualaolitro.pt, nas instalações de Delegação da DECO Regional mais próxima ou ainda participando através do contacto 800 203 370. Contamos com o apoio de todos.

Susana Correia jurista

linhas

para

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alma...

Compra do Livro «Nico» reverte a favor da GUADI No dia 24 de Novembro teve lugar na Biblioteca Municipal de VRSA, o lançamento do Livro «Eu sou o Nico», da autoria de Maria do Rosário Proença (texto), Dora Pereira (ilustrações) e Luís Pires (conceção gráfica). Livro que, para além do papel pedagógico que pretende desempenhar, alertando para o abandono e maus tratos infligidos aos animais de companhia, apresenta ainda uma componente solidária, já que a venda deste livro, cujo preço são 10 ni€os, reverte a favor da associação GUADI, podendo constituir a aquisição deste livro uma ajuda nas imensas despesas que a associação tem na prossecução da sua árdua missão de alimentar e tratar os animais abandonados dos concelhos de Vila Real de Santo António e Castro Marim. Também os originais das ilustrações do livro se encontram à venda.

Os interessados em ajudar poderão contactar a Guadi através dos seguintes meios: Telm: 964773101 / 919395094 Email: associacaoguadi@gmail.com GUADI Centro de Animais Rua D. Pedro V, Nº 38 – 2º andar 8900 – 283 Vila Real de Santo António Contribuinte Nº 507 534 328 Contactos: 964773101 e 968079025 guadivrsa@hotmail.com/ http://associacaoguadi.blogspot.com FACEBOOK


JORNAL DO BAIXO GUADIANA | DEZEMBRO 2012 |

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P UBLIC IDAD E CARTÓRIO NOTARIAL DE CASTRO MARIM A CARGO DA NOTÁRIA MARIA DO CARMO CORREIA CONCEIÇÃO

CARTÓRIO NOTARIAL DE OLHÃO Rua Patrão Joaquim Casaca, lote 1, r/c, Notário Lic. António Jorge Miquelino da Silva

termos do art.º 100, n.º 1, do Código do Notariado, certifico que no dia doze de Novembro de dois mil e doze foi lavrada neste Cartório, Nos termos do art.º 100, n.º 1, do Código do Notariado, certifico que no dia vinte e um de dois mil e doze foi lavrada neste Cartório, de folhas dez a folhas catorze do Livro de Notas para Escrituras Diversas número Vinte e Dois - A, uma escritura de justificação, na qual compareceram: PRIMEIRA - Maria Sofia Camarada Domingues da Cunha Bento, NIF 130 086 762, natural da freguesia e concelho de Castro Marim, casada com António Manuel Carreira da Cunha Bento sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Rua Mariano Coelho, n.º 18, 3º direito, em Setúbal; SEGUNDO - Francisco Roberto Camarada Domingues, NIF 113 816 677, natural da dita freguesia de Castro Marim, casado com Maria Suzete da Conceição Marques Camarada Domingues sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Praceta Carlos Manito Torres, n.º 2, 6º A, em Setúbal; TERCEIRO - José Manuel Mendes Domingues, NIF 135 860 350, natural da freguesia e concelho de Castro Marim, casado com Maria Adelaide Calvinho Mendes Domingues sob o regime da comunhão de adquiridos, residente no Largo da Conceição, n.º 9, em Castro Marim. Que declararam ser donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do prédio rústico sito no Enterreiro, na freguesia e concelho de Castro Marim, com a área de vinte e quatro mil quinhentos e sessenta metros quadrados, composto por salinas com cinco marinhas, um viveiro, actualmente inscrito na matriz predial rústica sob o artigo 10, da secção BG, com o valor patrimonial tributável de 0,01 euros, e construção rural, composta por armazém para depósito de sal, directa e exclusivamente afecto à produção de rendimento agrícola, omisso na matriz por possuir carácter acessório e sem autonomia económica em relação ao rústico em que está inserido, encontrandose a salina descrita na Conservatória do Registo Predial de Castro Marim sob o número sete mil e quarenta e nove e a construção rural sob o número sete mil e cinquenta e nove, onde se mostra registada a aquisição a favor de JOSÉ DOMINGUES, conforme inscrição correspondente à AP. um, de vinte de Novembro de mil novecentos e onze. Que atribuem ao dito prédio o valor de mil euros. Que o prédio pertence à primeira e segundo outorgantes por lhes ter sido adjudicado, em comum, o direito correspondente a dezassete de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, em dez de Julho de mil novecentos e setenta e cinco, por partilha extrajudicial lavrada de folhas cinco a folhas treze do livro de notas para escrituras diversas número noventa e sete, do Cartório Notarial de Vila Real de Santo António, por óbito de seu pai, António da Conceição Domingues, residente que foi na Estrada de São Luís, n.º 78, 1º, em Faro, separado judicialmente de pessoas e bens de Maria Alice Araújo Camarada; e ao terceiro outorgante por ter adquirido igual direito correspondente a dezassete de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, em dois mil e seis, por sucessão, que expressamente invoca, por óbito de seu pai, Manuel Isidro Domingues, viúvo, residente que foi na Rua João da Guarda Cabreira, n.º 18, em Castro Marim, de quem foi declarado único herdeiro. Que, por sua vez, os referidos António da Conceição Domingues e Manuel Isidro Domingues, haviam adquirido o dito direito correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por lhes ter sido adjudicado na sentença de trinta e um de Julho de mil novecentos e trinta e seis, que decretou a partilha no âmbito no processo de inventário orfanológico que correu termos no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real de Santo António, registado sob o trinta e quatro barra mil novecentos e trinta e cinco, que se encontra arquivado no maço noventa e quatro, número cinco, por óbito da mãe destes, Sofia do Carmo Mangas, residente que foi em Castro Marim, a qual adquiriu o referido direito por este ter ingressado no património conjugal comum desta com António Domingues, com quem foi casada sob o regime da comunhão geral, residente na Rua João da Guarda Cabreira, em Castro Marim, a quem, por sua vez, havia sido adjudicado na sentença de trinta e um de Maio de mil novecentos e oito, que decretou a partilha no âmbito do processo de inventário orfanológico que correu termos no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real de Santo António, registado sob o número cento e oitenta e quatro barra mil novecentos e oito, que se encontra arquivado no maço quarenta e oito, número um, por óbito da mãe deste, Maria da Conceição Domingues, residente que foi em Castro Marim, e casada que foi, sob o regime da comunhão geral de bens com o referido JOSÉ DOMINGUES, ora titular inscrito. Que os remanescentes duzentos e trinta e oito de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, lhes pertencem, na proporção correspondente a duzentos e catorze de duzentos e setenta e dois avos para a primeira e segundo outorgantes, em comum, e na proporção correspondente a vinte e quatro de duzentos e setenta e dois avos para o dito Manuel Isidro Domingues, a quem o terceiro outorgante sucedeu, por lhes terem sido adjudicados em treze de Agosto de mil novecentos e setenta e sete, por partilha extrajudicial lavrada de folhas setenta e dois a folhas setenta e quatro verso do livro de notas para escrituras diversas número A – cento e treze, do Cartório Notarial de Vila Real de Santo António, por óbito de seu avô, o referido António Domingues, que, por seu turno, havia adquirido o referido direito a seus irmãos e cunhada(o)s: - Maurício Domingues Lino e mulher, Leopoldina Ramos Domingues, casados no regime da comunhão geral, residentes em Castro Marim, na proporção correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por compra e venda de dezoito de Abril de mil novecentos e quarenta e um, outorgada no Cartório Notarial de Castro Marim; - João Domingues e mulher, Maria da Encarnação Torrado, casados no regime da comunhão geral, residentes em Castro Marim, na proporção correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por compra e venda de doze de Novembro de mil novecentos e quarenta e cinco, lavrada no Cartório Notarial de Castro Marim; - Clementino Domingues e mulher, Rosália da Conceição Domingues, casados sob o regime da comunhão geral, residentes em Castro Marim, na proporção correspondente a cento e dois de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por compra e venda de seis de Fevereiro de mil novecentos e quarenta e seis, lavrada no Cartório Notarial de Castro Marim, que, por sua vez, para além do direito que lhe fora adjudicado por partilha judicial por óbito da sua mãe, adiante referida, havia adquirido o direito correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por compra e venda de trinta e um de Março de mil novecentos e trinta e sete, lavrada no Cartório Notarial de Vila Real de Santo António, à sua irmã Maria da Conceição Domingues Peres e marido, Tomaz Amaro Peres, casados no regime da comunhão geral e residentes no Largo do Contador Mór, número dezoito, segundo andar esquerdo, em Lisboa, e o direito correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por lhe ter sido adjudicado na sentença de dezanove de Maio de mil novecentos e trinta e seis que decretou a partilha por inventário orfanológico que correu termos no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real de Santo António, registado sob o número vinte e cinco barra mil novecentos e trinta e cinco, que se encontra arquivado no maço quarenta e oito, número um, por óbito de seu pai, o referido JOSÉ DOMINGUES, ora titular inscrito, que havia adquirido o referido direito por sucessão de seu filho, pré-falecido sem descendência, Manuel Domingues, solteiro, maior, com última residência conhecida no Quartel da Graça, em Lisboa; - José Bartolomeu Domingues e mulher, Genoveva da Conceição Domingues, casados no regime da comunhão geral, residentes em Castro Marim, e Luciano Margarida Domingues e mulher, Ana da Conceição Sabino Domingues, casados no regime da comunhão geral, residentes em Évora, na proporção correspondente a sessenta e oito de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por compra e venda de seis de Junho de mil novecentos e quarenta e seis, lavrada no Cartório Notarial de Castro Marim. Que, por sua vez, cada um dos referidos Maurício, João, Clementino, Maria da Conceição, José, Luciano e o próprio António, adquiriu o direito correspondente a trinta e quatro de duzentos e setenta e dois avos do prédio tal como atrás se encontra identificado, por lhes ter sido adjudicado na sentença de trinta e um de Maio de mil novecentos e oito, que decretou a partilha por inventário orfanológico que correu termos no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real de Santo António, registado sob o número cento e oitenta e quatro barra mil novecentos e oito, que se encontra arquivado no maço quarenta e oito, número um, por óbito de sua mãe, Maria da Conceição Domingues, residente que foi em Castro Marim, e casada que foi, sob o regime da comunhão geral de bens com o referido JOSÉ DOMINGUES, ora titular inscrito. Que, apesar da existência dos títulos atrás identificados, os mesmos foram elaborados de acordo com os usos e terminologias próprios do tempo em que foram feitos, mencionando a venda e adjudicação de talhos e não de partes indivisas do prédio globalmente considerado, pelo que os mesmos não reúnem os requisitos necessários para o reatamento do trato sucessivo. Que, não obstante, sem qualquer interrupção no tempo, desde a mais antiga daquelas datas, portanto há mais de vinte anos, têm estado, primeiro os indicados antepossuidores, e depois os ora justificantes, na posse do referido prédio, sem qualquer oposição, cuidando da sua manutenção, pagando contribuições e impostos, explorando as salinas, colhendo e armazenando os seus frutos, enfim usufruindo-o no gozo pleno de todas as utilidades por ele proporcionadas, sempre com ânimo de quem exerce direito próprio, posse essa exercida de boa-fé, por ignorar lesar direito alheio, de modo público, porque com conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém, pacífica, porque sem violência, e contínua, pelo que os justificantes, invocando expressamente aquelas posses sucessivas, que tiveram início há mais de vinte anos, em momento anterior, portanto, a qualquer dos casamentos dos justificantes, adquiriram o referido prédio por usucapião, não tendo, todavia, dado o modo de aquisição, títulos extrajudiciais normais capazes de provar o seu direito. Está conforme o original. Castro Marim, aos 21 de Novembro de 2012.

Certifico narrativamente para efeito de publicação que por escritura de 11 de Outubro de 2012, exarada a folhas 71 do livro de notas deste Cartório número 92-A, Ana Margarida Afonso Galrito da Silva e marido Guilherme Ribeiro Coelho da Silva, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ela natural da freguesia e concelho de Alcoutim, e ele da freguesia de Cedofeita, concelho do Porto, residentes na Rua do Moinho, caixa postal 286 – A, sitio de Braciais, Patacão, freguesia de São Pedro, concelho de Faro, contribuintes fiscais números 170 818 462 e 154 937 002, a outorgante mulher é dona e legítima possuidora, com exclusão de outrém, do prédio urbano térreo, para habitação, composto por diversos compartimentos, duas dependências e logradouro, sito em Guerreiros do Rio, freguesia e concelho de Alcoutim, com a área coberta de oitenta metros quadrados e descoberta de cinquenta metros quadrados, a confrontar do Norte e do Poente com Rua, do Sul com Francisco Custódio e do Nascente com Albano Brás, inscrito na matriz, em nome do antepossuidor António Galrito (Cabeça-de-casal da herança), sob o artigo 1042, com o valor patrimonial tributável de 548,02 euros, a que atribuem o valor de seis mil e quinhentos euros, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Alcoutim. Que a outorgante mulher entrou na posse do prédio, ainda no estado de solteira, por partilha meramente verbal e nunca reduzida a escrito feita com os demais interessados, em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa, por óbito de seus pais Catarina Afonso e Manuel António Galrito, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram em Guerreiros do Rio, freguesia e concelho de Alcoutim, e que estes por sua vez haviam entrado na posse do prédio também por partilha meramente verbal e nunca reduzida a escrito feita com os demais interessados, em data imprecisa do ano de mil novecentos e setenta, por óbito do avô da justificante António Galrito, viúvo, residente que foi no dito sitio de Guerreiros do Rio; e que sem qualquer interrupção no tempo desde a mais antiga daquelas datas, portanto há mais de vinte anos, têm estado, primeiro os pais da justificante mulher e depois ela, na posse do referido prédio, cuidando da sua manutenção e habitando-o, enfim, extraindo todas as utilidades por ele proporcionadas, sempre com ânimo de quem exerce direito próprio, posse essa exercida de boa-fé, por ignorar lesar direito alheio, de modo público, porque com conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém, pacífica, porque sem violência, e contínua, pelo que a ora justificante, invocando expressamente aquela posse iniciada há mais de vinte anos, adquiriu o prédio por usucapião, não tendo, todavia, dado o modo de aquisição, título extrajudicial normal capaz de provar o seu direito. Está conforme: Cartório Notarial de Olhão sito na Rua Patrão Joaquim Casaca, lote 1, r/c, aos 11 de Outubro de 2012.

A Colaboradora, (Joana Isabel da Silva de Gouveia e Sousa) (Colaboradora inscrita sob o n.º 400/4, conforme despacho de autorização da Notária Maria do Carmo Correia Conceição, publicado a 16.01.2012, no portal da Ordem dos Notários, nos termos do disposto no artigo 8º do Estatuto do Notariado e da Portaria n.º 55/2011, de 28 de Janeiro) Conta registada sob o n.º 76/11 Factura / Recibo n.º3245 Jornal do Baixo Guadiana, 01 Dezembro 2012

Por delegação do Notário, art. 8/2 DL 26/2004, de 04/02, O Colaborador autorizada aos 01.02.2011 Carlos Eduardo Mendonça Viegas – ON n.º 222/4. Conta registada sob o n.º 1921 / 2012. Jornal do Baixo Guadiana, 01 Dezembro 2012

CARTÓRIO NOTARIAL DE ALCOUTIM A cargo da Adjunta de Notário Lic. Margarida Rosa Molarinho de Brito Simão Certifico para efeitos de publicação que por escritura outorgada hoje neste Cartório Notarial, a folhas noventa e nove do Livro de Notas para Escrituras Diversa número “trinta e três – D”, Joaquim Dias Valério Afonso, N.I.F. 144.811.448, natural da freguesia do Pereiro, concelho de Alcoutim e mulher, Lídia Maria Colaço Afonso, N.I.F. 144.811.456, natural da freguesia e concelho de Alcoutim, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes em Vivenda Maria Filomena, Rua da Escola, nº 12, Abrunheira, São Pedro de Penaferrim, Sintra: Que são donos e legítimos possuidores com exclusão de outrem dos seguintes prédios rústicos, aos quais atribuem valores iguais aos patrimoniais tributários e não descritos na Conservatória do Registo Predial de Alcoutim: a) Prédio, sito em Premedeiros, freguesia e concelho de Alcoutim, composto por cultura arvense, amendoeiras e oliveiras, com a área de três mil e quarenta metros quadrados, a confrontar do norte com José Francisco Ribeiros, do sul e poente com David John Jerwood, do nascente com rio Guadiana, inscrito na matriz cadastral em nome do Justificante marido, sob o artigo 42 da secção 023, com o valor patrimonial tributário de quatrocentos e doze euros e oitenta e um cêntimos; b)Prédio, sito em Pontal, freguesia e concelho de Alcoutim, composto por cultura arvense, e oliveiras, com a área de cento e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Arminda Dias Ribeiro; sul Herdeiros de António Rodrigues Lourenço, do nascente com Dionísio António Peso e do poente com caminho, inscrito na matriz cadastral em nome de Manuel Joaquim Afonso sob o artigo 80 da secção 087, com o valor patrimonial tributário de trinta e sete euros e noventa e um cêntimos; c)Prédio sito em Portela, freguesia de Pereiro, concelho de Alcoutim, composto por cultura arvense de sequeiro, com a área de treze mil novecentos e sessenta metros quadrados, a confrontar do norte com José Cavaco Pereira da Palma, do sul com Manuel Pereira Afonso Madeira, nascente com Maria Antonieta Gonçalves Gomes Palma e poente com Linha de água, inscrito na matriz cadastral em nome de Manuel Joaquim Afonso, sob o artigo 76 da secção 076, com o valor patrimonial tributário de cento e catorze euros e vinte e dois cêntimos. Que os justificantes casaram entre si em vinte e seis de Julho de mil novecentos e setenta e que os prédios entraram na sua posse, já no estado de casados, em data imprecisa de mil novecentos e noventa e portanto há mais de vinte anos, pelo que os mesmos têm a natureza de bens comuns do casal. Que o prédio identificado na alínea a) lhes pertence por o haverem comprado em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa a Joaquim da Palma e mulher Antónia Rosa Cavaco, casados sob o regime de comunhão geral e residentes que foram em Fonte Zambujo, freguesia do Pereiro concelho de Alcoutim. Que os prédios identificados nas alíneas b) e c) lhes pertencem por lhe ter sido adjudicado em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa por partilha verbal e nunca reduzida a escrito, a que procedeu com os demais interessados, dos bens das heranças abertas por óbito dos pais do justificante marido, Manuel Joaquim Afonso e Rita Madeira Viegas, casados que foram no regime de comunhão geral e residentes que foram no Sítio dos Tacões, freguesia do Pereiro, concelho de Alcoutim, não dispondo eles justificantes de títulos formalmente válidos que comprovem a mencionada compra e venda e partilha. Que, no entanto, desde que as mesmas foram efetuadas e até à data, portanto há mais de vinte anos, sempre eles justificantes estiveram na posse e fruição dos citados imóveis, ininterruptamente, à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizar e fruir coisas exclusivamente suas, adquiridas do anterior proprietário, pagando as respectivas contribuições e impostos, fazendo sementeiras, plantações e culturas nos referidos prédios rústicos, enfim deles retirando todos os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência d etal posse em nome próprio, pacífica, pública, contínua e de boa fé, adquiriram os mencionados bens por usucapião, que, expressamente invocam para justificar o seu direito de propriedade para fins de registo. Está conforme com o original. Cartório Notarial de Alcoutim, aos doze de Novembro de dois mil e doze. A Adjunta do Notário, em substituição legal, (Margarida Rosa Molarinho de Brito Simão) Conta: Art.º 20.º n.º 4.5…….€ 23,00 São vinte e três euros. Conta registada sob o nº 50 Jornal do Baixo Guadiana, 01 Dezembro 2012


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DESPOR T O

Futebolândia

Complexo Desportivo vai ter um centro médico de reabilitação Está para breve a inauguração de um centro médico de reabilitação que une o desporto e a saúde em Vila Real de Santo António e abre assim portas a um novo tipo de turismo no concelho. A aposta vem no seguimento da política desportiva do município cujo Complexo Desportivo foi distinguido pela Federação Portuguesa de Atletismo.

Olá! Sejam bem-vindos a mais um «Futebolândia», este dedicado à quadra natalícia. Ao que parece ainda existem pessoas que acreditam que o Pai Natal existe e escrevem cartas todos os Natais! Por exemplo o expresidente do Benfica, João Vale e Azevedo…É verdade, eu, que sou um privilegiado, tive acesso à carta deste ano e diz assim: «Querido Pai Natal, mais uma vez escrevo-te para pedir umas prendas. Não! Não é um implante capilar, mas sim pedir-te uma redução da minha pena, visto que o tribunal não a quer conceder. Quero também perguntar-te uma coisa... Será que as minhas férias, quando tinha três anos, no Parque de campismo da Trafaria; as minhas férias na praia da Rocha em Portimão, quando tinha dez anos; e as que estive na minha lua-de-mel, não contam como redução de pena? Para não falar naquelas férias tão difíceis em Londres, sim, difíceis Pai Natal.. Sabe o que é comer caviar e beber champanhe a toda a hora? Não sabe… Eu adoro é um bitoque com ovo a cavalo, isso é que é comida, um cozido à portuguesa…! Acho que esse tempo devia contar também para a redução da minha pena! E aquele luxo todo do meu apartamento com ar condicionado, eu que até gosto de dormir em caravanas com casa de banho privativa, com duas torneiras, uma para a água fria e outra para a água gelada; isso é que é vida! Adorava ter uma redução ou eliminação da minha pena, porque tenho receio de ir parar a uma cadeia onde a cela seja muito bera, (como diz a minha advogada) e onde encontre muitos benfiquistas que me façam apanhar sabonetes do chão do chuveiro. Sou uma pessoa séria quando não estou rindo. Nunca roubei nada ao Benfica, desviei... o que não é o mesmo… Ah! Já me esquecia..! Quero um cachecol do Benfica, uma bandeira e um penteado igual ao do Jorge Jesus…» Bom Natal!

Eusébio Costa, radialista e licenciado em ciências da comunicação eusebiocosta@live.com.pt

O Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António terá brevemente um centro médico de reabilitação que irá primar pela inovação, arrojo e especialização. A estratégia abarca o desporto e saúde, eixos centrais de uma nova aposta sustentada num turismo que começa a dar os primeiros passos e onde VRSA quer ser pioneiro. Para já o Complexo Desportivo começa a receber novos investimentos ao nível da medicina desportiva, pretendendo inaugurar brevemente um centro médico de reabilitação que conta com uma parceria médica com Cuba, ao abrigo do protocolo entre ambos os países. Trazer outro segmento do turismo para o concelho é a prioridade. “Trata-se de uma forma de valorizar ainda mais este equipamento que tem sido responsável pelos bons níveis de ocupação hoteleira e contribuído para diminuir significativamente a sazonalidade na época baixa», destaca

Luís Gomes, edil vila-realense.

Complexo Desportivo duplamente homenageado Num dia marcado pelo desporto [24 de Novembro] o Complexo Desportivo foi protagonista de duas homenagens; uma do atletismo nacional e outra do regional. “É com grande orgulho que, em diversas reuniões da Federação, destacámos as excelentes condições do Complexo Desportivo de VRSA, motivo que nos leva a entregar este galardão”, afirmou Fernando Mota, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, salientando ainda o investimento da autarquia em “infraestruturas desportivas capazes de competir com os melhores exemplos europeus”.Na ronda de homenagens também a Associação de Atletismo do Algarve atribuiu ao município uma

VRSA foi distinguida pela Federação Portuguesa de Atletismo medalha de honra pelas suas infraestruturas desportivas. Recorde que o Complexo Desportivo de VRSA é um centro de treino acreditado pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF), desde 2002, e está classificado como Centro de Preparação Olímpica, desde 2004. Além de ter constituído um Centro de Treino

Oficial do Euro 2004, o equipamento acolheu, este Verão, os treinos de preparação das seleções olímpicas e paralímpicas de Atletismo da Grã-Bretanha (UK Athletics). É palco frequente de treino de seleções e de eventos como o «Mundialito», a corrida «X Milhas do Guadiana» ou a «Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo».

Associação BTT do Baixo Guadiana já pedala oficialmente A mais recente associação de BTT do Baixo Guadiana já saiu à rua oficialmente e pedalou por VRSA e Castro Marim, naquele que foi o passeio inaugural dos amantes das duas rodas. Com um grupo extenso de 227 participantes o dia começou cinzento, mas sem chuva para adeptos da modalidade que vieram de todo o Algarve. O ponto de encontro foi o Supermercado Intermarché em VRSA que cedeu pequenos-almoços e abastecimentos para todos os participantes. O ponto de partida oficial foi a Praça Marquês de Pombal onde a Vereadora Conceição Cabrita, da autarquia vilarealense, deu sinal verde à marcha sob duas rodas e disponibilizou os balneários do complexo desportivo

para os merecidos banhos após a finalização da prova. Já a Junta de Freguesia não quis deixar de marcar presença com o apoio no terreno de uma viatura 4x4. Foram dois os percursos guiados que permitiram aos participantes desfrutar do Baixo Guadiana: um de 30km, mais acessível. Outro de 39km para os que pedalam com mais frequência. A meta do passeio inaugural já foi cortada pela associação de BTT que garantiu ao JBG que «este foi um evento que abriu as portas à realização de futuras iniciativas organizadas pela Associação BTT Baixo Guadiana». Para saber mais sobre a associação consulte: http://associacaobttbaixoguadiana.blogspot.pt

Festival de Patinagem Artística O Grupo Desportivo, Recreativo e Cultural «Leões do Sul Futebol Clube» organiza no dia 15 de Dezembro, o Festival de Patinagem Artística Natal 2012 pelas 17h no Pavilhão Municipal de Castro Marim. A iniciativa, apelidada «A pequenada sobre rodas» prevê desde já a participação de 100 jovens dos clubes: Card-Portimão, Grupo Desportivo Diana – Évora, Real Amizade Farense – Faro, Escola de Patinagem de Portimão, Patinagem Clube de Tavira e Roller de Lagos Clube de Patinagem. A Escola de Patinagem dos Leões do Sul, que corporiza o projecto

«Vamos Patinar » garante que este “é o resultado da persistência, determinação e empenhamento do clube na aprendizagem desta modalidade e na formação dos jovens”. Trata-se da única Escola de Patinagem no concelho de Castro Marim e segundo a direção “é uma peça na estratégia de formação e desenvolvimento dos jovens, uma realidade a que, como coletividade de âmbito desportivo, os Leões do Sul estão particularmente atentos”. Promover a participação dos jovens, desenvolver uma escola para todos e potenciar a prática da modalidade são alguns dos objetivos do projeto lançado em 2001.

Associação de BTT contou com 227 participantes no passeio inaugural

Padel com Torneio de Outono

Sporting em jogo solidário pelas vítimas do tornado

Até 8 de Dezembro o Torneio de Padel de Outono decorre no Complexo Desportivo de VRSA nas categorias: masculinos, femininos e mistos. A competição conta com 16 parcerias, e 32 participantes, em que sete são espanhóis. No que diz respeito a atividades futuras está já programada a realização de uma etapa do Circuito Nacional de Padel organizado pela Federação Portuguesa de Padel, nos dias 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro. O Torneio de Outono teve início dia 16 de Novembro e estende-se até 8 de Dezembro. Para mais informações contacte: padelclubevrsa@ gmail.com ou 965321391

O Sporting Clube de Portugal vai participar, no sábado, dia 1 de Dezembro, às 16h, no Estádio de São Luís, em Faro, num jogo de futebol solidário contra uma seleção de jogadores de clubes algarvios, cuja receita servirá para minimizar os prejuízos do tornado nos concelhos de Lagoa e Silves. A equipa leonina vai defrontar uma formação composta por jogadores algarvios. O jogo solidário é organizado pelo Sporting, através da sua Fundação, e pelos clubes algarvios de Lagoa, Silves, Portimão, Lagos, Faro, Olhão e Loulé e Associação de Futebol do Algarve.


JORNAL DO BAIXO GUADIANA | DEZEMBRO 2012 |

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D ESP O R TO  Entrevista com o professor Mário Alpiarça

Humberto Fernandes

BTT em crescendo

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Este mês o JBG pedala ao lado de Mário Alpiarça, professor de Educação Física em VRSA, coordenador nacional de BTT do Desporto Escolar e principal responsável do Núcleo Sportinguista vilarealense. Lançou recentemente o seu segundo livro sobre BTT, «Do ABC do BTT até onde puderes…». JBG: O BTT está em expansão? Mário Alpiarça: Comecei a praticar BTT em 1991 e isso permite-me ter uma visão histórica da modalidade, pelo menos em Portugal. Não tenho qualquer dúvida que a modalidade está em crescendo e as potencialidades de crescimento, concretamente no sotavento algarvio, são imensas, seja em modo utilitário, de lazer, de competição ou pelo turismo. Um ponto é certo, muito trabalho de formação e de campo existe pela frente para uma rutura com o passado onde a bicicleta era vista como um meio de transporte pobre e lento. JBG: Como é a sua relação com a modalidade? M.A. - É difícil explicar a minha relação com a modalidade porque misturo a minha profissão com o meu lazer. No livro tento explicar essa ligação que é por vezes totalmente visceral, outras, cerebral e por vezes as duas. Acima de tudo é necessário adorar estar no campo, usufruir da floresta, dos animais, dos cheiros, das cores, de estar com os amigos e companheiros de passeio, treino ou competição. De sacar proveito da máquina, sentir o esforço, a velocidade, o equilíbrio, a vertigem, enfim tantos fatores que se mesclam entre si… JBG - Como surgiu a ideia deste novo livro? MA: A ideia já vem de longa data. Durante os oito longos anos que demorou entre a saída do primeiro livro «BTT – A Bicicleta Todo-o-Terreno?» e o início da escrita deste, fui produzindo material para formação nesta área e juntei imensa informação que me pareceu que seria de uma total inutilidade não divulgar. A ideia de um segundo livro começou rapidamente a formar-se e na interrupção letiva do Natal de 2010 comecei a estruturá-lo. Foram quinze longos meses que acabaram por vir à luz em Outubro deste ano. JBG: Qual é a mensagem central? MA: Por um lado, despertar a curiosidade dos praticantes para a sua própria formação, por outro, dar ferramentas a professores e treinadores de forma a realizarem um trabalho mais consciente e efetivo. Gostaria que o livro se convertesse numa espécie de compêndio de soluções para a modalidade de BTT, aí poderia considerar que todo o tempo investido foi muito bem empregue. JBG: Portugal carece deste tipo de bibliografias? MA: A produção de documentos técnicos nesta área é infelizmente

muito pobre, dando uma falsa sensação que para se ter gozo e rendimento em cima da bicicleta, não é necessário qualquer tipo de formação, seja técnica, física ou psicológica. O conhecimento e a experiência dizem-me que com um pouco de formação a grande maioria dos adultos adquire comportamentos e atitudes que em muito podem melhorar a sua qualidade em cima da bicicleta. Não tenho qualquer dúvida que o livro vem colmatar esta situação.

tividades… MA: Estamos a assistir a um verdadeiro boom de agremiações e associações de BTT no sotavento o que denota a vontade em desenvolver a modalidade. Os clubes fortes são aqueles que conseguem sinergias, forças que se unem numa só instituição, mesmo que tenha vários núcleos e formas de praticar. Num futuro próximo é possível que as pessoas tenham e venham a entender-se para que esta situação seja real.

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Mário Alpiarça é coordenador nacional de BTT do Desporto Escolar em VRSA e Castro Marim JBG: A bicicleta é uma alternativa atualmente? MA: Algumas câmaras já começaram a perceber que a bicicleta é uma verdadeira alternativa e estão a realizar um trabalho meritório, outras, seja por falta de conheci-

“Gostaria que o livro se convertesse numa espécie de compêndio de soluções para a modalidade de BTT, aí poderia considerar que todo o tempo investido foi muito bem empregue” mento, vontade política ou falta de meios, não estão a conseguir acompanhar e tornarem-se participantes neste desenvolvimento. JBG: A modalidade tem vindo a despertar o surgimento de cole-

JBG: A nível pessoal e profissional quais são os planos no BTT? MA: Saliento o projeto onde estou como coordenador nacional de BTT do Desporto Escolar, num trabalho conjunto com a Federação Portuguesa de Ciclismo e respetivas associações regionais, trabalhando com alunos (35) de cinco escolas dos concelhos de VRSA e Castro Marim. A ideia é tornar a BTT como modalidade com quadro competitivo nacional dentro do Desporto Escolar. Em relação ao Núcleo Sportinguista de VRSA, está a realizar um esforço épico para que a BTT, classe de competição e de Escolas de Ciclismo, continue mais uma época que sabemos que vai ser muito difícil e estou totalmente implicado no projeto. Depois dentro da BTT existem mil e uma coisas que gostaria de realizar, algumas estão escritas no livro, outras ainda em forma de pensamentos, exemplo da realização de travessias, produção de Road-Books e Tracks de GPS do sotavento, transformar VRSA numa cidade pró-ciclável, começando a transformação com este conceito ao nível das escolas, isto só para indicar alguns.


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3 mil novas árvores na Mata de VRSA É no âmbito do projeto «Floresta Comum» que se deu início a uma reflorestação sem precedentes e, em simultâneo, a uma jornada de sensibilização que abrange toda a comunidade, com ênfase nas escolas do concelho. No dia 24 de Novembro foram plantadas simbolicamente a primeira centena de árvores numa iniciativa organizada pelo Banco Local de Voluntariado vila-realense e no qual compareceram à chamada cerca de 50 pessoas entre eles escuteiros também. Fátima de 45 anos soube da iniciativa e decidiu desde logo unir-se à causa. “Vim aqui porque acho que isto é digno, é um trabalho lindíssimo e é uma honra poder fazer algo pelo desenvolvimento e intervir ao nível ambiental”, diz. Patrícia de 27 anos relembra os tempos da Escola Primária em que no «Dia da Árvore» era prática habitual plantar uma árvore e garante que atualmente «vê a perspetiva de outra maneira e para além de ser engraçado é muito bom para nós». No total o projeto prevê a plantação de cerca de 3 mil árvores naquele espaço inserido na Rede Nacional de Áreas Protegidas e na Rede Natura 2000, sendo que a plantação decorre até Fevereiro de 2013. Para além da autarquia, envolvida na logística e transporte das árvores, o projeto envolve também a Autoridade Florestal Nacional (AFN), o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus). Esta ação conta ainda com o apoio da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA. E porque a sensibilização e aprendizagem começa na infância, os alunos do concelho pombalino também vão participar na reflorestação através dos projetos ambientais desenvolvidos em contexto escolar, nomeadamente o «ecoescolas», sendo criada sinalética com informações relativas às espécies plantadas.

Cartoon

Helicóptero do INEM regressa a Loulé dado o maior número de beneficiários no Algarve.

Regiões de Turismo do Algarve e Alentejo vão trabalhar juntas para promoção integrada.

Obras de remodelação da Escola Secundária de VRSA continuam suspensas. Ausência de resposta da tutela ‘ensurdece’ a comunidade escolar.

sotavento algarvio

ECOdica Reciclar é uma forma de preservação do meio ambiente, mas nem tudo é reciclável. Em relação ao vidro são recicláveis: garrafas de bebida, frascos em geral, potes de produtos alimentícios, copos, etc. No entanto, não coloque na reciclagem: espelhos, cristais, vidros de janelas, vidros de automóveis, lâmpadas, ampolas de medicamentos, cerâmicas, porcelanas, tubos de TV e de computadores.


JBG Dezembro 2012