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JORNAL DO BAIXO GUADIANA | ABRIL 2011 |

JORNAL DO

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Baixo

Guadiana Director: Carlos Luis Figueira Propriedade da Associação ODIANA Fundado pela Associação Alcance em 2000

Jornal Mensal

ABRIL 2011

Ano 10 - Nº131

PREÇO: 0,85 EUROS

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS Autorizado a circular em invólucro fechado de plástico ou papel Pode abrir-se para verificação postal

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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |ABRIL 2011

EDI TORIA L

JBG

Jornal do Baixo Guadiana Director: Carlos Luis Figueira Sub-Director: Vítor Madeira Chefe de Redacção: Susana de Sousa Redacção: Antónia-Maria, Carlos Brito, Joana Germano, José Cruz Victoria Cassinello Colaboradores da Edição: Ana Brás Ana Lúcia Gonçalves Eusébio Costa Fernando Pessanha Francisco Amaral João Raimundo Rui Rosa Susana Correia Associação Alcance Associação Guadi e Associação Odiana Departamento Comercial: baixoguadiana@gmail.com joanagermano@gmail.com Sede: Rua 25 de Abril, N.º 1 Apartado 21 8950-909 Castro Marim Tel: 281 531 171 Fax: 281 531 080 Redacção: Rua 25 de Abril, N.º 1 Apartado 21, 8950-909 CASTRO MARIM 281 531 171 966 902 856 baixoguadiana@gmail.com Propriedade: Associação Odiana Rua 25 de Abril, N.º 1 Apartado 21, 8950-909 CASTRO MARIM Tel: 281 531 171 Fax: 281 531 080 geral@odiana.pt Pessoa Colectiva: 504 408 755

A necessidade de um novo ciclo! De novo o País confronta-se perante a escolha proporcionada pela realização de eleições antecipadas para a Assembleia da República de cujos resultados dependerá a formação de um novo Governo. Escolha difícil em momentos particularmente duros e incertos para a vida da maioria dos portugueses. A crise económica e financeira que desde há muito se arrastava e da qual resultavam consecutivamente perdas de postos de trabalho, empobrecimento de largos sectores da sociedade, novo fluxo emigratório de milhares de portugueses, a esse arrastar de múltiplas dificuldades - expressas algumas delas de forma veemente nas conclusões da Assembleia Geral da Associação Odiana, em relação ao que se passa neste território face a promessas não cumpridas - sucedeu-se uma crise politica com a demissão do actual Governo, somandose assim, crise à crise. Desfecho inevitável? Talvez! Sobretudo pela inépcia revelada por todos os responsáveis polí-

ticos para erguer soluções em defesa do País, revelando uma total incapacidade para enfrentar uma União Europeia, nas mãos de especuladores financeiros e dirigida por um directório que a cada dia se revela mais aprisionado a tais interesses. Neste contexto a sensação que fica para muitos de nós é a de estarmos numa espécie de fim de ciclo. As manifestações de 12 de Março convocadas por um aglomerado disperso e diverso de jovens às quais acabaram por espontaneamente aderir gente, muita de outras gerações, bastantes, seguramente abstencionistas em sucessivas eleições, deram sinais de procura de outras respostas. Não sei se o País e os seus principais responsáveis estarão em condições de responder a tais expectativas. Mas, se assim não acontecer, pode suceder que venham a ser impostas, mais tarde ou mais cedo, por gente que claramente aspira a mudanças e acredita que as pode obter em democracia. Com o número de Abril iniciamos a publicação de uma nova

secção a que demos o nome de «Histórias de Vida». Porque não há futuro sem memória e o território do Baixo Guadiana guarda na diversa população que aqui permanece recordações de vida que nos devolvem conhecimento e nos despertam para a valorização das profundas mudanças que o 25 de Abril nos trouxe. Conquistas que a liberdade nos

propiciou, associada a direitos e condições de vida alcançados e que hoje sentimos ameaçados. O País ainda que agora imaturo e sem consciência clara sobre como enfrentar e sair do atoleiro em que estamos mergulhados aspira a um novo ciclo. A novas e inovadoras políticas. Não suportará por muito mais tempo mais do mesmo. Carlos Luis Figueira cluisfigueira@sapo.pt

Vox Pop

rubrica realizada via facebook

Como encara a crise política que Portugal enfrenta?

Direcção Executiva: Associação Odiana Design: Daniela Vaz Laura Silva Rui Rosa Paginação: Daniela Vaz Rui Rosa Impressão: Postal do Algarve, Lda Rua Dr. Silvestre Falcão, nº 13 C 8800-412 TAVIRA Tel: 281 320 900 Tiragem desta edição: 3.000 exemplares Registo no ICS: n.º 123554 Depósito legal: n.º 150617/00

Nome: Júlio Tomás Cardoso

Profissão: Técnico de Comunicação

R: Já era algo que se fazia prever. Portugal leva bastantes anos a ser mal governado e em algum momento teria que suceder esta crise causada por Governos de políticas centristas.

Nome: Luís Sousa Profissão: Disc Jockey R: Penso que Sócrates tentou tudo, e bem, para o FMI não entrar em Portugal embora isso seja inevitável. Tenho a certeza que caso Passos Coelho suba ao «poleiro» não vai fazer melhor do que o Sócrates, aliás já disse que se tiver de ser irão subir novamente os impostos. Assim sendo, mal por mal, que venha o FMI e ponha as contas do país em ordem.

Nome: Inês Pereira Profissão: Jornalista

R: Encaro com preocupação. O país não está bem; uma mudança poderá ser benéfica, mas ao mesmo tempo a nossa imagem lá fora vai ficar comprometida. Uma coisa é certa: os próximos tempos vão ser de grande incerteza e de sérias dificuldades para os portugueses.

Nome: Álvaro Leal Profissão: Eng. Informático R: Encaro com pessimismo esta crise que já se avistava há meses. Parece-me uma crise combinada para haver apenas troca de rostos no Governo, enquanto o que interessa, a política, continuará sendo a mesma, penalizando quem menos pode.


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CRÓNICAS Vítor Madeira

O insubmisso

tidas obras de requalificação ou obras de «Santa Engrácia» da EN 125, vão dar resposta para todo o tráfego que hoje entra no Algarve? Não. As portagens na A22 vão entupir a EN 125 e estrangular os fluxos rodoviários, devolvendo a esta via a divisa de «estrada da morte», uma das mais perigosas da Europa, onde morrem em média 30 pessoas por ano. O que nós sabemos, Eng. José Sócrates, é que a introdução das famigeradas portagens conduzem, inevitavelmente, ao encerramento de muitas empresas e

vão determinar que o número de desempregados na região que neste momento é de 30.000, vá continuar a aumentar assustadoramente. Depois, é uma aldrabice completa admitir que a Via do Infante é uma SCUT (Auto-Estrada Sem Custos para o Utilizador), uma criação do ex-deputado e amigo do Algarve, Eng. João Cravinho, quando o 1º troço da A22 entre Castro Marim e Albufeira, o equivalente a dois terços da via, ter sido pago com fundos comunitários, o que deixa fundadas dúvidas quanto à legalidade em portajar esta auto-estrada. Hoje, há duas questões que são claras. As portagens na Via do Infante são a pesada factura de seis anos do Governo Socialista para o Algarve. E os algarvios revelam a total ausência de uma consciência regional, ao deixarem-se tratar como cidadãos de segunda, tudo isto, a coberto dos políticos que nos representam na «Casa da Democracia» em São Bento.

ajudar, mas não consegue. Depois vêm os internamentos naturais no Hospital (Faro, Beja, Portimão). Surgiu a pneumonia, ou o AVC, ou o infarto, ou a neoplasia… Muitas vezes internados numa maca ou numa cama de um corredor, ou à “molhada”, como às vezes acontece. Mais grave do que esta situação em si, é toda a gente já achar normal. As pessoas já não se indignam. Já se resignaram.

Lembro-me, então, do que se passa hoje no Egipto, na Tunísia, na Líbia… Normal estar internado uma semana num corredor de um Hospital!? Numa Europa dita civilizada em pleno século XXI!? Será?! Depois, se sobreviverem, têm alta para uma Unidade de Cuidados Continuados. Haverá vaga? Geralmente não! E agora filhos? Que fazer?: «Vou deixar o emprego? Vou meter baixa?». Ouvimos do Hospital: «O seu familiar tem de sair, tem de sair, desenrasque-se…» Isto é o dia-a-dia! Só quando nos bate à porta é que nos apercebemos desta maldade. Melhor dizendo, deste drama. Até lá, é um problema dos outros. Cruzamo-nos neste fadário com a indiferença, com o egoísmo e o salve-se quem puder… Os familiares dirão que estão a fazer o que podem!... Os nossos responsáveis políticos dirão que estão a fazer tudo para resolver a situação!... Será mesmo?!...

oitenta, acompanhando a entrada na CEE, com orientações marcadamente neo-liberais, que a par das nefastas consequências sociais, levaram também à desastrosa substituição da produção nacional por importações. Foi assim que se abandonou grande parte da produção agrícola porque, dizia-se, «fica mais barato comprar lá fora». Foi assim que grande parte da nossa frota pesqueira foi abatida porque,

dizia-se, «é antieconómica». Com os mesmos argumentos, deixou-se esmagar pela concorrência alguma da nossa indústria tradicional e muita outra menos tradicional. O que é espantoso é que isto não seja reconhecido e nos venham agora propor, como alternativa, mais do mesmo em dose reforçada. Nas vésperas do 37º aniversário da «revolução dos cravos», a esperança de merecermos o 25 de Abril, não a encontramos quando olhamos para as diferentes instâncias do poder político, mas é ainda na rua que a encontramos e, quero acreditar, no voto dos portugueses. As manifestações de 12 e 19 de Março, entre outros indicadores, mostram que há uma crescente tomada de consciência, envolvendo as camadas mais jovens, que pode gerar verdadeiras respostas democráticas que travem o caminho do desastre. Reside aí a esperança de merecermos o 25 de Abril!

Portagens na Via do Infante (A22) – A factura do Governo Socialista no Algarve O Partido Socialista, displicentemente, desencadeou uma crise política no país, com o pedido de demissão de José Sócrates do Governo, na sequência do chumbo pela Assembleia da República, da «versão 4» do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), quando o mesmo, à socapa dos portugueses, denunciando uma profunda deslealdade e desrespeito pelo Parlamento e pelo Presidente da República, assumiu o compromisso perante a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu de novas medidas de austeridade para os portugueses.

Paradoxalmente, o Governo demissionário de José Sócrates, numa atitude vexatória aos algarvios, a partir de dia 15 de Abril, mês em que se comemora a instauração da democracia em Portugal, vai começar a cobrar portagens na Via do Infante – A22, que liga Castro Marim a Lagos. Esta decisão do Governo do Partido Socialista é desastrosa para o Algarve e compromete, perigosamente, o futuro do turismo e da economia da região. José Sócrates, na cegueira política de arreca-

dar 175 milhões de euros em receitas para reduzir o défice das contas públicas, ignorou por completo as consequências lesivas desta medida para a vida dos algarvios. Como foi possível a um Governo Socialista que diz apoiar a inovação, a modernidade e o empreendedorismo, esquecer que os algarvios e os agentes económicos e turísticos que operam na região não dispõem de uma alternativa à Via do Infante? Será que o Senhor Primeiro-Ministro julga que as prome-

Francisco Amaral

Idosos com dignidade?

Foi uma vida inteira de trabalho e de sacrifício. Quase sempre de sol a sol. Os filhos emigraram para o estrangeiro ou para o litoral. E agora? Que condições de vida? Isolados nos montes, não menos isolados da Serra Algarvia e do Baixo Alentejo. Quantas vezes as refeições foram sopas de pão, ou pão com chouriço e azeitonas? O que vale é que o “caseiro” anestesiava. A seguir vieram as dores reumáticas (mais que muitas!), os almareios frequentes provocados pela

aterosclerose ou hipertensão. Neuroses (ansiosa e depressiva), fibromialgia e outras, nem pensar. Não havia tempo para essas minudências modernas. Entretanto, a visão vai diminuindo. As cataratas avançam imparáveis. A audição vai-se perdendo. Tanta surdez severa. A quem recorrer? Como? Quem paga? Quantas vezes se pensa: «Não há nada a fazer. É o destino. O destino é ficar assim…»

Todos os filhos deviam ajudar. Uns podem, outros não. Uns podem e ajudam, outros não. Alguns, mais atrevidos, ainda vêm de vez em quando à serra buscar parte da reforma do idoso e alguns produtos. Outros, levam os familiares idosos para um apartamento para Faro ou para Lisboa, onde, quiçá, estarão mais isolados do que no seu monte isolado. «Será melhor ficar», dirão os idosos. Os filhos, a maior parte quer

Carlos Brito

Merecer o 25 de Abril

Nas vésperas de mais um aniversário do 25 de Abril, não consigo fugir a um sentimento de desgosto perante a situação de crise profunda a que o país foi conduzido por quem teve a responsabilidade de o governar nas últimas décadas. A crise política, agora aberta com a demissão do Governo, implicando eleições antecipadas a curto prazo, representa um salto no escuro que agravará de forma extrema, ninguém sabe até onde, a crise financeira, económica e social em que o

país está mergulhado. Governo e oposições aplicam-se na guerra de empurrar de uns para os outros as responsabilidades. Por mim, não reduzo as culpas de ninguém. Nem as da governação de Sócrates; nem a fome de poder por parte da direita; nem a exclusiva posição de protesto da extrema-esquerda; nem o incendiário discurso de posse do Presidente da República.

Por outro lado, a verdade no que respeita à dívida soberana que despoletou a actual crise generalizada, é que, sendo certo que foi incrementada e agravada pelos erros de governação interna e factores internacionais dos últimos anos, constitui também a consequência de políticas que vinham muito de trás. Eu diria que é o resultado lógico do modelo que começou a vigorar entre nós desde meados dos anos


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EDUCAÇÃO  Teatro Escolar

«TeaTroTeca» de Castro Marim conta já com 30 alunos O grupo existe, sensivelmente, há 5 anos. Chama-se «TeaTroTeca» e faz juz à parceria que junta a biblioteca escolar e o grupo de teatro da escola de Castro Marim. Em Maio este grupo vai estar no Teatro Aberto, em Lisboa, para onde foi seleccionado a integrar «Uma Aventura Literária».

Este grupo tem sido seleccionado para diversas mostras de teatro ao nível nacional Há três anos que a biblioteca escolar de Castro Marim se juntou ao grupo de teatro da EB 2,3 de Castro Marim. Desde então que, no início do ano escolar, professores e alunos escolhem uma obra para representar. Mais recentemente o grupo «TeatroTeca» levou à cena «O Auto da Curandeira», da adaptação da obra «Este Livro que vos deixo» de António Aleixo. A apresentação decorreu na inauguração da nova geração da «Casa da Marioneta», em Vila Real de Santo António, onde tiveram «casa cheia».

Espaços abertos à representação Para além de terem agora mais um espaço para apresentarem os seus trabalhos, no concelho de Castro Marim existem duas salas que recebem com regulariade este grupo; o auditório da escola e a biblioteca municipal. Os alunos tiveram já a oportunidade de participar em diversas mostras de teatro escolar e recentemente estiveram no Teatro das Figuras, em Faro. A hipótese surgiu depis de uma selecção onde ficaram bem posicionados.

Ensaios às sextas Os ensaios deste grupo acontecem às sextas-feiras, pelas quatro da tarde. Tal como nos explica Pedro Tavares, professor que integra este projecto. “Por vezes os ensaios são conjuntos, mas acontecem também ensaios separados, onde a música, a dança e o teatro não se juntam”. O grupo de teatro escolar de Castro Marim, que reúne já 30 alunos, desde o oitavo ano até alunos do secundário - que se mantêm no grupo

porque foi aqui que começaram – está a preparar uma peça sobre a educação sexual. Vai ser uma adaptação da obra «A cegonha quer, mas não manda», de Margarida Fonseca Santos. “Deverá ser apresentada no fim de ano, na escola, aos alunos do 4.º ano”, explica Pedro Tavares. Este trabalho vai também servir de colaboração com o projecto «Escola Activa» de Castro Marim [projecto de combate à obesidade infantil].

Adesão “óptima” De acordo, também, com Pedro Tavares, a adesão de pais, professores, alunos e toda a comunidade escolar “está a ser óptima”. Diz este docente que “estão todos entusiasmados pelo trabalho desenvolvido e pelo espírito de amizade do grupo”. Quanto a «futuros talentos» o professor adianta que “ainda é cedo, mas já alguns se destacam e poderão especializar-se nas artes”, afirma, frisando, no entanto, que “é preciso dizer-lhes também que é importante adquirirem habilitações literárias superiores noutras áreas para assegurarem uma vida profissional mais estável, caso as artes não possam ser o futuro das suas vidas”.

Maio: Teatro Aberto Depois de passarem por mais uma selecção o «TeaTroTeca» vai marcar presença no concurso «Uma Aventura Literária...2011». Trata-se de uma iniciativa da editora livreira «Caminho» que pede a adaptação de obras da dupla Ana Margariada Magalhães e Isabel Alçada, que celebrizaram a colecção «Uma Aventura...». O grupo vai fazer na modalidade de teatro a adaptação do excerto «O

Ataque a Santarém», do livro «Reis de Portugal». 30 alunos, ou seja a totalidade,vão representar os papéis de soldados, cristãos, mouros, reis e historiadores, recorrendo também à dança e música medievais.

VRSA vai ser representada por jovens «deputados» no Parlamento No passado dia 1 de Março realizou-se a sessão distrital algarvia «Parlamento dos Jovens». «Deputados» da Escola Secundária de Vila Real de Santo António vão até Lisboa. A sessão distrital do programa «Parlamento dos Jovens – Secundário» teve lugar na Direcção Regional do Algarve do Instituto Português da Juventude. Foram premiadas escolas de Vila Real de Santo António e de Faro. No total foram eleitos para a sessão 40 jovens «deputados», que representaram oito escolas do distrito. O tema «Que futuro para a Educação?» foi o escolhido pela Assembleia da República para o debate. Os estabelecimentos vencedores nesta iniciativa da Assembleia da República foram a Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico de Vila Real de Santo António e a Escola Secundária João de Deus,

em Faro. A sessão contou com a presença da deputada social democrata, Antonieta Guerreiro, que respondeu a perguntas dos estudantes; foram aprovadas ainda várias medidas que os jovens do Algarve propõem que sejam tidas em consideração pela Assembleia da República. A sessão Nacional deste programa, vai acontecer a 30 e 31 de Maio, na Assembleia da República e o Algarve vai ser, então, representado pela Escola Secundária com 3ª ciclo do Ensino Básico de Vila Real de Santo António e a Escola Secundária João de Deus, com a presença de dois deputados de cada um destes estabelecimentos.

Apoios Os apoios para este grupo surgem da parte da EB 2,3 de Castro Marim e da câmara municipal local. Estão envolvidos os professores: Graça Corvinho, na coordenação; António Cavaleiro, na banda sonora, Cristina Felício na dança e audiovisual e Pedro Tavares, pela Biblioteca, adaptação de textos e encenação.

Jovens debateram o «Futuro da Educação» PUB


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JUVENTUDE  De liceu profissional francês

Jovens de Guèrande estagiam em golfes locais Dois jovens do Liceu profissional de Guèrande estiveram ao longo de três semanas em dois golfes de Castro Marim para aplicar conhecimento e adquirir novas práticas. A acção contou com a organização da Odiana e da Associação para a Geminação de Castro Marim/Guèrande. Do lado dos empreendimentos turísticos «Castro Marim Golfe» e a «Quinta do Vale», em Castro Marim, receberam os alunos em contexto de trabalho, que se deslocaram no âmbito do programa europeu de estágios «Leonardo da Vinci». A experiência de estágio passou pela manutenção dos campos. Flavien e Valentin têm a mesma idade. Aos 18 anos tiveram a primeira saída de estágio. Apesar de Portugal não fazer inicialmente parte da lista de locais de eleição para estágio confessam que esta experiência “foi muito boa e até inesperada”. Do Algarve pouco ou nada sabiam, e hoje muito mudou na visão destes jovens franceses. Todos os dias seguiam às 06h30 da manhã desde Monte Gordo, onde fica-

ram alojados, até Castro Marim, mais precisamente, até Junqueira, a localização dos dois golfes. Às sete horas começava a jornada de trabalho. Valentin garante que “há diferenças entre os métodos de trabalho de França e de Portugal”, desde logo pelo “tipo de terra e plantas que são distintas”, e afirmou que, por isso mesmo, o estágio em Castro Marim permitiu “experimentar novos métodos e partilhar a experiência do conhecimento que se adquire no liceu francês”. Também o calor que sentiram na parte final do estágio mostrou o quão diferente pode ser trabalhar ao ar livre no Algarve!

Elogio aos portugueses Estes jovens, que ainda têm um percurso escolar a fazer, reconhecem que “em Portugal ganha-se mal

 Em Alcoutim

Jean-Didier Gry teve a responsabilidade de coordenar todos esta relação bilateral que juntou duas vilas-irmãs. “Os jovens inicialmente queriam ir para Amesterdão, mas era em Castro Marim que o director do Liceu Profissional de Guèrande tinha contac-

tos”, explica este técnico da Odiana e membro da Comissão Instaladora pela Associação de Geminação envolvida no processo de estágio. Num balanço de organização, Jean-Didier avança que “há que limar ainda algumas arestas”, referindo-se, nomeadamente à relação entre as instituições que enviam os alunos e os locais de estágios receptores. “Este foi o primeiro estágio promovido por nós, e sendo a primeira experiência verificamos que há que agilizar o processo, mantendo mais em contacto próximo as instituições dos dois países, confinando-se o papel da Odiana ou da Associação de Geminação no estabelecimento de um primeiro contacto”, defendeu.

Valentin esteve no empreendimento «Quinta do Vale»

Flavien fez estágio no «Castro Marim Golfe»

“É preciso limar algumas arestas”

Tertúlia reuniu APAV, PSP, GNR, Cruz Vermelha e CPCJ

Jornada sobre maus tratos a crianças A organização da sessão de trabalho está a cargo da câmara municipal de Alcoutim e da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) em risco local. É já dia 6 de Abril. Aprender a detectar, sinalizar e intervir, é o grande objectivo desta jornada sobre maus tratos a crianças, que se realiza em Alcoutim no próximo dia 6 de Abril, entre as 14h e as 17h. É organizada pelo município de Alcoutim e pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em risco de Alcoutim, e é um encontro destinado a elementos de CPCJ’s, técnicos de Intervenção Social, professores, técnicos de Saúde, Forças de Segurança e associações de Pais e Encarregados de Educação. Já confirmadas estão as comunicações da Martine Carapeto, psicóloga clínica, Mestre em Psicologia da Saúde e investigadora na área da violência e de Luís Villas-Boas, psicólogo clínico, director do Refúgio Aboim Ascensão e fundador da Emergência

nesta área da manutenção”, contrastando os cerca de 1300 euros mensais de França com o ordenado mínimo dos trabalhadores portugueses na área. “Mas pensamos que em França também se trabalha num ritmo acelerado...” arriscam. Valentin e Flavien querem ir mais longe e ser arquitectos paisagísticos. Para mostrar as suas competências pediram nos locais de estágio que lhes dessem a oportunidade para criarem o seu próprio jardim. “E correu muito bem”, garantem. Por cá encontraram “colegas muitos simpáticos e que nos acolheram muito bem”. Flavien reconhece “as dificuldades económicas que se vive em Portugal”, mas elogia “o acolhimento extraordinário”, frisando que “apesar de o ordenado não dar para grandes regalias ainda há espaço para convidarem para

tomar refeições nas suas casas”. Em França “as pessoas são menos dadas”, reconhece. Estes dois jovens franceses também não poupam elogios ao serviço dos golfes onde tiveram oportunidade de estagiar. “São de altíssimo nível”, elogiam.

Infantil. Para mais informações deverá contactar o número 281 540 559.

Luís Villas-Boas vai fazer uma comunicação nesta jornada anti-violência

O grupo «Violência Doméstica» da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Vila Real de Santo António iniciou recentemente as jornadas de trabalho e na tertúlia organizada com o JBG, conseguiu reunir APAV, PSP, GNR, Cruz Vermelha e comunidade geral. O encontro informal, mas de extrema importância para o desenvolvimento comunitário, aconteceu no passado dia 11 de Março, e ficou marcado por uma conversa bastante informativa. Os contributos dados por todos os que partilharam o espaço foi consubstanciado ainda mais pela presença de elementos da autoridade que explicaram, nomeadamente, quais os procedimentos e afluência de casos de violência doméstica que coloquem em risco a integridade física, e, até mesmo, a vida, de crianças e jovens em Vila Real de Santo António. Rita Bessa, da Associação de Apoio à Vítima (APAV), explicou qual o papel desta entidade e clarificou a lei de apoio à vítima. Maria Judite de Sousa, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA, apontou a problemática dos flagelos sociais e os apoios que a instituição fornece no concelho. A tertúlia, que se inseriu no calendário de tertúlias mensais do JBG, contou ainda com a presença da

docente, Rita Prieto, e alunos de Cidadania da Universidade dos Tempos Livres de VRSA. Dorisa Peres, coordenadora do grupo de violência doméstica da CPCJ local, enalteceu a presença de todos os tertulianos e explicou que este grupo está especialmente atento a esta problemática que “em tempo de crise tende a crescer”, lembrando que “ a violência doméstica é um crime público, cabendo a todos ajudar a combatê-lo”. O JBG enaltece a participação dos, cada vez mais, tertulianos neste espaço de encontro mensal.

A próxima tertúlia está marcada para dia 15 de Abril, também na biblioteca municipal Vicente Campinas. O tema será, como não poderia deixar de ser, o «25 de Abril». Recorde-se que as tertúlias do Jornal do Baixo Guadiana têm o alto patrocínio da Rede de Bibliotecas do Baixo Guadiana. Aos leitores e amigos do JBG fica o repto: contactem-nos e digam-nos onde e sobre que assunto gostariam de encontrar uma tertúlia nossa. Decerto, estaremos sempre disponíveis para ir ao vosso encontro.

A CPCJ de VRSA criou um núcleo dedicado à violência doméstica


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LOCA L | EL ANDEVALO SUR-OCCIDENTAL *

ESPANHA por Antónia-Maria

Las fiestas de la alegría 2011

Carnaval de Ayamonte, arrancó a finales de Enero con la presentación del pregón y Cartel de Carnaval

El Carnaval en la ciudad fronteriza de Ayamonte, arrancó, este año, a finales de Enero con la presentación del pregón y Cartel de Carnaval, a cargo de una conocida figura local y el II Revoltijo Carnavalero para todos las asistentes en un numeroso público asistente. El cartel que va a representar el Carnaval 2011, ha sido realizado por el joven pintor local Juan Galán. A seguir, se lleva a cabo la elección de las Reinas infantil y juvenil de este año, acompañadas de las damas de su corte, así como su posterior coronación en un brillante acto. En el teatro Cardenio y dentro del Concurso Local de Agrupaciones, actuaron 8 comparsas 5 chirigotas, con un gran nivel y superándose cada año más para alzarse con el codiciado premio concedido, anualmente, por ACA - Asociación de Carnaval de Ayamonte- al grupo mas

Energía eólica en el Andevalo

A Orilla del Guadiana

El mayor parque eólico de Europa continental fue inaugurado en el Andévalo Occidental con una capacidad de 292 MW de potencia El mayor parque eólico de Europa continental fue inaugurado en el Andévalo Occidental con una capacidad de 292 MW de potencia. Su propietario es la empresa Iberdrola, líder en el sector energético en Europa, la puso en marcha, recientemente, en la región de Bajo-Guadiana con la presencia del presidente de la Junta de Andalucía Jose Antonio Grillan. La producción anual de este complejo, que está formado por ocho parques, equivale al consumo eléctrico de mas de 140.000 hogares y, al mismo tiempo, evitará la emisión de 510.000 toneladas anuales de CO2 El Andévalo, una región tradicionalmente pobre, con tierras improductivas de pizarra y piedra “ tierra donde sólo podía sembrar el diablo” ha basado su economía, en los últimos años, en estos dos sectores primarios: agricultura y energías alternativas. La

inversión de 400 millones de euros en la región para la implantación de este recurso, y la creación de mas de 50 puestos de trabajo directos en el mantenimiento de la misma, ha representado un importante impulso socio económico para los pequeños pueblos de la Mancomunidad Beturia como Puebla de Guzmán, El Granado, San Silvestre de Guzmán, San Bartolome de la Torre… Está prevista, a corto plazo, la construcción de una linea que unirá la localidad de Puebla de Guzmán y el vecino país de Portugal, y que convertirá a este complejo eólico en un punto estratégico de interconexión entre los dos países. La energía eólica recibe este nombre del dios griego del viento Aeolus en la antigua Grecia, y la fuerza del viento ya fue utilizada hace miles de años por los persas en el funcionamiento de los molinos de trigo.

original en las letras de las canciones y la puesta en escena. Siguió el candelario con actuaciones callejeras, disfraces y bailes de máscara en la carpa oficial instalada por el Ayuntamiento de la ciudad fronteriza frente al Teatro Cardenio , hasta culminar con la gran cabalgata a desfilar por las calles de la ciudad y, más tarde, con el tradicional “entierro de la sardina” ,el miércoles de cenizas, donde una gran representación de “viudas”ataviadas para la ocasión, la arrojaron al Guadiana, acompañadas de un numeroso público que las acompañaron, llorando como plañideras para despedir el Carnaval. El último acto culminó el 12 de Marzo en el Auditorio Amador Jiménez con la entrega de premios a todos los participantes en las diversas categorías de participación y una gran piñata.

Dos orillas tiene el rio Guadiana una en Portugal y otra en España en medio suben y baja sus aguas. a veces cristalina, aveces empañada. En ella se pasean barcos y lanchas Custodiados por sus verdes adelfas y verdes cañas. Dios te creó poniendo en ti la belleza de la bravura y la tranquilidad de tus aguas Hoy eres testigo de todo aquel que te admira y se embelesa contemplando tanta belleza. Tú eres el fresco del verano y en el invierno, la nostalgia. Todo el que viene se enamora de ti, rio Guadiana y siempre estarás ahí con tus subidas y bajadas. El que te contempla, se irá, pero tú seguirás ahí para todo aquel que viene detrás y de esta forma dirá: ¡Qué bonito es el rio Guadiana! Tomasa Cejudo Martín. Poeta de Sanlúcar de Guadiana.

Visita cultural a Huelva Los miembros de La Asociación de Solidaridad Social de los Profesores del Algarve, ASSP, realizaron una excursión cultural, el día 25 de Febrero, a la ciudad de Huelva y su entorno. La visita transcurrió por los “lugares colombinos” tan ligados a la memoria del marino genovés Cristóbal Colón, que descubrió América, como los estuarios de los ríos Tinto y Odiel, así como, el monumento dedicado a la Fe Descubridora, realizado en1922 por la escultora y filántropa norteamérica Gertrudis Vanderbilt Whitney. En Moguer, pueblo típico de la comarca onubense del Condado, una visita obligada a la Casa-Museo del poeta Juan Ramón Jiménez, premio Nobel de Literatura en 1956. El paseo concluyó con una visita pormenoriza a la interesante exposición itinerante: “Cádiz y Huelva: puertos fenicios de Atlántico” en el Museo Provincial de Huelva, exposición que permanecerá abierta al público hasta el próximo mes de Abril. Toda la visita cultural fue dirigida por el profesor Juan José de la Paz de la Universidad de Huelva y director del Gabinete Pedagógico de Bella Artes en esa ciudad.

En Moguer, pueblo típico de la comarca onubense del Condado

Curso de portugués en San Silvestre de Guzmán El Ayuntamiento de San Silvestre de Guzmán inició, en el mes de Febrero, un curso de portugués que se imparte en el Centro de Mayores de esta localidad de la Mancomunidad Beturia , hasta Mayo del 2011 con horario de 17 y media a 19 y media de la tarde.


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LOCAL  Associação para o desenvolvimento do Baixo Guadiana

Odiana tem novo director Valter Matias natural de Alta Mora, freguesia de Odeleite, e que integrou a equipa «Odiana» em 2000, quer dar o seu melhor para que a Associação continue a ser uma entidade respeitada dentro e fora do Baixo Guadiana. Garante que perante a crise o objectivo é reforçar trabalho. repensar a sua estratégia de desenvolvimento para o território em articulação com o resto do Algarve, uma vez que a aposta no binómio «sol – praia», só por si não funciona, essencialmente pelo seu carácter de sazonalidade. É preciso apostar na diversificação da oferta turística, estruturando novos produtos em torno de segmentos como o Turismo de Natureza e Aventura, que apresentam taxas de crescimento elevadas.

Jovem integra a equipa da Odiana desde o ano de 2000 Susana de Sousa Jornal do Baixo Guadiana : A intervenção da ODIANA tem-se mantido ou alterado ao longo dos anos? Valter Matias: A intervenção da Odiana tem vindo a crescer e a amadurecer. Com base na estratégia definida e com os Quadros Comunitário II e III, a Odiana procurou desenvolver um vasto leque de projectos, nas áreas do turismo, ambiente, social, cultural, patrimonial, e outros. Foi o início de uma intervenção activa e de proximidade junto da população deste território, geradora de dinâmica, projecção e de desenvolvimento social e económico. Interessa referir, que foi durante este período que a Odiana alargou e intensificou as suas relações de parceria com entidades de vários países da Europa, o que permitiu divulgar e afirmar este território no contexto europeu e aumentar significativamente a captação de fundos comunitários para este território. Outra vitória fulcral foi em conjunto as associações Odiana, ADPM e Alcance, terem conseguido trazer para esta subregião o programa LEADER, actual PRODER. Com a entrada em vigor do Quadro de Referência Estratégica Nacional [QREN 2007-2013], a Odiana procurou dar continuidade à sua estratégia através da execução de projectos conjuntos e articulados com a vizinha Espanha e Baixo Alentejo, no âmbito do Programa POCTEP, antigo INTERREG. Um ponto igualmente de referência neste período, refere-se à transferência de propriedade do Jornal do Baixo Guadiana, fundado em 2000 pela Associação Alcance, para a Odiana, que rapidamente procurou dar uma nova imagem e dinâmica a este impor-

tante meio de comunicação e de unificação deste território, em que para além da notícia tem também associado uma forte componente social e de projecção do Baixo Guadiana. JBG: Quais os novos desafios desta associação? VM: Considerando que vivemos num mundo cada vez mais globalizado, e que os recursos financeiros são cada vez mais escassos, é necessário ajustar estratégias e, mais do que nunca, definir um modelo de desenvolvimento sustentável para este território. É visível e meritório todo o trabalho desenvolvido, não só pela Odiana mas essencialmente pelas três autarquias, ao longo desta última década, neste território. Contudo este trabalho, com uma forte componente de obra associado, não obstante da sua importância para o território denota alguma fragilidade em termos de sustentabilidade e geração de riqueza. A melhoria e abertura de novas vias, obras de saneamento básico, construção de equipamentos e infraestruturas de primeira necessidade, recuperação de património histórico e natural, melhoria das condições de vida da população, etc, são projectos de grande importância para este território e que estão na base de qualquer desenvolvimento, contudo cabe-nos agora dar-lhe o melhor uso, através da sua dinamização e exploração de uma forma sustentável e geradora de riqueza e emprego. É necessário desenvolver uma aposta forte no que realmente é genuíno deste território, centrar-nos naquilo que é nosso e que não existe noutras partes do mundo, promover e valorizar cada vez mais o nosso riquíssimo património histórico e natural, os nosso produtos, os nossos saberes e tradições, a nossa gastronomia, paisagens e cultura. Na área do Turismo, é preciso

JBG: Como encara o desafio de liderar a equipa ODIANA? VM: Trata-se de um desafio de grande responsabilidade, considerando que cabe-me a mim sob a orientação da direcção da Odiana, conduzir os destinos desta prestigiada entidade e dar continuidade ao projecto de desenvolvimento deste território, numa altura particularmente difícil, marcada por uma grave crise económica e política. JBG: Sendo uma associação para o desenvolvimento de três municípios como é possível balançar equilíbrios de apoio a três concelhos distintos entre si? VM: Apesar de serem três concelho distintos, mas unidos por um elemento comum que é o Rio Guadiana, na verdade as suas diferenças não são um obstáculo ao equilíbrio de apoios a estes três concelhos, na medida em que encerram um conjunto de valores transversais aos três e apresentam áreas com características semelhantes, onde as necessidades e problemas são idênticos. Por outro lado, a diversidade de paisagens, elementos patrimoniais, gastronomia, tradições, saberes, fauna e flora que este território apresenta, não são um aspecto negativo, mas sim positivo, uma vez que possibilita à Odiana definir uma estratégia de desenvolvimento conjunta para este território, com valor acrescido em virtude desta diversidade. Além disto, alguns dos projectos assumem um carácter intermunicipal, reforçando o quilibrio dos apoios aos três municípios. JBG: Que projectos mais estruturantes gostaria de destacar para o futuro próximo da ODIANA? VM: Os projectos futuros da Odiana, deverão assentar essencialmente na promoção, dinamização e afirmação deste território através dos seus produtos e recursos disponíveis, no sentido de gerar riqueza, criação de emprego e tornar o Baixo Guadiana num território cada vez mais sustentável. Para além de projectos a

desenvolver, é fundamental intensificar o apoio e acompanhamento aos empresários e promotores de novos projectos no território; fortalecer o trabalho em rede e em parceria com os vários agentes do território, prestar apoio aos jovens e idosos e ter uma voz mais activa e interventiva em questões estruturantes para o desenvolvimento desta subregião, tal como o desassoreamento do Rio Guadiana, a conclusão do IC27, a requalificação da EN125 e da via férrea do Algarve, a construção da ponte Alcoutim-S.Lucar, a ausência de medidas de combate à desertificação, entre outras promessas até agora não cumpridas. JBG: Quais as dificuldades que esta associação enfrenta? VM: As dificuldades existem e fazem parte de qualquer entidade ou instituição, pelo que também a ODIANA tem tido dificuldades. A Odiana tem um percurso e uma história e como sempre existem sempre momentos bons e menos bons, caracterizados por dificuldades. De momento e face à conjuntura económica e social do País, não estaria a ser sincero, ao não mencionar que a principal dificuldade é de ordem financeira. Convém porém referir que esta dificuldade deve-se essencialmente aos enormes atrasos verificados nos reembolsos das despesas, efectuadas na execução dos vários projectos, candidatados aos fundos comunitários. Por outro lado, e no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social, que foi assinado em 2009 entre a Odiana e o Governo agora demissionário, é lamentável que mais uma vez tenham sido assumidos compromissos por parte do Governo, que entretanto tardam em ser cumpridos, nomeadamente no que se refere aos reembolsos das despesas assumidas pela Odiana e demais entidades executoras das acções previstas, cujo o montante em crédito ascende aos 200 mil euros. De salientar que foi o próprio Secretário de Estado da Segurança social que endereçou o convite aos municípios de Alcoutim e de Castro Marim a executarem as acções prevista no projecto «+ Inclusão», afecto ao referido Contrato. Para além das dificuldades financeiras, também o crescente grau de exigência e burocracia associado à execução dos projectos candidatados aos vários programas de apoio comunitário, representa uma dificuldade acrescida, uma vez que exigem o envolvimento de vários técnicos e tempo para proceder a operações como a elaboração de pedidos de reembolso, alterações aos projectos e prorrogações de prazos.

ODIANA apresenta moção contra “falsas promessas do Governo” A ODIANA – Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana, aprovou em Assembleia Geral, e por unanimidade, uma moção de censura contra aquilo que considera as “falsas promessas do Governo”. Em causa estão “investimentos adiados” e “promessas que não têm tido repercussões no território”. Na moção pode ler-se “o compromisso sucessivamente adiado do desassoreamento da foz do Guadiana, da intervenção com vista a promover a sua navegabilidade e a implementação de uma política efectiva de combate a desertificação. No entanto, a política deste Governo, que tudo prometeu e pouco concretizou, tem sido de um profundo desrespeito para com o Território e suas populações. Veja-se, a título de exemplo, o que sucedeu com o programa POCTEP, com a promessa sucessivamente adiada da Ponte Internacional de Alcoutim - San Lucar, o desaparecimento dos mecanismos compensatórios pela saída da região do objectivo I e os obstáculos que têm sido criados na captação e criação de investimentos e postos de trabalho, por critérios subjectivos, incompreensiveis e por um fundamentalismo ambiental sem explicação”. Também a Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA) não escapa às críticas desta Associação que, segundo a ODIANA, “tem-se esquecido de promover este território junto do mercado de Espanhol e em particular na região da Andaluzia. Por este facto, a Associação dará inicio a breve prazo à sua promoção nesse mercado turístico”. Recorde-se que a Associação ODIANA é composta pelos três municípios: Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António, sendo presidida pelo edil castromarinsense José Estevens .


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G RA ND E R EPO R TAGEM  Para crianças e jovens com deficiência

Hipoterapia, um recurso valioso na r Hoje em dia são muitas as terapias, e não menos importantes, algumas conhecidas como a frequente fisioterapia, a terapia da fala e a convencional mas pouco assídua terapia ocupacional; outras ainda um pouco desconhecidas ou dispendiosas, como a musicoterapia e a hipoterapia. Esta última é indubitavelmente conhecida pelo vocábulo «hipo» com cavalos, mas será que se conhecem os seus benefícios terapêuticos e educacionais na recuperação de indivíduos com deficiência? Para aprofundar as mais-valias o JBG falou com Domingos Palma, professor de Educação Especial no Baixo Guadiana com qualificações que lhe têm permitido prestar terapias na valência da equitação adaptada, uma vertente da hipoterapia. Ouvimos também um testemunho de uma mãe e filho que fundamentam os benefícios, mas contestam a ausência de apoios. Joana Germano Num mundo em que os Estados lutam por alcançar a inclusão, será correcto dizer que estamos perto de a abraçar? As deficiências fazem parte do mundo, muitas vezes a própria genética atraiçoa a biologia humana com desamparos que o mundo quotidiano ainda tenta perceber, nomeadamente a ausência ou disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatómica. Neste combate, não tão experiente quanto seria de esperar, e no qual o vocábulo «deficiente» é frequentemente tido como de carga negativa ou depreciativa, entra em marcha um atendimento especializado e directamente dirigido à pessoa; as terapias, que mais que uma abordagem inclusiva tratam e estimulam as pessoas a aprender a lidar com a deficiência e a desenvolver potencialidades. Neste sentido, a educação especial tem sido uma das áreas que tem desenvolvido estudos científicos para melhor atender estas pessoas. No entanto, a educação convencional passou a ocupar-se também do atendimento de pessoas com necessidades educativas especiais, acompanhando deficiências além das necessidades comportamentais, emocionais ou sociais. A não esquecer que as necessidades educativas especiais não se referem apenas à pessoa com deficiência, engloba qualquer necessidade considerada atípica e que exija uma abordagem específica por parte das instituições, seja de ordem comportamental, social, física, emocional ou familiar. Aqui a hipoterapia, com raízes no Norte da Europa, começou por se disseminar, usufruindo já muitos sujeitos desta prática. No entanto as necessidades educativas especiais ainda não são completamente atendidas, quem deve

praticar hipoterapia nem sempre tem o apoio estatal necessário, e o valor, a somar as várias consultas, torna-se por vezes insuportável, para quem muitas vezes é essencial.

Educação é primordial Domingos Palma é professor de 1º ciclo do Ensino Básico, é licenciado em sociologia e tem uma pós graduação em educação especial. O currículo é vasto e a tónica é indiscutivelmente na área da educação. Foi em Évora, na Associação Sócio-Cultural e Terapêutica de Évora / Lar Escola S. Francisco de Assis, que tomou pela primeira vez contacto com a Educação Especial. “Foi por sugestão da instituição onde leccionava e desenvolvendo trabalho na área da educação da pessoa portadora de défice cognitivo, que frequentei formação na área da Equitação Adaptada, e efectuei a primeira experiência neste domínio, no Centro Equestre da Universidade de Évora”, conta o interlocutor. No regresso ao Algarve, de onde é oriundo, sobreveio a decisão. “Quis permanecer em definitivo na Educação, e trabalhar em Educação Especial, uma área que considero um verdadeiro desafio”.

Escola Pública e a Escola Inclusiva Nesta área tão única e apelidada ainda de «especial», existem muitas lacunas, naquilo que se reivindicou ser uma escola inclusiva; o início da história provém dos países escandinavos. “Na década de 50, um grupo de pais de crianças dinamarqueses, reivindicou a necessidade dos seus filhos frequentarem a escola pública, porque alegadamente, o facto de interagirem com jovens

sem handicap, seria facilitador do desenvolvimento”, conta o docente que refere a impossibilidade de tal facto na época. Mas tudo mudou. “Não baixaram os braços, as pretensões foram ouvidas, a lei alterada e assim, anos mais tarde, nasceu a «Escola Inclusiva»”. Em Portugal este paradigma chegou bem mais tarde. “Sendo a «Escola Inclusiva», não um momento, mas um processo que envolve uma mudança de percepção daquilo que é o handicap, e do modo como deverá ser enquadrado, actualmente a escola pública continua a atravessar um período de ajustamentos, e adaptações a novas realidades e objectivos educativos”. Para evoluirmos para um sistema que denote preocupação na inserção de todos os seus cidadãos há pequenos passos que devem ser tomados; o apoio terapêutico, é em definitivo um deles. Sempre que a criança melhora as suas competências, significa que existe um processo de desenvolvimento em curso, trata-se de uma atenuação do handicap, ou de superação dum bloqueio de desenvolvimento”, acrescenta. No entanto, o docente deixa desde já algo em que pensar no que diz respeito ao papel da Entidade Estatal neste processo. “Na Europa Central os serviços de Segurança Social comparticipam uma grande diversidade de actividades de âmbito terapêutico, designadamente a Equitação Adaptada…”

As mais-valias da equitação adaptada De acordo com a definição, a hipoterapia, introduzida em 1966 pelo neurologista suíço H. F. Kaser, também conhecida como «Equiterapia», é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdis-

Há casos reais que testemunham a importância valiosa da hipoterapia em crianças c ciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação. Procura o desenvolvimento psicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais; trata-se de uma actividade sócio-desportiva altamente benéfica, que promove uma simbiose entre natureza-criança-cavalo. Como tal, pode ser não apenas a resposta, mas uma das, para a problemática da inactividade habitual associada a certos tipos de deficiência. “Existe na realidade uma relação de carácter permanente entre o equilíbrio tónico-postural e o equilíbrio da personalidade, sendo um dos fundamentos da psicomotricidade”, explica o docente que esclarece que com a deslocação do cavalo, o jovem é submetido a um movimento que faz com que os músculos se contraiam e relaxem, de acordo com um padrão tridimensional (similar ao da marcha humana). “Assim, o cavalo está permanentemente a desequilibrar o praticante, que automaticamente procura um ponto de equilíbrio, retornando à posição correcta; através deste processo trabalham-se a tonicidade, equilíbrio, lateralidade, noção de corpo, organização espacial, praxia fina e praxia geral, com evidentes benefícios para o desenvolvimento da criança ou jovem com condicionalismos de desenvolvimento”. Estes são evidentes inicialmente, no plano motor, desencadeando a médio-longo prazo, importantes alterações no domínio

cognitivo e sócio comportamemental, sustenta o docente que adianta ainda que a mediação do processo um papel primordial. “É aconselhável um quadro de interdisciplinaridade entre profissionais de áreas diversas, como a saúde, a educação e a equitação”.

Sotavento com menor expressão na hipoterapia Esta terapia tem ganho na verdade um número crescente de adeptos e são os pais que mais constatam os seus benefícios. Domingos P. refere que comparativamente a outras terapias não tem custos elevados. “Contudo como a generalidade das terapias são comparticipadas, ou fazem parte da rede do Serviço Nacional de Saúde, inúmeras crianças e jovens, por questões económicas, ou por escassez de informação, não têm acesso a esta actividade”. No Algarve é no Barlavento que esta terapia tem maior expressão, já no sotavento são em menor escala, mas também existem. Um pouco por todo o país podem encontrar-se a hipoterapia, mas também a equitação adaptada que o docente clarifica. “Hipoterapia é a designação utilizada para os quadros de saúde mais restritivos; aqueles em que o praticante não dispõe de condições físicas ou mentais para se manter sozinho sobre o cavalo, necessitando do auxílio de alguém


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GR AN D E R EP O R TAGEM

recuperação Centro hípico pinetrees

Pequenos grandes milagres

com deficiência que monta consigo; é considerada por algumas correntes, como uma fase da Equitação Adaptada, que antecede a educação/reeducação, antecipando esta, a pré-desportiva. Eu encontrome mais orientado para o segmento educação/reeducação”, atesta.

Inovador em Portugal; Comum no Norte da Europa Para já Domingos P. tem uma ideia inovadora cá, em Portugal, mas que é comum no norte da Europa. “Trata-se de proporcionar uma tarde ou uma manhã de envolvimento com as actividades da quinta, com regularidade semanal, a grupos heterogéneos de jovens, que poderão ser portadores de perturbações do desenvolvimento; nomeadamente, dificuldades no controlo da impulsividade, défice cognitivo, hiperactividade e défice de atenção, dislexia, (…); ou simplesmente gostar de desfrutar o campo”, a qual possuiria como emulação do desempenho, o estreito contacto com os equídeos, na forma mais gratificante, que é montar o cavalo”, conta Domingos que deixa a mensagem. “Quem é conhecedor, afirma que esta prática conduz a resultados verdadeiramente interessantes…” De momento, Domingos Palma efectua equitação adaptada na localidade da Junqueira (concelho de Castro Marim) na Quinta do Vale

da Palmeira. A periodicidade desta terapia é definida pelo próprio como irregular, dependendo antes da procura; que é mais elevada em tempo de aulas e reduzida nas férias. “Para haver progressos usualmente seriam necessárias duas sessões semanais, na impossibilidade, no mínimo uma, mas tudo depende do quadro apresentado pela criança/jovem e do espectro da problemática, que pode ser muito vasto”, diz Domingos Palma que confirma que a duração da sessão, depende da disfunção apresentada pela pessoa, bem como a idade e muitos outros factores podem carecer de um relatório médico, deixando desde já uma salvaguarda. “Esta actividade não pode ser vista como uma obrigação ou algo rotineiro para a criança, tem sempre que se revestir de um invólucro lúdico, ou seja, terá sempre carácter lúdico pedagógico. Pode produzir resultados interessantes em problemáticas diversas que vão dos défices cognitivos, a dislexias, passando pela hiperactividade, défice de atenção, controlo de impulsividade, entre outras”. Para terminar fica uma advertência final. “Há quadros de saúde nos quais não é producente enveredar por esta actividade, ficam os exemplos de alguns problemas de coluna e epilepsia não controlada”. Para saber mais sobre a hipoterapia e equitação ção adaptada em Castro Marim pode contactar: djpalmaf@ gmail.com ou 91 924 98 62.

Mariana e Jaime (nomes fictícios visto que ao testemunhar optaram pelo anonimato), são mãe e filho. Jaime é uma criança de 11 anos que se suspeita sofrer de síndrome de Kabuki, uma doença rara e difícil de diagnosticar; estão confirmados no mundo pouco mais que uma centena. Os indícios clínicos vão desde algumas características faciais até a problemas neurológicos como a hipotonia, que pode afectar a coordenação motora, provocar convulsões, problemas alimentares, hipermobilidade articular (sendo que a fisioterapia e actividade física podem fortalecer a musculatura), algum atraso no crescimento, anomalias esqueléticas e cardiovasculares. Como portador desta síndrome Jaime, aconselhado por médicos especializados e docentes, realizou hipoterapia durante três anos, uma vez por semana, em que cada sessão durava 45 minutos. Deixou esta terapia há dois anos atrás, porque os gastos não eram mais suportáveis. Esteve no centro de equitação de Almancil: Centro Hípico Pinetrees, tendo que percorrer largos quilómetros e nunca em horário póslaboral. Neste caso o custo não era tão acrescido porque a mãe é sócia da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral e como tal apenas custeava uma percentagem da terapia. “Não vou neste momento porque os gastos eram muitos e, mais uma vez, o Estado não comparticipa nada”, refere acrescentando que na «Sala de Desenvolvimento» [commumente conhecida como sala TEACCH] onde o Jaime estuda deram um ano essa terapia, este ano e até ao momento a hipoterapia ou equitação adaptada não estão disponíveis”, sustenta. É importante referir que o Centro Hípico Pinetrees em Almancil trabalha com residentes locais, turistas e dispõe de um programa de equitação terapêutico. Para além de passeios e aulas de equitação o centro é credenciado para actividades de hipoterapia e equitação adaptada colaborando com o Clube de Equitação do Algarve e com a Associação de Equitação para deficientes do Algarve.

“Notei sobretudo melhorias ao nível de tacto” Mariana conta entusiasmada algumas das peripécias do Jaime com o cavalo e revela que notou melhorias no filho; pequenos, mas grandes milagres. “O meu filho fazia terapia individual, [há terapias deste tipo também em grupo], nomeadamente ao nível do tacto, olfacto e postura e equilíbrio; conduzia o cavalo, aprendia a tratar dos animais, faziam jogos, desde puzzles até outros didácticos com cores para efectuar a correspondência com objectos”, revela Mariana, recordando outrora as aulas e mostrando algumas fotos onde é possível ver Jaime a sorrir e a tocar no cavalo sem qualquer constrangimento, facto que Mariana diz que para ele era impossível fazer anteriormente. “Para além da postura, porque ao andar de cavalo treinavam a postura e movimento [andando para a frente, trás e lado], notei sobretudo melhorias ao nível de tacto, visto que era muito difícil para ele tocar em algo, desde o mais áspero ao suave”. Mariana é peremptória; enaltece os benefícios da hipoterapia, mas já como uma mãe versada e experiente na matéria enaltece o trabalho conjunto que supera em larga escala o individual. “Todas as coisas no conjunto ajudam-no imenso, isto porque todas as terapias devem ser trabalhadas em conjunto, portanto todas as áreas, e não apenas uma”, defende esta mãe que já realizou inúmeras terapias, a mais recente englobou a musicoterapia por 35 euros com sessões semanais de 45 minutos semana. Mariana luta pelos direitos à inclusão de Jaime; luta por apoios que não devem ser tidos como actos de bondade ou solidariedade, mas como deveres dos cidadãos; luta por maior intensidade e frequência da terapia da fala na escola e contesta a ausência de terapia ocupacional. Percebe que são muitas as crianças para poucos docentes especializados, mas como crente na inclusão não deixa de esconder a mágoa e arregaça mangas para ultrapassar outros obstáculos, que concerteza virão, neste longo caminho que é a batalha de uma mãe para integrar um filho que é diferente, mas é igual, que é especial como todas as crianças, mas que é único aos olhos dos seus pais.

O contacto com o cavalo permitiu que Jaime (nome fictício) ao longo de três anos conhecesse pequenos grandes milagres


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LOCA L  Para idosos e doentes em Alcoutim

Emigrante quer criar «Casa de Acolhimento Temporário» É um projecto pioneiro idealizado por Isabel Mestre que está disposta a apoiar aqueles a quem pode faltar ajuda preciosa. Isabel Mestre tem 47 anos e é emigrante na Suíça. Natural de Balurcos de Baixo, Alcoutim, está disposta a regressar à terra-natal para cumprir um sonho que passa por dar vida a uma Casa de Acolhimento Temporário (CAT) para pessoas idosas ou doentes que necessitem de auxílio permanente. Em particular, tem paixão por cuidar de doentes com Alzheimer e há três anos que é assistente de enfermagem nesta área. “Tenho tirado diversos cursos e é importante dar um apoio especializado a estas pessoas que por vezes não têm cuidados à medida, o que as faz rapidamente regredir para o último grau da doença”. Sensibilizada para a complexidade da doença sente-se capaz de dar mais qualidade de vida a estes e outros doentes ou idosos que temporariamente não tenham apoio, quer da família, ou de

um lar, muito menos de uma cama de hospital. “Sabemos bem que há familiares que cuidam destas pessoas, mas que também precisam de descansar porque é um trabalho muito duro”. A pensar nos beneficiários, mas também na qualidade de vida de quem cuida habitualmente deles, Isabel Mestre não quer deixar a oportunidade de concretizar esta vontade. Tal como o nome indica, a casa funcionaria para dar apoio permanente e não para se transformar em Lar ou Centro de Dia.

Ajuda precisa-se Há bem pouco tempo esta emigrante esteve prestes a desistir do sonho quando lhe foi diagnosticada uma doença na coluna que a limita nos esforços. Mas arranjou uma alter-

em casa no concelho de Alcoutim”

Deixar a família por uma missão

Isabel Mestre está agora à procura de quem a ajude nesta causa nativa. “Não serei eu a levar o projecto por diante, mas estou disposta a encontrar alguém que o faça por mim”, explica esta alcouteneja que há 10 anos é auxiliar de enfermagem na Suíca. “Acho que uma enfermeira interessada por esta doença poderá

Mercado Solidário livre de restrições monetárias bancas deve contar, o material que cada participante precisa e quais os produtos que vai ter para troca. Há também uma modalidade que se destina a visitantes do mercado que, no caso de levarem algum produto para troca, também poderão participar no mesmo, fazendo uma troca directa do seu produto por outro, ou trocando o seu produto pela moeda solidária e depois utilizar esta para adquirir um ou mais produtos nas outras bancas.

Modalidades de participação:

Existem duas modalidades de participação. Uma que se destina a participantes que tenham artigos suficientes para expor numa banca, estes participantes terão que efectuar uma inscrição prévia para a organização saber com quantas

mail.it

 Até Junho

 Em Cacela Velha

O projecto «Mercado Solidário» tem como objectivos dar a conhecer a toda a comunidade em que consiste um mercado solidário, envolver e sensibilizar a comunidade neste tipo de iniciativas de carácter sócio-educativo, divulgar o trabalho realizado no concelho nas mais diversas áreas e, ainda, divulgar o Banco Local de Voluntariado (BLV) de Vila Real de Santo António. A moeda de troca utilizada terá o nome de «solidário», sendo que serão entregues a cada participante 10 solidários. O projecto tem como organizadores a equipa de dinamização do Banco Local de Voluntariado, a equipa de trabalho do Centro Investigação e Informação do Património Cultural de Cacela e a Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural (ADRIP).

agarrar o projecto com tanta força quanto eu. Depois com tanta falta de emprego acho que pode ser um estímulo a esse nível…”. O papel de Isabel M. seria o de voluntária “estando disposta a apoiar a 100% e também a ajudar idoso e/ou doentes que estão

Ansiosa por ver o projecto da CAT concretizado esta emigrante não vai hesitar em deixar a Suiça e a família por esta causa. “Tenho de cumprir a minha missão de ajudar os outros. E hoje em dia ir à Suiça é tão simples como ir a Lisboa…”. A família apoia a ideia.“Eles compreendem a minha vontade e dão-me a maior força”, garante. Convicta que o projecto que tem em mãos vai concretizar-se, Isabel Mestre está disposta a todos os esforços por ajudar os mais idosos e/ou doentes. Aguarda agora outra mão amiga para levar por diante aquela que, a concretizar-se, poderá ser a primeira Casa de Acolhimento Temporário de Alcoutim. Na Suíça pode encontrar esta emigrante via e-mail: isabelmester@hot-

Moeda de troca é o «Solidário»

Pão Quente e Queijo Fresco atraíram milhares de pessoas A XIII Feira do Pão Quente e Queijo Fresco em Vaqueiros “foi mais um sucesso”, garante a organização. Milhares de pessoas visitaram esta aldeia em meados de Março no concelho de Alcoutim, à procura da qualidade que os produtos caseiros alcoutenejos oferecem. Ao pão quente e ao queijo fresco juntaram-se o artesanato, os doces tradicionais e outros produtos locais, como as azeitonas, o mel e as chouriças. A animação musical, com o «Duo Musical Bailasons» e «Tony das Favelas», divertiu o público do evento durante a tarde. A chuva prevista para o dia impediu a realização da marchapasseio de manhã, mas a tarde surpreendeu com bom tempo e a 13ª edição desta feira reuniu a maior afluência de sempre. O presidente da câmara municipal de Alcoutim realçou a importância destas feiras na economia das zonas rurais e garante continuar a apoiar a Junta de Freguesia na realização do certame, que é já um dos eventos que atrai mais gente ao concelho de Alcoutim.

Restauração e requalificação dos altares da Igreja de Santo António Na sequência do projecto de reabilitação da Colina do Revelim de Santo António a câmara municipal adjudicou a obra de restauro e requalificação dos altares da Igreja de Santo António. Os trabalhos de restauro dos altares estão a ser realizados, observando todas as técnicas e rigor científico inerentes a uma intervenção com estas características, e visam devolver a beleza e a excelência a este valioso património religioso da Vila de Castro Marim. Trata-se de um investimento de 100 mil euros, cujo prazo de execução é de seis meses, estando a conclusão da intervenção prevista para o mês de Junho. Edificada no interior do Revelim de Santo António, a Igreja de Santo António foi mandada construir pelo Rei D. João IV, por volta de 1640. Originalmente de construção barroca com um altar ao mártir S. Sebastião, era de planta quadrangular mas sofreu grandes alterações ao longo tempo. O interior é composto por uma nave longitudinal com cobertura em abóbada de berço com dois retábulos laterais de meados do século XVIII dedicados a Nossa Senhora da Obras representam investimento de 100 Conceição e a Santa Isabel. mil euros


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LO CAL  Plano de Emergência

PS de VRSA delineou criação de mil postos de trabalho «Plano Emergência de Promoção do Emprego da Competitividade e da Economia Familiar» é o nome para um projecto de apoio social que os socialistas liderados por Jovita Ladeira garantem que é “exequível”. Já está definido o financiamento para o concretizar. é “alarmante”, avisa Jovita Ladeira que critica “as opções estratégicas de desenvolvimento para o concelho que não têm sido as mais adequadas”.

25 medidas previstas

A economia doméstica é também um dos pilares deste programa Jovita Ladeira apresentou a 18 de Março um plano de emergência social cujo grande objectivo passa por combater o desemprego e promover a retoma económica no concelho de Vila Real de Santo António. Uma das prioridades é a economia familiar. “É preciso ajudar as famílias a gerir melhor os orçamentos”, defendeu à margem da conferência de imprensa a líder da concelhia socialista que é também vereadora da oposição no

município pombalino. “No concelho de VRSA, tomando por referência os últimos 4 anos, verifica-se que a média mensal de desempregados cresceu 118% e o desemprego de longa duração teve uma variação de +290%”, afirmam os socialistas que acrescentam que “a estrutura do desemprego, no que se refere ao sexo, sofreu uma inversão, os homens que representavam 28,4% dos desempregados representam hoje 51%. A situação

Alterar o paradigma actual é do ponto de vista dos socialistas desenvolver um Plano Estratégico Local. O plano apresentado reveste-se de 25 medidas que se desenvolvem em cinco áreas: Combater o desemprego e melhorar a empregabilidade; Promover a transição dos jovens para a vida activa; Reforçar o apoio ao tecido empresarial e a competitividade das Empresas Locais; Melhorar a qualificação dos activos e dos desempregados; Melhorar a economia doméstica.

Mil postos de trabalho Uma das metas deste documento, que vai ser apresentado em próxima reunião de câmara passa por criar mil postos de trabalho, incrementando um conjunto de apoios às empresas que criem postos de trabalho e à criação do próprio emprego. Há também o objectivo de colocar 100 jovens no primeiro emprego, promover

 Promoção da Integração em VRSA

Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Serrão marcou presença na cerimónia

Economia Doméstica Está também prevista formação a 200 pessoas para a economia doméstica, em que os socialistas defendem que devem ser privilegiadas aquelas que auferem Rendimento Social de Inserção (RSI). Jovita Ladeira quer também que se institua a figura do «Mediador Familiar para a Economia Doméstica», que promova actividades de formação sobre economia doméstica nas escolas, desde o 1.º ciclo

Financiamento “O sucesso e a exequibilidade do Plano Emergência de Promoção do Emprego da Competitividade e da Economia Familiar exige que seja participado por diferentes parceiros de forma a potenciar medidas e sinergias”, avisou Jovita Ladeira que propôs que se assumam como parceiros principais o IAPMEI, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Educação, Segurança Social, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, DECO e Empresas Locais. Quanto ao financiamento para este programa propõem que passe por um fundo onde confluam:3% do IRS da receita municipal; 50% receitas destinadas a publicidade, eventos e consultadorias, estudos pareceres exposições seminários e outros serviços (para este ano estão previstos em Orçamento cerca de 6.000.000 €); 50% das verbas gastas nas diversas Revistas Municipais; diminuição de eventos com artistas dispendiosoo, privilegiando artistas locais e redução em 60% das deslocações de dirigentes e funcionários do município, no país e ao estrangeiro, substituindose pela utilização das tecnologias de comunicação - vídeo conferencia e teleconferência, por exemplo.

Secretária de Estado felicita

Pessoas com mobilidade reduzida têm mais apoio A câmara municipal de Vila Real de Santo António assinou um protocolo com o Instituto Nacional para a Reabilitação que fez nascer na divisão de acção social deste município o Serviço de Informação e Mediação para Pessoas com Deficiência ou Incapacidade (SIMPD). Estes Serviços são instalados nas autarquias, especializados no atendimento da pessoa com deficiência, suas famílias, técnicos e profissionais bem como da população em geral, que permitem concentrar num único lugar a informação personalizada e correcta sobre todos os direitos e recursos existentes para os vários casos de incapacidade ou deficiência.

100 estágios locais e 10 estágios internacionais. Do ponto de vista da competitividade económica o plano em causa realça também o apoio ao tecido empresarial local, privilegiando os fornecimentos e aquisição de serviços a empresas com sede no concelho e pagamentos a 60 dias. Os socialistas defendem ainda que empresas com obras adjudicadas no concelho devem integrar uma percentagem de trabalhadores do concelho e de igual forma privilegiar as empresas com sede no município nas subempreitadas; também ceder lotes para instalação de empresas a valor simbólico em razão da área de negócio estratégica para o concelho e do n.º de postos de trabalho a criar.

ao ensino secundário e crie um Gabinete de Apoio às Famílias sobre endividadas.

Agora os munícipes ou visitantes no concelho nestas condições já podem ser encaminhadas e acompanhadas na procura das soluções mais adequadas à sua situação concreta e no desenvolvimento das suas capacidades para assumirem, nas respectivas comunidades, os direitos e deveres cívicos inerentes a qualquer cidadão. Luís Gomes, edil local, afirmou que uma das grandes preocupações tem sido “promover a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, estando para isso a autarquia a trabalhar continuadamente na preparação do espaço público de todo o concelho, eliminando barreiras e criando um espaço com mobilidade para todos”.

A cerimónia contou com a presença da Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Serrão. A responsável no Governo demissionário apelou à responsabilidade social “de todos os cidadãos, não apenas das autarquias e do Governo”. Lembrou que “é preciso mudar mentalidades” e enalteceu “os esforços desenvolvidos pela câmara municipal na área de promoção da mobilidade”. Recorde-se que este serviço vem juntar-se aos outros já existentes no município vilarealense, no desenvolvimento da política de acção social, contando com vários apoios aos cidadãos com deficiências e mobilidade reduzida, como a terapia da fala, transporte a deficientes, «Praia para Todos», sala de desenvolvimento ou ainda a hidroterapia e reabilitação. A apresentação do novo serviço disponível no município foi apresentado pelo Director do Instituto Nacional para a Reabilitação, Rui Ribeiro.

Cruz Vermelha tem novo serviço de transporte A Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA tem um novo serviço de transporte de utentes. Este novo serviço está disponível para levar os utentes a tratamentos, consultas, exames médicos, entre outros. Esta delegação garante “serviço personalizado e de qualidade”, pode ler-se numa nota à imprensa enviada às redacções.


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P UBLICIDA DE

2011 estão abertas as inscrições formandos/formadores

Início: 2 de Maio Horário: Pós- Laboral 4h diárias / 100h totais Destinatários: Desempregados de longa e muito longa duração,

Início: 1 de Junho

Condições mínimas de acesso:

beneficiários do RSI (Rendimento Social de Inserção)

Horário: Laboral 6h diárias / 330h totais Destinatários: Desempregados de longa e muito longa duração,

beneficiários do RSI (Rendimento Social de Inserção), jovens com o 9º ano

Nível 2 (9º ano)

Condições mínimas de acesso:

Nível 3 (12º ano)

Objectivos: Desenvolver competências profissionais,

sociais e pessoais.

Objectivos: Desenvolver competências profissionais, sociais e pessoais.

Local: Castro Marim - Associação Odiana

Local: Vila Real de Santo António Benefícios:

Benefícios:

Bolsa de formação Sub. de alimentação Sub. de alojamento ou transporte Outros encargos

Bolsa de formação Sub. de alimentação Sub. de alojamento ou transporte Outros encargos

Informações e inscrições na Associação Odiana

* fax : 281 531 080

90.5

Rua 25 de Abril,n.º 1 Apartado 21 8950 - 909 Castro Marim e - m a i l : g e ra l @ o d i a n a . p t * Te l m : 9 6 7 9 4 4 9 3 0 * Te l f : 2 8 1 5 3 1 1 7 1

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HI S TÓRIA S DE VI DA

É

na sua oficina, no seio da movimentada Zona Industrial de Vila Real de Santo António, que António José Pereira todos os dias faz o que mais gosta. Com 64 anos e reformado não sabe estar longe da profissão que lhe enche as medidas. Fá-lo por gosto e não por dinheiro, embora reconheça que nos tempos que correm “as despesas são muitas e não se pode recusar uma boa proposta que possa surgir de um comprador”. O seu armazém não está à venda, mas admite que é difícil manter tanta paixão com tão pouca margem de lucro. “Passamos os dias a fazer orçamentos e desenhos, sendo que na maior parte das vezes não servem para nada”. Comanda o trabalho de cinco trabalhadores; um deles com quem trabalha há 25 anos e outro é seu filho. O filho “aprendeu tudo com o pai, com quem é que haveria de aprender?!”. Não há falsas modéstias nas palavras deste marceneiro que lamenta que hoje “não se aprenda um ofício como acontecia antigamente”. Garante que na sua oficina “só trabalham profissionais”, e que tem dificuldade em encontrar jovens que saibam alguma coisa destas lides. Aos 11 anos iniciou o ofício de marcenaria. Fazia parte da «Mocidade Portuguesa». Não sabia ao que pertencia, e por isso não o sentia. A política não lhe dizia nada, e “era isso que o regime de Salazar

A marcenaria artesanal é a profissão e a paixão de António José Pereira. Aos 11 anos iniciou a aprendizagem deste ofício na «Mocidade Portuguesa». Eram tempos diferentes; altura em que as profissões chegavam cedo, sobretudo para os rapazes. Da história de sua vida destaca o tempo em que foi fuzileiro em Moçambique. Percorreu aquele país grande - ex-colónia portuguesa - de norte a sul - “em defesa de Portugal” a Metrópole. Mais tarde deu a volta ao mundo como polícia de bordo, mas a vida mudou de sentido quando foi pai pela primeira vez. E como «não há amor como o primeiro» voltou para os braços da marcenaria.

queria; manter as mentes obscuras e quanto mais íamos crescendo mais queriamos a Salazar”. Recorda um ambiente na sala de aula muito rígido; uma instrução do tipo militar “e havia, inclusivé, núcleos com armamento que faziam a instrução com a espingarda na mão sempre”. A escola que frequentou chamava-se «Escola Oficial». “Chegávamos até à quarta classe e depois íamos aprender um ofício. Aprendía-se e ganhava-se gosto por fazer alguma coisa”, afirma, lembrando que “tanto da escola oficial como da escola comercial saíram grandes profissionais”. Para os rapazes os ofícios passavam muito pela marcenaria, carpintaria, serralharia. Já para as mulheres – e estamos a reportar especificamente à realidade da «Vila» - a maioria tinha saída profissional para a Indústria Conserveira. A marcenaria artesanal “é uma arte” e por isso António J. P. sente-se um artista. Aliás, para se explicar recorre a uma comparação que gosta de fazer entre aquilo que é a marcenaria e a carpintaria. “A marcenaria, embora se trabalhe com as mesmas ferramentas que com a carpintaria é totalmente diferente. Na marcenaria você tem que inventar; criar, acima de tudo. Criamos os móveis, as medidas, as perspectivas e a harmonia do próprio móvel. A carpintaria não tem o feeling no acabamento...” Não se lembra da primeira peça que fez, mas recorda-se que participou num concurso regional da «Mocidade Portuguesa». Elaboravam-se peças em madeira que depois eram expostas e iam a concurso. “Eu ainda me lembro que fiz uma carroça em miniatura muito bonita!”. Reformado não consegue desligar-se da marcenaria artesanal


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HIS TÓ R IAS D E VIDA

A segunda paixão Entrou para os fuzileiros com 17 anos. “Com 18 estava já em Moçambique a combater como fuzileiro especial”. Valeu-lhe na selecção para a Marinha Portuguesa uma boa condição atlética e uma boa capacidade para aguentar “uma série de coisas que era preciso aguentar em prol da nação”. Na oficina este marceneiro ostenta inúmeras fotografias do tempo de guerra. “Era muito doloroso, mas eu não estou arrependido acima de tudo porque através dessa instrução que tive na marinha consigo-me ver hoje como se tivesse 18 anos!”. Ganhou um espírito jovem e aberto, garante. Na altura - década de 60 do século XX – os homens tinham serviço militar obrigatório de quatro anos. José A. Pereira cumpriu seis, “mais dois por imposição”, recorda. Agora partilha os momentos, as fotografias e as sensações com muitos «camaradas de guerra» através do facebook. “Se for à minha página vê lá que tenho muitas fotografias e até um vídeo ao qual tive acesso ao fim de quase trinta anos”. Integrou o primeiro grupo de fuzileiros que foi lutar para a Guerra Colonial em Moçambique. O vídeo que partilhou na página de facebook foi feito pelos serviços cartográficos do exército que queriam conhecer a intervenção dos fuzileiros e divulgar pela televisão e em documentários de cinema”. Era um filme real de dias em que a vida dos militares estava sempre em risco. Voltou a Moçambique dois anos depois de terminada a Guerra Colonial [1961 -1974]. Teve com alguns moçambicanos com quem tinha feito amizade. “Fui à palhota deles e não me esperavam por ali. Diziam que eu era um fantasma; não me esperavam voltar a ver”, lembra emocionado o reencontro. Não voltou mais, mas um dia que os compromissos profissionais abrandem quer regressar. “É uma terra maravilhosa. O clima, o cheiro atraem-nos”

O primeiro filho Foi no meio de uma volta ao mundo que António J. Pereira foi pai pela primeira vez. O jovem polícia de bordo com apenas 21 anos, mas que já tinha sido fuzileiro ao longo de seis anos, recebeu a notícia da paternidade via «Aerograma». Desde que recebeu a novidade até ao dia em que viu o filho passaram longos cincos meses. Nos dias de hoje em que a comunicação se multiplica, José A. Pereira lembra que antes comunicava-se “por carta e por uma coisa muito engraçada que eu lhe vou mostrar que você não conhece” [levanta-se e dirige-se para a parede do escritório onde tem afixadas algumas das suas relíquias]. “Isto é um «Aerograma», e deve ter para aí uns 45 anos. Era fornecido pelo «Movimento Nacional Feminino». Forneciamnos e nós depois escrevíamos, fechávamos e enviávamos como se fosse uma carta”, conta. Por norma este correio demorava uma semana a chegar ao destinatário. Mas ciente de que também cabe ao Homem comandar a sua vida José A. Pereira deixou a itinerância para trás e fixou-se na cidade do Barreiro, precisamente numa fábrica de móveis onde trabalhou 16 anos, sendo que 10 deles assumiu o cargo de encarregado. Subiu na vida “graças a muito trabalho”, afirma, e garante que um dos seus crivos é o perfeccionismo. “Também falho, não sou perfeito, mas a verdade é que admito poucas falhas, a começar por mim…” Foi a profissão de marcenaria que o levou até à Arábia Saudita. Em 1993 foi escolhido através de uma companhia de decoração francesa. Criou móveis, montou-os, forrou paredes num palácio daquele país árabe. “Lá estivemos bem; trabalhávamos três meses, estávamos cá um mês; tínhamos tudo pago, carro, vivenda...”, recorda.

António J. Pereira já viveu momentos políticos muito distintos: a ditadura de Salazar e a Democracia de Abril. “Não podíamos dizer que tínhamos fome, senão íamos presos. Suponha que estávamos aqui três pessoas; um de nós era «bufo» da PIDE. Aquela força política que jurava matar o pai e a mãe”. Assim lembra, numa mensagem sobretudo direccionada aos jovens, os tempos do «Estado Novo». Acredita que a crise que vivemos hoje é global. Desconfia dos jornalistas e dos políticos. “Os jornalistas de uma notícia do tamanho de uma unha fazem-na do tamanho da lua, está a perceber?! Atormentam as pessoas. Não é só o primeiro-ministro que não diz verdade... Os jornalistas também não dizem. Isto está na mão de quem? Quem é que faz dançar isto? É a comunicação social”, desabafa este marceneiro que lembra uma frase do poeta António Aleixo: «Há luta por mil doutrinas, se querem que o mundo ande façam das mil pequeninas uma só doutrina grande». “Era isso que os políticos e os jornalistas deviam fazer”, diz, defendendo da parte dos cidadãos uma devida intervenção cívica. “Somos um povo muito encostado. Pensamos que amanhã logo se faz. Na ditadura éramos encostados porque tínhamos que ser, agora é por apatia!”, afirma, dizendo-se revoltado com o «sistema». Aos jovens desta democracia apela para que saibam reivindicar os seus direitos, mas que olhem também ao que está à sua volta. “Agora há uma cultura melhor, antes a taxa de analfabetismo era muito grande. Mas agora tiram-se muitos cursos que não servem para nada”, remata.


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LOCA L  Em Monte Gordo

Jovem com paralisia cerebral recebe chave de nova casa Filipe Matos tem 26 anos e recebeu das mãos do presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António as chaves da sua nova casa. É um «T2» adaptado; feito de raíz a pensar no Filipe. Filipe Matos vai mudar-se tão rápido quanto possível para a nova casa e promete fazer uma festa de arromba. A entrega da chave e a visita à nova moradia foi emocionada tanto para Filipe como para a família. A sua mãe contou-nos que desde que nasceu que Filipe ficou consigo na casa dos avós “porque o pai abandonou-nos e não tivemos condições para comprar sozinhos uma casa”, explica. Agora, com uma casa adaptada às suas necessidades de mobilidade, espera melhorar a qualidade de vida e

viver com mais independência. A casa está totalmente adaptada. Filipe tem um quarto e casa de banho à medida, bem como as restantes divisões do rés-do-chão que agora é seu. A casa foi-lhe entregue no âmbito da habitação social da câmara municipal vilarealense.

Tempos difíceis travam atribuição de casas À margem da entrega da chave desta casa ao munícipe Filipe Matos, o edil

Luís Gomes, explicou que a crise tem travado a entrega das casas . “Temos que ter consciência que as condições económicas do país alteraram-se e Vila Real de Santo António não é uma ilha e vai ter problemas como o resto do país”. O autarca reivindica o apelo ao Governo, nomeadamento do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana “para que possa ajudar a autarquia a adquirir mais casas”. Até agora Luís Gomes apenas conseguiu entregar duas casas em regime de apoio social, e ambas os contemplados

Filipe Matos recebeu uma casa totalmente adaptada às suas necessidades têm mobilidade reduzida. No entanto, a autarquia tem desde o início do processo da construção

de habitação a custos controlados 40 casas para esse fim e quer aumentar para 80.

 Em Vila Real de Santo António

 Residentes não pagam

Rede CIUMED reuniu autarcas de Portugal e Espanha

Parque de estacionamento em VRSA vai ter 500 lugares

Vila Real de Santo António foi anfitriã, em Março, do workshop da Rede CIUMED que deu pelo nome «A reabilitação urbana em cidades médias: novos desafios, novas oportunidades», reuniu 10 municípios de Portugal e Espanha. O workshop contou com as intervenções dos municípios de Beja, Dos Hermanas (Espanha), Loures, Olhão, Figueira da Foz, Guimarães, Leiria, Torrelavega (Espanha), Águeda e Vila Real de Santo António, cidade que preside à Rede Ciumed. Luís Gomes, presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, referiu que “para estas cidades a reabilitação urbana pode ser uma forma de lutar contra a crise. As cidades são os motores do crescimento económico e os grandes centros de mudança. A atractividade das cidades pode transformar-se numa forma de criar desenvolvimento e riqueza”. O workshop focou vários temas, assim como referências de boas práticas levadas a cabo por alguns municípios, ao nível da reabilitação e renovação urbana. Após a apresentação das comunicações foi debatido o Programa «Jessica», um apoio europeu conjunto para o investimento sustentável nas zonas urbanas destinado ao desenvolvimento e regeneração urbana para o período de financiamento 2007-2013. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Comissão

Europeia, do Banco Europeu de Investimento e da Banca de Desenvolvimento do Conselho da Europa e permite às cidades beneficiarem de investimentos que combinam subsídios e empréstimos da EU. A CIUMED é uma rede de cidades médias que tem como principal objectivo promover um sistema policêntrico e equilibrado de cidades que apostem no desenvolvimento

sustentável e na constante melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos. Actualmente a rede conta já com 25 sócios. A iniciativa, que decorreu no auditório da biblioteca municipal de Vila Real de Santo António, teve organização conjunta da câmara municipal de Vila Real de Santo António e da Direcção da Rede CIUMED.

Workshop pretendeu demonstrar que a reabilitação urbana também combate a crise

O presidente da câmara promete avançar com um projecto “que tem como grande objectivo ordenar o centro comercial a céu aberto”. Luís Gomes pretende construir um silo com vista à requalificação do centro histórico e disciplinar a ocupação do espaço público e do estacionamento na área. Até ao final do mês de Abril vai estar aberto o concurso público para a construção e exploração e Luís Gomes, edil local, garante “que a câmara tem recebido muito boas propostas”, mostrando-se convicto que este projecto virá ordenar o espaço público que, por sua vez “já está num estado insustentável”. O silo vai ter capacidade para 500 lugares. O município garante que os residentes na zona não vão pagar estacionamento e que os comerciantes “vão ter benefícios”. Luís Gomes já fez as contas e avança que, a pagar estacionamento na totalidade, “vão haver cerca de 200 lugares vagos”. O autarca lamenta, no entanto, que o “PS invente a necessidade de criação de um referendo público, quando estamos perante uma matéria que tem como vista a valorização e competitividade do centro comercial a céu aberto da cidade. A política do PS sempre foi a de construir grandes superfícies comerciais, a nossa é e sempre foi a de valorizar o comércio local. Por outro lado estamos a dar cumprimento a uma medida prevista no Plano de Salvaguarda da zona Pombalina que previa na sua envolvente um equipamento desses”,

acrescenta. De referir que o Partido Socialista defendeu em reunião de câmara que o executivo realizasse um referendo para saber a opinião dos munícipes. Mas Luís Gomes já disse que não há disponibilidade para esse referendo e acrescentou que o projecto de construção de um silo no centro histórico da cidade refere-se ao tempo do executivo socialista, o qual ponderou na referida altura despender entre 2 a 3 milhões de euros para a construção do referido equipamento”. O PSD pretende agora retomar a ideia de construção do mesmo, lançando o concurso e no qual não pretende ter qualquer tipo de despesa, uma vez que ainda procura ser ressarcida do direito de cedência do terreno. Luís Gomes afirma ainda que no desenvolvimento deste processo, ouviu todos os comerciantes da zona histórica, assim como reuniu com a ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve – de forma a concertar posições para o efeito. “O referendo tem custos que consideramos desnecessários, em especial quando ouvimos várias partes sobre o tema em questão”, refere o autarca, que não percebe a constante posição do PS contra todas as obras que se proponham fazer no concelho, em especial aquelas que permitem a criação de postos de trabalho”, conclui.


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D ESEN VO LVIMEN TO

Censos:

a maior operação estatística do país Telma Marques, trabalha no Baixo Guadiana e na grande operação «Censos 2011» desempenha função como delegada municipal no concelho de Alcoutim. O objectivo da maior operação estatística do país, realizada em cada 10 anos, é saber «Quantos somos? Como vivemos? O que fazemos?» Depois da distribuição dos questionários pelas famílias vem agora o preenchimento e recolha. Joana Germano

JBG- Qual é a função de uma delegada municipal? TM- É coordenar as pessoas que estão no terreno, neste caso os coordenadores de freguesia e os recenseadores, que em Alcoutim são 10. Hierarquicamente há ainda um delegado e um coordenador regional. JBG- É obrigatório o recenseador dirigir-se a todas as casas? TM- Claro! Se não estiver ninguém em casa o recenseador tenta saber pelos vizinhos se é primeira habitação ou não. Se for de 1ª habitação deixa um aviso em que se identifica e deixa o seu contacto para que o residente telefone a marcar uma hora. É possível também a pessoa dirigir-se à junta de freguesia de residência e pedir o código para preenchimento, isto porque todas têm um «Balcão Censos». JBG- Como se recenseia um alojamento? TM- O recenseador tem que fazer uma capa e questionário de edifício, que preenche com o auxílio dos proprietários. Efectivamente, deixa-se o questionário do alojamento, o de família e um individual por cada membro. Aqui há que chamar a atenção para uma dúvida comum; pela internet só podem fazer famílias clássicas, ou seja, uma casa: um alojamento, e tem que se fazer para toda a família. JBG- E quanto a pessoas que já não residam no alojamento habitual?

«Perto

da

Europa»

Plano europeu de eficácia energética : realizar mais economias graças à renovação e aos contadores inteligentes. A Comissão Europeia adoptou um plano de medidas concretas para reduzir o consumo de energia. A eficácia energética é um importante instrumento para reforçar a competitividade da Europa, permitindo limitar a dependência energética ao mesmo tempo que diminui as emissões. O conjunto de medidas propostas tem por objectivo gerar vantagens consideráveis para as famílias, empresas e poderes públicos. O plano deverá transformar o quotidiano dos europeus oferecendo o potencial de gerar economias que vão até 1 000 euros por família e por ano, de reforçar a competitividade industrial da UE e de criar até 2 milhões de novos empregos.

TM- Pessoas que vivam há mais de um ano fora da residência já preenchem o questionário na sua casa actual, seja sua ou arrendada; as pessoas são recenseadas na casa onde habitam de forma permanente. No caso de uma família com filhos a estudar fora, é recenseado com os pais, porque ainda pertence ao agregado familiar. JBG- E no caso das habitações de férias? TM- Todas as casas são georreferenciadas. Os censos não são só a contagem da população, é também a contagem do espaço e centro habitacional. JBG- No caso das pessoas mais isoladas e mais velhas, e ouvindo nós falar de burlas vezes e vezes, como é que se procede? TM- Optámos por seleccionar pessoas que fossem da freguesia e conhecessem o território; houve um trabalho dos presidentes de junta de freguesia directamente no terreno com os coordenadores. O autarca fala com as pessoas, principalmente com os mais idosos, a informá-los que a partir de determinada data irá lá estar uma pessoa. Posteriormente, o coordenador vai com o recenseador no primeiro contacto, sempre identificado com um colete e cartão de identificação. Em Alcoutim é mais fácil desta forma, pois não são muitas pessoas e assim há uma maior afinidade com o recenseador que entrega o questionário e ajuda no preenchimento. JBG- Qual a data limite para a entrega dos questionários? TM- Começámos dia 7 de Março até dia 20 a distribuição; de dia 21

Telma Marques é delegada municipal no concelho de Alcoutim a 28 só se pôde fazer por internet; depois até 10 de Abril pode-se fazer simultaneamente em papel e internet e até dia 25 de Abril, é a recolha só em papel. Quem não fez entre dia 21 e 10 de Abril pela internet tem obrigatoriamente de o fazer em papel. JBG- Uma das questões do formulário é que a pessoa que trabalha a recibo verdes deverá responder que trabalha por conta de outrém. Isto não é ludibriar os dados e camuflar a realidade? TM- Se não estivesse inserida nisto, talvez também levantasse essa questão, mas passo a explicar: Se a pessoa tiver um horário e posto fixo, mesmo que a recibos verdes, é aí o seu posto de trabalho, é assim que deve contabilizar; é considerado trabalho por conta de outrem. Já uma pessoa que faz prestações de serviços, um dia aqui, outro dia noutro lado, deve colocar recibos verdes. JBG- Porquê responder com base no dia 21 de Março e não outro dia? TM-Tem que existir sempre um dia de referência, seja o 21 ou 22 ou 23, caso contrário poderá haver duplicação de inquéritos; é mais fácil identificar no dia 21 onde é que a pessoa estava.

Até dia 25 de Abril os questionários podem ser prenchidos simultâneamente em papel e na internet

JBG- Quando é que poderemos ter os resultados? TM-A previsão é para Junho os resultados preliminares. JBG- Todas as pessoas são obrigadas a preencher se

não podem incorrer numa multa… TM-Sim, uma coima. Mas as pessoas minimamente têm conhecimento que é obrigatório e enfatizar acaba por melindrar a pessoa. Pergunta-se uma vez, a pessoa não quer, passado um tempo volta-se com uma nova abordagem; para isso também existem os coordenadores, quando há situações pode ser chamado o presidente da junta, que é o elo de ligação mais próximo. JBG- Há forma de saber se alguém é excluído desta operação estatística? Numa casa onde residam 6 podem dar-vos indicação de 4… TM- Não. Temos que confiar, se a pessoa no diz que estão lá 4 é esse o valor que colocamos, não vamos contra o que a pessoa diz. JBG- Há sempre então risco que alguém fique de fora… TM- Sim…no caso de Alcoutim os coordenadores de freguesia conhecem as famílias, por isso é mais facilitado. Numa grande cidade é bem mais complicado e coloca-se com mais frequência, mas em Alcoutim não. Uma curiosidade muito importante é que as caravanas também foram recenseadas no dia 21, no local onde permaneciam, ainda que muitas como não residentes. Nesse dia o recenseador teve que fazer a ronda para ver onde estão as caravanas para recensear, como também os sem-abrigo, e as etnias ciganas.

Base tributável europeia para as empresas: fazer negócios com mais facilidade e menos encargos. A Comissão Europeia propôs um sistema comum para o cálculo da matéria colectável das empresas com actividade na UE. O objectivo desta proposta é reduzir significativamente os encargos administrativos, custos de conformidade e incertezas jurídicas que as empresas enfrentam actualmente na União, perante 27 sistemas nacionais diferentes, para determinarem a respectiva matéria colectável. Com a matéria colectável comum consolidada do imposto sobre as sociedades (MCCCI), tal como proposta, as empresas beneficiarão de um sistema de «balcão único» para o preenchimento das suas declarações fiscais, podendo assim consolidar a totalidade dos lucros e perdas que obtiverem em toda a UE. Os Estados ­Membros conservarão integralmente o direito soberano de fixar as respectivas taxas do imposto sobre as sociedades. Segundo as estimativas da Comissão, a MCCCI permitirá que, anualmente, as empresas de toda a UE poupem 700 milhões de euros com a redução dos custos de conformidade e 1,3 mil milhões por meio da consolidação. Por outro lado, as empresas que pretendam expandir-se além-fronteiras beneficiarão de poupanças que poderão chegar a mil milhões de euros. A MCCCI tornará também a UE um mercado muito mais atractivo para o investimento estrangeiro. Centro de Informação Europe Direct do Algarve Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional - CCDR Algarve

Rua do Lethes nº 32, 8000-387 Faro tel: (+351) 289 895 272 fax: (+351) 289 895 279 europedirect@ccdr-alg.pt

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D ESENVOLVI ME NTO

Europa aprova medidas anti-crise depois da queda de Sócrates O primeiro-ministro pediu a demissão ao Presidente da República, na sequência da rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República. “Os partidos retiraram todas as condições ao Governo para continuar a governar. Fizeram-no sem apresentar alternativa, sem abrir espaço para o diálogo político de forma consciente”, afirmou José Sócrates, para assim justificar o pedido de demissão apresentado a Cavaco Silva. O primeiro-ministro demissionário avançou que o chumbo vai implicar o pedido de ajuda externa por Portugal, a exemplo da Irlanda, porque o país não consegue resolver os seus problemas. José Sócrates sublinhou que os mecanismos de ajuda externa implicam “medidas muito mais duras” do que as preconizadas na quarta versão do PEC. O Chefe do Governo, sem referir diretamente o presidente do PSD,

causa da “sofreguidão pelo poder, a impaciência pelo poder”. “Esta atitude de obstrução às funções do Governo não é nova e não é de agora”, é desde que o Governo entrou em funções, sublinha.

Vinte e Sete aprovam medidas anti-crise

Bruxelas aprovou novas medidas para dívidas soberanas atribui responsabilidades pela crise política àqueles que a criaram por

Os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) aprovaram, entretanto, um conjunto de medidas para resolver o problema da crise da dívida soberana. O presidente da Comissão Europeia Durão Barroso classificou-o de uma “verdadeira revolução”, numa cimeira ensombrada pela crise política em Portugal. O pacote inclui a criação de um fundo permanente para resgatar os países da bancarrota. Os líderes europeus redefiniram nas últimas semanas a capacidade do fundo de resgate temporário, que

está em vigor desde o ano passado e que já foi solicitado pela Grécia e Irlanda, de 250 para 440 mil milhões de euros. Os chefes de Estado e de Governo decidiram adiar, para Junho deste ano, a dotação do fundo permanente de resgate, designado «Mecanismo de Estabilidade Europeia», em vigor em 2013. Este fundo terá um capital de subscrição de 700 mil milhões de euros, para poder emprestar efectivamente até 500 mil milhões de euros. Desta verba, 80 mil milhões de euros devem ser entregues pelos países da Zona Euro em cinco contribuições anuais e mais 620 mil milhões em garantias. Esta medida obriga a alterações ao Tratado Europeu, de modo a autorizar a criação do mecanismo permanente de ajuda financeira, que terá a capacidade de comprar diretamente a dívida dos Estados em dificuldades.

 Filhos, pais e avós juntaram-se ao Movimento

28 milhões para PME’s no Algarve

Faro com 6 mil manifestantes na rua Foram muitas as idades que se viram numa das maiores manifestações que o Algarve conheceu desde há décadas. O protesto foi tal como esperado, apartidário, laico e pacífico. A «Geração à Rasca» saiu da virtualidade e ganhou voz e corpo. No dia 12 de Março estudantes, músicos, artistas, professores, pais com filhos de colo e até avós que ostentavam cartazes «Os idosos também estão à rasquinha» constituíram a manifestação na capital algarvia. O protesto que começou no Largo de S. Francisco, percorreu a Avenida 5 de Outubro até ao Parque da Pontinha, foi uma das mais concorridas das últimas décadas no Algarve. Cartazes em papelão denunciavam a precariedade com que se protestava; lençóis pintados, folhas impressas, outras escritas, onde se liam mensagens como «“Não lutamos por poder, mas para sobreviver»; «Devolvam-nos o futuro»; «Porque não queremos emigrar»; «Há 10 anos a trabalhar a recibos verdes». Num palco improvisado no Largo de S. Francisco acolheram-se poetas, estudantes e professores que temem o futuro. Osvaldo Ferreira, ex-maestro da Orquestra do Algarve, e o actor Mário Spencer também deram a

sua voz. “Precisamos dos melhores, independente dos partidos a que pertençam, para vencer uma situação que está a ser insuportável, não só para uma geração”. O lado mais político verificou-se na descida da Avenida 5 de Outubro; os manifestantes gritavam «Eles

comem tudo, comem tudo e não deixam nada», excerto de uma das canções de Zeca Afonso em crítica ao antigo regime ditatorial. Recorde-se que foram aos largos milhares as pessoas que no dia 12 saíram à rua em várias cidades do país e protestaram contra a precariedade do país em que se vive. Em Lisboa e Porto, segundo a organização, que surgiu no Facebook, foram 280 mil os contestatários; já a PSP admite 160 mil. O protesto foi inicialmente convocado por quatro jovens, através da Internet, para Lisboa e Porto.

Protesto na capital algarvia foi muito significativo

Desde 1 de Março de 2011 que está aberta uma nova fase de candidaturas ao Sistema de Incentivos à Inovação e ao Sistema de Incentivos à Qualificação de Empresas do QREN. Entretanto, continuam abertas as candidaturas ao Sistema de Incentivos à I&DT. No Algarve, estes concursos apresentam uma dotação global de 27,7 milhões de euros de incentivo. São apoiáveis os projectos nos sectores da indústria, energia, comércio, turismo, transportes, serviços e construção civil. Para esclarecer os empresários e consultores sobre as condições de acesso a estes novos concursos, bem como para recordar as mais recentes alterações à legislação e documentação dos Sistemas de Incentivos, o PO ALGARVE21 vai a última de duas Sessões de divulgação, a 7 de Abril, no Auditório Municipal de Lagoa. A iniciativa é organizada pelo PO Algarve 21 conta com as colaborações da rede Enterprise Europe Network e dos Municípios de Tavira e Lagoa. No período da tarde do dia 7 de Abril integrado na programação da Feira IN FORMA no NERA em Loulé vai realizar-se um Consultório QREN com reuniões sujeitas a marcação prévia. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis em www.ccdr-alg.pt

23 milhões de euros para saneamento em Castro Marim A rede de saneamento básico de Castro Marim vai cobrir todo o concelho no final de 2012, depois de a autarquia ter garantido 23 milhões de euros de fundos comunitários para esse efeito. A verba foi atribuída ao abrigo do Programa Operacional Temático de Valorização do Território (POVT) do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) 20072013 e vai permitir à autarquia dar cobertura total nesta área. A maioria dos projectos estarão já elaborados e até 2012 estarão concluídas todas as obras. Recorde-se que o concelho de Castro Marim tem uma taxa de cobertura actual a rondar os 80%. As verbas avultadas farão face a obras de elevado investimento que pretendem chegar à população dispersa pelo território.

Alcoutenejos apreensivos com desertificação O Eurodeputado João Ferreira esteve em Alcoutim a 12 de Março com a campanha nacional «Portugal a Produzir». Numa sessão pública, realizada no salão nobre da câmara municipal e que contou com a presença do presidente da câmara, o social-democrata Francisco Amaral, João Ferreira teve oportunidade de explicar que esta campanha anda a percorrer o país para sensibilizar os portugueses para “os recursos e capacidades suficientes que têm para afirmar a via soberana de desenvolvimento e progresso social”. O deputado considera que “com o pretexto do défice e agora da dívida externa tem-se desenvolvido uma autêntica chantagem sobre os trabalhadores e povo português destinada a reduzir salários e aumentar riqueza de grupos económicos”. O PCP pretende “desmascarar” o Governo e alertar os cidadãos para os seus direitos e potencialidades dos territórios que habitam. João Ferreira ouviu dos presentes na sessão muitas queixas relacionadas com a crescente desertificação e encerramento de serviços básicos como foi o caso recente da extensão da Segurança Social na freguesia de Martinlongo, e a tentativa de fecho da escola na sede de concelho. Francisco Amaral, por sua vez, deu os parabéns ao PCP por estar perto das populações “à parte de datas de eleições” e apelou para que o eurodeputado levasse para Bruxelas o eco das preocupações dos alcoutenejos. Questões como a Ponte Internacional do Guadiana, a navegabilidade também estiveram em debate nesta sessão pública.


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C ULTUR A

Teatro, Media, Poder Local e o Cabaret Antes do «Cabaret», levado à cena pela companhia de teatro profissional «Fech’Ó Pano» a 26 de Março, houve, na véspera, uma conferência que discutiu a relação contemporânea entre teatro, media e poder local. Ana Cristina Oliveira, professora, mulher do teatro e uma das críticas desta arte no Algarve, defende que a crítica é muito importante também para a educação do público para o

teatro. Lamenta que esta arte seja cada vez mais maltratada e lançou o desafio aos municípios para que olhem mais para as produções dos «vizinhos». Para isso defende uma rede regional que permita uma maior troca de pro-

duções. “Não se pode comprar por catálogo e deveria existir um gabinete dedicado à cultura em cada município”, defendeu. Esta visão foi partilhada também por Luís Romão, autarca que representou o município de Vila Real de Santo António na conferência, e que, por sua vez, afirmou que “é preciso motivar as diversas associações artísticas do concelho a estarem mais unidas”, de forma a partilharem conhecimento e incrementarem um sistema de coprodução.

A importância da formação Por ano a companhia de teatro profissional «Fech’Ó Pano» ministra cerca de três mil horas de formação. “É indiscutível a importância da formação para o teatro”, afirmou Pedro Santos, director desta companhia, que nasceu há cerca de uma década em terra pombalina. A formação é dada nas escolas, mas também através da escola de teatro, artes de palco e circenses desta companhia no seu espaço. Ao JBG coube representar os media local e defender a importante relação de comunicação que deve haver neste triângulo, cujo principal objectivo é contribuir para o desenvolvimento do território.

«O Auto das Pinduronas» destaca TEA O Teatro Experimental de Alcoutim (TEA) apresentou a 19 e 27 de Março a peça «O Auto das Pinduronas», uma adaptação do «Auto da Índia» de Gil Vicente. A estreia encheu a Ermida da Nossa Sr.ª da Conceição em Alcoutim, num regresso às origens do teatro Vicentino. «O Auto das Pinduronas» divertiu todos os presentes, numa perfeita adaptação à realidade e ao público de Alcoutim. Houve, mais tarde, mais uma apresentação da peça, a 27 de Março, pelas 16h no mesmo local. O TEA é actualmente constituído por 15 membros e dirigido por Francisco Braz, conhecido ator e encenador português. Francisco Amaral, presidente da câmara municipal de Alcoutim, considera que este grupo de teatro é “mais uma aposta ganha” e agradeceu a todos os elementos pelos momentos de cultura e animação que têm proporcionado aos alcoutenejos.

Vilarealenses foram ao «Cabaret»

Conferência abriu horizontes. «Cabaret» está a ser comercializado

«Falar Verdade a Mentir» em Castro Marim

Biblioteca teve assistência sobrelotada O TEA é constituído po 15 membros

No dia 26 de Março, véspera do «Dia Internacional do Teatro», a «Fech’Ó Pano» estreou o espectáculo «Cabaret». Em palco 12 elementos, entre eles actores, bailarinas, mágico e assistente, cantora e a técnica da luz negra. O

No âmbito, igualmente, das comemorações do Dia Internacional

do Teatro, a biblioteca municipal de Castro Marim proporcionou a

apresentação da peça «Falar a Verdade a Mentir», comédia escrita pelo escritor português Almeida Garret. A peça subiu ao palco pela mão da companhia de teatro «Arte d’Encantar», no passado dia 25 de Março. A acção desta comédia desenrolase em Lisboa, no século XIX. Foi representada pela primeira vez em Lisboa, no Teatro Tália, pela sociedade particular do mesmo nome, em 7 de Abril de 1845. A peça contém apenas um acto que é composto por 17 cenas. Trata-se de uma crítica cómica à sociedade da altura. A comunidade castromarinense, e não só, esteve em peso neste espectáculo, sobrelotando o auditório da biblioteca municipal. «Viva o Teatro».

espectáculo que juntou muitas pessoas diferentes, associações e artes distintas demonstrou o amor comum pela arte. O público aderiu e encheu a sala do Centro Cultural António Aleixo. O espectáculo surpreendeu e deverá regressar a esta sala já em Abril. Entretanto, o espectáculo «Cabaret» já está a ser comercializado dentro e fora do Algarve.

«Vem ao Pátio... Novo» fez rir (e muito) VRSA A promoção do espectáculo «Vem ao Pátio... Novo» anunciava uma “comédia hilariante”. E assim foi! Este espectáculo protagonizado no palco por cinco actores, mas nos bastidores por muitos mais técnicos, da Associação «II Acto Produões Artísticas», fez rir todos os que tiveram a oportunidade de assistir ao espectáculo que decorreu em meados de Março. Esta reposição de uma fórmula de sucesso destes jovens artistas serviu também para comemorar o mês do teatro. As vidas que tiveram muita vida num qualquer pátio, numa qualquer freguesia de Vila Real de Santo António – que não qualquer uma das três - pretendeu ser exemplo de quaisquer outras vidas. A verdade é que em cima do palco ouviram-se muitos nomes conhecidos do quotidiano dos vilarealenses. Ali também se falou de problemas sociais, e seus apoios. As risotas foram facilmente sacadas da assistência e o grupo já prometeu mais teatro para breve. As personagens principais: Indalécia Cadela Brava e Esménia de Jesus foram interpretadas por João Frizza e Diogo Chamorra, respectivamente.

Indalécia Cadela Brava é uma das protagonistas desta comédia


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C ULTURA & TR ADI Ç ÃO

Chefe da PSP «preso» à pintura Eduardo Dias é chefe de Polícia de Segurança Pública, em VRSA, a tempo inteiro e pintor nas horas vagas. No dia em que a edição do JBG sai está com duas exposições em simultâneo em Vila Real de Santo António - uma na esquadra e outra na biblioteca municipal Vicente Campinas. Este polícia diz-se “preso à pintura” há mais de 20 anos. Acredita que pintar o ajuda a descontrair de um quotidiano “muito intenso

e stressante”. A sua pintura a óleo mostra-nos os mais variados elementos ou cenários, embora Eduardo Dias se diga “um apaixonado pelo meio rural”, de onde são as suas origens. Natural de São Brás de Alportel utiliza com um toque pessoal e criativo a cortiça de base às tintas. E as paisagens verdes parecem ganhar mais corpo, fazendo ultrapassar a visão de um simples quadro. A exposição na esquadra da PSP, intitulada «Salpicos de Cor» vai estar patente até 3 de Abril e a mostra na biblioteca municipal inicia-se a 1 de Abril e prolonga-se até 15 de Maio. No total este pintor já criou uma centena de quadros.

«Casa da Marioneta» reabriu ao público A «Casa da Marioneta» reabriu ao público em Vila Real de Santo António. É uma nova geração deste espaço cultural que foi concebido e criado pelo falecido professor Hélio Rodrigues. A tradição da marioneta perdura. A nova presidente da direcção da Associação cultural «Boneco Sabichão», Maria José Capela, frisa em entrevista ao JBG, e após uma inauguração com casa cheia, que “esta casa não vai apenas acolher teatro de marionetas, mas também as outras artes”, enumerando o teatro nas suas diversas vertentes, a dança, a música,a poesia e outras. Um dos grandes objectivos da nova direcção é “manter a casa aberta todos os dias, de dia e de noite”. O objectivo é ambicioso, mas compreensível quando se percebe que se “quer que aqui se troquem experiências culturais, artísticas e seja um espaço adaptado a todos”, esclarece a presidente da associação.

Homenagem a Hélio Rodrigues Eduardo Dias pintou a óleo cerca de uma centena de quadros

Antes de mais a reabertura desta

diz Maria José Capela que pretende que a nova direcção reerga este espaço, numa nova geração, mas sem esquecer o passado e “o importante legado que nos deixou [Hélio Rodrigues]”.

«Auto da Curandeira» inaugurou A noite de inauguração ficou marcada pela intensa chuva que se fez sentir em Vila Real de Santo António. Mas no fabricado de madeira, junto ao complexo municipal de VRSA, a festa decorreu com casa cheia. Os alunos da «TeaTroTeca» - grupo de teatro escolar de Castro Marim – levaram à cena «O Auto da Curan«O Auto da Curandeira», teatro esco- deira», uma adaptação de «Este livro lar, inaugurou a «Casa da Marioneta» que vos deixo», de António Aleixo. Depois, o chá que era para ser ao «Casa da Marioneta» “é uma home- luar, aconteceu dentro da «Casa da nagem ao professor Hélio Rodrigues Marioneta» e abriu espaço ao conque muito trabalhou para a erguer”, vívio.

  A G E N D A C U LT U R A L   EV ENTOS

VIII Peddy Paper Alta Mora

10 Abril, 09h Alta Mora Org. ARCDAA

Alcoutim

Castro Marim

Baile de Vaqueiros

«Um Domingo no Campo» Todos os Domingos (3, 10, 17), 12h Evento para as famílias com almoço saudável e workshop (5€)

02 Abril Clube Desportivo de Vaqueiros IV Prova de Atletismo

10 Abril Alcoutim

-dia 6 - A Selva vai à Quinta (Pintura Facial),

Trilhos 2011

-dia 20 - O meu corpo é um instrumento (Percussão Corporal),

16 Abril Martinlongo VI Feira dos Doces d’Avó

23 e 24 de Abril Cais de Alcoutim

-dia 27 - Visita pedagógica pelas hortas biológicas e pomares da Quinta da Fornalha Associação Catavento

Exposição «FinisPortugalliae»

Até 15 Abril Igreja do Castelo

Comemorações do Dia 25 de Abril

25 de Abril Praça da República e Salão Nobre dos Paços do Concelho 25 de Abril

Semana Cultural «Saberes e Sabores 4 a 8 Abril Org: Agrupamento Escolas CM

Exposição «Alcoutim, Terra de Fronteira Exp. exterior no centro de Alcoutim Org: Rede Museus Alg. e CM Alcoutim

Mostra Filatélica Até 8 Abril Biblioteca Municipal

Feira do Pereiro

«Algarve do Reino à Região» Exposição de fotografias

8 a 29 Abril Arquivo Histórico Municipal «Al Mouraria» – Espectáculo de Fado

9 Abril, 21h30 Centro Cultural António Aleixo

Casa do Povo do Azinhal recupera noites algarvias

Noite de Fado

17 Abril Centro Multiusos Azinhal Passeio Fotográfico «Água: Cultura e Património» 17 Abril Odeleite Org: CCD Aulas de Folclore Casa do Povo de Azinhal Inscrições Abertas na JF Azinhal

Tertúlia no Baixo Guadiana – «25 de Abril: democracia, liberdade, direitos e cidadania»

15 Abril, 17h30 Biblioteca Municipal Vicente Campinas «Los Zíngaros» – Espectáculo de Sevilhana e Flamenco

16 Abril, 21h30 Centro Cultural António Aleixo

Palestra – «Recordando Vicente Campinas», por Teresa Rita Lopes

19 Abril, 21h30 Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António

Baile da Pinha 2 Abril, 21h30 Alta Mora, sede ARCDAA Excursão Cruzeiro no Guadalquivir 3 Abril – Freguesias de Azinhal e Castro Marim 17 Abril – Freguesias de Altura e Odeleite

POR CÁ ACONTECE

«Vamos Contar Mentiras» Teatro de Revista

21 Abril, 21h30 Centro Cultural António Aleixo

VRSA Audição de Páscoa Conservatório Regional VRSA 1 Abril, 21h Centro Cultural António Aleixo Peça de teatro «Ser criança»

7 Abril, 21h Por alunos da Esc. Secundária de VRSA, Centro Cultural António Aleixo

«Arte sem Fronteiras» Festival Internacional de Dança

26 a 30 Abril Centro Cultural António Aleixo

A Casa do Povo do Azinhal está a recuperar as tradições das noites algarvias. No próximo dia 2 de Abril vai levar a cabo um evento que dá pelo nome «Noite Algarvia». Vai ter lugar no Centro Multiusos do Azinhal a partir das 20h e consiste num jantar com a actuação de ranchos folclóricos. Mais tarde, a 17 de Abril, a homenagem é ao fado e os irmãos Pedro e Teresa Viola vão actuar numa noite também com jantar incluído. À guitarra portuguesa Vítor do Carmo, na viola José Santana e no Contrabaixo Tó Carreira. Os algarvios, e não só, vão poder reviver momentos tradicionais. As reservas estão disponíveis em 281495187, 962416715 e 926476460


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C ULTUR A

COLUNA CULTURAL

A 9 de Abril

«Al Mouraria» no Centro Cultural António Aleixo

A Singularidade Patrimonial do Algarve O Algarve destacou-se desde sempre no contexto nacional, não apenas por se tratar de uma região marginal e periférica, mas também pela sua singularidade cultural, histórica e patrimonial. A própria designação, Al Gharb, denuncia a única região do país com topónimo de origem árabe. Esta designação, que significa “o ocidente”, passou a referir-se à região sudoeste da Península Ibérica a partir de 711, aquando das invasões árabes e berberes da Península Ibérica lideradas por Tarik Ali Ibn Zyad. Desta forma, o Gharb designava um território, com limites algo imprecisos, a ocidente do território compreendido como Al Andaluz. No decurso da conquista cristã, o Gharb acaba por ser conquistado aos mouros. D. Sancho I, em 1189, chega a conquistar Silves aos almóadas com o auxílio dos cruzados com destino à Terra Santa, no entanto, os mouros voltam a reconquistar a cidade em 1191. A conquista definitiva do Algarve dá-se no reinado de D. Afonso III, em 1249, com a conquista de Faro, Loulé, Albufeira e Aljezur, depois da Ordem de Santiago, através da acção de D. Paio Peres Correia, já ter conquistado Mértola, Alcoutim, Ayamonte, Castro Marim e Cacela nos anos anteriores. Com o Tratado de Badajoz de 1267, Afonso III de Portugal e Afonso X de Castela definem as fronteiras dos dois reinos, passado a fazer parte integrante da coroa portuguesa os territórios conquistados a ocidente do Rio Guadiana. No entanto, as divergências que continuaram a subsistir só viriam a ser resolvidas entre D. Dinis de Portugal e Fernando IV de Castela através do Tratado de Alcañices, em 1297. A verdade é que os cinco séculos de domínio islâmico no Algarve deixaram profundas marcas nos mais variados domínios da “cultura algarvia”. Podemos encontrar vestígios da ocupação islâmica no património linguístico, artístico, arquitectónico e arqueológico, o que, do ponto de vista patrimonial, revela a singularidade da região no contexto cultural português, tornando-se, portanto, imperativo a salvaguarda do mesmo património de modo a preservar o carácter excepcional que a região tem à escala nacional. A defesa, salvaguarda e valorização do património histórico do Algarve num momento em que o mundo enfrenta os preocupantes efeitos da globalização, é mais que uma mera necessidade estratégia; trata-se de uma imperativa responsabilidade das autarquias, das entidades culturais competentes e de todos os algarvios em geral.

Fernando Pessanha Músico / CEPHA

O Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António, vai receber no próximo dia 9 de Abril um concerto do grupo algarvio «Al Mouraria». Trata-se da tour de 2011. Uma oportunidade para os fãs do grupo e para os amantes do fado em geral.

O grupo tem apaixonado todas as idades, em partiular os mais novos que assim descobrem o fado Os «Al Mouraria» são um grupo do Algarve, nascido em 2003, que eleva o fado ao seu centro. O mais popular género musical português faz as honras desta composição de músicos e fadistas que no seus espectáculos apresentam também bailarinos que dançam ao ritmo das vozes e das guitarras. Vila Real de Santo António vai receber os «Al Mouraria» já dia 9 de Abril num espectáculo integrado no «AL MOURARIA Tour 2011». Estes concertos têm por base os temas do último CD «Fadinho a Dois», de Abril de 2010, com a inclusão de outros do albúm «Em Tudo na Vida há Fado» de 2006, sem que sejam esquecidos alguns clássicos. “O nosso grupo foi dos primeiros a assumir directamente, e sem quaisquer restrições, a utilização de outros instrumentos, que não só a guitarra e a viola. Neste concerto vão estar presentes, como sempre, o saxofone, acordeão e o clarinete”, antecipa Valentim Filipe, mentor do grupo. Valentim Filipe, que para além de outros instrumentos, toca a guitarra portuguesa lembra que Vila Real de Santo António “foi desde sempre grande admiradora deste projecto. Ainda o grupo dava os primeiros passos, corria o ano de 2005, quando realizámos um primeiro concerto no Centro Cultural António Aleixo e, até com alguma surpresa nossa, praticamente encheu”, conta. Esta é já a quarta vez que actuam em terra de Marquês de Pombal. Para promover o espectáculo o grupo está

a contar com o apoio da imprensa e radios regionais. Também as páginas das redes sociais e site já estão a anunciar o evento.

Agenda Valentim Filipe explica que as autarquias têm sido ao longo dos anos as grandes impulsionadoras dos concertos deste grupo. E apesar da crise a agenda dos «Al Mouraria» vai já preenchendo-se para o ano de 2011. «AL MOURARIA» há muito que deixou de ser um grupo local/ regional para se transformar num projecto com expressão nacional. “Já realizámos concertos em Campo Maior, Reguengos de Monsaraz, Mafra, Espinho, etc, etc., mas é, no entanto, ainda no Algarve, a região onde mais somos solicitados”. Valentim Filipe realça o facto do trabalho «Fadinho a 2» ter sido considerado «Disco Antena 1» para a maior projecção do grupo. “Deve salientar-se que das centenas de CD’s editados anualmente no nosso país apenas alguns conseguem essa distinção, que se baseia sobretudo na qualidade e originalidade do trabalho”, frisa.

«Fado Novo» Os Al Mouraria são sem dúvida um grupo na linha do chamado «Fado Novo». No entanto nos concertos são abordados outros conceitos e formas de viver o Fado. Existem incursões ao Fado mais tradicional.

“Gostamos de afadistar canções e temos também a versão dançada, que nos faz recordar o tempo em que o fado chegou a ser uma dança”. O mentor deste grupo esclarece ainda que “contrariamente ao que se possa pensar, o nosso público não é apenas composto por uma faixa etária a partir da meia-idade. Talvez pelo facto do grupo ser maioritariamente composto por jovens, é grande a afluência dos mais novos. Tem acontecido ao longo dos anos sermos abordados por jovens que confessam que antes de assistirem a um concerto nosso não gostavam de fado mas que ficaram fãs a partir desse momento. Esse facto enchenos de orgulho”. Para já em Vila Real de Santo António, mas Valentim Filipe promete continuar a insistir com Alcoutim e Castro Marim “e quem sabe um dia nos convidem para realizarmos mais concertos pelo Baixo Guadiana”.

«In Tento Trio» confirmado no Festival Med A banda vilarealense «In Tento Trio» tem já confirmada a sua presença no maior festival de música do mundo de Portugal e um dos maiores na Europa; o «Festival Med» que acontece em Loulé, anualmente. A notícia chegou em cima do fecho da edição, mas para já o JBG pode adiantar que o concerto dos «In Tento Trio» vai acontecer a 25 de Junho no palco da Bica, com hora a confirmar. O «Festival Med» vai ter lugar no Centro Histórico de Loulé entre 22 e 25 de Junho. O trio é formado por Fernando Pessanha (piano), Pedro Reis (baixo) e João Melro (bateria).


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CULTURA

Livro de actas de congresso sobre o geógrafo al-Idrisi

Tertúlia «Palavra Sexta à Noite»

«Sabores da Terra» na Casa dos Condes

A tertúlia «Palavra Sexta à Noite», a 18 de Dezembro, em Alcoutim encontro mensal organizado pela Biblioteca municipal de Alcoutim (Casa dos Condes) - lançou para o debate as propriedades e finalidades das plantas e ervas que existem no concelho de Alcoutim, um recurso válido; esquecido por uns e ignorado por outros. A introdução ao tema foi feita pelo arquitecto Jorge Vicente, um curioso sobre as potencialidades das plantas e ervas, nas diversas finalidades que possam ter. Mais contributos importantes foram trazidos à luz deste serão por Maria de Lurdes, uma produtora de chás natural do Azinhal, que se dedica à comercialização das plantas que ela mesma planta, colhe e seca; da Associação Odiana, Valter Matias, que para além de todo o conhecimento sobre a utilização das plantas na serra algarvia, falou sobre um projecto ligado ao tema que a associação pretende implementar brevemente no território. Também António Mestre, natural da Corte Tabelião, trouxe as suas bemsucedidas experiências na utilização medicinal das ervas e plantas; Maria dos Anjos, com um poema que resume as características e as utilizações das plantas mais comuns no concelho de Alcoutim. A salientar ainda a presença dos alunos do curso profissional de Turismo Rural e Ambiental da Escola Básica Integrada de Alcoutim, uma presença assídua e participativa nestas tertúlias da biblioteca que, desta vez, elaboraram um trabalho sobre ervas e plantas do concelho de Alcoutim que vão oferecer à Casa dos Condes. A biblioteca estava cheia de plantas medicinais e ervas aromáticas, que todos puderam ver, tocar, cheirar, conhecer e questionar. Muitos “truques caseiros” resultaram deste serão. De resto uma iniciativa que quis apelar a que este conhecimento “de avós” não se perca.

O livro reúne cerca de duas dezenas de conferências e comunicações A 18 de Março foi apresentado na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, o Livro de Actas do Congresso Internacional Itinerante “Itinerários e reinos. Uma descoberta do mundo. O Gharb al-Andalus na obra do geógrafo al-Idrisi”.

A apresentação do livro foi feita por José Carlos Barros, Vice-Presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, seguida de uma conferência por Ahmed Tahiri – professor catedrático da Universidade de Tetuán (Marrocos) - intitulada “Al-Idrisi: enlace científico

y cultural entre el medievo y la modernidad”. O livro reúne cerca de duas dezenas de conferências e comunicações da autoria de especialistas de países europeus e do mundo árabe, das duas margens do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Mar-

Em Castro Marim

Conhecidos premiados do evento «Dias Medievais»

Melhor pendão

Prémio a estabelecimento

Prémio conjunto de fotografias

Coube ao Centro de Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Castro Marim atribuir os melhores prémios dos concursos no âmbito do evento anual «Dias Medievias». Prémios que envolvem pendões, decoraçãos de estabelecimentos e fotografia. Assim, o primeiro prémio para estabelecimento foi arrecadado pela «Loja Fresca» que ganhou 1250 euros. Em segundo ficou a padaria «Madeira» que ganhou 1000 euros e em terceiro o restaurante «Tasca Medieval» que recebeu

400 euros. Na categoria de pendões ficou em primeiro lugar Lazarina Apolónia, com um prémio de 100 euros, em segundo a Junta de Freguesia de Castro Marim, com 75 euros e em terceiro a Santa Casa da Misericórdia de Castro Marim, que arrecadou 50 euros. Nas fotografias os prémios foram todos para o lado de Espanha. Na categoria de melhor conjunto de fotografias em primeiro lugar ficou António Diaz Carro, que ganhou 150 euros, José Luis Rua Nacher, com 100 euros e Manuel Jesus Lago com 50 euros. A melhor fotografia foi tirada por Manuel Diaz Carro, que arrecadou 75 euros.

rocos, Egipto, Síria, Iraque), que no Mês de Maio de 2008 aqui se juntaram. O Congresso, co-organizado pela câmara municipal de Vila Real de Santo António e pela Fundação al-Idrisi Hispano-Marroquina, propôs-se realizar uma análise da obra do grande geógrafo árabe do sec. XII al-Idrisi (1100-1165), e reflectir sobre a importância do seu trabalho para o desenvolvimento posterior de algumas ciências na época moderna: Geografia, Botânica e Cartografia, esta última fundamental no arranque das viagens europeias dos finais da Idade Média. Enquanto geógrafo, al-Idrisi foi também viajante. Nascido em Ceuta em 1100, viajou desde muito novo pelo mediterrâneo, Ásia Menor, países do Oriente e especialmente pelo al-Andalus. Percorreu o Algarve, antigo Garb al-Andalus, de que deixou valiosas descrições de alguns dos seus principais núcleos populacionais, como Cacela. Foi também esse legado ao nível do conhecimento do Algarve durante o período islâmico que se pretendeu aprofundar. O referido livro é uma edição da câmara municipal de Vila Real de Santo António e da Fundação al-Idrisi Hispano-Marroquina.

Mostra Filatélica lança postal de Castro Marim A Secção de Coleccionismo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Real de Santo António inaugurou no passado dia 21 de Março uma «Mostra Filatélica». Dezenas de sêlos estão expostos para os amantes deste coleccionismo e, no dia da inauguração, foi lançado um postal com sêlo comemorativo de Castro Marim – a primeira sede da Ordem de Cristo. Esta mostra está patente na Biblioteca Municipal de Castro Marim até ao próximo dia 8 de Abril.

Iniciativa da secção Coleccionismo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de VRSA


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AMB IEN TE  Água «muito má» em sete rios portugueses

Guadiana tem água «excelente» A qualidade da água é «muito má» em sete rios portugueses, apesar das 3.922 unidades de tratamento colectivo existentes e das 118 estações em construção ou reabilitação, segundo dados do Instituto da Água (INAG). Guadiana tem água «excelente» No site do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), dados do Anuário de Qualidade da Água Superficial revelam que 8,6 por cento das estações, através das quais é medida a qualidade, estão classificadas na classe de «muito má», 12,3 por cento com «má», 39,5 por cento é «razoável», 23,5 por cento «boa» e 16 por cento «excelente». Com classificação de «excelente» estão 13 rios, entre os quais o rio Guadiana, rio Teixeira, rio Leça e cinco ribeiras do Algarve. Desde 2005 até 31 de dezembro de 2009, “passamos de 798 ETAR [estação de tratamento de águas residuais] para 1.704 e de 1.282 fossas sépticas coletivas, que também são sistemas de tratamento eficazes,

«Limpar Portugal» contou com a participação de dezenas de voluntários Pelo segundo ano consecutivo, o concelho de Vila Real de Santo António voltou a participar no Projecto «Limpar Portugal». No passado dia 19 de Março, cerca de 70 voluntários aderiram a este movimento cívico, que pretende promover a educação ambiental e reflectir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável, através da participação voluntária de pessoas e entidades privadas e públicas. No concelho de Vila Real de Santo António a actividade foi realizada em duas zonas de intervenção, a zona poente da Mata de Monte Gordo e a Ria de Cacela Velha, tendo sido recolhidos aproximadamente 3 toneladas e meia de lixo. Após a recolha de lixo, que decorreu durante o período da manhã, teve lugar um almoço convívio, em que cada participante levou a sua merenda e em conjunto realizaram um grande pic-nic. Durante a tarde, não foi esquecida a parte lúdica, em especial para os mais novos, que no âmbito das comemorações do «Dia do Pai», prepararam jogos tradicionais, pinturas faciais e construção de bolas de malabares com materiais reciclados, dinamizadas pela Associação Juvenil «Ganda Cena».

para 2.218”. Assim, “em termos de estações de tratamento coletivo, temos 3.922 instalações”. Neste momento, estão em construção ou reabilitação, 118 ETAR, sendo a principal região hidrográfica o Douro, com 38 uni-

dades, seguindo-se o Minho Lima, com 23 e o Guadiana com 21. Actualmente, 97 por cento da água usada é tratada, ou seja, três por cento “não recebe tratamento ou não existe informação sobre a sua situação”, acrescentou Adérito Mendes.

Notícia saiu em «Dia Mundial da Água», a 22 de Março

Campanha Coastwatch 2011 Encontra-se a decorrer no município de Vila Real de Santo António e no resto do país, mais uma Campanha Coastwatch Europe, este ano sob o tema «Maravilhas e Riscos do Litoral». Este projecto, já realizado ao longo de vários anos tem vindo a ganhar espaço no seio das diversas actividades que compõem o

Projecto de defesa e estudo ambiental de sistemas litorais

Programa Anual de Actividades de Educação Ambiental do município, em parceria com as escolas e outras entidades locais, tais como o Grupo de Escoteiros e todos os interessados. Esta actividade, coordenada localmente pela autarquia há 8 anos, é um projecto de defesa e estudo ambiental dos sistemas litorais, coordenado nacionalmente pelo GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), e a nível local pelos diversos coordenadores regionais. Na prática consiste na realização de um levantamento de informação, em trabalho de campo (monitorização), sobre um troço de costa, realizado através do preenchimento de um questionário por cada 500 metros, perfazendo um total de 5 Km por Bloco. Para a área do concelho de VRSA, coordenada pelo município, estão adstritos 8 Blocos, que vão desde o Bloco 3 (Zona de Sapal a Norte de VRSA) ao Bloco 10 (Zona da Fábrica, na Ria Formosa em Cacela Velha). Toda a informação sobre o projecto pode ser consultada no blogue http://www.coastwatchcoastwatch.blogspot.com.

Custos e benefícios da Biomassa estão a ser investigados A Associação Odiana deslocou-se à ilha francesa da Córsega para investigar o sector da Biomassa na região, tendo como perspectiva o potencial algarvio para este sector energético. Nos dias 22 e 23 de Março a Associação Odiana, parceira do projecto RURALAND, deslocou-se até à Córsega com elementos da CCDR Algarve, Autoridade Florestal Nacional e Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Algarve, para visitar as centrais de Biomassa existentes naquela ilha. O objectivo é perceber todo o trabalho desenvolvido nesta área e transpô-lo para um plano de acção que no futuro poderá servir para implementar no território algarvio, ou num outro local no país. Recorde-se que a biomassa é uma fonte de energia derivada dos produtos florestais, resíduos da indústria da madeira e culturas agrícolas, efluentes domésticos e instalações de agropecuária, indústrias agroalimentares, culturas energéticas e resíduos sólidos urbanos. A visita à Córsega envolveu duas equipas, uma portuguesa e outra belga, cujo objectivo é importar o projecto corso para o seu território. Esta importação de projecto surge através do projecto RURALAND – programa Interreg IVC integrado nos fundos estruturas para 2007-2013. O «RURALAND: Agentes de Desenvolvimento Rural» pretende, através da cooperação inter-regional, melhorar a eficácia das políticas de desenvolvimento nas áreas da inovação, economia de conhecimento, ambiente e prevenção de riscos. O projecto termina em Dezembro de 2012 e

tem um co-financiamento de 85% do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Para saber mais sobre este projecto consulte: www.ruraland.eu ou www. odiana.pt

Potencial para energias renováveis É facto conhecido e veiculado que a região algarvia tem imenso potencial para as energias renováveis. No caso específico da Biomassa estava prevista para Monchique uma central de biomassa. Estimavase funcionar em 2012, no entanto encontra-se suspensa pois os promotores aguardam pelo aumento da tarifa de venda da electricidade, disse, ainda em 2010, fonte da EDP – Energias de Portugal, à Lusa. “A tarifa de venda de electricidade terá de aumentar para viabilizar economicamente estes investimentos, face aos custos dos equipamentos e ao preço da biomassa”. A central de biomassa de Monchique teria, segundo disse a EDP em 2008, um investimento na ordem dos 75 milhões de euros da Bioeléctrica, e representaria 20 novos postos de trabalho directo e 150 empregos indirectos para recolha, processamento e transporte da biomassa. A estrutura iria produzir energia para “satisfazer um consumo médio anual de cerca de 100 mil habitantes”, indicou a EDP.

Praia de Alcoutim candidata-se à «Bandeira Azul» depois da ABAE modificar avaliação Depois da informação enviada pelo município de Alcoutim à comunicação social, em que anunciava a não candidatura da praia fluvial do Pego Fundo à Bandeira Azul, a Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) relevou os seus critérios de avaliação, considerando que a praia do Pego Fundo se encontrava apta a receber o galardão, apesar da mesma ter qualidade «Boa» para aquela associação e «Excelente»

segundo os critérios do Instituto da Água (INAG), a autoridade competente na matéria. Apesar do município de Alcoutim continuar a discordar com os critérios estabelecidos para as águas balneares interiores, que considera “incoerentes e discriminatórios para as praias fluviais”, resolveu avançar com a sua candidatura, que permite comprovar a qualidade apresentada por aquela zona balnear.


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C OLA BORADO R E S A amazona do mar Em frente Altura, Há beira-mar; Mulher madura Que nos faz sonhar!

Acossado pelo vento Seu cavalo aparelhado, Investe mar adentro, Leito de morte talhado.

Quando desce até à praia Sem o traje de montar A dama aconchega a saia Não vá o mar abusar.

As forças da natureza Uniram-se enfurecidas, E fazem desta grandeza Um cemitério de vidas.

Cavaleira experimentada Na arte de cavalgar, Cavalga qualquer montada Esta amazona do mar.

Pela borrasca apanhado, Este fogoso animal, Fica no mar sepultado, Não resiste ao temporal.

Diante do mar bravio Ela sorri, acha graça, Aceita o desafio E monta a onda que passa.

Está só, e à deriva Lutando para se salvar, Exausta, mas ainda viva Naquele inferno do mar.

Monta o cavalo zangado E sobre a cela atarraxada, Faz-se ao mar encapelado, Mete esporas à montada.

A lua cheia arredonda E dá o agoirento sinal; Cavalga a crista da onda, Desmonta no areal.

Os pesadelos tristonhos, Despreza-os, para seu regalo, Leva um alforge de sonhos Na garupa do cavalo.

Esse mar que a areia malha, Desfez-se em espuma, amainou, Seu cavalo de batalha, Que tantas vezes montou! Manuel Palma

A minha terra

O meu Concelho

Na pele de uma turista Esta rara criatura, Chegou aqui, deu nas vistas, Agitou toda a Altura.

Aí está serena Castro Marim Que Deus abençoa num abraço Numa beleza sem fim Berço pró descanso do meu cansaço

Era uma figura estranha Que se dirigia ao mar; Havia ali qualquer manha, Que se fazia notar.

Lágrima solta de saudade Histórica paisagem que se perde no tempo Guardar-te-ei na lembrança prá eternidade Doce ternura que serve de exemplo

Falava, gesticulava, mas ninguém a entendia; Mesmo assim não se calava E toda aquela gente ria.

Vai castro Marim em cada lembrança Em cada rosto sorridente e alegre De quem te visita, nacional ou estrangeiro

Parecia que cantava, Nunca ouvi uma voz assim; A língua que ela falava Era um enigma para mim.

A tua gente, em ti, tem confiança Que o recordar-te não será breve Como se paixão de um amor primeiro. Manuel Gomes

Também era invulgar A roupagem que vestia; Tal maneira de trajar Cá entre nós não se via. Não despiu o seu vestido Enquanto andou por ali; Talvez se tenha esquecido De vestir o biquíni. Com os banhistas se misturou E, ao ver seu marchar gingão, Uma dúvida me assaltou; Será mulher ou não… Manuel Palma

O Fenómeno Social Mais um ano que passou, como todos os outros, com altos e baixos, que esquecemos depressa. Não obstante factos se passaram que devem merecer a nossa atenção. - No Brasil, um palhaço de rua quase ganha as eleições. - O orçamento de estado gerou tantos problemas, mas passou a custo “talvez fosse melhor não ter passado”. - Houve uma greve geral, puramente uma cópia de outros países, o engraçado foi que os funcionários da Auto Europa, com trabalho e aumento de ordenado assegurado aderiram. Um acto de solidariedade disseram. Se são tão solidários,

quando morre um amigo devem também pensar em ir. - Os controladores aéreos espanhóis tentaram fazer uma greve, para paralisar o país, ganham bem, para quê? Será essa a defesa do ser humano? São inteligentes em casa, com os amigos, depois vem “um” que diz: “Vamos tramá-los”; agem de impulso, seduzidos. Ninguém se quer dar ao trabalho de parar e reflectir; como vai ser? Está tudo a andar muito depressa e o ser humano não está preparado para enfrentar o futuro. Não se diz que cada um tenha condutas individualistas, ignorando quanto é rica

a socialização. Não há educação humanista, como tal não se apercebem como vai ser difícil. Na realidade há excesso de mão- deobra, os melhores, todos pensam que o são, querem mais dinheiro, utilizando a greve, a pergunta é: Porque fazem greves os mais privilegiados? Como os professores por exemplo. Sabemos que têm havido maus negócios dos governos, a realidade é que já não vamos lá, porquê? Não há arquitectura na governação, daí, penso que a educação que recebemos não se coaduna com os tempos de hoje. O futuro se aproxima muito rapidamente. A política não

deve ter uma forma determinada, deve ser em função do ser humano e das realidades que surgem, vota-se num, depois aparecem vinte desconhecidos, dizem, desdizem, não há controlo social. Estamos a caminhar rapidamente para uma classe média baixa. Estamos num novo ano, vamos encará-lo na esperança que se realizem parte dos nossos sonhos, sem esquecer que o novo ano não vai ser só desilusão, vamos encará-lo com aquela atitude: Fazer o melhor que se pode e se sabe...!

Manuel Tomaz

Desejo Os Corvos e seus filhotes Uma mãe corvo encontrou uma maçaroca de milho no restolho, que ficava na charneca. Com o seu bico pegou a maçaroca para a levar para o ninho, a fim de dar de comer aos seus filhotes. Como o ninho ficava longe a mãe corvo fez uma paragem para descansar e recuperar forças. Outro corvo, que andava perto, aproveitando-se da distracção da mãe corvo, roubou a maçaroca e escondeu-se nas rochas próximas. A mãe corvo, quando quis continuar o voo deu por falta da maçaroca de milho. Cheia de tristeza pôs-se a chorar, aos gritos,

porque não tinha comida para dar aos filhos. O corvo, que estava escondido perto, com pena da mãe corvo devolveu a maçaroca à sua dona e envergonhado pelo acto que praticou, pediu-lhe desculpa. A mãe corvo, perdoando a acção feia, pediu-lhe que a acompanhasse para que os dois pudessem dar comida aos mais pequenos. Os dois, juntos ao ninho, deram de comer aos filhotes, que reunidos foram uma família feliz. Manuel Gomes

Desejo Fugir ao rio de dor Em que deriva o meu coração Que um dia foi sereno! Subir aquele monte onde se avista o céu, Fugir para outro mundo que não este. Subir sem me cansar ao alto, Onde houver um sol a brilhar... Fugir ao nada da vida, Ao nada da morte, Ir onde se renova a esperança Numa largada sem fim, Cavalgando nas nuvens, Para além das estrelas. Para lá de tudo, Sem saudades de ti!... Maria Felicidade Viegas


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PASSATEMP O S

Autor: João Raimundo

Quadratim - n.º 82 Compre em Portugal e no comércio local, produtos e artigos portugueses, pois permite manter e aumentar empregos e empresas em funcionamento. Comprar no estrangeiro é enriquecer a economia desses países e prejudicar o desenvolvimento e a economia portuguesa. Portugal precisa de nós. Só os portugueses e cidadãos residentes podem e devem fazer crescer a economia nacional. Manifestações, greves, paralisações e similares só prejudicam os próprios que as fazem, bem como os restantes cidadãos, e tornam Portugal cada vez mais pobre e dependente do estrangeiro. A melhor «luta» pelos nossos direitos e benefícios é criar diálogos baseados na Razão e com a consciência dos nossos deveres.

Jogo da Paciência n.º 88 “FRUTAS E LEGUMES”

1) Uvas 2) Peras 3) Morangos 4) Papaia 5) Limão

Pelo caminho correcto do Quadratim vá até Portugal e ajude ao progresso dos cidadãos, é um acto patriótico e de solidariedade!

6) Clementinas 7) Ananás 8) Cereja 9) Melão 10) Maçã 11) Alface 12) Beringela

13) Brócolos 14) Curgete 15) Espinafres 16) Pimentos 17) Tomates 18) Cenoura 19) Alho 20) Cebola

Soluções Jogo da Paciência - n.º87

umas linhas para a alma...

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“Estou a pensar comprar uma casa e para isso vou contrair um empréstimo, junto de um banco. Que cuidados devo ter?”

´ A Diabetes Mellitus e a Alimentação

A Diabetes Mellitus é uma doença que afecta um grande número de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, é a 6ª causa de morte, atingindo cerca de 500 mil pessoas. É uma doença crónica caracterizada por um excesso de açúcar (glucose ou glicose) no sangue. À quantidade de açúcar no sangue chama-se glicémia. Ao aumento da glicémia para valores superiores(120 mg/100 ml) em jejum ao normal chama-se hiperglicémia. Os factores que podem contribuir para a Diabetes são: peso a mais, vida sedentária, pouca água e refeições muito espaçadas. Seguem alguns conselhos para uma Alimentação Saudável para a Diabetes: - Pão e cereais mais escuros, ricos em fibras; - Acompanhar as refeições com legumes cozidos ou salada; - Dar preferência a carnes magras (peru, frango, galinha, coelho) e alguma carne de porco e vaca; - Incentivar o consumo de peixe, principalmente os peixes mais gordos (sardinha, cavala, enguia, carapau, sarda, salmão) - Preferir para sobremesa fruta da época e evitar os doces; - Beber água, evitar os refrigerantes; - Evitar estar mais de 3,5 horas sem comer; - Praticar exercício físico (caminhar diariamente 30 minutos).

A GUADI – Centro de Recolha de Animais, na sua missão de defender os direitos dos animais e promover o seu bem estar, apela ao exercício de uma cidadania mais responsável e participativa, através de :

a DECO informa Qualquer Consumidor que pretenda contratar um empréstimo deve avaliar a sua situação financeira: o total das dívidas não deve ultrapassar 35% do rendimento mensal líquido. Antes de optar por uma determinada proposta, o Consumidor deve visitar várias instituições de crédito e comparar propostas. Para tal torna-se fundamental utilizar a taxa anual efectiva (TAE) como principal indicador comparativo. Assim, o Consumidor deve simular diversos montantes para vários prazos de pagamento no maior número possível de bancos. No entanto, o Consumidor deve ter em atenção que quanto mais longo for o prazo, mais caro lhe ficará o empréstimo, mas ao invés disso pagará uma prestação mais baixa. O Consumidor deve também informar-se sobre todas as despesas relacionadas com o crédito (comissões, registos provisórios, celebração do contrato, conversão de registos, forma de cálculo e de arredondamento do indexante, seguros exigidos, etc.). Ao estar munido de todas estas informações, o Consumidor terá a noção das condições da concorrência, o que o poderá ajudar a negociar junto do seu banco (por exemplo, o spread, que corresponde, grosso modo, à margem de lucro do banco). O Consumidor deverá ainda considerar alguma margem no seu orçamento para uma eventual subida das taxas de juro (por exemplo, somando 1% ou 2% à taxa anunciada). Sempre que possível, o Consumidor deve fazer amortizações antecipadas. Desta forma, terá menos encargos com juros. A amortização antecipada tem, no entanto, um preço: já que os bancos podem cobrar uma comissão. Nos contratos com taxa de juro variável os bancos não podem cobrar uma comissão de valor superior a 0,5 por cento do capital que pretende reembolsar. Nos contratos com taxa de juro fixa, o valor da comissão não pode ultrapassar o montante equivalente a 2 por cento do capital que é reembolsado.

Ana Brás dietista

a GUADI apela

Susana Correia jurista

Voluntariado Família de Acolhimento Temporário (FAT); Participação em Campanhas de Sensibilização e Adopção; Visitas ao Centro de Recolha Animal – CRA (canil/gatil); Adopção e Apadrinhamento de animais do CRA; Não Abandono de animais; Tornar-se sócio da Guadi, contribuindo monetáriamente.

Cachorros com 3 meses

GUADI Centro de Animais Rua D. Pedro V, Nº 38 – 2º andar 8900 – 283 Vila Real de Santo António Contribuinte Nº 507 534 328 Contactos: 964773101 e 968079025 guadivrsa@hotmail.com


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |ABRIL 2011

PUBLICIDADE CARTÓRIO NOTARIAL DE FARO,

Sito na Rua Dr. Coelho de Carvalho, número Um B, em Faro, A CARGO DA NOTARIA CRISTINA MARIA DA CUNHA SILVA GOMES. Nos termos do art° 100, do n° 1 do Código do Notariado na redacção que lhe foi dada pelo Dec-Lei 207/95 de 14 de Agosto faço saber que no dia três de Março do corrente ano, de folhas cento e quarenta e sete a folhas cento e quarenta e nove do Livro de Notas para Escrituras Diversas número Cento e Quarenta e Nove - G, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de justificação na qual: RUI MANUEL TEIXEIRA GONÇALVES, natural da freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim, autorizado por sua mulher, Sandra Maria Henriques Ângelo Carvalho Gonçalves, natural de Angola, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, e residentes na Avenida da Republica, n° 200, 9°Esq°, Faro, contribuintes números 107612259 e 195595823 — DECLARA que é dono e legitimo possuidor, com exclusão de outrém dos seguintes imóveis: Um - Prédio urbano, destinado a habitação, sito em Alcaria Queimada, Vaqueiros, freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim, com a área total de noventa e sete virgula noventa e três metros quadrados, composto por duas divisões, a confrontar do norte com José Francisco Ferreira, sul e nascente com via pública e do poente com Rita Ramos, inscrito na respectiva matriz em nome do justificante sob o artigo 1907, com 0 valor patrimonial tributável de 4.700,00€, a que atribuem igual valor, NÃO descrito na Conservatória do Registo Predial de Alcoutim. Dois — Prédio urbano, destinado a habitação, sito em Alcaria Queimada, Vaqueiros, freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim, com a área total de cinquenta e oito metros quadrados, composto por duas divisões e curral, a confrontar do norte com Manuel Sebastião, sul e poente com Rua e nascente com António Bento, inscrito na respectiva matriz em nome de Manuel Bartolomeu - cabeça de casal da herança de, sob o artigo 557, com o valor patrimonial tributável de 183,77€, a que atribuem igual valor, NÃO descrito na Conservatória do Registo Predial de Alcoutim. Que os referidos prédios vieram a sua posse, por lhe terem sido doados, em data imprecisa do ano de mil novecentos e setenta e quatro, quando era ainda menor, por doação meramente verbal, efectuada por seu avô, Manuel Bartolomeu Filipe, viúvo, residente que foi em Alcaria Queimada, Vaqueiros, Alcoutim, já falecido. Que desde aquela data, com o conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém, sempre tem vindo a usufruir dos mencionados prédios, como coisa própria, autónoma e exclusiva, deles retirando as utilidades normais de que são susceptíveis, sendo reconhecido como seu dono por toda a gente, fazendo-o de boa fé, por ignorar lesar direito alheio, suportando os encargos fiscais e da sua administração, praticando os poderes de facto inerentes ao direito de propriedade plena, na convicção de ser ele, com exclusão de outrém, o dono dos mesmos. Que a referida posse foi exercida à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, sem qualquer espécie de violência e ininterruptamente. Que deste modo, ele justificante, está há mais de vinte anos na posse dos referidos prédios, que adquiriu por usucapião, o direito de propriedade plena sobre os mesmos, mas dadas as características da e referida causa de aquisição, está impedido de a comprovar pelos meios extrajudiciais normais. Cartório Notarial de Faro, ao três de Março de dois mil e onze No uso dos poderes conferidos pela Notária, Cristina Maria da Cunha Silva Gomes, conforme autorização publicada em 31/01/2011, e nos termos do artigo 8°, do Decreto-Lei 26/2004, de 4 de Fevereiro.

(Josabete Zacarias de Sousa Graça Silvestre/inscrição nº 6/2) Registado sob o PA 555 / 2011 Emitido Factura/Recibo Jornal do Baixo Guadiana, 01 Abril 2011

CARTÓRIO NOTARIAL DE ALCOUTIM A cargo da Adjunta de Notário Lic. Margarida Rosa Molarinho de Brito Simão Certifico para efeitos de publicação que por escritura outorgada hoje neste Cartório Notarial, a folhas setenta e cinco, do Livro de Notas para Escrituras Diversas número “trinta e três – D”, Joaquim Dias Marques, N.I.F. 178 160 660, solteiro, maior, natural da freguesia de Giões, concelho de Alcoutim, onde reside em Clarines: Que é dono e legítimo possuidor com exclusão de outrem dos seguintes prédios rústicos, todos sitos na freguesia de Giões, concelho de Alcoutim, inscritos na matriz cadastral em nome dele justificante, aos quais atribui valores iguais aos patrimoniais tributários e não descritos na Conservatória do Registo Predial de Alcoutim: a)Prédio sito em Cerro da Nossa Senhora, composto por cultura arvense, com a área de mil oitocentos e oitenta metros quadrados, que confronta do norte com José Fernandes Pereira, do sul com Custódia Maria, do nascente com Sebastião Godinho e poente com barranco, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 11 da secção 006, com o valor patrimonial tributário de trezentos e um euros e noventa e sete cêntimos; b)Prédio sito em Serro da Nossa Senhora composto por cultura arvense, mato e leitos de curso de água, com a área de trinta e sete mil quatrocentos e noventa metros quadrados, que confronta do norte com José Pedro, do sul com José Alho, do nascente com José Gomes e poente com Sebastião Godinho, inscrito na matriz cadastral sob o artigo nº 20 da secção 006, com o patrimonial tributário de duzentos e quarenta e oito euros e dez cêntimos; c)Prédio sito em Poço do Velho, composto por cultura arvense e oliveiras, com a área de novecentos e vinte metros quadrados, que confronta do norte com José Fernandes Pereira, do sul e via pública e poente com Virgínia Maria, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 76 da secção 003, com o valor patrimonial tributário de noventa euros e noventa e oito cêntimos; d)Prédio sito em Reguengo, composto por cultura arvense e amendoeiras, com a área de quinze mil e sessenta metros quadrados, que confronta do norte com António Gomes, sul com Manuel Barão, nascente com António Domingos e poente com Joaquim Gomes, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 56 da secção 006, com o valor patrimonial tributário de cento

10€ ANO

CARTÓRIO NOTARIAL DE CASTRO MARIM A CARGO DA NOTÁRIA MARIA DO CARMO CORREIA CONCEIÇÃO Nos termos do art.º 100, n.º 1, do Código do Notariado, certifico que no dia vinte e quatro de Março de dois mil e onze foi lavrada neste Cartório, de folhas setenta e nove a folhas oitenta verso do Livro de Notas para Escrituras Diversas número Quinze - A, uma escritura de justificação, na qual compareceram: Carlos Anastácio Vaz Rodrigues e mulher, Otília dos Anjos Rita Gonçalves Rodrigues, casados sob o regime da comunhão geral de bens, ambos naturais da freguesia de Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, residentes em Arrancada, freguesia de Altura, concelho de Castro Marim, portadores, respectivamente, do bilhete de identidade número 59098, emitido vitaliciamente a 23 de Janeiro de 2001, pelo Serviço de Identificação Civil de Lisboa, e do cartão de cidadão número 01006489, emitido pela República Portuguesa, válido até 2 de Outubro de 2013, contribuintes fiscais números 111 615 267 e 168 948 990, e pelos outorgantes foi dito serem donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do prédio rústico sito na Arrancada, na freguesia de Altura, concelho de Castro Marim, composto por alfarrobeiras, cultura arvense, citrinos, figueiras, oliveiras e leitos de curso de água, a confrontar a norte com José Martins e Maria Catarina Baptista Nunes, a sul com Luís Filipe Pedro Gil e Manuel Pereira Gonçalves, a nascente com Estrada Municipal e a poente com Ribeiro do Álamo, com a área total de seiscentos e vinte metros quadrados, não descrito na Conservatória do Registo Predial deste concelho, inscrito na matriz sob o artigo 47, da secção BX, com o valor patrimonial tributável, para efeitos de IMT e de Imposto do Selo, de cento e quarenta e dois euros e sessenta e sete cêntimos, igual ao atribuído. Que o referido prédio lhes pertence, por o terem adquirido por compra verbal, e nunca reduzida a escrito, em data imprecisa do ano de mil novecentos e setenta e cinco, feita a Jacinto Salgueiro e mulher, Isabel Maria Madeira, casados que foram sob o regime da comunhão geral de bens, e residentes que foram no Sítio da Altura, freguesia de Altura, concelho de Castro Marim, ambos actualmente já falecidos. E que, sem qualquer interrupção no tempo, desde então, portanto há mais de vinte anos, têm estado os justificantes na posse do referido prédio, cuidando da sua manutenção, pagando contribuições e impostos, colhendo os seus frutos, enfim usufruindo-o no gozo pleno de todas as utilidades por ele proporcionadas, sempre com ânimo de quem exerce direito próprio, posse essa exercida de boa-fé, por ignorar lesar direito alheio, de modo público, porque com conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém, pacífica, porque sem violência, e contínua, pelo que os justificantes adquiriram o prédio por usucapião, não tendo, todavia, dado o modo de aquisição, títulos extrajudiciais normais capazes de provar o seu direito. Está conforme o original. Castro Marim, 24 de Março de 2011. A Colaboradora, (Ana Rita Guerreiro Rodrigues) (Colaboradora inscrita sob o n.º 400/1, conforme despacho de autorização da Notária Maria do Carmo Correia Conceição, publicado a 01.02.2011, no portal da Ordem dos Notários, nos termos do disposto no artigo 8º do Estatuto do Notariado e da Portaria n.º 55/2011, de 28 de Janeiro) Conta registada sob o n.º 68/03 Factura / Recibo n.º2012

Jornal do Baixo Guadiana, 01 Abril 2011

e trinta e um euros e quarenta e oito cêntimos; e)Prédio sito em Sítio dos Reguengos, composto por cultura arvense, com a área de quatro mil e setenta metros quadrados, que confronta do norte com Manuel Barão, do sul e nascente com via pública e poente com José Fernandes Pereira, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 70 da secção 006, com o valor patrimonial tributário de trinta e quatro euros e doze cêntimos. f)Prédio sito em Cerca da Ladeira, composto por cultura arvense e oliveiras, com a área de mil metros quadrados que confronta do norte com estrada, do sul e poente com caminho público, do nascente com Manuel Estêvão, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 65 da secção 007 com o valor patrimonial tributário de catorze euros e trinta e sete cêntimos. g)Prédio sito em Rocinha, composto por cultura arvense, figueiras, oliveiras, amendoeiras, citrinos e horta, com a área de novecentos e vinte metros quadrados, que confronta do norte com José Fernandes Pereira, do sul com Maria Rosa, do nascente com José Gome Alves e poente com barranco, inscrito na matriz cadastral, sob o artigo número 87 da secção 003, com o valor patrimonial tributário de cento e dez euros e noventa e três cêntimos. Que para efeitos fiscais o presente acto tem o valor de novecentos e trinta e um euros e noventa e cinco cêntimos. Que os prédios supra identificados lhe pertencem por os haver adquirido em data imprecisa do ano de mil novecentos e setenta e um, por compra verbal e nunca reduzida a escrito, feita a Maria Custódia, viúva, e residente na freguesia do Pereiro, concelho de Alcoutim, não dispondo ele justificante de título formalmente válido que comprove tal compra. Que, no entanto, desde que a mesma foi efectuada até à presente data, portanto há mais de vinte anos, sempre ele justificante, esteve na posse e fruicção dos citados imóveis, ininterruptamente, à vista de toda a gente, sem oposição de quem, que seja, com a consciência de utilizar e fruir coisa exclusivamente suas, adquiridas do anterior proprietário, pagando as respectivas contribuições e impostos, fazendo sementeiras, plantações e culturas nos referidos prédios, em fim deles retirando todos os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que a consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriu os ditos prédios por usucapião, que, expressamente invocada para justificar o seu direito de propriedade para fins de registo. Está conforme o original. Cartório Notarial de Alcoutim, aos onze de Março de dois mil e onze. A Adjunta do Notário, em substituição legal, (Margarida Rosa Molarinho de Brito Simão)

Conta: Art.º 20 nº 4.5 € 23,00 São: Vinte e três euros Conta Registada sob o nº 08

Jornal do Baixo Guadiana, 01 Abril 2011

CARTÓRIO NOTARIAL DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO A CARGO DA LIC. MARIA DO CARMO CORREIA CONCEIÇÃO, NOTÁRIA EM SUBSTITUIÇÃO DESIGNADA POR DESPACHO DA ORDEM DOS NOTÁRIOS, POR A RESPECTIVA LICENÇA SE ENCONTRAR VAGA. Nos termos do art.° 100, n.°1, do Código do Notariado, certifico que no dia vinte e oito de Março de dois mil e onze foi lavrada neste Cartório, de folhas dezassete a folhas dezanove verso do Livro de Notas para Escrituras Diversas número cinco, uma escritura de justificação, na qual compareceram: a) Manuel Palma do Ó e mulher, Lurdes Maria Horta Palma do Ó, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais ele da freguesia e concelho de Vila Real de Santo António, ela da freguesia da Corte do Pinto, concelho de Mértola, residentes em 20 Rue Rodier—Porte 42, em Paris, França, contribuintes fiscais números 189 884 029 e 189 084 650; b) Joaquim Palma do Ó e mulher, Maria Isabel Carolina do Ó, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais, ele da dita freguesia de Vila Real de Santo António, ela da dita freguesia de Corte do Pinto, residentes na Rua Catarina Eufémia, n.° 51, rés-do-chão esquerdo, em Vila Real de Santo António, contribuintes fiscais números 115 627 286 e 172 089 344; c) José Domingos Palma do Ó e mulher, Maria Isabel dos Santos Vila Nova do Ó, casados sob o regime da comunhão geral de bens, ambos naturais clã dita freguesia de Vila Real de Santo António, residentes no Bairro da Caixa, Bloco F, Sector 3, rés-do-chão esquerdo, em Vila Real de Santo António, contribuintes fiscais números 107 401 037 e 143 302 442. d) Dália Mary Santos do Ó Honrado Aquilino, divorciada, natural de Angola, residente na Associação 28 de Junho, Bloco 4, 1° esquerdo, em Vila Real de Santo António, contribuinte fiscal número 183 534 425. e) Ana Paula do Ó Honrado Aquilino e marido, José de Sousa Pereira, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais, ela de Angola, ele da freguesia de Miadela, concelho de Viana do Castelo, residentes na Rua 26 de Janeiro, n.º 40, Castro Marim, contribuintes fiscais números 183 534 417 e 171 619 412. f) Maria Graciete Rodrigues Palma Mascarenhas, viúva, natural da dita freguesia de Vila Real de Santo António, residente na Rua Oliveira Martins, n.º 41, em Vila Real de Santo António, contribuinte fiscal numero 123 182 085, os quais declararam que são os actuais donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, na proporção de três dezasseis avos para cada um dos primeiros outorgantes maridos identificados em a), b) e c), três trinta e dois avos para cada uma das primeiras outorgantes identificadas em d) e e), e um quarto para a primeira outorgante identificada em f), do prédio urbano destinado a habitação, sito na Rua Oliveira Martins, a poente (para 0 lado norte) na cidade, freguesia e concelho de Vila Real de Santo António, descrito na Conservatória do Registo Predial deste concelho sob o número três mil trezentos e quarenta e três, inscrito na matriz, em nome dos herdeiros de Domingos Francisco Palma e dos herdeiros de Joaquim do sob o artigo 968,com o valor patrimonial tributável de 7.359,11 euros, ao qual atribuem o valor de vinte mil euros. Que no referido prédio se mostra registada a aquisição a favor de Beatriz do Rosário, então solteira, maior, residente em Vila Real de Santo António, conforme inscrição AP. um, de sete de Abril de mil novecentos e vinte e dois. Que, em data que não sabem precisar do ano de mil novecentos e quarenta, aquela Beatriz do Rosário e marido, António Rafael, residentes em Albufeira, venderam o referido prédio a Domingos Francisco Palma, casado, então residente na Rua Barão do Rio Zêzere, em Vila Real de Santo António. Que, apesar de nas buscas efectuadas terem logrado encontrar o termo da declaração para conhecimento de SISA do referido contrato, os primeiros outorgantes não conseguiram encontrar a escritura que 0 titula, ignorando também qual o cartório Notarial que a Iavrou, não tendo, assim, possibilidade de obter o respectivo título, para fins de registo. Que a quinze de Maio de mil novecentos e cinquenta e quatro faleceu o referido Domingos Francisco Palma, no estado de casado sob o regime da comunhão geral de bens com Antónia Martins da Palma, falecida a vinte e seis de Agosto de mil novecentos e cinquenta e nove, ambos com última residência habitual em na Rua Oliveira Martins, em Vila Real de Santo António, tendo-se procedido a inventario facultativo pelo tribunal judicial desta comarca, nele tendo sido adjudicado aos primeiros outorgantes, por decisão transitada em julgado a dezassete de Julho de dois mil e oito, o prédio nesta escritura identificado, nas seguintes proporções: - Três dezasseis avos para cada um dos primeiros outorgantes maridos identificados em a), b) e c); - Três trinta e dois avos para cada uma das primeiras outorgantes identificadas em d) e e); e - Um quarto para a primeira outorgante identificada em f). Que, deste modo, eles primeiros outorgantes, justificam por este meio o seu direito de propriedade sobre o citado imóvel. Está conforme o original. Vila Real da Santo António, 28 de Março de 2011. A colaboradora da Notária, [Joana Isabel da Silva de Gouveia e Sousa] (Colaboradora inscrita sob o n.º 400/2, 00 forma despacho da autorização da Notária supra citada, publicado a 01.022011, no portal da Ordem dos Notários, nos termos do disposto no artigo 8° do Estatuto do Notariado a da Portaria n.° 55/2011, de 28 de Janeiro). Conta registada sob o n.° 90/ 03 Factura/Recibo nº 994 Jornal do Baixo Guadiana, 01 Abril 2011


JORNAL DO BAIXO GUADIANA | ABRIL 2011 |

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DESPORTO

crónica

Futebolândia

Olá e sejam bem-vindos a mais uma edição do «Futebolânda»! Hoje vou concentrar os meus neurónios nas eleições do Sporting, porque, para entender o que se passou é preciso perceber de matemática e de pancadaria. Primeiro era o Bruno de Carvalho, depois Godinho Lopes; uma confusão para saber quem era de verdade o novo presidente do emblema do leão, e acabou tudo à bofetada, à boa maneira portuguesa; digamos que foi um arraial de socos e pontapés, mas sem música, porque se lá estivesse o Quim Barreiros é que seria festa da grossa! Mas afinal quem foi que contou os votos? A – A Maria José Valério (por ter uma madeixa verde) B – O frango “cocorocó” (porque me apeteceu colocá-lo) C – Shrek (está na lista só por ser verde) O problema é que na recontagem dos votos as coisas não bateram certo, alguém contou mal e necessita de tirar um curso intensivo de matemática para não dar «barraca» na próxima vez. Uma coisa boa foi alcançada com estas eleições; o Dias Ferreira não foi eleito. Como diria Liedson “Graça a Deu pô” (esta frase tem que ser lida com sotaque brasileiro). Quem ficou indignado com os resultados foram os russos que já esfregavam as mãos para escavar o relvado de Alvalade à procura de petróleo e para encher o Sporting de jogadores vindos da Ossétia do Norte ou do Kyrgistão… Digo eu, até pode ser só divagação minha, mas uma coisa é certa… foi divertido! Até á próxima!

Eusébio Costa, radialista e estudante de ciências da comunicação eusebiocosta@live.com.pt

«Concelho a Caminhar»: Percursos Pedestres de Castro Marim

Objectivos passam pela promoção do exercício físico Tendo em vista promover os percursos pedestres no concelho e criar hábitos desportivos na população, a câmara municipal de Castro Marim organiza, de Março a Maio, o Programa de Dinamização de Percursos Pedestres «Concelho a Caminhar». Com esta acção, garante-se aos adeptos das Marchas/Passeio um calendário de actividades no muni-

cípio, evitando as longas deslocações para poder desfrutar deste tipo de actividades e, ao mesmo tempo, elucidar os participantes sobre os Percursos Pedestres existentes em Castro Marim. A primeira fase do projecto tem calendarizadas marchas, de 27 de Março a 29 de Maio, onde foram incluídos 5 percursos: as Terras da

Ordem – ODELEITE; uma Janela para o Guadiana – AZINHAL; o Sapal de Venta Moinhos – MONTE FRANCISCO / CASTRO MARIM; a Reserva Natural – CASTRO MARIM e o (Urbano / Praia) – ALTURA. Realizar uma Marcha/Passeio é uma forma saudável de ocupar os tempos livres que não envolve dificuldades, sendo apenas necessário vestir roupa confortável (de preferência roupa desportiva), reunir alguns mantimentos (água e fruta) e deslocar-se ao local de concentração na data prevista. O Programa de Dinamização de Percursos Pedestres é uma iniciativa da Divisão de Cultura e Desporto da câmara municipal de Castro Marim e conta com o apoio da Associação ODIANA e da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Para mais informações e/ou recolha dos Mapa de Percursos dirija-se ao Gabinete de Apoio ao Munícipe, Juntas de Freguesias e Espaços Internet de Altura e Monte Francisco.

O programa já tem Calendarização Actividade Concentração Km

Tipo Percurso

PP do Sapal de Venta Moinhos

CLUBE

7

Campo

PP Terras da Ordem

JUNTA FREGUESIA

12

Campo

da Reserva PAVILHÃO Castro Marim PP Natural MUNICIPAL

10

Campo

Mês

Dia

Hora

Localidade

Março

27

10:00

Mte.Francisco

Abril

10

10:00

Odeleite

Abril

30

10:00

Maio

15

10:00

Azinhal

PP Uma Janela LARGO STª do Guadiana BARBARA

Maio

29

10:00

Altura

PP (Urbano/Praia) CLUBE/PRAÇA

8 5/7

Serra Urbano /Praia

3º Campeonato Municipal de «Futebol 11» em Alcoutim A 27 de Março, Domingo, teve início o III Campeonato Municipal de Futebol 11 de Alcoutim, uma iniciativa da autarquia local. O jogo inaugural, marcado para as 15h, pôs frente a frente a equipa «Restaurante O Soeiro contra a «Escolinha da Regina». Às 17h confrontaram-se as equipas «Clube Desportivo Guadiana» e «Clube Desportivo de Vaqueiros». Para além de estimular para a prática desportiva, esta iniciativa quer promover o convívio e a amizade entre os participantes, mais do que apresentar futebol competitivo. No desafio deste ano inscreveram-se quatro equipas, três alcoutenejas e uma sanluqueña. Desde o I campeonato que Alcoutim tem recebido equipas espanholas, promovendo o salutar convívio entre ambos os povos.

Inscrição para Voluntários Concurso Internacional Aulas de ténis do Mundialito 2011 para crianças de Pesca já começaram Desportiva No próximo dia 8 de Maio vai decorrer mais um concurso Internacional de Pesca desportiva Aberto de Praia. Cabe à Associação de Pesca desportiva de Castro Marim organizar o evento. Saiba mais no site do clube em: http://www.apdcastromarim. com/

As aulas de ténis para crianças, a partir dos seis anos e até aos 10, já começaram no Clube de Ténis de Monte Gordo. Tratase de uma iniciativa de âmbito social, levada a cabo pelo coordenador da Zona Sul da Federação Nacional de Ténis. As aulas custam 10 euros mensais.

Já estão abertas as inscrições para o Mundialito 2011. Este evento decorre de 16 a 23 de Abril, das 8h às 20h onde se irão realizar 600 jogos distribuídos pelo Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António (campo 1 ao campo 9), no Complexo Desportivo Beira – Mar (campos 10, 11 e 12) e no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro (campos 13 e 14) e no Estádio Ciudad de Ayamonte (campos 15 e 16). As inscrições podem ser feitas até dia 1 de Abril e deverão ser

entregues: • Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António, ao cuidado do Prof. Filipe Santos; • Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, ao cuidado da Sra. Cláudia Serra; • Pavilhão Municipal de Vila Nova de Cacela; • Por e-mail: educacao.juventude@cm-vrsa.pt

Para mais informações contactar: educacao.juventude@cm-vrsa. pt


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JORNAL DO BAIXO GUADIANA |ABRIL 2011

«25 de Abril»

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contado pelos mais novos «Naturalmente que já ouviste falar no 25 de Abril de 1974, mas provavelmente não conheces as coisas como os teus pais ou os teus avós que viveram nesta época. Sabias que o golpe de estado do 25 de Abril de 1974 ficou conhecido para sempre como a «Revolução dos Cravos»? Diz-se que foi uma revolução porque a política do nosso País se alterou completamente. Mas como não houve a violência habitual das revoluções (manchada de sangue inocente), o povo ofereceu flores (cravos) aos militares que os puseram nos canos das armas. Em vez de balas, que matam, havia flores por todo o lado, significando o renascer da vida e a mudança! O povo português fez este golpe de estado porque não estava contente com o governo de Marcelo Caetano, que seguiu a política de Salazar (o Estado Novo), que era uma ditadura. Esta forma de governo sem liberdade durou cerca de 48 anos! Enquanto os outros países da Europa avançavam e progrediam em democracia, o regime português mantinha o nosso país atrasado e fechado a novas ideias. Sabias que em Portugal a escola só era obrigatória até à 4ª classe? Era complicado continuar a estudar depois disso. E sabias que os professores podiam dar castigos mais severos aos seus alunos? Todos os homens eram obrigados a ir à tropa (na altura estava a acontecer a Guerra Colonial) e a censura, conhecida como “lápis azul”, é que escolhia o que as pessoas liam, viam e ouviam nos jornais, na rádio e na televisão. Antes do 25 de Abril, todos se mostravam descontentes, mas não podiam dizê-lo abertamente e as manifestações dos estudantes deram muitas preocupações ao governo. Os estudantes queriam que todos pudessem aceder igualmente ao ensino, liberdade de expressão e o fim da Guerra Colonial, que consideravam inútil». Fonte: Site Junior http://www.junior.te.pt

Cartoon

Os jovens manifestaram-se unidos. Milhares percorreram as ruas do país, mostrando que em tempos difíceis a união vem ao de cima.

A integração de todos por igual está a ser sobrevalorizada no Baixo Guadiana. Há várias iniciativas a provar isso mesmo.

A crise política está instalada em Portugal. O Governo de Sócrates pediu a demissão após ver negado no Parlamento mais um PEC. Sotavento Algarvio

ECOdica Não gaste energia ao acaso, esteja atento! Sempre que for o último a sair de um compartimento da sua casa desligue o interruptor da luz. Instale detectores de presença que desligam as luzes quando uma sala está desocupada. Tente isolar as frestas das janelas e portas para evitar perdas de energia em casa. Feche as cortinas para evitar trocas de energia.

Jornal do Baixo Guadiana_Edição Abril  

JBG - Hipoterapia e Histórias de Vida

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