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Ano 17 - Nº 139 - 2º Edição/2018

a t s i v e r t n E

, r e h e L o t Rober FRJ

U reitor da

“O irracionalismo na história é a antessala do fascismo”

NESTA : O EDIÇÃ

Distribuição Gratuita

Rio de Janeiro www.bafafa.com.br

Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2015, o professor Roberto Leher é um intelectual respeitadíssimo no mundo acadêmico. Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFRJ em 1984, é professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da universidade e servidor da instituição desde 1988. De 1997 a 1999, foi presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (Adufrj-Ssind) e, de 2000 a 2002, do Andes-SN, sindicato nacional dos docentes das instituições de ensino superior. Em entrevista exclusiva ao Bafafá, Leher faz uma radiografia da UFRJ e expressa opinião sobre a importância do racionalismo para enfrentar o irracionalismo na sociedade. “O irracionalismo na história é a antessala do fascismo. É a barbárie”, garante o professor. Ele revela que de 15 anos para cá, mudou completamente o perfil dos alunos da universidade. “Hoje 66% dos estudantes têm renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo”. Apesar de um déficit de R$ 160 milhões em recursos não repassados pelo Governo Federal à instituição nos últimos três anos, ele assegura que a UFRJ está conseguindo excelentes resultados, sendo inclusive apontada como a melhor universidade pública do país. Leia nas páginas 6 e 7

Leonardo Boff Emir Sader José Maria Rabelo Angela Carrato Ricardo Rabelo Lúcia Capanema Fábio Cezanne Antônio Gerson de Carvalho


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Rio de Janeiro - 2º Edição/2018

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Editorial Um governo a serviço das elites A cada dia fica mais claro que o impeachment de Dilma foi um golpe da coligação de direita, com o apoio dos EUA, para deter o processo dos avanços sociais promovidos pelos governos Lula e Dilma. As medidas tomadas pelo novo governo não deixam dúvidas quanto a esses objetivos. A primeira delas, que contou com a maioria golpista do Congresso, mostrou a cara da administração nascida do golpe: a Reforma Trabalhista, subtraindo antigos direitos dos trabalhadores, a serviço da classe empresarial. A reforma atingiu diretamente a principal arma dos trabalhadores, que são os sindicatos, que se viram desprovidos de sua principal fonte de renda, o imposto sindical. Muitos estão cerrando suas portas ou reduzindo a níveis irrisórios suas atividades. Com o apoio do grande capital, Temer se mantém no cargo, mesmo tendo contra si absoluta maioria da população. Se dependesse da vontade popular, ele já estaria fora do poder há muito tempo. Nesse cenário se enquadra a prisão de Lula. As classes patronais a receberam festivamente, certas de que vão impedir a sua eleição. Não pelo voto, mas por um novo golpe, graças a um Judiciário posto a serviço dos interesses oligárquicos. Por inciativa do Executivo, o Congresso aprovou um conjunto de medidas destruidoras das conquistas dos trabalhadores e atentatórias à soberania do Brasil. O trecho que publicamos a seguir, com

base em recente documento da CUT, é um retrato de corpo inteiro do retrocesso que estamos vivendo: PEC 241, que promove o congelamento dos investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social; Lei 13.365/16, que entregou as riquezas do petróleo para empresas estrangeiras, em detrimento da Petrobras e de suas subsidiárias. Além do mais, retiraram os royalties que seriam investidos em saúde e educação; Reforma Trabalhista, Lei 13.467/17. O negociado prevalece sobre o legislado. Segundo o documento da CUT, “passa a valer apenas o acordo; sindicatos fragilizados; aumento da jornada de trabalho; contratação por hora trabalhada ou interrupção”. Terceirização irrestrita. Lei 13.429/17. Promove a precarização das relações trabalhistas, com a redução de salários e alta rotatividade, devido à criação dos empregos “temporários”. Fim do ensino público gratuito, PEC 395/14. As universidades públicas e institutos federais ficam autorizados a cobrar por cursos de extensão e pós-graduação. Na verdade, seria o fim do ensino público gratuito. Lei 13.586/17. Isenta em mais de um trilhão de reais as empresas estrangeiras que exploram petróleo e gás no Brasil, até 2040. Lei 13.606/18. Perdão das dívidas dos latifundiários com o governo. A dívida chegam hoje R$ 17 bilhões. Este é o governo de Temer, em benefício dos ricos e poderosos. O povo nada tem a esperar dessa gente.

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Petroleiros, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito, faculdades de Geografia, Geologia, Engenharia, Matemática, Química, Física, Meteorologia, Letras, Medicina, Enfermagem, Educação física, alojamento estudantil do Fundão, Coppe (UFRJ), UERJ, UFF (Campus Gragoatá e Praia Vermelha), Café Lamas, Fundição Progresso, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Scriptum (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto), Sindicato dos Engenheiros e Bar Bip Bip.

Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 bafafa@bafafa.com.br

Direção de arte: PC Bastos bastos.pc@gmail.com

Diretora de marketing: Rogeria Paiva mercomidia@gmail.com

Circulação: Distribuição gratuita e direcionada (universidades, bares, centros culturais, cinemas, sindicatos)

Praça: Rio de Janeiro São Paulo Belo Horizonte

Tiragem: 5.000 exemplares

Foto capa: Paulo Bastos

Agradecimentos: Aos colaboradores desta edição.

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Realização: Mercomidia Comunicação Bafafá 100% Opinião é uma publicação bimensal.

Matérias, colunas e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. www.bafafa.com.br


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O ódio a Lula e a Dilma José Maria Rabêlo*

Doce por pouco mais de U$ 4 bilhões, quando ela

soa deles. É às ideias que defendem, de indepen-

É impressionante o ódio das elites e de seus se-

valia mais de U$ 80 bilhões. Já se esqueceram de

dência nacional, de ascensão social da população

guidores das classes médias contra Lula e qualquer

Eduardo Cunha e seus quadrilheiros, que roubaram

pobre, de fim do trabalho escravo ou mal remune-

outra liderança popular. Trata-se de um sentimento

à Nação centenas de milhões de reais. A reação a

rado, de educação a todos os brasileiros. Isso levou

anormal, quase patológico, tal a fúria de que se re-

ao desespero os senhores da Casa Grande que, em

veste. Eles não mataram ninguém, não prenderam

sua irracionalidade, partiram para o impeachment de

ninguém, não torturaram ninguém, não exilaram

Dilma, como haviam feito antes, em 1964, com o gol-

ninguém, ao contrário por exemplo do regime militar.

pe contra o governo de João Goulart. Como sempre,

Naquela longa noite de 23 anos, foram milhares de

com apoio e o estímulo dos EUA, que não admitem

vítimas, entre presos, torturados, mortos e exilados.

qualquer ameaça a sua hegemonia na região, re-

Eu mesmo tive de permanecer 16 anos fora do Bra-

presentada por um governo popular e nacionalista.

sil, com minha mulher Thereza e meus sete filhos

Provas desse programa antipopular e antinacional:

menores, para fugir às perseguições da ditadura.

as primeiras medidas do novo governo foram a

Nunca vi de parte dessa gente enfurecida con-

reforma trabalhista e a entrega às companhias es-

tra Lula e Dilma qualquer condenação ao regime

trangeiras das reservas do pré-sal. Outras medidas

militar e a seus generais. Não se lembram mais de

Temer é tão pequena, que ele se anima a falar em

do mesmo tipo virão, fazendo os brasileiros jamais se

Collor e da expropriação da poupança, ou de FHC

sua reeleição.

esquecerem do governo Temer-PSDB-Rede Globo.

que, entre outros escândalos, vendeu a Vale do Rio

Na verdade, o ódio a Lula e a Dilma não é à pes-

*Jornalista


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Artigo patrocinado

Privatizar resolve? Antonio Gerson F. de Carvalho* Já faz parte da nossa história o papel fundamental do Estado brasileiro, desenvolvido à partir da crise mundial de 1929, nos governos da “Era Vargas”, com a criação das Companhias Siderúrgica Nacional e Vale do Rio Doce(1941-1942), do Banco Nacional de Desenvolvimento e da Petrobras (1952-1953), no governo João Goulart com a Eletrobrás (1961), e durante parte do período da ditadura militar, com a criação da Embraer (1969) e da Telebras (1972), entre outras estatais importantes para o pais. Também faz parte da nossa história a chamada “década perdida”, nos anos 1980, com a multiplicação da dívida externa, proporcionando o ambiente favorável para a “onda neoliberal” difundida no país. Instituído o Plano Nacional de Desestatização (Fernando Collor 1990-1992), marco do processo de venda de estatais brasileiras, acusadas de “ineficientes” na intensa campanha feita, principalmente no governo Fernando Henrique(1995-2003). Na época, dizia-se que sob o controle privado as empresas ganhariam produtividade, o mercado competitivo resultaria em tarifas, serviços e produtos de qualidade e mais baratos, e que sem alocar recursos nas estatais o Estado

poderia investir e melhorar a educação, a saúde, a segurança pública, etc., além de reduzir a dívida do país. Os fatos hoje conhecidos mostram a desmoralização desses argumentos e o desastroso legado deixado. Tarifas de serviços privatizados subiram bem acima da inflação, os novos controladores, principalmente estrangeiros, não investiram o prometido, priorizaram maximizar seus lucros, distribuir dividendos aos acionistas, e remessas de dinheiro para fora do país, e os programas de melhoria da educação, da saúde pública, da segurança, e também dos transportes ficaram à míngua e se deteriorando a cada dia. No governo FHC o planejamento do setor elétrico foi desmontado, interrompidos os investimentos da união na construção de novas usinas hidrelétricas e leiloadas várias empresas do setor. Os recursos privados previstos para expansão não aconteceram, e veio o apagão, em maio de 2001, com racionamento de eletricidade, causando um prejuízo de R$45,2 bilhões, segundo auditoria do TCU. O “falacioso sucesso” da privatização das telecomunicações é outro triste exemplo, o setor é campeão de reclamações dos usuários por conta dos

péssimos serviços prestados e dos altos preços cobrados. Agora, novamente tentam a velha estratégia da propaganda mentirosa repetida à exaustão como se fosse verdade com o objetivo da privatização da Eletrobrás e suas subsidiárias e o enfraquecimento da Petrobras com desinvestimentos, venda de ativos e a privatização em partes(operações realizadas sem licitação). O Projeto que visa leiloar a Eletrobrás e diminuir a Petrobras, inclusive com novos leilões para exploração do pré-sal (hoje com mais de 50% da produção), proposto por um governo com os mais altos índices de reprovação e em final de mandato, se aprovado, vai sacrificar ainda mais a população. As privatizações realizadas não resolveram. Novas privatizações, também não vão resolver nossas dificuldades, ao contrário, caso não sejam impedidas vão aumentar os maus resultados dessa política, a dificuldade de recuperação da economia, a desnacionalização e destruição da engenharia nacional, e o desemprego. Farão parte da nossa história os passos decisivos que vão acontecer em 2018, inclusive, e principalmente, nas Eleições Gerais que vão definir o nosso futuro, com a possibilidade de retomada de um projeto nosso de nação. *Ex-presidente do SENGE-RJ

Carta do MST ao povo brasileiro O Brasil vive uma profunda crise econômica, política, social e ambiental, resultante da crise internacional do capitalismo e da própria incapacidade deste sistema em solucionar as contradições que gera. Neste contexto, as saídas autoritárias, como os golpes e ataques à democracia, tem sido a fórmula adotada para garantir uma violenta ofensiva neoliberal, que retira direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, ao mesmo tempo em que sequestra e subordina o Estado aos interesses de grandes grupos empresariais. É necessário ter clareza e identificar quem são os responsáveis por esta crise e pela instabilidade política em que vivemos para enfrentá-los: o Capital financeiro internacional; os veículos de comunicação, em especial a Rede Globo, que alimentaram e insuflaram os movimentos golpistas e fascistas; e o poder Judiciário, que por um lado, coloca os seus interesses e privilégios acima da Constituição, e por outro, premia com a impunidade toda repressão e violência contra os pobres. Este momento exige das forças progressistas unidade na ação e esforço em construir um Projeto Popular para o Brasil, capaz de enfrentar os problemas estruturais de nosso país, combatendo a miséria e o desemprego; retomando o desenvolvimento; enfrentando a questão habitacional e a mobilidade urbana nas cidades; garantindo saúde e educação públicas e de qualidade; realizando a reforma agrária no campo; protegendo os bens comuns da natureza e impedindo sua privatização; e, recuperando a soberania nacional. Por isso, convocamos o conjunto da sociedade para construir e participar do

Congresso do Povo Brasileiro,organizado pela Frente Brasil Popular, para que seja este espaço de discussão e organização em torno dos problemas do país e das medidas estruturais necessárias para superá-las. Também reafirmamos nossa convicção na inocência do Presidente Lula, defendemos seu direito de concorrer às eleições presidenciais e, diante desta prisão política resultado de um processo ilegal e ilegítimo, exigimos sua liberdade! Por todas essas razões, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, vem a público declarar o apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, por entender que ela representa a luta contra o golpe e os desejos do povo brasileiro por mudanças nesse cenário de crise que assola a todos nós. Não deixaremos esquecer, nem compactuaremos com a impunidade e por isso exigimos a solução e a justiça para os assassinato de nossa companheira Marielle, assim como de tantos jovens pobres vítimas das repressão. Que seu exemplo em vida continue inspirando os jovens, as mulheres e os trabalhadores e trabalhadoras nestes tempos de repressão e autoritarismo. Em sua memória, nenhum momento de silêncio, mas o compromisso e a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais Sem Terras contra o golpe, contra a retirada de direitos e da liberdade, por um país mais justo, igualitário e soberano! Lula Livre! Marielle Vive! Lutar, Construir Reforma Agrária Popular! Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra


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Ricardo Rabelo Lula preso

Está cada dia mais claro que a prisão de Lula é para tirá-lo da disputa presidencial. Só não esperavam que seu nome continuasse favorito apesar de preso. Os argumentos que levaram a sua condenação não têm sustentação. A ocupação do tal triplex pelo pessoal do MTST mostrou que o apartamento não passa de um muquifo mal acabado sem nenhum luxo conforme Moro propagandeou. Dói ver Lula detido numa solitária sem direito a visitas dos amigos. E preocupa também a integridade do ex-presidente.

Acampamento Lula Livre

entorno da prisão. Achavam que iriam isolar o Lula, mas foi a prisão que foi isolada. É emocionante ver centenas de pessoas de todo o país, principalmente mulheres, vindo em caravanas para apoiar o ex-presidente. Acabou que a capital nacional da Lava Jato virou capital nacional da resistência.

Oportunista

pesquisa não incluírem a Dilma nos levantamentos para presidente. Mesmo não sendo candidata ao cargo, apostaria um almoço que sem Lula ela lideraria as sondagens!

Amor X Ódio

Sintomático

Esse Romário é muito oportunista e metido a espertalhão. Queria renunciar ao senado para o suplente assumir e concorrer novamente ao cargo para um novo mandato. Ainda bem que o TSE vetou esse absurdo! Sujeito deplorável!

Generais assassinos

Bastou o Lula confirmar a candidatura para presidente que no outro dia os ministros do Supremo mantiveram a sua prisão. É nítido todo o judiciário trabalha em sintonia, mesmo os ministros do Supremo que deveriam ser “guardiões” da Constituição. Sem brincadeira: difícil saber qual ministro ou ministra do STF é mais patético. O pior é que sete desses ministros foram nomeados por Lula e Dilma.

Estranho

Juro que nunca vi na história mundial um líder político ser preso e dezenas de pessoas acamparem no

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Curioso os institutos de

Uma coisa é certa: a eleição presidencial será a disputa entre o amor e o ódio!

Política dá volta

A política dá volta mesmo. Enquanto há alguns anos praticamente todos os países latino-americanos eram governados pela esquerda, a exceção era a Colômbia e o México. Pois agora os dois estão próximos de ter um presidente de esquerda e todos os outros, sem contar Bolívia, Uruguai e Venezuela, são presididos por políticos de direita.

Informe da CIA revela que a estilista Zuzu Angel e mais 88 pessoas foram mortas por ordem do general Figueiredo com a aprovação do presidente Geisel. Os documentos desmontam a versão que esses generais eram “neutros”. O pior é que Figueiredo, que comandou os assassinatos, foi depois brindado com o cargo de presidente. Lembram-se dele? Era o que dizia publicamente que “preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo”. O mesmo que pediu para ser esquecido, mas que a história agora coloca como um ditador sanguinário.

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Bolsomitos

O mais estarrecedor é ver muitos jovens apoiarem abertamente a candidatura do fascista Jair Bolsonaro. Esse pessoal tem que entender que a política se faz com conciliação e não com porrete. O tal “mito” não passa de uma farsa já que Bolsonaro sequer consegue articular uma frase sem ódio. Sua candidatura não passa de um acinte à razão e ao bom senso. Espero que esse senhor fique fora do segundo turno e sem mandato a partir do ano que vem. Assim será esquecido para o bem da democracia.

Reitor Leher

É com muito orgulho que publicamos entrevista com o reitor da UFRJ Roberto Leher. É um intelectual brilhante, a pessoa certa no lugar certo! Gratíssimo a ele por ter recebido o Bafafá e concedido depoimento histórico.


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Roberto Leher - reitor da UFRJ

Entrevista

Por: Ricardo Rabelo

“O irracionalismo na história é a antessala do fascismo”

Fotos: Paulo Bastos

Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2015, o professor Roberto Leher é um intelectual respeitadíssimo no mundo acadêmico. Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFRJ em 1984, é professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da universidade e servidor da instituição desde 1988. De 1997 a 1999, foi presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (AdufrjSsind) e, de 2000 a 2002, do Andes-SN, sindicato nacional dos docentes das instituições de ensino superior.

Como é gerir uma instituição como a UFRJ prestes a comemorar 100 anos?

A UFRJ é uma instituição com história, trajetória acadêmica importantíssima para o país, pioneira em diversas áreas do conhecimento, além de ter enorme contribuição social. Isso traz muita confiança e expectativa de futuro. Estamos falando de um lugar que resulta de uma construção e dedicação de várias gerações de professores e servidores. Isso torna a UFRJ muito respeitada na sociedade. De outra parte, é uma instituição muito complexa, pois é uma comunidade de quase 100 mil pessoas divididas em 175 cursos de graduação, 129 programas de pós-gradução, centros de pesquisas, 1000 laboratórios e vários campus (Praia Vermelha, Fundão, Macaé, prédios no Centro e um polo em Duque de Caxias). Com o REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades) nós incorporamos à UFRJ o equivalente ao número de alunos da Universidade Federal de Santa Catarina. Nossa opção agora é consolidar o sistema.

Confere que estudantes com

Em entrevista exclusiva ao Bafafá, Leher faz uma radiografia da UFRJ e expressa opinião sobre a importância do racionalismo para enfrentar o irracionalismo na sociedade. “O irracionalismo na história é a antessala do fascismo. É a barbárie”, garante o professor. Ele revela que de 15 anos para cá, mudou completamente o perfil dos alunos da universidade. “Hoje 66% dos estudantes têm renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo”. Apesar de um déficit de R$ 160 milhões em recursos não repassados pelo Governo Federal à instituição nos últimos três anos, ele assegura que a UFRJ está conseguindo excelentes resultados, sendo inclusive apontada como a melhor universidade pública do país. baixa renda hoje predominam?

Se por um lado temos toda essa potencialidade e energia criadora, é forçoso reconhecer que os cortes orçamentários este ano são significativos. Mesmo tendo conseguido mudar o perfil social de nossos estudantes ainda não temos políticas de assistência estudantil compatível com essa mudança social. A juventude pobre e negra que chegou à universidade precisa deste apoio para concluir a graduação. O decreto que criou o plano nacional de assistência estudantil prevê que estudantes com renda per capita familiar de até R$ 1.500 sejam contemplados. No entanto, na UFRJ só conseguimos atender quem tem renda de até R$ 320. Acima disso não temos como ajudar. Isso obviamente nos preocupa. Nós temos um levantamento que aponta que 66% dos estudantes das universidades federais têm renda per capita familiar de 1,5 salários mínimos. Desses, 80% tem renda de um salário mínimo. A faixa de renda de estudantes que podem ser considerados de classe média alta hoje não passa de 15%. Nos últimos 15 anos mudou completamente o perfil. Isso se deve à mudança na for-

ma de ingresso, das cotas, do Enem e também da mudança no acesso ao ensino médio. Hoje, muito mais estudantes oriundos das classes trabalhadoras estão tendo acesso ao ensino médio. Com isso já podem sonhar em estudar numa universidade pública. Neste sentido causa preocupação o fato de não termos uma política de assistência estudantil compatível com esse desafio, que é um compromisso moral e ético que a sociedade brasileira tem com a sua juventude. Essas pessoas, certamente, serão referências no campo da arte, da cultura, da tecnologia. Infelizmente, corremos o risco de termos perdas enormes de estudantes que não poderão concluir a universidade em função de condições adversas. Para você ter uma ideia, ¼ de nossos estudantes são de fora do Rio. Ao chegar ao Rio de Janeiro se deparam com uma cidade extremamente desigual e cara. Neste sentido, a assistência estudantil é imprescindível.

“Nos últimos 15 anos mudou completamente o perfil dos estudantes da UFRJ”

Como está sendo o rendimento desses estudantes?

São jovens que se caracterizam por um espírito de luta muito grande. O desempenho tem sido muito bom. Nós estamos aferindo isso de forma objetiva. Seguramente eles contribuem para a renovação espiritual da UFRJ.

Tem muitas obras paradas na UFRJ? Desde 2013 temos muitas obras paradas sim. Já tentamos diversas pactuações com o Ministério da Educação para concluirmos essas obras. Isso


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gera uma expansão inconclusa. Não temos moradias estudantis suficientes, restaurantes universitários suficientes, salas de trabalho para os professores, etc. Temos laboratórios muito importantes com as obras interrompidas. Isso causa muita preocupação, mas nos interpela para que a gente busque soluções.

Qual é o déficit da UFRJ?

Eu diria que o déficit hoje é de R$ 160 milhões. Esse é o valor do que nós rolamos de dívidas anualmente na universidade. O cobertor fica curto e desorganiza. Este ano nós ficamos sem recursos para investimentos. Tínhamos R$ 55 milhões por ano para esse fim e em 2018 temos apenas R$ 6 milhões.

Existe interlocução como o Governo Federal?

Existe, mas a maior dificuldade é a inexistência de políticas públicas que assegurem o orçamento, linhas de investimentos, recursos para a área de ciência e tecnologia. A nossa interação é apenas para resolver problemas pontuais. São iniciativas isoladas e não sistemáticas. Isso é um fator que dificulta o cotidiano das administrações das universidades federais.

E como o senhor faz para lidar com o orçamento?

Para não permitir que essa dívida vire uma bola de neve, nós temos adotado medidas de reorganização estrutural. Em 2014, antes de assumirmos, teve um corte de R$ 70 milhões na UFRJ, no ano seguinte de R$ 50 milhões e no posterior cerca de R$ 40 milhões. Com isso chegamos ao déficit atual. Como temos trabalhado para enfrentar essa dificuldade? Primeiro revisamos toda a metodologia de cálculo de serviços de limpeza e segurança na universidade. E iniciamos uma campanha muito forte de redução de consumo de energia que é a maior despesa individual. Nós pagamos energia como se fossemos um consumidor doméstico. Quando você lê no jornal que a conta passou para a tarifa vermelha, isso significa que a nossa despesa será de R$ 8 milhões a mais dos atuais R$ 55 milhões que pagamos mensalmente. O certo seria trocarmos

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todos os aparelhos de ar condicionado, todas as lâmpadas, modernizar as subestações de energia, mas não temos recursos para isso. Com essas medidas que citei a redução foi muito significativa. Nós tínhamos 5.200 trabalhadores terceirizados, hoje são 2.600. Com isso conseguimos uma economia da ordem de R$ 60 milhões que impede o aumento de nossa dívida.

Pretendo entregar as obras ainda na nossa gestão. No Museu Nacional, que pertence à UFRJ, iniciamos uma reforma importante com recursos do BNDES e estamos priorizando concluir as obras que estão bem perto de ficarem prontas. Entre elas, o Instituto de Física, uma ala do Instituto de Ciências Biomédicas e a reforma estrutural do alojamento estudantil.

“A UFRJ continua muito pulsante e viva”

Vocês estão fazendo uma parceria importante com a Fiocruz que vai instalar um centro de pesquisa para doenças negligenciadas no campus do Fundão?

Qual é sua principal prioridade?

Pode parecer pouco, mas a principal prioridade é manter a UFRJ aberta e funcionando. É triste vermos prédios com obras abandonadas. Ainda assim, a qualidade não caiu. A UFRJ continua muito pulsante e viva e garantimos, por exemplo, a assistência estudantil e a operação de nosso hospital universitário com recursos próprios.

Qual é o segredo para vocês estarem em primeiro lugar no país?

O ranking universitário da Folha de São Paulo aponta que estamos entre as instituições estratégicas do Brasil. Tenho convicção de que a maior fortaleza da UFRJ é o cuidado com a graduação. Nós temos a tradição de formar bem. Nenhum professor trabalha só na pós-graduação. Todos trabalham na graduação. Isso faz uma diferença enorme. Essa é a nossa maior fortaleza. Por isso, nossos cursos são sempre muito bem avaliados. As pessoas saem daqui e vão para o mundo. Outro ponto forte da UFRJ é o engajamento na pesquisa. Toda a nossa comunidade está de maneira direta ou indireta envolvida em pesquisa. Temos uma produção científica muito alta em todas as áreas de conhecimento.

Apesar de tudo, o senhor está entregando as obras do campus da Praia Vermelha, na Urca?

Estamos muito felizes. Usamos verba de custeio e reformamos todo o telhado dos prédios que vazavam água em qualquer chuva e reconstruímos a igreja destruída por um incêndio. Pintamos também a parte interna e externa e vamos reestruturar a rede elétrica.

É um projeto muito importante que obedece a essa visão estratégica. Precisamos somar forças com instituições de referência como a Fiocruz. Fizemos um acordo de cooperação para criar um parque tecnológico que produzirá medicamentos para doenças negligenciadas, reduzindo enormemente as despesas do SUS que gasta bilhões em medicamentos. Vamos aperfeiçoar os fármacos aproveitando os conhecimentos dos professores. Entendemos que esse esforço compartilhado é uma agenda para o país. É inadmissível um país como o Brasil ser refém de corporações para manter a saúde de sua população. É fundamental que tenhamos meios tecnológicos de produzir remédios e testes diagnósticos para doenças que não interessam às grandes corporações. Isso cria uma agenda positiva para a ciência brasileira.

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“A difusão do medo hoje é um elemento do irracionalismo” Como o senhor está vendo a banalização intelectual no Brasil?

Com muita preocupação. A universidade é herdeira do iluminismo, num contexto de predominância da razão. Não precisamos de nenhum pai patrão para dizer o que fazer de nossas vidas. Devemos desenvolver o conhecimento comprometido com a melhoria da vida dos pobres. Os problemas devem ser pensados cientificamente. Infelizmente enfrentamos um processo de irracionalismo que é muito perigoso. O irracionalismo na história é a antessala do fascismo. É a barbárie. No momento que isso prevalece, o ódio se difunde. Está aí o racismo, a xenofobia, a LGBTfobia, a esquerdofobia. A difusão do medo hoje é um elemento do irracionalismo.

O senhor tem alguma utopia?

Minhas utopias pensadas. Pensadas como Eduardo Galeano: Nós damos dois passos e a utopia se afasta dois passos. Para que precisamos de utopia? Para nos fazer caminhar. Utopia é poder viver numa sociedade baseada no autoconhecimento, em formas fraternas e solidárias de interação humana. Hoje os horizontes estão turvos. Precisamos de horizontes, ideias transformadoras. O pior que pode acontecer para a humanidade é ficarmos esperando um Messias.


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Encontro com Lula na prisão: espiritualidade e política Leonardo Boff* No dia 7 de maio cumpriam-se 30 dias de prisão do ex-presidente Lula. Foi-lhe concedida pela primeira vez receber a visita de amigos. Tive a honra de ser o primeiro a encontrá-lo pela amizade de mais de 30 anos e pela comunhão de causa: a libertação dos emprobrecidos e para reforçar a dimensão espiritual da vida. Cumpri o preceito evangélico:”estava preso e me visitaste”. Encontrei-o como o conhecemos fora da prisão: rosto, cabelo e barba, apenas levemente mais magro. Os que queriam vê-lo acabrunhado e deprimido devem se decepcionar. Está cheio de ânimo e de esperança. A cela é um amplo quarto, muito limpo, com armários embutidos, banheiro e chuveiro numa área fechada. A impressão é boa embora viva numa solitária, pois, à exceção dos advogados e dos filhos, só pode falar com o guarda de origem Ucrânia, gentil e atento, que se tornou um admirador de Lula. Traz-lhe as marmitas, ora mais mais quentes ora mais frias e café, sempre que solicita. Lula não aceita nenhum alimento que os filhos lhe que trazem, porque quer se alimentar como os demais presos, sem nenhum privilégio. Tem seu tempo de tomar sol. Mas ultimamente, enquanto o faz, aparecem drones sobre o espaço. Por precaução Lula logo vai embora, pois não se sabe qual seja o propósito destes drones, fotografá-lo ou, quem sabe, algo mais sinistro.

O importante foi a conversação de natureza espiritual na qual se misturavam observações políticas.. Lula é um homem religioso, mas da religiosidade popular para a qual Deus é uma evidência existencial. Encontrei lendo um livro meu, “O Senhor é meu pastor”, (da Vozes) um comentário do famoso salmo 23 o mais lido dos salmos e também por outras religiões. Sentia-se fortificado e confirmado, pois a Bíblia geralmente critica os pastores políticos e exalta aqueles que cuidam dos pobres, dos órfãos e das viúvas. Lula se sente nesta linha, com suas políticas sociais que beneficiaram a tantos milhões. Não aceita a crítica de populista, dizendo: eu sou povo e vim do povo e oriento o mais que posso a política para ele. Na cabeceira da cama há um crucifixo. Aproveita o tempo de reclusão estrita para refletir, meditar, rever tantas coisas de sua vida e aprofundar as convicções fundamentais que dão sentido a sua ação política, aquilo que sua mãe Lindu (que a sente como um anjo protetor e inspirador) sempre lhe repetia: sempre ser honesto e lutar e mais uma vez lutar. Vê nisso o sentido de sua vida pessoal e política: lutar para que haja vida digna para todos e não só para alguns à custa dos outros. A grandeza de um político se mede pela grandeza de sua causa, disse enfaticamente. E a causa tem que ser produzir vida para todos a começar pelos que menos vida tem. Em função disso não aceita derrotas definitivas. Nem quer cair de pé. O que não quer é cair. Mas manter-se fiel a seu propósito de base e fazer da política o grande instrumento para

ordenar a vida em justiça e paz para todos, particularmente aos que vivem no inferno da fome e da miséria. Esse sonho possui grandeza ética e espiritual inegável. É à luz destas convicções que se mantém tranquilo, pois diz e repete: vive desta verdade interior que possui força própria e vai se revelar um dia. “Só quero”, comentava, “que seja depois de minha morte, mas ainda em meu tempo de vida”. Indigna-se profundamente por causa das mentiras que divulgam contra ele e sobre elas montaram o processo do triplex. Pergunta-se, como podem as pessoas mentirem conscientemente e poderem dormir em paz? Faz um desafio ao juiz Sérgio Moro: “apresente-me uma única prova sequer, de que sou dono do triplex de Guarujá. Se apresentar renunciarei à candidatura à presidência”. Recomendou-me que passasse esse recado à imprensa e aos que estão no acampamento: “Sou candidatíssimo. Quero levar avante o resgate dos pobres e fazer das política sociais em prol deles, políticas de Estado e que os custos que são investimentos entrem no orçamento da União. Irei radicalizar estas políticas para os pobres, junto com os pobres e dignificar nosso país”. A meditação o fez entender que esta prisão possui um significado que transcende a ele, a mim e às disputas políticas. Deve ser o mesmo preço que Gandhi e Mandela pagaram com prisões e perseguições para alcançarem o que alcançaram. “Assim creio e espero”, dizia, “que é o que estou passando agora”. Eu que entrei para anima-lo, saí animado. Espero que outros também se animem e gritem o “Lula livre” contra uma Justiça que não se mostra justa.

*Teólogo e escreveu:Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência,Vozes 2018. Via Carta Capital

Quem tem medo do Lula livre? Emir Sader* Depois de ter montado a mais monstruosa farsa de um processo sem crise, de uma condenação sem provas e de uma prisão política que confirma que se trata de uma perseguição contra o Lula, a direita se vê apossada de um novo pânico: e se o Lula recuperar a liberdade? O que vai acontecer? Como sua imagem sairá dessa circunstância? Sua imagem voltará, ainda mais forte, a presidir os destinos do país, a começar pelo processo eleitoral? Desde a prisão do Lula, a situação do país e das forcas de direita só se deteriorou. A recessão, o desemprego, o desgaste do Temer, a busca infrutífera de alternativas para a direita, enquanto a esquerda se unifica em torno da liberdade do Lula Livre. O povo passa a imaginar como será a saída do Lula, como será seu reencontro com o povo, mais que nunca nos braços do povo, que o quer proteger definitivamente, para que nunca mais os abutres possam tolhe-lo da liberdade, das suas palavras e do seu verdadeiro lugar – os braços do povo. Pânico, em primeiro lugar, pelos responsáveis e beneficiários diretos do modelo neoliberal que devasta o país. Mesmo com Lula preso, o dólar dispara, eles não conseguem controlar a situação, passar uma imagem de que esse modelo tem

futuro, que não será revertido e, com ele, o golpe. Pânico do governo e dos partidos de direita, que assaltaram o poder e destroem o Brasil, tanto pelo que será de tudo que desfizeram, quanto pelo seu próprio futuro imediato, sem a proteção das benesses de cargos públicos e frente à perspectiva de uma duríssima derrota eleitoral. Pânico dos meios monopolistas de comunicação, que foram agentes direitos do golpe e da perseguição ao Lula, diante da promessa deste de democratização dos meios de comunicação e de uma aceleração ainda maior da crise dessas empresas, sem credibilidade, em leitores, sem o apoio econômico indispensável do governo. Pânico dos setores do Judiciário que montaram e ou foram coniventes passivos, junto com a Policia Federal, de uma perseguição política atroz, que tirou toda legitimidade das instancias que deveriam ter zelado pelo Estado de direito e pela democracia, diante da possibilidade de terem que pagar por seus crimes políticos e perderem seus privilégios.

Também têm medo do Lula Livre os pescadores de águas turvas, que às vezes querem aparecer no campo da esquerda, outras diretamente buscam a confiança da direita, mas contam, para suas aventuras, com a não candidatura do Lula. Quem não tem medo nenhum do Lula Livre é o povo, que luta pela sua liberdade, pela sua candidatura e que está pronto para fazer campanha com ele e apoia-lo de novo na presidência do Lula. Não tem medo todos os que pregam a retomada do desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Todos os que lutam pela democratização dos meios de comunicação. Todos os que sabem que um referendo revogatório é indispensável para que o Brasil volte a ter um governo que dirija o país conforme os interesses a grande maioria. Todos os que sentem falta do retorno de uma política externa soberana. O Lula Livre apavora a direita e alimenta os sonhos da esquerda, do povo e dos que lutam por um país mais justo, democrático e soberano. *Escritor e professor, publicado no site Brasil 247


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A universidade e o golpe de 2016 Ângela Carrato* Mais de 30 universidades de todos os quadrantes do Brasil estão oferecendo cursos, palestras ou mesas redondas que têm por objetivo mostrar que o que aconteceu em 2016 foi um golpe de Estado de tipo novo, o chamando golpe branco, ou golpe soft, onde o protagonismo das Forças Armadas é substituído pelo do Judiciário, com o apoio do Parlamento e da Mídia. A iniciativa de oferecer uma disciplina sobre “O Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” coube à Universidade de Brasília e ao professor de Ciência Política, Luis Felipe Miguel. Bastou o seu conteúdo ser replicado por alguns blogs e merecer matérias críticas por parte da mídia, para o ministro da Educação do governo golpista Temer, Mendonça Filho, anunciar que iria acionar a Advocacia Geral da União, Tribunal de Contas, Controladoria Geral e Ministério Público Federal para apurar “ilegalidades no procedimento do professor e da UnB”. Em nota, Mendonça Filho chegou a lamentar que uma instituição respeitada como a UnB “se apropriasse do bem público para a promoção de pensamentos político-partidários”. A tentativa de censurar a disciplina e a própria UnB foi respondida pelo meio acadêmico brasileiro e internacional por intermédio da criação de disciplinas e atividades voltadas para o

tema. É importante lembrar que em várias disciplinas de cursos diversos, esta discussão já vinha acontecendo, mas a partir de então, ganhou uma dimensão nova: a universidade brasileira ou uma parte significativa dela entende que é sua missão analisar e se aprofundar no entendimento do que acontece no país. Mais ainda: a universidade brasileira entende que o golpe de 2016 está em processo e que uma de suas características tem a ver com a própria disputa de narrativas em torno dele (impeachment x golpe). Numa época de pós-verdade, em que o processo histórico e os fatos são desconsiderados, negados e substituídos pelos interesses dos poderosos de plantão, a disputa em torno das narrativas assume importância fundamental. Até porque a forma como as pessoas entendem o que acontece contribui em muito para a própria conformação do que acontece e de seus desdobramentos. Dito de outra forma, enquanto os brasileiros acreditarem que Dilma Rousseff deixou o poder por meio de um processo legítimo, tendo por base crime que teria cometido, as possibilidades desta população indignar-se são mínimas ou até inexistentes. Muito da alegada passividade dos brasileiros diante da destruição da nossa economia, da perda de direitos e da entrega da soberania nacional tem a ver com isso. A disputa de narrativas não é algo novo. No outro golpe, o civil-militar de 1964, ela também teve lugar. Naquela época, os militares e os civis que os apoiavam não admitiam que o golpe

fosse chamado de golpe e insistiam para que fosse tratado por “revolução”. Os motivos eram óbvios. Enquanto o termo golpe guarda inegável aspecto pejorativo e ilegal, revolução é um termo mais simpático e aponta para algo novo. No golpe atual, em que Legislativo, Judiciário e Mídia se uniram para tirar do poder uma presidente e um partido que legitimamente venceu as eleições de 2014 e passar a implementar o programa de governo ultraneoliberal da agremiação derrotada, o PSDB, nada melhor do que tentar disfarçar o golpe sob o manto do impeachment, que lhe conferiria legalidade jurídica. Só que o golpe começa a fazer água por todos os lados. O governo golpista bate recordes de desaprovação popular e Temer deve entrar para a história como o pior presidente do Brasil de todos os tempos. O partidarismo do Judiciário é visível, com os processos contra o PT e as esquerdas andando a jato e condenações e prisões sem prova, acontecendo, como no caso do ex-presidente Lula. Enquanto isso, tucanos arqui-delatados, com provas, praticamente não sofrem nada. A própria mídia, Globo à frente, nunca esteve tão mal perante a opinião pública, o que, se por um lado, a leva a radicalizar no combate ao PT e às esquerdas, por outro deixa nítido a sua perda de credibilidade. Basta dizer que o Jornal Nacional, que já teve audiência de quase 90%, hoje não ultrapassa os 35%. Ao valer-se de sua autonomia de pensamento, a universidade brasileira garante não só o seu lugar, como demonstra também estar à altura de seu compromisso com o presente e o futuro do nosso país.

* Jornalista e professora da UFMG.

O golpismo nosso de cada dia Lúcia Capanema* Deu-se o golpe de 2016. E ficamos em grande parte caladas e calados. Umas e uns mais atônitos, descrentes daquela vergonhosa sessão legislativa e ainda inseguros quanto ao que estava por vir, outros já ‘virando a página’, em busca de discursos e pautas que resgatassem o apoio popular às políticas progressistas de 13 anos. Dois anos se passaram, levando consigo várias dessas pautas - que se mostraram inócuas ou míopes – e sucateando o conjunto das políticas de Lula e Dilma, que pensávamos muito mais sólidas e perenes. Mas uma outra consequência, que já se desenhava desde 2003, foi abertamente deflagrada naquele 17 de abril: a quebra do Estado de Direito. Se em teoria sabemos que opostamente ao Estado de Direito encontra-se o Estado de Exceção, na prática não temos nos detido na observação e análise do cotidiano num quadro excepcional, em que as leis são manipuladas ao gosto do poder. Ora, se o poder legislativo, abençoado pelo judiciário, promove e sustenta um golpe de Estado dando ‘forma legal’ ao que não pode ter legalidade, como diria Agambem, é infelizmente consequente que os ‘soberanos’ escolham seus inimigos e os tornem vidas sem valor, vidas nuas num permanente campo

de concentração. O mesmo Agambem deu à somatória destes conceitos (Estado de Exceção, poder soberano, vida nua e campo de concentração) o nome, já utilizado por Foucault, de “biopolítica”, ou seja, o governo da vida biológica dos indivíduos, de seus direitos e deveres civis, por meio da vigilância e das obrigações sociais das quais não pode escapar.

São também infelizes consequências da exceção as situações em que juízes se transformam em algozes de seus desafetos ou pregam chutes em uma senadora da república, em que polícias invadem universidades ou chamam à ‘guerra sem tréguas’, em que oficiais do exército cumprem os desejos do soberano nos campos de concentração chamados favelas

ou ameaçam nossa democracia, e em que deputados espancam professores em praça pública. Mas a construção midiática do entendimento coletivo é perversa e leva tais consequências ao cotidiano do cidadão. Adentramos a ruptura dos valores baseados na vida, nos direitos do ‘outro’ e nos aproximamos da barbárie. Do golpismo nosso de cada dia. Se Moro pode odiar Lula e lançar mão de toda sorte de expediente para que seu ódio vença, porque não podem setores que odiavam Marielle fazer o mesmo? Se o juiz e o deputado podem violentar o cidadão, porque não podem as milícias assassinar os jovens de Maricá e promover chacinas? Já são inúmeras as infelizes ocorrências em que ‘cidadãos’ comuns se pensam soberanos de vidas nuas, a exemplo dos poderosos, e agridem a tiros trabalhadores sem teto ou sem terra, grupos em viagem, aglomerações populares, agremiações partidárias... Só o retorno ao Estado de Direito nos fará livres da barbárie travestida de legalidade e suas consequências no imaginário popular. Mais ainda, só um retorno limpo, sem dúvidas ou desvios, nos devolverá a dignidade nacional e a soberania do voto. Golpes - e golpismos cotidianos - se combatem com a anulação de seus efeitos. A luta justa, agora e sempre, é por eleições livres, com Lula, e por um congresso que anule o Golpe de 2016!

* Jornalista e professora da UFMG.


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Gêmeos paraibanos, rock progressivo, David Chew e música de câmara: a coluna onipresente da boa cena musical brasileira Fábio Cezanne*

Ventos sonoros de João Pessoa chegam por aqui, renovando a MPB pra além do eixo Rio-SP. O duo SOM D’LUNA, formado pelos gêmeos paraibanos Vitor e Diogo Luna, está lançando o disco “Nesse Trem”, primeiro CD gravado em estúdio, totalmente autoral, em composições que vão desde o baião ao soul/funk. Com 11 faixas e produzido no estúdio Gota Sonora, em João Pessoa, o álbum carrega uma variedade de estilos diferentes, conectados por timbres, histórias, texturas e arranjos. Já disponível nas plataformas virtuais (Spotify, Deezer, Imusic, etc), também ganhará formato em CD. Vale a visita no site pra conhecer mais! www.somdluna.com.br Recentemente condecorado pela Rainha da Inglaterra por seu importante trabalho que vem desenvolvendo na área da música, o violoncelista inglês David Chew chega aos seus 50 anos de carreira com fôlego de sobra para dar conta de tantos projetos. No dia 18 de maio, sexta-feira, a Sala Cecília Meireles, na Lapa, será palco de uma grande festa. Radicado no Brasil há 38 anos, o violoncelista vai receber amigos queridos,

como Linda Bustani, Gilson Perenzzetta, Blas Rivera, Felipe Prazeres, Cristina Braga, dentre muitos outros. No dia, será lançado o DVD Chewfaces, produzido por Sil Azevedo e pelo próprio David Chew, cuja venda será revertida para arrecadar fundos para o Rio Cello Encounter deste ano, que acontecerá em agosto. A propósito, a edição deste ano do maior festival de violoncelos do país está, até o momento, sem patrocinador, entretanto o violoncelista lança mão de diferentes recursos para poder manter acesa sua grande paixão. A produção do evento está aceitando doações, com recompensas (www. catarse.me/24riocello). Uma das maiores bandas brasileiras de Rock Progressivo dos anos 70, os paulistas do O SOM NOSSO DE CADA DIA incendiou o palco do Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no último dia 05 de maio. Resultado da mais-que-bem-vinda parceria entre a produtora Vértice Cultural, a Rádio Beprog, a Masque Records e a Moshi Moshi Produtora, o show foi um prato cheio (e muito bem servido!) para todos os saudosistas fluminenses e abriu uma importante ponte aérea Rio-SP de rock progressivo.

Entrevista

Com 46 anos de existência, passando por diversas formações e caminhos musicais e poéticos distintos, a banda sobreviveu à prova do tempo, sendo descoberta e redescoberta, geração após geração. Formada em 1972 por Pedro Baldanza, o Pedrão (baixo, viola e vocal), Pedrinho Batera (bateria e vocal) e Manito (teclados, sax, flauta e violino), lançou em 74 o LP SNEGS, considerado por muitos como o melhor disco de Rock Progressivo brasileiro. Em 1977, foi a vez do eclético álbum “SOM NOSSO”, que trouxe um lado A (Sábado) Funk, Soul e um Lado B (Domingo) Rock Progressivo e mesmo com a boa repercussão do disco o grupo acabou se dissolvendo em 1978. O grupo de compositores Prelúdio 21 recebe, no dia 26 de maio, no Centro Cultural Justiça Federal (Cinelândia), o duo composto pelo trombonista João Luiz Areias e José Wellington. Com entrada gratuita e dedicado à memória do saudoso integrante Sergio Roberto de Oliveira, os intérpretes vão apresentar obras compostas pra esta formação.

*Jornalista e músico - cezannedivulgacao@gmail.com

Edwy Plenel

"O monopólio da mídia é a morte"

A Aliança Francesa recebeu Edwy Plenel, fundador do Mediapart, para a palestra “Jornalismo independente e democracia”, por ocasião dos 50 anos do movimento Maio de 68. Plenel é ex diretor de redação do “Le Monde” e fundador do jornal independente francês “Mediapart”, um jornal digital com 150 mil assinantes. Na ocasião, o jornalista falou com exclusividade para o jornal Bafafá. Confira:

Como funciona a Midiapart?

Na Midipart fizemos um laboratório de um jornal que sobrevive só de assinaturas digitais, sem publicidade ou subvenções do estado. É um jornal participativo e comprometido com a sociedade e que valoriza o jornalista e a reportagem exclusiva. Respeitando o direito de saber dos leitores, ajudando-os a terem informações confiáveis.

Independente, sem interesses privados. Queremos defender o valor da informação. Fomos pioneiros no mundo de fazer um jornal digital de assinatura. Deu certo. Midipart é uma empresa bem sucedida que está no centro do debate público na França. Temos uma folha salarial de 80 pessoas, 150 mil assinantes e 4,5 milhões de leitores por mês. Nossos leitores superam três vezes os leitores do Liberatión e são metade dos leitores do Le Monde.

Para onde caminha a comunicação?

A comunicação é um campo de batalha que pode nos levar a uma regressão. A propaganda, a mentira, o poder econômico vão corromper a qualidade do debate público. Ou o inverso: nós podemos ser capazes de inventar a revolução digital. O fato de podermos comunicar sem fronteiras seria um aprofundamento das democracias. Numa revolução tecnológica como a digital, enfraquece um pouco as grandes mídias que vivem uma crise de confiança e até econômica. Se ficam fracas, viram alvos fáceis de para interesses de fora da informação. Na França, as grandes mídias privadas são controladas por empresas que não tem nenhum vínculo com o jornalismo, entre elas, bancos, indústrias e até de fabricantes de armas. Se compram as empresas de comunicação é para evidentemente elas não incomodarem seus interesses. É uma batalha.

Nós, jornalistas, não podemos ficar de braços cruzados. Temos que lutar.

A mídia digital é definitiva?

O digital é a terceira revolução industrial do mundo. A primeira foi a máquina a vapor. A segunda a eletricidade. O digital é uma transformação sem precedentes, pois é uma comunicação horizontal, sem fronteiras. No entanto, têm de estar protegida, pois as revelações de Snowden mostram o contrário. Temos que proteger também a mídia digital dos interesses meramente mercadológicos. Basta ver o escândalo do Facebook e o algoritmo que invadiu a privacidade de mais de um milhão de usuários. Temos que ter um ecossistema democrático da informação. Passa pela defesa da neutralidade do digital, não pode ser controlado pelos estados ou multinacionais e pelo conteúdo. Isso é nossa responsabilidade dos jornalistas.

Qual é o futuro do jornalismo?

O jornalismo é um direito fundamental dos cidadãos. Mais importante até que o voto. O direito de saber. Sem informação eu posso votar no meu pior inimigo. Nós estamos a serviço do direito à informação. Temos que ter mídias independentes e evitar concentração em grandes grupos de comunicação. O monopólio da mídia é a morte!


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Vicente resgata Medeiros Acaba de ser lançado o documentário Marcos Medeiros – Codinome Vampiro, dirigido pelo cineasta Vicente Duque Estrada (foto). O filme resgata a trajetória do líder estudantil esquecido das manifestações de 68. Ao lado de Vladimir Palmeira e Franklins Martins, Marcos Medeiros foi um dos líderes do movimento, inclusive apontado como o mentor intelectual deste momento histórico do Brasil. Financiado na base do “chapéu”, com apoio de Cavi Borges e pequeno financiamento do Canal Brasil, o filme entrevista 12 personalidades protagonistas das manifestações de 68, entre eles, Vladimir e Franklin, além de Ivana Bentes e João Carlos Rodrigues. As entrevistas são intercaladas com imagens de arquivo do próprio Marcos Medeiros e trechos de filmes que ele dirigiu quando exilado e ao retornar o Brasil. No exílio trabalhou com Rosselini, na Itália e foi parceiro de Glauber Rocha com quem rodou o longa História do Brasil, em Cuba. De volta do Brasil, com a anistia, realizou trabalho pioneiro de vídeo independente, com artistas como Mário Carneiro e Goffredo Telles. Falecido em 1994, seus vídeos somente foram recuperados em 2014 pelo Arquivo Nacional no Rio de Janeiro. Vicente explica que Medeiros morreu de insuficiência respiratória aos 51 anos. “Fiz um registro histórico da figura e do movimento de 68. Medeiros era um dos personagens mais bonitos e charmosos da época, apesar de esquecido pela história”, garante. Ricardo Rabelo, editor do Bafafá

Bar Luiz não pode fechar! Fundado em 1887, o Bar Luiz, um dos mais tradicionais e antigos bares do Brasil, agoniza e pode fechar as portas por falta de clientes. Que tal prestigiarmos esta joia carioca? Todos podem ajudar. Vá almoçar lá, marque festas de confraternização ou tome apenas um chopinho. Recentemente a casa foi agraciada com o título de Patrimônio Cultural Carioca ao lado de outros 13 bares tradicionais. Todos os pratos dão para duas pessoas com destaque para os Kassler com salada de batata, roast beef com salada de batata e a clássica língua defumada à milanesa. Entre os tiragostos, salsicha mista e bolinho de bacalhau. O chopinho da casa é tirado da serpentina mais antiga do Brasil. “Se vierem grupos grandes damos uma rodada grátis no fechamento da conta”, assegura Emerson, gerente da casa. Ele conta que um grande empresário ia comprar o bar e manter os funcionários, mas desistiu do negócio. E avisa que a casa está aberta a propostas! Quem sabe um leitor do Bafafá querendo fazer algum tipo de investimento não topa salvar o Bar Luiz? Se prestigiarmos o lugar, já ajuda a mantê-lo aberto. Todos lá! A redação

Gut Festival no Riocentro Tendo como inspiração os grandes Food & Wine festivals dos EUA e Europa, o Gut Festival chega ao Rio, entre os dias 18 e 20 de maio, com a proposta audaciosa de ser o maior evento de gastronomia e cultura da América Latina. Serão sete dias de atrações, música, workshops, cursos, degustações, museus e experiências desenvolvidas para aguçar todos os sentidos. Um evento único e pensado para agradar a toda a família. Os números são significativos: 14 restaurantes, 10 food trucks, 260 opções de pratos, 300 rótulos de cerveja, 300 rótulos de vinho, 20 atrações musicais, 2000m2 de área infantil e museus gastronômicos. Informações: http://gutfestival.com.br/

Bourbon Festival em Paraty Stanley Jordan, Victor Biglione e Ed Motta são algumas das atrações da 10ª edição do Bourbon Festival que acontece entre os dias 25 e 27 de maio de 2018. Entre os estilos do evento, rhythm and blues, jazz, blues, soul, word music e música brasileira. Com palcos montados na praça da Matriz e no largo da igreja Santa Rita, o público poderá assistir a shows gratuitos de artistas nacionais e internacionais. Tem ainda exposição fotográfica, workshops e gastronomia. Mais informações: www.bourbonfestivalparaty.com.br

Rio das Ostras & Jazz Blues Festival Rio das Ostras, cidade da Região dos Lagos, será destino obrigatório para os amantes do jazz e do blues no feriado de Corpus Christi. De 31 de maio a 3 de junho, o balneário receberá a décima quinta edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. Serão 29 shows gratuitos com artistas nacionais e internacionais em palcos localizados na Praça São Pedro (11h15), Lagoa de Iriry (14h30) e Costazul (20h). A décima quinta edição do festival promove o encontro dos guitarristas Stanley Jordan e Armandinho, acompanhados por Ivan “Mamão” Conti, na bateria e Dudu Lima, no baixo; apresenta a saxofonista americana Vanessa Collier e Fred Sun Walk & The Dog Brothers; o pianista pernambucano Amaro Freitas, vencedor do prêmio MIMO instrumental de 2016; o compositor, arranjador e trombonista Marlon Sette; a banda gaucha Delicatessen com recriações de Standards do jazz americano; a voz potente de Leon Beal Jr. com Igor Prado & Just Groove; a Banda Black Rio; a cantora Rosa Marya Colin com o gaitista Jefferson Gonçalves em participação especial; o saxofonista italiano Maximo Valentini; o quarteto “Com Alma”; o guitarrista Big Gilson, um dos ícones do blues carioca; o acordeonista Chico Chagas e a banda Azymuth em parceria inédita com Dj Nuts. No Palco São Pedro, dedicado

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a novos talentos, se apresentam Vitor Karyello Trio, Eduardo Ponti Jazz Fusion e a banda de blues Laranjeletric Blues Band. A abertura do festival será ao som da big band Onda De Sopros de Rio das Ostras liderada pelo flautista e saxofonista Luiz Felipe Oliveira.

Museu do Negro O Rio de Janeiro tem dessas coisas. Quando a gente acha que conhece tudo se surpreende com algo desconhecido. Em pleno Centro do Rio funciona há 80 anos o Museu do Negro, um espaço com mais de 1.000 peças que contam um pouco da história afrobrasileira. Localizado no segundo andar da igreja Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, em plena rua Uruguaiana, o museu expõe imagens sacras, quadros, peças de tortura, fotos, artesanato e até a imagem da escrava Anastácia, além de jornais da época da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O curioso é que o museu abriga o molde em madeira do mausoléu da princesa e de seu esposo Conde D´Eu. Outra curiosidade é o Salão da Consistória onde foi redigida a carta do “fico”, em 1822. Mantido intacto como era há quase 200 anos, o lugar já foi também Senado Imperial, Academia Imperial de Medicina e abrigou dezenas de reuniões de abolicionistas. Destaque para a toalha de mesa bordada recentemente restaurada. O pesquisador e responsável pelo museu, Ricardo Passos, explica que a igreja foi a primeira irmandade negra no Brasil, fundada em 1640. Apesar de destruída por um incêndio em 1967 foi reconstruída três anos depois. “Sobraram dois estandartes abolicionistas e algumas peças que estão na exposição permanente”, conta. O próprio Ricardo faz visitas guiadas contando histórias do local. O curioso é que, a exceção de excursões de escolas públicas, o lugar é mais visitado por estrangeiros de passagem pela cidade. Está aí uma boa opção de visitar um espaço pouquíssimo conhecido pelos próprios cariocas. Rua Uruguaiana, 77 – Centro (perto do metrô Presidente Vargas). Informações: 98075-8616 Funcionamento: segunda a sexta de 11h às 17h

Portinari na Caixa Cultural A Caixa Cultural recebe a exposição “Portinari, a construção de uma obra” que reúne 70 estudos, pinturas e esboços que retratam o processo de criação do pintor, muralista e desenhista. O trabalho do artista, conhecido com um ‘cronista que pintava o invés de escrever’, revelam o registro do cotidiano do Brasil, incluindo temas como a desigualdade social. Até 01 de julho. Av. Almirante Barroso, 25 – Centro De terça a domingo de 10h às 21h


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Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos - RJ

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Um passeio para curtir a natureza e saber mais da nossa história. • • • •

Rogeria Paiva*

É permitido levar seu lanche, inclusive fazer piquenique. O Quiosque só aceita pagamento em dinheiro, não são aceitos cartão de débito e crédito. É permitido tirar fotos, inclusive organizar ensaios fotográficos. O Parque oferece visitas com guia gratuitas para grupos de 10 pessoas ou mais. As visitas, incluindo escolas, são

de quarta a domingo em dois horários: 10h e 14h. Devem ser agendadas previamente pelo e-mail: contato@saojoaomarcos.com.br O Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é um espaço educativo e cultural da Light mantido com o patrocínio da empresa e da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

O Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é antes de tudo um resgate, quase um acerto de contas com a História. Difícil acreditar que São João Marcos, uma cidade colonial que teve seu auge no Ciclo do Café, tenha sido tombada em 1939, “destombada” e demolida no ano seguinte. Tudo em nome do “progresso” que determinava a ampliação de uma represa para garantir o abastecimento de energia elétrica do Rio de Janeiro. Muitos anos depois, as ruínas dessa antiga cidade foram escavadas, tombadas novamente e transformadas em um parque moderno e muito original, inaugurado em 2011, com uma área total de 930mil m² incluindo mata e espelho d’água. A trilha de visitação completa apresenta três quilômetros contendo sinalização de posição ambiental, histórica e arqueológica. O Parque, reconhecido por sua excelência na conservação do Patrimônio Natural e Arqueológico, encanta os visitantes com sua história, belezas naturais e infraestrutura. Dentro do parque fica o Quiosque São João Marcos onde são servidos salgados, biscoitos, café orgânico plantado no Parque, geleias, coisas para lanches. Os quitutes foram resgatados do livro de receitas de Dona Cidinha, ex-moradora da antiga cidade. Seus pratos são batizados em homenagem a personagens da antiga cidade e são muito elogiados. Mas, se a intenção é almoçar, é preciso encomendar previamente pelo e-mail: thinaaleeone@hotmail. O passeio pelo circuito das ruínas, mais a visita sem pressa ao Centro de Memória e o almoço levam em torno de 3 horas. Dependendo da disposição e do local de partida, dá para ir e voltar no mesmo dia. Uma opção é incluir o passeio no roteiro quando já estiver na região da Costa Verde ou do Vale do Café. O Parque fica no município de Rio Claro, a mais ou menos duas horas e meia de carro do Rio. Observações importantes: • Não há sinal de telefone ou internet dentro do Parque. Relaxe e desligue-se. • É proibido subir nas ruínas, nadar na represa, acampar, fazer churrasco ou fogueira no Parque. • Não há restrição para a entrada de cachorros desde que as eventuais fezes do cão sejam recolhidas e que se respeite a segurança e o direito dos demais visitantes de não serem incomodados.

Funcionamento: de quarta a sexta (inclusive feriados), das 10h às 16h, e sábados e domingos, das 9h às 17h | Entrada e estacionamento grátis. Endereço: Estrada RJ-149 (Rio Claro-Mangaratiba) Km 20 - Rio Claro/RJ Contato: (21) 2233-3690 - www.saojoaomarcos.com.b *Publicitária e editora do Bafafá

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Nº 139  
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