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Vacinar ou não?

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Volume 27

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Number 3

| MARCH 2021

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Eraldo Manes Jr.

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Fundado em 1994 Eraldo Manes Junior é paulistano, vive em Orlando, Fl desde 1990. É fundador e publisher do Jornal B&B, desde 1994. emanes@jornalbb.com

4847 Lake Milly Drive - Orlando, FL 32839-2075 - USA Fones: (407) 855-9541 e (407) 353-2799 maida.manes@jornalbb.com

Salve o profissional de saúde

M

uito se discute sobre a polarização entre tomar ou não tomar vacina contra o COVID-19. Desde o início da pandemia, vem ocorrendo uma politicagem em diferentes países, que subestimaram a gravidade do vírus em favor de seus interesses econômicos e ideológicos. Com raras exceções, governantes questionaram a Ciência, demoraram para implementar ações eficazes e acabaram confundindo a população com informações distorcidas. Para entender este impasse, o B&B quer focar, exclusivamente, no aspecto social que envolve a pandemia. Entrevista profissionais de saúde e cidadãos comuns que toparam compartilhar suas opiniões sobre o porquê

tomar ou não tomar o imunizante. Pouco mais de um ano de Covid-19, o cansaço físico e mental, o temor de se infectar e contagiar familiares, o distanciamento de amigos são fatores que já afetam o profissional de saúde que atua na linha de frente. Enfermeiros, equipes de transporte de pacientes, faxineiros e médicos apresentam sinais de exaustão física e muitos relatam seqüelas psicológicas, que poderão ser irreversíveis mesmo depois de tudo isso acabar. Ainda nesta edição, temos artigos sobre Artes, Psicologia, Tráfico Humano, Tecnologia e Opinião de nossos colaboradores. Boa Leitura!

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Publisher: Eraldo Manes Junior Editor-In-Chief: Maida Bellíssimo Manes Art Director - Illustrator: Girleno Rocha Social Media: Renée Lobo International Correspondent: Luciana Bistane e Edinelson Alves Contributing Writers: Peter Peng, Nereide S. Santa Rosa, Anna Alves-Lazaro, Lucia De Cicco, Eliana Barbosa e Rafael Vergne Viana. Sales Department: Maida B. Manes: 407.353.2799 Sandro Coutinho: 407.219.6092 Paulo F. Martins (in memorian)

Awards Brazilian international Press Awards 2019 • Business Awards - 25 Years 2018 • Best Newspaper Editorial 2013 • Outstanding Work 2012 • Best Community Article 2011 • Women Community Leadership 2008 • Editor of the Year • Newspaper Layout 2007 • Golden Award (Over 10 Years of Service) 1997 • Hispanic Corporate Achievers • Hispanic 100 Media

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Brasileiras & Brasileiros, Inc. | Vol 27 - Num 3 -1/16/21 MARCH 2021 1:50 PM


Capa

Dr. Sergio Menendez

Que cada um tenha o direito de decidir pela própria vida é legítimo, mas torcemos para que todos possam se conscientizar que o que cada um decide para si tem consequências para o todo.

Luciana Bistane é editora da Tv Globo, em São Paulo. Correspondente internacional do B&B. Foi professora de telejornalismo na Puc de Belo Horizonte e na Faculdade Casper líbero, em São Paulo. É co-autora do livro Jornalismo de Tv.

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Dr. Roberto Rodrigues Jr.

m ano depois da Organização Mundial de Saúde declarar situação de pandemia, ainda batemos na mesma tecla: um inimigo invisível nos ronda, ceifa vidas, nos assusta e mantém a nossa rotina de cabeça para baixo.

plataformas; abraços e beijos pela tela do computador, melhor que nada, é verdade, mas como era bom encontrar os amigos e as pessoas queridas da família. Apesar de almejarmos tanto que tudo isso passe, ainda não é hora de baixar a guarda.

Quando os casos começaram a cair, pela primeira vez e o controle parecia estar próximo, veio a segunda onda e o mundo já enfrenta a terceira. Mesmo com a vacinação em ritmo acelerado nos Estados Unidos, a diretora do CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Rochelle Walensky, diz que os casos podem voltar a subir se os norte-americanos deixarem de cumprir medidas restritivas.

De acordo com dados apresentados pelas farmacêuticas, fabricantes das vacinas, às agências reguladoras de saúde, só depois de quinze dias após a segunda dose é que a pessoa vai alcançar a proteção desejada, ou seja, o risco de ter covid cai entre 50% a 70%, mas não a zero.

A essa altura, as lives permanentes já não despertam tanto interesse, o home office que, no início, parecia a melhor coisa do mundo, já não tem a menor graça; sem falar nas exaustivas reuniões em diferentes

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O médico de família, Sergio Menendez, um dos nossos entrevistados desse mês, lembra que será preciso continuar dando preferência a encontros ao ar livre e não descuidar dos mais idosos, já que pode haver reinfecção, embora com menor risco de um quadro grave ou morte. Já o pneumologista

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Kelly Ramirez

brasileiro, Roberto Rodrigues Jr. fala da situação no Brasil, que ele considera “extrema”. Atualmente, o país é o único a registrar mais de 3 mil mortes por dia. Ele explica também porque concorda com a preocupação das autoridades sanitárias mundiais que apontam o país como um provável celeiro de novas variantes. Depois de desdenhar dos imunizantes, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro prometeu em rede nacional de televisão, acelerar o ritmo de vacinação para deter a escalada de casos e mortes. A vacina é a aposta da ciência para alcançarmos a imunidade coletiva. A empresária Kelly Ramirez concorda. Para ela, “a vacina é a nossa salvação”. Mas também nesse quesito, as opiniões se dividem. Muitas vezes por receio ou por influência de notícias falsas, as chamadas fake news que proliferam pelo mundo, ou ainda

Anna Alvez-Lázaro

por orientação de uma parcela de médicos que preconiza o tratamento precoce e põe em dúvida a eficácia das vacinas. Esse é o caso da advogada Ana Alves-Lazaro, que não pretende se vacinar. Apesar de reconhecer a importância das vacinas no controle e erradicação de outras doenças, ela concorda com os cientistas que questionam a rapidez com que essas vacinas foram desenvolvidas, sem o devido tempo para avaliar possíveis reações adversas. Que cada um tenha o direito de decidir pela própria vida é legítimo, mas torcemos para que todos possam se conscientizar que o que cada um decide para si tem consequências para o todo. Que as melhores previsões se concretizem e que possamos respirar livremente. Boa leitura!


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Sergio Menendez-Aponte

A vacinação em ritmo acelerado nos Estados Unidos é suficiente para conter a pandemia e nos devolver a tranquilidade de uma vida normal?

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médico americano Sérgio Menendez acredita que ainda é cedo para se fazer uma afirmação. “Sabemos que as vacinas aplicadas nos Estados Unidos são eficientes para imunizar contra as variantes inglesa e brasileira, mas ainda não se sabe se serão eficazes contra a variante da África do Sul. Um bom parâmetro será a diminuição dos novos casos” - diz ele. Mesmo assim, o médico de família afirma que o melhor a fazer é seguir em frente, tomando, claro, todos os cuidados, como evitar aglomerações, manter o uso de máscara e lavar sempre as mãos.

“Não fique isolado, isso machuca, saia de casa, continue sua vida o melhor que puder” - aconselha. Mas para isso é importante também, segundo o médico, fortalecer o sistema imunológico, cuidando da saúde, mantendo bons hábitos alimentares e a prática de exercícios. E cita o próprio exemplo: “nunca fechei o consultório, atendi mais de 500 pessoas com Covid e não peguei”. Sérgio Menendez dá também uma orientação para famílias grandes com pessoas de idades diferentes. “As crianças não devem estar perto dos velhinhos, elas podem ser assintomáticas, nem sentir nada, já os idosos morrem de covid. Os mais velhos com enfermidades crônicas são mais propensos, assim como quem tem diabetes ou é obeso”.

Sergio Menendez-Aponte, MD É especialista em medicina familiar, em Winter Park, Flórida. Tem 39 anos de experiência na área médica. Formou-se na faculdade de medicina da Universidade Nacional Autônoma do México, em 1982. É afiliado ao AdvantHealth Hospitals

Se ocorrer a fatalidade de uma pessoa da família contaminar outra que acabe morrendo, ele acredita que essa pessoa deve ter um acompanhamento psicológico, sobretudo se for uma criança.

“Essa é uma situação muito traumática diz ele – e superar esse trauma vai depender muito da família e do próprio equilíbrio psicológico”. No campo político, o médico acredita que “usaram a pandemia para desestabilizar o governo Trump e com isso, ganharam a eleição”. Sergio Menendez chega a duvidar que os Estados Unidos realmente sejam o país com o maior número de infectados e mortos, no mundo.

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Roberto Rodrigues Junior

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Organização Mundial de Saúde aponta o Brasil como um possível celeiro de novas variantes do coronavírus, depois da cepa que surgiu no Amazonas. Muito mais contagiosa, causou uma explosão de casos no país. Para o pneumologista Roberto Rodrigues Júnior, a preocupação é legítima:

Considerável número de pessoas ficarão doentes ou morrerão por não serem vacinadas em tempo hábil. No intuito de recuperar o tempo perdido, o governo federal encomendou, agora, vacinas de diversas empresas farmacêuticas, mas os maiores lotes não serão entregues em curto prazo” - diz ele.

“Quanto maior o número de casos, e até pela própria natureza da evolução e replicação dos vírus, novas variantes surgirão naturalmente. Isto não significa que obrigatoriamente serão mais agressivas ou transmissíveis, mas sempre há esta possibilidade”.

Na opinião do médico, faltou maior divulgação de mensagens para conscientizar a população da gravidade da doença e da importância do uso de máscaras. Ele critica também o chamado “tratamento precoce” sugerido pelo Ministério da Saúde:

O Brasil passa pelo maior colapso sanitário e hospitalar da sua história. Mas as medidas de contenção do vírus não são uniformes. O presidente Jair Bolsonaro é contra o lockdown e a medida está sendo adotada em algumas regiões por determinação dos governos estaduais. O pneumologista ressalta que a “situação é extrema, estamos com todos os hospitais públicos e privados na capacidade máxima de atendimento”.

Roberto Rodrigues Junior Médico Pneumologista TE Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

“Os medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina, distribuídos pelo governo, comprovadamente não têm eficácia para a Covid-19; e, ainda, geram uma sensação de pseudosegurança na população - “se eu ficar doente basta tomar o remédio e curo”.

Mesmo assim, o ritmo de vacinação ainda é lento. Ele lembra que o país tem grande experiência em vacinação e capacidade para imunizar toda a população, mas faltam vacinas, apesar de estarem sendo produzidas por dois centros de pesquisa - o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz.

O médico Roberto Rodrigues Jr que também é coronel e professor universitário, diz que o governo federal demorou em fechar acordos para a compra de vacinas: “Sofreremos alguns meses adicionais para conseguirmos a vacinação de toda a população elegível.

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Para o médico, o Ministério da Saúde cometeu um equívoco ao não ouvir as opiniões das sociedades médicas brasileiras, em particular as de infectologia, pneumologia e de terapia intensiva, para traçar diretrizes de tratamento.

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“Preferiu seguir aconselhamentos de pequenos grupos médicos que sugeriram tratamentos com base em experiências, por vezes individuais, sem a devida comprovação científica” - ele acrescenta. Em relação ao lockdown o pneumologista também tem opinião diferente a do presidente da República: “O lockdown é um remédio amargo, com muitos efeitos colaterais, mas que salva vidas em situação extrema. Portugal é um bom exemplo com grande redução no número de casos. Defendo a adoção de medidas radicais de lockdown nas regiões brasileiras mais acometidas, juntamente com estratégias para garantir adesão e eficácia; desenvolvimento de ações propiciando condições logísticas para a adequada adesão das pessoas às políticas de isolamento físico, especialmente nas regiões e populações em maior vulnerabilidade”. Apesar do presente sombrio, o médico Roberto Rodrigues Jr se mostra otimista quanto ao futuro próximo: “Após um ano de pandemia, aprendemos muito. A tarefa é extremamente complexa, estamos em guerra e o inimigo é invisível, mas já temos boa noção de como podemos vencer. A ciência é a nossa maior aliada neste momento, e nos forneceu ferramentas para identificar o vírus e tratar dos pacientes graves. Também ganhamos uma excelente arma de defesa, chamada vacina. Precisamos dos esforços de todos para juntos defendermos nossas vidas e daqueles que amamos. Ainda passaremos por momentos difíceis, mas temos um horizonte mais promissor e saudável”.


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Anna Alves-Lazaro

Por que não se vacinar?

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

Evelyn Beatrice Hall quando ilustrava as crenças de Voltaire.

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nicialmente, se faz necessário deixar registrado que reconheço a importância histórica, social, especialmente na saúde pública das vacinas. Eu, meus pais, irmãos, filhos e netos recebemos todas as vacinas em conformidade com as regras de saúde pública e ainda as não exigidas por lei, mas disponíveis no mercado e recomendadas pela Medicina. Todos nós sabemos que as vacinas controlam doenças como a caxumba, o sarampo, o tétano e a gripe. No passado, foram capazes de erradicar doenças que podiam ser fatais, como a varíola. Entretanto, no que se refere a vacina contra a COVID-19 há de fato uma grande incógnita relativa à segurança e eficácia da mesma, em face do tempo médio de desenvolvimento dessas vacinas ser significativamente inferior ao tempo médio utilizado por todas as demais vacinas existentes no mundo, que são de 10 a 15 anos. Esse tempo completamente atípico para o desenvolvimento dessa vacina compromete a avaliação de reações graves e tais reações podem causar danos graves irreversíveis e até morte. Qual os riscos, na sua opinião?

Anna Alves-Lazaro Advogada brasileira, naturalizada americana, Comunicadora Social, Relações Públicas, Presidente e Fundadora da Hope & Justice Foundation, Palestrante, Escritora, e Ativista no Combate ao Tráfico Humano e ao Abuso e Exploração Sexual Infantil. anna.alveslazaro@gmail.com

Quanto aos riscos, acompanho a opinião de cientistas e médicos especialistas renomados os quais subscreveram a Carta Aberta publicada no dia 28 de outubro de 2020, na página da Gazeta do Povo de Curitiba, PR. Não acha que um eventual risco pode ser ainda melhor do que contrair a doença?

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Os últimos estudos em nível global mostram que a letalidade do Novo Corona vírus é 0,3%, índice considerado baixo, se considerarmos que o tratamento precoce utilizando fármacos com atividade antiviral e imunoterápicos se mostraram eficazes na redução da mortalidade, conforme os últimos estudos multicêntricos retrospectivos com milhares de pacientes. No entanto, dispõem-se de tratamento eficaz e de baixo custo. Concluo portanto, que os riscos de efeitos colaterais danosos irreversíveis e até mortais provocados por vacinas produzidas em tempo médio completamente atípico devem ser substituído pelo tratamento precoce com fármacos com atividade antiviral que têm se mostrado grandemente eficaz. Quais são suas fontes de informação sobre as vacinas contra a covid? Além das minhas formações acadêmicas clássicas, sou autodidata e voltada à leitura e pesquisas. Tenho o cuidado de não buscar apenas as fontes que estão alinhadas com as minhas opiniões justamente para que minhas conclusões não sejam tendenciosas. Desde o início dessa pandemia venho acompanhando todos os debates e opiniões de profissionais especialistas sérios e renomados no tocante ao tema. Especificamente sobre a vacina contra a COVID-19 tenho acompanhado o posicionamento de todos os profissionais de saúde que assinaram a Carta Aberta sobre a obrigatoriedade de tal vacina. Além do posicionamento do Dr. Geert Vanden Bossche, PhD, DVM, que trabalhou para grandes indústrias de vacinas como a GlaxoSmithKline (GSK), Novartis, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI), diz que: “as vacinações contra a Covid-19 em massa podem criar um "monstro imparável" e que as vacinações em massa durante a pandemia

podem transformar o coronavírus relativamente inofensivo que vimos, pela primeira vez, (SARS-cov-2) em uma "arma biológica mortal de consequências inimagináveis”. As vacinações em massa em andamento são "altamente prováveis de aumentar ainda mais o escape imunológico 'adaptativo', pois nenhuma das vacinas atuais impedirá a replicação/transmissão de variantes virais"; e também prejudica permanentemente a resposta imune inata às variantes futuras do coronavírus, deixando os indivíduos vacinados totalmente vulneráveis e indefesos contra a exposição às variantes mutantes do coronavírus. São estes os posicionamentos dos renomados cientistas, estudiosos, médicos e autoridades no assunto pelos quais me baseio; e por isso estou aguardando o momento que julgarei apropriado para que possa receber a vacina contra a COVID-19. Você acredita nos avanços da ciência? Acredito. Os avanços da ciência são inegáveis. Concordo que as vacinas erradicaram muitas doenças, e lamento que pessoas recuem diante de uma conquista já consagrada. Foram dezenas de anos de pesquisas, estudos e testes e que ao final tiveram a eficácia e segurança não somente comprovadas nos experimentos em laboratórios como na saúde pública ao longo de muitos anos. No entanto, existem, o princípio ético de primeiro não fazer o mal e o princípio constitucional da inviolabilidade da vida humana e a dignidade da pessoa humana que devem ser respeitados. Da mesma forma como devemos respeitar as opiniões individuais, exatamente como diz a famosa frase da Evelyn Beatrice Hall quando ilustrava as crenças de Voltaire: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."


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Kelly Ramirez

“ E

ntusiasmada com o ritmo de vacinação nos Estados Unidos, a Kelly Ramirez, que mora em Orlando e trabalha num escritório de remessas, espera a sua vez, ansiosa.

“A vacinação é nossa salvação. É o que poderá pôr fim à pandemia” - diz ela, que pretende também vacinar a filha Sophia, de 13 anos. Mas, mesmo depois de vacinada, ela diz que vai manter os cuidados de usar máscara, evitar as aglomerações, lavar as mãos com frequência e utilizar álcool gel. No entanto, acredita que se sentirá mais segura para retomar atividades interrompidas pelo confinamento: visitar os amigos e familiares, ir ao cinema, ao shopping e fazer festas ao ar livre. Kelly conhece pessoas que se recusam a ser vacinadas por receio de possíveis efeitos colaterais ou por acreditar em notícias falsas.

“Nunca recebi fake news em grupos de redes sociais, mas sei que elas circulam por aí e considero um desrespeito aos pesquisadores que estão empenhados em descobrir como exterminar o vírus” - afirma.

Kelly Ramirez é brasileira, vive nos EUA há 17 anos e 13 anos, em Orlando. É empresária no ramo de Turismo e é mãe de Sophia.

Ela chama a atenção também para o papel dos políticos, especialmente do presidente da República, que deve adotar medidas para solucionar um problema que já se mostrou muito maior do que se podia prever, no início da pandemia.

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Alessandra B. Manes, Esq.

618 East South Street - Suite 110 - Orlando, Fl 32801 Alessandra Manes é graduada pela University of Central Florida, com Bachalerado em Arts in Psychology. Posteriormente, recebeu o grau de Juris Doctorate pela Barry University School of Law. Durante a escola de Direito, Alessandra foi Juíza dos programas Law Fraternity, Phi Alpha Delta, Governadora da Divisão do Young Lawyers, Law Student Division, Presidente do Intramural Sports Club e membro do Women Lawyers Association.

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Alessandra é membro do Florida Bar, Young Lawyers Division e do American Bar Association. Nasceu em São Paulo, Brasil.

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7/30/20 12:05 PM


Rafael Vergne Viana

A Despedida do Raciocínio Linear

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Não há mais espaço para o raciocínio linear neste mundo tão multi. Não dá pra processar em partes, tudo que é atirado em nossas realidades de uma vez só

Rafael é Cristão, Esposo, Pai, Fotógrafo, Tecnólogo e Live-streamer, necessariamente nesta ordem, com atuação empresarial na área de tecnologia em suas empresas no Brasil e Estados Unidos. Atua com muito prazer no uso da captura de imagens e transmissão pela internet, sempre conectando pessoas e propósitos, anda de moto e toca baixo por paixão! http://www.bit.ly/rvergne

lá meus amores, caros e damas, queridos leitores. Interessante falar de amores em uma carta pública como esta, mas dedico o substantivo a uma classe que amo de verdade, o departamento dos amigos que por hora questionam a minha ausência momentânea deste periódico. O que sucede é que venho trocando de tarefas, dentro da minha atividade profissional principal, novos desafios, novas manobras, ações e reações, para lidar com este nosso "novo normal". A grata surpresa é que a idade e a experiência começam a fazer as honras, e tais mudanças vêm acontecendo para bem melhor, e estou muito feliz, sou fã de boas notícias, e estarei pronto para compartilhá-las em minhas caixas privadas das redes sociais, assim que solicitadas. Então aí está a deixa, pode contactar, querido leitor. Como sou defensor dos meios impressos e participo com entusiasmo nestas manifestações escritas, não poderia deixar de fazer esta coluna se comportar como tudo que hoje há, de qualquer forma vou burlar minha falta e apresentar esta nova série de escritos intelectuais, estes que tenho bastante curiosidade sobre sua absorção por parte de vocês, meus queridos leitores. Mas, também tenho convicção da partilha destes assuntos por aqueles que nunca imaginariam que alguém pensaria de forma parecida. Que legal! Veja só, exemplo um: Quando você está prestes a mudar de residência, aparecem desafios muito interessantes sobre as coisas que você dá ou não, importância. Se você mora sozinho, a coisa fica um pouco, somente um pouco mais branda. Mas se você mora com alguém, aí sim, tudo começa a ser questionado. Muito legal, vejam só! O grande desafio é provar militantemente que aquele treco, que às vezes seu companheiro (a) nem sabe o que seria, é algo muito importante pra você, e merece ser baldeado de casa em casa, muitas vezes um objeto sem utilidade, mas por conta de um valor sentimental, aquilo te persegue anos e anos ocupando os mais variados espaço de sua casa. O problema é que o espaço nem sempre é somente teu! lol! Mas o que este exemplo tão comum e óbvio tem a ver com o título, que parece tão científico? Vou resumir a ciência do pensar em nossas necessidades básicas, o pensar está em tudo, você pensa quando planeja, pensa quando está indo e pensa quando está voltando. Você pensa sempre, às vezes isso lhe traz muito lucro, muita alegria e às vezes muitas outras coisas, enfim, você pensa! E a forma de pensar tem suas variadas formas, e quando se fala de um pensamento

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linear, estou falando de quando você fala a seguinte expressão: Peraí! Vamos por partes! Ou senão você fala: fulano (a), vamos fazer sim, porém uma coisa de cada vez! Engraçado, neh? Estamos sempre dividindo tudo em "filas imaginárias" em nossas mentes, para que cada necessidade seja pensada (processada) em seu devido tempo, e em sua devida prioridade. Okay, isso tem vários apelidos, como foco, organização, planejamento, etc. Mas tudo isso tem um nome, chamado Raciocínio Linear Venho aqui defender a ideia de que um dia, não iremos mais pensar linearmente, e sim de forma multilateral. O que ocorre é que nós tendemos a recusar aquilo que não investimos pensando, como as coisas dos outros, dada a situação acima como exemplo, quando alguém que está com você perde o interesse em algo que pra você pode ser muito importante, ela simplesmente "não tinha pensado naquilo". Voltando a falar da fila do pensar, eu acredito que nós fomos fortemente influenciados pelos computadores, em nossa forma de agir e pensar. Os pioneiros da informática, tinham um desafio, que é na realidade o principal desafio até hoje: trazer para o nosso cotidiano, a cultura da organização, baseado em escritórios, como o próprio nome em inglês deu a um conjunto de aplicativos, nós fomos moldado a pensar de forma linear, como os processadores fizeram por muitos anos, colocando uma tarefa de cada vez, em fila, para poderem ser computadas. Apesar de nosso cérebro ainda ser o "computador" mais rapido (e também o mais subutilizado) do mundo, eu vejo que quando "pensamos" em fazer algo, quando utilizamos nossa cabeça para resolver alguma coisa, sempre tendemos a criar uma lista de prioridades, e ir resolvendo uma a uma. No falar, onde o pensar muda tudo no jogo da vida, se você pensar linearmente, você pode acabar falando muita besteira, ou ser taxado como uma pessoa antiquada. Acho que resolver as coisas de forma passo a passo, pode ser uma solução muito genial. Porém, acredito que precisamos ao menos saber, que os computadores que nos influenciaram no passado, com as suas tarefas em fila, por conta de limitações de capacidade, estes aparelhos evoluíram meu querido (a), eles evoluíram! Assim como os computadores hoje são capazes de executar várias linhas de computação, em nosso caso raciocínio, pode ter certeza de que estamos aprendendo a agir e pensar como eles, já que hoje somos rodeados

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de equipamentos. Uma dica de ouro com tudo isso, é que assim como você olha para os dois lados ao atravessar uma rua, te exorto meu caro (a) a "pensar" para os dois lados antes de falar algo, ou produzir algo, seja este algo um vídeo, uma foto, um meme, o que quer que seja. Pense de forma multilateral. Não há mais espaço para o raciocínio linear neste mundo tão multi. Não dá pra processar em partes, tudo que é atirado em nossas realidades de uma vez só. Em algum momento vamos responder, em algum momento vamos reagir; e a forma como vamos fazer isso, pode nos ajudar ou nos prejudicar. Por isso, defendo o raciocínio multilateral, para pessoas públicas, com a supracitada, isso deveria ser obrigação, ao falar em público, deveria ser criado um filtro, onde o limite da razão, fosse supervisionado pela moral, pelo zelo daqueles que são diferentes de nós. Já vi pessoas sendo "canceladas" por serem bem sem noção, esses foram evitados em certos grupos de amigos, ou estilo de vida. O grande advento veio por conta de uma pessoa que estava bem mergulhada em seu mundo; e, talvez pela primeira vez, foi solicitada a se expressar, a opinar, a julgar, seu intelecto foi posto, ou melhor exposto à prova, e não houve tempo nem oportunidade de se avaliar no que tanto ato particular iria causar ao público. Agradeço pelos milhões de espectadores que desviaram suas atenções da cena trágica que o mundo passa, para se reunir de frente à tv, para votar na moça que chocou o nosso Brasil, e ao mesmo tempo expõe uma realidade ignorada de nossas próprias deficiências internas, onde o número do desenvolvimento humano se mostra cada vez mais abstrato, e nossas lutas se mostram cada vez mais carnavalescas do que propositais, onde se protesta pelo avesso, e se grita pelo silêncio de nossas próprias razões, eu afirmo: se pensarmos de forma linear, todos nós seremos um dia Carol com K! Deixo vocês com esta reflexão, espero que gostem, espero também que sejamos mais multilaterais todos os dias, ao falar, lembremos dos "diferentes" de nós, vamos focar em dar importância aos que não são de nossa total estima, vamos focar em respeitar os que nao são de dentro do nosso ciclo de amizades. Vamos lembrar que hoje precisamos ser muito mais multilaterais, precisamos ofender menos, cancelar menos, e julgar menos. Queria que cada voto daquele programa fossem os votos de uma nova administração, ou de algo que nos trouxesse algo relevante, algo para nossa nação. Até a próxima votação!


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Nereide Santa Rosa

Artes para imaginar Em tempos de tristeza, preocupação, stress, vamos mexer com a imaginação dos artistas...

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A Arte é a maneira como o ser humano expressa e representa seus sentimentos, suas ideias e sua visão de mundo, expõe os problemas e as conquistas da sua comunidade.

ARTE & VOCÊ Nereide Santa Rosa Arte-educadora e escritora especializada em Arte, História e Cultura. Escreve sobre arteeducação, biografias de artistas e exposições de artes. Atua como palestrante nos Estados Unidos e Brasil. Publicou cerca de oitenta livros, vencedora do Prêmio Jabuti. Publisher Manager da Underline Publishing LLC e coordenadora do Focus Brasil Ny. nereideschilarosanta@gmail.com

ara a produção de uma obra de arte, seja visual, sonora ou corporal, o artista precisa definir a sua intenção ao produzir a obra e escolher uma técnica. Tudo depende da intenção do artista. Ele pode contar uma história, denunciar fatos, homenagear pessoas, mostrar como vive a sua comunidade, fazer algo que encante as pessoas ou fazer algo que surpreenda as pessoas. Para atingir a sua intenção, o artista pode escolher um tema, ou não. Existem artistas que descobrem o tema só depois que terminam a obra, e existem artistas que não gostam de temas e não se preocupam com isso. Depois que o artista define a sua intenção ao fazer a obra, ele escolhe a linguagem artística e a técnica que vai usar. Pintar, cantar, tocar, dançar, escrever poemas e textos literários, filmar, fotografar e muito mais, são formas de representação do pensamento do ser humano. A Arte é a maneira como o ser humano expressa e representa seus sentimentos, suas ideias e sua visão de mundo, expõe os problemas e as conquistas da sua comunidade. Como uma pessoa é diferente da outra, cada um tem um jeito próprio de expressar o que sente e pensa sobre o mundo em que vive. Por isso uma produção de arte é única. Pode ser uma pintura, um poema, um grafite, um passo de dança, a cena de um filme ou tudo isso

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junto. E esse conjunto de produções faz parte da cultura de um povo. As lembranças também são fatores importantes para o artista. A obra de Arte representa o que o artista observou e aprendeu durante sua vida. E as imagens feitas pelos artistas nos ajudam a entender as mudanças que ocorrem com o passar do tempo. tarsila do amaral Esta é a imagem da pintura A Gare da artista brasileira Tarsila do Amaral. Quando ela pintou esta obra, Tarsila estava interessada em representar temas urbanos. Esse período de sua vida ficou conhecido como Fase Pau Brasil, pois ela tinha a intenção de mostrar o modo de vida nas cidades brasileiras. Ao apreciar esta imagem, qual é a figura que você olhou primeiro? O que você vê nesta imagem? Figuras de trem, chaminé, casas, trilhos de trem, fábrica, telhado, árvores, lustre, torre de ferro.

Obra A GARE, de Tarsila do Amaral

sonoras do seu tempo de criança. Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 1887 e faleceu em 1959. Foi um compositor brasileiro que compôs obras musicais

para orquestra, cantores e conjuntos instrumentais. Suas composições são obras de arte inspiradas em temas da cultura popular brasileira. E a Literatura também se relaciona com ou-

tras maneiras de se fazer Arte. Afinal a literatura é uma forma de arte que usa as palavras. A música “O trenzinho caipira” foi composta por Heitor Villa-Lobos no ano de 1930 e faz parte de uma obra chamada Bachianas Brasileiras n.2 para ser tocada por orquestra. Anos mais tarde o poeta, escritor, crítico, biógrafo e ensaísta, Ferreira Gullar ou José Ribamar Ferreira que nasceu em São Luís no Maranhão. escreveu vários textos com estudos sobre Arte. Entre suas obras ele escreveu uma poesia para a melodia de Villa-Lobos. Se possível, pesquise e ouça a melodia “Trenzinho do Caipira”, cante a letra da poesia e imagine o trem de Tarsila do AmaraL saindo da estação da cidade e seguindo como diz estes versos da poesia: “vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar Correndo entre as estrelas a voar No ar no ar”....

Heitor Villa-Lobos trenzinho do caipira - autor Ferreira Gullar

O trem também foi tema para Heitor VillaLobos. A melodia “O trenzinho do caipira” é uma obra musical composta por ele. E tal como Tarsila do Amaral, buscou a inspiração nos trens para realizá-la. A sua intenção ao compô-la era resgatar as viagens de trem que realizou no início do século 20 para conhecer os costumes e a cultura brasileira, e relembrar as lembranças

Lá vai o trem com o menino lá vai a vida a rodar lá vai ciranda e destino cidade noite a girar lá vai o trem sem destino pro dia novo encontrar correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar cantando pela serra ao luar correndo entre as estrelas a voar no ar, no ar, no ar. (Link: http://www.vagalume.com.br/heitor-villalobos/trenzinho-caipira.html#ixzz2r9evOofG) .

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Anna Alves-Lazaro

O Direito não socorre aos que dormem Imigrantes vítimas de Violência Doméstica. Você conhece alguém?

É

Cônjuges abusivos costumam atrasar, revogar ou deixar de apresentar petições para seus familiares. Muitos cônjuges abusivos usam de ameaças de deportação se a vítima não “obedecer” suas ordens e vontades.

TRÁFICO HUMANO Anna Alves-Lazaro Advogada brasileira, naturalizada americana, Comunicadora Social, Relações Públicas, Presidente e Fundadora da Hope & Justice Foundation, Palestrante, Escritora, e Ativista no Combate ao Tráfico Humano e ao Abuso e Exploração Sexual Infantil. anna.alveslazaro@gmail.com

fato que onde há sociedade há lei como instrumento regulador dos direitos individuais e coletivos. Como sociedade civil organizada e moderna onde se tem amplo acesso às informações em tempo real. Se queremos justiça e reivindicar os nossos direitos devemos acionar o Poder Judiciário na figura do Estado-Juiz no qual estamos inseridos. Há uma conhecida máxima no Direito que para tudo existe uma solução, desde que pleiteada formalmente e tempestivamente, “Dormientibus non sucurrit jus”- o Direito não socorre aos que dormem. Considerando tal perspectiva, e trazendo para realidade dos imigrantes vítimas de violência doméstica, tráfico humano, exploração laboral, trabalho escravo e abuso sexual, entre outros crimes que ferem a dignidade da pessoa humana e os Princípios Fundamentais do indivíduo, aos que vivem nos EUA, para os quais, agora dedico esse artigo na esperança de que possa trazer um despertar para a busca dos Direitos destes. A vulnerabilidade do imigrante está diretamente relacionada com a dificuldade de comunicação (barreira do idioma), o desconhecimento da cultura, dos costumes locais, das leis e regras que pautam as relações sociais impondo deveres e conferindo direitos. Além dos aspectos sócioeconômico, psicológico e emocional. No entanto, irei aqui focar na importância do conhecimento dos direitos que estão postos para o imigrante vítima de violência nos EUA. Diariamente tenho me deparado com imigrantes que estão sendo submetidos aos piores e mais indignos tratamentos dentro de sua própria casa. Estas pessoas vêm sofrendo abusos e agressões física, emocional, psicológica e patrimonial. Estão sob ameaças de seus cônjuges, ou até de seus pais e/ou filhos. Tais abusos nas relações intra-familiares são identificados diariamente em nossos

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atendimentos. Muitos imigrantes, especialmente as mulheres, enfrentam desafios relacionados à violência doméstica quando dependem de um cônjuge cidadão americano, ou LPR (Legal Permanente Residente) para solicitar a residência para a vítima através do sistema de imigração com base na família. Pode também ter o seu status legal vinculado ao emprego do cônjuge. Tal situação gera vulnerabilidade e mais ainda se há dependência financeira. Cônjuges abusivos costumam atrasar, revogar ou deixar de apresentar petições para seus familiares. Muitos cônjuges abusivos usam de ameaças de deportação se a vítima não “obedecer” suas ordens e vontades. Mesmo quando o status legal da mulher não depende de um cônjuge abusivo que patrocine um visto, as mulheres não-cidadãs podem ter medo de denunciar o abuso ou exploração à polícia por temer que sejam deportadas e separadas de seus filhos e/ou familiares. Isso definitivamente fornece aos agressores uma ferramenta para silenciar suas vítimas. Na quase totalidade dos casos atendidos diariamente pela Hope & Justice Foundation, através de um dos Programas da Fundação, o GAMVV-Grupo de Apoio às Mulheres Vítimas de Violência, desconhecem completamente os Direitos conferidos pelo Estado aos imigrantes vítima de crimes, independentemente do status imigratório. É evidente que existem formalidades a serem cumpridas para a obtenção de tais Direitos. Há Leis Federais que conferem Proteções a imigrantes vítimas de crimes. Nas últimas três décadas, o Congresso fez inúmeras mudanças nas Leis de Imigração dos EUA

para oferecer proteções às vítimas não-cidadãs de violência e crimes domésticos. A Lei da Reforma da Imigração de 1990, permite que vítimas de violência doméstica que obtiveram Residência Condicional Permanente com base em seu casamento com um cidadão ou cidadã americanos, possam requerer a remoção dessa condicionalidade sem a assistência do seu cônjuge abusivo. Em 1994, o Congresso dos EUA aprova a Lei de Violência Contra as Mulheres (VAWA-Violence Against Women), que permite que vítimas não-cidadãs de violência doméstica obtenham ajuda da Imigração independentemente de seu cônjuge ou pais abusivos por meio de um processo chamado “auto-petição”. Em 2000, o Congresso aprova a Lei de Proteção às Mulheres Imigrantes Vítimas de Violência Doméstica, o VAWA 2000. Essa lei criou novas formas de ajuda da imigração para vítimas não-cidadãs de crimes violentos através do Visto U e para vítimas de agressão ou tráfico sexual através do Visto T. Em 2005, a Lei de Violência Contra as Mulheres que expandiu essas proteções para mais algumas vítimas de abuso, pessoas idosas, por exemplo. Finalmente, se você é vítima de algum desses crimes mencionados neste artigo, saiba que tem Leis Federais nos EUA que protegem independente do seu status imigratório. Procure em sua cidade um profissional da área devidamente habilitado e competente para prestar orientações. Informe-se sobre os seus Direitos e lute por eles. Lembre-se: o Direito não socorre aos que dormem! www.hopeandjusticefoundation.org/asking-for-help-2 Se você vir alguma coisa, diga alguma coisa! Quebre o silêncio. Denuncie!

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Eliana Barbosa

ATITUDES QUE ENGRANDECEM

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Condenações e queixas são posturas de distanciamento, enquanto que o elogio e o agradecimento são fantásticas atitudes de estreitamento dos laços afetivos, sociais e profissionais.

o palco das relações humanas, fica muito claro, para todos nós, o quanto é complexo conviver pacificamente. É preciso sabedoria, tolerância, compaixão e muita compreensão, porque por mais rudeza que alguém demonstre em seu comportamento, dentro dele mora um filho de Deus, com potencialidades ainda ocultas, e muitos medos, traumas e carências – de ordem afetiva e emocional – para serem curados. Devido à baixa autoestima e insegurança que ainda dominam a vida da maioria das pessoas, fica muito evidente no comportamento delas a necessidade de ter seu valor reconhecido pelos outros. E, sabendo dessa carência humana, você pode entender melhor o poder transformador do elogio e da validação nos relacionamentos. É através do elogio genuíno - sem afetação -, que você vai construir pontes entre você e os que o cercam, derrubando os muros da arrogância e do egoísmo – duas posturas de vida que nos distanciam das realizações.

Eliana Barbosa é life coach, psicoterapeuta, articulista de jornais e de revistas de circulação nacional e internacional, autora de vários livros no campo do autodesenvolvimento, apresentadora de programas em TV e rádio, e ministra palestras e cursos transformacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Conheça melhor as suas atividades profissionais no site www. elianabarbosa.com.br eliana@elianabarbosa.com.br

Tanto na vida amorosa, familiar, social ou profissional, a melhor forma de se aproximar das pessoas e conquistálas para o seu modo de pensar é elogiar o seu progresso, por menor que seja, e incentivá-las continuamente, de preferência em público, para que todas se sintam motivadas a crescer também. E o mais recompensador é que ao reconhecer o valor do outro você ativa um círculo virtuoso, atraindo para perto de si, naturalmente, pessoas incentivadoras, cheias de gratidão e entusiasmo. E caso você precise fazer uma crítica, para que ela seja realmente eficaz e não provoque ressentimentos, atente para isso: fale com a pessoa em particular e expresse primeiro os seus próprios

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erros e dificuldades; em seguida, faça um elogio merecido, encaixe a crítica necessária e finalize com mais um elogio, deixando na outra pessoa a sensação de que o erro dela será fácil de corrigir. Esta é uma infalível receita para você – que nasceu para vencer e que sabe que todos nós precisamos uns dos outros. Encerro esta reflexão com um breve conto de autor desconhecido que nos mostra que se atribuirmos a alguém uma boa fama, com certeza essa pessoa fará tudo para mantê-la: “Poucos meses depois de se mudar para uma pequena cidade, uma mulher reclamava a seu vizinho sobre o péssimo serviço que havia recebido de uma mercearia local. Ela sabia que seu vizinho era amigo do proprietário e esperava que ele transmitisse sua queixa. Na visita seguinte que ela fez à mercearia, o proprietário recebeu-a com um largo sorriso e disse o quanto estava feliz em vê-la novamente. Esperava que ela estivesse gostando de sua cidade e, ainda, disse que teria imenso prazer em ajudá-los a se estabelecerem. Atendeu pronta e eficientemente o pedido que ela fez. Mais tarde, a mulher relatou a miraculosa mudança para seu vizinho e comentou: ‘Suponho que você tenha dito a ele como achei ruim seu atendimento, não disse?’ E o vizinho, sorridente, respondeu: ‘Bem... não. Espero que não se importe, mas... na verdade, eu disse a ele que você estava surpresa por ele ter conseguido montar, numa cidade pequena, uma das mercearias mais bem dirigidas que você já havia visto. Foi apenas isso que eu disse a ele.” Portanto, guarde bem: condenações e queixas são posturas de distanciamento, enquanto que o elogio e o agradecimento são fantásticas atitudes de estreitamento dos laços afetivos, sociais e profissionais.


Comunidade

William e Pearl Halikman

Amor unido por duas Américas

I

migrar é difícil. Apesar da tecnologia atual -que aproxima as pessoasainda assim, há risco e receio para quem quer mudar de país.Imagine tomar esta decisão na década de 1960, quando poucos brasileiros saíam do Brasil. Esta é a história da brasileira, Perola Krutman, neta de imigrantes oriundos do leste europeu, que nasceu em Recife, PE, em 1940. Mais de meio século vivendo na América, agora a vida de Perola está registrada no livro “A Pearl and Her King”, obra escrita por Pamela Ruben, que relata fatos compilados diretamente dos protagonistas “Pearl & King”: a brasileira, Perola e o americano, William Halikman. O livro narra, com bom humor, o início do relacionamento, em um encontro imprevisível. Ainda assim, o destino selou a relação que dura mais de 60 anos. No início, a dificuldade de comunicação era grande. William não falava Português e Perola não sabia nada de Inglês. Apesar disso, o amor falou mais alto e o casamento aconteceu seis meses após o primeiro encontro. Dois filhos brasileiros nasceram desta união, que teve início, em 1958, no Brasil até a transferência de William para os EUA, em 14 de fevereiro de 1963, quando ele foi trabalhar na NASA, Cape Canaveral,FL. Nesta época, a diferença entre Brasil e Estados Unidos era bem acentuada.

Máquinas já faziam parte do cotidiano da rotina doméstica da mulher americana. Até a tarefa de lavar e secar roupa era um risco para Pearl. Um belo dia ela quase pôs fogo na casa quando a lavadoura automática explodiu, quando foi acionada incorretamente. Foi na América que Pearl aprendeu o ofício de cabelereira. Após trabalhar no ramo por vários anos como funcionária; Pearl criou coragem para abrir o seu próprio salão, em Brevard County, Fl: Copacabana. O local era bem frequentado e ficou conhecido por atender clientes famosos que passavam férias em Cocoa Beach ou moravam na região; entre eles destacamse atrizes e astronautas. Foi em New York onde Pearl adquiriu a técnica de fazer apliques para cabelo. O produto era para atender pacientes de câncer que perdiam os cabelos após a quimioterapia. Anos mais tarde, esta ação filantrópica rendeu à estilista um prêmio da American Cancer Sociaty. Desde criança Pearl aprecia o desenho. Agora, aposentada, ela dedica seu tempo para a pintura. A autora explica sua paixão pela natureza como foco de inspiração. “Somos como as árvores: produzimos frutos, precisamos de água e sol para criar raízes profundas. Devemos balançar conforme o vento para não quebrar”. O livro “A Pearl and Her King” pode ser encontrado no Amazon.com 21

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Peter H. Peng

Tao, visão do mundo através de um prisma oriental Entendendo um outro mundo

O

s leitores do B&B estão cansados de saber que escrevo sobre a China. Este artigo joga uma nova luz no mapa, e prometo, não é repeteco. A demanda por informações sobre a China decorre das surpresas que a China apresenta a cada curva da estrada. As inovações tecnológicas são tantas; porém novas tecnologias são fáceis de explicar e entender. São ciências lineares, basta conectar as linhas. O difícil de entender são as mudanças disruptivas num mercado, numa sociedade, ou para usar o termo da moda, mutações do ecosistema. É difícil entender evoluções que requerem mudanças mais ou menos radicais no modo de pensar, pois cultura é entranhada em cada um de nós. Como um cara mais ou menos bi-cultural, eu posso entender melhor os dois lados. O entendimento da China e das empresas chinesas pode ser melhor esclarecido se passarmos pelo tao, um prisma que filtra a luz que a China vê. Uma boa analogia encontrei no Página/12, um jornal argentino; intelectual como a nossa Piauí. Esse jornal argentino discorre sobre a filosofia taoísta, do yin e yang, o claro-escuro, luz-sombra, positivonegativo, quente-frio, a unidade dos opostos, o equilíbrio, e usa o tao para explicar as surpresas com as quais os chineses nos presenteia. Página/12 inicia descrevendo o platonismo e o tao mostrando aí as diferenças entre duas visões do mundo: a grega (origem do pensamento Ocidental) e a chinesa

(Oriental). Para Platão (~400 BC), o filósofopai de todos Ocidentais, antes de iniciar uma ação, é necessário traçar um plano. Hoje os herdeiros do platonismo fazem um plano de operações e rolam planilhas, muito Excel nas nossas vidas. Os generais ocidentais tecem um plano ou modelagem no qual calculam um número de mortos e feridos, nas tropas aliadas e nas inimigas, chegando a um ponto de inflexão a partir do qual o inimigo se rende incondicionalmente. Os homens-de-negócio tecem um plano ou modelagem que culmina numa curva de crescimento e num cálculo de taxa de retorno. Não é à toa que os generais ocidentais que sobem ao topo são os especialistas em logística. Já o clássico chinês “A Arte da Guerra”, por SunZi, também escrito Sun Tzu, ~500 BC, ignora essas questões: seu eixo é o "potencial da situação". Este estrategista oriental não parte de uma modelagem, ou planejamento, mas do estudo de cada contexto: como a água, deve-se encontrar o declive natural. O bom general oriental faz a avaliação constante dos fatores favoráveis e desfavoráveis para ambos os lados: qualidade e quantidade das tropas, seu moral, competência dos generais, relação do rei com seu povo. Pesando os fatores, eles criam um quadro de guerra sem se prender a um plano que expirará rapidamente, no calor do combate. Ainda usando a metáfora da água, ela conforma-se ao objeto que coabita o seu espaço, assim como

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ritmo por cima da nossa, já equiparada em PIB per capita mas com muito melhor distribuição de renda e custo de vida muito menor, ou seja, o poder aquisitivo é superior. É o país que mais cresceu em 2020, enfrentando o Covid-19, mais do que a China, que foi a única economia entre os desenvolvidos que cresceu em 2020 (2,8% no Vietnam contra 2,3% da China).

as artes marciais usam a força do adversário para derrubá-lo. “As tropas vitoriosas são aquelas que venceram antes de entrar no combate; os perdedores são aqueles que só buscam a vitória no momento do combate ”. Tudo acontece antes, na fase da paciência. O heroísmo não existe. Essa "falta de mérito" é o grande mérito. O exemplo de guerra de mais recente memória foi a Guerra do Vietnam. O Ocidente nunca entendeu como os americanos perderam a guerra do Vietnam, dada sua tremenda superioridade militar e o seu uso sem restrição moral de bombas de napalm, o desfoliante que destruía as florestas vietnamitas eliminando assim os supostos esconderijos dos vietcongs. Os EEUU se prepararam para a grande batalha, quando o inimigo jogaria a toalha, mas os vietcongs frustraram o confronto: eles gradualmente desmoralizaram os americanos com a guerra de guerrilhas, até que os americanos deram no pé. Fugiram, literalmente. Aqui se diz: a guerra do Vietnam foi ganha no asfalto da Quinta Avenida (5th Ave. - rua central de Nova Iorque ). Lembram da Jane Fonda? E vejam como está hoje o Vietnam, apenas 50 anos depois. De um país atrasado, e arrasado tanto pela guerra com os americanos como por séculos de colonização francesa (bárbaros, que deixaram terra arrasada por onde passaram, por exemplo, por toda a África), hoje, com 40% da população do Brasil, tem uma economia pujante, que passa voando em

Como isso se repete em negócios e em mutações sociais? Permitam-me dar um exemplo que conhecemos de perto. O Uber iniciou e dominou por muito tempo os aplicativos de automóveis de aluguel. A China abriu as portas ao Uber, que tinha o plano de monopolizar esse mercado na China, como já havia feito em outros países. A leitura deles era que o Didi, o Uber chinês, que tipicamente usa frotas com padrão mais baixo, não iria resistir a um modelo superior. De repente o Didi deu um nó no Uber, o absorbeu e o Uber abandonou seus ativos na China. O Didi no Brasil é a 99, que já opera em mais de 300 cidades brasileiras. Com 31 milhões de motorista, o Didi vai passando o Uber, e um dos diferenciais foi modo de tratar os taxistas convencionais como parte do seu ecosistema, os cooptando, ao invés de confrontá-los, como o Uber fez. A precificação do Uber aos motoristas é brutal, 25% mais taxas. O Didi tem taxa variável, de 6 a 20%, com incentivos por produção, e não tem outros encargos. O Didi 22

trabalha, sim, com frotas mais baratas, mas os usuários estão bem com isso, se o preço for melhor. A mais nova modificação de seu entorno no Brasil foi a parceria com o WhatsApp, que é usado por 120 milhões de brasileiros, e permite a conexão com o aplicativo diretamente pelo WhatsApp sem passar pelo aplicativo Didi. Abre caminho também para aqueles que não recebem telefonia móvel ou localizados onde o sinal é fraco, e usuários que possuem telefones mais simples e limitados. O Didi vai modificando o ecosistema em seu entorno. Aliás o Uber também faz, integrando-se aos restaurantes, aproveitando a pandemia, mas faz isso de modo a se comportar como o dono de milhares de restaurantes. Os restaurantes trabalham para o Uber, que cobra até 35% de comissão. A Uber é dona de uma frota de milhões de automóveis e de uma rede de milhões de restaurantes. Os motoristas do Uber e os cozinheiros desses restaurantes são reféns, e trabalham para o Uber. O Didi tem milhões de parceiros. Escrevendo sobre a China, na tentativa de ajudar o Brasil a deixar de ser o país do futuro, deitado eternamente em berço esplêndido, tive percalços pelo caminho. Um leitor me acusou publicamente, escrevendo para o B&B, de eu ser ponta-de-lança de Pequim. Eu respondi educadamente convidando-o a me visitar como amigo, e tomar um café

que torro artesanalmente a partir de grãos crus. Enviei um CV e a biografia familiar, salientando o histórico de nobreza e educação superior, de empreendedorismo por 50 anos, sempre na iniciativa própria, desenvolvendo minhas próprias inovações tecnológicas ou vivendo apenas do meu conhecimento técnico-científico. Aí em seguida contestei o título que esse leitor me outorgara. Argumentei que depois que o João Saldanha reinventou o futebol, não existe mais ponta-de-lança. Disse: os últimos foram o Pelé e o Zico. Fora do Brasil, o DiStefano, Platini, Cruyff; e claro, El Pibe, o maior craque de todos os tempos, um que nunca será superado, pois contava com La Mano de Dios. Entenderam o tao? Um boxeador tentou me dar um soco frontal. Num golpe de tai-kai, desviei o golpe e em seguida o derrubei no chão e o imobilizei com uma chave de pescoço. Entenderam agora o que o Didi fez com o Uber? E o que o Ho Chi Minh fez com o Westmoreland? É isso.

VÔO PÁTRIO Peter Ho Peng nasceu na China e cresceu em Porto Alegre. Formou-se na UFRGS em engenharia química e na Georgia Institute of Technology (MSc e PhD). É morador de Tierra verde, Flórida. peterhpeng@yahoo.com


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Jornal B&B - Brasileiras & Brasileiros - Edição de Março de 2021  

Um ano de COVID-19 e ainda existe um questionamento sobre a importância das vacinas no controle da pandemia. Nesta edição, o jornal B&B entr...

Jornal B&B - Brasileiras & Brasileiros - Edição de Março de 2021  

Um ano de COVID-19 e ainda existe um questionamento sobre a importância das vacinas no controle da pandemia. Nesta edição, o jornal B&B entr...

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