Jornal A Raposa | Edição 2 | Out/2016

Page 1

a RAPOSA Caçamos as melhores notícias para você Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

Vereadores querem

dobrar salários

Projetos de Lei que aumentam a remuneração de vereadores, prefeito, vice e outros funcionários foram aprovados por unanimidade na Câmara Municipal, na antevéspera das eleições. Apesar do veto total apresentado pelo Executivo, subisídios podem ser reajustados em mais de 90% | 3 e 4 Arquivo pessoal/Facebook Jéssica Ribeiro

Vários Olhares: Jéssica Ribeiro captura sinais do passado na cidade | 11 WALTER FERREIRA É preciso dar um basta

COMPORTAMENTO à busca incansável pela EM DIA beleza perfeita | 14

ENTREVISTA

Sargento Coelho critica ataques em campanha e já mira as próximas eleições | 8 e 9


OPINIÃO | 2

| = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2- Outubro de 2016

Editorial Nossa gestão pública precisa ser mais eficiente Fim de campanha. Fim de eleição. Vencedores e perdedores definidos pela maioria, assim como tem mandado a democracia no nosso país. Cabe-se agora pensar que, por trás de cada voto há um desejo, uma expectativa. “Eles resolverão o problema da Unidade Mista de Saúde”. “Ele e ela conseguirão frear a escalada da violência”. “Eles farão parcerias para gerar empregos e renda”. Ao menos foi isso o que o novo prefeito e a vice se comprometeram a fazer. O programa de governo deles será guardado para avaliações. Cada promessa feita está atrelada a algumas perguntas: “Como isso será feito? Com que dinheiro? Quando ficará pronto?” Há a real vontade de descascar os abacaxis espalhados em Raposos, mas algumas respostas ainda não estão claras. Entre outras coisas, as eleições de 2016 ficarão marcadas a um fato paralelo: o aumento de mais de 90% nos subsídios do Legislativo e Executivo, aprovado por unanimidade, sem conhecimento da população, na antevéspera da decisão nas urnas. Vetados mais tarde pelo atual prefeito, os projetos que quase dobram a remuneração dos políticos e de outros cargos foram recebidos com revolta por grande parte da população. O aumento é legal, dizem uns. O aumento é imoral, dizem outros. A cidade virou assunto nacional. Mais uma vez, o povo quer respostas. “Por que reajustes tão altos? Por que não ficamos sabendo antes?” A verdade é que talvez a notícia não fosse tão mal recebida se a gestão pública fosse mais eficiente e a cidade não deixasse, em alguns setores, de oferecer o básico. A mobilização popular será testada. É possível construir uma carreira política, mas isso não pode ser visto como uma profissão. Devemos cobrar, participar, fiscalizar e torcer para que os candidatos eleitos tenham sucesso em sua empreitada. Afinal, nossas vidas dependem disso. As eleições terminaram, mas novos desafios acabaram de começar.

Cada promessa feita pelos candidatos eleitos, traz em si algumas perguntas: “Como? Com que dinheiro?”

a

RAPOSA

Diretor/jornalista responsável: Sergiovanne Amaral Diagramação: Black Comunicação e Artes Comercial: Gizele Aparecida Oliveira ( 9 9988- 6376) Colaboradores: Adriane Spínola, Angélica Castro, Fernando Alves, José Francisco Gurgel, Westerlei Borges, Walter Ferreira, Fausto Duarte E-mail: jornalaraposa@gmail.com | Tel: 31 3543-2087 Anúncios: comercialaraposa@gmail.com | 9 9988-6376 Tiragem: 4 mil exemplares

Eny Amaral Nunes Pedagoga e teóloga

Violência: ainda há solução para o problema Durante os últimos séculos, o valor das relações sofreu um declínio marcante, dando lugar a uma força compulsiva que vem operando por trás dos atos individuais de transgressão. O homem tem vontade livre para fazer o que quiser. São atos que tendem a ser dimensionados por motivações desordenadas, quando se tem uma visão analítica dos efeitos projetados pelas injustiças sociais, pelo domínio de classes e corrupções em nossos dias. A impunidade evidenciada tornou-se um convite ao comportamento compulsivo, profundamente enraizado numa alienação de Deus, dando lugar à violência. A impiedade obscureceu o coração dos homens, tornando-os quase cegos, com uma visão deficiente da verdade.

Nesse contexto, é como se ao observarem um iceberg, preocupassem apenas com o que está visível acima do nível da água. Como um capitão marítimo ingênuo, que dirige o seu navio ao redor da ponta do iceberg, sem a mínima idéia de que debaixo da superfície há uma montanha de gelo que pode arruinar a sua embarcação. Uma grande massa de crenças e motivos mal direcionados, têm dado lugar à violência em suas multifaces. A experiência do gosto amargo de uma mãe que vê sua filha violentada e esquartejada, a aflição de uma criança torturada e assassinada pelo seu progenitor, a angústia familiar diante da perseguição e seqüestro de um ente querido, o roubo desmedido dos cofres públicos provoca-

do pelos detentores do poder, traduzem um quadro real em nossos dias. Diante de tal realidade, é preciso ressaltar que há solução para o problema da violência. É preciso mudar. A verdadeira transformação significa mudança que vai além de todos os contornos sociais, “a mudança no homem interior”. É preciso que o homem revele a inconformidade com este mundo mas que seja transformado pela renovação da sua mente. É preciso buscar as coisas do alto e a vida ser confrontada pela mensagem de Deus. É preciso que todos saibam que um dia alguém disse algo que não pode ser ouvido de forma indiferente: “Sem mim nada podeis fazer”. Jesus, o verdadeiro combatente!

Anuncie com a gente! comercialARAPOSA@gmail.com.br 9 9988-6376 | 9 9860 - 0691


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

| = a RAPOSA = |

POLÍTICA |

3

Câmara aprova reajuste que quase dobra salários de vereadores e prefeito Projetos de Lei foram aprovados por unanimidade na sexta-feira anterior às eleições, mas recebeu veto total do Executivo. Subsídio do prefeito pode chegar a quase R$ 22 mil a partir de janeiro de 2017 A população de Raposos teve uma surpresa polêmica logo após as eleições: a Câmara dos Vereadores aprovou, por unanimidade, os Projetos de Lei (PLs) 27, 28 e 29/2016, que reajustam os salários do prefeito, vice-prefeito, chefe de gabinete, procurador-geral, secretários e vereadores. Os novos subsídios e a forma como os projetos foram votados pelos vereadores - na sexta-feira à tarde, antevéspera das eleições chegaram a repercutir em jornais de alcance nacional. O vereador José Martins, o Buiú de Zezito, não compareceu à Casa no dia da votação. O salário do prefeito, que no início de 2013 era de R$ 11.350,45, deverá passar, a partir de 2017, ao que indica o posicionamento dos parlamentares, para R$ 21.792,86. É um aumento de 92%. O mes-

Os reajustes propostos Projeto de Lei 27/2016 PREFEITO Atual: R$ 11.350,45* Proposto: R$ 21.792,86 VICE-PREFEITO Atual: R$ 4.773,55* Desejado: R$ 9.165,15 Projeto de Lei 28/2016 SECRETÁRIOS, CHEFE DE GABINETE E PROCURADOR-GERAL Atual: R$ 2.651,97* Desejado: R$ 5.091,78 Projeto de Lei 29/2016 VEREADORES Atual: R$ 3.460* Desejado: R$ 6.643,20 *Subsídios estipulados para o mandato atual

mo percentual foi aplicado no reajuste salarial dos outros cargos (veja quadro). A título de comparação, o prefeito de Belo Horizonte, com 2,5 milhões de habitantes, recebe, hoje, R$ 24.721,25, brutos. A justificativa da Câmara é que os subsídios estavam desatualizados. Um dos principais indicadores para recomposição salarial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), não era atualizado há anos. No caso do prefeito, desde 2009. Atualmente, o salário líquido de um vereador é de aproximadamente R$ 2.900. O atual prefeito pode estar recebendo cerca de R$ 13 mil, segundo fontes ligadas ao gabinete. Ainda segundo a Câmara, a votação dos PLs havia sido marcada com pelo menos um mês de antecedência. “Em agosto isso já estava sendo discu-

tido”, disse o presidente da Câmara, Léo da Bota. Essa informação reforça a afirmação de vereadores da oposição de que o prefeito atual sabia dos projetos antes das eleições, apesar de o mesmo ter negado. Mobilização popular Desde a notícia do aumento, grupos têm-se articulado nas redes sociais para uma mobilização popular em 8 de novembro, dia da votação do veto, para tentar convencer os políticos a desistirem dos reajustes. O parecer da Comissão Especial que analisou o veto do prefeito recomendou que ele fosse derrubado. Segundo o setor jurídico da Câmara Municipal, caso o veto não seja mantido, os projetos não poderão ser anulados depois. No entanto, nada impede que os políticos abram mão de seus reajustes.

Prefeito criticou votação e vetou projetos O prefeito Sargento Coelho vetou todos os projetos. Procurado pela imprensa, ele mostrou-se surpreso e indignado. “É claro que vou vetar! Uma atitude dessas é uma vergonha! Isso foi votado na surdina, enquanto o povo prestava atenção na campanha. Por que não foi votado bem antes? Por que o povo não teve conhecimento?” disse, revoltado. Como todos os vereadores já sabiam com semanas de antecedência da votação dos projetos, a oposição afirma que o prefeito também tinha co-

nhecimento da existência dos Projetos de Lei. O veto total do Executivo foi lido na Câmara em reunião pública no dia 25 de outubro. A crise econômica que atinge o país, a baixa arrecadação do município e até a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que estipula tetos para os gastos públicos pelos próximos 20 anos foram alguns dos argumentos. No mesmo dia, uma Comissão Especial foi escolhida para analisar o posicionamento do prefeito e apresentar um parecer aos vereadores.

O veto pode ser mantido ou derrubado em votação dos parlamentares. Segundo fontes ligadas ao Legislativo, pelo menos dois vereadores sinalizaram que mudariam o posicionamento, passando a apoiar o veto. A primeira Comissão Especial selecionada para analisar o parecer do Executivo era formada por Nélisson (presidente), Pastor Agnaldo (relator) e Luiz Amaro (membro). Dias depois, Pastor Agnaldo deixou a comissão e foi substituído por Margareth Torres.


4 | POLÍTICA | = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

Segundo a lei, reajustes dos subisídios poderiam ter sido ainda maiores Segundo a Constituição, remuneração dos vereadores está atrelada a dos deputados estaduais. No caso do prefeito, o teto é o salário do STF

Funerária Raposos Ao seu lado em horas difíceis

Plantão 24 horas

3543-1230

Rua Professor Antônio Ernesto, 35, Centro - Raposos - MG

Cerca de R$ 7.600. Esse é o valor máximo que pode atingir o subisídio de um vereador em Raposos. O valor do teto é definido com base no salário dos deputados estaduais e no número de habitantes. De acordo com a Constituição, nas cidades com população variando de 10 mil a 50 mil habitantes, um vereador pode receber até 30% do que recebe um deputado estadual. Hoje, o salário bruto de um deputado em Minas Gerais é de R$ 25.322,25. Há, no entanto, outras limitação. Os gastos com

a Câmara dos Vereadores não podem ultrapassar 5% da receita municipal. O cálculo é feito com a receita do ano anterior. Disparidade No caso dos prefeitos, o teto é a remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que atualmente é de R$ 33.673. Essa regra dá margem para que em todo o Brasil ocorram disparidades no funcionalismo público. O teto permite que prefeitos de cidades consideradas pequenas ou médias recebam mais que os prefeitos de cidades com

milhões de habitantes. A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que o Poder Executivo Municipal aplique até 54% da Receita Corrente Líquida (RCL)em salários. Erros de cálculo ou reajustes na folha de pagamento incoerentes com a realidade dos municípios onde os aumentos são aplicados podem impactar negativamente na gestão. Essa realidade é observada principalmente nas cidades em que o Fundo de Participação dos Municípios é o principal componente da arrecadação, como Raposos.


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

| = a RAPOSA = |

POLÍTICA |

5

Pra gostar de política

FAUSTO DUARTE Quanto tempo esperar pelas mudanças daqui?

Agradecimento aos Raposenses Quero agradecer a todos eleitores que acreditaram em nossa campanha e foram às urnas para votar em nossa coligação. Ofereci minha vida pública de vários anos sem uma mancha sequer, sem um único processo que colocasse em dúvida minha honra e minha honestidade. Sou grato às pessoas que me receberam em suas casas, à militância que me acompanhou pelas ruas de Raposos, aos candidatos a vereador, à minha família, sempre amiga e solidária, a todos que me incentivaram e a Deus, por ter me permitido chegar até aqui. Um agradecimento especial a Wagner Marques, meu amigo de chapa, incansável, dedicado, íntegro e leal, que esteve sempre ao meu lado. Como amo essa cidade e vou continuar vivendo aqui, desejo êxito e um fraterno abraço aos futuros gestores.

Helinho Rocha

Tem alguma ideia ou sugestão de matéria para o nosso jornal? Whatsapp 9 9860-0691

Raposos, como todo o Brasil, sonha com uma mudança política. Mas o que será essa mudança? Será que o resultado das urnas em 2 de outubro espelhou essa mudança? Hoje, o país grita por transformação, mas estamos longe dela. Nossos políticos manipulam nossa vontade de forma cruel e muitas vezes tal manipulação passa totalmente despercebida por nós. O povo foi às ruas em 2014 para pedir alterações em nossa legislação eleitoral e o que os políticos deram como resposta? A diminuição do prazo de campanha, que só vem a proteger os que já estão na política há muito tempo e dificultar a tão sonhada mudança. Parece que estamos distantes dessa realidade, quando na verdade estamos muito mais próximos do que imaginamos. Façam uma pequena análise e vejam quantas caras novas temos na política local. É assustador! Mesmo tendo uma renovação de 2/3 do legislativo, somente 1/3 dos eleitos para o mandato de 2017 a 2020 nunca se candidatou a nada, ou seja, estamos longe da nova política tão desejada pela grande maioria. Precisamos insistir para que as tão sonhadas transformações aconteçam e entender que a máquina pública é nossa! O dinheiro que os políticos administram é nosso! A cidade que eles vão cuidar é nossa! As vidas que eles vão gerir são nossas! O futuro que está em jogo é o nosso! Quem paga os salários dos políticos somos nós! MUDA RAPOSOS, vamos fiscalizar e exigir que trabalhem para nós da forma que precisamos e queremos. O dinheiro público precisa ser fiscalizado e bem gerido, pois ele é nosso! Esperamos um Legislativo que realmente seja a representação da mudança sonhada pelo povo e um Executivo transparente, e que respeite a coisa pública. Vamos juntos fiscalizar, pois a transformação depende de nós!

O dinheiro que os políticos administram é nosso! A cidade que eles vão cuidar é nossa! As vidas que eles vão gerir são nossas!


POLÍTICA | 6

| = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016 Melhoria de performance física e esportiva Emagrecimento Doenças nutricionais Acompanhamento nutrológico pós cirurgia bariátrica Mudança de estilo de vida Medicina preventiva

Dr. Rodrigo Sabarense CRM - 47636

Rua Levindo Lopes, 333- Conj. 1505 Savassi - Belo Horizonte Tel: (31) 3281-0711

Supra Sumo

Tattoo

DESENHOS TATUAGENS PERSONALIZADAS Rua Santa Cruz, 130, sl 304 | Centro - Nova Lima/MG Instagram: @westerleisuprasumotattoo Whatsapp: 31 9 9394-9018


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

| = a RAPOSA = |

Resultado das eleições trouxe renovação para a Câmara e a prefeitura Arquivo pessoal/Facebook

Serginho e Gianetti comemoraram uma vitória com margem de mais de 600 votos

Sem representação feminina na Câmara Apesar de 33,5% dos candidatos serem do sexo feminino, nenhuma mulher foi eleita vereadora. Com a saída de Margareth Torres, que não conseguiu se reeleger, o Legislativo passa a não ter

representantes femininas, refletindo uma realidade criticada em todo o país. Dos 161 candidatos, 54 eram mulheres. Para a engenheira Carolina Gurgel, isso ressalta um antigo e negativo

O jogo das cadeiras Confira quem entrou, quem saiu e quem deve continuar na Câmara Municipal em 2017.

Permanecem Pastor Agnaldo - 248 votos Léo da Bota - 683 votos Evandro Social - 230 votos

comportamento social. “Ainda persiste a ideia de que ela deveria estar em casa cuidando do marido e dos filhos. Quero uma mulher na Câmara que esteja atenta às questões pertinentes às mulheres”.

Serginho da Bota e Gianetti. A partir de janeiro de 2017, eles ocuparão, respectivamente, os cargos de prefeito e vice-prefeita de Raposos. A parceria inusitada (Serginho demorou a anunciar sua vice e cogitou outros nomes antes de procurar Gianetti) saiu vitoriosa, com 3.724 votos e uma diferença de 614 votos para a chapa que ficou em segundo lugar, formada por Sargento Coelho, atual prefeito, e o professor Hugo. Foi a segunda vez que Serginho, eleito vereador quatro vezes, tentou ocupar o maior cargo do Executivo Municipal. Ao todo, seis chapas concorreram à prefeitura de Raposos. Os estreantes Fausto e José Gleisson ficaram em terceiro lugar, surpreendendo aqueles que criticaram o fato de não serem muito conhecidos na cidade. Eles ti-

POLÍTICA |

7

Seguindo a tradição, prefeito e vice não foram reeleitos. Câmara sofreu alteração de 2/3. A base do governo passa, agora, a ter a maioria dos vereadores: pelo menos seis dos nove veram o apoio de 1.292 eleitores. Na sequência ficaram Helinho Rocha e Waguinho Marques, com 905 votos, Timbal de Merico e Geraldo Car Love, com 858 votos e, em último lugar, Deí Bombeiro e Daywison Cunha, com 673 votos. Um detalhe chamou a atenção nessa eleição: votos brancos e nulos totalizaram 913, ficando à frente do quarto, quinto e sexto lugares. Caras novas A Câmara Municipal passou por um processo de renovação. Dos nove vereadores, apenas três foram reeleitos (veja arte abaixo). A base do governo passa a contar com pelo menos dois terços. Seis vereadores apoiaram Serginho da Bota durante a campanha. Rafael Gonçalves, Leleco Caixa e Pastor Agnaldo fizeram parte de outras coligações.

Saem Natim - 379 votos Buiú - 161 votos Nelisson - 188 votos Avai - 188 votos Margareth - 114 votos Pescoço de Peru - 133 votos

Entram Zezé Maravilha - 141 votos Paulinho do Salão - 286 votos Rafael Gonçalves - 75o votos Hugo Vistoriador - 271 votos Jean Vila Bela - 405 votos Leleco Caixa - 564 votos


8

| ENTREVISTA | = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

“A cidade ainda vai precisar muito de mim” O prefeito Carlos Alberto Coelho de Azevedo, conhecido como Sargento Coelho, construiu sua vida política em Raposos. Sua ascenção - começou como vereador em 2004, foi reeleito em 2008 e tornou-se prefeito em 2012 - só teve uma pausa na última eleição, quando perdeu. Ainda assim, teve mais de 3.100 votos, ficando em segundo lugar. Sargento da Polícia Militar, aos 55 anos ele avalia a campanha, comenta os principais assuntos que permearam seu mandato e deixa bem claro que estará de volta à disputa municipal em 2020 Qual sua avaliação da campanha? Foi uma campanha limpa? Não. Foi uma campanha cruel, uma campanha covarde, tendenciosa. Nunca apanhei tanto na minha vida como apanhei nessa campanha. Havia um grupo de pessoas só para falar mal de mim. As pessoas têm nos procurado e falado que, infelizmente, a compra de votos nesse país, e principalmente nessa cidade, é real. Depois das eleições circulou um áudio no whatsapp em que o senhor dizia que era o fim da sua carreira pública. O que aconteceu? Ãs vezes, no calor da emoção falamos o que não deve. Não vou mentir, fiquei muito magoado. Tive 3.110 votos, mas infelizmente perdemos a eleição. É o processo democrático. Meus adversários políticos podem ter certeza de uma coisa: em 2020 estou aí para disputar eleição a prefeito.

Nesse áudio o senhor diz que a cidade está num barco sem rumo. Por que disse isso? Não comprei um voto. Não estou dizendo que alguém comprou, mas para quem sabe ler, um pingo é letra. Foram feitas alianças perigosas com um (ex) prefeito e uma (ex) prefeita que estão inelegíveis. Foram feitas alianças com pessoas que querem o poder a qualquer custo. Pessoas perigosas. Por isso acho que nossa cidade está numa nau sem rumo.

Como explica a ascenção de sua vida política? Sempre crescemos. Da eleição passada para essa, saímos de 2.422 para 3.110 pessoas. É o meu caráter, minha honestidade, meu jeito simples de ser. Sinto-me feliz em poder ajudar as pessoas. O meu diferencial é esse.

Algumas pessoas comentam que seu vice não foi atuante. Por que? Porque ele foi um covarde que não mostrava a cara nas horas que preciRaposos tem a tradição sávamos. Recebeu esses de não apresentar oposi- quatro anos e sequer pição depois das eleições. sou na prefeitura. O senhor pretende fazer um trabalho de oposição Então, como é governar ao próximo mandato? sem vice? Não. Se você fizer as con- Carreguei o piano nas costas, 3.724 pessoas vota- tas. Muitas vezes tive que ram no grupo que vai participar de reuniões imentrar, mas se olhar os portantes e não tinha com eleitores brancos, nulos quem deixar a prefeitura. e que não votaram nesse grupo, são mais ou Tivemos uma renovação menos nove mil pessoas. na Câmara. Qual sua Eles terão oposição de opinião? nove mil pessoas. Isso mostrou que o povo

está atento às ações da Câmara. Ao invés de fazer política, parte dos vereadores se preocuparam em perseguir e travar o município. Quais são seus planos para depois desse mandato? Eu costumo dizer que não perdi, recomecei. Quero descansar com minha família e depois vamos ver o que vai acontecer. Tenho certeza de que o povo de Raposos, essa cidade que abracei, ainda vai precisar muito de mim e estarei de portas abertas e de braços abertos pra atender essa comunidade.

do rio, aprofundando de três a quatro metros. Eles investiram quase R$ 7 milhões. A minha tristeza é que às vezes as pessoas não conseguem entender o nosso projeto. É muito mais fácil pra mim como prefeito decretar situação de emergência quando chove. A situação de emergência me dá o direito de gastar 2% do orçamento sem licitar. Busquei solução do problema. Além de nos dar o rio limpo com a calha mais profunda, a empresa vai nos dar peixamento, uma chalana pra fazer passeio daqui a Bicalho, reflorestamento das matas ciliares e empregos.

O que está acontecendo no Rio das Velhas? O projeto é para desassorear o Rio das Velhas de Honório Bicalho até Sabará. É um projeto inovador através de uma Paraceria Público Privada (PPP). Fizemos essa parceria com a ampresa (PC Mineração) e ela vai desassorear toda a calha

O que a empresa ganha? Ela vai ganhar o material que está sendo beneficiado (areia, brita, cascalho, minério de ferro e ouro, se houver). Se a prefeitura precisar de algo para obras, eles doam. No final das contas, o município fica com o Cfem (Compensacão Financeira pela Exploração de Recursos


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

Sinto-me feliz em poder ajudar as pessoas. Meu diferencial é esse Minerais), ISSQN e ou- prefeito é comprar matetros impostos. rial e fazer com que não falte na Unidade Mista Quando a cidade deve de Saúde. Infelizmente, começar a arrecadar? alguns servidores que Tem uns 20 a 25 dias que estavam lá fizeram uma começaram a produzir (a oposição política muito entrevista foi feita em ou- grande . Como eu vou satubro), mas é a partir de ber que agora lá está faljaneiro que começam em tando gazinha? Era mais grande escala e recolher fácil eles não buscarem a os devidos impostos. gazinha no almoxarifado do que deixarem ter lá. A planta será ampliada? Tudo isso para as pessoNão. as nos criticarem falando que não tem gazinha, não Quanto tempo a empre- tem papel higiênico, não sa deve ficar na cidade e tem copo descartável. qual deve ser a arrecadação? Então, na verdade, não São sete anos para lim- faltava tanto material? par o rio todo. Estamos Não faltava tanto matecalculando em torno de rial. Infelizmente fomos R$ 400 mil a mais nos co- traídos por pessoas que fres públicos. deveriam fazer sua obrigação e não fizeram. Qual o problema com a Unidade Mista de Saú- Isso justifica o grande de? Por que algumas número de secretários pessoas afirmam que de saúde que passaram não conseguem mate- pelo seu mandato? rial básico, como gaze Uma coisa que aprendi ou papel higiênico? na polícia é que quando A estrutura física da Uni- não dá certo, tem que dade Mista de Saúde mexer. Ainda faltam três é muito antiga. Ela foi meses de mandato e se construída em 1991, no eu tiver que trocar secregoverno de Adair. Na- tários mais duas vezes, quela época não existiam eu troco. certas exigências como existem hoje. O que acon- Quando as pessoas poteceu? A Vigilância Sani- derão ocupar as habitária suspendeu vários tações do Minha Casa, atendimentos, entre eles Minha Vida? o raio-X. Estamos entre- Esse é um programa do gando para o novo gover- Governo Federal. A seno um aparelho de raio-X mente foi plantada no novo. Sobre essa história governo do (ex-prefeito) que faltava até gazinha, João Carlos. Eram 84 unia minha obrigação como dades e passamos para

| = a RAPOSA = | ENTREVISTA | 9

Foi um erro de digitação. Coloracam um zero a mais e passou para R$ 830 mil 449 unidades. Nessa primeira fase construímos 256 unidades. Já poderia ter sido entregue, mas infelizmente a Câmara atrasou a liberação do recurso do asfalto. Há cinco vereadores que, tudo que puderam fazer para prejudicar o meu governo, fizeram. Conseguimos entregar o asfalto. Já fizemos contato em Brasília. Os bancos estavam em greve. Acredito que vamos entregar isso antes de sairmos. Eu vou entregar isso. Só falta a empresa que ganhou a licitação colocar o meio-fio, o passeio e falta a iluminação pública.

Foram feitas alianças com pessoas que querem o poder a qualquer custo nho certeza que nenhum prefeito na história de Raposos trabalhou com 2% do orçamento. O Tribunal de Contas orienta trabalhar com 30%. Mudo meu nome se o prefeito que vai entrar agora, que é irmão do presidente da Câmara, não trabalhar com pelo menos 80%. Não consegui fazer praticamente nada porque tudo precisava da Câmara.

Pode comentar o caso das lousas eletrônicas? Foi mais uma armação da oposição. Aquilo foi um erro de digitação e foi provado pelo Tribunal de Contas. De R$ 83 mil, coPor que o Portal Trans- locaram um zero a mais e parência parou de ser passou para R$ 830 mil. atualizado? Foi uma falha da nossa O dinheiro chegou a ser equipe. repassado para a empresa das lousas? No seu primeiro plano Claro que não. Foi um de governo, o senhor dis- erro de digitação no prose que implantaria um cesso de licitação. Fui polo industrial não po- absolvido no processo luente de produção de de cassação. software. O que impediu que isso acontecesse? E sobre a reforma da roQuando a gente tá lá fora, doviária? tem uma visão macro, Em cima é uma platamas quando a gente en- forma de embarque e tra, vê que muita coisa desembarque de passanão é assim. Encontrei geiros, que funcionou muita dificuldade e uma bem. Embaixo seria um oposição muito grande centro de atendimento que não me deu paz e ao cidadão para emissão nem sossego para pensar. de carteira de trabalho, carteira de identidade, Dentro da Câmara? atendimento do conselho Meu maior adversário não tutelar, tudo seria no mesfoi o povo, minha maior mo lugar. oposição foi a Câmara Municipal de Raposos. Te- Na educação você se

comprometeu a fortalecer o magistério, com a implantação de um plano de cargos, carreiras e remuneração. Isso aconteceu? Aconteceu. O nosso professor esquece que o piso nacional é para quem trabalha 8 horas por dia. Nossos professores trabalham 4 horas, com 25 minutos de descanso. Eles têm que trabalhar 40h semanais e os nossos trabalham apenas 25h. Pagamos além do piso, se for olhar em proporção. O que o próximo gestor vai encontrar? Os convênios vão estar em dia, organizados, com recursos em caixa, coisa que nunca aconteceu na história de Raposos. Vou fazer um dossiê com o que estou deixando e vou entregar uma cópia para cada vereador, para o prefeito, para os vereadores que estão saindo, para o Ministério Público e uma disponível para a comunidade. Qual mensagem gostaria de deixar para os leitores? Quero agradecer as 3.310 pessoas que acreditaram na gente. Estou saindo com certeza do dever cumprido. Eu fiz. Quero deixar essa mensagem para as pessoas que vão entrar: que façam, senão nós e o povo cobraremos.


10 | GERAL | = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

Anuncie com a gente! CONSULTE NOSSA TABELA DE ANÚCIOS comercialARAPOSA@gmail.com.br | 9 9988-6376

Alongamento de cílios Tel: 9 9988-7376


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

| = a RAPOSA = |

GERAL |

11

Antigo Hotel dos Ingleses, onde se hospedavam os chefes da antiga Mineração Morro Velho. Hoje, abriga a APAE Capela do Rosário,mais conhecida como Capelinha do Cemitério Municipal de Raposos

Sinais do passado por Jéssica Ribeiro

Britagem de minério da antiga Mineração Morro Velho

Elementos do passado de Raposos e que fazem parte da formação de nossas histórias e de nossas famílias estão presentes em nosso dia a dia. Tento imortalizar, com a fotografia, o que não está sendo preservado ou perdendo seu valor. Vamos olhar diferente para os sinais do passado, para que eles possam estar presentes no futuro.

Caldeira da antiga Fábrica de Phosphoros Luz Mineira, onde hoje é a Escola Estadual Dom Cirilo de Paula Freitas

RAPOSOS: VÁRIOS OLHARES - A cada edição um fotógrafo vai revelar para você peculiaridades de uma cidade pequena na extensão, mas gigante nos detalhes


12 | GERAL | = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

NOTA DE AGRADECIMENTO Venho agradecer aos que votaram em mim para que eu chegasse à Câmara Municipal. Não foi possível, mas o que me apraz e muito é o fato de Deus estar no comando para que eu fizesse um trabalho limpo e transparente e obtivesse o voto de vocês, pessoas sérias e dignas. Minhas propostas foram sérias e, sendo cumpridas, teríamos uma Raposos melhor para viver, mas se grande parte da população não entendeu assim... Paciência!!! O que me conforta é ter em mente que, conforme escrito no Alcorão, “Não cai uma folha de uma de uma árvore se não for da vontade de Deus”. Durante a campanha, vi a realidade de Raposos é sou conhecedor do quanto a populaçao necessita do poder público e quem mais sofre são os mais humildes. São eles que precisam de mais atenção e de uma atuação mais séria e eficaz. Agradeço, primeiramente, a Deus que tudo sabe e tudo faz de acordo com os preceitos D’Ele e a todos que me deram seus votos. Que Deus, conforme fez comigo, conforte seus corações e conceda-lhes a paz.

Tenente Luiz Carlos


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016

| = a RAPOSA = |

ADRIANE SPÍNOLA • CULTURA

CULTURA |

13

DA GENTE

Como a PEC 241 impacta o setor cultural A PEC 241 poderá afetar profundamente o orçamento da Cultura por todos as vias públicas do país. O governo faz dois tipos de gastos: os primários e o pagamento de juros da dívida pública. A PEC 241 estabelece uma regra de teto para os gastos primários do Governo Federal - saúde, educação, assistência social, cultura, defesa nacional, etc. - que, só poderão aumentar de acordo com a inflação do ano anterior. Para resolver a situação orçamentária do país hoje, bastaria, por um lado, baixar os juros Selic e, por outro, estimular o crescimento. O que a PEC propõe é exatamente o contrário disso: paralisar o

desenvolvimento brasileiro colocando o país em movimento de regressão. Segundo João Brant, ex secretário executivo do Ministério da Cultura do governo Dilma, em apenas 5 anos, o MinC terá uma queda de quase 90% de seu orçamento voltado para ações finalísticas (todos os editais, obras – inclusive do PAC Cidades Históricas – Fundo Nacional de Cultura, convênios, entre outros). O impacto dessa queda seria, na prática, a paralisação das ações do Ministério da Cultura, incluindo os editais voltados às artes cênicas, literatura, música e artes visuais, editais de pontos de cultura, ações voltadas à cultura negra, obras de patrimô-

nio cultural e exposições de museus, além de impactar o Fundo Setorial do Audiovisual, a Biblioteca Nacional, a Fundação Casa de Rui Barbosa e todas as ações financiadas pelo Fundo Nacional de Cultura. Em apenas cinco anos, seria impossível manter o orçamento para manutenção desses órgãos. Não haverá mais possibilidade de repasse para municípios e estados, para atuação em políticas públicas, ações de desenvolvimento sócio-culturais, salvaguarda e manutenção das culturas populares, entre tantos outros pontos necessários para reconhecimento da identidade nacional e desenvolvimento do país. Se hoje os acessos aos

Moda feminina

incentivos culturais já são bastante escassos, uma vez que havendo necessidade de cortes para regularização das contas públicas essa área é a primeira a ser afetada, como ficará nosso povo nos próximos 20 anos, período em que a PEC deverá estar implementada? Como disse Leandro Karnal: “Salvaremos a economia mas perderemos todas as vitórias, que são as pessoas. Fica sendo, em mitologia, vitória de Pirro, ou seja, alguém que vence a guerra mas vence sozinho, porque seu exército foi todo dizimado.” Adriane Spínola é produtora cultural e musicista tresmarias.contato@gmail.com

Edital aberto para vídeos que abordam violência contra mulheres Vídeos de um minuto sobre o papel fundamental das mulheres na cultura e na organização comunitária podem ser inscritos até 1° de dezembro no programa Ibercultura Viva, divulgado pelo Ministério da Cultura. Os trabalhos devem combater atitudes que contribuem para a desigualdade de gênero e a violência. Dez vídeos serão escolhidos e cada um será premiado com US$ 500. O programa Ibercultura Viva também está com edital aberto para seleção de textos sobre políticas culturais de base comunitária. Os melhores textos irão compor um livro, publicado pelo Ministério da Cultura. Podem participar pessoas físicas e grupos comunitários de todo o Brasil. Editais disponíveis no site www. iberculturaviva.org


14 | SAÚDE | = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Outubro de 2016 WALTER FERREIRA • COMPORTAMENTO

EM DIA

Espelho, espelho meu: quem é mais belo que eu? A busca pela beleza, pela perfeição da forma, pelo aprimoramento exaustivo do corpo, leva o homem a se exercitar horas infinitas em academias, em corridas, em atividades físicas, na maioria das vezes exaustivas, que lhe proporcionem o melhor dos corpos, frente ao espelho numa busca exaustiva e implacável da beleza plena, com contornos musculares, reentrâncias e saliências intensas da musculatura corporal, barriga tanquinho, bumbum empinado, bíceps distendidos, peitorais exacerbados e o homem sujeito a tudo isso não se enxerga como é, apenas segue esse caminho sem volta, de cada vez mais levar o corpo à extrema exaustão. Estamos falando, caro leitor, da Vigorterapia ou do Complexo

de Adônis, célebre figura mitológica, símbolo da juventude e da beleza masculina. A busca por um físico absolutamente perfeito, tônico, musculoso, atlético, é isso, o deus da beleza grega. Claro que nós todos seres humanos buscamos ser belos, que os digam os cirurgiões plásticos, os dentistas, e os “personal trainers”, das academias ou particulares. Ser belo é muito bom, nos encanta e encanta quem está a nossa volta, familiares, pessoas amadas e amigos, além de passarmos uma bela imagem de quem somos e principalmente a nós mesmos, seres narcísicos por excelência, seres de falta... Até aí está tudo bem, mas como é que fica a nossa cabeça sem o controle mental dos nossos atos, comportamentos, frente a essa busca

Funcionamento Segunda à sexta-feira, das 8h às 21h Sábados das 8h às 20h Domingos e feriados, das 8h às 12h

Convênios

Câmara Municipal, Prefeitura, Sindicato Metabase, Vale

3543-1958 | 3543-3731 Rua Bolivar de Freitas, 20 - Centro Raposos/MG

inexorável pelo corpo perfeito? É preciso que saibamos dar um basta a essa didatura corporal, buscando equilíbrio físico x mental, através de um conhecimento maior de si mesmo e um desses caminhos é o tratamento psicoterápico. “Quando você resolve tratar, cuidar de uma pessoa, já tomou partido dela, ou seja, daquilo que você acha que seja sua sáude. Não existe neutralidade nem distanciamento, o que existe é discrição, silêncio, um silêncio que significa consentimento. Consentimento com a existência da pessoa, e isso é uma posição de amor. A pessoa adoece por carência de verdadeiras relações pessoais. Se você lhe der impessoalidade e neutralidade, dará exatamente o que lhe causou a doença. A tarefa da psicanálise

(da terapia, da psicoterapia) é a construção do encontro, e não há encontro que seja impessoal; impessoal é o desencontro”. Hélio Pellegrino, psicanalista. Quando cuidamos da mente, buscamos um melhor auto conhecimento de nós mesmos e das nossas atitudes. Buscamos, enfim, saber um pouco mais da nossa mente e da nossa interrrelação com o mundo, com as pessoas que nos cercam e nos proporcionam essa magia de ver a vida e senti-la na plenitude dos afetos, das trocas afetiva e efetivas, que nos faz sermos maiores e adultos, nesta grande troca meio x homem. E isto é maturidade emocional. Walter Ferreira Filho é psicólogo clínico wferreirafilhobh@gmail.com (31) 9 9718-8177 | (31) 3223-2019


Raposos - Ano 1 - Número 2 - Novembro de 2016

VOCÊ É O QUE COME

ANGÉLICA

CASTRO Nutricionista nutricionistaangelicacastro@gmail.com

Celular: 9 8565-3303

Uma doença silenciosa e fatal Meu Deus, meu médico me disse que tenho hipertensão! Mas, afinal, o que significa isso? Como posso me tratar? Tem cura? Calma, aqui vou te explicar um pouco sobre essa doença comum, mas perigosa. Hipertensão, usualmente chamada de pressão alta,é uma doença silenciosa, que vai chegando aos poucos, sem que a pessoa perceba. Ela está relacionada à pressão arterial, que é medida pela contração e bombeamento do sangue pelas artérias para todo o corpo. Esta força cria uma pressão sobre as artérias chamada de pressão arterial, cujo o valor normal para a maioria da população é 120x80 mmHg. Essa é a tão falada (e desejada) pressão 12 por 8. A pressão alta é responsável por ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC-“derrame”) e doença renal. Entre os principais causadores da hipertensão estão o cigarro, sedentarismo, obesidade, fumo e álcool. As graves conseqüências podem ser evitadas. Hábitos simples podem afastar o problema. Diminuir a ingestão de sal, que age como uma esponja retendo água nos tecidos e aumentando o volume de sangue, é importante. Com muito sal circulando, o coração necessita de maior força para bombear o sangue. Consumir menos alimentos industrializados, pois o sódio é utilizado pela indústria como conservante, também é recomendado. Os alimentos recomendados são vegetais e frutas. O alho é um bom aliado,pois além de dar mais sabor à comida com pouco sal, possui substâncias que atuam no controle da pressão. O ômega 3, presente na sardinha e no salmão, apresentam diversos efeitos benéficos para o coração como um todo, controla a frequencia cardíaca e reduz o risco de arritmias.Mantenha o seu corpo sempre ativo e controle seu peso: a obesidade também eleva a pressão. Utilize sua medicação regularmente, mesmo que não esteja sentindo nenhum mal estar, seguindo sempre a orientação do seu médico e nutricionista.

O alho é um bom aliado, pois além de dar mais sabor à comida com pouco sal, possui substâncias que atuam no controle da pressão.

| = a RAPOSA = |

SAÚDE |

15

Profissionais precisam ficar atentos para não sofrerem com distúrbios da voz Profissionais que têm a voz como instrumento de trabalho devem ficar atentos às dicas de prevenção diária e fazer consultas regulares com fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas Arquivo pessoal

A fonoaudióloga Luiza Aurora revela hábitos e alimentos que podem influenciar na saúde vocal

Prevenção é fácil e pode ser feita no dia a dia É indispensável a avaliação de um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo em casos de distúrbios da voz. Mas alguns cuidados podem ser tomados visando a prevenção: beber água regularmente, evitar uso do álcool, não fumar, fugir do ar condicionado e ambientes empoeirados ou mofados. O consumo de alimentos fibrosos, como a

maçã, que é adstringente, também é recomendado. Vestir-se confortavelmente, aliviando a pressão no pescoço e cintura, melhora a mobilidade do diafragma e respiração. Já o gengibre, que é anestésico, o mentol e outras receitas caseiras, devem ser evitados, já que mascaram os sintomas, podendo causar mais danos a longo prazo.

Fernando Alves

Importante ferramenta de comunicação interpessoal, a voz humana carrega traços da personalidade, idade, sexo e estado emocional. Para alguns profissionais, no entanto, como professores, locutores e cantores, a voz representa ainda mais, pois, sem ela, eles ficariam impossibilitados de exercer suas profissões. O cantor Antônio Euzébio trabalhou muitos anos como vocalista, passou pelas bandas Continental e Liberdade, e chegou a participar em programas de auditório e rádio, mas a carga excessiva de trabalho deixou consequências. Os problemas começaram a aparecer gradativamente. “Sempre tive facilidade com as notas agudas, de repente elas passaram a não sair”, conta. A consulta ao fonoaudiólogo revelou que ele tinha um calo nas cordas vocais. A solução foi uma cirurgia. Quem depende da voz para trabalhar, principalmente, deve tomar cuidados diariamente, como alerta a fonoaudióloga Luiza Aurora. Segundo ela, é fundamental que se faça exercícios vocais, sempre orientado por um profissional. A ausência de cuidados, associada a intensidade, volume e condições ambientais, podem ocasionar diversas doenças como rouquidão, infecções, paralisia e aparecimento de calos, nódulos e cistos nas cordas vocais.


GERAL | 20

| = a RAPOSA = | Raposos - Ano 1 - Número 2 - Novembro de 2016 SERGIOVANNE AMARAL • TE

CONTO UM CONTO

A paixão estava sentada no banco da igreja Eu costumava ir à igreja com meu amigo C. Éramos muito religiosos, apesar de ficarmos bêbados todo fim de semana, também religiosamente. Cometíamos uma lista de pequenos pecados, mas sempre estávamos lá, todo domigo, ouvindo a palavra do Senhor. Pois nessa mesma época, A. Também frequentava o templo. Era uma morena alta, de caminhar tranquilo, simpática. Estávamos saindo da adolescência e as curvas de A. já chamavam atenção por baixo da roupa solta e recatada com que comparecia à missa. Costumávamos cumprimentar todos que encontrávamos na igreja, inclusive A., mas nunca tínhamos conversado com ela. A visita pontual à igreja mudou depois que A. nos descobriu e passou a prestar mais atenção em nós. Na verdade, mais atenção em meu amigo C. Era um domingo quente, estava morrendo de ressaca naquela manhã enquanto tentava ouvir a pregação, quando C. me cutucou: - Aquela moça olha pra cá toda hora. Presta atenção. Ele acenou com a cabeça e eu fiquei olhando na direção. Era A. Quando olhamos um para o outro, eu tive vergonha e abaixei a cabeça. Suspeito que C. estivesse ainda um pouco bêbado, porque passou a ignorar tudo que acontecia e só ficava esperando A. olhar novamente. Havia uma senhora com duas crianças perto de A. que começou a se sentir incomodada, mas C. não se importava. Ele mantinha sua missão de en-

carar A., até o momento em que sorriu para ela e acenou a cabeça. Olhei no mesmo momento para ela, esperando que ela correspondesse ao gesto do meu amigo, mas ela só sorriu discretamente. Fim da missa. Hora de ir. C. estava radiante. A. era muito bonita, tinha um olhar enigmático e sempre ia à igreja sozinha. Eu sabia quem era sua mãe porque minha mãe a conhecia. Durante uma semana, ouvi falar em A. quase todos os dias. - Não posso esperar o próximo domingo, cara! - O que você está planejando? - Tem que aproximar dela, uai. Ela não vai chegar. Nós temos que chegar mais perto. Aliás, você não precisa falar nada porque ela tá olhando é pra mim. - Que isso, cara?! Eu não vou fazer nada! - Melhor assim. - E o que você vai falar? - Ainda não sei. Talvez perguntar sobre a missa. Dizer algo engraçado. Estou treinando. - Cara, ela deve ser uns dois ou três anos mais velha que a gente. Tem certeza? - Você é um frango, cara! A mulher está encarando. Está pedindo para eu ir falar com ela. - Tudo bem. Você é quem sabe. E assim a semana foi passando. Meu amigo C. treinou bastante e ficou mais confiante. Eu continuava surpreso. Era muita areia para nossos caminhõezinhos adolescentes. Para mim, A. já era uma mulher feita. Ela até trabalhava em uma loja em outra cidade. Domingo de manhã. Espera-

mos à distância que A. entrasse e fomos sentar no mesmo banco que ela. Descaradamente, C. conseguiu ficar ao lado dela. Eu estava suando como uma chaleira. - Tudo bem? - perguntou C. à atraente A. A. sorriu e não respondeu. C. sorriu. Eles seguiram a missa um ao lado do outro. Eu queria ir embora porque já estava achando C. inconveniente. Foi a missa mais demorada da minha vida. Assim que terminou, C. começou a falar, enquanto andava ao lado de A. - Foi um bom sermão, né?! A. olhou para ele e ficou calada uns segundos. Lembro que foi tudo muito rápido. - Foi. Desculpe. Tenho olhado para vocês. Você não falta uma missa, né?! - Não faltou mesmo - respondeu C., gabando-se. - Percebi. Acho lindo quem leva a religião a sério. Tem uma coisa que eu quero te dizer. Já estávamos do lado de fora da igreja. A. havia parado na calçada, na lateral da igreja. Meu coração estava disparado. Olhei para C. e ele estava hipnotizado. - Pode dizer - disse C. - Acho que é a mesma coisa que eu quero dizer. - Que ótimo! Disse A. É sobre o grupo de jovens? Nesse exato momento, um sujeito de cavanhaque, visivelmente mais velho que eu e meu amigo, encostou sua moto perto da gente, deu alguns passos em nossa direção, laçou a cintura de A. e

deu-lhe um beijo rápido. - Oi, amor! Como foi a missa? - Oi, amor! Foi ótima - respondeu A. - Estou conversando com esses rapazes . Quero convidá-los para o nosso grupo de jovens. Eles sempre vêm à missa aos domingos. E então A. voltou-se para o meu amigo C. novamente. - Como ia falando, eu gostararia de convidar você e seu amigo para fazerem parte de nosso grupo de jovens. Ele está começando, mas temos ótimas ideias para ajudar nossa comunidade. Eu não acreditava no que tinha acabado de acontecer e agradecia a Deus por C. não ter sido o primeiro a falar. Ele, inclusive, estava petrificado, assombrado. Olhava A. e seu namorado e não acreditava no que estava passando. Não conseguia disfarçar a surpresa. Eu tive que responder. - Claro que aceitamos! Será um prazer. Já ouvimos falar desse grupo. Íamos pedir para participar, não é C.?! - É. Íamos pedir... - Que bom! Nos reunimos toda sexta-feira, 19h, aqui na igreja. Aguardo vocês. Vamos embora, amor? - disse A., virando-se para seu noivo. - Vamos, amor. Eles subiram na moto, colocaram o capacete, acenaram e se foram. Tive uma crise de riso, de tão nervoso. Meu amigo C. nunca mais assistiu uma missa naquela igreja. Sergiovanne Amaral é jornalista sergiovanne@gmail.com

SIGA-NOS NO FACEBOOK - Versão digital do jornal - Transmissões - Notícias www.facebook.com/jornalderaposos