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Valentim Loureiro não perde mandato

JORNAL DE INFORMAÇÃO REGIONAL – GONDOMAR · N.º 2 · DIRECTOR: PAULO F. SILVA

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0,50€ · QUINTA-FEIRA, 20 DE SETEMBRO DE 2012

Governo desiste de mega-comarca

Ministra da Justiça retirou proposta para a criação da comarca Porto Este. E agora ninguém sabe como será integrada a de Gondomar. No limite, até pode vir a perder autonomia e funcionar como PÁG. 2 uma extensão de outras comarcas. J. PAULO COUTINHO

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Caldo de nabos volta à ementa das festas do concelho

Um ano sem

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Trânsito no acesso ao Centro Escolar da Lourinha entope Rio Tinto

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Sortes diferentes para equipas de Gondomar na Taça de Portugal

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A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

ACTUAL Reforma judiciária

A chefe de secretaria do Tribunal de Gondomar considera as instalações “acolhedoras”. “Já trabalhei em muitos tribunais e em alguns até chovia lá dentro” disse, ao “A Manhã”, Rosa Maria Ribeiro. Sobre o novo mapa judicial referiu apenas que tem “memória de muitas alterações que nunca levaram a nada”, por isso aguarda com serenidade.

Ministério da Justiça desiste da mega-comarca •• J. PAULO COUTINHO [Fotos]

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Ministério da Justiça desistiu da ideia de criar em Gondomar um grande tribunal que agregasse as comarcas de Valongo e do Vale do Sousa. Esta nova comarca, que era designada por Porto Este, colocaria em Gondomar uma instância central, com as secções cíveis e criminais, e as secções de competência especializada de Família e Menores, Comércio e Instrução Criminal. Até Setembro do próximo ano, a comarca de Gondomar (Porto Este) passaria dos actuais 14 juízes para 29, de 19 magistrados do Ministério Público para 23, e dos actuais 70 funcionários judiciais para 142. O ministério de Paula Teixeira da Cruz, no entanto, retirou a proposta para a criação da comarca Porto Este ainda em Julho, depois de apresentar, a 15 de Junho, o documento “Linhas Estratégicas da Reforma da Organização Judiciária”, um estudo com mais de 500 páginas, onde propõe um

“Não há instalações”

novo mapa judiciário. O documento, que ainda pode ser consultado no portal do governo, propõe a extinção de vários tribunais, sobretudo no interior do país, e uma redefinição das competências dos tribunais de primeira instância e da Relação. Mas agora ninguém sabe como será integrada a comarca de Gondomar, se permanecerá um tribunal autónomo, ou se passará a uma delegação dos tribunais do Porto ou de Gaia.

•• PAULO ALMEIDA [Textos]

A comarca de Gondomar pode vir a ser uma extensão do Porto ou de Gaia

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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012 | A Manhã

Reforma fundamental O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, José Moraz Lopes, disse ao “A Manhã” que os tribunais de Gondomar e Valongo deverão ser integrados no Porto, “de acordo com o que tínhamos proposto ao ministério. Não se justificava a divisão dos tribunais do Grande Porto”. Moraz Lopes estranhou a indecisão do ministério, ao propor um novo mapa judiciário, que é retirado cerca de um mês depois, “dois dias antes de receber a nossa análise ao documento (26 de Julho)”. O presidente da ASJP refere, no entanto, que a “reforma é fundamental”, embora diga que deve ser consensual e exequível: “Uma reforma como esta não se faz de um dia para outro, não se muda num ano quase dois milhões de processos. É necessário alguma calma e meios suficientes. O prazo indicado pelo ministério, Setembro de 2013, é impossível de cumprir”. O presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, Guilherme Figueiredo, refere que a criação da comarca Porto Este “era um dispara-

Tribunal tem uma elevada pendência processual

te, não resultava”. Revela que o ministério acabou por separar Gondomar e Valongo, mas não sabe como serão articulados estes tribunais, já que poderão perder a sua autonomia e funcionar como uma extensão de outras comarcas. “Vem aí um novo documento”, indica Guilherme Figueiredo, criticando o ministério pela ausência de discussão com os agentes judiciários. “Isto é um problema de cultura, não sei se esta decisão é do ministério ou do governo, há uma falta de coordenação a este nível, até porque já foi assumido que este novo mapa judiciário não representa uma redução de custos. Não se pode continuar a fazer ensaios, sobretudo quando se mexe nas comunidades e nas povoações”, refere o advogado. O representante da Ordem considera que o Tribunal de Gondomar deve manter as competências actuais. Da mesma forma, entende que o tribunal não deve ser transformado numa “delegação” de outros tribunais.

PORTO ESTE Actualmente a comarca de Gondomar, integrada no distrito judicial do Porto, coincide com o território municipal, abrangendo as 12 freguesias gondomarenses, com um juízo de competência genérica e um Tribunal do Trabalho. Entre 2008 e 2010 movimentou mais de nove mil processos. A nova comarca Porto Este (Gondomar), entretanto abandonada, integrava as comarcas de Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e Valongo. Gondomar ficaria com uma secção Cível, uma secção Criminal, uma secção de Comércio e uma secção de Instrução Criminal com competência sobre estes dez municípios. A nova comarca passaria a ter uma secção de Família e Menores com competência territorial sobre Gondomar, Lousada, Paços de Ferreira e Valongo e permaneceria com as actuais secções Cível e Criminal, com competência territorial sobre o município.

Em entrevista ao semanário “A Manhã” (que publicámos na semana passada), o presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, manifestou-se favorável à criação do Tribunal Porto Este. Mas alertou: “Há uma coisa que lá em Lisboa não devem ter percebido: é que aqui não há instalações”. Num artigo publicado na revista da Ordem dos Advogados, na edição Junho/Julho, escreve-se que a comarca de Gondomar não tem condições físicas para albergar qualquer alargamento, por falta de espaço para acomodar não só um aumento de pessoal, como um aumento de pendência processual. Só na instância Cível existe uma pendência de 25 mil processos, distribuídos por três secções.

O tribunal da comarca de Gondomar está instalado num edifício cedido pela autarquia que foi construído para alojar um lar de idosos ou uma creche. Valentim Loureiro lamenta que o Ministério da Justiça não pague qualquer renda à Câmara pela utilização do edifício. O semanário “A Manhã” procurou ouvir o Ministério da Justiça sobre a reforma judiciária e sobre o recuo na instituição da nova comarca Porto Este, mas não obteve resposta até à hora do fecho desta edição. Também se tentaram ouvir as opiniões da juiz presidente do tribunal, Sandra Rocha, e do procurador coordenador do Ministério Público, Carlos Teixeira, mas também não houve quaisquer respostas por parte daqueles magistrados.


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A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012 | A Manhã

90 anos. Os Bombeiros Voluntários da Areosa-Rio Tinto assinalaram, no passado fim-de-semana, o 90.º aniversário. Além da missa campal, da homenagem devida aos que completaram 25 e 50 anos de vida associativa e do juramento de bandeira de 12 novos elementos da corporação, destaque para um simulacro de acidente de viação, no terreno do antigo mercado da cidade, que conquistou a atenção de largas centenas de cidadãos.

GONDOMAR Poder Local | Sociedade

Valentim Loureiro não perde mandato autárquico

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Caos no trânsito marca regresso às aulas

FLASH

J. PAULO COUTINHO

J. PAULO COUTINHO

Presidente da Câmara pediu a prescrição dos crimes e espera redução da multa

MOTIVAÇÕES POLÍTICAS

•• PAULO ALMEIDA [Textos]

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presidente da Câmara de Gondomar não vai perder o mandato autárquico a que fora condenado, no âmbito do chamado processo “Apito Dourado”. Valentim Loureiro confirmou ao “A Manhã” que o processo, depois de vários recursos na Relação do Porto e no Tribunal Constitucional, regressou à comarca de Gondomar. “Fui eu que requeri ao Tribunal de Gondomar que o processo fosse analisado para ver quais foram os crimes que prescreveram, porque já passaram sete anos e meio”, adiantou o autarca, admitindo que dos 30 mil euros de multa a que foi conde-

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Valentim Loureiro aguarda pelo Tribunal de Gondomar para saber que crimes prescreveram

nado por abuso de poder, como cúmplice, venha a pagar 12 mil. Valentim Loureiro foi condenado, em 2008, a perda de mandato autárquico, por um crime de prevaricação (abuso no exercício de funções). Em concreto, o presidente da Câmara foi condenado por ter ad-

Formadesaída - Consultoria e Gestão Lda Rua D. Afonso Henriques, n.º 1686 4435-003 Rio Tinto Email: formadesaida@gmail.com Tel. 224 075 480/81/82 Fax 224 934 532 Tlms. 917 528 896 / 919 355 599

judicado a produção de uma revista municipal à empresa Global Design, de José António Ferreira, acedendo ao pedido feito pelo pai do empresário. O concurso estava adjudicado a outra empresa, mas depois de um telefonema de António Ferreira, o pai do empresário, a decisão foi alterada. O autarca foi também condenado, como cúmplice, por 25 crimes de abuso de poder, cuja prescrição estará a ser analisada. Pelo crime de prevaricação e pelos crimes de abuso de poder foi condenado a três anos e dois meses de prisão, com pena suspensa, que acabou por ser reduzida após recurso na Relação. Pena inútil Valentim Loureiro negou assim recentes notícias que davam conta que iria perder o mandato, depois de esgotados os recur-

sos no Constitucional. O autarca perdeu nesta instância uma primeira acção, em Abril, e outra em Junho, onde pedia a nulidade de parte do acórdão da Relação e a inconstitucionalidade da perda de mandato. O advogado do autarca, Tiago Bastos, disse ao “A Manhã” que as notícias eram “um disparate sem sentido”. “O major foi condenado por factos anteriores ao mandato que exercia à data da sentença e a única coisa que o tribunal considerou foi que a perda de mandato não era inconstitucional”, referiu. A perda de mandato revelou-se uma pena inútil, uma vez que teria que ser cumprida no mandato 2005-2009, apesar de se referir a factos ocorridos no mandato anterior, mas só poderia ser aplicada após trânsito em julgado, o que ainda não sucedeu.

Valentim Loureiro manifestou alguma surpresa por a questão do recurso do Tribunal Constitucional ter vindo agora a público. O autarca admitiu que as notícias que dão como iminente a perda de mandato podem ter “motivações políticas”, uma vez que surgem depois de ter anunciado, a semana passada, em entrevista ao “A Manhã”, que o movimento “Valentim Loureiro/ Gondomar no Coração” vai participar nas autárquicas de 2013. Não quis, no entanto, fazer mais comentários. Valentim Loureiro continua a declarar a sua inocência e lamenta que o colectivo de juízes que o condenou entenda de outra forma. “Eu queria falar no tribunal, mas a estratégia do meu advogado era que eu não falasse, acho que foi errado”, referiu.

Vice-presidente também recorreu O vice-presidente da Câmara, José Luís Oliveira, também recorreu para o Tribunal Constitucional, mas os pedidos de inconstitucionalidade foram negados, tanto em Abril, como em Junho. José Luís Oliveira, que na altura dos factos, em 2003, também era presidente do Gondomar S.C., foi condenado, em 2008, a uma pena suspensa de três anos de prisão, por crimes de corrupção desportiva activa e abuso de poder. Após o recurso no Constitucional pediu igualmente a análise do processo na comarca de Gondomar, para saber que crimes prescreveram.

Gondomar, e com o apoio da Câmara Municipal. A afluência do público à Quinta das Freiras revelouse muito superior ao que se esperava. A avaliar pelo balanço efectuado pela Junta de Freguesia, a quarta edição já está garantida…

Mostra Medieval de sucesso. A Mostra Medieval de Rio Tinto, que segue em terceira edição, superou, no fim-de-semana passado, todas as expectativas da organização, a cargo da Junta de Freguesia e da ARGO-Associação Artística de

Horas de entrada e saída no Centro Escolar da Lourinha são muito agitadas •• PAULO F. SILVA

Não é um pandemónio, mas o regresso às aulas, no novo Centro Escolar da Lourinha, em Rio Tinto, está a ser mais agitado do que seria desejável. Tudo por causa de uma linha contínua, no eixo da via, na Rua da Estrada Nova, que bloqueia o trânsito em alguns dos principais acessos da cidade. Para já, diz o presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, está lá a Polícia a resolver as questões mais prementes. “O problema é que a Polícia não vai ficar lá o ano lectivo inteiro a orientar o trânsito”, sublinha Marco Martins. “E depois? O que acontecerá?”. A escola da Lourinha tinha, até agora, 150 estudantes. Com a criação dos centros

escolares, a “velha” (agora renovada) escola passou a receber 650, 150 dos quais do préescolar. Localização polémica Na prática, isto significa que muitos dos alunos (sobretudo os tais em idade pré-escolar) são naturalmente acompanhados até ao interior das instalações pelos respectivos pais ou encarregados de educação, alguns dos quais se deslocarão em veículo automóvel (numa zona onde o estacionamento… não é possível!). Felizmente, as carrinhas de transporte de crianças podem avançar até ao interior do centro escolar. Mas o caos na estrada fica instalado. Sobretudo à tarde, quando os adultos vão buscar as suas crianças. “Este é mais um dos assuntos que, sinceramente, me re-

volta, e que era perfeitamente evitável. Não foi por falta de aviso”, afirma Marco Martins. “Sempre defendi que o centro escolar não deveria ser naquele sítio. A Câmara quis aproveitar um terreno que era seu e construiu ali. No decurso da obra, a Junta de Freguesia um projeto para um parque de estacionamento, num terreno ao lado. Nunca tivemos resposta! Antes do Verão, e após uma curta reunião com o vice-presidente e com o vereador da Educação, os próprios serviços da Câmara fizeram um projecto de reordenação de trânsito, já para não envolver custos. Mas também isso não foi contemplado…” Ficou a linha contínua. E, para isso, reclama o presidente da Junta, “mais valia estar como estava!”

Terapia Ocupacional

Terapia da Fala

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Recuperação funcional Mobilidade Integração sensorial e motora

Acompanhamento Psicológico · · · · ·

Estimulação Global Intervenção Precoce Orientação Vocacional Testes psicotécnicos para condutores Avaliação para entrada escolar antecipada

Intervenção em dificuldades de comunicação, gaguez, linguagem, fala e voz Estimulação sensorial e motora Intervenção terapêutica motora oral e facial

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Praça Manuel Guedes, 240 R/C – Gondomar Tel. 22 463 57 32 – email: cliduca.gondomar@sapo.pt Largo do Centenário, 28 R/C – Valongo Tel. 22 422 11 83 – email: cliduca.valongo@sapo.pt


A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012 | A Manhã

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g: Sociedade

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Melres continua em festa Feira das Nozes rivaliza com encenação de aldeia gaulesa Até domingo a freguesia de Melres continua em festa. Durante toda a semana e até amanhã, os Bombeiros levam a cabo diversas iniciativas em parceria com as escolas da freguesia. Hoje, a partir das 19 horas, abrem portas as tasquinhas, estando a animação musical a cargo de diversas tunas universitárias. Amanhã, arranca a Feira das Nozes, registando-se uma desfolhada às 20.30 horas e a actuação da Associação Cultural e Recreativa da Fanfarra de Melres. Sábado, com as tasquinhas sempre

em funcionamento, terá lugar o XXI Festival Nacional de Folclore, organizado pelo Rancho Folclórico Senhora da Piedade de Melres, com a presença, para além do rancho organizador, do Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos”, do Rancho Folclórico “Vale do Lis” e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca. Contra o cancro Domingo, último dia das festas, haverá uma caminhada solidária, em colaboração com o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa

Contra o Cancro (às 10 horas), com saída do largo em frente à Junta. Seguir-se-á, no espaço das tasquinhas e em toda a zona envolvente, a encenação de uma aldeia gaulesa, pela Associação de Solidariedade de Melres. Um concerto da Banda Musical de Melres encerrará a XI Semana Cultural de Melres. Melres, a freguesia mais oriental do concelho, foi concelho com câmara e justiça própria, tendo recebido carta de foral de D. Manuel I em 1514. Tinha nessa altura 24 casais.

Mutualistas caminham na serra da Freita

Quercus ajuda a limpar o rio Tinto

Realiza-se, este sábado, a 3.ª Caminhada da Associação Mutualista dos Trabalhadores (AMUT) da Câmara Municipal de Gondomar, que se propõe explorar a serra da Freita, em Arouca. Nesta terceira edição, com um nível de exigência superior às anteriores, os caminheiros poderão deslumbrar-se com a paisagem da serra da Freita, principalmente com a vista da cascata da Frecha da Mizarela e das pedras parideiras. Tal como nas anteriores, esta caminhada está aberta a associados e não associados, bastando para o efeito a realização da inscrição até às 15 horas de amanhã.

Em parceria com as Águas do Porto e o Projecto Rios, vários voluntários do Núcleo Regional do Porto da Quercus juntaram-se no fim-desemana para limpar um troço do rio Tinto. Foram retirados dezenas de quilos de lixo, sobretudo pneus e garrafas de vidro, os “achados” habituais, mas foram também encontrados alguns improváveis, como pára-choques, mesas e computadores. A iniciativa enquadra-se na “Clean up the World”, uma campanha mundial que inspira as comunidades a limpar, recuperar e conservar o ambiente.

Os nabos do nosso contentamento Antigo pão nosso de todos os dias dos pobres volta em festival com 21 edições J. PAULO COUTINHO

•• ORLANDO CASTRO

Longe vão os tempos, se é que alguma vez existiram, em que os portugueses colocaram na linguagem popular o provérbio “não comas caldo de nabos nem o dês aos teus criados”. De há muito que a gastronomia portuguesa, em geral, e a de Gondomar, em particular, colocou os nabos nas ementas. Primeiro, nas da sobrevivência (um pouco à semelhança do que hoje acontece) e, depois, nas das originalidades vendáveis e procuradas pelo exotismo. Os nabos competem hoje com outros alimentos, muitos deles nascidos no rio Douro, casos da lampreia e do sável. Tomaz Baltazar, sociólogo de Gondomar e emigrado em Espanha desde “os tempos em que o nabo estava à mesa da família todos os dias”, conta ao ‘A Manhã’ que “os gondomarenses souberam aproveitar bem as terras férteis do concelho, potenciando uma série de produtos agrícolas procurados pelas classes abastadas, nomeadamente do Porto, reservando para si o que, por regra, não entrava nos desejos gastronómicos dos “senhores”, ou seja, o nabo”. Acresce, conta Tomaz Baltazar, “que nos tempos em que a dureza da subsistência obrigava os gondomarenses a trabalhar de sol a sol, o nabo era o alimento de todos os dias, até porque era fácil de cozinhar e tinha potencialidades importantes”. E é assim que o nabo tem lugar cativo em diversos roteiros gastronómicos, como este ano volta a acontecer na XXI edição do Festival Gastronómico “Hoje há Caldo de Nabos”, evento integrado nas Festas em Honra de Nossa Senhora do Rosário. Estudioso das coisas da sua terra (“estou a preparar um romance histórico centrado em Gondomar em que a gastrono-

Autarcas acreditam que a edição deste ano voltará a ser bastante concorrida

CONCORRENTES Restaurantes concorrentes à XXI edição do Festival Gastronómico “Hoje há Caldo de Nabos”, evento que decorre até ao dia 7 de Outubro: 3 MMM, A Reserva, Aliança “O Aníbal”, Bom Retiro, Cantinho das Manas, Casa Amarela, Casa do Lopes, Choupal dos Melros, Dom Brasas, Dubai, Estrelas do Douro, Flôr do Nilo, KimKim, O Cardeal, O Freitas, O Trombinhas, Ouro, Ponte do Freixo, Porto Rio, Prestige, Quinta D. José e Ritual Prova.

mia, sobretudo o nabo, tem papel de relevo”), Tomaz Baltazar conta que o nabo partiu da Europa Oriental para conquistar o mundo e que, “como muitas outras coisas gastronómicas, primeiro estranha-se e depois entranha-se”. “Como familiar próximo da batata, o nabo é um bom alimento, tem poucas calorias e está a somar pontos juntos das classes que, até há bem pouco tempo, o consideravam um produto menor, um produto dos pobres”, diz Tomaz Baltazar. Por sua vez, a nutricionista Amélia Resende entende que, do ponto de vista histórico, “a desvalorização do nabo tinha a ver com o facto de, por ser de cultivo simples, quase se diria selvagem, ser o pão nosso de todos os dias dos pobres”. Ora, explica, os ricos nunca aceitariam ter algo simples como o nabo nas suas mesas. Preferiam a batata. Mas o gosto popular até tinha razão, pese embora fossem razões de subsistência, de fracos rendimentos, que estavam na origem dessa preferência. Isto porque os

nabos têm mais cálcio e menos calorias do que a batata. Ou seja, 100 gramas de batata têm cerca de 85 calorias e 11 gramas de cálcio, enquanto para a mesma quantidade, o nabo tem 35 calorias e 56 gramas de cálcio. Mas, também nessa matéria, nabos há muitos. Amélia Resende acrescenta que, apesar disso, “todas as espécies têm fibras, facilitam o trânsito intestinal, contêm vitaminas B e C e ajudam os sistemas imunológico e nervoso”.

Provas dadas A Câmara Municipal de Gondomar, através do Pelouro do Turismo, apresentou na sexta-feira, no Muliusos, a XXI edição do Festival Gastronómico “Hoje há Caldo de Nabos”, evento que decorre até ao dia 7 de Outubro. Este ano haverá Caldo de Nabos para provar e chorar por mais em 22 restaurantes e, já no fim-de-semana, haverá lugar à oferta de “Caldo de Nabos para todos”, no Largo do Souto. Como referiu o vereador Castro Neves, na apresentação do Festival, para além de preservar e valorizar a gastronomia como a identidade cultural – que torna Gondomar um município com forte atractividade turística –, a Câmara também pretende dinamizar o tecido sócio-económico do município (sobretudo, mas não só, na área da restauração). “Os nabos de Gondomar têm uma qualidade superior”, acrescentou o vereador, desafiando os agentes económicos a mostrar que, mais uma vez, Gondomar pode ser um exemplo de como vencer e ultrapassar a crise.


A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

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Homem que se barricou em Valbom foi encontrado morto O homem que em Junho se barricou em Valbom, e que chegou a estar internado compulsivamente num hospital psiquiátrico, foi anteontem encontrado morto. António Armando Duarte, de 38 anos, motorista de táxi, afirmou à mãe, sexta-feira, que ia ter com amigos da freguesia de Campanhã, no Porto, e nunca mais foi visto. “Nem sequer levou carteira, nem telemóvel. Procurámos por todo o lado e participámos à PSP, mas continuamos sem qualquer notícia”, disse a irmã, Sónia Duarte, pouco antes de se saber que tinha sido encontrado morto, e quando se preparava para fazer um apelo público de localização do irmão .

Em 6 de Junho, Armando envolveu-se em discussão com familiares, agrediu dois com uma faca e barricou-se em casa, acabando por se entregar às autoridades quatro horas depois. Por determinação judicial, foi internado compulsivamente no hospital psiquiátrico de Magalhães Lemos, no Porto. Teve “alta” mês e meio após o internamento e continuou a ser medicado, mas, segundo a família, não beneficiou do apoio de psicólogos ou psiquiatras. “Era bastante extrovertido mas desde que regressou os seus dias eram passados em casa, deitado, sempre sem falar e invulgarmente calmo”, contou a irmã.

Seca minimiza riscos de aterro Agência Portuguesa do Ambiente sustenta que em S. Pedro da Cova não há sistemas aquíferos “afectados/contaminados” ARQUIVO ”A MANHÔ

Antigas minas de carvão receberam 320 mil toneladas de resíduos perigosos, entre Maio de 2001 e Março de 2002

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) afirmou, no final da semana passada, que a seca registada este ano “minimiza bastante o pequeno risco de dispersão de poluentes no meio hídrico” de S. Pedro da Cova, freguesia na qual estão depositados resíduos perigosos. Em resposta enviada à Agência Lusa, a APA adianta que “não há sistemas aquíferos que possam ser afectados/contaminados” no local onde estão depositados resíduos perigosos em S. Pedro da Cova. A Junta de Freguesia de S. Pedro da Cova exigiu, no início do ano, a realização de análises à qualidade da água subterrânea, bem como a divulgação dos seus resultados, devido à deposição, entre Maio de 2001 e Março de 2002, de 320 mil toneladas de resíduos perigosos nas antigas minas de carvão ali existentes. Ali depositados a céu aberto e sem qualquer tratamento, os resíduos perigosos têm teores elevadíssimos de chumbo, cádmio, crómio, arsénio e zinco. Nas imediações dos resíduos, localizados junto às piscinas e ao estádio de futebol da freguesia, passam cursos

Presidente da CCDR-N acredita que ainda este ano será feita a remoção dos resíduos de água, como o rio Ferreira e a ribeira da Parada. Também em Janeiro, a Autoridade da Região Hidrográfica do Norte (ARHN), que se encontra agora em processo de extinção/fusão, anunciou que a primeira fase de avaliação do estado da qualidade da água subterrânea, deveria estar concluída em finais de Março. 73 mil euros Na resposta enviada à Lusa, a APA afirma que “todo o tipo de intervenção prevista e projectada de acordo com os estudos realizados, incluindo a monitorização, será concretizada logo que todas as condições sejam asseguradas”. Sem referir quais as condições necessárias para assegurar essa intervenção, a APA apenas refere que “o programa de monitorização está definido” e que “a situação em S. Pedro da Cova está

exaustivamente estudada e é sobejamente conhecida”. “Sempre que se justifique serão elaborados e divulgados relatórios de ponto da situação”, conclui. Em Janeiro, a ARHN disse que aprovou uma candidatura, no valor de 73 mil euros, para realizar o estudo da qualidade da água no local. Afirmou que estava prevista uma deslocação ao aterro “para aferir a viabilidade ou não da recolha de amostras, isto porque alguns piezómetros (furo vertical que possibilita o acesso à massa de água subterrânea) podem não estar acessíveis ou mesmo em condições para utilização”. A par da monitorização da qualidade da água na freguesia, os resíduos serão removidos do local, no âmbito do lançamento de um concurso internacional. Em Agosto, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Duarte Vieira, afirmou que o concurso seria lançado este mês, acrescentando que, “em princípio, ainda este ano, vai ser possível cumprir o objectivo de levar a cabo a operação” de remoção dos resíduos.


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g: Sociedade

Gondomar tem uma nova “Manhã”

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Diz-se julgado duas vezes pelos mesmos factos

Apresentação do novo jornal lotou o auditório da Biblioteca Municipal •• J. PAULO COUTINHO

700 mil euros em seis meses

Membro do “gangue de Valbom” alega estar a ser de novo incriminado por morte de agente da PJ

e HERNÂNI PEREIRA [Fotos]

Gondomar tem… uma nova manhã. Desde a semana passada, às quintas-feiras, começou a ser distribuído, por todo o concelho, o “Semanário A Manhã”, este mesmo jornal que tem em mãos, agora em segunda edição. Na sessão de apresentação, realizada ao final da tarde do passado dia 12 e que lotou o auditório da Biblioteca Municipal, marcaram presença, entre outras personalidades, Valentim Loureiro, presidente da autarquia, Matias Alves, presidente da Assembleia Municipal, e Manuel Carvalho, subdirector do jornal “Público”. O director do “A Manhã” apresentou as linhas gerais do novo jornal. De seguida, Manuel Carvalho, abordou as tendências de evolução da Imprensa, focando, em particular, o futuro da Imprensa regional. Por sua vez, Matias Alves deixou aos presentes uma mensagem de esperança. Valentim Loureiro, encerrou as intervenções, debruçando-se, essencialmente, sobre aspectos ligados à entrevista que concedeu ao nosso semanário e que, de resto, foi a “manchete” da primeira edição. “A Manhã” orientará a sua afirmação dentro de uma lógica local e regional, em Gondomar. O semanário, com 24 páginas a cores e uma tiragem de três mil exemplares (à excepção dos dois primeiros números, de que serão impressas cinco mil cópias para distribuição gratuita), terá um preço de capa simbólico: 50 cêntimos, menos do que um café… O seu café da manhã de cada quinta-feira!

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012 | A Manhã

VALE

A subscrição de uma assinatura anual é a melhor forma de garantir a recepção do semanário “A Manhã”. Solicite a ficha de assinatura para ir.cooperativa@gmail.com Aproveite a campanha até 31 de Dezembro 2012 e faça a assinatura anual (52 edições) a partir de 20 euros.

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A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

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1. Manuel Carvalho, sub-director do jornal “Público”, defendeu na sua intervenção o futuro da Imprensa regional 2. Gondomarenses satisfeitos com o seu novo semanário “A Manhã”

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3. O director do jornal à conversa com Valentim Loureiro 4. No auditório da Biblioteca estiveram personalidades de vários quadrantes da sociedade.

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5. Valentim Loureiro à conversa com Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas

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defesa de um membro do chamado “gangue de Valbom” queixou-se na semana passada, nas Varas Criminais do Porto, de que o seu cliente é incriminado duas vezes pelos mesmos factos, numa alusão ao homicídio tentado do inspector da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Castro. O homicídio tentado do inspector, ocorrido em 2008, na Maia, integrava a acusação do processo original do “gangue de Valbom”, dele tendo sido retirado num despacho saneador da 4.ª Vara Criminal, já em 2010. Do despacho resultou que, nesse mesmo ano, apenas foi julgado o crime de roubo do automóvel do polícia, pelo método de “carjaking”. Perante a 2.ª Vara Criminal, no início do julgamento dos factos retirados do anterior processo, em que consta também a alegada tentativa de matar o inspector, a defesa do arguido Fábio Silva, também conhecido por “Fábio Gordo”, argumentou que o Ministério Público descrevia exactamente os mesmos factos para uma imputação diferente. “O Fábio já foi condenado e cumpre pena [superior a 14 anos de cadeia]. Não deve ser julga-

do neste processo, pelo menos quanto ao homicídio na forma tentada”, sublinhou a advogada Poliana Pinto Ribeiro, num requerimento que ainda não mereceu despacho do colectivo de juízes.

Autor do disparo tinha um movimento “sui generis” de calcanhar ao caminhar

Atingido por “shotgun” O inspector baleado confirmou ao tribunal que um encapuzado o atingiu a tiro de “shotgun”, em 16 de abril de 2008, quando chegava a casa, na viatura pessoal, com os seus dois filhos menores. Ficou ferido no rosto, no pescoço e numa mão, tendo sido submetido a diversas cirurgias estéticas. Num reconhecimento posterior efectuado na própria PJ, também com pessoas encapuzadas, incluindo o principal

suspeito, Carlos Castro associou o autor do disparo a uma pessoa que, ao caminhar, fazia um movimento “sui generis” de calcanhar. A acusação valorizou esse reconhecimento e atribuiu um crime de homicídio tentado a Fábio. Para baralhar o processo, soube-se, na semana passada, no tribunal, que outro arguido, a quem não era imputado qualquer envolvimento no caso do inspector, foi depor à PJ, já depois de encerrado o inquéri-

to, para assumir a tentativa de homicídio. Além do homicídio tentado do inspector, o processo agora em julgamento, com um total de 11 arguidos (um 12.º morreu entretanto), reporta-se a diversos episódios violentos ocorridos em 2008, nomeadamente assaltos a ourives, alguns dos quais descreveram ao tribunal a forma como foram atacados. Nenhum dos arguidos quis falar agora. Alguns admitem fazê-lo mais tarde. O “gangue de Valbom” tem o nome associado a uma localidade do concelho de Gondomar e foi desarticulado na “Operação Charlie”, realizada por 150 elementos da PJ, em Setembro de 2008. O julgamento prossegue na quarta-feira.

Ao longo de seis meses, o “gangue de Valbom” praticou assaltos à mão armada, num total avaliado em cerca de 700 mil euros. Há dois anos, ficaram provados em tribunal quatro assaltos a ourivesarias, casos de “carjacking” e ainda tentativas de homicídio. As penas decididas pelos juízes das Varas Criminais do Porto oscilam entre 15 anos e nove meses de cadeia, com pena suspensa. Dos 15 arguidos, fora da prisão ficam apenas três – dois com penas suspensas e um com multa. “Não estão preparados para viver em sociedade”, sentenciou Maria José Matos, presidente do colectivo de magistrados, que teve de mandar dois arguidos à força para as celas. Daniel “Cubillas” e António Carlos Semedo não se contiveram ao ouvir as penas: “Quem ganhou dinheiro está lá fora e eu é que levo sete anos!”, insurgiu-se António Carlos, conhecido por “Toni Preto”, envolvido num caso de roubo de um Audi A8, em Julho de 2008, de que os arguidos disseram ter-se tratado de uma simulação de crime, para enganar a seguradora. No total, foram dadas como provadas 13 situações criminosas, que incluíram os assaltos à “Feira do Ouro”, na Rua de Santa Catarina, Porto, que rendeu 228 mil euros, a 25 de Junho de 2008; a um ourives ambulante, a 26 de Julho de 2008, no valor de 250 mil euros; à “Joalharia Machado”, em Vila das Aves, a 6 de Agosto, que gerou prejuízo de 32 mil euros; e à “Ourivesaria Lote”, em Fornos de Algodres, em Agosto de 2008, que rendeu 124 mil euros. Além disso, há casos de “carjacking”, cujos carros serviram para outros assaltos. O caso de que foi vítima, em Abril de 2008, o inspector da PJ, Carlos Castro, referente ao tiro de que foi alvo, foi tratado como tentativa de roubo, tendo sido punido o autor identificado do disparo.


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A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

REPORTAGEM Júlio Resende

A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) inaugura amanhã, na Galeria dos Leões (Reitoria), uma exposição evocativa do mestre Júlio Resende, que ali foi aluno (entre 1937 e 1945) e professor (entre 1962 e 1987), com diversas obras cedidas pelo Lugar do Desenho.

Uma continuação e uma presença Auto-retrato

•• PAULO ALMEIDA [Textos]

ódicos da época, como o “Jornal de Notícias” e “O Primeiro de Janeiro”, no princípio da década de 1930. Aprendiz de desenho e pintura na Academia Silva Porto, ingressa na Escola de Belas Artes da cidade, em 1937.

•• J. PAULO COUTINHO [Fotos]

É

no Portugal cinzento de Salazar, e no restrito meio de contestação e resistência artística, que começa a ser notado um jovem pintor da Escola de Belas Artes do Porto, que participa, em 1943, na série de “exposições dos Independentes”. Nesse pequeno movimento de afirmação são lançados nomes como Fernando Lanhas, Nadir Afonso, Júlio Pomar, Martins da Costa, Pereira da Silva. E também Júlio Resende, então com 26 anos. Oriundo de uma família com ligações às artes, Júlio Martins Resende da Silva Dias, nasceu no Porto a 23 de Outubro de 1917, filho de um comerciante e de uma professora de música. Começou a interessar-se muito cedo pela pintura e pela ilustração, chegando a colaborar com os grandes peri-

Um ano depois, Júlio Resende Lugar do Desenho abre, em permanência, casa-atelier do mestre

Cadernos de Viagens Terminado o curso, em 1945, Resende segue rumo à Europa em reconstrução, com passagens por Madrid e Paris, contactando com novas correntes, copiando os grandes mestres. São desta época alguns dos desenhos e ensaios que podem ser vistos agora no Lugar do Desenho, na exposição “Cadernos de Viagens – Júlio Resende em Paris 1946/1947”, patente ao público até ao dia 14 de Outubro. Regressa a Portugal em 1949, fixando-se no Porto dois anos depois. São deste período as suas obras “Regresso ao Trabalho” e “Mulheres de Pescadores”, pinturas de tona-

Resende recebeu inspiração em Paris

lidades escuras associadas ao movimento neo-realista. Mas Resende segue o seu caminho, avesso a militâncias e distante já dos movimentos artísticos contestatários que foram emergindo na década anterior. E, como muitos dos seus contemporâneos, da pintura à arquitectura, foi aceitando encomendas de murais, em pintura e cerâmica, de muitos edifícios públicos. Lugar do artista Em 25 de Abril de 1974, Júlio Resende é um artista consagrado, detentor de vários prémios internacionais, estando representado nos principais museus de arte contemporânea do mundo. Nesta altura dedica-se por inteiro à gestão da Escola de Belas Artes, época de grande agitação política nas instituições de ensino. Em 1984, o município do Porto encomenda-lhe o painel “Ribeira Negra”. O mural, que Resende transforma

no grande “opus” da sua obra, sintetiza o seu percurso, do desenho à pintura, do painel cerâmico ao azulejo, invocando os seus temas de eleição, a população laboriosa marítima e ribeirinha. Em 1993, então com 76 anos, o mestre avança para outra das suas grandes obras, mas agora na perspectiva de legado à sociedade: em Valbom, funda o Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende. “Confesso que na minha mente era consistente o desejo de manter o conjunto íntegro [desenhos, pinturas, livros, utensílios de pintura], e isso me bastava. Não entenderam assim o grupo de amigos com quem convivo normalmente, acordando que aquele material poderia constituir um exemplo. Daí, o surgir o Lugar do Desenho” justificou o artista no lançamento da fundação. Júlio Resende faleceu no dia 21 de Setembro de 2011, faz amanhã um ano.

O Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende vai abrir ao público, dentro de um mês, a casa-atelier do pintor, para assinalar o nascimento de Resende e os 19 anos da fundação. O Lugar do Desenho passará a contar com três núcleos distintos: a sede da fundação, com diversos espaços para exposições, um auditório e loja; a oficina, onde se encontram os fornos para produção de cerâmica, arquivo e acervo e que passará a ter uma biblioteca; e a casa-atelier de Resende. Estes três núcleos estão ligados por um circuito através do jardim que, por sua vez, pode ser considerado para exposições ao ar livre. O presidente do Lugar do Desenho, Guilherme Figueiredo (à esquerda na foto acima), explicou que o conselho de fundadores decidiu comemorar em Outubro, dia 23, o nascimento do mestre e, porque a data é a mesma, o 19.º aniversário do Lugar do Desenho. “A comemoração da data de nascimento realça a perspectiva da presença e da vida. Para nós, que convivemos durante anos com o mestre Resende, é evidente que a comemoração do nascimento é uma continuação e uma presença”, salientou. O momento alto dessa efe-

méride será precisamente a abertura, em permanência, da casa do pintor. Esta abertura “não é para se ver como ele vivia, não é essa a ideia, mas para ser mostrada como um espaço de criação” adiantou, por sua vez, Zulmiro de Carvalho, membro da direcção do Lugar do Desenho, escultor e amigo do pintor. Património classificado “A casa do mestre pode servir para muitas coisas, exposições, projecção de vídeo, pequenas conferências e até, uma ou outra vez, como residência artística” explicou o escultor. Júlio Resende foi viver para Valbom, junto ao rio Douro, no início da década de 1960, por insistência do arquitecto Carlos Loureiro. “Ele procurava uma casa na Apúlia, gostava muito dessa zona, mas o Carlos Loureiro convenceu-o a vir para aqui e desenhou-lhe a casa”, revelou Zulmiro de Carvalho. Com a criação da fundação, em 1993, foi construída a sede, que abriga o núcleo expositivo, ligando-se a um outro edifício que já estava construído, onde se encontram as oficinas. A casa do mestre fica a poucos metros deste corpo e foi classificada pelo Ministério da Cultura, em Junho de 2011, como “património de interesse público”.


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DESPORTOS Motores | Futebol | Modalidades

Adrenalina em S. Pedro da Cova Gondomar Tuning Motor Show juntou milhares de fãs na sua primeira edição •• PAULO F. SILVA [Texto e foto]

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ns gostam de motores “musculados”. Outros preferem o último grito do som dentro de um habitáculo com quatro rodas. Outros, ainda, só mesmo em duas rodas. São muitos os que se divertem no “tuning”. No fimde-semana passado, milhares de pessoas assistiram, em S. Pedro da Cova, à primeira edição do Gondomar Tuning Motor Show. Mas, afinal, o que os une a todos? Adrenalina! O cheiro a borracha de

pneu derretido no asfalto não incomoda. Os “woofers” a debitarem potência ao mesmo nível de motores com 800 ou 900 cavalos também não. Por isso, ninguém se espanta com a prova do escape mais ruidoso. Nem com o “freestyle”, que para os menos habituados funciona como um grão de sal e pimenta extra no bife já temperado. Cerveja fresca nos stands e, claro!, um “show” de lingerie a anteceder o “striptease” pela noite dentro, depois da prova de “néon”. João Gonçalves, também conhecido por “Mota”, anda há 18 anos a fabricar motores para

Cerveja, “show” de lingerie e “striptease” rivalizaram com os automóveis todas as necessidades. Muitos dos automóveis que alinham ou já alinharam pelo “Nacional” de Ralis passaram-lhe pelas mãos, em Barcelos. Hoje, “Mota” está voltado para o “drift”, técnica de condução que, basicamente, consiste em deixar deslizar a traseira do automóvel mantendo as

rodas dianteiras viradas na direcção oposta… “Este desporto é muito mais técnico do que os ralis ou a velocidade, não tem comparação”, garante sem pestanejar, pouco antes de ter “derretido” (literalmente!) um pneu traseiro do seu BMW há segunda ou terceira aceleração assim que entrou em pista, tal a força (a rondar os 800 cavalos de potência!) do “seu” motor. “Seu” motor sim, porque do original só aproveitou o bloco, aquilo que é visível quando se abre o “capôt”. “Tudo o resto é feito por mim ou encomendado com todas as especificações decididas por mim. As peças

destes motores [diz, apontando para três belos exemplares de “drift”] são únicas, nenhuma fábrica as produz em série”. Imaginam-se de imediato os custos de realização de um sonho… “Depende do que se quiser”, explica “Mota”, que acaba por dar um exemplo: “Um carro como o do André Silva, o Nissan, é coisa para chegar aos 30 mil euros”. Até parece pouco, mas “Mota” esclarece que apenas está a falar do desenvolvimento do motor… “Não estou a falar do resto, do carro em si, da manutenção, só falo da preparação do motor. O resto é sempre a somar”.


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d: Futebol

Futebol :d

Sousense afastado da Taça J. PAULO COUTINHO

Gondomar segue em frente

II Divisão regressa domingo

O Gondomar Sport Club segue em frente na Taça de Portugal, depois de derrotar, no domingo, o Sport Clube Praiense, de Praia da Vitória, Açores, por 0-1. O Praiense, que joga na III Divisão, começou bem, mas o Gondomar foi equilibrando. Na segunda parte, o Gondomar foi superior, mas tardou em marcar o golo da vitória, ao minuto 87, por Júlio César. O brasileiro foi expulso por acumulação de amarelos. Do lado do Gondomar, saíram ainda amarelos para Luís Neves e Bruno Mendes.

O Campeonato Nacional da II Divisão, onde militam o Sousense e o Gondomar, regressa no próximo domingo. A equipa da Foz do Sousa (Zona Centro) recebe o Bustelo, e o Gondomar (Zona Norte) recebe o Vilaverdense. Após a primeira jornada, a União Desportiva Sousense ainda não regista nenhuma vitória, segue nos últimos lugares, enquanto o Gondomar Sport Club, depois de um empate em Famalicão, segue em quinto lugar.

Pedro Barbosa regressa às origens J. PAULO COUTINHO

Resultados expressivos

Apesar dos esforço dos seus jogadores, o Sousense não conseguiu derrotar o Coimbrões

A União Desportiva Sousense foi afastada da Taça de Portugal pelo Sporting Clube de Coimbrões, com uma derrota por 2-0, no jogo realizado em casa, no domingo. A equipa treinada por Paulo Menezes começou o jogo algo nervosa e acabou por ceder um golo, por Nuno Pinto, logo aos dez minutos, no decorrer de uma bola lançada da linha lateral. A partir daí o Coimbrões foi-se fechando junto à sua baliza, tornando mais difícil o jogo da equipa de Jancido, Foz do Sousa. Mesmo assim o Sousense construiu uma boa mão cheia de oportunidades, que terminaram em remates sem direcção. A reacção da equipa da casa foi boa, mas pareceu faltar ainda alguma rodagem. No regresso ao relvado sintético do estádio 1.º de Dezembro, a equipa da casa continuou a pressionar, com menos consistência e perigo, mas foi dando espaços ao adversário, que nunca logrou

Claque do Sporting de Coimbrões teimou em provocar adeptos da equipa de Gondomar aproveitá-los, criando perigo. Surgiram alguns casos de indisciplina e o árbitro, que até aí vinha poupando os cartões, acabou por distribuí-los repetidamente. Foram mostrados cinco amarelos ao Coimbrões e três ao Sousense. Desacatos Com dificuldades na concretização, o Sousense foi permitindo o avanço do adversário. Aos 77 minutos o Sousense salva um golo certo com uma cabeçada em cima da linha de baliza, após uma jogada a partir de um lance de bola lateral. Logo a seguir, aos 81 minutos, numa jogada de insistência que até parecia dominada pela equipa da

casa, os jogadores do Coimbrões conseguem uma tabela frente à área sousense e Nando remata para golo, acabando com as aspirações gondomarenses. A partir daqui tudo se precipitou. A claque de Vila Nova de Gaia continuou com as provocações aos adeptos da casa e agora também à GNR. O árbitro acaba por expulsar o n.º 10 do Coimbrões, no último minuto do tempo regulamentar, por agressão, e depois, já nos descontos, foi a vez da expulsão de um jogador do Sousense, por um entrada dura por trás, mesmo em frente ao banco visitante. O jogo acabou pouco depois com o Coimbrões a fazer a festa. A GNR acabou por deter um adepto dos visitantes, para identificação, por desacatos. Sousense e Coimbrões, que já se tinham defrontado em jogo amigável, irão jogar mais duas vezes esta época, para a II Divisão zona centro.

As equipas gondomarenses da 1.ª Divisão-Honra protagonizaram resultados expressivos na primeira jornada, que decorreu no domingo. A Associação Desportiva S. Pedro da Cova ganhou em casa ao S. Martinho por 3-1, enquanto o Sport Club de Rio Tinto perdeu por 3-0, em Perafita. O número de golos marcados e sofridos coloca as duas equipas em extremos opostos da tabela; o S. Pedro da Cova ocupa o segundo lugar, a seguir ao Perafita, e o Rio Tinto ocupa a última posição da tabela classificativa. A segunda jornada do

torneio da Associação de Futebol do Porto, no próximo domingo, será marcada pelo primeiro derby concelhio, com o Rio Tinto a receber o S. Pedro da Cova. 1.ª Divisão O início da 1.ª Divisão, série 2, ficou marcado pelos empates a zero do Atlético de Rio Tinto com o Vilarinho (em casa), do Recreativo Ataense com a Mocidade de S. Gemil (fora), e a derrota por 3-1 do Gens S.C. na visita ao Folgosa da Maia. Na próxima jornada, também no domingo, o Rio Tinto vai ao campo do Pedrouços, o Ataense recebe o Gondim da Maia e o Gens a Mocidade de S. Gemil.

Pedro Barbosa foi efusivamente recebido pelos jovens do Clube Atlético de Rio Tinto •• ORLANDO CASTRO

Pedro Barbosa, o “poeta do futebol”, voltou sábado ao Atlético de Rio Tinto, onde começou a dar os primeiros pontapés na bola. Foi grande a festa. Era um filho da terra e do clube que regressava. “Já há muitos anos, muitos mesmos, que não vinha a esta minha casa”, afirmou o futebolista nascido em Gondomar em 1970, acrescentando que, “apesar dessa longa ausência, continuo a ter muita estima por este clube onde me iniciei e de onde parti para as camadas jovens do F. C. do Porto”. Rodeado pelos putos que, como ele, querem ser craques do futebol, Pedro Barbosa não se cansou de dar autógrafos e de tirar fotografias. A meninada, equipada a rigor porque era um momento de festa, estava, apesar de tudo, pouco motivada com a

presença de um desportista que hoje pouco lhes diz. Mas, é claro, os pais encarregavam-se de os sensibilizar e foram muitos os que se sentiram meninos e foram eles próprios tirar fotos com aquele que foi internacional 22 vezes. “O importante é que os miúdos tenham gosto e prazer em jogar futebol”, dizia Pedro Barbosa, visivelmente animado por este regresso às origens. “Se para mim tudo começou aqui, para eles também pode começar”, acrescentava. Pedro Barbosa, depois de dois anos de rodagem no Freamunde, foi para o Vitória de Guimarães, de onde deu um salto de leão… para o Sporting, onde esteve dez anos, alguns deles como capitão. Pedro Barbosa conquistou dois campeonatos nacionais e duas Supertaças Cândido de Oliveira (épocas de 1999/2000 e 2001/2002) e uma Taça de Portugal (2001/2002). Foi pe-

dra fundamental na caminhada europeia, em 2005, que só terminou com uma derrota na final da Taça UEFA. A 11 de Agosto de 2005, com 35 anos, pendurou as chuteiras. Contam os arquivos ou a memória dos mais velhos que Pedro Barbosa era dotado de um raro talento, razão pela qual os especialistas o travam muitas vezes com um génio do futebol. No campo possuía quase tudo o que era necessário para ser um ídolo. Técnica e visão estratégica do jogo brotavam nos campos por onde passava. Só lhe faltava a velocidade, daí muitos lhe chamarem Pedro Vagarosa. A esses respondia com o seu brilhantismo, sendo memorável o jogo contra o Maccabi Haifa, de Israel, a contar para a Taça UEFA, a 14 de Setembro de 1995, que o Sporting venceu por 4-0 com três golos de… Pedro Barbosa.


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d: Ciclismo

Prémio Onda-Boavista para Livramento Autarquia homenageou André Cardoso, 21.º classificado da “Vuelta”, presente no próximo “Mundial” de Estrada J. PAULO COUTINHO

David Livramento (CarminPrio) geriu da melhor forma os 60 segundos de vantagem que conquistou na primeira etapa do Prémio Onda-Boavista, nos 118 quilómetros com partida e chegada à Póvoa de Lanhoso, doseando o esforço a seu contento na terceira e última etapa, disputada no domingo, nos quatro quilómetros em contrarelógio individual de Gondomar. No final, a autarquia homenageou André Cardoso, 21.º classificado na “Vuelta”, que também irá representar a Selecção Nacional, no próximo dia 23, na prova de fundo do Cam-

peonato do Mundo de Estrada (em Limburgo, Holanda). O momento-chave de toda a prova acabou por ocorrer logo na primeira etapa, com um ataque decisivo de Livramento, a dez quilómetros do final, que lhe permitiu cortar a meta na Póvoa de Lanhoso com um minuto de avanço sobre a concorrência. Na segunda etapa, de 125 quilómetros, entre Gondomar e Jovim, Sérgio Ribeiro (Efapel-Glassdrive) venceu a tirada, com seis segundos de avanço, deixando a decisão sobre o triunfo final nas mãos de Livramento, que não desbaratou a vantagem.

Classificações finais Individual Tempo 1.º D. Livramento (Carmim-Prio) 5:34.37 h 2.º H. Sabido (LA-Antarte) a 0.31 min. 3.º D. Hernandez (Onda-Boavista) a 0.43 4.º Sérgio Sousa (Efapel-Glassdrive) a 0.54 5.º J. Montenegro (Loul.-D.D.) a 1.35 6.º M. Barbosa (LA-Amtarte) a 1.57 7.º L. Silva (Carmim-Prio) a 2.35 8.º D. Silva (Onda-Boavista) a 4.21 9.º José Mendes (LA-Antarte) a 3.24 10.º S. Ribeiro (Efapel-Glassdrive) a 3.25 Equipas Tempo (horas) 1.º LA-Antarte 16:49.14 2.º Onda-Boavista 16:51.09 3.º Efapel-Glassdrive 16:51.37 4.º Mortágua 17:03.47 5.º Louletano-Dunas Douradas 17:04.33

David Livramento assumiu a “amarela” na primeira etapa e não a largou

Montanha Pontos 1.º José Mendes (LA-Antarte) 8 2.º Hugo Sabido (LA-Antarte) 6 3.º David Livramento (Carmim-Prio) 5

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OPINIÃO Rio Fernandes | Cartoon

Pequenas grandes coisas que fazem toda a diferença: passeios RIO FERNANDES

Geógrafo / Professor Universitário

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uma primeira crónica é de esperar textos muito gerais, sobre coisas muito faladas. Por isso, esperaria o leitor talvez que escrevesse sobre corações e apitos dourados e o modo como se faz política em Gondomar, como se sacrifica a ética e as boas práticas aos votos, ao sectarismo partidário e às vantagens pessoais e de familiares e amigos. Poderia escrever sobre Gondomar como o município que apresenta os piores indicadores de desenvolvimento de todos os que são vizinhos do Porto, ou sobre uma política de bairros sociais que melhorou as condições de habitação de muitas famílias mas ao mesmo tempo que promoveu a criação de guetos e o aumento da insegurança. Poderia falar de promessas por cumprir… ou de grandes estratégias metropolitanas.

A MANIF EXPONTÂNEA E APARTIDÁRIA DO DIA 15 SERVIU PARA DIZER

Fica para uma próxima vez. Hoje, por ser a primeira vez, quero falar de uma “coisa pequena”: passeios. Não me refiro a viagens a Fátima, de avião a Lisboa, ou de exibição de obras em ano de eleições. Falo dos passeios que temos (ou não temos) nas nossas ruas. Já compararam os passeios na Avenida Marechal Gomes da Costa ou na Rua Tristão da Cunha, onde mora o nosso Presidente da Câmara, ou a maioria dos que existem nas ruas das cidades de Matosinhos, Maia, Gaia ou Valongo, com os passeios das ruas 5 de Outubro e 25 de Abril (na cidade de Gondomar) ou da Rua Padre Joaquim Manuel da Neves (na cidade de Valbom) ou em tantas ruas na cidade de Rio Tinto, onde a largura é por vezes de menos de meio metro, há postes no meio e quando chove a água dos telhados cai diretamente no pavimento? Estes micro-passeios, quando os te-

mos, são por vezes em pedrinha de granito (como na cidade de Gondomar), desconfortáveis para todos, sobretudo para os mais idosos, para não falar de pais com carro de bebé (quase ausentes das nossas ruas), ou portadores de deficiência (obrigados a ficar em casa)! Pode pensar o leitor, como a nossa Câmara, que os passeios interessam pouco, mas gostava que considerasse que isso não é verdade. Porque afeta de facto a vida de muitos (que se “habituam”), mais ainda quando chove e os guarda chuvas não se cruzam. E afeta sobretudo o diaa-dia dos que não têm carro ou querem poupar o dinheiro do transporte público nas compras ou na ida a serviços mais perto de suas casas. Além disso, em tempo de crise e desgoverno, afeta também as pequenas empresas de comércio e serviços, cujos clientes são cada vez menos, não só porque o dinheiro falta, mas tam-

QUE OS POLÍTICOS COM CARGOS GOVERNATIVOS NOS ROUBAM O MELHOR QUE SONHAMOS E TEMOS:

bém porque a maioria prefere o conforto de médias e grandes superfícies comerciais, ou a ida ao centro do Porto ou até a Gaia, Maia ou Matosinhos. Os quilómetros de ruas sem passeio ou a sua largura média poderiam servir de indicador de suburbanidade do nosso concelho, de falta de qualidade de vida e falta de cuidado dos que elegemos, mas, nos tempos que correm, deve servir também para refletirmos sobre o seu contributo para o número de lojas que fecham ou que vivem em grande dificuldade. Preferiu-se fazer chafarizes, multiusos demasiado caros para tão pouco uso, bairros e mais bairros… No lugar de haver preocupação com pequenas coisas que acrescentam urbanidade e qualidade de vida, fez-se grandes obras. E suburbanizou-se Gondomar!

O FUTURO, O PRESENTE E O PASSADO.

#02 © ONOFRE VARELA

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SETE DIAS Sugestões para a semana • 20 a 26 de Setembro

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Exposição

DANÇA. Realiza-se o XXII Encontro de Dança, integrado nas festas do concelho, com a participação de vários grupos. Às 21 horas, no Largo do Souto.

22 O Lugar do Desenho/ Fundação Júlio Resende inaugurou, no sábado, a exposição “Make Belive”, de Joana Jorge. Nascida no Porto, em 1973, a autora licenciou-se em Artes Plásticas/Pintura, na FBAUP. Central à sua prática está o ensaio e a exploração de estratégias de identificação simbólica às imagens mediatizadas, através da apropriação e manipulação de bases de dados visuais e arquivos fotográficos. “Os caprichos de Joana Jorge são estra-

nhamente familiares, apesar da origem das imagens nos ser negada pelo seu efeito cumulativo. Transitam da apropriação indevida de imagens em bases de dados disponíveis na internet, como inventários perpétuos à espera de serem escolhidos para ilustrar um artigo”, escreve, no catálogo, Paulo Luís Almeida. A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 14.30 horas às 18.30 horas (aos fins-de-semana só até às 17.30 horas), até 21 de Outubro.

TEATRO. Os Plebeus Avintenses, de V. N. Gaia, apresentam o espectáculo “O desejo agarrado pelo rabo”, de Pablo Picasso. Salão Paroquial de Fânzeres, às 21.30 horas. Entrada livre. DIA EUROPEU SEM CARROS. Integrada na Semana Europeia da Mobilidade, realização de um Mobipaper Intermunicipal, com partida da Biblioteca Municipal. Das 10 às 13 horas.

DANÇA. XXII Encontro de Dança. Às 14 e às 21 horas, no Largo do Souto. TRADIÇÃO. Iniciativa “Caldo de nabos para todos”: oferta desta especialidade gastronómica à população. Sábado e domingo, às 19 horas, no Largo do Souto.

FOLCLORE. XXI Festival Nacional de Folclore de Melres. Participação do Rancho Folclórico Sr.ª da Piedade de Melres, Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos”, Rancho Folclórico “Vale do Lis” e Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca. Melres, 21.30 horas. MÚSICA. Comediante João Seabra antecede a actuação da Bandalusa, no Parque de Jogos do

Clube Recreativo Ataense (Jovim), às 22 horas, no âmbito das comemorações do 79.º aniversário daquela colectividade. Entrada: 5€.

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MERCADO BIOLÓGICO. Todos os sábados, das 9 às 13 horas, no Mercado de S. Cosme.

PINTURA. Último dia para poder ver a exposição “Alice e o sabor a laranja”, de Sameiro Sequeira, patente no Auditório Municipal.

26 PALESTRA. “Alimentação saudável em idade escolar” é o tema da sessão orientada pela nutricionista Joana Barroso, destinada a pais e encarregados de educação. Na Biblioteca Municipal, às 10.30 e às 13 horas, sujeito a inscrição (gratuita). COLHEITA DE SANGUE. Na Escola E.B. 2/3 de S. Pedro da Cova, entre as 9 e as 12.30 horas. Domingo à mesma hora. BTT. Demonstração de BTT pela Associação de Ciclismo do Porto/Os Demolidores. Biblioteca Municipal de Gondomar, às 9 horas.

GASTRONOMIA. Concurso gastronómico “Hoje há caldo de nabos”. No Auditório Municipal, às 12 horas. Pelas 17 horas, tem lugar a cerimónia de entrega de prémios.

MISSA. Padre António Augusto Azevedo preside à missa solene do Dia dos Padroeiros S. Cosme e S. Damião. Igreja Matriz de S. Cosme, às 21.30 horas.

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UTILIDADES Curiosidades

Acessórios

Curiosidades

Telefones úteis

Acessórios

Telefones úteis

Um café sem deixar de trabalhar

Para as olheiras, batata e pepino Ontem, dia de fecho desta edição, deitámo-nos fora de horas. Resultado: acordámos com umas respeitáveis olheiras, aquelas marcas escuras debaixo dos olhos que nos envelhecem e dão um ar de cansaço. Os mais preocupados com estas coisas têm os seus próprios truques – loções ou cremes miraculosos, que disfarçam as noites mal dormidas –, apurados e refinados ao longo dos anos e de acordo com as posses de cada carteira. Mas há “remédios caseiros”, simples e baratos, que ajudam a vencer a

maleita. Junte quantidades iguais de batata e pepino e triture-as até obter um líquido. Espalhe-o à volta dos olhos, deixe secar 15 a 20 minutos e, depois, lave os olhos com água abundante. Alternativa: corte duas rodelas de pepino (com casca) e depositeas nos olhos, sobre as olheiras, os mesmos 15 a 20 minutos. Em ambos os casos, depressa perceberá que a circulação sanguínea em redor dos olhos melhorou consideravelmente e que aquele ar pesado e cansado se eclipsou!

Mais tarde, ou mais cedo, os dias vão começar a arrefecer. E o frio vai “puxar” uma bebida quente, sobretudo aos que ficam sentados longos períodos de tempo enquanto trabalham. Acreditamos que foi a pensar nessas pessoas que foi desenvolvida esta caneca, já que passa a ser possível tomar um café quente, feito por nós, inclusive, e sem sair do seu posto de trabalho. Basta ligar a dita cuja à porta USB… e já está! A caneca, que é vendida por cerca de 20 euros e tem capacidade para 16 cafés , também pode ser utilizada no automóvel, através do isqueiro do automóvel, naquelas terríveis deslocações

Câmara Municipal

224660500

Forças de segurança PSP Gondomar 224663370 PSP Rio Tinto 224853850 GNR 224830858 Polícia Mun. 224662710 Bombeiros Areosa Gondomar Melres S. Pedro Cova Valbom

casa-emprego e emprego-casa que, muito frequentemente, se transformam em viagens de pura irritação. Numa época em que o tempo é coisa cada vez menos abundante, convenhamos que é capaz de dar muito jeito.

229732009 224830001 224760640 224833118 224830041

Juntas de Freguesia Baguim Monte 224899666 Covelo 224760850 Fânzeres 224853480 Foz do Sousa 224542709 Gondomar 224833552 Jovim 224500387 Lomba 255766346 Medas 224760676 Melres 224760275 Rio Tinto 224890287 S. Pedro Cova 224663990 Valbom 224648760

GABINETE DE PSICOLOGIA

DRA. MARINA CARNEIRO COELHO Pós-Graduada em Tratamento Psicológico Licenciada em Psicologia Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos nº 83 Programação Neurolinguística. Hipnose Terapêutica. Regressão (Método Brian Weiss e outros) Tratamentos: Depressão, ansiedade, perturbações alimentares, dificuldades de concentração/aprendizagem, fobias, traumas e outros Rua Júlio Dinis, 728-5º sala 518 Porto | Tlm. 916680712 www.hipnose-regressao.com.pt


A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

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ÓCIO Passatempos

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Horóscopo Sudoku

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Difícil

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Originário do Japão, trata-se de um jogo de lógica muito simples e viciante. O objectivo é preencher o quadrado 9x9 com números de 1 a 9, sem repetir números em cada linha e em cada coluna. Também não se pode repetir números em cada quadrado de 3x3.

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7 HORIZONTAIS

VERTICAIS

1 - Compare (abreviatura). Feminino de ele. Autores. 2 Africano (abreviatura). Belo, (raramente usado, como em à vontade). 3 - Abreviatura. Género de aracnídeos. 4 - Porção de terreno liso e duro, ou lage, em que se secam cereais e legumes, e em que se malham ou trilham e limpam. Cano, que conduz para o molde o metal fundido. 5 - O mesmo que eiró. Fileira, renque de árvores. 7 - Buraco, na quilha dos barcos de pesca, pelo qual cai a água, com que eles se lavam. Roupa ou peles, que servem de agasalho. 8 - Solução alcoólica de mentol, salol, etc., para tratamento dos dentes e da boca. O mesmo que çabri. 9 - Pequena aba. O mesmo que ventarola. 10 - Casa. Citado (abreviatura). 11 - Nota musical. Espécie de jacaré das margens do Amazonas. Artigo antigo.

1 - Uma. Nome. Alemão (abrev). 2 - Governador de algumas províncias muçulmanas. Cada uma das travessas que limitavam os bancos dos remadores. 3 - Dar à luz. O que compra e vende fato e outros objectos, usados. 4 - Feroz. Nome de letra. 5 - Mato, em que predomina a congonha. Leque, com que os acólitos, nas festas de igreja, enxotavam as moscas da cabeça e da cara dos celebrantes. 7 - Espécie de pinheiro. Árvore das margens do Amazonas. 8 - Pobre (forma antiga). Sectário do babismo. 9 - Pequeno cabo náutico, para alar. O mesmo que abatimento. 10 Dor. País nórdico (abrev). 11 - Palavra composta da preposição ‘a’ e do artigo ‘o’. Está encarregado de educar crianças ilustres ou filhos de gente rica. Eles.

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Horóscopo

20 a 26 de Setembro

CARNEIRO. Oportunidade de descoberta de novos caminhos profissionais que lhe trarão maior prazer e alegria. Não exponha a sua vida privada a pessoas estranhas. O lado emocional está firme. Os seus desejos têm tudo para se realizar, lute! TOURO. No campo afectivo poderá ter uma grande atracção por pessoa mais velha. Avalie os sentimentos e lute pelo que quer. É hora de lutar pela sua estabilidade nas áreas amorosa e profissional. Procure trabalhar em equipa. Seja mais tolerante. GÉMEOS. Tente compreender a posição dos seus colegas de trabalho. Uma conversa franca entre todos vai dar-lhe a possibilidade de os compreender. Não se iluda com o que está fora do seu alcance. Estimule a sua vida amorosa com um pequeno gesto. CARANGUEJO. Semana radiosa para os nativos deste signo. Possibilidade de encontro ou reencontro com pessoa muito importante na sua vida. Não deixe passar a ocasião. Aproveite para conquistar ou reconquistar a sintonia que deseja. LEÃO. Se acordar de mau humor, faça o esforço que for necessário para o mudar. Tristezas não ajudam em nada. O dia está à espera que lhe indique que desejos quer ver realizados. Aproveite essa alegria de viver. VIRGEM. A sua carreira laboral está num impasse. Faça uma retrospectiva e prepare novas vitórias. Os astros auxiliam os seus passos. Não entre em discussões com o seu chefe. A sua saúde necessita de atenção redobrada. Altere os seus hábitos. BALANÇA. A sua estrela está em alta. Novos projectos serão favorecidos, assim como as questões de coração. Mágoas e ressentimentos não ajudam ninguém. Tenha muita paciência com o seu amado e use todo o seu charme para não esmorecer. ESCORPIÃO. O conformismo pode travar as suas decisões. Seja mais activo e lute pelo que quer. No amor, a sedução fará parte do seu jogo. Cuidado com a dosagem que lhe pretende dar! Quando se empenha, nada nem ninguém o consegue parar! SAGITÁRIO. Finalmente chegou a semana certa para se destacar no trabalho e no amor. Acredite em si e siga o melhor caminho para colocar em prática os seus objectivos. Não se deixe levar pela rotina e preguiça. CAPRICÓRNIO. Euforia no sector profissional com notícia inesperada. Não desaproveite os seus talentos que lhe parecem insignificantes. Inicie a semana com uma saída nocturna com amigos ou com o seu amor. Relaxe e divirta-se. Assim tudo correrá melhor.

Soluções

AQUÁRIO. Pode ter que passar alguns momentos menos bons. Contudo, se não se deixar influenciar, poderá acabar a semana em grande alegria e felicidade. Os seus amigos ou parceiro aguardam um convite. Os astros ajudarão. PEIXES. Dentro das possibilidades, reserve esta semana para o lazer. Invista em si. Vá passear, encontre amigos e beneficie do seu bom humor. Boa oportunidade de conhecer pessoa mais velha que o atrairá bastante. O amor está a precisar de ser estimulado.

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VERTICAIS: 1 - UA. EÇA. AL. 2 - BEI. JOB. 3 PARIR. ADELO. 4 - FERO. JOTA. 5 - ERVAL. ALARA. 7 - ABIGA. AÇACU. 8 - EXIL. BABI. 9 - ALOTE. ABATE. 10 - DOI. FIN. 11 - AO. AIO. OS HORIZONTAIS: 1 - CP. ELA. AA. 2 - AFR. BEL. 3 ABREV. IXODO. 4 - EIRA. GITO. 5 EIROL. ALEIA. 7 - AJAJA. ABAFO. 8 - ODOL. ÇABI. 9 - ABETA. ABANO. 10 - LAR. CIT. 11 - DO. AÇU. EL.


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A Manhã | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Propriedade: IR - Imprensa Regional, CRL Sede e Redacção: Rua Dr José Mª Santos Moura, 114, 4º D – 4435-483 Rio Tinto NIPC 510 263 542 Tlm. 968 563 361 · ir.cooperativa@gmail.com

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Director: Paulo F. Silva Director-adjunto: Paulo Almeida Redacção: Cândido Xavier (Infografia), J. Paulo Coutinho (Fotografia), Onofre Varela (Cartoon), Orlando Castro (Editor), Paulo Almeida e Paulo F. Silva Director Comercial: Luiz Miguel Almeida (Tlm. 917 300 338)

ATÉ QUINTA

EM CIMA DA HORA

JÚLIO ROLDÃO

Europeus debatem emprego juvenil Projecto da Junta de Freguesia de Gondomar foi escolhido entre diversas candidaturas •• ORLANDO CASTRO

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om a presença de 12 países decorre hoje, no Auditório da Lipor, em Baguim do Monte, o 2º International Meeting Jobtown: A European Network of Local Partnerships for the Advancement of Youth Employment and Opportunity. Este segundo encontro europeu premeia a candidatura portuguesa da Junta de Freguesia de Gondomar. Gondomar era, antes da crise dos últimos 18 meses, o terceiro concelho dos 16 da Área Metropolitana do Porto com a maior taxa de desemprego a nível das pessoas com menos de 25 anos, com 13,4%, sendo que 33,7% desses desempregados tinham baixa escolaridade. Para combater essa realidade, a Junta de Freguesia de Gondomar propõe-se criar sinergias com os parceiros locais no sentido de, tão rapidamente quanto possível, promover a educação e a cultura empreendedora, melhorar as competências no âmbito da formação profissional, promover a criação do autoemprego e o empreendedorismo entre os jovens. José António Macedo, presidente da autarquia, afirma que o projecto Jobtown é importante porque permite “criar através do Grupo de Suporte Local uma política coesa de combate

Impressão: Empresa do Diário do Minho Rua Santa Catarina, 4A · 4710-306 Braga Distribuição: Folhas&Papelotes Tiragem: 5000 exemplares Periodicidade: Semanal Reg. ERC: 126269 Depósito legal: 348531/12

Técnicos europeus procuram soluções para combater o desemprego entre os jovens

ao desemprego juvenil, aprender a partilhar as boas práticas, adaptar à realidade do concelho o que a Comissão Europeia designa por ‘competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida’, sensibilizar os empresários para melhorar os seus recursos humanos e fortalecer a rede de agentes locais”. Ian Goldring, director-geral dos Projectos Europeus, estará também hoje em Gondomar para acompanhar o encontro em que estarão representantes das autoridades de gestão e dos

Especialistas tentam assegurar desenvolvimento de parcerias locais eficazes municípios de países europeus, entre os quais Alemanha, França, Itália, Espanha, Reino Unido, Polónia, Chipre e Hungria. José António Macedo afirma que “os representantes dos municípios e autoridades de gestão irão assegurar o desen-

volvimento de parcerias eficazes, sobretudo em relação ao desemprego dos jovens”. Do lado português são parceiros deste evento a CCDRN, Centro de Emprego de Gondomar, Associação Comercial e Industrial de Gondomar, Lipor, Escola de Formação Profissional ActualGest, Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria (Cindor), Agrupamento de Escolas, Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas e a Santa Casa da Misericórdia de Gondomar.

Jornalista com actividade suspensa

Declaração de interesses Confesso, nesta minha primeira crónica para o semanário “A Manhã”, a dificuldade que senti na hora da escolha da qualificação profissional com que quero apresentar-me aos leitores. Fui jornalista com carteira passada (de acordo com a legislação em vigor), mas já este ano, após mais de trinta anos de aventura pelos jornais, deixei de poder assumir-me como tal, desagradando-me o título de ex-jornalista. Em rigor, esta é uma das profissões, entre algumas tanto ou tão pouco prestigiadas, que exclui a qualidade de “ex”. Não sendo possível apresentar-me como jornalista na plenitude desse estatuto, a solução encontrada – jornalista com actividade suspensa – obriga-me a uma verdadeira declaração de interesses, ao ocupar este espaço. Tenho andado a dizer e a escrever que o meu currículo está cada vez mais pequeno, numa renovação de referências que dá mais valor à identificação dos amigos (incluindo os que deixaram de o ser) do que a outras misérias e a outros esplendores passados. Daí julgar que, por hoje e como justificação possível, talvez baste a clara declaração de interesses que se segue – sou amigo e, nesta qualidade, cúmplice dos profissionais que integram o núcleo duro deste projecto.

Semanário A Manhã  

Jornal de informação local/regional

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