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Ano 8 número 72

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GÊNERO, UMBANDA E RESPONSABILIDADE SOCIAL sua identidade de gênero vai se moldando de acordo a cultura que ele está inserido. Deste modo, se um indivíduo nasce em um país onde homens devem usar calças e mulheres saias, ele entende que isso faz parte da sua identidade de gênero e deve se comportar como tal. Na Escócia, por exemplo, os homens vestem uma espécie de saia, o Kilt, em ocasiões especiais. Desta forma, homem usar calça e mulher usar saia, seria um exemplo simples de que isso é uma construção cultural de um povo, por isso uma construção social para um gênero feminino ou masculino. Nesta visão, a construção social vai se moldando ao longo da vida e se ajustando conforme a cultura que o indivíduo está inserido. A identidade de gênero seria essa “modelagem social” de como se deve ser homem ou mulher. Essa teoria supõe que não existe apenas o ser homem ou mulher mais um espectro maior de possibilidades, como as identidades transgêneros.

Um dos temas discutidos no IV Fórum Inter-religioso de Santo André, que aconteceu no último mês de junho no Teatro Municipal de Santo André, foi a necessidade das religiões se posicionarem de forma fraterna frente aos atuais desafios de gênero. A responsabilidade social das religiões foi o tema central do evento, que contou com representantes de diversas religiões. E, qual é o papel da Umbanda neste cenário? Antes de falarmos sobre gênero é importante lembrarmos das instruções do Caboclo das Sete Encruzilhadas quando fundou nossa religião: “Amanhã na casa onde meu aparelho mora haverá uma mesa posta e toda e qualquer entidade que queira se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.” Ora, se no nascimento da nossa religião a premissa era que todos os espíritos fossem ouvidos, independentemente do que tenham sido em vida, quem somos nós agora para discriminarmos quem quer que seja? A discussão sobre gênero é polêmica e cercada de desconhecimentos por grande parte da população, por isso faremos alguns esclarecimentos básicos para início de conversa. Comumente a palavra gênero é entendida como sinônimo de sexo, ou seja, alguém do gênero feminino é uma pessoa do sexo feminino e alguém do gênero masculino é uma pessoa do sexo

masculino. Contudo, a amplitude do termo é muito maior e vai além desta compreensão simplista. A autora Joan Scott (historiadora norte-americana que, na década de 80, direcionou seu trabalho para a história das mulheres, a partir da perspectiva de gênero) nos esclarece que gênero é uma construção social, ou seja, ao longo dos anos de um indivíduo

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Jornal da Aldeia Edição 72  

Edição 72 do Jornal Aldeia de Caboclos, publicação julho de 2018

Jornal da Aldeia Edição 72  

Edição 72 do Jornal Aldeia de Caboclos, publicação julho de 2018

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