Page 6

página 6

Ano 7 número 61

o g i t r A

MACUMBAS NA MÍDIA Macumba sempre foi um prato cheio para a imprensa sensacionalista. Os jornais paulistanos e cariocas eram especialistas no assunto, principalmente porque isso significava uma maior venda de exemplares dos jornais. Apresentamos a seguir duas matérias publicadas no Diário Popular. Até no futebol a macumba era motivo de manchetes. Pai Nilson no Corinthians e Pai Santana no Vasco da Gama foram manchetes diversas vezes. MACUMBA DE RICO CUSTOU TREZENTOS MIL Diário Popular, 20 de dezembro de 1990 Um despacho de 30 metros de extensão movimentou a esquina da Avenida João Paulo I com a Rua Padre Domingos Gava, na Freguesia do Ó, e fez a alegria dos pobres que passaram por ali na manhã de ontem. Montadas por um grupo de pessoas durante a madrugada, as oferendas tinham, além dos tradicionais pertences como charutos, frangos e velas, quilos de cerejas e uvas e muito camarão, a um custo aproximado de Cr$ 300 mil. Em tempo de vacas magras o jeito é apelar para todos os santos. Se só as rezas não resolvem, a solução pode ser um despacho no cruzamento de uma avenida movimentada. Esta foi, provavelmente, a intenção dos autores de um despacho de aproximadamente 30 metros de extensão, que poderia se candidatar a uma menção no Guiness Book, o livro dos recordes, colocado em frente ao número 1510 da Rua Padre Domingos Grava, esquina com a Avenida João Paulo I, na Freguesia do Ó, Zona Norte da Capital Paulista. Entre os tradicionais charutos, velas, frangos e pratos de farofa, canjica e acarajé, quilos de frutas da época como mamão, cereja e uva, e muito camarão, havia vários bilhetes agradecendo o bom ano e pedindo saúde e paz para 1991. Dois bilhetes traziam pedidos curiosos. Em um deles o autor,

Fred José da Silva, pede para conseguir vender dois carros e ter condições de montar uma loja. Outro, de autoria não identificada, pedia dinheiro para pagar o INPS atrasado. Segundo os moradores, é comum aparecer trabalhos naquele local. “Mas grande assim é o primeiro”, afirmou o funileiro Eugênio Moreira Sobrinho, que contou 20 frangos e dezenas de garrafas de champanhe, vinho e uísque. Mas logo no inicio da manhã muitas pessoas passaram apanhando as frutas e be-

bidas. “Levaram caixas cheias”, disse Eugênio. Para Eugênio Sobrinho, que se diz médium, o trabalho foi feito por adeptos do Candomblé e seriam, no total, 13 e não apenas um despacho. “Isso não ficou por menos de Cr$ 300 mil”, acrescentou. Apenas o comerciante aposentado João Rodrigues, de 71 anos, disse ter visto os autores do trabalho. Segundo o aposentado, era por volta de 0h 30 de ontem quando quatro carros pararam em frente à sua casa, que fica na Avenida João Paulo I, número

Jornal Aldeia de Caboclos  

Edição 61 - julho de 2017

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you