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Ano 7 número 61

Ditado por Pai Benedito de Aruanda - 03/05/17 Autor do Poema Adriano Feliciano (Médium). Orientado pelo preto velho Pai Benedito de Aruanda. Poema: "Eu vim de lá" Então Da porta da senzala Eu vi Eu vi nascer um Lindo e belo dia Eu vi os negros se preparando Para a Lida Uns comendo outros bebendo O que era do outro dia Da porta da senzala Eu vi Eu vi as crianças brincando Comendo o que não podia Fazendo o que não devia Brincando com brinquedo Que não existia Da porta da senzala eu vi Eu vi as belas negras Batendo roupas no rio Com suas cantorias Carregando água na cabeça Como magia Da porta da senzala Eu vi

Eu vi o chicote estralar Nas costas do negro Que ainda assim Sorria Sorria por uma noite de amor Com a sinhazinha Amor que não podia Mas existia Da porta da senzala Eu vi Eu vi chegar o entardecer Eu vi o primeiro brilho da Lua Vi todos os negros voltando Da Labuta Da porta da senzala Eu vi Eu vi os irmãos se banhando no rio Para tirar o suor E repor energia Ia começar a melhor hora Do nosso dia Da porta da senzala Eu vi Eu vi todos os negros

Arrumados para nossa festa As negras nos belos vestidos Rodados, refeitos com muita esmera Da porta da senzala Eu vi Eu vi todos em volta de imensa fogueira Ao longe se ouvia o estalar das madeiras Assim com o som dos nossos atabaques Das nossas cantigas e nossos ataques Ataques de risos e de alegria Que naquele momento, nos fazer esquecia Da escravidão, da humilhação Das chibatadas de todos os dias Da porta da senzala Eu vi Eu vi passar mais um dia Sentado no meu toco Com meu cachimbo e minha guia Agradecendo a Deus e a Virgem Maria Por ter aberto meus olhos E ver passar mais um dia Da porta da senzala Eu vi.

Jornal Aldeia de Caboclos  

Edição 61 - julho de 2017

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