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Ano 8 número 69 dade, enfermidades físicas e mentais, drogas, desestruturação familiar, vícios, infortúnios, dengue, zika virus, etc. O resultado deste narrativa é o apedrejamento de crianças nas ruas, a profanação de templos e símbolos religiosos, violência pura e simples contra fiéis das religiões afro-brasileiras. Telespectadores dessas emissoras são induzidos a acreditar que se atacarem os fiéis ou destruírem templos religiosos afro-brasileiros terão seu emprego de volta, acesso à casa própria, carros de luxo, etc. Expressões como “encosto”, “demônios”, “espíritos imundos”, “pai de encosto”, “mãe de encosto”, “bruxaria”, “feitiçaria”, “sessão de descarrego”, etc., são intercaladas com o uso do vocábulo macumba, traduzindo o emprego de metáforas que não disfarçam o endereçamento das ofensas: as confissões religiosas de matriz Africana. A mensagem é cristalina, induvidosa, inequívoca. Induz o telespectador a concluir que os fiéis das religiões de matriz africana são os responsáveis por todos os males das humanidade, associando-os a um comportamento supostamente desviante, ilícito, criminoso, moral e eticamente condenável. A violência simbólica, verbal, induz, incita e justifi-

ca a violência física, exercida em nome do misericordioso propósito de salvar almas. É funesta, a propósito, a semelhança entre a narrativa de ódio religioso e a propaganda nazista contra o povo judeu, que culpabilizava-o por todos os males da Alemanha hitleriana. É oportuno lembrar que a história da humanidade é repleta de tragédias decorrentes do ódio religioso, a exemplo das guerras, terrorismo, genocídios, massacres, estupros em massa e outras atrocidades, razão pela qual urge um pronunciamento judicial que restabeleça a força normativa da Constituição Federal e da legislação que rege matéria. Estes foram apenas dois trechos de toda arguição do Dr. Hédio, tendo como consequência a votação unânime dos juízes em nosso favor. Um deles lembrou do “dia muito triste” (após revelar ser católico) em que o ex-bispo da Igreja Universal - Sérgio von Helde, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no programa matutino Despertar da Fé, transmitido pela Rede Record, justamente no dia 12 de outubro, quando os católicos comemoram o dia da Santa que consideram a Padroeira do Brasil. Finalizando, digo que o dia 05 de abril de 2018 foi um dia histórico para as religiões de matriz africa-

na; um dia que sempre será lembrado pela ousadia de Inhaçã, pela irreverência e bravura de Ogum, pela justiça de Xangô e finalmente, pela sabedoria e razão de Oxalá, que através de suas boas energias, despertam sentimentos de espiritualidade e fé expulsando todo ódio e desunião, afim de prevalecer a comunhão, e que o sentimento de irmandade nos una – como irmãos que somos na fé - nesse mundo físico instável e desagregador. Parabéns aos doutores responsáveis, parabéns à comunidade afro-brasileira, parabéns aos juízes, parabéns ao CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade), parabéns ao INTECAB (Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira) e a todos envolvivos nesse processo longo, árduo… mas vitorioso! Meu saravá fraterno a todos e até a próxima edição.

Babalaô Ronaldo Linares Santuário: 4338-0261 / 4338-3484 Escritório SANU: 4232-4085 Escritório FUG “ABC”: 4238-5042 www.santuariodaumbanda.com.br federacaoabc@terra.com.br

Jornal da Aldeia - edição 69  

Edição 69 do Jornal Aldeia de Caboclos - abril de 2018

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Edição 69 do Jornal Aldeia de Caboclos - abril de 2018

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