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Ano 8 número 69 agraciado com o cargo de Assistente do Diretor Espiritual, temos ritual dentro da Linha Branca de Umbanda, pura e simples. Convido V. Eminência o Senhor Arcebispo Metropolitano, para nos honrar em visitar nossas Tendas de Umbanda. Tenho certeza que Sua Excelência mudará o conceito, a respeito. O Sr. Capitão Elio Castro, DD. Presidente da União de Umbanda do Rio Grande do Sul, mais diretamente ligado às nossas atividades, poderá fornecer ao Clero, uma relação das Tendas de Umbanda registradas na União. A Igreja nos honrando com a sua visita, ficará surpreendida com a nossa evangelização. A adoração a Jesus e a Nossa Mãe Santíssima (Iemanjá), pode servir de exemplo a outras religiões. Na Umbanda Branca, não há fanatismo. Obedecemos à lei da dignidade humana e da fraternidade universal. “Todos por um e um por todos”. Não distinguimos credos e raças. Todos são nossos irmãos e, como tal, devem ser tratados. Os umbandistas não descuram de sua de sua evangelização. Todas as terças feiras, frequentamos um curso de doutrinação e evangelização, instalado na Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, sita à Rua Avaí, 221, gentilmente cedida à União. Não ignoramos que o Clero está se preparando intensivamente para a grande batalha contra a Umbanda. Esta atitude não é motivo de surpresa para nós. A Igreja combate sistematicamente todas as religiões que aparecem para lhe fazer sombra. Entretanto, até o presente momento, não tive conhecimento de uma só vitória concreta. Isto porque, os meios empregados são traiçoeiros e vergonhosos, usando subterfúgios de todas as espécies, mentindo descaradamente sobre um assunto que ignora completamente. O Clero não conhece a Umbanda. Por conseguinte, não pode apreciá-la como o faz pela imprensa lida e falada. Nós umbandistas conhecemos o rastro do fogo que ela deixou através dos séculos para conseguir a maior fortuna do mundo. Reconheço que a Igreja é uma potencia bem organizada. Também pudera, quase vinte séculos! Uma religião estrangeira deve reconhecer o seu lugar.

Estou de acordo que tenha suas ramificações em todo o Universo. O que me deixa admirado, é o direito que julga ter de se intrometer em assuntos onde não é chamada. Muitas vezes, o excesso de autoridade é prejudicial. Não faz muito tempo, no vizinho país do Prata, a Igreja passou por maus bocados. Aqui no Brasil isto não vai acontecer, porque o brasileiro sempre houve por bem conhecer democraticamente, os meios de combater os elementos desafetos. Os umbandistas conhecem muito bem a ação dos representantes da Igreja. Entretanto, a dignidade, a educação social e cristã, lhes impede procurarem a confusão no campo dos ideais dos outros. Isto porque vivemos a nossa vida na prática da verdadeira doutrina de Jesus. Outras religiões estariam fazendo o mesmo? Desejo esclarecer a V. Excelência, que não somos assustados, e que a nossa maior idade, umbandísticamente falando, está se aproximando muito mais rapidamente do que imaginávamos. Na vossa entrevista estais fazendo uma advertência sobre um ponto de alta relevância. Diz o seguinte: “Grande parte e mesmo a maioria das doenças, na ideologia umbandista, provém da influencia de espíritos maléficos e trevosos, que agem sobre o enfermo, ou são causadas por algum espírito encostado no doente”. Não admitimos a grande parte e mesmo a maioria das doenças. Nenhum espírita seria tão leviano, para dizer uma bobagem dessas. O que é do espírito é curado com o Espiritismo e o que é da matéria fica na responsabilidade do barro da terra. Os espíritos maléficos ou trevosos que agem sobre os doentes, passam por doutrinações cristãs, antes de abandonarem o doente. Trata-se de um belíssimo trabalho, que o Clero deveria aprender a fim de aliviar o sofrimento de milhares dos seus adeptos. Há muita coisa neste mundo que está sendo desvendada e esclarecida pelas entidades do Astral Superior. V. Excelência é bastante culto para reconhecer isto. Entretanto, a rigidez da Lei Canônica, faz manter o povo católico em uma ignorância arcaica, sob a ameaça do inferno. Os filhos de Deus, que procuram seguir a orientação imposta pela evolução revolucionária dos tempos modernos, são considerados loucos, pelo Clero.

Por toda a parte se vê isto. É de se estranhar que a vossa Santa Madre Igreja, nos venha taxar de macumbeiros? Diz V. Excelência, que muitos doentes ficam sem tratamento adequado, perdem o tempo e veem seus males agravados, muitas vezes irremediavelmente, com pseudotratamento dos terreiros e dos despachos. Não, Excelência. A Umbanda não pode ser responsabilizada por isso. A Umbanda é a vida, é o desprendimento, é o sossego espiritual. Vós sabeis como é difícil a um pobre chefe de família numerosa, nos dias de hoje, buscar os recursos financeiros para a sua subsistência. Uma consulta médica e compra dos medicamentos são proibidos até para a classe média. Isto é doloroso e vexatório para nós, mas é verdade. Na nossa Santa Casa de Misericórdia, não há vagas para doentes. Está superlotada e, as filas de cristãos, são grandes, aguardando a vez do socorro. Não me recordo nos meus 55 anos de idade, haver assistido a uma espontânea campanha do Clero, em benefício dos pobres hospitais de caridade. Doando àquelas instituições, um pouco do muito que lhe sobra. As Igrejas, monumentos católicos, que se constroem nesse imenso Brasil, demoram dezenas de anos nas construções. Falta de dinheiro? Não Excelência, trata-se de um plano pré-traçado para dar motivos às eternas campanhas monstro, de arrecadação de fundos. Em cada rua há uma comissão do Clero para pedir dinheiro. Por que não canalizam um pouco dessa fortuna para o Lar do Amigo Germano, para o Instituto Dias da Cruz, para o Instituto Santa Luzia e para a Casa da Mãe Solteira? O Hospital Espírita de Teresópolis, também luta com sérias dificuldades. Uma infinidade de instituições precisa da sua ajuda. A Bandeira do Divino vai a todas as portas portalegrenses. São muitas mil casas e muitos milhões de cruzeiros encaminhados a uma Igreja milionária. Consoante a esse tópico, o mundo católico está sobejamente esclarecido. Continuando, nós umbandistas lamentamos profundamente o triste problema da invalidez, da mendicância, dos parcos recursos das famílias numerosas, das classes médias e pobres. A despeito de tudo isso, temos

Jornal da Aldeia - edição 69  

Edição 69 do Jornal Aldeia de Caboclos - abril de 2018

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