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página 12 Foto: Divulgação

Ano 8 número 69

a n s ia a v lde r E A O espírito das ervas é verdadeira Imanência Divina A gente chega ao ponto de acreditar que tudo já havia sido falado sobre ervas. Pois é, ou mesmo que tudo o que precisava ser dito sobre religião já havia sido dito. A Natureza trabalha sem parar, vinte e quatro horas, dia e noite, chuva e sol... Nada para, tudo está em movimento contínuo. Quanto ainda há pra se falar sobre banhos, defumações e benzimentos? Quanto ainda temos para descobrir? O infinito seria a resposta mais óbvia, mas de óbvio, a maioria dos entendidos refutariam por acharem que seriam considerados muito "simples" por responderem - o óbvio. E aí se criam as pantomimas, regras e folclores em torno da simplicidade de Mãe Natureza. Desde que abrimos os cursos sobre ervas, temos colecionado perguntas das mais variadas, dúvidas das simples às mais complexas, e tantos questionamentos que dariam uns bons três volumes apenas respondendo-os, e ainda assim, não satisfaríamos a todos. Todos têm alguma receita, todos já ouviram alguém que disse algo, ou alguém que "dizem" de forma tão incisiva, que acaba convencendo que aquele formato de uso, ou aquela liturgia, forma magística é a mais adequada. Costumo dizer em aula: "Não há nada mais errado do que achar que o outro está errado." Quando falamos em religião, doutrina, magia, liturgia, essa regra é válida, pois não há um livro sagrado contendo regras que determinem como a natureza humana deve ser. E nós seres humanos somos julgadores. Mas há aspectos práticos onde o errado é errado mesmo, o injusto, o incorreto e o ilegal devem sentir o peso da lei. Quantos crimes já foram e são cometidos em nome das religiões? Herdamos de diversas culturas e religiões do passado, e procuramos honra-los dando a cada uma dessas heranças o seu devido valor. E se assim não o fizermos, o que podemos esperar que façam com a herança que deixaremos? Isso vale para tudo, afinal não sabemos quais as condições em que as pessoas encontram as informações de

que precisam. E quanto conhecimento não acaba sendo acorrentado pelo egoísmo e pela sede de poder... Bom, deixando esses aspectos ruins de lado, vale a reflexão: o que estamos deixando para as próximas gerações? Lembro de alguns escritos antigos que citavam o comigo-ninguém-pode em indicação de banhos. É mais que sabido que essa planta tem grau de toxidade que precisa ser considerado e, portanto, não deve ser usada em hipótese alguma em contato com a pele. Mesmo que algumas pessoas a usem e não tenham reação alguma, outras podem ter reações indesejáveis. Então, partimos do princípio que prevenir é melhor que remediar. Há tantas ervas para serem usadas, Mãe Natureza nos abençoa em abundância de forma que opções não faltam. Ervas clássicas de limpeza pesada, que no nosso sistema de classificação chamamos de "ervas quentes ou agressivas" (veja matérias anteriores *) são encontradas facilmente nos jardins, canteiros e no comércio: Arruda, Guiné, Casca de Alho, Aroeira, Espadas de S. Jorge e Santa Bárbara, Pinhão Roxo, Quebra-demanda, Dandá-da-costa, entre outras. Veja só, a dica de sete ervas de limpeza dada de forma bem sutil! Ervas de equilíbrio, regeneradoras e reconstrutoras do campo astral: Manjericão, Alecrim, Alfazema, Sálvia, Boldo (tapete-de-oxalá), Capim-santo (cidreira), Folhas de Pitangueira, Folhas de Goiabeira, Rosas e flores em geral. Mais um pouquinho de dica sutil! Usadas em separado ou unidas em banhos de acordo com a necessidade e propósito. E tem muito mais ervas que podem ser usadas de forma que não precisamos colocar em risco a saúde de ninguém... Isso é bom senso. Informações em profundidade podem ser encontradas em diversos meios, inclusive no nosso livro Rituais com Ervas - banhos, defumações e benzimentos - que pode ser adquirido diretamente nos nossos contatos de email e site abaixo. O mesmo bom senso que esperamos de irmãos umbandistas quando acham que copiar descaradamente um livro e distribuir pelas redes sociais é caridade. Está praticando um crime contra os direitos autorais

e contra um trabalho que muitas vezes ignoram, pois acham que apenas o "seu trabalho" é que tem valor. Não imaginam o quanto o autor teve que abdicar da sua vida e de seus recursos para colocar um trabalho disponível para o conhecimento. Adquirir corretamente, pelas vias legais, mantém o trabalho vivo e alimenta uma cadeia de pessoas que verdadeiramente trabalham. Não será a remuneração justa? Não temos que honrar com nossos aluguéis, água, luz, etc.? Será que seus guias espirituais concordam com a disseminação de algo roubado? Já imaginou se alguém vai lá ao Santuário Nacional da Umbanda, pega de outras oferendas já feitas um alguidar, flores, frutas, velas, enfim, elementos que alguém já comprou e usou, e faz uma oferenda para seu Orixá ou seu Guia? E faz isso não porque não pode comprar, mas porque "afinal já está lá, né..." É a mesma coisa que roubar direitos autorais, a espiritualidade está olhando da mesma forma. A natureza humana evolui constantemente, mesmo que não pareça. Por vezes achamos que a humanidade está perdida, face ao obscurantismo do caráter, a impunidade e tantos sentidos negativos que vemos em evidência. Bom senso, ética, respeito, justiça, julgamento, se colocar no lugar do outro. Coisas simples que mantém a religião viva e ativa. Depois não adianta reclamar se as próximas gerações não absorverem os valores necessários para que sejamos religião do bem e para o bem. Que os Mestres Espirituais possam nos inspirar ao melhor em nós, e que possamos ser úteis a nós mesmos e ao semelhante. Que os Senhores da Lei e da Justiça nos olhem sempre! Bênçãos de Papais e Mamães Orixás em nossas vidas! Gratidão imensa e sempre! Adriano Camargo Erveiro da Jurema Sacerdote de Umbanda, autor do livro Rituais com Ervas, banhos defumações e benzimentos. adriano@ervasdajurema.com.br www.oerveiro.com.br

Jornal da Aldeia - edição 69  

Edição 69 do Jornal Aldeia de Caboclos - abril de 2018

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