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EXPEDIENTE

DIRETOR GERAL:

Adair Weiss

DIRETOR EDITORIAL:

Fernando Weiss

DIRETOR COMERCIAL:

Sandro Lucas

É a vez de

Lajeado

C PRODUÇÃO TEXTOS

Rodrigo Martini, Cristiano Duarte e Matheus Chaparini ARTE E DIAGRAMAÇÃO

Fábio Costa REVISÃO

Alexandre Miorim FOTO DE CAPA

Caco Konzen

PARA NOS CONTATAR: estudioahora@jornalahora.inf.br DEMAIS PRODUTOS E SERVIÇOS DO GRUPO A HORA Jornal A Hora Jornal AH Regional Eficiência Logística Núcleo de Pesquisa Publicações A Hora A Hora Eventos Grupo A Hora: avenida Benjamin Constant, 1034, Centro, Lajeado/ RS. Fone: 51 3710-4200. SITE www.grupoahora.inf.br www.jornalahora.com.br

idades mundo afora encontram na inovação e no empreendedorismo amparo para evoluir, se desenvolver e superar problemas crônicos do dia a dia. Exemplos mundiais e nacionais indicam caminhos promissores. Mais próximos da nossa realidade: Florianópolis, em Santa Catarina, e Recife, no Pernambuco. Outrora subdesenvolvidos ou abandonados, prédios, áreas, espaços públicos foram ocupados e transformados. Em pouco tempo, as duas cidades viraram referências no país e inspiram outras que buscam desenvolvimento econômico, social e cultural a partir das ferramentas tecnológicas e da inovação. Lajeado é uma delas. Adota modelo consolidado em âmbito internacional para criar um grande ecossistema e construir uma nova cidade daqui para frente. Tríplice Hélice: Poder Público, Universidade e Entidades alinhadas em torno do mesmo movimento e propósito. Será que vai dar certo? Esta é a pergunta que se ergue diante do desafio. No fim dos anos 1990, líderes políticos e empresariais da cidade construíram o projeto Lajeado Século 21. Ousado, inovador e propositivo, foi engolido por interesses eleitoreiros e falta de visão política e desenvolvimentista, seja dos agentes públicos ou da sociedade. Foi engavetado ao longo do caminho. Passadas quase duas décadas, muito do que foi proposto na época ressurge e se apresenta como indispensável. Muitos líderes, aliás, que ajudaram a formatar o projeto Lajeado Século 21 integram o movimento que se fortalece em 2019. Lajeado não pode perder, duas vezes, a oportunidade de construir uma cidade melhor. Consolidar a cidade-polo do Vale em

referência no Estado e fora dele passa pela soma de forças e ações. Não será por acaso. Os egos, as vaidades, o partidarismo e o radicalismo precisam dar espaço ao interesse coletivo. Só assim será possível construir a cidade idealizada nas páginas a seguir. PENSAR LAJEADO. Esta revista é uma alusão ao 128º aniversário de Lajeado, aos 50 anos de Ensino Superior da Univates e à Acil, que ruma aos 100 anos. Nada poderia ser mais oportuno diante deste movimento que une – como nunca antes – esses três agentes de transformação social, econômica, cultural e política e que convocam a sociedade toda a se engajar. Enquanto os diferentes atores e setores estruturam Lajeado para 2040, os serviços básicos e o atendimento à população precisam continuar e melhorar. Esta revista também reserva páginas generosas para dar vez e voz aos cidadãos dos 27 bairros, que reiteram pedidos por obras e serviços. Além da pesquisa de opinião sobre os dois primeiros anos do governo de Marcelo Caumo e Gláucia Schumacher, feita pelo instituto Nexus, nossos jornalistas analisaram o cumprimento das promessas de campanha da administração municipal. Das 47 ações prometidas – e documentadas na justiça eleitoral - para cada um dos 27 bairros, 21 foram atendidas e 26 aguardam. Mãos à obra, prefeito. Em síntese, esta revista traz uma agenda propositiva para Lajeado. Dá luz e ritmo sobre o movimento inovador da Tríplice Hélice. Dá voz aos cidadãos e mantém saudável vigília sobre as ações do poder público.

Boa leitura a todos.

E-MAILS comercial@jornalahora.inf.br, assinaturas@jornalahora.inf.br e redacao@jornalahora.inf.br

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INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

MOVIM E POR UMA NOVA CIDADE 8

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CACO KONZEN

M ENTO

L

ajeado chega aos 128 anos com um projeto promissor. Desde o ano passado, se fortalece o movimento para transformar a cidade em referência na inovação e no empreendedorismo. Poder Público, Universidade e entidades alinhadas no propósito de fazer a cidade-polo do Vale despontar em qualidade de vida, geração de renda e desenvolvimento econômico, social e sustentável. Ainda assim, o sonho só será alcançado com a participação e a conexão de todos os setores e atores da sociedade. Veja, a seguir, o movimento em curso, o que já foi feito e os caminhos a percorrer até 2040.

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LAJEADO SE REINVENTA

TRÍPLICE HÉLICE SURGE COMO MODELO DE ACELERAÇÃO PARA 2040 UNIÃO DE ESFORÇOS E ESTRATÉGIAS ENTRE EMPRESÁRIOS, ACADÊMICOS E GESTORES PÚBLICOS É O NOVO MODELO ADOTADO POR LAJEADO PARA SE CONSOLIDAR COMO POLO DE EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO NO PAÍS

U

m movimento iniciado em janeiro de 2017 busca colocar a principal cidade do Vale do Taquari em posição de destaque nacional e até mundial na área da tecnologia, empreendedorismo, inovação e economia compartilhada. Comitês táticos e estratégicos formados por entidades civis, governo municipal, Univates e voluntários querem conectar a cidade com as demandas do futuro, gerar qualidade de vida e desenvolvimento social e financeiro para Lajeado. O modelo adotado é conhecido mundo afora. Trata-se da chamada “Tríplice Hélice”, conceito de-

senvolvido por Henry Etzkowitz – professor norte -americano graduado em História pela Universidade de Chicago e Ph.D. em Sociologia pela New School for Social Research – na década de 1990. A ideia é simples. Para chegar até a descrição do modelo, Etzkowitz observou os mais importantes polos e parques tecnológicos do mundo e verificou que, para atingir taxas maiores de desenvolvimento, é necessária a interação entre academias, iniciativa privada e o poder público. Em tese, o professor defende a necessidade de utilizar o conhecimento produzido e desenvolvido nas academias para atender demandas do mercado e da sociedade como um todo. É um modelo universal de inovação, e está por trás, por exemplo, do desenvolvimento do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), e do Medical Valley de Erlangen (ALE), por meio da inovação sustentável e do bom ambiente para o empreendedorismo. Três atores formam a Tríplice Hélice: governos, iniciativa privada e universidades. Juntos, constroem soluções que contribuem para o desenvolvimento econômico, a competitividade, o empreendedorismo, a geração de riqueza e, consequentemente, o bem-estar social. O modelo da Tríplice Hélice foi desenvolvido na Rota 128, em Boston (EUA), mas a fórmula de sucesso tem sua origem na Nova Inglaterra, ainda na década de 1920, como uma forma de renovar uma economia industrial

em declínio. A meta foi desenvolver um ecossistema para a geração de negócios, startups. Além de governo, academia e empresariado, outros atores coadjuvantes devem participar. Entidades civis e a sociedade em geral. E isso, segundo o próprio autor da metáfora, é possível em qualquer lugar do mundo.

“OS ASTROS ESTÃO ALINHADOS EM LAJEADO” Tríplice Hélice costuma se valer de três espaços repetidos em cases de sucesso mundo afora: consenso, conhecimento e inovação. E quando governo, academia e sociedade civil se engajam em um mesmo propósito, tal qual a proposta do Movimento Por Lajeado – nome dado ao processo iniciado em janeiro de 2017 –, está formado o ambiente para o desenvolvimento econômico e social. O gestor organizacional e consultor da Universidade do Vale do Taquari, Albano Mayer, é um dos entusiastas do movimento lajeadense. Para ele, o cenário é único no município. “Diferente de momentos anteriores, quando talvez os astros não estivessem tão alinhados, a cidade vive um novo momento. Os astros estão alinhados em Lajeado. Não sei se teremos uma nova oportunidade para implantar esse modelo. As coisas estão

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VOLK IMAGENS AÉREAS

ENTRE OS PRINCIPAIS PROJETOS APRESENTADOS NO PLANO DIRETOR DE LAJEADO ESTÁ A IMPLANTAÇÃO DA “ROTA DA INOVAÇÃO”. ELA INTERLIGA O PARQUE TECNOLÓGICO DA UNIVATES (TECNOVATES) COM O CENTRO ANTIGO DA CIDADE, ENTRE AS RUAS BENTO ROSA, NO BAIRRO CARNEIROS, E A OSVALDO ARANHA, ÀS MARGENS DO RIO TAQUARI

convergindo para que ocorram. E eu tenho medo de ver esse timing passar”, alerta. Morador de Porto Alegre, enaltece o potencial de Lajeado: “acordem, vocês estão em uma cidade maravilhosa”. Albano reforça a importância social da Tríplice Hélice. Segundo ele, a metáfora trata a equidade de uma sociedade como ponto crucial para o desenvolvimento econômico e social. “Todos devem crescer juntos. Se apenas a classe média ou os ricos crescem, os pobres ficam ainda mais pobres. Gramado, por exemplo, conseguiu fazer com que todos crescessem juntos. E é este um dos nossos principais desafios”, ressalta.

interligar duas vias municipais que margeiam o Rio Taquari: a rua Bento Rosa, entre os bairros Carneiros e Hidráulica, e a rua Osvaldo Aranha, no centro histórico. O trecho interliga o Parque Tecnológico e RODRIGO MARTINI

OS DEGRAUS PERCORRIDOS Tudo começou com o estudo do Plano Diretor de Lajeado 2040, em março de 2017. Uma iniciativa do poder público, que mais tarde buscou auxílio do Fórum das Entidades, Seavat e Sinduscon, e também passou pelas Associações de Moradores de Bairros, com a realização de diversas audiências públicas. Em setembro daquele ano, seis meses após o início do estudo do novo Plano Diretor, o governo municipal atendeu às sugestões de especialistas – entre eles o sociólogo Renato de Oliveira – e apresentou a ideia da chamada “Rota da Inovação”, ou “Corredor Tecnológico”. Em tese, trata-se de

GESTOR ORGANIZACIONAL, ALBANO MAYER É CONSULTOR DA UNIVATES E ATUA COMO UM DOS COORDENADORES DO MOVIMENTO POR LAJEADO

Científico da Univates, o Tecnovates, com a área antiga da cidade, visivelmente degradada. A ideia é construir e incentivar empresas de inovação, espaços de coworking, hubs, incubadoras e até mesmo um novo Parque Tecnológico. Tudo isso distribuído em novas áreas de lazer e convivência, como por exemplo, o projeto do novo parque multiuso, entre as ruas Osvaldo Aranha e Bento Gonçalves. A ideia inspira-se no chamado “Porto Digital”, implantado em Recife, a capital pernambucana. Criado em 2000 e berço do maior Parque Tecnológico do país, o modelo uniu o ambiente do rio e o centro histórico – antes degradados – à tecnologia. Hoje abriga 267 empresas e instituições dos setores de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Economia Criativa (EC) e Tecnologias Para Cidades. Entre as multinacionais, Samsung, IBM, HP e Microsoft se instalaram no local. Para conhecer o sistema pernambucano, um grupo formado por representantes da Univates, poder público e empresários viajou ao Recife em novembro de 2017. “A visita, inicialmente, fazia parte de um processo movido pela característica do reitor da Univates, Ney Lazzari, que é uma pessoa inquieta. E ele, me parece, estimulou o prefeito a olhar para esta nova realidade, para este case de sucesso. E me parece, também, que lá o prefeito despertou para tal.”

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FERNANDO WEISS/ARQUIVO A HORA

EM NOVEMBRO DE 2018, COMITIVA VISITOU O PORTO DIGITAL DE RECIFE PARA BUSCAR INSPIRAÇÃO. PERCEBEU COMO A CAPITAL PERNAMBUCANA SE DESENVOLVEU E EVOLUIU A PARTIR DO TRABALHO FOCADO NA INOVAÇÃO, USANDO A TECNOLOGIA PARA EMPREENDER

AVANÇOS EM 2018 O grupo, apesar de buscar inspiração no Porto Digital do Recife, reconhece as limitações de Lajeado. “Não temos a força de uma capital de um Estado. E mesmo sendo a ‘capital do Vale do Taquari’, Lajeado precisa pensar individualmente neste momento. Até porque os benefícios para os municípios vizinhos serão naturais”, opina Mayer. E foi pensando assim que a Univates iniciou a busca por novos atores locais. Em maio de 2018, a universidade convidou um grupo de líderes para falar de estratégias. “A academia, por uma necessidade própria, começa a perceber o que os empresários querem da instituição. E a proporção do grupo cresceu, estrei-

tamos para Lajeado e o movimento começou a ter a cara da Tríplice Hélice.” Quatro meses depois, o Sebrae entrou em cena com a criação do Comitê de Governança do Empreendedorismo. O modelo de aceleração de novas empresas segue quatro eixos de atuação: “educação empreendedora”, “desburocratização e simplificação”, “inovação” e “apoio ao empresário”. Entre os principais objetivos deste comitê formado por 23 pessoas – sob a presidência de Cíntia Agostini, do Codevat –, implantar modelos de ensino na educação básica e a criação de um hub para conectar organizações e pessoas, objetivando soluções, melhorias e inovações em 50 AI/PREFEITURA DE LAJEADO

projetos até 2020, para criar cidades inteligentes. Um mês após a criação do comitê, em outubro, nova comitiva de representantes do poder público, Univates e empresários viajou para a capital catarinense, Florianópolis, para avaliar outro case de sucesso na área da inovação, empreendedorismo e de cidades conectadas à tecnologia. Visitaram o Centro de Inovação Tecnológica (Certi), a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e o Parque Tecnológico Sapiens. “A capital catarinense é um exemplo mais próximo. Lá, o movimento iniciou faz 30 anos. Hoje possui um ambiente saudável de empreendedorismo e, em matéria de cluster de inovação, tem mais importância do que São Paulo. Fomos buscar informação em grandes exemplos”, resume Mayer. Naquele mesmo mês de outubro, Univates, Acil e governo municipal assinaram protocolo de intenções para acelerar a criação do Movimento por Lajeado. A última movimentação realizada em 2018 foi a palestra, na Univates, do consultor de cenários e de gestão estratégica, Carlos Marinho. Ele foi um dos precursores do Porto Digital de Recife, quando exerceu, entre 1999 e 2006, os cargos de secretário de Planejamento do governo de Pernambuco e secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente daquele estado. EM JANEIRO DE 2019, FOI NOMEADO E EMPOSSADO O CONSELHO MUNICIPAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (CMTI) DE LAJEADO

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EM SETEMBRO DE 2018, CRIOU-SE O COMITÊ DE GOVERNANÇA DO EMPREENDEDORISMO. INICIATIVA DO SEBRAE, O GRUPO SERÁ RESPONSÁVEL PELO NÚCLEO “TÁTICO” DA TRÍPLICE HÉLICE LAJEADENSE

A TRÍPLICE HÉLICE LAJEADENSE ESTRATÉGICO

Objetivo: interagir entre os atores que compõem a cidade de Lajeado, identificar os melhores caminhos e os objetivos para ampliar o desenvolvimento e a qualidade de vida. Movimento estratégico em prol de consensos para a cidade, para os próximos períodos. Setor público, setor privado, universidade e sociedade civil organizada

Especialistas garantem: a inovação pode acontecer mesmo que, no início do movimento, esteja em um estágio de baixa tecnologia. O objetivo não deve ser a implantação exata de um Vale do Silício, de um Porto Digital do Recife ou de um ecossistema igual ao de Florianópolis, pois algumas condições naturais e sociais são limitadas. Mas, sim, criar uma dinâmica de Tríplice Hélice com base nas características existentes para a inovação, mesmo na ausência de algumas esferas. Mayer reforça a boa relação dos atores lajeadenses com o poder público. “O governo tem papel fundamental. E Lajeado tem um prefeito muito comprometido com a causa, com a cidade, e não com manter-se no governo. É um projeto para a cidade, e não para o governo. E esse é o desafio do grupo.” A Tríplice Hélice lajeadense é formada pela Univates, poder público e Acil. Mas outros atores passam a integrar o grupo a partir deste ano. Além de empresários, entidades civis, públicas e sociedade em geral são convocadas para debater soluções para problemas sociais e econômicos demandados na cidade. Segundo Meyer, tudo converge para a formatação do “Movimento por Lajeado”. Conforme

TÁTICO

Objetivo: planejar e implementar objetivos do grupo Estratégico, buscar recursos que possibilitem ampliar o desenvolvimento e a qualidade de vida. Atua por eixos e planos de ação. Comitê de Governança do Empreendedorismo

o consultor, o projeto possui três núcleos. O primeiro é o “Estratégico”, cujo objetivo é interagir entre os atores que compõem a cidade de Lajeado, identificar os melhores caminhos e os objetivos para ampliar o desenvolvimento e a qualidade de vida. A composição é voluntária. Esse núcleo estratégico é formado pelo governo de Lajeado, a câmara de vereadores, Judiciário, Conselho Municipal de Inovação e Tecnologia, Univates, Sebrae, sindicatos diversos, Sicredi, Unimed, Acil, CDL, Sindilojas, Sincovat, Uambla, Emater, Observatório Social de Lajeado (OSL), STR, entre outros. Já o núcleo “Tático” é formado pelos 23 inte-

grantes do Comitê de Governança e Empreendedorismo. A missão deste grupo é planejar e implementar os objetivos estratégicos, e buscar recursos para ampliar o desenvolvimento e a qualidade de vida da população. A composição é compulsória, por meio da indicação das entidades participantes. A terceira etapa do movimento passa pelo grupo “Operacional”, cujo objetivo é a criação da Agência de Desenvolvimento de Inovação de Lajeado (Agil), com corpo ativo a ser remunerado. Por meio dessa entidade apartidária, haverá busca e aplicação de recursos em projetos de inovação, desenvolvimento econômico, social e estrutural, atendendo às demandas apresentadas pelos outros dois núcleos. “Tudo é baseado no conceito de estratégia. Trabalharemos em três níveis: estratégico, tático e operacional. E precisamos de um órgão não público que possa executar as ações, que toque o projeto. Não pode ser Acil, pois só está ligada aos interesses econômicos. A prefeitura só interessa ao público. E a universidade tem seu interesse privado. Por isso é preciso outro órgão para as intenções da comunidade como um todo. Essa será a Agil. E dessa vez, não podemos falhar.”

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ARQUIVO A HORA

AGIL:

SONHO DE AGÊNCIA GANHA NOVO FORMATO A IDEIA DE IMPLEMENTAR UMA AGÊNCIA É DISCUTIDA DESDE O FINAL DA DÉCADA DE 1990. NESTE PERÍODO, LAJEADO E O VALE CRESCERAM E O PROJETO SE ADAPTOU. HOJE, UM GRUPO ARTICULA A CRIAÇÃO DA AGIL - AGÊNCIA DE INOVAÇÃO DE LAJEADO A iniciativa funcionaria como um escritório independente, coordenado por um conselho composto por empresários, associações de bairro, universidade, Executivo e Legislativo. Este grupo traça metas comuns para os próximos vinte anos da cidade. O órgão tem por objetivo também atrair empresas estimulando a formação de parcerias com os empreendedores locais.

Na prática, a agência teria em um pequeno espaço físico, com um executivo contratado, que funcionaria como o timoneiro, com tarefas a cumprir e avaliações periódicas por um conselho, que consistiria em um grupo representativo com sete a dez pessoas. É o conselho quem define as metas. “A ideia é criar um órgão preocupado com o longo prazo, pensando o que a gente quer para Lajeado nos próximos 20 anos. Não dá para cobrar isso só da prefeitura, porque ela tem que dar respostas imediatas para as necessidades diárias do município”, afirma o reitor da Univates, Ney Lazzari.  Com menos impeditivos para fazer parcerias e contratações do que os órgãos públicos, a agência teria mais facilidade de estimular o desenvolvimento regional.  

“A COMUNIDADE PRECISA ENXERGÁ-LA COMO NECESSÁRIA”

Albano Mayer também avalia as perspectivas e desafios da Agil. “Precisa ser independente do poder público e do privado. Além disso, e para mantê-la financeiramente, a comunidade precisa enxergá-la como necessária. E assim passe a bancar por sua existência”, opina. Outra forma de financiamento da agência seria por meio da Lei de Inovação.  Com a criação do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CMTI), será possível iniciar o Fundo Municipal de CTI. “É preciso ajudar no início dessa agência. Por meio do poder público, haverá ações para puxar a Tríplice Hélice. O município tem dotação orçamentária para o Fundo. A Univates também pode botar recurso, assim como a Acil e as empresas.”

EXEMPLO VEM DA SERRA

A iniciativa esbarra na dificuldade de financiamento para tomar corpo. “A questão é como vai se manter a agência no início. Em outros locais, como Curitiba, ela consegue se manter através da elaboração de projetos para empresas locais. Mas até ela se consolidar, quem vai tirar dinheiro do bolso?”, questiona Lazzari. O reitor cita o exemplo de Gramado e Canela, na Serra. A Visão – Agência de Desenvolvimento da Região das Hortênsias – foi criada em 1999. Atuou ativamente na criação da Gramadotur – Empresa de Turismo de Gramado, primeira autarquia de turismo e cultura do sul do país; fez o Censo dos Meios de Hospedagem da Região; e, em 2013, criou o “Gramado, cem anos antes e depois”, série de painéis que debateu os pontos estratégicos para o desenvolvimento regional.   Uma das formas de financiamento encontrado pela agência vem do setor de hospedagem. Cada hotel repassa uma quantia por ano para a manutenção.

RODRIGO MARTINI

REITOR DA UNIVATES, NEY LAZZARI VISITOU O PORTO DIGITAL DE RECIFE COM A COMITIVA, E PARTICIPA DE DEBATES CONTEMPORÂNEOS FAZ MAIS DE 30 ANOS. HOJE, ATUA DE FORMA ESTRATÉGICA PARA A CRIAÇÃO DA AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DE LAJEADO, A “AGIL”

O Fundo pode contratar a consultoria necessária, assim como em Porto Alegre, para as diretrizes. “Já iniciamos a estrutura formal e contábil. Após um ano, a expectativa é de que a Agil possa gerar recursos próprios, tal como no Recife, com a Aries. E assim puxar o desenvolvimento local, apresentando soluções para problemas sociais. A agência pode, por exemplo, apresentar formas de minimizar as enchentes, melhorar o saneamento básico. E assim por diante.”  Ainda de acordo com Mayer, a Agil pode gerar interesses sobre pontos de instalação de empresas e multinacionais. “Pode ser remunerada para isso. Pode vender a cidade fora do país. Buscar recursos públicos, tanto no Brasil como em outros países. A agência também deve analisar algumas carências, como melhores opções gastronômicas. E eu como um amante da culinária, gostaria de ver um bom restaurante italiano na cidade. E de preferência, de frente para o Rio Taquari”, finaliza.

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RODRIGO MARTINI

CENTRO HISTÓRICO ESTÁ DEGRADADO EM FUNÇÃO DA FALTA DE POLÍTICAS DE PRESERVAÇÃO. UM DOS EIXOS DA ROTA DA INOVAÇÃO ATUA NA RECUPERAÇÃO E NA MELHOR OCUPAÇÃO DOS PRÉDIOS E ESPAÇOS ANTIGOS

DIVERSIDADE E INTERAÇÃO DE ATORES SÃO CHAVES PARA O SUCESSO Presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e recentemente nomeada a presidente do Comitê de Governança do Empreendedorismo, Cíntia Agostini fala da importância de ampliar o modelo da Tríplice Hélice. “Neste conceito tratamos de esforços conjuntos de governo, de empresas, de universidades, em prol da inovação e do desenvolvimento, atuando em ações que deem conta de cidades inteligentes e inovadoras, a partir da inovação aberta.” Ela vai além. “No conceito da quádrupla hélice, além das empresas, governo e universidades, o papel da sociedade é incluído como relevante no desenvolvimento da inovação. Deve fazer parte do processo de interação dos atores em prol de uma cidade inteligente e inovadora, considerando as particularidades, a formação sócio-cultural de Lajeado e as interações que aqui ocorrem e que diferem de outros locais.” Esse modelo atribui importância à cultura do conhecimento, aos valores e estilos de vida. Nessas condições, cita o setor público: governo municipal, câmara de vereadores, Judiciário; iniciativa privada, startups e demais negócios inovadores; universidade e demais instituições de ensino, pesquisa e extensão (Univates); sociedade civil: entidades empresariais, entidades sindicais, entidades representativas de bairros, entidades urbanas e rurais, etc.

O PODER PÚBLICO

O modelo norte-americano do Vale do Silício

teve participação crucial de ações governamentais desde o início do século XX. Passou pelo desenvolvimento de mecanismos de comunicações a longa distância e outras ferramentas utilizadas pelo governo e também pelo exército dos EUA em períodos de guerras, por exemplo. Houve também grande injeção de recursos por meio de financiamentos públicos. O governo federal norte-americano não só financiou o desenvolvimento de muitos setores pioneiros que levaram ao crescimento do Vale do Silício como também tem sido um dos principais clientes das tecnologias patenteadas naquela região. Em Lajeado, a constituição do CMTI e consequentemente do Fundo Municipal de Inovação e Tecnologia tem, também, o propósito de acelerar esse processo. Secretário de Desenvolvimento Econômico, André Bücker fala sobre a Lei de Inovação e os próximos passos do poder púbico dentro da Tríplice Hélice. “Por meio de proposições e formulações de políticas públicas de promoção da inovação para o desenvolvimento do município, o conselho deve promover e incentivar estudos e eventos”, avalia.

CONDIÇÕES PARA OS EMPREENDEDORES Para Bücker, o governo precisa estabelecer as linhas gerais de desenvolvimento econômico e

dar as condições básicas para que os empreendedores criem e desenvolvam soluções, novos serviços e novas formas de pensar. “Trazem consigo a necessidade de mudanças e quebra de paradigmas, o que nem sempre é bem visto, em especial pelo poder público ser conhecido pelo perfil conservador e burocrático.” Segundo ele, o projeto da Rota da Inovação pode “revolucionar Lajeado” e tornar o município uma cidade inteligente, com capacidade de criar novos ambientes de empreendedorismo para toda a região.

NOVOS AMBIENTES

A ideia do governo é incentivar a instalação de coworkings, de empresas com foco na inovação, e fazer com que se crie um ambiente orgânico de desenvolvimento. “Sabemos que este público empreendedor acaba trazendo consigo novas propostas de bares, restaurantes, cafés, livrarias, espaços compartilhados, sejam eles de trabalho ou de lazer, ou como em muitos casos, mistos, o que seria o ideal para o conceito almejado.” Ainda de acordo com Bücker, isso não quer dizer que o Parque do Imigrante e o Parque Histórico sejam excluídos deste ambiente previsto para a Rota da Inovação, até pela proximidade dos mesmos com o eixo Tecnovates-Centro Histórico. Outro entusiasta da Rota da Inovação, o secretário de Planejamento (Seplan), Rafael Zanatta, é um dos principais articuladores do novo eixo. “É uma iniciativa importante para tornar palpável todo esse movimento. É uma região marcante, voltada para o Taquari, e que por anos é negligenciada. Nada melhor do que concentrar investimentos em uma nova economia, tal como em outras cidades, e ser um impulsionador para atrair novos moradores e favorecer a qualidade de vida.”

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LAJEADO 2040

ASSISTA OPINIÃO DO DIRETOR FINANCEIRO DA REDE IMEC, ROMANO SCHEIBLER

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Apresentado por

Lajeado como indutor da economia regional Adilson Metz reforça importância da Sicredi Integração RS/MG no desenvolvimento do município THIAGO MAURIQUE thiagomaurique@jornalahora.inf.br

P

residente da cooperativa de crédito com mais tempo de atuação no município, a Sicredi Integração RS/MG, Adilson Metz projeta uma Lajeado ainda mais desenvolvida em 2040. Para ele, o município deve ser o indutor da economia regional, fortalecendo também as cidades ao redor. Metz afirma que as principais virtudes de Lajeado são a diversificação da economia e sua população. “O avanço econômico é consequência de um povo muito empreendedor, que trabalha e estuda para crescer.” Conforme o presidente da cooperativa, para que esse desenvolvimento se confirme, os líderes do município precisam se preocupar com a infraestrutura e a logística para suportar esse crescimento. Além disso, destaca a importância de proporcionar segurança e educação de qualidade para a população. Segundo Metz, a Sicredi Inte-

O avanço econômico é consequência de um povo muito empreendedor, que trabalha e estuda para crescer.” Adilson Metz PRESIDENTE DA COOPERATIVA

LAJEADO 2040 ASSISTA OPINIÃO DO PRESIDENTE DA COOPERATIVA, ADILSON METZ

gração RS/MG tem um papel fundamental nesse processo. Ele lembra que a cooperativa é a instituição financeira da comunidade. “Os recursos aplicados permanecem na região e são reinvestidos aqui.” A cooperativa distribuiu mais de R$ 1,8 milhões de sobras aos associados sob forma de juros ao capital em 2018. Outros R$ 5,8 milhões foram destinados às contas correntes, valor dividido proporcionalmente à movimentação individual de cada associado. O presidente ressalta o crescimento sólido da cooperativa, de cerca de 20% ao ano. Mais do que um agente financeiro, lembra que a Sicredi também atua para o desenvolvimento social da comunidade por meio de projetos próprios e de apoio às instituições beneficentes. Todos os anos, a cooperativa destina 2% das sobras líquidas a projetos sociais nos 11 municípios da sua área de atuação. Em 2018, foram R$ 465 mil.

PERCEPÇÃO DE MERCADO Em franco crescimento mesmo durante o período de crise, a Sicredi terá em 2019 a inauguração das primeiras agências nas cidades de Conselheiro Lafaiete e Itabirito, em Minas Gerais. A novidade integra o projeto de expansão da cooperativa, que em 2018 deixou de ser Sicredi Vale do Taquari para ser Sicredi Integração RS/MG. A intenção, conforme o presidente, é ampliar o ganho em escala para diminuir o custo e manter a competitividade no longo prazo. Além de beneficiar os associados, a expansão não altera os planos de investimento no Vale do Taquari. Em janeiro foi inaugurada a nova agência Lajeado/Centro, e nos próximos meses será aberta uma nova agência especializada no atendimento às empresas da região. Também estão em estudos a reforma e remodelação da estrutura física que atende os associados do bairro Florestal. “Queremos e precisamos

continuar contando com esse espírito cooperativo para crescer.” Conforme Metz, cada associado pode contribuir e se beneficiar, fazendo seus negócios com a Sicredi, acreditando no potencial da cooper-

ativa e, acima de tudo, participando das reunião e decisões da entidade. “Isso se faz com a participação nas assembleias, ao questionar, sugerir e votar para ajudar a definir os rumos a serem seguidos.”

Números da cooperativa

52 Mais de

mil associados

191

R$

1,5

R$

milhões em patrimônio*

bilhão de ativos administrados*

465

R$

mil investidos em projetos sociais

11 26

municípios no RS e municípios em MG.

15

agências

31

R$

106

milhões em resultado*

entidades beneficiadas

* Números referentes ao balanço de 2018 Produzido por

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Apresentado por

GUI REIS FOTOGRAFIA

ROSES FOTOS

LAJEADO 2040 ASSISTA OPINIÃO DA DIRETORA DA VOVÓ FAZ BOLO, BIANCA TREVISOL

O doce exemplo de comprometimento com Lajeado Envolvimento e responsabilidade da Vovó faz Bolo proporcionam boas experiências aos clientes JÉSSICA R. MALLMANN jessica@jornalahora.inf.br

“F

alar é diferente de agir. A palavra te ensina, mas o exemplo te arrasta”. É desta maneira que a empresária Bianca Trevisol define o envolvimento e a responsabilidade da Vovó faz Bolo com Lajeado. Há mais de seis anos, a empresa se compromete a proporcionar boas experiências aos clientes e participa de causas importantes que contribuem para o desenvolvimento do município. É acreditando na educação que a Vovó faz Bolo está presente na comunidade. Por meio de projetos com crianças e empreendedores, novas vivências e memórias afetivas são possibilitadas às pessoas. “A Vovó é uma empresa que gosta de se envolver em causas. Pode parecer simples, mas fazer um bolo vai muito além de somente cozinhar”, explica Bianca. A empresária conta que a experiência gerada pelo preparo das receitas encoraja o ato de tentar e

mostra a importância da persistência. “É o não desistir. Quando você prepara qualquer alimento com amor e vontade, o outro percebe. O resultado pode até não sair exatamente como o esperado, mas o carinho encoraja”. De caráter familiar, a Vovó faz Bolo cresce no mercado. A visão empreendedora comprova-se com o progresso da unidade que hoje, além da loja com pro-

dutos caseiros, conta com uma cafeteria no Centro de Lajeado. Tal ampliação objetiva qualificar ainda mais o atendimento e os produtos. Futuramente, o propósito é tornar-se referência e contribuir com o município por meio da geração de emprego e renda. O orgulho de pertencer a Lajeado é grande, especialmente quando o assunto é o acolhimento. “O povo la-

“Falar é diferente de agir. A palavra te ensina, mas o exemplo te arrasta” Bianca Trevisol EMPRESÁRIA

jeadense é hospitaleiro, gosta de receber pessoas de todos os lugares. Além disso, temos lideranças locais que fazem trabalhos maravilhosos que auxiliam para manter a cidade próspera”, afirma Bianca, que destaca também o serviço da Universidade do Vale do Taquari – Univates. INOVAÇÃO CONSTANTE A fim de contribuir para o avanço de Lajeado até 2040, a Vovó faz Bolo continuará inovando no mercado. A expectativa é inserir-se cada vez mais em projetos sociais e nas causas do Vale, levando o aroma dos bolos da vovó para todas as famílias. “Lajeado é uma ótima cidade para se morar, empreender e evoluir”, finaliza a empresária.

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SINERGIA

ENTRE PARTIDOS POLÍTICOS Ainda de acordo com Zanatta, o plano é apenas o primeiro passo. A partir desse, outros processos serão iniciados para consolidar a Rota de Inovação e o Movimento por Lajeado. “Mapeamentos de áreas para aproveitamento de negócios e empreendimentos, investimentos em infraestrutura, convite a empresas, tendo em mente um local voltado para a inovação e tecnologia. Isso exige esforço genuíno de todos”, reforça. “Não podemos nos preocupar com questões pessoais”, acrescenta. Sobre isso, a ex-secretária de Planejamento, Marta Peixoto, que atuava no governo do PT – hoje oposição na câmara de vereadores –, cita a importância desta sinergia entre os diferentes partidos políticos e ideologias da sociedade. “A construção de um futuro deve ir além. Deve ser uma construção cidadã”, resume. Marta diz que aceitou fazer parte do governo anterior por sempre acreditar na possibilidade de ajudar na construção de uma cidade preocupada com a preservação ambiental, com a população e com o crescimento. “Fazer parte deste Movimen-

MARTA PEIXOTO ERA SECRETÁRIA DE PLANEJAMENTO NO GOVERNO ANTERIOR. “PARTICIPO COMO CIDADÔ

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to por Lajeado é uma contribuição cidadã. Afinal, minha história profissional como arquiteta e urbanista e minha história familiar estão ligadas diretamente com a história de Lajeado.”

ENTIDADES CONECTADAS O que iniciou apenas com a participação da Associação Comercial e Industrial (Acil) vem se pulverizando a cada novo passo do Movimento por Lajeado. Fazem parte do grupo, além da Acil, CDL, Univates e governo municipal, o Sindilojas, o Sindicato da Alimentação, o Sindicato dos Comerciários, o Sindicato da Construção Civil, o Sindicato dos Bancários, Emater, STRs, JCI, Rotary Lajeado, Rotary Lajeado Engenho, Rotaract Lajeado Integração, Rotaract Lajeado, Lions Clube Lajeado, Lions Clube Lajeado Florestal, entre outros que ainda devem se juntar à rede. Além dessas, é possível destacar a participação do Hospital Bruno Born (HBB), hoje referência em diversas especialidades no estado e no país. O vice-presidente da instituição, o médico Marcos Frank, fala da importância do “grande encontro”. “A Univates é a fomentadora e a grande patrocinadora. Reuniu poder público, algumas cabeças da área de gestão e convidou muitos empreendedores. Todos enxergam algumas áreas que podem evoluir.” Entre os segmentos de destaque na área médica, cita a Biotecnologia. “Esse grupo está se encaminhando para montar uma agência para captar recursos no Brasil e no mundo. É uma força pensante além da força política. E na nossa área, nos próximos anos, precisamos avançar na integração da genética com a informática. Afinal, vai mudar radicalmente os conceitos que temos de saúde”, avalia. Frank também fala sobre o novo Centro de Reprodução. “Isso nos força a trazer não apenas recursos técnicos, mas, também, recursos humanos. Outra área que anda em paralelo é a Oncologia, onde já somos referência. O hospital está se mexendo para o

FOTOS RODRIGO MARTINI

MARCOS FRANK, DO HBB, CITA A NECESSIDADE DE UMA “CIDADE ATRAENTE” PARA ANGARIAR RECURSOS HUMANOS

futuro. E isso tem que ser integrado com a universidade. Já há uma integração. Precisamos ampliá-la, principalmente com o poder público. O que não impede que tenhamos parcerias com o privado.” Para ele, um dos principais desafios é tornar a cidade de Lajeado atraente para os novos profissionais. “Vamos trabalhar com pessoas de alto conhecimento, e não se atrai só com dinheiro, mas com ambiente interessante, com uma cidade interessante. A qualidade de vida precisa ser boa. E aí entra o poder público. Se não tivermos uma cidade boa para nós, dificilmente vamos atrair recursos humanos, porque esse pessoal tem propostas de outros países.” Entre os exemplos a serem melhorados, cita o transporte público e a segurança, além da necessidade de mais atrações para a cidade.

ADVOGADO ANGELO ARRUDA SUGERE INCENTIVOS FISCAIS PARA ATRAIR NOVAS EMPRESAS E EMPREENDEDORES

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“HOUVE UM DESPERTAR DE LAJEADO” O advogado Angelo Arruda também faz parte da direção do HBB. Para ele, a cidade vive um momento único da história de 128 anos. “A impressão que tenho é que houve uma espécie de despertar de Lajeado, no sentido da percepção de vários segmentos da comunidade quanto à necessidade de um pensar conjunto, para um planejamento futuro da cidade que queremos e que é possível.” Para ele, este movimento se mostra muito mais amplo e não parece estar restrito e limitado ao campo da inovação e do empreendedorismo. Os debates, segundo o advogado, têm sido ricos em novas ideias, revelando preocupações relacionadas com desde a estética da cidade até questões vinculadas à segurança pública. Sobre a área jurídica, cita que a OAB certamente deverá se integrar a este movimento. “A advocacia vem sentindo e percebendo nos últimos anos a importância da inovação tecnológica.  O processo eletrônico, por exemplo, já é uma realidade. O desenvolvimento de novas tecnologias permitirá no futuro maior agilidade na tramitação dos processos, possibilitando maior e melhor efetividade das decisões judiciais.  E isto gera ganhos para toda a sociedade.” Sobre os pontos positivos de Lajeado, cita um conjunto de atrativos, a começar pela localização geográfica e facilidade de acesso. “Há dois polos de serviços consolidados, de ensino, pela Univates, e de saúde, pelo HBB. São segmentos com imenso potencial de crescimento, que geram interesses de profissionais das mais diversas

CARLOS HENRIQUE HASS DE OLIVEIRA, DA CDL, CITA OS PROJETOS DE INOVAÇÃO JÁ REALIZADOS PELA CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS

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cimento e melhorando a qualidade de vida.” Oliveira integra o CMTI. Segundo ele, contribuir com informações relevantes do comércio é uma das formas da CDL participar desse movimento. “Organizamos a Convenção CDL Lajeado e outros eventos. Estamos sempre muito atentos às novidades e tendências para o varejo. Precisamos ser dinâmicos para nos adaptar ao que o mercado e os consumidores pedem.” A prova desse interesse, segundo ele, é a participação da entidade na NRF, em Nova Iorque, o maior evento mundial do varejo. PROMOTOR SÉRGIO DIEFENBACH PARTICIPA DO MOVIMENTO E FALA DA NECESSIDADE DE LAJEADO SAIR DA “ZONA DE CONFORTO”

áreas. Percebe-se que as pessoas gostam de Lajeado e querem viver e trabalhar aqui. E o fato de outras cidades terem despertado antes não significa que não podemos avançar rapidamente.”

“É PRECISO SEGUIR COMO REFERÊNCIA NA REGIÃO” Presidente da cooperativa Sicredi em Lajeado, Adilson Metz fala da necessidade do município seguir como referência regional. “Para isso, precisamos melhorar a infraestrutura, educação e segurança. Depois, sim, a inovação, que precisa aquecer a economia de toda a região, pois os municípios do Vale dependem uns dos outros.” Para ele, a universidade, “por ser neutra”, é a mais indicada para coordenar o movimento junto com Acil e CIC Regional. “Como integrante do grupo, vejo como fundamental o trabalho das lideranças que estão sentando para traçar metas para a região. O Sicredi, como instituição financeira da comunidade, está à disposição no seu papel. Pois os recursos nela investidos giram na região. As cooperativas como um todo são fundamentais.” O vice-presidente de Capacitação da CDL de Lajeado, Carlos Henrique Hass Oliveira, acredita que a cidade já possui grande potencial em estrutura e suporte à inovação para as empresas. “Estamos unindo forças e experiências para contribuir com o desenvolvimento de forma sustentável. Entendo que Ciência, Tecnologia e Inovação são áreas estratégicas que podem garantir o futuro exitoso de muitos negócios, gerando oportunidades de cres-

COLABORATIVIDADE CONSCIENTE

O promotor de Justiça da Comarca de Lajeado, Sérgio Diefenbach enaltece a interação entre os diferentes segmentos da sociedade. “A expectativa é muito boa, porque esse movimento anda no caminho da colaboratividade, consciente que as transformações positivas só poderão ocorrer a partir da colaboração dos variados segmentos.” Representante do Ministério Público (MP), Diefenbach diz que a participação dele é mais como cidadão. “Mas todas as pessoas e todas as instituições podem e devem se aproximar, se engajar e participar, independentemente da sua esfera de atuação. Para ele, há grande expectativa de formação de um grande Pacto pela Paz em Lajeado, buscando intervenções inovadoras nas áreas de prevenção e repressão ao crime. Da mesma forma, há uma ideia já iniciada de “plantar sementes de educação empreendedora” dentro das escolas, de modo que os alunos e até os professores possam perceber outras alternativas de composição para o futuro individual e das comunidades.

ADILSON METZ, PRESIDENTE DA SICREDI INTEGRAÇÃO RS/MG, RESSALTA A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO REGIONAL

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AI UNIVATES

Acredito que exista muito espaço para isso.” Para ela, as pessoas precisam entender como a inovação pode melhorar nossa qualidade de vida. “Criar mais espaços de diálogo e trocas sobre isso ajudaria a acelerar a elaboração de uma visão mais atual e bacana sobre a possibilidade que a inovação traz”, comenta. “Sempre existe a possibilidade de enxergar novas formas de viver a vida, de resolver problemas, de trabalhar, de aprender e de ser feliz”, reforça.

NEM OTIMISTA, NEM PESSIMISTA

PARA CAROLINE BÜCKER, A MESCLA DE COLONIZAÇÃO ALEMÃ E ITALIANA É UMA DAS CHAVES DO SUCESSO PARA O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DE UM ECOSSISTEMA DIFERENCIADO

PROXIMIDADE COM GRANDES CENTROS Caroline Bücker também integra Comitê de Governança do Empreendedorismo. Consultora na implantação de estratégias de marketing, ela valoriza a proximidade de Lajeado com os principais centros do estado. A cidade está a menos de 150 quilômetros de pontos como Porto Alegre e Santa Cruz do Sul, por exemplo, garantindo acessos rápidos a outros mercados e ao aeroporto internacional. Ainda sobre as vantagens de Lajeado, cita a mescla das colonizações italiana e alemã, de profissionais de outras regiões e culturas que estão ajudando a formar um novo modelo mental. “Também o fato de não ter muitas grandes indústrias. Isso ajuda a manter o foco no empreendedorismo. Além da proximidade de famílias e de amigos na prática de esportes e no uso de locais públicos.” A profissional observa ainda, para a facilidade de comunicação com o poder público, a expansão da Univates e de algumas escolas locais incentivando arte, esportes e o próprio empreendedorismo. “A inovação ainda é algo recente e deve ser mais estudada, compartilhada e desmistificada. Existiu uma visão desconfiada a respeito dela e da ameaça que poderia gerar. Hoje em dia, já passa a ser vista com bons olhos.

CRISTIANO DUARTE

LIANE KLEIN, DO SEBRAE, ENALTECE A SINERGIA ENTRE ENTIDADES, PODER PÚBLICO E UNIVERSIDADE RODRIGO MARTINI

EMPRESÁRIO ITO LANIUS ALERTA PARA ERROS COMETIDOS EM PROJETOS ANTERIORES, COMO O “LAJEADO SÉCULO 21”

Já o empresário Ito Lanius demonstra mais preocupação em relação ao Movimento por Lajeado. Ele participou de outro momento na história da cidade: o lançamento do projeto Lajeado Século 21. “Não estava focado no empreendedorismo, mas, sim, no desenvolvimento geral. Na educação, economia, saúde, meio ambiente. E muita coisa do que foi planejado naquele momento não foi de fato executado”, alerta. Apesar do otimismo do grupo, ele acredita que problemas devem ocorrer novamente. “Assim como naquele momento, muitas coisas talvez não venham a acontecer. E o que deixamos de fazer no passado ainda tem um custo muito alto, hoje, para a nossa sociedade. Uma rodovia não pavimentada, a insegurança, a baixa qualidade de alguns setores da nossa educação”, reforça. Por fim, o ex-presidente da câmara de vereadores faz um apelo. “Precisamos nos preocupar. O não entendimento das pessoas, ou a falta de sintonia no campo político, principalmente, faz com que algumas coisas não aconteçam. A compreensão e ação de ambas as partes são o que diferencia comunidades e países uns dos outros. Enquanto uns brigam internamente, outros se desenvolvem. Estamos bem hoje. Mas poderíamos estar bem melhor.” Representante do Sebrae na cidade, Liane Klein corrobora com a necessidade de sinergia entre os atores. “Para 2019, o objetivo é fortalecer o Comitê e elaborar mapas de inteligência, revisar o plano de ações, fortalecer os membros com ferramentas de liderança e promover o intercâmbio entre os comitês já existentes no RS,”, diz. Além disso, ela faz coro às palavras de Caroline Bücker em relação ao conhecimento da sociedade referente ao assunto. “Percebo que Lajeado possui um ambiente propício, visto o envolvimento do poder público, academia, entidades privadas e comunidade. Mas acredito que precisamos falar mais sobre inovação e empreendedorismo com a comunidade em geral, desmistificando o assunto, mostrando o quanto cada um pode contribuir e os resultados que podem ser gerados.”

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Ação para valorizar Lajeado Pedó Imóveis desenvolve projeto para impulsionar turismo, inovação e empreendedorismo THIAGO MAURIQUE thiagomaurique@jornalahora.inf.br

U Como empresário e cidadão lajeadense, tenho muito carinho por essa cidade” Mateus Pedó EMPRESÁRIO

ma das imobiliárias que mais cresce em Lajeado, a Pedó Imóveis tem planos ousados para o futuro. A empresa projeta ser a mais lembrada do setor até 2020, e estar entre as três maiores em volume de aluguéis compra e venda de imóveis. Nascido e criado em Lajeado, o empresário Mateus Pedó afirma que a empresa visa a contribuir para o desenvolvimento da cidade, de forma a transformar a cidade em um polo de investimentos no RS. Para isso, criou o projeto “Minha Lajeado”, cujas ações buscam

impulsionar o turismo, a inovação e o empreendedorismo. “Como empresário e cidadão lajeadense, tenho muito carinho por essa cidade”, reforça. Segundo ele, o município deve liderar cada vez mais o Vale do Taquari para ser referência no Estado e no Brasil por sua economia, qualidade de vida de seus moradores, opções de entretenimento, lazer e serviços básicos. Conforme Pedó, a maior virtude de Lajeado é o seu povo, cuja mistura de etnias alemã, italiana, portuguesa, negra e indígena gerou um povo trabalhador e orgulhoso de sua cidade. Para o empresário, o município precisa solucionar problemas típicos das demais cidades com crescimento elevado, como o avanço da criminalidade e dificuldades na saúde.

LAJEADO 2040 ASSISTA OPINIÃO DO DIRETOR DA PEDÓ IMÓVEIS, MATEUS PEDÓ

“Deveríamos aproveitar mais as parcerias público-privadas para melhorar nossos serviços, sempre agindo dentro da lei”, defende. Também ressalta a importância de diminuir a morosidade dos órgãos públicos para agilizar o desenvolvimento. Segundo Pedó, as previsões são de uma Lajeado cada vez mais desenvolvida.

VOCAÇÃO PARA O CRESCIMENTO Até o ano de 2040, a Pedó Imóveis pretende consolidar suas ações de forma a se tornar referência em transações imobiliárias. “Com isso, queremos ajudar Lajeado a ser um polo de negócios e investimentos de todo o RS.” A empresa completa cinco anos de atuação em março, mês em que pretende expandir a equipe para oito corretores, além de gerentes de vendas e de aluguel. Para Pedó, o principal diferencial da imobiliária é a qualidade das pessoas, a honestidade e a agilidade nas negociações. “Temos a intenção de ajudar o maior número possível de pessoas a encontrar o imóvel ideal, esclarecendo dúvidas e intermediando negócios que deixem nossos clientes satisfeitos”, aponta. Formado em direito, Pedó tem cerca de dez anos de experiência no ramo imobiliário. Segundo ele, além das experiências, o negócio alia a vocação da família para o empreendedorismo e a base jurídica adquirida na universidade.

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A ACADEMIA E TECNOVATES

ACELERAM O PROCESSO

A ROTA DA INOVAÇÃO PREVISTA ENTRE O TECNOVATES E O CENTRO ANTIGO MARGEIA O RIO TAQUARI, PRINCIPAL CARTÃO POSTAL DE LAJEADO E DA REGIÃO

PROFESSORA SIMONE STÜLP ESTÁ À FRENTE DO TECNOVATES RODRIGO MARTINI

Ao completar 50 anos de ensino superior em 2019, a Universidade do Vale do Taquari (Univates) aparece como a grande aceleradora e propulsora de todo este movimento. A presença de uma academia empreendedora, cujos professores e alunos buscam ativamente os resultados úteis de suas pesquisas, é um fator-chave para a inovação regional. Na maioria dos cases de sucesso, a indústria continua a ser protagonista no âmbito da produção, e o governo segue como a fonte das relações contratuais que garantem interações e intercâmbios estáveis. No entanto, a vantagem competitiva da universidade em relação a outras instituições produtoras de conhecimento são os alunos, professores especialistas e pesquisadores. Simone Stülp é diretora de Inovação e Sustentabilidade do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari, o Tecnovates/Univates. Para ela, o papel da universidade na construção de ambientes de inovação é entendido como um elo capaz de impulsionar o processo por meio da geração do conhecimento e elaboração de projetos de pesquisa e desenvolvimento que tenham como norte a resolução dos problemas presentes nos processos produtivos, e na vida da sociedade. “Já as empresas possuem como papel fundamental o de serem protagonistas em questões ligadas à produção e serviços, além de atuarem como locus da inovação e do desenvolvimento baseado no conhecimento. E o governo pode estimular este mecanismo de várias formas: com a criação de programas especiais para a geração de empresas que se baseiem em resultados de pesquisas e de base tecnológica, além de importante papel no estímulo e implementação de ações e leis.” Ela destaca ainda que a geração de novas indústrias e empresas a partir de pesquisas e desenvolvimentos na perspectiva de interação entre universidade e iniciativa privada, em geral localizadas em academias ou em ambientes de inovação instituídos, vem recentemente chamando a atenção como uma estratégia alternativa de desenvolvimento. “A partir disso, surgem organizações híbridas,

onde os diferentes elos, já no surgimento, possam estar contemplados. Desta forma, na linha do movimento caracterizado como Tríplice Hélice, busca-se a criação de ecossistemas de inovação difundidos nos ambientes das cidades. E ao meu ver, em Lajeado temos um excelente embrião do modelo.” Simone cita alguns pontos de destaque da Tríplice Hélice lajeadense. Entre esses, a criação da Incubadora de Base Tecnológica da Univates (Inovates), em 2003, que já nasce de uma parceria da universidade com o poder público. “Já foram graduadas 23 empresas. Hoje estão ativas no mercado de nossa região. Estas já nascem mais fortes no sentido de terem passado por mentorias e processos de acompanhamento e avaliação, conectadas com as novas tendências mundiais.” A professora fala também da importância do Tecnovates, criado em 2010, e que fortaleceu a relação entre universidade e empresas. Hoje, são 26 empresas entre residentes e associadas, com 19 projetos de P&D sendo executados em parceria.

NOVAS INTERAÇÕES COM ESCOLAS Entre as medidas a serem tomadas no futuro, Simone cita uma maior integração com a rede básica de ensino. “Precisamos aprofundar o envolvimento das escolas da

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VOLK IMAGENS AÉREAS

região para trabalharmos a cultura da inovação e empreendedorismo, buscando a formação de cidadãos conectados com as novas realidades e possibilidades.” Ainda de acordo com ela, é preciso cada vez mais transformar os atuais trabalhos de conclusão de curso em experiências na interface “Universidade/Empresas”, transformando os espaços “reais” e demandas da sociedade em campos de formação e estágio para os alunos e futuros profissionais. “Além disso, construir uma agenda de estímulo para o surgimento de novas empresas no modelo de startups, e aprimorar a divulgação dos cases de sucesso, para que outras empresas possam vislumbrar possibilidades advindas dos processos de inovação aberta.” Por fim, Simone enaltece a proposta da Rota de Inovação e da Lei de Inovação. Ela teve fundamental importância na construção de ambos os projetos. “É uma conexão dos ambientes de inovação da Univates com a cidade. Começa-se a trilhar um caminho para que Lajeado possa ser reconhecida como uma cidade mais sustentável, humana e inovadora, com a participação de diferentes entes da sociedade em discussões sobre projetos para diferentes áreas de interesse.”

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“É QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA” Membro do CMTI e representante do Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NITT) da Univates, o advogado Júnior Roberto Willig também participou da formatação da Lei de Inovação junto ao poder público – a pesquisa acadêmica dele é focada em políticas públicas na área. “É estratégico, para não dizer uma questão de sobrevivência, o fomento de ambientes de inovação e empreendedorismo. Acredito que o entusiasmo vai reverberar e gerar resultados para nossa região.” Segundo ele, em um processo de inovação, focando novos processos e produtos, é fundamental um conhecimento prévio sobre Propriedade Industrial (PI). “Sob o aspecto econômico, de nada adianta a tecnologia inovadora sem uma proteção legal. E é neste contexto que entra o NITT, criado pela Lei Federal de Inovação, e que tem a finalidade de gerir a política de inovação da instituição a qual estão vinculados.” No caso da Univates, o NITT, inicialmente, foi criado para gerar a política institucional de PI, focado na proteção legal das criações internas. “Com o passar do tempo, ele vem ampliando suas atividades e, atualmente, já atua com as empresas vinculados ao Tecnovates.” O advogado reforça a importância, neste movimento inicial, desta estrutura de proteção, haja vista que, como qualquer manual básico de inovação explícita, é muito arriscado errar nestes processos. “E não proteger a tecnologia é um erro capital, que pode comprometer a pró-

AI UNIVATES

ADVOGADO JÚNIOR WILLIG ATUA NO NÚCLEO DE INOVAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (NITT) DA UNIVATES. ENTRE AS TAREFAS, GARANTIR SEGURANÇA JURÍDICA PARA NOVOS EMPREENDEDORES E STARTUPS

pria tecnologia, seu retorno econômico, anos de pesquisa, de investimento, etc. Acredito que estamos no caminho certo, pois o movimento de inovação e empreendedorismo iniciado já conta com o NIT Univates.”

BARCELONA E MEDELLÍN Willig é um estudioso do sistema da Tríplice Hélice. Cita como exemplos de ecossistemas as cidades de Barcelona (ESP), Medellín (COL) e também o Vale do Silício, o Porto Digital do Recife e ainda Florianópolis. “Vejo que a iniciativa local ruma corretamente para uma aliança que pode ser exitosa. O município, base do processo, demonstra um comprometimento diferenciado com o movimento, o que é essencial para a concretização da proposta.” Entretanto, alerta para a necessidade de amadurecimento da forma como o governo irá intervir. “Vejo que há um interesse de envolvimento forte da iniciativa pública. A academia, representada pela Univates, já está totalmente comprometida no movimento. Suas estruturas e sua missão já expressam a intenção em apoiar o processo local de inovação e empreendedorismo, e certamente, agora, intensificará suas ações em prol do desenvolvimento regional.” Ainda em relação à iniciativa privada, diz que está surpreso positivamente quanto ao movimento de alguns empresários e também das organizações que representam estes. “Vejo nosso empresariado engajado no processo e enxergando-se parte do tripé. A avaliação ainda é prematura, claro, mas há indícios de que ninguém quer ficar fora deste movimento.”

RODRIGO MARTINI

UM DOS PRINCIPAIS PILARES DO MOVIMENTO POR LAJEADO É REFORÇAR A INTEGRAÇÃO DA CIDADE COM O RIO TAQUARI. HOJE, A ÁREA NA RUA OSVALDO ARANHA ESTÁ OCIOSA E CARENTE DE NOVOS INVESTIMENTOS

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LAJEADO 2040 ASSISTA OPINIÃO DO DIRETOR DA STACIONE, CARLOS HESSLER

Uma empresa a serviço de Lajeado Stacione Rotativo trabalha para garantir uma cidade próspera e organizada JÉSSICA R. MALLMANN jessica@jornalahora.inf.br

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or meio da eficiência, dedicação e respeito ao próximo, a Stacione Rotativo ganha a confiança dos lajeadenses. Há cinco anos atuando em Lajeado para auxiliar na organização do estacionamento, a empresa compartilha, junto da administração municipal, o desejo de garantir uma cidade próspera e organizada, onde a harmonia e a educação permeiam todas as relações. Prova disso está na formação de equipe da Stacione. Entre os princípios da empresa de rotativo, a valorização das pessoas que vivem em Lajeado é o principal foco. Por essa razão, toda mão de obra necessária para fortalecer o quadro é adquirida no município. Além disso, os 45 fun-

Trabalhamos com e através das pessoas, mas principalmente, trabalhamos juntos, unidos. Carlos Vilibaldo Hessler GERENTE GERAL

cionários são capacitados para proporcionar o melhor atendimento aos moradores e visitantes da cidade. O gerente geral, Carlos Vilibaldo Hessler, afirma que não importa a crença, raça ou ideologia, funcionários e clientes são tratados com respeito por todos. “Trabalhamos com e através das pessoas, mas, principalmente, trabalhamos juntos, unidos. Para isso, o segredo é termos os perfis adequados à empresa e com a cara da cidade”. Esaie Joseph trabalha a quase um ano na Stacione e percebe o respeito e a união destacados por Hessler. Ele ressalta a importância de todos serem tratados de mesmo modo, não importando a função que exercem. “Fiscal, gerente ou diretor, aqui somos ouvidos e aprendemos a ouvir o próximo. Levo isso para o meu serviço para atender melhor a comunidade”, conta.

INVESTIMENTOS PARA TRANSFORMAR O FUTURO Sabendo do potencial de Lajeado e a importância de investir nas pessoas, a Stacione auxilia sua equipe por meio da formação educacional, benefícios sociais, incentivos e plano de saúde. Hessler destaca que as dificuldades de Lajeado são problemas de nível nacional, mas as empresas locais fazem a diferença no município. “A sinergia entre os empresários lajeadenses é muito forte e só leva ao crescimento da cidade”. Joseph conta que não são somente as capacitações que ajudam a melhorar o ambiente de trabalho. Nascido no Haiti, o jovem relata que momentos de integração com a equipe são importantes e o fazem se sentir pertencente ao município. Ter o retorno positivo do funcionário é gratificante para Hessler. “Não é somente pelo bem-estar da empresa que realizamos estes projetos, mas também pelo desenvolvimento do município”, finaliza. Produzido por

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PESQUISA MOSTRA SOCI E ABERTA A INOVAR E EM P QUAL É O NÍVEL DE IMPORTÂNCIA QUE OS TEMAS EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO SEM MAIOR IMPORTÂNCIA TÊM PARA VOCÊ? 4

NÃO SEI / NÃO TENHO OPINIÃO FORMADA

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DESNECESSÁRIOS

1

(6,73%)

(0,25%)

(1%)

MUITO IMPORTANTES

IMPORTANTES

186

183

(46,38%)

(45,64%)

QUAL É O GRAU DE CONHECIMENTO E ENTENDIMENTO QUE VOCÊ TEM SOBRE OS TEMAS EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO?

CONHEÇO POUCO

80

SUA EMPRESA PRETENDE DESENVOLVER NOVAS AÇÕES DE INOVAÇÃO / EMPREENDEDORISMO NOS PRÓXIMOS 5 ANOS?

CONHEÇO NADA A RESPEITO

19

(4,74%)

(19,95%) TENHO ALGUMAS INFORMAÇÕES A RESPEITO

30

(7,48%) TENHO ACOMPANHADO E LIDO MUITO A RESPEITO

17

(4,24%)

CONHEÇO MUITO BEM, POIS ATUO NESTA ÁREA

NÃO ESTOU EMPREGADO NÃO TENHO CONHECIMENTO A RESPEITO

60

(14,96%)

34

(8,48%)

SIM, MUITAS AÇÕES PREVISTAS DAQUI PRA FRENTE

192

(47,88%)

191

(47,63%)

CONHEÇO BEM, MAS NÃO ATUO NA ÁREA

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(15,96%)

PARECE QUE SIM, MAS NÃO TENHO CERTEZA

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(6,98%)

SIM, MAS NÃO TENHO MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE O ASSUNTO

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(21,7%)

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CI EDADE M PREENDER

O

NO SEU TRABALHO, VOCÊ PESSOALMENTE COSTUMA INOVAR OU EMPREENDER? NÃO, POIS NÃO ME É PERMITIDO ISTO DENTRO DA EMPRESA RARAMENTE, POIS MEU TRABALHO NA (3,99%) EMPRESA ME LIMITA AÇÕES DE INOVAÇÃO OU EMPREENDEDORISMO

NÃO ESTOU TRABALHANDO

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16

(8,48%) SIM, SEMPRE, INCLUSIVE DE FORMA PESSOAL E INDIVIDUAL

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cidadão tem papel exponencial para consolidar e implementar o ciclo de inovação e empreendedorismo em Lajeado. Pesquisa aplicada pelo Instituto Nexus, com 401 lajeadenses, mostra prédisposição da comunidade local em empreender e inovar. Interesse é maior no público da faixa etária de 20 a 50 anos. Confira a opinião dos cidadãos sobre o tema inovação e empreendedorismo e o quanto ele está presente no cotidiano das pessoas e das instituições.

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(5,49%)

(47,63%) SIM, MAS APENAS DENTRO DO CONTEXTO DA EMPRESA

AS VEZES, QUANDO ME É SOLICITADO

40

98

(9,98%)

(24,44%)

O QUANTO VOCÊ CONSIDERA QUE SUA EMPRESA É INOVADORA OU EMPREENDEDORA? NENHUMA AÇÃO NESTA ÁREA É DESENVOLVIDA NA MINHA EMPRESA

MUITO POUCO, POIS NOSSA ATUAÇÃO NÃO PERMITE MAIORES AÇÕES NESTA ÁREA

14

NÃO ESTOU EMPREGADO

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(8,48%)

(3,49%)

171

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(42,64%)

(7,98%)

BASTANTE, POIS A EMPRESA SEGUIDAMENTE DESENVOLVE AÇÕES INOVADORAS / EMPREENDEDORAS

MAIS OU MENOS, MAS SÓ EVENTUALMENTE OCORRE ALGUMA AÇÃO INOVADORA / EMPREENDEDORA

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NESTA ÁREA DE EMPREENDEDORISMO / INOVAÇÃO, O QUE VOCÊ, PESSOALMENTE, PENSA EM FAZER NOS PRÓXMOS 2 ANOS? NÃO PENSO EM MUDAR MEU TRABALHO NUM FUTURO PRÓXIMO

SOU EMPREGADO E PRECISO FAZER O QUE A EMPRESA ME PEDIR

74

8

(14,46%)

92

(22,94%)

QUAL É A IMPORTÂNCIA DA EXISTÊNCIA DO MEI (MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL)?

(2%)

NÃO VEJO NADA DE IMPORTANTE

NÃO SEI RESPONDER

(0,25%)

(3,99%)

1

(18,45%) NÃO SEI, NÃO TENHO CERTEZA SE VOU ENTRAR NESTA ÁREA

COMO ATUO NA ÁREA, QUERO AVANÇAR E AMPLIAR A MINHA ATUAÇÃO

(9,23%)

(43,39%)

37

174

QUERO ESTUDAR MELHOR TODA A ESTRUTURA E VER SE CONSIGO ENTRAR NESTA ÁREA

39

(9,73%)

MUITO, POIS ATUAMOS O TEMPO TODO NESTA ÁREA

NÃO CONHEÇO MUITO BEM, MAS DEVE SER IMPORTANTE

30

(7,48%)

EXCELENTE, POIS SÓ ASSIM CONSEGUI ABRIR MINHA EMPRESA

162

(40,4%)

NÃO ATUO NESTA ÁREA, MAS QUERO ENTRAR

MUITO BOM, POIS PELO QUE CONHEÇO, FACILITA BASTANTE PARA QUEM QUER EMPREENDER

(17,21%)

(18,7%)

69

16

75

ÓTIMO, POIS CONHEÇO VÁRIOS AMIGOS QUE ABRIRAM EMPRESA

117

(29,18%)

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FOTOS MATHEUS CHAPARINI

MAIS QUE UM NEGÓCIO DE ESCRITÓRIOS COMPARTILHADOS, O COWORKING SE TORNOU UMA NOVA FORMA DE TRABALHO EM COMUNIDADE. É A CHAMADA “ECONOMIA COMPARTILHADA”

COWORKINGS ESTIMULAM PARCERIAS E MULTIPLICAM NEGÓCIOS

ESCRITÓRIOS COMPARTILHADOS REDUZEM CUSTOS E APROXIMAM PROFISSIONAIS DE DIFERENTES SEGMENTOS. FORMATO DE TRABALHO É TENDÊNCIA INTERNACIONAL. EM LAJEADO, MODELO EXISTE HÁ QUASE TRÊS ANOS

Até março de 2018, Julio Lazzaron tinha uma empresa de um homem só. Estava no ramo do e-commerce há dez anos. Natural de Cruzeiro do Sul, havia deixado o Vale do Taquari para trabalhar em Garopaba, onde gerenciava uma loja virtual de surf e skate. Começaram a surgir alguns clientes na região e as viagens se tornaram frequentes. O plano era seguir em Santa Catarina, onde era funcionário, e pegar clientes no Vale como complemento de renda. Porém, o crescimento da demanda local foi determinante. “Por motivos financeiros, o plano B virou plano A e eu decidi voltar”, lembra. Pouco mais de um ano atrás ele se mudou para

EM POUCO MAIS DE UM ANO, JULIO LAZZARON SE MUDOU PARA LAJEADO E A EMPRESA “DECOLOU”

Lajeado e a empresa cresceu rapidamente. Hoje, a Tezus conta com quatro funcionários e está em busca de um estagiário. Um dos fatores a que ele atribui este crescimento foi ter passado a trabalhar no sistema de coworking. Em 2018, a Tezus reformulou o site de uma rede de supermercados de Lajeado. Para o fim deste ano, o plano é criar uma plataforma de compras online. “Se eu estivesse em uma sala no Centro de Lajeado, eu teria apenas um funcionário. Aqui é como se fosse uma startup, o processo é acelerado”, afirma. Este aceleramento, ele atribui à rede de contatos que é possibilitada pelo trabalho em espaço compartilhado. É comum a troca de indicações

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de clientes. Uma empresa que faz mídias sociais pode ter um cliente que precisa de um desenvolvedor de sites, de um advogado, ou um contador, por exemplo. Neste caso, a proximidade acaba facilitando os contatos.

25 EMPRESAS NO MESMO ESPAÇO Em uma loja ampla no centro de Lajeado, trabalham 54 pessoas de 25 diferentes segmentos de mercado. Na entrada, uma área de convívio com água, café e chimarrão estimula a troca de ideias. Até uma mesa de fla-flu fica à disposição dos usuários do espaço. O primeiro coworking de Lajeado surgiu como a adaptação de um negócio tradicional à evolução do mercado. A família Nesello tinha uma empresa de 35 anos que começou como construtora, com Getúlio Nesello, e migrou para uma locadora de imóveis próprios. A empresa é proprietária do Genes Work e Shop. Em abril de 2016, Marcos Nesello e os sobrinhos Tiago e Rafael Nesello Vitório transformaram uma loja de 450m² que estava vaga na Oficina 670. O local havia abrigado um cursinho pré-vestibular e estava dividido em salas de aula. Foi reformado para receber estações

MARCOS E TIAGO CRIARAM O PRIMEIRO COWORKING DE LAJEADO A PARTIR DA ADAPTAÇÃO DE UM NEGÓCIO TRADICIONAL À TENDÊNCIA DO MERCADO

de trabalho, salas de reunião e auditório. Os proprietários explicam que o negócio não se trata apenas de locação, mas uma prestação de serviço de escritório. O coworking dispõe de toda estrutura necessária, com energia, internet, ar condicionado, secretária. “A pessoa está focada em trabalhar. Imagina quanto tempo você economiza de tarefas diárias em um ano de trabalho tendo um suporte. E o perfil do coworker é de colaboratividade. Desde um remédio para dor de cabeça até uma indicação para negócio”, afirma Marcos.

CRESCIMENTO RÁPIDO O espaço abriu com cinco trabalhadores de duas empresas. Em menos de três anos de operação, eles contam com 25 empresas instaladas, totalizando 54 coworkers. A maioria são prestadores de serviço: advogado, arquiteto, engenheiro, corretor de seguros, câmbio, tradutora, desenvolvedor de marcas, mídias sociais. O ambiente é pensado para estimular o convívio entre os frequentadores e a troca de ideias.

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Marcos Nesello define três pilares que embasam o coworking: custo-beneficio, network e mobilidade. O custo é bem menor do que o de um escritório individual. Por mês, uma estação de trabalho para uma pessoa custa entre R$ 350 e R$ 390. O local dispõe ainda de duas salas fechadas, voltadas a empresas com maior número de funcionários. As salas de reunião e o auditório são locados separadamente. O network é estimulado pelas empresas de coworking. A formação de uma rede de contatos entre profissionais de diferentes segmentos é um dos atrativos deste sistema. A Oficina 670 possui um grupo de whatsapp interno para avisos. Por ali, também são compartilhados negócios e clientes. A criação de um talkshow foi outra medida adotada neste sentido. Uma vez por mês, o profissional de alguma área é o foco do evento aberto. Em dezembro, por exemplo, o tema foi a análise de créditos e plataformas de gestão financeira. O coworker Clodoaldo Santos da Rosa explicou como funciona o processo de análise de créditos em bancos e apresentou aplicativos que auxiliam na gestão financeira. O sistema é pré-pago com contrato mensal, o que facilita a mobilidade. Se a empresa não ficar satisfeita com o sistema, quiser ampliar ou reduzir o espaço ou decidir se mudar por alguma outra razão, o processo é facilitado. Não há contrato de longo prazo com multa ou a necessidade de levar mobília.

COWORKING EXECUTIVO Advogada recém formada pela Univates, em 2008, Patricia Delwing sonhava com um grande escritório de advocacia, com vários profissionais trabalhando em uma grande estrutura. Com o tempo, o plano se mostrou inviável diante do cenário econômico. Com duas salas próprias no centro de Lajeado, os custos com mobília, condomínio, luz, internet e secretária eram muito altos. Ela decidiu, então, compartilhar o espaço. A mobília foi adaptada para permitir a mudança no perfil do lugar. São 12 profissionais trabalhando no Center Group. O espaço foi inaugurado em maio de 2017. “Não é um coworking raiz, com um perfil alternativo e todo mundo trabalhando junto. A ideia é um perfil mais executivo, voltado para segmentos como advocacia, contabilidade, administração, mercado imobiliário”, explica Patrícia. Agência de turismo, contadora, arquiteta, loja de bolsas delivery, nutricionista e psicóloga são algumas das atividades desenvolvidas.

FOTOS MATHEUS CHAPARINI

TRÊS PILARES

CLÁUDIA DIEHL TROCOU UM ESCRITÓRIO INDIVIDUAL PELO SISTEMA COMPARTILHADO E REDUZIU SEUS CUSTOS MENSAIS EM 30%

Os profissionais optam pelo uso por hora, turno, diário ou mensal. Uma ilha em tempo integral custa R$ 420 ao mês. Por hora, o valor é de R$ 18. A maior sala de reunião custa R$ 90 o turno. No início, Patrícia lidou com o desafio de fazer as pessoas entenderem o sistema e enxergá-lo como uma alternativa viável de trabalho.

“Por mais que Lajeado seja uma cidade grande, o pessoal não entendia muito a ideia ou achava que seria algo bagunçado. Eu acredito que este negócio tem futuro pois temos muitos profissionais se formando, entrando no mercado, e a grande maioria não tem condições de comprar uma sala ou sustentar um escritório”, projeta.

CRIADA HÁ QUASE TRÊS ANOS, A OFICINA 670 SEGUE O PERFIL DOS COWORKINGS “DESCOLADOS” E ESTÁ LOCALIZADA JUNTO AO GENES WORK & SHOP, NO CENTRO DE LAJEADO. HOJE, SÃO 25 EMPRESAS INSTALADAS E MAIS DE 50 “CO-WORKERS”

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Apresentado por

Alternativas sustentáveis que acompanham o crescimento da cidade Produção de energia solar fotovoltaica garante bons resultados econômicos e ambientais JÉSSICA R. MALLMANN jessica@jornalahora.inf.br

A

preocupação com o futuro, principalmente no que diz respeito à produção de energias alternativas e conservação do meio ambiente, é constante para a Energia Própria. Reconhecida por grandes concessionárias, como RGE e CEEE, assim como pelas cooperativas Certel e Coopernorte, a empresa propaga pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina o uso de energia limpa e sustentável. A proposta é levar a autossustentabilidade energética para dentro dos lares e empreendimentos, unindo praticidade, economia e preservação ambiental. “Estamos apresentando uma tecnologia em que a energia limpa e renovável venha fazer parte do dia a dia das pessoas, em um setor já aquecido no mercado brasileiro”, afirmam os sócios-proprietários

Estamos apresentando uma tecnologia em que a energia limpa e renovável venha fazer parte do dia a dia das pessoas”. Guederson Maciel SÓCIO-PROPRIETÁRIO

Guederson Maciel e Isaque Kraemer. Embora muitas pessoas acreditem que a instalação solar fotovoltaica tenha um preço elevado, Kraemer ressalta que hoje os orçamentos estão mais acessíveis e se ajustam às rendas familiares. “Tanto a cidade quanto a área rural já aderiram às placas solares. Graças aos financiamentos, os agricultores podem optar pela fonte renovável e gerar mais benefícios para as propriedades”. Nem mesmo o fenômeno da verticalização das cidades, ocasionado pelas edificações, impede a instalação do sistema solar fotovoltaico. Segundo Maciel, essa é uma realidade presente em Lajeado e a tendência é que as novas construções sejam mais sustentáveis. “Os condomínios podem facilmente instalar as placas solares nos estacionamentos e telhados. Basta seguir as normas da Aneel para micro e mini geração distribuída”, explica o empresário. Os painéis e inversores importados da China com standards Alemães e Americanos fazem com que a Energia Própria ofereça os melhores produtos do mercado e contribua para o desenvolvimento sustentável de Lajeado e do Vale do Taquari. Kraemer e Maciel destacam que as perspectivas para os próximos anos incluem a busca por inovação e tecnologia aliadas à sustentabilidade. “Nosso objetivo é trazer soluções ecologicamente corretas”, finalizam. COMO CAPTAR ENERGIA SOLAR? A energia solar fotovoltaica é procedente da radiação solar. “Embora precise de uma temperatura ideal para captação, entre 22ºC e 27ºC, o calor não é exatamente a matéria prima do sistema”, salienta Maciel. Por isso, em dias nublados também é possível gerar eletricidade. A radiação é absorvida como corrente contínua pelos painéis e módulos. Ao passar pelas células fotovoltaicas, o inversor a transforma em eletricidade (energia corrente alterna-

da) e a mesma pode ser consumida imediatamente nos ambientes. As vantagens do sistema estão na geração total de energia para consumo e na redução de até 95% no valor da conta de luz. Outro benefício está na conversão das energias que não

LAJEADO 2040 ASSISTA OPINIÃO DOS DIRETORES DA ENERGIA PRÓPRIA, GUEDERSON E ISAC

emitem os gases responsáveis pelo efeito estufa, como o dióxido de carbono. “É um conjunto de fatores que se somam. O resultado é sempre positivo: diminuição dos causadores do aquecimento global e melhoria da qualidade do ecossistema”, ressalta Maciel.

Módulos Solares Polycristalinos Fotovoltáicos

Evento em Munique (Alemanha) intersolar

Produzido por

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ESCRITÓRIO COMPARTILHADO Durante cinco anos, a contadora Cláudia Diehl manteve seu escritório no bairro Florestal. A estrutura que ela define como um modelo bem tradicional custava R$ 1,2 mil mensais. Uma sala para recepção com uma secretária e o espaço amplo para atendimento que apenas ela utilizava. Em novembro de 2017, ela transferiu suas atividades para um coworking. Logo de início, percebeu que seus custos caíram para 30%. Hoje gasta R$ 360 com o plano mensal. Tem uma ilha com o computador e, quando precisa receber algum cliente, utiliza uma das salas de atendimento. “Vim em busca de redução de custos. Com o tempo que fui sentir os atrativos que um coworking oferece. A gente está em contato com diversas áreas, que se eu estivesse em um escritório eu não teria acesso”, afirma. A troca de ambiente foi parte de um processo de mudança na forma de trabalhar. No escritório, Cláudia fazia a migração dos documentos impressos para os serviços digitais. Além da quantidade de papel que ela precisava manter arquivados ocupando espaço, a comunicação com o cliente ficou mais ágil.

TEMOS MUITOS PROFISSIONAIS SE FORMANDO, ENTRANDO NO MERCADO, E A GRANDE MAIORIA NÃO TEM CONDIÇÕES DE COMPRAR UMA SALA OU SUSTENTAR UM ESCRITÓRIO”

PATRÍCIA DELWING, PROPRIETÁRIA DO CENTER GROUP COWORKING

Quase tudo pode ser feito por telefone ou internet. “Escapei da parte tradicional de pagar aluguel para ter arquivos e caixas.”

O QUE É COWORKING?

Modelo de trabalho em escritórios com-

partilhados. Um espaço de coworking é um local ou empresa que reúne a estrutura necessária para que outras empresas se juntem a eles e desenvolvam seus negócios. Contam com toda estrutura de um escritório tradicional, porém compartilhada por todos os integrantes do espaço. O sistema visa diluir os custos entre vários usuários e estimula a cooperação entre profissionais de diferentes setores. Para além do uso do espaço, o coworking estimula a formação de comunidades. Frequentado por empresas e profissionais independentes que valorizam inovação, criatividade, troca de experiências e criação de uma rede de contatos forte. Está associado geralmente a ambientes descolados e negócios ligados à economia criativa. Porém, a pioneira do setor (Regus) trabalha com escritórios executivos com perfil tradicional. Tornou-se tendência mundial nos últimos dez anos e está presente em todas as grandes cidades brasileiras. Em Lajeado, são pelo menos duas empresas. O site coworkingmap.org criou uma mapa mundial do coworking. O levantamento aponta 113 mil cadeiras em 890 cidades de 116 países.

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FOTOS MATHEUS CHAPARINI

COWORKING NO BRASIL O SITE ESPECIALIZADO COWORKINGBRASIL.ORG FEZ O CENSO DO SETOR EM 2018. O LEVANTAMENTO APONTA UM CRESCIMENTO DE QUASE 50% DE 2017 PARA 2018. NO ANO ANTERIOR, O SALTO HAVIA SIDO DE MAIS DE 100%.

Espaços conhecidos no país:

2015: 238 2016: 378 2017: 810 2018: 1.194

88 MIL

estações de trabalho disponíveis em 169 municípios

214 MIL

pessoas circulando O RS é o sexto estado no ranking nacional, com 614 espaços.

55% ficam em capitais 45% nas demais cidades Setor movimentou

R$ 127 MILHÕES no ano. R$ 327 MIL é o

investimento inicial médio

PERFIL DOS USUÁRIOS: 57%

dos coworkers optam pelo plano mensal 10% utilizam o serviço por hora 5% contratam diárias

75% são espaços multidisciplinares 12% voltados à economia criatriva 5% voltados à TI e tecnologia 8% outros Porte das empresas que frequentam: 17% individual 40% até 3 pessoas 2% de 6 a 12 pessoas 1% acima de 12 pessoas Fonte: coworkingbrasil.com

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HUB QUER 50 PROJETOS ATÉ 2020 INICIATIVA QUER CONECTAR ORGANIZAÇÕES E PESSOAS DO VALE DO TAQUARI. DE FLORIANÓPOLIS E DO RECIFE VÊM AS REFERÊNCIAS PARA O PROJETO LOCAL Na linguagem de TI, um HUB é um terminal para onde convergem informações de onde parte sinal para todos os lados. Um HUB de inovação tem uma função semelhante. Consiste em um espaço físico para onde convergem diversas iniciativas e de onde surgem ideias inovadoras que podem gerar novos negócios ou soluções para aprimorar os processos dos

negócios já existentes. O eixo inovação tem por objetivo criar um HUB de inovação aberta em Lajeado para conectar organizações e pessoas do Vale do Taquari e outras regiões, criando soluções, melhorias e iniciativas inovadoras. A meta é englobar 50 projetos até 2020. O projeto está na primeira ação, fazer-se coARQUIVO A HORA

RECIFE E FLORIANÓPOLIS: NOS DOIS POLOS DIGITAIS E TECNOLÓGICOS, HUBS DE INOVAÇÃO FOMENTAM A CRIATIVIDADE E DESPERTAM O EMPREENDEDORISMO O TEMPO TODO. OS ESPAÇOS SERVEM DE EXEMPLOS PARA SEREM IMPLANTADOS EM LAJEADO

nhecer e fazer conexão com outras iniciativas já existentes em Lajeado. As referências vêm de projetos como o de Florianópolis, que conta com cerca de 900 empresas de tecnologia da informação e do Recife, com o Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos do país. Para Jorge Faccioni, vice-presidente de Inovação e Tecnologia da Acil, a novidade é a conjunção de esforços das diversas forças do município em busca de uma pauta comum para trabalhar em conjunto. “Estamos reunindo ideias para montar um plano em que o município tenha condições de se desenvolver de forma diferenciada nos próximos anos. O objetivo é que todas as forças produtivas atuem na mesma direção para ganhar velocidade, visibilidade e um melhor aproveitamento dos esforços”, afirma Um grande passo para a inovação no município é a criação do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação.

FLORIANÓPOLIS E RECIFE A capital catarinense se constitui em um polo do setor, reunindo cerca de 900 empresas de tecnologia da informação. São mais de 17 mil pessoas empregadas em um mercado que gira aproximados R$ 5 bilhões ao ano. A cidade conta com uma Rede Municipal de Centros de Inovação, e tanto município quanto estado têm políticas públicas para inovação, que preveem capacitação em CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação), eventos e maratonas de tecnologia, inovação e aumento do acesso a investidores para atrair negócios para a cidade. Com cerca de 300 empresas, organizações de fomento e órgãos de governo e movimentando quase 9 mil trabalhadores, o Porto Digital é um dos principais parques tecnológicos do país. Sua atuação se dá nos eixos de software e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Economia Criativa (EC).

GRUPO A HORA CRIA PROJETO DE INOVAÇÃO No mesmo sentido, o Grupo A Hora também trabalha na criação de um HUB. A ideia é criar um ponto de concentração de profissionais de diversas áreas para propiciar uma troca de experiências, incentivar o network e resultar em negócios concretos. Por meio do jornal, o grupo quer conhecer e entender os negócios com foco na inovação e, a partir dessa compreensão, trazê-los para o mercado. Em março, será lançado o Meetup Inovation. O evento será um ponto de encontro para reunir os empreendedores do ramo da inovação.

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CRIAÇÃO DE BUREAU DE EVENTOS UNE EMPRESÁRIOS DE HOTELARIA Dos encontros promovidos pelo Sebrae e pela Acil, surgiu uma relação mais próxima entre os empresários do setor hoteleiro. O grupo se articula em torno do projeto da criação de um bureau de

eventos. Serve como inspiração o modelo desenvolvido em Bento Gonçalves, na Serra, pelo Bento Convention Bureau. A iniciativa foi criada pela articulação de em-

presas locais, apoiada no empreendedorismo da região e nas potencialidades. Em Lajeado, a criação de um bureau de eventos está na fase de articulação. Outro fruto da união entre os empresários foi a criação de um sindicato de âmbito local. O presidente do Sindhavat (Sindicato de Hotéis, Motéis, Restaurantes e Bares do Vale do Taquari) e gerente do Hotel Weiand, Rubem Hefle, fala sobre o potencial do setor.

“TEMOS UM BOM POTENCIAL PARA TRAZER UMA SÉRIE DE EVENTOS” Qual a importância do mercado de eventos para os hotéis? RUBEM HEFLE - A área de eventos e de leitos têm praticamente a mesma importância econômica. Os eventos representam 50% do faturamento do Weiand. E as duas coisas se complementam. Faz mais de 15 anos que o hotel recebe a jornada do sorvete, que é um encontro realizado pela Associação Gaúcha de Gelados e usa toda a capacidade da hospedagem.

Por que a criação de um sindicato local? HEFLE - A Acil e o Sebrae criaram um

programa para aproximar os empresários e fomentar uma série de iniciativas. Foram

desenvolvidos cinco núcleos, entre eles hotelaria e restaurantes. Dentro do núcleo, apareceu a necessidade de ter um sindicato patronal mais ativo. Os hotéis tinham vínculo com Porto Alegre, e os restaurantes não tinham sindicato. No final de 2017, nós criamos o Sindhavat - Sindicato de Hotéis, Motéis, Restaurantes e Bares do Vale do Taquari. Já realizamos algumas atividades, mas ainda falta registro no Ministério do Trabalho.

Como surgiu a ideia de criar um Bureau de eventos? HEFLE - Com essa aproximação, vimos a necessidade de buscar alternativas, novos mer-

cados, novos clientes. A cidade tem uma posição geográfica muito interessante. Está perto da capital e daqui você vai para qualquer lugar do estado. Temos estruturas para abrigar eventos. Temos um bom potencial para trazer uma série de eventos para Lajeado.

Em que andamento está este projeto? HEFLE - Estamos em um momento de articulação, de fazer parcerias. Há o entendimento de que tem potencial para desenvolver o turismo. A próxima etapa é pensar uma série de ações no sentido de divulgar Lajeado como um destino para a realização de eventos.

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ENTREVISTA ESPECIAL

“NÃO SER UMA METRÓPOLE EXIGE QUE LAJEADO SEJA ATRAENTE” Responsável em assessorar a Aliança para Inovação de Porto Alegre, o espanhol Josep Piqué é ex-presidente da Associação Internacional de Parques Científicos e Tecnológicos (IASP) e um dos idealizadores do Projeto Barcelona @22, que transformou a cidade espanhola – onde ele vive atualmente – em uma referência na área de smart cities e distritos de inovação no mundo. Também atuou como consultor internacional de importantes projetos de modernização urbana, como os de Medellín, na Colômbia, e Florianópolis, em Santa Catarina.

A Hora - Você participou de vários processos de implantação de cidades digitais ao redor do mundo e no Brasil. Quais são os principais erros cometidos nesses processos e como evitá-los? Piqué - A transformação das cidades por meio das tecnologias de informação e comunicação deve impactar as dimensões urbana, econômica, social e de governança. Um dos erros mais comuns é ter uma Cidade Inteligente que digitalizou seus serviços urbanos, mas não abordou a transformação econômica e social da cidade. E a melhor maneira de evitar tais erros requer uma visão coletiva sobre qual cidade queremos criar e pensar, essencialmente, a transformação em todas as suas dimensões, e assim garantir o envolvimento de todos os agentes, tanto da universidade, indústria, governo e sociedade civil organizada.

Você conhece um pouco da realidade de Lajeado. Quais seriam os desafios iniciais para consolidar um ambiente de inovação? Piqué - De fato, tive o prazer de estar em Lajeado e de visitar o Parque Tecnológico Tecnovates e a Universidade do Vale do Taquari, a Univates. Na minha opinião, o desafio mais importante enfrentado pelas cidades em geral, e nessas eu

UM DOS ERROS MAIS COMUNS É TER UMA CIDADE INTELIGENTE QUE DIGITALIZOU SEUS SERVIÇOS URBANOS, MAS NÃO ABORDOU A TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL DA CIDADE. ARQUIVO PESSOAL

também incluo Lajeado, é entender, em particular, as oportunidades e as ameaças representadas pela economia e pela sociedade do conhecimento, dado o impacto que as tecnologias terão em nossa maneira de gerenciar cidades, o tipo de empresas que existirão em um mundo totalmente digitalizado e a sociedade que estaremos construindo em um mundo digital.

Quais são os pontos positivos verificados em Lajeado? Piqué - Lajeado tem muita sorte de ter universidades e espaços acadêmicos como a Univates, além de manter ecossistemas inovadores como o Parque Tecnológico Tecnovates. São chaves para a criação e desenvolvimento de talentos. Será crucial acompanhar as empresas instaladas na região para inovar competitivamente e, por sua vez, criar start-ups inovadoras que enriquecem e conectamse com os investidores e a rede de negócios.

E quais são os pontos negativos verificados em Lajeado? Piqué - Não ser uma das grandes metrópoles do Brasil exige que o Lajeado seja atraente para a retenção e retorno do talento. Para isso, deve focar em quais setores quer ser referência no Rio Grande do Sul, no Brasil e na América Latina, articulando alianças com parceiros nacionais e internacionais que permitam que qualquer inovação de Lajeado seja escalável internacionalmente. Isso fará com que os jovens sintam que podem morar em Lajeado e trabalhar para o mundo. Este ponto pode ser positivo, uma vez que é uma cidade com uma grande qualidade de vida e que pode proporcionar aos talentos um lugar para morar e trabalhar. Esse foi, por exemplo, o segredo do 22@Barcelona.

Pessoas têm dificuldade em entender a importância social desses movimentos digitais e das cidades incorporadas à tecnologia. Quais são, afinal, os principais benefícios para a sociedade com esses processos de inovação? Piqué - A digitalização nos permite ser mais eficazes e eficientes com os serviços públicos, promove que as empresas sejam mais competitivas e permite compartilhar mais e melhor os recursos da sociedade. Educação, Saúde e Segurança se beneficiarão do uso adequado da digitalização. A digitalização entrou em nossas vidas para ficar. Já temos nossas músicas, vídeos e documentos na internet. Nós colocamos nossos relacionamentos na rede, começamos a “sensorizar” nossa realidade conectando-a à nuvem. A impressão 3D e logística, por exemplo, facilitarão a entrega rápida de qualquer coisa que comprarmos na web. Mas o mais importante, novas gerações de jovens nasceram na nuvem e precisam encontrar uma cidade devidamente digitalizada para morar em Lajeado.

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CRISTIANO DUARTE

PEDIDOS POR SERVIÇOS BÁSICOS

BAIRROS AFASTADOS COBRAM MAIS ATENÇÃO

ALÉM DAS CAPOEIRAS PELAS CALÇADAS, PARADAS DE ÔNIBUS FORAM INSTALADAS EM MEIO ÀS PLANTAÇÕES

P

elas manhãs, a primeira coisa que a aposentada Santina Paulasi, 62, faz é olhar pela janela de casa e checar a condição climática. É o tempo que dita a rotina do seu dia a dia. Se faz tempo bom, o filho Odir Paulo, 44, portador de necessidades especiais, já a aguarda na varanda sobre a cadeira de rodas ávido por um passeio pelo bairro. Porém, as ruas do Campestre são obstáculos para ele. Se recorre pelo caminho à esquerda da rua Cristiano Dexheimer, descendo a ladeira, o passeio dura apenas um minuto. Com a falta de calçamento na rua, a laje da casa do vizinho termina, e o próximo terreno começa com um desnível pelo qual sua cadeira de

CRISTIANO DUARTE

ENTRE MAZELAS E CONQUISTAS, MORADORES DE DIVERSOS BAIRROS APONTAM FALHAS ROTINEIRAS NOS SERVIÇOS BÁSICOS. PROBLEMAS EM CALÇAMENTOS, ESGOTO A CÉU ABERTO, INSEGURANÇA, FALTA DE ACESSIBILIDADE E DE MOBILIDADE PERMEIAM O COTIDIANO DE MILHARES DE LAJEADENSES

rodas não consegue passar. Em seguida, inicia um caminho coberto por gramado e buracos. É pelo caminho da direita, em direção à João Goulart, que Santina acompanha o filho morro acima. Com o desnível na calçada, ela desloca Odir em direção à rua, para levar o filho até o outro lado da Cristiano Dexheimer para que possam continuar o passeio. “Em época de campanha eleitoral, os políticos nos visitam em casa e dão boné e caneca do Grêmio para o meu filho. Como se eu não tivesse dinheiro para comprar isso para ele. Nunca deixo faltar nada para o Odir. O que eu quero é que resolvam os problemas da rua, para que meu filho possa circular tranquilamente pelo bairro onde mora”, desabafa. Aluno da Associação dos Doentes e Deficientes Físicos de Lajeado (Adefil), Odir precisa deslocar-se do Campestre para o São Cristóvão em meio às dificuldades com a falta de acessibilidade neste trajeto. Sua mãe levou dois anos para conseguir concluir sua carteira de habilitação. “Eles olhavam para as rugas da minha cara e achavam que eu não era capaz. Assim como tenho estas marcas do tempo em meu rosto, eu tenho responsabilidade. Sou uma mãe que faz de tudo pelo filho. Hoje em dia, finalmente, consigo levar ele de carro para as aulas”, orgulha-se.

A ATRIZ CEGA DO CAMPESTRE Dizem que a dramaturgia se faz com a alma e o coração. E é assim que Taís Cauduro, 30, leva a vida de atriz. Embora seja

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NO CAMPESTRE, SANTINA ENFRENTA DIFICULDADES PARA TRANSPORTAR O FILHO ODIR PAULO, PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS, COM A FALTA DE ACESSIBILIDADE

cega, isso nunca a impediu de percorrer sozinha o país para contracenar pelos palcos onde a profissão lhe convocara. No entanto, é no seu bairro o único lugar onde teme caminhar sozinha. “Minha filha sempre diz: 'ando por tudo, menos no Campestre'”, conta a mãe de Taís, Leda Cauduro, 56. Com os desníveis, ou ainda a inexistência de calçamento em certas vielas, a atriz só percorre o bairro acompanhada de um amigo ou familiar. “E, por vezes, quando há calçamento, também tem um poste no meio da calçada. É um perigo para quem não enxerga”, relata a mãe. Até mesmo o bairro São Cristóvão, que tem Associação de Deficientes Físicos de Lajeado (Adefil) e a Apae, apresenta o mesmo problema. Acessibilidade precária é um dos gargalos que acompanham Lajeado nas últimas décadas. “Temos os instrumentos para melhorar a vida de pessoas com necessidades especiais, mas para chegar a elas torna-se difícil”, resume Nilce Weiand, 59, presidente pela terceira gestão do bairro. Continua >>

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PRINCIPAL GARGALO DO BAIRRO CONVENTOS, A FALTA DE CALÇADAS E CICLOFAIXAS TRAZ RISCOS AOS PEDESTRES QUE TRANSITAM NA ERS-421 FOTOS CRISTIANO DUARTE

PRESIDENTE CELI ULRICH ORGULHA-SE DA CONQUISTA DA PRAÇA NO CONVENTOS

A FALTA DE CALÇADAS E O PERIGO Há dois anos, a rotina da comerciante Jéssica de Souza, 21, é a mesma. Com a chegada do filho Fernando Henrique, agora com 2 anos, ela o carrega no carrinho de bebê pelos dois quilômetros entre sua residência e a creche na ERS-421, principal via do bairro Conventos. Sem calçamento na beira da rodovia, ela espreita-se pelo acostamento junto de seu pequeno todos os dias enquanto caminhões e veículos de carga pesada passam ao seu lado, por vezes, “tirando fino”. No bairro, o calçamento da ERS-421, nos lugares onde tem, fica apenas no lado direito da pista no sentido Lajeado/Forquetinha. O trecho conta com três escolas – duas municipais e uma particular. Centenas de crianças transitam em meio ao perigo da falta de passei público.

CONSIDERADO O PONTO MAIS PERIGOSO DO CONVENTOS, TRECHO PRÓXIMO À BR-386 NÃO TEM SEQUER ACOSTAMENTO

“Nas reuniões de bairro, o principal pedido dos moradores é por calçadas. Ela é a prioridade para o desenvolvimento e para a segurança do Conventos. Temos mais de 10 mil moradores. A ERS é muito perigosa. Pelo fluxo de veículos, é um milagre não termos uma maior quantidade de atropelamentos”, relata a presidente do bairro, Celi Ulrich, 42. A diarista Veridiana de Freitas, 42, é mãe de Isabela Soares, 8, que estuda na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vida Nova. Todos os dias, ela segura forte a mão da filha ao atravessar a rodovia do acostamento até o lado onde tem calçada, em busca de abrigo para fazer o trajeto de forma mais segura. “É um perigo. Vejo as famílias levando os filhos para a escola pelo acostamento enquanto aquele monte de carro passa ao lado deles. Me dá um aperto no coração.” Recentemente, o secretário de Obras do município, Fabiano Bergmann, anunciou a construção de 450 metros de calçada entre a escolaVida Nova e o Colégio Sinodal. “Sobrou dinheiro em nosso caixa do ano passado. Então, para não termos que extornar este valor, vamos construir estas calçadas tão aguardadas por aquela comunidade.” Outra queixa da comunidade é a falta de faixas de segurança em frente às escolas municipais. “O povo aqui reclama que só o Colégio Sinodal, por ser escola privada, tem o privilégio de ter faixa de segurança para os alunos”, comenta Celi.

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Presidente do bairro Campestre há 6 anos, o aposentado Recioli dos Santos, 75, luta naquela comunidade, principalmente por mais acessibilidade. “Se para nós, que enxergamos e podemos caminhar, é prazeroso ter uma calçada adequada, imagine para um cego ou para um cadeirante. Para eles, a sensação de vento no rosto é muito diferente da nossa. Eles vibram com esta experiência”, enfatiza Recioli. Além de melhores condições nas calçadas, o presidente do bairro tenta tirar do papel o projeto de ampliação da rua João Goulart, a partir do cruzamento com a Presidente Costa

e Silva. Entretanto, o entrave com a Secretaria do Meio Ambiente impede o avanço da obra devido à mata nativa pertencente ao terreno do Daer, próximo à ERS-130. “Teve uma vez que a coisa avançou. Aí o governo mandou que eu plantasse 15 árvores para cada uma derrubada neste terreno. O Ministério Público, depois de um tempo, concluiu que eu, como presidente do bairro, não poderia ser responsabilizado por uma obra no município feita em um terreno do estado. Em resumo, até hoje, nada foi feito por aqui”. Segundo Recioli, a obra já é prometida faz pelo menos 30 anos. “Aí o governo Caumo vem

CRISTIANO DUARTE

POUCAS RESPOSTAS PARA MUITOS PROBLEMAS

RECIOLI, PRESIDENTE DO CAMPESTRE, TRAVA LUTA PELA ACESSIBILIDADE NO BAIRRO

falar de 'plano diretor' para 2040. Eles não conseguem resolver os problemas do presente e querem pensar no futuro. Os problemas que enfrentamos no Campestre não são os mesmos do Continua >>

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Centro. Que futuro vamos ter se nossas mazelas de agora não forem resolvidas?”, questiona. Presidente do bairro Imigrante pelo terceiro mandato, Airton Vollmer, 50, tem na ponta da língua a solução para que as crianças não corram mais riscos ao brincar ou voltarem da Escola Municipal Capitão Felipe Dieter, nas ruas margeadas por terrenos baldios da comunidade. “Basta fazer calçadas no bairro. Afinal, não tem nenhuma. Se tivesse, quem sabe as crianças não correriam risco de serem atropeladas”, sustenta. Por outro lado, ironiza, “pelo menos a comunidade não gasta dinheiro com água para lavar as calçadas, já que não tem”. Além disso, falta pavimento em todo o bairro. Inclusive na escola Capitão Felipe Dieter, que, de acordo com a Lei 9.503/97, deveria ter pavimento no seu entorno ou ainda faixa de pedestres. Para agravar o quadro, o Imigrante não possui ginásio para a comunidade, nem praça ou, tampouco, áreas de lazer. “Sempre participei das reuniões de bairros ao longo dos meus quase oito anos como presidente. Mas é injusto. Tem uns que nunca vão, mas mesmo assim já têm ginásios comunitários para fazer eventos aos seus moradores. Quando a gurizada vai jogar futebol na quadra deles, acabam cobrando. Mas daí eles se acham no direito de cobrar da prefeitura e dos vereadores para arrumar o telhado do ginásio. Onde eles estão usando seu dinheiro?”, indaga.

ESCOLA CAPITÃO FELIPE DIETER ENFRENTA COTIDIANO DE POEIRA SEM PAVIMENTAÇÃO NO SEU ENTORNO

CARÊNCIAS, FALTA DE FISCALIZAÇÃO E DESASSISTÊNCIAS Para este ano, Airton Vollmer pretende formalizar a 3ª Festa do Colono Imigrante. Sozinho, planeja e organiza todo o evento. Desde os tratores que circularão pelo bairro, ao traje que as personagens vão usar durante o desfile pelos logradouros da comunidade. No ano passado, trouxe 14 tratores para circular no bairro durante a festa. “Claro, chamei a equipe de trânsito pra participar. No dia do evento, ninguém do governo estava lá. Mas aí, no Dia do Motorista é uma festa. Por que alguns bairros podem ter amparo do governo e outros não? Somos uma comunidade abandonada por ele”, protesta. Essas carências são enfatizadas por Fabiana Maristela, 39, quanto a soluções em infraestrutura. Segundo ela, a demanda por medidas que sanem a falta de pavimentação nos bairros ecoa em cada esquina do Imigrante. “Em todas as reuniões de bairro, o pedido é o mesmo e a resposta também: nada muda.

PRESIDENTE DO IMIGRANTE, AIRTON VOLLMER AGUARDA REFORMA NA CASA QUE SERÁ SEDE DO BAIRRO

Continuamos com nossas ruas sem pavimento”. Dono de um dos bares mais conhecidos e frequentados da comunidade, Milton Eckert, 52, é sucinto sobre os imbróglios do lugar. “Falta fiscalização”, resume. Isso porque, por todos os quarteirões do Imigrante, é sabido que algumas das indústrias que operam ali fazem descarte irregular no arroio. Não raro, os próprios moradores acabam desaguando encanamentos improvisados para o sistema pluvial. Por entre as ruas de chão batido, uma água escura e fétida corre pelas valetas do bairro. Os vizinhos preferem não dedurar uns aos outros. Este silêncio sobre a responsabilidade alheia permanece na comunidade. Embora tenha uma extensa área territorial, que se estende da BR-386 e circunda o Rio For-

queta, o bairro tem apenas 280 famílias – o que gera um total de 1,2 mil moradores. Ao fim de sua gestão liderando o bairro, Airton deixará as conquistas de sua luta. Entre os méritos, está a doação de uma casa em frente à Escola Capitão Felipe Dieter que servirá de salão comunitário. Ainda tomada pela capoeira e em situação de abandono, a promessa do governo é de que, neste ano, a residência será liberada aos moradores. “Cada vez que queremos nos reunir ou fazer um evento, temos que pedir para liberarem o ginásio da escola, ou ainda pagar um salário para usar o único salão que tem na comunidade. Não temos praças ou áreas de lazer, mas a concessão desta casa para uso comunitário será uma grande vitória para todos os moradores”, ressalta Airton.

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MORADORES DO BOM PASTOR RECLAMAM DA FALTA DE RUAS TRANSVERSAIS NO BAIRRO. MOBILIDADE SE DÁ PELA BENJAMIN OU PELA BR-386

O BAIRRO SEM SAÍDA Um dos primeiros moradores do bairro Bom Pastor é também o presidente de comunidade mais velho do município. Com 88 anos, Waldelírio Hirt está diariamente no campo de futebol ao lado do ginásio da associação, na rua Arthur Fuchs. Da capina ao ajeitar das redes das goleiras, a idade não impede o líder do Bom Pastor de cumprir suas tarefas. “Estes dias vi ele carregando dois carrinhos de terra para fazer ajustes no nosso campo de futebol”, testemunha o morador Gerson Luis, 50 – mais conhecido na comunidade como “Pestana”. Juntos, Pestana e Waldelírio ergueram o ginásio da comunidade e o mantêm, de forma voluntária. “Fiz desde o piso da comunidade até o telhado. Tudo no amor, sem cobrar um tostão”, recorda Pestana. Com raras ruas transversais, o acesso é difícil. Os moradores precisam se deslocar para fora do bairro pela avenida Benjamin Constant

ou pela BR-386. Sem ligação entre as ruas, a localidade desenvolveu-se a partir de três núcleos de moradores. “Resido há 40 anos neste bairro. Nos últimos anos ele cresceu de forma rápida. Agora é necessário fazer vias que conectem melhor o mapa de nossa comunidade”, relata Waldelírio. Segundo o presidente do bairro, teve uma ocasião em que o plano de fazer ruas transversais evoluiu na administração municipal, no entanto, travou ao chegar em uma residência que precisava ser desapropriada. “Depois disso, nunca mais. Eles prometeram, mas não resolveram. O bairro era uma colônia quando vim morar aqui. Isso tudo cresceu e ninguém imaginou que seria uma coisa assim”, recorda. Embora a conexão entre os três núcleos de moradores seja falha, há terrenos no bairro sendo vendidos por R$ 180 mil, conforme Pestana.

FUTEBOL QUE UNE É nos sábados que boa parte dos habitantes se reúne na Associação dos Moradores do Bom Pastor para jogar futebol. “Temos cinco grupos. Nossa pelada no fim de semana é sagrada”, conta Pestana. Recentemente, eles conseguiram vigas para colocar as telas de proteção atrás da goleira para que a bola não saísse mais do campo, invadindo a rua e colidindo contra veículos de moradores. No entanto, como o presidente do bairro é idoso, não conseguiram colocar as telas por falta de mão de obra. “Pedi em novembro para que alguém da prefeitura nos ajudasse. Até agora, nada”. O gramado do campo de futebol é mantido por Pestana de forma voluntária. Com sua roçadeira, ele apara a grama e mantém a funcionalidade da paixão de boa parte dos moradores: o futebol.

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TUBOS DE ESGOTO: POEIRA E ÁGUA INVADEM CASAS Na rua Hermes Jaeger, o esgoto corre a céu aberto por pelo menos 500 metros. “São necessários 900 tubos de concreto para que nosso esgoto deixe de escorrer desta forma”, constata Pestana. Segundo ele, os alagamentos no bairro, em função disso, ocorrem com frequência. “Quando chove forte, o valão não dá conta e alaga a casa dos moradores. O governo sequer vem limpar esta vala. Por isso que acaba sempre sendo obstruída.” Para o presidente Waldelírio, para que o bairro evolua como merece, é necessário mais envolvimento por parte do governo e dos moradores. “Estou bem aposentado. Cuidar do meu bairro, pra mim, é uma maneira de ocupar o tempo e a cabeça. Nossa comunidade já existe faz 20 anos, estou há oito na liderança. Os moradores tinham que estar mais presentes, participar mais e ajudar a cuidar das roçadas.”

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ALÉM DE NÃO TER PAVIMENTAÇÃO EM LOCAIS DE CIRCULAÇÃO, FALTA A ROÇADA DAS CAPOEIRAS, QUE CRESCEM NAS PARADAS DE ÔNIBUS E SE ESPALHAM PELAS RUAS DO BOM PASTOR

que o governo também enfrenta dificuldades nas finanças por rescaldos de uma crise, a falta de ações para tirar do papel planos de pavimento, calçadas e escoamento de água revela-se como um atraso para um bairro que desenvolveu de forma rápida o seu potencial comunitário. “Se não planejar a infraestrutura antes de construir, depois de pronta a obra, fica mais difícil de solucionar o problema”, sustenta Alceu.

ALAGAMENTO NO SARAQUÁ

RUA HERMES JAEGER PRECISA DE 900 TUBOS PARA RESOLVER IMBRÓGLIO DE ALAGAMENTOS QUE ATINGEM O BAIRRO

Se chove por mais de duas horas, Alceu Weyand, 38, já começa a preocupar-se com o alagamento do Arroio Saraquá pelas ruas do bairro São Bento. Residindo há 16 anos naquela comunidade, a experiência lhe garante saber quando vai alagar. “O foco do governo é sempre o Centro. Os bairros mais afastados, que são onde de fato existem maiores dificuldades, ficam de fora”, critica Alceu. Os moradores reclamam que construto-

ras empreendem no bairro, mas não planejam de forma adequada o escoamento da água, agravando ainda mais o quadro de alagamentos. “Tem gente jogando terra no arroio”, diz um morador do bairro que prefere o anonimato. Apesar de ter a empatia de compreender

ALTERNATIVA À RODOVIA Tirando os problemas, as melhorias na pavimentação da rua João Reinaldo Saffran é comemorada de fora a fora pelo bairro São Bento. Para aqueles que acordam mais cedo para o trabalho e transitam em horários de pico, principalmente na rótula da BRF, entre a ERS-413 e RS-130, não precisar mais enfrentar o congestionamento das 7h, das 13h e das 18h, renovou o fôlego de esperança pela calmaria, que é natural de cada morador que saiu da área urbana em busca da paz de uma região mais afastada.

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POSTO RECÉM INAUGURADO COM RACHADURAS Desde a entrega da obra de reforma e ampliação do posto de saúde no São Bento, no início de 2017, usuários percebem o avanço gradativo das rachaduras. O secretário de Saúde, Tovar Musskopf, garante que, apesar das rachaduras e do espaçamento cedido entre um anexo e o outro, não há risco de desabamento de paredes ou do prédio. “A obra já foi verificada recentemente pelo engenheiro da prefeitura. Ele não constatou nenhum perigo à população”, afirma. Ainda segundo Tovar, desde junho, o governo tenta contato com a construtora responsável pela obra, porém, não conseguiu localizar nenhum integrante da empresa. “Ao que tudo indica, a construtora faliu”, diz. O Executivo iniciou o processo licitatório para que uma terceirizada faça os devidos reparos – inclusive para resolver a infiltração que atinge o primeiro andar do prédio.

Ainda não há previsão de quando as reformas serão realizadas. “Apesar das rachaduras, a estrutura está sólida. Se tivesse risco de alguma parede cair, por exemplo, esta UBS estaria fechada.”

Outro problema enfrentado na unidade, segundo o presidente do bairro, é a falta de pediatras. “Acredito que com este novo modelo de gestão da Univates, isso logo vai melhorar”. FOTOS CRISTIANO DUARTE

RACHADURAS NO NOVO ANEXO DO POSTO DE SAÚDE DO SÃO BENTO TRAZEM INSEGURANÇA

O AVANÇO DO TRÁFICO E DA INSEGURANÇA O avanço do domínio de grupos ligados ao narcotráfico no bairro, assim como gera insegurança aos moradores, por mais criminosos dividirem a vizinhança, parece ter estipulado regras para o combate de roubos na comunidade. “Tem lojas nos bairros que estes bandos estão cobrando R$ 200 para que se mantenha um mês de paz no estabelecimento. Estão vendendo a segurança do bairro”, diz um morador que prefere não ser identificado. Pichações de lemas de uma facção se espalham no bairro. Chama atenção um “Paz na quebrada” escrito na Escola Municipal de Educação Infantil Amiguinhos do Jardim. “Pode até não ter drogado andando pelas ruas. Mas aqui é um local de fácil fluxo de drogas e armas de facções. Eles aproveitam que aqui tem rodovias estaduais para desenvolverem seus tentáculos do crime pelo bairro”, relata um morador que prefere o anonimato. Embora um bando criminoso se expanda pelo Jardim do Cedro, fazendo um elo entre Santo Antônio, Conservas, Praia e Morro 25, ainda assim, não há sequer uma câmera de videomonitoramento nessas localidades. Facções envolvendo esses bairros foram responsáveis por 24 mortes na região no ano passado, conforme a Delegacia de Polícia Civil de Lajeado. NEM ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL PASSAM IMUNES ÀS MENSAGENS DE FACÇÕES

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COM O ABANDONO DA PRAÇA DO BAIRRO JARDIM DO CEDRO, USUÁRIOS DE DROGAS ACOMODARAM TRÊS BANCOS NA CASINHA INFANTIL FOTOS CRISTIANO DUARTE

“O narcotráfico está ligado a 90% dos crimes envolvendo homicídios em Lajeado e municípios vizinhos”, afirma o delegado Márcio Moreno. Além disso, 2018 fechou com 31 casos em investigação na Polícia Civil. Desse total, 15 tentativas de homicídio – sendo que em um dos casos, em 28 de outubro, quatro pessoas foram baleadas num ataque no bairro Santo Antônio. De acordo com o delegado de Lajeado, a instituição deveria resolver cerca de 80% dos casos. No entanto, apenas 33,3% foram solucionados no município e arredores até agora – ou seja, dos 31 casos, 21 ainda não foram solucionados. “Falta efetivo na Polícia Civil. Lajeado, por exemplo, é uma cidade rica. Facções gostam desse tipo de município para praticar crimes”, sustenta. Ainda segundo Moreno, cidades deste porte, como Passo Fundo e Santa Cruz do Sul, contam com mais de uma delegacia, “o que ajuda a combater a criminalidade devido ao número de agentes para se distribuírem nos casos a serem investigados”. “Os grupos criminosos acabam fazendo questão de que o bairro mantenha uma certa paz, para que não chamem a atenção da polícia. Por isso, proíbem roubos e perturbação aos moradores”, comenta o comerciante Fabian Trindade, 41. Entre os dias 4 e 9 de janeiro, o município

GRUPOS CRIMINOSOS DOS BAIRROS PRAIA, JARDIM DO CEDRO, CONSERVAS, MORRO 25 E SANTO ANTÔNIO FORAM RESPONSÁVEIS POR 24 HOMICÍDIOS NO ÚLTIMO ANO

registrou cinco casos de violência envolvendo grupos criminosos nos bairros Praia, Santo Antônio e Conservas. Duas residências foram queimadas, em datas distintas, na região conhecida como “Cantão”, e cinco pessoas foram vítimas de tentativas de homicídio nessas localidades.

ESPAÇOS DEPREDADOS Outro imbróglio no bairro é a falta de manutenção no campo de futebol da Associação Esportiva do Jardim do Cedro. Anexo a esse problema, a unidade faz divisa com um área verde do município. O complexo não tem cercamento ou grades que o protejam. Diariamente, moradores se deslocam até as vegetações para fazer descarte irregular. “Já encontrei de tudo por aqui. De vaso sanitário a garrafas de vidro. É um descalabro. Já chamei a prefeitura. Nunca vieram resolver, e o problema só aumenta”, diz o presidente do campo de futebol, Neitor Schweig, 53. No arroio que desemboca nas valas da associação, uma água visivelmente poluída chama a atenção. “Por mais que seja uma propriedade da prefeitura, é o povo que acaba usando. Podiam cuidar um pouco melhor disso”, acrescenta. Outo gargalo da comunidade é a falta de profissionais na unidade básica de saúde. “Fizemos divisa com o Santo Antônio. O Nova Morada I é nosso, o II é deles. Esta moradia popular trouxe muitos novos moradores que usufruem dos mesmos serviços públicos”, analisa a presidente do Jardim do Cedro, Salete Maria da Silva, 54.

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SÃO CRISTÓVÃO: “A MENINA DOS OLHOS AZUIS” Moradora do São Cristóvão há 40 anos, Nilce Weiand viu uma parte do bairro se tornar Universitário e outra, Alto do Parque. Nessas quatro décadas, ela e seus vizinhos mais antigos sempre sonharam com um área de lazer. O avanço do Parque Piraí, na avenida, é a concretização deste desejo. “O parque é a nossa ‘menina dos olhos azuis’. Algo que batalhamos muito para conquistar. Devemos isso a parcerias que fizemos com três empresas que abraçaram a comunidade: Sicredi, Unimed e Lyall”. O São Cristóvão apresenta-se como um bairro completo, com empresas e projetos sociais pujantes. Mas nem por isso, perfeito. “Apesar de sermos um bairro completo, falta manutenção. O inço toma conta das calçadas. Até mesmo em áreas mais frequentadas, como a Alberto Pasqualini, por exemplo, não há o devido cuidado. Temos muitos idosos no São Cristóvão. São mais de 10 mil moradores. Eles merecem caminhar sem perigos nas calçadas.”

DEPOIS DE 40 ANOS RESIDINDO NO BAIRRO, NILCE VÊ SONHO DO PARQUE TOMAR FORMA

FOTOS CRISTIANO DUARTE

LAZER NO CAMPESTRE Depois de dezenas de reuniões e pedidos formalizados na prefeitura, a comunidade recebeu uma área do município para chamar de sua. A rua Romeu Armange agora conta com uma área de lazer com direito a quadra de futebol, praça, bancos e, em breve, pista de caminhada e, um pouco mais adiante, a construção de um ginásio. O jovem Leornado Mess, 17, e sua turma

SONHADA PELO BAIRRO, PRIMEIRA ÁREA DE LAZER DEVE FICAR PRONTA NESTE ANO

de amigos passaram a jogar bola regularmente no campo, para no fim de semana, disputarem jogos com outros vizinhos.

“A gente procura dar uma treinadinha durante a semana. Esta quadra realmente mudou nossa rotina”, conta Mess.

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A METADE DO GOVERNO CAUMO

O DITO. O FEITO. E O ESPERADO

Passados 730 dias do governo de Marcelo Caumo e Gláucia Schumacher, conferimos o cumprimento das principais promessas de campanha, registradas, inclusive, no cartório eleitoral. Das 47 iniciativas prometidas para os 27 bairros da cidade, 26 foram atendidas nos dois primeiros anos, enquanto outras 21 estão na fila.

JADERSON HENZ

SANTO ANDRÉ

• Construção de pista de caminhada e corrida: Ainda não foi feita. Projeto está em discussão com a comunidade. EMEF Santo André terá fechamento da quadra e construção de refeitório, cozinha e banheiros.

AI PREFEITURA DE LAJEADO

UNIVERSITÁRIO

Projeto Parque Rio Taquari e Forqueta: Não foi feito. Governo e MP estiveram no local em 2018 para uma primeira verificação. A expectativa é de que este projeto seja realizado em 2019. • Obras de infraestrutura: Foram feitas. Foram realizados dez trechos de pavimentação comunitária (nas ruas Alfredo Bildhauer, Elias Sfair, Erwino Thomas, Frederico Westphalen, Gramado, Nery Ângelo Baioco, Oswaldo Haas, Rua C, Wilma Ruwer e Rua Mossoró). Para 2019, estão previstas obras de melhoria para a UBS Universitário.

PLANALTO E IGREJINHA

Conclusão da pavimentação da Rua Miguel Paulus: Foi feita. Concluída em 2017, com recursos próprios, por contribuição de melhoria. Ginásio junto ao Campo do Igrejinha: Não foi feito. Governo afirma estar em contato com a comunidade para definir se o projeto vai ser executado ao lado do campo ou junto à sede da associação de moradores. • Ampliação da creche: Não foi feita. Está sendo avaliada a necessidade de ampliação da creche. Em 2019, a EMEF Lauro Mathias Müller terá melhorias no ginásio e reforma de banheiros.  JADERSON HENZ

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Novo acesso à BR-386: Foi feito. Na entrada do bairro Centenário e outro em via lateral próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Federal, em Conventos. Desta forma, o acesso aos bairros utilizando a BR como rua principal ficou facilitado para estes moradores, reduzindo o tempo no trânsito e aumentando a segurança.

JADERSON HENZ

CENTENÁRIO

MONTANHA

Passarela ligando os bairros Olarias e Montanha: Não foi feita. Prefeitura solicitou a inclusão desta demanda no projeto de concessão da BR-386. Parceria com governo federal para duplicação da ponte centro/bairro: Não foi feita. Obra integra o projeto de financiamento do programa Avançar Cidades (governo federal), de R$ 20 milhões, que serão investidos em pavimentação, na duplicação da ponte da avenida Benjamin Constant no bairro Montanha e em outras obras. Está em liberação para posterior licitação. Melhorias no sistema viário de acesso ao bairro: Não foram feitas. Rua Nicolau Junges está com a licitação aberta para alargamento e pavimentação, além da duplicação da ponte mencionada no item anterior. Área de caminhadas nas proximidades do campo: Não foi feita. Em tratativas com a comunidade.

BOM PASTOR

• Nova creche: Em obras. Deverão estar concluídas ainda este ano. Esta EMEI terá cerca de 200 vagas novas para uma das áreas da cidade que mais cresce. Interligação viária do bairro: Foi feita.Por meio da Rua Hermes Jaeger, que chega até a Benjamin Constant, permitindo a ligação do bairro com Conventos. Também foi feita a conclusão das pavimentações asfálticas do PAC-2, como a avenida Benjamin Constant-Bairro Bom Pastor e Conventos.

CONVENTOS Manter distribuição de água pelo município: Foi feito. A Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos concluiu as obras de ampliação e melhoria da rede de abastecimento do bairro. Foram substituídas as bombas de dois poços artesianos, houve

AI PREFEITURA DE LAJEADO

perfuração e canalização de um novo poço artesiano, instalação, na rua José Franz, de canos de 150 milímetros e remoção da rede antiga, com três novos reservatórios de 25 mil litros. O conjunto de obras duplicou a capacidade de abastecimento na região. • Prolongamento da Benjamin até Santa Clara: Não foi feito. Executivo está negociando áreas com proprietários e encaminhando licenciamento.

OLARIAS

Construção de Ginásio de Esportes: Não foi feita. Projeto está em discussão com associação do antigo campo de futebol do Olarias, em razão de necessidade de permuta do terreno.

IMIGRANTE

Obras de infraestrutura: Ainda não foram feitas. O programa Avançar Cidades prevê para 2019 a pavimentação asfáltica da rua Pedro Júlio Dieter. A EMEF Capitão Felipe Dieter será ampliada em duas salas de aula, banheiro, refeitório e cozinha em 2019.

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O DITO. O FEITO. E O ESPERADO JADERSON HENZ

SÃO BENTO

• Solucionar problema na ponte de São Bento: Foi feito. Duplicação da ponte São Bento foi entregue oficialmente à comunidade em 26 de dezembro de 2017. Calçada de passeio na ERS-413: Não foi feita. Trecho da calçada está em fase de elaboração de projeto. Rodovia foi municipalizada, e agora aguarda aprovação final do governo do estado. Ampliação e melhorias no Parque de Rodeios: Foram feitas. O Parque de Eventos teve área ampliada e está em estudo mais uma ampliação com a aquisição de novas áreas. Quanto às melhorias, foram realizadas diversas reformas, tais como iluminação, construção de palco para shows, melhoria na pista de rodeios, construção de pista de veloterra. O local já está preparado para grandes eventos e tem sido palco de provas de rodeio importantes no RS. JADERSON HENZ

RODRIGO MARTINI

FLORESTA

Obras de infraestrutura: Foram feitas. Trecho da rua Jacob Purper, principal acesso do bairro pela ERS-453, foi pavimentado, melhorando condições de segurança no local. O programa Avançar Cidades prevê pavimentação asfáltica da rua Erico Weber em 2019. A EMEF Pedro Welter foi ampliada com a construção de dois blocos novos e reforma do pátio. Para 2019, está prevista a construção de uma quadra esportiva na

FLORESTAL

Conclusão do ginásio de esportes: Foi feita. Ginásio teve pintura interna, manutenção da cobertura e instalação das redes, o que permitiu que o espaço pudesse começar a ser utilizado pela comunidade.

NAÇÕES

Construção de ginásio de esportes: Não foi feita. Área para construção está sendo negociada com o proprietário. Na EMEF Oscar Koefender, estão sendo executadas obras para ampliação de duas salas de aula e construção de quadra coberta.

CONSERVAS

Revitalização do campo do Internacional de Conservas e campo do Delfino Costa: Foi feita. Campo do Internacional teve cerca reformada e melhorias nos vestiários.

ARQUIVO A HORA

MOINHOS D'ÁGUA

• Abertura da rua Auri Sturmer entre Benjamin e ERS-413: Foi feita. Já é possível a passagem de veículos pela Auri Stürmer até a ERS-413, mas ainda precisa de melhorias e acabamento. Conclusão do Ginásio de Esportes: Não foi feita. Investimento para fechamento da quadra coberta foi aprovado pela

SANTO ANTÔNIO

• Regularização de lotes irregulares: Não foi feita. O governo passou a realizar o diagnóstico da situação recentemente. Assim, em dezembro de 2018, por meio de visitas nestas áreas, localizadas atrás no Novo Tempo I (bairro Santo Antônio), foram identificados 146 terrenos com algum tipo de construção, nos quais a administração localizou e cadastrou 63 famílias (com uma estimativa de 500 pessoas vivendo nessas casas). Pleitear junto ao estado a transformação do CIEP em creche: Não foi feito. Mas, o Executivo mudou a estratégia e optou pela construção de uma nova EMEI no bairro Santo Antônio com recursos próprios e cerca de 200 novas vagas integrais. Obras preliminares já começaram. Além disso, estão sendo feitas obras de ampliação na EMEI Cantinho Mágico, que terá três novas salas de aula e área coberta. Conclusão de ginásio de esportes: Foi feita. Ginásio foi fechado, com melhorias concluídas, e entregue à comunidade em 20 de agosto de 2018.

MOINHOS

• Construção de via lateral na ERS-130 e elevada na rótula da BRF (Trevo ERS-130): Não foi feita. A rótula da ERS-130 é uma obra do governo estadual por estar localizada em rodovia do Estado. Entretanto, o município elaborou projeto, com autorização da câmara, e o apresentou à EGR. A estatal avaliou o projeto como positivo, uma vez que é uma alternativa mais barata do que a ideia inicial de construir um viaduto no local. Agora, o órgão está fazendo o projeto executivo para detalhar a obra e então encaminhar para licitação e posterior execução. Parceria com o governo federal para canalização de região alagadiça na avenida Sete de Setembro até o Parque dos Dick: Não foi feita. Projeto em estudo em razão da complexidade do problema.

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Apresentado por

Languiru aposta na tecnologia e no crescimento de Lajeado

LAJEADO 2040

ASSISTA OPINIÃO DO PRESIDENTE DA LANGUIRU, DIRCEU BAYER

Parceria com Tecnovates e apoio a projetos no município fazem parte da estratégia da cooperativa Leite oriundo dos próprios associados garante a origem e qualidade do produto

THIAGO MAURIQUE thiagomaurique@jornalahora.inf.br

M

arca mais lembrada no Vale do Taquari na pesquisa TOP 100, a Languiru se prepara para o futuro apostando em Lajeado como centro do desenvolvimento regional. A cooperativa sediada em Teutônia firmou parceria com o Tecnovates para criação de novos produtos e tecnologias e ainda apoia eventos esportivos, culturais e sociais da cidade. Presidente da Languiru, Dirceu Bayer afirma que Lajeado é uma cidade chave devido a sua população e potencial econômico. “Espero para 2040 que a cidade possa ser apontada indutora de uma região que tem a melhor qualidade de vida do RS.” Para Bayer, o potencial de Lajeado está relacionado à característica visionária e empreendedora das pessoas que constroem a cidade. Lembra que o município abriga diversas empresas que estão entre as mais importantes do RS, além de uma universidade que completou 50 anos de atuação. “A integração com os mu-

nicípios da região é fundamental nesse sentido, e ajuda a transformar o Vale do Taquari em um dos polos de desenvolvimento do estado e do país”, aponta. O presidente ressalta o papel do cooperativismo no processo de desenvolvimento, reconhecido como ferramenta de geração de emprego e renda. “Com uma universidade que é destaque no RS e Brasil, cooperativas e empresas fortes, poder público e entidades representativas atuantes, temos todas as características necessárias para crescer ainda mais”, destaca. Entre os gargalos que precisam ser pensados para que o desenvolvimento da cidade seja sustentável, destaca a infraestrutura, principalmente no trânsito, na mobilidade urbana e logística da cidade. Regionalmente, defende a busca por fórmulas para reativar o porto de Estrela, aproveitar a rede ferroviária e melhorar as rodovias.

Processo nas carnes atende exigente mercado de exportação

à disposição da cooperativa para treinamentos com os funcionários e troca de contatos entre os professores e pesquisadores das duas instituições. “A infraestrutura de laboratórios, a tecnologia e os profissionais do Tecnovates possibilitam a ampliação do mix de produtos, apoiada nas tendências de consumo e oportunidades do mercado”, destaca. Para ele, a

Números da Languiru

6,5 3 192,4

mil associados

PARCERIA CONSTRÓI FUTURO Conforme Bayer, a parceria com a Univates visa a construir o futuro da cooperativa. O contrato incluiu desde inovação em produtos alimentícios já existentes até o desenvolvimento de novos. O espaço físico também estará

união entre universidade e cooperativa fortalece as duas instituições. Bayer lembra que a Languiru também é parceira dos veículos de comunicação e contribui com os eventos realizados em Lajeado. A cooperativa também fechou acordo para ser o patrocinador principal das camisetas do Clube Esportivo Lajeadense, que disputa a divisão de acesso do Campeonato Gaúcho.

mil funcionários

R$

Patrimônio líquido

milhões

67 50 1,35

municípios com associados produtores

R$

milhões

Em investimentos até 2020

R$

Faturamento Bruto

bilhão

Produzido por

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O DITO. O FEITO. E O ESPERADO CENTRO

JADERSON HENZ

• Rampa e criação de um espaço náutico no Porto dos Bruda: Ainda não foram feitas. Porto teve obras de contenção realizadas em 2017 e feitas melhorias solicitadas pelos usuários para ampliar área de manobra junto ao rio. Está em andamento a abertura de uma via em direção à Beira-Rio para dar início ao parque multiuso que ficará localizado junto ao Rio Taquari. Após a abertura das vias, serão feitas diversas melhorias no local para uso da população, incluindo um novo acesso que liga o Centro de Lajeado à BR-386. Ampliação do Parque dos Dick: Ainda não foi feita. O Parque dos Dick, por ser o maior e mais frequentado parque de Lajeado, recebe melhorias de forma contínua. Ele tem recebido nos últimos anos melhorias das quadras de esporte, das pistas de caminhada, iluminação e arborização. Além disso, o parque também recebeu um letreiro com o nome de Lajeado que se tornou atração turística do local e ponto de visitação de quem é de fora da cidade e busca um ponto com identificação para tirar fotos. Está em licitação a reforma do quiosque do parque e a ampliação de banheiros para atender a demanda crescente por parte da população, especialmente nos fins de semana.

AI PREFEITURA DE LAJEADO

Melhoria/Revisão do Estacionamento Rotativo: Foi feita. As mudanças foram fruto de acordo entre governo municipal, empresa Stacione (que gerencia o serviço) e vereadores. As modificações foram aprovadas pelo Legislativo, na sessão de 5 de setembro de 2017, mesmo com parecer pela ilegalidade do projeto, emitido pela comissão interna de Constituição e Justiça. A principal novidade é a extinção do Aviso de Irregularidade (AI), que passa a ser substituído pelo Aviso de Pós-Pagamento (APP). A partir de agora, o condutor que extrapolar o limite comprado pela vaga na área azul, que é de duas horas e custa R$ 2,20, ou não pagar pelo estacionamento, receberá a notificação de R$ 4,40. Em caso de reincidência, receberá novo Aviso de Pós-Pagamento, no valor de R$ 8,80, e assim sucessivamente até o quinto aviso, que custará R$ 22,00. Neste caso, como os avisos são cumulativos, o infrator terá que desembolsar R$ 66 para regularizar sua situação. • Revitalização e humanização da área interna da Praça da Matriz: Foram feitas. Praça foi reformada com melhorias dos passeios, troca de iluminação interna, pintura dos passeios e do coreto, reforma dos banheiros públicos e dos brinquedos. A partir disso, foi possível ampliar o uso da praça para atividades como a Feira do Livro, que foi um sucesso e consagrou o local para as próximas edições do evento.

56

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HIDRÁULICA

CARNEIROS

• Abertura da avenida Décio Martins Costa até a rua Osvaldo Aranha e novo acesso com BR-386 (Ponte Seca): Em obras. Após estudos, verificouse que seria melhor abrir a continuidade da Rua Capitão Leopoldo Heineck e não a Décio Martins Costa. Esta obra teve início em janeiro de 2019, em direção à Beira-Rio, para dar início ao parque multiuso que ficará localizado junto ao Rio Taquari. Melhorias na Associação dos Moradores do Bairro: Foram feitas.

Nova área de lazer: Não foi feita. Governo está em tratativas para cedência de uma área em frente ao clube União de Carneiros para a construção deste novo espaço. Além disso, há intenção da administração de utilizar a Lagoa dos Ruschel como um novo parque. Pavimentação da avenida Rio Grande do Norte até a Amazonas: Ainda não foi feita. Previsão de pavimentação no Programa Avançar Cidades.  Ampliação da Escola Porto Novo: Não foi feita. Está sendo reavaliada a necessidade de ampliação.

ALTO DO PARQUE

JADERSON HENZ

Obras de infraestrutura: Foram feitas. A avenida Dinizar Becker recebeu calçada de passeio junto ao Parque Histórico e iluminação pública numa extensão de 400 metros. O Parque do Imigrante recebeu a construção de um novo pórtico de entrada e reformas internas e externas para incrementar o espaço para receber eventos de nível nacional.

AMERICANO

• Revitalização e embelezamento da avenida Acvat: Foram feitos. A rua recebeu obras de revitalização, com plantio de flores e gramado, retirada e replantio de árvores, reforma do calçamento, melhorias na sinalização e mais vagas de estacionamento. Entre as mudanças, está a união de partes do canteiro central. No local, foi construída uma calçada para interligar as áreas. O estacionamento passou a ser feito de forma oblíqua, passando a oferecer cerca de 15 novas vagas na extensão da avenida. As árvores que ofereciam perigo ou que atrapalhavam a visão e o fluxo de veículos e pedestres foram retiradas e outras plantadas. JADERSON HENZ

SÃO CRISTÓVÃO • Alargamento da avenida Alberto Pasqualini: Não foi feito. Única obra feita no local foi em frente da escola Érico Veríssimo. • Construção do Parque Piraí: Em andamento. A pista de caminhada foi concluída, e agora a administração trabalha na terraplanagem do local onde serão implantadas uma quadra de esportes e áreas de lazer e recreação. • Dois novos acessos ao São Cristóvão: Foi feito, um deles após o shopping (na rua Carlos Delaer); e o outro acesso, pela Liberato Salzano Vieira da Cunha, não foi feito, mas está em

licitação para canalização. Revitalização do Ginásio Centro Esportivo: Ainda não foi feita. Projeto para troca do piso foi aprovado pela Caixa e será encaminhado para licitação nas próximas semanas. Construção de uma sede para abrigar diversas entidades municipais: Não foi feita. Com o projeto de revitalização do Centro Histórico, via Rota da Inovação, perdeu força a necessidade de construção de um prédio para abrigar entidades, considerando-se que a Acil está localizada em ponto estratégico frente ao novo projeto.

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A PESQUISA

401 9A12 27 95% 5% NÚMERO DE ENTREVISTADOS:

QUANDO FOI FEITA: DE

DE JANEIRO DE 2019

ONDE:

BAIRROS DE LAJEADO

ÍNDICE DE CONFIANÇA:

MARGEM DE ERRO:

QUEM FEZ:

INSTITUTO NEXUS, CONTRATADO PELO GRUPO A HORA

A

avaliação sobre a metade do mandato de Marcelo Caumo e Gláucia Schumacher é positiva para maioria dos lajeadenses, conforme mostra pesquisa realizada no início deste mês. Foram 401 entrevistas coletadas nos 27 bairros da cidade, distribuídas a partir das estimativas populacionais do IBGE. Além de avaliar a administração, a pesquisa também avança sobre os maiores acertos e as áreas onde a sociedade aguarda mais e melhores investimentos. Os serviços básicos, como saúde, educação e segurança aparecem em destaque. A maioria acredita que houve melhorias no formato de ensino e no acesso à educação infantil, mas faz

OPINIÃO DAS RUAS

78

Para % dos lajeadenses, governo Caumo é bom ou ótimo PESQUISA REALIZADA PELO INSTITUTO NEXUS APRESENTA UM RAIO X SOBRE OS PRIMEIROS DOIS ANOS DA ADMINISTRAÇÃO DE LAJEADO. EDUCAÇÃO E SAÚDE ESTÃO ENTRE OS SETORES MAIS BEM CLASSIFICADOS, MAS É ONDE APARECEM TAMBÉM OS MAIORES PEDIDOS POR INVESTIMENTOS

ressalvas quanto à necessidade de abrir mais vagas nas creches. O mesmo ocorre na saúde, com destaque positivo para a UPA e as mudanças nos postos de saúde. Mas pede-se melhor acesso de locomoção até a unidade de saúde, mais remédios, tratamentos específicos para casos de câncer e outros problemas pontuais. A avaliação do governo é melhor nos bairros mais desenvolvidos, próximos ao centro. Nos bairros carentes, os entrevistados apontam poucos investimentos em comparação aos amplos avanços e melhorias realizadas na parte mais central da cidade. Em relação a obras de infraestrutura, também há disparidade de opiniões. Os bairros

mais afastados e menos desenvolvidos apontam muitos investimentos em limpeza e embelezamento da área central e reclamam da infraestrutura dos bairros mais afastados, com ruas esburacadas, parques ou praças com problemas, insegurança, entre outros. “O que se vê, em síntese, é uma satisfação maior nos bairros centrais e mais desenvolvidos. E também aqueles contemplados com obras pontuais, como Bom Pastor, onde se ergue uma nova creche”, analisa o diretor da Nexus, Adriano Strassburger. “Mas de modo geral, ter aprovação de quase 80% mostra que o governo acerta bem mais do que erra, apesar que a média final de avaliação ficou em 6,6”, complementa Strassburger.

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PERFIL DOS ENTREVISTADOS

MAIS DE ENTRE 51 60 ANOS: E 60 ANOS: 25

ENTREVISTAS EM 27 BAIRROS

ATÉ 20 ANOS:

27

20

ENTRE 41 E 50 ANOS:

72

SEPARADO VIÚVO:

17

CASADO:

167

ENTRE 21 E 30 ANOS:

FAIXA ETÁRIA

125

ENTRE 31 E 40 ANOS:

20

132

ESTADO CIVIL

SOLTEIRO:

197

MAIS DE 10 SALÁRIOS MÍNIMOS:

1

RENDA EVENTUAL (BICOS):

SEM RENDA:

19

ENTRE 7 E 10 SALÁRIOS MÍNIMOS:

6

ATÉ 1 SALÁRIO MÍNIMO:

12

2

ENTRE 5 E 7 SALÁRIOS MÍNIMOS:

7

ENTRE 3 E 5 SALÁRIOS MÍNIMOS:

92

FAIXA DE RENDA

ENTRE 1 E 3 SALÁRIOS MÍNIMOS:

262

A PESQUISA FOI APLICADA EM CADA UM DOS BAIRROS QUE FORMAM A CIDADE, A PARTIR DA ESTIMATIVA POPULACIONAL DO IBGE

BAIRROS

PESSOAS

%

ALTO DO PARQUE

15

3,74

AMERICANO

9

2,24

BOM PASTOR

9

2,24

CAMPESTRE

11

2,74

CARNEIROS

9

2,24

CENTENÁRIO

7

1,75

CENTRO

31

7,73

CONSERVAS

14

3,49

CONVENTOS

29

7,23

FLORESTA

4

1

FLORESTAL

21

5,24

HIDRÁULICA

13

3,24

IGREJINHA

5

1,25

IMIGRANTE

4

1

JARDIM DO CEDRO

19

4,74

MOINHOS

22

5,49

MOINHOS D'ÁGUA

10

2,49

MONTANHA

29

7,23

MORRO VINTE E CINCO

7

1,75

NAÇÕES

5

1,25

OLARIAS

14

3,49

PLANALTO

15

3,74

SANTO ANDRÉ

10

2,49

SANTO ANTÔNIO

13

3,24

SÃO BENTO

16

3,99

SÃO CRISTÓVÃO

32

7,98

UNIVERSITÁRIO

28

6,98

59

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PERFIL DOS ENTREVISTADOS

PROFISSIONAL LIBERAL (MÉDICO, DENTISTA, ADMINISTRADOR / ADVOGADO ... ): GERENTE / DIRETOR:

PROFESSOR:

3

2

6

AGRICULTOR:

18

APOSENTADO:

26

AUTÔNOMO (MECÂNICO, CAMINHONEIRO, VENDEDOR, CABELEIREIRA .. ):

OPERÁRIO (IND / COM / SERV):

102

58

ATIVIDADE PROFISSIONAL

FUNCIONÁRIO PÚBLICO (NÃO-PROFESSOR):

DESEMPREGADO:

20

26

DONA DE CASA / DO LAR:

13

FUNCIONÁRIO DE (ESCR / SECRET ETC):

EMPREGADA DOMÉSTICA / FAXINEIRA / BABÁ (OU EQUIVALENTE):

57

7

ESTUDANTE:

8

EMPRESÁRIO (MICRO, MÉDIO OU GRANDE):

55

OPINIÃO DAS RUAS

DE MODO GERAL, COMO VOCÊ AVALIA O GOVERNO CAUMO?

RUIM

PÉSSIMO

(3,49%)

(1%)

14

4

REGULAR

70

ÓTIMO

(17,46%)

148

AVALIAÇÃO GERAL DA GESTÃO MUNICIPAL

(36,91%)

BOM

165

(41,15%)

60

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OPINIÃO DAS RUAS

PARA VOCÊ, QUAIS SÃO OS PONTOS FORTES DO ATUAL GOVERNO? CULTURA

11

(1,87%)

ECONOMIA

LAZER

(1,53%)

(1,19%)

9

7

DESENVOLVIMENTO EM GERAL

6

EMBELEZAMENTO DA CIDADE (NATAL)

(1,02%)

16

(2,72%) LIMPEZA URBANA

43

(7,31%)

SEGURANÇA

46

(7,82%)

INFRAESTRUTURA (ASFALTO, MELHORIA EM PARQUES, CALÇAMENTO)

48

(8,16%)

PONTOS FORTES DA GESTÃO MUNICIPAL

SAÚDE (POSTOS, UPA)

238

(40,48%)

EDUCAÇÃO

164

(27,89%)

62

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OPINIÃO DAS RUAS

NA SUA OPINIÃO, QUAL É A ÁREA QUE MAIS PRECISA MELHORAR? ECONOMIA (RENDA E EMPREGO)

NOTA

(6,23%)

NOTA

10

25

INFRAESTRUTURA

DE 0 A 10, QUAL NOTA VOCÊ DARIA AO ATUAL GOVERNO? 9

28

(6,98%)

1 • (0,25%)

EDUCAÇÃO

145

(36,16%)

14 • (3,49%)

NOTA

8

71 • (17,71%)

NOTA

143 • (35,66%)

7

NOTA

6

SEGURANÇA

64

(15,96%)

113 • (28,18%)

NOTA

5

PONTOS FRACOS

50 • (12,47%)

NOTA

4

1 • (0,25%)

NOTA

3

3 • (0,75%)

NOTA

2

1 • (0,25%)

NOTA

1

SAÚDE

139

(34,66%)

MÉDIA DAS NOTAS:

6,6

2 • (0,5%)

NOTA

0

2 • (0,5%) 0

5

10

15

20

25

30

35

40

63

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FALA, PREFEITO

“NOSSO GRANDE PROJETO PARA ESTE ANO É O PACTO PELA PAZ” AO COMPLETAR O SEGUNDO ANO DE MANDATO, MARCELO CAUMO AVALIA ERROS E ACERTOS E DEMONSTRA OTIMISMO COM O ‘MOVIMENTO POR LAJEADO’. PARA 2019, ANUNCIA O PACTO PELA PAZ, A COMEÇAR PELOS BAIRROS MAIS CARENTES A Hora - Lajeado vive um momento singular em termos de inovação e empreendedorismo. Em quais pontos estamos avançados ou atrasados? MARCELO CAUMO - Não existe uma fórmula pronta. Cada local tem que descobrir a sua vocação, e há um momento em cada lugar para que o assunto alcance a maturidade necessária. É o que está acontecendo agora em Lajeado. Acredito que avançamos muito em reconhecer a necessidade de pensar, apostar e investir nestes temas. Já conseguimos a conjugação de esforços necessária entre poder público, universidade, setor empresarial (a Tríplice Hélice) e também da sociedade em torno deste objetivo, e isso é extremamente relevante, uma vez que todos os grandes polos de inovação do mundo se caracterizam por essa parceria. Agora, o que nos falta é colocar isso em prática, transformar este conhecimento em ação para que possamos começar a ter resultados. Importante ressaltar que projetos assim são dinâmicas de lon-

go prazo. Estamos falando de 10, 15 anos para que os efeitos sejam percebidos e comecem a impactar a sociedade. Mas temos que começar, sob pena de perdermos a oportunidade de oferecer alternativas às futuras gerações.

Outros movimentos realizados em gestões anteriores sucumbiram. Como evitar que ocorra o mesmo outra vez? Quais foram os erros do passado, na sua avaliação? CAUMO - Não existe erro. O que há é um processo de maturação dos projetos, das ideias, das necessidades da sociedade de colocar estas ideias em ação. Para que este movimento se mantenha forte, ele deve contar com o apoio do poder público, universidade e setor empresarial de forma conjunta, não pode depender de nenhum deles. Por isso, é imprescindível o envolvimento e o apoio da sociedade para que participe da discussão e possa atuar e cobrar. Dessa forma, não importa quem esteja na administração do município, esta agenda estará imposta e precisará seguir sendo discutida e colocada em prática.

Pesquisa encomendada pelo Grupo A Hora mostra boa aceitação do seu governo. Mesmo assim, há índices de rejeição mais altos em bairros como Santo Antônio, Morro 25, Nações e Jardim do Cedro. O que efetivamente foi feito e o que planeja para estes locais em específico? CAUMO - As avaliações menos positivas nessas áreas são compreensíveis pelo fato de serem bairros com menos estrutura e nos quais precisamos investir cada vez mais para oferecer melhores condições para essas comunidades. Ressalto um dos maiores projetos previstos para este ano e que começará por esta região da cidade: o nosso Pacto pela Paz, um projeto com foco na

melhoria da qualidade de vida por meio de ações voltadas à saúde, à educação, à assistência social e à segurança. Acreditamos que será um grande passo na melhoria da qualidade de vida das comunidades destes bairros.

E com relação a obras e melhorias nos serviços básicos? CAUMO - Estamos fazendo diversos investimentos importantes nessas áreas e que começarão a ser percebidos assim que estiverem concluídos.

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RODRIGO MARTINI

ainda são apontadas como problemas a serem revolvidos?

PARA QUE ESTE MOVIMENTO SE MANTENHA FORTE, ELE DEVE CONTAR COM O APOIO DO PODER PÚBLICO, UNIVERSIDADE E SETOR EMPRESARIAL DE FORMA CONJUNTA, NÃO PODE DEPENDER DE NENHUM DELES.”

Estamos construindo um novo posto de saúde junto aos residenciais Novo Tempo. Vamos reformar o posto de saúde do Santo Antônio. Já tivemos aprovação para a construção de uma nova academia de saúde no bairro Jardim do Cedro, que deverá iniciar ainda este ano. Neste mesmo bairro, houve pavimentação comunitária em cinco trechos de ruas e também instalamos iluminação pública junto aos residenciais Novo Tempo 1 e 2 e aos condomínios Jardim do Cedro. Estamos também iniciando a construção de uma nova Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) do bairro Santo Antônio. Serão cerca de 200 novas vagas para aquela região. Também está previsto o recapeamento da avenida Beira-Rio, principal via de acesso a estes bairros, que será realizada com recursos do Badesul, do governo do estado.

Quando os índices de aprovação são bons, o desafio é manter e não parar no tempo. O que o governo pensa para os próximos anos em áreas como Alto do Parque, Universitário, Florestal e Centro, onde questões como limpeza pública

CAUMO - Acreditamos que a questão do recolhimento do lixo esteja bem resolvida nestas regiões, mas precisamos avançar na solução de temas como a coleta do lixo verde, que são os restos de podas e jardins e a limpeza das calçadas, que são áreas em que o poder público necessita do apoio da comunidade para que seja possível manter as ruas limpas como todos queremos. Este é um assunto que precisará ser melhor discutido para que cheguemos à solução mais adequada.

Educação, saúde e segurança são os pilares onde a sociedade mais aguarda por melhorias. O que podemos esperar para os próximos dois anos nestas áreas? CAUMO - Educação e saúde são as áreas que recebem o maior investimento da administração: pelo menos 30% do orçamento municipal vão para educação, e outros 15%, para saúde. Além disso, segurança foi a área que teve maior aumento de orçamento entre 2017 e 2018, e terá novamente grande investimento em 2019. Estamos investindo para reduzir o déficit de vagas na Educação Infantil e para qualificar ainda mais nossos professores e, dessa forma, contribuir para melhorar os processos de ensino-aprendizagem das nossas crianças, além do projeto Pacto pela Paz, que deverá impactar fortemente nossas ações na área da educação. Na saúde, nossas parcerias com a Univates, primeiro nos postos de saúde e agora na UPA, trazem uma maior integração entre o prestador de serviço, por ser uma entidade conhecida da comunidade, e a própria sociedade, o que deverá trazer resultados positivos para todos. E na segurança, estamos apostando na tecnologia como aliada para combater a criminalidade, com a instalação de novas câmeras de segurança, dobrando o número já existente, e a implantação de um software de inteligência que apoiará as forças policiais no monitoramento, prevenção e investigação de crimes. Esses exemplos de ações e projetos contribuirão para uma qualidade de vida cada vez melhor no nosso município, o que será decisivo para atrair investidores, empreendedores e talentos interessados em morar aqui.

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Apresentado por

LAJEADO 2040

ASSISTA OPINIÃO DO CEO DA RICHTER GRUPPE, JOSÉ PAULO RICHTER

Bem estar e harmonia em espaço inovador Empreendimentos com conceitos de Smart Cities são a marca da Richter Gruppe THIAGO MAURIQUE thiagomaurique@jornalahora.inf.br

E

mpresa responsável por um dos empreendimentos mais inovadores da cidade, o Urban Certer, a Richter Gruppe aposta no conceito de Smart Cities para ajudar a criar a Lajeado de 2040. Construído no bairro Conventos, o empreendimento expressa a vocação da empresa de apresentar soluções urbanas para os municípios onde atua. COO da incorporadora, Josi Richter afirma que a empresa sempre teve a preocupação em construir empreendimentos com propósito. “Impactamos a cidade com nossos projetos, pois queremos contribuir com a melhora da qualidade de vida urbana, trazendo inclusão social e potencializando o empreendedorismo”. Segundo ela, um dos focos do Urban Center é permitir que as pessoas não precisem se deslocar para o Centro da cidade para realizar suas atividades diárias, oferecendo em um mesmo espaço moradia, comércio e áreas de lazer, com isso descentralizando os grandes centros. O Urban Center é um projeto de inclusão, que promove e incentiva o

Urban Center se tornou um dos principais pontos de encontro dos moradores do bairro Conventos

engajamento dos moradores do bairro desde o início. Hoje, destaca, o empreendimento se tornou um ponto de encontro das famílias da região. “As pessoas se reúnem para tomar chimarrão,

Impactamos as cidades com nossos projetos, pois queremos contribuir com a melhora da qualidade de vida urbana, trazendo inclusão social, potencializando o empreendedorismo” Josi Richter COO

correr e caminhar”. A estrutura inclui espaço cultural público, pista de caminhada, ciclovia e área de recreação no canteiro central da avenida principal, no estilo boulevard. A ligação com a comunidade ficou ainda mais próxima em novembro de 2018, quando a empresa inaugurou monumento em homenagem às 68 famílias pioneiras que chegaram à região no início da colonização. Em forma de caravela, o memorial contém o nome e a origem dos casais de imigrantes. Na mesma oportunidade foi lançado o livro Pioneiros de Conventos - 1861, de autoria do historiador Waldemar Richter e do jornalista Heinz Schmidt, que deu origem ao monumento. “Queremos trazer não apenas melhorias urbanas, mas apresentar so-

luções para as necessidades das pessoas, que são as verdadeiras protagonistas do espaço”, destaca. De acordo com a COO da empresa, a Richter Gruppe continuará investindo e contribuindo para transformar a cidade em um polo de desenvolvimento sustentável.

POTENCIAL REGIONAL Segundo Josi Richter, o potencial de Lajeado está diretamente relacionado a sua localização e com os municípios ao redor. A força da região, acredita, aumenta a partir da união do potencial das diferentes cidades. Em Estrela, a Richter Gruppe criou outro empreendimento inovador: o 386 Business Park. Às margens da rodovia, a obra tem previsão de conclusão para dezembro de 2019 e potencial para se tornar o novo centro de negócios da região. Com 1.000 metros de extensão junto a BR 386, a Richter Gruppe está construindo um espaço de alta visibilidade e demanda para as empresas que se instalarem no local.

INSPIRAÇÃO NO EXTERIOR Josi Richter destaca que a empresa busca suas inspirações em cidades da Europa e dos Estados Unidos, onde o conceito de Smart Cities resultou em melhoria na qualidade de vida urbana. Segundo ela, a Richter Gruppe tem uma equipe técnica e qualificada de profissionais que compartilham dos mesmos valores e assim contribuem para desenvolver cada vez mais os projetos, melhorando a vida nas cidades. Josi afirma que o interesse em criar soluções para a cidade também começa a se fazer presente em outras empresas. “Isso é fundamental para que possamos construir a Lajeado que queremos para o futuro.” Produzido por

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Profile for Jornal A Hora

Revista Pensar Lajeado 2019  

Cidade em movimento

Revista Pensar Lajeado 2019  

Cidade em movimento

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