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8 • SEXTA-FEIRA, 16 DE AGOSTO DE 2019

VAMOS FALAR DE CERVEJA

Levedura, fermento, yeast, levadura, hefe, kvasnice

A

té o século XIX, a fermentação tinha um componente mágico e secreto. Em algumas regiões da Europa, as famílias tinham as “varas de cerveja”, que serviam para mexer o mosto e produzir a cerveja – ainda não se tinha o conhecimento técnico das leveduras, que são fungos da família das Sacchoromyces. Alguns cientistas europeus começaram a estudar os processos de fabricação da cerveja. Entre eles temos Anton van Leewenhoek (1632-1723), criador dos primeiros microscópios, Antoine Lavoisier (1743-1749) e Louis Pasteur (1822-1895), que descobriram o processo de fermentação alcoólica provocada por leveduras, o que

permitiu um maior controle dos processos de fermentação da cerveja, com menos erros e defeitos. As cervejas podem ser de alta ou baixa fermentação e têm esse nome pela forma que as leveduras efetuam os seus processos de transformar os açúcares do mosto em gás carbônico e álcool. •Saccaromyces cerevisae (Ale): tem grande tolerância ao álcool e por isso pode produzir cervejas com alto ABV. Efetuam a fermentação em altas temperaturas, entre 15°C e 25°C, e essa fermentação acontece mais na parte de cima dos tanques de fermentação, durando entre três e cinco dias. As cervejas Ale tendem a ser mais escuras, densas, saborosas e aromáticas que as

cervejas Lager; •Saccharomyces pastoryanus (Lager): mutação da cerevisae, na Alemanha do século XVI as cervejas eram levadas para fermentar e maturar em barris

Os belgas têm cervejas feitas com leveduras que trazem aromas singulares, como suor de cavalo.”

dentro de cavernas profundas e frias. O ambiente frio selecionou cepas de leveduras que conseguiam se reproduzir e prosperar nesses ambientes com temperaturas entre 9 °C e 15 °C. A fermentação acontece no fundo dos tanque e de forma mais lenta, entre 10 e 14 dias. A baixa fermentação leva a cervejas mais suaves e claras, com aromas menos frutados e condimentados. As Lagers são mais claras, brilhantes e leves que as cervejas Ale. Também algumas cervejas são feitas com as chamadas “leveduras selvagens”, da família das Brettanomyces, Pediococus e Lactobacilus, que trazem um caráter mais ácido e lático às cervejas, lembrando Yakult e bala Sete Belo. Os belgas têm cervejas feitas

com essas leveduras que trazem aromas bem singulares, como suor de cavalo, madeira molhada e couro. São cervejas que levam até três anos em fermentação e podem levar frutas para quebrar a acidez, tais como cerejas, framboesas, peras e uvas. Algumas sugestões de cervejas em cada tipo de fermentação: •Alta fermentação ou Ale: Blonde Ale, IPAs, Saison, Weissbier, Red Ale, Stout e Porter; •Baixa fermentação ou Lager: American lager, Pilsen, Cream Ale, Amber Lager, Helles, Kolsch, Rauchbier e Schwarzbier; •“Leveduras selvagens”: Flanders Red Ale, Lambic, Gueuze e Fruit Lambic. E vamos falar de cerveja!

NATURAL

Alunos de Encantado falam sobre PANCs na Expointer Alunos da EMEF Osvaldo Aranha, localizada na zona rural de Encantado, foram convidados para participar da Expointer. Nos dias 30 e 31 de agosto, os estudantes do ensino fundamental irão expor, no Parque Assis Brasil, o trabalho “PANCS: Uma Alternativa Alimentar”.

O convite foi feito pela comissão organizadora do evento, que ocorre em Esteio e que tem abrangência internacional. De acordo com a professora Daiane Mara Carlesso, que coordena o projeto junto aos alunos do 5º ao 9º ano, a escola representará a ci-

dade falando sobre o que são plantas alimentícias não convencionais, suas propriedades e características, formas de plantio doméstico, modos de consumo, entre outros elementos que possam despertar o interesse do público pela inclusão dessas plantas na alimentação. O projeto conta com a parceria da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, campus de Encantado. A diretora Josi Moretto da Conceição Silva, comemora a conquista, destacando que, para uma escola do interior de um município, estar em evidência numa feira da magnitude da Expointer, é um reconhecimento muito importante. “Será uma vivência única, que fortalecerá ainda mais a relação

entre escola e comunidade, respeitando as caracterís-

ticas da realidade onde se vive.”

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Gastrô 16 de agosto de 2019  

Gastrô 16 de agosto de 2019