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“A Síria resistiu ao expansionismo e ao colonialismo sionista”, afirma Ghassan Nseir, Chefe da Missão da Embaixada da República Árabe da Síria A Síria tem sofrido ataques a dois anos de forças poderosas como o imperialismo norte americano e o sionismo israelense. Quais os motivos destes ataques? Ghassan Nseir: Porque a Síria resistiu ao expansionismo e ao colonialismo sionista, que ocupa a Palestina e as colinas de Golan e aos planos americanos que tem como objetivo monopolizar a região para atender aos seus interesses, em detrimento dos interesses dos povos da região e lançou uma ofensiva baseada no princípio de instalar o caos para realizar o plano de chegar ao “Novo Oriente Médio”. Estas orientações não são nenhum segredo, ao contrário, são intenções declaradas pelas autoridades e nos livros de seus mentores, de forma a transformar os habitantes da região, na melhor das hipóteses, em servos destas orientações e estratégias das potências imperialistas, garantindo a posse dos lucros dos recursos naturais da região e, consequentemente, que os habitantes e os recursos da região trabalhem em benefício de seus interesses. É claro que, em momento algum, são levados em consideração os princípios de troca de interesses ou até dividir migalhas com os habitantes originais da região, donos dos direitos originais, inalienáveis e dos quais não abrirão mão. É claro que estes princípios de escravização dos povos e de roubar as suas riquezas não são nenhuma novidade para as potências imperialistas, pelo contrário, já estão entranhados nelas e são motivo de orgulho para elas a cada vez que obtêm sucesso em suas investidas.

EXPEDIENTE

Não é estranho que os EUA apoiem extremistas da Al Qaeda e Al Nusra? Ghassan Nseir: Não, não é estranho que os Estados Unidos da América apoiem os extremistas da Al Qaeda, porque se voltarmos à década de 80, veremos que o líder da Al Qaeda desfrutava de favores dos Estados Unidos. Ele foi criado por eles e pelos emires da Arábia Saudita, que se aliaram para atacar a União Soviética, naquela época, sob o argumento de combater o comunismo e impedir que se disseminasse. A Al Qaeda passou a lutar contra o governo do Afeganistão e contra os soviéticos sob o pretexto de lutar contra os comunistas ateus e infiéis, que é o mesmo pretexto usado agora pelos movimentos takfiristas. Quanto à aparente inimizade, nas últimas duas décadas, entre os Estados Unidos e a Al Qaeda, não passa de um jogo de cena ou porque a necessidade dos Estados Unidos de fazer uso dos serviços da Al Qaeda diminuiu. Parece que agora esta necessidade dos serviços da Al Qaeda e seus “irmãos” voltou e é um instrumento para obter ganhos para os Estados Unidos, através dos ataques ao legítimo Estado sírio, que resistiu às pressões. Ao mesmo tempo, a Al Qaeda ficará ocupada em obter seus ganhos na região do Oriente Médio e, desta forma, não se espalhará pela Europa e pelos Estados Unidos. Por outro lado, o massivo ataque dos países ocidentais contra o Governo da Síria, que não está baseado nas normas legais e sim no diz-que-me-diz da imprensa. É um posicionamento dos

O Jornal Mercosur é uma publicação do Movimento Democracia Direta do Paraná, Brasil. Coordenador: José Gil Editor: Fernando Marques Diagramação: Carla Regina

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Estados Unidos a favor da Al Qaeda. A favor daqueles que, como alegaram os Estados Unidos, mataram milhares de pessoas em 11 de setembro de 2001. Agora eles lutam ao lado daqueles que ceifaram a vida de seus

Ghassan Nseir cidadãos inocentes a 12 anos atrás. A Al Qaeda e Jabhat Al Nusra são duas organizações reconhecidas como terroristas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e é dever dos países combatê-las e não apoia-las. Vejam então que grande feito o Obama, o Cameron e o Holland conquistaram, até porque ninguém confia nos americanos. Os americanos dizem uma coisa pela manhã e dizem exatamente o oposto à noite. E os Estados Unidos nunca seguiram e nunca ouviram as Nações Unidas. Diante de tanto crimes cometidos pelos grupos estrangeiros e mercenários que

atacam a Síria, as Nações Unidas não deveriam estar mais empenhadas em apoiar a Síria? Ghassan Nseir: É dever das Nações Unidas promover todos os esforços para apoiar a Síria, sua independência, sua unidade territorial e acabar com os ataques terroristas contra ela. Assim como a autodefesa é direito dos Estados, garantido na Carta das Nações Unidas, em caso de ataque de forças a um de seus Estados membros (Artigo 51). Assim como é um dos princípios fundamentais das Nações Unidas a manutenção da paz e da segurança internacionais. Então, não sabemos como é possível manter a paz e a segurança internacionais através do apoio aos grupos armados das mais diversas orientações, sem contar que os grupos que ameaçam a paz na Síria são os mesmos declarados como grupos terroristas internacionais. E quando estes grupos ameaçaram a paz e a segurança na Síria, três dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas passaram a defendê-los.

O ataque com gás nas redondezas de Damasco foi obra de extremistas apoiados pelos Estados Unidos e por Israel. Mesmo apresentando provas destes ataques, realizados por extremistas, como fotos e vídeos, os Estados Unidos ainda insistem em acusar o Governo sírio. Por que? Ghassan Nseir: Apesar de apresentar as provas, com fotos, vídeos e outros materiais, de que este ataque foi perpetrado pelos


extremistas e mesmo depois de passarmos para a etapa do debate sobre a aceitação do Governo da Síria em assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Químicas, que era uma questão defendida pela Síria, desde que incluísse o Estado Sionista de Israel, que possui o maior arsenal de armas de destruição em massa da região, o governo americano e seus seguidores continuam repetindo as mesmas acusações, sem nenhuma objetividade ou responsabilidade. Eles mesmos, os Estados Unidos, foram os que usaram as bombas nucleares contra Hiroshima e Nagazaki, os mesmos que protagonizaram uma verdadeira matança contra os vietnamitas, os afegãos, os iraquianos e os líbios, e isso não é nenhuma acusação, são fatos. E agora se dizem zelosos pela vida do povo sírio, para então justificar suas matanças e seus ataques ao governo e suas instituições. Muitos relatórios mostraram os preparativos que estes países, apoiadores do terrorismo contra a Síria e os sírios, fizeram para fabricar os argumentos e pretextos para justificar suas intenções em atacar a Síria e fazê-la sucumbir às suas vontades. Os relatórios mostraram que a Jabhat Al Nusra contrabandeava o gás sarin através das fronteiras com a Turquia e que foi feita vista grossa à este fato. A Síria os desafiou a apresentar provas objetivas sobre este assunto, mas não o fizeram. Nós os desafiamos a apresentarem provas aos seus povos, já que a política externa é feita em nome do povo e seus interesses, mas não o fizeram. E apesar da Câmara dos Comuns da Grã Bretanha se posicionar contra uma participação numa intervenção militar na Síria, seu 1º. Ministro continuou repetindo o apelo para a participação na intervenção. E aqui algumas perguntas se fazem pertinentes: O que as guerras fizeram pelos Estados Unidos? O que o mundo conquistou com a guerra contra a Líbia e seu apoio ao terrorismo naquele país? O que o mundo ganhou com a guerra contra o Iraque e outros? Qual é o interesse dos Estados Unidos em criar as tensões e o extremismo no Oriente Médio? E qual é o interesse deles em continuar com a trajetória iniciada por George Bush, que espalhou as guerras pelo mundo? Se eles pensassem de um modo coerente, veriam que não há interesse nas guerras. Mas a coerência não é a lógica deles em suas posições políticas em muitas situações. O governo Obama ameaça

atacar a Síria. Qual será a resposta do povo e do governo da Síria caso esse ataque se concretize? Ghassan Nseir: O forte deve evitar a guerra e não provoca-la. O forte é aquele que reconhece seu erro. Se Obama fosse forte, ele pararia e reconheceria que não possui provas de que o Governo da Síria utilizou armas químicas. Diria que o único caminho são as investigações das Nações Unidas, então vamos todos voltar ao Conselho de Segurança. Mas até as investigações das Nações Unidas são previamente julgadas ou interpretadas parcialmente conforme os interesses das grandes potências, que na melhor das hipóteses divulgam informações imprecisas ou errôneas em muitos aspectos. Nós temos duas opções: Ou lutamos e defendemos o nosso país do terrorismo ou nos entregamos. Nossa história na região não é uma história de entregas. Nossa região é

marcada por guerras constantes e nós nunca nos entregaremos. Jamais! Porque esta é uma questão nacional, então todos lutam e todos se sacrificam pela pátria. Nós brasileiros somos solidários aos irmãos sírios, pela nossa história de colonização, onde os sírios participaram do progresso e do desenvolvimento da maioria das cidades brasileiras. O que podemos fazer para prestar solidariedade à Síria? Ghassan Nseir: Ouvir a voz dos povos defensores da verdade, a voz dos sírios que rejeitam qualquer tipo de intervenção externa, que rejeitam estes políticos e a mídia que passou, em sua maioria, a transmitir as posições dos países que travam uma ofensiva contra os direitos do povo sírio e para roubar suas riquezas. Que acreditem nas fontes imparciais, sempre que possível, para

Ghassan Nseir, ao centro, durante recente Encontro Inter-religioso e Ecumênico pela Paz na Síria.

compreender o que ocorre na Síria, porque as agências de notícias mundiais, de um modo geral, não são imparciais, assim como as redes sociais, tanto que algumas páginas são bloqueadas, se não servirem aos interesses dos países imperialistas e colonialistas, que buscam através de seus parceiros induzir a movimentos que sirvam aos interesses de suas grandes empresas e aos interesses de uma pequena parcela de seus cidadãos. Estas potências ignoram até mesmo os interesses da grande maioria de seus cidadãos e os interesses dos povos do mundo. Os sírios também apelam para que suas vozes sejam ouvidas pelo governo brasileiro amigo, para consolidar sua posição afirmativa nesta crise fabricada pelos imperialistas, com o objetivo de desmantelar a Síria e abalar sua estabilidade. Esperamos que haja uma contribuição para que a imprensa mude esta imagem da Síria, transmitida diariamente, e especialmente algumas expressões e clichês utilizados por alguns veículos de imprensa, tais como a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, a Globo e a Bandeirantes, e incentivar o Governo do Brasil a consolidar sua posição de apoio ao legítimo Governo da Síria, afirmando o seu direito à autodefesa e ao combate ao terrorismo. Além de atuar no sentido de acabar com as sanções econômicas impostas ao povo sírio. O posicionamento dos povos do mundo contra esta campanha mundial, que tem como objetivo sabotar as conquistas dos povos e explora-las em benefício das grandes potências, ajudará estes povos a preservar o seu direito às suas riquezas e à sua soberania e não permitirá que sejam surrupiados pelas mãos daqueles que querem manter uma ordem mundial onde os braços compridos destas potências mantêm as riquezas destes países reféns de sua vontade. Por fim, não podemos deixar de assinalar a gratidão do Governo da República Árabe da Síria à posição do Governo da República Federativa do Brasil, que sempre buscou defender os interesses dos povos do mundo e preservar seus direitos da ganância do colonialismo e do imperialismo. Agradecemos ao Jornal Água Verde por buscar, incessantemente, a verdade e por sua posição de ouvir a voz do direito e da justiça. Esperamos que a paz justa e ampla impere em todos os cantos do mundo. Tradução: Jihan Fawzi Arar


A grande mentira sobre o 11 de setembro Como é possível uma mentira descarada continuar a ter cobertura da grande mídia de massas, não no sentido de cobrir o fato, mas sim de encobrir os verdadeiros criminosos. Porque não é aceitável que uma mentira monstruosa vá para os livros de história e porque tudo nos últimos oito anos é fundamentado com o 11 de setembro, todas as guerras, todas as restrições da liberdade, todas as leis do Estado policial. A América do Norte NÃO foi atacada por terroristas árabes, mas sim eles próprios o fizeram e criaram um bode-expiatório para poder conduzir sua “War on Terror” e justificar suas guerras planejadas há muito tempo. Mas o pior é que as mídias de massa mantêm até hoje esta mentira do século, que ignoram contradições tão latentes, que protegem e defendem absurdas explicações do governo norte-americano, e difamam e jogam sujeira contra todos que procuram a verdade. Por isso elas são traidoras da humanidade e chegará o dia onde elas terão de se explicar devido à sua ajuda neste monstruoso crime.

CIA e Mossad responsáveis pelo 11 de setembro Ex-presidente italiano declara que o desastroso atentado de 11 de setembro em Nova Iorque “foi planejado e executado pela CIA e pelo Mossad, com ajuda do mundo sionista”. Quando a mídia do sistema vai admitir isso? O ex-presidente da Itália (19851992) e senador vitalício, Francesco Cossiga, fez uma declaração em 30 de novembro de 2007 ao jornal “Corriere della Serra”, o mais respeitado jornal italiano, onde comenta um vídeo da Al Quaida que contém uma ameaça contra Berlusconi, e menciona en passant o atentado de 11 de setembro. Textualmente, ele disse:

“De círculos próximos ao Palazzo Chigi (sede do governo italiano), centro nevrálgico da inteligência italiana, diz-se que a não-autenticidade do vídeo (da Al Quaida contra Berlusconi) foi comprovada pelo fato de Bin Laden ter confessado neste vídeo que a Al Quaida foi responsável pelos atentados de 11 de setembro contra as duas torres de Nova Iorque, enquanto nos círculos democráticos na América do Norte e Europa, principalmente a corrente centro-esquerda italiana, sabe-se que o desastroso atentado foi planejado e executado pela CIA e pelo Mossad com ajuda do mundo sionista, para acusar os países árabes e induzir as potências ocidentais a intervirem na guerra no Iraque e Afeganistão.”

Descobertos mais restos de explosivos no WTC O Dr. Niels Harrit, professor de química da Universidade Kopenhagen, assim como oito outros professores e especialistas analisaram a poeira das torres pulverizadas e encontram lá

nanothermite, um poderoso explosivo que só é utilizado pelos militares. Para se fabricar nanothermite, é necessário laboratórios especiais e um processo de

m² de vidro, 470.000 m² de paredes de gesso, 24.000 m² de revestimento de mármore e 425.000 m³ de concreto!

Sionistas, CIA e militares ganharam muito dinheiro com o 11 de setembro

alta tecnologia, o que Bin Laden não teria em sua caverna. O que fazia a nanothermite por lá? Nanothermite é x-vezes mais energética e destrutiva do que o explosivo convencional. Somente através dela haveria a energia suficiente para pulverizar 200.000 toneladas de aço, 56.000

O que é ocultado com prazer pelo governo norteamericano e mídia ocidental, é que um pouco antes do 11 de setembro de 2001, foram negociadas grandes quantidades de Put-Options que deixaram as ações em queda de determinadas empresas, as quais sofreram danos através do 11 de setembro, como seguradoras, companhias aéreas e bancos, que possuíam escritórios nas torres. Quem sabia que a 11 de setembro algo iria acontecer e quais firmas teriam prejuízo, e especulou com isso? Essas informações confidenciais poderiam ter somente os verdadeiros criminosos e não foi Bin Laden que fechou estas negociatas. A investigação foi paralisada quando veio à tona que sionistas, militares, ex-funcionários e agentes da CIA e graduados políticos estavam envolvidos.

A maioria dos bombeiros que trabalharam para salvar vítimas do atentado de 11 de Setembro foram depois abandonados à própria sorte pelo governo dos EUA. Não receberam tratamento de saúde pela intoxicação sofrida com a fumaça nos escombros. Um país abriu suas portas para atender os bombeiros norte-americanos, fornecendo tratamento médico e medicamentos: Cuba. Exatamente o país que mais sofre com o injusto bloqueio imposto pelos EUA.


Trechos da entrevista do Presidente Dr. Bashar Al Assad à TV Halk da Turquia No início da entrevista, a jornalista perguntou por que a Síria passou a ser alvo dos ataques internacionais e por que passou a ser o centro das atenções do mundo. O Presidente Bashar Al Assad disse que um dos motivos é a importante posição geográfica da Síria e isso não é nenhuma novidade, mas há outros motivos relacionados ao conflito árabe israelense, à independência da Síria em suas posições políticas, que afrontam o ocidente, “sabidamente a favor de Israel e contra os interesses árabes. Além disso, a independência da Síria em seus posicionamentos não agrada ao ocidente, pois atinge seus interesses de manter a hegemonia na região. Foi assim em relação à posição da Síria na guerra do Iraque, assim como na guerra do Afeganistão e na questão do uso da força na guerra contra o terrorismo. O que se quer é enfraquecer a Síria, assim como outros países da região, como o Iraque, o Líbano e a própria Turquia, com o objetivo de abalar o convívio pacífico entre os povos e mudar a estrutura demográfica da região tornando-a um instrumento político de fácil condução”. Quanto à posição da Turquia no conflito, o Presidente Bashar ressaltou que “existem hoje duas Turquias, a Turquia do povo que é contra o que vem ocorrendo na Síria, pois o povo turco é historicamente um povo irmão do povo sírio e tem se manifestado ativamente e veementemente contra a guerra na Síria, e a Turquia de Erdoghan e seu governo, que estão envolvidos até o último fio de cabelo no derramamento de sangue do povo sírio. Erdoghan é responsável pela perda de dezenas de milhares de vidas sírias, pela destruição da infraestrutura da Síria e pela desestabilização da região e não somente a Síria e sabemos que ele interviu no Egito, na Líbia, na Tunísia e em vários países da região e envolveu a Turquia em coisas, políticas e guerras que vão contra os interesses da Turquia e do povo turco”. Sobre o uso de armas químicas, o Presidente Bashar disse que o governo não fez uso destas armas, que não havia motivos para usa-los e mesmo que tivesse, não havia qualquer intenção, por menor que seja, da parte do Estado de fazer uso de tais armas. Afirmou que quem fez uso destas armas foram os grupos terroristas e que foram usadas no dia seguinte à chegada da missão da ONU à Síria com o objetivo de que fosse elaborado um relatório contra a Síria e parcial em favor dos terroristas. A questão estava muito clara, segundo ele. Quanto à questão de algum setor do exército sírio ter usado armas químicas, o Presidente destacou que isso não seria possível porque este tipo de armas é de responsabilidade de uma unidade especial do exército e que não poderiam ser usadas pelas unidades convencionais, pois o seu uso exige um preparo técnico complicado, que abrange várias etapas e um ataque só poderia ser realizado com uma ordem superior. “Então, é impossível que o

exército sírio tenha usado armas químicas”. O Presidente Assad respondeu a pergunta sobre se a destruição das armas químicas agilizaria a realização da Conferência de Genebra II, afirmando que “não vê nenhuma relação entre uma coisa e outra, exceto se os americanos suponham que o acordo entre eles e os russos seja a base para a realização de Genebra II ou se o

tes grupos radicais pelos sírios e se eles tem algum apoio popular ou se os sírios querem ser governados pela Sharia (a lei islâmica), o Presidente disse que de um modo geral não, mas que não há como negar que “na Síria, após a guerra do Iraque, apareceram alguns focos de radicalismo no país mas tinham uma ação limitada porque atitudes radicais eram socialmente refutadas, porém com a entrada

usarem como pretexto político para se chegar a uma Genebra II, caso contrário os dois assuntos não estão correlacionados. A questão de Genebra II está ligada ao processo político interno da Síria de um lado e à infiltração de terroristas vindos de países vizinhos e o apoio financeiro e bélico dado à eles”. No que concerne à pergunta sobre a infiltração de terroristas radicais islâmicos vindos dos quatro cantos do mundo para lutar contra o regime da Síria e contra o partido Baath, o Presidente ressaltou que “não estão interessados no Baath e sim em aniquilar qualquer um que não seja igual a eles, pois estes indivíduos seguem uma ideologia obscura, takfirista (que considera infiel qualquer um que não seja muçulmano wahabita radical). Eles consideram que qualquer pessoa que não siga sua crença, que não seja radical, que não seja takfirista, que não seja violento e não baseie suas ações na matança, na violência, na degola e na mutilação de corpos um não muçulmano. Na visão deles, servir ao islamismo significa eliminar todos aqueles que não o seguem e o Estado que vislumbram estabelecer é um Estado muçulmano conforme suas convicções, que obviamente não tem nenhuma relação com o islamismo, mas este é o objetivo deles. Eles são provenientes de mais de 80 países e são jihadistas que querem estabelecer um Estado muçulmano”. Quanto ao número destes terroristas, o Presidente disse que não há como estimar o número, visto que eles entram pelas fronteiras, especialmente com a Turquia e o número se renova a cada dia, dado ao fato de serem enviados novos contingentes a cada dia. Perguntado sobre como são vistos es-

destes terroristas, estes focos tomaram corpo e passaram a ter influência em algumas regiões”. O Presidente disse que “o perigo não está exatamente nos adultos, mas sim nas crianças, porque quando você dá uma faca a uma criança e a manda degolar um sequestrado, que tipo de adulto você espera ter daqui a alguns anos? O que dizer então de crianças que assistem às degolas como se estivessem assistindo à uma partida de futebol? Que tipo de adultos teremos daqui a 10, 15, 20 anos? Não podemos ignorar que temos um grande problema para o futuro, mesmo que superemos esta crise. Respondendo à pergunta, creio que se o povo sírio não se posicionasse contra essa gente desde o início, eles já estariam no controle da situação”. Em relação à presença das organizações terroristas na Síria, o Presidente alertou que “estes terroristas não tem pátria e não reconhecem limites territoriais porque o objetivo deles é disseminar a sua crença radical, então não importa se o sujeito é do extremo oriente, contanto que ele tenha a mesma crença que eles e portanto é considerado um irmão. Quanto aos outros, são infiéis que devem morrer, então estes grupos que estão agora baseados na fronteira com a Turquia irão atacar os turcos que considerarem infiéis. A crise que afeta a Síria agora já começou a afetar os países vizinhos, como o Iraque, a Jordânia e o Líbano e não tem como não afetar a Turquia. Não é necessário muito raciocínio para entender que o que afeta a Síria, afetará os países vizinhos e a Turquia é um deles e todos pagarão um preço muito caro, porque o terrorismo não é um papel que você dobra e coloca no seu bol-

so, ele é como um escorpião que mais cedo ou mais tarde irá te picar”. Perguntado sobre as reformas reivindicadas e a pluralidade partidária no país e se houve arrependimento de sua parte de não ter atuado para implementar tais reformas antes da crise, o Presidente disse que o processo de reformas já estava em andamento antes da crise e que havia uma orientação para que todas as reivindicações fossem ouvidas, mesmo que algumas fossem feitas apenas para criar uma desordem e ressaltou que as reformas estão previstas na Constituição aprovada pela ampla maioria do povo sírio. “Então a questão não se refere ao Presidente e sim a um processo nacional. Quanto ao terrorismo, é dever do Estado combatê-lo e proteger seus cidadãos. Então, temos uma política muito clara na Síria. É claro que se nos atermos aos detalhes, encontraremos inúmeros erros. Ninguém está livre deles e eles existem em todo o lugar, mas para avaliarmos a eficácia das reformas, é necessário verificarmos os resultados de forma objetiva e isso só poderá ser feito depois de superarmos a crise. Não há como verificar os resultados se a maior parte dos nossos problemas é gerada por fatores externos. Só poderemos avaliar os resultados com precisão e de forma objetiva depois de superarmos a crise”. Sobre a existência do Partido Baath por mais de 40 anos no poder e a necessidade de reformular o partido, o Presidente concordou que “qualquer partido precisa de reformulação e de atualização para acompanhar a evolução dos tempos e isso foi proposto em 2005, durante a conferência do partido, e elaboramos um plano claro para a reformulação, principalmente no que concerne a área política na Síria. Todos sabem que reformas são complicadas e vocês na Turquia começaram este processo em 1950, ou seja, a mais de 60 anos e conforme falamos e já concordamos, a democracia na Turquia precisa evoluir. Então nós estamos falando de um tempo que já incluiu, ao menos, três gerações. Nós na Síria começamos este processo a uma década e para haver uma evolução política precisamos de tempo. Não se trata apenas de leis ou de constituição, tratase de um processo social que depende de cada cidadão sírio. Principalmente em sociedades diversificadas como a sociedade síria e a turca onde existem várias religiões, seitas e etnias. É um processo onde os indivíduos devem se aceitar mutuamente. Mesmo em 2005, quando iniciamos o processo, vários fatores externos afetaram este processo, tais como o levante palestino – a Intifada -, o 11 de setembro de 2001, a guerra no Afeganistão, a guerra no Iraque, o conflito no Líbano, quando Israel atacou o país em 2006 e posteriormente o ataque de Israel a Gaza. Esta sequência de acontecimentos sempre colocou a Síria sob pressão externa, isso sem contar com os ataques ideológicos takfiristas, principalmente por parte da Al Qaeda nas frontei-


ras sírias. É uma ideologia contrária à democracia, que só acredita num único modelo e que não aceita o próximo. Então, você caminha na direção da reforma, enquanto forças internas e externas caminham no sentido contrário. É claro que não é um processo simples e é claro que há responsabilidades, mas se houver atrasos nas reformas, o Estado é responsabilizado, mas se apressarmos o processo, todo o país pagará o preço, tanto o povo, quanto o Estado e suas instituições”. Quanto à mudança de posicionamento do governo turco, o jornalista disse que Erdoghan aconselhou o Presidente da Síria, em várias ocasiões, a levar em frente o processo democrático mas isso não ocorreu, então o que, de fato, ocorria nos encontros entre os dois? O Presidente Bashar Al Assad negou que houvesse qualquer tipo de referência às reformas ou à democracia por parte de Erdoghan antes da crise, “até porque este assunto não diz respeito à ele. Mas Erdoghan sempre teve um objetivo claro para a Síria, que era a volta da Irmandade Muçulmana. Ele atuou ativamente para alcançar uma conciliação entre a Síria e a Irmandade e tentou de todas as formas trazê-los de volta à Síria. Ele não enxergava outra coisa. Quando ocorreram as primeiras manifestações e logo em seguida houve a anistia dos presos, a única preocupação de Erdoghan era a libertação de um punhado de seguidores da Irmandade em detrimento dos outros presos. Essa é a mentalidade de Erdoghan, uma mente fechada, estreita, fanática, que não conhece a honestidade, então tudo o que ele disse não passam de mentiras. Ele tentou dar a entender que quando eles voltaram à Síria, nós fizemos à ele promessas sobre as reformas. À título de que? Será ele o sultão e eu o súdito? A Turquia é um país independente e a Síria é um país independente. Ele nos fez perguntas, logo no início da crise, sobre o que estávamos fazendo e nós explicamos, mas ele nunca falou em democracia e nós nunca fizemos à ele nenhuma promessa e a única relação que ele tem com a crise na Síria é que ele apoia o terrorismo. Nós perdemos a confiança nele desde o início da crise e ficou claro, através das mentiras que ele contou, que ele nunca foi honesto com a Síria ou com o povo sírio. Essa é a verdade dos fatos”. O jornalista perguntou ao Presidente Assad sobre o helicóptero sírio derrubado

recentemente pelas forças turcas nas fronteiras entre os dois países e sobre a verdadeira versão deste acidente. O Presidente esclareceu que “o helicóptero em questão era uma aeronave de reconhecimento que foi mandada para a zona de fronteira para averiguar a informação sobre a entrada de grandes grupos de terroristas através das fronteiras com a Turquia. Este reconhecimento era necessário para que as forças armadas pudessem optar pela melhor forma de agir em relação à eles. Nós anunciamos isso de forma clara e quando a torre de comando detectou que o helicóptero já

Jordânia e na Turquia atenderam ao chamado e retornaram. Ao mesmo tempo, existe uma postura terrorista contra estes refugiados nos países onde eles se encontram, especialmente por parte da Turquia que os mantêm lá para usa-los como um documento humanitário contra a Síria. Se eles voltarem para a Síria, sobre o que o Erdoghan vai falar? Não restará nenhum documento para que ele possa expor no cenário internacional ou incitar as Nações Unidas ou as grandes potências. Por um lado, esta questão está ligada à estes países, por outro, grande parte destes refugiados saiu do país por causa dos terroristas. Existem refugiados que se refugiaram dentro da Síria e outros fora dela por causa dos atentados terroristas. Para que regressem, temos que acabar com o terrorismo que existe dentro de suas terras e vilarejos. Todos os dias nós desejamos o retorno de cada sírio que esteja fora da Síria”. O jornalista questionou sobre a possibilidade de restauração das relações entre a Turquia e a Síria, se elas seriam restauradas enquanto o Partido da Justiça e Desenvolvimento estiver no poder e quais seriam as condições para a normalização das relações entre os dois países. O Presidente Bashar Al Assad respondeu que “é necessário que sejamos precisos sobre as relações entre a Síria e a Turquia. Estas relações não começaram com o Partido da

“O Partido da Justiça não conseguiu afastar o povo sírio do povo turco” havia ultrapassado o espaço aéreo turco por cerca de 1 km, deu a ordem para que a aeronave retornasse para os limites aéreos sírios. Fomos surpreendidos com a derrubada do helicóptero assim que ele retornou ao espaço aéreo sírio. Ele foi derrubado no espaço aéreo sírio e a prova disso é que quem capturou os pilotos e os degolou logo em seguida, de forma brutal, foram os terroristas que estavam em território sírio. Mas nós não reagimos da mesma forma que Erdoghan reagiu quando um avião turco foi derrubado em território sírio, mentindo e argumentando que o avião não ultrapassou os limites aéreos sírios. Nós fomos transparentes e reconhecemos que a nossa aeronave ultrapassou os limites turcos. Eles podiam ter mandado um aviso e caso a aeronave retornasse, o assunto estaria encerrado. A derrubada do avião só mostra que Erdoghan quis, desde o início, se aproveitar do incidente do avião turco para dar a impressão ao povo turco de que a Síria e a Turquia são inimigos. Ele quer mostrar um monstro para que o povo turco tenha medo e se una às fileiras da política de Erdoghan contra s Síria. Ele falhou da primeira vez e falhou novamente. Esta é a história do helicóptero”. O jornalista perguntou se o helicóptero foi atingido pelo ar ou por terra. O Presidente confirmou que foi pelo ar, por parte dos aviões turcos. Sobre os refugiados sírios em território turco, o Presidente afirmou que “eles foram chamados várias vezes para regressar e alguns dos refugiados no Líbano, na

Justiça e sim com o Presidente César. Foi ele quem deu início à estas relações. Até mesmo quando o Partido da Justiça ascendeu ao poder, tentamos expandir as relações nos mais diversos setores. O Partido da Justiça não resume a Turquia como um todo. Isso é lógico. Nós temos uma relação popular e tentamos manter uma relação econômica e uma relação através das fronteiras, longe da influência do Estado. Ninguém sabe quando se vai um partido na Síria ou na Turquia e quando a política vai mudar. Então, o que posso dizer é que o que fizemos é histórico quanto à restauração das relações populares e o que acontece atualmente é uma nuvem que passa pelas relações entre a Síria e a Turquia. Quanto ao Partido da Justiça, creio que ele não conseguiu afastar o povo sírio do povo turco durante este período e a consciência do povo turco em relação ao que acontece atualmente na Síria só tornará mais forte a relação entre os dois países depois de superada a crise. Esta crise que vivemos atualmente é uma experiência histórica que será lembrada pelas futuras gerações, quando o cidadão sírio dirá que seu irmão turco ficou do seu lado. É fundamental que façamos a distinção entre o cidadão e a autoridade, especialmente Erdoghan, Oglo e quem está do lado deles, para estas relações não paguem o preço pelos erros dos responsáveis. Então eu posso te dar uma resposta: Sim, estas relações tem como voltar, não somente ao normal mas sim muito melhores. Quanto à presença ou não do Partido da Justiça no poder, esta decisão cabe ao povo turco, porque nós respeitamos a opinião do povo

turco e não interferimos em seus assuntos internos. O que nos interessa é o Estado que trabalha em prol dos interesses de ambos os povos e não quem faz parte dele. Baseado nisso nós nos relacionamos com o atual governo. Supomos agora que seja um governo da Irmandade Muçulmana e nossa experiência com a Irmandade é muito ruim. Desde os anos 50 até os anos 80, milhares de sírios foram vítimas de sua crença destrutiva e oportunista. Este governo segue a mesma linha e nós não fomos enganados quanto à isso, mas dizíamos: Se esta é a opção do povo turco, então vamos respeita-la”. O jornalista citou que após o início da crise, vários grupos terroristas salafistas se instalaram no lado turco da fronteira com a Síria. São regiões de maioria alauita que vive em estado de tensão por conta da presença destes salafistas. Poderíamos dizer que esta crise tem uma natureza doutrinária? Existe uma preocupação quanto à expansão desta crise? O Presidente respondeu que “a crise na Síria começou à partir de proposições sectárias, considerando que este tipo de proposição poderia desmantelar a sociedade síria através da criação de um conflito entre as mais diferentes seitas, mas eles falharam. A natureza do povo sírio e sua história não são baseadas em seitas. Então, os grupos takfiristas passaram a matar pessoas de todas as seitas, não se restringindo apenas às minorias, como foi dito logo no início e como foi colocado pelos meios de comunicação, tanto turcos quanto regionais, árabes e ocidentais. Eles mataram gente de todas as seitas. Por isso eu não acredito que a questão seja sectária, especialmente quando o Estado e a sociedade estão cientes disso e falam partindo sempre de uma lógica nacional. O problema está na Turquia. Vocês são nossos vizinhos e nós acompanhamos os detalhes do que vem ocorrendo na Turquia, porque o que afeta a Turquia nos afeta também. O problema de vocês não está ligado ao terrorismo, porque o terrorista matará qualquer turco, independente de sua seita. O problema de vocês está no discurso sectário adotado pelo próprio presidente. Eu nunca ouvi uma autoridade utilizar esta lógica, mesmo que acredite nela. Qualquer autoridade deve falar baseado na lógica nacional. É a primeira vez que eu vejo uma autoridade que fala às pessoas discriminandoas conforme suas seitas e seus credos. Este é o verdadeiro perigo para a Turquia. O Erdoghan apoia os grupos extremistas na Síria, então a Turquia será afetada direta e indiretamente por eles. Mas o perigo de Erdoghan está nele mesmo e em seu discurso e talvez ele seja mais perigoso que os próprios grupos terroristas. É isso que nos preocupa na Turquia, o discurso de seu presidente”. Sobre a ida do Presidente do Irã, Hassan Rowhani, aos Estados Unidos, seu encontro com Obama e o reflexo desta visita para a solução da crise na Síria, o Presidente Assad respondeu que o reflexo será positivo, “mas sob a condição de que os Estados Unidos sejam sinceros nesta aproximação. Eu não acredito que algum país do mundo, tanto os ocidentais, quanto os aliados mais próximos, acreditem que os Estados Unidos possam ser honestos em qualquer um de seus passos. Acredito que


os iranianos estão bastante cientes disso, mas se houver alguma aproximação com o Irã, que é um país importante para a região, tanto para a questão síria, quanto para qualquer outra questão e para a estabilidade, isso se refletirá de forma positiva para a Síria. É por isso que vemos esta aproximação de forma positiva. Mas temos muitas dúvidas quanto às intenções dos Estados Unidos, especialmente do que concerne ao respeito à soberania dos países com os quais lida. O problema é que os Estados Unidos se habituaram a lidar com seus agentes, que recebem e cumprem suas ordens sem discutir, mesmo que esta ordem seja contrária aos interesses do povo daquele país. O Irã não é um desses países, então como será esta relação? Eu desconfio que os Estados Unidos aceitem um país que tem orgulho de sua civilização, de sua história, de seus avanços e que se respeita como um Estado iraniano”. Seguindo na mesma questão da confiança, o jornalista ressaltou que havia uma relação de confiança entre a Síria e a Turquia antes da crise e que esta confiança ficou abalada por conta da posição hostil de Erdoghan em relação à Síria. O jornalista perguntou se houve decepção em relação à sua posição com Erdoghan e se há arrependimento em ter mantido estas relações com ele. O Presidente disse que não houve nenhuma surpresa com o que Erdoghan fez em relação à Síria. “Como eu disse, a base do pensamento de Erdoghan é a base da Irmandade Muçulmana e o histórico da Irmandade Muçulmana é um histórico de oportunismo. Por outro lado, nós nunca nos enganamos sobre a verdadeira face de Erdoghan porque em mais de uma oportunidade ficou claro para nós o seu oportunismo. Mas num contexto geral, nós o tratávamos como o presidente de um país grande, vizinho e importante para nós. É claro que alguns pontos não estavam claros ou mais especificamente, não esperávamos que o seu oportunismo chegasse à este nível de desumanidade, de hipocrisia e de bitolação”. O Presidente acrescentou: “Quando você lida com a mentalidade da Irmandade Muçulmana, este é o resultado natural, porque estamos falando de uma experiência que vem se arrastando desde a década de 50, ou seja, por mais de 60 anos, então não é nenhuma surpresa para nós. É claro que a relação pessoal não tem nenhum peso porque entra um e sai outro, o importante é como vamos preservar as relações entre a Turquia e a Síria em nível popular dos reflexos do que o Erdoghan fez na Síria. O povo turco é um povo irmão e é importante que continuemos agindo desta forma. Fora isso, não temos nenhuma decepção ou arrependimento”. O jornalista insistiu que havia uma relação pessoal entre os dois presidentes, que ultrapassava os limites do protocolo entre dois países, e perguntou quais eram os pontos em comum entre o Presidente Bashar e o Presidente Erdoghan, sendo que esta é uma curiosidade tanto do povo turco quanto do povo sírio, e por que esta relação continuou apesar da sabida proximidade dele com a Irmandade Muçulmana e suas posições sobre este assunto. O Presidente respondeu que é verdade que havia uma relação pessoal, mas que “nós, como pessoas do Oriente Médio, acabamos nos envolvendo nestas relações pes-

soais e tentamos, em nível oficial, fazer uso destas relações pessoais para servir aos interesses dos nossos países. Era isso que supunha a relação com Erdoghan em nível pessoal. Quanto à sua pergunta sobre o lado humano, o lado ético, como uma pessoa pode se transformar de irmão em inimigo? Como uma pessoa que fala sobre seus irmãos sírios e que, aparentemente, bateu de frente com Israel para defender o povo palestino, pode se transformar assim numa pessoa que apoia o terrorismo que matou milhares de sírios? Em nível pessoal, isso só mostra que ele não é uma pessoa normal. O ponto mais impor-

“Erdoghan é uma mistura de problemas pessoais e da crença na doutrina da Irmandade Muçulmana” tante que todos devem saber e que o povo turco já sabe é que Erdoghan é um fanático. É isso que ele é, falando de forma transparente, já que você quer saber do lado pessoal. Normalmente, eu não dou importância à este aspecto, mas se o lado turco quer conhecê-lo, posso dizer que ele é um desequilibrado, que não tem um nível mínimo de ética. Se ele tivesse o mínimo de ética e se houvesse algum desentendimento com alguém, ele poderia se afastar e manter isso no nível pessoal, mas qual é a culpa do povo sírio nisso? Acredito que ele é uma mistura de problemas pessoais e da crença na doutrina da Irmandade Muçulmana”. Quanto à questão dos curdos na Síria e a posição do governo em relação ao partido curdo e a posição do partido curdo em relação ao governo e se este partido apoia ou não a Al Qaeda, o Presidente deixou claro que “devido aos ataques dos grupos terroristas apoiados pelos países vizinhos, por países árabes e potências ocidentais, alguns vilarejos onde não havia exército ou forças de segurança, foram obrigados a formar grupos armados para

defender suas cidades e vilarejos. Este é o caso dos curdos que vivem na Síria. Eles estavam se defendendo como todos os cidadãos sírios, até porque eles adotaram uma posição decisiva de se posicionar do lado da pátria e do Estado para combater os terroristas. Eu acredito que os curdos estejam defendendo suas áreas e estão cumprindo com seu dever cívico. Não há como correlacionar esta postura com a posição de um partido. Não é uma questão partidária e não tem relação com a ligação destas pessoas com o Partido Trabalhista do Curdistão. É uma questão popular pertinente aos curdos, assim como é para todos os setores da sociedade síria. Isso não significa que a Síria quer voltar ao passado para ver seus irmãos turcos morrendo nos combates entre o exército turco e os curdos. Para enfrentarmos o terrorismo, estamos contando com todos os setores e com qualquer grupo que queira defender a pátria, incluindo os curdos, seus partidos e suas divisões”. Sobre as reivindicações dos curdos para ter um Estado independente, o Presidente disse que esta crise mostrou o patriotismo dos curdos da Síria e a posição deles deve ser levada em conta em qualquer sistema político futuro e isso não depende da posição de um presidente ou um governo e sim da união das forças sírias, que devem se sentar à mesa para discutir um futuro sistema político para a Síria. “Seja qual for o sistema proposto, seja ele uma federação, uma confederação, um sistema presidencial ou parlamentar, ele deve respeitar a constituição aprovada pelos sírios. Este assunto não está sendo discutido agora na Síria porque todos os sírios estão ocupados defendendo seu país. Ele só é discutido na imprensa. Enquanto não nos livrarmos do terrorismo, esta conversa não tem sentido. Existe um consenso na Síria entre todas as correntes políticas, populares, étnicas e religiosas sobre este assunto. E tudo está ligado à visão comum do povo sírio. Eu não posso, aqui, em algumas palavras, resumir o que pensa o povo sírio. Nós ainda não conversamos sobre isso. Mas creio que se a Síria superar esta crise, ela alcançará uma unidade nacional muito mais forte do que a previamente

existente, em consequência dos acontecimentos que provaram o nacionalismo dos curdos”. O jornalista se referiu à presença do Hezbollah na Síria e perguntou sobre sua participação nos confrontos, sua efetividade e sobre o volume do apoio militar dado pelo Hezbollah à Síria e como é esta presença em território sírio. O Presidente Bashar respondeu com outro questionamento: “Supomos que todo o efetivo do Hezbollah venha para a Síria. Qual é o efetivo do Hezbollah em relação ao Líbano? E qual é o tamanho do Líbano em relação à Síria? Vou mencionar uma porcentagem: A Província de Homs, vizinha do Líbano, tem o dobro da área do Líbano. Então qual é a lógica em dizer que o Hezbollah é uma presença na Síria. É impossível. Mesmo que ele quisesse ou mesmo que nós quiséssemos. O Hezbollah esteve presente nas fronteiras entre o Líbano e Homs, quando houve um ataque dentro dos territórios libaneses através da fronteira com Homs, durante uma ofensiva dos terroristas aos territórios libaneses por considerarem que este partido está ao lado da Síria ou porque alguns membros dele na região apoiam a Síria. Esta situação perdurou por um ano e o Hezbollah tinha que revidar estes ataques. Havia também uma cooperação entre a Síria e o Hezbollah para acabar com os terroristas naquela região. Tivemos sucesso nesta missão. Quanto às relações militares entre a Síria e o Hezbollah ou entre a Síria e o Irã, como sempre é mencionado, estas são relações antigas. Não há nada de novo nisso. Nós sempre trocamos visitas, cooperamos e trocamos experiências. Isso é natural porque o nosso inimigo é um só: Israel, que ocupa os territórios sírios e ataca o Líbano ao mesmo tempo. É claro que houve presença, mas numa área limitada, como forma de autodefesa e nós defendemos o nosso lado para proteger os cidadãos sírios”. O jornalista perguntou pelo número de presos políticos, acadêmicos, deputados, jornalistas e estudantes e sobre quantas decisões de pena máxima o Presidente assinou. Também perguntou se ele se consi-


dera um ditador. Ele disse: “Como você vive na Turquia, se formos nos comparar à Turquia de Erdoghan, então não existe comparação. Conforme a avaliação de uma organização que mede a liberdade de imprensa, a Turquia é hoje a maior prisão do mundo para os jornalistas. Nós não temos isso na Síria e nunca tivemos. Nós não temos casos de assassinatos de jornalistas e nem de aplicação de pena máxima para pessoas que expressaram alguma visão política. Até mesmo para a Irmandade Muçulmana, que teve seus membros executados, conforme uma resolução de 1980, por cometerem atos que ceifaram a vida de inocentes na Síria. Nenhum caso em absoluto. Quanto a presos políticos por causa de suas visões políticas, posso afirmar que na Síria temos uma oposição que ataca o governo constantemente. Então por que não colocamos toda essa oposição na cadeia? Não seria lógico prendermos alguns e deixarmos outros. Nós temos uma lei muito clara e só vai preso quem contraria a lei.

A oposição existe de forma declarada e vocês podem ir até lá e se encontrar com ela, ouvir suas visões e suas propostas”. Perguntado se o Partido Baath obteve sucesso em seu projeto cívico, nacional e ideológico após três anos de resistência do exército e do povo sírio, o Presidente Assad disse que são inúmeros os motivos, mas antes mesmo da unidade do exército vem a unidade do povo, porque sem um povo unido o exército não se manteria unido.“Nosso povo tem esta crença, uma crença nacional e cívica. O primeiro motivo é a consciência do povo sírio, o patriotismo do povo sírio e sua abertura em qualquer sociedade, apesar de todas as dificuldades que a Síria vem atravessando a mais de uma década. Em segundo lugar o exército, que teve, sem dúvida, um papel fundamental na manutenção da unidade dos territórios sírios até agora, sua resist��ncia e o enfrentamento, ao lado do povo sírio, dos ataques terroristas vindos do exterior. Existe outro aspecto: esta batalha não é que foi divulgado, ou seja, não é pela presidência ou pelo cargo. Nenhuma batalha dura por mais de dois anos e meio por causa de um cargo ou por causa do interesse de um grupo. Neste caso, uma pessoa vai embora e entra outra no lugar e a questão estará resolvida. Todos já estenderam este conflito, minha posição como Presidente e a posição do Estado na defesa da unidade territorial da Síria. Especialmente porque, no início, houve uma conjectura de que os territórios seriam desmantelados para formar três ou quatro pequenos países, então os sírios se uniram para defender sua unidade territorial. Estes são os principais motivos”.

Quanto às recentes manifestações populares na Turquia, iniciadas no mês de junho, o Presidente Assad disse que acompanhou as manifestações com atenção e que elas são um indício da rejeição do povo turco ao governo e ao chefe de governo e suas mentiras, que em alguns aspectos estão relacionadas à Síria. E Acrescentou: “Não podemos dizer que este levante popular está relacionado somente ao que ocorre na Síria ou à política externa do país. Nem podemos dizer que se refere apenas à questões internas que tratam do próprio quintal de casa. Foi uma mistura entre os dois assuntos e um indício, para nós sírios, sobre a orientação do povo turco da qual falamos anteriormente. Sobre o futuro da Síria caso a crise venha a ser superada, o Presidente Assad disse que espera para o futuro uma maior unidade e uma maior consciência por parte do povo e disse estar otimista em relação à esta questão. O Presidente ressaltou que esta pergunta parte da ideia sobre qual o melhor sistema político para a Síria, baseado em sua composição social ou na situação política em que vive, principalmente no que se refere ao conflito com Israel e a não devolução dos territórios até agora. “Existem muitos aspectos que irão definir o melhor sistema político para a Síria, porque quando você tem territórios ocupados e conflito militar é diferente de quando você vive numa situação de paz. Existem muitas ideias que estão sendo discutidas, mas creio que o melhor é o que convém ao povo sírio, é o consenso do povo sírio. A essência deste sistema deve ser a ampla participação dos sírios na construção do Estado e na tomada de decisões. Este é o princípio básico”. Perguntado se continuará na presidência, ele respondeu que se sentir que o povo sírio quer que ele fique, ele se candidatará. Se a resposta for não, não se candidatará. “Não existe problema nesta questão. Já estamos no décimo mês do ano. Creio que em quatro ou cinco meses, teremos um cenário mais claro quanto à mim, mas hoje, diante das mudanças e da atual conjuntura, é difícil dar uma resposta precisa. Não terei dúvidas quando eu perceber que as coisas estão caminhando na direção da vontade popular”. O jornalista disse que há uma curiosidade sobre Maher Al Assad, irmão do Presidente, porque existem boatos de que ele estaria morto, enquanto outros afirmam o contrário. O Presidente Assad respondeu que todos os tipos de boatos sobre a sua família já foram disseminados durante a crise. “São mentiras sem nenhuma base. Nós aqui na Síria temos um ditado e talvez seja usado na Turquia também: Onde há fumaça, há fogo. Neste caso era fumaça sem fogo. Sim, ele está vivo, trabalhando e com saúde”. Quanto à rotina pessoal do Presidente e sua família e o quanto a crise tem o afetado, ele disse que “a crise na Síria tem sido muito dura e afetou todos os lares. Afetou as construções das casas e portanto as famílias que nelas viviam, afetou pessoas, perdemos pessoas que amamos, familiares, vizinhos, amigos, afetou a qua-

lidade de vida e aumentou a pobreza na Síria. Nos afetou psicologicamente. Praticamente não existe nenhuma casa na Síria que não tenha sido afetada de uma forma ou de outra. Na prática, hoje você não vê nenhuma alegria nas casas. A alegria não

ar nesta linha, sem levar em consideração os instrumentos do governo. Temos que construir a história e não permitir a interferência das grandes potências e não permitir líderes que querem transformar os seus países em veículos para as grandes potências, para guia-los ao seu bel prazer, não vamos permitir à estes líderes que estraguem nossas relações. Por outro lado, quero apresentar meus cumprimentos ao pessoal da imprensa, à toda a imprensa turca, que teve a coragem de contar a verdade sobre o que ocorre na Síria. Pela coragem que tiveram diante da repressão e das ameaças exercidas por Erdoghan contra os jornalistas. Vocês sabem e nós sabemos que muitos veículos de imprensa turcos quiseram vir à Síria, mas foram proibidos e ameaçados. Alguns pagaram o preço sendo presos ou com danos materiais ou coisa parecida. Também não podemos deixar de mencionar a importância aos atos dos partidos turcos, encabeçados pelo Partido do Povo, que manteve uma firme tem mais lugar na Síria. A tristeza tomou posição, por mais de dois anos e meio, e conta de todos nós. Isso certamente afeta não se abalaram, mesmo com todo o diqualquer família. Existe uma grande dife- nheiro e o apoio externo que Erdoghan rença entre uma família que vive numa obteve. Todos eles foram a expressão do situação alegre e uma família que vive povo turco, por isso estou tranquilo quannuma situação triste. Nossa família foi afe- to ao futuro das relações entre a Síria e a tada, assim como todas as outras famílias. Turquia. Esses que estão aí são figuras pasNão há dúvidas de que o terrorismo diá- sageiras. Erdoghan e Davioglo são só fanrio, o lançamento de foguetes em bairros tasmas. São figuras passageiras que serão residências, a possibilidade de haver ex- marcadas pelo lado negro da história, plosões e assassinatos como indivíduos resafetou a movimentaponsáveis pelo derra“Nosso povo tem a ção das pessoas e as mamento de sangue crença na união, uma na região, como pesrelações sociais. Nós também fomos afetaque quiseram ser crença nacional e cívica. soas dos. Mas existem coimarionetes nas mãos O primeiro motivo é a das grandes potêncisas fundamentais que não devem mudar, ou consciência do povo sírio, o as, especialmente os melhor, que temos que Estados Unidos, apetentar não mudar: Em patriotismo do povo sírio”. nas para realizar seus primeiro lugar o trabainteresses , mesmo lho para qualquer família síria, em segun- que sejam às custas dos sírios e dos turdo lugar a relação familiar e talvez a atual cos. Se enxergarmos as coisas desta forsituação leve as pessoas a fortalecer seus ma, estaremos no mesmo caminho. Creio laços familiares e a manter um diálogo. que a Síria e a Turquia são capazes de consTalvez estes acontecimentos sejam o im- truir seu futuro com as próprias mãos e o pulso para que cada pai e cada mãe man- futuro da região como um todo”. tenham uma relação mais próxima com Por fim, o jornalista perguntou ao Sr. seus filhos, para protegê-los das coisas Presidente como ele se define. O Presidente erradas que foram a causa do início da crise disse: “Qualquer crença minha, tanto pona Síria e que abriu as portas para a entra- lítica ou qualquer outra, que não esteja de da dos fatores externos. Em qualquer si- acordo com os interesses do meu país, não tuação, sempre há o lado negativo e o lado significa nada para mim. É fundamental positivo. Temos que pensar na lição posi- que haja uma ligação entre as minhas contiva que devemos aprender com esta crise. vicções e a realidade. A realidade muda. Este é meu pensamento”. Então será que a realidade mudou de forma contrária aos interesses? RevolucionáO jornalista disse que veio da Turquia rio. Para que as pessoas enxerguem a recarregando uma mensagem de paz e qual volução com outros olhos, eu sou a favor seria a mensagem de paz do Presidente ao da mudança radical. Prefiro a mudança povo turco. O Presidente disse:” Gostaria radical, mas sem nos desprendermos do de cumprimentar o povo turco através do passado. Prefiro a mudança radical mas Canal Halk e do Jornal Yurt e expressar sem destruirmos o país para dizermos que minha consideração por tamanha consciência. Porque não se trata apenas de uma fizemos uma mudança radical. A mudanposição, pois se as coisas tivessem toma- ça radical não significa que as coisas tem do outro rumo, mudariam a história da re- que acontecer de repente. Ela tem que gião. Quando permitimos às grandes po- ocorrer em etapas. Eu sou a favor das etatências, à cerca de 100 anos, que nos in- pas, porque elas permitem que você avafluenciassem como povos, tivemos um lie o que está fazendo, para que você esteconflito que se estendeu por mais de oito ja apto a fazer a mudança. Eu posso dizer, décadas. O conflito não tem significado e independente do nome que se dá à isso, não tem base. O que conquistamos nos que sou uma pessoa racional e realista”. últimos 13 anos, desde a visita do PresiFonte: Boletim de Notícias da dente César à Síria até o início da crise, é Embaixada da República Árabe um fato histórico. Nós, como dois povos na Síria e na Turquia, temos que continuda Síria - Brasília


Missa pela paz na Síria, na Igreja Ortodoxa São Jorge de Curitiba

Parte das autoridades e convidados presentes à Missa pela Paz na Síria, realizada no último dia 15 de setembro em Curitiba, na Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba, na rua Brigadeiro Franco, 375. Participaram religiosos cristãos e muçulmanos, demonstrando a busca maior pela paz, dentro dos ensinamentos de amor ao próximo que move todas as religiões. A missa foi celebrada por Dom Damaskinos Mansour, Arcebispo do Brasil, padre Jorge Rosá, e contou com a presença do Sheik Mohammad Sadek Ebrahimi da Mesquita Iman Ali ibn Abi Tálib, de Curitiba.

Nações Unidas elogiam a política da Síria Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) realizam uma missão sem precedentes na Síria, cujo governo vem recebe reconhecimento internacional pela colaboração e compromisso com o plano de verificação e destruição do seu arsenal químico. Nesta segundafeira (7), o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, emitiu uma declaração otimista sobre o processo e sobre o longo prazo do plano, acordado entre a Rússia e os EUA, e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. Ban Ki-moon revelou que 100 especialistas internacionais permanecerão cerca de um ano na Síria, em uma missão que “buscará conduzir uma operação que, por suas características, para simplificar, nunca foi tentada antes”. O informe de Ban foi transmitido ao Conselho de Segurança, para abordar a supervisão da destruição das armas químicas na Síria, segundo acordado com o governo do presidente Bashar Al-Assad. Entretanto, o secretário-geral também ressaltou o grande risco que os membros da mis-

são enfrentam, com o receio de um ataque dos grupos rebeldes contra a equipe. Recentemente, uma grande ofensiva dos grupos armados no nordeste da Síria ressaltou a iminência das ameaças aos inspetores internacionais no país. Na semana passada, um grupo de 19 peritos da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) chegou à Síria para executar a resolução 2118 do Conselho de Segurança, aprovada em 27 de setembro, para estabelecer as linhas do acordo geral alcançado no mês anterior entre Rússia e EUA. A resolução logrou suspender a retórica de guerra promovida pelos Estados Unidos contra o governo sírio, depois de a oposição armada no país e no exterior acusar as forças oficiais de lançar um ataque químico contra civis da região de Ghutta, na região da capital, Damasco. O governo sírio rechaçou categoricamente as acusações, que considera parte de um plano para favorecer a intervenção militar estrangeira no país e desviar a atenção da equipe de peritos internacionais que já estava na Síria, a convite do go-

verno, para investigar outras denúncias de uso de armas químicas. Já neste fim de semana, o secretário de Estado norte-americano John Kerry, em encontro com o chanceler russo, Serguei Lavrov, saudou o início do processo de desarmamento químico na Síria. O arsenal químico da Síria é estimado em 1.000 toneladas de gás Sarin e outros agentes, e deve ser destruído até meados de 2014, de acordo com o plano.


Um brasileiro na realidade da Síria O conflito na Síria nos traz mais incertezas, do que realidades. Seja pelo lado americano, como também pelo lado russo, mas na verdade o mundo parece não querer ver a realidade do lado sírio. Como diria um grande analista de política internacional, “o conflito é da Síria, é um conflito doméstico, e deve ser tratado como tal, e resolvido pelos sírios”. Mas por trás dos problemas, existem outros interesses, sobre a própria lógica realista dos Estados Unidos e da própria Rússia, sem contar a onda terrorista, crescente no Oriente Médio. As lógicas precisam ser analisadas de outra forma. O próprio relatório da ONU sobre os ataques com armas químicas, nos trazem impressões dúbias, e de uma forma geral precisamos entender a geopolítica do petróleo para analisar com mais profundidade os impactos para os Estados Unidos (leia-se Qatar), os impactos com o Irã, o potencial conflito com Israel (latente e contínuo) e até mesmo a perda competitiva que a Rússia teria com um oleoduto atravessando a Síria. O conjunto é mais complexo do que se possa imaginar. O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o brasileiro e engenheiro mecânico, Carlos Tebecherani Haddad, que vive entre Santos no Brasil, e Damasco na Síria. Carlos Tebecherani Haddad, além de engenheiro, também é advogado, e fala diversas línguas. Desenvolve negócios internacionais há mais de 30 anos, e hoje se dedica aos negócios entre Brasil e Síria. O mesmo, além de sua visão pacifista, vê oportunidades nas relações entre Brasil e Síria, considerando inclusive a postura brasileira de paz, e também a oportunidade em função do bloqueio econômico dos Estados Unidos e da Europa para com a Síria. Sua visão é muito oportuna, e bem realista do que está acontecendo hoje na Síria. Confira a seguir alguns trechos da entrevista: Há anos o senhor desenvolve projetos e negócios com a Síria, conte-nos um pouco de sua história nestas relações entre Brasil e Síria? Carlos Tebecherani Haddad: Eu sou Engenheiro e Advogado por formação acadêmica, com experiência de 40 anos na Engenharia e 15 anos como operador do Direito. Também adquiri grau acadêmico de Mestre em Engenharia e em Administração, o que me alargou os horizontes profissionais, na medida em que a docência universitária também acabou por prestar forte colaboração na condução do meu trabalho para a consultoria em Estratégia e Competitividade, áreas nas quais eu me dedico à formulação de estratégias empresariais para atingir a competitividade, pelas empresas às quais eu presto meus serviços. É sabido que o cenário de negócios, diga-se desenvolvimento econômico, exige que as empresas formulem e implementem estratégias que as levem a serem competitivas. Isso significa que elas têm que se posicionar para serem tão viáveis e boas quanto todas as estrangeiras que atuam no mercado internacional.

Mesmo que uma empresa não vá exportar os seus produtos, ela tem que se equiparar ao todas aquelas que atuam no mesmo segmento, sob pena de, assim não sendo, terem os seus espaços invadidos por companhias estrangeiras que tomar-lheão os clientes e ocuparão o seu lugar no mercado, levando-a, incontornavelmente, à ruína. E vivemos, hoje mais do que nunca, na era da inovação, modelo esse que será o tom e o caminho para o futuro e a prosperidade, na medida em que não há mais fronteiras, a China não fica mais longe daqui do que a distância das pontas dos nossos dedos para o teclado do computador, ou dos dispositivos “touch screen”, como hoje são comuns. Na década de 1990 eu fiz as primeiras prospecções de negócios entre o Brasil e o Oriente Médio, região que eu conheci por ter trabalhado nela, e por lá morado algum tempo, como Engenheiro de uma empresa brasileira fornecedora de equipamentos de defesa para alguns países da região. Naquela época eu iniciei os primeiros contactos com empresários e companhias árabes, buscando entender as suas culturas e, como objetivo maior, identificar as suas necessidades e carências de produtos, serviços e tecnologia. O Oriente Médio, incluindo os países não árabes, como o Irã, por exemplo, é um dos maiores mercados do mundo, tanto pela população como pela riqueza dos países e o grau de desenvolvimento por eles atingido. No que tange à Síria, após o trabalho executado naquele país na década de 1990, e que sofreu uma paralisação até há pouco tempo, com o início da crise lá instalada no ano de 2011, abriram-se novas oportunidades em face do embargo e boicote que o Ocidente aplicou ao país. A Síria, mesmo sob ataque estrangeiro, boicotada e sob embargo, precisava, como precisa, continuar a viver, a seguir o seu caminho, proporcionando aos seus cidadãos condições decentes de vida e bem estar social. Já tendo feito diversas viagens de negócios à Síria, assim como ao Líbano e Iraque, então eu percebi que já havia um patamar de confiança construído entre mim e algumas organizações oficiais e privadas daqueles países, fato esse que me estimulou a dar seqüência ao trabalho iniciado anteriormente. Sendo um dos diretores da FEARAB América, Federação das Entidades Árabes da América, e diretor cultural do Clube Sírio-Libanês de Santos, eu havia angariado uma rede de amizades e relacionamentos bastante significativa e respeitável entre a comunidade árabe brasileira e também nos países do Oriente Médio. E esse foi o caminho tomado, quando eu decidi me instalar na Síria, em Damasco, abrindo um escritório de consultoria, assessoria e assistência técnica em relações internacionais, comércio exterior entre o Oriente Médio e a América Latina. Esse escritório é dedicado tanto à prospecção de oportunidades e negócios quanto à orientação de empresas, organismos e organizações brasileiras do

Oriente Médio na formulação de estratégias comerciais e tecnológicas que tenham poder de propulsão dessas empresas e organizações para atingirem maiores alturas e autonomia nos seus ramos de atuação. Eu tenho a firme crença de que quando há uma situação ou circunstâncias de grandes dificuldades, como ocorreu, e ainda acontece nos dias atuais, nos países do Oriente Médio, como o Líbano, Palestina, Síria, Iraque, Irã, a construção de estruturas de amizade, confiança e até fraternidade com aqueles povos e nações é uma vantagem extremamente respeitável e significativa para a abertura de portas, corações e mentes, que levarão ao fortalecimento dos laços entre os países e solidificação das relações internacionais. E relação significa ligação, laços, liames, de maneira que “o meu amigo é você” deve ser a frase que se deseja ouvir do interlocutor internacional, em casos como esse. Pela cultura dos povos árabes e médioorientais, que eu estudei muito, até mesmo pelas minhas origens, os negócios são feitos muito mais entre os amigos do que entre os fornecedores que oferecem preços mais baixos. Ou seja, o aperto de mão e a confiança mútua são muito mais importantes do que tabelas de preços e planilhas de especificações de produtos. É preciso, estrategicamente, investir no estabelecimento dessa confiança mútua, que levará, seguramente, ao intercâmbio de produtos, idéias e conhecimentos, construindo-se pontes entre as empresas, organismos e organizações de ambos os lados, que acabarão encadeadas. Essa estratégia de apresentação, alinhamento e ajuda ao amigo do Oriente Médio é a chave para ser viável competitivo e próspero entre eles. E vice-versa, ou seja, tê-los como nossos bons e fiéis fornecedores, em tudo o que eles têm para nos oferecer. As informações atuais sobre o conflito na Síria, de uma forma geral, estão desencontradas, considerando os reais interesses entre Estados Unidos e Rússia, na sua visão quais os reais atributos do conflito atual? Carlos Tebecherani Haddad: As informações atuais sobre o conflito na Síria não estão desencontradas, mas representam mentiras completas, irretorquível e inafastavelmente. Os atributos do conflito atual são os mesmos de uma guerra de dominação, nunca de uma guerra civil. Pela quantidade de países envolvidos

direta ou indiretamente, cerca de 52 do lado do Ocidente, contando-se os membros da OTAN, contra a Síria e os seus aliados, Rússia, Irã, China e Líbano, não seria exagero dizer-se que podemos estar assistindo a uma espécie de Terceira Guerra Mundial. Nesse diapasão, é solarmente claro que os meios de comunicação do Ocidente, a imprensa em geral e na sua inegável maioria, mentem, distorcem os fatos e mostram situações que nada têm a ver com o verdadeiro conflito na Síria. Em primeiro lugar, não se trata de uma guerra civil, mas tão somente uma guerra estrangeira contra a Síria. Não há, na Síria, povo lutando contra povo. Ou povo local, a população no geral, lutando contra o exército nacional. Não há essa situação. Na Síria de 2011 até hoje, o que há é uma invasão de 125 mil mercenários terroristas fortissimamente armados, treinados nas bases da OTAN na Turquia pelas forças especiais da Inglaterra, França e Estados Unidos, e pagas pelas petromonarquias do Golfo, destacadamente pela Arábia Saudita e Qatar. O objetivo desses países é derrubar o governo legítimo da Síria para instalar no seu lugar um governo fantoche, títere, que garanta àqueles países a implementação dos seus planos de poder e dominação. É, em termos mais simples, a realização de uma solução logística, quer-se dizer, de um sistema logístico de dutovias para escoamento de hidro carbonetos. Isso porque o verdadeiro problema na Síria é que querem os citados países construir um gasoduto do Qatar para a Turquia, e da Turquia para a Europa. Com esse gasoduto, eles pretendem asfixiar a economia do Irá e da Rússia, que são os maiores fornecedores de gás e petróleo para a Europa. Igualmente, esse gasoduto será estendido da Turquia para Israel, em uma instalação submarina, já em fase de construção. E o Qatar não poderia ser


acusado pela Liga dos Estados Árabes de fornecer gás para Israel, porque eles diriam que não estariam fazendo isso, mas a Turquia sim, eximindo-se dos votos de condenação que receberiam dos demais países da Liga. E para a construção dessa dutovia, ela terá que passar pelo território da Síria em uma extensão de 800 km, com uma largura de faixa de segurança total de 20 km, 10 km de cada lado dos dutos, constituindose uma área total de 16 mil quilômetros quadrados, significando 60% mais do que a superfície total do Líbano. O problema mesmo é que a Síria tem que, absurdamente, abdicar da soberania desse território todo, que passará ao domínio da companhia de petróleo que iria operar o modal logístico pretendido. Como essa hipótese é impensável, então se estabeleceu esse conflito, com os meios de comunicação ligados aos interesses ocidentais divulgando descarada e massivamente as mentiras que estamos a assistir todos os dias. Na hipótese de obterem os países interessados êxito nessa empreitada, a Rússia, tanto quanto o Irã, seria afetada tanto pela enorme perda de mercado para o seu gás, como pelo consequente fechamento da sua única base militar mantida fora do território russo, que é a base naval de Tartous, na Síria. E, ainda, por conta dessas perdas, a sua influência no Oriente Médio seria grandemente afetada, sem dúvida alguma. Quanto aos Estados Unidos, eles não têm capacidade de manter uma guerra como a que poderá ocorrer, caso um ataque militar de uma força estrangeira ocorra, na medida ameaçada por Obama. Os Estados Unidos definitivamente não estão envolvidos nessa crise por motivos humanitários, nem tampouco os de garantia de direitos humanos, ou para a implantação de suposta democracia. Eles estão atolados até o pescoço nessa crise para a garantia de que a dutovia qatari-turca seja construída, assim como a turca-euroréia e a turca-israelense. Ou a qatari-européioisraelense, via Turquia. Os Estados Unidos estão nessa “coalizão” pelos mesmos motivos que estiveram no Iraque, na Líbia e nas demais 48 guerras que eles se fizeram presentes, das 52 ocorridas no mundo todo nos últimos 120 anos. Como disse certa vez Henry Kissinger, quando era Secretário de Estado americano, “os Estados Unidos não têm amigos, mas interesses”. A comunidade internacional insiste em chamar o Presidente Assad de Ditador, como o senhor vê o Governo de Assad e o momento atual? Carlos Tebecherani Haddad: Quem insiste em chamar o Presidente Bashar Al Assad de ‘ditador’ não é a comunidade internacional, mas tão somente os meios de comunicação ocidentais, a imprensa. E essa qualificação só teria dois motivos para ocorrer: por ignorância, ou por extrema má-fé. Todavia, eu não acredito que os jornais, revistas, agências de notícias sejam ignorantes, que ignorem coisa alguma nesse mundo de Deus em que vivemos. Portanto, esses órgãos de imprensa e

notícias não ignoram que a Síria é uma república parlamentarista, e o Presidente da República é o chefe da Nação, e não o chefe do governo. Assim sonante, não é necessário que

Sem qualquer sombra de dúvidas, portanto, já que a CIA é a ‘garante’ dessa afirmação, Bashar Al Assad tem o apoio da esmagadora maioria do povo sírio, vale dizer, pelo menos 85% daqueles nacionais

alguém seja especialista em Teoria Geral do Estado para perceber ser meridianamente claro que o Primeiro Ministro é o chefe de governo, e o Presidente Al Assad nunca poderia ser ditador, porque ele não exerce o poder de governar, somente o de chefiar e representar a Nação síria. Também é sabido que Bashar Al Assad foi eleito em escrutínio livre, para mandato de 7 anos, em um plebiscito onde ele obteve 99% dos votos do povo. Posteriormente, em outra eleição, ele

e cidadãos. E todo e qualquer problema da Síria pertence aos sírios. Da mesma forma que o problema dos Estados Unidos pertence aos norte-americanos, os da França aos franceses, os de Botswana aos botswanis, os do Brasil aos brasileiros, e assim por diante. De todo modo, essa desinformação, essa deformação da realidade, esse esmagamento ético da verdade, fazem com que substancial proporção dos cidadãos não sírios do mundo acreditem nas mentiras propagadas pela imprensa e meios de

obteve outra vitória, com mais de 90% dos votos diretos do povo sírio. Até no Brasil houve votos, pela comunidade árabe síria que aqui mora, originários, filhos, netos de sírios, e que detém direito eleitoral segundo as leis da Síria. E a própria agência de inteligência dos Estados Unidos, a CIA, já informou o governo Obama de que se Al Assad for candidato nas próximas eleições de 2014, ele será eleito com 85% dos votos do seu povo. Também não se viu qualquer contestação à lisura, legitimidade e validade das eleições sírias dos últimos 15 anos, duas das quais elegeram Bashar Al Assad como Presidente da República Árabe Síria.

comunicação, com as honrosas exceções que sempre existem. Finalizando este tópico, vimos que somente pode Bashar Al Assad ser chamado de Ditador por uma extrema, odiosa, deplorável MÁ FÉ. Sobre as armas químicas, o último relatório da ONU, dá uma dúbia impressão, qual a sua opinião sobre os ataques, e a posição real do governo sírio? Carlos Tebecherani Haddad: Quando ocorreu em 2.012 um ataque com armas químicas na vila de Khan Al Assal, próxima de Alepo, o governo sírio pediu às Nações Unidas que enviasse uma equipe de especialistas para investigar a

ocorrência. Esse pedido foi rejeitado pelos Estados Unidas, Inglaterra e França. Mas tempos depois uma equipe de especialistas foi até Khan Al Assal e fez a investigação, que resultou no relatório assinado pela chefe da equipe, a doutora Carla Dal Ponte. Naquele relatório está expresso, com todas as letras, que as armas químicas lançadas em Khan Al Assal foram por ação dos mercenários terroristas que combatem o Exército Árabe Sírio, e não pelas forças governamentais. O último relatório dos investigadores da ONU, relativo ao ataque químico em 21 de agosto em Ghouta Oriental, periferia rural de Damasco, afirma que armas químicas foram usadas, mas não faz qualquer menção, menos ainda insinua qualquer coisa, sobre quem foram os autores daquele ataque. Mas informa que ulteriores investigações seriam necessárias para determinar a autoria. Por outro lado, a agência Associated Press, que é norte-americana, entrevistou mercenários terroristas que afirmaram terem recebido armas químicas de um enviado da Arábia Saudita, mas não tinham informações sobre o manuseio e uso delas. Disseram, os mercenários terroristas, à Associated Press, que eles lançaram os foguetes com as ogivas químicas sobre Damasco, mas erraram o alvo e elas caíram em Ghouta Oriental. Ghouta Oriental fica a somente 6 km de Damasco. A Rússia, por seu lado, enviou ao Conselho de Segurança da ONU fotos de satélite mostrando, claramente, sem qualquer sombra de dúvidas, que os dois foguetes que atingiram Ghouta Oriental foram lançados da cidade de Douma, a 10 km de lá, por grupos de terroristas ligados à Al Qaeda, até porque Douma está sob controle daqueles grupos armados, e não do Exército Árabe Sírio. Portanto, as acusações contra o governo sírio, de uso de armas químicas, é mentira. Faz-se uma pergunta: a quem interessaria esse ataque químico? Aos mercenários terroristas, como uma provocação, já que Obama, em 2011, já estabelecera, insinuantemente, que havia uma “linha vermelha” que Al Assad não poderia cruzar, sob pena de ser atacado pelos Estados Unidos, e que consistia em o Exército Árabe Sírio usar armas químicas contra o seu próprio povo? Haveria alguma coerência ou sensatez em Bashar Al Assad ordenar um ataque químico contra o seu próprio povo, que o apoia em mais de 85%, segundo a própria CIA, e estando o local do suposto ataque a cerca de 6 km do local onde se encontram 250 investigadores e especialistas da ONU em armas químicas? O governo sírio não só não utilizou essas armas químicas como não demorou em aceder à provocação de John Kerry, Secretário de Estado norte-americano, quando esse funcionário dos Estados Unidos disse, em resposta a uma pergunta de uma jornalista sobre se haveria uma alternativa para não ocorrerem os ataques aéreos dos Estados Unidos contra a Síria, de que para que não ocorressem os ataques Bashar Al Assad deveria entregar o seu arsenal químico para uma supervisão internacional. A Síria não precisa dessas armas, porque tem enorme vantagem militar no terreno, contra os adversários mercenários terroristas com quem contende.


Síria: rebeldes mataram 190 civis e sequestram mais de 200 Os mercenários e terroristas que se dizem rebeldes na Síria, depois de sofrer pesadas perdas e fugir do enfrentamento com os soldados sírios, recorreram ao assassinato de civis para atingir seus objetivos e apresentar resultados aos governos dos EUA,Israel, França, Arábia Saudita e Inglaterra - que financiam as ações terroristas. Em um relatório divulgado sexta-feira passada, a organização humanitária Human Rights Watch (HRW) condenou o assassinato de pelo menos 190 civis

por grupos de oposição, bem como o sequestro de mais de 200 cidadãos, neste mês de agosto. Segundo a HRW, em 4 de agosto de 2013, cinco grupos rebeldes iniciaram suas operações em uma área rural da província ocidental de Latakia, onde foram executadas cerca de 67 pessoas, e sequestradas outras 200, a maioria deles mulheres e crianças. Uma Organização não Governamental indica que os comandantes desses grupos, muitos deles ligados a Al-Qaeda, são culpados de assassinato,

sequestros e outros abusos contra a população da Síria. "As vítimas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Síria têm vivido na esperança de que o Conselho de Segurança da ONU envie uma mensagem clara de que os responsáveis por estas violações terríveis serão processados", disse o diretor interino do Oriente Médio da HRW, Joe Stork. Stork deu essas declarações depois de pedir ao Conselho de Segurança para enviar imediatamente o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para investigar os crimes cometidos no conflito. Desde o início da crise em 2011, os terroristas apoiados por países estrangeiros, além de matar um grande número de cidadãos inocentes, destruiram igrejas e mesquitas, tubulações de água e esgoto. Rodovias e estradas de ferro foram danificadas, e saquearam muitas antiguidades. Algumas indústrias foram transferidas para a Turquia. Hispan TV www.marchaverde.com.br


Jornal Mercosur novembro 2013