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Haras de valor. Barretos traz o encerramento do Nacional de Três Tambores com os espetaculares QM e suas atletas. Pág. 5 Quartista de sucesso O Haras Passira, localizado em Gravatá, na região serrana de Pernambuco, vem fornecendo há 35 anos cavalos Quarto de Milha com qualidade. Pág. 10 ANO X

Nº 114

9 ANOS

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FORTALEZA-CE

AGOSTO DE 2015

R$ 6,30

CIRCULAÇÃO NACIONAL

INCERTEZA

China vai investir no Brasil? FOTO: DIVULGAÇÃO

Nem mesmo o governo e empresários brasileiros sabem. Técnicos ouvidos pelo AgroValor desconfiam e alguns chegam a alertar sobre as habilidades comerciais chinesas. Até mesmo empresários do setor da fruticultura (melão cearense e potiguar), produto que chega ao gigante asiático a preço de “ouro”, desconhecem ou se recusam a falar sobre o assunto. Pág. 03

Onaur Ruano

Secretário nacional da agricultura familiar do MDA

As águas estão rolando Foi feito o primeiro teste de bombeamento de água do Eixo Norte – Projeto São Francisco – para o reservatório Tucutú, em Cabrobó (PE). Pág. 5

EXCEÇÃO

Agricultura familiar sem cortes Em meio à crise econômica e cortes de orçamento, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/16 teve um aumento de 20% em relação ao ano anterior. São quase R$ 30 bilhões para atender um milhão e 350 mil em todo o Brasil. O governo também promete assentar mais de cem mil famílias que ocupam lonas em áreas rurais. Quem detalha com exclusividade ao AgroValor é Onaur Ruano, do MDA. Páginas Verdes

Agro&cultura

Cachaça é a base Concurso visa aquecer e sofisticar o mercado de bares e restaurantes cearenses com elaborados drinques feitos com cachaça artesanal de alambique. Pág. 1

Agro&cultura

Vender mais em tudo O governo anunciou um plano para sair da 25ª posição no ranking de países exportadores, com carne, soja e produtos lácteos, entre outros. Pág. 9

Haras de valor

Bendito seja o vinho

Tecnologia a favor

O inverno é na capital do vinho, Bento Gonçalves (RS), saboreando deliciosa gastronomia, curtindo belas paisagens e fazendo passeios inspiradores. Pág. 2

O diagnóstico por imagem na medicina equina tem proporcionado mais precisão e qualidade no tratamento de cavalos esportistas. Pág. 1

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Editorial

Curtas

Parceria nas exportações Lamentável, porém providencial, o fato de o Brasil, até então, não haver estabelecido metas no mercado mundial de bens e serviços; e a recente criação do Plano Nacional de Exportação, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O governo e os empresários sempre admitiram existir amplos espaços para o incremento desse setor, pois incômoda é a situação nacional de ultrapassar apenas 1% do volume total do mercado. Um gigante como o Brasil, não é radical dizer que nos envergonha esse pequeno volume de bens que ofertamos para o mundo, fatia de 0,7% de produtos manufaturados. Ou consumimos muito ou produzimos pouco. Nenhuma das opções verdadeiras, pois o país precisa aumentar ainda mais a renda das famílias para se enquadrar em uma nação desenvolvida que consome produtos de qualidade, e precisamos aumentar e diversificar nossos parques de produção, com produtividade. Não se admite que um país de tamanha dimensão, com uma mão de obra generosa, se comparada aos gargalos enfrentados por outros países, rico em recursos naturais de enorme valor agregado, não tivesse, até então, um objetivo definido para a competição desse grandioso negócio entre as nações, que são as

transações comerciais globais. Tomando como base somente os últimos dez anos, quando as nossas produções e negócios com o resto do mundo no setor agropecuário se desenvolveram a passos largos, a nossa perda de competitividade no setor industrial e de serviços no mercado mundial foi diretamente proporcional aos saldos do anterior. O Plano Nacional de Exportação lançado pelo governo, com ampla participação dos empresários dos diversos setores, reconhece essas falhas. De acordo com os estudos apontados nas explanações introdutórias do documento, existe claro espaço para o incremento desses negócios. Um setor exportador forte é tudo que uma nação necessita para a riqueza de seu povo. Dados do estudo indicam que para cada US$ 1 bilhão exportado, 50 mil trabalhadores são mobilizados. Em 2014, as exportações brasileiras de bens geraram US$ 225,1 bilhões em divisas e envolveram cerca de 11,2 milhões de empregos. Portanto, a corrida do governo em derrubar barreiras comerciais e alfandegárias, estabelecer metas, acabar com o excesso de formalidades burocráticas, chegar junto aos exportadores como verdadeiro parceiro nos investimentos e resultados, é mesmo um grande avanço para a economia do país.

A maior em processamento De 11 a 13 de agosto, o Espaço Meeting Business, em São Paulo, sedia a Tecnocarne & Leite - 12ª Feira Internacional de Tecnologia para a Indústria da Carne e do Leite, maior evento da América Latina voltado para o segmento de processamento de proteína animal. Durante os três dias, cerca de 500 marcas nacionais e internacionais apresentam

as mais recentes inovações tecnológicas e soluções para a indústria de processamento de carne bovina, suína, aves, peixe, além do leite. Uma das novidades desta edição é o Meeting Business, em formato inovador de rodada de negócios, que visa aproximar compradores demandantes de produtos e serviços do setor e empresas participantes do evento.

60 anos de tradição Conhecida em todo o mundo, considerada a maior festa de peão de boiadeiro da América Latina, e etapa final da temporada 2015 do Monster Energy PBR (Professional Bull Riders), a Festa do Peão de Barretos chega à sua 60ª edição. Mais de 900 mil pessoas são esperadas no Par-

que do Peão nos próximos dos dias 20 a 30 de agosto. De acordo com a organização, os pontos altos deste ano são, além das montarias em touros, as modalidades esportivas da arena e o show beneficente do maior ídolo da música country mundial, Garth Brooks.

Emoção e competitividade Depois de cinco meses, 12 classificatórias em três países e cinco estados brasileiros, e mais uma etapa na Argentina por meio da FICCC, foram selecionados os 104 finalistas que irão disputar o título máximo do cavalo Crioulo. A final do Freio de Ouro, que ocorre no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), vai reunir os

conjuntos – cavalo e ginete – que buscarão o topo na modalidade considerada uma das principais ferramentas de seleção equestre do país. O Freio de Ouro começará ainda antes da abertura dos portões da Expointer ao público, no dia 26 de agosto. A grande final será realizada no primeiro domingo da feira, dia 30 de agosto.

Frases “Etanol de segunda geração é o futuro” (José Bressiani, diretor agrícola da Granbio, por, segundo ele, conseguir alta produtividade com menos custo, além de ser o combustível comercial mais limpo do mundo)

“Acredito na sua boa fé (da presidente Dilma) e espírito público. Tudo o que fizemos nestes seis meses no Mapa foi com seu total apoio.” (Da Ministra Kátia Abreu, agradecendo a confiança da presidente Dilma Rousseff em seu trabalho)

“Os males da política econômica não afetaram o setor [do agronegócio]” (Economista e entusiasta do segmento agropecuário, Delfim Netto)

““Quem investiga, julga e pune é a Justiça. Temos que ter paciência e aguardar. É a demora da democracia. Optamos por ela e não pela barbárie” (Ministra do Mapa, Kátia Abreu, sobre a corrupção que assola o Brasil l)

EDITORA SETE EDIÇÕES LTDA. Rua Pinho Pessoa, 755, Fortaleza/CE – Cep. 60.135-170 – CNPJ 05.945.337/0001-95 – contato@ agrovalor.com.br – www.agrovalor.com.br – tel: (85) 3270.7650 – Diretora Editora: Celma Prata (MTB/CE 2581 JP) – Editor: Rogério Morais (MTB/CE 00562 JP) – Editora de Mídias Digitais: Camila Bitar – Comercial: contato@agrovalor.com.br – Assinaturas: assinatura@agrovalor.com.br – Escritório no Rio de Janeiro: Av. Presidente Vargas, 583 – sala 1210 – Centro - 20.091-005 – tel: (21) 2516.2397 – Comercialização e Distribuição: nacional. As opiniões assinadas não refletem obrigatoriamente o pensamento do jornal. Sua publicação atende ao objetivo de estimular o debate e de refletir sobre a diversidade de pensamentos e ideias.


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A nova “queridinha” da América DIVULGAÇÃO

China. O investimento bilionário do país asiático anunciado para o Brasil em diversos setores, como transportes, energia e agronegócio, ainda é visto com desconfiança. Para técnicos, os chineses não aplicam em negócios de retorno longo por Rogério Morais

A

China quer mesmo investir em infraestrutura no Brasil? Em portos, ferrovias, energia, comunicações, rodovias e, inclusive, investimento direto no agronegócio? Perguntamos isso a vários empresários cearenses e a grande maioria se diz incapaz de avaliar essa pretensão chinesa anunciada em junho passado pelo governo brasileiro. Até mesmo empresários do setor de fruticultura (melão cearense e potiguar), produto que chega àquele país a preço de “ouro”, não sabem ou se recusam a falar sobre o assunto. O encontro, no Brasil, do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, com a presidenta Dilma Rousseff, quando foi anunciada a intenção daquele país em investir US$ 53 bilhões no Brasil em diversos setores brasileiros, como transportes, motivou uma série de reportagens sobre as relações da China com o resto do mundo. Foram assinados trinta acordos entre Keqiang e Dilma, entre eles o da construção da ferrovia Transoceânica, que deverá ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, ao porto de Ilo, na costa do Peru. Esse corredor ferroviário que tem o objetivo de levar vantagens econômicas no transporte de mercadorias, como carne, soja e frutas do Brasil para a China, atualmente o maior importador do mundo, criará um dos maiores elos comerciais – globais - do momento, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Um sonho brasileiro e

Investimento fixo. China se apressa para aprovar plantas frigoríficas no Brasil

também da China, para levar as importações da América do Sul sem passar pelo Canal do Panamá. Comida Mesmo antes do encontro da autoridade chinesa com a presidenta do Brasil, o presidente da China, Xi Jipping, em janeiro deste ano, em encontro com chefes de Estado dos países-membros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), anunciou investimentos na América Latina na mesma linha firmada no Brasil. “Eles querem comida para o seu povo. O governo quer satisfazer os de alto poder aquisitivo”, diz um técnico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que prefere não se identificar. Segundo ele, a China não vai investir no Brasil sem ter uma completa segurança do seu retorno, e lembra que investimentos em infraes-

No Ceará, chineses já desistiram de projetos fixos acordados, deixando o investidor local com o prejuízo

trutura não trazem retorno imediato, como “eles querem” (chineses). Sobre investimento chinês no Nordeste, no campo da fruticultura, ele é enfático: “Nada! Não existe investimento chinês no Ceará e em nenhum estado nordestino, eles só querem comprar alimento e vão embora. Não aplicam nenhum tostão”, garante o especialista da entidade cearense. A propósito, quando do acordo com o Brasil, o diretor do BricLab, da Univer-

sidade de Columbia (Nova York), Marcos Troyjo, disse que “o gigantismo comercial da China, que se converteu na maior exportadora e importadora do mundo, não se fez acompanhar do papel do país como grande fonte de investimentos estrangeiros diretos”. O custo, por exemplo, da ferrovia ligando os dois oceanos, ainda não foi tecnicamente calculado, no entanto, sabe-se que pode superar US$ 10 bilhões. São mais de cinco mil quilômetros de extensão passando

pela selva amazônica, no Brasil e Peru, e a Cordilheira dos Andes, no Peru. Para muitos empresários e técnicos em transações internacionais, tudo ainda está na fase de intenções – protocolos – e vai depender da habilidade brasileira e das demandas chinesas, principalmente por alimento. O técnico da Fiec alerta que, no Ceará, investidores chineses já desistiram de projetos fixos acordados, deixando o empresariado local com o prejuízo.

Ferrovia • China tem a intenção de investir 53 bilhões de dólares no Brasil em diversos setores, como o de transportes. • Ferrovia ligando os dois oceanos tem custo superior a US$ 10 bilhões. • São mais de 5 mil quilômetros de extensão passando pela selva amazônica, no Brasil e Peru, e pela Cordilheira dos Andes, no Peru.


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Prejuízo na piscicultura

Agrodireito João Rafael Furtado

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Sócio do Furtado, Pragmácio Filho & Advogados Associados. Doutorando em Direito Comercial (PUC-SP). Mestre em Direito Constitucional (UNIFOR). Conselheiro Titular do CONAT (SEFAZ-CE). Professor de Direito Empresarial.

Processo Empresarial Em artigos já trabalhados nesse jornal, defendeu-se a ideia de que para se garantir a segurança jurídica, especificamente nas relações empresariais, seria necessário a revitalização do direto comercial brasileiro, implicando no recoser dos seus valores e introjetando nos operadores do direito os princípios inerentes a essa disciplina. Contudo, se do ponto de vista do direito material é necessário um código mais completo e principiológico, também fundamental é que esse direito seja eficaz com o processo que lhe diga respeito. Sem dúvida, a variedade e complexidade das questões empresariais justificam um tratamento especializado, que visa conferir maior efetividade ao direito material empresarial submetido à eventual lide. De nada adiantaria, por certo, a criação de um direito material sólido e bem trabalhado se a eficiência na realização desse direito for obstruída pela morosidade, despreparo ou completa ineficiência no seu tratamento. Com efeito, as particularidades envolvidas quanto às relações empresariais, somadas à celeridade que essas demandas requerem, leva à conclusão de que a ausência de um direito processual especial e célere conduz não efetivação do direito material, tornandoo ineficaz e injusto. É, assim, necessário o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional com a utilização da técnica processual adequada, utilizando o processo como verdadeiro

instrumento de efetivação do direito material. Por esses motivos que o projeto de lei em tramitação no Senado Federal (PLS 487), prevê a criação do denominado processo empresarial, cujo objetivo é revolucionar as relações processuais entre os empresários, fazendo surgir um novo, moderno, ágil, seguro e eficaz processo empresarial, refletindo diretamente nos custos empresariais e no proveito para toda a sociedade.

A ausência de um direito processual especial e célere conduz não efetivação do direito material, tornando-o ineficaz e injusto

O bjetivo é revolucionar as relações processuais entre os empresários, fazendo surgir um novo, moderno, ágil, seguro e eficaz processo empresarial

Tilápia. Governo tenta refazer assistência ao setor, depois da tragédia no Castanhão

Açude. Desencontro de competência entre órgãos estaduais e federais, falta de monitoramento das águas e baixa dedicação técnica são as verdadeiras causas da tragédia no Castanhão, com prejuízo de milhões de reais aos produtores da Redação

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Prejuízo incalculável para a população e a cadeia geral do negócio. Somente com a mortalidade de peixe, a perda chega a R$ 18 milhões, conforme levantamento feito pelas associações de pescadores, contabilizadas quase três mil toneladas de peixes. A mortandade de tilápia no açude Castanhão, em Jaguaribara, a 300 quilômetros de Fortaleza (CE), foi a segunda desestruturação na história da economia local. A primeira foi há 20 anos, quando foram iniciadas as obras de construção da barragem e o início da transferência das famílias para a nova cidade. Se naquela época – com muitas indecisões dos governos federal e estadual - foi dramática a remoção das famílias rurais e de pequenos comerciantes urbanos, o mês de julho de 2015 também marcou a história do povo da cidade. Não somente Jaguaribara, mas também os demais municípios no entorno do açude, como Jaguaribe, Jaguaretama e Alto Santo, que também sofreram o impacto inicial e depois passaram a movimentar a sua economia com a pesca. Quando 2/3 do municípiosede do reservatório foram inundados, o impacto não foi

somente ambiental, mas econômico, com a paralisação da pecuária e agricultura de sequeiro, além do social e cultural. O novo empreendimento (reservatório com capacidade para armazenar 6,7 bilhões de m3 de água) e a nova cidade fizeram surgir também uma nova economia, através da piscicultura e irrigação. Mas, há cerca de um mês, um novo drama ronda seus moradores. Prefeitos da região, governo do estado e diversos órgãos estaduais e federais ainda não sabem o que fazer. Nem a causa ou “causas” que levaram à morte – da noite para o dia – de milhares de pescados prontos para o abate, ainda não foram confirmadas. O que se tem de mais certo “é que foi um dos maiores erros de toda a história da piscicultura nordestina”, revela um técnico de um dos órgãos que, agora, formam a comissão para resolver o problema. Para ele, “é triste e lamentável o que aconteceu, mas não é

a única coisa importante. A lição que fica, é que devemos mudar esse comportamento”. E que comportamento é esse? Os inúmeros erros que acontecem no setor. Primeiro, a responsabilidade de monitoramento das águas dos açudes do Dnocs, entre eles o Castanhão, que é do Ministério da Pesca. Pelo que consta nos levantamentos das discussões após a tragédia, que supera em impacto a imagem de bovinos mortos pela seca, é que não existe esse monitoramento. Ao contrário, na gestão passada, voltou para o MPA uma verba de R$ 1,5 milhão destinada ao Copam (Conselho Estadual de Políticas Públicas do Meio Ambiente) para o acompanhamento das águas, por falta de projeto. Devido às pressões de produtores junto ao governo para serem indenizados, o estado quer mudar a assistência e uma comissão envolvendo vários órgãos e entidades está tratando do assunto. O monitoramento deverá sair da competência do ministério e a piscicultura nordestina, que gera renda basicamente para pequenos produtores, deverá ter mais dedicação por parte do governo, acredita o técnico.

Saiba mais • Três mil toneladas de peixes apareceram mortos no açude Castanhão (CE). • Somente com a mortalidade, a perda chega a R$ 18 milhões, conforme levantamento feito pelas associações de pescadores. • Setor deixou de usar R$ 1,5 milhão destinado ao acompanhamento das águas, por falta de projeto.


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Defesa com argumento

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Agrotecnologia FOTO: DIVULGAÇÃO

João Pratagil

Doutor em Agronomia, Pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical

Os caminhos de uma revolução agrícola Transposição. Projeto faz o primeiro teste de bombeamento das águas do “velho Chico”

Nordeste. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), usou a considerada “estabilidade social” no interior cearense, apesar de quatros anos consecutivos de baixas chuvas (quadro de seca), para defender o governo Dilma por Rogério Morais

O

Ceará está com quatros anos de seca, mas nunca deixa de encher uma cisternazinha (na quadra invernosa) de plástico para atender as necessidades caseiras das famílias”. A declaração é do governador Camilo Santana, do PT, ressaltando “a paz social” que o interior do Nordeste vive, mesmo com sucessivos períodos de estiagem. Conforme ele, o Ceará é o primeiro lugar em garantia safra, “tem a maior cota”, afirmou. Camilo afirma que “em todo canto do Ceará tem uma cisterna”. E esse patrimônio da família rural é fruto de uma parceria entre o governo federal e o estadual, para instalar, somente no estado, mil cisternas de plástico. Destaca, ainda, outro programa que vem agregando valor ao pequeno produtor rural da região, que é a compra dos seus produtos para a merenda escolar da rede pública. É a garantia de aquisição de 30% da produção da agricultura familiar. Para o governador, o Nordeste passa por uma “revolução”, graças aos programas que o governo federal vem adotando desde a primeira gestão Lula (2003), na região, principalmente para desenvolver a agricultura familiar, programa da merenda escolar, por exemplo. “É a garantia que o pequeno produtor rural tem de preço e mercado, isso é uma revolução”, ressalta Camilo. Disse,

ainda, que o estado vai também implantar o mesmo sistema do governo federal no projeto “Compras Governamentais” (lei que facilita negócios dos pequenos nas compras do governo), para aquisição de 30% da alimentação dos presídios do Estado da produção familiar. Ainda para destacar o que ele considera a “boa gestão petista”, lembrou que “tem que organizar e dar total assistência” ao pequeno produtor rural, e que a realidade no semiárido mudou nos últimos anos. Destacou o programa “Luz para Todos”, e lembrou também que o Ceará, por exemplo, “não tinha uma escola profissionalizante, hoje são 110”. Camilo fez críticas às oposições que, para ele, não querem reconhecer as obras Lula/Dilma no Nordeste. Mas o destaque maior que o governador quis dar, em seu discurso, em Fortaleza, durante o lançamento do Plano Safra 2015/16 da Agricultura Familiar, com a presença do ministro Patrus Ananias, do Desenvolvi-

mento Agrário, são as obras de transposição das águas do rio São Francisco para o Nordeste Setentrional (Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte). “Um projeto que há muito tempo se pensava, mas foi o presidente Lula quem tirou do papel”, lembrou Santana. Fazendo críticas à oposição ao governo federal, Camilo afirmou que “a obra não está parada, mais de 60% já estão concluídas”. No início de agosto foi feito o primeiro teste de bombeamento de água do chamado Eixo Norte para a barragem do rio Tucutu, em Pernambuco. A expectativa é que as águas do projeto cheguem ao Ceará até julho do ano que vem. O governador cearense lembrou que, mesmo sem a transposição, o Estado, em 2/3 da sua população – Região Metropolitana de Fortaleza – não passa por problemas de falta de água como vem passando a capital paulista, por exemplo. A água para o abastecimento de Fortaleza e cidades próximas vem do Castanhão, a mais de 300 quilômetros de distância. Isso graças ao projeto “Eixão das Águas”, do governo estadual, que interligas as bacias municipais, e ainda pode garantir esse abastecimento até 2016, mesmo com baixas chuvas.

Em andamento • Obra da transposição do São Francisco para o Nordeste Setentrional (Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) não está parada. • Já foi feito o primeiro teste de bombeamento de água do chamado Eixo Norte para a barragem do reservatório Tucutú, em Pernambuco. • A expectativa é que as águas do projeto cheguem ao Ceará até julho do ano que vem.

A primeira revolução agrícola mundial, a “Revolução Verde”, foi criada pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Henry S. Truman (12/04/1945 – 20/01/1953), nos primeiros anos da Guerra Fria (1945-1991), travada entre as duas principais potências mundiais, EUA e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ambos interessados em assumir a liderança mundial dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento e influenciar o modelo de desenvolvimento dos mesmos, capitalismo e comunismo, respectivamente. Esse movimento da URSS foi denominado de Revolução Vermelha. Para se contrapor a essa revolução da URSS, e aos graves problemas mundiais, como a fome, a superpopulação (Population Bomb) e a previsão malthusiana da falta de alimentos para essas populações e as futuras gerações, Truman criou a Revolução Verde com base nas diretrizes contidas no seu discurso. “... Nós devemos iniciar um programa ousado de disponibilizar os benefícios dos nossos avanços científicos e progresso industrial para o nosso aperfeiçoamento e crescimento de áreas subdesenvolvidas. ...Deve ser um esforço global para alcançar a paz, abundância e liberdade. ...É a chave para produzir uma maior e mais vigorosa aplicação do conhecimento científico e técnico moderno.” Da sua execução participou a inciativa privada, através de John Davison Rockefeller III, que, com a Fundação Rockfeller apoiou a transferência de tecnologias agrícolas americana para os países em desenvolvimento. Foi chave nesse processo a criação

de Centros Internacionais de Pesquisa (milho e trigo, arroz entro outros 13) nos países priorizados. Coube ao agrônomo Norman Borlaug (Prêmio Nobel da Paz de 1970), a liderança das pesquisas de melhoramento genético com trigo, no México, para aumento de produtividade, e depois na Índia, para desenvolver novas variedades de trigo e de arroz, de alta produtividade e adaptadas aqueles países. O trabalho de Borlaug, além de ter introduzido os paradigmas de agricultura intensiva, com base em monoculturas e utilização da irrigação e de insumos químicos, como os fertilizantes e os defensivos agrí-

Foi uma revolução agrícola que contou com uma motivação, uma ideia e três líderes em suas respectivas áreas de atuação colas, salvou da morte mais de 1 bilhão de pessoas. Apesar dos benefícios obtidos, como o aumento de produção e de produtividades das culturas, esses insumos, manuseados inadequadamente, também provocaram e ainda provocam sérios impactos em agricultores e no ambiente. Foi uma revolução agrícola que contou com uma motivação, uma ideia e três líderes em suas respectivas áreas de atuação. A cooperação e a execução em cada território fizeram acontecer. Novos desafios se apresentam. Novas estratégias serão necessárias!


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Entrevista

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ONAUR RUANO

“Nenhuma família No seu entusiasmo, ele afirma que até o final do segundo mandato da presidenta Dilma, as cerca de 120 mil famílias que atualmente moram “debaixo de lona”, em regiões rurais do Brasil, serão assentadas. Fala com precisão da decisão presidencial, de acordo com determinação expressa ao ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário, para que seja apresentado estudo completo sobre os “sem terras”, a fim de acelerar a tão sonhada

Financiamento do setor de 29 bilhões de reais para custeio, infraestrutura e outros investimentos

reforma agrária no Brasil, o que seria o maior diferencial democrático do atual governo. O engenheiro agrônomo paulista, Onaur Ruano, 63, secretário nacional da agricultura familiar do MDA, no governo federal desde o primeiro mandato do governo Lula, percorre o Brasil com o ministro, anunciando o Plano Safra 2015/16 da Agricultura Familiar. No Ceará, ele concedeu esta entrevista exclusiva ao AgroValor. FOTOS: DIVULGAÇÃO

por Rogério Morais

AgroValor – Os avanços das políticas públicas na área da agricultura familiar são mesmo eficientes, atualmente? Onaur Ruano – Nós tivemos, agora, em 22 de junho, o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar para o período 2015/2016. Foi um lançamento nacional e, agora, o ministro Patrus Ananias está percorrendo os estados, trazendo os resultados. Estamos começando pelo estado do Ceará, e os avanços são muito importantes. Só em recursos para a agricultura familiar temos um crescimento de 20% em relação à safra anterior, que terminou. Temos disponível, para esta safra, quase 29 bilhões de reais para financiamento do setor, tanto para custeio, quanto para infraestrutura e outros investimentos. AgroValor – E essa atual crise hídrica, que estamos assistindo principalmente no Nordeste, é uma preocupação a mais para o ministério? Ruano – Sem dúvida. A convivência com o semiárido, os mecanismos de conviver com essa situação é uma das linhas prioritárias que estão em nosso trabalho. Cientificamente, para o semiárido - não somente a cota para o Garantia Safra -, no semiárido temos um milhão e 350 mil cotas. E no Ceará, especificamente, são 350 mil famílias que estão protegidas para eventual prolongamento da seca. AgroValor – O seu ministério está desenvolvendo diversos projetos no sentido de qualificar os produtos da agricultura familiar no

mercado. Como o senhor analisa os problemas técnicos e burocráticos para se obter a certificação do Serviço de Inspeção Municipal e também o SEI – Serviço de Inspeção Estadual – que não é fácil, segundo os produtores? Ruano – Nós temos vários produtos, hoje, com recursos alocados, para que as compras públicas e as compras institucionais assegurem essa comercialização/ venda da agricultura familiar. No próprio Plano Safra, a presidenta Dilma assinou um decreto garantindo que todas as compras públicas dos órgãos da administra-

ção federal que venham a adquirir alimentos para os seus equipamentos de alimentação que, no mínimo, 30% dessas compras sejam oriundas da agricultura familiar. Isso é uma questão fundamental que praticamente dobra o espaço de negócios da agricultura familiar. No que se refere à sua pergunta, especificamente do registro dos produtos da agricultura familiar, e aí as maiores dificuldades têm sido para produtos de origem animal, nós tivemos também o anúncio de adequações na legislação que regula essa matéria dos registros municipais de ins-

peção da vigilância sanitária, fazendo com que, hoje, uma pequena agroindústria familiar, de produtos de origem animal, não tenha que cumprir as mesmas exigências que uma grande indústria, como a Nestlé, a Parmalat, tem facilidade de obter. AgroValor – Isso na prática vem mesmo funcionando? Temos informações de que esse processo ainda vai demorar dois anos para ser concluído. Ruano – Hoje, efetivamente com essas alterações, nós teremos um fluxo, uma velocidade na capacidade de se obter o registro dessas agroindústrias familiares com muito mais brevidade. É uma conquista que se vem esperando há nove anos, desde 2006 quando tivemos o Decreto 5741 que instituiu o Suasa (Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária), todos nós estávamos lutando pela compreensão de que a Agricultura Familiar – particularmente a pequena agricultura familiar – tem na sua agroindústria características específicas. Absolutamente se pretende que essas alterações tragam qualquer risco para a população. Não se trata de flexibilizar, facilitar ou simplificar processos que contaminem produtos, que tragam riscos para a saúde humana. Rigorosamente a eficiência do processo de produção está assegurada, mas o estabelecimento e as regras de produção foram adequadas à essa condição de agricultura familiar. AgroValor – Faça, por favor, a sua avaliação sobre as tecnologias usadas e a qualificação do trabalhador “pronafiano”.


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debaixo da lona” ficos na assistência técnica e extensão rural. As mulheres estão asseguradas de que pelo menos a metade do público atendido seja contemplado para elas. É uma equiparação, igualdade de gênero no serviço de assistência técnica e extensão rural. Temos contribuído para a juventude rural para que possamos, já nesta safra, ter mais de 22.800 jovens sendo assistidos por uma assistência técnica voltada para a juventude, visando a organização desse plano nacional para a juventude e para a sucessão rural.

Ruano – Temos uma política nacional de assistência técnica e extensão rural. Essa política nacional possibilita, hoje, que tenhamos recursos alocados no Mi-

nistério do Desenvolvimento Agrário na ordem de 300 milhões de reais nesta safra, para qualificação, tecnificação e apoio às melhores condições para que as famí-

lias de agricultura familiar produzam em condições adequadas. A assistência técnica é fundamental e hoje temos uma ampliação de alguns “recortes” especí-

Perfil QUEM É Onaur Ruano, 63, de Marília (SP), engenheiro agrônomo. O QUE FAZ É secretário nacional da agricultura familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ou seja, executa nacionalmente os projetos no âmbito da AF. O QUE FEZ Diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor do MDA. E secretário-executivo da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).

AgroValor – E essa outra ação anunciada como a grande novidade neste segundo governo Dilma, que é a aceleração da reforma agrária? Na sua opinião, é outro grande salto no setor? Ruano – O ministro [Patrus Ananias] recebeu, e ele sempre diz “com muita satisfação”, uma determinação e uma tarefa da presidenta Dilma, para que ele apresente um conjunto de medidas que efetive a reforma agrária em nosso país durante o seu mandato. Uma das metas que toda a equipe do Incra e a equipe do MDA estão trabalhando é que nós não tenhamos, no final do mandato da presidenta Dilma, nenhuma família acampada. O ministro sempre diz em todos os espaços, que não é digno uma família estar, muitas vezes por anos seguidos, debaixo de uma lona. E a meta determinada por ele é que até o final do mandato da presidenta Dilma, nós não tenhamos nenhuma família debaixo de uma lona. AgroValor – E quais são os números reais dessa população? Ruano – O refinamento da informação está sendo agora trabalhado. Mas há uma estimativa de que tenhamos entre 100 a 120 mil famílias nessa situação de acampados em todo o Brasil. Portanto, conforme decisão da presidenta Dilma, é que essas milhares de famílias sejam incluídas em assentamentos da reforma agrária do Brasil.

São 300 milhões de reais para qualificação, tecnificação e apoio às famílias da agricultura familiar

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O Plano para vender

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Agrobusiness DIVULGAÇÃO

Guillermo Sanchez Leiloeiro rural

Dias melhores virão Olá, amigos!

Mercado global. Brasil quer vender outros produtos além de commodities

Exportações. Brasil corre atrás dos prejuízos e luta contra os atrasos nos negócios internacionais, lançando um plano de exportação que já vem dando resultados positivos no primeiro semestre de 2015 da Redação

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elo menos no agronegócio, o Brasil já conseguiu, nos seis primeiros meses de 2015, derrubar embargos comerciais que totalizam US$ 1,4 bilhão nas exportações brasileiras. Mercados considerados importantes como Estados Unidos, Rússia, Argentina, África do Sul, Japão e outros países voltaram a comprar carnes bovina, suína e de frango do Brasil. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que somente esse novo negócio representa 8,4% das exportações do país em 2014. Segundo a secretária de Relações Internacionais do Agronegócio, do Mapa, Tatiana Palermo, o ministério trabalha para ampliar ainda mais as exportações de produtos agropecuários para mercados como Canadá, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Japão e países do Golfo. Atualmente, segundo a secretária, está em curso negociação com 22 mercados que ainda não são acessados pelos produtos brasileiros. No total, esse novo potencial representa US$ 82 bilhões em exportações ao ano. Além de carnes, são demandas de frutas, lácteos, sucos de laranja, ração, material genético, açúcar, café e outros. A Rússia, por exemplo, pela primeira vez, abre o seu mercado de leite em pó para o Brasil. Onze em-

presas brasileiras já foram autorizadas pelo Ministério da Agricultura da Rússia a exportar o produto para aquele país. Apesar desses avanços, o Brasil, que é a sétima maior economia do mundo, sua participação no comercio mundial ainda está longe dessa posição. Até os países emergentes do grupo dos Brics apresentam maior participação nesse mercado. Esses dados, inclusive, constam do Plano Nacional de Exportação, lançado em junho último pelo Ministério do Comércio Exterior, que aponta o Brasil na 25ª posição de países exportadores. O plano apresenta cinco pilares estratégicos de atuação: 1. Acesso a mercados; 2. Promoção comercial; 3. Facilitação de comércio; 4. Financiamento e garantia às exportações; e 5. Aperfeiçoamento de mecanismos e regimes tributários de apoio às exportações. Para cada pilar são estabelecidas diretrizes e metas específicas no tocante às exportações para o período 2015-2018.

Segundo Kátia Abreu, ministra do Mapa, todos esses esforços do governo já estão dando resultado. Anunciou também novo acordos com o Mercosul e a União Europeia, esta já informou que está criando um grupo para estabelecer o acordo sanitário e fitossanitário com o Brasil. Destacou que um acordo de livre comércio entre os dois blocos representaria aumento de 20% das exportações brasileiras, o que equivale ao montante de US$ 9,9 bilhões, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. O setor que mais se beneficiaria com a medida é o de carnes, que poderia incrementar suas vendas em 15%. O plano estabelece o fortalecimento das relações comerciais com parceiros prioritários, como o Mercosul, além da União Europeia, os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Índia, a África do Sul, países da América Latina, entre outros. “Com os parceiros latino-americanos, o diálogo aproveitará, preferencialmente, as discussões existentes no âmbito das comissões de monitoramento do comércio e das comissões administradoras dos Acordos de Complementação Econômica (ACE)”, afirma a ministra.

Exportação • Brasil está na 25ª posição de países exportadores, apesar de ter uma economia entre os dez primeiros. • Governo lança plano e apresenta cinco pilares estratégicos, para reverter a situação. • No agronegócio, já conseguiu resultados positivos nos seis primeiros meses de 2015. • Derrubou embargos comerciais que totalizam US$ 1,4 bilhão nas exportações brasileiras.

A crise nas bolsas asiáticas e a queda dos preços das commodities no mercado chinês ameaçam muito a já combalida balança comercial brasileira. Carnes, soja, minérios têm seus preços regulados principalmente pela demanda oferecida pelos chineses, já que eles representam um quarto das vendas externas do Brasil. Todo o entusiasmo que os exportadores nacionais estavam tendo com a venda de carne bovina para a China pode estar comprometido com os números desanimadores da economia daquele país, mesmo sabendo que a soja será muito mais prejudicada. A China permanece como o principal destino das exportações da soja em grão. Nada menos do que 76,5% de toda a soja em grão exportada no primeiro semestre deste ano foi para a China. O recente mercado aberto para a carne bovina está um pouco mais atrativo, mas não está longe de sofrer retrações. Os dois principais índices das bolsas chinesas, o de Xangai e o de Shenzhen, caíram mais de 32% desde junho. As expectativas de exportações de carne bovina devem ser inferiores ao ano de 2014. No acumulado dos primeiros sete meses de 2015, os embarques de carne bovina atingiram US$ 3,2 bilhões em faturamento com a negociação de 770 mil toneladas do produto. A abertura das exportações para o mercado americano de carne in natura ainda não aconteceu, mas o Mapa acredita que não vai demorar a ser viabilizada. Aguardamos há mais de 15 anos essa liberação. Enquanto isso, nossas ex-

portações de gado vivo estão avançando. A Turquia que já é uma conhecida compradora dos EUA, Alemanha, Austrália e Hungria, mira no mercado brasileiro para aumentar o número de fornecedores. Ano passado, esse país importou 50 mil animais para a engorda. O Brasil exportou 646,7 mil cabeças de bovinos vivos também no ano passado, com receita de US$ 675 milhões. A economia combalida do Brasil só encontra sustentação no mercado primário. A desvalorização da moeda

As exportações de carne bovina devem ser inferiores ao ano de 2014. Enquanto isso, nossas exportações de gado vivo estão avançando

brasileira neste ano representa um componente importante nessa equação. É o que garante aos produtores rurais a manutenção de um patamar mais favorável nos recursos em reais recebidos pela venda ao exterior. Em julho deste ano, a economia brasileira fechou quase 158 mil empregos com carteira assinada. A agropecuária foi o único setor que contratou mais do que demitiu. Indústria, serviços e comércio tiveram os piores resultados. No ano, o mercado de trabalho formal perdeu quase meio milhão de vagas. Esperamos por dias melhores, com certeza. Abraços!


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Dia a Dia da Fazenda

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HARAS PASSIRA GRAVATÁ(PE)

Tradição no QM do Nordeste FOTOS: DIVULGAÇÃO

Pernambuco. Localizado na região serrana do estado, em Gravatá, o Haras Passira comemora 35 anos na criação do Quarto de Milha. E segue como um dos grandes nomes da história da raça no Nordeste, tendo à frente Ismar Amorim por Angelo Tomasini

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cavalo Quarto de Milha, natural dos EUA se tornou uma das principais raças em atividade no Brasil. No Nordeste do país, a história dela está intimamente ligada à do Haras Passira, de Ismar Amorim. A criação iniciada em 1980, em Pernambuco, hoje é referência também fora do estado. Segundo o proprietário, o gosto pelos cavalos veio desde a infância, quando aos quatro anos montou um Crioulo Nordestino, presenteado pelo pai. Depois de se aventurar em vaquejadas (de 1968 a 1972), decidiu ser criador. “Anos depois, chegaram em Pernambuco os primeiros QM, origem do King Ranch [SP], numa época em que já não estava participando das corridas. Todavia, “pelo amor que sempre tive pelos esportes equestres e pelos atributos do cavalo QM, decidi criar essa raça que hoje é a responsável pelo renascimento e grandeza desse esporte nas regiões Norte/Nordeste”, afirma em tom saudosista. Antes de escrever sua história nos equinos, a propriedade da família era dedicada à criação de bovinos da raça Gir. E tiveram êxitos que merecem ser destacados. Primeiro exportador de tourinhos Gir da região Nordeste; Dez anos ininterruptos como melhor criador e expositor do Nordeste e 2° melhor expositor em uma Nacional em Uberaba (MG). O nome O nome do haras foi escolhido em virtude de ter iniciado a criação na cidade de Passira, no interior de Pernambuco. Após dez anos no local, as atividades foram transferidas para Gravatá, na região serrana. Segundo o proprietário, o clima foi um dos fatores, aliado à facilidade de acesso e proximidade dos principais centros hípicos do estado. Mais tarde descobriram que o significado do

Qualidade. Os animais do Haras Passira recebem todos os cuidados para o seu desenvolvimento

“O cavalo me deu tantas coisas boas, que o mínimo que posso fazer é tratá-lo com carinho e falar bem dele” Ismar Amorim proprietário do Haras Passira

nome em tupi-guarani, era “lugar encantado”, o que os fizeram ter mais certeza da escolha. E por falar em escolha, o haras foi uma decisão tomada em família. A ideia veio de Ismar, mas logo apoiada pela mulher Christina e pelos filhos Alessandra, Rodrigo e Eduarda. Hoje, 35 anos depois, todos estão ligados ao empreendimento, como faz questão de destacar: “Christina é uma esposa ajudadora que administra a casa sede. Rodrigo passou seis meses com Punk Carter, em Celina, no Texas, onde aprendeu a domar e trabalhar com potros para apartação e rédeas, tendo sido bicampeão Nordestino de Apartação. Alessandra administra o departamento financeiro e Eduarda é responsável pela propaganda, marketing e TI”. Já sobre a rotina de criador, faz questão de falar que é sempre a busca pelo melhor, fazendo amizades, tentando cruzamentos perfeitos sem perder o cow sense, que segundo ele, é a maior virtude do QM. “O cavalo me deu tantas coisas boas, que o mínimo que posso fazer é tratá-

Cavalos. O plantel é formado por cerca de 150 animais

-lo com carinho e falar bem dele”, afirma. Entre os grandes destaques do plantel está Mean and Lean, nascido em 20 de janeiro de 1986, que produziu 09 descendentes com Registro de Mérito e 03 Superior, em oito anos. Estrutura Localizado a cerca de 80 km de Recife, e de fácil acesso, o haras ocupa urna área de 240 hectares, sendo 210 ha de pastagens, divididas em 20 piquetes e 6 maternidades. A água para os animais e para a plantação vem de 17 açudes-barragem, um deles com 8,5 ha de área e volume de 340 mil m3 de água. Os animais ficam acomodado em 46 baias, nos tamanhos 4x4m , 6x4m, 4x3m. Além disso, contam ainda com dois redondéis e uma pista. Manejo e alimentação Atualmente encontram-se no haras, cerca de 150 animais, criados em baias e a campo, sendo alimentados nos seus respectivos locais.

História. São 35 anos dedicados à raça Quarto de Milha

A ração é servida duas vezes ao dia. Sempre às 7h00 e às 14h00. A dieta inclui feno Tífton, feno com melaço e ração completa balanceada com todos os suprimentos necessários. Os animais ficam nas baias até três meses, quando estão sendo preparados para leilão. Já quando estão em prenhez, são aguardados os 11 meses. Os piquetes são compostos de e algaroba e capim. Já no que diz respeito à re-

produção é feita a monta natural, sempre a partir de junho e outros procedimentos como inseminação e transferência de embrião. A equipe de profissionais é composta de domador, casqueador, tratorista, tratadores, vigilância, atendimento ao cliente e gerente, além de dois médicos veterinários. Além da vaquejada, o Haras Passira também oferece animais para trabalho, tambor e baliza e o turfe.


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Agrojovem

DIVULGAÇÃO

por Rafaele Esmeraldo

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ramo de bebidas alcoólicas está abrindo espaço para a mixologia. Para quem ainda não conhece, essa é a arte de misturar bebidas com conhecimento aprofundado da ciência química dos elementos que compõem um drinque. A nova modalidade surgiu no Brasil no início dos anos 1990, mas somente agora a atividade se disseminou no país, conquistando a cada dia novos adeptos e admiradores. Na mixologia são usadas inúmeras técnicas como: defumação de aromas, extração de sabores, desidratação de alimentos, envelhecimento de bebidas, infusões e bebidas compostas nas criações artesanais de ingredientes etc. No Brasil, os principais estados onde se pode encontrar esse tipo de

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BATE-VOLTA

A arte de misturar Mixologia. Profissionais de bares estão, a cada dia, se especializando mais na técnica de misturar bebidas alcoólicas, com profundo conhecimento da sua composição química, criando drinques saborosos para paladares sofisticados

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Drinques. Ramo da mixologia conquista clientes de bares

drinque são Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e na região Sul do país. As bebidas alcoólicas mais utilizadas como base para a criação de drinques são os vermutes (à base de vinho, com adição de flores ou ervas aromáticas) e os bitters (destilados amargos ou agridoces feitos à base de cascas de árvores, raízes, frutas, plantas e sementes), graças às inúmeras variações possíveis. A cachaça artesanal de alambique, destilado genuinamente brasileiro, vem sendo também bastante usada no preparo de drinques na mixologia de alto nível, cujos valores variam de R$ 36,00 a R$ 60,00. Bartenders de todo o país se esmeram na arte de criar suas próprias receitas. Atualmente no comando do sofisticado Paris Bar, no Rio de Janeiro, Alex Mesquita, 39, domina a arte da mixologia há dezesseis anos. “Após ter trancado a faculdade de medicina, deixado o ramo de futebol e ter visto o filme de Tom Cruise ‘Cocktail’, resolvi largar tudo e ir para Buenos Aires [Argentina], onde me formei como mixologista profissional. Morei e estudei lá por cinco anos e voltei ao Brasil com muitos sonhos”, relata Mesquita.

Cite seu diferencial no ramo da mixologia. Primeiramente, hospitalidade acima de tudo e a combinação de ingredientes dos mais diversos tipos, misturados à base clássica. Qual é a bebida mais pedida no Paris Bar? Excellence – deliciosa mistura com vodka Grey Goose La Poire, suco de limão siciliano, uva Thompson e cereja Amarena. Essa é uma combinação perfeita entre cítricos aromáticos frescos. Os clientes estão preferindo drinques mais sofisticados em vez de bebidas prontas? Sim, total. Isso pelo fato que hoje os bartenders estão vendendo melhor e explicando exatamente o que estão servindo. Isso faz a diferença. Já trabalhou fora do país? Sim, como instrutor na universidade onde estudei, em Buenos Aires. Alex Mesquita Mixologista Rio de Janeiro (RJ)


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FORTALEZA-CE

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Exames por imagem em equinos FOTO: GETTY IMAGES; ALEX LIVESEY

Diagnóstico. A veterinária Cátia Nascimento relata a importância do exame de imagem em equinos. Compradores de cavalos esportistas costumam utilizar o recurso para identificar possíveis fragilidades em partes do corpo que são mais exigidas nas provas por Rafaele Esmeraldo

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om o desenvolvimento das provas equestres, cada vez mais a avaliação da condição esportiva do animal se torna relevante. Junto aos já tradicionais exames clínicos, histórico e sintomas, exames complementares passaram a ser feitos por imagem durante uma consulta médica, auxiliando no diagnóstico de eventuais doenças. De acordo com a médica veterinária, especialista em equinos, Cátia Nascimento, “o uso da imagem como auxílio diagnóstico na medicina equina é de muita importância e hoje, no Ceará, esses recursos estão disponíveis, elevando a qualidade do atendimento aos equinos de esporte”. “A imagem pode, por exemplo, não ser invasiva (radiografia e ultrassom), minimamente invasiva (endoscopia) e invasiva (laparoscopia). Em equinos a radiologia avalia principalmente partes ósseas. A ultrassonografia avalia partes moles do sistema locomotor, abdômen, tórax e sistema reprodutivo. A endoscopia avalia principalmente o sistema respiratório e estômago. O raio-x pode ser solicitado quando um equino apresenta alguma claudicação (manqueira) ou quando está sendo negociado (exame de compra)”, afirma Cátia. Quando o cavalo está com dor ou manco, um médico veterinário deve fazer um exame físico bem elaborado e identificar o local exato do problema, e só então solicitar, por exemplo, o raio-x da região suspeita de problema ósseo. Durante uma negociação de compra e venda de um cavalo de

Ultrassom. Especialista realiza exame não invasivo para auxiliar no diagnóstico de doenças equinas

“O uso da imagem como auxílio diagnóstico na medicina equina é de muita importância e hoje, no Ceará, esses recursos estão disponíveis, elevando a qualidade do atendimento aos equinos de esporte” Cátia Nascimento Médica veterinária, especialista em equinos

esporte é muito comum serem solicitadas imagens radiológicas de determinadas áreas do corpo do animal que possam identificar se ele está apto para o esporte. Por exemplo, a doença do navicular afeta inúmeros

cavalos que saltam; problemas no jarrete em cavalos de tambor e baliza, e problemas de “joelho” em cavalos de corrida. Portanto, durante a comercialização é importante uma avaliação adequada para que o comprador não se sinta enganado. É importante salientar que o exame de compra não impede a negociação, apenas esclarece sobre as conA especialista O diagnóstico por imagem surgiu na profissão de Cátia Nascimento como um complemento necessário à identificação dos problemas nos equinos. Inicialmente, usou o serviço de radiologia de um técnico que a ajudava fazendo raio-x em equinos. Em 2002, iniciou o trabalho com endoscopia respiratória e, em 2010, a avaliação do sistema locomotor com ultrassonografia. No ano seguinte adquiriu o próprio equipamento de radiologia digital.

dições específicas do cavalo de esporte. A ultrassonografia avalia condições de tendões, ligamentos e bordas ósseas quando se trata do sistema locomotor. Quando usada no sistema respiratório avalia as condições do pulmão e da pleura que são especialmente afetados em cavalos que viajam muito e que são exercitados intensamente.

Já a endoscopia faz uma visualização direta das estruturas internas do sistema respiratório, boca, narinas, faringe, laringe, traqueia e brônquios. Avalia também as condições da mucosa gástrica, se há ou não presença de inflamações (gastrites) ou feridas (úlceras), o que pode afetar diretamente a qualidade da digestão e provocar cólicas.


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ABCCC reforça o bem-estar animal DIVULGAÇÃO

Segurança. Medida visa ampliar as boas práticas nas competições de cavalos da raça Crioulo da Redação

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onceito amplamente difundido na atualidade, o bem-estar animal deixou de ser apenas uma opção. No que se refere aos cavalos, em qualquer atividade a qual esses animais sejam submetidos, a atenção à sua boa disposição, satisfação, conforto e segurança é indispensável. Nas pistas, a preocupação com as condições dos animais envolvidos motivou uma ação inédita que pode ser o primeiro passo para o estabelecimento de legislação específica para provas equestres. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) aprovou em sua reunião anual de avaliação determinações que alteram os regulamentos de suas provas seletivas e desportivas, visando contemplar as práticas de bem-estar animal. Essas decisões vão ao encontro do que já é adotado por

outras entidades de raça e associações ligadas ao meio equestre. Muitas delas já eram previstas nos regulamentos que apontam, entre as suas exigências, a necessidade de exame antidoping nos melhores pontuados em suas principais seletivas. A partir de agora, no entanto, essas determinações ficam ainda mais rígidas e entram em vigor a partir da Expointer 2015. Neste caso, os animais que atestarem positivo no exame ficarão impedidos de participar de quaisquer das modalidades desenvolvidas pela ABCCC durante o ciclo em que o fato ocorrer. Existe, inclusive, um esforço conjunto empreendido por essas entidades com a intenção de criar um documento de bem-estar animal em competições, apoiado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que será transformado em projeto de lei. O objetivo é estabelecer

700 ml

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Regra. Entre as exigências está o exame antidoping nos cavalos pontuados das principais seletivas

um amparo jurídico para o tema, já que atualmente não existe respaldo legal para essas situações. Para o superintendente do Registro Genealógico da ABCCC, Rodrigo Teixeira, a associação está evoluindo nesse sentido justamente para proteger a raça e a sua seleção. “Considero que as decisões aprovadas estão entre as mais importantes que já tomamos nas últimas décadas em relação aos regu-

lamentos, visando a longevidade das nossas provas de seleção e esporte”, diz. A título de exemplo, será proibida a continuidade da participação do conjunto caso seja constatado pelos jurados ou pelo inspetores qualquer tipo de sangramento no cavalo, mesmo o que não seja causado pela ação direta do ginete, implicando em sua desclassificação da prova, em qualquer modalidade.

Teixeira salienta ainda que a ABCCC participou da criação de um manual de Práticas de Bem-Estar Animal em Competições, promovido pela Câmara Setorial de Equideocultura do Ministério da Agricultura e que, além da adequação nos regulamentos, ainda irá promover ações como aplicar placas com dicas de bem-estar nas cocheiras e disponibilizar fiscais em seus eventos.


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Cavalo Pampa promove grande evento Rio de Janeiro. Mais de 500 animais estão movimentando o Centro Hípico Sapucaia, na região serrana fluminense, palco da 22ª Expo Nacional do Cavalo Pampa (Enapampa). O evento terá diferentes atrações e será aberto ao público da Redação

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om participação de criadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Goiás e Bahia, a Enapampa é realizada pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro. Um público estimado em cinco mil pessoas está sendo aguardado para conferir os concursos de morfologia, provas funcionais, leilões e apresentações especiais. Doze juízes atuarão nos julgamentos de animais puxados e montados e em provas de ação. Na quinta-feira (27) serão conhecidos os grandes cam-

peões jovens da raça, ou seja, machos e fêmeas com idade até 36 meses. Já os grandes campeões e campeões dos campeões entre os animais adultos serão conhecidos no domingo (30). Além da morfologia, os animais adultos também têm seus andamentos avaliados e participam da prova de ação. Enquanto a prova de andamento é dividida pelas categorias picada, centro, batida e trotada, a de ação impõe ao conjunto (cavalo/ cavaleiro) um percurso em pista com obstáculos como porteiras e a execução de movimentos na figura de um

FOTO: ROBSON RODRIGUES

Investimento. Cavalos de pelagem pampa das raças Pampa, Mangalarga Marchador e Mangalarga já são os mais valorizados

oito em marcha e no galope. Conquistando ano a ano novos criadores em todo o país, cavalos de pelagem pampa das raças Pampa, Mangalarga Marchador e Mangalarga já são os que maior valorização e liquidez têm apresentado no segmento. Investimento seguro, cavalos de pelagem pampa destas três raças estarão sendo ofertados durante a 22ª Enapampa. Serão três momentos de comercialização sob comando da Business Leilões com oferta de animais jovens, reprodutores, matrizes, cavalos de sela e

embriões que trazem carga genética excepcional e representam plantéis dos principais criadores do País. Além de presenciais, os leilões também terão transmissão online (www.canalbusiness. com.br), onde o comprador pode dar lances antecipados. A expectativa dos organizadores é que os pregões movimentem mais de R$ 2 milhões e devem alcançar um público superior a 100 mil pessoas que estarão acompanhando as vendas online de todo o Brasil. O 7º Leilão Nacional Futuro da raça, naquinta-feira (27) às 19h00 e o 15º Leilão Nacional

Adulto, nasexta-feira (28) às 18h00 totalizam 92 lotes. Já o Leilão Nacional Premium, no sábado (29) às 20h00,colocará à disposição do mercado 45 lotes de Pampa e Mangalarga Marchador de criatórios do Estado do Rio de Janeiro. A 22ª Enapampa tem organização da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Pampa (ABCCPampa) e apoio do Canal Business, Governo do Rio de Janeiro, Centro Hípico de Sapucaí, Prefeitura Municipal de Sapucaia, Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro, Caminhos Dourados e RI Genérica.


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QM reina nas pistas de Barretos FOTO: ANDRÉ SILVA

São Paulo. Desenvoltura dos cavalos Quarto de Milha será parte do espetáculo da final do 12º Campeonato Nacional de Três Tambores, que acontecerá durante a 60ª Festa do Peão de Barretos da Redação

T

udo pronto e preparado para acompanhar as meninas da ANTT (Associação Nacional dos Três Tambores) na primeira semana da 60ª Festa do Peão de Barretos, que acontece de 20 a 23 de agosto. É o encerramento do 12º Campeonato Nacional de Três Tambores e a premiação será um carro Zero Km à campeã Nacional ANTT Gold Race. Os dois melhores animais da raça Quarto de Milha ganham uma vaga para representar a ANTT na Copa dos Campeões ABQM, em outubro. Na arena mais cobiçada da América Latina, as meninas posicionadas entre 1° e 10° lugares no ranking disputarão pela Gold Race, enquanto que as competidoras que ficaram entre 11° e 20° do ranking estarão em disputa pelo título

da Silver Race. Lançada para colocar o futuro do esporte em pista, a categoria mirim, para garotas de até 12 anos, terá cinco finalistas. Elas somaram pontos a cada etapa para definir quem entraria na zona de classificação. Em Barretos, as finalistas disputarão três rounds, dividas em suas categorias: Feminina - Gold e Silver; e Mirim, que somarão pontuação de 100 a 10 e de 50 a 10 (mirim), por ordem de tempos em cada round. Ao final, serão atribuídos pontos de acordo com a soma ou a média dos três tempos. Por conta do show internacional de Garth Brooks, não haverá rodeio no sábado (22), e, diferente dos outros anos, a final será em apenas três passadas. E só dá Quarto de Milha como montaria das finalistas de 2015. Pela Gold Race, Fatiana Ferreira com Exclusive Moon, Fernanda Jurca com

Competição. A atleta Fatiana Ferreira com o seu Quarto de Milha Exclusive Moon

Jay Jay Dash, Keila Mendonça com Victoria Skippy San; na Silver, Graziela Mendonça e Esperanza Slander, Leticia Valle e Flower King Dee, Viviane Gratão e Linda Dry Jiggs, Tarcila Ferguson e Xiguara Red Boy JVC. Segundo a presidente da ANTT, Flávia Cajé, esse ano

consolidou ainda mais a parceria da entidade com a ABQM. “Conseguimos uma grande vitória para a associação e competidoras fazendo parceria com a NBHA, classificando pela ANTT duas competidoras para mundiais, um passo muito importante para nossa associação”.

Ao todo foram sete etapas e mais quatro etapas Bônus. A ANTT passou por Ibirarema, Colorado, Ribeirão Preto, Jaguariúna, Mineiros, São João da Boa Vista, Indaiatuba, e ainda Tietê e Maringá. E a temporada 2016 já tem data pra começar: Ibirarema, SP, de 10 a 13 de setembro.

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DJALMA BARBOSA DE LIMA ODEMAR COSTA NILMAR IGNACIO GOMES DANIEL BILK COSTA JOSÉ AILTON PUPIO NILSON FRANCISCO GENOVESI TRAJANO ANTONIO DE LIMA E SILVA ANTONIO CARLOS PINHEIRO MACHADO JOÃO ANTONIO GABRIEL JARBAS LUFF KNORR MARCELO INDARTE SILVA LUCIANO CURY GUILLERMO GARCÊS SANCHEZ JUNIOR FRANCISCO S. V. DE CARVALHO � � KIKO ) LOURENÇO MIGUEL CAMPO JOSÉ LUIS LOBO NETO CLAUDIO JOSÉ PAGANO GASPERINI BRÁULIO FERREIRA NETO ANDERSON MORALES MARCELO CRUZ MARTINS JUNQUEIRA ANIBAL FERREIRA MARCELINO JUNIOR OMAR FAYAD CARLOS EDUARDO VAZ DE ALMEIDA GUILHERME MINSSEN WELLERSON JOSE SILVA NILMAR IGNACIO GOMES JOÃO BATISTA DE OLIIVEIRA ANDRÉ MEGELLA LUCIANO PIRES AGNALDO AGOSTINHO ROBERTO SIQUEIRA MOACIR NAVES EDER FLAVIO BENITT CLEONIR MIGUEL DOS SANTOS SILVA LUCIANO ALMEIDA VIANA ADRIANO APOLINÁRIO LEÃO OLIVEIRA AUREO RODRIGUES FILHO � � TICO ) ADRIANO MARCOS BARBOSA FERREIRA ANTONIO PEREIRA DE LIMA � � TONHÃO )

RODRIGO GOMES COSTA NIVALDO DEGANELLO LUIS CARLOS MOREIRA VITOR TRINDADE JUNIOR PAULO MARCUS BRASIL VILSON DE OLIVEIRA SILVA MARCELO PARDINI DEVANIR RAMOS AFRÂNIO MACHADO SOARES CAROLINE DE SOUSA TATIANA PAULA ZANI DE SOUSA GILSON CARDOSO JOSIAS VITORINO DO NASCIMENTO FABIO LUIZ MARTINS CRESPO LUIZ CARLOS MACIEL LEONARDO BERALDO MARIO CEZAR DE AQUINO ROLÃO JHONNI BALBINO DA SILVA ALEXANDRE MOHERDAUI BARBOSA JOEL SANTA ROSA DE MEDEIROS CRISTIANE BORGUETTI MORAES LOPES MARCELO MOSCHIM RICARDO GUIMARÃES ÁVILA EDUARDO GOMES NAELSON ALVES FARIAS JUNIOR ROBERTO LEÃO EDIMAR RODRIGUES DE CARVALHO JR HEBER SANT'ANA


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Agro&cultura ANO V Nº 49 ANO FORTALEZA-CE AGROVALOR X Nº 114

Com a cara do Brasil Brasileiros começam a valorizar sua própria cultura, cores e produtos na decoração, em um estilo cheio de alegria e leveza. Pág. 5

MARÇO DE 2010 AGOSTO DE 2015 FORTALEZA-CE

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Concurso. O “Mistura que Vai Bem” promete revelar novos e talentosos bartenders do Ceará, e, de quebra, aquecer o setor de bares e restaurantes

Bar: A arte de misturar o melhor Bartenders. Concurso vai descobrir valiosos talentos na profissão e mostrar que os donos de bares e restaurantes podem conquistar mais clientes, sem onerar o produto, através da mixologia, processo que trabalha as propriedades físicas de uma bebida da Redação

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m todos os negócios de serviços, seja de alimentação, lazer ou beleza, a onda que nunca para de crescer é a da inovação, visando cada vez mais a satisfação do cliente. E esse contentamento é infinito, e depende de técnicas, conhecimento, relações humanas, dedicação e habilidades dos profissionais. Foi com esse pensamento que o diretor do Sistema AgroValor de Comunicação, Rodrigo Bitar, desenvolveu uma campanha para alavancar ainda mais a gastronomia cearense na área de bebidas.

Mistura perfeita Bitar criou, no Ceará, o primeiro concurso de mixologia com a tradicional – e atualmente – internacional cachaça brasileira, no caso a Cachaça de Rolha, destilado artesanal de alambique produzido pela Fazenda Libanus, de São Gonçalo do Amarante (CE). Nunca ninguém havia pensado nessas vantagens que o certame trará ao produto genuinamente nacional, e para o setor de bares e restaurantes em geral. O concurso “Mistura Que Vai Bem”, que já está com inscrições abertas, e que terá quatro fases de classificação, entre agosto e dezembro do corrente, vai re-

velar os melhores bartenders do Ceará. Bitar faz questão de destacar que os objetivos desse interessante concurso não se limitam a revelar novos e talentosos chefes de bar. Segundo ele, “é para sofisticar mais os serviços de bares e restaurantes cearenses”. O evento vai também exibir para o empresário do setor, “que ele está deixando de ganhar uma grana imensa”, pois poderia agregar ainda mais valor a seus drinques. E ressalta que isso não quer dizer deixar o produto mais caro, no entanto “mais atraente, uma bebida bonita e gostosa é tudo de bom”, comenta.

Reality show Fortaleza é uma das capitais brasileiras que mais atraem turistas nacionais e estrangeiros, por conta de suas praias, culinárias e a contagiante vida noturna de bares, restaurantes e outras casas de lazer.

“Mistura Que Vai Bem” é o primeiro concurso de mixologia com a tradicional – e atualmente internacional – cachaça brasileira

A ideia do jovem empresário despertou outros grupos de mídias que já pensam em desdobrar o evento em programas de reality show. Quando ele planejou a realização do concurso, pensou além dos ganhos comerciais, sociais e culturais, como expor para o profissional de bar “que a mistura perfeita não é apenas um drinque top mundial”, mas sim uma “nova profissão”, lembra. Para Bitar, o bartender precisa entender que a base da sua profissão

“é o conhecimento atrelado à capacitação e formação; um profissional carismático, que gosta de se relacionar com as pessoas”. Salienta ainda que o consumidor está cada vez mais bem informado, e o concurso visa também torná-lo mais exigente, segundo ele, “e o bartender que não for comunicativo não vai muito longe; pois deve ser, acima de tudo, um bom vendedor”, afirma. Cachaça artesanal Para completar, ele ressalta que o concurso vai difundir o conceito de cachaça artesanal “como um produto de alta qualidade e que pode ser utilizado nos mais variados drinques”, e que, além dos já conhecidos, “podemos criar novas e saborosas bebidas; e todo esse processo vai valorizar a profissão de bartender e criar a cultura do chef de bar, já bem difundida no Sul e Sudeste”, completa.


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Agroturismo

Bento e seu inverno sensação FOTO: ARQUIVO

Serra Gaúcha. Jantares temáticos, cursos de degustação de vinhos e espumantes, oficinas de gastronomia e pacotes especiais em hotéis são alguns dos atrativos do evento anual, na cidade do vinho, Bento Gonçalves por Rafaele Esmeraldo

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eja, sinta, ouça, deguste e toque” são as sensações provocadas nos visitantes do município de Bento Gonçalves (RS), situado na Serra Gaúcha, principal destino de enoturismo do Brasil e considerado a capital brasileira do vinho. O período de alta temporada do turismo já é encantador por si só e, durante os meses de inverno, ganha força com a realização do Bento Sensação, de 12 de junho a 16 de agosto. O nome do evento, Bento Sensação, é lúdico porque remete às sensações que envolvem a atividade. O secretário municipal do Turismo, Gilberto Durante, relata: “Temos diversos programas que envolvem degustação de vinhos e espumantes nos hotéis e nas vinícolas, alguns em harmonização com queijos. Jantares harmonizados também estão presentes, Filó Italiano (festa em que as pessoas se reúnem para celebrar a cultura da imigração italiana), passeio de Maria-Fumaça sempre é uma boa pedida e programa de visitação nas vinícolas que mostram todo o processo de elaboração dos vinhos, espumantes e sucos de uva”. Durante explica a importância do evento para a região: “O Bento Sensação é o nosso evento da alta temporada turística, no período de inverno com temperaturas próximas a zero grau, em que os visitantes buscam as experiências enoturísticas e gastronômicas, desfrutando da estrutura de aconchego dos hotéis e pousadas, das lareiras e da cultura italiana expressada de diversas formas”. A estimativa é de duzen-

Paisagem. Lindas vistas de pousadas FOTO: ARQUIVO

FOTOS: GILMAR GOMES

Vinho. É referência em Bento Gonçalves

Inverno. Vale dos Vinhedos

tos mil visitantes. Em média, 95% do público é nacional e 5% estrangeiro. Do Brasil são: Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. De fora do país: Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Itália. A programação anual trata-se de uma construção coletiva envolvendo a Secretaria de Turismo e o trade local, especialmente as entidades do setor: Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SHRBS), Bento Convention Bureau e Associações dos ro-

geração de empregos temporários em hotéis e principalmente restaurantes. A expectativa, conforme a Secretaria Municipal do Turismo (Semtur), é que o período gere uma ocupação hoteleira de 70% nos finais de semana.

teiros turísticos. A cada ano é ampliada a programação que os empreendedores também desenvolvem. Desta forma, o principal objetivo é atingido, com programas inovadores em todo o período do evento, oxigenando a programação e fidelizando o visitante. O evento movimenta toda a cadeia econômica do município, envolvendo serviços turísticos, indústria do vinho e comércio. O gasto médio é de R$ 350,00 por pessoa diariamente, representando incremento financeiro e a

O Bento Sensação 2015 é promovido pela prefeitura de Bento Gonçalves (RS), através da Semtur, com apoio de entidades e empreendimentos do setor. A programação completa está disponível no www.turismobento.com.br.

Saiba mais O clima da cidade de Bento Gonçalves é o subtropical de altitude, sendo os meses mais frios junho e julho, com temperaturas médias mínimas de 8ºC e médias máximas de 17ºC.


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Agrosabor

Receita

Sabor goiano

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Galinhada goiana

INGREDIENTES DIVULGAÇÃO

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4kg de pedaços de galinha caipira (coxas, sobrecoxas e peito) 1,5 de miúdos (moela e coração) de galinha caipira 1kg de arroz branco 3kg de pequi 500g de milho verde Pimenta de bode a gosto 2 cabeças de alho 3 cebolas médias 50g de açafrão-da-terra Pimenta do reino a gosto Sal a gosto Cheiro verde 1 limão

MODO DE PREPARO

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m prato simples de fazer e que tem em quase tudo quanto é lugar. Talvez o que mude são alguns componentes a mais no prato. Da reunião de ingredientes simples nasceu um prato saboroso que ganhou a mesa de muitos brasileiros, a galinhada. Adotado como um dos principais pratos da culinária goiana, este prato real-

mente possui algumas especificidades, uma delas é o açafrão-da-terra (cúrcuma), item obrigatório na receita. Também pode-se acrescentar a guariroba (gueroba, em “goianês”), pequi e milho, ao gosto de cada um. O açafrão sempre foi muito utilizado na culinária goiana, principalmente no interior do estado, que antes da construção de Brasília

Sistema diferenciado de criação que valoriza a saúde e o bem estar das aves.

era muito isolado do resto do país e tinha poucas opções de temperos nas residências, na maioria das vezes na zona rural. Não se sabe ao certo como surgiu o prato, que muito goiano chama de canja sem caldo, mas sabe-se bem que para se ter galinhada é essencial ter o arroz cozido no caldo do frango em pedaços sempre com osso.

• Antes de tudo, coloque os pequis em uma panela à parte e cubra com água, uma pitada de sal e leve ao fogo para cozinhar até amolecer a polpa (cerca de 20 a 30 minutos); • Enquanto os pequis cozinham lave o frango com limão; • Tempere-o umas 3h antes de começar a cozinhar com alho, cebola, pimentas, ervas e parte do açafrão; • Frite em uma caçarola grande até dourar, o que levará uns 15 minutos, dependendo da potência do seu fogão; • Vá colocando água quente aos poucos. A ideia é ir braseando o frango para que ele cozinhe e pegue cor ao mesmo tempo; • Quando a carne estiver macia, quase soltando do osso, deixe secar toda a água e escorra o excesso de óleo (a pele solta muita gordura, mas é importante fazer com ela para garantir sabor e textura, depois pode até tirar); • Com a panela de frango ainda quente acrescente o arroz e deixe dar uma fritada na rapa do frango; • Escorra o caldo dos pequis e reserve. Junte o pequi e o milho verde; • Use o caldo reservado do pequi para cozinhar o arroz, o que deve levar de 15 a 20 minutos, no máximo. Sirva quente, com cheiro verde picado em cima e acompanhada de vinagrete e tutu de feijão.

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BICAMPEA NACIONAL 2013/2014

A Escócia fabrica o melhor uísque, o brasileiro bebe. A Alemanha fabrica a melhor cerveja, o brasileiro bebe. A Rússia fabrica a melhor vodca, o brasileiro bebe. O Brasil fabrica a melhor cachaça, os gringos bebem.

Está na hora de valorizar a nossa bebida.

Cachaça Cedro do Líbano (85) 3270 7650 - www.cachacacedrodolibano.com.br - contato@cachacacedrodolibano.com.br


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Mariana Montenegro

Agrodécor

Arquiteta com especialização em Arquitetura de Interiores e Paisagismo pela Universidade Paulista, de São Paulo. www.marianamontenegro.com.br

Brasil em cores e contrastes A brasilidade é a qualidade do que é brasileiro. No caso da decoração, ela pode abranger vários produtos, técnicas e materiais que são característicos da nossa região e cultura. Com a edição deste ano da Casa Cor São Paulo, o tema ganhou mais força e vem conquistando cada vez mais seguidores. Cores vivas, tropicais, técnicas manuais, texturas naturais e a diversidade são representações da atmosfera cultural brasileira e do estilo de vida que exibe alegria e leveza. A alma e a existência do brasileiro são multicoloridas. Os tons de seu povo mestiço e das suas cidades fazem com que nossa diversidade seja inigualável. Por estarmos em um país tão grande, rico e cheio de culturas diferentes é difícil mostrá-lo em poucas nuances. Ao lado, os ambientes que mais caracterizam nossas cores, culturas e contrastes.

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1. Inspirado no cerrado brasileiro, Marcelo Rosenbaum imprime em cada estampa algum elemento natural ou da cultura existente no bioma; 2. Ao fundo do ambiente, as paredes de pau a pique, típicas do sertão brasileiro; 3. Jogo Americano, que tem como matéria-prima a palha de Tucumã, uma espécie de palmeira. Comunidade: Urucureá (Santarém – Amazônia, PA); 4. Papel de parede e cestas representam um pouco da cultura da palha no Brasil; 5. Toda a diversidade de cores da flora brasileira representada no painel ao fundo.; 6. Na casa cor Goiânia a madeira e a vegetação foram utilizadas em vários ambientes evocando o tema brasilidade. Fonte: http://www.shoppingid.com.br/blog/brasilidade-e-decor/ https://www.westwing.com.br/cores-no-brasil/


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Porteira Fechada

“Casca de banana”, o capítulo que não entrou no livro FOTOS: DIVULGAÇÃO

− What does the verb ‘to pretend’ mean? − pergunta Bartira aos seus jovens alunos no primeiro dia de aula do curso de Inglês. − To want! − responde quase em uníssono a classe composta, em sua maioria, por universitários da área de Ciências Humanas, cujos cursos funcionavam nos prédios ao redor dos bangalôs que abrigavam as ‘Casas de Cultura Estrangeira’, da Universidade Federal do Ceará (UFC), ali no bairro Benfica, em Fortaleza. − Pretender ! − alguém arrisca em português. − In English, please! − insiste a teacher. No fundo da sala, uma voz feminina responde com firmeza: − ‘To pretend’ means ‘to make believe’. A cena, acontecida nos anos 1970, foi relembrada recentemente pela professora ao encontrar, casualmente, a ex-aluna que havia acertado a resposta. − (Que menina danada!) − foi o seu pensamento sobre a desviada triunfal da pupila diante de uma clássica ‘casca de banana’, a pegadinha preferida de nove entre dez professores de Inglês no Brasil. − ‘Bery’ good! A verdade é que sempre tive muita facilidade para aprender idiomas. A minha principal preocupação − mais até do que adquirir fluência em conversação − era para com a gramática e a pronúncia, no caso a inglesa. Queria elevar o nível dos diálogos para além do ‘My name is Celma’, ‘My dog is black’ e ‘The book is on the table’, e − muito metida − ainda me esforçava para falar sem sotaque. Minha diversão favorita na escola de Inglês em Nova York − durante a temporada em que lá moramos em 1997 − era despistar os professores e coordenadores que se gabavam de identificar a procedência do aluno apenas pelo accent.

Celma Prata Jornalista e diretora editora do AgroValor

− Sorry! − eu já morrendo de rir da cara séria que eles faziam.

− Hispânico*! − Bingo! Eles que me aguardem. − She’s a beautiful ‘vooman’!

A plateia formada por, pelo menos, dez nacionalidades, estava a essa altura na maior torcida. Por mim, claro.

− Russa! − Mais pontos para os danados. − Francesa? − It´s gonna ‘lain’! − Japonês! − Essa é peace of cake, também, quem não saberia? (risos) Brincadeirinha com meus caros colegas do Japão. Na minha vez, eu, muito esperta, caprichava no ‘l’ final, com a língua enroladíssima lá no céu da boca:

Eles induziam diálogos para que falássemos palavras como ‘well’, ‘very’, ‘woman’, ‘rain’ e ficavam só esperando o escorregão.

− I´m very ‘wellllll’!

− I’m very ‘weuu’!

− ‘Nop’! − eu começava a me divertir.

− Brasileira! − eles diziam. Ponto pra eles.

− Espanhola?

− Give up! − eu brincava, e eles desistiam mesmo. Nunca acertaram. Também pudera, duas décadas haviam se passado desde o episódio na Cultura Britânica da UFC, que, a propósito, funciona no mesmo endereço até hoje. Em NYC, meu olfato estava ainda mais apurado e eu farejava uma ‘casca de banana’ a milhas de distância. Os filhos do Tio Sam tombavam feio.

− Italiana? Nota da autora: O capítulo “Casca de Banana” deixou de compor o livro “Descascando a Grande Maçã (Sete_2012), por sugestão de uma amiga.

*Hispânico é um termo controverso, adotado pelo governo norte-americano para designar as pessoas residentes nos EUA, originárias de países de língua espanhola da América Latina.


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Agrovip FOTOS: ANTT

Rédeas em destaque Com um crescimento ordenado e extraordinário, o esporte de rédeas é um dos mais respeitados hoje no Brasil e no mundo. E na manhã de domingo, 9 de agosto, Dia dos Pais, foi encerrado mais um grande evento dessa categoria. De 5 a 9 de agosto, foram realizados pela Associação Nacional do Cavalo de Rédeas (ANCR) o 26° Potro do Futuro, o 24ª Campeonato Nacional e a 6ª Copa Inter Núcleos.

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As atividades aconteceram na Fazenda Barrinha, em Espírito Santo do Pinhal, São Paulo, pista coberta, estrutura diferenciada e um espaço que cabe cerca de 1800 pessoas, quase 600 só nas arquibancadas. A premiação de mais de R$ 360 mil foi montada com valores provenientes das inscrições, programa de nominação de potros, incentivo das raças Quarto de Milha e Crioulo e patrocínios. O número de inscritos foi superior ao ano passado em 20%, totalizando 280 inscrições. 26° Potro do Futuro 24ª Campeonato Nacional 6ª Copa Inter Núcleos Espírito Santo do Pinhal (SP)

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01. João Francisco Lacerda (diretor ANCR) com seu neto, Jefferson Abbud (diretor ANCR), Fernando Botteon (cavaleiro) e amigo; 02. Najib Michel Abou Rjeili (Tassa Jeans), Todd Barden (diretor NRHA) e Gilson Diniz Filho (cavaleiro); 03. Karoline Rodrigues (amazona) e Paulo Afonso Leite (cavaleiro); 04. Francisco Moura (presidente ANCR) e Kizi;

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05. Gilson Diniz (cavaleiro); 06. Gilson Vendrame (cavaleiro) e Xande Ramos (cavaleiro); 07. João Marcos (Cardinal Ranch) e Todd Barden; 08. João Felipe Lacerda (cavaleiro) e seu filho; 09. Cacá Redig (criador) e esposa

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BICAMPEA NACIONAL 2013/2014

A Escócia fabrica o melhor uísque, o brasileiro bebe. A Alemanha fabrica a melhor cerveja, o brasileiro bebe. A Rússia fabrica a melhor vodca, o brasileiro bebe. O Brasil fabrica a melhor cachaça, os gringos bebem.

Está na hora de valorizar a nossa bebida.

Cachaça Cedro do Líbano (85) 3270 7650 - www.cachacacedrodolibano.com.br - contato@cachacacedrodolibano.com.br

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