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António Cunha, em exclusivo ao ACADÉMICO

Reitor da UM antecipa cortes drásticos caso não existam alterações ao Orçamento do Estado Fundo social de emergência chegará aos 116 mil euros

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Jornal Oficial da AAUM DIRECTOR: Vasco Leão DISTRIBUIÇÃO GRATUITA 176 / ANO 8 / SÉRIE 4 TERÇA-FEIRA, 30.OUT.12

academico.rum.pt facebook.com/jornal.academico twitter.com/jornalacademico

internacional As eleições dos EUA aos olhos de especialista da UM

A “corrida” está renhida

local

campus

Braga + apresenta soluções para a cidade

Alunos da UMinho premiados em festival internacional

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campus

cultura

RGA discute finanças da AAUM na 4ª feira em azurém

Coldfinger preparam De que forma sentes álbum em tempos de os efeitos da crise? mudança

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FICHA TÉCNICA 02.OUT.12 // ACADÉMICO

EM ALTA

NO PONTO

EM BAIXO

Braga + De louvar que um grupo de cidadãos, movidos por algo apartidário (dizem) se lembre de construir algo para a cidade de Braga. É, de facto, uma união de esforços de três movimentos (dois blogues e uma associação), que pode ter muito para dar à cidade. Mais que não seja, pelo menos, haverá mais alguma discussão em torno de temas aos quais os bracarenses dão sempre grande atenção. Ficarei atento!

Desporto da UM nomeado De facto, os resultados e excelência de alguns atletas permitem à Universidade do Minho estar muito bem representada na Gala de Desporto da Confederação de Desporto de Portugal. Já tive oportunidade de presenciar esta cerimónia e sei a relevância que assume no panorama desportivo nacional. A nomeação para estes prémios é, mesmo antes dos resultados, uma vitória!

RGA’s na UM Parece-me demasiado tarde a data desta RGA. Há tantos meses que se devia ouvir os estudantes na questão da ação social; há três meses com uma polémica das praxes entre portas que merecia outro tratamento, há tanto tempo que o balanço do Enterro da Gata deveria ter sido feito... pergunto agora o porquê do atraso na marcação/ realização desta RGA?

SEGUNDA BARÓMETRO PÁGINA

FICHA TÉCNICA // Jornal Oficial da Associação Académica da Universidade do Minho. // Terça-feira, 30 Outubro 2012 / N176 / Ano 8 / Série 4 // DIRECÇÃO: Vasco Leão // EDIÇÃO: Daniel Vieira da Silva // Chefes de redacção: Cláudia fernandes e Rita Magalhães // REDACÇÃO: Adriana Couto, Alexandre Rocha, Ana filipa Gaspar, ana Pinheiro, Bárbara martins, Bruna Ribeiro, Bruno Fernandes, Carla Serra, Catarina Moura, Catarina silva, Cátia Alves, Cátia Silva, Cláudia Fernandes, Daniel mota, Dinis Gomes, Diogo Lemos, Filipa Barros, Filipa Sousa Santos, Isabel Ramos, Joana Martins, Joana Valinhas, Joana Videira, João Pereira, Judite Rodrigues, Marta Soares, Raquel Miranda, Rita Magalhães e Vânia Barros // COLABORADORES: Elsa Moura e José Reis // GRAFISMO: gen // PAGINAÇÃO: Daniel Vieira da Silva // MORADA: Rua Francisco Machado Owen, 4710 Braga // E-MAIL: jornalacademico@rum.pt //TIRAGEM: 2000 exemplares // IMPRESSÃO: GráficaAmares // Depósito legal nº 341802/12

REUNIÃO GERAL DE ALUNOS ORDINÁRIA De acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 31º e no n.º 2 do artº 47º dos Estatutos da A.A.U.M., venho pela presente convocar todos os alunos para uma Reunião Geral de Alunos Ordinária, a realizar no próximo dia 31 de Outubro de 2012, pelas 15h00, no Auditório B1.10, sito no Pólo de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação da acta da Reunião Geral de Alunos anterior; 2. Informações; 3. Discussão e votação da execução orçamental e do cumprimento do Plano de Actividades, com referência a 30 de Setembro; 4. Outros Assuntos.

AAUM, 22 de Outubro de 2012 O Presidente da Mesa da RGA

Transporte gratuito entre Pólos – mais informação nos GAA. RGA@aaum.pt


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LOCAL braga+ apresenta soluções para a cidade RAQUEL MIRANDA miranda.m.raquel@gmail.com

Para além do facto de serem bloggers, Rui Ferreira (Braga Maior), Carlos Santos (Braga On) e Ricardo Silva (Jovemcoop), têm em comum o objetivo de promover ideias para a cidade de Braga. Para isso criaram a associação ‘Braga+’, que tem como divisa Cultura, Património e Cidadania. Em declarações à Rádio Universitária do Minho e ACADÉMICO, Ricardo Silva explicou como surgiu o projeto: “Notamos que quem anda na internet muitas vezes tocava os mesmos assuntos, e portanto há aqui uma espécie de reunião de forças para ajudar a promover o debate e avançar ideias para a nossa cidade. Basicamente a Braga+ pretende ajudar a debater ideais pelos quais a cidadania, a cultura e o património estarão presentes como pedras basilares e como mote que nos une a todos”. `Braga+´ assume-se como uma “associação que nasce da vontade de bracarenses, conscientes da sua corresponsabilidade na edificação da sociedade, que desejam uma Braga que sabe potenciar os seus recursos, que

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valoriza o património legado pelas diferentes eras, uma cidade que se orgulha do seu passado, que o conhece e valoriza, e que o sabe mostrar ao resto do mundo.” A associação, apadrinhada por Miguel Bandeira, docente da universidade do Minho e membro da Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural (ASPA), foi apresentada à cidade de Braga a 21 de outubro na Torre de Menagem, com vista a dar a conhecer as linhas centrais de `Braga+´. A existência de monumentos com grande valor histórico que não estão na alçada da valorização patrimonial é um assunto a resolver, como explica o membro

da`Braga+´: “Queremos trazer maior interesse a esses monumentos e, se possível, trazer-lhes também a classificação para serem melhor valorizados.” A importância do Estádio 1º de maio Classificado também será o Estádio 1º de maio na categoria de monumento de interesse público. “O parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura foi dado na passada semana, depois de um processo que demorou quase três décadas a ter seguimento, dado que a Câmara Municipal de Braga havia feito pedido de classificação em 1985. Depois da

capela de Guadalupe, igreja dos Terceiros, recolhimento das Convertidas e igreja do Carmo, trata-se de uma excelente notícia para Braga”, adianta Rui Ferreira. Esta estrutura, delineada pelo arquiteto João Simões tem sido considerada como um dos mais belos recintos desportivos portugueses. Foi inaugurado em 28 de maio de 1926, naquele que foi considerado um dos “maiores dias de Braga” devido à quantidade de pessoas que atraiu à capital do Minho. Museu da Cidade de Braga é desejo da Braga + Esta associação é presidida pelo sonho da criação de um

Museu da Cidade de Braga, no qual seja valorizada e devidamente divulgada a memória da cidade. Este propósito não é inédito, uma vez que já existiu em Braga uma instituição deste género, como o Museu D. Diogo de Sousa e impera pela necessidade de divulgar uma história com dois mil anos, por onde passaram diversas culturas e povos que deixaram na cidade marcas vincadas. Este projeto, que pretende mostrar um percurso cronológico por onde passa a ocupação da civilização romana denota-se ainda como uma forma de admitir aos bracarenses a compreensão da sua identidade, ao acederem à sua história. O museu da cidade “poderia dispor de um Centro de Investigação da História local, em colaboração com a Universidade do Minho e tendo a seu cargo a moribunda revista Bracara Augusta.”, referencia a associação `Braga+´. Estão já agendadas futuras iniciativas tais como o debate acerca do Recolhimento das Convertidas, a 23 de novembro na Casa dos Coimbras e a proposta de classificação da Igreja de Santa Cruz, a 12 de dezembro. PUB.


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CAMPUS uminho dá mais, mais uma vez CATARINA HILÁRIO katarina-kosta@hotmail.com

Mais uma vez, “dar mais” foi o lema da academia. Depois do campus de Azurém, no dia 16 de outubro, na passada terça-feira, 23 de outubro, foi a vez do campus de Gualtar receber as equipas de recolha do IPS (Instituto Português do Sangue). Já completou uma década desde que a Universidade do Minho (UM) se associou ao IPS e, no final de março, o número de novos dadores aproximava-se dos 7000. Nuno Catarino, do departamento de desporto e cultura dos Serviços de Ação Social da UM, diz “a região do Minho encontra-se neste momento nas regiões que mais contribui com sangue para o IPS. Estamos, portanto,

todos de parabéns, profissionais do IPS, estudantes e outros altruístas que juntos fizeram uma coincidência feliz”. Instituição de ensino superior líder do ranking nacional de dadores inscritos desde 2002, a UM é uma forte candidata à condecoração, no final do ano, no âmbito do projeto nacional “Competição pela Vida” do IPS e do Centro Regional de Sangue do Porto (CRSP). A dádiva de sangue e as recolhas de sangue para a análise de medula foram feitas por quatro equipas do IPS, uma delas localizada no Complexo Desportivo da UM e outras três unidades móveis espalhadas pelo campus. Uma junto à estátua do Prometeu, outra no CP2 e, a última, na zona da cantina. Desde as 9h30 até às 19h, foi possível aos alunos e restantes membros

Estudantes voltaram a responder “presente!” à chamada das Dádivas de Sangue

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da academia, contribuírem e exercerem o seu dever cívico. Quanto aos resultados obtidos, Tomás Rito, vice-presidente do Departamento Social da AAUM, adiantou ao ACADÉMICO: “é uma atividade já com bastante tradição na comunidade académica e a expectativas são sempre as melhores. Este semestre os resultados não atingiram valores do semestre passado, isto pela proximidade ao Acolhimento aos novos alunos”. No entanto, realçou que os resultados foram, mais uma vez, bastante positivos e a satisfação foi geral não querendo deixar de valorizar o esforço e o espírito de solidariedade de todos que estiveram presentes nas Dádivas de Sangue, quer como dadores de sangue, quer como dadores de medula óssea.

mais uma noite do university fashion ´12 bem sucedida BÁRBARA MARTINS bjamartins@hotmail.com

Foi no Sardinha Biba, no passado dia 24 de outubro, que se realizou o terceiro e último casting do University Fashion ‘12, numa noite de grande animação e diversão. Dos 25 concorrentes, apenas 16 passaram à fase final deste concurso, que se realizará no próximo dia nove de novembro no Instituto de Design em Guimarães. Filipa Abreu, colaboradora do departamento de saídas profissionais e empreendorismo da Associação Académica da Universidade do

Minho afirma: “inicialmente inscreveram-se muitos alunos, mas alguns deles

desistiram, por isso quem participou estava realmente interessado no evento, o que

demonstra que este tipo de atividade é uma oportunidade para muitos alunos de fazerem aquilo que gostam e de se darem a conhecer e é também uma forma de conhecerem novas pessoas e, quem sabe, criar amizades”, salientando assim a importância desta atividade no que toca ao desenvolvimento pessoal dos alunos da Universidade do Minho (UM). Apesar de organização do University Fashion’12 ter requerido “muito trabalho e empenho por parte da equipa organizadora do evento”, Filipa acredita que há “fortes concorrentes e que a final promete pelo que valerá a pena ver o trabalho

recompensado”. Assim, é importante realçar que esta atividade promovida pela AAUM é fundamental no que toca à ajuda que dá aos alunos de cursos como Ciências da Comunicação e Design e Marketing de Moda a colocar em prática os seus conhecimentos, dando-lhes experiência e uma oportunidade para mostrarem aquilo que valem. Com o apoio da Capital Europeia da Cultura e do curso e Design e Marketing de Moda, espera-se muita festa na final deste ano do University Fashion, novamente realizado na cidade de Guimarães.


CAMPUS PÁGINA 05 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

esn minho e ACADÉMICO rumo à Polónia! DANIEL MOTA danielmotap@gmail.com

A organização Erasmus Student Network, juntamente com uma ONG Polaca, deu a oportunidade a quatro alunos da academia de frequentar um exchange de uma semana financiado pela União Europeia. Este projeto envolveu 24 alunos de vários países (Alemanha, Espanha, França, Eslovénia, Portugal, e Polónia) em workshops sobre reciclagem, e palestras não-formais com ONG’s locais que debatiam problemas ambientais da atualidade. Durante a semana não houve espaço para pausas prolongadas, a contrução de instrumentos musicais com materiais reciclados, a mon-

tagem de animação em stop motion sobre problemas ambientais, entre outros workshops deu uma enorme motivação e criatividade aos grupos divididos por diferentes nacionalidades. Todos os dias foram diferentes, o grupo deslocou-se para locais distintos e desenvolveu os muitos trabalhos criativos que teve pela frente contactando com inúmeras pessoas, debatendo ideias. Um dos trabalhos desenvolvidos foi na cidade de Gdánsk, numa ONG local onde cada grupo teve

que argumentar e desenvolver ideias para algumas Social Campaigns através do tema Be an Aware Consumer. Com um ambiente descontraído todos os jantares foram realizados em restaurantes distintos que deram a conhecer um pouco mais a gastronomia e a cultura Polaca. No último dia, o grupo de estudantes foi dividido em dois, um com Portugueses e Espanhóis, que se dirigiram a uma escola de ensino básico polaca onde os alunos estudavam a língua espanhola,

e outro com as restantes nacionalidades. No primeiro, o objetivo principal era incentivar as crianças a contruir instrumentos musicais com materiais reciclados, no segundo era fazer uma demonstração de alguns jogos que foram construídos no decorrer da semana, mostrando às crianças que podiam construir elas mesmas os seus próprios jogos, tendo sido uma experiência totalmente diferente daquilo que foi feito durante todo o programa.

juntar papéis vale alimentos CLAÚDIA FERNANDES alaufernandes@hotmail.com

Na próxima quarta-feira, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho alia-se à causa “Papel por Alimento”, do Banco Alimentar contra a Fome. O objetivo desta campanha concerne em juntar mais alimentos para o banco,

através da doação de jornais, revistas, cadernos, fotocópias e todo o tipo de papel usado. Cada tonelada corresponde a cem euros de alimentos. O “Papel Por Alimento” tenta, também, sensibilizar para a reutilização e reciclagem de papéis que já não são utilizados. Para todos os que quiserem contribuir,

Em jeito de conclusão, foi uma experiência que testou a criatividade de cada um, desenvolvendo ideias para tentar resolver alguns problemas ambientais que O Mundo enfrenta através de um ambiente descontraído. Permitiu obviamente conhecer imensas pessoas de diferentes culturas. É de realçar o facto de estas atividades serem comparticipadas pela União Europeia e de que a ESN Minho está a organizar mais alguns exchanges.

estarão disponíveis caixotes de recolha pelos campi de Gualtar e Azurém. Com esta iniciativa pretende-se, de igual forma, incentivar o voluntariado, uma vez que será necessário depositar o material reunido nas instalações do Banco Alimentar contra a Fome e essa será uma boa oportunidade para tal. PUB.


CAMPUS PÁGINA 06 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

alunos da uminho premiados em festival internacional JOÃO PEREIRA jpereira.uminho@gmail.com

Os prémios de melhor realização, melhor argumento e melhor atriz foram atribuídos a alunos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, na passada quarta-feira, dia 24, na 3ª edição do Festival “Ver e Fazer Filmes” em Guimarães. Foram nove dias de preparação da produção e realização da curta-metragem que acabaram por apresentar no festival: “A Escolha”. Para Sara Pinto, uma das participantes, foram dias de “grande trabalho”, mas que acabaram por ser “extremamente

gratificantes”. “Ganhei novos conhecimentos acerca de todo o trabalho que dá para produzir uma curta. Acho que evolui mesmo muito”, refere a estudante. O Festival vai já na sua 3ª edição e realizou-se, este ano, pela primeira vez em Portugal no âmbito do projeto Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura, contando com três projetos: a curta Mi(n)to, da escola de artes brasileira Cia. Ormeo, “Até amanhã” da Universidade Católica do Porto e grande vencedor do festival e ainda o projeto local “A escolha”, da Universidade do Minho. “Estamos muito felizes com aquilo que alcançamos”, revela Sara Ferraz, uma das responsá-

veis pelo argumento/guião. “Estou muito contente com aquilo que o nosso grupo conseguiu fazer, já que somos novos nestas andanças e o tempo era algo limitado”, explica a aluna do 3º ano de Ciências da Comunicação. O objetivo do festival passa pela divulgação cultural e também pelo teste e desenvolvimento das capacidades

dos alunos das faculdades envolvidas numa situação que requer profissionalismo. Vítor Sampaio, técnico responsável pela composição sonora da curta-metragem da Universidade do Minho considera estes festivais como “fundamentais para o progresso dos estudantes que têm aqui pela primeira vez contacto com a realidade

da produção cinematográfica”. Os grandes vencedores da noite foram os estudantes da Universidade Católica do Porto, que arrecadaram o prémio de melhor curta-metragem, melhor ator e melhor fotografia. A Universidade do Minho ficou com os prémios de melhor realizador, melhor atriz e melhor argumento, enquanto que à Escola brasileira Cia. Ormeo coube o prémio de melhor edição. Os vencedores das diferentes categorias existentes, para além de uma estatueta produzida pela organização, vão também ter a oportunidade de mostrar o seu trabalho num festival a organizar no Brasil, em maio de 2013.

CRÓNICA ERASMUS: para uma vida regrada. Dinis gomes dinis_gomes@hotmail.com

Aluno da Universidade do Minho em ERASMUS em bruxelas, Bélgica

Viver uma vida regrada, o que é? É levar uma vida vivida na amargura do expectável e seguro? A típica vida, vidinha a que Alexandre O’Neill se referia no poema Autocrítica? A meu ver, não. Num tempo em que a despoetização da vida é uma constante, tenho assistido e

comprovado esta perigosa forma de vida entre os meus colegas, no qual o elevado consumo de drogas como o álcool e a marijuana não são mais do que indicadores de uma brutal falta de regra, de um rumo para o hoje e amanhã de cada um. É urgente lembrar que só quem sabe o que esperar aprecia o momento. Viver regradamente é, assim, uma arte pouco praticada e ainda menos dominada. Só quem sabe o que quer e principalmente o que não quer pode viver o dia como pertencente ao percurso regrado que é a vida. Viver regradamente vive intensamente.


CAMPUS PÁGINA 07 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

INQUÉRITO

de que forma sentes os efeitos da crise? De forma geral Marta afirma: “Não sinto diferença em termos dos meus pais me privarem de alguma coisa, mas sinto mais responsabilidade no dinheiro que gasto”, espelhando talvez a preocupação de muitos estudantes em serem contidos com as suas mesadas e aprenderem a fazer a gestão adequada destas. Desta forma, a estudante, admite “acabo por não me privar totalmente de pequenos luxos como ir ao cinema ou jantar fora, mas sei que para os ter tenho que abdicar de outras coisas”, evidenciando assim que é preciso equilibrar bem as opções de forma a controlar os gastos, e que os estudantes têm consciência das dificuldades. Marta diz ainda: “Onde sinto mais é em termos de motivação pois a universidade é um investimento que requer bastante dinheiro e neste momento não vemos muita esperança num futuro seguro”.

MARTA LOURDES 2º ano// PSICOLOGIA

LUÍS FERRAZ 2º ano// BIOQUÍMICA

À semelhança de muitos outros estudantes, este aluno de bioquímica sabe qual a estratégia para conseguir poupar sem deixar de se divertir. “Tenho que ter maior controlo nas minhas finanças, selecionar prioridades para gastar o meu dinheiro”, diz Luís, que revela a sua estratégia: “cortar em futilidades, como por exemplo, jantar menos vezes fora, e tento levar um lanche quando tenho aulas a tarde toda”, pois, por vezes, são os pequenos gestos do dia a dia que podem fazer uma grande diferença na conta bancária ao fim do mês. As saídas à noite são também uma parte importante da vida académica, e este ano letivo o estudante admite que vai “mais vezes ao BA em vez de ir para discotecas, e vou de transportes para poupar na gasolina”, algo que muitos outros fazem também nos dias que correm, selecionando uma alternativa mais em conta para poderem aproveitar as noites académicas.

“Sinto principalmente no dinheiro que tenho que poupar durante a semana, daquele que os meus pais me depositam, muito mais que no ano passado” responde Raquel, admitindo assim que sente claramente os efeitos desta crise na sua vida. “Tento fazer as minhas refeições quase todas em casa” adianta ainda, pois os preços praticados nos restaurantes ou até mesmo na cantina do Campus são sempre superiores aos de uma refeição cozinhada em casa. “No que respeita a sair a noite, não me inibo, mas escolho locais cuja entrada não tenha que ser paga”, revela a estudante de Ciências da Comunicação que, tal como outros jovens, prefere não gastar muito dinheiro na noite. Mesmo com todas as dificuldades, a aluna admite que “apesar de esta crise afetar toda a gente, há meios que nos permitem fazer uma vida normal e poupada, sem deixarmos de nos divertir, temos é que procurar outras opções”, deixando assim palavras de esperança para quem pensa que é impossível conciliar tudo. HELENA ALVES 2º ANO // CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO

RICARDO PINTO 1º ANO// CONTABILIDADE

joana videira joana_fgv@hotmail.com

A grave crise financeira e económica em que Portugal se encontra começa a afetar muitos estudantes, de tal modo que alguns se vêm forçados a desistir dos seus estudos, tal a dificuldade em suportar as despesas. Este “caloiro” de Contabilidade está pela primeira vez a experienciar a vida académica, e reconhece desde já que “são muitas despesas”. Sente a crise económica mais acentuadamente na “semanada” e admite também a “dificuldade dos meus pais em pagarem o apartamento e as propinas”. Tal como muitos estudantes que ingressam pela primeira vez no ensino Superior, os seus estudos feitos “fora de casa”, Ricardo também está a aprender a conciliar aspetos da sua vida de forma a poupar ao máximo e a não perder nada do que esta nova etapa traz. “Poupo na alimentação fora de casa, em tabaco, cafés e saídas a noite”, o “truque” utilizado por muitos outros para que as suas semanadas ou mesadas não esgotem antes do tempo.

No passado ano letivo, três mil e trezentos alunos abandonaram o ensino superior e, este ano, a situação tende a agravar-se. Assim, o ACADÉMICO andou pelo campus a tentar perceber junto dos estudantes da Universidade de que forma estes se sentem afetados pela crise, e como esta alterou os seus hábitos.


CAMPUS PÁGINA 08 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

10ª edição do BRAGACINE

“estamos muito próximos de festivais como o indielisboa e o fantasporto” ALEXANDRE ROCHA alexmvrocha@gmail.com

De 3 a 5 de novembro, no auditório B1 do CP II do Campus de Gualtar da Universidade do Minho (UM), decorre a décima edição do Bragacine - Festival de Cinema Independente de Braga -, aquele que foi o primeiro festival de cinema independente de Portugal. Este é o terceiro ano consecutivo em que o campus de Gualtar acolhe o certame. A edição deste ano traz consigo convidados de renome como Vicente Alves do Ó, realizador do filme Florbela, o ator Paulo Pires e o realizador José Carlos de Oliveira. Quanto a convidados internacionais, marca presença o produtor Robert Weinbach e a atriz Danielle Harris. O cartaz conta com três estreias em território nacional. Entre elas, temos Angels Share, de Ken Loach (filme vencedor do prémio do Júri de Cannes 2012); Blackthorn, de Mateo Gil, e W.E de Madonna, película que foi nomeada ao óscar de “melhor guarda roupa”. Para além do festival em si, vai ser organizada uma exposição relativa à história do cinema, de 31 de outubro a 5 de novembro, no Museu

Nogueira da Silva.

Esta é aberta ao público e de

entrada gratuita.

DR

O Festival Internacional de cinema independente de Braga vai dando passos sólidos edição após edição

“Temos dado um salto qualitativo, nas personalidades convidadas e na programação” Artur Barros Moreira, diretor do festival, em entrevista ao ACADÉMICO, faz um balanço extremamente positivo da parceria. Segundo o organizador, desde que o evento mudou de local (para as instalações da UM) tem-se registado um aumento no número de espetadores. “Na nona edição do Bragacine, registamos um acréscimo de cerca de 1000 espetadores. Tivemos, no total 3000 pessoas. Este ano contamos que este número duplique”, comentou. Para além do aparente sucesso comercial, o responsável fala num aumento do reconhecimento do festival. “O Instituto do Cinema e do Audiovisual reconhece um festival de qualidade na programação e nas personalidades que trazemos, e que existe um reconhecimento não só local, mas também nacional e internacional do certame. Estamos muito próximos de festivais como o IndieLisboa e o Fantasporto”, revelou Artur Barros Moreira. Os preços por sessão vão desde 1 euro para sócios do Cine.UM, até 2 euros para estudantes e 3 euros para não estudantes. PUB.


CAMPUS PÁGINA 09 // 30.OUT.12 //ACADÉMICO

Eleições norte americanas aos olhos de especialista da UM

a “corrida” está renhida ana filipa gaspar afilipa.gaspar@hotmail.com catarina sousa da silva catarinassilva92@gmail.com

A cerca de uma semana do desfecho final das eleições norte-americanas, as atenções de todo o mundo estão

direcionadas para os Estados Unidos. Licenciado em Sociologia e Comunicação Social pela Universidade do Minho, Nuno Gouveia, especialista em política americana, faz uma antevisão de um dia que é acompanhado pelo mundo inteiro. “Neste momento as sondagens apontam para um em-

Perfil: Nuno Gouveia Com tese sobre as eleições primárias de 2008 nos EUA, Nuno Gouveia é mestre em Ciências da Comunicação e já desempenhou funções como editor-executivo do ACADÉMICO. Atualmente é doutorando em Ciências da Informação e

está a desenvolver trabalho na área de comunicação política digital na Universidade Fernando Pessoa. Escreve no blogue “Era uma vez na América” e comenta regularmente na imprensa temas relacionados com a política americana.

Nuno Gouveia na Convenção Nacional Republicana 2012 em Tampa

pate entre os candidatos”, são palavras do especialista, que refere que a corrida está “renhida” e nos explica todos os processos. Num país em que o processo eleitoral é muito complexo e prolongado, o especialista Nuno Gouveia esclarece todo o fenómeno, que em muito se diferencia de Portugal. Nos EUA existem três tipos de estados: os ‘Red States’ (republicanos), os ‘Blue States’ (democratas) e os ‘Swing-States’ (estados competitivos, que não são à partida nem republicanos nem democratas). Apesar dos olhares estarem todos voltados para o dia 6 de novembro, nos Estados Unidos já nem se pode falar no dia das eleições, porque, segundo o investigador,

“cerca de 1/3 do eleitorado vota antecipadamente, seja por correspondência ou de forma presencial”. A realidade é que em muitos estados já se começou a votar, pelo que ao dia 6 cabe apenas o juízo final. Para Nuno Gouveia, são os designados swing-states que vão decidir. Neste momento, as previsões apontam para uma “eleição muito renhida”. No que diz respeito à popularidade dos concorrentes, “as sondagens indicam um empate entre os candidatos”, concluiu o perito. “Durante algum tempo nesta campanha, Mitt Romney surgiu com défice de popularidade entre os americanos, mas depois da sua prestação no primeiro debate contra Barack Obama, os seus índices de popularidade subiram bastante”, esclareceu Gouveia. Campanha como base à comunicação Nos EUA, as campanhas são radicalmente diferentes daquilo que se assiste em Portugal, “a comunicação política é uma indústria que emprega milhares de pessoas, e como tal, uma campanha presidencial é gerida como se de uma empresa multimilionária se tratasse”. O investimento publicitário (maioritário em televisão), que não existe em Portugal, representa uma grande parte da fatura e Nuno Gouveia admitiu que

“as principais inovações na área da comunicação política surgem quase sempre nos Estados Unidos”. As mensagens das campanhas são cruciais e, por isso mesmo, são dirigidas essencialmente aos eleitores indecisos, depois de “previamente testadas”. Além da estrutura profissional, as campanhas utilizam os voluntários, para fazerem serviços para a campanha que, segundo o perito, “chegam a ser centenas de milhares em cada um dos lados”. As diferenças entre os EUA e Portugal No processo eleitoral dos EUA, que em nada se assemelha ao português, os cidadãos americanos não votam diretamente no Presidente, mas elegem um colégio eleitoral que depois escolhe o Presidente. “Este colégio eleitoral é constituído, no total, por 538 ‘Grandes Eleitores’, que representam proporcionalmente os 50 estados e o Distrito de Colúmbia (Washington)”, explicou o investigador. “No final de contas, tudo se pode decidir em Ohio, estado competitivo que elege 18 eleitores para o Colégio Eleitoral. Desde 1960 que quem vence neste estado é eleito Presidente e é bem provável que tal aconteça novamente”, rematou o especialista, que considera que o vencedor irá ganhar por uma curta margem. PUB.


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ENTREVISTA ANTÓNIO cunha Daniel Vieira da Silva

António Cunha falou dos temas que marcaram o 3º ano do seu mandato

“Tenho desconforto numa universidade em que se põem os estudantes a olhar para o chão. Gostava de ver uma universidade em que os alunos olhassem para a frente, para o futuro” Em entrevista ao ACADÉMICO/Rádio Universitária do Minho e AAUM TV, o reitor António Cunha, falou sobre o seu último ano de mandato e mostrou a sua preocupação face à crise financeira que o país atravessa. ALEXANDRE PRAÇA alexandre.praca@rum.pt DANIEL VIEIRA DA SILVA daniel.silva@rum.pt

Qual o balanço que faz deste seu terceiro ano de mandato como Reitor da Universidade do Minho (UM)? Estes últimos doze meses ficam marcados por um agravamento das condições em que a UM funciona, inserido no atual panorama ensino superior em Portugal, quer ao nível do financiamento público, quer ao nível do quadro regulamentar que põe em causa a autono-

mia da universidade. Apesar disso, a UM continua a afirmar-se e a crescer no número de estudantes (contando com 19 mil alunos em dezembro deste ano), no número de graus de ensino e na oferta de cursos de pós-laboral, permitindo chegar a um novo público. Entraram também este ano em funcionamento dois novos cursos, as Licenciaturas em Teatro e Design do Produto, melhorando a nossa oferta educativa no domínio da criatividade e complementando o portefólio educativo da UM. Está também delineado, neste sentido, um projeto para os

próximos dois, três anos que será a abertura da Licenciatura em Artes Visuais, no domínio da escultura, do desenho e da pintura. No domínio da investigação, é importante referir a consolidação da nossa estrutura. Neste momento, fazemos parte de cinco laboratórios associados, o que evidencia a nossa capacidade nesta área, pelo reconhecimento que temos tido internacionalmente, quer seja nos diferentes rankings internacionais de investigação, mas também na obtenção de bolsas europeias. Ainda num balanço genéri-

co, o que gostaria de ter feito nestes últimos doze meses que não conseguiu fazer? Gostava que certas coisas, por exemplo, pequenas obras que seriam importantes para a vida da UM estivessem mais adiantadas, facto que a “malha” jurídico-administrativa nos impede. Estou a falar dos arranjos exteriores em Gualtar e Azurém, da nova ligação entre a Escola de Ciências da Saúde e o novo hospital, do avanço do projeto Biotério, espaço dedicado à investigação da saúde. Há também um projeto que é muito querido à AAUM

que é a abertura de uma nova sede. Foi um compromisso pelo reitor e pela universidade ajudar a viabilizar uma solução, que envolve parceiros privados e a Câmara Municipal de Braga, no entanto, o quadro de crise financeira que estamos a viver veio adiar esse processo. Já foi referida a crise financeira que o país está a passar. De que forma é que a UM tem gerido todas as novas medidas do Orçamento de Estado? A UM conseguiu reagir de uma maneira capaz a toda


ENTREVISTA PÁGINA 11 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

Daniel Vieira da Silva

António Cunha voltou a esclarecer a posição da UM em relação às praxes a esta adversidade, fundamentalmente, através de três mecanismos: aumentando a captação de receitas próprias sobretudo ao nível da investigação, reduzindo algumas despesas, nomeadamente, com a poupança de água a energia elétrica e, por último, aumentando cerca de 3000 alunos, mantendo o mesmo número de docentes. Tudo isto foi possível com uma grande racionalização da nossa oferta formativa, principalmente com a redução de disciplinas que tinham muito poucos alunos, mas também com o aumento da carga docente. Para além disso, há todo um conjunto de despesas de manutenção como é o caso da jardinagem que não deixam de ser feitas, mas são reduzidas ou adiadas em prol de um melhor funcionamento educativo da UM. Ainda neste contexto de dificuldades financeiras, foi prometido aos estudantes um Fundo Social de Emergência, apoio referido, uma vez mais, na recondução do Provedor do Estudante, no mês passado. Que papel pode ter a UM face a esta proposta? É um papel que foi assumido e será concretizado ao longo deste ano, para pôr em prática no início de 2013. Este ano tivemos um aumento de propinas

que em termos relativos foi bastante mais significativo do que em anos anteriores, como tal uma parte desse aumento vai ser usado para a constituição desse Fundo de Emergência, gerido num processo que ainda não está concluído, mas ligado à AAUM e aos Serviços de Ação Social. É um fundo que será, certamente, complementar aos fundos de apoio que existem do lado da ação social escolar e que terá uma função de resposta a situações que o sistema normal tem dificuldade em responder de imediato. O montante em causa será, no mínimo, um terço do valor associado ao aumento das propinas deste ano, valor estimado em cerca de 350 mil euros. A fundação AAUM poderia ter um papel importante nesta matéria... Como é que vê a tomada de posição do governo que propõe o cancelamento do registo da fundação? É um processo em que há uma decisão governamental de reanalisar todas as instituições que tenham o estatuto de fundações públicas ou privadas. Percebe-se as razões que justificam tal tomada de posição, porque no passado existiram fundações que não foram utilizadas da melhor forma, mas sim para fins pouco ortodoxos. Aquilo que acon-

tece é que existem no panorama nacional entidades meritórias, com uma ação de referência, nomeadamente, no domínio cultural e da filantropia, que foram apanhadas no meio de uma análise que não lhes dizia diretamente respeito. Para a UM e para o reitor, a AAUM é uma instituição totalmente autónoma, e, por isso, é a AAUM que deve equacionar a situação e pensar como deve reagir à mesma. Falemos agora de outro tipo de fundações... em que pé está a transformação da UM em fundação pública de direito privado? As negociações estão a existir com o governo, embora estejam um pouco lentas, devido à alteração cirúrgica ao RJIES em vigor, passando a falar-se em Universidades de Autonomia Reforçada. Nas palavras do nosso governo, este é um quadro para o qual migrarão as três atuais universidades que são fundação e a Universidade do Minho, a nova Universidade de Lisboa, que resulta da fusão da Universidade de Lisboa e da Universidade Técnica de Lisboa. Contudo, conhecemos os detalhes e, portanto, a UM aguarda com uma certa ansiedade, visto ser um assunto que gostaríamos de ver amplamente discutido, nomeadamente no seio do Conselho de Reitores das

Universidades Portuguesas (CRUP).

os episódios dos últimos anos?

Acredita que o processo poderá estar concluído nos próximos doze meses, ou seja, no ano que lhe falta de mandato?

Eu volto a dizer o que sempre disse. A universidade tem que ser um espaço de liberdade, democracia e tolerância, é isso que queremos que os nossos campi sejam, são os valores da Universidade. Não compete à reitoria estar a definir o que é que os estudantes podem ou não fazer. Há, no entanto, quadros de referência a que todos estamos obrigados e que resultam dos estatutos, dos valores, dos códigos de ética que a universidade assume e dos valores civilizacionais que temos. É isso que temos que fazer, é isso que a instituição quer que se cumpra.

Não sei no que acredito, na medida em que o Governo anunciou que essas novas alterações ao RJIES, seriam entregues no parlamento no mês de outubro e até ao momento isso não aconteceu. Não se vislumbra como é que o Governo possa entregar a proposta ao parlamento sem que haja uma discussão prévia com o CRUP, até porque a lei assim o impõe. Portanto não consigo adiantar uma data para o conhecimento desse novo diploma legal. No entanto, o que era expectável era que todos estes processos fossem concluídos no primeiro trimestre do próximo ano, situação que levanta dificuldades adicionais à UM porque nesse mesmo trimestre vamos ter eleições para o Conselho Geral e não me parece razoável ou aceitável o modo como o Conselho Geral vai tomar decisões sobre um assunto desta natureza e complexidade, estando a decorrer um ato eleitoral para um novo mandato. Três anos de mandato, neste último, um novo presidente da Associação Académica, uma nova realidade. Na última entrevista falou de uma relação muito positiva entre a AAUM e a Reitoria. Como tem sido, este último ano, com um novo rosto à frente dos estudantes? A relação entre a reitoria e as diferentes direções da AAUM tem sido fluida e muito positiva. O que não quer dizer que quando temos diferentes atores, diferentes personalidades, essas relações não tenham diferentes expressões, mas os momentos que vamos vivendo facilitam essa relação. Mas dando um qualificativo, a relação é boa como sempre foi. Mantendo o tema dos estudantes como pano de fundo, afinal como é que a reitoria vê a praxe, tendo em conta

Mas que é que mudou, dos últimos anos para agora? O que mudou foi que, nitidamente, alguns desses valores não eram cumpridos, nem respeitados. Para além disso havia atividades que os estudantes faziam que perturbavam os trabalhos e iniciativas que ocorrem nos campi. Estes espaços são duas pequenas cidades, com trabalho, e têm que ser espaços onde vivemos no respeito pelo que os estudantes querem fazer, num quadro de total liberdade. Com toda a frontalidade para os estudantes, eu tenho um desconforto enorme numa universidade em que se põem os estudantes a olhar para o chão. Eu gostava de ver uma universidade em que os alunos olhassem para a frente, para o futuro. Eu respeito o que os estudantes querem, mas têm de aceitar que não podem ir contra as atividades da instituição e os valores que a mesma defende. Ainda assim, não lhe causa algum incómodo ser uma figura não tão bem vista por parte da comunidade estudantil, como deveria ser? Como viu, na cerimónia de boas vindas aos novos alunos, os estudantes que têm mais de uma matrícula a abandonarem o pavilhão aquando do seu discurso? As atitudes ficam com quem as toma. Julgo que o descon-


ENTREVISTA PÁGINA 13 // 30.OUT.12 //ACADÉMICO

forto que existe, do lado dos estudantes, é por o reitor estar empenhado em defender os valores da universidade. Independentemente das reações que podem existir, estes são os valores que eu defenderei. Digo com toda a frontalidade, não quero e não serei reitor de uma universidade que não cumpre os valores civilizacionais da instituição e da sociedade em que vivemos. Como se explica a questão que se colocou recentemente pela morte súbita de um estudante, sobre o facto de no campus de Azurém haver quatro desfibrilhadores e em Gualtar nenhum?

Mas não acha que era um investimento que os Serviços de Ação Social podiam fazer, sendo o espaço desportivo do Campus de Gualtar um dos que tem maior fluxo de pessoas no Minho? Não é um problema de investimento, é um problema, sobretudo, do quadro médico. Coloca-se a questão se fará sentido termos um desfibrilhador sem um médico permanente. Certamente que estamos dispostos a considerar a situação da instalação desses equipamentos quando, sobretudo do lado do pessoal médico, houver uma resposta inequívoca. 2012 é um ano que fica marcado pelas Capitais Europeias da Juventude e da Cultura. Há um ano falou-se da forte ligação que a UM iria ter com estas duas capitais, como é que tem sido este ano e como tem sido esta relação? Uma relação extremamente positiva em ambos os casos, apesar de serem situações diferentes. Em Guimarães, a participação da universidade, para além do envolvimento imaterial em diversos projetos, é recetora de grande parte dos investi-

Nuno Gonçalves

Às vezes faz-se notícia daquilo que não é notícia. Aquilo que acontece em Azurém é uma coisa excecional e experimental, que existe em alguns locais do concelho de Guimarães. A iniciativa do Rotary Club de Guimarães consiste na instalação de desfibrilhadores em diversas instituições, montando um esquema de formação para pessoas que trabalham na proximidade desse equipamento, para poder atuar com esse material. Mesmo dentro da classe médica existe uma grande discussão sobre esta situação porque há imensas interrogações sobre o facto de termos pessoal com uma formação não médica a utilizar o desfibrilhador. O que existe em Braga é a situação normal, em que

nos espaços desportivos não existem desfibrilhadores, exceto quando há grandes jogos e aglomeração de pessoas, na presença de equipas médicas, deslocadas para aquele acontecimento.

António Cunha preocupado com a situação financeira da UM

mentos físicos que estão a ser feitos, como o Instituto de Design ou o Centro de Formação pós-graduada. A própria temática e enquadramento apontam para que a relação em Guimarães seja mais institucional e a de Braga, Capital da Juventude, seja uma ligação mais direta com os nossos estudantes e as suas estruturas. Estamos em situações cuja comparação não fará sentido, mas em ambos os casos a análise que faço é de uma experiência extremamente positiva. Falta um ano para terminar este mandato, o que é que falta cumprir? É difícil dizer o que falta cumprir porque, desde o início do mandato até hoje, o quadro em que nos movimentamos alterou radicalmente. Há um projeto muito grande em que estamos empenhados, que é o de certificação institucional da UM em termos de subsistema de garantia de qualidade. Estamos a ser auditados por uma agência e espero

que o desfecho deste processo seja positivo e que faça da UM uma das universidades de referência em Portugal neste domínio. É também importante referir que um dos passos mais significativos que demos este ano e que está a ter um enorme sucesso é o Centro Clínico Académico, uma atividade marcante, que nos permitiu receber das mãos do Presidente da República o prémio COTEC, para universidade com melhores práticas no domínio da inovação e da promoção do empreendedorismo académico. Presumo que o próximo ano vá ser extremamente difícil. As notícias que temos, neste momento, são as medidas, que não foram discutidas com as universidades e que foram introduzidas adicionalmente no Orçamento de Estado, como o aumento dos encargos com 5% para a Caixa Geral de Aposentações. Tenho muita dificuldade em antever o que vai ser este ano porque, ou há algumas alterações nesse processo ou teremos um ano impossível de concreti-

zar sem cortes drásticos que irão levar à descontinuidade de algumas atividades. Daqui a cerca de um ano haverá novas eleições para nomear o Reitor da UM. Recandidatar-se-á? Não sei, porque estamos em tempos em que é difícil fazer esse tipo de prognósticos. A possibilidade de um segundo mandato deve ser encarada com naturalidade, mas a candidatura terá que ser resultado da avaliação da existência de condições, quer internas quer externas, para o mandato ser cumprido. Ser reitor da universidade é algo que faço com espírito de missão, que faço com prazer. É uma honra para alguém que é professor de uma casa, que fez a sua vida académica nesta casa, ter a possibilidade de assumir este papel. No entanto, estamos num quadro de complexidade extrema, em que importa assegurar que há condições para cumprir esse mandato com o mínimo de razoabilidade.

António Cunha avança ao JN possibilidade do fim das aulas à noite e o fim do aquecimento nos campi Qual o impacto do próximo Orçamento do Estado na Universidade e no sector? A perspetiva que resulta da proposta de lei de Orçamento de Estado 2013, bem como das dotações suplementares inscritas pela DGO nos orçamentos das Universidades para reposição dos subsídios de Natal, colocará as Universidades públicas numa situação de extrema dificuldade que, com diferente expressão nas diferentes instituições, obrigará a descontinuar atividades a reduções adicionais de pessoal. Que consequências podem advir destes cortes? Neste momento, tenho dificuldades antever a verdadeira extensão de um cenário tão gravoso. Acresce que acredito que Governo e grupos parlamentares, os que suportam o Executivo e os da oposição, encontrarão

uma solução de rutura do universitário nacional e um golpe extremamente violento na sua capacidade de competir internacional. A efetivar-se este cenário poderão vir a ter ser tomadas medidas como o encerramento da universidade à noite e ao sábado, descontinuando toda a oferta educativa nesses períodos; rescisão de contratos com pessoal convidado, embora como funcionamos por anos letivos, a grande maioria desses contratos já estão celebrados; reduzir a qualidade dos serviços nos campi, desligando aquecimento e reduzindo a zero atividades de manutenção. Qual o aumento da verba pelo acréscimo de 5% das transferências para a caixa de aposentações? Na UM traduzir-se-á num aumento de encargos de 2,3 milhões de euros.

Quanto vai ser efetivamente o corte orçamental perante estas alterações? A UM tinha sido confrontada em Julho com um corte de 1,7% na dotação que recebe do Orçamento de Estado e, agora, é confrontada com um corte adicional superior a 7,5%. Importa ter em conta que as Universidades foram alvo de cortes efetivos, nos últimos dois anos, superiores a 20%. Nenhum outro setor da Administração Pública foi alvo de situação semelhante. As Universidades têm procurado contribuir para o esforço nacional de regularização das contas públicas, aumentado a captação de receitas próprias, nomeadamente no quadro internacional. No entanto, afigura-se como impossível em conseguir corresponder à dimensão do acumulado de cortes no financiamento público.


TECNOLOGIA E INOV Onde é que vê a New Textiles daqui a 10 anos? Vejo com uma gama e portefolio bastante abrangente. Produtos com eficácia a atuar principalmente no mercado europeu. Com uma dimensão relevante nesta tipologia de produtos, mas, acima de tudo, como uma empresa consistente no mercado que tenha conseguido super-

DANIEL VIEIRA DA SILVA daniel.silva@rum.pt

É fácil ser-se empreendedor no nosso país? Não! Sentiram muitas dificuldades? Há muitos entraves, primeiro porque as redes de informação e networking poderia funcionar melhor. Até o lobby poderia fun-

ar muitas barreiras e, portanto, que seja atracttiva para futuros investidores. Não tenho uma definição exata, mas queremos é vencer dia a dia. Vencer o dia de amanhã para que o seguinte seja ainda melhor é o desafio da New Textiles. Na próxima semana iremos estar à conversa com a empresa Natural Concepts.

cionar melhor nestas empresas com produtos técnicos de valor acrescentado para mercados externos. A verdade é que não funciona. Depois a nível regulamentar há enormes dificuldades que fazem uma empresa estar parada um ano ou mais para lançar produtos, enquanto que outras autoridades permitem essa introdução mais rápida e sem problema de maior. Só aí temos um entrave muito maior.

twittadas bruna ribeiro brunatdr@hotmail.com

Niiiws – Aplicação para iPad lança versão para iPhone A aplicação portuguesa Niiiws, lançada em maio para iPad está, desde sexta-feira, disponível para iPhone. A aplicação consiste na recolha dos “feeds” públicos dos vários jornais e das notícias mais partilhadas nas redes sociais, apresentando tudo isto numa plataforma comum. Assim, o utilizador pode navegar através das notícias divididas em várias secções, partilhá-las e personalizar a aplicação con-

forme os gostos, tendo ainda a possibilidade de seguir o trabalho de um jornalista específico. A aplicação Niiiws já atingiu as 10 mil descargas em Portugal.

Deputada espanhola condenada devido a publicação no twitter Ana Pineda Abel de la Cruz foi condenada a retificar no Twitter a informação que tinha publicado no serviço de microblogging sobre Uxue Barkos. O tribunal concluiu que os tweets publicados violavam a honra de Uxue Barkos. Ana Pineda utilizou o twitter para criticar o atraso

de Uxue Barkos na chegada ao plenário de Pamplona, alegando que o atraso desta teria sido propositado para roubar as atenções da proposta do seu partido. No entanto, o atraso de Uxue Barkos deveu-se ao facto desta ter tido uma consulta médica devido ao cancro da mama que lhe foi diagnosticado.

Hacker já não trabalha na Apple Nicholas Allegra, mais conhecido como Comex, já não trabalha para a Apple depois de não ter respondido a um email que lhe oferecia a renovação de

contrato. O hacker ficou conhecido na internet através do site JailBreakMe, site que facilitava o jailbreak dos iPhones e dos iPads. Em agosto de 2011, Comex foi convidado a fazer parte da equipa da Apple, tendo entrado na altura como estagiário da empresa. O estudante de 20 anos anunciou através da sua conta no Twitter: “Desde a semana passada, e depois de cerca de um ano, já não estou ligado à Apple”.

Apple concebe versão reduzida do iPad A Apple apresentou na passada

terça-feira uma versão reduzida do iPad, com vista a conquistar um espaço no mercado em crescimento dos tablets mais pequenos. Revelado num evento que decorreu na Califórnia, o novo iPad Mini tem um ecrã de 7,9 polegadas, uma resolução de 1024x768, 7,2 milímetros de espessura e é 53% mais leve do que o anterior. No entanto, a apresentação do iPad Mini relembrou as palavras de Steve Jobs, que em outubro de 2010 afirmou publicamente que “um ecrã de 10 polegadas é o mínimo exigível para desenvolver boas aplicações para tablets”.

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OVAÇÃO

PÁGINA 15 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

liftoff,

gabinete do empreendedor da AAUM

noticia... > 06 NOVEMBRO Workshop “Rede Eures” Connecting The Dots

> > 19 NOVEMBRO 12 Dia do Empreendedor | Workshop “Introdução ao Empreendedorismo” – Braga e Guimarães

Behance Behance Portfolio Reviews Week 31 de Outubro em Braga

É já nesta quarta-feira, dia 31 que irá decorrer, em Braga, o evento que cria a oportunidade de criativos mostrarem o seu portefólio, receberem feedback e conhecerem outros criativos. A rede Behance é a maior plataforma de criativos e

portefólio online do mundo. A sua missão é ajudar e capacitar o mundo criativo. Os designers podem trazer portefólio em papel ou num tablet. Devem escolher os 2 melhores trabalhos para expor e guardar consigo o restante

portefólio para que se alguém ficar interessado no trabalho deles, tenham à mão para mostrar. Têm 3 minutos para realizar um pitch de apresentação ao Portfolio Review Leader que vai estar disponível para dar feedback.

> 16 e 17 NOVEMBRO 12 Start Point Feira Internacional do Emprego e do Empreendedorismo”

Dia do Empreendedor Workshop “Introdução ao Empreendedorismo Braga e Guimarães

Workshop “EURES” 6 Novembro

“Connecting the Dots” Braga

O Workshop “Introdução ao Empreendedorismo” está inserido no “Dia do Empreendedor” e irá realizar-se no dia 9 de Novembro, nos dois Campus Universitários. O primeiro decorrerá em Gualtar entre as 11h00 e as 13h30, o segundo terá inicio pelas15:00h em Azúrem. Estes workshops terão como objetivo obordar noções de empreendedorismo; Tipos de Empreendedorismo; Perfil e Competências do Empreendedor; e ainda o Plano de Negócios e sua importância. Participação gratuita mediante inscrição.

Inserido no projeto “Connecting the Dots” este workshop irá realizar-se no dia 6 de Novembro, das 18:00 às 20:00 (sala a confirmar), Universidade do Minho, Campus de Gualtar em Braga. O principal objectivo deste workshop é dar a conhecer aos particiapantes o funcionamento da rede Eures. Terá como conteúdos programáticos: Trabalhar no Estrangeiro; Reflexões antes de decidir ir trabalhar/viver para o estrangeiro; Como pode a EURES ajudá-lo/a a encontrar um emprego?; O portal de emprego EURES.

Mais informações e inscrição em www.liftoff.aaum.pt

Inscrições em www.liftoff. aaum.pt

Ofertas de emprego Engenharia Biológica (M/F)| Explicações Braga

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Centro de estudos de Braga pretende recrutar Engenheiro/a Biológico/a para explicações ao nível de Gestão da Engenharia e Qualidade (elementos de fiabilidade e qualidade), parte prática. w w w. a a u m . p t /g i p gip@aaum.pt

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Enfermeiro (M/F) Braga Para realizar, em regime de voluntariado, trabalhos de enfermagem, em Braga, todas as segundas-feiras entre as 14h30 e as 16h30.

Diestistas (M/F) Braga Experiência no âmbito de consulta (preferencial). Elegibilidade para a Medida Estímulo 2012. OFERTA:Contrato de emprego a termo (18 meses); Salário 600 euros + Subs. de alimentação. Oferta disponível no Centro de Emprego de Braga.

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Candidaturas em: www.aaum.pt/gip


CULTURA coldfinger preparam álbum em tempos de mudança JOSÉ REIS jose.reis@rum.pt

O regresso dos Coldfinger está marcado apenas para o início de 2013 mas o novo tema já roda nas rádios nacionais, Miguel Cardona, uma das metades do grupo, diz que este é um tempo de mostrar uma nova vida da banda, depois de cinco anos sem editar. José Reis O tempo pode ser motivo

para um álbum. O tempo enquanto motor ou o tempo enquanto tema. E os Coldfinger, banda formada por Margarida Pinto e Miguel Cardona, tento pensaram que o fizeram e levaram o tempo a mote do novo disco. O apropriado “The Seconds” é o regresso dos Coldfinger “com uma nova sonoridade, mas sem deixar de soar à banda que é”, admite Miguel Cardona, em conversa com o ACADÉMICO. Um processo que nos leva

ao último trabalho da banda e nos faz dar conta que, afinal, já passaram cinco anos desde o último álbum de originais. “Fazer canções, para nós, é um processo longo. Quando sentes que não tens nada para dizer, não se justifica fazer por fazer”, admite Cardona, que atira como (possível) justificação a cadência de lançamentos no início da carreira. “Editamos consecutivamente nos primeiros anos, em 2000, 2001 e 2003. Agora

SALA DE CINEMA

a possessão

ALEXANDRE VALE alexmvrocha@gmail.com

O filme do qual vou falar é tão mau, mas tão mau, que só aguentou uma semana nos cinemas de Braga. Provavelmente, nunca ouviu falar neste filme de terror. Se ouviu, no máximo, foi por Sam Raimi, o mítico realizador da saga Evil Dead, produzir o filme (supostamente). Pergunto-me o que andava a fazer durante a produção da longa-metragem, porque A Possessão é um desperdício de tempo formulaico. O leitor deve estar-se a interrogar para que estou eu a falar dum filme que já nem sequer se pode ver. Muito sinceramente, preferia falar do Cabin In The Woods. É outro filme do qual nunca ouviu falar, produzido por

estamos com uma predisposição diferente, somos mais exigentes e pensamos bastante no que queremos transmitir ao público. Tempo de mudanças Isto não quer dizer que o que foi lançado até agora tenho sido feito de forma leviana. “O facto é que acho mudamos muito. Nos últimos tempos estivemos mais centrados no trabalho a solo da Margarida [Pinto] e, quando regressamos a Coldfinger, sentimos a emergência de uma mudança”, revela Miguel Cardona, uma das metades da banda. “Agora, centramos a atenção nas nossas experiências enquanto pessoas”, sentencia o músico, sustentando que há um carácter mais íntimo e pessoal nas músicas feitas para o novo álbum. “É um encontro e uma descoberta, ao mesmo tempo. Até nos elementos com os quais podemos contar. Alteramos a formação, tocam músicos novos, há outros que regressam, como o João Cardoso”, um cineasta de renome, Joss Whedon (que partiu a loiça toda com Os Vingadores), mas que redefine e repensa o género de terror e que poderá se tornar um filme de culto. Mas esse estreou em Setembro e já passa um considerável período de tempo. É uma pena, não poder dar uma impressão que o cinema de terror está vivo e produz excelentes fitas, não só filmes como REC 3 e este exercício fútil de terror que é A Possessão. Deixando de referências e de desabafos cinematográficos, vamos ao assunto. O filme gira à volta de um pai divorciado, que luta pelo amor das filhas. Quando uma delas encontra um caixa dibbuk (que aprisionam demónios), começam a acontecer todo o tipo de eventos estranhos, começando a miúda a afastar-se mais do pai… Acho que não é preciso dizer mais nada, pois

revela. Música e vídeo O álbum tem edição prevista para o final do mês de Janeiro de 2013. “Eu gostaria muito que fosse a 31 de Janeiro, mas não me consigo ainda comprometer com uma data. Mas será nessa altura”, admite Cardona. Para já, alguns dos temas vão sendo testados ao vivo, sendo que a reacção às novas músicas foram positivas. “Tocamos no Ritz Clube no mês passado e as pessoas gostaram muito das novas canções”. A acrescentar aos temas, a componente visual, em crescendo na vida dos Coldfinger. “Temos vindo a experimentar [o vídeo ao vivo] desde o ‘Supafacial’, mas desta vez num registo bem minimalista. No fundo, é mais uma forma de passarmos a nossa mensagem, mas através de outra ferramenta”, admite Miguel Cardona. O disco chega apenas em Janeiro do próximo ano mas na rádio já roda o single novo, “Shades”. não? A Possessão assenta-se nos clichés do género, é desinspirado, com situações ridículas. Não há nenhum momento de suspense, a tensão é inexistente, os atores estão ali meio que perdidos e, sinceramente, não há muito que analisar. Até os filmes do Tim Burton conseguem ser mais assustadores. Aliás, nem considero A Possessão um filme de terror, mas sim um filme dramático: chorei cada cêntimo mal gasto no bilhete. Realizador: Ole Bornedal Elenco: Jeffrey Dean Morgan; Natasha Callis; Kyra Sedgwick Data da estreia: 4 Out. Nacionalidade: Americana Pontuação: 3/10


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RUM BOX

AGENDA CULTURAL

TOP RUM - 39 / 2012

BRAGA

14 A NAIFA - Gosto da cidade

28 SETEMBRO

15 CAIS SODRÉ FUNK CONNECTION Summer days of fun

29 de Outubro Adeus, minha rainha Thetaro Circo

16 DJANGO DJANGO Hail bop

3 de Novembro Vozes de uma linha de tempo – Voices of a t 2”y”meline Theatro Circo

1 B FACHADA - Carlos T 2 CORSAGE Chuva no meu verão 3 DIABO NA CRUZ - Luzia 4 GRIZZLY BEAR - Yet again 5 TV RURAL Correr de olhos fechados 6 HEAVY, THE What makes a good man 7 OS CAPITÃES DA AREIA Os mistérios da poupança 8 BEACH HOUSE - Myth

17 LIARS No. 1 against the rush 18 MELODY’S ECHO CHAMBER I follow you 19 SUPERNADA Arte quis ser vida 20 WHO MADE WHO Inside world

POST-IT 29 outubro > 02 novembro

9 BEST COAST - The only place 10 DJ RIDE - Here before 11 PAUS - Deixa-me ser

OS CAPITÃES DA AREIA Beijos Espaciais

2 de Novembro Mixórdias de Temáticas – Ricardo Araújo Pereira Theatro Circo

31 de Outubro Quartas dos atores – Teatro Oficina Café Concerto Festival MÚSICA 3 de Novembro Cidade Berço IX – Festival de Tunas São Mamede

3 de Novembro Geração Spectrum São Mamede 13 de Outubro a 9 de Dezembro Archigram – Experimental Architecture 1961 – 1974 Palácio Vila Flor

FAMALICÃO

Até 30 de Outubro Centenário da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco

LEITURA EM DIA

Para ouvir de segunda a sexta (9h30/14h30/17h45) na RUM ou em podcast: podcast.rum.pt Um espaço de António Ferreira e Sérgio Xavier.

A Volta ao Mundo em 80 Dias de Michael Palin - Bizâncio. A “repetição” da famosa viagem de Phileas Fogg, levada a cabo por um dos mais famosos comediantes dos nossos dias. É evasão garantida e aventura quanto baste.

As Aventuras de Bonk e Cronk. Homens das Cavernas do Kung-Futuro de Dav Pilkey - Gradiva. A eterna luta entre o Bem e o Mal, claro, o Bem vence, numa estória delirante e hilariante.

A Rainha Adúltera de Marsilio Cassotti - Esfera dos Livros. Uma estória, da História de Portugal, vivida por uma grande mulher e rainha portuguesa.

Quanto tempo dura a tua cara de Maria Inês de Almeida; Ilust. Manel Cruz - Gato na Lua. O mundo mágico do circo e o regresso à infância. Uma estreia auspiciosa e imaginativa.

ANDY BURROWS Keep On Moving On

12 ST. VINCENT - Surgeon 13 DA CHICK - Cocktail

GUIMARÃES

TEATRO

BAT FOR LASHES All Your Gold

CD RUM o experimentar na m’incomoda - 2: sagrado e profano - ed. autor SÉRGIO XAVIER sergio.xavier@rum.pt

Dois anos volvidos sobre o primeiro ensaio de reinvenção da tradição musical açoriana, eis que Pedro Lucas volta à carga com ‘Sagrado e Profano’, resultado de nova imersão no imenso e rico património sonoro do arquipélago. Desta feita grande parte dos temas foi retirada da ‘Antologia Sonora da Ilha de São

Miguel’ (recolhidas pelo professor Artur Santos em 1960) e de ‘Pastor do Verbo’ do terceirense José da Lata. Balizando a escolha de reportório entre duas facetas sempre presentes na vida de uma comunidade, o sagrado e o profano, que ora se complementam, ora se justapõem, Pedro Lucas repescou temas que reflectem essa dicotomia. Há um lado mais solene, de pendor religioso, como os pedidos ao

divino e há um outro lado mais lúdico, mais festivo que reflecte o lado profano. O resultado é uma releitura de temas, alguns deles perdidos na memória, há luz de uma sonoridade mais actual, com elementos electrónicos à partida estranhos, mas que se integram de forma natural e harmoniosa. Tal como no primeiro disco, há um processo de composição e de reformulação solitário, mas que vai tendo

DR

alguns cúmplices na fase da gravação. Encontramos novamente Carlos Medeiros e Zeca Medeiros, duas figuras maiores da cultura açorenha, Miguel Machete, Pedro Gaspar e Jácome Armas, a que se juntam as colaborações de Daniel Duarte, Emanuel Silva, Pedro Afonso, My Larsdotter e Ni-

kolaj Hoi. Ainda que sem o efeito da novidade da estreia em 2010, ‘Sagrado e Profano’ é um disco surpreendente, que nos desperta para uma tradição oral e musical tão rica, como é a dos Açores, ao mesmo tempo que nos mostra uma música nova e fresca.


PÁGINA 18 // 30.OUT.12 // ACADÉMICO

DESPORTO

gala do desporto 2012 conta com cinco nomeados da uminho DR

JOANA VALINHAS joana3960@gmail.com

A Gala Anual do Desporto, promovida pela Confederação Nacional do Desporto (CDP), é um evento que enaltece o Desporto Nacional e todas as Federações Desportivas, ao atribuir diversos prémios que visam reconhecer o desempenho dos agentes desportivos que mais se distinguiram no decorrer do ano. A CDP associa um tema ao evento em cada edição. Este ano a Gala do Desporto, que se irá realizar no dia 15 de novembro, no Casino

UMinho em força nesta prestigiada gala anual

Estoril, tem por tema o “Jornalismo Desportivo”. O prémio “Alto Prestígio” distinguirá a atividade jornalística no âmbito do desporto. Os restantes galardões reconhecem e homenageiam os desportistas do ano (atleta masculino, atleta feminino, treinador, equipa e jovem promessa); os campeões da Europa e do Mundo nas camadas juniores e seniores, com a atribuição do troféu da CDP; e as personalidades e instituições que prestaram serviços relevantes no âmbito das federações filiadas da CDP, pela atribuição do pré-

mio mérito desportivo. Após a indicação das federações, o número de candidatos ao prémio desportista do ano foi reduzido para cinco em cada categoria. No próximo dia 31 de outubro serão conhecidos os finalistas. Na Gala do Casino Estoril, uma votação on-line do público e das personalidades presentes irá apurar os vencedores.

nhecimento do seu valor e do trabalho dos seus alunos/ atletas, através das nomeações da Confederação do Desporto de Portugal. A lista de nomeados conta com Mário Silva (Enfermagem / Taekwondo), nomeado nas categorias de jovem promessa e atleta masculino, Tiago Pereira (Gestão / Andebol) nomeado para atleta do ano e Rui Silva (Direito / Andebol) mencionado na categoria de jovem promessa. Além destes atletas, também o treinador de andebol que comanda a equipa da UM, Gabriel Oliveira, que este ano guiou a seleção nacional à medalha de prata no Mundial Universitário que decor-

reu no Brasil, foi nomeado na categoria treinador. Estas cinco nomeações refletem o excelente trabalho desenvolvido pela UM e pelos clubes (dirigentes, treinadores e atletas) da região na formação desportiva . Salienta-se também, o esforço da Federação Académica de Desporto Universitário (FADU) em levar estudantes e equipas universitárias a participar nos campeonatos europeus e mundiais universitários, o que eleva o valor e imagem dos desporto universitário português. Resta agora aguardar pela entrega dos galardões na Gala do Desporto, a realizar no da 15 de novembro.

Universidade do Minho bem representada A Universidade do Minho (UM) vê, nesta Gala do Desporto 2012, mais um recoPUB


TM

KLEIN DYTHAM

JA 176  

jornal academico 176

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