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“Copianço” e plágio... Uma realidade na universidade Jornal Oficial da AAUM DIRECTOR: Vasco Leão DISTRIBUIÇÃO GRATUITA 155 / ANO 6 / SÉRIE 3 TERÇA-FEIRA, 1.NOV.11

academico.rum.pt facebook.com/jornalacademico twitter.com/jornalacademico

Reportagem ACADÉMICO sobre a realidade das “cábulas” na universidade

campus

campus

Magia e música na 16ª edição do TROVAS

Irregularidade no regulamento de bolsas de estudo comprovada pela AAUM Página 05

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local

cultura

TEDxYouth@BRAGA promete deixar jovens inspirados

Órgãos sociais da FADU tomam posse em lista de continuidade

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FICHA TÉCNICA 01.NOV.11 // ACADÉMICO

SEGUNDA BARÓMETRO PÁGINA

FICHA TÉCNICA // Jornal Oficial da Associação Académica da Universidade do Minho. // Terça-feira, 01 Novembro 2011 / N155 / Ano 6 / Série 3 // DIRECÇÃO: Vasco Leão // EDIÇÃO: Daniel Vieira da Silva // REDACÇÃO: Adriana Couto, Alexandre Rocha, Ana Lopes, Ângela Coelho, Bruno Fernandes, Carlos Rebelo, Cátia Alves, Cláudia Fernandes, Daniela Mendes, Diana Sousa, Diana Teixeira, Diogo Araújo, Eduarda Fernandes, Fabiana Oliveira, fábio alves, Filipa Barros, Filipa Sousa, Goreti Pêra, Inês Mata, Joana Neves, José Lopes, José mateus pinheiro, Mariana Flor, Neuza Alpuim, Sara Pestana, Sónia Ribeiro, Sónia Silva e Vânia Barros // COLABORADORES: Elsa Moura, José Reis e Maria joão Pinto // GRAFISMO: gen // PAGINAÇÃO: Daniel Vieira da Silva e Luís Costa // MORADA: Rua Francisco Machado Owen, 4710 Braga // E-MAIL: jornalacademico@rum.pt // TIRAGEM: 2000 exemplares

EM ALTA

NO PONTO

EM BAIXO

Plágios no Ensino Superior Os alunos que frequentam as universidades (98%) admitem já ter copiado e assumem que esse é um método que os ajuda nas avaliações. O ACADÉMICO investigou, falou com especialistas e confirmou que este acto é mesmo uma norma entre os universitários. Ainda assim, ouvidos, os mesmos afirmam que não copiam. Porque será?

Trovas Foi de magia e música que se encheu o palco do majestoso Theatro Circo. As tunas femininas mostraram as suas qualidades e deixaram-nos a certeza que este nível de espectáculo sossega qualquer amante da cultura praticada nas universidades. As “nossas” meninas estão de parabéns. Foi, sem dúvida, um momento mágico!

Inundações em Braga É recorrente. Chuva em Braga é sinónimo de inundações. Nem um barco ou qualquer veículo capacitado para flutuar na água seria capaz de avançar pelas autênticas piscinas olímpicas em que se transformaram os túneis da cidade. Haja alguém que explique aos senhores da manutenção que as sarjetas são para limpar...

DANIEL VIEIRA DA SILVA // daniel.silva@rum.pt

EDITORIAL

Entramos no mês de Novembro e entramos também naquele que, a nível de eventos, pode ser um dos melhores ciclos dos últimos anos na cidade de Braga. Da ordem cronológica oriento o meu raciocínio e é pelo Festival SEMIBREVE que começo. A cidade de Braga recebe de 11 a 13 de Novembro um evento que, pelo que já se percebeu, é de enorme qualidade e arrojo. Música electrónica e arte digital, unidas numa só tendência que chega a Braga com o intuíto de revolucionar o que se tem feito na cidade, nestes campos, nos últimos tempos. Da música, destaque, claro está, para Alva Noto e Black Koyote, que irão pintar o Theatro Circo com o melhor que se faz no mundo no que à electrónica diz respeito. Fora a música, o Mosteiro de Tibães em Braga, de entre todo o seu esplendor, será “uma extensão inteiramente dedicada a comunicações, tertúlias e debates tendo como intervenientes figuras proeminentes das novas tecnologias aplicadas à arte.” A arte digital chega, claro está, com força e pujança à cidade de Braga que aproveita a boleia de um festival desta envergadura para lançar, ainda mais, o “extra-programa” da Capital Europeia da Juventude. E é precisamente essa juventude que irá ter voz já no próximo dia 19 deste mês. Acontece por Braga o TedxYouth. Todos conhecem e admiram o sucesso e competência do evento “TED” por esse Mundo fora. Desta feita, numa outra realidade, e adaptado à realidade bracarense, chega a Braga o Ted, mas de e para “jovens”. São muitos os oradores deste evento. Alguns deles com melhores histórias, mais ensinamentos, mais experiências para contar do que outros, ainda assim, um evento avaliado pela positiva e que gera, não fosse ele um Ted, uma expectativa crescente. Como disse no início deste espaço, este mês é sinónimo de confiança num bom futuro, a nível de organizações, na cidade bracarense. Mês de Novembro que fecha na noite do dia 30 que, invariavelmente, irá ser marcado pelo espectáculo do 1º Dezembro promovido pela AAUM. Todos os grupos culturais sobem ao palco para mostrarem aquilo que a cultura académica tem de melhor. É tempo de acreditar nestes mesmos exemplos, já que os que nos entram em casa, maioritariamente através do ecran de televisão, não abonam a favor da confiança que nos exigem para este país. Até para a semana!


PÁGINA 03 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

LOCAL promete deixar jovens inspirados Uma equipa de jovens promete deixar a cidade de Braga e os seus estudantes inspirados com o primeiro evento TEDxYouth@BRAGA que tem como tema principal a Inspiração. A decorrer no dia 19 de Novembro no Theatro Circo. adriana couto drianascouto@gmail.com

Organizado por quatro jovens que tiveram oportunidade de assistir a um evento do género na cidade do Porto, o TEDxYouth@Braga promete ser um acontecimento que vai marcar, não só a cidade de Braga, como também os participantes que terão oportunidade de assistir às intervenções dos oradores convidados. Referências de sucesso nas respectivas áreas, onde se destacam Carlos Coelho (especialista em criação e gestão de marcas), Miguel Gonçalves (“idea starter”), Pedro Remy (cabeleireiro/artista) ou Diana da Silva (piloto de acrobacia aérea), terão quinze minutos para fazer com que todos os presentes acreditem que as ideias de cada um são capazes de mudar o

mundo. Este TED tem a particularidade de decorrer na altura em que mundialmente se assinala o TED Youth Day, o que levará a que todas as palestras sejam transmitidas em directo para todo o mundo e as ideias discutidas durante o evento cheguem a todos os que não podem marcar presença.

Braga vai receber evento mundialmente conhecido

TED invade Braga Já são muitos os cartazes espalhados pela cidade e as redes sociais mostram ter um papel fundamental para a divulgação do evento que, com a ajuda dos voluntários seleccionados, começa agora a mostrar-se mais aos jovens da cidade. TED é uma organização sem fins lucrativos dedicada a Ideias Que Vale A Pena Espalhar e que nasceu há 25 anos na Califórnia. Para de

gatuna

forma simples espalharem

as suas ideias, criar-se-ia o

programa TEDx que consistia em eventos locais, organizados de forma autónoma e que consegue arrastar pessoas de todo o lado para debaterem os mais variados assuntos. Entre os oradores TED contam-se Bill Gates, Al Gore, Jane Goodall, Elizabeth Gilbert, Sir Richard Branson, Nandan Nilekani, Philippe Starck, Ngozi Okonjo-Iweala, Isabel Allende e o ex-primeiro ministro do Reino-Unido Gordon Brown. Com inscrições abertas on-line, em www.tedxyouthbraga.com, o evento tem como público-alvo a faixa etária dos 18 aos 40 anos, mas quem quiser assistir poderá, igualmente, fazê-lo. A inscrição custa 15 euros para estudantes e 20 euros para não-estudantes, com direito a assistir a todas as intervenções, ao almoço e a três coffee-break.


CAMPUS PÁGINA 04 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

magia e música na décima sexta edição do TROVAS FÁBIO ALVES fabiioalves@gmail.com

Sendo já uma tradição anual desde 1995, o TROVAS - Festival de Tunas Femininas, organizado pela GATUNA (Tuna Feminina Universitária do Minho), trouxe até ao Theatro Circo, dia 29, o mesmo encanto que tem seduzido os bracarenses durante os últimos dezasseis anos. Sofia Patrão, membro da GATUNA e organizadora do evento, afirma que “[o festival] é o culminar de todo um trabalho que nós desenvolvemos desde o início do ano, e é com o maior orgulho que o realizamos”. Quando questionada acerca do critério de selecção das

tunas participantes, acrescenta que, acima de tudo, valoriza-se a qualidade, para que no decorrer do evento seja prezada essa mesma característica. A magia, tema central desta edição, foi invocada pelas cinco tunas participantes, respectivamente: TFUCP (Tuna Feminina da Universidade Católica do Porto); a “A FEMININA” (Tuna Feminina da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa); a TFEnfP (Tuna Feminina de Enfermagem do Porto); TFIST (Tuna Feminina do Instituto Superior Técnico); e, por último, a LEGISLATUNA (Tuna Feminina da Faculdade de Direito da Universidade do Porto). A Tuna Universitária do Minho teve, igualNuno Gago/BragabyNight

Animação foi uma constante ao longo de todo o festival

O tema do festival, magia, encheu o palco do Theatro Circo mente, direito a actuar (extra-concurso). Ouviu-se um pouco de tudo, desde as tradicionais canções e hinos tunais, ao fado português, ao tango argentino e ao espírito brasileiro, bem encaixado com uns ritmos africanos. Ainda se escutaram algumas interpretações de músicas da banda portuguesa Flor-de-Lis ou cânticos em mirandês, como também a famosa instrumental inicial dos filmes Harry Potter ou a mítica “A Kind Of Magic”, dos Queen. Durante as quatro horas do espectáculo, intercalaram-se, entre a actuação das tunas, momentos irónicos de stand-up comedy, com protestos políticos e críticas sarcásticas acerca da situação económica do país, protagonizados pelos apresentadores - os Jogralhos (Grupo de Jograis da Universidade

Nuno Gago/BragabyNight

do Minho). Além disso, assistiu-se ainda a um curto espectáculo de “magia”, a cargo de Oliver Magic. No final, a GATUNA subiu ao palco para demonstrar ao público que, apesar de não ser concorrente do festival, consegue ser enérgica e mágica também, tocando algumas das suas músicas. Deu-se, de seguida, a atribuição dos prémios: melhor pandeireta - “A FEMININA”; melhor estandarte - “A FEMININA”; melhor instrumental - TFIST; me-

Nuno Gago/BragabyNight

lhor solista - TFEnfP; melhor tuna - TFIST, no qual o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, se encarregou de entregar o troféu principal. “Já fomos a vários festivais, mas este é aquele que mais gozo nos dá, pois está mais bem organizado e é onde existe o melhor espírito”, foram as declarações de duas integrantes da tuna “A FEMININA”, Catarina Salgueiro e Catarina Morgado, ao avaliarem o resultado global do espectáculo.

Gatuna com convidados em palco PUB.


CAMPUS PÁGINA 05 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

azurém recebeu núcleos para 3ª assembleia geral José Mateus Pinheiro jose_pinheiropr@hotmail.com

Na passada quarta-feira realizou-se a 3ª Assembleia Geral de Núcleos, que decorreu no campus de Azurém, em Guimarães. Estando a organização deste evento a cargo da AAUM, através do Departamento de Apoio a Núcleos, a actividade contou com a presença de diferentes núcleos, desde ao CEAP, núcleo de Administração Pública, até ao NEBAUM, núcleo de Biologia Aplicada. Ao longo de quatro horas foram discutidos vários

temas, tendo Paula Lobo, Vice-Presidente da AAUM, dado início à sessão, através de uma introdução dos assuntos que iam ser debatidos naquela tarde. Para além da intervenção dos diferentes núcleos, ainda houve espaço para uma intervenção a apelar à sensibilização dos estudantes para a importância da Campanha Stop no panorama académico actual. Houve ainda tempo para uma troca de ideias quanto às melhorias a aplicar à “plataforma online” que a AAUM está a desenvolver para dinamizar e facilitar o processo de comunicação

com os Núcleos. As reuniões sectoriais e o LipDub foram ainda outros assuntos em análise nesta assembleia. Segundo Eduardo Couturela, presidente do CEAP, “a assembleia de núcleos é um espaço fundamental para a vida activa de cada núcleo, sendo talvez uma das melhores iniciativas que a AAUM tem no que respeita à aproximação dos representantes dos estudantes dos mais diversos cursos. Desta forma são exportados novos conhecimentos e sensibilidades para as suas estruturas, não esquecendo o crescimento que representa

para eles enquanto pessoas e, em particular, enquanto dirigentes associativos. Em suma, é uma excelente forma de relacionar os núcleos, havendo ainda uma margem de evolução considerável pela frente, fruto de uma iniciativa ainda recente. Quanto à assembleia em si, é de louvar a participação de todos os colegas representantes das mais diversas estruturas, que apresentaram as suas perspectivas e colocaram as suas questões, resultando numa melhor representação dos estudantes da UM, pelo que os frutos deste trabalho vão trazer um futuro próspero. O Associa-

tivismo veio para ficar”, concluiu o representante. Do lado da organização, Paula Lobo sublinhou que a assembleia de núcleos “cumpriu as suas expectativas, uma vez que estava à espera de menor adesão. Quando foi lançada a convocatória as respostas foram poucas, havendo apenas cinco inscrições a 48 horas da Assembleia. Isso seria, efetivamente, mau. Ainda assim, vários núcleos responderam ao apelo. Embora nos tenham faltado alguns, tivemos sala cheia e a sessão foi bastante produtiva, pelo que estamos bastante satisfeitos”, concluiu Paula Lobo.

crónica erasmus: dia das bruxas? que bruxas?

Rita Magalhães ritasmaga@gmail.com Estudante Erasmus da Universidade do Minho em Manchester (Reino Unido)

Halloween! Para alguns portugueses significa que meia dúzia de malucos vão sair à noite mascarados de todo o tipo de seres negros e horrendos, para outros é, basicamente, mais uma noite de “borga” com os amigos, tendo como certeza que no dia seguinte podem dormir até tarde porque não há aulas nem trabalho. Pois bem, tudo muda quando estamos em “terras de sua majestade”. Para começar, o Halloween é um evento nacional de grande reconhecimento que perdura durante 4 ou 5 noites, nos quais toda a gente (e

quando digo toda a gente é mesmo TODA A GENTE) sai à rua e frequenta festas disfarçada de qualquer coisa. E aí está a piada, não interessa se é medonho ou horrível, o que interessa é que seja o mais irracional, doido e inesperado de sempre. On-

tem foi a primeira de muitas festas de Halloween que se vão realizar por Manchester e, como não podia deixar de ser, foi feita para e com todos os estudantes Erasmus. Foram cinco horas de pura diversão, dj’s convidados que passaram música para todos os gostos desde salsa

a R&B, de hip hop a samba. Naquele espaço, podiam ver-se os mais variados disfarces começando pelo “Super Mario”, passando pela Amy Whinehouse e acabando em Zombies. Toda essa heterogeneidade proporcionou um ambiente especial à festa que promoveu, essencialmente, o convívio, a diversão e a partilha de experiências entre estudantes Erasmus. Claro está que não falhamos na representação de Portugal neste grande evento e estivemos presentes encarnando afincadamente o papel de “Dark Queens”.

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CAMPUS PÁGINA 06 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

nem a chuva demoveu alunos da passarelle Dia 2, segundo casting

Diana Sousa diana_sous@hotmail.com

Foi na passada quarta-feira, dia 26, que o B.A. acolheu o 1º casting relativo ao concurso de moda para estudantes da Universidade do Minho, levado a cabo pela Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). O número de participantes inscritos era de aproximadamente 300 pessoas, mas as condições meteorológicas, desde logo, em nada favoreceram esta primeira fase de selecção e impediram até a presença de alguns participantes. Catarina Oliveira, responsável pela actividade, disso mesmo deu conta, salientando que este 1º casting da 10ª edição do University Fashion foi afectado por esse facto e que, por isso mesmo, a AAUM abriria uma excepção para aqueles que não puderam estar presentes no 1º casting, permi-

tindo-lhes a sua presença no 2º casting em Guimarães. O ambiente no Bar Académico era bastante descontraído. Era possível encontrar um misto de perfis. Desde estudantes sem qualquer tipo de experiência na área, àqueles que, já com algumas provas dadas, se apresentavam como fortes candidatos. Luís Guimarães, 1º ano de Negócios Internacionais e Taciana Gonçalves, 2º ano de Eng. Biomédica são dois exemplos de participantes sem qualquer tipo de experiência no mundo da moda. Já os casos de Nádia Soares e Jonathan Gonçalves, no 1º e 3º ano de EPL, são significativamente diferentes. Ambos com um enorme gosto pela moda, são agenciados e têm alguma experiência na área. João Costa, no 2º ano de Eng. Civil foi um dos finalistas da edição anterior e até chegou a receber convites para enveredar pelo mundo da moda. Após alguns ensaios, estava

dado o mote para o tão esperado desfile que seria avaliado por um júri constituído por 3 elementos – um representante da AAUM, o vencedor da edição transacta e um representante do Sardinha Biba. Pouco passava da uma da manhã quando se iniciou o desfile que correu de forma tranquila e com muita animação, apresentado por uma aluna do 1º ano de Sociologia, que também concorre para a categoria de apresentador(a). Segundo Eduardo Coturela, organizador da 9ª edição do concurso e um dos membros do júri, alguns dos aspectos a salientar são a maior presença masculina, o que fez com que, desta vez, o número de rapazes e raparigas presentes fosse equivalente. De salientar ainda que uma outra categoria do concurso era a de repórter do evento. Foi portanto com boa-disposição e alegria que se viveu este 1º casting para o University Fashion.

irregularidade no regulamento de bolsas de estudo comprovada pela AAUM José Miguel Lopes jose.sepol@hotmail.com

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), em conjunto com outros estudantes do Ensino Superior, declarou recentemente a existência de uma ilegalidade no Novo Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo. Para a AAUM, a irregularidade em questão prende-se com o facto de o regulamento ter sido aprovado pelo Secretário de Estado do Ensino Superior, em vez

de autorizado através de um Decreto-Lei do Governo. Como prova da ilegalidade, o organismo dos estudantes cita, em comunicado, o art. 3º da Lei 15/2011, que afirma que “o Governo aprova legislação que regula as condições de recurso e a atribuição de bolsas no que respeita aos apoios no âmbito da acção social escolar e da acção social no ensino superior, (…) a partir do ano letivo de 2011-2012”. O presidente da AAUM, Luís Rodrigues, considera, no mesmo comunicado, que “o secretário de Estado do Ensino Superior não tem

capacidade para regular a matéria em causa, pois pelo Despacho n. 100437/2011, esta não é uma das suas competências, daí a ilegalidade deste regulamento publicado”. O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior

(RJIES), por sua vez, parece confirmar a perspectiva de que ocorreu uma ilegalidade, ao defender que as questões ligadas à acção social têm, obrigatoriamente, de ser reguladas através de um diploma legal. Já fora da AAUM, também o

docente da Escola de Direito da Universidade do Minho, Pedro Barcelar de Vasconcelos, veio a público declarar que “caso os pressupostos da argumentação” estejam corretos, o despacho em questão será, evidentemente, “inválido”.


PÁGINA 07 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

UNIVERSITÁRIO

“study in portugal” quer chamar alunos norte-americanos Bruno Fernandes micanandes@gmail.com

“Study In Portugal” é o nome do novo programa que pretende fazer do nosso país um destino de formação para alunos norte-americanos. A Fundação Luso-Americana (FLAD), o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), a Comissão Fulbright Portugal, o Turismo de Portugal e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) promoveram a apresentação pública

deste novo programa. Em traços gerais, o programa “Study In Portugal” visa promover as universidades e centros de investigação portugueses nos EUA tentando, assim, aumentar o número de alunos norte-americanos que escolhem Portugal para estudar. Um das primeiras acções do programa será criar condições para que as universidades e centros de investigação estejam presentes na feira anual de educação, promovida pela Association of International Educators (Associação de Educadores Internacionais - NAFSA),

que decorerá entre 27 de Maio e 1 de Junho de 2012 em Houston, no estado norte-americano do Texas. A apresentação pública do “Study In Portugal”, que decorreu no passado dia 26 de Outubro, teve o objectivo de mobilizar as universidades a estarem presentes nesta feira da educação. A conferência culminou também com o lançamento de uma brochura com o título “10

razões para estudar numa universidade portuguesa”, onde são citados os vários motivos para escolha de Portugal por parte dos estudantes norte-americanos. Nesta brochura, Portugal é apresentado como tendo uma “boa qualidade de ensino” e a um preço “acessível”. Para além disso, o nosso país é apresentado como “uma porta para o mundo” devido às suas re-

lações com a Europa, África e Brasil, sendo o local ideal para “estudar uma enorme gama de assuntos como história, biologia marinha, medicina, engenharia, arquitectura e muitos outros temas”. A “hospitalidade e o óptimo clima”, o “estilo de vida” a nível cultural e as “paisagens deslumbrantes” são também os motivos apontados para a escolha de Portugal.

estado não dá crédito aos estudantes Daniela Mendes daniela_mends@hotmail.com

O ano lectivo 2011/2012 parece estar comprometido para os alunos universitários que pedem empréstimos bancários. Tudo porque o Estado se encontra com uma dívida de 5 milhões de euros para com a entidade que gere os empréstimos da banca.

A estimativa é que cerca de 3 mil estudantes do Ensino Superior possam deixar de ter crédito para pagar a faculdade, o que implica o abandono ou até a sua não incrição na faculdade. Segundo o Ministério da Educação e Ciência, o governo tem 5 milhões de euros em dívida para com a Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua, responsável pelo sistema de atribuição de

empréstimos bancários aos alunos do Ensino Superior. Nuno Crato, Ministro da Educação garante que, apesar das dificuldades, está a tentar juntar “esforços para encontrar uma solução para o problema”. Uma medida, tomada pelo Estado português, tem que ver com a adopção de um sistema que surgiu em 2007, e que consiste na diminuição dos juros dos

empréstimos bancários dos estudantes, consoante o seu aproveitamento escolar. Note-se que de 2007 a Março deste ano, a linha de crédito para os jovens estudantes disponibilizou cerca de 150 milhões de euros, “com uma taxa de juro mínima, não dependente de avales ou garantias patrimoniais, que poderá até ser reduzida para os estudantes com melhor aproveitamento es-

colar”, como se pode ler na página da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua. Segundo um estudo do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, após um inquérito a estudantes que beneficiam deste tipo de empréstimos, foram 14 mil os alunos que recorreram a uma linha de crédito, numa média de 11.600 euros por aluno. PUB.


PÁGINA 08 // 01.NOV.11 // ACADÉMICO

NACIONAL

site ‘sem erros’ ajuda a escrever segundo acordo ortográfico Diana Sousa diana_sous@hotmail.com

A 25 de Janeiro de 2011, com publicação em Diário da República, definiu-se a aplicação do novo Acordo Ortográfico a partir do presente ano lectivo, 2011-2012. Contudo, os portugueses ainda têm dúvidas quanto à nova grafia adoptada. No sentido de então solucionar as confusões que se levantam com o Acordo Ortográfico surgiu o projecto online ‘Sem erros’. Nas escolas de todo o país, os professores já ensinam os alunos da primária a escrever segundo o Acordo Orto-

gráfico. Todos os manuais escolares adoptados a partir do ano lectivo 2011-2012 também aplicam a recente grafia. A partir do dia 1 de Janeiro de 2012 o Governo e todos os seus serviços terão, obrigatoriamente, de adoptar as novas regras de ortografia em quaisquer textos e comunicações. Mas, será que os portugueses estão já realmente esclarecidos em relação ao que vai mudar na nossa maneira de escrever? O português é uma língua viva e o novo Acordo Ortográfico visa preservar a sua unidade e prestígio internacional, uma vez que é falada em tantos outros países

Site procura ser ajuda

(Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste). Porém, a chegada do Acordo Ortográfico ao nosso país causou polémica e trouxe dúvidas. Para todos aqueles que então se preocupam com o uso correcto

da língua portuguesa, foi criado o site ‘Sem erros’. Este projecto oferece todas as ferramentas de auxílio à aplicação da nova grafia, mediante vídeos, dicionários, gramáticas e correctores. O ‘Sem erros’ esclarece as alterações que surgiram

na língua portuguesa e dá ainda conta de notícias sobre o Acordo Ortográfico. A intenção do site é que todos os falantes vejam as suas dúvidas claramente explicadas e que a língua seja usada da melhor forma, sem erros.

por um futuro lá fora? Cátia Alves catia_gomes_alves@hotmail.com

O European Online Job Day (EOJD) realizar-se-á no próximo dia 9 de Novembro. Mas o que é, afinal? Organizado pela EURES, trata-se, no fundo, de uma sessão de esclarecimento online sobre as várias oportunidades de emprego, ministrada por trabalhadores e especialistas em mobilidade

empresarial no espaço europeu. A EURES é uma rede líder no emprego europeu que possui uma vasta oferta de emprego e mecanismos de aconselhamento e de incentivo ao trabalho no estrangeiro. Possui cerca de 850 especialistas dispostos a esclarecer dúvidas e a desbravar nas nossas mentes as dificuldades que impõe a mobilidade.

Esta actividade, além de promover a oferta de emprego, permite aos participantes explorar o mercado, numa escala sempre mais abrangente. Ao mesmo tempo é possível aprofundar o plano de mobilidade, estruturando-o à nossa medida. As sessões decorrerão online, a partir de Manchester, no Reino Unido, e poder-se-á assistir em todo o mundo, via streaming. É possível

ainda esclarecer dúvidas e conhecer todo o ambiente e estilo de vida e de trabalho vivido nos países participantes. Numa época de enorme crise em Portugal, os jovens desempregados estão a recorrer com maior frequência à emigração. Mesmo os licenciados, que não conseguem um lugar no mercado nacional, procuram novos mundos lá fora – deixando

tantas vezes para trás a formação que tiveram. É importante que antes de se dar tamanho passo, possamos informar-nos com aqueles que estão lá fora e que conhecem, melhor do que ninguém, as oportunidades que nos poderão ser dadas e a realidade que nos espera. Este serviço é totalmente gratuito e, para participar, basta fazer um registo no site EOJD. PUB.


PÁGINA 09 // 01.NOV.11 //ACADÉMICO

INQUÉRITO

já alguma vez copiaste na universidade? Nunca copiei na Universidade. Acho injusto, como é óbvio, ver colegas meus a copiar, porque não estudaram ou porque não lhes apeteceu ou por outras razões, a tirarem melhor nota do que aqueles que se esforçaram. Sou da opinião de que quem copia deveria ser punido de alguma forma, Não é justo ver alunos que não abdicaram do seu tempo de estar com a família e amigos para estudar, pois usaram cábulas e tiraram melhor nota do que os que não passaram tempo com os amigos ou não foram a casa o fim de semana. Porém, admito que já recorri a uma cábula, que tinha colocado na máquina de calcular, para um exame. Não tinha estudado aquela matéria, por isso foi uma grande ajuda e deu resultado. Claro que fiquei um bocado nervosa, acho que todos os que as usam sentem um nervoso miudinho uma vez que podem ser apanhados. Se fosse apanhada como reagiria? Provavelmente ficava sem reacção. Mas como não é um hábito não me preocupo muito com isso.

Céu Marques 3ºAno // Optometria

Marta Gonçalves 4º ANO // Direito

Admito que já troquei algumas ideias com colegas durante exames, mas copiar, mesmo por apontamentos, ou outro tipo de cábulas, não! Sempre que falei com colegas foi mesmo para tirar alguma dúvida que pudesse ter surgido, a chamada “trocas de ideias”. Não vou negar que quando vejo os outros a copiar e vejo que dá resultado, sinto uma certa revolta, pois provavelmente obterão melhor resultado do que eu, que estudei muito. No entanto, quem sou eu para dizer ou denunciar aqueles que copiaram. A minha opinião é a de que aqueles que copiam grosseiramente deveriam ser punidos. De que forma? Isso já cabe a órgãos superiores debruçarem-se sobre o assunto e chegarem a medidas pedagógicas razoáveis, justas e em conta peso e medida. Não faço cábulas pelo simples facto de, para além de ter algum receio em ser apanhada, acho mesmo que não tenho coragem. Sou demasiado honesta!

Não copio nos testes da Universidade e nunca fiz isso noutro qualquer estabelecimento de ensino. A ideia é sermos avaliados pelos nossos próprios conhecimentos e não por aquilo que queremos levar os outros a acreditar que sabemos. Acho, muito sinceramente, que quem o faz deveria ser punido, porque está a iludir um sistema que deveria ser justo estando, não só a prejudicar os outros, que se esforçam realmente para atingir determinadas metas, mas acima de tudo estão a iludir-se a si mesmos. O objectivo dos exames é o aluno testar-se a si mesmo, testar o seu raciocínio lógico em climas de tensão, de tempo definido. Na vida profissional tais situações irão surgir e acho que mais vale começar a praticar agora, pois no futuro não será de bom tom ou apropriado, ou até mesmo possível, usar cábulas. Como sanção, e tal como já acontece na Escola de Direito, se um aluno for apanhado em situação de fraude, sofre um processo disciplinar, onde só poderá fazer a cadeira em que foi apanhado a copiar no ano seguinte. Filipa Barros 4º ANO // direito

DENISE COELHO 3º ANO // ARQUITECTURA

Não, nunca copiei na Universidade. Penso que o próprio acto de copiar impede os alunos de se aplicarem e aprenderem matérias que serão essenciais no futuro levando a que, a nível profissional, se denote a falta dessa base que outrora não foi estudada. Os objectivos, quer dos alunos, quer dos docentes, que é formarem-se bem e leccionarem bem, respectivamente, com o uso dos “copianços”, fracassa. Os objectivos não são atingidos, mas sim disfarçados. No que diz respeito às sanções, julgo que o facto de copiar e de o conseguir com sucesso, levando à obtenção de nota positiva, deveria ser punido severamente. Afinal de contas os alunos que se esforçam e merecem, sem dúvida, serem reconhecidos pelo seu valor e empenho e não porque utilizaram meios ilegais para obterem o sucesso. A honestidade deveria e deve ser reconhecida e compensada.

carla serra carla_serra_3cdpovoa@hotmail.com

Quando a época de exames se aproxima há duas coisas a fazer: Ou se opta pelo estudo árduo, que poderá levar a uma saborosa surpresa ou amargo sabor (mas honesto) ou se opta pela via mais rápida e fácil: o “copianço”, que poderá levar a uma doce e fácil vitória ou consequências severas. Na primeira opção, o risco de sofrer consequências é nulo, já o mesmo não acontece na segunda via. São inúmeros e dos mais criativos os métodos utilizados por alunos de todos os ciclos e de todas as idades. Será que quando a necessidade aperta a via mais fácil é a mais irresistível ou os pilares da honestidade e sinceridade são supremos e intocáveis? Abordamos e questionamos alguns alunos do campus acerca do assunto pedindo a sua completa honestidade.


DAVID OLIVEIRA

Inês Cannas

Esta semana, a Burning List debruça-se sobre as escolhas musicais de David Oliveira. Nasceu em Lisboa, em 1980, tendo entrado no Curso de Belas Artes em 98 e começado a participar em exposições de escultura em 2005. Para David Oliveira, a figura humana está na génese do seu trabalho, considerando que este é um objecto de estudo inesgotável. Para explorá-la escolheu, no entanto um material paradoxalmente distante do seu objecto de estudo, o fio de arame. Ao olhar para os seus trabalhos, é impossível evitar uma sensação de tridimensionalidade e de preenchimento das formas, ele que se assume como um artista figurativo. David Oliveira tem a figura humana como a base do seu trabalho, interessando-se pelo factor da ilusão óptica que pretende muitas vezes despoletar com as suas esculturas. A sua formação de base é a escultura. Todavia, a sua pesquisa envereda para o campo do desenho, altura em que surgem os primeiros estudos em arame e toma conhecimento da chamada WireArt e de nomes como Fritz Panzer ou Elizabeth Berrien. Em 2009, ganha o 1º prémio de escultura Jovens Criadores de Aveiro 2009, para no ano seguinte receber o Prémio Revelação D. Fernando II.

Segunda: Antony and the Johnsons - I Fell in Love With a Dead Boy (Single, 2001) “Ouço música quando estou a trabalhar, porque tenho de estar concentrado. Esta é uma música muito dramática e é ótima - adoro o Antony! Para mim, a música é extremamente útil quando estou a desenvolver o meu raciocínio plástico, quando estou a a visualizar e tenho de estar concentrado sobre o ‘nada’. Ajuda a descontrair.”

Terça: Devendra Banhart - Santa Maria da Feira (Cripple Crow, 2005) “Gosto imenso do Devendra e quis escolher uma música que tivesse uma ligação a Portugal, a música foi escrita em Santa Maria da Feira e... é linda! Aprecio o dramatismo da sua voz, ele consegue com o timbre percorrer uma série de sentimentos muito interessantes. Para além disso, tem um bom ritmo para dançar. Preciso de ritmo para trabalhar, o meu trabalho pode ser por vezes muito cansativo e preciso de seguir um ritmo ou de fazer uma pausa.”

Quarta: Elvis Presley- Suspicious Minds (Single, 1969) “Eu acho que o Elvis acaba sempre por ser referido e acaba por existir para sempre. O Elvis, apesar de ser antigo, continua a marcar a música e este tema, por exemplo, continua a ter uma batida atual e dançável, que dá para extravasar. Isto para além da voz e da interpretação”.

Quinta: Aloe Blacc- Hey Brother (Good Things, 2010) “Esta foi uma ótima surpresa, adorei a voz dele - mais uma vez, a voz! Lembrou-me uma espécie de Amy Winehouse no masculino. Este tipo de voz acaba por ser relaxante, o que nos permite navegarmos com a música. Eu preciso de calma para trabalhar: calma visual (o meu atelier é tudo branco).”

Sexta: The Gift- Primavera (Explode, 2011) “Escolher 5 temas e não escolher uma música portuguesa era algo que não queria mesmo fazer! Adoro, Gift, conheço-os desde o início, eu estive na Aula Magna, no primeiro concerto, quando o palco foi invadido... Adoro a voz da Sónia, Quis escolher um tema deles que fosse interpretado em português e do novo álbum”


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reportagem

copianço e plágio: uma realidade na universidade

Ana Lopes ana_lopes91@hotmail.com Sónia Silva sonia.silva.8@hotmail.com

“Grande parte dos alunos revela elevada predisposição para a prática da fraude académica”, afirma Ivo Domingues, professor do departamento de Sociologia da Universidade do Minho, quando questionado acerca do seu estudo, “Atitudes face ao copianço na universidade”. Neste trabalho o autor salienta que 95% dos estudantes admite já ter copiado, sendo que a grande parte dos alunos, outros 95%, afirma ter herdado este hábito do ensino secundário. Num outro estudo do mesmo tema realizado por Aurora Teixeira, professora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, é revelado que apenas 2,4% dos estudantes dizem ter sido apanhados a cometer Todas as técnicas são possíveis quando o objectivo é copiar

fraude. Para Ivo Domingues, a situação de fraude académica pode assumir proporções em termos estruturais, sendo esta uma prática recorrente da maioria dos estudantes. “Se grande parte dos alunos recorre a essa prática, o problema tem dimensão social e organizacional”, destaca o professor da Universidade do Minho. Num mundo universitário cada vez mais dependente do tecnicismo, parece haver bases estruturantes que ficam por concretizar, deixando transparecer uma realidade que começa agora a vir ao de cima.

São poucos os alunos que nunca copiaram no Ensino Superior

Porque se pratica a fraude académica? Os motivos que levam os alunos a cometer fraude académica prendem-se com questões de falta de confiança ou de conhecimentos estruturantes. Para Albertino Gonçalves, sociólogo e

DR

investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), uma das razões para a fraude é a “falta de investimento e de DR

trabalho”. A falta de tempo parece ser uma das razões mais frequentes para se recorrer à cópia. Contudo, o investigador do CECS entende que passa “um pouco pelas incapacidades” dos estudantes em termos de conhecimento. “Não é tanto o facto de o aluno não querer estudar, mas sentir-se incapaz de o fazer”, afirma. Segundo Ivo Domingues, as causas da fraude “estão associadas a estratégias académicas discentes, às tecnologias de ensino – aprendizagem - avaliação e à ansiedade pessoal”. Por outro lado, estas podem ainda ser associadas “à anomia social”, ou seja, “à descontinuidade entre as expectativas sociais legítimas de sucesso académico e os recursos disponibilizados para obtenção desse suces-

so”, afirma o investigador.

Copianço e Plágio: infracções com a mesma medida? Para Albertino Gonçalves, plagiar e copiar são actos distintos. O investigador do CECS, defende que o plágio

A Universidade do Minho acolheu o primeiro caso de anulação de um doutoramento por plágio no nosso país


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quando questionado acerca do aumento do número de plágios. O investigador do CECS deixa ainda claro que “agora também já é muito simples descobrir o plágio.” Existem hoje softwares especializados na detecção de plágio, como o Approbo, o Ephoros ou o Copycatcher, por meio dos quais se sabe, de forma instantânea, qual a percentagem plagiada bem como as partes que foram copiadas. “O software até é dispensável”, afirma o professor, salientando ainda que “quando há desconfiança em relação ao trabalho, basta colocar a frase no Google e aparece logo a fonte. É muito fácil fazer plágio, mas também é muito fácil ser apanhado.”

Realidade fora do universo estudantil O simples gesto de olhar para o lado no sentido de copiar, é considerado crime de contrafacção se deve não tanto ao “facto de o aluno não querer estudar, mas de se sentir incapaz de o fazer”. Por outro lado, o copianço “é uma arte e é uma tentação; o aluno pendura-se no risco, não estuda, e depois procura a solução de copiar”, salienta o professor da UM. A prática do copianço desdobra-se ainda em múltiplas modalidades, como as cábulas, copiar por um colega ou mesmo fazer trabalhos em nome de outrem. O sociólogo do CECS diz ainda que esta última modalidade é “uma prática extremamente corrente”. “Existem até alunos que dividem os trabalhos entre si, um faz para uma cadeira, outro faz para outra”, afirma. A solução deste tipo de casos está relacionada com a postura que o professor tem em relação à avaliação, sendo que “é importante que o professor não adopte métodos de avaliação padrão, mas que os adopte em função da turma que tem”, refere ainda Albertino Gonçalves. O acto de plagiar é um crime de contrafacção contemplado na lei que pode ser punido até três anos de prisão.

Como prevenir a situação? Na Universidade do Minho existem órgãos para sancionar e julgar os casos de fraude académica. O primeiro passo a dar pelos docentes neste tipo de caso é reportar o caso ao Conselho Pedagógico que, assim que é avaliada a situação, pode também tomar a opção de fazer transitar o caso para onde achar conveniente, podendo assumir como proporção máxima a suspensão dos alunos em causa. Contudo, Albertino Gonçalves salienta que, “na grande parte dos casos cabe ao professor decidir como lidar com a situação”. A pressão exercida pelas avaliações sucessivas leva ao “desenrascanço”. “Os alunos não têm resposta e dão a resposta que podem”, salienta o sociólogo. Já Ivo Domingues entende que a prevenção deste tipo de situações pode fazer-se por meio da “adopção de práticas preventivas (como a adopção de códigos de ética e valorização cultural da conformidade normativa) e práticas correctivas (sanção dos comportamentos infractores) ”.

Internet, um meio facilitador “Agora é muito fácil plagiar”, atesta Albertino Gonçalves

O plágio é uma forma de fraude académica que não diz apenas respeito aos estudantes. Em 2003, foram amplamente divulgados dois casos na revista ‘Visão’, concretizados pela professora Clara Pinto Correia, também bióloga e escritora. Da

Recurso a folhas de papel de pequenas dimensões é o método mais usual entre os estudantes

DR

Os motivos que levam os alunos a cometer fraude académica prendem-se com questões de falta de confiança ou de conhecimentos estruturantes mesma forma, também o consagrado escritor Camilo José Cela, laureado com o Prémio Nobel da Literatura, foi acusado de plágio. A Universidade do Minho acolheu também o primeiro caso (em Portugal) de anulação de um doutoramento por plágio. DR


TECNOLOGIA E INOV twittadas Inês Mata inesnfmata@hotmail.com

Venda de iPads aumenta consideravelmente As expectativas nunca foram muito elevadas quando o primeiro iPad surgiu em Janeiro de 2010. No entanto, e contrariamente ao que era esperado, a inovação da Apple conseguiu roubar o mercado aos netbooks ou, como mais frequentemente são chamados, computadores portáteis de pequena dimensão. Segundo a ABI Research, este

ano, a venda de iPads aumentou 112% e, segundo as previsões, o número tem tendência para aumentar. O mais provável é que, futuramente, os netbooks se extingam.

Angry Birds em versão cinematográfica A empresa Rovio, responsável pelo famoso jogo Angry Birds está a criar um filme com o mesmo título. Andrew Stalbon, diretor-geral da Rovio confirmou o contrato

de David Maisel, produtor de Iron Man, para a produção cinematográfica do jogo. Angry Birds é um jogo de bastante sucesso e já obteve 400 milhões de downloads. O mercado norte-americano é o maior fã deste formato. No entanto, Andrew Stalbon pretende cativar o mercado chinês, pois este está em constante crescimento.

Já se questionou sobre o tamanho do www? Segundo o World Wide Web Size, que se destina à contagem

diária do tamanho da internet, os últimos dados apontavam para a existência de 10,73 mil milhões de páginas. As estimativas apontadas basearam-se em páginas indexadas pela Google, Yahoo Search e Bing. O método usado para o cálculo é de um investigador da ILK Research Group, da Universidade de Tilburg, na Holanda.

Wikileaks concentrada na recolha de fundos Na passada segunda-feira, a

Wikileaks decidiu desistir da divulgação de documentos secretos para se concentrar na recolha de fundos. Empresas como a Western Union, Visa, Mastercard e Paypal estão a pôr em causa a viabilidade dos objectivos pretendidos pela Wikileaks. Este facto aconteceu depois das empresas financeiras terem cancelado os contratos com o site em Novembro. O bloqueio causado pelas empresas resultou numa redução drástica dos rendimentos da Wikileaks que precisa urgentemente de recolher fundos.

portugueses estão 5 horas por dia ligados à internet Filipa Barros pipasgoth11@live.com.pt

De acordo com um estudo realizado pela consultora Ideiateca e encomendado pela empresa Nova Expressão, os portugueses passam cinco horas por dia ligados à Internet. Dos inquiridos, 72% acede à internet a partir de casa (dos quais 88% têm banda larga), enquanto 24% o faz a partir do trabalho. O objectivo deste estudo foi avaliar o comportamento dos utilizadores portugueses no que toca à internet e a outros meios de comunicação, num dia normal das suas vidas. Os 700 indivíduos alvos deste questionário acedem repetidamente

à Internet, num período de vinte e quatro horas, numa média de sete vezes num dia de semana, em visitas que duram cerca de duas horas e dezoito minutos, e seis vezes ao fim de semana, durante cerca de duas horas e 36 minutos. Essa utilização é essencialmente direccionada para comunicações através de correio electrónico (97%) e downloads de músicas (53%), respectivamente, entre outros.

Redes Sociais no topo das preferências A ligação às redes sociais e de partilha são as mais acedidas, com uma frequência diária. Já nas relações familiares e entre amigos e co-

legas, o meio de comunicação mais utilizado é o “face a face”, mas para além da conversa directa, há ainda o telemóvel (chamadas em 86% dos casos e mensagens escritas com 72%). Quanto aos principais temas de conversa, destacam-se a vida social e as notícias (ambos nos 97%) e o trabalho – os diálogos mais demorados – e a vida em geral (ambos também nos 96%). Se tivermos em conta a leitura de jornais, cerca de 40% opta por fazê-lo também na internet. Ainda questionados sobre a possibilidade de alguns destes novos meios tecnológicos de comunicação deixarem de existir, as conclusões do inquérito foram de

que “entre o simples sentir da falta e a dificuldade de imaginar a vida sem eles, as respostas afirmativas incidiram principalmente na internet, com 98 %, nos telemóveis, com 94%, e na televisão, com 82%”. Concretamente focando os serviços de televisão, é através destes que cerca de 80% dos inquiridos têm acesso à

internet (televisão por cabo). Dentro desta percentagem, 39% tem televisão de alta definição, enquanto 37% usufrui de serviços de gravação de programas. Ainda, se 35 % acha que há uma excessiva quantidade de publicidade dos canais da cabo, 60% (a maioria) crê que esta quantidade é meramente razoável. DR

Portugueses estão na cauda da Europa no acesso à net

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OVAÇÃO

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Sonae lança novo pr0grama de estágios A Sonae criou o programa de estágios Call For You, uma nova iniciativa que vai proporcionar a 26 jovens a possibilidade de desenvolverem estágios de seis meses nas Estruturas Centrais e Centro Corporativo da Sonae. O Call for You é um programa de trainship destinado a recém-graduados do ensino superior com até 2 anos de experiência profissional que pretendam desenvolver o seu talento e contactar com

as diferentes áreas de negócio da Sonae. A seleção de alguns dos candidatos ao “Call For You” aconteceu também através da Rede Contacto, a primeira rede social no Mundo criada por um único grupo empresarial, que tem como objectivo estreitar a relação com a comunidade universitária, disponível em www. programacontactosonae. com. O programa procurou jovens com formação supe-

rior de 2o ciclo nas áreas de Gestão, Engenharia e Economia.

> 14 NOVEMBRO 11 Workshop “Comunicação com o Mercado de Trabalho” Sede da AAUM Braga

> 22 NOVEMBRO 11 Workshop “Networking” Sede AAUM Braga

Com esta nova iniciativa a Sonae reforça a sua oferta de estágios, onde se destaca o “Programa Contacto”, que há 25 anos proporciona aos melhores alunos recém- licenciados a oportunidade para conhecer, por dentro, as estratégias e planos de desenvolvimento das empresas Sonae, e de virem a integrar as suas empresas.

liftoff celebra o seu

1º aniversário com...

Dia do Empreendedor – 9 de Novembro Programa: 11h00 – Programa em direto da Rádio Universitária do Minho subordinado ao tema “Será o Empreendedorismo uma saída para a crise?” – Hall do CP2. - José Mendes, Vice -Reitor da UM; - Augusto Ferreira, TecMinho; - Luís Rodrigues, Presidente da AAUM; - Elisabete Sá, docente UM; - Simão Soares, SpinOff Silicolife; - Marco Martins, MarkMe 15h30 – Workshop “Empreendedorismo e Inovação” – Auditório B2.

17h15 - Welcome drink – Auditório B2, CP2, Campus de Gualtar - Prova da “CERVEJA ARTESANAL DO MINHO” com os promotores/investigadores da recém-criada empresa FermentUM. 17H30– “O Empreendedorismo na Universidade do Minho” Auditório B2 - António Cunha, Reitor da UM; - Hugo Pires, Vereador da Câmara Municipal de Braga; - Luís Rodrigues, Presidente da AAUM; - Ana Rita Ribeiro, técnica Liftoff – Gabinete do Empreendedor da AAUM

18H00– Lançamento do Guia do Empreendedor (edição LIFTOFF) Auditório B2 - apresentação pela autora Elisabete Sá, docente e investigadora da UM 18H20- Cerimónia Pública de Entrega dos Diplomas aos Vencedores do Concurso “O Empreendedorismo está na Moda”. Auditório B2 - Braz Costa, Diretor geral do CITEVE 18h30 - Bolo de Aniversário (LIFTOFF, 1 ano) – Hall auditório B2 19H00 - Encerramento

Complexo Pedagógico II, campus de Gualtar, Universidade do Minho > 9 NOVEMBRO 11

Dia do Empreendedor - Aniversário Liftoff

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CULTURA E o burro sou eu? DR

FABIANA OLIVEIRA fab.i@hotmail.com

“El Caloirado” é a nova proposta que dá as boas vindas aos caloiros da Universidade do Minho e Universidade Católica. O evento realiza-se no próximo dia 9 de Novembro (quarta-feira), no Centro Cultural Braga Viva, no BragaShopping (antigas salas de cinema), das 23h00 às 6h00. O valor do bilhete é de 2 euros para estudantes e 5 para não estudantes e podem ser adquiridos a estes valores até dia 8. De maneira a facilitar a deslocação entre a UM e o local do evento, as viagens serão feitas de autocarro, entre as 23h00 e as 02h00. Pensar no primeiro dia de aulas começa a ser uma lembrança que faz parte do passado. Aqueles que eram os novos alunos da Universidade do Minho e da Universidade Católica, começam a sentir que já são “da casa”. Só que, de momento, são

poucas as actividades de integração em curso que têm como objectivo ajudar na adaptação às novas rotinas, na vida de muitos jovens. No entanto, os “caloiros” continuam a ser “caloiros” e ainda existem boas-vindas a serem feitas. É com este espírito que será organizado o “El Caloirado”, um evento que pretende levar-te um pouco mais além e dar-te a oportunidade de passar uma noite diferente, num local diferente e com um som e um espírito diferentes. O cartaz conta com nomes que começam a ser familiares. Os ‘Electro Domestic’, que estiveram presentes na Recepção ao Caloiro, demonstrarão a sua versatilidade que se adequa à sala e artistas com que actuam. Nuno Lopes, actor de profissão, será outro dos dj’s presentes, que conta com actuações marcantes em diversos festivais e discotecas de todo o país. Octávio e Sr. Ni, ou melhor, os ‘Fake DJ’s’, prometem surpreender pela diversidade musical dos seus sets.

Talento encontrado em ensaios Crítica de peça teatral da autoria de: RAQUEL MOREIRA morgaide@gmail.com

Foi com a procura cómica do interruptor da luz que, na passada terça-feira, dia 25 de Fevereiro, pelas 17 horas, no auditório do ILCH, se deu inicio à peça “Perdido em Ensaios”. Encenada por Samuel Gomes, aluno do curso de Línguas e Culturas Orientais, esta peça, composta por três actores, transporta-nos para o ensaio de um teatro de im-

proviso. No meio de muitas gargalhadas conhecemos a personalidade de Asobi Wasabi, a “ovelha negra” do Japão e de Otto Von Verrit, um encenador bastante austero cujo português fez muitos morder o lábio de tanto rir. Este último será a figura crítica à sociedade portuguesa, apontando a falta de patriotismo dos lusos e do respeito pelas regras: “crise há em todo o lado. A pior crise é a psicológica”. No desenrolar do ensaio vamo-nos apercebendo que

Asobi não é um japonês comum: trabalhador, sério e educado. Muito pelo contrário, este comporta-se de uma maneira designada como ocidental. Como seu contraposto temos Emanuel Mota (Pedro Cunha), um português trabalhador e sério que parece ser mais japonês que Asobi. É através desta interacção que nos debatemos sobre a existência de estereótipos: Ocidental vs Oriental. Do asiático trabalhador e do latino preguiçoso. Será a nacionalidade a melhor maneira de caracte-

rizar um indivíduo? Esta produção, apoiada pelo Departamento de Estudos Asiáticos do Instituto de Letras e Ciências Humanas e orientada pelo professor Tsuyoshi Takamatsu foi esquecida pela restante academia, não só pela pouca comparência por parte de estudantes fora do departamento como também com a falta de contribuição de um local mais apropriado. Uma peça com um diálogo fluido e humorístico, sem nunca deixar de ser crítica. Uma obra, escrita por um

estudante da nossa academia, foi um dos pontos altos de um dia cinzento.


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RUM BOX

AGENDA CULTURAL

TOP RUM - 43 / 2011

GAINSBOURG Terrible angels

BRAGA

1. JP SIMÕES E AFONSO PAIS A marcha dos implacáveis

13. DANGER MOUSE & DANIELE LUPPI -Two against one (feat. Jack White)

28 OUTUBRO

2. JORGE CRUZ Entre iguais 3. YOU CAN’T WIN, CHARLIE BROWN A while can be a long time 4. MY MORNING JACKET Holdin on to black metal 5. JULIE & THE CARJACKERS I’ve heard it on the radio before 6. TIGUANA BIBLES Surrender 7. VACCINES, THE Post break-up sex

14. FOSTER THE PEOPLE Pumped up kicks 15. HORRORS, THE Changing the rain 16. SEAN RILEY & THE SLOWRIDERS Silver 17. BLOOD ORANGE Sutphin boulevard 18. DEATH CAB FOR CUTIE You are a tourist 19. KASABIAN Switchblade smiles

MÚSICA 5 de Novembro Grupo de Choro Raspa de Tacho + Edu Miranda Trio Theatro Circo TEATRO 8 de Novembro Último Acto – Companhia de Teatro de Braga Theatro Circo DANÇA 4 de Novembro

Companhia Paulo Ribeiro – Acto 5 – “Sábado 2” Theatro Circo

GUIMARÃES MÚSICA 8 a 19 de Novembro Guimarães JAZZ CCVF 4 de Novembro II Gala da Fadu São Mamede

10. M83 - Midnight city

20. LONG WAY TO ALASKA United colors of patapon

1 - Porque é que o Ranho é Verde? de Glenn Murphy (Gradiva). A ciência explicada aos jovens com muito “génio”;

17 > 21 Outubro

2 – A Árvore Generosa de Shel Silverstein (Bruaá). Um dos grandes clássicos da Literatura infantil; mais que obrigatório para miúdos e graúdos;

JORGE CRUZ - tornados WILD FLAG - glass tambourine DJ SHADOW - scale it back

3 – Manifesto AntiAmericano de Ted Rall (Verbo). A crítica ao sistema

POST-IT

MÚSICA 2 de Setembro Sebastião Antunes Subscuta Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos

FAMALICÃO

TEATRO 4 e 5 de Novembro À procura de Ricardo III – Teatro nova europa Casa das Artes

LEITURA EM DIA político americano feito de lucidez e coragem; a ler, reler e pensar;

8. DEUS - Constant now 9. WE TRUST Time (better not stop)

BARCELOS

Ormond, que é, já, uma figura incontornável do imaginário juvenil; 5 – Pensa num número de John Verdon (Porto Editora). Uma estreia na literatura policial cheia de engenho e inteligência, um desafio ao leitor mais arguto; Para ouvir de segunda a sexta (9h30/14h30/17h45) na RUM ou em

11. PZ - For sure 12. CHARLOTTE

4 – Conspiração 365 - Julho de Gabrielle Lord (Contraponto) . Um dos novos heróis, Cal

podcast: podcast.rum.pt Um espaço de António Ferreira e Sérgio Xavier.

CD RUM

reintervenção - vários artistas

PAULO SOUSA paulo.sousa@rum.pt

”REintervenção” não é mais um disco de versões do Zeca. É sim uma homenagem ao homem que brincou com o poder de um regime fascista e é também um disco que junta nomes insuspeitos do panorama musical português, em reinvenções de temas menos conhecidos. Mas atenção: não o confunda com um outro tributo que anda aí a circular. Chamamos música de intervenção às canções que nos chamam a atenção para determinados problemas ou conflitos sociais, económi-

cos ou políticos. Na história do nosso país, esta categoria de canções foi preponderante para o disseminar de ideias de organização social diferentes das vigentes, especialmente durante o Estado Novo. Os nomes mais conhecidos que chegaram até nós e que, com certeza, se perpetuarão no tempo, foram Sérgio Godinho, Fausto, José Mário Branco, Vitorino, Adriano Correia de Oliveira, entre tantos outros execelentes cantautores. Um outro nome incontornável quando falamos de cantigas que são armas, é o de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, po-

pularmente conhecido por Zeca Afonso. Nasceu em Aveiro em 1929 e faleceu em Setúbal, 58 anos depois. Estudou em Coimbra, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas com uma tese sobre Jean-Paul Sartre. Foi professor durante alguns anos e foi expulso do ensino, chegando a ser preso pela PIDE, pelas suas ligações à Liga Unitária de Acção Revolucionária e ao Partido Comunista Português. Foi uma das figuras centrais do movimento de renovação da música portuguesa nos anos 60 e 70 e foram inúmeras as suas intervenções políticas no pós-

25 de Abril, tendo sido um empenhado admirador do período do PREC. Entre 1964 e 1985 lançou catorze discos, um legado valiosíssimo que se espera ver reeditado brevemente. Aliás a Orfeu, uma das editoras que trabalhou com o Zeca, renasceu das cinzas com este “REintervenção”, o que poderá indicar um caminho promissor para esta etiqueta. Até porque os nomes escolhidos para as reinvenções dos temas denotam uma escolha criteriosa e bem conseguida. Entre outros, encontramos JP Simões com Norberto Lobo, Cool Hipnoise com Sam

The Kid e Janita Salomé, mas descobrimos também Amélia Muge, Vítor Rua e Cacique 97.

DR


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DESPORTO direcção da federação académica de desporto universitário toma posse com lista de continuidade CARLOS REBELO c.covasr@gmail.com

Decorreu no passado dia 27 de Outubro, no Centro de Medicina Desportiva, a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). Esta acção contou com a presença de aproximadamente meia centena de pessoas que as-

sistiram à cerimónia que deu posse ao novos órgãos até 2013. Este acto marcou, também, a tomada de posse de Bruno Barracosa, reeleito presidente da FADU. A presença de personalidades ligadas ao desporto foi visível, estando presentes João Roquette, presidente do Estádio Universitário de Lisboa, André Pardal e Paulo Marcolino, adjunto para a Juventude e adjunto para o

Desporto, respectivamente, da Secretaria de Estado de Desporto e Juventude, Carlos Marques, em representação da Confederação do Desporto de Portugal e Miguel Portugal, presidente da Mesa da Assembleia Geral. Após a tomada de posse de todos os órgãos sociais, João Roquette e André Pardal, num pequeno discurso, desejaram sucesso para o projecto desta direcção e falaram

de uma abertura por parte das entidades em que os mesmos se encontram para responder às necessidades da FADU, tentando criar mais condições para o mundo desportivo universitário. Já Miguel Barracosa referiu a participação dos jovens no desporto e na adopção de estilos de vida saudáveis, a evolução e conquistas da competição a nível nacional e internacional e a relação com

as entidades ligadas ao Ensino Superior. O Presidente da FADU terminou o discurso citando que a FADU irá continuar “com o empenho e garra de sempre, com a irreverência intrínseca característica dos jovens e com a vontade de inovação e de mudança característica de uma instituição que se quer afirmar, ainda mais, numa sociedade do século XXI.”

FADU

Órgãos sociais da FADU foram eleitos para o período 2011-2013 PUB.


SEMIBREVE chega à cidade de Braga

O Festival Semibreve é um evento focado no universo da arte digital e da música electrónica. Através de uma criteriosa seleção de artistas e de um olhar atento à vanguarda da investigação, o Festival Semibreve propõe-se a divulgar as actuais tendências do conhecimento no campo da arte digital e promover espectáculos de alguns dos artistas mais relevantes da actualidade no domínio da música electrónica. A primeira edição do Festival Semibreve decorrerá em Braga, de 10 a 13 de Novembro de 2011, integrada no

programa da Capital Europeia da Juventude 2012. O Theatro Circo, um dos ex-libris da cidade, será o coração do evento, albergando concertos, instalações e uma mostra de trabalhos produzidos pelo Centro de Computação Gráfica e pelo Departamento de Sistemas da Informação da Universidade do Minho. O Mosteiro de Tibães acolherá uma extensão inteiramente dedicada a comunicações, tertúlias e debates tendo como intervenientes figuras proeminentes das novas tecnologias aplicadas à arte.



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