Issuu on Google+

editorial Maranhão/ Edição nº. IX

1


editorial

editorial

S

Vanessa Ferreira Editora-chefe

Alexandra Veloso Editora de Texto

Beatriz Oliveira Editora de Texto

Emanuella Soares Editora de Texto

Felipe Perez Diagramador

Simone Nunes Editora de Arte

Angelo Miguel Arte

Patrícia Silvino Revisora

Paulo Nascimento Revisor

Renata Trenahi Repórter

Agraene Esteves Repórter

Giseli Andrade Repórter

ão Paulo da garoa, São Paulo terra boa... Será que ela não tem mais a famosa garoa porque está com 459 anos? Garoa não tem, mas chuva... e como chove, tornando o trânsito, já caótico, ainda pior. Mas nós temos por ela um amor de mãe e este amor aguenta tudo, pode acreditar! Envelhecemos nela e com ela e a cada dia a amamos mais. Fotografias, culinárias, festas, esportes e esportistas, parques, museus, ruas e avenidas, os mais diferentes personagens, eventos, feiras e feirantes. São Paulo é considerada polo cultural no Brasil, tendo-se consolidado como local de origem de toda uma série de movimentos artísticos e estéticos ao longo da história. É uma cidade versátil, pois nos oferece variadas opções de lazer. Em sua nona edição, a Revista Maranhão se dedica a mostrar a “Vertigem Cultural”, caracterizada por diferentes expressões de cultura existentes na cidade, ilustrada em sua foto de capa que tem como autor o aluno Vitor Souza Nascimento, e contracapa produzida por Bruno Borges, ambos do quarto semestre do curso de Jornalismo. Quem é da geração que não vive sem internet, certamente já ouviu falar sobre os curtas-metragens brasileiros de maior sucesso no Youtube. O destaque deste número é uma interessante entrevista realizada com Daniel Ribeiro, um dos principais nomes entre os jovens cineastas do País. Ele conta como conseguiu conquistar milhares de fãs na internet.

Quem nunca sentiu aquele nervosismo em frente a situações de “risco” como liderar equipe, falar com o chefe, “chegar” numa paquera, dar uma palestra, ou, simplesmente, apresentar um trabalho escolar ou acadêmico? Mostraremos como driblar a timidez e a fobia de falar em público, com a ajuda do Teatro. Além disso, vamos conhecer o universo cultural que existe no extremo sul de São Paulo, mais precisamente, na Estrada do M’ Boi Mirim, onde encontramos diversas iniciativas para o incentivo da cultura. Excepcionalmente nesta edição, contamos com a participação da aluna Adla Charanek, do quarto semestre de Jornalismo, que teve sua Fotorreportagem escolhida para enriquecer as páginas de nossa revista. Em sua produção fotográfica, Adla nos leva ao universo do Islamismo e mostra um olhar atento acerca de valores que ajudam a entender, de forma mais clara, a fé e a crença dos muçulmanos. Vamos conferir também, um esporte que vem crescendo muito na cidade, o Aeromodelismo. A matéria nos mostra a arte de voar com os pés no chão de uma maneira segura e divertida! Vamos entender, ainda, como a Era Digital pode contribuir para disseminar a cultura. Você, leitor, encontrará nas próximas páginas, um mundo que nos é apresentado todos os dias, mas que nunca paramos para ver e apreender mais de perto.

...

A

Edição IX da Revista Maranhão é um projeto laboratorial do sexto semestre do curso de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro, Unisa, sob orientação dos professores Elizabeth Fantauzzi e Márcio Rodrigo.

Profª Elizabeth Fantauzzi

2 Maranhão/ Edição nº. IX

Prof.Márcio Rodrigo Maranhão/ Edição nº. IX

3


13

A nova cara do cinema

Daniel Ribeiro fala sobre os caminhos que o levaram a conquistar milhões de fãs na internet

Crianças

20

Sopa de letrinhas

Curiosidades e descobertas envolvem as crianças no cenário do jornalismo infantil

Lazer

27 Tem cultura 44 Acesso à sobrando no M’ Boi Mirim

No extremo sul de São Paulo, CEUs têm dificuldades para encurtar distâncias artísticas entre os eventos e a comunidade

31 As mil e uma artes de São Paulo

Fotorreportagem

25

O Islamismo de cada dia

Um olhar atento acerca de valores que ajudam a entender, de forma mais clara, a fé e a crença dos muçulmanos

4 Maranhão/ Edição n° . IX

Política

Artistas de todas as áreas tornam a cidade mais colorida e alegre, atraindo turismo brasileiro e estrangeiro

34 Voando

com os pés no chão

Hobby para uns e esporte para outros, no aeromodelismo o que mais importa é sensação de liberdade

cultura se faz necessário

O Brasil caminha para igualdade social, o vale-cultura promete diminuir todas as barreiras entre o trabalhador de carteira assinada e os bens culturais

Música

Tecnologia

índice

índice

Perfil

47A Convergência no processo cultural

Na Era Digital, os meios de comunicação percebem oportunidades para disseminar a cultura

Teatro

é o ator 39 Uma turnê na 07 Você da sua vida história

Com seis décadas de estrada, as Irmãs Galvão contam o que fizeram para que se tornassem ícones do gênero no Brasil

42 Beatlemania, 50 anos de um fenômeno

Primeiro álbum dos Beatles completa meio século e a admiração pela banda resiste ao tempo

Definida como um dom ou uma técnica, a comunicação é também uma arte cada vez mais exigida para se sobreviver em sociedade

11 O palco como

alimento para a alma Cia Mascárate ensina a arte de criar Caras e bocas

Maranhão/ Edição n° . IX

5


teatro

editorial

“Você é o ator e o diretor da sua vida” Definida como um dom ou uma técnica; a comunicação é também uma arte cada vez mais exigida para se sobreviver em sociedade

A

palavra teatro vem do grego theaomai – olhar com atenção, perceber, contemplar. Esta arte sempre esteve presente na história da humanidade e, por meio dela, o indivíduo expressava sentimentos, contava histórias e louvava seus deuses. O teatro é pura comunicação. É onde e quando as emoções se revelam. E isso é o que tem tornado essa arte cada vez mais procurada para vencer a fobia de falar em público e também o bloqueio na hora de se expressar. Quem nunca sentiu aquele frio na barriga, rosto queimando, palpitações ou mãos suando quando se vê diante de situações de “risco” como liderar equipes, falar com o chefe, “chegar” numa paquera, dar uma palestra, ou simplesmente, apresentar um trabalho escolar ou acadêmico. Para o professor de teatro e diretor do Alma D´Alma – Espaço de Artes e Atitudes, Vinicius Rastrello, o teatro interior (técnica que tem como objetivo o autoconhecimento dos alunos, com aulas de preparação e interpretação) leva a pessoa a ter contato com o seu íntimo, se conhecer por inteiro, ter consciência de suas atitudes perante os outros e ela mesmo, fazendo com que se aceite. “No teatro nada é feio, nada é errado e isso é uma das grandes facilidades que a gente encontra em fazer a pessoa se aceitar”, explica Rastrello. E essa aceitação de si mesmo, é resultado de um trabalho focado na superação de bloqueios psicológicos, sempre estando atento de que maneira a expressão corporal e vocal são usadas a seu favor. Para o consultor em gestão comercial Maurício Ferreira, que começou a fazer teatro na adolescência

6 Maranhão/ Edição nº. IX

Vinicius Rastrello relaxa tomando um cafezinho antes de mais uma aula

Foto: Patrícia Silvino

Por Patrícia Silvino

por conta da timidez e ficou durante nove anos com um grupo criado na escola, as aulas teatrais abriram portas para ele tanto na universidade quanto no mercado de trabalho. “Quando eu fui para a faculdade me tornei líder estudantil, tudo com base numa liderança que o teatro desenvolve. Você passa a liderar você mesmo, seus limites e passa a influenciar pessoas”, ressalta Ferreira. Indiscutivelmente, a grande vilã quando se fala em comunicação é a timidez. Na escola ou no trabalho, na vida social ou numa simples

paquera, se exige que as pessoas tenham iniciativa, mostrem a cara, apareçam. Segundo o psiquiatra e psicodramatista Rodrigo de Almeida Ramos, a timidez nada mais é, do que o medo do que o outro pode pensar de você. “Ela (timidez) causa uma retração social, que leva o indivíduo a evitar situações de exposição e, portanto, a um julgamento dos outros”, define o psiquiatra. Para Rastrello, vencer o acanhamento é algo que necessita de Maranhão/ Edição nº. IX

7


8 Maranhão/ Edição nº. IX

...

teatro

Foto: Patrícia Silvino

Rastrello e uma aluna durante a aula de expressão vocal; um momento muito importante do curso pois o controle da voz é sempre um desafio na vida profissional

Escolas em São Paulo que oferecem cursos de teatro para auxiliar a comunicação Teatro Escola Macunaíma www.macunaima.com.br Emílio Fontana www.emiliofontana.com.br Teatrês www.teatres.com.br Teatro Tuca www.teatrotuca.com.br C.E.A.R - Centro de Expressão Antonio Ravan www.ceantonioravan.com Escola Superior de Artes Célia Helena www.celiahelena.com.br E.N.T - Escola Nacional de Teatro escolanacionaldeteatro.com.br

Foto: Patrícia Silvino

ção de uma adaptação que você tem que ter para poder se relacionar bem com as pessoas, é natural não é que seja uma coisa falsa. Você passa a identificar esses papéis e trabalhá-los de uma maneira adequada. É bom para você e para quem se relaciona com você”, garante o consultor. O psicodrama (criado pelo psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno, nos Estados Unidos em 1925), é uma técnica de análise psicológica que nasceu no palco, estuda profundamente os efeitos benéficos que a arte dramática causa no psicológico da pessoa, como afirma Ramos. “Eu indicaria um curso de teatro para qualquer inibição interna. É uma atividade exercida em um ambiente de maior tolerância, onde se questiona a interpretação, nunca o caráter”. Ainda, de acordo com o psicólogo, o teatro pode trazer descargas de tensões internas e liberar angústias que não encontram via de saída no dia a dia. “Isso se torna uma fonte de extrema segurança para

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Patrícia Silvino

teatro muita dedicação e, principalmente, vontade do indivíduo. “O tímido é a pessoa que tem problema de comunicação e, antes de se comunicar, ele quer aprender a se comunicar. E a comunicação é uma grande arte”, destaca o professor. O teatro não promete acabar com a dificuldade de se expressar, mas sim, fazer com que a pessoa aprenda a lidar com cada ocasião em que se sinta desconfortável. “As pessoas aprendem a construir personalidades. Uma personalidade é a postura que ‘eu’ adoto perante a vida, perante aquele momento, à uma situação”, esclarece Rastrello. É certo que em diversas situações as pessoas possam se sentir incapazes, inseguras e retraídas. As aulas de teatro trabalham na criação de personagens que cabem na índole do indivíduo, não permitindo que a pessoa adote uma atitude que fuja à sua essência, como explica Ferreira, que afirma só ter se beneficiado dessa prática. “São papéis em fun-

Maurício Ferreira afirma que o teatro foi o que possibilitou, entre outras coisas, a aproximação com sua esposa

quem está muito carente dela”. A aceitação é o primeiro passo a ser dado para alcançar a transformação. A pessoa tem de querer a mudança, para assim, viver melhor em sociedade. “O não se permitir a mudar, engessa, bloqueia, inibe e machuca. Você vai perder no mínimo, uma bela experiência na sua vida”, assegura Rastrello. O professor fala da sensação, como profissional e amigo, ao ver a superação de seus alunos. “É a vitória, é o gol, cada dia a gente tem que fazer um”. Mas a arte teatral é também uma forma de socialização entre pessoas de várias idades e perfis. As aulas são procuradas, inclusive, como uma atividade de entretenimento, um passatempo. E foi pensando nisso, que o funcionário público, Nelson Trauzola, 66, procurou o curso do Alma D´Alma. “A cada peça chegam pessoas novas e a gente vai aumentando esse ciclo de amizade.” E no que diz respeito à idade, Trauzola só vê vantagem para o seu lado. “A convivência com as pessoas mais jovens me influencia positivamente e eu acabo esquecendo quantos anos eu tenho. Eles até me chamam de Benjamin Button (risos)”, orgulha-se. Como afirmou certa vez Procópio Ferreira: “a vida cria o conflito; o teatro resolve.” Só subindo no palco para descobrir se ele está certo.

Ator - Curso de Teatro www.cursoator.com Rodrigo Ramos; especialista em psicodrama, acredita que o teatro faz “milagres” na vida dos tímidos; mas tem de querer a mudança

Maranhão/ Edição nº. IX

8

Alma D’ Alma - Espaço de Artes e Atitudes www.almadalma.com.br

Nelson Trauzola faz das aulas de teatro, um momento de lazer, sempre acompanhado de pessoas mais jovens

Maranhão/ Edição nº. IX

9


teatro

editorial

O palco como alimento para a alma inspirando jovens, Cia Mascárate ensina a arte de criar caras e bocas Por Renata Trenahi grupo de Teatro Caras, hoje conhecido como Companhia Mascárate de teatro, foi criado em 2005 na cidade de Embu Guaçu, por Vagner Araújo ator e diretor, junto com Douglas Pinheiro, ator e bailarino da Cia Mascárate de Teatro. Residentes na cidade de Embu Guaçu, na grande São Paulo, os atores decidiram fundar no inicio um pequeno grupo de teatro, pelo fato da cidade ficar à 52 quilômetros da capital paulista e todo movimento teatral, cinemas, exposições e outros movimentos artísticos ficarem distantes, necessitando sempre a locomoção dos Embuguaçuences. No começo o grupo contava com alguns protagonistas jovens que se interessavam com o teatro,’’ O grupo era pequeno, foi então que começamos a participar de festivais de teatros como Mapa Cultural Paulista, festivais regionais e em cima das avaliações íamos melhorando nossa busca incessante no fazer teatral,” afirma Araújo. Depois de alguns anos, veio a necessidade de estabelecer um ponto fixo de referencia do grupo de teatro, até então conhecido por Caras.” Foi ai que aproveitamos a mudança de gestão politica de 2008 para 2009 e nos aproximamos da Secretaria da Cultura de Embu Guaçu, ’’ afirma Pinheiro. Foram apresentados projetos para a produção de um dos espetáculos, a prefeitura de Embu Guaçu, financiava um espaço para sede do grupo e em troca, o grupo ofereceria gratuitamente oficinas de iniciação teatral e balé clássico para a comunidade. O grupo de Teatro

10 Maranhão/ Edição nº. IX

Arquivo Pessoal

O

Para Vagner, “ O ideário de viver de arte é possível e concreto, desde que com muita realidade e força de vontade.” O grupo continua se expandindo e pretendem abrir mais vagas até o final deste ano

Maranhão/ Edição nº. IX

11


perfil

Arquivo Pessoal

teatro

A nova cara do cinema Daniel Ribeiro, um dos principais nomes entre os jovens cineastas no Brasil, fala sobre os caminhos que levaram seus filmes a conquistar milhões de fãs no YouTube

Por Angelo Miguel

Caras, agora tinha uma casa, uma referencia física segundo Vagner Araújo, resolveram chamar a casa de Paço Caras. A casa ficava em um salão alugado, foram oficinas e mais oficinas de iniciação à arte para crianças e jovens realizando mostras destas oficinas. O espaço logo ficou pequeno fisicamente e novamente o grupo trocou de lugar, indo agora para o Centro Cultural 28 de Março, onde o espaço é maior e a população tem mais acesso por ficar na praça central da cidade, e junto com a troca de casam resolveram alterar o nome denominando-se Cia Mascárate de Teatro, Segundo Douglas “ a mudança do nome foi por diversas razões entre elas, pensar em uma nova proposta de fazer teatro e abarcar novos integrantes para a jornada, além de ter um nome mais original pois há muitas companhias e movimentos teatrais com o mesmo nome.

12 Maranhão/ Edição nº. IX

Os números de vagas foram ampliadas e a prefeitura dá um valor estímulo através da Secretaria Municipal de Cultura. Hoje a Companhia beneficia 280 alunos no teatro e 200 alunos no balé, realizam diversos espetáculos de teatro e dança e por meio deles participam de festivais pelo Brasil. Recentemente eles integraram o Festival de Curitiba, um dos mais importantes do gênero no país, onde apresentaram o espetáculo Quarto de Empregada, de 2013, “Estou encantada e muito feliz em poder fazer parte desse espetáculo, Tenho muito a agradecer pelo ensino e carinho recebido”, afirma aluna e atriz Laura Franco. Segundo Vagner, “ Temos o ideário que viver de arte é possível e concreto, desde que com muita realidade e força de vontade.” O grupo continua se expandindo e pretendem abrir mais vagas até o final deste ano.

...

Arquivo Pessoal

A casa ficava em um salão alugado, foram oficinas e mais oficinas de iniciação à arte para crianças e jovens realizando mostras destas oficinas

Laura Franco na peça “Quarto de Empregada”

(

Divulgação

Ribeiro passa as orientações para os atores Guilherme Lobo e Tess Amorin. Ele aposta na proximidade entre a equipe técnica e o elenco.

(

P

or volta das 14h50, em uma travessa da Consoloção, na rua Antônio Carlos, no centro de São Paulo, o jovem cineasta Daniel Ribeiro esperava para conceder uma entrevista. Foi no número 404, mais precisamente no Urbe Café, bar frequentado pelos jovens descolados do circuito Paulista-Augusta, que a conversa durou por pouco mais de uma hora. Entre paredes grafitadas, poltronas de couro e luminárias pretas no estilo pendente, damos início a um longo bate-papo. Pessoalmente, o rapaz de apenas trinta anos, parece ainda mais jovem do que pelas fotos postadas em suas redes sociais. Quem é da geração que não vive sem internet, certamente já ouviu falar sobre os curtas-metragens brasileiros de maior sucesso no Youtube: “Café com Leite” e “Eu Não Quero Voltar Sozinho” que juntos, somam cerca 6 milhões de visualizações, sem contar as postagens não oficiais. Enquanto agradece ao comentário em relação a sua pouca idade, é enfático. “Às vezes, parecer um pouco mais velho pode ser bom, as pessoas te respeitam mais”, afirma. O rapaz franzino, formado pela ECA-USP em 2006, é detentor de incontáveis prêmios nacionais e internacionais. Indagado, ele mesmo não se lembra de todos, afinal são alguma dezenas. Fato é que, o Urso de Cristal no Festival de Berlim por “Café com Leite”, aproximou-o de nomes como Walter Salles e José Padilha, até então únicos brasileiros ganhadores do prêmio de melhor filme com Central do Brasil (1998) e Tropa de Elite (2008), respectivamente. Seus dois curtas levaram o

“Nós somos de uma geração que cresceu com a internet, então a leitura do que é cinema é diferente”

Para o cineasta, o Youtube foi o grande responsável por projetar seu trabalho para o grande público.

Maranhão/ Edição nº. IX

13


amor aguardada ansiosamente por seus milhares de seguidores. Com previsão de lançamento nacional para 2014, as páginas e comunidades no Facebook, demonstram que as expectativas dos fãs são as melhores. Daniel Ribeiro nos recebeu para falar sobre sua carreira, suas impressões, sua relação com o sucesso e os desafios pessoais e sociais que o norteiam pelo mundo do cinema.

que, embora tenho tido notáveis avanços nos últimos anos, continua a incomodar grande parte da sociedade: a homossexualidade. Daí em diante, não parou mais. No segundo filme, é a vez de um garoto gay e deficiente visual enfrentando suas limitações para viver uma paixão adolescente. Em fase de edição do seu primeiro longa, “Todas as Coisas Mais Simples”, um aprofundamento do segundo filme, Ribeiro ainda faz suspense sobre os rumos dessa história de

Reprodução

“As pessoas têm o direito de me colocarem na caixinha que elas quiserem”

perfil

Reprodução

(

(

perfil

nome do Brasil para países como Suécia, Estados Unidos, Ucrânia, Canadá, México, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Equador, Romênia, Hong Kong, Polônia, Itália, Espanha e França, tornando-o uma das maiores promessas do cinema nacional. Quando recém-formado, em seu filme de estreia, ele decidiu dar vida àquilo que havia sido a sua monografia de conclusão de curso em 2006. Na obra, ele toca em um assunto

Em Todas as Cores Mais Simples, a continuação de Eu não Quero Voltar Sozinho, Daniel procura não dramatizar as questões que envolvem a sexualidade de Léo e Gabriel

Reprodução

14 Maranhão/ Edição nº. IX

Com mais de 3,5 milhões de vizualizações no Youtube, Café com Leite ganhou o Urso de Cristal, no Festival de Berlim em 2008, como melhor curta-metragem. A história se desenvolve a partir de um acidente que que deixa dois irmão órfãos. O mais velho, que é gay, ao cuidar do irmão mais novo se enxerga em uma situação compulsória de adoção homofoafetiva. A leveza com que o assunto é tratado conquistou o reconhecimento da crítica e a simpatia do público Maranhão/ Edição nº. IX

14

Em Eu não Quero Voltar Sozinho, Daniel questiona o fato de um garoto cego

definir a sua sexualidade mesmo sem nunca ter visto ou tido contato com nenhum dos dois gêneros

Maranhão/ Edição nº. IX

15


Reprodução

perfil

perfil

M: O “Café com Leite” foi, oficialmente, o seu primeiro filme e a recepção do público foi muito positiva. A que se deve esse sucesso? D.R: Como eu disse, eu sempre me atraí por filmes que trouxessem a questão da sexualidade, mas fora dos “guetos”, fora do nicho. E o Café com Leite discute isso extamente da forma que eu queria. Eu acho bacana fazer filmes em que os gays estejam inseridos em outros contextos, pois eles permitem que pessoas que não sejam gays se identifiquem. Quando você faz um filme muito ligado à descoberta, dúvidas e problemas da sexualidade, você fica muito restrito. Não que isso seja um problema, mas até o momento não é muito a minha cara. M: Como foi a experiência de ganhar um Urso de Cristal já no seu primeiro filme? Os atores (da esq.) Daniel Tavares, Eduardo Melo e Diego Torraca, reproduzem uma cena comum aos casais heterossexuais, onde os filhoss pedem para dormir com os pais

Maranhão: Quando se deu o seu envolvimento com a causa gay?

Reprodução/Instagram

Daniel Ribeiro: Foi na faculdade. No meu TCC, comecei a estudar sobre como os personagens gays eram retratados no cinema brasileiro. Nesse trabalho, eu dividi a pesquisa em três partes. A primeira, era o gay estereotipado. Depois uma fase em que começamos a discutir a sexualidade dos personagens, como descobrimento e convivência em sociedade. E, finalmente, os personagens gays inseridos em outros contextos, ou seja, a sexualidade como uma coisa secundária, que foi a parte que mais me atraiu. Inclusive, é o que faço nos meu filmes. M: Você ficou conhecido com um diretor de cinema gay. O que você pensa sobre isso? D.R: É um rótulo que não me incomoda em nada, então eu não questiono muito. As pessoas sempre segmentam, ainda mais no cinema. São filmes românticos, policiais, dramas... não faz muito sentido eu ficar brigando por isso. As pessoas têm o direito de me colocar na “caixinha” que elas quiserem

16 Maranhão/ Edição nº. IX

M: Fazer cinema gay é mais difícil? D.R: Eu acho que não. Eu acho que é a mesma coisa do que fazer filmes menos comerciais. Dificilmente, dá pra conseguir patrocínio de grandes empresas. E outra, no Brasil é tão difícil uma empresa patrocinar um filme diretamente, que não me sinto menos favorecido. Não estou dizendo que é uma maravilha, mas também não vou ser injusto. Os meus filmes foram feitos por editais governamentais e não tive muito problemas. A dificuldade aparece em coisas menores como conseguir locação para gravações, entre outros. O meu segundo filme se passa em um colégio e nem todos estão muito receptivos a essa temática. M: Quais foram as suas referências, quem são os seus ídolos? D.R: É tão difícil falar sobre isso, porque quando eu olho as referências que eu tenho, eu sempre acho que não tem nada a ver com os meus filmes (risos). Mas enfim, Wong Kar Wai com “Felizes Juntos” eu adoro; Michel Gondry com o “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” é incrível; e muito outros.

D.R: Ah foi legal, mas não pude deixar que isso me subisse à cabeça. Juri é juri, neh!?! Eles têm uma lógica própria e não dá pra entender sempre. Uma coisa que eu aprendi é que não se deve esperar nada para não se decepcionar. Você também não deve achar que é a melhor coisa do mundo só porque ganhou um prêmio. Até porque é um pequeno grupo de sete, oito pessoas que julgam a sua obra como a melhor. Um prêmio desse porte é importante, mas você tem que se lembrar que ele não representa o mundo (risos). M: Em “Eu não quero voltar sozinho”, você mais uma vez coloca a sexualidade em segundo plano... D.R: Isso. Na verdade, esse filme é basicamente uma história de amor. É assim que eu quero que o vejam. As pessoas costumam reduzir a imagem dos gays a sexo. Tudo é sexo e você é depravado. Então se você fala que é gay, as pessoas já imaginam você transando com outra pessoa. E nesse filme, eu queria que houvesse uma pureza ali pelo fato de serem dois adolescentes. Quando você está nessa idade, a questão da descoberta pode ser muito dolorida. Aí você se apaixona pela primeira vez, o que também não é nada fácil e, ainda tem que se preocupar com o julgamento externo. É bem complicado. Por isso, eu quis ser bem claro: nós estamos aqui para falar de amor. aqui para falar de

Para compor o personagem, Guilherme Lobo (Léo) visitou a Fundação Dorina Nowill, em São Paulo, que tem um museu sensorial que promove atividades voltadas a deficientes visuais

Maranhão/ Edição nº. IX

17


amor. Na trama, o Léo é um garoto cego que se apaixona pelo Gabriel, o seu novo colega da escola. Eu ouvi muitas vezes a pergunta: “Por que um garoto cego?”. Porque na minha concepção, a sexualidade é muito visual e até o preconceito é extremamente visual. Você saber que dois homens se beijam, tudo bem. Mas VER dois homens se beijando, se torna um problema que incomoda as pessoas. Então, o meu questionamento foi: Como um garoto que nunca viu ou nunca teve contato com nenhum dos dois sexos, pode ter nascido gay? Eu acho que as pessoas entenderam isso.

M: Você terminou as gravações do seu primeiro longa-metragem, “Todas as Coisas mais Simples”. O que se pode esperar dele? gem, é o tipo de menina que a gente gosta de primeira. E o Fábio Audi (Gabriel) tem um pouco da timidez e do jeito de interior. Os ensaios foram bem rápidos e eles tiveram a liberdade de mudar uma fala aqui, uma entonação acolá e também de tirar aquilo que eles não se sentiam muito à vontade. M: O “Eu não quero voltar sozinho” passou por um episódio de censura no Acre. O que aconteceu exatamente?

M: Houve algum cuidado ou tratamento especial na hora de trabalhar com atores tão jovens?

D.R: Existia um projeto do governo que, estava exibindo nas salas de aula, filmes que poderiam servir para discussão dos conteúdos educativos. Tudo era escolhido por um conselho de professores das instituições e o meu filme foi um dos escolhidos. Algumas crianças assistiram e contaram para os pais. Alguns pais religiosos o confundiram com o kit Anti-homofobia do Governo Federal, que estava sendo discutido na época e por isso o filme foi censurado, o que é um absurdo. Primeiro, eles cancelaram o projeto inteiro e depois tiraram apenas o nosso e continuaram a exibir os outros.

D.R: Na verdade não. O Guilherme Lobo (Léo) é muito natural. Na hora do teste, eu fiquei impressionado com o desempenho dele. A Tess Amorin (Giovanna) tem bastante do jeitinho carismático da persona-

M: Depois de participar de alguns festivais, você decidiu colocar os seus filmes completos no Youtube. Qual é a importância dessa ferramenta para você?

18 Maranhão/ Edição nº. IX

perfil

Divulgação

“As pessoas costumam reduzir a imagem dos gays a sexo, tudo é sexo e você é depravado. Mas não é bem assim”

Em sua estréia na direção de longasmetragens, Ribeiro anseia pela recepção do público

Divulgação

(

(

perfil

Seu primeiro longa-metragem foi gravado em apenas um mês e tem previsão de lançamento para 2014

D.R: Quando você exibe em um festival, quem assiste é aquele cara que realmente gosta de cinema e também a crítica especializada. O festival cumpre esse papel de trazer filmes que as pessoas não vão ver na televisão e acaba sendo bom pra suprir a falta de cinema que nós temos. O número de salas de cinema no Brasil é ridículo. Existem cidadezinhas por aí que nunca tiveram uma. No Youtube, é outra coisa. Há uma popularização, chega por outros caminhos. Às vezes, você está assistindo algum vídeo e, de repente, você vê lá uma miniatura, clica por curiosidade e acaba gostando. Nós somos de uma geração que cresceu com a internet, então a leitura é diferente. A gente está vendo o filme sozinho, enquanto está fuçando no Facebook e, ao mesmo tempo, passando um e-mail. Eu percebo que o meu público é bem jovem e por isso ele tem uma relação diferente com o cinema.

D.R: Então, esse longa é uma versão estendida do “Eu não Quero Voltar Sozinho”, começa um pouco antes e termina um pouco depois. A história também é contada por outros ângulos. O curta foi uma espécie de ensaio para esse longa. Enquanto no curta eu falo de amor, no longa eu falo de adolescência, sexualidade e independência. Esse tipo de adaptação precisou de muito mais conflito. O Gabriel, por exemplo, não é mais tão simples quanto parece no curta. Ele é mais misterioso, a gente não sabe exatamente qual é a dele. O Léo, que é deficiente visual, que fazer intercâmbio, quer ficar sozinho, mas a mãe é superprotetora. Não há, por exemplo, uma discussão dos pais sobre a sexualidade, eles ficam mais no âmbito do deixar livre ou o proteger do mundo. Assim como fiz nos anteriores, não vou dramatizar o “ser gay”, não é o meu perfil. Para ele, continua sendo uma coisa normal. O problema agora é...o Gabriel gosta do Léo ou não...?

...

Maranhão/ Edição nº. IX

19


Curiosidades e descobertas envolvem as crianças no cenário do jornalismo infantil, presente no País desde 1905 Por Beatriz de Oliveira

O Tico-tico: revista recreativa. Circulou de 1905 até 1962

20 Maranhão/ Edição nº. IX

A Pequena Yasmin se diverte com sua leitura preferida: o Almanaque da Turma da Mônica

nhecimento, a leitura permite aos pequenos, um comportamento leal diante de alguns acontecimentos. “Eles me ensinam a cuidar dos animais, não cortar as árvores, ser uma pessoa melhor no futuro”, diz a pequena, Yasmin Gomes, de sete anos. O jornalismo tem papel fundamental no processo de desenvolvimento infantil. Compreender a função neste universo é primordial para que as publicações sejam mais explicativas e coerentes. “Nosso texto não trata a criança como bobinha. Um adulto, por exemplo, leria a Recreio normalmente e de um jeito prazero-

crianças

jornalismo infantil vem assumindo um importante papel na aquisição de conhecimento, assim compreende a educação como uma das principais funções jornalísticas. Sendo importante na evolução do conhecimento da criança. Além de satisfazê-las, as informações deixam-nas ainda mais curiosas, alimentando uma carência de conhecimento que às vezes a escola e os pais não conseguem suprir, e trilhando o caminho para que elas aprofundem ainda mais o interesse por assuntos e pelo hábito da leitura. No Brasil, por muitos anos as primeiras publicações neste seguimento não eram consideradas como jornalística e sim como literatura infantil. A relação do jornalismo com o público infantil abrange muitos caminhos, ganhando espaço nas prateleiras das livrarias, nas bancas de jornais e até mesmo no cenário de TV. Assim, o jornalismo infantil pode perceber o quanto é necessário que a interatividade faça parte desse território de manifestação. “A visão que eles têm da Recreio é de um amigo do seu irmão mais velho: um garoto descolado, que sabe muita coisa legal”, afirma a repórter da revista , Ludmilla Alvarenga. No Brasil, o jornalismo infantil surge em 1898 com a circulação do jornal “O Jornal da Infância” que é considerado a primeira revista infantil. Sua primeira edição foi em 14 de abril. Entretanto no jornalismo a grande transformação ocorreria com a ascensão da Revista semanal O Tico-Tico que circulou de 1905 até 1962, era uma revista em quadrinhos com o perfil recreativo que trazia poesia, jogos e contos. No Século XX, na década de 60, surgem dois novos produtos, a Folhinha em setembro de 1963 que foi o principal nome do jornalismo infantil, e, atualmente comemora 50 anos de publicação e a Revista Recreio cuja primeira publicação foi em maio de 1969, circulando até 1981. Mais tarde a Recreio voltara ás bancas com uma nova filosofia. Além de enriquecer o co-

Foto: Beatriz de Oliveira

Sopa de Letrinhas

Foto Reprodução

crianças

O

so”, afirma Ludmilla. É fundamental que haja um preparo específico para escrever para esse público. “Na escola, e eu digo começando pela educação infantil, existe o contato com vários portadores de texto incluindo, os jornalísticos e com fins informativos”, diz a Pedagoga Janaína da Silva. “Existe também uma constante preocupação com a qualidade desse material.” Muitas crianças descobrem o ato de ler por simples curiosidade, vontade de folhear livros, revistas e gibs.

Maranhão/ Maranhão/ Edição Edição nº. nº. IX IX 21 21


nas na internet. “Essa é uma questão econômica: os jornais estão cada vez mais restringindo suas publicações infantis” afirma Ludmilla Alvarenga. Nesta busca, há motivos elementares para garantir uma boa leitura. Para Janaína, a criança aprende pela observação e imitação, e o contato com as diversas mídias jornalísticas vai favorecer o seu aprendizado agregando a ela experiência possibilitando a formação de um comportamento leitor, ela completa “Mais tarde será fundamental para sua compreensão

de mundo e irá influenciar na sua postura perante a sociedade na qual está inserida”. Para Ludmilla, as pautas são elaboradas de acordo com o que percebemos no contato diário com crianças, ou seja, através das nossas redes sociais. A criança está desenvolvida o suficiente para discernir realidade de ficção. O jornalismo infantil é praticado com assuntos interessantes, para aqueles que estão descobrindo o mundo.

O Islamismo de cada dia

...

Um olhar atento desvenda os valores e ajuda a entender, de forma mais clara, a fé e a crença dos muçulmanos

Fotorreportagem

crianças

Esse universo de faz de conta os leva a ampliar seu imaginário. “Eu gosto de ler livros de princesas e aventuras e também gosto de gibi, eu adoro o Cascão”, afirma Yasmin. No Brasil, os veículos de comunicação não investem muito neste segmento, mesmo acreditando que esta formação seja voltada à primeira fase do desenvolvimento humano. O Exemplo disso é o suplemento Estadinho que após 25 anos de existência, se tornou impressa em Março de 2013, mantendo-se ape-

Por Adla Charanek

Mesquita de Santo Amaro, localizada na zona sul de SP desde 1994

1. Uma Girafa um menino e uma régua, essa foi a ideia aplicada para esclarecer de forma didática a diferença entre o alto e o baixo. Dessa forma o Suplemento ensinava as diferenças. Assim nascia a Folhinha em 8 de Setembro de 1963, classidficadas como um dos principais nome no jornalismo Infantil 2. Revista Recreio, primeira publicação em maio de 1969 , circulou até 1981 e 19 anos depois volta ás bancas com uma nova filosofia. Capa de 2005 trazendo tudo sobre o ireverente astro infantil , o personagem do Bob Esponja. 3. O Estadinho estava em festa: capa da primeira edição. Tudo começou em 1987,uma equipe se reuniu para desenvolver um suplemento infantil, e foi decidido que a turma da Mônica fizesse parte dessa equipe. Assim foi apresentado e o 1º Estadinho chegou as bancas. 4. O Tico- Tico foi pioneiro nas publicações infantis e também foi o primeiro a publicar histórias em quadrinhos no Brasil. Sua primeira edição foi em 11 de Outubro de 1905 e trazia poesia , jogos e contos. Encerrando as tividades em 1962..

22 Maranhão/ Edição nº. IX

O

Islamismo é uma religião monoteísta, ou seja, acredita na existência de um único Deus, Allah. Ela é fundamentada nos ensinamentos do profeta, o último deles enviado por Deus, Mohamed ou Maomé como é mais conhecido. Segundo os ensinamentos dessa crença, a Palavra ‘’ Islã’’ significa submeter-se e ser obediente a Allah. O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão. As pessoas que tem curiosidade e querem saber um pouco sobre a religião encontram facilmente um exemplar traduzido, dentro da própria Mesquita ou pela internet. Dentre os vários princípios

do Islamismo, cinco são os principais deveres de cada muçulmano. Ele deve crer em Allah, fazer as cinco orações diárias, fazer caridade aos que necessitam, jejuar no mês do Ramadan que é o nono mês do calendário islâmico,e por fim, fazer a peregrinação à Mecca pelo menos uma vez durante a vida. Os muçulmanos frequentam as mesquitas, é lá que eles realizam suas orações diárias. Sua Arquitetura segue os padrões dos templos muçulmanos e encanta por suas formas e pela riqueza de detalhes no acabamento do seu interior. A mulher no Islamismo tem o seu valor. Ela se preserva, o véu é

entendido como algo que dignifica e impõe respeito. O Alcorão aconselha que a mulher use o véu, cubra-se nas orações e na presença de homens que não sejam seus parentes. As meninas aprendem desde pequenas a usar o véu, ao contrário do que dizem, elas não são obrigadas, quando prontas, tomam sua decisão, e acabam colocando por livre e espontânea vontade. O Islamismo é a segunda maior religião do mundo depois do Cristianismo, e vem crescendo a cada dia, com fiéis que se mobilizam e querem se aproximar de Allah e seus ensinamentos sagrados. Maranhão/ Edição n°IX

25


Fotorreportagem

Fotorreportagem

Hilal ,ou Lua Crescente, é o símbolo do Islã colocado no topo da Mesquita

Entrada principal da Mesquita, acima a frase ‘’ Em Nome de Deus’’

Vista da parte interna de uma Mesquita, trechos do Alcorão fazem parte da Arquitetura

26 Maranhão/ Edição n° . IX

Sheikh Ahmad Sharaf ministrando a Reza da sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos

AlláhuAkbar ou Deus é o Maior,é assim que se dá início ao momento da Oração de Sexta

Relógio que marca as cinco orações que o muçulmano deve praticar, começando pela SalatFajr ou Oração da Alvorada Maranhão/ Edição n° . IX

27


lazer

Fotorreportagem

Tem cultura sobrando no M’Boi Mirim No extremo sul de São Paulo, CEUs têm dificuldades para encurtar distâncias artísticas entre o espaço e a comunidade

Local de reza das mulheres na parte superior da Mesquita, onde fazem sua oração separadamente

Por Emanuella Soares A mulher na Mesquita deve se cobrir com o véu em pleno momento da oração

A

O Alcorão Sagrado, maior dádiva de Deus ao mundo, restaura a eterna verdade

As crianças aprendem desde cedo a ler e decorar os versículos do Alcorão

28 Maranhão/ Edição n° . IX

...

O Teatro Ceu Vila do Sol foi inaugurado em 31 de maio de 2008 a obra teve orçamento de R$ 27,8 milhões

Por Emanuella Soares

Assim como os cristãos têm o terço para rezar, os muçulmanos têm a Masbaha

população da região do M’Boi Mirim, formada pelos bairros, Jardim Ângela e Jardim São Luiz, têm a disposição aparelhos culturais supervisionados pela subprefeitura. De acordo com dados do IBGE, no local, residem cerca de 570 mil pessoas em uma área de 62,8 quilômetros. Dentre eles, encontra-se a Casa de Cultura M’Boi Mirim, situada no bairro do Piraporinha, é o equipamento que há mais tempo está instalado na região. Ela foi fundada em 1984, por uma rede de entidades e movimentos sociais que, no início da década de 90, vinculou-se a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, possibilitando a parceria entre prefeitura e a antiga associação. Para o coordenador Marcos Almeida, “o espaço é uma miscigenação de ritmos e de artes para toda a comunidade”. No local, a população pode participar de oficinas de capoeira, percussão, teatro, dança de salão, entre outros. O aluno de percussão, Felipe Gaudencio, participa das atividades culturais do local há cinco anos e destaca a importância da ocupação. “As oficinas são uma forma de ajudar as pessoas e tirar as crianças da rua”, conta. Ainda de acordo com Almeida, a estimativa é que a Casa de Cultura reúna cerca de dez mil pessoas por mês em manifestações artísticas e culturais. Da mesma maneira, o SacoMaranhão/ Edição nº. IX

27


28 Maranhão/ Edição nº. IX

Por Emanuella Soares

é disponibilizado o acervo bibliográfico de três CEUs, destes, dois estão localizados no Jardim Ângela, o Guarapiranga, o Vila do Sol. E o CEU Casa Blanca, situado na Vila das Belezas. Segundo o coordenador de cultura do CEU Guarapiranga Rodrigo Santos, “as bibliotecas de todos os CEUs são consideradas bibliotecas públicas”, sendo assim, elas fazem parte do sistema de redes de bibliotecas públicas e é possível consultar o sistema e saber onde o livro desejado se encontra. Daniel Vieira, que também faz parte da equipe coordenadora do CEU Guarapiranga afirma que o acervo está em torno de seis mil exemplares. O público desses aparelhos é bem diversificado, segundo explica a coordenadora de cultura do CEU Vila do Sol, Juciele Nobre. O espaço atende diariamente cerca de 3.500 usuários em modalidades esportivas, culturais e educacionais. Para aqueles que desejam participar de atividades artísticas, no espaço é disponibilizado

o Programa Vocacional, destinado a qualquer pessoa, com idade acima de 14 anos. O curso possibilita formação artística cultural em dança, música e teatro, com aulas monitoradas. Além do Programa Vocacional há também o Programa de Iniciação Artística (PIÁ), projeto voltado para crianças de cinco a 13 anos, a fim de desenvolver as habilidades artísticas dos pequenos. Neste núcleo, as crianças são separadas em turmas, de acordo com a idade, e são acompanhadas por dois profissionais que, trabalham simultaneamente duas modalidades artísticas, passando pela música, teatro, dança e artes visuais. O Teatro do CEU Vila do Sol comporta cerca de 170 pessoas e segundo a coordenadora, quando há apresentação de grande porte, é exibido duas ou três vezes para atender um número maior de pessoas. O evento destacado por Juciele foi o espetáculo infantil “Gigantes de Ar” da Cia. Pia Fraus, devido a procura, teve de ser transferida para fora do

O trabalho para fidelizar o público

“A formação cultural de um povo é a sua alma”

(

Mas esses espaços, poderiam ser melhor aproveitados pela população. O coordenador do CEU Guarapiranga Santos explica que a comunidade vê o CEU como um lugar para quem estuda, quando na verdade é um polo comunitário, um local para reunir todos os perfis de moradores. “É um trabalho de formiguinha”, completa. Ator de formação, ele enfatiza que o maior desafio dos coordenadores de cultura é promover o espaço como lugar de atividades artísticas da comunidade. Realidade semelhante é vivenciada pela coordenadora do CEU Vila do Sol. Ela afirma que o trabalho na formação de público é árduo. “A comunidade da periferia é resistente a aquilo que está fora da sua rotina”, explica. E afirma, quando tem aulas de hip hop, em média, matriculam-se 30 alunos, já quando as aulas são de danças populares, a turma é de cinco alunos. “Eu falo com propriedade: os CEUs não estão com todas as vagas preenchidas”, diz Juciele. Situação, muitas vezes, compartilhada pelos coordenadores do CEU Guarapiranga, quando o assunto é a participação nos eventos teatrais. “Não são raras as vezes que tem dez ou 15 pessoas na plateia ou que não vem ninguém”, lembra Santos. Mas ele afirma que a maior preocupação do núcleo coordenador é com a qualidade do público. “O importante é que haja um na plateia, que esse um assista e na próxima semana traga mais dois ou três”. Mesmo com o forte trabalho de divulgação nas redes sociais, blogs, rádios comunitárias, cartazes fixados em escolas do entorno e parcerias com associações, Juciele lembra. “Os meios de comunicação ain-

concorrente é o trânsito, é a única linha de ônibus que passa em frente, é o futebol, é o dia que choveu um pouquinho”, completa Vieira. Já para Juciele, há também outros motivos que acabam refletindo na integração ao CEU. “As pessoas não têm o costume de encarar a cultura como algo essencial” declara. Segundo ela, os moradores da região saem de casa às 4h da manhã e chegam entre 21h e 22h. En-

tão manter os filhos em um período maior na escola é ótimo, mas sair no final de semana para uma atividade cultural, quando é o único dia de folga para pôr em ordem os afazeres domésticos, é um desafio. Por isso, muitas vezes, essas pessoas optam em ficar em casa. Contudo, é impossível não observar a maneira como esses profissionais cuidam desses espaços com tanta dedicação. É nítido o carinho e o interesse deles em proporcionar à comunidade da região do M’Boi Mirim o encurtamento das distâncias culturais. “A formação cultural de um povo é a sua alma, é a sua identidade. Eu gostaria muito de ir até lá e dizer, vem aqui, o CEU é um espaço que pertence a todos”, complementa Juciele. Então, o primeiro passo já foi dado, basta criar em cada indivíduo o desejo de experimentar o novo.

lazer

lazer

da são um problema, eles alcançam um grande número de pessoas, mas 100% é uma dificuldade”. Mas não é somente a falta de informação que afasta a comunidade das atividades culturais. “O nosso

...

...

Por Emanuella Soares

Foto divulgação

O Ponto de Leitura Bambuzal possui em seu acervo dois mil itens

Idealizado por Rubens Pereira, Dominik Vasconcelos e Nena Ribeiro, o projeto “A voz do Vinil” acontece na Casa de Cultura M’Boi Mirim desde 2012, o objetivo é reunir o público que gosta do bom e velho vinil

teatro para que cerca de 400 pessoas pudessem ter a oportunidade de assistir. Diante desse cenário, a coordenadora afirma, “o que é oferecido à comunidade ainda é pouco diante da demanda de moradores”.

(

lão das Artes, localizado no Parque Santo Antônio, nasceu da iniciativa de lideranças comunitárias e coletivos culturais, que ocuparam o espaço onde, no passado, havia um sacolão hortifruti. Inaugurado em 2007, o Sacolão das Artes atende crianças, jovens e adultos em diversas atividades como teatro, cinema, dança, música, artes visuais, rodas de leitura, atividades esportivas, poesia, grupos de estudo. Tudo isso, com a finalidade de garantir a população da periferia o acesso a bens culturais e a produção artística. O estudante Marlon Rodrigues diz que as opções culturais da região ainda são poucas. “Aqui perto não tem cinema, teatro, então, eu acabo indo a lugares mais distantes”, ressalta. Outro fator que reflete no comportamento do garoto é o índice de violência. Rodrigues afirma que sua mãe fica menos preocupada quando ele prefere frequentar locais mais afastados da periferia. De acordo com lista de 28 bibliotecas, situadas na região sul de São Paulo, cedida pelo chefe de gabinete da subprefeitura do M’Boi Mirim, Marcio Luiz Costa, o Ponto de Leitura Bambuzal é a única biblioteca pública localizada na região, no Jardim São Manoel. No local, há sempre contação de histórias para as crianças. Esses eventos prendem a atenção dos pequeninos e também dos pais que os acompanham. Mas, a população conta com alternativas para driblar essa deficiência,

O objetivo dos coordenadores da Biblioteca do CEU Guarapiranga Florinda Lotaif Schahin é formar na população do bairro o ábito da leitura e, para isso, são promovidas ações educacionais

Maranhão/ Edição nº. IX

29


lazer

As mil e uma artes da cidade de São Paulo

Foto divulgação

Artistas de todas as áreas tornam a cidade mais colorida e alegre, atraindo turistas brasileiros e estrangeiros Por Giseli Andrade

A

arte de rua é uma das principais atrações culturais da cidade de São Paulo. Estas manifestações artísticas desenvolvidas nos espaços públicos são também chamadas de Street art. Segundo os dados do site visitesaopaulo.com, a capital paulista conta com aproximadamente 280 salas de cinemas, 160 teatros, 110 museus e 39 centros culturais. Embora a cidade possua toda essa infraestrutura cultural, os paulistanos, na maioria das vezes sem tempo, não têm o hábito de frequentar esses ambientes de lazer e entretenimento. No entanto, não é difícil se deparar com inúmeras formas de arte pelas ruas da cidade sem precisar gastar ou sair do trajeto por onde se costuma passar: são teatros de rua, estátuas vivas, grafites, malabaristas, músicos, performances e muito mais. Até mesmo o famoso “orelhão”, colorido e enfeitado, torna-se alvo dos olhares curiosos que passam pelas ruas. O artista de rua Marcos Henrique disse que sempre adorou ir ao circo e que sua paixão partiu do dia em, que um palhaço o convidou a participar de uma das apresentações da noite. “Foi um dos melhores momentos da minha vida. Me senti (sic) uma criança especial. E o mais curioso é que não foi em rir com o que fizeram comigo que me chamou a atenção, mas sim, de ter podido partici-

(

Foto: Giseli Andrade

De acordo com dados disponíveis no portal da Prefeitura de São Paulo, M’ Boi Mirim significa cobra pequena, esse nome foi dado pelos índios Guaianases, que foram os primeiros a habitar a região, por volta de 1607. Nessa mesma época, o Engenho de Nossa Senhora da Assunção do Ibirapuera, se instalou na região e foi a primeira empresa a extrair minério de ferro na América do Sul. A atividade durou cerca de 20 anos. Com a desativação do engenho, a área ficou esquecida por, pelo menos, 200 anos, e a estrada, que já existia no local, servia apenas como rota de acesso a Embu Guaçu e Itapecerica da Serra. A primeira corrida de carros da América Apenas em 1829, ocorreu o segundo prodo Sul, aconteceu em 26 de Julho de 1908, cesso de povoamento do M’Boi Mirim, D. Pedro entre São Paulo e Itapecerica da Serra, I trouxe um grupo de 129 imigrantes alemães passando pela estrada do M’Boi Mirim para colonizar a região. Pouco tempo depois, em 1832, Santo Amaro foi elevado à condição de município, incluindo a antiga aldeia do M’Boi Mirim. Outro fato que contribuiu para o desenvolvimento do local foi à inauguração da Represa de Guarapiranga, no início do século XX. Inicialmente, ela usada para reter água no período de estiagem e posteriormente descarregar no Rio Pinheiro alimentando a Usina de Parnaíba. Após a construção da barragem, a área passou a atrair alemães e italianos, vinham principalmente aos finais de semana para praticar caça, pesca e esportes aquáticos. A presença da água na região trouxe loteamentos luxuosos, o que ocasionou a expulsão dos povos indígenas, e também a ocupação de loteamentos irregulares. Em 1934, com a inauguração do Aeroporto de Congonhas, o até então município, Santo Amaro volta à condição de distrito de São Paulo, por determinação do governo do Estado. Mas, verdadeiramente, a ocupação populacional da região só aconteceu por volta de 1960, quando chegaram a número expressivo, os primeiros nordestinos, mineiros e paranaenses para trabalhar nas fabricas que se instalavam nos arredores de Santo Amaro. A partir desse período, a ocupação desordenada já dava seus primeiros sinais, o que incluía áreas preservadas de mananciais. Somente em 1973, a região do M’Boi Mirim ganha subprefeitura e separa-se de Santo Amaro.

Saxofonista toca e encanta com ao lado de seus companheiros no Parque da Luz em São Paulo

sille que andava pela avenida. Essa mobilização dos artistas de rua começou em 2010, quando eles realizaram uma manifestação contra a agressão policial sofrida pelo músico Rafael Pio na Avenida Paulista. O guitarrista foi preso e teve seus instrumentos musicais apreendidos. Rafael Pio foi liberado no mesmo dia. A partir daí, a Fundação Artistas na Rua conseguiu a aprovação de um decreto que regulamenta a atuação dos artistas nas ruas da capital. O grupo tem como objetivo arrecadar dinheiro para a criação formal da entidade. Esses artistas não necessariamente, tratam bonito e as pessoas mais felizes”, diz a arte de rua como profissão. Muitas a estudante de medicina, Renata Ba- vezes, as gratificações que recebem par do espetáculo que trazia o sorriso a todas aquelas pessoas”, afirma ele. Os artistas de rua têm em comum o objetivo de levar arte às pessoas que estão em seu cotidiano, apressadas e estressadas com o corre-corre da cidade. Uma das atrações da Avenida Paulista são as estátuas vivas. “Parar na rua para assistir uma performance artística faz com que o dia fique mais

(

lazer

Lá nos primórdios

“É um trabalho como qualquer outro. Devemos gostar daquilo que fazemos e fazer com paixão, ou você se torna apenas um parasita do esforço alheio”

30 Maranhão/ Edição nº. IX

Maranhão/ Edição nº. IX

31


lazer

Foto: Giseli Andrade

Foto: Giseli Andrade

se resume apenas aos grandes eventos culturais realizados na capital paulista, mas também as inúmeras apresentações independentes que podem ser vistas aos finais de semana nos parques da capital. Afora isso, há também a riqueza nos estabelecimentos: restaurantes, bares, e de seus arranha céus. São Paulo é considerado o centro financeiro do País atraindo os passeios turísticos e o comércio. “São Paulo é maravilhosa. Tem uma abundante riqueza, e uma grande variedades de pessoas, fazendo essa mistura de etnias e cultura. São diferentes povos e deferentes regiões”, diz o engenheiro civil José Roberto Peccora. “Esse colorido dá um ar mais descontraído, o paulistano é muito sério”. A cidade de São Paulo vem ganhando mais vida a cada evento cultural. Os grafites coloridos nos muros da capital chamam a atenção do paulistano, já acostumado com o antigo cinza desbotado das ruas. Agora, passear pela cidade ou até mesmo fazer o velho trajeto de casa para o trabalho pode ser também considerado um passeio cultural. Apesar de chamar a atenção, nem sempre as atrações da cidade

Telefones públicos espalhados pela cidade de São Paulo ganham formas e cores mais atrativas

são bem vistas. Muitas vezes, um grafite, por exemplo, pode ser confundido com uma pichação. Desta forma também, os artistas de rua, que muitas vezes sofrem preconceito, confundidos com arruaceiros ou sem-tetos. “As vezes passam por nós Foto: Giseli Andrade

lazer

pagam apenas a manutenção de seus instrumentos de trabalho, como explica o músico Fernando Loko. “É um trabalho como qualquer outro. Devemos gostar daquilo que fazemos e fazer com paixão, ou você se torna apenas um parasita do esforço alheio”, diz ele. Eventos como o Teatro no Parque têm como objetivo difundir o teatro para toda a população, descentralizando o acesso e valorizando os parques da capital espalhando cultura para o público de todas as idades. Em todas as peças de teatro realizadas, a rua é fundamental para o contato entre o público e os artistas, onde eles incorporam seus ídolos ou criam seu próprio repertório. “O espetáculo só está completo quando o publico participa”, afirma Edson Gomes, ator. Essa aproximação permite não só que a peça se torne mais interessante, mas também que a emoção esteja mais presente. Pensando na expansão da arte os artistas de rua criaram o site www.artistasnarua.com.br e fizeram uma comunidade na rede social www.facebook.com/artistasnarua, com o intuito de deixar o público por dentro dos eventos. A intervenção artística não

Música para todos os ouvintes diretamente do Parque da Luz, região central da cidade

Tocadores de canos fazendo um som no Parque do Ibirapuera: arte, música e movimento andam juntos

32 Maranhão/ Edição nº. IX

Maranhão/ Edição nº. IX

32

como se não fôssemos nada. Como se não existíssemos”, fala a saxofonista independente Vanessa Alves. “Fico triste quando as pessoas deixam alguma gratificação por compaixão e não por admirar o meu trabalho”, comenta ela. Para incentivar ainda mais a apreciação artística, a Secretaria de Cultura do estado de São Paulo

anunciou que 17 museus estarão com suas entradas gratuitas durante todos os sábados de maio. “É realmente muito bom ter uma opção cultural para os fins de semana”, diz a nutricionista Paloma Aparecida “venho passear com as minhas filhas na praça da luz e além de já ser um ponto cultural, posso agora, trazê-las ao museu sem gastar muito” fala a nutricionista.

Entretenimento é o que não vai faltar para os paulistanos, e o tempo escasso já não é mais desculpa. Um passeio rápido ou até mesmo cinco minutinhos da sua atenção aos que procuram brilhar nas ruas da cidade já serão o suficiente para suavizar e alegrar o dia a dia do paulistano.

...

Maranhão/ Edição nº. IX

33


A arte de voar com os pés no chão Foto: Alexandra Veloso

Hobby para uns e esporte para outros, no aeromodelismo o que mais importa é sensação de liberdade Por Alexandra Veloso

Depois de algumas manobras, o aeromodelo Stinson Reliant aterrisa em grande estilo e encho o piloto de orgulho

2

34 Maranhão/ Edição nº. IX

“Hoje, o custo caiu bastante. Tem avião desde R$ 500 até R$ 20 mil ou R$ 30 mil”

Foto 3 - Um aeromodelo, que acabou de sofrer uma queda, sendo carregado com o trem de pouso danificado

3

Foto: Alexandra Veloso

(

de hoje, custaria no mínimo de R$ 3 mil a R$ 4 mil”, afirma Papa ao contar que não conheceu ninguém de classe média baixa no aeromodelismo. “Hoje, o custo caiu bastante, tem avião desde R$ 500 até R$ 20 mil ou R$ 30 mil”. No início, era necessário fabricar o próprio avião. “A gente pegava a planta e ia cortando a madeira balsa (produzida pelo pau-de-balsa, também chamado pau-de-jangada ou pata-de-lebre, a mais leve madeira de uso comercial que existe) até chegar ao produto final”, explica o aeromodelista Maurício Lopes. Ele também conta que nem todos tinham habilidade para construir e voar um modelo. Por isto, havia aqueles que só voavam e outros que só construíam. “Levava-se tanto tempo para construir um avião que, geralmente, a pessoa que montava não voava por receio de quebrá-lo”, recorda.

(

V

oar aeromodelos é uma prática antiga com um passado pouco conhecido. O site da Confederação Brasileira de Aeromodelismo (Cobra) dá os créditos de principiante ao francês Alphonse Penaud que, no início de 1871 construiu o primeiro modelo a elástico. Em 1943, Shoji Ueno abre em São Paulo, na Rua Sete de Abril, a Casa AeroBras. Uma loja onde se podia encontrar tudo que era necessário para a construção das pequenas máquinas voadoras. “Atualmente, a loja atrai um público mais saudosista”, conta o aeromodelista há 36 anos, Milton Papa, apontando que hoje é mais barato comprar os aviões no exterior, pela internet. O homem sempre almejou voar, mas chegar perto da sensação de levantar voo era privilégio de poucos. O esporte era coisa da elite. “Era um hobby caríssimo! Um avião, nos dias

Foto 2 - O novo rádio controle ao lado com visor LCD retroiluminado Foto: Alexandra Veloso

Foto: Alexandra Veloso

Foto 1 - A esquerda, um rádio controle da década de 70 e, a direita, um rádio controle da década de 80

Atualmente, para a facilidade dos adeptos ao hobby, existem kits que trazem os aviões quase prontos. Com isto, o tempo da montagem foi reduzido de aproximadamente um mês para duas horas. “Até os aeromodelistas mais antigos se renderam aos kits”, explica Wagner Luzzi, aeromodelista há 25 anos. “Só constrói quem quer um avião que ainda não tem no mercado.” Os avanços tecnológicos têm dado a esses esportistas a oportunidade de melhor realizar suas manobras. Papa ouviu histórias dizendo que nos primeiros aeromodelos, sem motor, era colocado um pavio no leme. Este seguia queimando e chegando ao fim o avião virava e retornava ao dono. Depois, tudo evoluiu. Chegaram os motores a combustão, que ainda são bem usados, e depois os elétricos, que funcionam à bateria como a dos celulares. Há também os modelos com GPs que, ao serem programados, fazem todo o voo sozinhos. Para Luzzi e Papa são equipamentos de uso profissional, que deixam o voo sem emoção. Outra novidade é First Person View (FPV) - (visão em primeira pessoa). Uma câmera instalada no aero modelo leva a transmissão das imagens para duas telas embutidas em óculos. “É como se estivesse dentro do avião”, exclama Papa emocionado. Nesta modalidade, é aconselhável que outro piloto auxilie com o rádio controle, pois a visão da câmera pode confundir o senso de direção. Para Papa uma das mudanças positivas no esporte foi a queda dos custos. “Até o Governo Collor não era permitido importar, mas hoje é possível comprar pela internet. E chega rápido”. Ele também conta que, devido ao alto custo, só tinha um avião e quando este quebrava era um problema. Papa lembra que, certa vez, precisou aguardar um mês para chegar uma peça de reposição. No entanto, o aeromodelista lamenta a perda da arte de montar. “O pessoal hoje já quer o equipamento funcionando. Eu tento explicar como se monta o kit, mas nem isto eles não querem aprender e perdem um lado legal do hobby”, completa com indignação.

lazer

lazer

1

Maranhão/ Edição nº. IX

35


Para praticar este esporte que, além de encantador é perigoso, deve-se tirar o brevê do aeromodelista (BRA). Para isto, é preciso se afiliar a um clube homologado pela Cobra. Os paulistanos podem contar com a União Bandeirante de Aeromodelis-

lazer

Foto: Alexandra Veloso

3

Na pista da UBA Fotos 01 e 02: Na pista todos estão dispostos a se ajudarem na hora de preparar o avião para a decolagem

mo (UBA), situada no Parque Nove de Julho, a margem da Represa Guarapiranga, ou com o Aerosampa Clube de Aeromodelismo que fica no Jaraguá, local frequentado por Papa. “É preciso respeitar as normas de segurança e ter responsabilidade para voar qualquer equipamento. Quem não gosta de regras não pode viver em comunidade”, afirma Luzzi, sócio da UBA.

Foto 03: Dando partida no modelo Stinson Realiant: enquanto um segura o avião pela cauda com as pernas e maneja o rádio o outro gira a hélice Foto: Alexandra Veloso

Cuidados necessários

2

Foto: Alexandra Veloso

Foto: arquivo pessoal

O aeromodelismo é um esporte vasto, há modalidade para todos os gostos. O sócio da União Bandeirante de Aeromodelismo (UBA), Maurício Anazetti, é atraído pelos aviões acrobáticos movidos a gasolina. “Gosto de aviões grandes e imponentes”, comenta eufórico e diz ser dos poucos sócios da UBA a voar aviões Giant Scale – modelos acima de 30% de escala. Atualmente, ele monta um Extra 330s, um acrobático com 40% de escala – 3 métros de asa e equipado com um motor d,0e 160 cilindradas.

Foto 4: Aeromodelista de itapira - SP - visitam os amigos da UBA Foto 5: Fixida ao alto do mastro, a biruta indica a atual direção do vento para que o piloto possa definir o sentido de decolagem e pouso

5

4

36 Maranhão/ Edição nº. IX

Rodrigo Stanguetti começou no helimodelismo em janeiro deste ano e está voando um modelo T-Rex 500, movido a bateria; como aprendiz usa o kit X de treino, este fica fixado no trem de pouso para auxiliar na aterrisagem

Foto: Alexandra Veloso

Embora menores, os helicópteros apresentam um grau de dificuldade cinco vezes maior e são poucos os que praticam o helimodelismo. Luzzi explica que é preciso trabalhar com todos os comandos do rádio controle. “Helicóptero não admite erros, se piscar os olhos é chão”. Os modelos movidos a combustão voam em média 10 minutos, já os movidos a bateria voam aproximadamente 7 minutos.

Foto: Alexandra Veloso

Helicópteros também podem

Foto: Alexandra Veloso

lazer

1

Ao lado de seu Extra 330S, Anazetti nunca pensou no hobby profissionalmente, apenas como diversão e lazer

Maranhão/ Edição nº. IX

37 37


Diferente dos aviões, os planadores não correm a pista para levantar voo, eles são lançados no ar

38 Maranhão/ Edição nº. IX

...

música

Com seis décadas de estrada, cantando e tocando moda caipira, as Irmãs Galvão contam o que fizeram para que se tornassem ícones do gênero no Brasil Por Agraene Esteves

Meire e Marilene na sala de casa onde as

irmãs guardam inúmeros troféus colenados ao longo da carreira

correntes térmicas de ar, polo dos urubus, é possível desligar o motor e continuar voando. Mas cuidado, o ar quente faz o modelo subir e o controlador deve ficar atento para fazê-lo descer antes que o perca. “O planador é mais lento e mais relaxante, mas é preciso ter mais técnica para dominá-lo”, explica Milton Papa.

Foto: Alexandra Veloso

(

“Não sei o porquê, mas na pista é praticamente 100% homens. Tentei ensinar minhas filhas, mas elas não tiveram paciência”

Uma turnê na história

Arquivo pessoal

Praticar este esporte é fazer parte de um sólido grupo de amigos. Os clubes são pontos de encontros onde eles podem compartilhar a emoção de voar. É criado entre eles um elo de amizade tão sólido que nos finais de ano é possível organizar confraternizações com todas as famílias. Um fato curioso é que não é comum mulheres na pista, em todos seus 36 anos de voo, Papa só viu uma mulher voando helicóptero e duas voando avião. “Não sei o porquê, mas na pista é praticamente 100% homens. Tentei ensinar minhas filhas, mas elas não tiveram paciência”. “Voar com os pés no chão é uma sensação única e maravilhoverdade. É mais fácil um aeromodelis- sa, só experimentando para ententa pilotar um avião do que um piloto der”, finaliza Anazetti. voar um aeromodelo. “Teve um piloto de helicóptero que não quis fazer aula, decolou, caiu e quebrou o equiVoando com os urubus pamento”, comenta Papa explicando que, dependendo da posição que o Os urubus são os aeromodelo ou helimodelo se enconmelhores planadores que tra os comandos de direita e esquerexistem e por isto são da invertem-se. “Muitos pilotos dizem referências para os adeptos que voar um aeromodelo é extremadesta modalidade. Quanmente fascinante e não é nada fácil”, do o planador alcança as completa Anazetti.

Foto: Alexandra Veloso

lazer

me o controle”, explica. Antigamente, o iniciante contava apenas com a indicação de que comando usar e uns toques nos ombros: direita, esquerda, cabra (subir) e pica (descer). Outros que encontram dificuldade nos primeiros voos são os pilotos de aviões e helicópteros de

(

Com 25 anos no esporte, o instrutor André Luis Palomba, além de dar aulas de voo, ensina segurança e preservação do equipamento. Para o instrutor, o grau de dificuldade na aprendizagem varia de pessoa para pessoa. “A maior barreira é a coordenação motora”. Papa, que também é instrutor, além de ter prazer em auxiliar novos adeptos ao esporte, dá aula para ajudar a sustentar o hobby e ri ao revelar que “assim a esposa não briga tanto”. Ele fala da importância do simulador, um programa de computador que cria várias coisas como vento, queda e parada de motor. “Os alunos que praticam o simulador costumam fazer a metade das aulas” acrescenta o instrutor. O jovem Anazetti entrou para o hobby há 14 anos e conta que ficou muito nervoso em seu primeiro voo, mas teve um ótimo mentor e por isso deu tudo certo. Quando ele aprendeu os instrutores já usavam dois rádios controles. Um ficava com o professor e o outro com o aluno. Anazetti recomenda esse método para todo iniciante. “Se houver algum erro, o instrutor bate a chave e assu-

Maranhão/ Edição nº. IX

39


começar a vida artística, porque elas ainda eram crianças, e crianças não faziam sucesso naquela época. Além do mais, elas eram mulheres, outro fato que dificultou o sucesso. Sem apoio em sua cidade, São Paulo se transformou na cidade dos sonhos das irmãs, que contaram com o incentivo dos pais. Para apoiar as filhas eles venderam tudo e partiram para a cidade grande, apenas com uma carta de Dr.Miguel Leuzi,

proprietário de uma emissora de rádio em Sapezal, as recomendou para a Rádio de Piratininga, as irmãs tiveram suas primeiras apresentações como calouras. A oportunidade quais as irmãs tanto queriam finalmente chegou quando elas participaram do concurso “Torre de Babel”, foi a partir deste show de calouros que a dupla de ganhou visibilidade nas rádios e mundo caipira e começaram de fato

As irmãs começaram a vida artística ainda

música

Capa do primeiro disco da carreira das irmãs foi gravado em 1960

sua cultura”, comenta Marilene. A dupla reconhece que o tempo passou e que elas fizeram parte de uma história que ficou na memória dos fãs que as seguiam. “Nós fomos uma época, e os jovens gostam de outras coisas, gosta de agito, mas o que é importante é que eles sempre vão aos nossos shows para conhecer a gente, e fala ‘ minha vó é fã do trabalho de vocês”, diz Meire. Em um cenário em que o a música caipira simplesmente está apagada,

as irmãs ainda fazem shows e dizem que é o trabalho, é que traz sorte e sucesso e que elas ainda estão colhendo os frutos que plantaram ao longo da carreira. A para completar dupla disse que a música caipira sempre será base dos subestilos que se desencadearam e que está dentro do coração do povo brasileiro. “Para levantar o público eles irão voltar lá na catira, porque é nossa cultura.”

...

Foto Reprodução

criança, e fazem shows em todo o País

a vida artística. Meire e Marilene mesmo com toda experiências artística se emocionam diante de uma estante com inúmeros troféus que colecionam ao longo da carreira. As Galvão cantaram com duplas como Tonico e Tinoco, Del Monte e Deraí e Viera e Vierinha, entre outros inúmeros artistas da música caipira de raiz. Mesmo com décadas de sucesso, a dupla fala que ainda tem que trabalhar muito para fazer um produto bem feito, porque o povo quer qualidade. “Os artistas de hoje optam pelo barulho, pelos carros de sons e esquecem que as pessoas querem ouvir canções boas e que tenham letras”, Meire. As irmãs também disseram não se incomodarem com os novos ritmos, como o sertanejo e o sertanejo universitário e ainda brinca. “É preciso que venham as novas duplas, porque a fila anda e nada pode ficar parado”, concorda as irmãs. Os novos estilos para elas nunca foi “bicho de sete cabeças”, elas falam que a qualidade sempre irá predominar e que a música de raiz estará sempre na cabeça do povo brasileiro porque é original. “Fusão musical sempre vai existir como sempre existiu. A lambada com o arrocha o sertanejo e o axé, samba com outros estilos, é até necessário que exista para que os jovens conheçam melhor

Arquivo pessoal

“A fusão musical sempre vai existir como sempre existiu, a lambada com o arrocha o sertanejo e o axé, samba com outros estilos, é até necessário que exista para que os jovens conheçam melhor sua cultura”

Arquivo pessoal

música

(

(

Porta voz de uma geração, a dupla caipira formada pelas Irmãs Meire e Marilene Galvão, são tidas no mundo caipira, como as vozes do século. A dupla conhecida como Irmãs Galvão completa 66 anos de carreira em 2013 e ganha um acervo na cidade onde nasceram, um peque na cidade do interior de São Paulo, Sapezal. Morando na capital desde o início da carreira, em 1940, as irmãs disseram que nunca esqueceram a pequena cidade e sempre se sentiram cidadãs sapeenses, e ficaram muito honradas com a organização do acervo dedicado a elas. As artistas tiveram uma infância humilde, mas sempre sonharam em um dia encantar o Brasil com a suas vozes. Aprenderam a tocar instrumentos ainda crianças, Marilene gaita e Meire viola. Meire conta que na época em que chegou à capital, não foi fácil

A dupla completa 66 anos de carreira em 2013 e

ganha um acervo na cidade onde nasceram, uma

pequena cidade do interior de São Paulo, Sapezal.

40 Maranhão/ Edição nº. IX

Maranhão/ Edição nº. IX

40

Maranhão/ Edição nº. IX

41


M

uitos são os rótulos, variadas são as nomenclaturas, diversas são as vertentes que compõem o rock. Mas quando se fala das bases, do caminho para o rock se tornar mais que apenas um ritmo musical, um nome, um único nome, salta da mente e da ponta da língua: The Beatles. A banda formada no início dos anos de 1960 na cidade de Liverpool pavimentou o caminho para que o rock, ritmo musical importado da América, passasse a ser conhecido e celebrado por todo o planeta. John Lennon era o líder de uma banda de colégio chamada The Quarrymen, tocava em festinhas pela cidade e em uma delas conheceu Paul McCartney. Os gostos musicais semelhantes os aproximaram e John, ao notar que Paul tinha o talento e a atitude do rock, chamou-o para entrar em sua banda. Iniciava-se a mais lendária dupla do rock. McCartney passou a tocar guitarra, logo trouxe ao grupo um novo guitarrista: George Harrisson. John torceu o nariz para o rapaz, mas Harrisson sabia mais acordes que ele e Paul juntos, então o aceitou. Ainda contavam com Stuart Sutcliffe no baixo e muitos bateristas, já que nenhum durava tanto. Ao longo dos anos, a banda experimentou muitos nomes até que com o genial trocadilho entre beat (batida em inglês) e beetle (besouro em inglês) surgiu o nome definitivo, que logo se tornaria sinônimo de rock’n roll. No início contavam em sua formação com John, Paul e George nas guitarras, Stuart no baixo e o baterista do momento chamado Pete Best, que após uma turnê na Alemanha desligou-se da banda.

42 Maranhão/ Edição nº. IX

Os Beatles no prédio de EMI no ano de 1962

Sem Stuart o posto de baixista ficara vago e Paul, que já era o melhor amigo de John, passou a tocar baixo. Eles ainda tocavam no Cavern Club, bar de jazz em Liverpool que acabou se tornando um tipo de templo dos roqueiros, quando chamaram a atenção do empresário Brian Epstein. Nas mãos dele os Beatles foram alçados ao estrelato. Foi então que saiu o visual bad boy e entraram os terninhos, gravatas e cabelos lisos bem cortados, que logo se tornariam a marca da banda. ComEpstein os Beatles conseguiram sua primeira audição bem sucedida na Parlophone, subsidiária da gravadora inglesa EMI, que teve como produtor ninguém menos que o produtor e compositor George Martin. Com sua veia artística apurada Martin viu futuro naqueles rapazes, a banda tinha tudo: um nome criativo e marcante, músicos talentosos, um visual que agradava a muitos, só faltava um bom baterista. A solução foi a entrada de Richard Starkey, mais conhecido como Ringo Starr. Completava-se a fórmula do sucesso. Começou com um primeiro compacto com as músicas “Love me do” e “P. S, I Love you”, que teve boa

aceitação local, mas não no resto do país. Em seguida veio “Please please me”, primeiro lugar na Inglaterra que deu a garantia de um álbum que consolidou o sucesso dos Beatles. Mas ainda faltava a América, até lançarem o segundo álbum, With the Beatles. Era o caminho para a Beatlemania.

O fenômeno e seus efeitos As participações no programa do apresentador Ed Sullivan fizeram a América se render ao jeitão simpático e o bom humor dos quatro rapa zes de Liverpool. Também foi lançado o filme “A Hard Day’s Night” (no Brasil “Os reis do Iê-iê-iê”), que deu início ao consumismo em torno dos Beatles que logo tornou-se mundial. Mas ao mesmo tempo eles não perderam o foco, os álbuns Rubber Soul e Revolver, lançados entre 1965 e 1966, marco da carreira dos Beatles, davam mostras da evolução e da revolução que os Beatles desejavam causar na música e também no comportamento de seus fãs. A polêmica declaração de John de que os Beatles seriam mais famosos que Jesus Cristo indicava claramente que a banda

Para alguns, no entanto, a influência vai bem além do ouvir Beatles, que o digam aqueles perseguidos pelos conservadores da época por causa de seus cabelos cortados no estilo escovinha da banda.

Ensaios para os primeiros shows

“Abbey Road”, considerado uma obra-prima e o lançamento do anteriormente arquivado “Get Back” sob o título “Let It Be”. Paul McCartney anunciou sua saída em 10 de abril de 1970, mas um mês antes Lennon já havia dito que deixaria a banda. Os Beatles não existiam mais, porém já era um nome gravado na história do rock’n roll. Talvez por isso nem o mais ardoroso fã de Beatles acreditou quando John disse em sua polêmica canção “God”: “O sonho acabou”. Todas as vertentes do rock sofreram de alguma forma, em maior ou menor grau, a influência dos quatro rapazes de Liverpool. A banda provocava a mesma histeria que hoje causam artistas como Justin Bieber e Beyouncé.

música

Foto Divulgaçaõ Os Beatles na turnê americana de 1966

Há até quem viva Beatles, como a banda cover BeetlesOne, considerada a melhor banda na última edição do Beatle Week, festival tributo organizado em Liverpool. No Brasil ganha destaque o All You Need Is Love. Considerada o maior tributo aos quatro rapazes de Liverpool no mundo, é a única autorizada a comercializar as canções dos Beatles no Brasil. A dedicação é tanta que do figurino impecável, à execução perfeita nenhum detalhe é esquecido, tanto que há várias semelhanças com a banda original. Prova de que ainda hoje Beatles mais que uma banda é um estilo de vida, trata-se de um estado de espírito.

...

Foto Divulgaçaõ

Por Paulo Henrique Vicente do Nascimento

Foto Divulgaçaõ

Primeiro álbum dos Beatles completa meio século e prova que a admiração pelos quatro rapazes de Liverpool resiste ao tempo

Foto Divulgaçaõ

música

Beatlemania, 50 anos de um fenômeno

estava a caminho da História, apesar de a crítica da época alardear uma queda. Em meio a tudo isso lançaram aquele que é considerado por muitos o melhor álbum da história do rock, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. O experimentalismo e a psicodelia, marcas do som da banda naquele período, atingiram o auge e o álbum até hoje figura nas listas dos melhores de muitos órgãos da imprensa musical. Porém, a morte do empresário Brian Epstein já sinalizava o fim. Após o lançamento do álbum homônimo, criado depois de um retiro na Índia, Ringo Starr deixou a banda alegando tensão com os outros membros. Voltou pouco depois, quando Yoko Ono já se impunha na vida dos Beatles. Além de ser presença constante nos ensaios, ela começava a dar palpites nas composições de John, o que causou ainda mais atritos. Os últimos suspiros da banda foram o álbum

E a mesma imagem refeita no ano de 1970

Maranhão/ Edição nº. IX

43


política

Arquivo Pessoal

´política

Acesso à cultura se faz necessário O Brasil caminha para igualdade social, o vale-cultura promete diminuir as barreiras entre o trabalhador de carteira-assinada e os bens culturais

Foto Repedução

Por Simone Nunes

A

partir do segundo semestre deste ano, população brasileira poderá contar com uma nova lei que beneficia o acesso de todos os trabalhadores com carteira assinada à cultura com a disponibilização de um valor fixo de R$ 50 reais mensais. O beneficio será acumulativo, o trabalhador poderá usar os valores remanescentes no mês seguinte. Em 2008, o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope), fez uma pesquisa sobre os indicadores da grande maioria da população que não tem acesso o consumo dos produtos culturais: 87% da popu lação não frequenta cinemas, 92% nunca foi a um museu.

44 Maranhão/ Edição nº. IX

Outro contraponto polêmico que rodeia este benefício é utilizar o valor no pagamento de TV a cabo, na opinião do motorista de ônibus Sebastião Morais, que estudou até a quarta serie do ensino fundamental, nunca foi a uma peça teatral, cinema ou conseguiu ler um livro. Hoje o senhor Tião como é conhecido, trabalha mais de 12 horas por dia seis dias por semana não tendo tempo para fins de eventos culturais. Após seis dias trabalhados, o única veiculo cultural que ele consegue acessar é a TV a cabo que conseguiu assinar há seis meses. Já o dono da empresa Bem Estar Saúde, Adriano Vitor acredita que o vale cultura será desnecessário

para incentivar o socialismo de todos os trabalhadores de carteira assinada, afirma que “o vale cultura não será válido, pois quem aprecia a cultura não depende de vale”. Para Tião, a afirmativa é outra, para ele que só tem acesso a cultura por meio da TV por assinatura “consigo assistir filmes, primeira mão, e melhor, sem sair de casa”. Registrado há 10 anos, ele não tinha conhecimento que este benefício, pode ser descontado até 10% do seu salário e os outros 90% ficariam aos encargos da empresa, que pode reduzir no Imposto de Renda devido. “Não é certo, o Governo quer fazer benefícios com o dinheiro das empresas. É como pagar uma refeição

(

para morador de rua com a esmola do mendigo”. Afirma Adriano Vitor. Segundo a autora do projeto de lei, a deputada federal, do partido do PCdoB, Manuela D’Ávila, “cerca de 17 milhões de brasileiros potencialmente serão beneficiados pela nova lei”, que terá o uso restrito ao acesso exclusivo para bens culturais. Quando questionado sobre a utilização do valor para assinar TV a cabo, a parlamentar afirma que “o ministério da cultura reavaliou a situação, e que o vale-cultura não poderá mais ser utilizado na assinatura de TV a cabo”.

O grande número de assinantes das operadoras de televisão por assinatura fez com que, em meado dos anos 90, o grande número de cabos instalados nas ruas fosse usado para oferecer outros tipos de serviço, como, internet de banda larga, nascendo assim a internet a cabo. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a televisão por assinatura no Brasil tinha, até o mês de Agosto do ano de 2011, cerca de 11,6 milhões de clientes, sendo que o Brasil, segundo estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicada em julho de 2012, aponta que

(

Tv por assinatura, está cada vez mais acessível para maioria da população brasileira

Adriano Vitor, dono da empresa Bem Estar Saúde, hoje com 20 funcionários esta preocupado com a disponibilidade deste beneficio

“Não é certo, o Governo quer fazer benefícios com o dinheiro das empresas. É como pagar uma refeição para morador de rua com a esmola do mendigo”

Maranhão/ Edição Edição nº. nº. IX IX 45 Maranhão/ 45


tecnologia

Arquivo Pessoal

´política

A Convergência no processo cultural Em uma época em que os consumidores experimentam uma série de contatos com multiplataformas midiáticas, os meios de comunicação percebem oportunidades para disseminar a cultura

Foto Repedução

Por Vanessa Ferreira

Deputada Manuela D’Ávila faz discurso na tribuna da Câmara

o Pais tem uma população de 194 milhões de habitantes. O valor das TV por assinatura tem sido acessível para grande maioria da população, o crescimento das assinaturas é devido ao maior acesso a todas as regiões, do centro a periferias urbanas, sem distinção do acesso a comunicação cultural. O setor era praticamente monopolizado pelas empresas NET que distribuem praticamente os mesmos canais de televisões, hoje temos a Claro TV, Oi TV, Vivo TV e GVT. O vale-cultura está previsto para entrar em vigor, no segundo semestre de 2013, a polêmica que rodeia é a forma de utilização deste beneficio, não considerando a TV, uma forma de disseminação cultural. A deputada Federal, Manuela D’Ávila afirma que o vale-cultura terá acesso a bens culturais como, “ teatro, cinema, DVDs, livros e show”, e ressalta que “o Brasil fortalecerá a cultura em todos os níveis”. Contrario ao pensamento da parlamen-

46 Maranhão/ Edição nº. IX

tar, Tião afirma que “não tenho como usar este valor, por que não tenho tempo para cinema, teatro e descansar no mesmo dia. Tião não é único nesta situação, à carga horária de um trabalhar brasileiro segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, sua duração deverá ser de até 8 horas diárias, e 44 horas semanais, 6 dias por semana. Este tempo é delimitado como o espaço de tempo durante o qual o empregado deverá prestar serviço ou permanecer à disposição do empregador. Na visão de empresário, Adriano Vitor, o vale cultura ira delimitar o empregado a utilizar o valor do benefício em algo imposto, não delimitando a liberdade do mesmo. “O trabalhador que quiser dá um jeitinho e vende o crédito no mercado negro” afirma Adriano. O projeto de lei, como todos os outros segue por varias avaliação até chegar a sanção da Presidenta Dilma Rousseff, que ocorreu em dezembro de 2012, o vale-cultura será prioritário passaporte da população carente ao acesso a bens culturais.

...

A

Comunicação Social passou por uma considerável mudança nos últimos anos. Agora, a informação pode circular de forma intensa por  diferentes canais midiáticos. Na atualidade, os conteúdos de novas e velhas mídias se tornam híbridos, reconfigurando a relação entre produtores e consumidores. Um exemplo, é o site “Catraca livre”. Apoiado por pesquisadores do Media Lab do MIT e de Harvard, o projeto possui uma das maiores páginas do Facebook do mundo, com

mais de um 1.000.700 fãs. Segundo o Jornalista Gilberto Dimenstein, coordenador do projeto, o sucesso nunca foi esperado, pois surgiu com a finalidade de ser uma experiência de jornalismo cidadão e publicar temas que fortalecessem a relação do paulistano com a cidade. “Criamos o Catraca para ser um laboratório de comunicação. Não imaginava essa repercussão.”, ressaltou Dimenstein. Esse é só um exemplo, dentre milhares que vemos diariamente, o que nos faz questionar se a nossa

cultura está mudando as tecnologias ou os avanços tecnológicos que estão moldando a nossa cultura. Henry Jenkins, coordenador do Programa de Estudos de Mídia Comparada do Massachusets Instituct of Tecnology (MIT) e autor de diversos  trabalhos  que investigam a relação entre as mídias e a cultura popular, responde essa e outras questões em seu livro “Cultura da Convergência” (2009), onde investiga as importantes transformações culturais que ocorrem à medida que Maranhão/ Edição nº. IX

47


tecnologia

Foto Repedução

Foto Repedução

tecnologia

Gilberto Dimenstein é colunista da Folha de S. Paulo e idealizador do projeto “ Catraca Livre”

esses meios convergem. A cultura da convergência é um fenômeno que está revolucionando o modo de se encarar a produção de conteúdo em todo o mundo. Todos os modelos de negócios a ela relacionados estão sendo revistos. Considerado o “papa da convergência”, Jenkins, um entusiasta da cultura pop e o primeiro acadêmico a fazer uma ponte saudável entre quem pensa e quem faz cultura, em

48 Maranhão/ Edição nº. IX

sua obra, traz um debate bastante atual e importante para o Brasil: o desafio de se criar experiências de envolvimento, participação e interação entre conteúdos e fãs, marcas e consumidores. A cultura da convergência atualiza dois personagens, os produtores e os consumidores. Segundo o autor, antes da convergência os consumidores eram passivos, previsíveis, submissos, isolados, silenciosos e in-

visíveis, mas esse papel mudou: hoje eles são ativos, migratórios, leais, conectados socialmente, barulhentos e públicos. “Na cultura da convergência em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados podem agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo, pois a convergência envolve uma

transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação”. Em pouco mais de 20 anos o mundo do jornalismo  mudou. Os suportes para as ferramentas que produzem informação deram um salto. As novas tecnologias  a serviço do  jornalismo  são imprescindíveis. Com a  convergência midiática  a  TV, o Rádio e o Jornal Impresso foram parar em apenas um suporte: a  internet. E todas essas ferramentas que utilizam uma ou mais mídias exigem novos procedimentos e  narrativas  para conseguir elaborar e disseminar conteúdo. Isso traz novas oportunidades de negócios. Foi isso que Dimenstein, percebeu ao idealizar, junto com estudantes universitários, o site “Catraca livre”. Criado em 2009, o projeto tem a finalidade de divulgar atividades socioeducativas, dicas culturais, bem-estar e serviços para que o cidadão de São Paulo consiga usar a cidade melhor, sem gastar um centavo.

(

O Catraca Livre foi escolhido, recentemente, como o melhor blog do mundo em português, em premiação promovida pela Deustche Welle, emissora de TV pública da Alemanha.  Segundo Dimenstein, o site tem como diferencial, o objetivo de ser um espaço socioeducativo e função de engajamento social. “Trabalhamos com um olhar diferente em relação à comunicação. Vemos a cidade como grande incubadora de serviços, apesar de termos notícias de outros lugares além de São Paulo. E, além de tudo isso, o Catraca passou a ser sinônimo de eventos gratuitos. Tornou-se comum ouvir alguém falar: ‘vamos, é um evento catraca livre’”, afirma. Apesar de ser um projeto de sucesso, Dimentein, preocupa-se com sua continuação e o risco de acabar, devido à dependência de patrocínios. “O que nos ajuda muito é a audiência, alavancada pelas redes sociais e o nosso público, que em boa parte, são universitários e formadores de opinião e isso interessa os patrocinadores”.

“Nós não queremos que a pessoa fique online, nós queremos que ela use o online para sair e descobrir a cidade”

(

Jenkins fala sobre a questão da convergência, não pelo lado tecnológico, mas como um processo cultural que estimula a participação dos usuários/consumidores nas decisões que antigamente ficavam restritas aos interesses dos veículos e marcas. Ele defende a “Cultura do Fãs”, na qual, pessoas comuns interagem, modificam e criam mídias e conteúdos que foram originalmente construídos por outros produtores de conteúdo

Maranhão/ Edição nº. IX

49


...

editorial Foto Repedução

Com apenas quatro anos no ar, o “Catraca livre”, se tornou exemplo de como usar a rede de forma eficaz e tornou-se referência em site de serviços e isso se deve a consciência de que a cidade também Museus, escolas, universidades, praças, parques, bibliotecas, cinemas, teatros, salas de concertos. Aprende-se em qualquer lugar e a qualquer hora. “O espaço público não ameaça, congrega. Não violenta, ensina. Não afasta, aproxima. Não produz muros, produz jardins.”, completa Dimenstein.

DADOS: O número de internautas no Brasil vem aumentando ano após ano. De 2008 a 2012, o crescimento foi de quase 70%. No final do ano passado, O Brasil ultrapassou a marca de 96 milhões de pessoas conectadas, o que fez com que o país se tornasse o quinto mais conectado do mundo. A expansão da banda larga no país, aliada ao aumento no número de vendas de computadores, ajudaram a impulsionar o número de internautas. De setembro de 2011 a setembro de 2012, o acesso à internet em domicílios brasileiros cresceu 11%. No final de 2011, mais de 38% dos domicílios já possuiam acesso à rede.

Fonte: Socialbakers- Social Media Marketing, Estatísticas.

Arte: Vanessa Ferreira

tecnologia

A cidade de São Paulo é conhecida como “A capital da cultura”, mas existem muitos paulistanos, principalmente jovens, que não conhecem ou não se interessam em fazer passeios culturais. Embora o público do site seja, jovem é possível perceber que ainda existe falta de interesse desse público em conhecer a cidade fora do âmbito digital. “Nós não queremos que a pessoa fique online, nós queremos que ela use online para sair e descobrir a cidade. O Catraca é uma ferramenta digital que te ajuda a usar melhor a cidade.”, explica o Jornalista.pode educar.

Fonte: Socialbakers- Social Media

50 Maranhão/ Edição nº. IX

Maranhão/ Edição nº. IX

51


editorial 52 Maranhão/ Edição nº. IX


Revista Maranhão 2013