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JORNALZEN ANO 8

NOVEMBRO/2012

AUTOCONHECIMENTO

nº 93

SAÚDE

R$ 1,50

CULTURA

www.jornalzen.com.br

BEM-ESTAR

CIDADANIA Silvia Lá Mon

COACHING É TEMA DE COLUNISTAS DO JORNALZEN JULIANA PERNA

MAGDA VILAS-BOAS

MIGUEL MELLO

Pág. 7

Pág. 9

Pág. 13

RAQUEL KUSSAMA: “MUDANÇA: VOCÊ ESTÁ PREPARADO?” (Pág. 9)

MOMENTO DE REFLEXÃO

TESOUROS DA VIDA

JOÃO BATISTA SCALFI

JULIANO SANCHES

Pág. 6

Pág. 7

ANTROPOSOFIA HOJE, com Ayrton Daniel (Pág. 13) Amanda La Monica

ZENTREVISTA Lu Dressano ARTIGOS

Afinal, o que é mesmo ser feliz?

GRUPO DA PAZ Participantes do Grupo de Estudos pela Paz (Gepaz) no encontro com Helena Heloisa Wanderley, que ministrou a palestra “Trinta e oito passos para a paz”. O próximo encontro está marcado para o dia 20, às 19h30, com a palestra “Mestres da Humanidade na Década de 30”, na sede da Unipaz Campinas. CULTURA ZEN (Pág. 10)

ASTROLOGIA DA ALMA Pág. 6

Pág. 5

Pensamentos de

Pilates e o gerenciamento do estresse

Padre Haroldo

Pág. 8

Será que tudo vai dar certo? Pág. 12

Pág. 9

Viva Bem Pág. 18

BEM NUTRIR Pág. 19

A espiritualidade e a psicologia Pág. 14

Sacrifício ou contribuição? Pág. 16

VIDA & SEXUALIDADE Pág. 8


JORNALZEN

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JORNALZEN

DIRETORA Silvia Lá Mon

nossa missão: Informar para Transformar

CAMPINAS

BOSQUE BANCA DO BOSQUE - Avenida Moraes Sales, 1.748 CAMBUÍ BANCA CAMBUÍ - Rua Cel. Quirino (ao lado da padaria Massa Pura) BANCA DONA SINHÁ - Rua Cap. Francisco de Paula BANCA MARIA MONTEIRO - Maria Monteiro, 1.201 BANCA RIVIERA - Rua Coronel Silva Teles, 37 BANCA SANTA CRUZ - Rua Santa Cruz, 176 BUONA SALUTE - Rua General Osório, 1.761 CASTELO BANCA AKAMINE - Rua Barbosa de Andrade (esquina c/ padaria Pão do Castelo) BANCA NAKAZONE - Avenida Andrade Neves (balão) CENTRO ALMAZEN - Rua Barreto Leme, 1.259 BANCA ANCHIETA - Rua Barreto Leme, 1.425 BANCA CONCEIÇÃO - Rua Conceição BANCA DO ALEMÃO - Rua General Osório, 986 BANCA REAL DISNEY - Rua General Osório, 1.325 BANCA TANNO - Avenida Francisco Glicério, 1.580 CASULO ALIMENTOS - Rua Luzitana, 1.433 - loja 2 CHÁCARA DA BARRA CENAPEC - Rua Mogi das Cruzes, 255

CIDADE UNIVERSITÁRIA BANCA BARÃO - Avenida 2 - Atílio Martini, 50 FLAMBOYANT BANCA DO ISMAEL - Rua Mogi Guaçu (em frente à padaria Abelha Gulosa) GUANABARA BANCA DO DIRCEU - Rua Oliveira Cardoso, 62 BANCA ITAMARATI - Rua Eng. Cândido Gomide, 287 IGUATEMI LIVRARIA CULTURA (Shopping Iguatemi) PARQUE IMPERADOR BANCA CARREFOUR - Rodovia Dom Pedro I PROENÇA BANCA DO ROBERTO - Av. Princesa D’Oeste, 994 SANTA GENEBRA BANCA SANTA GENEBRA Avenida Pamplona, s/nº SOUSAS AVIS RARA Rua Rei Salomão, 295 BANCA RICCO PANE Avenida Antônio Carlos Couto de Barros, 871 TAQUARAL BANCA DO EDUARDO - Rua Thomaz Alva Edson, 115 BANCA TAQUARAL - Rua Paula Bueno, 1.260 VILA ITAPURA BANCA SACRAMENTO - Rua Eng. Saturnino Brito, s/nº VILA NOVA BANCA VILA NOVA - Av. Imperatriz Leopoldina, 100

INDAIATUBA

AMPARO

CENTRO BANCA RUTH - Rua Candelária, 1 BRUMAT - Rua 11 de Junho, 711 CINE CAFÉ - Shopping Jaraguá (Rua Humaitá, 773)

CASA DO NATURALISTA - Largo do Rosário, 131 (Centro)

ITAICI PADARIA NOVA GALERIA - Avenida Coronel Antonio Estanislau do Amaral, 1.257 JARDIM CALIFÓRNIA BANCA DO JANUBA - Praça Renato Villanova JARDIM DOM BOSCO BANCA ANA PAULA - Avenida Conceição, 51 PARQUE BOA ESPERANÇA BANCA LIBERDADE - Avenida Visc. de Indaiatuba, 352 VILA NOSSA SENHORA APARECIDA PANIFICADORA A-REAL - Rua Candelária, 1.828 SAÚDE NATURAL - Rua Candelária, 1.751 VILA VITÓRIA BANCA DO JAIR - Rua Humaitá esq. Av. Pres. Vargas PADARIA GIANINI - Avenida Presidente Vargas, 472 VILA SUÍÇA PADARIA SUÍÇA - Rua Pedro de Toledo, 1.855

EDITOR Jorge Ribeiro Neto

JORNALISTA RESPONSÁVEL MTB 25.508

circulação: Campinas, Indaiatuba, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Valinhos e Vinhedo

PONTOS DE VENDA DO JORNALZEN BARÃO GERALDO BANCA CENTRAL - Avenida Santa Isabel, 20 BANCA DO LÉO - Avenida Romeu Tórtima, 283 BARÃO ERVAS - Avenida Santa Isabel, 506 ESPAÇO CAFÉ - Rua Christina Giordano Miguel, 250 ESPAÇO UNGAMBIKKULA Av. Santa Isabel, 1.834 IDEAL REFEIÇÕES - Rua Vital Brasil, 200 NATURALMENTE - Av. Albino J. B. de Oliveira, 1.905

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HOLAMBRA ESPAÇO CULTURAL TERRA VIVA - Avenida Rota dos Imigrantes, 605

JAGUARIÚNA* NATU ERVAS - Rua Cândido Bueno, 885 (Centro) * e em todas as bancas da cidade

VALINHOS em todas as bancas da cidade

VINHEDO* DUE MONDY - Rua Eduardo Ferragut, 145 (Jardim Itália) EMPÓRIO JF - Avenida dos Imigrantes, 575 (Jardim Itália) LIVRARIA NOBEL - Avenida Benedito Storani, 111 * e em todas as bancas da cidade

CARO LEITOR: caso não encontre o JORNALZEN, ligue para (19) 3324-2159

Redação: (19) 3324-2158 Comercial: (19) 3324-2159 contato@jornalzen.com.br www.jornalzen.com.br

AGENDAZEN CAMPINAS

INDAIATUBA

CONSTELAÇÃO FAMILIAR 15/11, às 8h30 – workshop com Antonio Carlos Dornellas de Abreu (Toni), no IPEC - Instituto de Pesquisa e Estudo da Consciência (Rua Monte Azul, 85 - Chácara da Barra). Mais informações: (19) 3252-1565, ipec-transpessoal.com.br ou ipec.campinas@terra.com.br

SAÚDE DA MULHER 24/11, das 14h às 17h – workshop “Saúde íntima da mulher”, com a psicóloga e professora de ioga Claudia Hallgren, no espaço Corpo e Alma (Rua Alberto Santos Dumont, 974 - Vila Teller). Realização do Instituto de Cultura Holística. Mais informações: (19) 3318-0367 e 9182-5545

ESOTERISMO 19/11, das 19h30 às 21h30 – curso de introdução, com Ricardo Georgini, no Hotel Dan Inn Cambuí (Avenida Júlio de Mesquita, 139). Mais informações: contato@culturaespiritual.net.br

SÃO PAULO

FÉ BAHÁ’Í 11/11, às 18h – evento de celebração do aniversário de Bahá’u’lláh, fundador da religião, na sede Bahá’í de Campinas (Rua Paschoal Nicolau Purcchio, 101 Nova Campinas). Aberto ao público. Mais informações: (19) 3233-5247 ou ael.campinas@bahai.org.br TEOSOFIA 10/11, a partir das 15h – palestra “Transformando nossas relações em relacionamentos iluminados”,com Osmir Silva Clemente, no Cenapec (Rua Mogi das Cruzes, 255 - Chácara da Barra). Promoção do Grupo de Estudos Lótus Branco. Aberto ao público. Mais informações: (19) 8815-2970 ou geteocps@yahoo.com.br WORKSHOP “5D” 8/12, das 9h às 18h30 – apresentação e treinamento, com a psicóloga Sueli Repulho, a massoterapeuta Silvana Vicentim, a chef de cozinha Sabrina Repulho e o personal trainer Fellipe Meirelles, no Cenapec (Rua Mogi das Cruzes, 255 Chácara da Barra). Mais informações: (19) 3327-6228 e (11) 98561-6484 ou contato@psicologasu.com.br YOGA CRISTÃ 30/11 a 2/12 – Retiro de Sadhana, com Padre Haroldo Rahm, no Loyola Centro de Eventos (Rua Dr. João Quirino do Nascimento, 1.601 - Jardim Boa Esperança). Inscrições e mais informações: eventos@padreharoldo.org.br ou (19) 3794-2528

INFORMAÇÕES PARA ESTA SEÇÃO Tel.: (19) 3324-2158 ou pelos e-mails: contato@jornalzen.com.br jornalzen@terra.com.br

ALZHEIMER 22/11, das 19h30 às 21h30 – palestra com a geriatra Maristela Soubihe, na Igreja Dom Bosco (Rua Cerro Corá, 2.101 - Alto de Pinheiros). Aberto ao público. Mais informações: roseabraz@yahoo.com.br ARTETERAPIA 23 e 24/11 – seminário com artista plástica Maria Alice do Val Barcellos, na Unipaz (Rua Pedro Morganti, 76 - Vila Mariana). Inscrições e mais informações: contato@unipazsp.org.br ou (11) 5083-4278 BENEFICENTE 3/12, a partir das 19h – exposição “Arte em forma de amor”, no MuBE-Museu Brasileiro da Escultura (Avenida Europa, 218 - Pinheiros). Renda das obras vendidas revertida à Associação Nosso Sonho de Reabilitação e Integração de Pessoas com Deficiências. Aberto ao público. Mais informações: (11) 3564-0555 WORKSHOP “RODA DA ABUNDÂNCIA” 25/11, das 9h30 às 12h30 – jogo psicoterapêutico destinado às pessoas que buscam prosperidade, com a psicóloga Sueli Repulho. Local: Rua Agudos, 3 - Ipiranga). Mais informações: (19) 3327-6228 e 8241-7890 ou www.psicologasu.com.br e contato@psicologasu.com.br

VALINHOS ALZHEIMER 1º/12, das 9h às 18h – workshop sobre a doença, no Núcleo Vidas Espaço Terapêutico (Rua das Vitórias Régias 452F - Jardim das Vitórias Régias). Parceria com GeroVida e Associação Brasileira de Gerontologia. Inscrições e mais informações: (19) 3869-1311 REIKI 24/11, das 9h às 18h – curso Nível 3 (Mestrado), com Valéria Avallone, no Núcleo Vidas Espaço Terapêutico (Rua das Vitórias Régias 452-F - Jardim das Vitórias Régias). Inscrições e mais informações: (19) 3869-1311


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nvariavelmente assustador, o diagnóstico de câncer de mama não foi suficiente para derrubar a jornalista Luciene Scomparin Dressano. Então com 39 anos, casada e com quatro filhos, ela resolveu fazer a sua parte. Depois de um período deprimida e chorando muito, refletiu e redirecionou a mente, o que a levou a encarar a situação como um renascimento. Deu certo. Enquanto passava pelo tratamento, Lu Dressano escreveu textos que geraram um livro – Histórias de cada um... No meio do rio, pequenos e grandes milagres. Publicada em 2008, a obra teve duas edições e faz parte de projeto encampado pela jornalista cujo objetivo é levar conforto e fortalecer os pacientes com câncer e familiares durante a fase mais difícil da doença. Mais de 6 mil exemplares foram distribuídos em 39 hospitais e centros de tratamento de câncer de 25 cidades de 13 Estados e do Distrito Federal. Aos 52 anos, Lu Dressano participa de encontros e palestras nos quais relata sua experiência. Nesta entrevista exclusiva ao JORNALZEN, ela comenta como é possível despertar a força interior do paciente ao fazê-lo enxergar o lado belo da vida, razão pela qual mesclou entre os textos de seu livro fotos da natureza seguidas por frases retiradas da herança espiritual da humanidade. Como surgiu a ideia do livro? A ideia do livro surgiu depois da escrita. Eu vivia os momentos e simplesmente escrevia. Como um desabafo. Guardei todos os textos durante dez anos. Quando entendi que as histórias de cada um poderiam ajudar outros pacientes, pensei: então tratase de um livro para quem sofre e não encontra ânimo para superar a doença. E aí tudo aconteceu. Veio o patrocínio da CPFL Energia, seguido do apoio da Oncocamp, do restaurante A Casa do Yakisoba, da Rede Graal (nas estradas paulistas) e de muitos amigos que ajudaram a promover uma ‘caminhada social’ por meio do livro. O livro foi distribuído inicialmente nos hospitais de referência no tratamento de câncer, no Estado de São Paulo. Dois anos depois, fui convidada a realizar palestras para uma campanha chamada “Encontro com a Autoestima”, que visa trabalhar uma das fases mais difíceis do câncer de mama: o enfrentamento da doença. A campanha percorre desde 2009 diversas cidades brasileiras. Durante as ações que participei pude compartilhar minha história de vida com outras pessoas e levar uma mensagem positiva de vida e de superação. O que mudou em sua vida depois do tratamento contra o câncer? Tudo. Descobri uma mulher dentro de mim que não conhecia. E, devo confessar, gosto muito mais de mim hoje.

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ZEN ZENTREVISTA Lu Dressano

MENSAGEM DE FÉ Jornalista resume em livro como enfrentou um câncer e distribui a obra a pacientes de hospitais dedicados ao tratamento da doença Fotos: Divulgação

O que recomendaria para quem está passando pelo problema? Aceitar a doença e fazer a tua parte da melhor forma possível. Agradecer a tudo e a todos. Acreditar que tudo passa, mas faz diferença como cada um de nós passa pelo problema. E talvez o maior dos remédios seja a busca da alegria, que ajuda a manter a nossa imunidade. Tudo isso junto, e exercitado diariamente, nos leva a enxergar o lado belo da vida, vital para a nossa existência. Até que ponto a fé pode contribuir na superação da doença? Fé é acreditar. Se a pessoa acredita que está doente, ela permanecerá doente. Se ela acreditar que vai superar e se transformar, com certeza conseguirá. Então, é uma questão de escolha... Em tempos modernos, a medicina é avançada, os médicos são competentes e os remédios poderosos. Mas tudo isso não basta. A pessoa em tratamento precisa buscar a força que está dentro dela. Adota ou passou a adotar alguma prática voltada ao autoconhecimento ou à espiritualidade? Passei a exercitar a todo instante uma prática simples: aquietar a mente, elevar a alma e ouvir a voz do coração.

“A pessoa em tratamento precisa buscar a força que está dentro dela” “Tudo passa, mas faz diferença como cada um de nós passa pelo problema”

Como avalia a proposta editorial do JORNALZEN? Reconheço como um espaço alternativo, que contribui para ampliar as escolhas daqueles que lutam pela saúde, pela harmonia, pelo equilíbrio, pela igualdade e por dias melhores para todos. Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores? Que procurem se conhecer melhor, que não tenham medo de enfrentar os ‘bichos’ e que acreditem no lado melhor do ser humano. SERVIÇO O livro Histórias de cada um... No meio do rio, pequenos e grandes milagres está disponibilizado na internet. Para acessá-lo: www.ladoaladopelavida.org.br e entrar no blog Luciene Dressano Mais informações: lu_dressano@hotmail.com


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Silvia Lá Mon E se vivêssemos todos juntos? Há alguns dias, encontrei com algumas amigas da época da faculdade, as quais não via há uns 20 anos! Passamos um dia inteiro juntas, fizemos almoço, conversamos sobre tudo e a sensação que dava era a mesma de quando fazíamos isso na república. Senti-me revigorada por aquela amizade, com tantas afinidades mesmo depois de décadas. Assisti ao filme E se vivêssemos todos juntos? e me inspirei para escrever esta coluna. Estou na casa dos 50 anos e pertenço a uma geração que quebrou diversos paradigmas. Costumo dizer que fomos aqueles que cortamos o mato para abrir o caminho para os jovens índigos que chegam ao mundo. Muitos de nós focamos nossa vida na formação intelectual, na realização profissional, política, e fizemos escolhas das mais diferenciadas. Tenho amigas que não se casaram e nem tiveram filhos por opção e não por falta dela. Outros moram sozinhos desde a faculdade, outros se casaram e se separaram, até mais de uma vez, e hoje pensam em ficar sozinhos. Há casos de homens e mulheres que, apesar de não estarem felizes em seu casamento, não se separam porque têm medo de ficarem sozinhos na velhice. Somos de uma ge-

ração que lutou e preza pela independência, e creio que não temos a intenção de dependermos e escravizarmos nossos filhos, que têm muito a fazer neste planeta em plena ebulição. E, sim, ter a presença deles conosco por prazer, não por obrigação. Um estudo feito por uma agência ligada à ONU apurou que no Brasil são quase 20,6 milhões de brasileiros acima de 60 anos. Essa população de idosos no mundo será de mais de 1 bilhão em dez anos. Os lares de idosos de hoje, apesar de se propor a serem modernos, confortáveis e se esforçarem para criar um clima alegre, não deixam de ser um hotel onde convivem pessoas estranhas entre si com cuidados de profissionais. Não são e nunca serão um lar. Acredito que seja uma ótima ideia os velhos amigos velhos se reunirem e montarem suas repúblicas. Além de dividirem as despesas, dividem também o carinho, a boa conversa, o cuidado mútuo e conseguem, assim, manter a jovialidade do espírito, que é na verdade o que mantém o corpo e a mente saudáveis. Fica a dica: assistam ao filme e reúnam-se com seus amigos! la.monica@terra.com.br cronicasdesilamon.blogspot.com

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PANORAMA EDUCAÇÃO AMBIENTAL Ensinar a importância da reciclagem de embalagens de lata de aço pós-consumo é o principal objetivo do projeto Aprendendo com o Lataço, iniciativa da Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), que oferece recursos educacionais pelo site www.lataco.com.br. O conteúdo do portal, disponível para download gratuito, foi criado por especialistas em educação e inclui planos de aula e de atividades sobre meio ambiente, sustentabilidade e saúde. FUTEBOL DO BEM Dia 11 de novembro, antes da partida entre Ponte Preta e Internacional, pelo Campeonato Brasileiro, os jogadores ponte-pretanos entrarão em campo com camisetas e uma faixa em prol da campanha coração na batida certa, que promove o Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, instituído no dia 12 de novembro. A ação é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). ADVOGADOS DO BEM A Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo iniciou a campanha “Doação que Salva Vidas”. O objetivo da Caasp, entidade ligada à OAB-SP, é mobilizar a advocacia em torno de uma ação com resultados práticos em favor da saúde da população: doar sangue. Para participar, basta se dirigir a um dos 60 hemocentros de todo o Estado listados no sítio www.caasp.org.br . JANTAR DO HOSPITALHAÇOS A ONG Hospitalhaços promove dia 19, no Tênis Clube de Campinas, jantar comemorativo aos 13 anos de atuação no trabalho de humanização em hospitais públicos da região. O convite (60 reais) pode ser adquirido até o dia do evento com voluntários ou na sede da associação (Avenida Governador Pedro de Toledo, 507 – Bonfim). Mais informações pelo telefone (19) 3237-2603. BAZAR DO BOLDRINI Evento em benefício do Centro Infantil Boldrini será realizado pelas voluntárias do Grupo de Artesanato e Costura do hospital, dias 21, 22 e 23 de novembro, no Clube de Regatas e Natação (Cambuí), em Campinas. O bazar funcionará das 9h às 18 horas, com entrada aberta ao público. Estarão à venda artigos de cama, mesa, banho, artesanato, peças em madeira e artigos natalinos confeccionados pelas voluntárias do Boldrini.


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Afinal, o que é mesmo ser feliz? Renata Rissato

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assamos a vida inteira em busca da felicidade. Vivemos para sermos felizes, somos criados para nos tornarmos pessoas realizadas e termos sempre uma sensação de bem-estar dentro de nós. A felicidade é um bálsamo em nossa alma. Ser feliz na vida pessoal e profissional é o que todos desejam realmente. Mas não seria isso uma utopia? Talvez! A felicidade é intocável, mas totalmente acessível para todos os seres humanos, desde que possamos compreender que a felicidade não nos pertence, que a felicidade é um momento, uma sensação apenas, e que se esperarmos sermos felizes 24 horas por dia, só encontraremos amarguras e decepções. O maior erro do ser humano é apoiar-se nesta busca como meta para sua vida. Pensamos muito em como encontrar a felicidade, mas nos esquecemos de que primeiro precisamos entender o que ela significa e que o sentimento provocado por ela não é igual para todo mundo. Somos pessoas diferentes que possuem ideais diferentes, ou seja, o que é importante para mim, pode não ser para você. Baseada neste pensamento, afirmo que o conceito de felicidade é diferente entre as pessoas e muito particular, e seja ele qual for, deve ser respeitado. É importante entender que vivemos de momentos felizes e que estes momentos nos proporcionam a ideia da real felicidade.

Os momentos felizes podem ser divisíveis. O primeiro momento é aquele de felicidade coletiva, quando algo de bom acontece no mundo e todos juntos comemoramos, como ganhar uma copa do mundo, por exemplo. A euforia, a alegria invade nosso interior e nos causa uma sensação de felicidade. O segundo momento é o nosso particular, apenas nós o sentimos. Um momento único e que nos traz a mesma sensação do coletivo, porém é um sentimento pessoal, uma sensação intransferível e que muitas vezes apenas para nós será importante. Portanto, para sermos felizes não precisamos nos tornar seres perfeitos e nem nos desagradar para fazer o outro feliz. Nossa felicidade não esta nas mãos de outra pessoa, e sim nas nossas próprias mãos. Necessitamos desfazer este mito de que é preciso ser feliz o tempo todo. Temos que estar sempre conectados com o nosso eu, e entender o que nos faz feliz e de que forma eu escolho ter esses momentos. Precisamos perceber que a felicidade nada mais é do que uma sensação boa que nos traz alegria e confiança naquilo em que acreditamos. Não existe uma fórmula mágica para buscarmos a felicidade eterna. Somos feitos de momentos, e são eles que dão força e movimento para seguirmos o nosso caminho, e nos tornarmos verdadeiramente felizes! Renata Rissato é consultora compor tamental, palestrante e terapeuta holística

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Trabalho (2) (continuação da edição anterior) Uma possibilidade é filmar as pessoas agressivas, com autorização judicial, e, com as identificações dos agressores, a polícia recolheos nas delegacias nos momentos de piquete ou equivalentes. Foi assim que fizeram com torcedores baderneiros para que se reduzisse a violência nos estádios de futebol. Para que isso aconteça, faz-se mister atitude que alcance além dos seus interesses pessoais. O exercício profissional não apenas para você, mas também para a sociedade. Morreu um torcedor do Guarani após jogo com a Ponte Preta. Os torcedores engalfinharam-se para gerar essa fatalidade. Se o encontro dessas duas torcidas gera conflitos com certa frequência, e o profissional é advogado de um dos clubes, delegado, investigador, representante do Ministério Público, representante da OAB ou juiz poderia tomar atitudes que prevenissem os conflitos. Uma possibilidade é a identificação dos arruaceiros e, em todos os jogos que haja possibilidade de conflito, eles fossem obrigados a apresentar-se na delegacia. Entretanto, poderá haver soluções mais criativas. Cabe ao profissional utilizar as

suas habilidades para encontrá-las. Penso que o ideal não são atitudes de punição e sim educativas. Melhor que infligir o Clélio Berti castigo é consDiretor da Unidade Flamboyant da cientizar para Universidade de Yôga (Uni-Yôga) modificar o comportamento violento. Qualquer que seja a sua profissão, não importa qual a sua empresa, não depende do cargo que você exerce, sempre haverá a possibilidade de olhar apenas para o umbigo ou para o todo. Quantas coisas a sua empresa não faz e poderia fazer: separação do lixo? Compostagem? Plantação de árvores no estacionamento? Palestras sobre qualidade de vida? Restaurante sustentável? Cobertura ecológica? Relacionamentos mais humanizados? Etc., etc., etc. Aí entra o Método DeRose: quanto mais você evolui como ser humano, mais poderá contribuir para o todo. Se aumentar a compreensão de si mesmo, poderá utilizar as potencialidade que já existem, mas, muitas delas jazem adormecidas.


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MOMENTO DE REFLEXÃO JOÃO BATISTA SCALFI - scalfi@terra.com.br INFORME PUBLICITÁRIO

Fé Para encontrar o bem e assimilarlhe a luz, não basta admitir-lhe a existência. É indispensável buscálo com perseverança e fervor. Entretanto, como exprimir a fé? A fé não encontra definição no vocabulário vulgar. É força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na Sabedoria Divina que é a própria vida. Palpita em todos os seres, vibra em todas as coisas. Mostra-se no cristal fraturado que se recompõe e revela-se na árvore decepada que se refaz, gradativamente, entregando-se às leis de renovação que abarcam a Natureza. Seja qual for a nossa interpretação religiosa da ideia de Deus, é imprescindível acentuar em nós a confiança no bem para refletir-lhe

a grandeza. O Bem Eterno é a mesma luz para todos, mas concentrando-lhe a força em nós, por intermédio de positiva segurança íntima, decerto com mais eficiência lhe retrataremos a glória. Busquemo-lo, pois, infatigavelmente, sem nos determos no mal. Procuremos a boa parte das criaturas, das coisas e dos sucessos que nos cruzem a lide cotidiana. Teremos, assim, o espelho de nossa mente voltado para o bem, incorporando-lhe os tesouros eternos, e a felicidade que nasce da fé, generosa e operante, libertar-nos-á dos grilhões de todo o mal, de vez que o bem, constante e puro, terá encontrado em nós seguro refletor. Quando Jesus estava entre o povo, um homem se aproximou e lançou-se de joelhos aos seus pés, e lhe disse: Senhor, tende piedade de meu filho, que está lunático e sofre muito,

ASTROLOGIA DA ALMA RICARDO GEORGINI - ricardogeorgini@yahoo.com.br

Escorpião: a solução do conflito interno O mantra espiritual de Escorpião é: “Guerreiro eu sou, e da batalha emerjo triunfante.” A relação entre o Eu Superior e o eu inferior é muitas vezes representada como uma luta. Poderia ser representada também como uma dança, por exemplo, ou uma conversa, ou um trabalho conjunto. Mas a luta, realmente, simboliza bem certos aspectos dessa relação entre o superior e o inferior dentro de nós. E pode ser de grande valia refletir sobre isso. O eu inferior, também chamado de personalidade, abrange o corpo físico, as emoções e a mente analítica.

O Eu Superior, também chamado de alma, é a mente intuitiva, a sede dentro de nós da sabedoria, do amor, da vontade espiritual e de todas as demais qualidades superiores. Naturalmente, o eu inferior tem uma percepção bastante limitada e ilusória sobre si mesmo, os outros e o mundo. Na sua visão, todos os seres estão separados e ele é independente e isolado dos demais. Já o Eu Superior tem um percepção muito mais abrangente e exata sobre as coisas. Ele vê a interligação e interdependência em tudo e percebe a si mesmo como um com todos. A partir de cada uma dessas duas

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porque ele cai frequentemente no fogo e na água. Eu apresentei-o aos vossos discípulos, mas não puderam curá-lo. E Jesus respondeu, dizendo: “Ó raça incrédula, até quando hei de estar convosco? Até quando vos sofrereis? Trazei-me aqui essa criança”. E Jesus, tendo ameaçado o demônio (espírito do mal, obsessor) ele saiu da criança, que ficou curada no mesmo instante. Então os discípulos vieram ter com Jesus e lhe disseram: “Por que não pudemos expulsar esse demônio?” Jesus lhes respondeu: “É por causa da vossa incredulidade. Se tivésseis fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível” (São Mateus,

cap XVII, v.14 a 20). No sentido das coisas materiais, não se consegue, quando se duvida de si, mas aqui é preciso entender essas palavras no sentido moral. As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, os preconceitos, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que barram o caminho da humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem vencer os obstáculos! Noutra acepção, a fé se diz da confiança que se tem na certeza de atingir determinado fim.

visões, surgem objetivos de vida diferentes, com motivações e condutas correspondentes. O eu inferior vê o egoísmo como bem, enquanto o Eu Superior percebe que o bem é o altruísmo. Contudo, as duas visões (a mais estreita e a mais ampla) existem dentro nós. Ao longo dos dias e das semanas, nós costumamos oscilar entre um foco maior numa dessas visões e um foco maior na outra. Em certas situações, até conseguimos perceber o conflito dessas duas visões dentro de nós, cada uma delas procurando prevalecer naquele momento. E muitas vezes, ao enfrentarmos alguma decisão, ficamos divididos entre escolher o que parece bom para o eu inferior ou o que o Eu Superior percebe como melhor. Toda essa situação é ainda mais complicada devido ao fato de que, em diversas circunstâncias, não sabemos com clareza qual alternativa está de acordo com os interesses do eu inferior e qual está de acordo com os do

Eu Superior; vemos as alternativas, mas não discernimos o que está por trás delas. Frequentemente, as coisas não são o que parecem, e o egoísmo facilmente se disfarça de altruísmo — dentro de nós mesmos! O local onde todo esse conflito interno pode ser resolvido é o campo mental. A mente analítica e a mente intuitiva devem aprender a se entender mutuamente e trabalhar juntas. A mente intuitiva deve esclarecer a mente analítica, e esta, por sua vez, deve então orientar as emoções e as ações de acordo com o esclarecimento obtido. Isso significa que a solução é a mente analítica buscar internamente a visão maior da mente intuitiva. Mas, além disso, depois de iluminada pela luz superior, a mente analítica deve lançar essa luz sobre as emoções e ações. É como se a mente analítica tivesse que explicar (pacientemente e quantas vezes for preciso) para a faceta emocional e o corpo físico aquilo que foi compreendido, para que eles possam se ajustar e participar adequadamente. É assim que o indivíduo pode sacrificar alegremente os seus estreitos interesses egoístas em favor dos interesses maiores coletivos. É assim que o Eu Superior triunfa e o eu inferior se torna seu parceiro. Então, cada um deles desempenha o seu devido papel: o Eu Superior indica o propósito, os princípios e os valores da vida; e o eu inferior é quem deve fazer a aplicação prática e materializar tudo isso. Não há vitória sem união. A vitória do Eu Superior não se trata de derrotar o eu inferior, mas de conquistar a sua cooperação.


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NOVEMBRO/2012

Tesouros da Vida JULIANO SANCHES

Depressão e suicídio: leituras contemporâneas A depressão é o mal do século? O desemprego cresce. As profissões entram em crise. As economias estão sucateadas. O suicídio aparece como resposta à indiferença manifestada pela sociedade. É algo, que remete aos dramas expostos pelo escritor Kafka. A sensação de mal-estar civilizatório culmina com a constatação da indiferença. Do ser que se percebe falível no atendimento às estratificações sociais (papéis sociais, procriação, aparência, manutenção de família, valores...). A tragédia humana contemporânea se confunde com a de Gregor. Na sensação de incapacidade. De repente, os jovens se descobrem metamorfoseados em criaturas singulares, alheias aos valores caros a um padrão de vida conservador. E, para a sociedade estratificadora, essas metamorfoses/mutações não devem ocorrer. São temores, abominações. “Precisam ser combatidas com investimentos em segurança”. E não com o acesso democrático a uma educação pública, que permita construir uma vida social, que escape à alienação, e que possibilite uma existência minimamente digna até o óbito biológico. Numa sociedade, que prega o padrão social – a família e os filhos para o atendimento das necessidades do mercado –, tudo deve ser homogê-

neo, asséptico. Uma família adequada às convenções. Uma amiga comentou, inclusive, que tem vivido uma forte crise existencial, porque sente autocobranças de ter filhos, de se casar, e de idade. E não consegue corresponder a essas expectativas. Quem criou essas crenças? A indústria de necessidades cria um “modelinho de vida”, e exige que a psique das pessoas se renda a isso. É uma violência brutal! O caminho para tentar sair disso é a recusa às “fórmulas prontas”. “Você tem que isso, para aquilo...”, pregam. Vendem a conformação, como garantia de recompensa futura. Criam necessidades de consumo, para suprir às carências afetivas criadas, baseadas nos padrões gerados em torno da vida social. Fazem as pessoas se tornarem reféns dos seus próprios instintos. “Beba isso ou coma aquilo, que você terá um momento de válvula de escape, no que diz respeito aos seus sentimentos de falência”. E, quando as pessoas constatam a falência, em si mesmas, em atender a esses padrões – que não são seus, mas, sim, externos a elas –, a autoimagem fica fragilizada. Juliano Sanches é jornalista e palestrante casadojulianosanches.blogspot.com julianoluis@ig.com.br

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O que é coaching? Em tempos atrás, a exso, é possível identificar pressão coach advinha veracidade na expressão daquele que “conduzia “Tudo do que precisamos uma carruagem”. Pasjá está em nós”. Com essando por algumas transsas técnicas o coach atua formações e até adaptacomo um “espelho” do do às universidades, coachee, remetendo-o a passou então a ser “areflexos e reflexões na quele que era o tutor, busca de suas respostas. preparando estudantes Mesmo que esse proaos testes”. E aos pouJuliana Perna cesso pareça “provocatiPalestrante, treinadora cos, com os princípios vo”, a missão do coach é comportamental de treinamentos esportiinstigar seu coachee a e contabilista vos, passou-se a desco“encontrar-se”, desbrabrir no coaching uma povando suas potencialidaderosa ferramenta em âmbito pro- des camufladas por “crenças limifissional (negócios e executivos) e tantes” que o impedem de obter pessoal (vida, carreira, relaciona- êxito em sua vida e carreira, por mentos, finanças, esportes, espiri- ter em algum momento “dado ouvitualidade e outros). Mas, afinal, o dos” às vozes sabotadoras de seus que é coaching? “fantasmas interiores”. Trata-se de um processo de A quem se destina o coaching? parceria no qual o coach (facilita- A todo aquele que possuir dentro dor) e o seu coachee (cliente) com- de si determinação e atitude de prometem-se a uma causa diag- mudar, maiores que seus medos nosticada em sessões que, dife- de tentar... rentemente do que se pensa, não Então, você está preparado padá ao coachee as respostas procu- ra uma sessão? É um belo procesradas, mas com ferramentas espe- so, no qual coach e coachee celecíficas para cada caso o conduz brarão com alegria, ao final dele, as como em um “Bolero de Ravel” ao respostas encontradas neste tempo encontro consigo mesmo. Com is- de aprendizagem e descobertas.

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VIDA & SEXUALIDADE SANDRA SEPULVEDA

Casamento e erotismo: par perfeito Ah, vida contemporânea! Dinâmica acelerada do cotidiano, falta de tempo, dificuldades financeiras, chegada dos filhos, dupla jornada de trabalho ou desemprego, perdas familiares, preocupações, raivas, mágoas, chateações, baixa vitalidade pelo sedentarismo, tabagismo, bebidas alcoólicas, má alimentação, doenças, envelhecimento do corpo... Faltou algum elemento antissexual? Falta é ânimo, até para se pensar no assunto. Sobram razões para um casamento sem sexo ou um sexo sem casamento. Elementos assim influenciam o desempenho na cama, roubam a energia para sexualidade e diminuem qualidade da vida erótica do casal. É natural existirem fases de recolhimento da libido, mas se o sexo é valorizado na vida do casal é importante se perguntarem: qual o nível de satisfação com a vida sexual? É possível dialogar sobre esse assunto? Já aconteceu isso em outras ocasiões? Como têm administrado essa fase? Que outras fontes de prazer em conjunto estão ativas? Se deixar o desejo se dilui na rotina estressante ou se perde nos labirintos do ressentimento e o casal pode passar a ser sexualmente disfuncional. É bom lembrar que a saúde sexual é um dos fatores de qualidade de vida, fonte de satisfação pessoal, gera bioquímica saudável ao organismo e, além disso, aproxima o casal, aumenta a cumplicidade e fortalece o relacionamento. Casamos querendo ser amados e desejados, para sempre, por aquela mesma pessoa. Acreditamos nisto como sendo um processo natural e automático, basta encontrarmos a cara-metade. Mas na equação amor + erotismo + relacionamento de longa duração, o resultado é trabalho. Trabalho, pois paixão e desejo têm como molas propulsoras a novidade, o mistério; já a convivência diária tem como base o oposto: a repetição. Na complexidade dos relacionamentos, a institucionalização do amor por meio do casamento sedimenta a ilusão de que outro é meu e dá a falsa garantia do para todo o sempre. Ultrapassamos o limite sutil entre cuidar um do outro e sufocar um ao outro. Nessas relações de fusão, em que o “eu” se aliena no “nós”, há a sensação de segurança emocional e há a inibição do clima de aventura, de desafio, ingredientes mantenedores da chama sexual. Para o sexo acontecer é preciso haver um encontro e o pré-requisito é a distância. A manutenção da individualidade de cada um em um relacionamento de longa duração possibilita a coexistência de um espaço necessário entre o par. É pró-sexual a preservação do “eu/meu” e do “você/seu”, cria expectativas, instiga descobertas, move, naturalmente, a busca pelo “nós/nosso” e pela sexualidade como forma de se preencher. Concluindo, no casamento que pretende ter vitalidade erótica não pode haver monopólio da sexualidade e precisa haver trabalho dos cônjuges. Ambos precisam manter um limite de espaço na relação, para que um busque ao outro e se encontrem no ponto do prazer. Sandra F. Sepulveda (CRP – 06/83606) é psicóloga sandra.sepulveda@terra.com.br

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Pilates e o gerenciamento do estresse Suely Tambalo

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ais do que uma atividade complementar para preparar o corpo de forma equilibrada para a corrida, a prática de pilates vai muito além do condicionamento dos músculos, da correção do gesto técnico e da prevenção de lesões. Criado com a intenção de restabelecer e manter a saúde integral do indivíduo, o método pilates tem papel de extrema importância no gerenciamento do estresse negativo em nossas vidas. Primeiramente porque o método foi estruturado levando em consideração a forma pela qual devemos nos mover para atingir o perfeito equilíbrio e economia de movimentos, respeitando as estruturas anatômicas e biomecânicas do corpo. Para tanto, cada exercício foi pensado para ser realizado de determinada forma e ritmo, com baixo número de repetições e alta qualidade de execução. Isso foi possível porque Joseph Pilates, criador da técnica foi atento observador da natureza e dos animais e estudioso praticante de diferentes formas de esportes e atividades físicas. Ele conseguiu reunir em uma só técnica a sabedoria das práticas milenares do Oriente, como a ioga e as artes marciais, e o treinamento físico com vistas ao condicionamento e fortalecimento do corpo praticados no Ocidente. Levando em consideração não apenas que exercícios realizar, mas principalmente como realizá-los, vamos realmente atingir o controle e a consciência necessária para a prática do pilates. E de que forma isso ajudaria a equilibrar o estresse? Primeiramente pela prática consciente e completa da respiração durante a execução de todos os exercícios. Segundo B.K.S. Iyengar, mestre indiano de ioga, “controlar a respiração e observar seus ritmos aquieta a consciência. Ao controlar a respira-

ção você está controlando a consciência, e, ao controlar a consciência, você dá ritmo à respiração”. Já se comprovou que a respiração lenta e profunda reduz significativamente os níveis de cortisol no sangue ao longo do tempo. A hipersecreção contínua de cortisol, responsável pela reação de estresse generalizada, é a responsável pelos estados negativos como depressão, por exemplo, e, em contrapartida, baixos níveis de cortisol estão relacionados à sensação de bem-estar. Por esse motivo, terminamos uma aula de pilates sentindo o corpo trabalhado, energizado e com uma grande sensação de bem-estar. Outro componente para a redução do estresse é aprender a mover-se sem tensão, usando apenas os músculos necessários para a realização de um determinado movimento. O relaxamento consciente e seletivo proporciona maior economia de movimentos, facilita a fluidez, o controle e a precisão de movimentos. A concentração garante a execução de movimentos conscientes e corretos. Ao concentrar-se em si mesmo, no próprio corpo, elimina-se a tendência de vaguear a mente por assuntos diversos que não nos ocupam aqui e agora. A melhor notícia é que exercitar-se desta forma traz benefícios não apenas durante e logo após o término da aula de pilates. Esse aprendizado de si mesmo é levado para todas as situações cotidianas nos ajudando a reconhecer os estados físicos e mentais e consequentemente nos proporcionando a oportunidade de agir de forma mais eficiente e consciente em todos os planos da vida. Aquietar a mente, desenvolver equilibradamente o corpo reconhecendo o seu limite integra nosso ser e nos aproxima de nossa alma. Era isso que Joseph Pilates almejava com seu método: a saúde integral. Está aí à nossa disposição, experimente! Suely Tambalo é professora de pilates


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Pensamentos de

Padre Haroldo Espiritualidade Os recursos materiais e emocionais dos pais têm limites. Portanto, assumam, tranquilamente, suas limitações. Seja rico ou pobre, nossos recursos materiais são limitados. Quer dizer que coisas materiais não resolvem problemas espirituais. Claro, coisas materiais ajudam. Por exemplo, os pais têm de ter dinheiro pelo menos para pagar o ônibus que os levam ao trabalho. É necessário ter uma casa, alugada ou não, e ter refeições. Somos somáticos e temos que comprar roupas. Evidentemente, precisamos de verba para viver. Emoções são muito mais difíceis. Uma emoção é o espírito mental influenciando o corpo à alegria ou tristeza. Emoções têm degraus: são bem negativas ou muito positivas. Dificilmente controlamos nossas emoções. Para viver bem e corretamente com nossas emoções, uma espiritualidade profunda é ne-

cessária. Apesar disso, nem sempre usamos nossas emoções racionalmente. Cerebralmente, muitas vezes seguimos nossa parte límbica, não deixando nosso encéfálo nos guiar. Biologicamente falando, seguimos mais nossa parte animal do que o setor espiritual. Segue-se: sabemos que os pais são limitados. Queremos a solução. É muito fácil resolver esse problema. Com a ajuda de Deus, lute para ver se pelo menos está cumprindo com os Dez Mandamentos. As Escrituras ensinam que devemos amar a Deus com todo o nosso coração, e com todo o nosso ser; e nosso próximo como a nós mesmos. Tentando viver esse amor, controlamos bem nossas emoções. Em resumo, falaria como a Bíblia mostra que a única coisa necessária é o amor. Vamos ver se nosso amor é exigente. Haroldo Joseph Rahm é fundador da Instituição Padre Haroldo, para pessoas com síndrome de dependência alcoólica e química, em Campinas. Telefone: (19) 3794-2500. hrahmsj@yahoo.com

Consultoria ou coaching? Cada vez mais a empreexperiência. sa precisa de estratéO processo de coagias para levar avante ching é um conjunto de seus objetivos, com ruestratégias que incide mo a resultados de exsobre o aperfeiçoamento celência, uma vez que o de habilidades e compemercado encontra-se atências, especificamente cirrado. Ao mesmo temno talento humano denpo há sempre mais fortro da empresa, por meio mações e especificado aprimoramento do ções em relação a me- Magda Vilas-Boas potencial de todas as todologias para repen- Psicologia Organizacional pessoas envolvidas na sar o negócio, aproveitar empresa. É um processo Coaching e Qualificação Humana bem os talentos e fazer de colaborar com o emadaptações necessárias presário ou com os proà vida da empresa. Para que você fissionais, no sentido de levar as possa discernir que atitudes tomar, pessoas a investigarem o objetivo, apresentamos os conceitos e utili- os valores e obstáculos. Desenvolzações das estratégias. ve habilidades de comportamento O consultor reflete junto do pro- que façam com que o cliente crie fissional sobre seu negócio ou car- planos de ação que o leve à realireira. Está ligado a solução de pro- zação de seus objetivos. Ação essa blemas de estratégia ou gestão. bem fundamentada na prática. Ele reflete sobre processos que não Há também, ainda outras forsão efetivos e sugere soluções. mas específicas de coaching, coO mentoring é alguém muito mo, por exemplo, o leader coaching, amadurecido e experiente em de- team work coaching, life coaching, terminado assunto e passa sua ex- executive coaching e outros. periência para crescimento naqueEstamos à disposição para la área específica. Compartilha sua atendê-lo (a). Um abraço.

CONTATO: (19) 9605-6363 ou magdavilasboas@gmail.com

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Mudança: você está preparado? Raquel Kussama

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udanças significam crescimento, a busca pelo novo. Isso é diferente de ser inovador ou criativo. Mudar é uma atitude de cada pessoa em si própria. É o olhar interno e a capacidade de colocar para fora comportamentos e pensamentos diferentes do padrão atual. Muitas vezes o processo de mudança deixa de existir pela dificuldade de enfrentar sentimentos, pois são os sentimentos de frustração, de medo, rancor, que impedem o soltar e enfrentar novas situações. Buscar o novo é sim uma árdua tarefa ao coração e ao pensamento. Parece fácil para as pessoas abertas a mudança. Mas a grande verdade é que uma pessoa para se lançar ao novo tem a necessidade de abrir a mente e as portas internas. No dia a dia atuamos com desenvolvimento de carreira e de empresas, sendo assim vivemos histórias, tristes e engraçadas, sobre o comportamento humano. São dificuldades que as

pessoas têm em enxergar fatos, em realizar ações com desenvoltura, com presteza. O comportamento externo nos mostra como a pessoa pensa e sente. Atividades lúdicas evidenciam os pontos fortes e fracos das pessoas. Cada profissional tem que ter as competências necessárias ao exercício do cargo. Competência: “entendemos como capacidade, a aptidão adequada de um profissional na execução de funções inerentes ao cargo que exerce; habilidade e inteligência para a realização de uma ação; ou seja, o conjunto de ações observáveis no eficaz desempenho de uma função requerida pela organização”. Em empresas podemos aplicar em:  Formação da cultura organizacional  Seleção profissional  Capacitação profissional  Avaliação de desempenho  Avaliação da pessoa no cargo  Descrição de cargo O processo de crescimento e desenvolvimento de qualquer ser humano é centrado na relação de confiança mútua, na vontade de ajudar o outro a crescer

em sinergia com a equipe de trabalho e em prol do objetivo único de uma organização saudável, competitiva e lucrativa. Para isso, é fundamental que os líderes da organização assumam a responsabilidade e comprometam-se com o processo de mudança, em conformidade com a velocidade da mudança da realidade global. O acompanhamento, com aceitação das dificuldades pessoais e organizacionais nesse processo deve ser entendido como desafio a ser vencido pelo líder que comanda os membros de uma equipe com objetivos e metas estabelecidas. As empresas são fonte de troca de conhecimentos. Nas empresas são as

pessoas que no exercício do papel profissional criam, recriam, realizam projetos, atividades, sucessos ou fracassos, resultados positivos ou negativos. Daí a necessidade de investir nas pessoas e nos talentos. Acreditamos que as pessoas precisam e podem mudar seus comportamentos, mas também que com a colaboração de um líder pode adquirir força e incentivo externo. Porém a mudança somente ocorre pela vontade própria, pelo desafio pessoal de transformar e ver o novo! Invista em você, enxergue suas limitações e crie caminhos para o seu processo de mudança.

Raquel Kussama é consultora do NJE Ciesp-Indaiatuba e coordenadora do Grupo de Agronegócio do Ciesp-Campinas; professora da HSM Educação e membro do Comitê Técnico Cientifico do 15º CRIARH - Recife. Graduada em Serviço Social, com especialização em Recursos Humanos e cursos em Antropologia e Desenvolvimento Organizacional. Atua há mais de 20 anos na área de RH e estratégias empresariais atendendo empresas nacionais e multinacionais de pequeno, médio e grande porte na aplicação do conceito de Estratégias de Pessoas & Negócios e implantação de processos e ferramentas de RH. Premiada pela Certificação em Gestão de Pessoas, pela Fiesp em 2004. Diretora da Lexdus. contato pelo e-mail: crescer@lexdus.com.br


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NOVEMBRO/2012 Silvia Lá Mon

CULTURAZEN

Juliana Perna (dir.) com Miriam Braga, proprietária do Salão Maison Auguri, onde ministrou a palestra “Mulher de Metamorfoses”

A jornalista Lu Dressano (de azul na foto) esteve na unidade campineira do Grupo de Assistência aos Portadores de Câncer (GAPC) para batepapo com usuários da entidade, no qual relatou a experiência vivida na recuperação da doença e relatada em livro

Reprodução

Silvia Lá Mon

Magda Vilas-Boas e Humberto Estevam lançaram livro durante evento de educação na Unicamp

Silvia Lá Mon

Divulgação

Helena Wanderley em encontro do Grupo de Estudos pela Paz (Gepaz)

Maria Inês Carvalho (ONG Gabriel), Renato Sargo e Hudson Vergennes no anúncio de parceria do Banco de Olhos de Sorocaba com o Hospital Augusto de Oliveira Camargo para captação de córneas em Indaiatuba


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MANDALA PARA PINTAR

- OZENI LUCAS -

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Recanto do Poeta Doces palavras Elas chegam de repente, Despertando emoções, Amontoam-se, aconchegam-se... Palavras & expressões! Aos poucos chegam as rimas, Palavras adocicadas... Poesias, “serotoninas”... Chocolates derramados! Escorrendo pela boca, Do poeta a degustar... Palavras doces singelas... A todos, vem adoçar! Com inspirações vêm trazendo, O amor vem derramando, Ao poeta bendizendo... À poesia, saudando! Juliana Perna

Espetáculo musical em Paulínia terá jovens do Grupo Primavera Fada Mel e as Cores da Primavera é o nome do novo espetáculo da Companhia Florada, formada por atores e músicos profissionais e 152 meninas e jovens atendidas pela ONG Grupo Primavera, de Campinas. A história, que será apresentada nos dias 13 e 14 de novembro, às 19h30, no Theatro Municipal de Paulínia, é baseada no filme Tinker Bell – Uma Aventura no Mundo das Fadas e conta sobre uma fadinha recém-nascida que descobre que seu dom é ser uma fada artesã. Este ano a Companhia Florada conta com a parceria do Instituto Anelo, ONG de formação musical da região do Campo Grande, onde jovens

talentos foram descobertos e hoje integram a banda do espetáculo, também composta por alunos da Unicamp. Fundado em 1981, o Grupo Primavera tem quase 9 mil meninas e jovens atendidas em 30 anos de atuação no Jardim São Marcos, bairro da periferia de Campinas reconhecido pela violência. Hoje, a ONG atende a aproximadamente 500 crianças e jovens por meio de programas e projetos de educação e convívio social, cultura, bem-estar e profissionalismo. O espetáculo é gratuito, mas os ingressos devem ser reservados antecipadamente pelo e-mail gprimavera@gprimavera.org.br ou pelo telefone (19) 3246-0021.

Oculta-se o azul Visualizo um luzir, céu deslumbrante. Diáfanos azuis, a esparramar nuvens, entre uma luz magnetizante, sobre as flores, ali a entrelaçar. Onde a tênue azul, tons aconchegantes, que flui o belo e vai perpetuar felicidade, em luzes ofuscantes, o azul na intensidade a clarear. Sem limite, translúcido no espaço fascínio de azul que invade a alma, e assim alcança com sonhos entre o amor; mar de poesia. Neste céu, resta apenas um pedaço do azul, sumindo junto com o dia; na lentidão da noite, só lembrança. Geni Fuzato Dagnoni


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CULTURA DE LETRAS ARUÂNGUA - mceu.idt@terra.com.br

A mulher do meu quintal (2)

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á era meio da tarde quando se levantou e veio respirar um pouco de ar lá fora. Espreguiçava-se enquanto dava conta de todas as coisas que haviam deixado no quintal na noite anterior, quando viu um corpo de mulher deitado no banco de Kombi. Não pode acreditar no que via. Não tinham estado mulheres ali na noite passada. Aliás, jamais levara o mulherio de farra para dentro de sua casa. Ali queria sossego total. Foi quando se lembrou daquela visita inusitada logo pelas primeiras horas de sol. Com passos lentos, cavando um tempo para recobrar-se da surpresa, aproximou-se, cuidadoso, daquela miragem. Ela permanecia deitada de lado e dormia a sono solto. Descalça, o corpo magro, moreno, um rosto bem proporcional, maçãs salientes e lábios bem desenhados. As pontas dos braços e das pernas, magros e dependurados, pra além do banco. Parou atemorizado. Uma mulher no quintal dele e dormindo. Recuou devagar para depois afastar-se rapidamente. Ligou para a faxineira que costumava ajudá-lo com a limpeza da casa e preparando alguns pratos que deixava no frízer e pediu-lhe que viesse fazer uma lasanha para o dia seguinte. Maravilha! Ela tinha aceitado a convocação. A Elizete veio e logo perguntou quem era aquela. Ele contou-lhe que ela viera para ver o móvel e quando ele acordara ela estava ali dormindo, ainda. Elizete cozinhou, limpou a casa, recolheu copos, pratos e garrafas deixadas no quintal desde a noite anterior. Limpou a cozinha e

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Será que tudo vai dar certo? Vitor Sampaio

ainda fez uma desinfecção no banheiro. Não sabia o porquê, mas não queria acordá-la. Fez os possíveis por não incomodá-la. Acabou as tarefas e a mulher ainda dormia no banco de Kombi. Arnaldo pensou que já era hora de trocar aquele banco por algo mais confortável. Mas logo se arrependeu de seus pensamentos e repisou na cabeça que ali era casa de homem e não precisava de mais confortos. Pediu a Elizete que fosse chamar o marido da dita cuja. Afinal, vai que a mulher estava ruim de saúde, tendo uma crise, passando mal ou coisa parecida... O marido chegou e em vista da explicação dada, olhou o móvel velho meteu a mão no bolso e pagou a quantia pedida. Arnaldo ajudou-o a carregar o móvel para a casa da esquina. Voltaram ao quintal de Arnaldo e acordaram a mulher de olhos negros. Ela mal conseguia abrir os olhos, ainda muito inchados... Ergueu um pouco o tronco apoiada sobre um dos cotovelos e franziu as sobrancelhas para controlar a luz que lhe entrava pelos olhos. Disse:Hum... Voltou a cair sobre o banco de Kombi e voltou o rosto para as costas do mesmo. O marido pegou mais uma nota do bolso estendeu a Arnaldo e atalhou: - Pode ficar com ela! Girou sobre os calcanhares e saiu deixando Arnaldo de mãos estendidas e perplexo, completamente sem ação, que por sua vez danou a entrar e sair de casa pela porta dos fundos e não conseguia atinar com nada do que se passava. (continua na próxima edição)

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uando dizemos para alguém que “tudo vai dar certo”, queremos acreditar nessas palavras. Esquecemos, no entanto, que quem as escuta até gostaria de acreditar, mas sabe que são palavras vazias de certeza. Fatos vão acontecer em nossas vidas, bons e ruins. Quando os acontecimentos ruins nos acometem, cabe a nós respeitar esse momento, ao invés de atropelálo com um desejo de que logo passe. Respeitar a dor é aprender com ela, é respeitar a nós mesmos. Suponhamos que seu animal de estimação esteja doente. Precisará passar por uma cirurgia de emergência. Você está preocupado. Está naquela disposição afetiva onde nada mais existe em sua vida além do animal. Mal consegue comer ou pensar. Não se aflija, “tudo vai dar certo”. O prazo para a entrega da monografia está chegando ao fim. Pouco ou nada foi produzido. Você ainda precisa escrever a conclusão, revisitar a introdução e finalizar a análise dos dados. Seu orientador nem quer mais olhar na sua cara, certo de que você irá falhar. Não se aflija, “tudo vai dar certo”. Você terminou o noivado. Oito anos com aquela pessoa amada, que de tão amada, era a única pessoa que lhe importava em todo o mundo. Você terminou com alguém que foi mais do que um relacionamento de oito anos, alguém que compartilhou toda a sua vida e agora sofre. Não se aflija, “tudo vai dar certo”. Sempre que temos uma situação difícil, um sofrimento evidente, uma tristeza profunda, fundada ou infundada, temos no mínimo um amigo para nos abraçar e dizer: Não se aflija, “tudo vai dar certo”. De onde, afinal, tiraram essa certeza? Simplesmente te disseram isso porque não havia mais o que dizer. É nosso desejo de que nada nesta vida saísse ao nosso controle, de que nada machucasse aqueles a quem amamos. Apelamos, assim, para essa condescendente frase, tentando convencer aos outros e a nós mesmos, tentando confortar aos outros e a nós mesmos. O que nunca vemos ao dizer isso para alguém, é que talvez tudo não dê certo. Talvez – apenas porque viver nem sempre é um jogo de videogame – o prazo para entregar a monografia expire, e não tenhamos uma nova chance, reiniciando a partir da fase anterior. Talvez, o tempo corra mais do que nossa capacidade de ler

e escrever, e assim nos vemos perdidos, reprovados, falhando em nossas ambições acadêmicas. “Tudo vai dar certo” deixa de ser um consolo, um alento, uma esperança. Passa a ser uma obrigação. E então todos concluem que a melhor coisa a dizer quando alguém termina um relacionamento é que logo isso vai passar. Que aquela dor que lhe é insuportável, vai logo terminar. Todos se apressam a lhe dizer que aquele sentimento de ter seu fígado moído dentro de seu intestino e retirado pela sua boca junto com o estômago vai logo ser substituído pela visão de coelhos saltitantes. Termine um relacionamento, seja ele longo ou curto, bom ou ruim, e verá instantaneamente brotar ao seu lado alguém para lhe dizer que “tudo vai dar certo”. Não, nada vai dar certo. Você acabou de terminar oito anos de um relacionamento. Ou melhor, você acabou de terminar um relacionamento de uma vida inteira, de um passado compartilhado, de um futuro no qual você não conseguia mais imaginar outra pessoa, e agora, não há ninguém. Mesmo assim, aparece alguém para lhe dizer “tudo vai dar certo”. Ledo engano. Pior do que isso, sinto-me enganado ao ouvir tal afirmação. Chega a ser uma provocação. Será pedir muito para que respeitem o momento uns dos outros? Será que é impossível para as pessoas deixarem doer? Seu animal pode morrer, sim, e você vai sofrer. Você pode não entregar a monografia, e vai sofrer. Seu relacionamento acabou e não vai mais voltar. Sofra. Sofra muito. Você precisa. Mais do que isso: é direito seu. Você merece sofrer à vontade, sem ter alguém a seu lado dizendo de forma inconsequente “tudo vai dar certo”. Quando dizemos isso, queremos acreditar nisso. Esquecemos, no entanto, que quem escuta até gostaria de acreditar, mas sabe, mais do que ninguém, que as chances do animal sobreviver são pequenas, que a capacidade de escrever não é tão grande, e que a perda de um amor é um caso único. Podemos e devemos respeitar essa dor, ao invés de sufocá-la com um sentimento inútil e opressivo de que tudo dê certo. Talvez nada dê certo. O melhor a fazer é sofrer para entender a dor e aí, sim, recomeçar.

Vitor Sampaio é psicólogo, pós-graduado em psicologia clínica e mestrando da linha de fenomenologia-existencial


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ANTROPOSOFIA HOJE Sua saúde, pelo olhar antroposófico A antroposofia tem um olhar próprio. Para ela o ser humano não é apenas um corpo, mas quatro. Além do corpo físico o homem se constitui do corpo vital, que está presente desde os vegetais, do corpo anímico, que está presente nos animais, e finalmente, do quarto corpo, presente apenas no ser humano, e que o caracteriza sua “imagem e semelhança a Deus”, o Eu. Para ela nosso organismo funciona em três grandes sistemas: o Sistema Neuro Sensorial (SNS), frio, estático, consciente, de baixo metabolismo ligado ao pensar. No outro extremo, o Sistema Metabólico Motor (SMM), constituído das regiões visceral e musculoesquelética é quente, dinâmico, praticamente inconsciente e de alto metabolismo, está ligado à vontade. E o terceiro, que media a comunicação entre os extremos, o Sistema Rítmico (SR), constituído pelo coração e o pulmão, órgãos de ritmo involuntário, que se comunicam entre si e levam vida para ambos extremos, neste reside o sentir. Para a antroposofia o ser humano exibe quatro tipos de temperamento. O colérico, o melancólico, o fleumático e o sanguíneo, sendo que muitos indivíduos apresentam,

às vezes, caracteres de mais de um desses temperamentos. Para a antroposofia o desenvolvimento humano acontece em ciclos de sete anos. O que significa interpretar que a cada sete anos novos serão os objetivos e desafios bioespirituais de cada pessoa. Portanto, a biografia é fato primordial na anamnese antroposófica. Para a antroposofia não temos só cinco sentidos, temo doze. Sim, pois não somos só visão, audição, tato, olfato e paladar, temos também o sentido do equilíbrio, o sentido térmico, o sentido do movimento, o sentido da palavra, o sentido da saúde ou da vitalidade, o sentido do pensamento e o sentido do Eu alheio. Ainda na visão antroposófica são sete os processos vitais humanos e são sete os planetas aos quais temos uma grande ligação cósmica. Assim, torna-se fácil entender que a proposta da antroposofia como ampliação da arte médica reside em buscar entendimento de qual foi o desequilíbrio que facultou a instalação de uma doença. Um olhar holístico para o indivíduo atento à sua biografia, ao seu ambiente de vida, às suas características constitucionais bem como à configuração de seus corpos e sistemas tentará resumir a doença como fruto de um desequilíbrio sim, mas também e sobretudo, como um alerta da necessidade e oportunidade evolutiva individual de cada um de nós. ayrtondaniel@globalmedic.com.br

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Coaching: uma janela para a alma A maior parte das dispensas e insucessos no trabalho ocorre por motivo comportamental. As pessoas possuem traços de personalidade que elas mesmas e as pessoas próximas conhecem. Elas também podem ter certos traços que são um segredo pessoal. Até aqui, tudo bem. O problema surge quando os outros veem nela algo que ela mesma não enxerga ou quando certas motivações existem sem o conhecimento dos outros e nem da própria pessoa. Nesses casos, a pessoa pode procurar ajuda psicológica porque se sente estranha; adoeceu fisicamente; ou suas relações de trabalho ficaram tensas ao ponto de terem se tornado improdutivas, e estar a ponto de perder o emprego. Como psicólogo, deparei com todas essas situações e é gratificante perceber como o coaching pessoal serviu de janela para acessar a alma e ajudar a pessoa a explorar no-

vas possibilidades indo do aconselhamento sobre caracMiguel Antonio terísticas pessoais e se desde Mello Silva dobrando Psicólogo (CRP 06/37737-2) para aspectos mais pessoais, abrindo a janela para novos vislumbres da alma. No coaching pessoal, o que inicialmente parecia ser uma questão circunscrita ao trabalho pode se mostrar como algo que pertence a outros sistemas: da relação consigo próprio, familiar, social e até mesmo espiritual. Nesses casos o que, a princípio, parecia ser um problema de maior monta, com o coaching, se converte em uma oportunidade de mudança ampla para alguém que, agora, abriu uma janela voltada para a sua alma e pode ser e fazer diferente.

CONTATO: (19) 3213-4716 / 3213-6679 ou psicmello@gmail.com

O que é psicopedagogia? Fernanda Junqueira

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endo uma área de conhecimento interdisciplinar, a psicopedagogia tem como objetivo o estudo da aprendizagem humana. Surgiu da necessidade de auxiliar a busca de soluções das questões que envolvem as dificuldades e/ou problemas de aprendizagem que transcendem a pedagogia e a psicologia. A atuação do psicopedagogo acontece como forma de prevenção ou terapêutica e pode ocorrer dentro das áreas: Clínica – contendo a prevenção e métodos para trabalhar o aprender; Institucional – dentro de escolas, empresas com processos de aprendizagem individual ou organizacional, em parceria com psicólogo e profissional de recursos humanos e ONGs; Hospitalar – em conjunto com outros profissionais no que diz respeito à continuidade do processo do aprender. Tendo caráter multidisciplinar, a psicopedagogia atua em parceria com diversas áreas, sendo a psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, neuropsicologia, neurologia – medicina, tendo então, diversas faces

e múltiplos olhares para uma queixa apresentada. Sendo assim, a psicopedagogia vem analisar o educando como um todo, um ser biopsicossocial e não somente seu fracasso escolar ou a dificuldade em não aprender um novo conceito. Muitas vezes as crianças sentem-se intimidadas e não conseguem falar sobre seus problemas e é por meio de desenhos, jogos, brincadeiras que elas demonstram suas angústias. Então, após a avaliação e identificada a dificuldade (cognitiva, motriz ou afetiva) o psicopedagogo utiliza diversas atividades como jogos, brinquedos, brincadeiras, histórias e outros recursos que forem oportunos, facilitando a assimilação de novos conteúdos. Portanto, podemos dizer que a psicopedagogia clínica tem como papel principal retirar crianças, adolescentes e adultos de suas condições de não aprendizado, permitindo perceber suas potencialidades e recuperando seus processos internos, tanto nos aspectos cognitivos como nos afetivo-emocionais. Fernanda Junqueira é psicopedagoga institucional e clínica, neuroeducadora e coaching life. Integra a equipe da Cia Vita, espaço de bem-estar e tratamento holístico em Campinas.


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WORKSHOP 5D: NOVO CONCEITO DE VIDA Hoje em dia, o stress, a falta de tempo, a desarmonia na família nos desgastam demais. Provavelmente você não se sente compreendido, valorizado, reconhecido ou aceito; e na procura de uma solução, sente-se cansado e desanimado. Talvez hoje você gostaria de poder viver de forma tranquila, plena e com mais satisfação. 5D: NOVO CONCEITO DE VIDA, consiste em 5 ferramentas: 1. Percepção de resistência 2. Dimensão física 3. Consciência sensorial 4. Detectar e transformar 5. Eficiência da prática Essas ferramentas promovem seu bemestar, potencializando uma economia significativa do seu tempo, energia e dinheiro. VIVA 2013 REPLETO DE REALIZAÇÕES com esse novo conceito de vida! Uma equipe de quatro profissionais – a psicóloga Sueli Repulho, a massotera-

peuta Silvana Vicentim, a chef de cozinha Sabrina Repulho e o personal trainer Fellipe Meirelles estarão apresentando e treinando esse novo conceito, num workshop que promoverá o upgrade que você deseja em sua vida. Investir em você mesmo é a oportunidade de sucesso que está sempre ao seu alcance ! DESTINADO ÀS PESSOAS QUE QUEREM SENTIR O SUCESSO COMO UMA CONSTANTE EM SUAS VIDAS! Inscrições até 14/11 (serão premiadas com uma consulta particular com um dos profissionais a sua escolha, com dia e horário agendados) Data: 8/12 – Horário: das 9h às 18h30 – Local: CENAPEC (Rua Mogi das Cruzes, 255 - Campinas). Contato: 19-3327.6228 ou 11-98561.6484 - contato@psicologasu.com.br Investimento: R$ 200,00 (Fazendo duas inscrições=10% de desconto)

WORKSHOP RODA DA ABUNDÂNCIA Como é sua relação com o dinheiro? Como você o administra? Ele parece lhe escapar entre os dedos? Venha entender e resolver sua relação com o dinheiro, afinal... QUEM É DONO DE QUEM??? Destinado às pessoas que querem fazer sua Prosperidade Acontecer! Grupo limitado a 15 pessoas Inscrições até 15/11 (ganham uma sessão de coaching individual)

Psicóloga Sueli Repulho Rua Agudos, 3 - Ipiranga - São Paulo Data: 25/11 – Horário: das 9h30 às 12h30 Investimento: R$150,00 Fazendo duas inscrições = 10% de desconto Inscrição: contato@psicologasu.com.br www.psicologasu.com.br Fone: (19) 3327.6228, com Sueli ou (11) 96704.2252, com Carmem.

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A espiritualidade e a psicologia Vera Saldanha

É

primavera, flores, cores, perfume, beleza, sutileza. Traz para a vida o encanto das cores do arco-íris, toca nossos sentidos e nossa alma. Tem o poder de nos fazer sentir pertencentes a algo muito maior do que nosso próprio eu. William James definiu a psicologia como o estudo da consciência, quando esta separou-se da filosofia e adquiriu o status de ciência. Entretanto, como um longo ciclo de inverno, a espiritualidade se manteve presente na psicologia sob forma de sementes, ou mesmo como árvores resistentes, isoladas, que podem perder suas folhas mas se mantêm firmes em pé com a certeza da chegada de novos ciclos promissores. Muitos são os autores que regaram essas árvores, tais como Carl Gustav Jung, Jacob Levi Moreno, Vitor Frankl, Abraham Harold Maslow, entre outros. A espiritualidade pode ser conceituada como busca pessoal pelo entendimento de respostas a questões sobre a vida, seu significado e relações com o sagrado e transcendente, que pode ou não estar relacionada a propostas de uma determinada religião (Koenig et alli, 2001). Diferentemente, religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos projetados para auxiliar a proximidade do indivíduo com o sagrado e/ ou transcendente (Koenig et alli, 2001). Assim na saúde, educação, organizações, ter escuta para essa dimensão, inserir recursos que mobilizem a espiritualidade é muito mais que um modismo passageiro, é realmente oportunizar um trabalho com qualidade, que promove resultados exitosos. Sem dúvida tal inserção precisa ser feita sob a orientação de uma metodologia científica, validada, demonstrada. Essa é nossa intenção quando propomos a AIT (Abordagem Integrativa Transpessoal), objeto de nossa tese de doutorado na Unicamp e

resultado de um trabalho aplicado há mais de duas décadas. Apesar da relevância da espiritualidade na vida saudável do ser humano, ainda pouco se divulga ou se faz, especialmente na psicologia, na qual certamente deveria ser o grande canteiro de obras e pesquisas nessa área. Este ano comemoram-se 50 anos da psicologia no Brasil. Somos o país que congrega o maior número de psicólogos devidamente representados em sua categoria de classe. No mundo os dados divulgados pelo Jornal do Conselho Federal mostram que há no Brasil 216 mil psicólogos no Cadastro Nacional de Psicólogos do Sistema Conselhos de Psicologia; entretanto muito pouco da psicologia e espiritualidade é apresentada como prática psicoterapêutica devidamente embasada, fundamentada no Brasil. Há dois grandes blocos de profissionais predominantes: os que excluíram a espiritualidade em face de sua opção metodológica e outro que inclui a espiritualidade como fator relevante em sua prática psicológica, mas não a faz valer em sua representação de classe. É o momento dos psicólogos se posicionarem mais sobre a espiritualidade na prática clínica, educacional, organizacional, ou seja, na sua prática profissional. Há associações, conselhos, coordenação, institutos e federações de representação de classe nas quais podemos ser atuantes com um imenso contributo de retorno para o ser humano. Além disso, é uma sugestão não só para os psicólogos participarem mais ativamente, como também extensiva, para todos os profissionais. Muitas associações incluem não psicólogos, áreas diversas além da prática clínica. É importante nos mostrarmos mais, de validar em nossa profissão aquilo que já é validado como qualidade de vida: a espiritualidade. Vera Saldanha é psicóloga, doutora em Psicologia Transpessoal e presidente da Alubrat Brasil


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Líricas Bulhufas MARCELO SGUASSÁBIA

Vida de santo Engana-se quem pensa que vida de santo é um infinito dolce far niente. Nem ao mais preguiçoso deles é dada a graça de ficar chupando chicabon eternidade afora. E aquele estereótipo de se recostar em nuvens, entre cânticos e cítaras, é mais coisa de anjo que de santo e anjo de quadro barroco, idealizado e fora de contexto histórico. Santo passa maus bocados, verdade seja dita. E nem por isso os devotos lhes tratam com o devido respeito, o respeito que o santo, justamente por ser santo, exige. Por exemplo, esse estranho hábito terráqueo de entornar no mínimo 10% da cachaça no chão da venda, dizendo que é pro santo. Posso dizer com certeza que todos eles abrem mão da homenagem e passam muito bem sem ela. Se gostasse mesmo de água que passarinho não bebe, santo não seria santo. Muito pelo contrário. Depois, tem outra: manda a Justiça Divina que, toda vez que se oferece algo pro santo, e não se especifica pra qual santo é o presente, a oferenda seja repartida por todos indistintamente. Vai daí que cada gole oferecido é dividido, em partes iguais, para a santosfera inteira. Sabendo-se que os santos são atualmente milhares, a cada um cabe geralmente uma gotinha de nada – e não é isso que vai desviar a santaiada do bom caminho. Até aí, nada de mais. Mas acontece que se a gente levar em conta que cada pinguço manda pra goela pelo menos uns três copos da marvada, e que só no Brasil temos milhões de alcoólatras, o estrago divino é grande, provocando em vários deles internações frequentes – quando não diárias. E as mais prejudicadas são as santas, que com um ti-

quinho de martíni já estão trançando as pernas. Outro problema sério são as imagens dos santos – tanto as pintadas quanto as esculpidas. Tem santo lá em cima que excomunga sem dó alguns dos displicentes artistas terrenos, pela falta de semelhança deles com as imagens que os representam. Esse tipo de episódio produz verdadeiras catástrofes estéticas. Outro dia mesmo toda a corte celeste saiu em passeata, com cartazes, faixas e gritos de guerra, protestando contra um lote de 250 estátuas de Santa Edwiges que saiu de fábrica com cara de Rita Cadilac. Um repulsivo sacrilégio, que merece punição exemplar. Para evitar novos contratempos, São Tomé propôs em assembleia a instituição do selo “Ver para Crer”, que certifica a imagem beatificamente reconhecida, ou seja, aquela que tem a bênção do respectivo santo e que guarda nítida semelhança com a sua figura dos tempos de carne e osso. Além desse tipo de desrespeito, há também injustiças que agridem e irritam a turma de auréola. A maldosa e irônica expressão “Na descida todo santo ajuda” vem merecendo, de uns tempos para cá, um revide da parte dos ofendidos. Julgam eles que a frase denota uma certa acomodação, dando a entender que os santos têm braço curto e que não se empenham nas tarefas mais difíceis, onde só um milagre pode resolver a parada. “Não vamos ajudar mais na descida, ainda que o carro do sujeito esteja sem freio. Pois que se espatifem, aprendam a lição e vão para o inferno” desabafa um conhecido santo, que não quis se identificar. Marcelo Sguassábia é redator publicitário

Luz na escuridão Para o yoga, o sentido chamado “visão” é representado pelo elemento fogo, pois só se pode ver porque existe luz. Não adianta ter o aparelho perfeito chamado “olho” para enxergar, pois na ausência de luz só é possível ver a escuridão. Pode-se enxergar pois existe a luz do Sol (que também representa o fogo). À noite, essa mesma luz solar reflete e revela a Lua, e na ausência do Sol e da Lua, a fogueira, a vela ou a luz elétrica trazem a possibilidade de iluminar a escuridão. Simbolicamente, essa mesma escuridão pode estar dentro de nós e é chamada ignorância. Existem vários tipos de ignorância, mas a maior delas é a ignorância de si mesmo. Ao se perceberem apenas como egos, seres limitados e finitos, muitas pessoas ig-

noram o sentido maior da Existência, que é o autoconhecimento, e vivem na escuridão. Para ver ext e r n a m e n t e , Márcio Assumpção Professor de ioga e diretor precisa-se de do Instituto de Yogaterapia uma fonte de luz; para ver internamente é necessária a luz interna chamada Consciência. Acender essa luz depende da vontade e da escolha de cada um. A sociedade atual é visual: televisão, internet e toda forma de aparelho apela pelo aspecto visual externo, mas também é preciso “ver internamente”, olhar para dentro de si é lançar luz na escuridão e o resultado é a felicidade em viver uma vida com significado e plena.


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Sacrifício ou contribuição? Ciranda cirandinha, vamos todos cirandar C Kelly Albrecht

ulturalmente aprendemos que a vida é repleta de sacrifícios e batalhas. Ouço muitas pessoas encontrando dificuldades para tudo – isso é difícil, aquilo é difícil, empecilhos, imprevistos, muitas coisas atrapalhando seus planos, sonhos; muitas limitações que impedem realmente de começar a enxergar soluções. Como resolver sem dificultar? O que eu faço sem me lamentar ou culpar? E a mensagem oculta de sacrifício continua implícita, gravada na mente. Muitas fontes que poderiam transmitir mensagens capacitantes persistem na ideia: não importa, o que quer que você faça, haverá sacrifício! Novelas mostram diariamente do ingênuo ao vilão, todos têm seus sacrifícios, ou seja, existe um limite. Não se esforce muito porque não adianta: você esbarrará no limite, você terá que se sacrificar. A mídia procura disseminar a viver no automático, alimenta a distração porque é um alivio ao “sacrifício” e a grande maioria das pessoas vive nesse ritmo. O que poderíamos ter aprendido em lugar disso é o modelo de contribuição. Ou achamos mesmo que nosso Criador quer sacrifício? Tivemos um grande modelo de contribuição que deixou muitos exemplos sobre milagres possíveis para aqueles que acreditam, Ele contribuiu ativamente e o Criador nos abençoou com o benefício de controlar nossa mente e sermos capazes de dirigi-la para qualquer finalidade. Ora, estamos no controle da nossa mente. Também estamos no controle da nossa vida e, se é isso que acontece, são nossos pensamentos a fonte geradora de tudo que vivemos. No automático, você perde o controle de seus pensamentos e vive conforme o ritmo alienado. Alguns lampejos de pensamentos ocorrem, mas ainda não são suficientes. Afastados do senso de contribuição que não é de domínio material, existe a contribuição muito mais expressiva, quando usamos forças que

são nossas, como afeto, paciência, compreensão, palavras de estímulo e muitas outras ofertas generosas que não necessitam de nenhum recurso material, só requer um pouco de dedicação, tempo e pensamento. Fica a pergunta: como posso contribuir? Contribuindo no trabalho, na família, nos locais que frequenta, nas redes sociais que participa! Você começa a assumir o controle sobre sua vida levando-a para circunstâncias de gratidão, de bem-estar. Sairá do sacrifício para o controle firme sobre o seu futuro. Não importa o ontem, importa de hoje em diante e todos merecem novas oportunidades. Pare de acreditar que o passado te condena. Isso é conversa. Ontem, enquanto uma ONG local fazia uma campanha em benefício de crianças carentes, eu ouvia, perplexa, a queixa de muitas pessoas: “Nossa, que apelação!”, e me pergunto: até onde chega o nível de alienação? Sem sombra de dúvida, muitos não se importam com a triste realidade de crianças abandonadas à própria sorte e há quem pense: “eu não tenho culpa disso”! Novamente, não precisa ter sacrifício nem culpados. Precisamos aprender a contribuir, perder a desculpa de pensar “eu sozinho não posso mudar o mundo”. Você faz a sua parte (do jeito que puder), eu faço a minha parte e cada um faz a sua. O que lhe parece agora? Parafraseando o filósofo Mario Sergio Cortella: “Somos um entre 6 bilhões e 400 milhões de indivíduos, que compõem uma única espécie entre 3 milhões de espécies identificadas que vivem num planetinha que gira em torno de uma estrelinha que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma única galáxia entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis...”. Pense nisso. Pare de se sacrificar e comece a contribuir. Você verá o milagre!

Kelly Albrecht é coach, psicóloga e orientadora vocacional

Deborah Dubner

Quando eu era pequena, gostava muito de brincar de ciranda cirandinha. Eu não entendia porque exatamente era tão gostosa essa brincadeira singela e repetitiva. Mas era comum, na hora do recreio, a turminha se reunir em roda e cantar essa e outras músicas que relembram tempos de antigamente. Cresci e esqueci. Os adultos costumam esquecer essas coisas importantes, por não acharem importante. É de se pensar nisso... em quantas coisas significativas esquecemos, pelo simples motivo de não ter motivo. Acontece que a vida, nesse “ir crescendo”, coloca à nossa frente situações que nos fazem lembrar. De repente, por sorte, merecimento ou alegria, somos conduzidos para lugares e pessoas que abrem dentro da gente portinhas que estavam trancadas, empoeiradas e esquecidas. Como é curioso encontrar verdadeiros salões que moravam dentro da gente e que nem habitávamos! Saber que eles estavam aqui, dentrinho do nosso ser, silenciosos, transparentes e adormecidos! Aí acontece um “encontrão”, um “esbarrão”, que chacoalha tudo como se fosse um liquidificador de memórias e sentimentos, e tudo sai do lugar. O que era importante se torna irrelevante. A rotina pede urgência de encontro e a noção do tempo escorrendo toma conta da dimensão do corpo e da alma. O “encontrão” que me aconteceu foi a dança circular. A roda girou, girou e me levou para todas as rodas da minha vida, trazendo profundidade e beleza. Me espantei com a possibilidade de passar por um processo tão transformador, sem dor. Não sei por que nós achamos que para haver mudança necessariamente deve haver dor. Foi

a primeira vez que senti que é possível chegar no profundo amor pelo caminho da beleza, suavemente, sem dramas. Fiquei espantada! Dançar em roda traz a magia da infância, a pureza da criança, a leveza do brincar. Os movimentos do corpo refletem o viver em todas as suas nuances: dar e receber, pedir e agradecer, abrir e recolher, ser aceito e aceitar, andar e parar, cantar e silenciar, seguir em frente e andar para trás, começar e terminar, cansar e energizar, sorrir e chorar. A dualidade da vida está presente na roda de dança circular sagrada como um som invisível ou uma luz silenciosa, na dimensão do nosso ser que, inalcançável, nos alcança. A música e o olhar, linguagens que só a alma entende, envolvem os dançarinos em uma atmosfera circular de desassosego e calmaria, liberdade e vergonha, medo e coragem. Novamente, a dualidade se faz presente em ritmo acelerado, enquanto o coração bate no seu próprio compasso, misturando-se a todos os passos. Do meu mais puro dentro, abracei o todo. Do som mais meu, mergulhei no som de todos. Do meu gesto mais único, misturei nas mãos dos outros. De repente, não sabia mais quem era eu, porque tudo era tão grande e eu tão pequena. Mas como eu era parte, então eu também era expandida, do tamanho do vasto universo.... Tudo isso eu vivi. E sem que ninguém precisasse me explicar, compreendi. O verdadeiro sentido religioso se fez presente no centro, em volta, aqui e acolá. O caminho do amor é tão simples.... Lembrei, então, da minha criança cirandando e pensei: “Como é bom voltar pra casa!” Deborah Dubner é escritora, psicóloga e jornalista


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INDICADOR TERAPÊUTICO

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Viva Bem elianamattos@uol.com.br

Bate-papo A

ndando pelo centro de Indaiatuba, vejo duas grandes lojas já com enfeites natalinos. Confesso que não gosto. Claro que amo esses enfeites! Natal, árvore colorida, luzinhas, ceia. Mas pra que tanta antecedência? Sim, já sei qual é a resposta: antecipar as vendas. O que me entristece mais ainda. Sinto com tudo isso que cada vez mais o Natal perde o seu encanto. Cada vez mais acaba sendo uma data meramente comercial. As crianças já não acreditam em Papai Noel ou param de acreditar cada dia mais cedo. Com isso o Natal deixa de ter toda aquela magia que havia até alguns anos atrás. Quando vi essas duas lojas lindamente decoradas, senti uma saudade de mim mesma, de pelo menos uns 25 natais atrás. Que expectativa se vivia quando começava a segunda metade de novembro... O cardápio da ceia que era decidido em família... O amigo-secreto, que era sorteado geralmente no dia 21 de novembro, aniversário de minha cunhada... O arrumar da árvore de Natal, cada ano com cores e enfeites diferentes. E a guirlanda? Sempre tive paixão por elas e a cada ano eu transformava a anterior numa quase obra de arte. Eram laços coloridos, raminhos, pinhas... Dizia naquela época que gostaria de morar numa casa, com uma porta enorme só para poder fazer aquelas guirlandas imensas que se vê em filmes natalinos. Ainda hoje sou louca por elas e quem sabe um dia, quando trabalhar menos, farei guirlandas para vender, exatamente para essas casas com portas imensas, nesses condomínios maravilhosos que temos ao redor da cidade, da forma como sonhei lá atrás. Natal... Que saudades tenho dos de outrora... Claro que a vida melhorou muito nos últimos 30 anos. Mas algumas coisas eram tão mais alegres, tão mais afetivas... Como era bom receber os cartões de Natal, com lindos desenhos de casinhas rodeadas de neve e crianças com gorros coloridos, típicos dos países gelados. Por que será que nunca fizeram cartões de Natal para o nosso dezembro calorento? Faltaria magia provavelmente. Há momentos que as saudades que sentimos de nós mesmos tornam-se cada vez maiores. E isso não tem nada a ver com idade. Tem a ver com sensibilidade. Tem a ver com lembranças de momentos felizes que você pode ter vivido em qualquer época da vida, mesmo que só tenha 30 anos. O mais importante é que essas lembranças continuem vivas em nossas mentes e que elas se acumulem com outros momentos também felizes e que não se apaguem jamais.

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Reprodução

Escalda-pés Ganhei da querida amiga Ana Maria um presente de aniversário muito interessante: uma bacia própria para fazer escalda-pés e sais com efeito relaxante. Prática das mais usadas pelas nossas avós, hoje está voltando com força total, por ser altamente relaxante após um dia estafante de trabalho. Você já experimentou fazer? Dizem que o escalda-pés já era usado 4000 a.C. para aliviar os pés depois de longas caminhadas. Eu ganhei os sais, mas você pode juntar na água quente (38º) o seguinte: * Arnica – diminui a dor * Calêndula e manjericão – antisséptico e antibactericida, combate frieiras.

* Guiné – para dores nas articulações. * Arruda – ativa a circulação. * Sal grosso – diminui edemas. * Cravo/canela/alecrim – estimulante. * lavanda/cidreira/camomila – relaxante, estimula o sono. Amei o presente e disse para a Ana Maria como é bom quando você tem amigos que conhecem bem o seu perfil. Assim não tem como errar ao presentear.

FORNO & FOGÃO ESPECIAL Recorte e guarde estas receitas para suas ceias de final de ano

Biscoito de Natal (para pendurar na árvore) Ingredientes: 1 ovo 12 colheres (sopa) de margarina 15 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro 1 colher (sopa) de casca de laranja ralada 1 colher (sopa) de casca de limão ralada 1 colher (sopa) de especiarias (canela em pó, cravo-da-índia moído, noz-moscada ralada e gengibre ralado) 150 g de frutas cristalizadas picadas 25 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada Modo de fazer: Em uma tigela, bata o ovo com um batedor manual por 30 segundos. Reserve. Bata na batedeira 12 colheres (sopa) de margarina e o açúcar, por 3 minutos ou até obter um creme

esponjoso e esbranquiçado. Aos poucos, adicione o ovo batido, mas sem parar de bater até ficar homogêneo. Acrescente as raspas da laranja e limão, as especiarias e a frutas cristalizadas e bata mais um minuto. Aos poucos, adicione a farinha mexendo delicadamente até ficar uma massa grumosa. Faça uma bola com a massa e embrulhe-a em filme plástico. Leve à geladeira por 30 minutos. Em seguida, ligue o forno à temperatura média. Abra a massa em uma superfície lisa entre dois pedaços de papel manteiga em uma espessura de 3 cm. Com um cortador com motivos natalinos, corte a massa e distribua em três assadeiras untadas com margarina. Leve ao forno por 15 minutos ou até começar a dourar. Retire do forno e depois de um minuto retire os biscoitos com uma espátula. Ainda quente, fureos com um palito para depois de frio você passar um fio e pendurálos na árvore de Natal.

Farofa tropical para a ceia Ingredientes: 1 manga madura e firme picada em cubos ½ abacaxi maduro cortado em cubos médios 1 maracujá 1 cebola picadinha 2 xícaras (chá) de farinha de mandioca torrada 2 colheres (sopa) de salsinha picadinha 2 colheres (sopa) de margarina

Modo de fazer: Em uma frigideira coloque a margarina e deixe aquecer. Coloque a cebola picadinha e refogue. Acrescente as frutas e envolva-as na cebola. Deixe cozinhar por uns cinco minutos. Acrescente a farinha de mandioca já torrada só para aquecer e misturar com as frutas. Experimente o sal. Por último, acrescente a salsinha.


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BEM NUTRIR

Água para todos Laerte Scanavaca Júnior

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água é o bem mais precioso da Terra, ela não há vida, por isso é preciso cuidar melhor dela. O Brasil é privilegiado neste recurso. É o país com a maior disponibilidade mundial de água, mas não é por isso que podemos desperdiçá-la tanto como temos feitos há séculos. É necessário manter ou aumentar sua produção e racionalizar sua utilização. A maior floresta do mundo é a Amazônica com 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 3,8 milhões estão no Brasil. A maior bacia hidrográfica do mundo também é a amazônica com 2.220 mm/ ano de precipitação, em média. A Bacia do São Francisco, no semiárido brasileiro, apresenta uma precipitação média de 916 mm/ano. Isso não é coincidência, a floresta produz e conserva água. A Amazônia representa 60% da superfície do Brasil e produz 72% de sua água. Mais do que isso, a floresta purifica ou limpa e depura (elimina os micro-organismos que causam doenças em humanos e outros animais) a água. Essa relação floresta-água é especialmente importante

na Amazônia porque a região é uma bacia sedimentar terciária, portanto é uma planície (em planícies não é possível fazer hidroelétricas por que para geração de energia, além de água em grande volume, também é necessário haver um acentuado desnível). Esta planície é extremamente pobre porque é formada por solos lixiviados da Cordilheira dos Andes, são areias quartzosas ou latossolos amarelos distróficos. A riqueza da floresta amazônica vem da camada de matéria orgânica acumulada em milhões anos. A água da chuva contém todos os macro e micronutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas. As florestas, por possuírem um sistema radicular profundo e um ciclo de vida longo, conseguem captar estes nutrientes disponíveis na chuva e vão enriquecendo o solo com o passar dos anos. Portanto, os milhares de anos possibilitaram a criação daquela floresta exuberante. Se você cortar a floresta, seja para plantar soja ou criar gado, você quebra esse ciclo. O solo é extremamente pobre. As cinzas da floresta queimada contêm nutrientes que conseguem sustentar a soja, ou pastagem ou ou-

tra cultura qualquer por três a cinco anos, no máximo. Depois disso, o solo volta ao seu estado original e não consegue sustentar nenhuma cultura. Esqueça preço e logística, nem com todo adubo existente no mundo consegue recuperar os solos da Amazônia. Portanto se a floresta for cortada, aquela área se transformará num deserto, como são o deserto do Saara (África) e outros nas regiões tropicais do mundo. A floresta amazônica funciona como uma bomba de sucção, sugando água do Oceano Atlântico. Utiliza 50% da água que chega do Oceano. Os outros 50% vão até as Cordilheiras dos Andes e em função dos ventos descem. Deste modo, 50% das precipitações das regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil, chegando até a Bacia do Prata, na Argentina, são abastecidos pela floresta amazônica. Ou seja, em nossa região, cuja precipitação é de aproximadamente 1.500 mm/ ano, sem a floresta amazônica nossa água cai pela metade também. O que será possível produzir com 750 mm/ ano de água? Mandacaru, palma, juazeiro e outras espécies do semiárido. Desta forma, a região sudeste, que hoje é celeiro do Brasil, precisará importar alimentos de outras regiões. Então, o primeiro problema nosso, que é produzir água, é relativamente fácil de conseguir. É só preservar a floresta amazônica. O se-

gundo, que é utilizá-la racionalmente, é um pouco mais difícil, mas não impossível, e mais, é importante, é necessário, e todos estamos convocados a participar desta campanha. Os setores florestal e agrícola têm de fazer uso mais racional da água, irrigando as plantas no início ou final do dia para diminuir o consumo e para que a absorção pela planta seja mais efetiva. Também devem utilizar tecnologias mais limpas, que consumam menos e reutilizem a água e ainda a purifiquem antes de devolvê-la. Os governos devem procurar fazer saneamento básico em todo o território nacional, além de captação e tratamento de esgoto. Recompor as APPs, que barateiam os custos dos tratamentos e ajudam a evitar enchentes nas grandes cidades. O cidadão comum deve economizar água em tudo que for possível, fechando a torneira enquanto escova os dentes ou se barbeia, tomar banhos mais curtos, cozinhar em panelas de pressão ou fechadas, não varrer calçadas ou quintais com água, lavar o carro com água armazenada em baldes ou outros recipientes e não com mangueiras. Todos temos que fazer nossa parte. A natureza agradece. Laerte Scanavaca Júnior é pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

PEIXES OLEOSOS: ALIMENTOS PODEROSOS PARA UMA DIETA EQUILIBRADA Cozido, grelhado, assado, frito, cru ou à milanesa, os peixes são ricos em proteínas e indispensáveis para uma dieta saudável. Ao contrário do que se imagina, os peixes oleosos também são alimentos poderosos e trazem inúmeros benefícios à saúde. Por isso, devem estar presentes à mesa. Conhecidos pelo sabor peculiar, os peixes oleosos como salmão, atum, sardinha, arenque e cavalinha são importantes fonte de ômega 3, com exceção do atum enlatado, que tem pouca quantidade dessa substância. Além de

um excelente anti-inflamatório natural, o ômega 3 evita doenças do coração, coágulos no corpo e atua nas doenças ósseas. Estes peixes possuem diversas propriedades terapêuticas como redução da pressão arterial, do nível de colesterol total e do LDL (colesterol ruim) e diminuição dos coágulos do sangue. Eles ainda atuam em doenças inflamatórias como dermatite, artrite reumatoide, psoríase e inflamações no intestino grosso (colites) e protegem o organismo de câncer, aumentando a resistência do corpo.

Ao ingerir ômega 3 é necessário aliar às receitas alimentos fontes de vitamina E para proteger as propriedades atuantes do ômega 3 de serem oxidadas. Sementes como nozes, amêndoas e avelã são fontes da vitamina E. Já os óleos de girassol e linhaça são responsáveis pela vitamina D. Os peixes defumados, em geral, também são excelente fonte de ômega 3. Na preparação de peixes defumados é adequado associar alimentos que contenham vitamina C, pois também evitam a oxidação e produção de substâncias tóxicas que são subprodutos dessa degradação.

O ideal são duas refeições de peixes na semana, em torno de 250 gramas para mulheres e 400 gramas para homens. Vale lembrar que a ingestão de mais de 700 gramas por semana não produz benefícios adicionais à saúde. De acordo com estudos realizados no Instituto do Coração e Pulmão dos EUA, o consumo de 50 gramas de peixe defumado ou 100 gramas de salmão por dia evitam ataques cardíacos. (por Sylvana Braga, nutróloga, reumatóloga, fisiatra e especialista em prática ortomolecular)


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NOVEMBRO/2012

Jornalzen Novembro 2012  

Jornal mensal referência em terapias holísticas, saúde, cultura, educação, bem-estar e qualidade de vida. Há sete anos no mercado, circula e...

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