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JORNALZEN ANO 8

OUTUBRO/2012

AUTOCONHECIMENTO

SAÚDE

nº 92

CULTURA

R$ 1,50

www.jornalzen.com.br

BEM-ESTAR

CIDADANIA

Silvia Lá Mon

NOVAS COLUNAS

MOMENTO DE REFLEXÃO

ANTROPOSOFIA HOJE Divulgação

JOÃO BATISTA SCALFI Pág. 6

TESOUROS DA VIDA JULIANO SANCHES Pág. 7

LÍRICAS BULHUFAS MARCELO SGUASSÁBIA Pág. 15

ARTIGO

Educação, caminho certo para a paz Pág. 8

ZENTREVISTA Nye Ribeiro

Ayrton Daniel Ribeiro Filho (foto) é especialista pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp). Sua formação compreendeu a graduação em Medicina na UFRJ, seguida de residência médica em Ginecologia e Obstetrícia na Unicamp, com mestrado e doutorado. Possui MBA em Gestão de Saúde pela FGV e pósgraduação em Psicologia Analítica Junguiana pela Unicamp. É membro da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), com formação em Medicina Antroposófica, tema básico de sua coluna. Pág. 13

CULTURA DE LETRAS Divulgação

ASTROLOGIA Pensamentos de Padre Haroldo DA ALMA Pág. 6

Pág. 9 Amanda La Monica

Viva Bem Pág. 18

BEM NUTRIR Nutrição e saúde: supermercado ou farmácia?

Aruângua é o pseudônimo de Maria do Céu Lopes (foto). Filha de pais portugueses, nasceu em Moçambique, em 1959. A família estabeleceu-se no Brasil em 1975, onde vive desde então. Naturalizou-se brasileira em 1999 e mora em Indaiatuba. É bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e advogada. Desde 1998 tem-se dedicado às artes. Entre outras atividades, é artista plástica, ceramista e fotógrafa. Por ser ela mesma o produto de uma amálgama de várias culturas sua escrita apresenta-se por vezes como uma mistura da cultura brasileira, africana e portuguesa. Atualmente prepara a edição de novos livros, escreve contos, poesias e crônicas, algumas das quais serão veiculadas na coluna. Pág. 12

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CULTURAZEN Pág. 10

FESTIVAL DA PAZ Representantes da Unipaz-Campinas durante atividade na terceira edição do Festival Mundial da Paz, realizado de 6 a 9 de setembro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Mais de 600 eventos, entre práticas, palestras e shows, foram promovidos nos quatro dias de programação. O JORNALZEN esteve presente e participou de debate sobre mídia da paz. Confira nesta edição cobertura fotográfica. Pág. 16

VIDA & SEXUALIDADE Pág. 8


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DIRETORA Silvia Lá Mon

nossa missão: Informar para Transformar

CAMPINAS

BOSQUE BANCA DO BOSQUE - Avenida Moraes Sales, 1.748 CAMBUÍ BANCA CAMBUÍ - Rua Cel. Quirino (ao lado da padaria Massa Pura) BANCA DONA SINHÁ - Rua Cap. Francisco de Paula BANCA MARIA MONTEIRO - Maria Monteiro, 1.201 BANCA RIVIERA - Rua Coronel Silva Teles, 37 BANCA SANTA CRUZ - Rua Santa Cruz, 176 BUONA SALUTE - Rua General Osório, 1.761 CASTELO BANCA AKAMINE - Rua Barbosa de Andrade (esquina c/ padaria Pão do Castelo) BANCA NAKAZONE - Avenida Andrade Neves (balão) CENTRO ALMAZEN - Rua Barreto Leme, 1.259 BANCA ANCHIETA - Rua Barreto Leme, 1.425 BANCA CONCEIÇÃO - Rua Conceição BANCA DO ALEMÃO - Rua General Osório, 986 BANCA REAL DISNEY - Rua General Osório, 1.325 BANCA TANNO - Avenida Francisco Glicério, 1.580 CASULO ALIMENTOS - Rua Luzitana, 1.433 - loja 2 CHÁCARA DA BARRA CENAPEC - Rua Mogi das Cruzes, 255

FLAMBOYANT BANCA DO ISMAEL - Rua Mogi Guaçu (em frente à padaria Abelha Gulosa) GUANABARA BANCA DO DIRCEU - Rua Oliveira Cardoso, 62 BANCA ITAMARATI - Rua Eng. Cândido Gomide, 287 IGUATEMI LIVRARIA CULTURA (Shopping Iguatemi) PARQUE IMPERADOR BANCA CARREFOUR - Rodovia Dom Pedro I PROENÇA BANCA DO ROBERTO - Av. Princesa D’Oeste, 994 SANTA GENEBRA BANCA SANTA GENEBRA Avenida Pamplona, s/nº SOUSAS AVIS RARA Rua Rei Salomão, 295 BANCA RICCO PANE Avenida Antônio Carlos Couto de Barros, 871 TAQUARAL BANCA DO EDUARDO - Rua Thomaz Alva Edson, 115 BANCA TAQUARAL - Rua Paula Bueno, 1.260 VILA ITAPURA BANCA SACRAMENTO - Rua Eng. Saturnino Brito, s/nº VILA NOVA BANCA VILA NOVA - Av. Imperatriz Leopoldina, 100

AMPARO

CENTRO BANCA RUTH - Rua Candelária, 1 BRUMAT - Rua 11 de Junho, 711 CINE CAFÉ - Shopping Jaraguá (Rua Humaitá, 773)

CASA DO NATURALISTA - Largo do Rosário, 131 (Centro)

JARDIM CALIFÓRNIA BANCA DO JANUBA - Praça Renato Villanova JARDIM DOM BOSCO BANCA ANA PAULA - Avenida Conceição, 51 PARQUE BOA ESPERANÇA BANCA LIBERDADE - Avenida Visc. de Indaiatuba, 352 VILA NOSSA SENHORA APARECIDA PANIFICADORA A-REAL - Rua Candelária, 1.828 SAÚDE NATURAL - Rua Candelária, 1.751 VILA VITÓRIA BANCA DO JAIR - Rua Humaitá esq. Av. Pres. Vargas PADARIA GIANINI - Avenida Presidente Vargas, 472 VILA SUÍÇA PADARIA SUÍÇA - Rua Pedro de Toledo, 1.855

JORNALISTA RESPONSÁVEL MTB 25.508

HOLAMBRA ESPAÇO CULTURAL TERRA VIVA - Avenida Rota dos Imigrantes, 605

JAGUARIÚNA* NATU ERVAS - Rua Cândido Bueno, 885 (Centro) * e em todas as bancas da cidade

VALINHOS em todas as bancas da cidade

VINHEDO* DUE MONDY - Rua Eduardo Ferragut, 145 (Jardim Itália) EMPÓRIO JF - Avenida dos Imigrantes, 575 (Jardim Itália) LIVRARIA NOBEL - Avenida Benedito Storani, 111 * e em todas as bancas da cidade

CARO LEITOR: caso não encontre o JORNALZEN, ligue para (19) 3324-2159

Redação: (19) 3324-2158 Comercial: (19) 3324-2159 contato@jornalzen.com.br www.jornalzen.com.br

AGENDAZEN CAMPINAS

CIDADE UNIVERSITÁRIA BANCA BARÃO - Avenida 2 - Atílio Martini, 50

INDAIATUBA

ITAICI PADARIA NOVA GALERIA - Avenida Coronel Antonio Estanislau do Amaral, 1.257

EDITOR Jorge Ribeiro Neto

circulação: Campinas, Indaiatuba, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Valinhos e Vinhedo

PONTOS DE VENDA DO JORNALZEN BARÃO GERALDO BANCA CENTRAL - Avenida Santa Isabel, 20 BANCA DO LÉO - Avenida Romeu Tórtima, 283 BARÃO ERVAS - Avenida Santa Isabel, 506 ESPAÇO CAFÉ - Rua Christina Giordano Miguel, 250 ESPAÇO UNGAMBIKKULA Av. Santa Isabel, 1.834 IDEAL REFEIÇÕES - Rua Vital Brasil, 200 NATURALMENTE - Av. Albino J. B. de Oliveira, 1.905

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AMOR 15/10, às 19h – palestra “O futuro que se anuncia...”, com a psicanalista e escritora Regina Navarro, no auditório da Livraria Cultura (Shopping Iguatemi). Vagas limitadas. Convites e mais informações: www.anggulo.com.br/gea/ eventos.asp ou (19) 3231-5778 ANÁLISE TRANSACIONAL (101) 27 e 28/10, das 9h às 17h – curso introdutório da linha de psicologia, importante ferramenta para psicoterapeutas e estudantes de psicologia, com a psicóloga Sueli Repulho, no Cenapec (Rua Mogi das Cruzes, 255 – Chácara da Barra). Mais informações: (19) 3327-6228 e 8242-7890 ou www.psicologasu.com.br ESOTERISMO 22/10 e 5/11, das 19h30 às 21h30 – curso de introdução, com Ricardo Georgini, no Hotel Dan Inn Cambuí (Avenida Júlio de Mesquita, 139). Mais informações: contato@culturaespiritual.net.br HABITAÇÃO SUSTENTÁVEL 20 e 21/10, a partir das 9h – curso com o bioarquiteto e permacultor Marcelo Bueno, no Movimento Centro de Estudos e Terapia (Rua Barbosa de Andrade, 684 - Castelo). Inscrições e mais informações: ou (19) 3397-1221 ou comercial@construeco.com.br MOSTRA INFANTIL até 31/10, das 10h às 16h – exposição “Criança faz Arte”, com trabalhos de pintura de crianças de 2 a 7 anos da rede pública municipal de ensino, no Instituto Thomaz Perina (Rua Santo Antonio Claret, 229 - Castelo). Aberto ao público. Mais informações: (19) 3213-0398

RETIRO 2 a 4/11 – estudo sobre o livro Santíssima Trindade, com padre Haroldo Rahm, e palestras com o padre Raul Paiva, perito na Bíblia, no Loyola Centro de Eventos (Rua Dr. João Quirino do Nascimento, 1.601 - Jardim Boa Esperança). Inscrições e mais informações: (19) 3794-2528 ou eventos@padreharoldo.org.br

INDAIATUBA IOGA 20/10, das 8h30 às 11h30 – 3º Yoga é União, no Clube 9 de Julho (Avenida Presidente Vargas, 2.000 - Parque São Lourenço). Práticas de meditação e palestra de lançamento do livro Yoga Restaurativo, com Sandro Bosco, professor de iyengar yoga. Aberto ao público (levar 1 litro de leite longa vida). Mais informações: (19) 3875-9833 SAÚDE DA MULHER 27/10, das 14h às 17h – workshop “Saúde Íntima da mulher”, com a psicóloga e professora de ioga Claudia Hallgren, no espaço Corpo e Alma (Rua Alberto Santos Dumont, 974 - Vila Teller). Realização do Instituto de Cultura Holística. Mais informações: (19) 3318-0367 e 9182-5545

SÃO PAULO OSTEOPOROSE 21/10, das 8h às 12h – 5ª Caminhada de Combate à Osteoporose e palestra “Conscientização e Prevenção de Doenças Reumáticas”, com Sergio Bontempi Lanzotti, no Mooca Plaza Shopping. Levar 1 litro de leite longa vida, a ser doado ao Lar da Redenção. Aberto ao público. Inscrições (até 20/10) e mais informações: (11) 2936-8788 ou www.caminhadaosteoporose.com.br


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uando criança, Nye Ribeiro teve a sorte de ter pessoas especiais ao seu lado. Elas sempre lhe contavam histórias. Em Boa Esperança, uma cidadezinha simples em Minas Gerais, os livros infantis eram raros e preciosos, o que não impediu Nye de ter acesso a uma boa biblioteca, na escola. Tornou-se leitora assídua, o que justificava o apelido de “ratinha de biblioteca”. Lia contos de fada, poesias, fábulas e toda a coleção do Monteiro Lobato para crianças. Os livros a encantavam e a fizeram sonhar e viajar pela imaginação. Com tantas ideias na cabeça, logo começou a inventar e a escrever histórias. Eram os primeiros passos na trajetória de escritora. Com 13 anos Nye veio morar em Campinas e com 17, já era professora. Fez o curso de pedagogia e lecionou durante 18 anos. Foi na sala de aula que Nye começou a inventar histórias para motivar as crianças a ler, escrever e desenvolver atividades. Mais tarde, como jornalista, escreveu para jornais e revistas de educação, além de ter entrevistado personalidades como Paulo Freire, Leonardo Boff, Frei Betto e Rubem Alves. Trabalhou no meio editorial e publicou vários livros antes de realizar um antigo sonho, em 2003: abrir a própria editora com incentivo da filha Beatriz, na época, publicitária, e hoje, também autora. Pós-graduada em Psicologia Transpessoal, Nye Ribeiro também participa de eventos de literatura e publica obras por outras editoras. Com mais de 50 livros publicados, é constantemente convidada para participar de eventos ligados à literatura, ministrar palestras e oficinas para educadores. Nesta entrevista exclusiva ao JORNALZEN, a autora fala sobre o novo livro, Luz e Sombra, no qual defende que a literatura infantil pode ajudar o leitor a se conhecer melhor. Como a literatura infantil pode ser uma ferramenta para o autoconhecimento? Entrar em contato com a arte, a música, a dança, a literatura infantil (texto e imagens) ajuda-nos a reconhecer nossa essência, a descobrir o nosso eu essencial, espontâneo e criativo. Além de povoar a imaginação, as histórias vêm carregadas de sonhos, anseios, vitórias e derrotas, esperanças e temores. Trazem referências importantes que favorecem o autoconhecimento e a construção da identidade. Ao unir realidade e fantasia, a literatura infantil abarca todos os temas da vida, mobilizando o interesse de qualquer pessoa, em qualquer idade. Um bom livro leva a criança a perguntar e buscar respostas, desenvolvendo sua capacidade de observar, criar, comparar, estabelecer relações. As histórias infantis, contos, lendas, poesias, são permeadas pela linguagem simbólica e nos conectam com situações e lugares que não poderiam ser explicados pela mente racional. Ativam o lado direito do cérebro: nossa criatividade, nossa intuição. Revelam aspectos ocultos do nosso inconsciente e favorecem a ampliação da consciência.

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ZEN ZENTREVISTA Nye Ribeiro

LER PARA (SE) CONHECER Para a escritora e jornalista, os livros para crianças podem ser usados como instrumento no processo de autoconhecimento Divulgação

pessoas a encontrar, reconhecer e aceitar sua própria sombra para, então, poder transformá-la. De que forma a sua literatura contribui para a construção de valores? Além de povoar a infância com a fantasia e o imaginário, a literatura infantil pode favorecer uma educação comprometida com os valores humanos, pois oferece referências importantes na formação do caráter, tornando-se também uma forma de ensinar e educar. Às vezes mais do que o sermão, o discurso, conseguimos passar valores por meio de uma história, que conduz o ouvinte, ou leitor, a grandes descobertas e reflexões. Lembrando também que a criança só vai querer imitar aquilo que ela aprecia e admira, isto é, os heróis do seu tempo, em cada fase de sua vida. A literatura infantil atrai o leitor pela linguagem metafórica, pela veia da emoção e não pelo discurso racional. A história infantil não deve ser moralista (com exceção das fábulas, que trazem sempre uma lição de moral), mas de qualquer forma ela passa valores. E que valores são esses? Num livro bom, com ideias originais, criativas, os valores costumam estar nas entrelinhas, de forma bem sutil.

“O autoconhecimento é um trabalho para a vida toda. Estamos sempre em processo de transformação” A partir do título de seu novo livro, como cada pessoa pode conviver com seus lados luz e sombra? Tudo o que existe, tudo o que tem forma e substância lança uma sombra. No ser humano, além dessa sombra que podemos perceber à luz do sol, podemos também reconhecer a “sombra” – aquela parte da psique inconsciente. Por termos tanta dificuldade de aceitála não permitimos que ela encontre expressão em nossa vida. Queremos, inconscientemente, que ela continue escondida, oculta. Por isso é mais fácil, mais seguro, enxergá-la do lado de fora, projetá-la no outro. Para nós, o outro é que é egoísta, esquisito, preconceituoso. O outro sempre está errado. Somos seres humanos, imperfeitos, cheios de falhas. E é justamente essa imperfeição que nos torna humanos. Enxergando-a percebemos que não somos melhores que ninguém. À medida que vamos entrando em contato com a nossa sombra e trazendo-a para a consciência, ela assume uma forma pessoal, identificável, e dessa forma podemos transformá-la. Esse processo acabará por levar-nos a uma profunda percepção de quem realmente somos. Espero que essa história possa ajudar as

O professor pode ter algum papel no processo de formação da autoestima da criança? Sim, principalmente se ele tem consciência disso: a importância do seu papel na construção da identidade e da autoestima de seus alunos. É importante que o professor favoreça o contato da criança com as diversas expressões artísticas. A arte desperta a sensibilidade, a emoção, a intuição. O contato com a arte nos ajuda a descobrir quem somos, a reconhecer nosso potencial criativo, nossos dons. O professor pode também ler e contar histórias. Elas oferecem elementos simbólicos, por meio dos quais é possível identificar e compreender nossos sentimentos, sonhos, anseios, relacionando-os com nossas experiências de vida. Toda história traz a jornada do herói – o protagonista, que sai de casa para trilhar novos caminhos, encontrar desafios, superá-los, para depois alcançar a vitória, o final feliz. A linguagem simbólica ajuda-nos a encontrar esse herói dentro de nós, a encontrar novos sentidos para nossas experiências de vida. Os edu-

cadores (pais, professores) podem também ajudar as crianças a escreverem sua própria história, com palavras vivas, encantadas, palavras preciosas. Como despertar o hábito da leitura a uma geração que cresce em meio a uma revolução digital? O hábito da leitura é um processo lento, para ser despertado e cultivado desde os primeiros anos de vida. Os primeiros anos de vida são o melhor momento para se formar um leitor. Ler sem cobrança. Ler por puro prazer. Ao ouvir e ler histórias, as crianças começam a descobrir o livro e a construir seu repertório de leitura. Hoje, na era digital, as crianças tem inúmeros atrativos. Parece que já nascem sabendo usar o computador, a internet. Mas, sem sombra de dúvida, o livro continua tendo o seu lugar de honra. Particularmente, adota alguma prática voltada ao autoconhecimento ou à espiritualidade? O autoconhecimento é um trabalho para uma vida toda. Um caminho que iniciamos um dia e não chegamos nunca ao final. Estamos sempre em processo de transformação. Como cantava Raul Seixas, “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Hoje, sou diferente da pessoa que fui há dez anos. Que bom! As pessoas mudam, as pessoas evoluem. Para mim, toda busca pelo autoconhecimento é válida. As diversas formas de terapia, especialmente a transpessoal, que vai além da nossa personalidade. Hoje, faço biodança e pratico a meditação. Como avalia a proposta editorial do JORNALZEN? O JORNALZEN oferece temas diversificados e interessantes, com uma abordagem mais profunda. É um jornal excelente para quem busca o autoconhecimento, para quem busca novos significados para suas experiências de vida. Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores? Hoje, as pessoas vivem numa luta diária: correria, pressa, trânsito caótico. As pessoas já não se olham nos olhos, não se escutam. Precisamos aprender a parar, todos os dias, mesmo que seja apenas por alguns minutos. Precisamos olhar para dentro de nós mesmos, entrar em contato com a intuição, com o nosso eu mais profundo. Só assim podemos perceber o outro e entrar em conexão com ele.


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Silvia Lá Mon Os grandes mestres Estou preparando uma palestra que irei apresentar em novembro, no Grupo de Estudos da Paz (Gepaz), da Unipaz Campinas. Vou falar sobre os grandes mestres da humanidade, pois temos conhecimento que de tempos em tempos aparece um avatar, um mestre iluminado que tem como função facilitar a evolução da humanidade. Quero destacar uma época em especial: a década de 30. Fazendo um apanhado, teremos vários mestres atuando naquela época, sendo alguns deles Massaharu Taniguchi, no Japão; Sathya Sai Baba, na Índia; Gurdjieff, na Armênia; Edward Bach, na Inglaterra; Peter Danov, na Bulgária; e Chico Xavier, no Brasil. Penso que essa década deve ter tido uma luz especial, já que havia um grande mestre em cada ponto extremo do planeta e todos eles trouxeram ensinamentos preciosos sobre como podemos nos tornar pessoas mais evoluídas, mais felizes, lembrando-nos, em cada palavra que proferiam, sobre nossa centelha divina, nosso poder restaurador. Todos eles tinham como principal legado o amor. Esse é o único sentimento que nos leva à iluminação, à evolução e à salvação! Há milhares de anos temos conhecimento dessa verdade por meio dos maiores mestres, Buda e Cristo,

mas até hoje a humanidade não aprendeu a lição. Ainda cometemos graves erros por falta de amor. As notícias sobre uma suposta nova era, chamada “Era de Ouro”, promete-nos um mundo funcionando a partir das leis do amor. Um mundo sem miséria, sem doenças, sem sofrimento. Mas para chegar a esse momento haverá antes uma grande transformação. Todos os mestres espirituais nos falam que estamos vivendo um tempo especial, de grandes mudanças, e muitas vezes nos sentimos confusos. Oscilamos entre um sentimento de medo do que está por vir e uma ânsia de poder vivenciar um mundo restaurado. Cabe a nós o tempo da espera sem paralisar nossas tarefas, mas aperfeiçoando-as e aproveitando-as ao máximo, vivendo um dia de cada vez e ampliando o prazer de viver intensamente cada momento, focalizando nosso presente, criando todas as possibilidades, sempre colocando o amor na frente de cada palavra e de cada ação. Sentir a cada dia a sensação de que fizemos nossa parte da melhor maneira possível. Se conseguirmos viver assim, estaremos vivendo na Era de Ouro. la.monica@terra.com.br cronicasdesilamon.blogspot.com

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PANORAMA DIVULGANDO A CABALA O Kabbalah Centre do Brasil, organização internacional de ensino da cabala, pretende distribuir 400 mil exemplares do livro O Poder da Kabbalah em universidades, órgãos governamentais, bancos e bibliotecas. Também podem ser retirados na sede do centro, em São Paulo (Alameda Itu, 1.561), ou pedidos pelo site kabbalahcentre.com.br. Organizações interessadas em receber exemplares devem fazer a solicitação pelo telefone 0800-7723272 ou pelo e-mail kcsaopaulo@kabbalah.com . TORNEIO GOL DE LETRA A Fundação Gol de Letra abriu inscrições para empresas interessadas em participar da nona edição paulista do torneio que leva o nome da ONG. O campeonato promove a integração entre funcionários e gera recursos para os programas socioeducativos da fundação. A competição acontece nos dias 24 e 25 de novembro na Hípica Jaguari, em Bragança Paulista. A final será no dia 17 de dezembro, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Mais informações: www.torneiogoldeletra.org.br DOANDO LIVROS No mês de outubro, as crianças que forem às lojas da Livraria Cultura poderão doar os livros que já foram lidos. As obras arrecadadas serão destinadas ao Grupo Primavera. Os livros podem ser doados no setor de reservas das lojas. Todas as atividades são gratuitas nas 13 lojas da livraria, que terão atividades especiais no Dia das Crianças. A programação completa pode ser conferida no portal livrariacultura.com.br . AÇÃO SOLIDÁRIA A Tok&Stok promove em outubro campanha em comemoração ao Dia das Crianças. Até o dia 21, a rede vai destinar a 20 instituições de diferentes pontos do País – entre as quais o Grupo Comunitário Criança Feliz, de Campinas – o valor arrecadado (descontados os impostos) com a venda de brinquedos em suas lojas. O objetivo é auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes que se encontram em situação de risco social. CONCURSO LITERÁRIO As inscrições para o 8º Concurso Literário Acrísio de Camargo, para moradores de Indaiatuba, podem ser feitas até o dia 26 de outubro. Os três primeiros colocados de cada categoria (poesia, conto e crônica) receberão prêmios em dinheiro e os vencedores terão os textos publicados no jornal Tribuna de Indaiá. O regulamento pode ser acessado no portal www.indaiatuba.sp.gov.br . Mais informações: (19) 3825-2056.


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Motivados para o sucesso Para falar em motivação, está vinculada dentre os primeiramente é imporvários fatores (internos e tante darmos destaque externos) aos estímulos a sua origem, que vem cerebrais aos quais fordo latim moveres, que mos expostos. quer dizer “mover”. Ao pesquisarmos, veSe fragmentarmos remos que nosso cérebro esta palavra, teremos é capaz de receber e remotiv, que nos remete a gistrar esses estímulos no motivos, aspirações, dechamado córtex-frontal sejos, metas e ação, que Juliana Perna que, por sua vez, é essenPalestrante, treinadora como o próprio nome diz, cial para a formação escomportamental é o ato de se colocar “em tratégica das ações. e contabilista ação”. Assim, poderíamos Posto isso, nota-se a definir motivação como: importância em termos “o motivo que nos leva à ação”. metas bem definidas, para que Em circunstâncias variadas, possamos dar ênfase e foco a esouvimos esta ou aquela pessoa di- sas ações, e não nos percamos zer: “Estou sem motivação”. Ou ain- pelo caminho. da: “Minha equipe está desmotivaCom base nos três pilares do da”. O que nos leva a crer que falta sucesso para qualquer empreensimplesmente um motivo para que dimento – querer, poder e consea ação seja colocada em prática, guir – conclui-se que, para cruzar uma espécie de “desejo ardente” a “linha de chegada” e conquistar que impulsiona quem quer que seja o SUCESSO, é preciso estar motia agir conforme seus anseios. vado a percorrer trilhas e trilhas No caso dos animais, a motiva- na realização dessa meta, conscição pode vir associada aos “instin- ente das atitudes a serem tomatos”, mas tendo em vista que o que das com foco, pois à sombra das nos diferencia, é justamente a ca- palavras de Shakespeare: “Quem pacidade de raciocinar, somos con- não sabe para onde vai, qualquer duzidos a refletir que a motivação lugar serve”.


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MOMENTO DE REFLEXÃO JOÃO BATISTA SCALFI - scalfi@terra.com.br INFORME PUBLICITÁRIO

Viver com alegria Quando o Espírito encarnado descobre o significado existencial que a sua jornada na terra objetiva produzir-lhe o sublime desejo da autoiluminação, libertando-se das trevas da ignorância, assim como dos atavismos que o retêm. Empreendendo esforço de autoencontro, inunda-se de inefável alegria por descobrir o maravilhoso mundo de bênçãos que lhe está ao alcance, bastando-lhe iniciar o labor de identificar as possibilidades de que dispõe e executá-las. A vida é um hino de louvor ao Pai Criador, que faculta aos Seus filhos os dons da imortalidade e o caminho da perfeição que lhes cabe alcançar. Eis que a finalidade precípua da religião é estabelecer o vínculo de nova união profunda entre a criatura e o seu Criador Celeste, facultando-lhe o desenvolvimento dos atributos adormecidos que na hora certa germinam e proporcionam os recursos hábeis para o seu desenvolvimento.

Iniciado esse especial empreendimento, nada mais o detém, porque, a cada instante, defronta novos painéis a serem contemplados e incorporados ao patrimônio já acumulado. A alegria é tesouro da vida que deve ser buscada e vivenciada, em razão das bênçãos que proporciona. Isso, porém, não quer dizer que não ocorram momentos de preocupação, de tristeza, de ansiedade e de receio, perfeitamente naturais no comportamento saudável que, em vez de uma linha horizontal, possui os seus ascendentes e descendentes emocionais. O renascimento do Espírito no corpo tem por sentido profundo a superação das marcas do passado, devendo esforçar-se por substituir os tormentos íntimos pelas contribuições da saúde emocional e da alegria de viver. Poder ver-se sem maiores problemas nos órgãos dos sentidos, enquanto outros experimentam inibições e limitações que se esforçam por superar, já é uma suprema dádiva que merece gratidão e júbilo. Nada obstante, em razão do tempe-

ASTROLOGIA DA ALMA RICARDO GEORGINI - ricardogeorgini@yahoo.com.br

Libra: a busca do equilíbrio O mantra espiritual de Libra é: “Eu escolho o caminho que conduz entre as duas grandes linhas de força.” Essas “duas grandes linhas de força” são aquilo que chamamos de espírito e matéria. Essa é a grande dualidade fundamental no universo. Espírito e matéria são forças complementares, e é a interação entre os dois que cria todas as coisas existentes. Em cada coisa, tanto espírito como matéria estão presentes, em variadas

proporções. A perfeição consiste no equilíbrio entre essas duas forças, ou seja: as duas se relacionarão de maneira que cada uma desempenhe o seu devido papel, em harmonia com a outra. O equilíbrio entre espírito e matéria é alcançado através do grande processo evolutivo que está acontecendo em nosso universo — um processo do qual somos parte. Esse processo envolve primeiro a experiência e o conhecimento da matéria, depois a ex-

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ramento hostil, que em tudo vê amargura, sempre reclamando, quando poderia modificar a óptica pela qual observa a vida, colorindo os tons cinza com as cores do arco-íris. Vejam exemplos: Cegos que se notabilizaram como Hellen Keller, que adicionava a surdez e a mudez aos seus limites orgânicos, superando-os e tornando-se um exemplo de pessoa alegre, saudável e grata à vida; como Braille, que se utilizou do limite da cegueira para criar o alfabeto que permite aos cegos a comunicação; como Pasteur, sofrendo tuberculose e laborando em favor da saúde na caça continua à vida bacteriana; como Beethoven surdo, compondo a Nona sinfonia, assim como outros heróis do sofrimento, que o souberam converter em incomparável oportunidade de proporcionar o bem e a harmonia ao próximo, enquanto eles mesmos vivenciavam a alegria de construir um futuro melhor para a humanidade. Abençoa, desse modo, as oportunidades de que desfrutas para vi-

veres o dom da alegria, qual informava o apóstolo Paulo que era sempre o mesmo, na alegria ou na dificuldade, no júbilo ou no sofrimento, porque encontrara Jesus. Ninguém que seja saudável pode viver sem o contributo especial da alegria, que é um hino de louvor à vida e ao universo. A alegria renova as paisagens interiores e pode ser encontrada nas coisas mínimas, desde o desabrochar de singela flor do campo aos mais belos encantos da natureza ou do melodioso canto das aves. Se observares tudo quanto sucede em tua volta, encontrarás a ordem, o equilíbrio e a beleza. A alegria de viver é a maneira adequada de agradecer a Deus a bênção de uma nova vida. Exulta de alegria, e entrega-te a Deus, cantando-lhe um hino de louvor.

periência e o conhecimento do espírito, e finalmente o equilíbrio entre ambos. Numa analogia talvez excessivamente simples, é como se fossemos medir quanto é a metade de um objeto: para isso pegamos a ponta de uma fita métrica e encostamos numa extremidade do objeto, depois estendemos a fita até a outra extremidade do objeto, assim conhecemos o seu tamanho total e só então podemos encontrar o seu meio. Portanto, ir de um extremo ao outro faz parte do processo de conhecer o todo, para então poder equilibrar corretamente. A consciência humana está focalizada principalmente no lado material das coisas e simplesmente desconhece o lado espiritual. Assim, mesmo que não perceba, o ser humano leva uma vida desequilibrada e parcial, uma vida na qual predomina a materialidade. O que para nós parece equilíbrio ainda não é o verdadeiro meiotermo, pois ignoramos muita coisa. Como vemos só uma parte, achamos que o equilíbrio está ali em seu meio. Se víssemos o todo, perceberíamos que o ponto médio ainda está distante. A espiritualidade é um convite a descobrir o outro lado, para assim descobrir o todo. Uma parte já conhecemos: a material; está faltando conhecermos a outra. A espiritualidade é um convite ao equilíbrio,

mas um equilíbrio cada vez mais abrangente e completo. A descoberta do outro lado é um processo gradual. Cada novo pedacinho que vemos e incluímos nos leva a reposicionar o que consideramos como o meio. Por isso, em nossa busca por equilíbrio, devemos estar atentos para não estagnarmos numa concepção fixa de como o equilíbrio é. O que consideramos como equilíbrio vai mudando à medida que a consciência se expande. A grande dualidade universal de espírito e matéria reflete-se no plano emocional como o que é chamado de pares de opostos — prazer e dor, felicidade e sofrimento, afeto e raiva, atração e repulsão, etc. Esses pares de opostos apresentam a cada ser humano o primeiro campo de treinamento em equilíbrio. Normalmente, o ser humano vive ocupado com esses opostos emocionais, lutando com eles, distraído com eles, e não percebe a dualidade principal de espírito e matéria. Quando o indivíduo compreende que esses dois opostos emocionais são ambos parte da vida, quando pode aceitar ambos e ficar indiferente diante eles, então, tendo alcançado o equilíbrio emocional, torna-se possível confrontar a dualidade principal e avançar em direção a um equilíbrio maior.

Fonte de pesquisa: Entrega-te a Deus (Divaldo Franco/Joana de Ângelis)


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Tesouros da Vida JULIANO SANCHES

Contrassenso ou engodo Como pensar O mal-estar na civilização, de Freud, diante da cultura em que vivemos? Com os programas/produções, que criam posologias medíocres para anestesias culturais? Questão presente no mal-estar civilizatório: atualmente, as pessoas acreditam que estão muito livres? Mas, que liberdade é essa? Qual o peso da falsa liberdade, que é vendida em atacado/varejo, hoje, nas gôndulas? Como renunciar à poluição cultural? A pregação é: “pense em felicidade, porque se ocupar com a angústia não traz recompensas”. Que felicidade exterior é essa? Vendida na promoção? Entre os aprisionamentos/controles atuais, está o politicamente correto. “Qualquer coisa... Ah! Isso não pode, por causa disso e daquilo... Esse outro também não, vai que...! Alguém pode pensar que...”. Enobrece-se, equivocadamente, um falar que não deixa as línguas fazerem dobras sobre o impossível/ ficcional, aquele que escapa ao controle imediato.

As dobras formam fugas, desnormatizações. A dobra é uma atitude política e filosófica. Línguas atrofiadas! Bocas engessadas. Dizer que está infalado (licença estilística). Apriosionamento da exposição de Si-mesmo. Clausura do senso de caos. O engodo está em seguir, calado, a marcha da mesmice. A mandíbula urge por movimentos, quer desestacionar a máquina de sentidos. Dormência, negação. E, por consequência, morte do corpo. Corpo quer deslizar rumo às fronteiras escorregráficas (escrita com o escorrer). A desconstrução do lápis e do escrito é o abrir para circuitos elétricos de um saber, um vazio que se faz potência do ser, através de um vir-a-ser catalisado pela estética da loucura.

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Trabalho Este artigo inicialmente foi planejado para um grupo avançado, mas pode ser útil para mais pessoas. Portanto, repasso-o para todos. Penso que vale a pena lê-lo. Fi-lo para você. Há uma esquina significativa na evolução pessoal. As atitudes são orientadas pelo ego ou por valores mais universais. O ser humano que coloca o ego em primeiro lugar comprometerá o desempenho do progresso. Contudo, se o aluno ajustar-se a uma perspectiva que transcenda os interesses pequenos do cotidiano, acelerará a compreensão de si mesmo e do universo. A atitude profissional poderá visar a ganhos pessoais expressos em moedas, elogios e recompensas ou direcioná-la par fins maiores e mais nobres. Como exemplo, cito uma praticante advogada que lidava com

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uma greve. O movimento paredista estava agressivo e, inclusive, injuriou uma grávida. Disseme ela que estava desanimada com a Clélio Berti bestialidade Diretor da Unidade Flamboyant da humana nes- Universidade de Yôga (Uni-Yôga) sas circunstâncias especiais. Que tipo de ser agride uma grávida? Disse-lhe que uma possibilidade de atuação seria apenas defender os interesses que pagavam os seus honorários. Porém, poderia agir de maneira mais ampla. Não só defender os interesses pessoais, mas também agir para preservar a vida e educar aquela besta humana para ser menos besta e mais humana. Como fazer? (Continua na próxima edição)

Juliano Sanches é jornalista e palestrante casadojulianosanches.blogspot.com julianoluis@ig.com.br

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Pessoas são humanas e devem ser respeitadas Raquel Kussama

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uando começo a escrever uma matéria, fico pensando: o que será que o leitor gostaria de ler e aprender, quais são as razões que levam a folhear e ler uma matéria com maior dedicação. Um jornal em que a característica básica é o desenvolvimento da pessoa nos deixa a responsabilidade de olhar o outro com suas limitações e fraquezas, com suas forças e fortalezas, enfim, de fazer o leitor ver como gente. Minha principal atuação é em empresas, e como tal fico com a árdua tarefa de avaliar, treinar e selecionar profissionais para serem grandiosos. Entender o ser humano é muito mais do que isso. Aceitar os limites é deixar o outro seguir a vida dele sem interferência; cada um pode ser feliz de maneira diferente. Capacitar e treinar é investir em quem tem o desejo da mudança, e ainda tem capacidade para tal. Hoje vivemos a Era da Competên-

cia e esta traz avaliações criteriosas de como o profissional deve agir. Os fortes se sentem atraídos pelo desafio da mudança, da constante revisão dos conceitos, de aprofundar conhecimentos e viver experiências que provocam o salto de uma pessoa. Quem me conhece, ouve: pessoas são diferentes de profissionais. Em empresas podemos puxar e pressionar os profissionais, já as pessoas precisam ser preservadas, pois todos nós temos um limite, uns mais e outros menos, mas o limite existe. A maturidade vem com o passar dos anos de vivência, de experiência. Pessoas que deixam de viver, que se isolam ou se deixam parar no tempo, evoluem em passos pequenos e ficam para trás. Profissionais competentes fazem a diferença, pois criam ações diferenciadas de maneira fácil, serena e tranquila. São os animais que nos ensinam: quando a águia voa alto e enxerga o alvo, corre em velocidade. A coruja, com a visão 360 graus, contribui no olhar o todo, mas quando o foco aparece cor-

re com rapidez, sem desviar o olhar até alcançar a presa. O belo trabalho das formigas pequenas tem uma força maior que a nossa, na união da equipe: dividem as tarefas, cumprem seu objetivo em prol de uma comunidade. Como a borboleta ensina a beleza da transformação: nasce feia e desperta para iluminar os olhos humanos e transportar alimentos às plantas. Mas temos que lembrar do Pica-Pau. Com sua persistência, teimosia, nos ensina a ter alegria em momentos difíceis, a nunca desistir do foco. São essas coisas da vida que os profissionais fortes ou fracos vivem nas empresas e por isso têm sempre a necessidade de colaborar com os

seres humanos. Crescer e mudar faz nações. Preservar raças faz parte de nossa visão de responsabilidade social, e mais do que isso é continuar acreditando que as diferenças entre etnias são a razão da existência da humanidade. Nosso projeto é a Reserva Thafenê, onde constantemente trazemos nosso amigo Wakay Pontes para palestras, treinamentos abertos e in company, no sentido de desenvolver pessoas, antes mesmo de profissionais. Ele nos ensina o que é ser índio, a luta pela manutenção da tradição, e nós podemos ajudá-lo a preservar a história e os costumes indígenas.

Raquel Kussama é consultora do NJE Ciesp-Indaiatuba e coordenadora do Grupo de Agronegócio do Ciesp-Campinas; professora da HSM Educação e membro do Comitê Técnico Cientifico do 15º CRIARH - Recife. Graduada em Serviço Social, com especialização em Recursos Humanos e cursos em Antropologia e Desenvolvimento Organizacional. Atua há mais de 20 anos na área de RH e estratégias empresariais atendendo empresas nacionais e multinacionais de pequeno, médio e grande porte na aplicação do conceito de Estratégias de Pessoas & Negócios e implantação de processos e ferramentas de RH. Premiada pela Certificação em Gestão de Pessoas, pela Fiesp em 2004. Diretora da Lexdus.


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VIDA & SEXUALIDADE SANDRA SEPULVEDA

Educação, caminho certo para a paz

Afrodisíaco natural O mais novo fenômeno mundial de vendas, o romance erótico Cinquenta Tons de Cinza, da escritora E. L. James, está sendo considerado um pornô para mulher. Independentemente da qualidade literária, o que tem acontecido é que a trilogia está se tornando um guia de informação sexual, permitindo às mulheres entrarem no campo das fantasias sexuais sem se sentirem anormais, envergonhadas ou culpadas. Isso vem de encontro com a maior queixa feminina nos consultórios ginecológicos que é a falta de desejo sexual. O desejo é estimulado por fatores externos e internos, dentre estes as fantasias sexuais. Portanto, apoderar a mulher de fantasiar é dar possibilidades a ela de incrementar, naturalmente, seu apetite sexual. Embora homens e mulheres fantasiem em igual medida poucos as revelam, sendo que, os homens as exploram mais que as mulheres. Estas têm uma tendência maior para esconder suas vontades, pelos mitos de que quem pensa em sexo são os homens e de que é errado ter fantasias durante a relação sexual. Pela imaginação e lembranças de experiências prazerosas as fantasias sexuais são geradas involuntária ou voluntariamente, antes ou durante o intercurso sexual. Pode-se pensar em diversos temas para alimentar a motivação sexual, diferentes pessoas, lugares, situações, posições sexuais, objetos, vestimentas, seja no lugar do observador ou do protagonista. Não há cenários eróticos melhores ou piores, liberados ou proibidos, no campo do imaginário tudo é possível. As fantasias atuam como fonte de autoconhecimento, percepção corporal, criatividade, diversificação das práticas sexuais e jogos eróticos. Por isso entram como um importante ingrediente na rotina sexual conjugal, erotizando a intimidade do casal. Alguns simples estímulos, espontâneos ou direcionados, são suficientes para fertilizar o campo da fantasia e promover um bom encontro sexual com a parceria. Vale ressaltar que as fantasias não têm que virar uma prática sexual, principalmente porque nem sempre o outro se motiva sexualmente da mesma maneira. E, muitas vezes, a fantasia não é compatível com sexo com proteção (preservativo), com valores morais ou com questões legais. O que determina a realização ou não da fantasia é se o benefício será o exercício saudável da sexualidade de cada um, assegurando que seja prazeroso para os dois e que não ameacem a integridade física de nenhuma das partes. Uma fantasia jamais pode se transformar em uma imposição e deixa de ser algo positivo no campo sexual quando ela se torna a única maneira de se obter satisfação sexual, transformando-se em uma patologia que precisa ser tratada. Em síntese, todos são detentores do maior afrodisíaco natural e gratuito, as fantasias sexuais, que permitem experimentações em nossa imaginação sem limites da realidade objetiva e são fonte de inspiração à busca do prazer sexual. Sandra F. Sepulveda (CRP – 06/83606) é psicóloga sandra.sepulveda@terra.com.br

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Abraham Goldstein

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s exigências da dinâmica da sociedade, influenciando as atividades das famílias, fez com que o papel do educador se tornasse cada vez mais importante no processo de formação de crianças e jovens, tanto de escolas públicas quanto privadas. Por isso, além de construir as bases do conhecimento, os educadores têm hoje a tarefa fundamental de ajudar a formar cidadãos éticos, comprometidos com a defesa dos direitos humanos, a promoção da justiça social e dos valores democráticos. Tal tarefa se torna mais difícil quando se verifica o aumento da violência, particularmente dos crimes raciais e de intolerância. Somente no estado de São Paulo, entre janeiro e agosto deste ano, foram lavrados mais de 400 boletins de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), unidade da Polícia Civil criada em 2006 especialmente para investigar esse tipo de crime. Outras inúmeras ocorrências decorrentes dessas práticas intolerantes surgem diariamente, mas não viram estatísticas porque as vítimas preferem não registrar denúncia. Para coibir esses crimes bárbaros, há apenas duas formas de atuação. A primeira é o alerta constante, não só das autoridades do governo, mas da sociedade como um todo, que deve sim recorrer às denúncias como forma de proteger cidadãos ameaçados pela violência de indivíduos, gangues ou grupos organizados. A segunda forma de atuação, que também envolve toda a sociedade, é obtida por meio de um intenso, consistente e longo trabalho de educação para a cultura de paz. Esse processo deve começar desde cedo, ensinandose às crianças que pessoas diferentes, com crenças e costumes diversos, podem e devem conviver harmoniosamente em um mesmo lugar. E aí entra o papel fundamental do educador, que tem como desafio passar esses valores em sala de aula de modo que os alunos efetivamente os absorvam e pratiquem. Algumas entidades da sociedade civil comprometidas com os direitos humanos realizam importante trabalho de auxílio nesse processo de educação, como a B’nai B’rith (Filhos da Aliança, em hebraico), que atua há 80 anos no Brasil e em mais de 50 países há quase 170 anos. No último dia 25 de agosto, a entidade realizou a Jornada “Intolerância em Tempos de Nazismo – da Exclusão à Solução Final”, que reuniu cerca de mil educadores da rede pública de ensino em São Paulo. O objetivo

foi mostrar a eles estratégias pedagógicas para abordar questões ligadas ao racismo, à intolerância e à convivência na diversidade, tendo o Holocausto como referência. Em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo (LEER – USP) e com o ARQSHOAH, departamento desse laboratório, o evento mostrou como a multidisciplinaridade – por meio da ciência e da arte – pode ajudar no processo educacional, fazendo com que desde cedo, crianças e jovens aprendam e disseminem valores humanistas e democráticos. A iniciativa da entidade foi de grande ajuda, mas não se restringe à Jornada. Até o final de 2012, a B’nai, novamente em parceria com o LEER – USP, lançará o Instituto Shoah de Direitos Humanos (ISDH), que servirá como fonte de conhecimento e de auxílio no processo de educação e construção da cultura de paz. Com vasto material, o ISDH estará à disposição não apenas a educadores e seus alunos, mas também para juristas, formadores de opinião e pela sociedade civil em geral. O acervo permitirá o compartilhamento de experiências, incluindo o registro das vivências de sobreviventes do Holocausto que escolheram o Brasil como sua pátria. Com estratégias multidisciplinares, o instituto atuará na conscientização da população sobre os perigos da proliferação de ideais racistas, discriminatórios e intolerantes. A tolerância é uma virtude essencial das sociedades democráticas. A coexistência pacífica entre diferentes pessoas, povos, religiões e culturas só será possível quando cada ser nesse mundo tiver incorporado, em sua essência, o conceito de cultura de paz e os valores universais dos direitos humanos. E isso só será possível com a participação ativa da escola, seus educadores e das famílias. Assim, no futuro, quem sabe a intolerância se torne apenas uma trágica lembrança da história humana. Abraham Goldstein é presidente da B’nai B’rith no Brasil


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Pensamentos de

Padre Haroldo Vida Alguns discípulos queriam que seu Mestre vivesse alguns milhares de anos. Ele respondeu: “Absolutamente, não”. Indicou que queria viver aqui e agora com boa qualidade de vida. O Mestre ensinou que muitos homens só ficam respirando, comendo, passando pela vida sem viver, não vivem este segundo, não tomam consciência da sua vida e nunca abrem os seus olhos ou têm um despertar. Tudo para eles é um rótulo sem sentido. Realmente, a palavra “eu” é um ponteiro que indica o ser humano em toda a sua glória e alegria. Nós podemos controlar “Nick”, nosso cachorro, com um clique de controle remoto; mas não a nossa vida. Einstein escreveu que é mais difícil desintegrar um preconceito do que um átomo. Acredito que é ainda mais difícil terminar com os preconceitos nas palavras de nossos pais. Somos marionetes programadas pelas vozes do passado. Jesus nos ensinou: “Se alguém quer vir em meu caminho, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”. Pense em um acontecimento recente e desagradável. Como está reagindo? Se fosse em outra pessoa, o seu sentimento seria o mesmo? A solução é: só olhe o acontecimento não julgando nada, e o problema desaparecerá imediatamente. O importante é observar as suas reações a cada acontecimento sem julgar, sem questionar: só observar. É importante jogar fora o passado. Deixá-lo sair, largar a bagagem. Com as suas mãos faça um “X” e fale: cancelado! Cada vez que voltar o pensamento, faça outra vez o “X” e repita: cancelado, cancelado, cancelado! Faço isto muitas vezes, diariamente. Tento

viver só no aqui e agora; somente neste segundo. É interessante pensar que sempre vamos ficar felizes. Como quando eu me casar, viverei. Quando tivermos filhos, viveremos. Provavelmente vamos morrer antes de viver verdadeiramente, despertado e alerta. O barqueiro João nunca visitou a Basílica porque tinha muito para cuidar no ambiente do rio. Os passageiros nem notaram o rio e nem olharam o Santuário. Buda procurava a paz, até que um dia, sentado debaixo de uma árvore, foi iluminado. Chegou! Ele aprendeu a fazer uma coisa de cada vez. Para os seus discípulos ele verbalizou as suas ideias dizendo: “Como, comendo. Canto, cantando”. Fez as mesmas coisas, mas numa maneira completamente diferente. O Dia de Ação de Graças é importante. Preparamos um peru para nossos convidados. Dialogando sobre os eventos da vida, nem percebemos que estamos comendo o peru com um delicioso recheio. Quando vamos a um restaurante não comemos o menu. As notas escritas da música não emitem o som do violão. Viver significa “ser você”. Desperte-se. Abra os seus olhos. Não seja a marionete. Programe a sua vida. Viva neste segundo. Isto é oração? Sim! O Bailarino está dançando conosco no magnífico Balé. A mãe trabalha e sempre sabe o que a sua criança está fazendo. A mãe presta atenção ao que é importante. Jesus nos chama, não só para a Espiritualidade, mas para a vida. Ele falou: “Eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância.”. Haroldo Joseph Rahm é fundador da Instituição Padre Haroldo, para pessoas com síndrome de dependência alcoólica e química, em Campinas. Telefone: (19) 3794-2500. hrahmsj@yahoo.com

Integrar, entregar e conviver dem, ensinam, interaUltrapassar a fragmengem, riem, choram, entação na escola e na fim, compartilham. empresa compreende a O nosso livro sobre busca autêntica por reessa proposta nos convicriar novas possibilidada a refletir, a enriquecer des de ensinar, de trabaconceitos, provoca edulhar e de conviver. Possicadores e aprendizes, bilidades estas feitas de profissionais e líderes a reflexões constantes e buscar seus próprios cafocadas nos sujeitos, agregando dimensões Magda Vilas-Boas minhos. Que as ideias afetivas, emotivas, pois Psicologia Organizacional contidas nele o alimentem a reflexões mais pronão se pode separar o Coaching e Qualificação Humana fundas que transformem ser biológico do ser culem criação e recriação tural e profissional, seda práxis pedagógica e profissiogundo Maturana. Empresa, escola e família são nal em momentos de profunda afelugares onde as pessoas devem tividade na relação educador-cotrabalhar sério, apropriar-se do nhecimento-aprendiz-profissional. conhecimento, criar autonomia, na conexão com outras pessoas, nu- Você está convidado (a) para o ma relação harmônica, pois todos lançamento do livro Ultrapasfazem parte de um único organismo. sando a Fragmentação: pedaOferecer ideias que aguçam a gogia da inteireza na educação criatividade de alunos e profissio- de jovens e adultos, no dia 19 de nais, para que se tornem agentes outubro, às 16 horas, durante o que aprendem e ensinam como evento GEPEJA, na Unicamp. possibilidades de novas práticas é, Visite o site www.fe.unicamp.br/ hoje, uma exigência, por meio de simpeja/contato.html e vá nos transformar o fazer diário em situa- encontrar para a alegria do ções em que as pessoas apren- abraço e reflexões juntos.

CONTATO: (19) 9605-6363 ou magdavilasboas@gmail.com


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OUTUBRO/2012 Silvia Lá Mon

CULTURAZEN

Divulgação

O capitão Ronald dos Santos Santiago entrega a Arita Pettená o título de Fundadora Emérita da Academia Campineira de Letras, Ciências e Artes das Forças Armadas na assembleia em que foi eleito presidente da entidade

Fotos: Silvia Lá Mon

Equipe técnica e palestrantes do 1º Seminário de Prevenção do Câncer, promovido pela unidade de Campinas do Grupo de Assistência aos Portadores de Câncer (GAPC) Professores com a dupla sertaneja Rogério e Eduardo (dir.) no evento Caminhada pela Paz, iniciativa da Uniesp com apoio do JORNALZEN e da agência Filing Divulgação

Silvia Lá Mon

Vera Saldanha e Luiz Carlos Garcia na plateia de evento do 3º Festival Mundial da Paz, em São Paulo Professora Daiana com as alunas do projeto Criança e Adolescente Indaiatubano Feliz, da Assoc. Irmã Dulce


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MANDALA PARA PINTAR

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- SANDRA SONSIN CANDELLO -

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Recanto do Poeta Asas em abraços Oh! Horizonte suspenso lá distante, qual a janela em luz, que se abre impregnada de tangível beleza relaxante. Céu palco maior, pássaros, revoadas... Aves pairando giros flutuantes onde ocasionalmente entrelaçadas, com plena energia aconchegante, se abraçando assim asas agregadas. Aves a coroar céu, a voar com reflexos de luz, tons em fusão de asas, tais quais abraços; suavidade. Um abraço consagra uma amizade, lá no oculto sentir do coração. Celebre a vida, sempre ao se abraçar. Geni Fuzato Dagnoni

Súbito amor meu

Sou

Já cantou com ternura, Oswaldo Montenegro, um dia... “Quando a gente ama... simplesmente ama”, diria!

eu sou o barro a temperatura. o bafo e as labaredas

Quando nos damos conta, Súbito, o coração converteu, Poesia em paixão... Aconteceu!

eu sou o cântaro quem o leva à montanha sou a mão que o carrega

Já se passou o tempo, Tempo nem sempre “amigo”, Tempos de outrora vividos, Recordados, vivos! É quando então se revela, Paixão convertida em amor, Amor que o poeta externa, Esteja ele onde for. Não importa que este tempo, Tenha então nos esquivado... Haverá sempre um lugar, E ao amor, dedicado. Juliana Perna

eu sou o cristal que o quebra eu sou o pó sou o vento que o leva sou a água que verte a terra que a bebe eu sou o lodo Maria do Céu Lopes (Aruângua)


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CULTURA DE LETRAS ARUÂNGUA - mceu.idt@terra.com.br

A mulher do meu quintal (1)

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ra uma tarde quente de janeiro quando ele a viu pela primeira vez. Passou devagarzinho olhando a vitrine da loja antiquada que ele mantinha no centro da cidade. Morena e magrela, cabelos castanhos escorridos até os ombros, num vestido liso e bege, nada nela sobressaía além de seus olhos negros, profundos e intensos. Naquela semana os vizinhos comentaram que a casa da esquina tinha sido alugada a um casal vindo de outra cidade. Com o passar dos dias, ele foi-se acostumando com aquela presença sempre em trânsito pela calçada quebrada junto ao ipê-roxo, a caminho da padaria ou do mercado, calçando sapatos verdes-água. Era vê-la aproximar-se e já sabia que ela iria passar rente à vitrine onde estavam expostas algumas das melhores fotos que ele havia feito na vida. Demorava-se um pouco, admirando-as, depois atravessava a rua em direção à casa da esquina de cima, apressada novamente. Um dia ele anunciou a venda de um móvel velho de cozinha que tinha no caramanchão já fazia muito tempo. Precisava abrir espaço para fazer uma churrasqueira de tijolo refratário, onde planejava receber os amigos com um pouco mais de conforto. Era semanal o ritual de reunir-se com os amigos no quintal de sua casa, sentarem no banco velho de Kombi encostado ao imenso jatobá que vivia ali. Fumavam, bebericavam umas pingas e tocavam umas modinhas sertanejas dessas bem doloridas que falavam de amor e de dor de corno. Enquanto isso, Arnaldo punha carne, na churrasqueira portátil, linguiças, corações de galinha... Pegava

umas cervejas na geladeira... A noite era assim embalada. Quando já mamados na cachaça costumavam até compor umas serestas à moda antiga e entravam noite dentro, todas as sextas-feiras até que o sábado desse sinal de estar por perto. Foi num desses sábados quando se despedia dos amigos à porta da loja, era já manhã, quando a viu saindo de casa batendo a porta com força, de olhos inchados e tossindo. Estranhou ela ter largado os sapatos que trazia calçados quando saiu porta fora. Ficaram os sapatos, vermelhos, de salto agulha na calçada em frente à porta. Ela limpou os olhos com as mãos e virouse de costas quando o viu à frente à loja. Passou as mãos nos cabelos, deu umas batidinhas na cara, respirou fundo, jogou a cabeça para trás e virou-se. Sorria. Ainda com os olhos muitos vermelhos e atravessou a rua em direção a ele e apontando o cartaz que ele tinha pregado na vitrine anunciando a venda do móvel velho disse: Quero ver! Ele fez-lhe sinal para que entrasse. Ela percorreu a loja sem se deter, depois a sala da tevê e a cozinha e foi logo abrindo a porta dos fundos que dava para o quintal. Foi direto ao caramanchão como se já tivesse estado ali. Olhou o móvel de alto a baixo, ficou passando a mão na pintura azul-bebê do móvel de madeira, já descascada, delicadamente como se as falhas fossem feridas. Deu a volta nele, voltou, abriu as gavetas uma a uma. Arnaldo, vendo-a indecisa disse entre dentes: - Logo o balconista está por aí. Resolva com ele. Tem café na garrafa em cima da pia da cozinha. E foi deitar-se. (continua na próxima edição)

Nos tempos de hoje, com tanta correria e estresse, a procura do bem-estar do corpo e da mente tem se tornado prioritário para a maioria de nós. Arranjar tempo para nos cuidar é fundamental. Uma das grandes novidades em Campinas é a Cia Vita. Uma clínica com a proposta de bem-estar criada para proporcionar a saúde mental e física, visando a recuperação holística de pacientes. A clínica atua na promoção da saúde, na qualidade de vida de crianças, jovens, adultos e idosos, oferecendo métodos e técnicas que trabalham o corpo e a mente como um todo. Situada à Rua Mogi Guaçu, em Campinas, a Cia Vita conta com um espaço de 270 m² adaptado a pessoas com necessidades especiais onde se distribuem salas individualizadas e climatizadas pela EcoBrisa, estúdio de pilates, meditação e yoga, piscina aquecida a 34ºC, tratada com ozônio, totalmente adaptada para tratamento de hidroterapia pediátrica, neurológica e ortopédica, contendo jatos, duchas, correntezas, cascatas, SPA, teto retrátil e guindaste para a acomodação do paciente. Além dos serviços de Acupuntura, Aromatologia, Arteterapia, Biodança, Fisioterapia, Fisioterapia Respiratória, Hidroterapia, Yoga, Massoterapia, Meditação Diksha, Nutricionista, Orientação Profissional, Personal Trainer, Pilates, Psicopedagodia, Psicoterapia, RPG, Shiatsu, Reflexologia, a clínica ainda conta com uma equipe multidisciplinar e altamente capacitada, um espaço mais adequado para todas as necessidades, aconchegante e com boa localização para atender de maneira personalizada para proporcionar o bem-estar e a saúde de seus clientes.


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ANTROPOSOFIA HOJE A medicina e a educação antroposófica ANTROPOSOFIA (do grego, Saber Humano) ainda é novidade pra muita gente, apesar de nascida na mesma época de Einstein e Freud. Em dissidência da Sociedade Teosófica Alemã, o austríaco Rudolph Steiner fundou no final do século XIX a Sociedade Antroposófica. O que a partir de então ele chamou de ciência espiritual foi a base para diversas vertentes de um desenvolvimento humano mais holístico. Da Antroposofia nasceu a Pedagogia Waldorf, a Agricultura Biodinâmica, a Medicina Antroposófica, a Euritimia, a Pedagogia Curativa, a Terapia Artística, a Massagem Rítmica e a Terapia Biográfica. A Antroposofia valoriza enormemente o ser humano como resultado de sua biografia tanto quanto como resultado do ambiente e da conjuntura de vida na qual este indivíduo está vivendo no momento. Sua observação é atenta aos vários corpos existentes no homem, desde o puramente físico até o mais altivo fragmento do divino em nós, já outrora citado como o corpo que nos confere a “imagem e semelhança a Deus”. Para a Medicina Antroposófica o adoecer é não só uma manifestação de desequilíbrio mas sobretudo uma oportunidade de evolução pois a doença sempre nos faculta a opção de reavaliação mais profunda de nosso caminho evolutivo. Assim, torna-se claro porque duas pessoas com um mesmo diagnóstico podem receber tratamentos bem diversos pois a Medicina Antroposófica não trata a doença, mas sim o indivíduo. A Medicina Antroposófica não se intitula como uma medicina alternativa pois em nada interfere, substitui ou conflita com a clássica e acadêmica medicina tradicional.

A maior função desta é ampliar o olhar sobre o ser humano e tentar perceber de forma mais metafísica a complexa rede multifatorial que leva o indivíduo a determinada situação de doença. Hoje, da mesma forma que olha para a doença, a Medicina Antroposófica também investe sua pesquisa na linha da Salutogênese. Ou seja, enquanto por centenas de anos a evolução da medicina tradicional enfocou nos estudos da patogênese e da fisiopatologia (como a doença se instala) agora a Salutogênese (como se origina a saúde) visa desvendar os mistérios da manutenção da saúde anotando aqueles que parecem ser fatores primordiais para a resiliência humana aos percalços da vida. Na linha pedagógica antroposófica hoje instituída nas escolas Waldorf existentes em Campinas e região orienta o desenvolvimento da criança baseada na evolução biográfica arquetípica dos três primeiros setênios de vida. Nesta atuação as escolas Waldorf contam com a assistência da Medicina Escolar não como uma intervenção médica terapêutica ou curativa, mas como uma verdadeira prevenção. Uma ação focada no acompanhamento do desenvolvimento humano à luz de sua saúde física e espiritual. PALESTRA EM CAMPINAS No próximo dia 25 de outubro a Clínica Ayrton Daniel de Medicina Humanizada e Ampliada pela Antroposofia, em Campinas, irá sediar a palestra do atual vice presidente da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), o médico de família Dr. Michael Yaari. Neste evento o Dr. Yaari irá nos presentear com uma palestra focada na Medicina Escolar como imprescindível recurso do adequado desenvolvimento da saúde humana. Para participar, faça contato com Ivonne pelos números (19) 3259-1402 ou 7805-5581. Participe e entenda um pouco mais sobre Antroposofia. ayrtondaniel@globalmedic.com.br

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A análise pessoal e o olho torto Parto das histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos, para tentar responder o que é a psicanálise pessoal. Preso pela imaginação, achando ter encontrado a égua fugida com a qual lutou para prender, Alexandre descobre que na verdade tinha lutado com uma onça e que esta, inclusive, lhe arrancara o olho esquerdo. Depois de encontrar o olho, colocando-o ao contrário no buraco, enxergava sua família pequenininha, ali ao lado de partes de sua carne. Mesmo ficando torto no rosto, resolveu deixálo ali pois Alexandre percebeu que o olho ferido lhe possibilitava enxergar melhor que o olho são. O alcance da visão que agora tinha lhe permitia se reposicionar diante dos dois mundos que agora consegue compor: o de fora e o de dentro – o mundo das obviedades públicas e o mundo da pessoal implicação. Articular o novo ângulo com o novo alcance proporcionado pelo olho ferido ao do olhar ingênuo do olho natural compunha o mundo com uma pers-

pectiva deveras enriquecida. É preciso transcender a obviedaMiguel Antonio de, revisitar de Mello Silva o mundo e Psicólogo (CRP 06/37737-2) os seus sentidos a partir de si próprio, discernir o que nos é externo para projetar o que é totalmente pessoal pois a única realidade que vale a pena ser vivida é aquela onde nós nos enxergamos. A análise permite implicar-se: sair do terreno onde uma onça se confunde com uma égua, encontrar-se e encontrar a integridade das coisas com as quais fomos lançados em caminhos e veredas com as quais lutamos; enxergar dentro e fora, incluir o torto, o diferente, perceber as ilusões sobre si e sobre o mundo para integrar verdadeiras alternativas. Há um olho que é melhor que o outro porque ele alcança o desconhecido que é construído pela análise pessoal.

CONTATO: (19) 3213-4716 ou psicmello@gmail.com


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Análise Transacional: instrumento de mudanças

EDUCANDÁRIO “DEUS E A NATUREZA”

do tempo, carícias, jogos O primeiro passo para que psicológicos, emoções e haja mudança consciente é disfarces, script de vida e assumirmos a responsabilicontra-script, autonomia e dade do que somos, do que organizacional, etc.), e atrafazemos, do que pensamos vés da autoanálise segune do que sentimos. do esses instrumentos é O indivíduo autônomo, que podemos reprogramar maduro e feliz é aquele que nossa vida, dessa vez parabandona as programatindo do nosso desejo, livre ções parentais e que tem Sueli Repulho das influências parentais, metas próprias conscientes Psicóloga (CRP 22554-6) com acordos de metas claem sua vida. ANÁLISE ras e direções. Está baseaTRANSACIONAL (A.T.) é um método de entender sentimentos e do em o que está acontecendo no presente e segundo a teoria da ação, reacomportamentos e mudá-los. O objetivo da A.T. é deixar o indivíduo ção e consequências. O 101 é o curso básico de A.T., repleto entregue a si mesmo. Sem condutas fóbicas de evitar o que não gostamos em de vivências, que promove profundo autonós, projetando-nos no outro e no mun- conhecimento, e traz aos terapeutas ferrado. Somos capazes de redecidir o deci- mentas profissionais potentes, além de ser dido a cada momento, traçando o pró- pré-requisito para a formação em A.T. prio destino e não ser predestinado, viver (202), e é uma das linhas que mais contrio aqui e agora e não em função da pro- bui no ambiente organizacional, pois sendo uma técnica extremamente clara, prátigramação do passado. Eric Berne estruturou A.T. em alguns ca e objetiva, facilita as relações/transainstrumentos (transações, estruturação ções, fundamental para o SUCESSO.

O Educandário “Deus e a Natureza” é uma entidade beneficente de assistência social que atua há 14 anos em Indaiatuba na capacitação profissional gratuita de adolescentes e adultos desempregados ou em busca de qualificação provindos de famílias de baixa renda ou vulnerabilidade social. Já certificou 9.788 cidadãos. Seguem alguns projetos que desenvolve:

Há 14 anos capacitando cidadãos

“DESENVOLVER TALENTOS” Prepara jovens para o mercado de trabalho, promovendo sua capacitação profissional, desenvolvimento pessoal, além de melhorar seu rendimento escolar. Módulos envolvidos: Atividades de apoio, Construindo o Futuro, Inclusão Digital e Aprendizagem profissional para Administração, Recepção e Comércio e Varejo (lei 10.079). “MÃOS JOVENS” (crianças e adolescentes de 11 a 18 anos) Através de oficinas de capacitação profissional e cultural, desenvolve habilidades e competências para o mercado de trabalho. Oficinas: Informática Básica e Intermediária, Auto CAD, Hardware, Rede de Computadores; Metrologia básica, Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico; Violão, violino; Inglês, Espanhol. “QUALIFICAR É CRESCER” (maiores de 16 anos) Através de oficinas de capacitação profissional, auxilia jovens e adultos em sua colocação ou recolocação profissional. Oficinas: Inspetor de Qualidade; Pedreiro assentador e revestidor; Eletricista; Instalador Hidráulico; Informática básica e intermediária; Espanhol; “FAZENDO ARTE EM FAMÍLIA” (a partir de 11 anos e adultos) Atende adolescentes a partir de 11 anos e familiares dos usuários, através de oficinas artesanais e geradoras de renda. Oficinas: Pintura em tela e tecido, Macramê/Crochê, Violino, Panificação Artesanal/Bolos, Manicure e Pedicure.

DEPOIMENTOS DE USUÁRIOS Pedreiros (parceria com a Petrus): “O curso representou mais uma opção em conhecimento, uma oportunidade a mais apesar de pouca duração, mas suficiente para o que foi ensinado”. Sidnei Gardesani “Só tenho a agradecer o professor e toda a direção do Educandário e da Petrus, os companheiros e amigos de trabalho. Foi muito bom estar com todos nessa caminhada. Obrigado pela oportunidade de aprender. Com certeza estaremos novamente juntos em outros cursos”. Valdomiro Guimarães Carlos *** Inspetor de Qualidade “Surgiu uma ótima oportunidade pra mim no mercado de trabalho, através do curso Inspetor de Qualidade, sugerido pelo Educandário. Assim, melhorando cada vez mais meus conhecimentos, esse curso me ajudou muito, pois, me fez ter noções de qualidade e que me ajudará bastante na área e assim com certeza crescer cada vez mais na função”. Cristiane Crismari Pereira da Silva

www.psicologasu.com.br

*** Participantes do Projeto “Construindo o Futuro com Cidadania” (parceria com a Max Planck) “Aprendi muitas coisas nessa manhã que irá me ajudar muito na minha vida profissional. Todos aprendemos que não podemos destruir os sonhos dos outros e é isso que vamos levar pelo resto de nossas vidas”. Josiane de Oliveira Alicrim “Foi muito interessante, gostei muito de estar aqui, eu aprendi o que é um plano de carreira, e pude fazer o meu, o pessoal é muito legal e espero voltar sempre aqui”. Ingrid Giovana dos Santos

Aprendizes que participaram da oficina Assistente Administrativo: “Maior que a nossa força de aprender era as dos professores de nos ensinar e nos preparar para o mercado de trabalho. Nos impressionávamos com a inteligência de cada professor e isso era um grande exemplo para nós. Hoje em dia trabalho como assistente administrativo e estou em meu 2º ano da Faculdade de Recursos Humanos”. Welida Ramos “Tive o primeiro contato com o mercado de trabalho e a chance de entrar em uma empresa multinacional conceituadíssima. Aprendi a lidar com diferenças e que o céu é o limite para quem tem sede em aprender. Hoje, trabalho como auxiliar de escritório em uma prestadora de serviços no Aeroporto de Viracopos”. Priscila Teixeira “Me lembro como se fosse hoje o dia em que fiz a dinâmica para entrar no curso... O sentimento naquele momento era de conquista. Para mim, ter passado já era uma vitória. Não tive incentivo da família e ouvi muito que não conseguiria, que não iria aguentar estudar em dois períodos e trabalhar, mas acho que no fundo isso me motivou a provar que era capaz. Essa foi uma das lições que tive nesse período. Que dedicação e força de vontade podem te levar para qualquer lugar. No dia 5 de maio de 2009 fiz minha entrevista na Faculdade Anhanguera, exatamente no dia em que completava 15 anos. Ganhei um grande presente: um trabalho. No dia 6 já estava ‘ralando’, e continuo ralando até hoje, com 18 anos. Gostaria de agradecer novametne a cada professor, a todos do Educandário... Muito obrigada por fazerem parte da minha história e muito obrigada em dobro por me deixarem fazer parte da história de vocês!”. Michele Serafim


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Líricas Bulhufas MARCELO SGUASSÁBIA

McLua infeliz - Sabe de uma coisa, Ray, você até que é um cara esperto. O seu defeito é pensar pequeno, e um sujeito com 52 anos não tem mais tempo de errar na vida. Aonde pensa que vai chegar com esse sanduichinho de dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles no pão com gergelim? Pretende mesmo pagar a faculdade dos seus filhos com isso? - Meta-se com o seu foguete que eu sei o que estou fazendo. Um dia, milhares de manés californianos, metidos a inventores como você, tentarão copiar a minha receita e não conseguirão fazer igual. Pode apostar. - Bom, igual não vai ficar mesmo. Ruim assim, vai ser difícil. Por que não abraça um projeto maior, com alguma chance de futuro, meu caro? A corrida espacial está só engatinhando, e temos literalmente um universo de possibilidades para explorar. O primeiro desafio é a lua, e os engenheiros da Nasa certamente vão cair de quatro com o projeto do meu foguete. Olha só a maquete... não é linda?? Mal posso esperar a hora de vê-lo rasgando o céu. - Lançamento por lançamento, fico com o meu em terra firme. Melhor uma McOferta na mão que dois foguetes voando. - É, amigo, vejo que um abismo nos separa. Minha ambição está nas estrelas, e a sua numa chapa quente e cheia de gordura. Triste. - Pois fique sabendo que seus astronautas levarão Big Macs desidratados a bordo para comerem na viagem. Isso se conseguirem sair vivos da plataforma de lançamento, porque é bem capaz da sua geringonça explodir antes do fim da contagem regressiva.

- Pense bem, homem. Hamburguerias e sanduíches como esse que você imagina eu conheço dezenas só aqui em San Bernardino. E com belas mocinhas de pernas de fora, que andam de patins servindo os carros, o que não é o caso da sua modesta baiuca. E esse nome, então, McDonald’s? Diga-me qual o sentido disso? Seu nome é Ray Kroc, caramba. Você poderia ao menos batizar seu “come-e-morre” de Kroc’s Burger, lembra comida crocante, não é mesmo? Se bem que, para ser bem sincero, esses seus hambúrgueres mais parecem umas borrachas com gosto de sabão de coco. Jamais permitiria que algum dos meus astronautas se aproximassem dessa gororoba insossa. Eu teria que abortar a missão em consequência de diarreia coletiva. - Bom, em primeiro lugar você precisa achar quem queira se aventurar nessa lunática empreitada, pra depois se preocupar com uma imprrovável disenteria, não acha? Meus ingredientes serão todos selecionados, de fornecedores exclusivos. Particularmente, confio muito mais nos automovinhos de plástico que vou distribuir de brinde com o McLanche Feliz do que na performance do seu foguete espacial. - Você é mesmo um caso perdido, Ray. Se me permite um último palpite, essa mistura de sanduíche com batata frita não vai dar certo... Hoje, uma das mais controvertidas teorias da conspiração sustenta que o homem nunca foi à Lua e que tudo foi armado em um estúdio fotográfico chinfrim pelo governo americano. Por outro lado, se fossem dispostos em fila, os Big Macs vendidos até agora no mundo somariam várias vezes a distância da Terra à Lua. Marcelo Sguassábia é redator publicitário

“Karma Yoga” A palavra “karma” vem da raiz “kri”, significa ação e é escrita com “k”, pois o “c” tem outro som no sânscrito. É comum escutar: “Fulano é meu karma” (sempre no negativo), mas no conceito original da tradição védica, é uma palavra neutra. Na Bhagavadgita, o conceito da palavra é trazido como “Karma Yoga”, ou seja, o “karmayogin” é aquele que faz uma ação e se desapega do resultado dessa ação. Esse é um dos estados mais difíceis de alcançar na ioga, pois, em geral, as pessoas têm expectativas em relação as suas ações. Essas expectativas são a origem das desilusões. A maioria de nós idealiza um resultado, porém a vida mostra que tudo o que é idealizado, reside no ideal, e não no real. A realidade traz outros resultados de acordo com a ordem da vida. A consequência de viver na ilusão é a desilusão. O “karmayogin” é aquele que já

aprendeu essa lição, portanto suas ações são livres do apego e das expectativas, ele age ao invés de reagir. Suas Márcio Assumpção Professor de ioga e diretor intenções são do Instituto de Yogaterapia prósperas e livres do egoísmo, por isso suas ações também geram prosperidade e os frutos dessas ações é o “karma positivo” chamado de “punya “(mérito). Por outro lado as ações baseadas no egoísmo, na manipulação e em intenções destrutivas geram “Papam” (desmérito), que é o “karma negativo” e torna o indivíduo aprisionado às reações de suas próprias ações. Reagir é o caminho para o sofrimento. Agir é um caminho para a sabedoria.


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O Parque do Ibirapuera, em São Paulo, sediou de 6 a 9 de setembro a terceira edição do Festival Mundial da Paz. Organizado pela Universidade Internacional da Paz (Unipaz), o evento teve mais de 600 atividades, entre lazer, encontros com especialistas e ativistas sobre cultura de paz, direitos humanos, sustentabilidade e educação para a paz. O JORNALZEN esteve presente nos quatro dias do festival e integrou, por meio da diretora Silvia Lá Mon, mesa de debates sobre a mídia da paz. Fotos: Silvia Lá Mon e Amanda La Monica


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INDICADOR TERAPÊUTICO

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Viva Bem elianamattos@uol.com.br

Bate-papo T

enho acompanhado pela TV a cabo um seriado, que não vem ao caso explicar ou se aprofundar. Como não posso assistir no horário em que passa, gravo os episódios e acabo vendo nos finais de semana. Num deles a protagonista começa falando um texto, que de repente pode até estar nos anais da psicologia, e como era gravado pude copiá-lo. Falava sobre o temor. Sempre achei que temor e medo eram a mesma coisa e por esse texto percebi a enorme diferença. Já tive temor e ele é aterrorizante. Realmente paralisa nossos atos. Uma vez, esperava a volta da minha filha para casa e com a demora comecei a sentir temor (que eu achei ser medo). Num determinado momento, a coisa tomou uma proporção tão absurda que tinha certeza que algo havia acontecido e queria saber rapidamente para acabar com aquele sentimento tão avassalador. Claro que não havia acontecido nada e quando ela chegou foi algo mágico, como se o mundo parasse de apertar meu coração. Dê uma lida e reflita sobre isso. Quem sabe a gente consegue lidar melhor quando acontecer de senti-lo. “O temor vem inesperadamente e consome os sentimentos com uma sensação irracional de perdição. Já sentiu temor? Não estou falando de medo. Medo é imediato. É o que aparece quando se está de cara com o perigo: um assaltante armado ou um desconhecido na sua casa. Estou falando do temor. Temor é persistente. Ele consome você. Não tem como ignorá-lo. Ele não desaparece. É se preocupar com algo que está fora do seu controle. O temor pode afetar o seu trabalho, o lar e mudar sua personalidade.” No filme, quando o problema termina – era um sequestro e ela não sabia se o marido estava vivo ou não – a protagonista sente um alívio tão grande e novamente fala: “A esperança, como o temor, vem inesperadamente e domina os sentimentos com uma sensação irracional de alegria e otimismo. A esperança é o ponto alto. O temor, o baixo. Acho que a vida é o que fica entre os dois.” Talvez seja mesmo uma boa explicação sobre o que é a vida... Beijos!

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FORNO & FOGÃO Macarrão com bacalhau e brócolis Ingredientes: - 300 g de macarrão penne - 300 g de lascas de bacalhau - ½ maço de brócolis - Azeite, alho, sal, salsinha picada - Molho branco feito ao seu modo Modo de fazer: Cozinhe o brócolis al dente. Escorra. Numa panela coloque um pouco de manteiga e refogue o alho bem picadinho, mais o

brócolis e o bacalhau (tire o sal desde a véspera e depois afervente-o) e salpique bastante salsinha. Cozinhe o penne também al dente e reserve. Faça um molho branco ao seu modo. Finalização: junte ao macarrão: o brócolis e o bacalhau e envolva bem com a ajuda de um fio de azeite. Em seguida adicione o molho branco e novamente envolva toda a massa. Sirva imediatamente.

Dica: esta receita é bem rapidinha e não dá nenhum trabalho. Se preferir já misture o molho branco ao bacalhau e brócolis antes de envolver o macarrão. Experimente!

Carne moída com requeijão Ingredientes: - 500 g de carne moída - 1 cebola picada - ½ xícara (chá) de molho de tomate - 1 ½ tablete de caldo de carne - 1 colher (sopa) de maizena - 1 xícara (chá) de água - 1 vidro de requeijão Modo de fazer: Refogue a carne moída em um pouco de azeite, com a cebola

picadinha. Em seguida coloque os tabletes de caldo de carne e mexa bem, deixando que tudo se dissolva na própria água que se formou com a carne. Quando estiver bem refogada junte o molho de tomate e mexa bem. Dissolva a maizena na água e engrosse a carne moída. Coloque a carne num refratário e por cima algumas colheradas de requeijão. Leve ao forno até que derreta o requeijão.

Dica: esta é outra receita fácil de fazer e rápida. E fica uma delícia. Experimente.

Cuidado com os saltos altos Houve um tempo, há muitos anos, que jamais abriria mão de um salto alto. De preferência bem alto. Hoje, não. Quero mais é conforto e não me importo de usar apenas três centímetros e ainda salto mais grosso, no lugar do finos. O salto alto é inofensivo para os joelhos, mas é o inimigo número 1 dos pés. Isso porque ele projeta o peso do corpo para o dedão, sobrecarregando-o de tal maneira que acaba saindo da linha deixando a cabeça do osso exposta ao atrito. É assim que se forma o desagradável joanete. Será que vale a pena arriscar?

Vamos andar de bicicleta? Por que vale a pena pedalar: · Você queima 300 calorias num passeio de 40 minutos, com esforço leve; · Os níveis de pressão arterial, colesterol e triglicérides abaixam; · Funcionam melhor coração e pulmão por estarem mais fortalecidos; · 26% é o que aumenta a força das pernas em dois meses de pedaladas; · Pedalar consegue acabar até com o mau humor; · Pedalar trabalha os músculos do abdome e dos membros inferiores, principalmente quadríceps, glúteos, panturrilha e outros.

PEIXE FRESCO COMPRADO NA FEIRA Tem gente que tem restrição de comprar peixe em feira livre. Mas acredite que o peixe pode até ser mais fresco do que os vendidos em supermercados. Só é necessário tomar alguns cuidados na hora de comprar. Verifique, por exemplo, se o peixe está envolto em pedras de gelo e, de preferência, dentro de bandejas de aço inoxidável. Nos que ficam armazenados dentro de recipientes de plástico, segundo pesquisas, a temperatura é muito elevada. Isso porque, quanto mais frio o ambiente, menor o risco de proliferação de bactérias.


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BEM NUTRIR INFORME PUBLICITÁRIO

BioEssência - Óleos Essenciais Naturais e Orgânicos A BioEssência é uma empresa que fornece óleos essenciais naturais e orgânicos para profissionais da área de saúde, estética e terapêutica, e para o consumidor final. Os óleos essenciais são naturais, voláteis, extremamente concentrados. Penetram em nosso organismo através do sistema respiratório (inalação, aroma e spray ambiental) e da pele diluídos em bases vegetais (massagem, banho, compressas, escalda pés, pós-banho, pós-depilatório) sendo completamente absorvidos pelo organismo. Devido à riqueza de componentes químicos, possuem diversas propriedades terapêuticas que nos beneficiam aumentando o nosso sistema imunológico e são excelentes preventivos de doenças. A complexa composição química das plantas é o que determina as diversas propriedades terapêuticas dos óleos essenciais (antiinflamatórias, analgésicas, relaxantes, cicatrizantes, equilibradoras, etc.), que atuam no sistema físico, nos padrões emocionais e comportamentais, nos cuidados com a pele, em preparos para higiene pessoal, entre outros. Os componentes químicos de cada óleo essencial estimula a produção das substâncias responsáveis pela recuperação e equilíbrio da nossa saúde física, mental, emocional e energética. Em nossa linha de produção a BioEssência vem aumentando a oferta de óleos essenciais orgânicos para atender aos consumidores que já aderiram a esse conceito. O Óleo Essencial Orgânico provem de cultivo sem agrotóxicos e sem aditivos químicos, sendo obtido em um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais, conservando-os em longo prazo e mantendo o equilíbrio do ecossistema. Para atender a demanda pelos produtos orgânicos para cuidados com o corpo a BioEssência lançou a Loção Hidratante Johnny exclusivamente elaborada com os Óleos Essenciais Orgânicos de Patchouli, Tea Tree, Hortelã e Capim Limão, resultando em uma ação antisséptica, bactericida, fungicida e desodorante UNISEX, para os cuidados diários do corpo. Auxilia na regeneração celular, tem efeito tônico, revigorante e estimula a circulação, relaxando os músculos após esforço físico. Age positivamente em momentos de estresse e exaustão nervosa. Torna a pele mais firme e flexível. Agradável efeito refrescante após exposição ao sol ou em dias quentes. No site www.bioessencia.com.br e em nossa página no facebook /bioessencia você conhece a linha completa de produtos e encontra todas as informações necessárias para se beneficiar através das substâncias vegetais orgânicas nos cuidados com a mente e o corpo.

Nutrição e saúde: supermercado ou farmácia? Luiz Francisco Pianowski

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ão é novidade para ninguém que seguir uma alimentação equilibrada é o método mais adequado, segundo os médicos, para quem deseja evitar doenças, mantendo-se saudável e até mesmo mais bonito – evitando envelhecimento, flacidez, entre outros. Isso porque as vitaminas e os sais minerais contidos nos alimentos, quando ingeridos na quantidade certa, ajudam a fortalecer o sistema imunológico e também a combater os radicais livres, moléculas que degeneram as células sadias do nosso organismo. No entanto, a maioria das pessoas não consome a quantidade necessária de nutrientes para que haja proteção eficaz do organismo. Diante desse quadro, as indústrias farmacêuticas, amparadas em pesquisas sobre nossos hábitos alimentares, investiram na criação de pílulas cujas fórmulas são concentrados de nutrientes naturais, capazes tanto de controlar inflamações, como aumentar a imunidade ou trazer benefícios estéticos, como retardar o envelhecimento e fortificar unhas e cabelos.

O objetivo, com o desenvolvimento dos ‘alimentos encapsulados’ é nutrir o organismo para garantir a saúde do corpo. Sem dúvida, mais uma contribuição e tanto da ciência natural em prol da saúde. Aos consumidores, apenas algumas ressalvas antes de engolirem as novidades: por mais avançados que estejam os estudos, nada substitui uma boa dieta e atividade física. Além disso, indicação médica é fundamental, mesmo que não haja exigência de receita para compra desses medicamentos – é preciso ter certeza de que o paciente não apresente alergia aos componentes, principalmente no caso de gestantes e lactantes. Outra medida adequada é a realização de exames para detectar quais as deficiências nutricionais do paciente, para não acabar sobrecarregando o organismo. Feito isso, é só comemorar os avanços da ciência. Luiz Francisco Pianowski é pesquisador, presidente do laboratório Kyolab e membro do Conselho Científico da Amazônia. Farmacêutico com Doutorado em Tecnologia Farmacêutica (Porto-Por tugal)


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Jornalzen Outubro 2012  

Jornal mensal referência em terapias holísticas, saúde, cultura, educação, bem-estar e qualidade de vida. Há sete anos no mercado, circula e...

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