Jornalzen Setembro 2021

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JORNALZEN ANO 17

SETEMBRO/2021

Nº 199

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Divulgação

Sitah

VIRADA ZEN Fernando Belatto (foto) ministrou, no dia 12, a atividade “O Despertar do Guerreiro Interno”. O Centro Cultural São Paulo sedia atividades musicais, de meditação e performances dedicadas ao autoconhecimento. No dia 21, acontece o Amanhã da Paz, um momento de meditação global com mais de 300 lideranças e porta-vozes da cultura da paz. Mais informações e programação completa em www.viradasustentavel.org.br

ZENTREVISTA

Stephanie Caroline Pág. 3

ARTIGOS

O tempo mental e o tempo real

Um outro olhar para a psicologia

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JORNALZEN

2 ARTIGO

O tempo mental e o tempo real por Daniele Costa

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asta observar, por exemplo, quando você encontra um amigo de longas datas e vocês já não se veem a longo tempo, a última memória registrada a respeito daquela pessoa é a que fica. Mesmo que aquela pessoa já tenha tido tantas experiências de vida e mudado tanto, o registro mental prevalece e a mente sempre vai buscar por algo já conhecido. O mesmo acontece com as nossas experiências, o medo de viver o novo na vida vem muitas vezes dos registros de experiências anteriores e o cérebro vai buscar correspondência com isso: memórias e registros análogos a fim de direcionar escolhas e comportamentos. Porém, aprendemos que o tempo não é linear quando se trata de escolhas da alma e do ser, tudo parte da própria consciência de experiência que se requer para evolução e desenvolvimento e para cada um isso se apresenta de uma forma diferente. O que sabemos é que o tempo é presente. E presente no seu real significado, o maior presente que temos é o agora. E a cada segundo nos transformamos em um novo ser, mesmo de forma inconsciente. O mais lindo nisso é o nosso estado

de presença desperto a quem se é. Ao agora. A partir disso, podemos olhar e perceber o que pode ser mudado ou melhorado. Importante atentar que a ansiedade ou depressão tem a ver em partes com aquilo que vivemos no passado e gostaríamos de reviver e não soltamos e quando ficamos presos a isso, paralisamos as nossas escolhas e movimento do tempo. De outro lado, quando olhamos para o futuro, criando projeções e expectativas, ansiamos por algo que ainda está distante e esquecemos que parte desse futuro depende de nossas escolhas no agora. Cabe lembrar também que muito da nossa realidade tem a ver com escolhas que fizemos no passado, porém se estamos presos aos traumas, dramas e memórias do passado, não permitimos vivenciar esse agora tão desejado. Se não trazemos nossa mente para o presente alinhamos com o nosso corpo, corremos o risco de ver o tempo passar sem vivenciá-lo de forma saudável e presente! Por isso, como diz a música: o tempo é um dos deuses mais lindos. Daniele Costa é especialista em gestão de pessoas, palestrante e facilitadora em desenvolvimento integral humano

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Informar para transformar DIRETORA EXECUTIVA SILVIA LÁ MON

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Publicado por JORNALZEN EMPRESA JORNALÍSTICA LTDA. Fundado em janeiro/2005

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PANORAMA CAMINHADA DO CORAÇÃO Com o objetivo de combater o sedentarismo e doenças cardiovasculares, o Hospital Cardiológico Costantini, de Curitiba (PR), está convidando a população de todo o País a caminhar em parques ou ruas de sua cidade, respeitando os critérios de segurança e distanciamento social dos órgãos oficiais. Mais informações: flowcode.com/page/caminhadadocoracao CURSO ON-LINE DE IOGA Estão abertas as inscrições para o Curso Intensivo On-line “Yoga no Dia a Dia – Virtudes Éticas e Felicidade”, oferecido pelo Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). As aulas ocorrerão nas manhãs de 9 a 12 de outubro, das 7h às 12h, com direito a certificado. Interessados devem acessar yogaturma2.faiufscar.com MAPA ASTRAL GRATUITO A astróloga e psicanalista Virginia Gaia está disponibilizando um serviço gratuito para mapa astral (clique aqui para acessar). Basta o internauta colocar os dados de nascimento (data, cidade e horário exato) para saber o signo solar e ascendente, além da posição de planetas e casas de seu mapa, com uma explicação de como ele serve para posicioná-lo no Universo. AULAS DE CULINÁRIA SAUDÁVEL O Parque D. Pedro Shopping, em Campinas, oferece neste mês aulas-show gratuitas de culinária saudável e sustentável, ministradas pelo chef Helton Pereira. No dia 16, o tema é “leites e queijos veganos”; no dia 23, “antepastos veganos”; e no dia 30, “risoto da saúde”. As aulas acontecem às quintasfeiras, às 18h30, na Praça BeGreen (Entrada das Árvores). REDE SOLIDÁRIA O Fundo Social de Solidariedade de Vinhedo abriu o cadastramento e recadastramento da Rede Solidária, grupo de entidades parceiras, organizações da sociedade civil, que promovem atendimentos com disponibilização de recursos materiais a famílias e moradores da cidade. O cadastro deve ser feito no site da Prefeitura – www.vinhedo.sp.gov.br


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screver foi a forma encontrada pela pequena Stephanie Caroline Meyer de Quadros, então com 8 anos, para expressar suas emoções. Aos 15, a paranaense concluiu seu primeiro livro, publicado dez anos depois. Formada em publicidade e jornalismo, Caroline escreveu outras seis obras, entre as quais Diário da Garota em Crise, quando passava por uma depressão. A escrita serviu como terapia própria e inspiração para a autoestima de outras pessoas. Com preferência em criar histórias voltadas à vida real, Caroline se baseou em suas experiências para moldar o perfil das personagens. Nesta entrevista ao JORNALZEN, em meio ao oitavo romance em desenvolvimento, a reikiana de 31 anos conta como conseguiu superar o quadro depressivo e revela que é adepta de terapias holísticas.

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ZENTREVISTA: Stephanie Caroline

TERAPIA LITERÁRIA Escritora colocou a própria experiência com a depressão em seus livros e serviu de inspiração para outras pessoas Divulgação

Você já escrevia antes de ter diagnosticada a depressão? Quando fui escrever o Diário da Garota em Crise, eu ainda não tinha o

diagnóstico. A ideia era reaproveitar um blog que tive em 2013 e contar uma história de amor, tanto que uma das personagens era uma homenagem a um amigo meu. Em 2015, aconteceram várias mudanças e não consegui dar continuidade à história. Ficou parada. Até que, em 2016, fui diagnosticada com depressão associada ao transtorno de ansiedade. E como conseguiu voltar a escrever?

Foi sugestão da psiquiatra que eu ia à época. Um dos conselhos era para que buscasse atividades que me ajudassem a expressar o que estava sentindo, já que não conseguia falar dos meus sentimentos. Meu blog estava a pleno vapor, então, dei continuidade e ia trabalhando em alguns capítulos do Diário. Como avalia a importância da escrita na superação de problemas como o que passou?

Vejo como algo positivo, que ajuda a pessoa a se expressar e colocar pra fora os sentimentos e dores guardados. Ana, a protagonista do livro, sofre em praticamente todos os capítulos, bem ao estilo ‘ela não merece ser feliz’. Na época, era uma forma de mostrar que eu estava sofrendo e tudo o que me incomodava, as decisões imaturas tomadas no impulso, numa tentativa de se encaixar e disfarçar. Hoje, vejo que a Ana foi a forma que encontrei para mostrar que nem

sempre alguém que implora por atenção ou toma decisões imaturas o faz somente por imaturidade. Muitas vezes, tem algo a mais, é um pedido de socorro mesmo. O tema do suicídio também é abordado em suas obras?

Eu nunca tentei, ainda bem, mas me inspirei em pessoas próximas que vivenciaram a crise. No livro que escrevi em 2019, a ideia era mostrar como a personagem deu a volta por cima e como ela reconhece outras pessoas com depressão. A Ana está melhor, en-

tende que tem um problema psicológico que precisa de atenção, tanto que vira a principal ajuda da Luana, que enfrenta o mesmo problema, mesmo que em um grau diferente. A Ana seria um exemplo de depressão em um grau bastante elevado, por ter sido negligenciada e ignorar a situação no começo. Já a Luana teve ajuda cedo e foi tratada com carinho, não como uma bobagem ou frescura, como muitos tendem a dizer. Particularmente, adota alguma prática voltada ao autoconhecimento

“Nem sempre quem implora por atenção ou toma decisões erradas o faz por imaturidade. É, sim, um pedido de socorro”

ou à espiritualidade?

Sim. Sou reikiana, nível 2. Além disso, frequento duas terapeutas holísticas com as quais já fiz cone chinês, auriculoterapia, moxabustão, ventosaterapia, método dos acordos espirituais, transmutação do carma e alinhamento energético. Como avalia a proposta do JORNALZEN

Considero a proposta interessante, pois tem o intuito de direcionar e ajudar os leitores, e não apenas entregar a informação. Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores?

Sempre busque por atividades que você gosta. Agradeça mais, reclame menos e tente entender qual a sua missão neste mundo. Quanto mais alinhado estiver com ela, mais feliz será e mais simples parecerá o seu caminho.


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ARTIGO

JOÃO SCALFI

Filhos credores no lar No devotamento dos pais, todos os filhos são joias de luz; entretanto, para que compreendas certos antagonismos que te afligem no lar, é preciso saibas que, entre os filhos-companheiros que te apoiam a alma, surgem os filhos-credores, alcançando-te a vida, por instrutores de feição diferente. Subtraindo-te aos choques de caráter negativo, no reencontro, preceitua a eterna bondade da Justiça Divina que a reencarnação funcione, reconduzindo-os à tua presença, através do berço. É por isso que, a princípio, não ombreiam contigo, em casa, como de igual para igual, porquanto reaparecem humildes e pequeninos. Chegam frágeis e emudecidos, para que lhes ensines a palavra de apaziguamento e brandura. Não te rogam a liquidação de débitos, na intimidade do gabinete, e, sim, procuram-te o colo para nova fase de entendimento. Respiram-te o hálito e escoram-se em tuas mãos, instalando-se em teus passos, para a transfiguração do próprio destino. Embora desarmados, controlam-te os sentimentos. Não obstante dependerem de ti, alteram-te as decisões com simples olhar. De doces divindades, passam, com o tempo, à condição de examinadores constantes de tua conduta. Governam-te os impulsos, fiscalizam-te os gestos, observam-te as companhias e exigem-te as horas.

PARA ANUNCIAR:

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Reaprendem na escola do mundo com o teu amparo; todavia, à medida que se desenvolvem no conhecimento superior, transformam-se em inspetores intransigentes do teu grau de instrução. Muitas vezes choras e sofres, tentando adivinhar-lhes os pensamentos para que te percebem os testemunhos de amor. Calas os próprios sonhos, para que os sonhos deles se realizem. Apagas-te, pouco a pouco, para que julguem em teu lugar. Recebes todas as dores que te impõem à alma, com sorrisos nos lábios. E nunca possuis o bastante para lhes abrilhantar a existência, de vez que tudo lhes dás de ti mesmo, sem faturas de serviço e sem notas de pagamento. Quando te vejas, diante de filhos crescidos e lúcidos, erguidos à condição de dolorosos problemas do espírito, recorda que são eles credores do passado a te pedirem o resgate de velhas contas. Busca auxiliá-los e sustentá-los com abnegação e ternura, ainda que isso te custe todos os sacrifícios, porque, no justo instante em que a consciência te afirme tudo haveres efetuado para enriquecê-los de educação e trabalho, dignidade e alegria, terás conquistado, em silêncio, o luminoso certificado de tua própria libertação. Fonte: Luz no Lar (Chico Xaviel/Emmanuel)

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Agir salva vidas por Marcelo Alves dos Santos

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saber manifesto sobre tão silenciado assunto se faz necessário, mesmo que assuste ou doa, pois “agir salva vidas”, tendo em vista a preocupante estatística de que, a cada 40 segundos, acontece um suicídio no mundo. Uma palavra tão pequena, porém tão dura em seu significado, derivada do latim – sui (si mesmo) e caederes (ação de matar). Mas que, apesar da dor enfrentada, a morte não justifica e nunca será uma solução. Assunto tratado ao longo dos séculos como sendo incômodo, nas mais diversas sociedades, exigiu que o silêncio fosse quebrado. Nos últimos séculos, estudiosos trataram-no como um problema moral, depois foi tratado como crescente problema social, exigindo explicações para tal fenômeno. Respeitado sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês, Émile Durkheim publicou em 1897 O Suicídio: Estudo Sociológico, dando enfoque e explicação ao mostrar sua preocupação com o impacto que macroestruturas teriam sobre os fenômenos de nível micro, ou seja, o quanto fenômenos sociais afetam a prática do suicídio. O mundo mudou, a sociedade moderna trouxe tantas outras angústias, impactando sumariamente neste “ser no mundo”. As preocupações trazidas por Durkhein evidenciaram ainda mais o assunto suicídio no atual século, que se tornou preocupação mundial, passando a ser visto e pesquisado na área da saúde pública. Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) passaram a apoiar pesquisadores do mundo todo a estudarem o assunto para melhor conhecê-lo, e assim, pensar em formas de prevenção. No Brasil, o suicídio foi posto no Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Em seu volume 50, publicado em julho de 2019, trouxe dados em relação a tentativas e óbitos por intoxicação exógena, de 2007 até 2016. No entanto, o destaque que se deve fazer está no fato de que, no Brasil, o suicídio tornou-se relevante problema de saúde pública, exigindo a formação de inúmeras redes de apoio,

não apenas à pessoa que tenta tal ato, mas a toda a família. É de conhecimento que há enorme preocupação com a exposição em demasia de tal assunto, a ponto de os meios de comunicação evitarem publicar notícias sobre episódios trágicos, justamente, para se evitar possíveis efeitos de imitação. Tal preocupação mobilizou a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), conjuntamente com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a publicarem uma cartilha orientando profissionais da Imprensa, com intuito de melhorar ainda mais a parceria, já que são essenciais para a publicação de matérias que orientem a população sobre os transtornos psiquiátricos. Os vários símbolos trazidos nas campanhas possuem significados, o principal deles foi a fita amarela, baseada no Mustang amarelo de Mike Emme, um rapaz norte-americano que, após sua morte, mobilizou o pedido de ajuda de muitas pessoas que, assim como ele, sofriam de depressão. Seus pais no dia de seu enterro distribuíram cartões com fitas amarelas, com os seguintes dizeres: “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!”. Este ato ganhou repercussão nacional, seguida por inúmeras outras campanhas, mantendo o símbolo original e oficial, a fita amarela. Neste ano, no Brasil, o tema tratado na campanha do Setembro Amarelo é “Agir Salva Vidas”. Contudo, cabe lembrar que em outra campanha, o girassol foi lembrado como ato de resistência à escuridão, à falta de luz trazida pelo adoecimento mental, principalmente, a depressão, responsável por inúmeros atos de suicídio. Nesse sentido, encerro este artigo lembrando o comportamento da natureza: mesmo que o sol esteja escondido em meio as nuvens, a flor gira insistentemente, apesar de toda a dificuldade imposta, na direção da luz, assim devemos agir em relação a preservação da vida, busquemos a luz da ajuda, a luz da fé, para clarear a obscuridade que o silêncio traz, pois o suicídio não deve ser uma opção. Marcelo Alves dos Santos, psicólogo clínico e professor do curso de psicologia do Centro de Ciência Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie


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REJANE ACOSTA Os papéis que exercemos Muitos são os papéis que desempenhamos em cada encarnação. Quando reencarnamos acoplamos em um corpo que assumirá várias funções ao longo de sua encarnação. Na psicoterapia reencarnacionista, chamamos de “cascas”. Cada uma delas exige de nós responsabilidades a cumprir. Somos todos espíritos, mas com responsabilidades diferentes, relacionadas aos papéis que exercemos. Assumir os papéis que nos cabem, seja na família ou em outras esferas, é a possibilidade que temos de trabalhar as questões para as quais reencarnamos, como por exemplo a paciência, a raiva, a inveja, o egoísmo, achar-se mais ou menos que os outros. É no exercício das “cascas” que fazemos nossos aprendizados enquanto espíritos rumo à evolução. Para aproveitarmos essa oportunidade, faz-se necessário a consciência de ser um espírito e estar em uma “casca”. É aí que a maioria das pessoas acaba desviando de seu ca-

minho, pois confundem-se com seus papéis, pensando ser a “casca” ao invés de estar na “casca”. Ela é a representatividade do ego na Terra. Quanto mais nos reconhecermos como espíritos, mais fácil ficará para enxergarmos aos outros como espíritos também. E, por consequência, entender que as questões do outro não são pessoais, mas estão diretamente relacionadas com a forma que aquele espírito interpreta sua vida e as situações que o rodeiam. Vivendo com essa consciência mais facilmente conseguiremos entender o que precisamos repensar. Assim, nossas inferioridades irão enfraquecendo e dando espaço ao desenvolvimento de nossas superioridades. Esse processo demanda muito tempo porque ainda resistimos para aceitar que cada um pensa e age embasado em todas as experiências que teve ao longo de suas encarnações. Cada ser age conforme entende sua vida e o mundo!

FORMAÇÃO EM PSICOTERAPIA REENCARNACIONISTA - SÃO PAULO Início: 28/09/2021 (4º sábado do mês) Duração: 24 meses | Horário: 8h30 às 18h On-line nos 5 primeiros meses, via Zoom Inscrições: www.rejaneacosta.com contato.rejanecosta@gmail.com

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Um outro olhar para a psicologia por Beatriz Breves

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inda como estudante, pude perceber que a construção teórica da psicologia – o estudo do comportamento humano, através de suas diferentes escolas de pensamento, se estruturava, conforme o pensamento científico do século XX, no paradigma cartesiano. Aprendi o ser humano modelado como uma máquina perfeita, tendo o sistema neuronal como engrenagem principal de onde surgiria a emoção – uma resposta química – e o sentimento como sendo a sua reação. Visão que consagra o materialismo e a primazia da razão. Entretanto, vislumbrando a universalidade dos sentimentos, pois desde a pré-história o ser humano sente com a mesma semelhança vibracional, entendi que o sentir ultrapassava os tempos, as épocas e as culturas. Amor, ódio, fé e os mais de 500 sentimentos conhecidos são vivenciados como constantes universais humanas, variando conforme a época e a cultura em suas expressões, mas não nos seus conteúdos vibracionais. Não é difícil compreender alguém de outra época ou cultura se nos fala que sentiu desprezo, paixão, etc. e isto porque somos capazes de sentir a vibração de cada sentimento de maneira equivalente. Natural, há que se considerar a experiência subjetiva, ao exemplo de se ouvir uma música. Mesmo a canção sendo a mesma, cada pessoa irá escutá-la conforme a sua experiência de vida. Desta forma, comecei a estudar o sentir a partir da transdisciplinaridade. Além da psicologia, graduei-me em física, tendo como objetivo compartilhar outro olhar de mundo. Nesta trajetória, partindo da psicologia, psicanálise, física, biologia e artes, cheguei a um campo novo que nomeei de Ciência do Sentir. Meus estudos então migraram para o paradigma vibracional, onde a natureza, inclusive, a natureza humana, se fez compreendida como um complexo vibracional uno, inteiro e indivisível, onde o ser humano é concebido como um complexo vibracional cuja experiência de si mesmo é o Sentir. Sentir que se expressa através dos sentimentos – carinho, mágoa, etc.; das sensa-

ções – frio, calor, etc.; e dos pensamentos, que neste paradigma se apresenta como uma expressão do sentir, ou seja, aquela vibração que foi processada em pensamentos e que confirma que se acessamos ao que pensamos é porque podemos sentir os pensamentos. Assim, mente e corpo são uno, representam imagens de um complexo que, em um universo hoje compreendido em dez dimensões de espaço e uma de tempo, tem a sua totalidade una reduzida pelo sistema perceptivo humano em três dimensões de espaço, o que resulta na capacidade simbólica e na ilusão de divisão e materialidade. Compreendidos por este olhar, os sentimentos são elevados ao lugar de atores principais nas cenas de nossas vidas, direcionando, dessa forma, a psicologia para o paradigma vibracional. Não é difícil comprovar que o sentir, sendo uma complexidade, compõe o nosso Eu. Se estamos felizes, torna-se mais fácil lidar com a vida, mesmo e apesar das dificuldades. Mas se estamos insatisfeitos torna-se mais difícil lidar com a vida, mesmo e apesar das facilidades. A questão é que vivemos em uma cultura que desdenha os sentimentos, aponta como fraqueza demonstrar o que sente: o homem que é homem não chora e sentir vergonha nem se fala. Fez-se um mito de que o ser humano superior teria domínio integral de seus sentimentos, apresentando-se frio e calculista. E, nesse contexto, aprendemos a reprimir ou a tentar domar os sentimentos, quando de fato a riqueza e a evolução humana está na experiência dos sentimentos e em suas transformações. Segundo a ciência do Sentir, os sentimentos são como diamantes que precisam ser lapidados para assim gerar riquezas internas, possibilitando as pessoas adquirirem recursos para gerenciar as suas relações, assim como a própria vida. Neste paradigma emerge o Eu Sensível, aquele recorte do Eu que, conseguindo experienciar o sensível conscientemente, viabiliza o sabor do Eu, ou seja, o sentimento do Eu que cada pessoa possui de si mesma. Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista, bacharel e licenciada em física


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‘Pandemia de informações’ por Denise Basow

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novo coronavírus proliferou por todo o mundo na velocidade da luz, estimulando uma explosão de novas informações médicas nos últimos 18 meses. As equipes de cuidados na linha de frente estavam desesperadas para encontrar diretrizes mais recentes para tratar o fluxo de pacientes que passavam por seus departamentos de emergência, mas muitas vezes também se também se deparavam com informações incorretas que poderiam prejudicar seus pacientes. Da mesma forma, os pacientes se esforçavam para entender em quais fontes de informação podiam confiar para que pudessem proteger a si próprios e a seus entes queridos. A OMS identificou esse dilúvio de informações, ou “pandemia de informações”, como um grande problema para a saúde global. De acordo com a OMS, a definição de uma pandemia de informações é “o excesso de informações, incluindo informações falsas ou enganosas em ambientes digitais e físicos durante o surto de uma doença, o que pode causar confusão e comportamentos de risco que podem prejudicar a saúde, além de gerar desconfiança nas autoridades de saúde, prejudicando a resposta ao público”. Considere que, em 31 de janeiro de 2020, foram publicados 50 estudos sobre coronavírus em 20 dias – um progresso notável. Atualmente, existem mais de 150 mil estudos sobre o coronavírus, com algumas estimativas de até 400 mil, se incluirmos jornais pré-impressos e outras literaturas indefinidas. É fundamental que alguém dê sentido a todas essas informações para que sejam úteis no tratamento de pacientes, pois há uma margem de erro significativa quando se considera a imensa pressão para fazê-lo o mais rápido possível para salvar vidas. Embora grande parte da minha carreira tenha sido focada em colocar as informações mais recentes baseadas em evidências nas mãos da comunidade médica para promover melhores cuidados em todos os lugares, não podemos esquecer que os pacientes são

uma parte extremamente importante da equipe de cuidados de saúde. Eles também precisam das informações corretas – e essas informações devem estar alinhadas com as evidências que suas equipes de cuidados estão usando para tomar decisões de tratamento. Felizmente, há um caminho claro para combater a desinformação – que pode levar a uma pandemia de informações – e é fundamental que a comunidade de saúde o entenda e o aceite agora, para mitigar ocorrências futuras: - Ouça as comunidades – de médicos e pacientes – para saber quais são suas dúvidas e preocupações específicas. - Coloque os fatos nas mãos dessas comunidades para que elas possam avaliar o risco com precisão, sobretudo em torno das novas vacinas para combater a Covid-19. - Promova uma compreensão ampla da capacidade da Internet de produzir informações boas e ruins para construir resiliência à desinformação. - Forneça ferramentas que capacitem as comunidades a agir, como instruções sobre como distinguir o que é fato e o que é ficção e tudo o que for indefinido. Ao redor do mundo, todas as pessoas, desde funcionários do governo e de saúde pública a profissionais de saúde, líderes comunitários e pacientes, precisam de ajuda para determinar quando é apropriado agir (ou não agir) com base nas evidências científicas. Todos devem ter acesso a informações baseadas em evidências que informam suas decisões e a tecnologia deve ajudar a facilitar, e não impedir, esse acesso. Podemos e devemos aprender com a pandemia de informações sobre a Covid-19 para melhorar a resposta futura da saúde pública. Denise Basow é CEO de Efetividade Clínica da Wolters Kluwer, Health

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Marcelo Sguassábia Ah, esse Jeff... Bezos quer mais, muito mais. Ser o homem mais rico da Terra já é conquistazinha barata, sem charme e de mérito discutível. Provavelmente ele quer – e vai – se autoproclamar o homem mais rico de Marte, de Saturno, de Urano, de Mercúrio, de Vênus, de Júpiter e de Netuno. Fincando a bandeira da Amazon nestes planetas, o que deverá ocorrer bem antes do que se imagina, Bezos será formalmente declarado o homem mais rico do universo. E até prova em contrário será verdade, já que a ciência desconhece outros mundos habitados. Mas a sideral sacada do destemido Jeff virá depois. É sabido e confirmado cientificamente que há 300 milhões de mundos semelhantes à Terra apenas na Via Láctea. E olha que este número é conservador: várias estimativas apontam para a casa dos bilhões. Calculando por baixo uns sete bilhões de bípedes em cada globo, imagine o que o nosso sorridente calvo já deve estar maquinando… Consta que os planos de Bezos

são muito ambiciosos para conquistar este mercado potencialmente infinito. A ideia é fundar a Amazon Universal fora da órbita terrestre, e em consequência, fora de qualquer alcance tributário. Para ser ainda mais competitivo, Jeff recrutará mão de obra extraterrestre de planetas menos evoluídos, para que não tenha que pagar nada ou, pelo menos, ter menores custos trabalhistas. As matérias-primas para produção de tudo o que a Amazon Universal comercializará virá, a princípio, da Terra. Porém, na ida e na volta da espaçonave, milhares de terráqueos estarão fazendo turismo interplanetário. Os ganhos de escala serão tamanhos que tornarão possíveis as excursões de grupos de terceira idade ávidos por piruetar sem gravidade, o que financiará o transporte das cargas indefinidamente. Isso sim é o que se pode chamar de aproveitar a viagem. * Esta é uma obra de ficção. Marcelo Sguassábia é redator publicitário


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Pedro Chiamulera e Omar Jarouche, diretores da ClearSale, empresa parceira do Art Of Love SP, movimento artístico e beneficente que apresenta 70 corações gigantes em pontos de grande circulação de São Paulo Divulgação

O prefeito Dário Saadi junto a diretores da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e alunos que arrecadaram alimentos, roupas e calçados em gincana

CULINÁRIAZEN CREME DE FOLHA DE COUVE-FLOR Ingredientes: • 5 xícaras de chá (folha) couve-flor • ½ xícara de chá de cebola • 1 xícara de chá de leite • ½ xícara de chá de água • 2 colheres de sopa de óleo • 1 colher de sopa de farinha de trigo • Sal a gosto Preparo: Lavar as folhas de couve-flor e picá-las muito bem. Em uma panela, refogar a cebola no óleo até

Marcos Naoki Suguio

Carol Ribeiro, Liège e Andrea Alvares no painel “Guardiões da Floresta”, evento da Natura transmitido para sete países, em comemoração ao Mês da Amazônia Divulgação

Uma das obras da artista plástica Alice Vilhena em exposição pública na Avenida Paulista (em frente à Casa das Rosas) que chama a atenção para o Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio

LEITURAZEN Divulgação

IDOSOS E ESPIRITUALIDADE

Lígia Posser Luz da Serra Editora

dourar. Juntar as folhas picadas e o sal. Misturar bem. À parte, misturar a farinha, o leite e a água. Adicionar a mistura ao refogado, mexendo bem até o creme encorpar. Deixe cozinhar. Sirva quente. Crédito: Aproveitamento Integral dos Alimentos. Série Mesa Brasil SESC, 2003

Gerontóloga e psicoterapeuta holística ensina como passar por cima das inseguranças, para desfrutar da chamada melhor idade com mais plenitude, autonomia e lucidez, compartilhando método, dividido em quatro etapas, que desenvolveu para os idosos aprimorarem o autocuidado e o autoconhecimento.

Divulgação/Luz da Serra Editora


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