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especial JOFERLIS


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36 ESPECIAL | 20º ANIVERSÁRIO JOFERLIS

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Uma história de empreendedorismo Sucesso ∑ Ao cabo de 20 anos, o universo Joferlis assegura 20 postos de trabalho e está dotado de modernos equipamentos Começando como empresa em nome individual de apoio à industria de vidro, no início dos anos 80 passa a trabalhar predominantemente para a indústria dos moldes e contrata o primeiro funcionário no final de 1982. Já enquanto Joferlis começa a trabalhar com quatro funcionários e cinco máquinas. Cedo aposta em dois fornos a sais para começar a fazer tratamento térmico dos acessórios que produz, fornos esses que já há muito foram substituídos por equipamento de atmosfera controlada. Ao longo do final dos anos 80 e dos anos 90 vai apostando em rectificadoras programadas e sistemas de torneamento com controlo numérico, que neste momento já repre-

sentam 80 por cento do seu equipamento e mais de 90 % da sua produção. Com um ritmo de crescimento consciente e consistente, em média, a cada quatro anos, são admitidos ao serviço três funcionários e adquiridos dois equipamentos industriais. Neste momento, a Joferlis labora com 20 funcionários e 16 máquinas, tendo, na sua base de dados, mais de 400 clientes activos, todos nacionais e quase todos ligados ao universo dos moldes. Ao comemorar o seu vigésimo aniversário apadrinha agora a TTO - Tratamentos Térmicos do Oeste, uma empresa tecnológica que se dedica ao tratamento térmico do aço, sobre a qual pode ler nas páginas seguintes.

A PRÉ-HISTÓRIA Começou há cerca de 28 anos, quando João Ferreira (na altura também com 28 anos) recebeu o seu primeiro trabalho de torno, uns suportes e uns anéis de centragem. Era muito complicado encontrar financiamento para a compra de uma máquina, mas acabou por persuadir o director de um banco a ser seu fiador. Faltava agora arranjar um serrote mecânico. No ferro-velho encontrou um esqueleto de um serrote antigo e adaptou-lhe uma folha de corte manual, colocou um peso em cima do braço do serrote para criar a pressão e um motor de uma máquina de lavar roupa para gerar o movimento. Para a refrigeração tinha uma mangueira a conta gotas e um balde no chão a aparar o que daí escorria depois de arrefecer o corte.

A A garagem onde tudo começou

O IMPROVISO E A CRIATIVIDADE

ESTABELECIMENTO ENQUANTO EMPRESA

A DIVERSIFICAÇÃO DO MERCADO

Noite após noite foram sendo feitas pequenas peças em aço e ferro fundido, sobretudo para a indústria do vidro. Sempre que chegava uma peça de maior dimensão chamava-se alguém para ajudar a colocá-la na máquina, usando cintas e madeiras. As próprias máquinas eram muitas vezes modificadas para poderem produzir além das suas capacidades e trabalharem dimensões aparentemente inacessíveis. Os mecânicos garantiam a pés juntos que esta ou aquela modificação eram impossíveis, mas poucos meses depois estavam operadas e funcionais. O motor da máquina de lavar roupa tinha sido apenas a primeira de muitas adaptações.

Passados alguns anos chegou a altura de deixar o trabalho na vidreira e começar uma firma em nome próprio e a tempo inteiro. E é verdadeiramente aí que a Joferlis ganha forma. Em 1986 inicia a sua actividade ainda em Porto do Carro, freguesia de Maceira, por onde fica durante alguns anos, até se mudar para a Cerca, mais próximo da comunidade industrial da Marinha Grande, que lhe garantia praticamente a totalidade de encomendas. Crescendo enquanto pequena empresa até meados dos anos 90, acaba por apostar decisivamente em máquinas programadas e nos melhores profissionais na área do torneamento e rectificação

Começando a trabalhar sobretudo na área dos acessórios para o vidro, cedo mudou o rumo para os normalizados da indústria de moldes, apostando nos trabalhos mais específicos e, sobretudo, técnicos, como zonas moldantes em redondos e peças conforme desenho. Investe na área dos tratamentos térmicos dos acessórios e cria uma vasta gama de stocks para as referências mais recorrentes. Para além dos diferentes tipos de aço, começa também a trabalhar o bronze e o bronze grafitado. Nesta evolução aposta sempre na qualidade, rapidez de entrega e proximidade ao cliente como princípios estruturantes e norteadores do seu dia-a-dia de trabalho.

Uma referência nos acessórios normalizados


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“A expansão não é tanto uma prioridade, mas antes uma inevitabilidade” Mercado ∑ Urge aumentar a produção e cortar nos preços e nos prazos de entrega, melhorando a qualidade

João da Silva Ferreira começou a trabalhar com dez anos de idade a ganhar dez escudos por dia e durante a noite ia completando estudos. Ainda antes de prestar serviço militar já tinha frequentado a escola industrial e trabalhado em locais tão diversos como uma serração, uma empresa de cimentos e uma vidreira. Do curso de serralharia à experiência como torneiro mecânico cresceu a vontade de começar o seu projecto que hoje conta já com 20 anos de constante crescimento.

Como tudo começou. O início não foi propriamente fácil, aliando a capacidade de iniciativa ao sentido de oportunidade, recorda: “Na altura estava a trabalhar na Crisal e senti que se tivesse um torno em casa conseguia angariar alguns trabalhos da indústria vidreira que normalmente eram adjudicados a empresas exteriores. Mas não era muito fácil para um trabalhador por conta de outrem arranjar dinheiro ou financiamento para conseguir comprar um torno. Assim que o consegui fui trabalhando durante as noites (já que mantinha o trabalho assalariado) e, consciente do risco, pé ante pé, fui tentando encontrar oportunidades e soluções”.

O pior momento. “Ao longo destes anos foi, provavelmente, no início dos anos 80. Tinha saído da Crisal para me estabelecer em casa e trabalhava sobretudo para a indústria vidreira que, entretanto, se viu a braços com uma crise sem precedentes. Estava a pagar equipamento com juros de 30%, deixei de ter encomendas de trabalho, tinha dois filhos pequenos e ponderei inclusivamente abdicar de tudo e mudar de rumo. Mas isso foi numa fase prévia que eu gosto de considerar como um falso arranque, ainda que necessário. Na verdade foi isso que me levou a procurar trabalho noutros sectores, a descobrir os moldes e a começar a Joferlis tal e qual a conhecemos. Se bem que o momento actual se afigura como uma crise demasiado prolongada, ao contrário de muitas outras que foram curtas e intensas, tem sido uma espécie de “morte lenta” que vai estrangulando o sector e que não me deixa as melhores perspectivas. Apesar de manter a mesma vontade de sempre, confesso que hoje em dia

versatilidade nos permitem uma competitividade em relação aos restantes mercados internacionais. E é a reunir esses factores e a trabalhar para essa aposta que temos caminhado”.

a dificuldade dos recebimentos me causa imensa preocupação”.

A mudança de sector. “Não era fácil entrar no mercado emergente dos moldes, sobretudo para alguém que vinha de um sector diferente, como o do vidro. Fui falando com algumas empresas oferecendo preços baixos, rapidez de entrega e qualidade. No início, muitas mostraram-se reticentes mas lá entregavam um ou outro trabalho nem que fosse pela persistência com que as contactava. Também é certo que alguns meses depois passaram a ser clientes com quem tenho desenvolvido trabalho até aos dias de hoje”.

A distância. “Sem as comunicações de hoje em dia, cedo percebi que uma empresa localizada numa garagem de uma pequena aldeia poderia ter dificuldades em servir da melhor forma possível um mercado muito centralizado na região da Marinha Grande. A mudança para a Cerca aconteceu naturalmente porque estava a 25 quilómetros do meio onde tudo se passava. Ao mudar sabia que conseguia atenuar essa distância. Apesar disso, não deixa de haver uma relação com a aldeia que viu a empresa nascer pois, hoje em dia, um quarto dos funcionários ainda são do Porto do Carro”. Os outros mercados nacionais. “Para além do mercado local da Marinha Grande, a Joferlis tem procurado novos mercados nacionais, tanto através de empresas locais que representam os nossos produtos, como, aqui e ali, directamente. Esse processo de expansão não é tanto uma prioridade, mas antes uma inevitabilidade. Se os preços não registam qualquer subida há vários anos, uma empresa, para subsistir, tem que aumentar a produtividade e alar-

A João da Silva Ferreira gar o leque de clientes, ou seja, o mercado. É óbvio que é mais difícil ser competitivo quando a distância entre cliente e fornecedor aumenta, mas quando necessitamos de produzir mais para fazer face às despesas fixas temos que encontrar soluções que atenuem essa desvantagem da distância”.

O contexto internacional. “Não há grandes dúvidas de que, nos anos 80 e 90, as empresas de moldes atravessaram anos dourados, o trabalho abundava, era razoavelmente bem pago e os prazos eram aceitáveis. Mas nos últimos anos, os clientes internacionais começaram cada vez mais a recorrer aos mercados asiáticos e de leste que contam com uma mão-de-obra muito mais barata e sem legislação laboral e diversos apoios institucionais e proteccionistas. E se juntarmos a esse factor uma recessão económica nacional que parece não ter fim à vista, entramos num período que não deixa an-

tever a bonança para muitas empresas do sector. Resta-nos a vantagem de que a especialização e a qualificação desses mercados não sejam o seu forte. Os moldes são cada vez são mais técnicos. Só espero que nesse aspecto os outros mercados não evoluam muito no nosso sentido, pois aí estaríamos em muitos maus lençóis”.

A aposta na qualidade e na versatilidade. “No mercado actual os moldes são cada vez mais baratos, têm prazos mais apertados e, ao mesmo tempo, são mais complexos. A aposta na qualidade é a única possibilidade de resistir a um mercado cada vez mais global. Neste desígnio, os avanços tecnológicos são imprescindíveis porque permitem a coexistência de vários factores que se devem verificar para garantir uma posição no mercado: o constante aumento de produção e a constante redução dos prazos de entrega e dos preços. Mas só a aposta na qualidade e na

Manter a estrutura. “É verdade que quando uma empresa de cariz praticamente familiar se expande a passa a ter uma estrutura mais pesada, normalmente essa modificação aparece associada a um corpo coordenador com vários directores, engenheiros e comerciais. Mas a Joferlis continuou a primar pelo cariz quase familiar de organização, uma opção que, como qualquer outra, tem vantagens e desvantagens. Mas no nosso caso acho que os aspectos positivos têm dado os seus frutos, sobretudo na pronta resposta às necessidades dos nossos clientes. Enquanto for possível e sustentável, esta vai ser a organização de uma empresa que não quer deixar de ser pequena”. O futuro. Se me perguntassem há 20 anos se em 2006 a Joferlis estaria com uma posição tão sedimentada no mercado acho que nem com todo o optimismo arriscava a resposta afirmativa. Muito sinceramente não consigo prever qualquer cenário para os próximos anos, até porque a instabilidade que se vive é, no mínimo, angustiante. Mas sempre soubemos resistir às adversidades e nunca precisámos de apoios estatais ou de fundos de qualquer natureza para chegar até aqui. Se calhar é por isso que reconheço que, contra todas as condicionantes do mercado, me sinto ainda bastante entusiasmado porque a equipa de trabalho é muito boa e a noção de saber trabalhar e crescer apenas quando é necessário e de forma consciente tem-nos dado vontade e argumentos para continuar o nosso caminho”.


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A qualidade e a comunicação

A Gráfico de um tratamento

Uma nova empresa de Tratamentos Térmicos Processo ∑ A garantia do tratamento Na preparação da Tratamentos Térmicos do Oeste (TTO), os seus responsáveis tiveram oportunidade de visitar várias empresas do ramo em diversos países da União Europeia e chegaram à conclusão de que Portugal ainda é um dos países onde melhor se trabalha a este nível. Daí terem implementado algumas medidas para ga-

rantir que o serviço final consiga satisfazer todos os parâmetros de qualidade exigidos pelo cliente. Se é sabido que qualquer aço a determinada temperatura e com determinado arrefecimento acaba por atingir determinada dureza, também é verdade que temos que oferecer garantias que todo o aço (no caso da têmpera) es-

teve determinado tempo a uma determinada temperatura, pois só assim se consegue provar uma homogeneidade no resultado final. Ainda que isso implique um tratamento mais prolongado e necessariamente mais dispendioso, os ciclos são medidos a partir do núcleo da peça a tratar (quando tal é possível) ou

a partir de uma peça-modelo que é colocada na carga para o efeito. No gráfico podemos observar a temperatura do forno (a vermelho) e a temperatura do núcleo da peça (a verde), onde se garante que o tratamento só avança para a fase seguinte quando o núcleo da peça de comando chega à temperatura programada.

Uma empresa necessária ao sector Oferecendo tratamentos térmicos especializados como a têmpera a vácuo e a atmosfera controlada, nitruração a baixa pressão, cementação, recozimentos, revenidos, normalizações e redução de tensões, a TTO representa um enorme investimento em fornos tecnologicamente evoluídos e conta com uma equipa jovem e capaz de lidar com casos tecnicamente exigentes, liderada por alguém com praticamente 20 anos de experiência no ramo específico dos tratamentos térmicos. Sabendo da necessidade da vasta comunidade empresarial do Oeste em prazos de entrega mais curtos, a TTO fornece ainda ser-

viço de recolha e entrega, cumprindo uma média de dois dias para conclusão do tratamento. Aliando a tecnologia ao conhecimento, a TTO mostra-se uma empresa flexível, seja no seu horário alargado (entre as 8 e as 21 horas), seja nos aspectos mais importantes da relação com os seus clientes, apresentando sempre soluções competitivas tanto a nível de prazo como de preço, nunca deixando que estes dois últimos factores belisquem a qualidade do serviço prestado. Apresentando capacidades de 600x500x1200 para têmpera a vácuo, de 800x700x1200 para nitruração e de 500x1200 para

A Fornos de têmpera, nitruração e revenidos cementação, a TTO representa, acima de tudo, uma aposta necessária para o crescimento da indústria dos moldes na região centro. Tendo aberto as suas por-

tas há menos de seis meses, conta já com mais de centena e meia de clientes, tendo sido já obrigada a realizar novos investimentos para poder responder ao apelo do mercado.

A Os certificados Tentando manter sempre a maior proximidade possível com os seus parceiros, a TTO desenvolveu um método para lhes comunicar, de uma só vez, que o tratamento está pronto e quais os resultados do mesmo, através do envio por e-mail, em formato “pdf” de um certificado de qualidade que, para além de especificar todos os dados necessários (nome do cliente, nº da requisição, nº do molde, nº das peças, tipo de aço, tipo de tratamento, nº de programa, peso, durezas e/ou camadas pretendidas e obtidas), inclui também uma fotografia do material, certificado esse de acordo com a secção 3.1 da norma NP EN 10204:2004. O envio por e-mail, para além de ser mais rápido,

evita qualquer extravio, já que pode ser directamente endossado ao responsável da qualidade da empresa a que o trabalho se destina e não corre o risco de se danificar no transporte ou no ambiente normal de trabalho, para além de poder ser imediatamente armazenado num dossiê digital com toda a informação de determinado molde. Tendo em conta a realidade actual em que grande parte dos clientes das empresas de moldes é estrangeiro, a TTO decidiu também, a partir da presente semana, emitir estes certificados numa versão bilingue (português/inglês) para que seja mais fácil ao cliente entender toda a informação que nele consta.

O que é o tratamento térmico do aço? Segundo reza a lenda, os romanos descobriram que se deixassem a sua espada algum tempo numa fogueira e depois a mergulhassem em água, esta acabava por ficar mais dura que a dos adversários, tornando-se numa vantagem importantíssima em combate. Este pode ter sido o primeiro passo na descoberta que determinado aço, se elevado durante determinado tempo a uma temperatura tal, sendo imedia-

tamente arrefecido de um modo específico, acaba por observar alterações a nível de estrutura molecular que lhe vão conferir uma maior dureza, maior elasticidade e maior tenacidade. No universo dos moldes, muitos aços são fornecidos no estado recozido ou com a menor dureza possível para poderem ser mais facilmente maquinados e quando já estão perto das medidas finais são submetidos a um tratamento térmico.


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