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Curitiba, 05 de maio de 2014 - Ano 17- Número 237 - Curso de Jornalismo - PUCPR

O Jornalismo da PUCPR no papel da notícia

Deslizamento na Graciosa, ocorrido na segunda semana de março, gera prejuízo para os comerciantes da região Pgs. 10 e 11


EXPEDIENTE O Comunicare é o jornal laboratório do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

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COMUNICARE

Curitiba, 05 de maio de 2014

05 de maio de 2014 Edição 237 REITOR Waldemiro Gremski DECANA DA ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES Eliane C. Francisco Maffezzolli

PARABÉNS PRA VOCÊ, CURITIBA!

Cidade comemora 321 anos com vários eventos nos bairros e 550 quilos de bolo

COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO Julius Nunes COMUNICARE COORDENADOR EDITORIAL Julius Nunes COORDENADOR DE REDAÇÃO JORNALISTA RESPONSÁVEL Miguel Manassés (DRT-PR5855) COORDENADORA DE PROJETO GRÁFICO Juliana P. Sousa MONITORIA Fábio Carvalho da Silva FOTO DE CAPA Fernanda Bertonha EDITORES Andressa Elesbão Eduardo Souza Guilherme Becker Jeslayne Valente Igor Di Santo Lara Pessoa Luana Kaseker Lucas Vaz Natália Moraes Raphaela Viscardi Roberto Rohden Taís Arruda Verônica Alves Virgínia Moraes PAUTEIROS Amanda Ribeiro Beatriz Lima Daniela Dalla Libera Alcoléa Giovanna Kasezmark José Helinton da Silva Júnior Jonatan Lavor Karyna Prado Luciana Prieto Manuella Niclewicz Marcio Galan Stephanie de Morais Victor Waiss Vinícius Frank jornalcomunicare.pucpr@gmail.com www.youtube.com/jornalcomunicare

Autoridades presentes no momento do corte do bolo comemorativo, feito pelo Sindicato dos Panificadores de Curitiba Múltiplos eventos em todos os cantos da cidade marcaram o aniversário de 321 anos de Curitiba, no dia 29 de março, data na qual até São Pedro deu uma trégua, e os curitibanos foram presenteados com um dia ensolarado e fresco, para o tranquilo acesso da comunidade aos serviços básicos oferecidos e às opções de lazer nas regionais dos bairros.

(SIPCEP) e a empresa Anaconda, oferecido há 13 anos como presente aos curitibanos. O corte oficial do bolo se deu próximo das 15h30, e contou com a presença de várias

autoridades e figuras públicas, dentre elas o prefeito Gustavo Fruet e a pré-candidata ao governo do Estado pelo PT, senadora Gleisi Hoffmann.

E O PRIMEIRO PEDAÇO VAI PARA... Com início programado para às 10h, cerca de 4 mil pessoas compareceram ao Parque Barigui para o maior evento de todas as regionais da cidade. Shows de rap e apresentações de música eletrônica e japonesa animaram o dia dos visitantes, que aproveitaram para utilizar os serviços disponíveis de diversas áreas para a comunidade, como medição de glicose e pressão, consulta odontológica, cadastro no Banco Nacional de Empregos (BNE), massagem, maquiagem e manicure. Não faltou diversão paras as crianças também, que se esbaldaram nos 10 brinquedos montados para o evento e nas oficinas de pintura e desenho. Porém, a principal atração foi o tradicional bolo de aniversário de 550 quilos, feito pelo Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Paraná

Atores circenses em apresentação na comunidade do Alto Boqueirão


Curitiba, 05 de maio de 2014

INAUGURAÇÃO DO PARQUE GUAIRACÁ Em comemoração ao aniversário de Curitiba, quem ganhou um dos presentes foi o bairro Fazendinha, com a inauguração do Parque Guairacá. O parque faz parte de um programa de desenvolvimento que tem por objetivo reverter situações de degradação de rios e busca a preservação de nascentes e conservação de ambientes naturais. O espaço com 120 mil metros quadrados, às margens do Rio Barigui, foi inaugurado em grande estilo. A festa contou com atrações para todas as idades. Para as crianças teve brinquedos infláveis, distribuição de algodão doce e pipoca, palhaços, escalada e oficina de pintura. Também houve apresentação circense, distribuição de mudas de árvores, apresentação da escola de samba Mocidade Azul e dança sênior, coordenada por fisioterapeutas. Na inauguração também foram oferecidos serviços à comunidade como doação, chipagem e castração de animais de estimação. Fruet marcou presença e oficializou a inauguração.

COM QUEM SERÁ? Aproximadamente 194 casais participaram do casamento comunitário coletivo que ocorreu na Rua da Cidadania do Carmo, no Boqueirão. Foi realizado o casamento civil e uma pequena cerimônia com a juíza de paz. A festividade contou com a presença do prefeito e vereadores de Curitiba. O casal Roseu Machado e Maura Moreira são curitibanos e estão juntos há 14 anos. Os noivos estavam muito emocionados por formalizar a sua união no dia do aniversário da capital. O noivo achou interessante a iniciativa da Prefeitura em realizar um evento como este. “Eu acho esta iniciativa muito boa porque têm muitas pessoas que querem casar, só que não têm condições de

formalizar a sua união”, disse Machado. O prefeito participou do evento como convidado especial da cerimônia. A cidadania foi o foco principal da Prefeitura para a realização do casamento comunitário no dia do aniversário da cidade. “Com o evento, nós permitimos que as pessoas tivessem acesso ao poder judiciário, questões que são básicas na vida. Primeiro tiveram acesso ao casamento civil, que acaba sendo uma

COMUNICARE

encontro de artistas circenses e músicos. Durante a exibição, números de circo e sessões musicais foram intercaladas. “Circo, teatro, shows musicais, tiram a pessoa do ócio. Quanto mais atividades culturais tiverem, melhor para a cidade”, comenta Mariana. A diretora e artista não escondeu a alegria de poder estar fazendo parte das festividades dos 321 anos de Curitiba. “É muito bom fazer uma apresentação no dia do aniversário de Curitiba, justamente quando a cidade está fervendo cultura. O importante é que a gente divertiu muitas pessoas, uma festa no circo da cidade”, concluiu.

HOMEM NU EM 3D

realização para os casais, e segundo que é um privilégio para Curitiba que um dia tão alegre na vida dessas pessoas coincida com o aniversário da cidade”, completou Fruet.

CIRCO NO ALTO BOQUEIRÃO No Alto Boqueirão teve espetáculo circense em homenagem ao aniversário da cidade. A lona armada na Rua Benedito Siqueira Branco foi o palco do Circo da Cidade que apresentou o espetáculo “Sra. Madame” para um público de mais de 150 pessoas, a maioria formada por crianças. Os espectadores assistiram com atenção a apresentação que abordou temas de conscientização humana, como o consumismo e reciclagem de lixo. A diretora do espetáculo, Mariana Zanette, apresenta sua peça como um

No começo da noite e encerrando as atividades do aniversário, cerca de 200 pessoas acompanharam a apresentação de arte digital na Praça 19 de Dezembro, em que a estátua do Homem Nu foi revestida por projeções em 3D. Criadas pelos artistas digitais Péricles Victor e Manolo Fraga, as imagens misturavam fotos antigas da capital, desenhos conceituais e partes do corpo humano simetricamente projetados na obra de arte. Segundo os artistas, o processo de criação da arte digital foi o mesmo percorrido pelo escultor Erbo Stenzel, criador da estátua do Homem Nu, em 1955. “Erbo criou a obra pensando no homem caminhando para o futuro, isso lá em 1955. Hoje, quase 60 anos depois, nós não estamos fazendo nada menos do que continuar esse mesmo conceito do criador da estátua, mas agora em 3D. E creio que Curitiba é, até hoje, reflexo daquilo que Stenzel trouxe nessa escultura”, explica Victor.

Aliny Gohenski, Guilherme Becker, Pedro Giulliano, Rodrigo Lima, Stephanie Moraes 3º Período.

Arte em 3D na Praça 19 de Dezembro

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Curitiba, 05 de maio de 2014

VIVA AOS 55 ANOS DA PUCPR

Comemoração contou com um bate-papo descontraído com o reitor e as músicas de Tiago Iorc Com direito a show do cantor Tiago Iorc e um bate-papo descontraído com o novo reitor, Waldomiro Gremski, no dia 14 de março, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) comemorou 55 anos. A celebração do aniversário começou com uma missa na Capela Universitária Jesus Mestre e prosseguiu com a participação do reitor, ao vivo, no programa da Rádio Lumen. A grande atração da festa ficou por conta do cantor Tiago Iorc, exaluno da PUCPR, em duas apresentações, uma entre os blocos Azul e Amarelo e outra no Teatro TUCA. No dia 15 de março, Iorc se apresentou no Teatro TUCA, com lotação máxima. O artista cantou seus maiores sucessos e contou com a presença de dois integrantes da orquestra da PUCPR. Iorc ganhou o benefício Alumni PUCPR - programa em que ex-alunos formados em qualquer área, podem continuar usufruindo das instalações da universidade, obtendo descontos em educação continuada, atividades esportivas, acesso à biblioteca e o PUC Talentos.

O reitor Waldemiro Gremski e o cantor Tiago Iorc em um bate-papo

55 ANOS DE HISTÓRIA Em 14 de março de 1959, a então Universidade Católica do Paraná foi fundada, reunindo sete instituições. Em

ANIMAIS ABANDONADOS PODEM AGORA ENCONTRAR LARES

1972, foi criado o Coral Champagnat. Um ano depois, a Província Marista de São Paulo assumiu a responsabilidade pela instituição.

O título de Pontifícia Universidade veio em 1985, sendo a última a receber esta honraria por parte da Cúria Romana e, juntamente com a outorga do título de PUC, foi instalada a paróquia universitária Jesus Mestre e inaugurada sua capela. Um dos pilares da PUCPR foi inaugurado em 1994, a Bilbioteca Central. O espaço tem 10.545m², sendo que 3.511 m² são dedicados exclusivamente a pesquisas e estudos, tendo capacidade para 1,5 mil usuários simultaneamente. A partir de 1991, começou o processo de expansão com os câmpus São José dos Pinhais e, posteriormente, Londrina, Toledo, e o mais novo, Maringá, em 2004. Contando atualmente com aproximadamente 30 mil alunos e mais de 100 mil formados, a PUCPR busca o reconhecimento internacional até 2022. Para alcançá-lo, a instituição conta com vários projetos, como intercâmbio com universidades estrangeiras, divisão de curso por escolas, núcleo de línguas e o Alumni PUCPR. Giule Carvalho, Roberto Rohden e Vithor Alan/3ºperíodo

PERFIL DOS CONSUMIDORES DO MERCADO MUNICIPAL

Feira de adoções tenta diminuir o abandono de animais

Informações podem orientar ações de melhoria

Na maioria das cidades brasileiras muitos animais são abandonados em frente às casas, praças e em terminais de ônibus. Em Curitiba isto não é diferente, mas para amenizar este problema, desde 2011, vem sendo promovida pela Prefeitura a feira Amigo Bicho, que tem como objetivo encontrar lares para animais abandonados. Outro benefício da feira é que a comunidade pode levar seus animais para fazer a aplicação dos microchips gratuitamente, que servem em caso de desaparecimento, como identificação. Daniela Dariva, funcionária pública e defensora de animais, comenta a importância de adotar ao invés de comprar. ”Adotar é um ato de consciência e responsabilidade, porque o problema é que muitos animais estão abandonados. Comprar, gostar de um animal pela raça e porque é bonito somente financia o

Pesquisa realizada em outubro de 2013, pelo Sebrae Curitiba em parceria com a Secretaria Municipal de Abastecimento (SMAB), com o intuito de oferecer informações que podem orientar ações de melhoria em infraestrutura e atendimento, ouviu mil pessoas e revelou o perfil dos compradores do Mercado Municipal de Curitiba. De acordo com a pesquisa, cerca de 60% dos frequentadores do local são mulheres. A maioria do público tem filhos e 47% deles são casados. Cerca de 67% dos entrevistados frequenta o mercado mensalmente ou bimestralmente. Já durante os fins de semana o público chega a 50%. A consumidora Claodete Bertol, 53 anos, frequentadora do local há 15 anos, vai sempre que pode. Já Maria de Lurdes, 45 anos, cliente do mercado há 10 anos, não costuma ir com muita frequência, mas admite, sempre que visita o lugar acaba

comércio de vidas, sendo que a matriz geralmente é explorada, vivendo sob espaços minúsculos e maus tratos”, explica. Emilie Cirino, veterinária, explica sobre a importância de se levar cães e gatos ao veterinário. “Deve-se levar o animal a consultas veterinárias para ver seu estado, quais medicações precisa tomar. Infelizmente, na maioria das vezes, o dono do animal precisa desembolsar um valor para cuidar corretamente, e por não possuírem esse poder aquisitivo para gastar com tratamentos veterinários, muitas pessoas abandonam seus animais em qualquer local, sem ao menos saber o risco que expõe ao bicho e à população”, afirma. As adoções e aplicação dos microchips ocorrem mensalmente no Parque Barigui, das 10h às 16h, com datas informadas antecipadamente no site da Prefeitura. Marcos Sudoviski/3oPeríodo

comprando algo. A vendedora Margarete Matica Yanase Kando, 51 anos, trabalha no mercado há oito anos e afirma que os dias com mais movimento em sua loja são sábados, domingos e feriados. “Os finais de semana são os dias que costumo vender mais, já nos feriados o movimento maior é de turistas”. A feirante Maria Aparecida, 46 anos, que vende frutas e verduras no Mercado Municipal há oito anos, está satisfeita com número de pessoas que frequentam o local. “Em geral o movimento é bom sim, não posso me queixar”, conclui. Além das já tradicionais barracas de frutas e verduras, é possível encontrar objetos nacionais, importados além de artesanato. O local conta com uma ampla praça de alimentação com 16 restaurantes que servem desde comidas típicas brasileiras a pratos de origem asiática. Manoela Campos/2oPeríodo


Curitiba, 05 de maio de 2014

Máquina CataMoeda ganha espaço em supermercados A falta de interesse que há entre a população brasileira sobre o dinheiro em moedas é histórica. Esta desvalorização faz o cidadão guardá-las em cofrinhos, potes de cozinha, gavetas e causa um fenômeno chamado entesouramento, ou seja, o dinheiro é acumulado e não circula. O alto custo e a logística que demanda o transporte de moedas agrava o suprimento de troco nos estabelecimentos comerciais e causa grandes prejuízos financeiros. Pensando nisso e buscando solucionar a escassez de troco que há no comércio, foi criado o CataMoeda.

FUNCIONAMENTO Seu sistema é simples: junte algumas moedas, procure uma máquina, deposite as moedas, receba um cupom no valor da quantidade depositada somada a um bônus, e troque por mercadorias ou serviços no estabelecimento. A empresa CataMoeda S/A é a responsável pelo projeto, que foi todo desenvolvido no Brasil. O sistema é interativo, escalável e funciona em tempo real. A máquina identifica as moedas em circulação e rejeita falsificações ou outros tipo de objetos.

ESTATÍSTICAS Segundo estatística do Instituto Data Popular, divulgado em 2013, 39,5% dos adultos brasileiros ainda não possuem uma conta em banco, e isso não mudou em 10 anos. E ainda, de acordo com pesquisa do Banco Central, realizada em 2010, 72% dos brasileiros preferem utilizar o dinheiro como forma de pagamento. Anualmente são investidos milhões de

reais na produção de novas moedas. Em 2012, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central, foram gastos R$ 320 milhões na produção de 1,2 bilhão de moedas e, de acordo com os dados divulgados pelo banco, 27% das mais de 18 bilhões de moedas emitidas desde o lançamento do plano real estão fora de circulação.

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PRATICIDADE JÁ SUPERA A TRADIÇÃO NA PÁSCOA

Barras de chocolate se tornam boas opções

Débora Dutra/4oPeríodo

TROCADOS GERAM DESCONTO

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ONDE ENCONTRAR A proposta está presente nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Em Curitiba, o sistema foi recentemente implantado num projeto piloto, em maio de 2013, na rede de supermercados Condor. O diretor contábil financeiro do Condor, Adailton de Souza Santos, acredita que os clientes estão muito satisfeitos com a nova máquina. “O consumidor pode ter uma rentabilidade equivalente a seis meses de poupança, já que o mercado paga 3% de bônus, ou ainda há a opção de doar a uma entidade de assistência cadastrada na máquina”, explica. São quatro máquinas instaladas nos supermercados da rede, e a média de moedas recolhidas é impressionante. “Já recolhemos mais de 200 mil moedas nas quatro máquinas que temos na rede. A média é em torno de 12 a 18 mil por mês”, conta. Natália Izidoro, gerente de marketing do projeto afirma que “não há desvantagens. O projeto tem a intenção de fazer as moedas circularem no comércio, ajudando os estabelecimentos que precisam delas e, também, os consumidores. Com isso, a longo prazo, o governo tende a diminuir os gastos com as moedas que têm que ser emitidas anualmente para cobrir esse “entesouramento” e o meio ambiente também é poupado. Além disso, a máquina ajuda um terceiro setor, proporcionando uma nova maneira de ajudar as entidades beneficentes”, atesta. Laís Holzmann/3ºPeríodo

Ovos de chocolate tiveram aumento em relação ao ano passado e assustam os consumidores Há um mês da páscoa, já é possível ver os supermercados cheios de ovos de chocolate de todos os tipos e preços, contudo, as barras aparecem como opção e dividem opiniões quanto à importância de comprar os ovos nesta época. Com o passar dos anos, eles foram tomando formas mais sofisticadas, com embalagens diferentes, surpresas contidas dentro que chamam a atenção das crianças. Tudo isto resulta em crianças, jovens e até mesmo adultos em busca deles para ilustrar a páscoa, entretanto, existe também quem prefere economizar e não compactua com o gasto excessivo nos ovos, usando como opção a barra de chocolate, que nesta época muitas vezes é esquecida, ficando em segundo plano. Este é o caso de Rosineide Bello, que é a favor da troca principalmente por conta do preço menor. “O ovo de páscoa é uma ilusão, eu sempre dava um jeito de comprar para as crianças em casa, mas nos últimos anos por economia tenho optado pela barra de chocolate”, afirma. Ela também conta que, apesar da barra de chocolate ter a mesma quantidade de um ovo e custar bem menos, ela nunca será tão bem aceita pelas crianças quanto um ovo de chocolate. “Toda essa popularidade do ovo é pelo formato, brinquedo, dos bombons que contêm dentro dele, a questão da surpresa em abrir toda aquela embalagem bonita do chocolate e lá dentro conter algo, prende a atenção da criança e a deixa feliz, mas, se você aparecer com uma barra de chocolate, ela já terá uma reação totalmente diferente, porque ali só

terá o próprio chocolate e nada mais”. Já a estudante Stéfani Munhoz conta que percebe os preços subindo a cada ano, mas não abre mão dos ovos em sua páscoa. “Consegui perceber essa alteração nos valores, já que no ano passado comprei um ovo por R$ 49,00, e esse ano fui comprar, e ele está custando R$ 55,00”, diz. Contudo, ela justifica a sua compra. “Institui-se para as pessoas uma cultura de páscoa na qual somente nesse período existem ovos de chocolate à venda, no resto do ano as barras continuam lá nas prateleiras”, finaliza.

EXPECTATIVA ANIMA O COMÉRCIO De acordo com a Associação Paranaense de Supermercados, os ovos devem ficar 8% mais caros este ano, em comparação ao ano passado. O gerente de uma rede de supermercados em Curitiba, que prefere não ser identificado, afirma que a procura por ovos de chocolate ainda não se intensificou porque é final do mês, geralmente as vendas tendem a ficar mais fortes assim que entra o mês de abril e também admite o aumento. “Houve aumento esse ano, mas nada absurdo, as pessoas só estão esperando o 5º dia útil do mês que vem para que comecem a comprar. O preço subiu, mas a procura ainda é muito grande”, diz. Quanto às barras de chocolate, ele informa que também é um destaque nas vendas, tanto quanto os ovos. A expectativa de venda para a páscoa de 2014 é boa. O gerente garante, “nós estamos esperando por 5% a 10% de crescimento nas vendas em relação ao ano passado”. Débora Dutra/4oPeríodo


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COMUNICARE

“Ao preencher a declaração de renda, deve-se tomar cuidado com a qualidade e precisão das informações prestadas. Não prestar atenção na leitura das instruções pode trazer riscos ao contribuinte”

Curitiba, 05 de maio de 2014

IMPOSTO DE RENDA GERA DÚVIDAS ENTRE OS CONTRIBUINTES Acerto de contas com o “Leão” é marcado pela complexidade para realizar a declaração do imposto O início do ano é marcado pelo alto como o IR, deve ser feita com muita calma número de débitos a pagar. Material e com a ajuda de um profissional, para escolar, IPVA, IPTU e o imposto de renda que não ocorram surpresas”, aconselha a estão entre os gastos dos contadora Stefane Johnsson. brasileiros. Entre eles o acerto “COM O AUXÍLIO DE A profissional orienta sobre com a Receita Federal é o a importância da procura UM CONTADOR, AS que causa mais dúvidas na INFORMAÇÕES FICAM por empresas especializadas. população. Neste ano, o MUITO MAIS CLARAS E “Com o auxílio de um período de declaração vai do TAMBÉM A HIPÓTESE contador, as informações dia 06 de março a 30 de abril. DE ENVIAR COM ERROS ficam muito mais claras A declaração de imposto e também a hipótese de É MUITO MENOR” de renda é feita por pessoas enviar com erros é muito físicas e jurídicas. Segundo o economista menor”, analisa Stefane, que também Mauro Penteado, o imposto é um destaca a importância da organização dos dos instrumentos que ajuda os documentos para facilitar o processo. governos a regular a economia, controlar a inflação, estimular SIMPLIFICADO OU COMPLEXO? o consumo e investimento. Segundo o especialista em imposto de A declaração precisa ser renda, Dirceu Vaz, a dúvida mais frequente feita, obrigatoriamente, por dos contribuintes é por qual modelo optar. contribuintes que tiveram “No modelo simplificado há uma dedução renda tributável superior a R$ padrão de até 20% limitado ao valor 25.661,70 em 2013; receberam de R$ 15.197,02, sem a necessidade de rendimentos isentos ou comprovantes. Já no modelo completo, o tributados na fonte superiores a contribuinte pode deduzir várias despesas, R$ 40 mil; que exercem atividade tais como: dependentes, educação, rural e tiveram receita bruta empregado doméstico, plano de saúde, acima de R$ 128.308,50; que despesas médicas, entre outras”, esclarece. obtiveram ganho na venda de bens; Aos que vão prestar contas sem realizaram operações na bolsa de valores ajuda profissional, Penteado alerta ou possuem bens com valor superior a sobre a atenção na hora de declarar. “Ao R$ 300 mil. preencher a declaração, deve-se tomar Na hora de informar os valores, surgem cuidado com a qualidade e precisão das muitas dúvidas entre os contribuintes e o informações prestadas. Não prestar atenção ideal é se informar para não correr o risco na leitura das instruções pode trazer riscos de pagar imposto a mais. “Uma informação ao contribuinte”, finaliza o economista.

A novidade deste ano é a possibilidade de declaração do IR via tablets ou smartphones. Para isto, o contribuinte deve baixar em seu aparelho o aplicativo m-IRPF que está disponível nas lojas Google Play e App Store. Porém, não são todas as pessoas que podem desfrutar deste serviço. “Quem recebeu no exterior ou obteve rendimento com soma superior a R$ 10 milhões, por exemplo, não pode declarar por meio do aplicativo”, conta o especialista. Apesar da grande divulgação na imprensa, alguns brasileiros ainda tentam burlar a lei. Vaz explica a punição para quem tenta ‘fugir do leão’. “Por meio do CPF do contribuinte, a Receita Federal rastreia todo o tipo de receitas e movimentações financeiras em nome da pessoa. Quem não declarar será considerado sonegador e estará sujeito a multas entre 75% a 150% do valor recebido e não declarado, além de seu CPF ficar na lista de inadimplentes”, finaliza. A professora Clarice Correia já ‘caiu na malha fina’ por três vezes. A mais recente aconteceu no ano passado, quando ela deixou de declarar um de seus rendimentos. “Recebo pela Prefeitura de Curitiba e São José dos Pinhais, no entanto, só declarei um rendimento”, conta Clarice. A contribuinte ainda ressalta que não recebeu nenhuma notificação que havia ‘caído na malha fina’. “Só fui saber quando fui na Receita Federal para me informar porque não havia recebido minha restituição. Para retificar a declaração paguei uma multa de R$ 6 mil”, contou a professora. Aliny Gohenski/3oPeríodo

PROJETO “NOSSA FEIRA” CHEGA AO TATUQUARA

Preços baixos atraem moradores para nova feira de frutas e hortaliças A Travessa Milton Derviche, localizada no Tatuquara, agora conta com uma nova feira de frutas e hortaliças. Com o preço único de R$ 1,59 o quilo para as frutas e verduras, o Projeto Nossa Feira ainda vende diversos alimentos como carnes, pastéis e doces. Os moradores da região acreditam que a chegada da feira contribuirá para uma vida mais saudável da população, como

conta Dulce Beatriz de Andrade, 55 anos. “Vai melhorar muito, estava demorando bastante pra poder ter uma facilidade dessas pra gente. Foi muito boa essa iniciativa, espero que continue”, afirma a artesã, que pretende visitar e fazer compras na feira toda semana a partir de agora. A feira é uma iniciativa da Prefeitura de Curitiba, que escolhe o local onde ela ocorrerá, e uma cooperativa de produtores

monta a estrutura. Além do valor único, alguns produtos têm diferença de preços, como a vagem por R$ 7,50 o quilo e o alho por R$ 8,00. Os preços baixos encontrados na feira são o maior destaque. Entre os produtos que compensam pelo valor estão o tomate que chega a custar R$ 6,99 o quilo em outros mercados. A vagem, que na Nossa Feira custa R$ 7,50 o quilo, ainda sai mais

barato do que em outros mercados, que pode chegar a R$ 14,89. A “Nossa Feira Tatuquara” ocorrerá todas as quintas-feiras, das 17h às 21h, ao lado do Centro de Referência de Assistência Social Santa Rita (CRAS). O projeto Nossa Feira ainda conta com mais três unidades, no Alto Boqueirão, CIC e Sítio Cercado. Marina de Oliveira/2oPeríodo


Curitiba, 05 de maio de 2014

“Não será nenhuma surpresa em termos uma disputa real somente entre dois candidatos”

O objetivo é atingir adolescentes de 16 e 17 anos e conscientizá-los sobre a importância do voto Visando atrair jovens de 16 e 17 anos para as urnas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou, nas redes sociais, uma campanha de incentivo. Em alusão às hashtags utilizadas pelos internautas durante as manifestações de junho de 2013, o TSE nomeou a campanha de #vempraurna. Com o slogan “Seu voto vale o Brasil inteiro”, o TSE espera incentivar os adolescentes a irem ao cartório tirarem o título de eleitor. No Paraná, o número de jovens eleitores é de 92.187, que corresponde a 1,19% do eleitorado total do Estado. Apesar de representarem uma parcela pequena da porcentagem de votantes, o objetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TREPR) é despertar o interesse dos jovens para o exercício pleno da cidadania. A campanha visa também ensinar os jovens a respeito do voto consciente e da importância de, em seguida, fiscalizar seus representantes políticos. Ângela Gabriela completou 16 anos em março e diz que pretende tirar seu título a tempo das eleições presidenciais desse ano. “Vou tirar meu título, pois é uma forma de dar minha opinião e de exercer um dos meus direitos”.

NAS REDES SOCIAS

Glaucia Périco/ 4 periodo

No Twitter já é possível ver eleitores utilizando a hashtag, porém a participação dos jovens ainda é discreta e o que se vê é um número significativo de tuitteros criticando candidatos. “#vempraurna, mas

só se aparecer um candidato minimamente decente. Com os que estão por aí, #fiqueemcasa”, tuitou um deles. No Facebook, o TSE também tem usado outras hashtags, como #dicastse e #voteconsciente, que traz instruções e novidades para os eleitores. Apesar do trabalho intenso de divulgação realizado nessa rede social, o número de internautas que curtiram a página do tribunal ainda é pequeno, se comparado ao de seguidores do Twitter, que é aproximadamente 10 vezes maior, chegando a quase 52 mil. Para Paula Maria do Carmo, seguidora do TSE no Facebook, realizar uma campanha como essa nas redes sociais é importante. “Falar a mesma linguagem que os jovens na internet faz com que eles se interessem pelo assunto tratado e permite que eles tenham uma maior participação”, afirma. De acordo com o TRE, conscientizar os eleitores é importante pois, “a democracia é exercício contínuo e exige sempre o envolvimento por parte do eleitor”. O Tribunal ainda adianta que uma nova campanha, voltada para o público em geral, está programada para o final de julho. “As campanhas da Justiça Eleitoral têm por objetivo despertar no eleitor um sentimento de pertencimento e mostrar que cabe a ele provocar as mudanças sociais e políticas necessárias”, informou o Tribunal, por meio de sua assessoria de imprensa. Glaucia Périco/3oPeríodo

Para tirar o titulo, o jovem eleitor deve comparecer ao Tribunal Regional Eleitoral

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DISPUTA PELO GOVERNO SERÁ INTENSA NAS ELEIÇÕES

Partidos se preparam para brigar pelos votos e especialista explica mudanças na política

Daniel Malucelli/3Período

TRE LANÇA NOVA CAMPANHA

COMUNICARE

Atual governo sofre com greves Este ano ocorrerão as eleições para definir o governador do Paraná nos próximos quatro anos. Nesta época, partidos políticos e seus representantes começam a preparar as campanhas eleitorais. No Paraná, o atual governador Beto Richa (PSDB), deverá ser postulante à reeleição. A reportagem do Comunicare entrou em contato com o partido do governador, que respondeu que apresentará os pré-candidatos em convenção que deve acontecer entre maio e junho. Richa é o favorito. Especula-se que Gleisi Hoffmann, uma das figuras mais fortes do PT no Paraná, seja a candidata do partido. Gleisi foi nomeada ministra chefe da Casa Civil por Dilma Rousseff, em 2011, e deixou o cargo em fevereiro deste ano, aumentando os rumores sobre sua entrada na disputa eleitoral para o governo. Ao entrar em contato com o PT, a reportagem do Comunicare não obteve resposta. O PMDB ainda não decidiu se o atual senador e ex-governador Roberto Requião será o candidato ou se o partido fará aliança com o PSDB. O PSOL tem dois précandidatos: Bernardo Pilotto e Professor

José Odenir. O presidente do partido no Paraná, Leandro Dias, revelou que “o poder econômico é o que decide as eleições”.

POLARIZAÇÃO HISTÓRICA O doutor em Ciência Política, Emerson Cervi, explica o cenário político do Paraná. “Especificamente aqui, sempre tivemos eleições polarizadas do ponto de vista histórico, e apenas em 90 tivemos três candidatos fortes. Desde o período préregime militar é assim, e depois dos anos 80 a polarização continuou entre os que defendiam o governo militar, e os opositores do antigo MDB. Não será nenhuma surpresa em termos uma disputa real somente entre dois candidatos”. Sobre a existência ou não de uma crise de representatividade dos eleitores para com seus governantes, Cervi comenta que “em processos representativos de democracia de massas sempre há um déficit de representação. As instituições nunca estarão totalmente preparadas para representar todas as demandas da sociedade. Essas demandas da sociedade são novas, e as instituições, como os partidos políticos, não conseguem se renovar para satisfazer a população”. Daniel Malucelli/3°Período


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COMUNICARE

“Há uma lei que proíbe que políticos possuam outros cargos públicos, é encarado como acúmulo de funções públicas. Mas se for alguma outra profissão, não há nenhum problema”

Curitiba, 05 de maio de 2014

POLÍTICA COMO SEGUNDA PROFISSÃO Entre a política e a carreira, alguns optam pelas duas

suas profissões de lado para se dedicar exclusivamente à sua carreira política, mas outros encaram a responsabilidade de manter mais de uma profissão. “Sou político, engenheiro e empresário, serve?”, brinca o deputado federal Luciano Pizzatto, Jéssica Mirely/3°Período

Os candidatos aos cargos políticos, ao serem eleitos, têm uma questão a resolver: O que fazer com a sua carreira, aquela que mantinham até antes do início da vida política? Alguns professores, médicos e empresários resolvem deixar

O professor Rogério planeja dividir seu tempo entre as atividades

que vive revezando entre os compromissos de suas profissões. Pizzatto, que também é presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), acredita que quem não tem facilidade para lidar com muitos compromissos, não deve se forçar a ter mais de um emprego. “Costumo dizer que a habilidade para ser empreendedor ou político é uma habilidade que já nasce com a pessoa. É possível estimular, mas antes disso ela tem que existir, alguns têm e outros não têm”, diz Pizzatto. A responsável por filiação partidária do PMDB, Fabíola Benvenutti, conta que agora é mais comum encontrar políticos que também são empresários. “Hoje em dia são poucos que conseguem viver apenas da política, por isso não é tão difícil encontrar políticos abrindo seu próprio negócio e se tornando empresários”, diz. Segundo ela, não é uma tarefa fácil lidar com as duas profissões, mas é necessário se adaptar. Fabíola também conta que há alguns cargos que não são permitidos exercer enquanto se está cumprindo o mandato. “Há uma lei que proíbe que políticos possuam outros

cargos públicos, é encarado como acúmulo de funções públicas. Mas se for alguma outra profissão, não há nenhum problema”, explica ela. O professor universitário Luiz Rogério Farias decidiu há pouco tempo se candidatar para o cargo de vereador. “Como professores, nós vemos diariamente muitas coisas que não concordamos, como verbas baixas para educação pública e salários baixos para os professores públicos. Resolvi me candidatar para tentar reivindicar por melhorias nesses aspectos”, diz. O professor já decidiu que, mesmo eleito, não abandonará sua profissão. “Se sou um professor buscando melhorias na educação, nada melhor do que dar o exemplo”, diz. Para ele, uma profissão não atrapalha o desempenho da outra, e em alguns casos, até ajuda. “Acho que manter as duas profissões paralelamente pode até contribuir, pela rede de contatos que se forma e por ter contato diário com a realidade de professores e estudantes universitários”, conta. Jéssica Mirely/3°Período

CÂMARA MUNICIPAL APROVA PONTO FACULTATIVO PARA A COPA

Assembleia Legislativa e o poder produtivo de Curitiba eram contra feriados nos dias de jogos do Mundial A Comissão Especial da Copa (Ceaco) requerimento aprovado por unanimidade promoveu na segunda-feira (24), uma entre os deputados foi enviado para a reunião com os vereadores, deputados Câmara, mostrando o posicionamento dos e representantes do poder produtivo membros do legislativo estadual, pedindo sobre a possibilidade de ser feriado em para que não houvesse feriados nos dias dias de jogos da Copa de jogos do Mundial do Mundo, em Curitiba. em Curitiba. “SERÃO 40 MIL PESSOAS Após a reunião, a Câmara Segundo o deputado EM UMA CIDADE ONDE HÁ 3 Municipal de Curitiba estadual e presidente da MILHÕES DE HABITANTES. aprovou na quarta-feira Assembleia Legislativa, SE HOUVESSE FERIADO, (26) a sugestão do ponto UM DOS PREJUÍZOS SERIA Valdir Rossoni, o fato do facultativo nos dias de comércio parar por quatro QUE QUANDO ESTIVESSE jogos. A decisão aguarda dias seria preocupante, CIRCULANDO O MAIOR a assinatura do prefeito por conta da economia da NÚMERO DE PESSOAS O Gustavo Fruet. COMÉRCIO ESTARIA FECHADO” cidade. Por esta razão, a De acordo com o Assembleia decidiu fazer vereador e presidente do o requerimento. “Como Ceaco, Paulo Rink, a sugestão dos feriados todos os deputados tinham a mesma nos dias de jogos partiu da Federação opinião, enviamos o nosso posicionamento Internacional de Futebol Associado (Fifa). à Câmara Municipal para que nossa ”Surgiu de uma solicitação da Fifa com o sugestão fosse colocada em uma audiência objetivo de melhor atender à população pública”, conta. e turistas neste período”, explica. Em conjunto com os deputados, a Com a possibilidade dos feriados, um Associação Comercial do Paraná (ACP)

Copa 2014, o ponto facultativo será um também foi contra os feriados. Para o empecilho, pois no feriado as ruas ficariam presidente em exercício, José Eduardo de mais transitáveis. “Acho que se fosse feriado Moraes Sarmento, os prejuízos em caso o trânsito ficaria mais sossegado, sem a de feriado seriam grandes. “Serão 40 mil correria do dia a dia das pessoas”, falou. pessoas em uma cidade onde há 3 milhões de habitantes. Se houvesse feriado, um dos prejuízos seria que quando estivesse COMO VAI FUNCIONAR circulando o maior número de pessoas o Os jogos do Mundial na Arena da comércio estaria fechado”, disse. Baixada ocorrerão nos dias 16, 20, 23 e A alternativa encontrada para 26 de julho. “No dia 16 de junho o ponto resolver o impasse foi apresentada pelo facultativo será o dia inteiro. Nos dias vereador Jorge Bernardi, que sugeriu e 20 e 26 de junho somente após às 12h”, apresentou o projeto de lei explica Paulo Rink. Já no dia do ponto facultativo para 23 do mesmo mês será feriado “SURGIU DE UMA a Câmara Municipal. “O SOLICITAÇÃO DA FIFA nacional por conta do jogo ponto facultativo é o direito COM O OBJETIVO DE da Seleção Brasileira contra que o servidor público tem MELHOR ATENDER À Camarões. O presidente do de comparecer ou não ao POPULAÇÃO E TURISTAS Ceaco disse que a assinatura serviço, sem perder a sua do decreto ocorrerá no início NESTE PERÍODO” remuneração, ficando a cargo do mês de abril. “Este decreto da autoridade conceder ou será assinado no dia 03 de não este benefício”, explica Bernardi. abril pelo prefeito de Curitiba, Gustavo Para a curitibana Vanessa Mazzorana, Fruet”, finaliza. Rafaela Moreira/3oPeríodo que estará presente em um dos jogos da


Curitiba, 05 de maio de 2014

”É importante que a população fique atenta aos atos de vandalismo e denuncie”

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PRAÇAS EM CURITIBA SÃO ALVO DE VANDALISMO

Áreas de convívio familiar são invadidas por grupos desordeiros As praças públicas de Curitiba deixaram de ser um sinônimo de lazer e diversão, pois, é cada vez mais comum se observar sujeira, pichações, patrimônio histórico depredado e, sobretudo, falta de segurança. Liderando o ranking de ocorrências, e gerando altos custos à prefeitura da cidade (e consequentemente aos contribuintes), os atos de vandalismo têm preocupado a população. De acordo com a Guarda Municipal de Curitiba, um levantamento feito em 2013 aponta que os prejuízos gerados pelo vandalismo passam de R$ 1,5 milhão anualmente. Segundo o diretor da Guarda Municipal (GM), inspetor Claudio Frederico de Carvalho, são destruidos por mês, cerca de 200 equipamentos públicos, incluindo parques, praças, estações-tubo, orelhões e ônibus. “É importante que a população fique atenta aos atos de vandalismo e denuncie. As vezes, um ato que parece simples, como a remoção de uma tampa de bueiro, por exemplo, pode causar danos sérios à vida das outras pessoas”,

alerta o inspetor. No dia 15 de março, a Praça da Espanha, localizada no Batel, e famosa pela beleza de seu espaço e conservação de monumentos históricos como um chafariz, uma parede em arcos em estilo mourisco e um busto de bronze com a imagem de Miguel de Cervantes - além da socialização e integração cultural, por meio de feiras, exposições, atividades artísticas, aulas de yôga e shows de música, foi palco de uma confusão generalizada causada por cerca de 100 jovens usuários de drogas. Na data, agentes da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu) e policiais da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), da Polícia Militar, foram acionados e, para conter a briga, utilizaram balas de borracha. “Concentramos nossos esforços contra aquele 1% das pessoas que vão à praça para beber, usar drogas, brigar e praticar vandalismo, e para garantir a segurança aos 99% que se reúnem para se divertir com a família e amigos”, afirma o inspetor. Revitalizada recentemente por

comerciantes locais e pela Prefeitura, a situação em que se encontra a praça revolta a população da região. Segundo o presidente da Associação de bares e restaurantes do Paraná (Abrabar), Fábio Aguayo, apesar da recente revitalização, o local está abandonado pelo poder público. “É triste, lamentável como está a Praça da Espanha hoje. Ainda mais em ano de Copa do Mundo. Pedimos uma atenção especial da Prefeitura e da Polícia Militar para aquela área que é um importante ponto de lazer da nossa cidade e gera muitos impostos”, afirma Aguayo. Para ele, aumentar a fiscalização e fazer uma nova revitalização no local seria o primeiro passo para acabar com os problemas na região.“ Por que não instalar na Praça da Espanha um módulo móvel da Guarda Municipal. A praça é um patrimônio público e não pode ficar abandonada como está”, argumenta. Os moradores no entorno da praça afirmam estar inseguros e pedem uma providência por parte da Prefeitura. “Antes a praça era usada por famílias e jovens

que buscavam apenas diversão, mas agora o cenário é desolador, temos um local pichado, depredado, sujo e perigoso. É triste ver o que está acontecendo por aqui e a Prefeitura devia tomar uma providência urgentemente”, afirma a professora e moradora do Batel, Almeda Wilbert. Os comerciantes também reclamam das condições do local. “Os assaltos nessa região são muito frequentes e, além do perigo constante na praça, temos medo que essas pessoas tentem invadir nosso local de trabalho e nossas casas”, conta um comerciante do bairro, que não quis se identificar. De acordo com o diretor da Guarda Municipal, as questões relativas à segurança na Praça da Espanha já têm solução prevista. “Temos um projeto de revitalização para esta praça que será realizado antes da Copa, para atender tanto às necessidades de nossa população, quanto dos turistas que virão para cá”, garante. Procurada pela reportagem do Comunicare, a Prefeitura de Curitiba não se pronunciou sobre as reclamações de moradores e comerciantes do entorno da praça.

PICHAÇÃO

Atual situação de parques e praças de Curitiba preocupa a população

Além do vandalismo, outro problema recorrente, em quaisquer praças de Curitiba, é a pichação. Em 2013, foram registradas 1,3 mil ocorrências envolvendo pichadores e 200 pessoas foram encaminhadas às delegacias. De acordo com a Guarda Municipal de Curitiba, o perfil do pichador masculino apresenta idade entre 13 e 36 anos, possui ensino médio ou superior, sendo membro de classe média ou alta. Os alvos, monumentos ou prédios públicos, propriedades privadas ou mobiliário urbano, são escolhidos com base na ousadia dos pichadores. “Os pichadores chegam a usar extintores e rolos de pintura para deixarem suas marcas em lugares de difícil acesso, o que demonstraria que eles são superiores a outros”, afirma Carvalho. O diretor da GM afirma que muitos grupos, que atuam pichando a cidade, são monitorados nas ruas e nas redes sociais, e que, caso sejam pegos em flagrante, serão responsabilizados pelos crimes que tiverem cometido. Priscila Murr / 4º período


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ACESSO BLOQUEADO IMPEDE VISITA DE TURISTAS

Governo falha em seu papel de dar suporte aos moradores afetados pela tragédia O maior trecho preservado da Mata Atlântica do Brasil está no Paraná. A Serra da Graciosa, tombada pela Unesco em 1993 como reserva da biosfera da Mata Atlântica, é uma alternativa para os que saem de Curitiba em direção às praias do Estado, mas antes atravessando as cidades históricas de Morretes e Antonina. Além de não ser pedagiado, o percurso é composto por sete recantos, entre eles, o de São João da Graciosa, Curva da Ferradura e Mãe Catira, onde os turistas podem apreciar as belezas da biodiversidade local, fazer um churrasco em família ou levar peças artesanais para casa. Mas nos últimos dias esta não é a realidade que define a região, já que desde o deslizamento, ocorrido no dia 13 de março, que bloqueou o trecho da Estrada da Graciosa entre os quilômetros 9 e 12, o acesso para Morretes pela serra ficou impossibilitado. Depois da tragédia, tudo o que se observa na Estrada da Graciosa é o desespero das famílias que precisam dos turistas para ganhar o sustento diário. Do dia para a noite um deslizamento de terra mudou o cotidiano e a vida dos moradores da região da Graciosa, que precisam continuar pagando suas contas normalmente, com a diferença de que praticamente perderam a única fonte de renda. Agora, todos estão procurando alternativas de sobrevivência. Em meio ao caos, a solidariedade se manifesta, já que as famílias procuram se ajudar na tentativa de garantir que ninguém sinta na pele a dor provocada pela falta de condições em suprir as necessidades mais básicas.

De acordo com a Prefeitura de Morretes, cerca de 200 famílias têm no comércio da estrada sua única fonte de renda, por meio de bancas, restaurantes, pousadas e outros estabelecimentos comerciais. Após a tragédia, não se observa mais o mesmo movimento, que caiu em 90% para os comerciantes da serra e em mais de 50% no centro histórico de Morretes. Antes do ocorrido, era grande o fluxo de visitantes que aproveitavam os finais de semana para descer a serra em direção ao litoral, não só para desviar do pedágio como também para explorar os diferenciais das cidades históricas do litoral do Paraná. Mas, basta visitar a região para notar que a ausência de turistas é maior do que se imagina, mesmo em um sábado de sol perto do horário de almoço.

LUCRO ZERO Há menos de um quilômetro da interdição, Guilherme Machado, dono de uma banca de produtos naturais, sente na pele os prejuízos do acontecimento. “Passei a semana inteira em Curitiba procurando trabalho, mas não tem jeito, quem faz isso só sabe viver disso”. O comerciante ainda reclama da falta de suporte oferecido pelo Estado para as famílias que estão passando por necessidades, mesmo após a realização de vários abaixo assinados. “Daqui uns dias o pessoal estará passando fome: o governo não quer prestar auxílio, nem com cesta básica nem com dinheiro. Aqui no vilarejo, todo mundo está desempregado. De um jeito ou de outro, todos dependem da estrada para sobreviver”.

Jeferson Daniel Dias, proprietário do Café com Leite Pastéis, irá precisar de um empréstimo no banco para manter seus funcionários de carteira assinada, já que os que trabalham por dia foram dispensados na primeira semana de queda de movimento. Mas, destaca que as instituições bancárias exigem que o dinheiro emprestado seja investido na infraestrutura. “Como é que eu vou comprar material de construção e equipamentos nessa época? Eu preciso desse dinheiro para aguentar o período de crise, como se fosse uma seca”. Para este comerciante, conseguir um empréstimo ainda é mais simples, pois possui toda a documentação que regulamenta o seu estabelecimento, porém, ele se preocupa com os pequenos produtores. “Esses indivíduos não têm a documentação necessária, um contador, ou os tributos pagos para viabilizar o financiamento. Mas são eles os fornecedores de toda matéria prima para abastecer o restaurante, como bananas, laranjas e farinha de mandioca”. Dias lamenta o fato de que o Estado dá mais atenção para a capital do que para as regiões mais afastadas. “Uma construção de grande porte em Curitiba é realizada em cerca de três a quatro meses, enquanto um buraco na serra levará seis meses para ser consertado”. Ele ressalta que depende disso para viver e faz um apelo aos curitibanos. “O pessoal de Curitiba gosta daqui da região. Se for divulgado que nós da Graciosa estamos precisando de ajuda, isso aqui iria lotar, mais do que em dias normais”. Segundo o chefe do setor operacional da Defesa Civil do estado do Paraná,

Romero Nunes da Silva FIlho, o órgão não recebeu nenhuma solicitação oficial de auxílio cesta básica e que por conta disso, o encaminhamento de ajuda humanitária não foi necessário. “Neste caso a atuação da Defesa Civil foi a criação de mecanismos legais para agilizar a resolução dos problemas”. O drama da comerciante Maria de Paula já afeta as necessidades básicas. “Hoje o caixa fechou com um real de lucro, e ontem o único cliente que apareceu foi para comprar balas, com 50 centavos”. Assim, a proprietária da banca teme não conseguir arcar com a própria alimentação. “Os comerciantes estão todos se ajudando, um tentando fazer com que não falte nada para o outro na medida do possível, pois o governo só aparece aqui nos carrões para ver e tirar fotos sem sequer olhar nos nossos olhos”. Descendo a serra, o centro de Morretes também começou a ser afetado pela queda repentina de turistas que atingiu a região após o deslizamento. Mesmo com outras vias de acesso, o movimento caiu cerca de 70% na maioria dos restaurantes, que estão fechando suas portas durante a semana. Carlos do Espírito Santo, dono do restaurante Usina do Sabor, está usando a internet para divulgar uma promoção inusitada. “Estou reembolsando o valor do pedágio para os clientes que lotam o veículo de cinco pessoas para almoçar conosco, utilizando como acesso a BR277. Portanto, para quem optar pela cidade, Morretes continua linda, atraente e receptiva!”, finaliza.


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“O governo só aparece aqui nos carrões para ver e tirar fotos sem sequer olhar nos nossos olhos” EM DEFESA DO COMERCIANTE Para o presidente da Associação de Comerciantes da Estrada da Graciosa, Gilton Dias, muitos ainda não assimilaram o acontecimento. “O único pronunciamento oficial que temos é que a estrada demorará seis meses para ficar pronta. Mas, não queremos uma resposta sobre o tempo que levará para ser construída e liberada. O que precisamos saber é como esse pessoal que depende da serra vai sobreviver durante esse período. Por enquanto, eles ainda têm algumas economias para o sustento, que já começam a se esgotar”.

APOIO PARA AS FAMÍLIAS Segundo Neto Gnatta, Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Morretes, o suporte por enquanto está focado em toda a questão burocrática envolvida na liberação da estrada. “Mas paralelo a isto, estamos buscando todos os mecanismos legais para poder liberar o FGTS de todos daquela região, além de solicitar aos bancos para que se criem linhas de créditos especiais para os empresários e moradores do local”. O secretário acrescenta estratégias estudadas para que ocorra uma aproximação entre o governo e a população afetada. “A intenção é estar o mais próximo possível da comunidade durante estes próximos meses, seja levando capacitação, orientação e discutindo junto à ela alternativas para este momento de dificuldade”.

MEDIDA PROVISÓRIA Para o secretário, ainda é cedo para definir uma medida provisória. Porém, os comerciantes da Graciosa e de Morretes estão solicitando a construção de uma ponte do exército até que o problema seja definitivamente resolvido. Além disso, existe uma lei estadual que determina que todas as cidades paranaenses devem ter uma alternativa livre de acesso não pedagiado. “O maior número de turistas busca desviar do pedágio, e cortando o principal acesso da cidade, eles não chegam até aqui, pois têm diversas outras opções ao vir pela 277”, afirma Carlos do Espírito Santo.

PRONUNCIAMENTO DER De acordo com o superintendente regional do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Sérgio Moreira Gomes, há um prazo de 180 dias para que as obras de conserto no trecho sejam concluídas, a partir da data do deslizamento. As chuvas teriam sido a principal causa do desastre. “No prazo de três dias, choveu o equivalente à média de todo o mês de março, de acordo como o Simepar. Como houve uma concentração de água em uma encosta da serra e, nesta região há pouco incidência de sol, o solo ficou encharcado e desabou”. O DER não se pronunciou a respeito de possíveis medidas provisórias que poderiam permitir o fluxo de veículos, ainda que parcialmente, até que a estrada esteja totalmente consertada.

Fernanda Bertonha / 4º Período

Fernanda Bertonha e Mônica Seolim / 4°Período


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“Mobilizações via internet, quando sérias, conseguem abranger melhor quem realmente está disposto a colaborar com a polícia”

SEGURANÇA EM REDE: PROTEÇÃO COMPARTILHADA Moradores criam página no Facebook para denunciar crimes e alertar os vizinhos afirma Veridiana Demathe, moradora do bairro Santo Inácio. “Pegam qualquer coisa, seja de rico ou pobre, e ainda corremos o risco de sermos agredidos fisicamente por não ter nada para dar ao bandido”, lamenta. Diante do cenário alarmante, os moradores da região buscaram aliar a tecnologia à prevenção de novos crimes e criaram um grupo fechado na rede social Facebook.

SOS SANTO INÁCIO Após ter a residência assaltada, o vendedor Marcelo Lunardon, ao conversar com vizinhos, notou que o episódio era Geane Godois/4º oPeríodo

A cada dia a criminalidade vem dominando o cotidiano dos curitibanos. Segundo dados do último levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP-PR), Curitiba apresentou um aumento de 20% no número de assaltos em 2013 e, além disso, dados apurados pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSEG), colocam a cidade como a sétima capital do país em maior quantidade de carros roubados ou furtados. Os números refletem e justificam a insegurança que a população sente com relação ao patrimônio e a própria vida, como

A página é rede de segurança comunitária

mais comum do que ele imaginava no bairro e foi então que a ideia surgiu. “O objetivo do SOS Santo Inácio é a comunicação dos moradores com o mesmo problema, avisar quando tem algo suspeito. Foi a forma encontrada para termos mais segurança, já que esta é falha no sentido público”, explica. A integração da comunidade no grupo já evitou possíveis crimes, por meio do aplicativo de identificação de placas de veículos da Polícia Federal. “Este mecanismo informa se a placa é roubada e isso colabora para que fiquemos atentos. Já conseguimos identificar cinco (veículos) em que a placa não batia, isso significa que é bem provável que aconteceria assaltos na região”, ressalta Lunardon. O grupo possui cerca de seis meses de existência e mais de 1,2 mil membros compartilham diariamente esclarecimentos apurados junto à Polícia Militar, depoimentos de roubos e furtos de casas, veículos e transeuntes suspeitos no bairro, assim é possível repassar o maior número de informações para a PM atuar nos casos. Os usuários apoiam a iniciativa e

passam a prestar mais atenção no que está a sua volta. No entanto, outro morador do Santo Inácio, Fernando Junior, acrescenta que para esta união perdurar, é preciso o uso do bom senso. “A discordância pode acabar em uma disputa de opiniões e isso não leva a ajuda nenhuma”, lamenta. Esta forma de mobilização da comunidade não possui efetividade comprovada, mas ajuda na atuação dos policiais, de acordo com o sargento Sandro Vieira. “O grande problema que a polícia enfrenta é a falta de informação. Com essa espécie de bancos de dados, o profissional pode trabalhar com mais materiais”, comenta. O sargento também afirma que o interessante deste tipo de mobilização é que a maioria das pessoas integrantes estão realmente dispostas a se protegerem mutuamente e buscar soluções para os casos. “No 190, cerca de 90% das ligações são trotes. Mobilizações via internet, quando sérias, conseguem abranger melhor quem realmente está disposto a colaborar”, conclui. Geane Godois/4º oPeríodo

ATENDIMENTO A MULHERES VIOLENTADAS DEIXA A DESEJAR

Buscando sanar o problema, Prefeitura de Curitiba lançou a Patrulha Lei Maria da Penha

“NÃO EXISTE APOIO DAS DELEGACIAS”

“Ele me agredia, eu apanhava. Cansei de apanhar, e denunciei”, relata Marcia (nome fictício), 35 anos, que sofreu violência do ex-marido. “Se não tivesse a Lei Maria da Penha eu não teria feito a denúncia, porque a delegacia não funciona para essas coisas”, lamenta.

“O agressor é o namorado da minha mãe, além de perturbá-la, me agrediu verbalmente e psicologicamente”, relata Bianca (nome fictício). “Na delegacia, o atendimento foi razoável. Apesar disso percebi que algumas mulheres não são atendidas como deveriam ser”, conta a moça. Para Marcia, o atendimento da Delegacia da Mulher não foi eficiente. “A funcionária da delegacia que atende a denúncia foi extremamente estúpida, não dá atenção e quase te faz desistir da denúncia, não existe apoio das delegacias”. A psicóloga Carolina Ibanez explica que, no tratamento psicológico de uma mulher que sofreu violência, “o psicólogo precisa entender o que aconteceu e qual significado a mulher violentada deu ao ato. Faz parte do processo terapêutico trabalhar para diminuir o sofrimento”.

OUTRO LADO

A Secretaria do Estado da Saúde do Paraná (Sesa), em parceria com o Instituto Médico Legal (IML), desenvolveu um projeto no qual uma equipe do IML se desloca até a unidade de saúde ou hospital para fazer o exame de corpo de delito, humanizando o atendimento. Já a Prefeitura de Curitiba lançou o programa “Patrulha Lei Maria da Penha”, que conta com quatro viaturas e 15 guardas municipais para atender as vítimas. A Delegacia da Mulher foi procurada pela reportagem do Comunicare, mas não se pronunciou sobre as críticas feitas pelas mulheres vítimas de violência. Bruna Caroline Santos Cavalheiro/3º Período

Taís Coutinho Arruda/3° Período

Cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer da vida. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), no mundo, uma a cada cinco mulheres se tornará vítima de estupro. Em uma pesquisa realizada com moradores de Curitiba, em dezembro de 2013, pela Secretaria Municipal Extraordinária da Mulher, 44% dos curitibanos relatou que não acredita que as leis brasileiras defendem as mulheres de abusos e violências domésticas. Para 34% dos curitibanos o lugar onde a mulher mais é desrespeitada é na própria casa.


Curitiba, 05 de maio de 2014

”Estive na inauguração em 91 e em 94. Hoje estou aqui novamente e trouxe o garoto. Todos os eventos foram grandiosos, mas hoje é especial”

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ARENA REABRE, MAS AINDA TEM MUITAS OBRAS INCOMPLETAS A festa de reabertura foi bonita, mas faltou o gol. Do lado de fora, sobraram obras inacabadas

O JOGO

OBRAS Mesmo com festa nas arquibancadas, o evento mostrou que ainda há muito o que ser feito. Várias obras no entorno do estádio ainda estão inacabadas, os prédios para transmissão de televisão e rádio ainda precisam ser erguidos, além do anel superior da arquibancada. Outro evento-teste deve ser realizado no próximo mês, porém desta vez à noite, para que o sistema de iluminação, recém terminado, seja testado.

COMERCIANTES COMEMORAM Há quase dois anos e meio sem eventos, a volta da Arena significa aumento

dos lucros, não apenas diretos, mas também indiretos, que ela proporciona aos comerciantes da região. Além dos estacionamentos, que dependem dos jogos para obter lucro, os donos de outros estabelecimentos também comemoram. Para Sandra Simonatto, proprietária da confeitaria Doce Paladar, a Copa vem para ajudar, mas a situação ainda é complicada. “A Copa vai ser boa, com certeza, mas a rotatividade aqui é muito grande. Não tem como investir muito”. Mesmo assim, a volta dos jogos depois do evento da Fifa deve ser o diferencial. “Quando pararam a Arena pra reforma, nosso público mudou. Antes, a gente vendia muita bebida alcoólica, agora é mais bala e doces. Quando o Atlético voltar a jogar aqui as bebidas voltarão a vender e, com isso, o lucro subirá novamente.”

COPA A Arena da Baixada receberá quatro jogos da Copa do Mundo Fifa, todos válidos pela primeira fase do torneio. Irã e Nigéria se enfrentam no dia 16 de junho; Honduras e Equador no dia 20 de junho; a Espanha, atual campeã, encara a Austrália no dia 23 de de junho; e a Rússia joga contra a Argélia no dia 26 de junho. A maior parte dos ingressos já foi vendida.

Leonardo Siqueira / 4º Período

O Atlético iniciou a partida com o time titular, que disputa a Copa Libertadores, com destaque para Adriano, que fez seu primeiro jogo como titular. O atacante

ficou em campo cerca de 60 minutos e teve a chance de abrir o placar, mas não aproveitou. Além do Imperador, Marcelo e Éderson também tiveram chances de anotar o primeiro tento do novo estádio, mas também falharam. O J. Malucelli praticamente não teve chances de marcar. Claudio Roberto, empresário, levou o filho Vitor, de apenas três anos, pela primeira vez ao estádio. “Estive na inauguração em 91 e em 94. Hoje estou aqui novamente e trouxe o garoto. Todos os eventos foram grandiosos, mas hoje é especial”, afirma Claudio.

Na esquerda, obras ainda incompletas na praça em frente à fachada. Na direita, parte da entrada do estádio, acesso principal do estádio

Leonardo Siqueira/ 4º Período

Fechada desde 05 de dezembro de 2011, para adequação em razão da Copa do Mundo de 2014, a Arena da Baixada foi reaberta no último sábado, dia 29 de março, no aniversário de Curitiba. O primeiro jogo teste foi realizado apenas para operários e alguns poucos sócios, já que foram liberados apenas 10 mil lugares, dos 43 mil previstos ao fim da obra. A partida, que teve início às 15h, foi contra o J. Malucelli e terminou com empate em 0 a 0. Para o estudante Marlon Gogola, o primeiro gol da Arena deveria ser de Adriano Imperador. “Depois que ele saiu, torci pelo 0 a 0”, brinca. Os torcedores que compareceram ao jogo tiveram problemas nas ruas próximas ao estádio. Cerca de 500 homens, entre guardas municipais, bombeiros, agentes particulares e policiais militares e federais, fizeram a segurança, já que o evento foi considerado teste para a Copa, pela Polícia Militar. Por este motivo, o acesso foi restrito em um raio de três quadras do estádio, sendo permitida a entrada apenas de torcedores com ingresso.

Claudio e o filho Vitor, duas gerações na Arena

ATLÉTICO A previsão do clube para o futuro é otimista. Segundo estudo de viabilidade apresentado pela CAP/SA para defender o último empréstimo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Arena tem potencial para gerar de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões por ano. Levando em conta que a receita do clube, hoje, é de cerca de R$ 80 milhões, o Atlético pode dobrar de tamanho nos próximos anos. Além disso, ainda está em aberto a escolha dos Naming Rights do estádio, isto é, qual marca pagará para ter seu nome vínculado ao clube. Vale ressaltar que esta prática, que ainda não é tão comum no Brasil, é muito utilizada na Europa, tanto por times grandes quanto pelos menores. Como exemplos, a Allianz Arena, casa do Bayern de Munique, e o Etihad Stadium, estádio do Manchester City, já lucram com esta estratégia há algum tempo. Leonardo Siqueira / 4º Período


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Curitiba, 05 de maio de 2014

“Hoje é muito mais fácil marcar atividades esportivas em grupos e pelas redes sociais”

SALTO DE PARAQUEDAS, RISCO GOOGLE LANÇA JOGA+1 Ferramenta de busca ajuda atletas a praticarem OU ADRENALINA? juntos seus esportes prediletos

Veja os pontos positivos e negativos do paraquedismo Esporte radical ainda pouco praticado, o paraquedismo é motivo de medo para algumas pessoas e remédio para outras. Apesar dos riscos, a adrenalina liberada no esporte é responsável por vários benefícios à saúde. “A adrenalina, um neurotransmissor, é um estimulante, ajuda na concentração e na atenção do indivíduo”, afirma Cloves Amorim, psicólogo, psicoterapeuta e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Segundo ele, a serotonina também se intensifica com a queda livre, causando sensação de prazer.

Simulação de salto durante as aulas O professor alega que os esportes em geral despertam bem estar nas pessoas, pois a maioria delas não joga apenas para ganhar, e sim pela prática em si. “Voc�� não vai para a balada numa noite, se vai saltar de paraquedas no dia seguinte”, diz, complementando a ideia de que disciplina e auto controle são outros pontos positivos da prática. Em relação à baixa procura e desistência das pessoas pelo paraquedismo, Rogério Gomes Santos, 47 anos, afirma que se deve, além do alto custo, ao receio que elas têm daquilo que envolve o perigo. Diretor da Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq), instrutor e dono de uma das cinco maiores escolas de paraquedismo do Brasil, a Skull, Santos saltou cerca de três mil vezes.

“Depois que você salta, seus medos e dificuldades se tornam muito pequenos”, afirma o instrutor, praticante há mais de 15 anos. Para ele, o contato com a natureza, a adrenalina e a autoconfiança obtidos com o esporte fazem qualquer investimento valer a pena. Assim também é para o tecnólogo em Telecomunicações Ivan Haluch, que no dia seguinte ao seu primeiro salto duplo, em janeiro deste ano, ligou para a escola para saber como poderia saltar sozinho. Porém, fará o curso somente no ano que vem, pois, segundo ele, é caro. Haluch pousou em Paranaguá, mas normalmente isso é feito no aeroporto de Ponta Grossa. “Dá medo quando o instrutor te coloca para fora do avião, pouco antes de saltar. Mas é uma experiência única”, frisa Haluch. Quando foi se aventurar, estava com os joelhos machucados, o que o fez parar de jogar futebol, mas não desistir do paraquedas. Ao pousar, afirmou que nenhum impacto é sentido. “Não senti dor, foi tranquilo”. Quem controla o paraquedas não é o instrutor, e sim quem está saltando com ele. Assim, é a pessoa quem decide se quer chegar antes ao chão e ter mais adrenalina, ou o contrário.

CUIDADOS Em relação ao salto individual, Santos diz que basta seguir as regras do curso e “nada dá errado”. Sobre o duplo, afirmou que é ainda mais simples, já que a pessoa não está sozinha, “mesmo sem seguir as orientações, dá tudo certo”, garantiu. Para o psicólogo, é preciso alertar-se à vigorexia, uma doença causada pela busca de níveis mais altos de adrenalina, o que acarreta no vício pelos esportes em geral, principalmente os radicais para quem os pratica. Já sobre as pessoas quem têm medo de altura ou estão em tratamento psicológico, ele recomenda antes uma avaliação médica, pois “os esportes radicais são para quem tem saúde e deseja praticá-los”, complementa. Dayanne Wozhiak/3oPeríodo

Para tentar acabar com as dificuldades de encontrar um local apropriado, ou ainda companhia na hora de praticar alguma atividade física, a Google lançou uma plataforma que pretende unir e auxiliar os apaixonados por esportes ou aqueles que prezam por uma vida saudável, o Joga +1.

COMO FUNCIONA O site foi habilitado na terceira semana de março e já conta com mais de 20 modalidades esportivas e 250 atividades cadastradas, todas espalhadas por diversos lugares do Brasil. O Joga +1 funciona de forma totalmente interativa. Para utilizá-lo basta que o usuário possua uma conta Google e faça a conexão no site, em seguida, ele deve escolher o esporte ou atividade desejada e digitar o nome de uma propriedade pública, uma rua ou um bairro para que, através do Google Maps, sejam identificados os lugares adequados e disponíveis na área desejada. De tal modo, o usuário pode escolher uma ou mais alternativas, agendar os encontros com outras pessoas pelo Google+ e obter ou adicionar dados, formando um ambiente de cooperação.

INCENTIVO Christiano dos Santos, professor da Escola de Saúde e Biociências da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e mestre em tecnologia em saúde, afirma que a plataforma pode ajudar principalmente os mais introvertidos. “Vamos imaginar uma criança, um adolescente ou até mesmo um adulto que more sozinho, esta pessoa vai ter mais dificuldade de se relacionar com outras pessoas, de repente, a ferramenta pode se tornar importante”, diz. Da mesma maneira, o professor assegura que o Joga +1 pode envolver os mais obcecados por aparelhos eletrônicos e incentivá-los a praticarem exercícios, já que bastam alguns cliques para que eles achem um local e companhias para o divertimento.

Ferramenta conquista usuários

PARCEIROS A plataforma dispõe da assistência das ONGs brasileiras: Atletas pelo Brasil, Fundação Gol de Letra, Cufa, Instituto Bola pra Frente e Liga Solidária. O site Catraca Livre oferece, igualmente, suporte à plataforma. Dayse Ribeiro é assessora institucional do Instituto Bola pra Frente e conta que a Google convidou a ONG para participar do projeto, uma vez que a instituição tem a missão de estimular a prática de esportes. Os fundos arrecadados pelo instituto são fornecidos por patrocinadores que investem via lei de incentivo ao esporte.

ATLETA “Experimentei o Joga +1 uma vez para tentar encontrar um novo local onde eu pudesse correr durante a semana, como estou habituado”, fala Marcos Garcia, que é estudante e participa de jogos de futebol e corridas semanalmente. Garcia declara que a plataforma é extremamente interessante e pretende usá-la mais vezes. “Hoje é muito mais fácil marcar atividades esportivas em grupos e pelas redes sociais”.


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“Estar aqui hoje é uma coisa de outro mundo, algo espetacular, e vai ficar marcado nos nossos corações”

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CURITIBA TEM ANIVERSÁRIO COM SHOW DO REI Apresentação de Roberto Carlos na reabertura da Pedreira Paulo Leminski celebra os 321 anos da cidade O ESPETÁCULO Roberto Carlos subiu ao palco às 21h40, e mesmo com o atraso, foi recebido calorosamente com muitas palmas e saudações de fãs. De terno branco e acompanhado por um coral e pela

orquestra RC9, fez uma noite dedicada a sucessos. Abrindo sua apresentação com “Emoções”, afirmou estar emocionado em cantar novamente na cidade. “É um prazer estar com vocês. É um privilégio cantar em um espaço como esse. Obrigado pelo

carinho de todos vocês”, declarou Roberto Carlos. Antes da segunda canção, ele ainda brincou com o aniversário da cidade. “Curitiba é bem mais velha do que eu”, disse o cantor. Ao final, a plateia se aglomerou em frente ao palco para a tradicional entrega de rosas do cantor.

REABERTURA

Fernanda Maldonado/3oPeríodo

Após cinco anos de interdição, um dos principais locais destinados a shows e grandes eventos de Curitiba, a Pedreira Paulo Leminski, foi reinaugurada no último sábado, dia 29 de marco, em uma ocasião duplamente especial. No dia do aniversário da cidade, a Pedreira recebeu o rei Roberto Carlos em um grande show para oito mil pessoas. O clima ameno e a ausência de nuvens no céu compuseram uma noite perfeita para o público aproveitar e prestigiar o espetáculo. A estrutura contava com cadeiras para todos os espectadores, serviços médicos e policiamento dentro do local, além de barracas de comidas e bebidas. Não foram registrados tumultos antes, durante ou depois do show, que durou aproximadamente duas horas. Algumas ruas ao redor da Pedreira foram fechadas após as 16h e o tráfego foi controlado por guardas de trânsito. O sábado foi repleto de atividades pela cidade em comemoração aos 321 anos de Curitiba. O show, marcado para às 21h, começou com um atraso de quase 40 minutos.

O palco que recebeu Roberto Carlos é uma das mudanças na reabertura da Pedreira, que passou por reformas estruturais e está maior em comparação ao antigo espaço. As reformas do complexo, que inclui também a Ópera de Arame, custaram cerca de R$ 17 milhões. O local foi interditado em 2008, após uma ação movida em nome dos moradores da região, alegando que o tumulto, a falta de organização e o barulho gerado em dias de show atrapalhavam a rotina e a segurança no bairro. Em janeiro deste ano, a Justiça derrubou a ação sob a condição de imposição de regras para a organização dos horários dos eventos, além de melhorias na estrutura do local.

Abrindo com “Emoções”, o rei Roberto Carlos é recebido calorosamente pela plateia

Fernanda Maldonado/3oPeríodo

DEVOÇÃO

Fernanda Maldonado/3oPeríodo

As amigas Eulália Ouchim Remanne, 42 anos, e Soraia Mogne Luis, 54 anos, vieram de Moçambique especialmente para o evento, realizando, segundo elas, o sonho de uma vida inteira. “Crescemos a ouvir a música de Roberto Carlos. Estar aqui hoje é uma coisa de outro mundo, algo espetacular, e vai ficar marcado nos nossos corações. Vamos partilhar essa realização com nossas amigas em Moçambique!”, diz Eulália. “Roberto Carlos uma vez foi à Moçambique e eu ainda era muito pequenina para ir ao espetáculo. Minhas irmãs mais velhas foram, e então fiquei sempre a acalentar este sonho. Para mim, vir ao Brasil só podia ser por esse grande motivo”, conta Soraia, emocionada e eufórica. “Em Moçambique, toda a gente sabe que hoje é um dos maiores dias da minha vida”, afirma. O advogado Mario Boeira, 52 anos, vestido com uma camiseta surrada com o rosto do Rei por baixo de uma camisa azul clara, conta que foi a todos os shows que conseguiu desde 1970. “Durante a faculdade, fui a um congresso no Rio de Janeiro e descobrimos que em uma das noites o Roberto faria um show no Canecão. Todos os meus amigos foram para uma balada, e eu fui sozinho no show. Depois daquele dia, nunca mais parei de acompanhá-lo. Essa camiseta tem mais de 30 anos”, afirma. Conforme dava seu depoimento, seus olhos foram ficando mareados de lágrimas. “Tá vendo, é só começar a falar que a emoção bate!”, desabafa, sorrindo. Também prestigiaram o evento o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, o governador Beto Richa, o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli, e o vereador Jonny Stica, um dos responsáveis pelas campanhas de reabertura da Pedreira.

Eulália Ouchim e Soraia Mogne vieram de Moçambique para o show


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FESTIVAL DE CURITIBA SATISFAZ PÚBLICO, ATORES E COMPANHIAS Sendo democrática quanto ao gosto e ao bolso, a capital é palco de inúmeras apresentações teatrais até o domingo que vem

de cinco atrações estrangeiras”, diz. Para Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), o festival é uma amostra daquilo que está sendo produzido na mais ampla diversidade do teatro brasileiro. “O teatro tem esse poder sedutor, no bom sentido da palavra, e é um bom momento para se trazer frequentadores para esta arte”. O presidente ainda confirma que “o curitibano está tendo, pelo menos em 2013 e neste ano, uma oferta muito maior de atividades culturais”. A expectativa para esTa edição da mostra é grande. Lidvar Shultz, projetista gráfico, que diz acompanhar o festival desde sua primeira edição, conta que a aposta para este ano são as peças de rua, que além de gratuitas prometem uma interação diferente. “Algumas peças estrangeiras serão apresentadas no formato street, espero que valha a pena. Já faz seis anos que só assisto esse tipo de peça - que eu não sei o que esperar (por não ser de companhias famosas e atores conhecidos) - e sempre me surpreendo”, relata. Ele também faz uma crítica ao festival em seu modelo atual. “Percebo que o preço

Natália Moraes/3°Período

Durante os 20 dias do Festival de Curitiba (de 25 março até 06 de abril) a cidade se transformou em um grande palco com inúmeros artistas de várias regiões do Estado, de vários estados do país, além de artistas internacionais. Essa miscigenação cultural só foi possível graças às 430 companhias de 19 estados brasileiros e de cinco países que estão se apresentando nesta edição com 450 espetáculos. A programação está recheada de peças em diversos locais, desde praças como a Rui Barbosa e Santos Andrade, teatros consagrados como o Positivo, Bom Jesus e Guaíra, e nas ruas, calçadões e parques. Ao todo, serão ocupados 65 espaços da cidade - tudo para proporcionar ao público entretenimento e cultura irreverente. De acordo com Leandro Knopfholz, diretor e organizador do FTC, o objetivo desta edição é apresentar um retrato da produção teatral nacional, fazendo um paralelo com a produção artística internacional. “O grande diferencial desta temporada é que estamos apostando em um incremento da programação internacional com a vinda

A programação está recheada de peças em diversos locais, desde praças à consagrados teatros

Natália Moraes/3°Período

O Festival de Teatro de Curitiba (FTC), em sua 23ª edição, começou no final do mês março, dia 25, e terminará no dia 06 de abril. Considerado uma grande produção teatral e um dos maiores eventos culturais do Brasil, o festival contempla peças nacionais, internacionais e locais. Entre as atrações estão: a mostra principal (com 35 peças), a Fringe (com mais de 200 apresentações diferentes), além de sessões do Risorama, Guritiba, Sesi na rua, Mish Mash e o Gastronomix, comprovando que Curitiba se insere cada vez mais no “eixo” cultural nacional e continua se expandindo.

Peça “A Pereira da Tia Miséria” da mostra Sesi na rua aumenta a cada ano, a qualidade das peças principais vem caindo e a oferta aumenta à exaustão. Não se sabe o que assistir de tanta coisa pra ver e parece não haver muito critério de unidade”, aponta. Já para a também apaixonada por teatro, Mônica Farah, o festival vem se aprimorando. É democrático e acessível. “Já não preciso ir ao Rio ou São Paulo para ver esse tipo de festival que confesso nunca esperar muita coisa, porque sempre prefiro ser surpreendida. Até hoje não me decepcionei”, completa. O chileno Claudio Vegas, protagonista da peça “El Homebre venido de ninguna parte”, da companhia La Gran Reyneta, comenta o tempo de preparação e a imensa expectativa em se apresentar para o público brasileiro. “São pessoas de uma inocência incomum, muito limpos, honestos e generosos que atuam na peça. É a primeira vez em Curitiba e gostaríamos muito de voltar, mas depende do festival e das oportunidades apresentadas para nós aqui”. O espetáculo conta a história de um homem

que viaja no tempo em busca da verdade sobre o mundo ao seu redor e sua origem. “É uma fantasia aos olhos, uma loucura à mente e uma surpresa a cada instante”, fala o produtor teatral Paulo Rocha. Os 11 atores encenam e coordenam o cenário, que merece aplausos nos quesitos criatividade, improviso e audácia. A mão gigante com toda a sua complexidade – o dedo jorra sangue quando é cortado -, o esguicho azul da baleia e a tempestade de verdade em plena noite estrelada de quarta-feira pode ser considerada a revolução dos efeitos especiais. A respeito desta “improvisação planejada”, Vegas afirma que, “este show começou em dezembro de 2013 com sua estreia, mas o tempo de preparação foi 10 meses exatamente. O cenário é bem pensado, mas parece um “grande punho” e também há baleia, restaurante, cadeia, cemitério, além de um ovo gigante. Tudo foi muito bem estudado, planejado. É um orgulho apresentar esse trabalho”.


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A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) começou o projeto Casa Cheia para estimular e auxiliar o acesso da população ao festival. Foram liberados cinco mil vouchers em peças curitibanas que dão direito a um desconto de R$ 10,00 para os espetáculos de companhias locais que compõem a programação da mostra Fringe. O desconto é automático, é só apresentar o cupom na bilheteria. O benefício é válido até para os que têm direito a meia entrada e residem em outras cidades fora da capital, entretanto não é cumulativo, portanto só é valido um por peça, além de não haver devolução da diferença em dinheiro. Ou seja, se o valor da peça é R$ 8,00 e o valor do vaucher é R$ 10,00 não há devolução dos R$ 2,00 de diferença. Cada pessoa pode utilizar quatro vouchers durante a edição deste ano e o controle será feito pelo número do RG na hora da compra. Os descontos são limitados a 30% da quantidade total de ingressos de cada apresentação e não

valem para compras no site do evento. “Mais de 200 peças serão beneficiadas com a iniciativa. É uma forma de evidenciarmos quem faz o teatro em Curitiba. E o melhor momento para isso é durante o festival, quando a cidade toda respira o teatro”, diz o superintendente da FCC, Igor Cordeiro. Segundo ele, após analisados os resultados do projeto no festival, ele será replicado para outros projetos. O sucesso do projeto foi tão grande que após cinco dias de festival todos os cupons de desconto foram retirados. Já não se têm mais disponíveis. “Os cupons tiveram uma ótima aceitação. O sucesso serve de estímulo para já pensarmos em novos desafios”, diz o coordenador de Teatro da FCC, Clóvis Severo.

Natália Moraes/3]Período

CASA CHEIA

ATÉ AQUI A mostra Fringe apresentou o espetáculo “O beijo da Lua e da Vitória Régia” DEMOCRÁTICO E ECLÉTICO Além da mostra principal, há uma variedade de apresentações de diferentes conteúdos, destinados a públicos mais despojados, além de uma secção de público específico. O Fringe é o espaço em que as companhias interessadas têm para mostrar o seu trabalho e contempla todas as vertentes artísticas. Não há crítica de “olheiros” nem super-expectativa, a Fringe é justamente para o expectador que está afim de desfrutar de uma peça de teatro, música e dança logo ali. Só nesta edição são 400 montagens e 10 eventos, no conjunto, 20 a mais do que no ano passado. Além disso, o festival conta com o Risorama em que o objetivo é dar risada o tempo todo. As apresentações, que ocorreram entre os dias 29 de março a 03 de abril, foram comandadas por um grupo de atores comediantes que animaram a noite com ambiente descontraído ao estilo “conversa de boteco”, contemplando todos os estilos de stand-up comedy. Houve apresentações do Marco Luke com

um quadro surpresa, no qual ele, ainda disfarçado, interagiu com as pessoas. No decorrer das apresentações outros comediantes consagrados também marcaram presença, tais como: Diogo Portugal, Hélio Barbosa, Maurício Meirelles, Guri de Uruguaiana e Robson Nunes, além do mestre de cerimônia ser ninguém menos que Marcio Ballas. As apresentações duraram 1h50 com intervalos de 15 minutos por apresentação. O SESI na rua (apresentações gratuitas), apresentou mostras internacionais irreverentes do teatro tradicional. Conseguiu surpreender sem o conforto das cadeiras e o silêncio dos teatros, com as peças “Os gigantes da montanha”; “Ell Hombre venido de ninguna parte”, “Pequeno manual do cavaleiro andante” e “A pereira da tia miséria”, que mostraram muita criatividade nos cenários, enredos complexos e críticos e um mar de aplausos. O Guribatiba (segmento para as crianças) é destinado também aos pais e pretende encantar os grandes e pequenos,

ao abranger o mundo da aventura, diversão e fantasia – transpondo os limites da imaginação. O Guribatiba contará com atrações que se apresentarão entre os dias 04 e 13 de abril, como: Criaturas - show musical e teatral a partir da história de um livro, no qual os personagens passam por problemas reais e os solucionam com ideias criativas e inocentes típicas do universo infantil, além do Rádio Show–Banda Mirim – que promete entreter e brincar com a gurizada com muita música da rádio Sapecando AM. Já no Mish Mash, os destaques foram as apresentações circenses e de mágicas, no qual malabarismo e ilusionismo foram os pontos altos das apresentações, que ocorreram no Park Cultural, nos dias 27 e 28 de março, com a apresentação da “Palhaça Rubra”. O último evento foi o Gastronomix, feira de alta gastronomia com ênfase na culinária brasileira e paranaense, que contou com os chefs César Santos, a consagrada Flávia Quaresma, além de Tereza Paim, Pablo Pavan e Bárbara Verzola.

O 23º Festival de Curitiba começou em uma terça, dia 25 de março. Como todo ano, o evento não começou com uma peça, razão pela qual é conhecido internacionalmente, mas com uma festa “esporte fino”. Atores do Brasil e a nata curitibana andavam para lá e para cá com coquetéis caros na mão (todos fornecidos de graça para quem tivesse um convite) nesta noite nublada. A banda do grupo teatral La Gran Reyneta tocava no palco, com o volume apenas alto o suficiente para não atrapalhar a conversa dos convidados. Ternos, vestidos, fotógrafos, quitutes e peças de decoração de isopor ocupavam o salão da Expo Renault Barigui, tudo repassando um ar de limpeza e claridade, quase chegando a machucar os olhos. Até o acidente do ator Fagner Zadra, do grupo de comédia Tesão Piá, com uma das tais peças de isopor, a festa seguiu tranquilamente, da maneira esperada pelos organizadores, apesar da constante correria deles pelo salão. Beatriz Peccin/3° Período


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NOITE DE CLÁSSICO NA VILA SUPERA EXPECTATIVAS

Mostrando entrosamento e versatilidade individual, Guns N’Roses faz bela apresentação

palco, os músicos finalmente se acharam. Cerca de 16 mil pessoas estiveram no Tocaram a faixa “Better” também do seu Estádio Durival de Britto e Silva, no dia último álbum e, com mais uma saída de Axl 30 de março, para presenciar a primeira para o camarim, começaram a aparecer os apresentação da banda Gund N’Roses em solos do resto da banda. Curitiba. O show marcado O primeiro a cobrir as para começar às 21h, teve apenas oito minutos de atraso, “NÓS NÃO VIRÍAMOS AO trocas de roupa de Axl foi o diferente das apresentações SHOW, MAS QUANDO A guitarrista Richard Fortus. LUIZA PEDIU, FOI ATÉ Tocando uma versão em solo em Belo Horizonte e Rio de UMA SURPRESA” da música “The Blacklight Janeiro onde o grupo atrasou Jesus of Transylvania”, Fortus por quase duas horas. A banda alterou com os outros dois norte-americana está no Brasil guitarristas Ron Thal e DJ Ashba o papel com a turnê South American Tour 2014, e que era do lendário Slash. fez na capital paranaense seu quinto show do trecho (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo). SEGUNDA PARTE DO SHOW O apresentação teve início com a Quem abriu a segunda parte do show, canção “Chinese Democracy”, nome do depois de mais uma parada do vocalista último álbum da banda. Axl Rose, ainda para troca de roupas, foi o baixista Tommy meio tímido, andou pelo palco exibindo Stinson. Cantou uma música de sua autoria uns “quilinhos” a mais. Em seguida veio “Motivation”, punk rock dos tempos da sua um grande hit do grupo “Welcome to primeira banda The Replacements. Em the Jungle” fazendo o público pular e seguida Axl volta, parecendo ter aquecido cantar junto. Aos poucos Mr. Rose ia se as cordas vocais, o vocalista tem flashs soltando, mas na quinta música “Estranged” dos tempos áureos. Animado, ele corre no começou o que todos temiam, os famosos palco, arrisca alguns agudos que fazem a “chiliques” do frontman da banda. O galera delirar e toma da mão de um roadie vocalista interrompeu a música dizendo (funcionário que limpa o palco) um rodo e “a banda está meio confusa”, mas depois começa a passar no palco, retirando a água de algumas conversas e uma ausência no parada da chuva. Depois sorri, pega seu

Público de 16 mil pessoas resistiu à chuva para soltar a voz e curtir os grandes hits da banda novo acessório e começa a dançar. A chuva não atrapalhou a apresentação. No público, as camisas pretas deram espaço para capas de chuva, que no final ficaram espalhadas pelo chão. Quando DJ Ashba sobe na caixa de retorno em frente ao palco e começa a solar “Sweet child o’ mine” o que se vê é uma plateia jogando capas de chuva para o alto e sorrindo ao ver Axl Rose entrar no palco sem chapéu e apenas com um lenço vermelho na cabeça, lembrando os anos 90. Todos cantaram, pularam e aplaudiram, fazendo o vocalista dizer “é um prazer estar com vocês essa noite”. A próxima canção precisou mais uma vez dos roadies. Tirando rapidamente um belo piano azul marca Baldwin abaixo da estrutura onde ficava o baterista Frank Ferrer e os tecladistas e becking vocals Dizzy Reed e Chris Pitman, foi a vez de Rose mostrar versatilidade tocando “November Rain”. O palco se apagou, deixando apenas uma luz sobre ele. A plateia balançou os braços de um lado para outro, curtirdo a baladinha mais famosa banda. O jogo de luzes e os telões de led foram outra atração. A cada música, o tema e as imagens trocavam ficando mais interativo o show. Teve também pirotecnia no final de November Rain e no refrão de “Catcher in the Rye”.

DO FINAL AO BIS Depois do início “morno” com uma breve interrupção, Axl Rose emendou uma boa performance

Do público vem uma bandeira do Brasil. O guitarrista Ron Thal a pega e coloca sobre

suas costas, fazendo todos gritar e aplaudir seu gesto. Marcelo Martíns e Clara Deretti trouxeram a filha Luiza Martíns, 12 anos, para ver o show a pedido da menina. Marcelo e Clara são fãs do Guns desde a década de 1990, quando a banda estava em ascensão. Luiza aprendeu a gostar da banda ouvindo os grandes clássicos. “Nós não viríamos ao show, mas quando a Luiza pediu, foi até uma surpresa”, diz Clara. Já Martins, quando questionado sobre a declaração do tecladista Dizzy Reed de que a formação atual da banda é a melhor de todos os tempos, comenta que esse era o receio dele vir ao show. “Tenho amigos que não vieram porque não tem mais o Slash. Nós viemos por que ela pediu, e ela aprendeu a gostar ouvindo os grandes clássicos”. Axl volta ao palco com uma jaqueta de couro preta e um chapéu vermelho para cantar “Don’t Cry” seguida de “Knockin on Heaven’s Door”, talvez o momento mais brilhante da apresentação, que durou quase três horas. Banda e plateia estavam sintonizadas. Axl parecia ter seus anos dourados novamente. A multidão vibrava vendo a banda, que no começo parecia confusa, orquestrar o hard rock que todos esperavam. Por fim “Patience”, puxada por um assovio de 16 mil pessoas ecoando pela Vila Capenema, e “Paradise City”, sob uma explosão de pétalas de rosas, deram fim a uma apresentação contagiante. Alan Silva e Gabriel Snak /3o Período


Curitiba, 05 de maio de 2014

Para os pálidos viajantes, o verão que aterroriza os curitibanos é motivo de deleite. Ao final dessa odisseia sul-americana, exibirão os bronzeados com orgulho.

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ESTRANGEIROS ENXERGAM CONTRASTES DO BRASIL

Luciano Simão/3oPeríodo

num episódio de The Walking Dead. O islandês Saemundur Saemundsson, O choque cultural é forte. A Islândia 50 anos, desembarca em Curitiba está na 13ª posição no ranking mundial do acompanhado da esposa e dos três filhos. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Malas gordas, roupas tropicais, cinco e chegou a ocupar a primeira em 2007. O sorrisos ambulantes. Brasil está na 85ª. Apenas uma hora após a Para celebrar o cinquentenário, aeronave tocar o solo, a diferença é gritante. uma viagem pela América do Sul - Che Visivelmente abalados pelo encontro, Guevara com cartão de crédito e Hilux. Saemundur e a esposa estudam a Uma peregrinação de classe executiva, paisagem com um olhar indecifrável. Como de Curitiba a Machu Picchu, passando é, me pergunto, ver a pobreza pela primeira por Foz do Iguaçu, Buenos Aires e Lima. vez? Assistiram e se espantaram com O sol queima no céu como quem “Cidade de Deus”, mas filme algum poderia busca vingança, Apolo em sua mais captar o que veem ali. A sensação de olhar terrível carruagem. Para os pálidos de perto nos olhos vazios da miséria. viajantes, o verão que aterroriza os Uma BMW nos ultrapassa em alta curitibanos é motivo de deleite. Ao final velocidade (freando próximo ao radar, desta odisseia sul-americana, exibirão os conforme manda o bronzeados com orgulho. jeitinho brasileiro!). O A caminho da cidade, O SOL QUEIMA NO CÉU COMO executivo atrás do volante cercados pelo caos da QUEM BUSCA VINGANÇA, só tem olhos para a Avenida das Torres, APOLO EM SUA MAIS TERRÍVEL silhueta da cidade grande o primeiro choque: a CARRUAGEM no horizonte, ignorando simbologia do sinal os barracões e as crianças vermelho. Na Islândia: de rua como se nada houvesse ali. “pare seu veículo”. No Brasil: “liga o ar e Os 12 quilômetros da Avenida das Torres fecha a janela que lá vem o pedinte!”. bastam para que os espectros da miséria Com enormes olhos azuis arregalados, se tornem meros elementos da paisagem, o filho mais novo observa a figura quase detalhes arquitetônicos tais quais os fantasmagórica batendo na janela. Para enormes prédios que marcam o início do quem havia visto um único mendigo em Centro, fachadas pichadas, cobertas de toda a sua vida (uma senhora eloquente e assinaturas ilegíveis e gritos de guerra. bem-vestida que pede esmolas na estação Os dias passam e Curitiba mostra central de Reykjavík), a viagem ao terceiro (aos poucos, é claro, conforme manda mundo já parece estar se transformando

Saemundur fotografa um quati no Parque Nacional do Iguaçu

Luciano Simão/3oPeríodo

Família islandesa encontra perspectivas distintas do Brasil

Os viajantes contemplam a beleza das cataratas ensurdecedor de mais de mil metros cúbicos o jeitinho curitibano) seu lado “sorriso”. de água por segundo. É uma ode não O calçadão que tornou a cidade famosa somente ao Brasil, mas à toda a América do na década de 70. Os parques e praças, Sul. Diante de tamanho poderio aquático, museus e teatros. Os painéis de Poty os cinco viajantes permanecem em silêncio. Lazzarotto e a poesia de Paulo Leminski. - É lindo – diz Saemundur, enfim. De vez em quando, um vislumbre de Cala-se logo a seguir, pois não há sua outra face. A prostituta desmaiada às 10 nada mais a acrescentar. Tenta em horas da manhã em pleno Passeio Público, vão capturar aquela beleza em fotos. garrafa de cachaça na mão, seios quase Naquela noite, às vésperas da nossa transbordando por cima do top de oncinha. despedida, Saemundur e a família relatam As imensas obras inacabadas (inacabáveis, o que deduziram sobre o Brasil - apesar para os pessimistas), abismos devoradores dos pesares (e são tantos os pesares!), o de dinheiro público. As viaturas Brasil é um belíssimo país. Uma nação de policiais que mais parecem tanques, gente que sabe o valor do negras como a morte. Parecem estar “APESAR DOS PESARES, O trabalho e da batalha, mas que também conhece a de luto – Saemundur BRASIL É UM BELÍSSIMO alegria de uma boa festa comenta, contemplando PAÍS. UMA NAÇÃO DE GENTE -. A pátria de Niemeyer uma dupla de policiais QUE SABE O VALOR DO e Pelé, de Zumbi dos trajando puro preto. De TRABALHO” luto estamos nós, tenho Palmares e Machado vontade de dizer, mas não de Assis. Uma terra digo nada. Em 2013, a polícia islandesa onde a própria terra vive e onde matou um homem pela primeira vez em todos querem, acima de tudo, viver. sua história. Como poderia compreender? Mas não é, como nos garante Com os obrigatórios pontos o governo, “um país de todos”. turísticos visitados e doze tipos de E isto até mesmo um grupo de nórdicos caipirinhas provados (e aprovados!), com os bolsos forrados de gadgets o destino agora é Foz do Iguaçu. Apple e cartões Mastercard, após meros Sob a luz de um sol escaldante, as cinco dias no país, é capaz de perceber. Cataratas cantam suas glórias, um coro Luciano Simão/3oPeríodo


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Curitiba, 05 de maio de 2014

A tensão que reinava na hora das refeições agora sumira, e foi tomada não só pelo clima habitual de almoços e jantares da casa como por um alívio perceptível.

MEMÓRIAS DOS TEMPOS DE CHUMBO

Eugenio, na época com seis anos, contrários ao regime. Já há algum tempo, ainda não entendia o cenário político com maior expressão nesse período, vários daquele tempo. Tão novo, não sabia ao setores da Igreja Católica lutavam pelos certo porque ao caminhar para a escola direitos humanos dos opositores. o coração disparava com o som da sirene Já era meados de 1969, um hóspede do camburão da polícia. Não se sentia diferente do que a família costumava protegido, muito pelo contrário. Sabia receber apareceu naquele sobrado de dois apenas que devia temer, e cumpria seu andares. Com a promessa de ficar pouco trajeto temendo sempre. Levamos da nossa tempo, o rapaz que aparentava ter seus 20 e infância lembranças fortes, que apenas tantos anos usava batina. Era frei. O homem posteriormente podemos entender. tinha chegado ali através da ligação que A casa dos Moraes vivia cheia. Com José tinha com os católicos dominicanos de seis filhos e um quarto de hóspedes quase São Paulo, devido à sua própria formação sempre ocupado por algum dos primos que escolar dominicana em Campanha, cidade vinham do sul até a capital paulista estudar, do interior de Minas Gerais. a família tinha apenas um banheiro. José, Quinto irmão na escadinha de idades, o pai, tinha um passado e presente ativo Eugenio recebeu aquela figura com na política, com atuações importantes estranheza. Não entendeu o porque da na Juventude Operária Católica (JOC) nas presença do homem ou a razão de sua décadas de 1950 e 1960, e sempre fez postura acuada e seu isolamento quase questão de passar estes valores aos seus total durante a estadia. Aparecia somente filhos. Por muitas vezes Eugenio sentaria nas refeições e falava apenas o necessário. ao lado do pai e escutaria seus comentários Por vezes, Eugenio e algum dos irmãos a respeito dos três jornais subia e espreitava à porta que lia por dia, apontando do quarto de hóspedes, em TÃO FURTIVO matérias e explicando como QUANTO CHEGOU, O um misto de curiosidade e a imprensa da época era FREI FOI EMBORA. receio, mas nunca de fato parcial ao governo vigente. fazendo qualquer coisa que A TENSÃO QUE Aprendeu que a imprensa era REINAVA NA HORA não fosse apenas observar. tendenciosa em casa, não na DAS REFEIÇÕES Para aumentar ainda mais o escola. AGORA SUMIRA mistério, havia sido orientado O menino se irritava a não comentar com ninguém quando começava o noticiário sobre o hóspede, nem com e não conseguia entender porque a TV era seus coleguinhas da escola. ligada naquele momento, mas era o mesmo Depois de uma semana, sem qualquer princípio das leituras diárias de jornal de despedida ou palavras trocadas, o seu pai. Com um terno e uma seriedade quartinho do segundo andar estava vazio inquebrável, o apresentador do telejornal mais uma vez. Tão furtivo quanto chegou, narrava fatos sem qualquer emoção, o frei foi embora. A tensão que reinava passando para a criança um tédio quase na hora das refeições agora sumira, e foi assassino. O conteúdo televisivo era grego tomada não só pelo clima habitual de aos seus olhos, e as notícias de fechamento almoços e jantares da casa como por um de congresso, cassação de deputados e alívio perceptível. As conversas fluíam atos institucionais não despertavam sua novamente, e um êxtase era sentido na voz curiosidade ou o abalavam como abalavam de cada membro mais velho da família. sua família. Ainda não compreendia. Naquele tempo, Eugenio não podia O Ato Institucional nº 5 foi o golpe mais entender o que a tal estadia significava, ou duro do regime militar. Depois de um ano como as convicções ideológicas e políticas repleto de conflitos e com a intensificação em seu lar poderiam ter arriscado a de protestos como o do movimento segurança de todos. Só anos depois, longe estudantil, em dezembro de 1968 o general do perigo, seus pais puderam lhe contar e presidente Artur da Costa e Silva baixou que o hóspede era, na verdade, um fugitivo o ato que dava liberdade ao governo para dos anos de chumbo. punir e caçar arbitrariamente todos aqueles Mariana Benevides/3oPeríodo

Mariana Benevides/3º Período

O relato de alguém que cresceu em meio ao regime militar

A imprensa da época era manipulada e parcial


Comunicare edição 237 - 05.05.2014