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Nova linha de ônibus em Curitiba

Protestos marcam início do ligeirão Santa Cândida /Praça do Japão Página 04

Que comece o troca-troca

1,4 mil toneladas!

Janela política pertime que vereadores Essa é quantidade de lixo eletrônico e deputados mudem de partido que o Brasil produz anualmente Página 05 Página 11

Curitiba, 12 de Abril de 2018 - Ano 21 - Número 308 - Curso de Jornalismo da PUCPR

O jornalismo da PUCPR no papel da notícia

Última parada

Last Stop

Com ruas tomadas por apoiadores e opositores, ex-presidente Lula encerra comícios pelo Sul do Brasil em Curitiba With the streets taken over by supporters and opponents, ex-president Lula wraps up rallies around the South of Brazil in Curitiba Páginas 6 e 7


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Curitiba, 12 de Abril de 2018

Expediente

Editorial

Armas dos mentirosos S

eis meses antes das eleições de 2018, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro Luiz Fux começa um processo de investigação sobre as fake news. Com a proposta ousada de inibir de vez a propagação de notícias falsas, o ministro tenta dar um passo que, apesar de necessário, parece ser maior do que a própria perna. A expressão, apesar de amplamente conhecida, tomou os holofotes quando começou a ser despejada da boca do presidente dos Estados Unidos Donald Trump sem nenhum precedente nas eleições de 2016. Com ataques deliberados contra a imprensa, Trump foi capaz de dar um novo significado à palavra, e tornar tudo aquilo que fosse contrário ou prejudicial a ele uma fake news. Não é à toa, de qualquer modo. As fake news propagadas pelo governo russo

Comunitiras

para ascender Trump à presidência foram o grande destaque no ano das eleições norte-americanas. Sua obsessão pela imprensa, ainda, ajuda a desviar o foco de alguns de seus fracassos como governante mais poderoso do mundo; ele trata todo esse caso como uma distração aos cidadãos norte-americanos - e com sucesso. E é aí que os veículos de comunicação se desesperam. Com as eleições brasileiras tão próximas e um mundo tão globalizado, o temor da imprensa brasileira e órgãos superiores de justiça é que o mesmo aconteça no país tropical. Portais de notícias falsos são amplamente divulgados em redes sociais como o Facebook e o Twitter, já que não é necessário clicar no link da notícia para ver sua manchete.

Edição 308 - 2018 O caso recente da morte da vereadora Marielle Franco mostra exatamente isso. Tudo no Brasil, hoje em dia, tornou-se uma guerra ideológica. Quando um político de certa ideologia política ganha certa notoriedade, sua direta oposição faz questão de tentar deturpar a visão que a população tem daquela pessoa - às vezes, fazendo uso de informações falsas para macular sua imagem. Ao que tudo indica, os meses mais próximos das eleições presidenciais brasileiras serão marcados por intensos conflitos, principalmente entre a direita e a esquerda. A necessidade de os oponentes digladiar entre si parece ser a única opção em um âmbito cheio de corrupção e mentiras. E, como todos os assuntos sérios no Brasil, a disputa política adquire caráter de clássico no futebol, e dos mais violentos, ainda por cima.

O Comunicare é o jornal laboratório do Curso de Jornalismo PUCPR jornalcomunicare.pucpr@gmail.com http://www.portalcomunicare.com.br Pontifícia Universidade Católica do Paraná R. Imaculada Conceição, 1115 - Prado Velho - Curitiba - PR

REITOR Waldemiro Gremski DECANA DA ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES Eliane C. Francisco Maffezzolli COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO Suyanne Tolentino de Souza

COORDENADORES DE REDAÇÃO /JORNALISTAS RESPONSÁVEIS Miguel Manasses (DRT-PR 5855) Renan Colombo (DRT-PR 5818) MONITORIA Caroline Deina

COORDENADORA EDITORIAL

FOTO DA CAPA

Suyanne Tolentino de Souza

Fernanda Xavier

COORDENADOR DE PROJETO GRÁFICO

CHARGE Isabella Beatriz Fernandes

Rafael Andrade

EDITORES

PAUTEIROS

Évelyn Rodrigues

Paula Araújo

Ruan Felipe

Guilherme Levorato

Rita Vidal

Rodrigo Angelucci

Matheus Ledoux

Barbara Schiontek

Flávia Mota

Camille Casarini

Vanessa Bononi

Stefany Mello

3º Período 3º Período 3º Período 3º Período 3º Período

8º Período

3º Período 3º Período 3º Período 3º Período 3º Período 3º Período

Helena Sbrissia 3º Período


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Curitiba, 12 de Abril de 2018

Perfil

Te amo, minha vida Izabelly Lira 4º período

I

za, vó foi à Igreja. Te amo, minha vida, escreveu dona Tereza num domingo pela manhã, antes de ir à missa, – sagrada: “sem missa, parece que está faltando algo no meu domingo”. O português escasso no bilhete representa a luta vasta pela vida. Nascida em Alagoas, em 1934, Tereza Lira da Silva vem lutando com a vida desde sempre. Os pais, Julia e Jacinto, não tinham condições de criar os 10 filhos. Ela estudou até a terceira série do primário, e ensinava os irmãos mais novos em casa. “Se eu tivesse mais estudo, teria me tornado uma professora de matemática”. Aos 22 anos, ainda no Nordeste, ela conheceu João. O namorado que virou noivo que virou marido. Eles casaram fugidos, pois a mãe dela não aprovava o relacionamento. Mudaram-se para São Paulo logo depois. Os filhos vieram com o tempo, depois da mudança. São cinco. Aurea, Alzira, Cícero e Arliet. A mais nova já nasceu no Paraná. As dores começaram em algum momento durante a formação dos filhos: “meu véio dizia não conseguir me ver sentindo dor sem saber o que fazer”. A criação dos filhos foi árdua. Muito trabalho, muitas dores, pouco tempo para dar carinho e atenção. Apesar disso, os cinco têm verdadeira paixão por ela. Os filhos, desde sempre, estão encaixados na rotina de dona Tereza. “Eu os levava junto comigo para trabalhar na roça, e eles trabalhavam com a gente no boteco”,

Izabelly Lira

afirma. Boteco é o apelido para os vários comércios que seu João teve em Curitiba. Os netos também vieram com o tempo, o primeiro nascido em 1983. São nove. Todos são motivo de orgulho para dona Tereza: “eu queria ter me tornado freira, mas meus netos não me deixam me arrepender de ter casado”. Em 1996, a dor tomou conta por completo. Dona Tereza descobriu um coágulo no cérebro. Após a cirurgia de retirada, com uma perda de memória temporária, ela chamava o genro mais próximo de filho. O marido não a deixou por um instante. A cirurgia não deixou sequelas. Dois anos para frente, ela perdeu a mãe. As duas conversavam por cartas – Tereza ajudava a mãe com dinheiro sempre que podia. A benção para o casamento fugido veio no meio destas escritas. Ela vive. As risadas, os baques, o cair e o levantar, a ensinam. Entre as muitas conversas que temos, ela me conta as histórias da infância. O pai é sempre o herói destes causos. O conto flui, empacando apenas na dificuldade de lembrar nomes e datas. Ainda assim, é muito lúcida para a idade: “o moço que veio trocar meu colchão ficou impressionado porque eu ainda sabia conversar”. Em 2011, ganhou bisnetos. São dois. Se viu avó novamente. A queda mais arrebatadora foi a morte do seu João. Em setembro de 2013, o namorado que virou noivo que foi marido por 57 anos sofreu um AVC. Ela se manteve forte – preocupada com a família. E

”Quero continuar vivendo até quando Deus deixar”, afirma Tereza a família toda zelava por ela. As consequências da perda do companheiro só foram vistas com o tempo. Passei a ouvir seu choro, todas as noites. Ela mudou os móveis do quarto de lugar. Trocou a cozinha. Em datas comemorativas, dona Tereza fica mais distante, pensativa. Ela reaprendeu a viver depois da morte de seu João. A rotina mudou. Além da missa, o domingo só fica completo após uma passada no cemitério. Agora, ela tem de ir ao banco dois dias no mês, para não só pegar sua própria aposentadoria, como a dele. Sozinha, mas nunca desacompanhada, ela é independente. Sabe conversar sobre todos os assuntos em voga. Impõe sua opinião sobre qualquer tema, não desiste de discussão. Mesmo assim, dona Tereza sabe pedir ajuda aos filhos e aos netos quando precisa. Ela ajuda quem precisa por meio da conversa. Não tem como não contar sua vida para dona Tereza. Ela, de mansinho, vai te fazendo ficar confortável. Ela opina e dá conselhos. No final, se a conversa foi longa e por telefone, ela diz: “minhas orelhas estão doendo. Falaram demais!”. Ela é exemplo de mulher de fé na comunidade.

A dona do mercadinho mais próximo ou a da farmácia têm sempre uma história sobre dona Tereza para contar. Ingênua, não entende o porquê: “o que eu tenho de especial, minha filha?”. A especialidade está no jeito forte e simples de levar a vida. Ela ganhou um celular da filha mais nova por segurança. Ela aprendeu a fazer a atender e realizar ligações. Só. Ela afirma ser analfabeta na era da tecnologia: “o padre Cícero dizia que um dia nós seríamos analfabetos, hoje eu entendo o que ele quis dizer, porque não sei mexer nesse toc toc [como ela chama os celulares com touch screen]”. “Velha é a mãe”, ela diz quando um dos filhos a chamam assim. Mesmo sendo conservadora em diversos aspectos, ela sabe que ser idosa não é sinônimo de inutilidade, e permanece lutando pela vida. Dia desses, a encontrei saindo de casa. Estava indo pegar um dos remédios. “Quero continuar vivendo até quando Deus deixar”, falou. Ao se despedir, ela disse que me amava. Dona Tereza ama a Deus, ama o falecido marido, ama os filhos, ama os netos. Apesar de tudo, ela ama a vida.


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Curitiba, 12 de Abril de 2018

Cidades

Confusão e protestos marcam início da nova linha do ligeirão Apesar das reclamações de moradores do Água Verde e desinformação de alguns usuários, linha Santa Cândida/Praça do Japão foi inaugurada Mariane Pereira Thamany Oliveira 3º período

A

nova linha de transporte coletivo ligeirão Santa Cândida/Praça do Japão, que foi inaugurada na quarta-feira, dia 28 de março, provocou muita confusão e desinformação entre os passageiros, além de protestos de moradores da região do Água Verde. Com previsão de transportar 36 mil passageiros por dia, funcionando com novos biarticulados, a linha terá um ganho de tempo de aproximadamente 20 minutos na ligação entre os pontos de partida e chegada, em comparação com a linha Santa Cândida/ Capão Raso. Vindo do norte em direção à Praça do Japão, o ligeirão terá como pontos de parada os terminais Santa Cândida, Boa Vista e Cabral e as estações-tubo Passeio Público, Praça Santos Andrade, Eufrásio Correia, Oswaldo Cruz e a estação-tubo Bento Viana.

Mudanças como a adequação geométrica foram realizadas em torno da Praça do Japão, com o intuito de melhorar as condições das vias e auxiliar no tráfego. O Ministério Público do Paraná chegou a pedir a paralisação das obras nas proximidades do local que iniciaram em 26 de fevereiro, com o objetivo de cobrar da Prefeitura mais informações sobre o projeto e documentos que provem sua necessidade e a comprovação de que houve discussão com a população que mora na região. Mesmo com impasses judiciais e polêmicas, a decisão da inauguração foi tomada pelo prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Com isso, moradores do Água Verde realizaram vários protestos, reuniões e campanhas como o SOS Praça do Japão

e o Abraço Coletivo contra o projeto, devido às condições de modificação que foram feitas na praça, pois nem todos os moradores concordaram com as obras, acreditando que a passagem do ônibus irá gerar insegurança na região. Um abaixo-assinado foi organizado pela comunidade, e contou com quase 5 mil assinaturas. A manifestação online foi organizada pela cartorária aposentada Aray Gracia, 55 anos, que teme pela estrutura da praça. A reportagem do Comunicare entrou em contato com o SOS Praça do Japão via Facebook do grupo, para que seus representantes falassem a respeito da campanha, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Já para a urbanista Alessandra Luccas, a implementação da linha deveria ter sido realizaThamany Oliveira

da de uma forma mais cautelosa, visto que a obra comprometeu o desenho da Praça do Japão, bem como a circulação de ciclistas e pedestres que passam ali diariamente. Há a necessidade de se pensar numa proposta de conciliar essas duas prioridades junto ao transporte coletivo. Acredito que isso seja possível, pois isso já acontece em outras praças de referência nacional e até na própria Curitiba, como a Praça Carlos Gomes”.

Usuários confusos A nova linha tem causado confusão para alguns passageiros que utilizam o coletivo, e também revolta para outros que usam as linhas de ônibus que param nos mesmos tubos nas proximidades da praça para aguardarem os ônibus, já que o número de pessoas dentro e fora dos tubos é grande, causando lotações e filas. Outro ponto de reclamação dos usuários é a falta de identificação da nova linha, pois, segundo os usuários, o ônibus também é vermelho e realiza o embarque e desembarque nas mesmas plataformas que os outros biarticulados.

Proposta da nova linha é diminuir o tempo de trajeto

A reportagem do Comunicare entrou em contato com a Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (Setran), para que a mesma comentasse sobre as reclações do trânsito, após as modificações em torno da Praça do Japão, porém não obteve resposta até o fechamento dessa edição.


Curitiba, 12 de Abril de 2018

Migração partidária permite dança das cadeiras Parlamentares que pretendem trocar de partido precisam comunicar a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral Gabriel Domingos 3° período

D

Para Rosinha, a troca constante também impede o eleitor de aprofundar conhecimentos sobre a ideologia de um partido o que direciona os votos apenas à figura do político. O vereador Goura, de Curitiba, que em 2014 foi candidato a deputado federal pelo Partido Verde (PV), e em 2016 mudou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT) para ser eleito vereador da capital do estado, também se posiciona contrário às mudanças na janela partidária. Para Goura as trocas levam em conta motivos “pouco republicanos”, como o interesse em um maior fundo partidário para propagandas e a probabilidade de se eleger com base nos votos dos grandes nomes do partido.

Política

Gabriel Domingos.

esde 2015, os deputados federais, estaduais e vereadores possuem pela Lei n°13.165 o direito de mudar de partido durante o período de um mês em ano eleitoral. A janela partidária dá ao político o direito de deixar o partido atual e buscar o acordo com um novo, sem o risco de perder o mandato. Para que a troca seja efetuada, o parlamentar precisa comunicar a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Porém, tal prática não é unanimidade entre os políticos. O deputado federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná, Doutor Rosinha, criticou os parlamentares que mudam de partido. “Os interesses nas mudanças são pragmáticos visando apenas uma melhor posição política e outros benefícios”.

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Janela partidária permite a troca de partidos na Câmara Municipal O art. 22-A da lei 9096, atualizada em 2015, diz que o deputado que mudar de partido fora do período da janela perderá o mandato por infidelidade partidária. O TSE considera, pela resolução n° 22.580 de 2007, que o mandato parlamentar pertence ao partido. As únicas hipóteses para mudanças que ocorram além do período permitido estão previstas na lei n°13.165. São três as hipóteses aceitáveis: grave discriminação política pessoal, desvio no programa partidário contrário as intenções do parlamentar e criação de um novo partido. A cientista política Gabriela Netto explica que os partidos podem perder ou ganhar força dependendo da quantidade de acordos que negociarem. Gabriela usa como exemplo o Partido Social Liberal (PSL) que no primeiro dia da janela angariou seis novos deputados. A cientista

política aponta que o motivo da troca de sigla por parte do deputado visa a maior chance de ele se eleger, além de benefícios como maior tempo de propaganda. A reportagem do Comunicare ouviu 220 eleitores nas ruas de Curitiba sobre quais são influências do partido e do candidato na hora de votar. 47,7% dos entrevistados disseram que são influenciados mais pelo candidato, enquanto 38,6% afirmaram serem mais influenciados pelo partido. 13,7% não quiseram ou não souberam responder. Professor de ciências políticas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Rodrigo de Alvarenga entende que os partidos brasileiros não construíram identidade forte o suficiente para conquistar votos levando o eleitor a focar na figura do candidato. Outro dado levantado pela

reportagem foi o percentual de apoio a um candidato que opta por mudar para um partido de ideologia oposta ao atual. Entre os 220 eleitores, 59% disseram não apoiar uma mudança brusca de partido enquanto 27,3% apoiariam essa troca. 13,7% dos entrevistados não quiseram ou não souberam responder. Este dado causa discordância entre especialistas do meio. Para Gabriela, as mídias sociais ajudaram a população a conseguir melhores informações sobre as ideologias de seu candidato e por isso não o apoiariam se mudasse bruscamente de posição. Enquanto o professor Alvarenga acredita que a mudança de agremiação é uma notícia “fogo de palha” que não causa grande impacto no pensamento do eleitor.


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Curitiba, 12 de Abril de 2018

Política

Manifestações pró e contra o expresidente Lula ocupam Curitiba Mesmo sob forte chuva, curitibanos saíram às ruas para expressar a sua opinião Fernanda Xavier Matheus Zilio Thais Porsch 3º período

N

a última quarta-feira do mês de março (28), Curitiba foi palco de manifestações contra e a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cidade foi escolhida para ser a última na qual Lula passou com sua caravana pelo Sul do país. A vinda do ex-presidente mobilizou grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), que

policiais militares da tropa de choque e da cavalaria se colocaram entre os manifestantes para evitar confronto e, mesmo com muita chuva, as manifestações não pararam. A tarde do dia 28 começou com a manifestação do MBL. O grupo se concentrou às 15h no Parque Barigui e tinha como ponto final a Praça Nossa Senhora de Salete, no

“Lula ladrão, seu lugar é na prisão ”

organizou uma manifestação no mesmo dia para protestar contra ele. Os dois grupos quase se encontraram, na região central da capital paranaense, mas

Centro Cívico. Durante a concentração ocorreram vendas de bonecos do ex-presidente encarcerado, além de blusas e bonecos do presidenciável, deputado Jair Bolsonaro.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como: “Lula ladrão, seu lugar é na

ladrão é na prisão, e não em um palco como está. Nosso ato é pacífico, protocolado e

prisão” e “viva Sérgio Moro”. A organização do evento distribuiu ovos aos manifestantes com o intuito de jogá-los contra a caravana do ex-presidente caso ocorresse o encontro entre os dois movimentos.

autorizado pela polícia, e tem como objetivo mostrar nossa indignação com a justiça que está sendo colocada em estado de choque por um Supremo Tribunal Federal que não tem coragem de julgar e fica postergando”.

“Viva Sérgio Moro”

Uma das organizadoras da manifestação contra Lula e relações públicas do Movimento Curitiba Contra a Corrupção, Narli Rezende disse que a carreata foi um ato de “repúdio” à presença do ex-presidente em Curitiba. “Ele está vindo para afrontar a justiça e principalmente a República de Curitiba. Lugar de Fernanda Xavier

Grupo contrário ao ex-presidente Lula se reuniu no Parque Barigui

Vinda de Blumenau, Santa Catarina, para participar do ato, Alcione Klaine, disse que o Brasil precisa se unir para evitar o avanço do comunismo. “É a nossa terra, nós que trabalhamos, não podemos deixar isso para trás. Precisamos acabar com essa festa do PT, do comunismo no nosso país”. Segundo Thiago Vieira Pereira, tenente do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), estavam presentes na concentração do MBL aproximadamente 200 pessoas. O tenente disse ainda que a Polícia Militar optou por não interferir no trânsito, deixando de fazer a escolta dos manifestantes. Porém, por volta das 15h30, o grupo deixou o Parque Barigui rumo ao centro de Curitiba e tentou invadir a manifestação pró-Lula, mas, policiais militares se posicionaram com a cavalaria para impedir o encontro dos movimentos distintos, e os manifestantes do MBL se dirigiram para a Praça 19 de Dezembro, o que


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Política Thais Porsch

pelo Sul do país foi o fato de que a ação do poder judiciário federal contra ele se iniciou na capital paranaense. E também, por Curitiba ter sido denominada de “República de Curitiba”, uma espécie de ponto de honra para os dois lados da polarização política. Para o mestre em filosofia e diretor do Instituto Ciência e Fé, Fabiano Incerti, a polarização política sempre existiu e continua existindo, inclusive nos países desenvolvidos. Para Incerti, a dificuldade está na intolerância e nos discursos de ódio que vêm se propagando. “O problema é que isso tem ultrapassado uma lei mínima civilizatória. O que é incomum é que a gente se torne intolerante, preconceituoso, violento”.

Caravana de Lula acontece com multidão reunida embaixo de chuva provocou um enorme congestionamento de veículos na região.

que discursaram a favor da candidatura de Lula e contra sua possível prisão.

No início da noite, segundo a Polícia Militar, aproximadamente 5 mil pessoas estavam na Praça Santos Andrade aguardando o pronunciamento do ex-presidente Lula, que subiu ao palco por volta das 19h45.

O secretário geral do PT no Paraná, Angelo Vanhoni, disse que a caravana que seguia o ex-presidente Lula não teve a segurança necessária durante a passagem pelo Sul do país. Uma noite antes da chegada de Lula a Curitiba, um dos ônibus da caravana foi alvejado por quatro tiros.

Mesmo sob forte chuva, o ex-presidente discursou e desafiou a justiça a provar qualquer crime que ele tenha cometido e também atacou a imprensa. “Eu não tenho nada contra a Lava-Jato. Eu tenho conta a mentira. Eu não quero morrer sem ver o William Bonner começar o Jornal Nacional pedindo desculpas a mim e a minha família”. Além de Lula, estiveram presentes no ato outros representantes do PT, como a ex-presidenta Dilma Rousseff e a senadora Gleisi Hoffmann,

“Nós solicitamos que a Polícia Militar fizesse a segurança da caravana. Não tivemos a segurança que achávamos que deveríamos ter. Era correto que uma viatura estivesse comboiando a caravana”. A manifestante Lucia Aparecida Rize veio de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, e compareceu também à manifestação de janeiro na cidade de Porto Alegre em apoio ao ex-presidente.

Lucia veio a Curitiba “para dar uma força devido aos ataques na caravana do Lula”. Segundo ela, a importância desses

cia como um mecanismo de alcance. De uma cidadania plena e com direitos básicos para todos.

Sobre as eleições de 2018, o professor afirma que serão um reflexo do sistema polarizado que o Brasil enfrenta. “Sem dúvida haverá uma eleição polarizada, além

“Eu não tenho nada contra a Lava-Jato. Eu

tenho contra a mentira. Eu não quero morrer sem ver o William Bonner começar o Jornal Nacional pedindo desculpas a mim e a minha família” atos é fundamental para garantir o futuro dos jovens e do país, e espera para as próximas eleições “uma campanha eleitoral limpa, democrática e com respeito”.

Polarização e intolerância O cientista político Marcelo Bordin explica que as pessoas precisam pensar a democra-

Ele também afirma que o país precisa de um plano de estado que proporcione cidadania para o povo e não uma polarização de esquerda e direita, porque isso “não nos levará a nenhum lugar além do que já sabemos”. Bordin acredita que a razão que fez Lula escolher Curitiba para finalizar sua caravana

das influências das mídias digitais, como as fake news”. Incerati conclui que a situação vivida pelo país hoje não é algo simples a ser resolvido, pois a política é um sistema complexo, no qual o Brasil ainda enfrenta uma democracia imatura comparada a outras nações.


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Curitiba, 12 de Abril de 2018

Politics

Manifestations pro and against expresident Lula take over Curitiba Even under pouring rain, curitibanos went to the streets to express their opinions

I

Fernanda Xavier Matheus Zilio Thais Porsch 3nd period

n the last Wednesday of March (28), Curitiba was stage of the manifestations against and in favor of ex-president Luiz Inácio Lula da Silva. The city was chosen to be the last one in which Lula passed with his caravan through the south of the country.

Translated by Vitória Gabardo 7th period

The arrival of the ex-president mobilized groups like Movement Brazil Free (MBL), that

officers of the shock troop and the cavalry put themselves amongst the protestors to avoid conflict and, even with a lot of rain, the manifestations did not stop. The afternoon of the 28 started with manifestations by the MBL. The group met at 3pm at Barigui Park and had as their final destination Nossa Senhora da Salete Square, at Centro Cívico. During the

“Thief Lula, your place is in jail ”

organized a manifestation on the same day to protest against him.

The two groups almost met, in the central area of the paranaense capital, but state police

gathering dolls of the ex-president incarcerated were sold, besides shirts and dolls of the presidential hopeful, federal deputy Jair Bolsonaro.

The protestors screamed words of protest like: “Thief Lula, your place is in jail” and

in prison, and not at a stage like now. Our act is peaceful, registered and authorized

“Long live Sérgio Moro”. The event’s organization handed out eggs to the protestors with the intention of throwing it at the ex-president’s caravan in case of an encounter between the two movements.

by the police, and has as its main goal to show our outrage with the justice that is being put under shock by a Federal Supreme Court that has no courage to judge and keeps postponing”.

One of the coordinators of the manifestation against Lula and public relations of the Curitiba Against Corruption Movement, Narli Rezende, said that the motorcade was an act of “repudiation” to the presence of the ex-president in Curitiba.

Coming from Blumenau, Santa Catarina, to participate in the act, Alcione Klaine, said that Brazil needs to unite in order to avoid communism. “It’s our land, we are the ones who work, we cannot leave this behind. We need to put an end to PT’s party, of communism in our country”.

“Long live Sérgio Moro”

“He is coming to insult justice and especially the Republic of Curitiba. A thief’s place is Fernanda Xavier

According to Thiago Vieira Pereira, Lieutenant of the Traffic Police Battalion (BPTran), there were approximately 200 hundred people at MBL’s gathering. The lieutenant said yet that State Police chose not to interfere in traffic, not doing the escort of protestors. However, around 3h30pm, the group left Barigui Park towards the center of Curitiba and tried to crash the pro-Lula manifestation, but, state police placed themselves with the cavalry to avoid the meeting of the distinct movements, and the protestors of MBL headed to 19 de Dezembro Square, which caused a huge traffic jam in the area.

Group against ex-president Lula gathered at Barigui Park


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Politics Thais Porsch

the South of the country was the fact that the action of power from the Federal Justice against him started at the paranaense capital. And also, because Curitiba has been referred to as “Republic of Curitiba”, a kind of honor point for both sides of the political polarization. For the master in philosophy and director of the Science and Faith Institute, Fabiano Incerti, the political polarization has always existed and keeps on existing, including in developed countries. To Incerti, the difficulty is in the intolerance and the hate speeches that are spreading. “The problem is that it has gone beyond a minimal civil law. What is uncommon is that we become intolerant, prejudiced, violent”.

Lula’s caravan happens with crowd gathered under the rain At the beginning of the night, according to the State Police, approximately 5 thousand people were at Santos Andrade Square waiting the statement of ex-president Lula, that went up on stage around 7h45pm. Even under pouring rain, the ex-president gave a speech and challenged justice to prove any crime that he committed and attacked the press. “I have nothing against Lava-Jato. I am against the lie. I don’t want to die without seeing William Bonner starting Jornal Nacional apologizing to me and to my family”. Besides Lula, were present in the act other PT representatives, like ex-president Dilma Rouseff and Senator Gleisi Hoffmann, both gave speeches in favor of Lula’s candidacy and against his possible imprisonment.

PT secretary-general in Paraná, Angelo Vanhoni, said that the caravan that followed ex-president Lula did not have the needed safety during the passage through the South of the country. One night before Lula’s arrival in Curitiba, a bus of the caravan was shot at with four gunshots. “We requested that State Police would do the security of the caravan. We didn’t have the safety we thought we would’ve. It would be right that a patrol car was accompanying the caravan”. The protestor Lucia Aparecida Rize came from Mogi das Cruzes, São Paulo, and was present at the manifestation in the city of Porto Alegre as well, in support to the ex-president. Lucia came to Curitiba “to give support due to the attacks at Lula’s caravan”. Accor-

ding to her, the importance of these acts is key to assure the future of the young people of the country, and what she

a reaching mechanism. As a full citizenship and with basic rights for everyone.

About the 2018 elections, the professor states that it will be a reflection of the polarized system that Brazil is facing. “Without a doubt it will be

“I have nothing against Lava-Jato. I

am against the lie. I don’t want to die without seeing William Bonner starting Jornal Nacional apologizing to me and to my family” hopes for in the next elections “is a clean electoral campaign, democratic and respectful”.

Polarization and intolerance The political scientist Marcelo Bordin explains that people need to think of democracy as

He also states that the country needs a new state plan that provides citizenship to the people and not a polarization of left or right, because that “will not take us anywhere beyond what we already know”. Bordin believes that the reason why Lula chose Curitiba to close his caravan through

a polarized election, and the influences of the digital press, like fake news”. Incerati concludes that the situation being endured by the country today is not something simple to solve, because politics is a complex system, in which Brazil faces an immature democracy compared to other nations.


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Economia

Insatisfação predomina em semana do consumidor Lista divulgada pelo Procon-PR mostra que empresas com mais reclamações em 2016 ainda lideram o ranking de 2017 Thiliane Leitoles 3°Período

N

a semana do Dia do Consumidor, ocorrido em 15 de março e que deveria ser dedicada ao contentamento de compradores, o desagrado prevaleceu. Em pesquisa publicada no dia em alusão à data, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR) divulgou em seu site a lista de empresas mais criticadas no Estado em 2017. As queixas frequentes observadas no ranking são de cobrança indevida/abusiva, produto com vício e problema na resolução de demanda. Os advogados associados Caetano Marchesini e Pedro Henrique Weber afirmam que o processo contra uma empresa pode durar de três meses a um ano, dependendo de diversos fatores. Marchesini diz que a causa mais recorrente é quando o consumidor faz uma compra online e a entrega do produto extrapola o prazo ou não é realizada. Weber, por sua vez, esclarece que, caso o consumidor não tenha seu problema resolvido em contato direto com a entidade, ele deverá entrar em contato com o Procon, que notificará a empresa, tendo ela 30 dias para sanar a falha. Ultrapassado esse prazo, o código dá três opções ao consumidor: reaver o dinheiro investido; exigir que a empresa mande outro produto com as mesmas características; ou o abatimento do preço. Persistindo o problema, será iniciado o processo judicial. A diretora do Procon-PR, Claudia Silvano, comenta que a internet tem tornado o consumidor melhor informado a

Rita Vidal

respeito de seus direitos e deveres, mas ainda está longe do ideal. Para que a informação torne-se atrativa, Claudia diz que o Procon busca informar o consumidor da maneira mais informal possível, mas normalmente esse interesse é despertado no consumidor quando este enfrenta um conflito. A diretora expõe a plataforma www.consumidor. gov.br, em que o comprador encontra a facilidade de não precisar se deslocar até o Procon para fazer a reclamação. “Até mesmo uma pessoa que não seja tão conectada consegue fazer sua reclamação de forma rápida”. Três consumidores, que preferem não ter seus nomes divulgados, demonstraram indignação ao relatarem os problemas que tiveram com a companhia de telecomunicações NET. As principais reclamações foram o descaso com os clientes, a desinformação para esclarecer problemas e o cansativo processo de callcenter. A coordenadora de atendimento ao cliente da NET Carla Cristina Ribeiro diz que o principal meio para a comunicação com o cliente é feito através do aplicativo e canais informativos na programação das televisões. Contudo, apesar de todos os canais para comunicação citados pela coordenadora, a empresa está na lista do Procon com 88 atendimentos no mês de fevereiro. Carla explica que alguns clientes se dirigem direto ao Procon, o que, segundo ela, atrasa a resolução do problema.

Empresas com maior número de atendimento ao cliente em 2017 A Associação Comercial do Paraná (ACP) atende às necessidades dos comerciantes associados por meio da representação institucional e da prestação de serviços. Segundo o vice-presidente da ACP, Camilo Turmina, a associação estabelece um canal aberto com o empreendedor para que a intervenção nos problemas seja menos conflituosa. “A relação entre consumidor e lojista pode ser desgastante, mas acima de

tudo a mobilidade, o equilíbrio e as necessidades devem ser fatores para estabelecer um bom diálogo entre as partes”. A reportagem do Comunicare entrou em contato com a Vivo, líder no ranking de maior número de atendimentos ao cliente em 2017 pela lista do Procon-PR, porém não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.


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Economia

Brasil é o país que mais descarta lixo eletrônico na América Latina Só em 2017 foram produzidos mais de 1,4 mil de toneladas Wesley Fernando 3º período

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egundo o relatório “Global E-Waste Monitor 2017”, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT), o planeta produziu cerca de 50 mil toneladas de lixo no ano passado e só 13% de todo esse lixo foi reciclado. O Brasil é um dos maiores consumidores de produtos eletrônicos no mundo, o problema é como esses equipamentos são descartados depois de pararem de funcionar. Os números da ONU revelam que o lixo eletrônico, ou e-waste, são preocupantes também no Brasil, o país que mais descarta equipamentos eletrônicos em toda a América Latina. Só em 2017 foram 1,4 mil toneladas produzidas, sendo que todo tipo de produto eletrônico entra nessa conta, desde celulares, computadores, até simples medidores de energia. Marlon Antônio Rotava, diretor da Recicla Eletrônicos, empresa que faz a retirada de produtos eletrônicos e tenta a reutilização desses equipamentos, explica quais são os maiores problemas para quem quer fazer a reciclagem desse tipo de lixo no país: “o que mais atrapalha a gente é o custo muito elevado para quem quer trabalhar nessa área, principalmente por causa do processo de manufatura reversa, que é basicamente o método de desmontagem dos aparelhos, já que vários usam mais de 40 elementos, em sua maioria, misturados”.

Rotava também ressalta que a população deveria tomar mais cuidado com o descarte

comum, assim alimentando o crime organizado e até mesmo o trabalho escravo.

Apenas 13% do lixo mundial é reciclado desse tipo de resíduo, “pois as pessoas jogam os aparelhos em terrenos baldios e isso pode causar problemas para a saúde de quem mora perto”. Para o economista José Henrique da Silva o comércio do lixo eletrônico tem um grande problema, o mercado negro que vem sendo criado para esse comércio. Silva pontua que cerca de US$ 19 bilhões em lixo eletrônico no mundo são comercializados ilegalmente ou são jogados no lixo

Em Curitiba, a Prefeitura tem dois projetos que envolvem o setor, um em parceria com o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Informações e Pesquisas no Estado do Paraná (Sescap), e também o programa “Lixo que não é Lixo”, no qual o lixo eletrônico pode ser apresentado à coleta de resíduos recicláveis, porém, apenas duas unidades por pessoa podem ser coletadas.

Leonardo Dellaroza, que já utilizou o programa “Lixo que não é Lixo”, explica como fez para que o seu notebook fosse descartado corretamente: “eu liguei na Prefeitura e agendei um horário para que fosse possível fazer o descarte do aparelho”. Um fator preocupante vem de dados de 2017 trazidos pelo Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), indicando que apenas 724 municípios do país têm uma forma de recolhimento de lixo eletrônico, mas grande parte dessas iniciativas ainda não são reconhecidas ou são ineficientes para os habitantes. Previsto na Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), no Paraná as empresas devem apresentar planos que tornem a logística reversa possível. Wesley Fernando

Empresas buscam lucrar com o lixo eletrônico


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Inovação

Faróis do Saber recebem impressoras 3D Projeto faz parte da terceira geração das edificações públicas Carolina de Andrade Stefany Mello 3º período

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riados em 1994 com o objetivo de oferecer espaços públicos de leitura à comunidade curitibana, os Faróis do Saber ganham agora impressoras 3D, com a proposta de inovação dos espaços por meio da tecnologia. No total são 54 locais existentes na cidade, dos quais 10 serão adequados e revitalizados, funcionando como a terceira geração de faróis, sendo a primeira caracterizada por ter como foco as bibliotecas, a segunda sendo a internet e a terceira as impressoras 3D. No dia 06 de março foi reinaugurado no Pilarzinho o Farol do Saber Manuel Bandeira, localizado na Escola Municipal Professor Herley Mehl, que ganhou a tecnologia tridimensional e já está em atividade, seguido do Farol Rocha Pombo, anexo à Escola Municipal Papa João Paulo XXIII, entregue em março à população do Portão. Além do serviço de biblioteca e internet, agora há os chamados Fab Labs, ambientes destinados à pesquisa e ao

desenvolvimento de ferramentas através da impressão em 3D. Segundo a coordenadora de tecnologia digitais e inovação da Prefeitura Municipal de Curitiba, Stela Endlich, as máquinas viabilizam o contato com a tecnologia e a cultura de atividades práticas e manuais. Além dos alunos do primeiro ao nono ano, a comunidade e os professores também participam da interação com os novos recursos. A iniciativa foi elaborada pelo prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e faz parte de uma série de propostas de projetos pedagógicos relacionadas à tecnologia, segundo a coordenadora. “A importância é estar formando uma população que serão nossos profissionais daqui alguns anos, e que muitas vezes só terão acesso a esse recurso na escola, devido à posição social, tanto a maioria da população, quanto os nossos alunos. Esse caráter social e político é a responsabilidade que a Secretaria

Objetos produzidos pela impressora 3D em termoplástico

Flávia Mota

da Educação tem de pensar o futuro, ou até mesmo o presente”. Stela afirma que até o final do ano a Prefeitura de Curitiba pretende viabilizar outras formas de inovação, fechando parcerias com a Google for Education para novas metodologias educacionais. A professora Patricia Zeni de Sá atua no Farol do Saber Manuel Bandeira e conta que o primeiro projeto realizado foi para a solução de um problema no pomar da escola. As formigas estavam atacando as folhas das árvores, e levado a questão para o farol, as crianças tiveram o objetivo de resolver a situação. A primeira fase foi o projeto no papel, seguido de um protótipo em massinha, depois no computador, e por fim impressas em 3D. “O projeto é interdisciplinar, pois eles aprenderam sobre os vegetais, sobre matemática porque tiveram que criar medidas, fizeram pesquisas no computador sobre a formiga, e sobre química para ver as principais substâncias que as repelem. Para o aluno é um crescimento espetacular, ele aprende a ser criativo e principalmente a resolver problemas”. Dono de uma empresa de protótipos e professor do curso de graduação de Design Gráfico na área de desenhos industriais, Aguilar Seulh Horst é experiente na construção de objetos tridimensionais e argumenta que vê a geração nova educada através do uso das impressoras 3D como muito promissora.

“Você está educando as pessoas e os usuários de uma forma geral para uma visão espacial que não é todo mundo que tem, então quando você traz isso, como no caso dos faróis, você está educando essas crianças em uma linguagem que no passado se fazia através de geometria, e quando você dá esse tipo de ferramenta para as pessoas e crianças, você abre a oportunidade de realmente gerar inovação”. Gestor e desenvolvedor de novos negócios para a Agência de Inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e especialista no ramo de inovação e tecnologia, tendo como foco impressoras tridimensionais, Claudio Navarro atenta que se não houver o mantimento da compra dos materiais utilizados para a impressão em 3D, o projeto passa a ser prejudicado. “Se você tiver pessoas bem qualificadas para ajudar essa comunidade e essas crianças a aprenderem a usar, será um projeto maravilhoso. Caso você coloque um operador que não entenda, ele não saberá tirar o melhor proveito do produto e isso não será passado como informação para as crianças. Outra questão é que as impressoras exigem muito plástico, e esses insumos têm custo, se a Prefeitura reduzir a compra, ela pode começar a prejudicar o projeto”. Até o fechamento da reportagem, não houve confirmação por parte da Prefeitura do valor total investido nas adequações tecnológicas nos Faróis do Saber.


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Público feminino aumenta no futebol americano Falta de outros campeonatos para a categoria é a principal queixa das jogadoras Anelise Wickert Évelyn Rodrigues Paula Araújo 3º Período

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futebol americano vem crescendo no país, principalmente na categoria feminina. Porém, mesmo com esse aumento, o número de times que participa de torneios nacionais ainda é um fator complicador para o esporte. Em Curitiba, por exemplo, há três times de futebol americano composto por mulheres que disputam somente amistosos entre si. Para Débora Dutra da Costa, jogadora do time Curitiba Cold Killers, o principal desafio deste esporte não é o treinamento pesado e sim a falta de visibilidade. “Os esportes ainda são um pouco machistas e no futebol americano não é diferente. Então, é claro, que o time masculino se destaca muito mais. Queremos mostrar que também temos um full pad, que também estamos lutando de igual para igual com os homens. Isso que queremos:

Meninas do Curitiba Cold Killers

igualdade. Ser levadas a sério”. Segundo a jogadora, muitas pessoas têm uma visão equivocada do futebol americano, achando o esporte muito bruto e violento. Porém, conforme Débora, o esporte é na verdade muito estratégico: “quando você entende e aprende, você percebe que ele é muito técnico, ele tem muita estratégia e é muito inteligente. E as pancadas fazem parte, mas nem são tudo isso”. As meninas do Curitiba Cold Killers treinam duas vezes por semana: uma vez nas quartas à noite com duas horas de duração e aos sábados pela manhã com três horas de duração, além de exercícios de musculação e fortalecimento. Agregado a isso, elas têm uma dieta balanceada com proteínas, verduras e legumes e restrição de frituras e doces. Conforme o treinador do Curitiba Cold Killers, Alexandre Zeni, apesar dessa rotina,

o futebol americano pode ser praticado por todos, sem restrições. “O futebol americano é o esporte mais eclético que existe, qualquer que seja o biotipo da pessoa, ela pode ter uma posição dentro do jogo. Para treinar não tem idade mínima e nem máxima, nem peso ou altura exigidos”. A falta de outros campeonatos femininos também é uma queixa de Zeni: “é muito tempo treinando para pouco jogo, então o que se tenta é fazer amistosos, para as atletas terem mais vivência de como funciona o jogo. O campeonato brasileiro tem uma logística muito difícil, pois não é centrado em um local só”. Segundo Mariane Ramos, também jogadora do Cold Killers, o único malefício do esporte é a falta de campeonatos femininos. “No feminino ainda falta visibilidade, para as próprias mulheres verem Evelyn Rodrigues

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Esportes

como é uma coisa legal”. Ela afirma que quando começou a jogar, tinha vergonha e medo, mas que conforme começou a praticar, foi perdendo esses sentimentos e ganhando confiança. “Faz dois anos que jogo e não pretendo parar de jogar. Por isso, meninas, não tenham medo de entrar para o esporte. Nós estamos aqui e estamos fortes mesmo numa modalidade que não é muito divulgada”. Para Ítalo Mingoni, auxiliar de tecnologia da informação da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), o futebol americano é um esporte majoritariamente masculino. Contudo, a participação de mulheres tem crescido bastante nos últimos anos. “Além das jogadoras, já existem juízas de futebol americano, técnicas de equipes profissionais, mulheres que atuam na gestão de federações e ligas esportivas”. Segundo Mingoni, o campeonato brasileiro feminino de futebol americano se iniciou em 2014. O torneio é organizado pela CBFA e acontece anualmente no 2º semestre . A competição do último ano teve seis times, mas a confederação pretende elaborar uma estratégia e ampliar o número de participações. As campeãs do campeonato brasileiro feminino de 2017 foram as meninas do Fluminense, do Rio de Janeiro. O título de 2016, foi das Sinop Coyotes, do Mato Grosso. Em 2014 e 2015, a equipe campeã foi a Cariocas FA, também do Rio de janeiro.


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Cultura

Slam de Curitiba faz tributo às mulheres Movimento completou um ano com o tema “Resistência das Mulheres” Henrique Zanforlin Isabela Lemos 3º período

Henrique Zanforlin

L

iteralmente traduzido como “batida de poesia”, o Slam (campeonato de poesia falada) deu espaço a temáticas femininas na última edição curitibana, ocorrida no sábado, dia 31 de março, no Largo da Ordem. Um tributo ao dia internacional da mulher e à vereadora Marielle Franco, assassinada no começo de março, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o evento contou com intérpretes de libras auxiliando uma participante surda, que teve todas as poesias traduzidas e também ganhou a oportunidade de declamar. A estudante de Pedagogia Nelly Amaral participou pela primeira vez. Ela atende por “Divah Ganjah” na batalha e falou sobre a importância do evento. “É a voz da comunidade que não existe em outros meios de comunicação. O que você vê na televisão é bem diferente da arte na rua”. Feminista há pelo menos três anos, ela explica o que é necessário mudar na sociedade em relação às mulheres. “O fundamental é o homem ‘pró feminista’, que apoia a mulher, reconhecer seu machismo. Aí as coisas começam a melhorar”. A poetisa afirma que o machismo está “incrustado na nossa alma”, por isso, até mulheres têm atitudes do tipo. Nelly lembra que a carga que elas carregam na sociedade já é triste e muito pesada. “A mulher é a mais crucificada, em qualquer erro ela é mais penalizada e subjugada.

Revolucionário, Nick Blackout carrega um discurso inclusivo e o leva até praça pública Meu recado para as manas, feministas ou não, é: perdoem suas irmãs”.

pela Marielle. O atentado a ela também foi contra os representantes populares”.

O Mc de batalha Nick Blackout explica que a poesia marginal é o que traz sentimento aos problemas diários. Ele representou o Paraná no Slam Brasil ano passado e acha que o movimento poderia ter mais espaço em Curitiba. “Foi uma experiência única. Viajei de avião, que é uma coisa que pobre e preto, como eu, não faz sem uma oportunidade como a que a poesia me deu”.

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Paraná, Ana Mello de Azevedo explica que a poesia como forma de protesto é algo antigo. “Shakespeare fazia isso. Depois, Leminski fez. É quase a função vital da poesia”.

O poeta também lembrou da vereadora assassinada e comemorou a participação feminina no Slam. “É bom ter um negócio em praça pública expondo os problemas das mulheres para conscientizar a população. Hoje também é

Ela comenta que, mesmo com as transformações do tempo, sempre há espaço para o que chama de “poesia visceral”. “Há uma visão deturpada às vezes, por ser um movimento de rua. Mas é um espaço útil para se reivindicar coisas. Se tiver reconhecimento, cresce”. Escritor formado em Filosofia, Vander Costa avalia o evento. “É a primeira vez que tenho contato com esse

trabalho e estou maravilhado. Vou procurar me manter conectado e saber mais sobre o evento”. Organizador do evento, Nogueira conta que os finalistas ganham livros como forma de incentivo e para evitar rixas. Ele garante, “quem mais agradar ao público, ganha”. Os finalistas são indicados por dois garotos e duas garotas da plateia, escolhidos como jurados. Na fase final, o vencedor é conhecido pelos aplausos do público. Os encontros do Slam Contrataque acontecem no Largo da Ordem, em frente ao Cavalo Babão. Para declamar, basta levar uma poesia autoral e dar o nome aos organizadores no dia do evento.


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Páscoa judaica, a libertação do povo hebreu A comemoração ocorre sempre do dia 30 de março a 07 de abril Beatriz Tedesco 3º período

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hamado de Pessach e também conhecido como “Festa da Libertação”, a páscoa judaica é comemorada todos os anos durante oito dias e celebra a libertação do povo hebreu do Egito. Neste ano foi celebrada entre os dias 30 de março e 07 de abril. O principal objetivo da comemoração é lembrar do sofrimento que os judeus passaram durante o êxodo do Egito e da ajuda que receberam de Deus nesse período. Segundo o rabino norte-americano de uma sinagoga de Curitiba Menachem Mendel Lbkowski, a mensagem principal do Pessach é que cada pessoa precisa sair de seu Egito particular. “Egito em hebraico significa um lugar muito estreito, uma fronteira.

Cada um tem que sair de seus limites, de suas próprias fronteiras, pular por cima e fazer o que Deus quer da gente”.

“Nesses dias comemos matzá para lembrar do amargo da escravidão”, conta o gráfico Alejandro Blumenfeld.

A preparação da festa começa 30 dias antes. Os judeus separam os alimentos que possuam ingredientes que possam fermentar como trigo, centeio, cevada e aveia, guardam em um lugar lacrado e só abrem depois que os dias de celebração acabam. Outra tradição é a troca da louça usada no dia a dia.

Fora de Israel, os dois primeiros e os dois últimos dias da celebração são considerados feriados aos judeus. Nesses dias existem algumas proibições tais como trabalhar, usar energia elétrica e acender fogo. Na primeira e segunda noite ocorrem um jantar cerimonial chamado sêder. As famílias e amigos se reúnem e praticam rituais, como a leitura da história do êxodo.

Nesse período, eles compram comidas que não fermentam, normalmente em feiras organizadas pelos próprios judeus, já que há restrição desses alimentos durante a festa. O prato mais consumido por eles nessa época é a matzá, um pão sem fermento.

Do terceiro ao sexto dia, são os dias intermediários, nos quais o trabalho necessário é permitido e as restrições dos alimentos continuam. Nos dois últimos dias a celebração aumenta novamente, sendo Matheus Ledoux

Matzá, pão ázimo comido pelos judeus no Pessach e personagens e símbolos do judaísmo

Cultura

que no último há uma refeição festiva chamada de Refeição do Mashiach (messias), na qual é comemorada a futura vinda do messias esperado pelos judeus.

Contexto histórico do Pessach De acordo com a tradição judaica, a primeira celebração do Pessach aconteceu há 3.500 anos, quando conforme a Torá, livro sagrado dos judeus, o povo hebreu lutava por libertação e Deus enviou 10 pragas sobre os egípcios. Após a décima praga, o Faraó decidiu libertar os hebreus, que saíram do Egito liderados pelo profeta Moisés. Porém, após a libertação, o Faraó se arrependeu da decisão que tomou e foi atrás do povo hebreu com seu exército. Mas, Deus não permitiu que os hebreus fossem alcançados, abrindo o Mar Vermelho para que eles passassem e o fechando no momento em que os egípcios estavam o atravessando. Segundo o historiador Bruno Guiguer Costa, há evidências de que essa história realmente aconteceu. Primeiramente, há vilas até hoje no Egito com nomes hebreus, o que prova que eles estiveram lá. Ele afirma que há vestígios encontrados no Mar Vermelho, como pedaços de carruagens. Guiguer também comenta sobre a Estela de Henri, uma pedra contendo inscrições encontrada em 1947. Ao juntar os pedaços da estela, datada por volta de 1.500 a.C, descobriram que o seu conteúdo condiz com os relatos da Torá sobre o êxodo.


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Ensaio

As faces da democracia Grupo antagônicos tomam as ruas de Curitiba Fernanda Xavier Thais Porsch 3º período

Manifestantes com os ovos distribuídos pelo Movimento Brasil Livre

Integrantes do MST participaram da caravana

Manifestantes do MBL na concentração vestindo a bandeira do Brasil

Nem a chuva impediu o povo de ir às ruas

Comunicare 308  
Comunicare 308  
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